O papel da CRESOL CREDISEARA no financiamento e apoio aos pequenos agricultores rurais em Seara (SC) e municípios vizinhos

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1 O papel da CRESOL CREDISEARA no financiamento e apoio aos pequenos agricultores rurais em Seara (SC) e municípios vizinhos Marcio Giacomolli 1 Resumo O cooperativismo de crédito representa hoje no Brasil um importante instrumento de financiamento e acesso a serviços financeiros para seus sócios. No que diz respeito ao crédito rural, seu papel ganha maior importância na medida que propicia um maior e melhor alcance das linhas de crédito oficial que financiam a agricultura, em especial os pequenos agricultores. Este trabalho procura mostrar como se deu a evolução do cooperativismo de crédito no Brasil e como foi a fundação e consolidação de uma cooperativa de crédito construída a partir da organização e associação de pequenos agricultores do município de Seara(SC). Buscamos identificar também as principais contribuições desta cooperativa na atividade agrícola e organizativa de seus sócios e como esta viabilizou a construção de novas entidades e organizações a partir de sua atuação. Destacamos também seu papel de agente ativo na busca e construção de uma atividade agrícola mais rentável e sustentável para os pequenos agricultores rurais em sua área de atuação. Palavras Chave: Cooperativa de Crédito Rural, CREDISEARA, Agricultura Familiar e Cooperativismo de Crédito. 1 - Introdução Este artigo representa parte do Trabalho de Conclusão de Curso em geografia da Universidade Federal de Santa Catarina e busca analisar a expansão do crédito cooperativo no município de Seara(SC) e municípios vizinhos, através da criação e 1 Licenciado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC e membro do grupo de pesquisa Estudos da Dinâmica Regional e de Processos Rurais. 1

2 consolidação de uma cooperativa de crédito rural e da organização dos pequenos agricultores locais. O município de Seara esta localizado na região oeste de Santa Catarina, região esta que foi marcada em sua ocupação pelo predomínio de minifúndios e a intensa atividade agropecuária. Porém com o intenso processo de mudanças das atividades agrícolas e a pressão pela utilização de novas formas de produção, aconteceu um processo gradativo de exclusão de uma parcela dos pequenos proprietários rurais, fazendo com que estes procurassem novas formas de organização. Uma destas foi a construção de cooperativas de crédito rural, como forma de facilitar o seu acesso aos serviços bancários, especialmente empréstimos para custeio e investimento na atividade agrícola. Figura 01 Localização do Município de Seara/SC Adaptado de e O trabalho foi baseado em levantamento bibliográfico sobre a origem e evolução do cooperativismo de crédito no mundo e no Brasil, sua inserção no cenário nacional e as suas transformações, adaptações e consolidação como importante instrumento de acesso ao crédito e serviços financeiros aos seus sócios. O foco principal é o cooperativismo de crédito rural, como ele se organiza e como um grupo de agricultores tornou possível a criação de uma cooperativa de crédito diferente das organizações até então constituídas. Analisamos também o papel da cooperativa como instrumento de organização de seus associados e a viabilização de novas atividades produtivas. 2

3 2 A instituição do Crédito Cooperativo 2.1 A gênese do Cooperativismo de Crédito Desde os primórdios da humanidade temos relatos das relações de cooperação entre as pessoas em torno de suas necessidades e anseios em relação às condições de vida e alimentação. Nos tempos modernos, as primeiras relações institucionalizadas de cooperação datam de meados do século XIX, em plena revolução industrial e início da mecanização. De acordo com Pinho (1982), os socialistas utópicos dos séculos XVIII e XIX, influenciados pelos ideais da revolução francesa e pelo desejo da classe trabalhadora de amenizar a situação penosa a que estavam submetidos, buscaram desenvolver formas de cooperação para superar as agruras a que estavam submetidos. Os principais responsáveis pela formulação e tentativa de aplicar os conceitos de cooperação foram o inglês Robert Owen e francês François Marie Charler Fourier. A primeira experiência cooperativa que se tem registros que obteve êxito foi organizada na cidade inglesa de Rochdale, onde 28 tecelões fundaram uma cooperativa de consumo em Suas discussões e reuniões começaram no ano anterior e quase no final de 1844 a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale inaugura o armazém cooperativo e deram início a suas atividades, comercializando uma pequena quantidade de mercadorias, entre elas manteiga, farinha de trigo e aveia. Seus princípios a respeito da estrutura e forma de funcionamento formaram as bases da doutrina cooperativista que é seguida, com algumas atualizações, até os dias de hoje. Esses princípios são a livre adesão e demissão dos sócios, direito de voto individualizado (um sócio, um voto), juros limitados ao capital integralizado, distribuição dos ganhos proporcional as compras efetuadas e eleição direta para a direção. Pinho (1982) De acordo com Pinheiro (2007), a primeira cooperativa de crédito de que se tem notícia foi criada em 1847 na Alemanha e, embora ainda não fosse uma cooperativa, serviria de modelo para a futura atividade cooperativista de crédito. Essa associação de pessoas foi estimulada e baseada nas idéias de Friedrich Wilhelm Raiffeisen, e tem seu nome adotado até hoje para caracterizar o tipo de cooperativa de crédito por ele criado. Esta organização tinha como finalidade a prestação de serviços financeiros aos seus associados e atuava basicamente no meio rural. Suas principais características eram a 3

