JOGOS DE GÊNERO E VIOLÊNCIA: DIÁLOGOS COM A LITERATURA

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1 JOGOS DE GÊNERO E VIOLÊNCIA: DIÁLOGOS COM A LITERATURA Tânia Regina ZIMMERMANN 1 UEMS RESUMO: Identificações de gênero são produzidas nas relações de violência na qual envolvem-se mulheres e homens representados pela literatura. Estas identificações são generificadas na medida em que se centram na imagem fixa de que são os homens violentos e as mulheres quase sempre as vítimas. Quando as mulheres são as protagonistas em situação de violência são representadas como descumpridoras de seus papéis familiares na relação com os homens. Assim as expectativas sociais e individuais correspondem ao modelo de masculinidade como da força e da feminilidade com docilidade. Entender situações de violência em que algumas mulheres são protagonistas pode romper com relações socialmente construídas há muito tempo. Por tatear pelos estudos culturais parte-se da ação feminina no Memorial de Maria Moura de Rachel de Queiroz. As abordagens culturais recentes buscam significados na literatura através de pluralidade de possíveis vivências e interpretações, desfiando assim o conjunto de relações e jogos cotidiano. Propõem-se um diálogo com autores e conceitos que trazem a tona olhares relacionados as representações sobre a atuação e condição de mulher da protagonista Maria Moura no Memorial. PALAVRAS-CHAVE: relações de gênero, violência, literatura ABSTRACT: Identifications of gender are produced in relations of violence which involve women and men are represented by literature. These tags are gender in that focus on the fixed image that men are violent and women almost always the victims. When women are the protagonists in situations of violence are represented as not to execute their family roles in relation to men. Thus social expectations and individual match the model of masculinity and of femininity with strength and gentleness. Understanding the violent acts of some women is breaking relations with socially constructed long ago. Why fumble by cultural studies is part of the female action in situations of violence in the Memorial de Maria Moura from Rachel de Queiroz. The recent approaches seek meaning in history through plurality of possible interpretations and experiences, so the set of frayed relationships everyday and its different dimensions. It proposes a dialogue with authors and concepts that bring a new look on the surface gender of violence and deconstruction of representations about the performance and condition of a woman in the Memorial. KEYWORDS: relations of gender, violence, literature 1 Doutoranda em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) professora da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS).

2 Recentemente Hall propôs que entendêssemos os processos de identificações quer seja de gênero, classe e etnicidade como uma construção, ou seja, um processo nunca completado e desta forma a identificação é condicional. 2 Nas relações de gênero 3 há muito que as identidades são quase imutáveis quando postas em discursos midiáticos, jurídicos e em parte da literatura. Assim predominam para homens e para mulheres como, por exemplo, a violência como característica masculina e a maternidade como função exclusiva do feminino. Sentimentos como docilidade e resignação, as próprias tarefas domésticas e o espaço privado para as mulheres fizeram e ainda fazem com que muitas delas deixem de ser cidadãs para existirem enjauladas nas identidades femininas construídas nos discursos que enfatizam o sujeito universal masculino. Enfim, está-se considerando, como Margareth Rago que: Afinal, lembrando Baudrillard, se os americanos precisam ter a Disney para não perceber que são a própria Disney, nós precisamos ter a prisão para não percebermos que vivemos enjaulados nas identidades e classificações categoriais, nos esquadrinhamentos sociais, sexuais, espaciais, físicos e imaginários. 4 Estas construções identitárias e de outras distinções sociais também adentraram a literatura e a escritura da história. É nas tramas de mulheres e homens em situação de violência na literatura que também despontam algumas diferenças, exclusões, trânsitos e linhas de fuga que constroem corpos e sexos. Assim considera-se com Bhabha que estamos em um momento de trânsito em que espaço e tempo se cruzam para produzir figuras complexas de diferença e de identidade, passado e presente, interior e exterior, inclusão e exclusão. 5 Para esse universo de discussão, parte-se do pressuposto de que os estudos nesta área em diálogo com a literatura nos trazem indícios da atuação de mulheres e homens em situação de violência e de que esta não é intrínseca ao ser humano, e sim cultural. A violência, como sugestiona Peter Burke, tem uma história cultural, pois tem sido vista como irrupção de um vulcão ou expressão dos impulsos 2 HALL, Stuart. Quem precisa da identidade? In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.) Identidade e Diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Rio de Janeiro : Vozes, 2000, p A categoria gênero será utilizada como um jogo relacional imbricado nas relações de poder entre mulheres e homens, e como observou Butler, a categoria deve dar conta também de relações entre mulheres, entre homens e transgêneros. BUTLER, J. Problemas de Gênero: feminismo e subversão de identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, RAGO, Margareth. Pensar diferentemente a história, viver femininamente o presente. In: GUAZELLI, Cesar A.B. et all. (Org) Questões de Teoria e Metodologia da História. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, p BHABHA, Homi. K. O local da Cultura. Belo Horizonte : Editora da UFMG. 2005, p. 19

