FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE ELAINE SILVA MAIA

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1 FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE ELAINE SILVA MAIA Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade São Paulo 2010

2 FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE ELAINE SILVA MAIA Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia da Zona leste sob a orientação da Doutora Marly Cavalcanti para obtenção do diploma de Graduação no Curso de Logística. São Paulo 2010

3 MAIA, Elaine Silva Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade / Elaine Silva Maia Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, p. Orientador: Dra. Marly Cavalcanti Trabalho de Conclusão de Curso Faculdade de Tecnologia da Zona Leste 1. Logística. 2. Sustentabilidade. 3. Logística e Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos. 4. Estudo de caso

4 FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE MAIA, Elaine Silva Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade Monografia apresentada à Faculdade de Tecnologia (Fatec) da Zona leste para obtenção do título de Tecnólogo em Logística Aprovado em: Banca Examinadora Prof. Dra. Marly Cavalcanti Instituição: Fatec Zona Leste_ Julgamento: Assinatura: Prof. Hilton Silva Instituição: Fatec Zona Leste_ Julgamento: Assinatura: Tecg. Ricardo Polezi Instituição: SABESP Julgamento: Assinatura: São Paulo, 09 de junho de 2010.

5 AGRADECIMENTO A Deus primeiramente, por me dar condições de realizar este trabalho. A minha família pela compreensão e auxilio durante o desenvolvimento. Ao meu namorado pela compreensão e por me incentivar no desenvolvimento deste trabalho. A minha orientadora por sua paciência e indicações valiosas sem as quais não seria possível a realização deste trabalho. A Fabiana Piffer e ao consultor Luiz Ferreira por ter despertado em mim o interesse por assuntos relacionados à sustentabilidade.

6 O Senhor é meu pastor e nada me faltará Salmos 23:1

7 MAIA, Elaine Silva, Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade, 105 p., trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, A sociedade tem pressionado as empresas para que estas demonstrem práticas sustentáveis. A forma com que as empresas encontraram para demonstrar estas práticas foi através da obtenção de certificados tais como o da ISO14001 e no caso das transportadoras de produtos perigosos, o SASSMAQ. Mas, muitas empresas, mesmo certificadas em virtude de proativas, comentem falhas na questão do planejamento e análise de risco. Em muitos casos, limitam-se a cumprir somente o necessário para se manterem dentro da legislação, dos parâmetros para serem certificadas e, assim, não perderem clientes. As organizações não enxergam os ganhos que o planejamento e uma atitude proativa podem trazer, encarando-os apenas como um custo necessário e não como investimento em longo prazo. Palavras-chave: sustentabilidade; rodoviário; perigoso; planejamento; risco.

8 MAIA, Elaine Silva, Melhores práticas para a análise de risco no transporte rodoviário de cargas perigosas na era da sustentabilidade, 105 p., trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, São Paulo, The Society has pressed the companies to demonstrate sustainable practices. The way that companies found to demonstrate these practices was by obtaining certificates such as ISO14001 and in the case of carriers of dangerous products, the SASSMAQ. But many companies, even certified as a result of proactive, committed faults on the issue of planning and risk analysis. In many cases, are limited to meet only what is necessary to remain within the law, the parameters to be certified and thus not losing customers. Organizations do not see the gains that planning and a proactive attitude can bring, seeing them only as a necessary cost and not as long-term investment. Key words: sustainability; road; dangerous; planning; risk.

9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 - Distorção da matriz de transportes brasileira e dos preços relativos em comparação com os EUA (2001)...24 Ilustração 2 Matriz de Transporte (2000)...25 Ilustração 3 Expressão Método Analise Custo Beneficio Ilustração 4 Questionário...87

10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Acidentes totais...53 Tabela 2 Acidentes totais 2006 a Tabela 3 Composição Horizontal...54

11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABIQUIM Associação Brasileira da Indústria Química EVA Economic Value Added (Valor econômico Adicionado) FISPQ Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico ISO - (International Standard Operate) ONU Organização das Nações Unidas SASSMAQ Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade

