ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA ORÇAMENTÁRIA EXEMPLO OLHANDO DE PERTO AULA 04: ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO

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1 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA ORÇAMENTÁRIA AULA 04: ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO TÓPICO 02: CICLO OPERACIONAL Além da já comentada falta de sincronização temporal, o capital de giro convive com duas outras importantes características: curta duração e rápida conversão de seus elementos em outros do mesmo grupo e a consequente reconversão. É nítida, nos ativos correntes, a presença de um fluxo contínuo e permanente de recursos entre seus vários elementos, estabelecendo forte inter-relação no grupo e tornando seus valores bastante mutáveis. EXEMPLO O disponível é reduzido por compras de estoques. Os estoques, por sua vez, são transformados em vendas. Se as vendas forem à vista, ocorre uma elevação do disponível. Caso sejam a prazo, a conta de valores a receber é alterada, transformando-se em disponível quando do recebimento. Este ciclo se repete continuamente. Daí o nome circulante. Uma boa administração do capital de giro envolve imprimir alta rotação (giro) ao circulante, tornando mais dinâmico seu fluxo de operações. Tal incremento no capital de giro proporciona, de forma favorável à empresa, menor necessidade de imobilização de capital no ativo circulante e concorre para o aumento da rentabilidade. Na consecução de seus negócios, a empresa busca sistematicamente a produção e venda de bens e serviços, de maneira a gerar determinados resultados para satisfazer às expectativas de retorno de suas várias fontes de financiamento. É no entendimento deste processo que se identifica, de forma natural e repetitiva, o ciclo operacional da empresa, iniciando na aquisição da matériaprima para produção (empresa industrial) e finalizando no recebimento pela venda do produto final. Em outras palavras, o ciclo operacional incorpora sequencialmente todas as fases operacionais presentes no processo empresarial de produção-venda-recebimento, conforme ilustrado linearmente na Figura a seguir. Figura Ciclo Operacional de uma empresa Industrial OLHANDO DE PERTO Prazo Médio de Venda é também considerado como prazo médio de estocagem de produtos acabados. Onde:

2 Cada uma das fases operacionais retratadas apresenta determinada duração. A compra de matérias-primas denota um prazo de estocagem. A fabricação, o tempo que se despende para transformar os materiais em produtos acabados. Os produtos acabados exigem um prazo necessário à venda. O recebimento requer um período de cobrança das vendas realizadas a prazo. Evidentemente, de acordo com as características operacionais da empresa, uma ou mais dessas fases podem não existir. Por exemplo, se as vendas são realizadas somente a vista, o prazo médio de cobrança é considerado nulo. Da mesma forma, empresas que produzem somente sob encomenda não apresentam prazo de estocagem de produtos acabados, e assim por diante. A soma destes prazos operacionais indica o tempo médio decorrido desde a compra de matéria-prima até o recebimento do valor da venda. Quanto maior este período, maior será a necessidade de recursos para financiar o giro da empresa. Em verdade, o ciclo operacional representa o intervalo de tempo em que não ocorrem ingressos de recursos financeiros na empresa, demandando-se capital para financiá-lo. CICLO OPERACIONAL O ciclo operacional varia em função do setor de atividade e das características de atuação da empresa. Inúmeras empresas têm ciclo operacional com prazo inferior a um ano. Entendem-se, nestas situações, que o ciclo operacional se repete várias vezes no ano, evidenciando maior giro (rotação) para os investimentos operacionais. Outras empresas, como construtoras e determinadas atividades rurais, costumam apresentar um ciclo operacional caracteristicamente mais longo, exigindo volume maior de financiamento de capital de giro. Cada fase do ciclo operacional demanda, de forma crescente, certo montante de recursos para financiar suas atividades, elevando-se estas necessidades em consonância com a amplitude do ciclo operacional. A Figura a seguir representa o ciclo operacional a partir do volume de recursos necessários. A estocagem das matérias-primas e as vendas a prazo são fases que podem receber certa parcela de financiamento proveniente de créditos de compras a prazo de fornecedores e de descontos de duplicatas. Para as demais fases operacionais, devem ser alocados recursos financeiros de outras origens. Uma observação importante retratada nesta Figura é que as necessidades financeiras de cada fase operacional não são constantes ao longo do tempo, apresentando incrementos em cada período pela absorção dos dispêndios correspondentes. Por exemplo, o investimento demandado no período de estocagem das matérias-primas é menor que o verificado no período de fabricação, em razão de serem agregados nesta fase os custos de produção. Da mesma forma, a necessidade de financiamento cresce ainda mais durante os prazos de vendas e cobrança pela presença de custos e despesas específicos. REPRESENTAÇÃO DO CICLO OPERACIONAL

3 Onde: A partir do ciclo operacional, ainda, podem ser identificados o ciclo financeiro (de caixa) e o ciclo econômico, também, ilustrados na Figura anterior. O ciclo financeiro mede exclusivamente as movimentações de caixa, abrangendo o período compreendido entre o desembolso inicial de caixa (pagamento de materiais a fornecedores) e o recebimento da venda do produto. O ciclo financeiro representa o intervalo de tempo que a empresa necessitará efetivamente de financiamento para suas atividades. Ocorrendo desconto dos títulos representativos da venda a prazo, o ciclo de caixa e, consequentemente, o período de necessidade de caixa reduzem-se pelo prazo da operação. O ciclo econômico considera unicamente as ocorrências de natureza econômica, envolvendo a compra dos materiais até a sua respectiva venda. Não leva em consideração, pelo próprio enunciado do ciclo, os reflexos de caixa verificados em cada fase operacional. Assim, o ciclo operacional, o ciclo financeiro e o ciclo econômico correspondem às seguintes expressões:

4 CONFLITO RISCO - RETORNO NA ADMINISTRAÇÃO DE CURTO PRAZO Os administradores financeiros sempre estão envolvidos com decisões incertas. Como toda decisão financeira envolve escolhas acerca do binômio risco e retorno, também deveremos determinar entre estruturas mais ou menos arriscadas do ponto de vista da utilização do capital de giro. Uma empresa pode decidir minimizar o montante de seus investimentos em capital circulante como estratégia para reduzir seus custos, notadamente os provenientes de suas fontes de financiamento. Neste objetivo de cortar custos e promover maiores lucros, a unidade decisória envolve-se com o dilema risco-retorno, cuja conciliação traz normalmente conflitos ao processo decisório. Quanto maior o CCL mantido por uma empresa, mais ampla é sua folga financeira e menor seu risco de insolvência. Assim, derivamos a ideia de que é bastante estreita a relação entre capital de giro, folga financeira e insolvência. É preciso não ignorar, por outro lado, que uma maior segurança mantida por uma folga financeira crescente incorpora um custo de oportunidade mais elevado para a empresa, pressionando negativamente seus resultados. Para qualquer volume de atividade, quanto maior o montante de recursos aplicados em ativos correntes de grande liquidez, menor tende a ser a rentabilidade oferecida pelo investimento e, em contrapartida, menos arriscada se apresenta a política de capital de giro adotada. Isto porque o recurso ficará parado, por exemplo, não sendo investido em alguma outra atividade que renda algum dinheiro. Nesta situação, revela-se maior imobilização de capital em giro (maior folga financeira), promovendo retornos relativos inferiores àqueles apurados ao optar-se por uma estrutura financeira de menor liquidez, com volume reduzido de capital de giro. De maneira inversa, um montante mais reduzido de CCL, ao mesmo tempo em que sacrifica a margem de segurança da empresa, elevando seu risco de insolvência, contribui positivamente para a formação da rentabilidade do investimento ao restringir o volume de fundos imobilizados em ativos de menor rentabilidade. Esta relação risco-retorno comporta-se de forma que nenhuma alteração na liquidez ocorre sem que se promova, em sentido contrário, modificações na rentabilidade. Portanto, na definição do nível adequado de recursos a serem imobilizados em ativos correntes, a empresa deve levar em conta sua opção entre risco e retorno. EXEMPLO Considere, ilustrativamente, na Tabela a seguir, dois níveis alternativos de investimentos em capital de giro em avaliação por uma empresa. Para melhor ilustrar o conceito risco-retorno, manteve-se nas alternativas a estrutura das fontes de financiamento proporcionalmente constantes. Os passivos correntes financiam 20,4%, os de longo prazo, 28,6% e o patrimônio líquido, 51% do total dos ativos. No ativo, ainda, a variação ocorre somente nas aplicações

5 em circulante, permanecendo inalterado o investimento permanente nas duas alternativas. A alternativa definida como de alto risco é a que apresenta menor investimento em capital de giro e, provavelmente, maior rentabilidade. Ao contrário, a redução do risco verifica-se pelo aumento do CCL, promovendo, pela mais elevada imobilização de capital, uma redução do retorno percentual. Admitindo-se que o lucro operacional tenha atingido a R$ para ambas as alternativas de capital de giro e o lucro líquido, R$ na situação de maior risco e R$ na de menor risco, são apuradas as seguintes taxas de retorno: Observe que quanto maior a participação do CCL, menos arriscada se apresenta a estrutura financeira da empresa e menor tende a ser a rentabilidade. Posturas empresariais de maior risco, através de menor nível de CCL, costumam promover retornos compensatoriamente mais elevados. EQUILÍBRIO FINANCEIRO O conceito de equilíbrio financeiro de uma empresa é verificado quando suas obrigações financeiras se encontram lastreadas em ativos com prazos de conversão em caixa similares aos dos passivos. O equilíbrio financeiro exige vinculação entre a liquidez dos ativos e os desembolsos demandados pelos passivos. Segundo este conceito, somente a presença de um CCL positivo não se torna indicador seguro de um equilíbrio financeiro. É necessário identificar, nos ativos circulantes, as contas permanentes e

6 as sazonais. A Figura seguinte ilustra a necessidade total de recursos de uma empresa. Os ativos totais necessários compõem-se, para cada período de planejamento, de recursos sazonais e fixos do capital de giro e do capital permanente aplicado. Para se manter em equilíbrio financeiro, uma alternativa da empresa é financiar suas necessidades variáveis com dívidas de curto prazo, utilizando os recursos de longo prazo para financiar todas suas necessidades financeiras permanentes. Em verdade, a estrutura financeira registrada na Figura reflete uma posição mais ajustada aos ciclos financeiros da administração do capital de giro, denotando certo equilíbrio entre os prazos dos ativos e passivos. O nível de capital circulante líquido exigido por esta abordagem é igual à parcela permanente do ativo circulante, revelando uma proteção ao investimento mínimo necessário do capital de giro. Ao prever que as necessidades temporárias de capital de giro devam ser financiadas por fontes de curto prazo à medida que forem surgindo, a abordagem evita, ainda, recursos correntes em excesso em períodos de menores demandas por ativos correntes. Observe, também, que na definição das fontes permanentes de financiamento do capital de giro, não é possível uma clara identificação da natureza destes fundos. São, essencialmente, fundos de longo prazo, podendo ter origens de terceiros (exigível de longo prazo) ou próprias (patrimônio líquido), conforme captados pela empresa. FONTES DAS IMAGENS Responsável: Prof. Sérgio César de Paula Cardoso Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual

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