3 humanos. A proposta de Burke nos indica também uma leitura das mensagens enviadas pelas violentas e violentos revelando o significado do sem significado e as regras que governam seu emprego. 6 A possibilidade de reflexão sobre mulheres e violência na Europa contemporânea está presente, mais expressivamente, na literatura inglesa. Os dramas shakesperianos apresentados em Hamlet e Macbeth representam mulheres envoltas em conflitos e mortes. O detetive Sherlock Holmes persegue crimes cometidos por mulheres. Na literatura russa, o amor e a paixão conduzem os romances de clássicos de Tolstoi e Dostoievski, e os crimes beneficiavam-se da onda de romantismo, de modo que ações de mulheres em situação de violência estão envoltas em determinantes como o ciúme e a paixão para atos considerados, no contexto, como impulsivos. 7 Nas representações de mulheres consideradas violentas, Soyka apresenta a figura bíblica de Judite, viúva que auxiliou na derrota do exército assírio ao cortar a cabeça do rei Nebukadnezzar. Judite teria conduzindo os israelitas para a vitória. Lucretia Borgia ( ) matou por envenenamento vários homens e Elisabeth Bàthory ( ) matou cerca de 600 moças e mulheres jovens para banhar-se com o sangue das vítimas na busca pela eterna juventude. Charlotte Cordai assassinou, em 1793, o revolucionário jacobino Jean Paul Marat em sua banheira com uma faca de cozinha. 8 Nestes exemplos, as mulheres que são nomeadas estão próximas de homens famosos ou de riqueza. Também a literatura gótica e romântica explora temas do misterioso atrelados aos poderes do ser feminino de governar e manipular principalmente os homens. Soyka entende que deveria haver mais pesquisas sobre os relatos de crime nos meios de comunicação e na literatura. Para este autor, os casos famosos mais chamativos na história, na literatura e em séries de televisão são de mulheres em práticas de envenenamento, feitiçaria, relações de violência contra crianças, mulheres e homens, além de crimes relacionados à prostituição. Diante disso é possível conjecturar: haveria o crime especificamente feminino? Para Kun, parte da literatura européia contemporânea constituiu os crimes de mulheres de modo diferenciado dos crimes cometidos por homens. Nesta literatura, as mulheres tendiam a crimes contra pessoas mais próximas de seu convívio, ou seja, contra seus filhos, companheiros e outros 6 BURKE, Peter. O que é História Cultural. Tradução de Sergio Góes de Paula. Rio de Janeiro: Zahar, 2005, p SOYKA, Michael. Wenn Frauen Töten. Stuttgart; New York : Schattauer. 2005, p Idem, p. 6.