12 Sumário Introdução Logística Conceito e definições Processo Logístico Produção Gestão de Estoque Armazenagem Distribuição física e transferência (Transporte) Transporte Modais Rodoviário Ferroviário Aquaviário Dutoviário Aéreo Tipos de Cargas Logística e a sustentabilidade Sustentabilidade de Gestão Conceitos e definições Sustentabilidade ambiental Sustentabilidade econômica Sustentabilidade ambiental versus econômica Análise de Risco Análise de risco empresarial Matriz de riscos Matriz de importância - desempenho Análise de risco ambiental Método Ad Hoc Método das Listagens de Controle Método da Superposição de cartas Método das Redes de Interação... 45

13 Método das Matrizes de Interação Método dos Modelos de Simulação Método da Análise Benefício-custo Método da Análise Multiobjetivo Seleção da Metodologia Logística e Sustentabilidade no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos Panorama histórico Legislação Decreto / Portaria n 204 de 20/05/ Resolução nº 420, de 12 de fevereiro de Resolução CONTRAN/MJ 91 de 04/05/ Resolução nº 701, de 25 de agosto de Resolução nº 1.644, de 26 de setembro de NBR 7500/ NBR NBR NBR NBR NBR NBR NBR Alteração das NBR sobre transporte de produtos perigosos Atribuições específicas do fabricante, expedidor ou destinatário Sustentabilidade na atividade de transporte de produtos perigosos Análise de risco no transporte de produtos perigosos Estudo de Caso ISO Princípios de um Sistema de Gestão Ambiental Importância estratégica da gestão ambiental para as empresas ISO Gestão de Risco A Importância da Gestão de Risco... 78

14 4.3 SASSMAQ Sistema de Avaliação Empresa S Logística Histórico Política Questionário de Avaliação Avaliação Conclusão Referências Bibliográficas ANEXO A Certificado SASSMAQ

15 13 Introdução Atualmente uma palavra que se ouve com extrema freqüência é sustentabilidade. Seja ela na questão ambiental ou no mercado em que as organizações estão inseridas. Historicamente isto vem desde meados dos anos 90, após a fase expansiva da economia mundial (iniciada por volta de 1950 e que tornou visível o profundo impacto ambiental que a atividade produtiva acabou gerando). Além disto, uma série de comportamentos de cunho ambientalista por parte dos consumidores impôs padrões às empresas que, partir dos anos 90, adotaram a questão ambiental como estratégia mercadológica. (MONTIBELLER, 2007, p.103). Conforme Andrade (2002, apud Leite, 2003, p.124), pesquisas realizadas no Brasil em 1998 pelo CNI, pelo SEBRAE e pelo BNDES revelam que: 90% das grandes empresas e 35% das pequenas e microempresas realizaram investimentos ambientais, independentemente de legislação, mas com propósitos de melhoria de competitividade em exportações, de serviços aos clientes, de atendimento às comunidades, de atendimento as organizações não-governamentais e de melhoria da imagem coorporativa. Mas ainda assim, a natureza e seus ciclos naturais são submetidos às leis da racionalidade econômica. (LEITE, 2003, p-103). A retração dos mercados e ameaça de redução dos lucros em períodos de retração econômica, levam as empresas a desprezar as questões ambientais por estas geralmente implicarem em custos adicionais. (MONTIBELLER, 2007, p.102).

