PIOMETRA: TÉCNICAS CIRÚRGICAS E CLÍNICAS PARA O TRATAMENTO.

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1 PIOMETRA: TÉCNICAS CIRÚRGICAS E CLÍNICAS PARA O TRATAMENTO. BOCARDO, Marcelo HAMZÈ, Abdul L. Discentes de Medicina Veterinária FAMED- GARÇA ZAPPA, Vanessa Doscente de Medicina Veterinária FAMED- GARÇA. RESUMO A piometra canina é uma enfermidade que acomete principalmente cadelas com idade avançada. Ocorre em decorrência de alterações hormonais e geralmente está associada a infecções bacterianas. É uma das condições patológicas mais comuns que acomete o trato genital de cadelas. O presente trabalho visa analisar e comparar técnicas cirúrgicas de ovariohisterectomia, que beneficiam o pós-operatório de cadelas submetidas a esse procedimento devido à infecção uterina (piometra). Palavras-chave: Piometra; ovariohisterectomia; pós-operatório. ABSTRACT The canine piometra is an illness that attacks principally bitches with advanced age. Take place as a result of hormonal alterations and generally it is associated to bacterial infections. It is one of the commonest pathological conditions that attacks the genital treatment of bitches. The present work aims to analyse and compare surgical techniques of ovariohisterectomia, which benefit the postoperative of bitches undergone to this proceeding due to the uterine infection (piometra). Key- words: Piometra; ovariohisterectomia; post-operative 1. INTRODUÇÃO A piometra canina, também denominada complexo hiperplasia cística endometrial, é uma enfermidade da cadela adulta caracterizada pela inflamação do útero com acumulação de exsudatos, que ocorre na fase lútea do ciclo estral e que pode ser disseminada por vários sistemas do organismo (J.A. Coggan, et al. 2002). Além de distúrbios hormonais, a doença também ocorre com freqüência devido à proliferação de bactérias como a Escherichia coli no endométrio. Esta proliferação de bactérias normalmente acomete cadelas com idade avançada, fato que ocorre através do relaxamento do músculo da cérvix durante o período de estro de sua vida. Existem basicamente dois tipos de piometra, as de cérvix aberta e as de cérvix fechada. Alguns casos se revelam agudos e graves em 1 a 2 semanas e

2 requerem atenção imediata e precoce para que se possa salvar a vida do animal. Isto ocorre normalmente quando a cérvix está fechada.(allen, W.E,1995). Em outros, especialmente aqueles em que a cérvix está aberta por onde há drenagem de conteúdo purulento, a doença pode persistir por 1 mês ou mais. (CAMPOS, L.C et al ). A ovariohisterectomia é o tratamento adequado para esta patologia, a não ser que o potencial reprodutivo da cadela deva ser poupado. Devido à preocupação com o bem estar do animal, diversas técnicas cirúrgicas estão sendo utilizadas. 2. CONTEÚDO Existem algumas técnicas cirúrgicas atuais não muito utilizadas ainda por Médicos Veterinários, uma delas é a abordagem lateral. A abordagem lateral para ovário-histerectomia é técnica cirúrgica usada habitualmente em bovinos, e assim como nos répteis, porém em pequenos animais seu emprego não é habitual. As duas principais vantagens da abordagem lateral incluem a possibilidade de observar a ferida cirúrgica a distância e a de reduzir a evisceração dos órgãos abdominais no caso de deiscência da sutura. (JAVIER G.2004.). A evisceração dos órgãos abdominais ou outras conseqüências não desejáveis por abertura espontânea da incisão cirúrgica têm menor probabilidade de ocorrer com esta técnica, pois a força gravitacional exercida na incisão lateral é inferior à da linha média. (MINGUEZ, et al.2005.). Por último, destaca-se que após o cirurgião ter adquirido destreza com este procedimento, a eficiência é superior se comparada com a abordagem pela linha branca. (MINGUEZ, et al.2005.). O local da incisão lateral situa o cirurgião numa posição anatômica tal, que o ovário proximal e o corno uterino encontram-se imediatamente abaixo do acesso cirúrgico, possibilitando fácil localização. Isso reduz parte do tempo requerido na localização do ovário na abordagem ventral pela linha media, reduzindo o tempo cirúrgico. (MINGUEZ, et al.2005.).

