AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DO EXTRATO METANÓLICO DE Caesalpinia Pyramidalis, SUBMETIDO À RADIAÇÃO GAMA, FRENTE À ARTEMIAS SALINAS.

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1 2013 International Nuclear Atlantic Conference - INAC 2013 Recife, PE, Brazil, November 24-29, 2013 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENERGIA NUCLEAR - ABEN ISBN: AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DO EXTRATO METANÓLICO DE Caesalpinia Pyramidalis, SUBMETIDO À RADIAÇÃO GAMA, FRENTE À ARTEMIAS SALINAS. Juanna G. Pessoa 1, Mariana L. O. Santos 1, Michelle C. A. Costa 1, Williams N. Siqueira 1,2, Luanna R. S. Silva 1,2, Daniela L. V. Cabral 3, Francisco F. Amâncio 1, Ana M. M. A. Melo 1 1 Departamento de Biofísica e Radiobiologia Centro de Ciências da Saúde Universidade Federal de Pernambuco Av. Professor Luiz Freire, Recife PE, Brasil. 2 Grupo de Estudos em Radioproteção e Radioecologia Departamento de Energia Nuclear Universidade Federal de Pernambuco Av. Professor Luiz Freire, Recife PE, Brasil. 3 Departamento de Ciências Farmacêuticas - Centro de Ciências da Saúde Universidade Federal de Pernambuco Av. Artur de Sá, s/n Recife PE, Brasil. RESUMO A ciência fitoterápica busca o tratamento de enfermidades que afligem a população por meio de plantas medicinais secas ou frescas e seus extratos naturais. A Caesalpinia pyramidalis, planta nativa da Caatinga, conhecida por catingueira, é endêmica do semiárido nordestino e tem suas folhas, flores e cascas usadas no tratamento das infecções no trato gastrointestinal e respiratório. Esta prática é amplamente difundida na população, justificando a necessidade de bioensaios para avaliar não só seus efeitos terapêuticos como também seu potencial tóxico. As radiações ionizantes interagem com diversos sistemas biológicos, incluindo células vegetais podendo alterar suas características, atenuando ou acentuando suas propriedades terapêuticas ou tóxicas. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi analisar o efeito da radiação sobre a toxicidade do extrato metanólico da casca da Caesalpinia pyramidalis em bioensaios feitos com Artemias Salinas. O extrato foi obtido da seguinte forma, as amostras de caule foram submetidas à secagem em ambiente ventilado e na sombra. Em seguida foram triturados em moinho de faca e peneirados. Posteriormente o material foi colocado em balões de vidro com metanol a 80%. Após 72 h o material foi macerado, filtrado e evaporado no escuro em rotaevaporador. Posteriormente as amostras foram pesadas, alicotadas e irradiadas com as doses de 5, 7,5 e 10 KGy, em irradiador gammacell de 60Co. Após a obtenção dos extratos irradiados, foi realizado o teste de toxicidade com tubos de ensaios contendo de 10 a 11 artemias, sendo quatro tubos para cada concentração e um grupo controle sem extrato. Foram usadas as concentrações de 125, 250, 500 e 1000 ppm para cada dose de radiação e um grupo com extrato não irradiado, diluídos em água do mar. O extrato sem radiação apresentou dose letal para 50% das artemias de 1202,3 ppm. As artemias foram expostas ao extrato por 24h, em seguida foi feita a observação e contagem dos animais inviáveis. O extrato sem radiação apresentou toxicidade de