16 14 Voltando à palavra sustentabilidade, em poucas palavras, significa explorar de forma controlada a fim de garantir uma continuidade por um longo período (NUNES, 01/09/09 e WWF, 01/09/09). Já no sentido mais abrangente, conforme definição da comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, constituída pela ONU em 1991 (1998, apud Calderoni, p.54 e apud 2007, LEITE, p.127):... Aquele que atende as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as necessidades [...] é um processo de transformação no qual a exploração de recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender as necessidades e aspirações humanas. Mas, qual a importância da sustentabilidade para as organizações, sobretudo as ligadas ao transporte de cargas nos dias de hoje? Sobrevivência. Pois o mercado possui riscos sendo caracterizado por incertezas e pela turbulência, tornando a demanda mais volátil e gerando caos na cadeia de suprimentos em razão de ações, tais como: promoção de vendas, incentivos para as vendas ou regras de decisão como as referentes à quantidade para repedido. Além disto, conta-se também a vulnerabilidade das cadeias de suprimento das organizações aos distúrbios e as disrupções tais como eventos externos - como os desastres naturais - ou internos como a mudança de estratégia de negócio - tais como enxugamento, ou ainda a Terceirização -. (CHRISTOPHER, 2007, p. 234). Além disto, através da análise do risco positivo, a empresa pode enxergar oportunidade de negócios. Em decorrência destes riscos, as organizações precisarão desenvolver programas para gerenciá-los, pois o impacto de eventos não-planejado e imprevisto podem causar sérios efeitos financeiros ao longo de uma rede como um todo. Na obra de Christopher (2007, p ), o exposto fica bem claro através da pesquisa feita na América do Norte onde sugere que organizações ao sofrerem disrupções em suas cadeias de suprimento verificarão significativo

17 15 impacto no preço de suas ações, uma vez que o problema torna-se público. Em média, as organizações que passaram por este problema viram a média de sua renda operacional despencar 107%, o retorno sobre as vendas cair 114% e o retorno sobre ativos cair 93%. Conforme Christopher (2007), as organizações tem se dedicado muito as questões da sustentabilidade do negócio, mas com um enfoque limitado, principalmente voltado para Tecnologia da Informação (TI) e gestão dos processos internos. Mas o risco da sustentabilidade do negócio pode estar na rede mais ampla da qual o negócio é apenas uma parte. Desta forma sugerese a determinação de um perfil de risco buscando localizar os pontos críticos onde se deve focalizar a atenção. Os principais pontos de risco de um negócio são: No fornecimento por ser vulnerável a interrupções, dependência de fornecedores, mau gerenciamento dos suprimentos. Na demanda por sua volatilidade, pelo efeito chicote e situações em que a demanda de um produto afeta a do outro. No processo pelos gargalos, resilência nos processos, capacidade adicional disponível, etc. Ambiental, devido às vulnerabilidades externas e aos impactos gerados pela atuação da empresa. Ficam muito claros os impactos no ambiente gerados por uma indústria, mas sabe-se que não é tão visível quando se trata de uma prestadora de serviços. Pois os capitais são induzidos a produzir enormes quantidades de mercadorias em giro muito rápido do processo produtivo visando o lucro em grande volume que superem as taxas de juros, condição imperiosa para o investimento exigindo mais da natureza pressionando seus processos naturais a ponto de ultrapassar a capacidade de absorção ou da reciclagem natural de resíduos e de rejeitos advindos das atividades de produção e consumo (MONTIBELLER, 2007, p. 103).

18 16 No caso de uma transportadora é mais evidente quando se trata do uso de combustíveis e dos resíduos gerados pela manutenção dos equipamentos (tais como empilhadeiras, porta-paletes, boxes de armazenagem) e dos veículos (peças inservíveis do caminhão). Mas, com uma análise um pouco mais profunda, verifica-se que outros elementos como consumo de água, combustível, papel, perdas no transporte e devoluções, quando submetidos a um planejamento e controle efetivos, além de se reduzir impactos negativos na natureza reduzem-se o custo fixo da empresa, colaborando com o provável aumento de EVA (Economic Value Added) desde que outros fatores sejam favoráveis (tais como uma boa administração da empresa e condições de mercado sem grandes turbulências). Desta forma fica óbvio que a sustentabilidade exige, num primeiro momento, investimentos tais como ajuste no telhado aliado à manutenção do ar condicionado, treinamento para boas práticas para que os funcionários desliguem o computador na hora do almoço para reduzir o consumo de energia elétrica, troca dos equipamentos de descarga e válvulas de pressão das torneiras por aquelas mais econômicas para diminuir o consumo de água, ajuste nas impressoras para impressão frente e verso, opção de selecionar apenas as partes interessantes para reduzir o consumo de papel, roteirização das entregas, de forma a aproveitar os melhores caminhos para economizar combustível, práticas legais para o descarte correto de materiais inservíveis oriundos da manutenção dos veículos e equipamentos de manuseio de carga, políticas para reaproveitamento de material oriundo da logística reversa. Estes exemplos apresentados trazem benefícios tanto para o planeta como para a organização com a redução de custos em longo prazo. O objetivo deste trabalho é mostrar os benefícios da implantação de uma consciência sustentável em empresas transportadoras de carga rodoviária.

