Geografia A. * Análise de Notícias. Escola ES/3 de Carvalhos Março 2007

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1 Escola ES/3 de Carvalhos Março 2007 Geografia A * Análise de Notícias Natureza das notícias: socio-económica Localização temporal: actualidade Localização espacial: Europa Jornal: Expresso Data de edição: 18 de Março de 2006 Ana Silva, n.º 3 João Correia, n.º 13 Marta Pereira, n.º 20 Vânia Duarte, n.º 29 Professora Anabela Ventura 1

2 Conselho Europeu quer lisbonizar a economia Por Luísa Meireles A reforma da Estratégia de Lisboa está no centro da atenção política na EU. Lisbonizar é uma estratégia que quer dizer crescimento e emprego baseado na inovação, mantendo o modelo social e europeu no contexto da globalização e do acelerado envelhecimento demográfico. É constituída por uma rede de regiões de Lisboa, que nada tem a ver com a capital portuguesa, esta espalhada pela Europa, algumas das suas regiões constituintes são Helsínquia (Finlândia), Valência (Espanha), Estugarda (Alemanha) e Riga (Letónia), que funcionam segundo os padrões de Lisboa. Segundo Maria João Rodrigues, conselheira especial da comissão, diz que a construção europeia está numa fase crítica, que a construção do mercado interno implica uma visão nacionalista das estruturas empresariais, e que isto será aceitável política e socialmente se for auxiliado por medidas que permitam empregos alternativos sem custos sociais relevantes, ou seja, a utilização das medidas defendidas na Estratégia de Lisboa. Só que apesar de existir um consenso global em torno dos objectivos, as medidas são interpretadas e aplicadas de diferentes maneiras. Portugal foi criticado pela Comissão Europeia, que menciona que este tem falta de clareza nos objectivos do seu programa. Maria João Rodrigues, afirma que o modelo português está esgotado. O problema crítico é o défice estrutural de produtividade, não tem haver com as dificuldades transitórias, mas sim, com o facto da economia portuguesa se direccionar para áreas que não são suficientemente de maior valor acrescentado. A solução é mudar o padrão de economia, sem dispensar os fundos por muitos projectos sem sentido estratégico. Dos problemas diagnosticados por Portugal destaca-se o problema da identificação das prioridades, estas identificadas e as temáticas deverão sair projectos concretos que só puderam alcança o seu objectivo, sendo financiados. A reforma da Estratégia de Lisboa permite instrumentos e fundos específicos que podem ser aproveitados por Portugal. As grandes apostas apontam na combinação de design e das indústrias criativas (têxtil, calçado ou turismo), o desenvolvimento dos novos materiais e tecnologias ambientais, interligando-se com a renovação urbana. Globalização Fenómeno de aculturação à escala global Lisbonizar Actualizar, formar, inovar de acordo com a Estratégia de Lisboa Modelo educativo Exemplo de sistema educativo Défice estrutural de produtividade Índice de produtividade baixo devido a problemas estruturais, neste caso, a baixa qualificação da mão-de-obra Renovação Urbana Reforma e actualização dos espaços citadinos de acordo com o progresso tecnológico Inovação Progressos no sentido de reforma das antigas estruturas sociais, de forma a estas se aproximarem, ou mesmo superarem os modelos mais desenvolvidos Estratégia de Lisboa 2

