O uso das mídias sociais para fins de ensino e aprendizagem: estado da arte das pesquisas do tipo survey

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1 O uso das mídias sociais para fins de ensino e aprendizagem: estado da arte das pesquisas do tipo survey Arquimedes Pessoni Possui graduação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo (1984), mestrado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (2002) e doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (2005). Pós-doutorando em Medicina na Faculdade de Medicina do ABC (linha de pesquisa em educação na saúde), professor do corpo permanente do Programa de Mestrado em Comunicação e também de graduação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e docentecolaborador da disciplina de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina do ABC. Atua principalmente nos seguintes temas: saúde, comunicação científica, comunicação organizacional, assessoria de imprensa, educação. Marco Akerman Professor Titular do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP. Médico (1981) e especialista em Saúde Pública e Medicina Social (1983) pela Universidade Federal de Minas Gerais; especialista em Gestão Hospitalar para o Setor Público pela Fundação Getúlio Vargas (1986); Mestrado em Planejamento e Financiamento do Setor de Saúde (1989) e PhD em Epidemiologia e Saúde Pública (1993), pela Universidade de Londres; Especialista em Ativação de Mudanças na Graduação de Profissionais de Saúde pela FIOCRUZ (2005); Livre-Docente pela Faculdade de Saúde Pública da USP (2012). Professor Titular de Saúde Coletiva ( )) e Vice- Diretor (mandato ) da FMABC. Vice-Presidente Regional para América Latina da União Internacional de Promoção e Educação na Saúde (mandato ); Coordenador do GT de PS e DLIS da ABRASCO (desde 2011). Pesquisador do CEPEDOC Cidades Saudáveis. Resumo O propósito deste artigo foi conduzir uma revisão de trabalhos acadêmicos disponíveis virtualmente que foquem o uso de mídias sociais no contexto educacional. O objetivo principal é identificar o estado da arte da discussão, tendo como recorte as pesquisas que utilizaram a técnica de aplicação de survey com alunos e professores como parte da metodologia aplicada. Foram utilizadas as bases de pesquisa disponíveis no sistema Capes Periódicos e Google Acadêmico num recorte temporal de 5 anos (2009 a 2013), usando as palavras-chave Facebook, Comunicação, Educação e Saúde (e suas versões em inglês), relacionadas às mídias sociais e educação em saúde. Entre as conclusões, o estudo apontou que o assunto é novo e que há pesquisas com resultados positivos no campo da aprendizagem, mas ainda há questões de segurança e privacidade que merecem atenção dos docentes e alunos envolvidos no uso de rede social, principalmente o Facebook, como plataforma de ensino. Palavras-chave Facebook; Comunicação; Educação e Saúde; Survey. Abstract The purpose of this article was to conduct a review of academic papers available that focus on virtually using social media in the educational context. The main objective is to identify the state of the art discussion, with the cut out the research using the technique of applying survey with students and teachers as part of the methodology applied. The basis of available research in Capes Periodicals and Google Scholar in a time frame of 5 years ( ) system were used, using the keywords 29

2 Facebook, Communication, Education and Health (and its English versions) related to social media and health education. Among the findings, the study showed that it is new and there are studies with positive results in the field of learning, but there are still issues of security and privacy that deserve the attention of teachers and students involved in the use of social networking, especially Facebook, as a teaching platform. Keywords Facebook; Communication; Education and Health; Survey. Introdução A tecnologia digital é a chave para grandes mudanças tecnológicas na imagem da mídia do século 21 (KAPIC; GREGUREC & DELIC, 2012, p.233). A emergência das tecnologias digitais de informação e comunicação nos encaminhou para uma sociedade digital, do conhecimento, das redes, consolidando transformações (ARAÚJO e PANERAI, 2012, p.2). Dessa forma, a internet