19 17 1 Logística Logística é um termo, relativamente, recente e que no principio era ligada a uma imagem negativa da empresa por ser atribuída a culpa pelas entregas não terem sido feitas no prazo ou que simplesmente, não haviam acontecido. Ao mesmo tempo, havia a valorização dos profissionais que fossem capazes de fazer a tal logística acontecer. (ARBACHE, 2006, p. 20). A consciência da importância da logística mesmo estando presente em muitas empresas, ainda está por ser plenamente implementada. Mas, de um modo geral, a logística tem ganhado mais espaço em organizações de todas as atividades e setores. (CHRISTOPHER, 2007, xi). O caso da matéria do USA Today, ilustra que muitas vezes lhe são atribuídas funções que nem são imaginadas, como foi que lhe atribuía à função de atrasar a invasão norte-americana no Iraque. Mas se lhe são atribuídas tantas funções, porque a maioria das pessoas associa a logísticas apenas as operações de transporte e armazenagem dos produtos? (ARBACHE, 2006, p. 20). Para responder esta e outras questões serão apresentadas neste capitulo, os conceitos do que vem ser logística e demais conceitos e assuntos pertinentes ao entendimento da importância da logística nos dias de hoje. 1.1 Conceito e definições A definição de logística irá variar de acordo com o ramo de atividade que a organização desempenha. Por exemplo, para a Marinha que se refere à

20 18 logística como a ciência de prever necessidade e prover soluções. Já para o Council Logistics Management (sendo esta a maior referência em logística no mundo, principalmente em varejo uma vez que evoluiu do conselho de distribuição física), define logística como sendo o processo de planejar, implementar, e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços [...] cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender os requisitos do consumidor.desta forma, percebe-se que o escopo da logística vai além da movimentação e armazenagem dos produtos. (ARBACHE, 2006, p. 21). Christopher (2007, p. 3), constatou que: Logística é o processo de gerenciamento estratégico da compra, do transporte e da armazenagem de matérias-primas, partes e produtos acabados (além dos fluxos de informação relacionados) por parte da organização e de seus canais de marketing, de tal modo que a lucratividade atual e futura seja maximizada mediante a entrega de encomendas com o menor custo associado. A logística imaginada como apenas ligada à área de estoques e transporte, se deve ao fato destas serem suas atividades mais importantes. Porém, atualmente, com a concorrência tão acirrada gerou a necessidade de integrar os processos internos e externos para que os custos e as ineficiências fossem reduzidos. (ARBACHE, 2006, p. 22). A logística procura essencialmente criar um plano único para o fluxo de produtos e de informação ao longo do negócio. (Christopher, 2007, p. 4). Para Porter (1989, p. 22), a estratégia de uma unidade empresarial é o caminho para a vantagem competitiva que determinará o seu desempenho. Vantagem competitiva sustentável tem sido a preocupação de todo administradora que esteja consciente das realidades do mercado. (Christopher, 2007, p.6). Porém deve ser salientar que uma gestão logística eficiente e bem planejada pode não trazer a vantagem esperada caso tenha havido uma avaliação deficiente de mercado, dos clientes ou do poder de barganha dos fornecedores, por exemplo. (ARBACHE, 2006, p. 29).