3 Nas duas espécies, cães e gatos, a incisão deve ser feita em sentido ligeiramente oblíquo-dorsoventral iniciando caudal ao ponto médio entre a última costela e a tuberosidade ilíaca. Uma alternativa que se pode empregar nas gatas é situar o ponto da incisão a dois dedos de largura por detrás e em paralelo à última costela e a um dedo abaixo das apófises transversas (Fig.1 em Anexo). Em geral, a extensão da incisão será de aproximadamente 3 cm em cães e de 2 cm em gatos, mas pode variar com o tamanho do animal, com o estádio do ciclo estral ou com a presença de outros fatores que possam complicar a cirurgia. (Fig.2 em Anexo). O método mais utilizado atualmente ainda é a cirurgia realizada através da linha branca do animal. Este método embora seja antigo, continua sendo realizado frequentemente em clínicas e hospitais Veterinários para realização de cirurgias que envolvem a patologia piometra. A incisão é feita pela linha branca, por onde o útero deve ser exposto, porém o fato de ser uma área mais irrigada torna o procedimento cirúrgico mais delicado. Outro fato que também dificulta este procedimento, é o risco de ruptura do útero, fato este que pode ocorrer pelo mesmo se encontrar normalmente em tamanho aumentado. A ruptura do útero é um ponto em que o cirurgião deve ter extrema preocupação, pois quando ocorrido raramente o animal sobrevive, porém quando feito o procedimento cirúrgico corretamente, a chance de vida do animal é considerável. Se o proprietário recusar a cirurgia, devido ao grande valor reprodutivo da fêmea, ou quando existir uma contra indicação válida para a anestesia geral, o controle terapêutico poderá ser tentado, através da desobstrução da cérvix para drenagem uterina. Os resultados com terapia medicamentos utilizando estrógenos, andrógenos, prostaglandinas (cininas) e ocitocina não se mostraram consistentes nem tiveram sucesso. O uso de estrógenos para provocar relaxamento, não é recomendado porque aumentam os efeitos da progesterona no útero.

4 2.1 Sinais clínicos Os sinais clínicos encontrados são depressão, anorexia, vômito, polidipsia, poliúria e perda de peso. Raramente ocorre febre, estando está presente em 20% dos casos. O corrimento vaginal purulento está presente em 75% das cadelas com piometrite (COUTO, C.G,1994). A desidratação constitui um achado comum. O útero em geral se encontra palpavelmente dilatado, (Fig.2 em anexo.) especialmente se a cérvix estiver fechada, dificultando a drenagem do conteúdo uterino, se não tratada pode levar à septicemia e endotoxemia (COUTO, C.G,1994). São comuns as lesões exteriores ao trato genital, como depressão da medula óssea e glomerulonefrite por deposição de imunocomplexos. O diagnóstico baseiase nos sinais clínicos e exames complementares, tais como radiografias abdominais e ultrasonografias, evidenciando distensão uterina em decorrência da grande quantidade de líquido em seu interior (COUTO, C.G,1994). 3. CONCLUSÃO A piometra é uma doença que acomete normalmente cadelas com idade avançada ou distúrbios hormonais. Pode ser tratada clinicamente, porém não é recomendado este tipo de tratamento. O tratamento mais adequado é a intervenção cirúrgica, que pode ser realizada de diversas formas. 4. BIBLIOGRAFIA ALLEN, W.E. Fertilidade e obstetrícia no cão. 2.ed. São Paulo: Varela, p. CAMPOS, L.C.; TRABULSI, L.R. Escherichia. In: TRABULSI, L.R.; ALTERTHUM, F.; GOMPERTZ, O.F.; CANDEIAS, J.A.N. Eds.). Microbiologia. São Paulo: Atheneu, p

5 COUTO, C.G. Fundamentos de medicina interna veterinária de pequenos animais. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. J.A. Coggan, C.M. Oliveira, M. Faustino, A.M. Moreno, A.C. Von Sydow, P.A. Melville, N.R. Benites Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87, CEP , São Paulo, SP, Brasil. (2002). Javier Gil Martinez-Darve Arq.Inst.Biol., São Paulo, v.71, (supl.), p.1-749, 2004 Lucas, S.S. et al. Revista da FZVA Uruguaiana, v. 7/8, n.1, p /2001. Roberto Elices Minguez, Mercedes Morán Cuesta Rev Bras Reprod Anim, Belo Horizonte, v.29, n.3/4, p , jul./dez ANEXOS

6 FIGURA 1 Local por onde se realiza a incisão para retirada do útero contaminado (ovariohisterectomia pelo flanco).

7 FIGURA 2- Útero com piometra retirado através de ovariohisterctomia realizado pelo flanco.

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