SINTE/SC - SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO NA REDE PÚBLICA DO ENSINO DO ESTADO DE SANTA CATARINA

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1 OFÍCIO Nº /13/DEPTO. JURÍDICO FLORIANÓPOLIS, 14 DE MAIO DE DO: DEPARTAMENTO JURÍDICO PARA: DIRETORIA EXECUTIVA DO SINTE/SC ASSUNTO: PROFESSORES ACT S DAS SALAS DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL E INFORMÁTICA HABILITAÇÃO EXIGIDA HORA ATIVIDADE CARGA HORÁRIA ESCLARECIMENTOS Prezados Companheiros, A Assessoria Jurídica do SINTE/SC (CRISTÓVAM & PALMEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS) procedeu a uma detida análise da consulta formulada pela Diretoria Executiva do SINTE/SC, acerca de uma série de pontos polêmicos relacionados aos Professores ACT s contratados para a Disciplina de Tecnologia Educacional e Informática, sobretudo no que toca à habilitação exigida, a jornada de trabalho e o direito à hora atividade, chegando-se ao entendimento que segue. 1. Sobre a Habilitação Exigida Inicialmente, cabe asseverar que os profissionais que atuam nas Salas de Informáticas são professores, admitidos em caráter temporário (ACT s), devendo comprovar a habilitação exigida pelas disposições normativas da SED/SC. Neste sentido, do Edital n. 15/2012/SED extrai-se o seguinte: 4.2. O candidato deverá comprovar a habilitação mínima exigida na disciplina/área de inscrição através do envio, por Sedex ou entrega na ACAFE, a partir da inscrição até a data limite de 07 de agosto de 2012 (data do protocolo ou carimbo dos correios), de envelope lacrado e identificado, com fotocópia do documento que comprove a habilitação mínima exigida conforme normas disposta no presente edital As disciplinas e a respectiva habilitação mínima exigida são as constantes nas tabelas a seguir. CÓDIGO DISCIPLINA HABILITAÇÃO MÍNIMA EXIGIDA 2737 Tecnologia Educacional e Informática Habilitado Curso Emergencial de Licenciatura Plena de Formação de Professores ou Complementação Pedagógica acrescido do Diploma e Histórico Escolar de Conclusão de Curso Superior em Informática, Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Redes de Computadores, Manutenção de Computadores ou Tecnólogo em Informática, ou

2 Diploma e Histórico Escolar de Conclusão de Curso Superior em Licenciatura Plena com Ênfase em Tecnologia da Informação. Não Habilitado Diploma e Histórico Escolar de Conclusão de Curso Superior em Informática, Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Redes de Computadores, Manutenção de Computadores, Engenharia de Computação ou Tecnólogo em Informática, ou Diploma e Histórico Escolar de Conclusão de Curso de Ensino Médio na área de Informática, ou Certidão de Frequência a partir da 1ª fase em Curso de Graduação em Informática, ou Ciência da Computação, ou Sistemas de Informação, ou Redes de Computadores, ou Manutenção de Computadores, ou Engenharia de Computação, ou Tecnólogo em Informática, ou Diploma e Histórico Escolar de Conclusão de Curso Superior com comprovante de curso na área de informática com no mínimo 60 (sessenta) horas, ou Diploma ou Certificado de Conclusão de Curso de Ensino Médio na área de Informática, ou Diploma ou Certificado de Conclusão de Curso de Ensino Médio com comprovante de curso na área de informática com no mínimo 60 (sessenta) horas. Por certo, cabe reconhecer que a questão relacionada aos professores das Salas de Informática não disponha de um regramento legal que discipline as peculiaridades da função, ficando tudo a cargo de instruções normativas da SED/SC, que podem ser constantemente alteradas, o que prejudica a defesa dos seus interesses. Inegável, por outro lado, que tais profissionais são professores, membros do Magistério Público Estadual, contratados em caráter temporário (Professores ACT s), para a respectiva disciplina. Tanto que, segundo o entendimento do SINTE/SC, respaldado pelo seu Departamento Jurídico, tal condição assegura o direito ao cumprimento da jornada de trabalho e hora atividade, nos moldes dos demais membros do Magistério Público Estadual, luta a ser encampada por toda a categoria, e que conta, inclusive, conta com amparo legal. 2. A Valorização do Magistério, a Jornada de Trabalho e o Direito à Hora Atividade A valorização dos profissionais do ensino é uma imposição constitucional, encontrando pleno amparo em nosso ordenamento e exigindo posturas positivas da Administração Pública para o seu fiel implemento. Assim asseguram os arts. 205 e 206, V da Constituição Federal: Art A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