3 Mais horas na escola e piores resultados Por Mónica Contreras Os portugueses têm uma carga horária escolar superior à dos finlandeses. No entanto, estes estão nos primeiros lugares nas avaliações da OCDE e nós nos últimos. O ensino finlandês é, portanto, um modelo exemplar. Na Finlândia, o ensino obrigatório (1º ao 9º ano) começa aos 7 anos. Os alunos têm tudo gratuito. Desde cedo aprendem a lidar com computadores e com a Internet. É dada particular atenção às disciplinas nucleares como a matemática, a língua materna e as ciências. Os critérios para a selecção de professores são muito exigentes (só cerca de 15% dos candidatos conseguem ingressar). As infra-estruturas foram modernizadas e o ensino adquiriu um carácter mais prático. Em Portugal, e apesar das sucessivas reformas, os alunos continuam a ter fracos resultados. Entre as medidas da actual ministra podemos salientar o facto da aprendizagem do inglês ter sido alargada e ainda a aposta na formação suplementar dos professores do ensino primário. Actualmente, quanto mais forte for a Educação, maior será a competitividade de um Estado. Segundo antigo secretário de Estado da educação, José Canavarro, os alunos portugueses deviam, tal como na Finlândia, passar menos tempo na escola e concentrar-se em menos disciplinas. Na opinião de Carlos Fiolhais, físico, a formação de professores nas universidades deveria ser mais prática e era igualmente importante dar maior relevância às Línguas. Pensa-se que, embora fosse vantajoso aplicar o modelo finlandês em Portugal, este processo não funcionasse da melhor maneira, devido ao nosso atraso sócio-cultural. Ensino obrigatório Número de anos de escolaridade estipulado por lei como impreterível Competitividade Aquisição de condições socio-económicas que permitam ter um papel preponderante nos mercados internacionais 3

4 Relatório da OCDE pede à Europa uma reforma dos sistemas educativos A publicação de um estudo relativo ao sistema de ensino finlandês levou a que se gerasse inquietação por parte de outros países europeus carenciados de recursos humanos. O motivo desta preocupação reside na possibilidade da Europa vir a ficar incapaz de competir com outras economias, salvo se, houver modificações radicais nos actuais sistemas de ensino. Na base do sucesso do sistema de ensino da Finlândia está uma politica que transfere o poder para os directores de escola e para os professores, o que lhes concede autonomia e liberdade necessárias na realização do seu trabalho. Contudo, o relatório diz-nos que houve uma evolução no número de licenciados relativamente a O que é importante reter é que dentro destes países uns evoluíram de uma forma muito mais significativa do que outros. Portugal está a melhorar o seu registo, ainda que timidamente, enquanto que potências como a França e a Alemanha deparam-se com dificuldades em aumentar o número de licenciados. Qualificação da mão-de-obra Nível de formação da população activa de uma região Nível de instrução Tipo de habilitações literárias atingidas por um indivíduo Abandono escolar Saída dos sistemas educativos Economia do conhecimento Sistema económico alicerçado na formação da população activa Competitividade Aquisição de condições socio-económicas que permitam ter um papel preponderante nos mercados internacionais Emprego Condição social em que o indivíduo se encontra a realizar um trabalho remunerado 4

5 Universidades disparam com mais 30% de patentes Por Manuel Posser de Andrade Portugal é dos países da União Europeia que tem menos índices de registo de patentes, no entanto esta realidade está a ser alterada graças às Universidades, porque tem registado as patentes. Nos últimos 2 anos o registo de patentes cresceu mais de 30%. Em 2004, registou-se 235 patentes, o ano passado aumentou para 271 e este semestre já foram solicitados 157 e prevê-se que chegue até ás 300 patentes. Existem 22 Gabinetes de apoio à Propriedade Industrial (GAPI), que tem como função sensibilizar a população para o registo de patentes e dão como exemplo as Universidades dos E.U.A que já são, na sua maioria, financiadas através da exploração que é feita nas patentes. No contexto europeu, Portugal tem 41 patentes e pretende, até 2010, obter 120. No entanto este valor continuará muito aquém de outros países da União Europeia. O nível de inovação de um país é feito com base no registo de patentes, no investimento do I&D, no PIB, ou no número de investigadores da população activa. Para o presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o facto de não se registarem mais patentes, deve-se á dificuldade de se patentear o software na Europa e por vezes as multinacionais criam as ideias cá, mas vão regista-las ao pais onde se localiza a casa mãe. É o caso da Siemens que, apesar de desenvolver acima de 30 patentes nos laboratórios portugueses anualmente, as regista na Alemanha (casa mãe). O Instituto Nacional da Propriedade Industrial, aposta na formação de jovens. Este instituto tem um projecto, que visa formar 12 jovens mestrados ou doutorados, oferecendo bolsas de estudo e estágios duradoiros no estrangeiro, na área a vigilância tecnológica e interpretação de base de dados, com o objectivo de diminuir a falta de profissionalismo e distinguir o que é inovação daquilo que já existe no mercado. Portugal pode inovar no campo da biotecnologia, indústria do mar, metalomecânica, moldes e na indústria farmacêutica, isto está inserido no plano tecnológico que é apoiado pela estratégia de Lisboa. Patente Marca que identifica um produto e, quando registada, lhe assegura exclusividade I&D Investigação & Desenvolvimento ao nível das ciências e das tecnologias. Desenvolve-se sobretudo nas Universidades. População activa Facção da população absoluta que se desempenha um cargo remunerado PIB Produto Interno Bruto soma de bens e serviços produzidos num país, durante um ano. Nº de investigadores por milhão de habitantes % PIB investido em I&D 5