2 intensidade diretamente proporcional às concentrações utilizadas. Nas concentrações de 250 ppm e 125 ppm não houve diferença significativa em relação ao controle. Na concentração de 500 ppm houve uma queda significativa na toxicidade do extrato irradiado em relação ao extrato sem radiação, para todas as doses. A concentração de 1000 ppm apresentou um aumento da toxicidade em 10KGy, as outras doses não apresentaram diferença significativa em relação ao extrato não irradiado. O extrato metanólico da C. pyramidalis apresentou mudanças no seu potencial toxico sobre artemias salinas, quando submetido a diferentes doses de radiação gama. Mostrando necessidade de outros testes para esclarecer os mecanismos moleculares envolvidos na atividade citotóxica das substancias presentes no extrato. 1. INTRODUÇÃO Uma das práticas mais antigas da medicina é o uso de vegetais para tratamento de diversas lesões e doenças. Essa prática, bem como o conhecimento sobre os efeitos curativos dessas plantas medicinais, vem sendo transmitido por gerações. (Carvalho, 2011). O uso terapêutico de vegetais continua presente na sociedade atual, mesmo com todo avanço tecnológico e científico nas áreas farmacêuticas e de terapias em geral. Sendo muito útil como tratamento alternativo ou ate mesmo complementar à medicina convencional. (Simões, 2003) Mesmo com diversos benefícios, esses vegetais podem apresentar diferentes efeitos tóxicos não só para seres humanos, mas também vários animais.(fonseca,2004) O uso de plantas medicinais no nordeste brasileiro é amplo, dentre elas destaca-se a C. pyramidalis, planta nativa do semiárido nordestino. Conhecida popularmente como catingueira, é bastante utilizada como antiinflamatória e no tratamento de lesões no trato gastrointestinal e respiratório. (Santos, 2010) A C. pyramidalis apresenta um elevado teor protéico e lipídico. Os extratos metanólicos da C. pyramidalis destacam-se por maior atividade antioxidante e correlação com os teores de fenóis totais, apresentando assim, uma fonte potencial de compostos fenólicos para a aplicação nas indústrias relacionadas à energia nuclear, alimentos e farmacêutica (Makkar, 1993). Como animais experimentais foram escolhidos artemias salinas, microcrustáceos de água salgada, que serve de alimento vivo para peixes. O teste de toxicidade em artemias salinas é de baixo custo e simples execução, os resultados são obtidos rapidamente e não requer técnicas complicadas e assépticas. (Siqueira, J. M. 1998) Portanto o presente trabalho teve como objetivo investigar a possível ação da radiação de 60 Co no extrato metanólico da Caesalpinia pyramidalis (catingueira) com função de reduzir a toxicidade do extrato nas concentrações de 1000, 500, 250 e 125 ppm irradiando-os com doses de 5 KGy, 7 KGy e 10 KGy, utilizando ensaios de letalidade com Artemias salinas Recolhimento das amostras 2. MATERIAL E MÉTODOS C. pyramidalis (cascas e folhas) foram coletadas em um fragmento de caatinga arbórea, dentro da Estação Experimental do Estado de Pernambuco. Foram escolhidos vegetais do interior do fragmento com bom estado de conservação, preferenciais para o crescimento da espécie (Araújo, 1998). Os critérios utilizados para a coleta das amostras foram: folhas e cascas íntegras. Posteriormente o material foi adequadamente acondicionado e transportado para o laboratório de Produtos Naturais (LAPRONAT) da Universidade Federal de Pernambuco.

3 2.2. Preparação dos extratos brutos Os extratos brutos foram obtidos da seguinte forma, as amostras foram submetidas à secagem em ambiente ventilado e na sombra. Em seguida as folhas e caules foram triturados separadamente em moinho de faca. Após este procedimento o material foi peneirado e posteriormente colocado em balões de vidro contendo metanol a 80%. Após 72 horas o material foi macerado, filtrado e evaporado no escuro em rotaevaporador (Fisaton modelo 803) no Laboratório de Produtos Naturais (LAPRONAT) do Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Pernambuco. Posteriormente as amostras foram pesadas e para serem realizados os bioensaios no Laboratório de Radiobiologia no Departamento de Biofisica e Radiobiologia na UFPE Testes com Artemias salinas Foram utilizadas artemias salinas eclodidas no departamento de Biofísica e Radiobiologia da UFPE. Após 48 horas, os ovos eclodiram e foram separadas em grupos de 10 animais por tubo de ensaio, para o ensaio de toxicidade foram utilizados extratos sem radiação e irradiados com 5 kgy, 7 KGy e 10 KGy, nas concentrações de 1000, 500, 250 e 125 ppm. As artemias ficaram em contato com o extrato por 24horas, sendo após esse período contabilizado o número de animais inviáveis. O experimento foi feito em quadruplicata Irradiação do extrato de C. pyramidalis Tul Para a irradiação das amostras nas doses de 5, 7 e 10 KGy, foi utilizado o irradiador gammacell de 60 Co(modelo 220-Excel MDS Nordion, taxa de dose de 3,241Gy/h) do departamento de Energia Nuclear (DEN-CTG) da Universidade Federal de Pernambuco Análise estatística Os resultados foram expressos como média ± E.P.M (Erro padrão da média). A análise estatística foi realizada por meio do teste Student-Newman-Keuls para múltiplas comparações. As diferenças foram consideradas significantes quando p < 0, RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1. Toxicidade da C.pyramidalis A figura 1 mostra o gráfico referente à exposição das artemias ao extrato metanólico da casca da C.pyramidalis nas concentrações de 0 (controle), 1000, 500, 250 e 125 ppm durante 24 horas. O bioensaio demonstra que as concentrações mais tóxicas foram as de 250, 500 e 1000 ppm, determinando diferença significativa em relação ao controle.