3 Por sua vez, a Lei Federal n /96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) não destoa, por certo, do mandamento constitucional, quando assim assegura: Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: VII - valorização do profissional da educação escolar; Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho; VI - condições adequadas de trabalho. Estadual n /92: Agora no caso da jornada de trabalho e da hora-atividade, assim prescreve a Lei Complementar Art. 4º O regime de trabalho do professor é de 10 (dez), 20 (vinte), 30 (trinta) ou 40 (quarenta) horas semanais de acordo com a carga horária curricular da unidade escolar e do especialista em assuntos educacionais, consultor educacional e assistente técnico-pedagógico é de 20 (vinte) ou 40 (quarenta) horas semanais. Art.5º O vencimento do professor, especialista em assuntos educacionais, consultor educacional e assistente técnico-pedagógico com regime de 40 (quarenta) horas semanais é o fixado em níveis e referências, segundo os valores constantes do Anexo VI, desta Lei Complementar. 4º O professor de 5ª a 8ª série do 1º Grau e 2º Grau, com regime de 40 (quarenta), 30 (trinta), 20 (vinte) ou 10 (dez) horas semanais deverá ministrar 32 (trinta e duas), 24 (vinte e quatro), 16 (dezesseis) ou 08 (oito) horas-aula, respectivamente, e usufruirá de horas-atividade, as quais deverão ser cumpridas, obrigatoriamente, na unidade escolar. 5º As horas-atividade destinam-se ao trabalho extraclasse e às atividades complementares à regência de classe. 6º No caso do não oferecimento das condições mínimas para o cumprimento das horas-atividade na Unidade Escolar, a Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Desporto poderá, após comprovação formal das deficiências existentes, dispensar o professor da obrigatoriedade prevista no 4º, deste artigo. (grifou-se) Como visto, os professores estaduais têm carga horária de trabalho de 10 (dez), 20 (vinte), 30 (trinta) e 40 (quarenta) horas semanais, conforme prevê o art. 203 da Lei Estadual n /86. Estão obrigados por lei a ministrar o máximo de 08 (oito), 16 (dezesseis), 24 (vinte e quatro) e 32 (trinta e duas) horas-aula, respectivamente, devendo cumprir o restante da carga horária trabalho como hora-atividade (1/5 ou 20%), a ser cumprida na unidade escolar, conforme art. 5º, 4º da Lei Complementar n /92.

4 Como é fato notório, a atividade laborativa do professor vai muito além do simples exercício docente em sala. Toda a atividade exercida em regência de classe requer um preparo prévio, bem como a complementação posterior da atividade de regência. Assim, o professor labora tanto em sala de aula, regendo a classe, quanto fora dela, em atividades de planejamento, organização e complementação da docência. Os servidores do magistério têm suas jornadas de trabalho organizadas em regime de hora-aula e hora-atividade, como bem definiu a Lei Complementar Estadual n /1992, em seu art. 5, 4 e 5. Entretanto, conforme assegura o art. 2º, 4º da Lei Federal n /08, na composição da jornada de trabalho, observar-se-á o limite máximo de 2/3 (dois terços) da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos, ou seja, o restante de 1/3 (33,33%) da carga horária deverá ser cumprido como hora-atividade. A hora-atividade deve ser usada no estudo, planejamento de aulas e demais atividades de magistério, elaboração de trabalhos, avaliações e etc., sendo garantido a todos os professores, o que reforça a luta dos Professores ACT s das Salas de Informática para o reconhecimento desse direito. 3. A Regulamentação do Sistema de Hora-Aula no Estado de Santa Catarina Para a adequada aplicação da garantia de 1/3 de hora-atividade (período reservado a estudos, planejamento e avaliação), conforme previsto pelo art. 2º, 4º da Lei do Piso Nacional, convêm esclarecer que existe previsão normativa assegurando que os estabelecimentos de ensino, os docentes e os sistemas de ensino devem cumprir as horas-aula estabelecidas, afastado o cumprimento da jornada de trabalho com base em hora-relógio. Assim prescreve a LDB: ART. 12. OS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO, RESPEITADAS AS NORMAS COMUNS E AS DO SEU SISTEMA DE ENSINO, TERÃO A INCUMBÊNCIA DE: III - ASSEGURAR O CUMPRIMENTO DOS DIAS LETIVOS E HORAS-AULA ESTABELECIDAS; Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: V - ministrar os dias letivos e HORAS-AULA estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:

5 V - PERÍODO RESERVADO A ESTUDOS, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO, INCLUÍDO NA CARGA DE TRABALHO; VI - condições adequadas de trabalho. assegura a LDB: E ainda, no que toca à duração do Ano Letivo e do número de horas por dia letivo, assim Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver; Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. No âmbito estadual, o Sistema Estadual de Educação vem regulado pela Lei Complementar Estadual n. 170/98, nos termos do art. 164 c/c 57 da Constituição do Estado de Santa Catarina. Neste sentido, interessa trazer à colação o disposto no art. 27 da Lei Complementar Estadual n. 170/98, a saber: Art. 27. A carga horária de trabalho escolar prevista nesta Lei Complementar fica assim distribuída na grade curricular: I NO PERÍODO DIURNO, 5 (CINCO) AULAS DE 48 (QUARENTA E OITO) MINUTOS, A PARTIR DA 5ª SÉRIE OU CICLOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO; II NO PERÍODO NOTURNO, 5 (CINCO) AULAS DE 40 (QUARENTA) MINUTOS, A PARTIR DA 5ª SÉRIE OU CICLOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO; III NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ATÉ A 4ª SÉRIE OU CICLOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL, 4 (QUATRO) HORAS DE PERMANÊNCIA DO ALUNO NA ESCOLA, PODENDO SER PROGRESSIVAMENTE AMPLIADAS. 1º À ESCOLA, DENTRO DE SEU PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E REGIMENTO, FICA ASSEGURADA AUTONOMIA PARA DISPOR SOBRE OUTRA FORMA DE ORGANIZAÇÃO DA CARGA HORÁRIA LEGAL NA GRADE CURRICULAR. 2º O INTERVALO DE TEMPO DESTINADO AO RECREIO FAZ PARTE DA ATIVIDADE EDUCATIVA E COMO TAL SE INCLUI NO TEMPO DE EFETIVO TRABALHO ESCOLAR E NA CARGA HORÁRIA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO. (sem grifo na lei) Conforme demonstrado, a Lei Complementar n 170/98, em seu art. 27, estipula a duração da hora-aula tanto para o período diurno (48 minutos) como para o noturno (40 minutos), a partir da 5ª Série do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. No caso do período noturno, a referida legislação não apresenta qualquer incongruência ou divergência no seu cumprimento. Ocorre que no caso do período diurno, levando-se em conta o que dispõe o art. 27, 2º da mesma Lei Complementar n. 170/98, as

6 aulas têm a duração de 45 (quarenta e cinco minutos) e não 48 (quarenta e oito), isso por uma questão matemática (composição do cálculo incluindo o intervalo monitorado). Portanto, consideradas as normas (federais e estaduais) que regulamentam o cumprimento da carga horária dos membros do Magistério Público, e que se aplicam integralmente aos Professores das Salas de Informática, a garantia de 1/3 de hora-atividade trazida pelo art. 2º, 4º da Lei Federal n /08, assegura que para a carga horária de trabalho de 10 (dez), 20 (vinte), 30 (trinta) e 40 (quarenta) horas semanais, os profissionais da educação estariam obrigados a ministrar o máximo de 6,66 (seis vírgula sessenta e seis), 13,33 (treze vírgula trinta e três), 20 (vinte) e 26,66 (vinte e seis vírgula sessenta e seis) horas-aula, respectivamente, devendo cumprir o restante da carga horária como hora-atividade (1/3 ou 33,33%). Por fim, vale noticiar que o SINTE/SC recentemente ingressou com AÇÃO JUDICIAL COLETIVA, em favor de toda a CATEGORIA DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, tanto para EXIGIR O CUMPRIMENTO DO 1/3 DE HORA-ATIVIDADE, CALCULADO SOBRE A CARGA HORÁRIA DE HORAS-AULA SEMANAIS, bem como para a COBRANÇA RETROATIVA DE TODOS OS PERÍODOS TRABALHADOS A MAIOR, desde o advento da Lei Federal n /08, sendo os valores calculados como Aulas Excedentes. Sem mais para o momento, e esperando ter contribuído no deslinde das dúvidas consultadas, colocamo-nos à disposição para outras informações necessárias. Apresentamos votos de consideração e apreço. Florianópolis, 14 de maio de José Sérgio da Silva Cristóvam Advogado do SINTE/SC OAB/SC

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