4 responsabilidade solidária dos sócios, a singularidade do voto de cada associado independente de sua participação societária, uma área de atuação restrita e a não distribuição de sobras de capital. Estas organizações de crédito no início eram tipicamente rurais, sendo que em 1856 foi criada a primeira cooperativa urbana, baseada nas concepções de Herman Schulze, e sua principal finalidade era conceder dinheiro antecipado a seus associados, ou seja, concedia empréstimos. Estas cooperativas passaram a ser conhecidas pelo nome de seu idealizador e se diferenciavam do modelo raiffeisen por preverem o retorno das sobras aos sócios, proporcional ao capital investido por cada um, sua área de atuação não tinha restrição e seus dirigentes eram remunerados. (Pinheiro, 2007) O modelo alemão inspirou o italiano Luigi Luzzatti a organizar no ano de 1865, em Milão, uma cooperativa com características cujo modelo levaria seu nome. Estas se caracterizavam por não exigir vinculo associativo, cotas de capital de pequeno valor, não remuneração de dirigentes, responsabilidade restrita ao capital subscrito e concessão de crédito de pequeno valor. No primeiro ano no século XX o canadense Alphonse Desjardins fundou em Quebec a primeira cooperativa de crédito do continente americano e se inspirava nos modelos europeus, mas adaptado a realidade local e hoje é chamada de cooperativa de crédito mútuo. Caracterizou-se por reunir um grupo homogêneo de pessoas com interesses em comum, como trabalharem em uma mesma fábrica, serem funcionários públicos ou pertencer a uma mesma categoria profissional. 2.2 O surgimento e evolução do cooperativismo de crédito no Brasil; No Brasil, as primeiras notícias de constituição de cooperativas são de 1889, onde os funcionários públicos de Ouro Preto organizaram uma cooperativa de consumo e seu estatuto previa a instituição de uma caixa de assistência. Há referências também a uma entidade beneficente de Juiz de Fora constituída em 1885 e que cuidava dos interesses de seus associados. Este relativo atraso na formação de cooperativas no Brasil pode ser atribuído, em boa medida, às restrições impostas pelo governo imperial, que não admitia a constituição de associações, sendo esta proibição estabelecida pela constituição de Apenas após a proclamação da república, em 1889, foi que a prática associativa e cooperativa deixou de ser proibida e em alguns setores, até estimulada. (Búrigo, 2006). A nova constituição elaborada garantia, entre outras coisas, a possibilidade de associação em cooperativas e sindicatos, o que era proibido pelas leis imperiais. (Brasil, 2006). 4

5 Ainda de acordo com Búrigo (2006), após a consolidação das cooperativas de crédito na Europa, seus ideais se espalharam pelos outros continentes e no início do século XX chegaram ao Brasil, juntamente com os imigrantes europeus e incentivados pelos religiosos. Apesar de alguns ajustes de acordo com as realidades locais, as cooperativas seguiam os modelos propostos e colocados em prática pelos seus idealizadores. A primeira cooperativa de crédito no Brasil foi constituída em 28 de dezembro de 1902 no município de Nova Petrópolis, RS, com o nome de Caixa Rural de Petrópolis e esta em atividade até hoje com a denominação de Cooperativa de crédito rural de Nova Petrópolis. Esta instituição foi fundada por imigrantes alemães e baseou-se no modelo de raiffeisen. No ano de 1906, em Lageado, também no estado do RS, imigrantes italianos fundaram a Caixa de Crédito Lageado, baseada no modelo Luzzatti, e que também continua em atividade até hoje com a denominação de Cooperativa de Crédito Lageado. As primeiras cooperativas de crédito no Brasil foram constituídas baseadas nos princípios de seus idealizadores e adaptadas as realidades locais por meio de seus fundadores. Nesta época ainda não existiam regulamentos nem normas legais que disciplinassem a sua fundação e seu modo de funcionamento. As primeiras medidas tomadas a esse respeito foram decretos autorizando entidades associativas como sindicatos, a constituírem cooperativas. A primeira norma legal a regulamentar a atividade cooperativa foi o decreto do poder legislativo de 05 de janeiro de 1907, e estabelecia que as cooperativas de crédito poderiam funcionar como sociedades anônimas ou em nome coletivo, além de permitir operações de empréstimo e receber juros de não sócios. Como resultado do crescimento do número de cooperativas de crédito, foi fundada em Porto Alegre, no ano de 1912 a União das Cooperativas Riograndense de Responsabilidade Ltda, sendo esta a primeira cooperativa central a operar no Brasil e suas afiliadas eram todas cooperativas agrícolas. (Pinheiro, 2007) Em 1925 foi constituída a Central de Caixas Rurais da União Popular do Estado do RS, sendo esta a primeira cooperativa central unicamente de crédito do Brasil e englobava dezoito cooperativas singulares do tipo raiffeisen dos estado do RS e SC. Esta organização evoluiu e em 19 de agosto de 1967, quando englobava 55 filiadas, foi transformada na Cooperativa de Crédito Sul Riograndense Ltda. (Pinheiro, 2007) Com a instituição de um novo regime de governo a partir de 1930, aprova-se o decreto , de 19 de dezembro de 1932, o qual reformula as disposições anteriores e 5