tem se apresentado como poderosa ferramenta de comunicação e educação, sendo utilizada como um meio de troca de ideias, nas aulas de educação à distância, e, assim, vem expandindo as formas e ferramentas comunicacionais da sociedade contemporânea (YOUNG, 2002 apud CRUZ et al, 2011, p.131). É esta sociedade em rede, assim caracterizada por Castells (1996,1997, 1998) e Barney (2004) na qual se estabelecem relações e ligações múltiplas, que nos oferece a possibilidade de utilização, no mundo educativo, destes espaços e tempos informais de comunicação e abre portas para a implementação de comunidades de aprendizagem (GOMES & PESSOA, 2012, p.60-61). Peck (2012, p.81) nos lembra que as novas aplicações têm o potencial de envolver os alunos e desenvolver espaços de ensino e aprendizagem colaborativa e igualitária. É uma era de rápida inovação global que envolve uma mudança de conceitos de alfabetização, incluindo a alfabetização social: competências desenvolvidas através da colaboração online e redes. O desenvolvimento de um sistema de rede social tem sido uma tendência dominante no ensino e aprendizagem de ambientes por algum tempo. Esta inovação tecnológica foi bem projetada para apoiar o ensino e aprendizagem e tem atraído muita atenção dos estudiosos em várias revistas. Pesquisadores enfatizam que o rápido desenvolvimento dos processos de comunicação, mídia eletrônica e processos tecnológicos têm melhorado a qualidade de ensino e aprendizagem em faculdades e universidades nos últimos anos (OKORO, 2012, p.255). Entre as redes sociais, a que tem sido mais utilizada para fins educacionais é o Facebook. O Facebook é um site que permite aos usuários interagir e colaborar dentro de uma comunidade virtual pré-definido. Muitas vezes chamado de site de rede social, o Facebook é uma ferramenta de comunicação on-line que permite aos usuários construir um perfil público ou privado, a fim de conectar e interagir com as pessoas que fazem parte da sua rede social alargada (Boyd & Ellison, 2007 apud Irwin et al, 2012, p.1222). O Facebook tem como principal missão "tornar o mundo mais aberto e conectado. As pessoas usam o Facebook para ficar conectadas com amigos e familiares, para descobrir o que está acontecendo no mundo e para compartilhar e expressar o que importa para eles" (Facebook Newsroom, s.d. in: ESTEVES, 2012, p.3). O Facebook foi fundado em fevereiro de 2004 para ajudar as pessoas a se comunicarem de forma mais eficiente com seus amigos, familiares e colegas de trabalho. A empresa desenvolveu tecnologias que facilitaram o compartilhamento de informações através do gráfico social e mapear digitalmente conexões sociais do mundo real das pessoas. Inicialmente, o Facebook era apenas para estudantes universitários, mas atualmente o Facebook é aberto para que todos possam se inscrever e compartilhar suas informações (BABB, 2012, p.9). No Brasil, o Facebook ascendeu como um forte líder da categoria das 30

3 redes sociais, com quase 44 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2012, 22% a mais que no ano anterior (ComScore Media Metrix, 2013). Método O foco desta pesquisa de caráter de revisão foi limitado ao uso de mídias sociais (principalmente, mas não exclusivamente, o Facebook) no campo do ensino-aprendizagem. Por opção metodológica foram descartadas do estudo as pesquisas que não aplicaram a técnica de survey (ou uso de questionário) para o levantamento de dados. Para Gil (2008), as pesquisas do tipo survey se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Para o autor, basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes dos dados coletados (GIL, 2008, p.55). A escolha do Facebook se justifica por ser a rede social virtual com o maior número de usuários pelo público jovem, justamente os que poderiam fazer uso dessa ferramenta para fins de aprendizagem. A busca e seleção de trabalhos acadêmicos que foram analisados se deram em três etapas: primeiro a pesquisa documental, com a seleção de trabalhos nas duas bases acadêmicas (Capes Periódicos e Google Acadêmico), tendo como palavras-chave de busca Communication, Health, Education, Facebook e Social Media (e suas versões em português) e o recorte temporal de 2009 a 2013 como parâmetro de busca. Nesta etapa, 111 trabalhos