MADONA DOS PÁRAMOS: A REPRESENTAÇÃO DA MULHER

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1 MADONA DOS PÁRAMOS: A REPRESENTAÇÃO DA MULHER DO SERTÃO MATOGROSSENSE Juliana Nogueira Entendemos que discutir a subjetividade é uma questão iminentemente politica. (Rago). Ricardo Guilherme Dicke, em sua obra Madona dos Páramosque foi premiada em 1981 e publicada em Esta obra vem mostrar o contexto histórico do feminismo e subjetividade, diante também da religião que é característico de suas obras. E vem dialogar História e Literatura. A literatura me levou a historia em busca da construção imaginaria dos traços indenitários regionais que fundamentam a presença da região nos romances de Ricardo Guilherme Dicke [...] Personagens, que estão impregnados pelo imaginário mítico, revelador das raízes mitológicas presentes na historia social e cultural local [...] aliteratura vai, portanto, ao âmago da alma coletiva para desvenda la na representação simbólica das imagens; ora revela, ora encobre o conteúdo de suas profundezas, pois cada individuo carrega, para além da consciência individual, uma consciência coletiva que repousa em imagens gerais os arquétipos que determinam inconscientemente o pensamento. Esses arquétipos são presentes na estrutura dos mitos. (Furtado: Dissertação de Doutorado)

2 Dicke nasceu em 16 de Outubro de Bacharelado em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro em Em 1972 licenciou-se em Filosofia pela mesma instituição. Fez especialização em Heidegger e o Problema do Absoluto e Fenomenologia de Merleau Ponty e ainda frequentou a Escola Superior de Museologia. Trabalhou como professor tradutor e jornalista para várias editoras e jornais de grande circulação no Rio de Janeiro e Cuiabá. Foi revisor e copy-desk em várias editoras e especialmente entre 1973 e 1975 no jornal O Globo do Rio de Janeiro. Filho de garimpeiro morou e andou por várias regiões do Mato Grosso, Dicke se mostra muito a vontade, em todas as suas obras para falar da morfologia e da paisagem mato-grossense. Dotado de um poder deobservação espetacular consegue registrar e superlativar os significados que a natureza, seus habitantes e o próprio universo imprimem aas pessoas mais simples e aparentemente desprovidas de cultura. Foi descoberto por Guimarães Rosa durante um concurso literário em Viveu recluso em Cuiabá, o que dificultou ainda mais a divulgação do seu trabalho. Morreu em 09 de Julho de 2008, deixando obras respeitadas e outras não editadas. Em 2004 o escritor recebeu o titulo de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Mato Grosso. O livro de trata de doze homens fora da lei que estão à procura da Figueira-mãe, essa que não se sabe onde fica corretamente sabe que fica sertão adentro. A Figueiramãe é como o jardim do Éden onde la os pecados serão encerrados e estes poderão viver em paz consigo mesmo e, é de difícil acesso. O tempo do livro é cíclico e narrado de uma forma detalhando, a paisagem, os animais, o sertão, aspessoas e a maldade explicita do bando de Urutu. José Gomes e Garci são os únicos homens que eram cabos e devido a certos delitos se transformam em homens fora da lei. Mas o bando de Urutu já nasceu com a maldade na alma. Em uma ida a uma das fazendas a procura

3 de comida, eles matam os homens e raptama Moça sem Nome do seu lar e de sua família, esta mulher é ambígua como personagem, já que é vista como uma mulher santa e pecadora. Sendo esta mulher o equilíbrio da tentação e da redenção do bando. A personagem santificada da mulher sem Nomeproduz uma separação de contato e distanciamento entre os homens, o que a faz pura e merecedora de ser sagrada, que lhe é atribuída pelo bando. Porém a personagem da tentação provém de sua beleza física, movimento do corpo ao galopear e indutora dos pensamentos pecadores do bando. Eles se perdem no sertão do Mato Grosso, e durante uma grande tempestade os homens do bando começam a se ferir e uns até morrem. É com essa reflexão feminina e outras mulheres que em pequenos trechos de sua obra como a mulher é vista. pois eu estivera com uma fome de potro lembrando-se das éguas, queria uma mulher de verdade, gostosa e doce, seu corpo duro, com seios reais, anca de se correr as mãos, sede e falta de agua, traseiros de açúcar, fritara desejos como carne com toucinho na brasa, escorrendo gordura (DICKE, 1981:82) A subjetividade no âmbito feminista vem apresentar as mulheres como elas são donas de si mesmo e cada qual com seu entendimento e com sua função. As feministas entrelaçam em a subjetividade como uma critica do seu próprio eu, onde elas se veem e revelam como são o que querem e o que fazem independente daquilo que foi pressuposto para estas andaram conforme as leis ditadas pelo machismo. É a abertura de si que faz o seu próprio contexto. Lá na restinga de matas, atrás deles, na curva, vinham rumores de água. A moça se banhava, tinha tirado as roupas, jogando-a num montículo à beira do rio, e ficou assim, o sol dando ouro e fogo no seu corpo, inteiramente branca na beira da água, ouro e prata, sombra e luz, sem se importar com a proximidade deles. Urutu se levantou, passou demoradamente seus olhos macios sobre o grupo e foi para o mato sem dizer palavra. Estátua que caminhava nas pedras, como Vênus, Anfritite muito antiga vindo dos mitos e das teogoniasprimordias, passando sobre seus pés os luares todos juntos e tudo o que é branco misturado a uma ofuscação de rosa de sombras