6 estabelece novas normas e definições relativas às sociedades cooperativas em geral, incluídas as cooperativas de crédito, ampliando suas regulamentações, seu campo e tipo de atuação. Surgiram então outros tipos de cooperativas de crédito, além das raiffeisen e Luzzatti, como as de crédito mútuo, de crédito agrícola, populares de crédito urbano e de classes ou empresas. Este decreto também regulamentou a criação e funcionamento das cooperativas centrais, definidas como a que se situavam em capitais ou cidades que eram pólos regionais, podendo estender-se a regiões limítrofes de outros estados. (Pinheiro, 2007) Este decreto é considerado a primeira lei orgânica do cooperativismo brasileiro e demonstrava o interesse do estado novo em expandir o cooperativismo de crédito no Brasil, mesmo sem lhe dar total autonomia. Com esta regulamentação, o que se viu nos anos posteriores foi uma expansão muito grande da atuação das cooperativas, em seus diferentes ramos e tipos de atuação. Búrigo (2006) Nas décadas seguintes acontece uma grande expansão das cooperativas no Brasil, em especial as de crédito, dando margem a uma grande diversidade de segmentos e pessoas que se organizavam e criavam sua cooperativa. Também vários decretos e leis são estabelecidas como forma de organizar e regulamentar o setor. Visando melhorar a organização e eficiência do sistema cooperativo, a Lei de 13 de agosto de 1951 transformou a Caixa de Crédito Cooperativo no Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) que passou a centralizar e coordenar as operações bancárias das cooperativas de crédito. O BNCC era controlado pelo Governo Federal, que detinha maioria acionária e as cooperativas que operavam com ele tinham um percentual de ações. Apesar desta participação acionária, as cooperativas nunca tiveram nenhum poder de decisão sobre as ações do banco e o mesmo nunca se tornou um órgão centralizador do sistema cooperativo, sendo apenas um órgão administrador e intermediário das atividades bancárias das cooperativas. Apesar disso, o BNCC se manteve ativo até a década de 1990, sendo extinto pela reforma administrativa do Governo Collor, não sem antes passar por uma série de escândalos e irregularidades envolvendo suas atividades. Como forma de melhorar a regulamentação e fiscalização das atividades bancárias no País, em 1945 foi criada a SUMOC (Superintendência de Moeda e Crédito), que passou a fiscalizar e regulamentar também as cooperativas de crédito, numa época de grande expansão destas, ocasionando vários problemas, como a fuga de presidentes de cooperativas com o dinheiro do depósito dos sócios. Além disso, verificavam-se várias outras irregularidades na gestão e nos procedimentos contábeis, como pagamento menor 6

7 dos juros aos sócios. Apesar destes vários fatos envolvendo irregularidades na operação das cooperativas, até o inicio da década de 1960 o número de cooperativas de crédito em operação no Brasil era de aproximadamente 500, com quase sócios. (Pinheiro, 2007) Nesta mesma década, aconteceu a tomada do poder pelos militares, que instituíram a ditadura militar no Brasil e passaram a realizar uma série de mudanças, tanto legais como estruturais. No que diz respeito ao sistema cooperativo, foi publicada em 31 de dezembro de 1964 a Lei 4.595, que ficou conhecida como a Lei da Reforma Bancária. Esta lei passou a determinou a equiparação das cooperativas de crédito com as demais instituições financeiras e sua fiscalização e regulamentação passaram a ser exclusivas do Banco Central, tirando estas atribuições do ministério da agricultura. Esta regulamentação foi sendo aperfeiçoada e reformada até o início da década seguinte, quando em 16 de dezembro de 1971 foi aprovada a lei 5.764, que revogava todos os decretos anteriores e fixou o novo regime jurídico que regeu as atividades das cooperativas de crédito pelas décadas seguintes. Esta lei estabeleceu todos os regulamentos e normas para a atividade cooperativa de crédito, suas formas de constituição, quem pode ser sócio, como se relacionar com o restante do sistema financeiro e sua estrutura organizacional. Após esta lei, apenas a constituição de 1988 mexeu na regulamentação das cooperativas de crédito, sendo apenas editadas algumas normas ou resoluções a respeito do funcionamento e operacionalização de suas atividades. Este período da ditadura militar ficou muito marcado por sua repressão as organizações sociais e no segmento cooperativo esta repressão também se fez sentir principalmente em no que diz respeito a associação e livre organização. Isto afetou consideravelmente o movimento cooperativista e no início da década de 1980 restavam cerca da metade das Cooperativas de Crédito em atuação no inicio da década de Burigo (2006) 2.3 A estrutura atual do Cooperativismo de crédito no Brasil e em Santa Catarina Com a promulgação da Constituição de 1988, a qual estabeleceu definitivamente o direito a livre associação cancelou dispositivo legal anterior que apenas permitia a abertura de uma nova cooperativa após prévia autorização do governo, mantendo-se apenas a exigência de aprovação do Banco Central para a sua operação. 7