4 Figura 1: Ensaio realizado com o extrato metanólico da casca de Caesalpinia pyramidalis para avaliação da toxicidade nas concentrações de 1000, 500, 250 e 125 ppm Ensaio para avaliação da toxicidade do extrato da casca da C. pyramidalis A figura 2 mostra o teste realizado para verificar o efeito do extrato metanólico irradiado nas doses de 5, 7,5 e 10 KGy nas concentrações de 1000, 500, 250 e 125 ppm da casca da C. pyramidalis Tul frente às artemias. Figura 2: Efeito do extrato metanólico irradiado nas doses de 5, 7,5 e 10 KGy nas concentrações de 1000, 500, 250 e 125 ppm da casca da C. pyramidalis Tul frente às artemias Verificou-se que na concentração de 500 ppm, o extrato irradiado nas doses de 5, 7,5 e 10 KGy mostraram uma diferença significativa em relação ao controle, tendo diminuído o número de artemias salinas mortas quando comparado a exposição dos animais ao extrato sem irradiação, determinando uma redução na toxicidade do extrato. Na concentração de 1000 ppm, verificou-se que o extrato irradiado na dose de 10 KGy mostrou-se com alta toxicidade, determinando uma diferença significativa em relação ao controle e na dose de 5 KGy ocorreu uma pequena redução do número de artemias inviáveis.

5 O extrato metanólico da casca de Caesalpinia pyramidalis apresentou importante toxicidade para os animais testados. Esta característica pode ser associada à presença de taninos no extrato, que são substancias tóxicas para artemias. (Monteiro 2005; Carvalho 2009) Quando submetido a diferentes doses de radiação gama, o extrato apresentou mudanças significativas no seu potencial tóxico. Na dose de 5KGy houve uma redução da toxicidade em três, das quatro concentrações testadas, oferecendo uma possível alternativa para atenuar o efeito citotóxico da C. pyramidalis. Não foi encontrado na literatura nenhum outro trabalho coparando a atividade tóxica de extratos irradiados e não irradiados de espécies da Caesalpinia. 4. CONCLUSÃO Os resultados obtidos sugerem que o extrato da casca de Caesalpinia pyramidalis apresentou redução da toxicidade quando comparada ao extrato não irradiado. Verificou- se que nas concentrações de 500 e 1000 ppm ocorreram diferenças significativas em relação ao controle. Na concentração de 500 ppm o extrato irradiado com doses de 5, 7,5 e 10 KGy reduziram a toxicidade do extrato de C. pyramidalis Tul e na concentração de 1000 ppm, o extrato irradiado com dose de 10 KGy mostrou aumento da toxicidade em relação ao controle. REFERÊNCIAS MAKKAR, H. P. S.; BECKER, K. Vanillin-HCL method for condensed tannins: effect of organic solvents used for extraction of tannins. Journal of Chemical Ecology, New York, v. 19, n. 4, p , SIQUEIRA, J. M.; BOMM, M. D.; PEREIRA, N. F. G.; QUEIROZ W. S.; BOAVENTURA, M. A. D. Estudo fitoquímico de Unonopsis lindmanii annonaceae, biomonitorado pelo ensaio de toxicidade sobre artemia salina leach. Química Nova. Brasil, v. 21, p CARVALHO, L. S. Alterações clínicas e histológicas decorrentes de neurointoxicação por plantas medicinais SEMINÁRIOS APLICADOS, Universidade Federal de Goiás, Escola de Veterinária e Zootecnia, Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, Goiânia, SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P.; GOSMANN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento, UFRGS, 5 ed., p.1102 Porto Alegre, FONSECA, C. A.; PEREIRA, D. G. Aplicação da genética toxicológica em plantas com atividade medicinal. Infarma, v. 16, p , Brasília, SANTOS, A. C. Estudo farmacológico do extrato etanólico da entrecasca da Caesalpinia pyramidalis tul (leguminosae). UFSE, Aracaju, 2010 MONTEIRO, J. M.; LINS, E. M. F.; AMORIM, E. L. C.; STRATTMANN, R. R.; ARAÚJO, E. L.; ALBUQUERQUE, U. P.; Teor de taninos em três espácies medicinais arbóreas simpáticas da caatinga. Sociedade de Investigações Florais da Caatinga v 29 p Viçosa MG, 2005.

6 CARVALHO, C.; MATTA, S.; MELO, F.; ANDRADE, D.; CARVALHO, L.; NASCIMENTO, P.; SILVA, M.; ROSA, M. Cipó-cravo ( Tynnanthus fasciculatus miers bignoniaceae) estudo fitoquímico e toxicológico envolvendo artemia salina. Revista Eletrônica de Farmácia v 6, n

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