6 Economia do Conhecimento Após uma atenta análise das notícias, verificamos que estas exploram temáticas que estão relacionadas entre si. Como é sabido, Portugal e outros países europeus atravessam um período em que se vêem ultrapassados por outras economias, no que diz respeito a produtos de baixo valor acrescentado, nomeadamente por economias como a China e a Índia. Assim, há uma necessidade acrescida de apostar na formação dos jovens, o que é favorável ao aparecimento de novas ideias e ao desenvolvimento tecnológico, na área da saúde, na exploração dos recursos (turismo, produção de energia, exploração de minas, ) e na redução dos impactes ambientais. Não menos importante é a reconversão de mão-de-obra pois permite elevar os índices de produtividade e, consequentemente, traz desenvolvimento económico. Contudo, como é visível nas notícias referentes aos sistemas de ensino ( Mais horas na escola e piores resultados ), Portugal não apresenta um modelo capaz de competir com as potências económicas acima referidas, nem sequer com os restantes parceiros comunitários. Isso é visível precisamente pelo baixo registo de patentes a nível nacional. É no sentido de suplantar estas dificuldades que surge a Estratégia de Lisboa, que propõe uma maior aposta na Economia do Conhecimento, ou seja, no aumento do nível de instrução e especialização dos profissionais, a longo prazo, assim como no aumento das facilidades de intercâmbios culturais, criação de postos de trabalho internacionais inovadores, aposta em I&D, democratização das novas tecnologias, entre outros. No entanto, apesar da Lisbon Agenda ser um bom ponto de partida em termos teóricos, revelou muitas falhas ao nível da sua aplicação. Denotam-se ainda atrasos nos Planos Tecnológicos nacionais, e, no nosso país, o nível de instrução da população continua incapaz de competir com o dos parceiros comunitários, como demonstra o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2006, publicado pela ONU, onde Portugal, em 28º na tabela de Índice de Desenvolvimento Humano, mas aparece com 1949 investigadores por milhão de habitantes, enquanto que a Finlândia apresenta Portugal investe apenas 0,9% do PIB para I&D, enquanto a Suécia disponibiliza 4%. Para colmatar estas falhas é importante desenvolver um processo gradual que começará, obviamente, por uma perspectiva de prospecção e planeamento dos recursos naturais e, ainda mais importante, humanos: saber onde se concentram, qual o tipo, qual a qualificação, para poder, posteriormente, aplicar melhor os projectos como, por exemplo, o Plano Tecnológico Nacional. Esta é a principal lacuna do nosso país, o planeamento, ou seja, o Ordenamento do Território, que cada vez mais terá de existir de forma intensa, o que só acontece se, para isso, for dispensada atenção política e capital suficiente. 6

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