8 Em 1992 foram estabelecidas novas normas para a constituição de cooperativas de crédito, sendo elas divididas em cooperativas de crédito mutuo, formadas por pessoas de mesma profissão ou atividade comercial e as cooperativas de crédito rural, formadas essencialmente por agricultores. Após a dissolução do BNCC em 1990 foram estudadas novas formas de constituição de um banco cooperativo, sendo que com a mudança da legislação, em 1995 foi criado o Banco Cooperativo do SICREDI, Bansicredi, e um ano depois o Banco Cooperativo do Brasil, Bancoob, formado por onze cooperativas centrais de crédito. Estes bancos se baseavam em forma diferente da que funcionava o BNCC, sendo que agora era o próprio sistema cooperativo que administrava e gerenciava seu banco. Em 2003, uma nova regulamentação passou a permitir a abertura de cooperativas de crédito de livre adesão, sendo que as novas cooperativas ou as já em atividade puderam optar por permanecer fechadas ou ampliar sua abrangência de associados. De acordo com a Organização das Cooperativas do Brasil, o número de cooperativas de crédito em atividade no Brasil é de 1.453, distribuídos principalmente nos estados da Região Sul e Sudeste. Estas cooperativas contam com aproximadamente 4,2 milhões de associados e movimentam cerca de R$ 21,8 bilhões em operações de crédito e R$18,9 bilhões em depósitos em seus pontos de atendimento. Atualmente, o sistema de cooperativismo de crédito brasileiro é composto por seis sistemas: O SICREDI, Sistema de Crédito Cooperativo opera com cerca de 130 cooperativas de crédito e mais de pontos de atendimento em dez estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará, Rondônia, Goiás e São Paulo. Sua origem remonta as primeiras cooperativas de crédito fundadas no estado do Rio Grande do Sul e apesar de sua origem rural, hoje atua nos centros urbanos, por intermédio das cooperativas de livre admissão. O SICOOB, Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil, é composto por cooperativas centrais e singulares de crédito, foi fundado em 1997, atua em praticamente todos os Estados brasileiros. As cooperativas centrais e singulares formam a Confederação Nacional das Cooperativas do SICOOB Brasil, que é a controladora do BANCOOB. A UNICREDI do Brasil foi fundada em 1994 como uma junção das Cooperativas Centrais UNICRED e é uma instituição financeira cooperativa formada basicamente por profissionais do ramo médica e da saúde, vinculados ao sistema UNIMED. Atualmente 8

9 esta presente em 24 estados da Federação,com 09 Cooperativas Centrais, 124 Singulares e 397 postos de atendimento. A CREHNOR é o sistema de cooperativas fundadas em 1997 por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e por pequenos agricultores na região Norte do Estado do Rio Grande do Sul. Surgiu da necessidade dos assentados da Reforma Agrária e dos Pequenos Agricultores terem uma Cooperativa de Crédito que operacionalizasse os créditos conquistados pelas lutas e seus movimentos (MST e MPA) e que pelos critérios dos Bancos Oficiais estavam excluídos do Crédito. Hoje atua em todo Estado do Rio Grande do Sul, no Oeste de Santa Catarina e no Sudoeste do Paraná. A ECOSOL, Sistema Nacional de Cooperativas de Economia e Crédito Solidário, foi fundado em 2000 e é um sistema de apoio à cooperativas de crédito solidário, como uma forma de promover o fortalecimento da economia solidária e do desenvolvimento sustentável. Atualmente atua principalmente nos estados de Minas Gerais e Pernambuco. O sistema CRESOL se diferencia dos demais por partir do princípio de pequenas Cooperativas articuladas em rede, de preferência municipais ou micro-regionais com futuros desmembramentos, dirigida pelos próprios agricultores familiares e sem a figura do Gerente, mas de um Presidente ou Conselheiro que coordenava o trabalho gerencial, operacional e político. Surgiu em 1995 quando foram criadas, no Sudoeste do Paraná, cinco Cooperativas de Crédito a partir da contribuição da experiência de Santa Catarina, com o diferencial de que estas criaram a sua própria Central chamada Cooperativa Central Base de Serviços das Cooperativas de Credito Rural com Interação Solidária (CRESOL-BASER). Este sistema seria o ponto de partida para a discussão das Cooperativas de Santa Catarina em busca de uma alternativa ao sistema COCECRER-SC. Com o gradativo aumento do número de cooperativas nos anos seguintes, novas bases regionais foram criadas. Em 1998 são constituídas as primeiras cooperativas do Sistema Cresol nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 2000, a Cresol Baser, foi transformada em cooperativa central, com sede em Francisco Beltrão/PR. Em 2004, conforme o princípio da descentralização e crescimento horizontal foi criada a segunda cooperativa central de crédito, a Cresol Central, com sede em Chapecó/SC e como filiadas as cooperativas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No estado de Santa Catarina, a atual entidade que representa os ramos das atividades cooperativistas junto aos órgãos oficiais é a OCESC, Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, fundada em 28 de agosto de 1971, em substituição a ASCOOP, Associação das Cooperativas de Santa Catarina, criado em 9