4 soleadas, mármores a se animar, Paros, Samotrácia, Naxos, Táuridam, mexente de vida. Os homens olharam em volta, não viram ninguém nem nada impedindo nem proibindo em natural proibição, levantaramse sem pedir permissão para ninguém como que comandados por uma ideia em conjunto e caminharam cuidadosamente para o forro das matas que abotoava a visão do rio e se entrincheiraram lá reunidos, a assistir, como Carlos e seus cavaleiros um torneio de beleza, como príncipe de alguma renascença (DICKE, 1982 p. 154). Que é possível perceber no contexto atual das batalhas feministas, uma nova relação que o feminismo contemporâneo estabelece consigo e nas imagens de si que projeta para o mundo. Numa atitude de metacrítica, essa relação se caracterizaria por um dobrar-se sobre si mesmo, isto é, pela reflexão crítica sobre o próprio feminismo e por sua historicização, num movimento de avaliação e balanço de suas conquistas, avanços, limites e impasses, seja no campo das práticas, seja no do pensamento. [...]De Olympe de Gouges às sufragettes, socialistas e anarquistas, como Emma Goldman e FedericaMontseny,chegando ainda à queima de sutiãs em praça pública, desde o final dos anos sessenta, elas se opuseram à figura conservadora e santificada da mãe, enaltecida pelo discurso rousseauísta, provando que poderiam igualar-se, no espaço público, aos seus opositores, com muita competênciaportanto, a feminista deixou de ser a oradora pública de outrora, avessa àmaternidade, enquanto que ser mãe também deixou de implica necessariamente a perda dodesejo sexual. Mostrando que poderiam existir modos diferentes de organizar oespaço,outras artes de fazer no cotidiano, da produção científica e da formulação das políticaspúblicas às relações amorosas e sexuais, a crítica feminista evidenciou que múltiplasrespostas são sempre possíveis para os problemas que enfrentamos e que outras perguntasdeveriam ser colocadas a partir de uma perspectiva feminista, isto é, a partir de umpensamento que singulariza, subverte e diz de onde fala.[...]a mãe pós-moderna integrou a figura da mulher independente, pois além deemancipada e, muitas vezes, chefe de família, ela quer gozar sexualmente.(rago). Todo o estudo deste livro há um entrelaçamento entre a literatura religião e subjetividade. Dessa forma mostra com coerência o lado social e sua ocorrência para que haja contexto e interpretação. A história literária faz a evolução na comunidade, onde a função da produtividade literária é sempre pressuposto à estrutura da sociedade. Correlação entre literatura e sociedade [...], pois consiste essencialmente em mostrar, de um lado, os aspectos sociais e, de outro lado, a sua ocorrência nas obras, sem chegar ao conhecimento de uma efetiva interpretação. (CÂNDIDO, 1989: 1).