foram selecionados. A segunda fase compreendeu a separação dos estudos que tinham como parte da metodologia a aplicação de surveys entre alunos e professores para privilegiar as pesquisas de campo sobre o assunto. A terceira etapa, agora com a quantidade de trabalhos reduzida a 37 unidades de estudo, foi a leitura e análise propriamente dita, usando como método a análise de conteúdo preconizada por Bardin (2004). Foram criadas categorias de análise das produções acadêmicas selecionadas tendo como estudo base os trabalhos de Hew (2011) e Cheston; Flickinger e Chisolm (2013). Análise dos dados Após lidos e categorizados, os trabalhos foram agrupados de acordo com critérios e semelhanças temáticas. Foram identificados local de origem, quantidades de autores, ano e local de publicação e realizada a comparação dos resultados encontrados nas pesquisas objetivando a indicação de tendências para o uso das mídias sociais para fins de ensino e aprendizagem. Os 37 trabalhos contaram com 96 autores, sendo 45 do sexo feminino e 51 do sexo masculino. Ao todo, 17 países foram mapeados como local de procedência das pesquisas publicadas, sendo que o maior número foi de trabalhos americanos (18), seguidos de australianos (4) e dois da Turquia. Os demais países que tiveram trabalhos representados no recorte da amostragem foram Hungria, Croácia, Japão, Finlândia, Hong Kong, Brasil, Irlanda, Espanha, Tailândia, Índia, Malásia, Portugal e Inglaterra, com um trabalho cada. Dos 37 trabalhos estudados, 30 mapearam exclusivamente surveys envolvendo alunos como públicoalvo da pesquisa; quatro trabalhos aplicaram surveys e questionários a alunos e professores e três pesquisas envolveram exclusivamente a opinião de docente. O trabalho com menor número de respondentes foi o de Fovet (2009), abordando opinião de alunos com SEBD (Social, Emotional and Behavioural Difficulties) e a pesquisa com maior número de participantes foi a de Taylor, King e Nelson (2012). A maior concentração de publicações se deu em 2012 (17 trabalhos), seguido de 2013 (9 trabalhos), 2011 (7 trabalhos) e 2009 e 2010, 31

4 com 2 trabalhos em cada ano. Sobre a forma de apresentação, 23 trabalhos foram publicados como artigos científicos, 13 em anais de congressos e um como tese de doutoramento. Os espaços de publicação também foram multidisciplinares, em segmentos da educação, tecnologia, psicologia, comunicação e saúde. Sete trabalhos não ofereceram a informação sobre palavras-chave para análise, sendo que os demais não tinham número mínimo ou máximo de palavras nesse item, dificultando o trabalho do pesquisador para identificar o perfil mais presente. Entretanto, das 149 palavras-chave cadastradas nos trabalhos estudados, as mais frequentes foram Facebook (23 citações), mídia social (9), rede social (9), sites de relacionamento social (4) e colaboração (3). Resultados Identificamos vários perfis de trabalhos no grupo estudado. Alguns tinham a preocupação basicamente educativa, de verificar como os alunos e professores poderiam trabalhar as redes sociais para potencializar o ensino-aprendizagem. Dos trabalhos que discutiam a questão do uso de redes sociais no ponto de vista dos estudantes, Koles & Nagy (2012) tinham como proposta explorar uso de sites de redes sociais entre adultos e adolescentes com objetivos social e educacional e Kapic, Gregurec & Delic (2012) buscaram identificar com quais propósitos os estudantes do ensino médio usavam o Facebook quando este se torna uma tarefa escolar. Irwin (2012) objetivava identificar a percepção de alunos universitários sobre o uso de páginas do Facebook para propiciar oportunidades de interação e engajamento entre estudantes e instituições de ensino. Yamaguchi et al (2012) se propuseram a entender o uso do Facebook nas ferramentas de grupo e responder questões para desenvolver projetos de estudo ou focar em projetos futuros. Ainda no segmento no ensino, Shah et al (2012) buscaram identificar benefícios do uso de mídias sociais virtuais no ganho de capital social e verificar o impacto na performance acadêmica dos pesquisados. Magro et al (2012) tinham como objetivo verificar junto a estudantes universitários americanos como o Facebook poderia ser utilizado como ferramenta pedagógica. Hew (2011) se propôs