10 01/08/1964. A OCESC se tornou o órgão representativo do Sistema Cooperativo Catarinense lhe cabendo as funções de criar e registrar as cooperativas singulares, centrais e federações. No que diz respeito ao cooperativismo de crédito, podemos destacar atuação de três sistemas no estado, o sistema UNICRED, o sistema SICOOB, através do Sicoob-SC e o sistema CRESOL. 3 - A CREDISEARA: origem e atuação na região de estudo 3.1 O processo de Fundação da CREDISEARA Na década de oitenta a região Oeste de Santa Catarina, passava a sentir as primeiras conseqüências da chamada Revolução Verde ou Modernização da Agricultura, gerando debate sobre formas de produção e as culturas desenvolvidas no período. Este debate foi motivado pela Diocese de Chapecó, que passou a utilizar os Grupos de Reflexão para a discussão de alternativas produtivas, a organização política, econômica, social e sindical. A partir destas discussões que questionavam o modelo vigente, foi possível ganhar a eleição de vários Sindicatos, modificando assim as práticas e os instrumentos de luta e defesa dos direitos dos agricultores. No ano de 1989, foi criada a Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (APACO), com o objetivo de fornecer assessoria na organização de grupos e associações, promovendo o debate sobre formas alternativas de produção, organização, transformação, comercialização, estimulando assim a cooperação e a agroecologia. A APACO, juntamente com as associações e grupos coletivos regionais e o Centro de Estudos e Pesquisa para a Agricultura em Grupos (CEPAGRO) fez um levantamento de bons projetos a serem estimulados na região oeste de Santa Catarina, mas a maioria esbarrava na dificuldade de viabilização dos recursos financeiros. Desta forma, em 1992 começaram as discussões sobre a criação de organizações de crédito, e a melhor maneira encontrada para colocar isso em prática foi através de Cooperativas de Crédito. Os anos oitenta em Seara também foram marcados pela atuação da oposição sindical a então diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o que levou para as comunidades rurais o debate sobre a necessidade organização de grupos e associações. Destas discussões entre agricultores que questionavam o sindicalismo vigente, mas não conseguiram se consolidar como força majoritária no Sindicato, surgiram as primeiras 10

11 iniciativas em relação a construção de uma alternativa de organização, culminando com a opção pelo cooperativismo de Crédito. As discussões para a criação da Cooperativa de Crédito Rural de Seara iniciaram no final de 1992, nos grupos organizados com o incentivo da APACO, em várias comunidades rurais dos municípios de Seara, Ita, Xavantina e Arvoredo. No início de 1993 as associações decidiram fazer um levantamento para estudar a viabilidade de constituição de uma cooperativa de crédito, chegando-se a conclusão de que somente os grupos então envolvidos não seriam suficientes para a viabilização de uma cooperativa. Como forma de superar esta dificuldade, buscou-se o envolvimento de outros atores locais envolvidos para que o projeto se tornasse viável. Assim foi marcado um encontro com todas as lideranças do setor agrícola de Seara e Região, envolvendo Sindicatos, Associações, Secretarias Municipais de Agricultura, lideranças Comunitárias e APACO/CEPAGRO. Nesta reunião ficou decidida a realização de um trabalho de campo motivando as comunidades rurais sobre os princípios cooperativistas e a possibilidade de criação de uma Cooperativa de Crédito. Também foi eleita uma Comissão Pró-criação, que seria responsável pela coordenação dos trabalhos. Esta Comissão elaborou um roteiro de reuniões em todas as comunidades e marcou uma reunião com a Cooperativa de Crédito Rural do Alto Uruguai Catarinense (CREDIAUC), cuja área de abrangência englobava os municípios da região. Esta invasão de área que seria promovida pela nova cooperativa não foi bem aceita por parte da CREDIAUC, e a mesma comunicou que iria buscar os bons agricultores e o resto podia ficar para a nova organização. No final de 1993 foi realizado um planejamento das atividades para o ano de 1994, e em janeiro foram realizadas as reuniões nas comunidades com a participação total de aproximadamente 1100 agricultores (as). Nestas reuniões foram debatidos os princípios do Cooperativismo, uma proposta de Estatuto Social e os objetivos da nova cooperativa, além da escolha de lideranças para dar continuidade ao debate. No mês de março foi realizada uma reunião com a presença de aproximadamente sessenta lideranças onde se discutiu a proposta de Estatuto, e foi definida a data de realização da Assembléia de Fundação. Também foram definidos outros encaminhamentos necessários para a realização da Assembléia e a composição de uma diretoria para dirigir a Cooperativa. No dia 25 de abril de 1994 foi realizada a Assembléia Geral de Fundação da Cooperativa de Crédito Rural Seara LTDA, com a participação de mais de 500 pessoas onde se aprovou o Nome (CREDISEARA), o Estatuto Social, a Diretoria, a cota-parte de cada associado (o valor equivalente a uma saca de milho) e sua filiação a Cooperativa 11