5 A literatura de Dicke é uma obra de criação literária, mas com função histórica, já que ele desempenha o papel de histórico da religião, da transição, da modernidade e da moral feminina. No progresso dos estudos de teoria literária, pois me convenço cada vez mais de que só através do estudo formal é possível apreender convenientemente os aspectos sociais. (CÂNDIDO, 1989: 1). A história e a literatura andam lado a lado, pois a literatura cria de seu imaginário uma relação relativamente concreta com os aspectos sociais, culturais, econômicos, políticos e acima de tudo intrigantes que há em cada ser, em cada civilização e em cada sociedade de tempos em tempos. Ora, obvio que para este trabalho ter uma forma histórica baseada na literatura de Ricardo Guilherme Dicke, tive que entrelaçar a mulher que neste caso é meu foco, com a vida cotidiana que ela levará em seu rapto com uns vários homens, sendo estes condenados. Para relacionar a Moça sem Nome, o qual constitui minha personagem principal, a relacionei com o movimento feminista e a formação de subjetividade, que tem caráter histórico e atual. Apesar de esta literatura estar na transição do modernismo, consegui encontrar na personagem, o que ocorre hoje, as politicas de corpo e exclusivamente a subjetividade desta mulher que assim como outras na época da Ditadura Militar, revelaram seu eu, e mesmo com seus medos, receios e acima de tudo querendo mudanças, transformaram o mundo e a si mesmo, através de atos de subjetividade. o si é algo sobre o qual há assunto para escrever, um tema ou um objeto(um sujeito) da atividade da escrita. Não é nem um aspecto moderno nascido da Reforma nem um produto do Romantismo; é uma das tradições mais antigas do Ocidente um tradição já bem estabelecida, profundamente enraizada quando Agostinho começa a escrever suas Confissões (Foucault) Devemos romper com a atitude espontânea que supõe que todos os textos, todas as obras,todos os gêneros, foram compostos, publicados, lidos e recebidos segundo os critérios que caracterizam nossa própria relação com o escrito. Trata-se,portanto, de identificar histórica e morfologicamente as diferentes modalidades da inscrição e da transmissão dos discursos e, assim, de reconhecera pluralidade das operações e dos atores implicados tanto na

6 produção e publicação de qualquer texto, como nos efeitos produzidos pelas formas materiais dos discursos sobre a construção de seu sentido. Trata-se também de considerar o sentido dos textos como o resultado de uma negociação ou transações entre a invenção literária e os discursos ou práticas do mundo social que buscam, ao mesmo tempo, os materiais e matrizes da criação estética e as condições de sua possível compreensão. [...] que traz à luz a significação já presente o comentário, identificado com o trabalho de leitura e interpretação de um texto[...]quando a literatura a tematiza, ultrapassa sempre as questões clássicas dos historiadores, e leva-os a construir de outro modo o próprio objeto de sua indagação. (Chartier) A subjetividade que deflora a capacidade do bando de Urutu a não abusar da mulher sem nome, dita o próprio caráter de tentativa de salvação desses homens pecaminosos. Mas o que seria pecado? Já que em todo momento eles a desejam e não entendem o motivo de Urutu ter a trazido, eles ficam a espera que uma hora ele abuse sexualmente dela. Mais a Moça sem Nome, se torna uma Madona, uma Santa, o ponto de equilíbrio, o qual o bando utiliza para que haja paz entre seus pecados. a luta para escapar da normalização e governamentalização na modernidade passa pela conquista de politicas de subjetividade que resistam a duas formas de sujeição: aquelas impostas pelos poderes (Estado, Família, Igreja e Mercado) e a que lega o individuo a uma identidade fixa (Ionta,2013:16) Na literatura de Dicke, a personagem Moça sem nome leva a nos refletir sobre o modo de existência feminina e a violência do poder e do saber inscritos em corpos sexuados e as formas de resistências dessa mulher, para se afirmar como sujeita autônoma. Pois ela foi retirada do seu lar, onde mataram-lhe seus pais e seu marido, na sua frente, a qual a mesma ainda tentou que estes a matassem, sendo esta levada e sequestrada, andando pelo sertão do Mato Grosso, amarrada, completamente violentada no aspecto