a examinar como alunos fazem uso do Facebook para engajar sala de aula em atividades colaborativas e mostrar como esta rede pode ser utilizada como ferramenta informal para organizar experiências em sala e explorar os fatores que promovem este tipo de uso. Gu e Widén-Wulff (2011) se propuseram a estudar a influência de uma mídia social na comunicação escolar, providenciando uma visão ampla do uso das técnicas web 2.0 e discutindo as possibilidades de mudança de atitudes de informação no contexto da comunicação escolar. Wise, Skues & Williams (2011) quiseram examinar o uso do Facebook entre alunos do primeiro ano de Psicologia em uma universidade australiana e Mazman & Usluel (2010) buscaram desenhar um modelo estrutural explicando como os usuários poderiam utilizar o Facebook para propósitos educacionais. Rosen, Carrier & Cheever (2013) tinham como objetivo identificar como os alunos fazem suas tarefas e como o uso da tecnologia durante os estudos pode afetar o desempenho acadêmico. Choi (2013) estudou experiências de implementação do Facebook em grupos para promover a colaboração dos estudantes e Barczyk & Duncan (2013) buscaram determinar a atividade de alunos e percepções sobre cursos em que o Facebook tem sido incorporado. Na Grã-Bretanha, Jeanneau (2013) verificou se o uso da mídia social está no processo de troca de ensino e aprendizagem e se os estudantes irlandeses estariam prontos a adotar essa ferramenta. Também procurou verificar se os sites de relacionamento podem ajudar a conectar estudantes e desenvolver o sentimento de pertença numa comunidade de aprendizado. Chatterjee (2012) discutiu o resultado de uma survey feita entre alunos de Bankura (Índia) e tentou relacioná-la 32

5 às questões emergentes. Também focou na influência do gênero no uso do Facebook com referência aos estudantes universitários de Bankura. Mahmud & Ching (2012) discutiram como o Facebook foi incorporado com caráter pedagógico em escolas de idiomas e mostraram a postura e percepção dos estudantes no uso desta intermediação social para aumentar o aprendizado da língua. Wolf (2012) retratou como os estudantes recebem os benefícios da tecnologia nas novas mídias sociais e a discussão sobre esse novo material em aula. Buscou examinar a percepção que tem sobre as redes sociais no aprendizado, principalmente o ValuePulse (plataforma de interação entre alunos utilizada na universidade estudada). Sturges estudou um grupo de alunos que participou de disciplina tendo o grupo do Facebook como espaço de aprendizado. A pesquisa buscou verificar se os alunos se engajam com o Facebook quando usado como ferramenta de ensino/aprendizado mais do que uma ferramenta social; se o grupo formado pela comunidade de alunos interage com antigos e novos alunos e participam das atividades desenvolvidas pelo professor. Taylor, King & Nelson (2012) examinam as seguintes questões: a mídia social e o aprendizado social promovem oportunidades educacionais para o aumento da compreensão por parte do aluno? Os alunos veem a mídia social como uma vantagem nos cursos aumenta a compreensão e o engajamento do aluno? O que os estudantes universitários veem como problema com o uso da mídia social? Donlan (2012) objetivou estudar em uma universidade britânica como os alunos faziam uso do Facebook como parte das atividades de ensino e examinou o potencial e as limitações do uso do Facebook num contexto universitário. Quanto aos trabalhos que colocavam como foco o docente, Chatterjee (2012) buscou estudar os antecedentes e consequências da utilização da mídia social por professores universitários. Roblyer et al (2010) procuram identificar as diferenças na adoção do Facebook por estudantes e docentes da faculdade do ponto de vista pessoal e educacional. Bicen & Uzunboylu (2013) tentaram descobrir como o Facebook e a web 2.0 criavam um efeito positivo quando usados na educação para investigar a opinião dos professores sobre o ambiente de aprendizado online. McCorkindale (2013) explorou a visão de professores de Relações Públicas tem com estudantes em sites de relacionamento social como Facebook, Twitter e LinkedIn e determinou fatores e filosofias que afetavam este relacionamento. Suwannatthachote & Tantrarungroj (2012) examinaram o relacionamento