21 19 A fonte da vantagem competitiva está na capacidade da organização se diferenciar de seus concorrentes perante o cliente, operando com um custo menor e conseqüentemente com maior lucro. (CHRISTOPHER, 2007, p. 6). O problema está em que alguns requisitos para atender o cliente da melhor forma possível implicam em gastos muito elevados chegando a alguns casos a ser inaceitável. Sendo este um desafio da logística na nova economia. (ARBACHE, 2006, p. 35). Christopher (2007, p. 7), afirma que tradicionalmente sugere-se que o principal caminho para a redução de custos é com o ganho em maiores volumes de vendas. O objetivo da empresa é que ela gere lucro, mas, devido à concorrência pode haver a necessidade de investimentos que podem gerar lucros decrescentes, devido aos consumidores buscarem um preço mais baixo e uma maior qualidade do serviço. (ARBACHE, 2006, p. 36). Se o produto que se oferece não é diferenciado em relação aquele oferecido pelo concorrente, então esse produto será tratado como commodity, ou seja, sem diferenciação, assim a venda tenderá para aquele que oferecer o menor preço. (CHRISTOPHER, 2007, p. 8). Se o produto for tratado como commodity então a empresa deverá investir em produtividade para diferenciar-se no preço, ou na estrutura para diferenciar-se em nível de serviço. (ARBACHE, 2006, p. 38). Arbache (2006, p. 37), em sua obra, afirma que: Para que seus produtos sejam adquiridos, as empresas deverão esforçar-se para atingir uma posição de liderança no mercado, por produtividade (baixo custo) ou fornecer um nível de serviço sem competidores. [...] Quando a empresa atinge a condição de líder em custos [...] devendo preocupar em [...] melhorar na mesma velocidade do mercado.

22 20 Observa-se que a força da marca tende a declinar. (CHRISTOPHER, 2007, p. 9). Neste contexto, apresenta uma nova postura no processo decisório de aquisição. (ARBACHE, 2006, p. 47). Desta forma, tornou necessário o uso de outros meios para ganhar vantagem competitiva, normalmente vinculada ao processo de desenvolvimento de relacionamento com clientes através da oferta de serviços. (CHRISTOPHER, 2007, p. 9). Nesta situação, o consumidor passa a dar maior importância ao conjunto de atributos oferecidos junto com o produto, e que o ajustem às suas necessidades específicas tais como disponibilidade, suporte técnico pós-venda e prazo de entrega que, em alguns casos, passam a ter mais importância do que o próprio produto. Se o cliente não encontrar o que ele busca na empresa, não hesitará em buscá-la em outra. (ARBACHE, 2006, pp ). O empresário pode pensar que um cliente não faz a diferença, mas as estratégias para redução de custo baseiam-se na economia obtida pela venda em escala. Perder um cliente significa um a menos para atingir a economia planejada. (CHRISTOPHER, 2007, p. 9) Para se evitar este gargalo, há um caminho cada vez mais eficiente que para se obter vantagem de custo que vem pela logística e pelo gerenciamento da cadeia de suprimentos. (CHRISTOPHER, 2007, p. 10). A vantagem competitiva tem origem nas atividades distintas que a empresa desempenha no projeto, produção, marketing, fornecimento e suporte do produto. Cada uma destas atividades contribuem com custos e podem criar uma base para diferenciação junto aos clientes, sendo o que Michael Porter chama de cadeia de valor. A vantagem competitiva depende de como a empresa organiza e desempenha estas atividades. As organizações devem olhar para cada uma destas atividades e avaliar se elas têm vantagem competitiva real. Se não, deve se considerar a terceirização desde que o terceiro ofereça esta vantagem. (CHRISTOPHER, 2007, pp ). De acordo com o exposto, percebe-se a importância da logística moderna, que, conforme Arbache (2006, p. 49):

23 21 [...] está baseada na gestão eficaz e eficiente das informações referentes aos dois pontos básicos da cadeia de negócios demanda e oferta -, de forma que a empresa possa atender às necessidades do mercado que atua, a um custo adequado, garantindo assim, a rentabilidade dos produtos ofertados. Os processos logísticos devem [...] criar valor para o cliente e construir um relacionamento duradouro. No item 1.2 deste capítulo serão discutidos os pontos de relevância do processo logístico. 1.2 Processo Logístico Os processos logísticos são as atividades tais como a produção, gestão de estoque, armazenagem e distribuição física que em conjunto são capazes de conferir ao cliente vantagem em valor em produtividade a fim de construir um relacionamento duradouro. (ARBACHE, 2006, p. 48). Serão abordados nos itens 1.2.1, 1.2.2, e deste capítulo cada uma destas atividades Produção A produção tem grande peso na estrutura de um produto, sendo responsável por até 30% destes. Para diminuir custos e atender a demanda quanto a customização dos produtos, algumas organizações passaram a utilizar o modelo de produção puxado, ou seja, o fluxo decisório passa a ser no cliente comandada pelos inputs oriundos dos pontos de venda, visando à diminuição do estoque no processo de produção e, conseqüentemente, os custos para a manutenção do mesmo. (ARBACHE, 2000, p. 51).