7 psicológico e físico pois estava ali contra sua vontade, sendo observada a todo momento, e mesmo sabendo que poderia ser abusada sexualmente ainda assim, as vezes ela gritava aos prantos o qual monstruosos eram esses homens, sendo todo momento observada e esperando pelo pior. o sujeito esta voltado para seu interior, à verdade não é mais recolhida e construída, mas revelada por Deus, como no Cristianismo, e, depois pelas Ciências, nas sociedades dessacralizadas (IONTA. 2013:14) Mulher com a qual possui uma moral religiosa adequada é aquela, que cuida da família, dos filhos, da casa do marido, que fica dentro de casa e só sai de casa para fazer seus afazeres com a igreja e com a comunidade se tratando da igreja, porem a Moça semnome, era uma mulher rica e culta, filha de fazendeiro e casada, a qual o texto dá indícios que esta se transforma em uma mulher pecadora, suas roupas já dita, eles reparam que sua roupa é colada ao corpo onde mostra suas silhuetas e o galopear do cavalo faz com que estes tenham pensamentos pecaminosos em relação a ela. Diante ao caso que estes estiveram presos por muito tempo, portanto não viam uma mulher há muito tempo e ainda mais uma mulher linda como esta, a personagem possui cabelos negros longos lisos, olhos azuis e de pele extremamente branca com um corpo o qual é padrão de beleza de estética. E a mulher Mariana, o qual o meu significado foi da mulher que lembra Maria, mãe de Jesus, ela também possuía cabelos negros, olhos claros e pele branca, será que este também não seria um motivo ao qual eles não a abusassem? Bem a mulher extremamente crista, vai à igreja, nas cerimonias religiosas, faz as orações em conjunto com outras mulheres, os rituais necessários a toda mulher cristã, a qual tem por objetivo rezar, ser mãe e sofrer e mesmo após violências domesticas, como traição, abuso sexual do próprio marido e apanhar, ainda continuam mantendo seu ritmo de vida e cada vez

8 mais reza, para que o sofrimento se esvazie e perdoem seus maridos, muitas vezes perdem perdão por seus maridos, muitas vezes perdem perdão por eles, pois esses não sabem o que fazem, e se revelam merecedoras daquilo, pois o sacrifício é uma dadiva divina, onde elas após terão entrada ao céu, já que fizeram tudo aquilo o qual o mandamento religioso e a Igreja o constitui como certo. o si é algo sobre o qual há assunto para escrever, um tema ou um objeto(um sujeito) da atividade da escrita. Não é nem um aspecto moderno nascido da Reforma nem um produto do Romantismo; é uma das tradições mais antigas do Ocidente um tradição já bem estabelecida, profundamente enraizada quando Agostinho começa a escrever suas Confissões (Foucault) No século XIX no Brasil, o movimento feminista era visto como uma mulher dessexualizada, amargurada, sem perspectiva, e ao mesmo tempo a oposição com representações veiculadas pela revista feminina do período que se colocavam em luta pela independência do gênero. Rago, ainda retrata as mulheres feministas como machas, feias e mal amadas. Além do preconceito social masculino, há também o preconceito social feminino. Relata também o lesbianismo, hoje a bandeira feminina a da politicas do corpo, o direito ao próprio corpo, relembrando do qual era preconceituoso e ainda é, ainda mais no âmbito religioso, quero ressaltar que estamos em tempos modernos e algumas Igrejas e mulheres religiosas que são a favor do movimento feminista. A mulher historicamente era vista como mercado, como objeto, onde mesmo elas não querendo ter relações com os parceiros estes a obrigavam como se essas não tivessem vontade própria e não eram seres pensantes. E a Igreja a muito apoiavam e ainda ressaltavam que essas deviam cumprir seu papel como esposas e mãe e os seus desejos que eram pecaminosos deviam ser retirados através de muitas orações para serem

9 perdoadas. E ressaltando que hoje, a bandeira feminista vem repensar sobre esses aspectos o direito de querer ou não a maternidade, o direito de querer ou não a obrigação ditada como obrigatória no contexto sexual. E a violência domestica que antes era bem pior, mais que ainda existe e persiste em tratar a mulher como foco de mutilação como sujeito. Literalmente esta personagem de Dicke, ressalta o feminismo, ela é uma mulher que entende seu caminho, que sabe o motivo o qual esta ali, tratada com violência, estando ali sequestrada e sem vontade alguma. Que prefere a morte a conviver com eles, que espera o pior a violência, especialmente a sexual, porem nada disso ocorre, ela começa a ser enxergada de forma puritana e purificadora deles, como se ela fosse a salvação de todos seus pecados. Pois o que mantem em seu livro seria o modelo patriarcal cristão, onde o homem comanda o poder absoluto sobre as mulheres, mas esta revira este modelo e as avessas mostra que a mulher comanda o bando. Comanda a ela e mantem os pecados deste em outro plano. Só para mim mesma me chamarei por meu nome, eu que vim sem nome das origens [...] só para mim mesma me chamarei por meu nome de verdadeiro, nome que, para acalmar a sede infinita das apelações, me puseram meu pai e minha mãe quando nasci [...] Quando eu desaparecer como a última estrela da madrugada, aquele que sabe todos os segredos e adivinhações e mistérios, levando comigo a fonte de mim mesma, levando comigo o meu nome, sem ouvir aquela única palavra minha que eles necessitam talvez para sempre para preencher o enigma de ansiedade do seu ser, aquilo que mais eles querem saber sem saber nem ouvir meu nome, única pedra preciosa que não lhes mostrarei nunca, diamante que sobedas grupiaras nas noites de lua e perguntam ao mundo, entre as águas, qual o fogo que a fez, e reluz no