12 Central das Cooperativas de Crédito Rural de Santa Catarina (COCECRER-SC). Além disso, foram encaminhados os documentos para a aprovação no Banco Central do Brasil e posterior registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina. Inicialmente foram considerados como área de abrangência da nova cooperativa os municípios de Seara, Itá, Xavantina, Arvoredo, Arabutã, Xaxim e Ipumirim. Como forma de facilitar a realização dos procedimentos burocráticos junto aos órgãos oficiais de registro, principalmente o Banco Central, optou-se por efetivar a fundação com a participação de 23 sócios, uma vez que a exigência documental era muito grande. Em julho de 1994 o Banco Central do Brasil fez a homologação da cooperativa, mas seria necessário realizar mudanças no estatuto e na Ata da Assembléia Geral para ser concedida a autorização de funcionamento. Estes procedimentos foram realizados e no dia 18 de agosto foi concedida a autorização para iniciar as atividades, sendo que a direção solicitou que o início das atividades se desse no mês de janeiro de 1995, como forma de facilitar o balanço anual e a prestação de contas da Cooperativa. Tabela 01 - Evolução do número de associados e do capital social da CREDISEARA Ano Número de Capital social associados 25/04/ R$ 30,90 04/01/ R$ 34,74 05/01/ R$ 1.602,08 31/12/ * R$ ,57 31/12/ R$ ,79 31/12/ R$ ,60 31/12/ R$ ,43 31/12/ R$ ,02 31/12/ R$ ,75 31/12/ R$ ,83 31/12/ R$ ,13 31/12/ R$ ,74 31/12/ R$ ,47 31/12/ R$ ,29 31/12/ R$ ,64 31/12/ R$ ,92 31/12/ R$ ,53 * Número aproximado, não foram encontrados dados oficiais. Fonte: Balancetes da CREDISEARA. A CREDISEARA abriu as portas no dia 04 de janeiro de 1995 com a presença de diversas autoridades municipais, estaduais e federais e grande número de agricultores da 12

13 região. Após a inauguração foi solicitada a filiação a COCECRER-SC, no que não foi atendida, sendo considerada apenas conveniada para possibilitar a realização da parte operacional, mas sem direito a representação ativa, fato este que perdurou por cerca de um ano. No dia de inicia das atividades, a cooperativa contava com 23 associados e um capital social de R$ 34,42. Neste mesmo dia foram efetivadas mais de 166 associações e a integralização das cotas parte e capital social destes agricultores. Isso fez com que no encerramento das atividades deste primeiro dia a cooperativa já contasse com 189 sócios e um capital social de R$ 1.602,08, conforme podemos verificar na tabela 02. Apesar das dificuldades, a CREDISEARA foi aumentando o número de associados, a captação de recursos e a concessão de financiamentos e a partir do mês de abril já apresentava resultado operacional positivo, chegando ao final do ano com um capital social de R$ ,57 e aproximadamente 450 sócios. Durante todos estes anos, a cooperativa sempre manteve relações com os Movimentos Sociais, Movimento Sindical, Fetraf -Sul- CUT, Igreja Católica e Evangélica, Ong s, como a APACO, Cepagro, poderes públicos municipais, estadual e o governo federal. A CREDISEARA busca financiar os agricultores de sua região de abrangência através de linhas de crédito com recursos próprios e do PRONAF, em parceria com o Banco do Brasil, BNDEs e BRDE, com destaque para a suinocultura, a avicultura, a produção de leite, horticultura, fruticultura, a agroindustrialização e outras que os associados demandarem. Como forma de contribuir para o desenvolvimento e melhoria da renda dos agricultores, a cooperativa também incentiva a sua organização, da qual já foi criada a COPAFAS (Cooperativa de Agroindústrias Familiares de Seara), e várias associações de agricultores. 3.2 Consolidação da CREDISEARA Desde a sua fundação, uma das principais preocupações dos dirigentes da CREDISEARA era quanto a possibilidade de viabilização da cooperativa, como instrumento de democratização do acesso ao crédito por parte dos agricultores, principalmente os de menor poder aquisitivo. 13