entre o valor pessoal da rede social de tecnologia, a frequência do uso do Facebook e a frequência de atividades do Facebook, além do engajamento no grupo de professores. Cunha (2012) estudou a utilidade que docentes do ensino superior percebem no uso de ferramentas Web 2.0 no contexto das atividades letivas e tentou compreender o uso pedagógico da Web 2.0 e do Facebook por alunos. Alguns trabalhos que tinham como temática saúde e comportamento. Fovet (2009) buscou identificar o uso do Facebook entre estudantes do ensino fundamental com dificuldades sociais, emocionais e de conduta (SEBD). A hipótese era que a plataforma poderia permitir aos estudantes mostrar a variedade de dificuldades na sala de aula para retificar e endereça-las por meio eletrônico. Tiffany, Yevdokiya & Calvert (2009) tentaram identificar o uso que os jovens adultos fazem do Facebook, quanto tempo gastam, por que usam este site de relacionamento e como interagem, a natureza de sua influência no desenvolvimento de identidade na idade adulta que emerge. Marcos & Vizzotto (2011), no único estudo brasileiro selecionado, buscaram avaliar o uso patológico da Internet realizado por estudantes universitários e Gabre & Kumar (2012) investigaram os efeitos percebidos no stress da performance acadêmica dos alunos de Contabilidade mediante o uso do Facebook e seu impacto na performance acadêmica desses alunos. Voltado aos alunos da saúde, Patel et al (2012) tentaram verificar o uso das redes sociais virtuais pelos estudantes de medicina no que tange às violações de privacidade dos pacientes e 33

6 a suposta falta de profissionalismo. Cheung, Chiu & Lee (2011) pretenderam identificar a razão do uso do Facebook por estudantes tendo como base o paradigma das gratificações e o we-intention. Strayhorn (2012) buscou medir as diferenças demográficas da frequência do uso de mídias sociais e estimar a relação entre o uso dos alunos do primeiro ano universitário de mídias sociais, principalmente Facebook e MySpace, em duas formas de retenção na universidade; sentimento de pertença e decisões de persistência acadêmica. Numa visão temática mais ampla, Hyllegard et al (2011) examinaram as variáveis que norteiam o uso do Facebook pelos estudantes que os motivam a serem fãs das empresas naquela rede social. Ahn (2013) verificou como as atividades dos usuários do Facebook coexistem em categorias distintas de atuação em mídias sociais e como as participações se relacionam com valores estipulados nas novas habilidades de literacy. Escobar-Rodriguez (2013) pesquisou a utilização da teoria unificada de aceitação e uso de tecnologia para identificar fatores que direcionam os alunos a usar o Facebook como ferramenta de aprendizado. Saw et al (2013) pretenderam responder a 3 questões em seu artigo: 1) quais redes sociais os alunos internacionais preferem e por quê; 2) quais sites usam para socializarse e o que usam para reunir e distribuir informação e 3) como podem os bibliotecários influenciar nesta informação para ampliar a experiência internacional do estudante? Discussão Diante da quantidade e variedade de resultados obtidos nas 37 pesquisas estudadas, o estudo sugere que o uso das redes sociais para fins de ensino e aprendizagem ainda é um assunto novo, cujas práticas estão sendo construídas de diversas formas por discentes e docentes com resultados às vezes positivos, outras vezes nem tanto. Do ponto de vista negativo, dois destaques podem ser dados mediante análise das pesquisas estudadas: ainda há muito receio entre manter relacionamentos aluno-professor em ambientes virtuais, seja por desconhecimento, seja por preocupação quanto à privacidade e nem sempre a tecnologia garante aprendizado. Wise, Skues & Williamns (2011) mostraram que quase todos os estudantes usavam o Facebook e os que não tinham perfil o faziam por opção. O estudo sugeriu que os alunos não queriam interagir com o staff acadêmico nas suas páginas no Facebook. Verificou-se que o Facebook tinha um papel limitado em ajudar a promover o engajamento estudantil numa perspectiva acadêmica institucional. Concordando com os autores, Roblyer (2010) sugeriu que alunos e professores tinham visões diferentes sobre o uso do Facebook, sendo que os alunos pareciam contar com uma visão