4 familiares. 9 Para Rosemary Almeida, os crimes são generificados devido aos estudos de criminólogos que estão baseados nos modelos masculinos de criminalidade. As mulheres em ação de violência continuam entre parênteses devido a representações sobre a natureza feminina atrelada à sensibilidade, à fragilidade e ao uso disto como escudo frente a punições, processos e julgamentos. Mas, segundo Almeida, estes estudos não analisam as condições sociais e sua relação com a condição da mulher na sociedade 10. Em alguns escritos literários até o século XX, são as mulheres fatais que assustam devido ao uso de atributos relacionados à beleza aliada a poderes, por vezes sobrenaturais, e às vezes como monstras porque são caracterizadas como pouco humanas, metade animal, como por exemplo uma sereia, ou como vampira, bruxa, fada, etc. O uso destes poderes garantia a sedução de homens os quais, atraídos pelo misterioso, caiam em desgraça, desgosto, infelicidade e, em alguns casos, morriam. Os enredos primavam pela sedução e crueldade feminina, e muitos finais continham exemplos morais que englobavam desde como não cair na tentação das mulheres fatais, na conversão de algumas mulheres em religiosas e até em um final trágico com a morte dos amantes. 11 O cerne da questão estava na infelicidade dos homens. A criação de mulheres fatais na literatura oculta as relações de poder entre homens e mulheres e contribui para a desigualdade de gênero, pois pressupõe a domesticidade da sexualidade, do corpo e do comportamento. São escritos masculinos que exercem fascínio ao mesmo tempo em que normatizam ao naturalizar pelo reverso as imagens esperadas das mulheres. 12 Mudanças neste tipo de literatura são analisadas por Kun, em sua tese Ende des Schreckens, ao questionar a representação de mulheres em obras literárias e no cinema envolvidas em situação de violência. Para a pesquisadora, o misterioso diminuiu no século XX, assim como a dualidade na representação da mulher como o mal atrelado à figura de Eva, a mulher-demônio, e do bem com o exemplo de Maria, a mulher-anjo tão exploradas pelo romantismo. A análise de Kun centra-se, sobretudo, na literatura do século XX escrita por mulheres sobre violência, mas não especificamente a violência 9 KUN, Cornelia. Ende des Schreckens. Oldenburg : Universität Oldenburg, 2005 (Tese) p ALMEIDA, Rosemary de Oliveira. Mulheres que matam: universo imaginário do crime no feminino. Rio de Janeiro : Relume Dumará, p MENON, Mauricio. A Bela Imagem do Mal na Representação da Mulher. In: MEDEIROS, Márcia M. (org.) Ensaios sobre o Feminino. Passo Fundo : UPF, p Idem. WOLFF, Cristina Scheibe. Representando o Feminino: das fadas medievais ás mulheres criminosas. Prefácio, p. 9.

5 perpetrada por mulheres. A autora procura analisar, a partir de movimentos de mulheres e da atuação de feministas, mudanças nas representações literárias de mulheres como autoras de violência nos anos de Para esta autora, a partir deste período, as mulheres se apropriam da violência nas representações e diminuem as imagens negativas destas ações de mulheres, assim como atenuam o vitimismo 13. Essa mudança está, segundo Kun, relacionada à segunda onda do feminismo dos anos de Onda essa que se pautava principalmente na luta contra a violência doméstica, direito sobre o corpo, de ter filhos quando quiser e se quiser, e na divisão de tarefas do lar e, sobretudo na idéia de que o privado é político. 14 Para Kun, as mudanças tributárias dos movimentos feministas nas representações sobre mulheres como protagonistas em situação de violência na literatura revelam que acabou o medo das mulheres fatais e, agora, novas representações apontam para fazeres não mais exclusivos de homens. Ao buscar por uma obra literária que se relacionasse em parte com o tema, escolheu-se a obra: Memorial de Maria Moura. A personagem principal, Maria Moura, como criação literária de Rachel de Queiroz usa da violência como escolha e possibilidade não apenas de sobrevivência, mas para romper e construir subjetividades que distam da mulher fatal. Rachel de Queiroz lança a obra em 1992 e, em 1998, sua criação alcança as telas da televisão como minissérie. Esta obra revela temas e problemas do sertão nordestino, são conflitos, dramas sociais, episódios e aspectos do cotidiano. A história de Maria Moura perpassa linhas de fuga dos estereótipos feminino e masculino. A personagem é apresentada como mulher forte, valente, corajosa, amante, emotiva e amável. É uma moça de fazenda que perde o pai e, após enforcamento da mãe, torna-se amante do padrasto. Nas tramas por herança, Maria Moura acreditava que a mãe fora morta pelo padrasto e, prevendo destino semelhante ao da mãe, planeja a morte do padrasto encarregando outro personagem, um caboclo da região, com a promessa de casamento. Após morte do padrasto, diante das insistências e ameaças do caboclo, articula também a sua morte. A herança deixada pela família do pai torna-se alvo da cobiça dos primos. Com a possibilidade dos primos se apossarem de si e de sua fazenda, 13 O vitimismo na violência de gênero reforça a posição da vítima como atributo feminino e do agressor como atributo masculino. Estudos recentes interpretam que grande parte da violência física entre homens e mulheres é resultante de conflitos na negociação das relações entre os gêneros. BRANDÃO, Elaine Reis. Violência conjugal e o recurso feminino à polícia. In: BRUSCHINI, C.; HOLLANDA, H. B de. Horizontes Plurais. São Paulo : Editora 34, 1998, p PEDRO, Joana. Traduzindo o Debate: o uso da categoria gênero na pesquisa histórica. IN: Revista História, São Paulo : UNESP, v. 24, n. 1, p. 10.