24 Gestão de Estoque Gestão dos estoques é um dos pontos mais importantes para a empresa, pois precisa ser muito bem executado. O motivo é que a existência do estoque tranqüiliza a empresa com relação às flutuações de demanda para a manutenção de seu nível de serviço, mas, por outro lado, é fonte de constante atrito devido ao capital investido. (ARBACHE, 2000, p. 54). Em épocas de inflação os custos com estoques não são sentidos porque, em sua maioria, os ganhos financeiros quase sempre compensavam o gasto com sua manutenção. Por outro lado, em tempos de estabilidade, a manutenção de estoques passa a ser bastante discutido devido aos indicadores econômicos, principalmente o valor econômico adicionado (EVA) serem diretamente afetados pelo custo de oportunidade de capital oriundo dos produtos em estoque. (ARBACHE, 2000, p. 54). Então, três pontos precisam ser conhecidos para que se faça uma boa gestão dos estoques. Até quanto tempo podemos adiar o processo de manufatura ou montagem de um produto até que a demanda seja realmente conhecida. (ARBACHE, 2000, p. 55); Previsão de demanda com previsível grau de assertividade, quanto mais próximo do ponto de consumo, melhor é a previsão. Por isto, tem crescido a busca por informações no ponto de venda por meios automatizados e estudos sobre as condições socioeconômicas da região. (ARBACHE, 2000, p. 55); O terceiro ponto refere-se à localização do estoque. Buscando qual é a melhor opção, se é centralizar ou descentralizar o estoque.

25 23 Esta definição depende de quatro variáveis: tempo de resposta, giro do produto, valor agregado e exigência de disponibilidade pelos mercados. (ARBACHE, 2000, p. 56) Armazenagem Seu planejamento e formatação terão impacto importante no desempenho da distribuição dos produtos. Por este motivo requer um gerenciamento moderno, com a adoção de processos e sistemas aplicados à movimentação e estocagem, mudando a visão tradicional de que uma instalação com armazenagem seja um local destinado à guarda de produtos. (ARBACHE, 2000, pp ) Distribuição física e transferência (Transporte) Conforme Fleury, (2000, p. 409): o transporte de cargas é o principal componente dos sistemas logísticos das empresas. [...] o transporte representa 64% dos custos logísticos, 4,3% do faturamento, e em alguns casos, mais que o dobro do lucro. Tanto para empresas públicas quanto para as privadas, a principal decisão com relação ao transporte de cargas é a escolha dos modais de transporte. (FLEURY, 2000, p. 409). Devido à importância desta escolha, será feita a explanação de cada um deles nos subitens do item 1.3.

26 Transporte Modais São cinco os modais de transporte de cargas: rodoviário, ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo. (ARBACHE, 2006, p. 67). Conforme Fleury, (2000, p. 409), Cada um possui estrutura de custos e características operacionais específicas que os tornam mais adequados para determinados tipos de produtos e de operações. [...] em relação aos [...] custos, cabe destacar o nível de imobilização de capital em ativos fixos, a existência de economias de escala associadas ao seu uso e a presença de rendimentos crescentes ou decrescentes de escala no consumo de combustíveis, de lubrificantes e de materiais de reposição. [...] escopo dos serviços prestados, por sua vez, merece destaque à possibilidade de contratar junto com os transportadores de serviços de maior valor agregado com base em conhecimento, como, por exemplo, projetos de consultoria em logística [...]. Conforme Fleury, (2000, p. 412), no Brasil, os preços relativos aos modais de transporte possuem a mesma ordenação encontrada nos EUA: aéreo (maior), rodoviário, ferroviário, dutoviário e aquaviário (menor). [...]. Segue abaixo gráfico que ilustra o acima exposto: Ilustração 1 - Distorção da matriz de transportes brasileira e dos preços relativos em comparação com os EUA (2001) Fonte: Fleury, 2000, p. 419