10 centro do enigma, esta beleza que produz concentrismo, esta beleza que é a dadiva da vida de uma mulher. (DICKE: 138 P.) Quando se trata da sexualidade, subjetividade e a relação de poder são nos apontando aquilo que a história trouxe de normal, o que seria o correto a heterossexualidade e ao mesmo tempo se opõem a nova onda do desejo do anormal, que seria a homossexualidade, assim Foucault dita ao seu entender esta imparcibilidade: Eu faço dela um uso rigorosamente. É a partir de uma questão precisa que encontrona atualidade a possibilidade de uma história se desenha para mim [...] que eu tento fazer é, ao contrário, mostrar a impossibilidade da coisa, a formidável impossibilidade sobre o qual repousa o funcionamento do hospício por exemplo. As histórias que eu faço não são explicativas, jamais mostrar a necessidade de alguma coisa, mas antes, a série de encandeamentos, através dos quais o impossível foi produzido e reengendra seu próprio escândalo, seu próprio paradoxo até agora. Tudo aquilo que pode haver de irregular, de casual, de imprevisível, num processo histórico me interessa consideravelmente. (RAGO, 2011:22) A obediência e a sujeição desta vem de ser aceito pela sociedade, portanto mesmo o eu sabendo onde se posicionar se esconde de uma forma para manter o controle de sujeição e não ser discriminado no meio em que vive, perde-se então a subjetividade e entra a conformidade de ser apenas um membro do sistema, mesmo que isso não o leve a lugar algum como individuo. O dispositivo da sexualidade no tempo histórico da dominação burguesa na era vitoriana, o qual Foucault retrata em seu livro História da sexualidade I- a vontade do saber, onde este questiona a hipótese repreensiva da relação da cultura com o sexo e o corpo de modo apenas de repreensão fazendo um deslocamento das formas do pensamento. [...] Foucault trabalha com a noção da positividade do poder, como aparece em Vigiar e Punir e em inúmeros artigos, insistindo sobre a capacidade produtiva do poder e em sua dimensão relacional [...] o sexo não seria reprimido pelo capital, como sugeria o marxismo. [...] mas seria produzido e localizado pelo poder tendo em vista a visibilidade e o controle do individuo e da população [...]o sujeito portanto, não pré existe ao contexto das relações sociais e culturais nas quais, alias se inscreve, ele é feito das relações de saber poder constitutivas de determinado momento histórico. (RAGO, 2011: 24-25) Dessa forma começa-se a introdução da normatização das práticas sexuais; como normas, regras, rígidas definições do que é certo e do que é errado, visando e anulando o sujeito aos prazeres sexuais. [...] em 1886 aparece à obra do psiquiatra austríaco Richard Von Kraff Ebing, intitulada Psycopathia Sexualis, em que elabora detalhadamente uma classificação do que se entende por perversões sexuais, incluindo desde o onamismo e a ninfomania, até o homossexualismo, o lesbianismo, a pedofilia, o tribadismo, o fetichismo e outras disposições sexuais. Tudo o que se escapa do sexo do casal heterossexual realizado para fins reprodutivos forma-se, então alvo de investimento do poder médico e jurídico, nesta vasta imprensa de implantação das perversões múltiplas, que constitui esse dispositivo, como afirma Foucault. (RAGO, 2011: 24) Descobrir sua identidade sexual passa a ser uma recusa de si mesmo anulando os prazeres, os quais são considerados impróprios, fazendo que ocorra uma normatização nos ideais dos prazeres e de si mesmo e valorizando a anormalidade, como patológica, fazendo com que o reconhecimento da própria identidade sexual seja normalizada.