6 a heroína incendeia a moradia e foge com peões até instalar-se em terras de herança na Serra dos Padres. Antes da partida, a personagem afirmou sobre a intenção de um primo: Mulher, pra homem como ele, só serve para dar faniquito. Pois, comigo eles vão ver. E se sinto que perco a parada, vou-me embora com meus homens, mas me retiro atirando. 15 Maria Moura, além da necessidade de sobreviver num ambiente de hostilidade, deixa a entender seus atos como uma escolha e não um destino inelutável. Em alguns momentos do romance, a heroína avalia o modelo de família e de conjugalidade ocidental cristã e constrói outra possibilidade: Ah, isso tudo é imaginação de mulher. Tenho que deixar para mais tarde esses pensamentos. E, além do mais, onde é que posso encontrar esse homem? Afinal não sou nem a Princesa Magalona, que o rei seu pai mandava chamar os homens do mundo inteiro para escolher o noivo dela. Nem pai tenho. (...) só me resta ser eu mesma o meu pai e a minha mãe. E quem sabe meu marido. 16 Maria também refez, em sua memória, o casamento vivido por sua mãe. Segundo ela, tinha horror ao modelo de conjugalidade que conhecia: Um homem mandando em mim, imagine; logo eu, acostumada desde anos a mandar em qualquer homem que me chegasse perto (...) e me usando na cama toda vez que lhe desse na veneta. Ah, isso também não. 17 Bandoleira, Maria Moura questionou os padrões vigentes de moça pura casamenteira e mãe, mas percebia que poderia usar isto a seu favor com relação à polícia e optou por embrenhar-se com seu bando entre mortes e assassinatos. Pra polícia eu podia negar, me fazer de pobre menina inocente. Isso era parte do jogo, todo mundo entendia. Pelo outro lado, eu tinha que ser temida e respeitada. (...) Minha idéia era meter na cabeça dos cabras e na do povo em geral que ninguém podia avaliar do que Maria Moura é capaz. 18 As representações da personagem Maria Moura são múltiplas: sensível, frágil, forte, corajosa e destemida nos enfrentamentos de seu bando. O temor é usado muito 15 QUEIROZ, Rachel. Memorial de Maria Moura. 16.ed. Rio de Janeiro : José Olympio, 2004, p Idem, p Idem, p Idem, p