mais ampliada sobre seu como ferramenta educacional. Ainda não estava claro se o Facebook tinha futuro como ferramenta educacional na sociedade. Fovet (2009), estudando a questão do relacionamento entre alunos, acreditava que o virtual nem sempre espelhava o mundo real. Para ele, os alunos nunca mencionaram problemas de relacionamento em seu perfil do Facebook. O estado mental publicado parecia o contrário do vivido em sala de aula. Relacionamentos que pareciam ocorrer na rede social não tinham relação com a realidade de sala de aula. Algumas conversas entre estudantes pereciam acontecer só no Facebook e nunca durante o dia, na escola. O uso excessivo da rede social também preocupou os pesquisadores. Marcos e Vizzotto (2011) mostraram que havia uso patológico da Internet por 57% dos entrevistados, com declínio de comunicação com familiares, comprometimento de relações sociais, substituição de relacionamento reais por virtuais, comprometimento social e redução de contatos e ruptura de relacionamentos efetivos, além de isolamento social. Na questão da performance acadêmica, resultados negativos foram mostrados por Rosen, Carrier & Cheever (2013). Para eles, durante a pesquisa os alunos não conseguiram se fixar 34

7 numa tarefa por mais de 6 minutos, usando outras distrações como Facebook, música e TV. Quanto mais tecnologia disponível, mais trocavam de tarefa escolar (maior distração). Alunos que acessaram o Facebook durante o estudo tiveram notas menores. Saw et al (2013) revelaram que parte dos alunos pesquisados preferia manter a vida social separada da acadêmica nas redes e Taylor, King & Nelson (2012) mostraram que embora a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa estivesse em redes sociais, aqueles que não estavam se preocupavam com a privacidade, tinham pouco tempo e temiam por problemas de segurança. O mesmo se dá com a pesquisa de McCorkindale (2013), que apontou que professores tomavam cuidados especiais para proteger suas identidades pessoais como a manipulação de modelo de privacidade, removendo fotos de seus perfis e se recusando a aceitar alunos em suas redes sociais. Com forte viés cultural, a pesquisa indiana de Chatterjee (2012) mostrou que os professores ainda não veem o Facebook como forma de educar, mas como passatempo. Os alunos acreditavam que o Facebook ajudaria nos estudos, mas está proibido em instituições de ensino superior. Alguns professores eram favoráveis a banir laptops, Internet e mídias sociais do campus. No estudo de Wolf et al (2012), os alunos não acharam a experiência significante para o aprendizado e na pesquisa de Gabre & Kumar (2012) o fenômeno indicava que o Facebook afetaria negativamente a performance acadêmica. Já no estudo de Donlan (2012), o resultado indicava que os alunos precisariam ser reeducados, uma vez que o potencial de distração que o Facebook oferece ao realizar as tarefas é grande, dificultando a separação da vida pessoal da vida acadêmica. Entre os resultados positivos das surveys sobre o uso de redes sociais com fins educativos, citamos o estudo de Kapic; Gregurec & Delic (2012) que mostrou que o Facebook estaria se tornando um canal adicional de comunicação, onde alunos do ensino médio o usariam para melhorar suas experiências de ensino, obtendo melhores resultados. Shah et al (2012) sugeriram que o bom uso do Facebook melhoria a performance acadêmica e uma presença extensiva no Facebook desenvolveria o capital social do estudante em termos de número e qualidade de conexões, amizades e interação. O estudo de Lamp et al mostrou que o Facebook seria largamente utilizado pelos estudantes que o usariam em atividades colaborativas em sala, mediada (ou não) por um instrutor. Mazman & Usluel (2010) relataram que o uso educacional do Facebook passaria a ter uma relação positiva na comunicação, colaboração e compartilhamento de material e recursos. Na pesquisa de Choi (2013), fato que foi ressaltado é que o Facebook poderia ser utilizado para aumentar a colaboração entre os estudantes. Uma das vantagens indicada foi a resposta rápida a perguntas postadas no Facebook. No trabalho de Bicen & Uzunboylu (2013), os resultados apontaram que o Facebook tornaria mais fácil encontrar os materiais educativos e os compartilhar, tornando