27 A seguir será abordada uma breve descrição dos custos envolvidos e da operação para cada um dos modais Rodoviário Na questão de custos, o modal rodoviário apresenta pequenos custos fixos, uma vez que a construção e a manutenção de rodovias dependem do poder público e seus custos variáveis (por exemplo, combustível, óleo e manutenção) são medianos. (FLEURY, 2000, p. 412). Principal modal utilizado, o rodoviário responde por 60,34% do total de cargas movimentadas no Brasil. Sendo utilizado para o transporte de quase todos os produtos manufaturados. Sua predominância é oriunda da deficiência nos demais modais. (ARBACHE, 2006, p. 68). Ilustração 2 - Matriz de Transporte (2000) Fonte: Araujo, 2007, p. 20 O transporte rodoviário compete com o aéreo na preferência para o transporte de pequenas cargas com relação a peso e dimensões - e com o ferroviário nas grandes.

28 26 Este tipo de transporte é indicado para operações de coleta e de entrega de mercadorias, as denominadas pontas do serviço de cargas, devido à sua flexibilidade de roteirização e por quase não apresentar limites para onde chegar. (ARBACHE, 2006, p.68; FLEURY, 2000, p. 413). Este modal será abordado no capítulo 3 no que tange ao transporte rodoviário de um tipo de carga, a de produtos perigosos Ferroviário Este modal apresenta custos fixos elevados, devido à necessidade de substanciais investimentos em trilhos, terminal, locomotiva e vagões. Já seus custos variáveis são pequenos. (FLEURY, 2000, p. 412). O modal ferroviário deveria ser o grande modal de transporte brasileiro, mas durante muitos anos ficou restrito ao transporte de minérios e combustíveis. O processo de sucateamento e abandono impediu qualquer utilização racional desse modal. (ARBACHE, 2006, p. 68). Indicado para o transporte de grandes distâncias, devido ao seu menor custo, torna-se opção para a melhoria do desempenho dos produtos que tem sua competitividade comprometida pelos custos de transportes e manuseio. (ARBACHE, 2006, p. 68). O ponto de gargalo deste modal é o carregamento e o descarregamento. (Arbache, 2006, p.68), bem como a disponibilidade da malha ferroviária, a qual determina até onde este modal pode chegar. (FLEURY, 2000, p. 413). Com a privatização do sistema, deve-se início ao processo de recuperação deste modal, incluindo mudança de estratégia para atingir setores antes não servidos pela ferrovia. (ARBACHE, 2006, p. 68).

29 Aquaviário O modal aquaviário apresenta custos fixos medianos, decorrentes dos investimentos em embarcações e equipamentos, mas seus custos variáveis são pequenos graças à sua capacidade de transportar grandes volumes e toneladas. (FLEURY, 2000, p. 412). Compreende os modos: marítimo e o hidroviário. O marítimo é caracterizado pelo transporte de longo curso e a cabotagem (termo que define o transporte na costa de um país ou de países fronteiriços, e apresenta várias escalas). (ARBACHE, 2006, p. 69). Para Arbache, (2006, p. 69) o hidroviário, utiliza os rios, sendo indicado para o transporte de produtos volumosos, pesados, de baixo valor unitário e que possam ser carregados e descarregados por sistemas mecânicos. O Brasil pode obter vantagem competitiva no comércio internacional com a utilização deste modal graças ao seu baixo custo e grande capacidade de carga. (ARBACHE, 2006, p. 69; FLEURY, 2000, p. 413) Dutoviário Modal que apresenta os custos fixos mais elevados, devido ao direito de passagem, construção, estações de controle e capacidade de bombeamento. Em contrapartida, apresenta custos variáveis quase nulos, às vezes desprezíveis. (FLEURY, 2000, p. 412) O modal dutoviário é utilizado para transportar produtos específicos, tais como petróleo e seus derivados, gás natural, minério, água, grãos entre outros. (ARBACHE, 2006, p. 70)

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