7 mais como um método do que como um objetivo. Parte-se da idéia de uma chefia feminina mostrando outras possibilidades para as mulheres. No cangaço, produziu-se uma imagem ambígua de mulheres cangaceiras, com atitudes e atributos relacionados às sertanejas: virtude feminina, fidelidade ao companheiro, defensoras da família e da castidade, atividades de costura, geralmente não eram combatentes, embora carregassem armas mais leves para a defesa pessoal. No bando de Lampião, as mulheres são introduzidas na década de Até este período, participavam do cangaço na condição de vítimas, protegidas, aliadas e protetoras. Elas eram referências externas ao bando 19 e não se tornavam chefes. Maria Moura se impõe como chefe do bando através da lealdade de peões da antiga fazenda onde vivia e de amigos e, sobretudo, por sua coragem e valentia para manter o bando através da possibilidade de um lugar seguro em terras de herança e em ações baseadas na violência com saques, depredações e meios bélicos suficientes frente outros bandos e forças policiais. A heroína de Rachel de Queiroz resistiu ao modelo de mulher passiva e casamenteira com seus companheiros. No momento em que se apaixonou, Maria Moura chegou a pensar em entregar tudo para o companheiro: a casa, a fazenda, os homens, o comando e ficar só sendo mulher dele. 20 Porém, decepcionada com as atitudes de um homem pelo qual se apaixonara, planejou com um amigo a sua morte. Maria mandou matar, porque temia a sua vida e a de seus capangas. A personagem oscilou em entregar-se e assumir atributos femininos e continuar a Moura valente e respeitada por toda a região. A maioria dos homens do memorial assume papéis de machos viris que batem em mulheres e vêem as índias como promíscuas. É mesmo da raça índia: não enjeita homem. 21 Maria Moura não se considerava propensa à maldade, e sim o medo de ser morta como a mãe é que a encorajava a enfrentar sua condição. Ela rompeu com valores naturalizantes quando destacava que valentia era algo que se aprendia e que a infância ainda não era o espaço que separava as mulheres de homens: E eu que quase esquecia a munição! Boa guerreira que eu ia ser! Mas a gente aprende, aprende. (...) Todo homem não aprende? Eles não nascem sabendo. Na sua infância havia possibilidades de façanhas 19 MARQUES, Ana Claudia D. R. Considerações sobre a Honra Cangaceira. In: PEDRO, J. M.; GROSSI, M. P. Masculino Feminino Plural. Florianópolis : Editora Mulheres, 1998, p QUEIROZ, R. op cit, p Idem, p. 53.

8 com meninos pelas fazendas na caça, pesca, mas quando moça vivia presa dentro das quatro paredes da casa. 22 No bando ela prevenia os companheiros de sua condição de mulher: Têm que se esquecer que sou mulher pra isso estou usando estas calças de homem. 23 Posteriormente Moura cortou os cabelos até a altura do pescoço. O corte dos cabelos retiraria de Moura o atrativo do eterno feminino, tão fortemente construído na cultura ocidental. O romance segue uma tendência ao desnaturalizar a violência sexual contra mulher, ao torná-la visível: Nas casas cheias de mucamas e cunhas, derrubar uma negrinha era fato tão sem importância quanto beber dois dedos de cana. Até a esposa achava natural; a negrinha naturalíssimo. 24 Também é Maria Moura quem questionou a fornicação e o adultério como ações de homens considerados viris, e o mesmo ocorria com relação ao crime. Os crimes mais comuns do memorial eram os contra a vida e a morte era barata e parece que resolve tudo. (...) só com a morte se resolve uma pendenga grave. Também havia os crimes por motivo de honra: bater em cara de homem, insultar homem de certos nomes. Ou desvio de donzela, traição de mulher: honra só se lava com sangue. 25 Segundo um beato do romance, matar era um direito do homem ofendido, sendo que os valentes matam, já os covardes mandam matar. As questões relativas à honra e violência estão presentes nas relações sociais perpassadas na obra de Rachel de Queiroz. Nas relações permeadas pela honra, impera o direito da força, além da possibilidade de redimir as ofensas e traições por meio de sangue. Segundo Pitt-Rivers, a lei do mais forte pode ocorrer em comunidades camponesas onde é violada a premissa da igualdade pela rivalidade com o reconhecimento do superior e do inferior. (...) El vencedor em cualquier rivalidad por el honor vê realzada su reputación por la humillacion del vencido.(...) 26 É também provável que a reputação de um homem perigoso assegure prioridade sobre um homem virtuoso. No campo da honra, impera o direito da força, mas este direito é relativizado no memorial. Nos seus assaltos com o bando, Maria Moura revelava que nem sempre usava o direito da força: É bom ter força. (...) podia ter matado, ferido, maltratado (...). E quando eu não fiz nada porque não queria, isso também foi bom, sinal de que eu 22 Idem, p Idem, ibidem. 24 Idem, p Idem, p PITT-RIVERS, Julian. Antropologia del honor: o política de los sexos. Barcelona : Editorial Critica, 1979, p. 22.