as aulas interessantes. Já Escobar-Rodriguez (2013) relatou que o uso do Facebook pelos estudantes estaria aumentando e facilitando a colaboração, comunicação e disseminação de informações. Os resultados da pesquisa sugeriam implicações práticas na adoção do Facebook pelos professores universitários como ferramenta de ensino. A colaboração também foi o destaque nos resultados da pesquisa de Suwannatthachote e Tantrarungroj (2012), em que os autores relataram que um alto percentual de uso do Facebook para trabalho colaborativo em projetos de grupos bem como adição de amigos na rede social usando chat em tempo real via Facebook e enviando mensagens pessoais para contatar membros dos grupos. O trabalho de Mahmud e Ching (2012) mostrou que haveria evidências que o Facebook ajudaria os alunos no aprendizado do idioma, melhorando a leitura e a escrita e suas habilidades gramaticais aumentaria por meio de interação social. Já a pesquisa de Strayhorn (2012) mostra que os estudantes poderiam se sentir encorajados a estabelecer grupos online para reduzir ou eliminar sentimento de solidão, saudades de casa e ausência de 35

8 amigos, cansados pela distância entre a universidade e a comunidade de origem. Considerações finais Mesmo com espectro pequeno de trabalhos, o campo de pesquisa de aplicação de redes sociais às atividades de ensino e aprendizagem aponta para um aumento da quantidade de pesquisas desse assunto novo e controverso. Há diferenças de entendimentos sobre o uso de tecnologia em sala de aula (e fora dela, como suporte educacional) entre docentes e discentes. Por representarem gerações diferentes, os que estão migrando para as ferramentas digitais ainda encaram com certo cuidado o uso das novas plataformas de ensino, entendendo que há perda de qualidade na formação dos alunos. Esses, por sua vez, trazem uma visão multitarefa de aprendizado e trabalham com maior facilidade, entretanto com menor poder de atenção, com as novas ferramentas de aprendizagem. Os trabalhos apresentados pelas surveys mostram ainda essa zona de incertezas produzida pela inovação no ensino, para ambas as partes. Seja pela diferença de público, cultural ou mesmo a questão da novidade presente na adoção de ferramentas digitais para ensino e aprendizado, novas pesquisas devem ser desenhadas para acompanhar a implementação de ações por parte de alunos e professores no mundo digital nos diversos cenários, principalmente o internacional. O recorte metodológico do estudo de pesquisas que utilizam surveys, traz informações importantes direto do campo, permitindo análises mais empíricas do que o público-alvo das pesquisas relata sobre experiências educativas com o uso de redes sociais. Referências AHN, June. What Can We Learn from Facebook Activity? Using Social - Learning Analytics to Observe New Media Literacy Skills. LAK '13. Proceedings of the Third International Conference on Learning Analytics and Knowledge. Nova Iorque, 2013, p Disponível em: < Acesso em: 11 fev. ARAÚJO, Renata; PANERAI, Thelma. Relato de Experiência de Blended Learning: O Moodle e o Facebook Como Ambientes de Extensão da Sala de Aula Presencial. In: WIE CONGRESSO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO, 18., 2012, Rio de Janeiro. Anais do XVIII WIE. Rio de Janeiro: Cbie, v. 1, p Disponível em: <http://cbie2012.nce.ufrj.br/18-wie.html>. Acesso em: 21 fev. BABB, Tanner A.. Counselor Education Student Perceptions of the American Counseling Association Ethical Code as It Pertains to the Use of Facebook f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Educação, Toledo University, Toledo (eua), Disponível em: <http://www.griffith.edu.au/search/addresses>. Acesso em: 21 fev. BARCZYK, Casimir C.; DUNCAN, Doris G. Facebook in Higher Education Courses: An Analysis of Students Attitudes, Community of Practice, and Classroom Community. International Business and Management. Quebec (Canada), v.6, n.1, p.1-11, Disponível em: < Acesso em: 11 fev. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, p. BICEN, Huseyin; UZUNBOYLU, Huseyin. The Use of Social Networking Sites in Education: A Case Study of Facebook. Journal of Universal Computer Science, v.19, n.5, p , Disponível em: < 36

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