14 Além disso, também tinha como princípio a busca da organização e formação dos associados, como forma de propiciar a eles melhoria dos processos produtivos e formas de aumentar sua renda. Um dos complicadores neste trabalho dos dirigentes era a quase nenhuma experiência cooperativista anterior nos moldes que estava sendo pensada. Isso gerou uma série de problemas e conflitos, tanto em relação a COCECRER/SC, entidade que gerenciava as operações financeiras, quanto em relação aos funcionários contratados para prestar o serviço aos associados. No início das atividades, o funcionário contratado como gerente era uma pessoa com certa experiência em serviços bancários, mas totalmente desvinculado ideologicamente com os dirigentes da cooperativa. Este fato acabou ocasionando um conflito com os associados e diretores, uma vez que o gerente estava assumindo todo o controle operacional e decisório, com privilégios aos maiores clientes, confrontando frontalmente os princípios estabelecidos. Este fato foi resolvido com a demissão do gerente e o estabelecimento de regras sobre a contratação de novos funcionários que deveriam ter, além de conhecimento técnico, comprometimento com a filosofia da cooperativa, além do desejável conhecimento da atividade agrícola. Outra grande dificuldade inicial foi em relação a relação da cooperativa com o restante do sistema financeiro, que era feito inicialmente pela COCECRER/SC. Apesar desta vinculação inicial, a direção permaneceu discutindo junto com as Cooperativas de crédito criadas a partir da APACO/CEPAGRO uma alternativa, pois os princípios de atuação e funcionamento da COCECRER-SC não eram os mesmos deste grupo. Desta forma, no final do ano de 1998 a CREDISEARA solicitou a desfiliação da COCECRER/SC e no início de 1999 se filiou ao sistema CRESOL, do qual faz parte até hoje Com o passar do tempo a equipe dirigente passou a dominar melhor as questões operacionais e gerenciais, passando então a administrar a cooperativa segundo os princípios estabelecidos e buscando a sua consolidação e expansão. Os principais produtos oferecidos pela cooperativa eram o crédito rotativo de custeio das lavouras, além de produtos comuns a instituições financeiras como conta corrente, conta poupança, talão de cheques e pagamentos diversos. Nos anos seguintes, sempre buscando ampliar os serviços oferecidos aos seus associados e seu bom atendimento, a CREDISEARA ampliou seu quadro social e o capital social chegando a números impressionantes, como os verificados na Tabela 01. Podemos verificar também que o processo de crescimento da cooperativa, tanto em número de sócios quanto em relação ao capital social acumulado sempre se manteve 14

15 constante, e chegando no final do ano de 2008 com um volume financeiro impressionante quando comparado com o inicio das atividades. Como um dos objetivos da CREDISEARA sempre foi a descentralização e a horizontalidade de organização e atendimento, no ano de 2002 os associados do município de Ipumirim, já em um bom número, decidiram fundar uma nova cooperativa. Assim foi feito e estes associados se desvincularam da CREDISEARA e passaram a fazer parte da CRESOL Ipumirim. Este fato a princípio poderia significar alguma perda, mas como se observa na Tabela 01, no ano seguinte o valor do Capital Social e do número de sócios já eram superiores aos valores anteriores ao desmembramento. O mesmo fato ocorreu em relação ao município de Xavantina, quando no ano de 2006 foi criada a CRESOL Xavantina. Repetindo o que aconteceu com o desmembramento anterior, o número de sócios e o capital social do ano seguinte já era maior quando comparada ao ano anterior. Atualmente a CREDISEARA conta com postos de atendimento em mais três cidades da região, Arvoredo, Ita e Paial, sendo que a cidade de Ita já conta com uma Diretoria Provisória para a composição de uma nova cooperativa de crédito. 3.3 Principais linhas de crédito da CREDISEARA O histórico de atuação da CREDISEARA esta muito relacionado com a evolução do crédito agrícola no Brasil neste período, pois na época em que iniciou suas atividades foi também um período de mudança na forma de concessão do crédito rural. Remonta a esta época as primeiras iniciativas de caracterização dos agricultores familiares, resultando na criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o PRONAF. No inicio a destinação dos recursos para financiamento era basicamente para custeio e financiamento das lavouras, o que levou a CREDISEARA a começar suas atividades de empréstimos com esta linha de crédito. No primeiro ano de suas atividades realizou operações de empréstimo para custeio que chegaram a quase R$ ,00 (trezentos mil reais), conforme podemos verificar na tabela 02. Com o aprimoramento dos mecanismos de financiamento e do próprio PRONAF, passou-se a ter acesso a recursos também para fazer investimentos nas propriedades rurais. Este processo levou mais alguns anos, mas em 1997 já foi possível a CREDISEARA disponibilizar quase R$ ,00 (cento e cinqüenta mil reais) conforme vemos na tabela

16 Tabela 02 Empréstimos concedidos pela CREDISEARA ANO EMPRESTIMO CUSTEIO INVESTIMENTO PSH , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , * , , , , , , , , , , , , , , , ,65 * Não foram encontrados dados oficiais. Fonte: Balancetes da CREDISEARA. Os recursos dos financiamentos para investimentos foram utilizados principalmente para a melhoria ou ampliação das benfeitorias nas propriedades rurais, possibilitando assim um trabalho melhor e mais rentável. Estes investimentos também levaram alguns associados a começarem a discussão sobre a possibilidade de implantação de pequenas agroindústrias familiares no município, como forma de aumentar o valor agregado aos produtos, vendendo-os já prontos para o consumo ao invés de comercializar apenas a matéria prima. Seguindo os princípios de incentivo a organização tão propalados pela cooperativa, esta começou a incentivar e patrocinar as discussões sobra a criação de pequenas agroindústrias e a possibilidade de financiamento para a construção de suas estruturas, pois até então os financiamentos para investimento eram apenas para estruturas produtoras de matéria prima, como aviários ou pocilgas. Este trabalho organizativo foi dando resultado e as pequenas agroindústrias familiares foram sendo constituídas. Como forma de melhorar a organização e o tratamento das questões legais, foi formada a Cooperativa de Produção Agroindustrial 16