9 comandava a minha força. 27 Não usava a imagem de bandoleira para práticas do mal no seu grupo de convivência: (...) o senhor nunca me viu maltratando um dos homens, nem mulher, nem menino (...) 28 Maria Moura, como personagem, vivenciava um cotidiano marcado pelas disputas de poder também nas relações de gênero e violência, cujos atos poderiam ser apenas exclusivos para os homens, mas, quando se tratava de defender a própria vida, de seus amigos e capangas, a heroína, a partir das experiências do seu grupo, fazia uso da violência com instrumentos, como as armas, planejava as ações junto com os capangas, matava, assaltava e mandava matar. Moura inventou um jeito de ser que não deveria ser apenas definido pelo corpo ou sexo, nem pela sua sexualidade e atuou num jogo de gênero. Este jogo de gênero atravessa comportamentos, imagens, discursos e representações que conformam as relações sociais que há muito tempo vem estabelecendo hierarquias e desigualdades entre homens e mulheres. Neste jogo envolve-se identificações, estratégias, práticas discursivas e corporais cuja compreensão dá sentido a fenômenos como a violência de gênero, ou seja relações conflituosas entre mulheres, entre homens, entre mulheres e homens e não só entre heterossexuais, mas também entre homossexuais, bissexuais e transgêneros. Moura lutou por uma relação de igualdade entre os gêneros ao resistir à passividade feminina. É na inscrição destas marcas da literatura, no exemplo da personagem de Rachel de Queiroz, Maria Moura, que mulheres emergem e agem para desafiar o a normatividade de alguns discursos construtores das desigualdades nas relações humanas. Referências Bibliográficas ALMEIDA, Rosemary de Oliveira. Mulheres que matam: universo imaginário do crime no feminino. Rio de Janeiro: Relume Dumará, p. BHABHA, Homi. K. O local da Cultura. Belo Horizonte: Editora da UFMG p. 27 QUEIROZ, R. Op cit, p Idem, p. 387.

10 BRANDÃO, Elaine Reis. Violência conjugal e o recurso feminino à polícia. In: BRUSCHINI, C.; HOLLANDA, H. B de. Horizontes Plurais. São Paulo: Editora 34, p. BURKE, Peter. O que é História Cultural. Tradução de Sergio Góes de Paula. Rio de Janeiro: Zahar, p. BUTLER, J. Problemas de Gênero: feminismo e subversão de identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, HALL, Stuart. Quem precisa da identidade? In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.) Identidade e Diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Rio de Janeiro: Vozes, p. KUN, Cornelia. Ende des Schreckens Tese, Filosofia, 304. Universität Oldenburg, Oldenburg, Alemanha. MARQUES, Ana Claudia D. R. Considerações sobre a Honra Cangaceira. In: PEDRO, J. M.; GROSSI, M. P. Masculino Feminino Plural. Florianópolis: Editora Mulheres, p. MENON, Mauricio. A Bela Imagem do Mal na Representação da Mulher. In: MEDEIROS, Márcia M. (org.) Ensaios sobre o Feminino. Passo Fundo: UPF, p. PEDRO, Joana. Traduzindo o Debate: o uso da categoria gênero na pesquisa histórica. Revista História, São Paulo: UNESP, v. 24, n. 1, PITT-RIVERS, Julian. Antropologia del honor: o política de los sexos. Barcelona : Editorial Critica, p. QUEIROZ, Rachel. Memorial de Maria Moura. 16.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, p.

11 RAGO, Margareth. Pensar diferentemente a história, viver femininamente o presente. In: GUAZELLI, Cesar A.B. et all. (Org) Questões de Teoria e Metodologia da História. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, p. SOYKA, Michael. Wenn Frauen Töten. Stuttgart; New York: Schattauer WOLFF, Cristina Scheibe. Representando o Feminino: das fadas medievais ás mulheres criminosas. In: MEDEIROS, Márcia M. (org.) Ensaios sobre o Feminino. Passo Fundo: UPF, p.

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