11 [...] o conceito de subjetividade permite, nessa direção um deslocamento em que se acentuam os modos a partir dos quais escapamos das redes de poder e trabalhamos a invenção do próprio eu, na multiplicidade de personagens que podemos afetar (RAGO, 2011: 25) O feminismo estuda as discussões à respeito da qual as mulheres foram alvos estratégicos do poder médico e jurídico, desde do inicio do século XIX. Associa-se a mulher à maternidade e discriminou a mulher pública e sexualizada, sendo esta ameaçadora e fatal, assim começou a formação da subjetividade feminina e foi justificada a exclusão dessas mulheres na esfera pública pelo machismo, que se legitimaram das verdades instituídas pelo saber médico e religioso. O discurso médico vitoriano santifica e dessexualiza a mulher. [...] para Butler a postulação de uma identidade de um gênero verdadeiro se revela uma ficção reguladora, enquanto para Grosz, o feminismo não se caracteriza como uma luta fundamentalmente destinada a combater os homens, mas tem em vista libertar as mulheres da mulher. A deleuziana Rosi Braidotti defende a subjetividade nômade, de modo que se possa perceber se e reconfigurar se a partir da multiplicidade de possíveis. (RAGO, 2011: 26) Essas autoras afirmam a identidade mulher com base politica feminista e fazem recorte das variações possíveis dentro da cultura que o feminismo deve dialogar com o pósestruturalismo, este que denuncia a autoridade, excludente e hierárquica o qual põe a mulher como um ser inferiorizado para com o machismo. Rago então defende as formas de identificação feminina através das subjetividades, independente de cada autora, mas sim identificado a mulher que existe dentro de sua própria subjetividade; seja essa definida como sujeito nômade, por Bradotti, ou a pós-mulher por witting, o sujeito feminista lésbica por Butler, com a politica paródica da mascarada e sujeito excêntrico por Laureti, o sujeito Pós colonial de Spivak, a mestiça de Anzaldua Apesar de Butler ser marcada pelo pensamento de Foucault, Rago é contra seu principio em relação a ética e o cuidado de si e outros modos de subjetivação como apresentada em suas últimas obras A estilização como modo de vida, o que ocorria e ainda ocorre em muitas sociedades e um ponto em que Rago questiona essas maneiras e condutas de seguimento, o que nos transforma em pessoas coerentes e com valores corretos, esses ditados pelos médicos e pela sociedade. [...] Foucault entende por subjetivação praticas refletidas e voluntarias de relação de si para consigo, através dos quais os homens não somente se fixam regras de condutas, como também procuram transformar, modificar se em seu singular e fazer de sua vida uma obra que seja portadora de certos valores estéticos e responda a certos critérios de estilo.(rago, 2011: 28-29) Hoje a subjetivação não equivale ao poder que emana perante o outro e as politicas governamentais junto com as médicas que reflete também explicitamente a questão do poder de controle. A subjetividade e a vida privada não são mais coletivamente, mas sim individualmente todos os dias. [...]nessa atualidade paradoxal em que vivemos marcado pela intensificação da violência pela sofisticação das formas de controle e exclusão e pela implementação de inúmeros projetos assistencialistas, somos capazes de criar novas formas de constituição da subjetividade que escapam a vontade de poder inscrita nas práticas que imperam na vida cotidiana? Onde e como? (RAGO, 2011: 30)

12 Referencias Bibliográficas *CHARTIER, Roger Debate Literatura e História. Disponível em: *RAGO, Margareth. Feminismo e Subjetividade: em tempos Modernos. *CÂNDIDO, Antônio. Literatura e Sociedade *DICKE, Ricardo Guilherme. Madona dos Páramos. 1 ed. Carlini e Caniato: *RAGO, Margareth. Paisagens e Tramas. 1 ed *RAGO, Margareth. Feminizar é Preciso: por uma cultura filógena. RevistaSão Paulo em perspectiva. v. 15, n 3. São Paulo. Jul/set de *FURTADO, Gilvone. O imaginário mato-grossense nos romances de Ricardo Guilherme Dicke. Tese de Mestrado, Goiânia, *SAMPAIO, Paula Faustino. Mulheres (In)Docéis : Discursos e praticas de mulheres na Vila de Cabaceiras-PS, Tese de Mestrado, Recife, *RAGO, Margareth. A Aventura de Contar-se. 1 ed. Unicamp, PEDRO, Joana Maria; ISAIA, Artur Cesar; DITZEL, Carmencita de Holleben Mello. Relações de poder e subjetividades. 1 ed. Todapalavra: Ponta Grossa- Paraná, RAGO, Margareth. subjetividade, feminismo e poder, ou podemos ser outras?.

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