17 Familiar de Seara (COPAFAS), da qual faziam parte no mês de janeiro de pequenas agroindústrias familiares. Além do compromisso de manter um alto padrão de qualidade na elaboração de seus produtos, a COPAFAS incentiva a produção agroecológica das matérias primas utilizadas, bem como da relação auto-sustentável destas com as localidades em que estão inseridas. Voltando a analisar os dados relativos a financiamentos efetuados pela CREDISEARA, podemos verificar um aumento gradativo dos valores disponibilizados. Fazendo a comparação com o número apresentados na tabela 01, podemos verificar que este aumento dos valores de financiamento esta diretamente relacionado ao aumento do número de sócios, já que quanto mais sócios, maior será o valor total emprestado. Historicamente os recursos destinados ao financiamento rural sempre foram destinados ou ao custeio das lavouras ou ao investimento na infra estrutura de produção. Até o ano de 2004 não existia nenhuma linha de crédito com a finalidade de melhorar a moradia dos agricultores. Neste ano foi criado o Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH), um programa do governo federal que passou a oferecer subsídios e recursos para serem aplicados na construção ou reforma de habitações, tanto na área urbana quanto rural. Estes recursos são oferecidos através de leilões para entidades financeiras previamente habilitadas. Com a preocupação de contribuir também para a melhoria das condições de habitação de seus sócios, no final de 2004 a CREDISEARA se habilita a receber recursos do PSH e no ano de 2005 consegue intermediar a liberação de um bom volume de recursos destinados a reforma de residências dos seus associados. Apesar de ser recente, este programa na área de abrangência da CREDISEARA causou um grande impacto, justamente por seu ineditismo, provocando uma grande procura de informações por parte de seus sócios e também de não sócios. Em um encontro com os beneficiados com os recursos do PSH realizado no mês de janeiro de 2009, pode-se verificar a satisfação dos beneficiados com o programa, obtendo-se vários relatos sobre sua importância. A maioria dos presentes afirmou que sem estes recursos subsidiados, seria impossível realizar qualquer tipo de melhoria, reforma ou construção de suas casas. 17

18 4 - Considerações Finais Podemos verificar que historicamente a presença do cooperativismo de crédito no Brasil sempre teve sua importância e foi se definindo de acordo com os acontecimentos conjunturais. Desta forma tivemos uma etapa de sua implantação e avanço mais ou menos desordenado nas três primeiras décadas do Século XX, passando por um processo de consolidação e expansão mais sustentável nas três décadas seguintes. Como todos os tipos de associações promovidas sem a interferência do estado, o movimento cooperativista também sofreu graves restrições no período da ditadura militar, apenas retomando sua importância gradativa a partir da constituição de A partir de então, começam a se proliferar os mais variados ramos de cooperativismo e o cooperativismo de crédito começa a ser organizar local e nacionalmente, como conseqüência de seu crescimento e sua expansão para as mais variadas atividades. O cooperativismo de crédito rural no oeste catarinense passou por estas transformações também e a fundação da CREDISEARA e do sistema CRESOL expressa bem a forma de organização baseada na organização dos pequenos agricultores desta região. Através da busca de mecanismos de auto regulação e gerenciamento de seus recursos, os pequenos agricultores buscaram na cooperativa uma forma de viabilizar a sua organização, o incentivo a atividades produtivas e o financiamento que até então tinham acesso muito restrito. Podemos ver que, apesar de ter sido criada com uma estrutura financeira e associativa extremamente pequena, a CREDISEARA se afirmou como um importante instrumento de financiamento e de apoio a organização dos pequenos agricultores rurais dos municípios de sua área de atuação, principalmente os seus associados. 18

19 5 Referências BENATO, João Vitorino Azolin. O ABC do cooperativismo. São Paulo: ICA-OCESP, p BÚRIGO, Fábio Luiz. Cooperativa de crédito rural: agente de desenvolvimento local ou banco comercial de pequeno porte?. Chapecó,SC: ARGOS, p. COSTA, Maria Cândida de Oliveira. CREDISAN - Cooperativa de Crédito Rural da Região da Mogiana: diagnóstico e potencial de atuação no financiamento rural. São João da Boa Vista (SP): UNIFEOB, p. DELGADO, Guilherme Costa. Capital financeiro e agricultura no Brasil, São Paulo: Icone Ed.; Campinas: Ed. da UNICAMP, c p. GOULARTI FILHO, Alcides. Formação Econômica de Santa Catarina. 2. ed. rev Florianópolis: Editora da UFSC, p. PINHEIRO, Marcos Antonio Henriques. Cooperativas de crédito: História da Evolução Normativa no Brasil. 5 ed. Brasília.BCB, p. PINHO, Diva Benevides. O pensamento cooperativo e o cooperativismo brasileiro. Sao Paulo: CNPq, p. (Manual de cooperativismo ;1 ) 19

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