EUGÉNIA VASQUES (ESTC/CIAC) Teoria e Prática: à Procura de uma Epistemologia para formar em Teatro no Ensino Superior

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1 RESUMOS EUGÉNIA VASQUES (ESTC/CIAC) Teoria e Prática: à Procura de uma Epistemologia para formar em Teatro no Ensino Superior Comunicação desenvolvida no âmbito do Projecto Actor Permanente O ensino académico das artes performativas revela ainda, sobretudo no que diz respeito ao ensino diferenciado do Teatro, um reconhecido atraso, relativamente a outras artes como a Dança ou a Performance, no uso sistemático de instrumentação teórico-prática para estabelecer, didáctica e pedagogicamente, as necessárias etapas de documentaçãoanálise-avaliação em processo de ensino-aprendizagem. Nesta breve comunicação, interrogaremos o imperativo conceito de artista-investigador como sinónimo de professor-artista e estudante-artista, e apresentaremos problemas e soluções num quadro de interrogação das estabelecidas oposições entre Corpo-Treino, Mente-Saber, Teoria-Prática com vista à abertura de uma discussão sobre metodologias de trabalho na formação do/da artista-actor/actriz tendo como pano de fundo a experiência nos cursos de Licenciatura e Mestrado no Departamento de Teatro da ESTC. JOSÉ SIMÕES DE ALMEIDA JUNIOR (UNISO/CES) A formação do professor artista na Universidade de Sorocaba Esta comunicação tem como objetivo apresentar a experiência do modelo espetacular denominado Teatro de Figuras Alegóricas, realizado na Universidade de Sorocaba, São Paulo, para a formação do professor artista. A proposta pedagógica foi desenvolvida sob a 1

2 coordenação de Ingrid Koudela, desde 2004, cujos eixos de fundamentação são o jogo teatral, proposto por Viola Spolin, e a leitura de imagens no contexto de uma Pedagogia do Teatro. RITA WENGOROVIUS (ESTC) Teatro e Comunidade: Raízes, Árvores e Frutos Abordagem ao ensino do Teatro e Comunidade na formação do professor/artista. O trabalho de Teatro e Comunidade desenvolve-se segundo uma estrutura de projecto nas suas diversas modalidade de intervenção: criação de rede, laboratório teatral, momentos de comunicação de espectáculo, momentos de retrospecção e verificação. Na ESTC privilegiamos um perfil de saída do Mestrado com as figuras do artista criador, o artista encenador de arte comunitária e o artista pedagogo. JOÃO BRITES (ESTC/O BANDO) Fundado em 1974, o Teatro bando assume-se como um colectivo que elege a transfiguração estética enquanto modo de participação cívica e comunitária. Rural ou urbano, adulto ou infantil, erudito ou popular, nacional ou universal, dramático ou narrativo ou poético tais as fronteiras que o bando se habituou a transgredir. Também na Formação, o bando procura um caminho que potencie a personalidade criativa de cada um, em detrimento de receitas e de modelos generalistas. Se no trabalho de actores existe um discurso cénico, progressivamente consistente, que sublinha a importância da consciência do actor em cena em vez do habitual culto da intuição, é para melhor esclarecer as opções técnicas e estéticas de cada um. É por isso que na relação com crianças, jovens ou velhos, não procuramos aferir os resultados das nossas acções pedagógicas ou didácticas quanto ao que explicitamente se percebe. Desejamos antes continuar a alimentar e a confrontar sensibilidades. É felizmente incontrolável o que cada um preserva na memória. 2

3 RAMON AGUIAR (UNIRIO) Memória e Identidade: o teatro comunitário de São Gonçalo do Bação O Grupo de Teatro São Gonçalo do Bação (Brasil) desenvolve seus trabalhos desde Sua dinâmica de construção de espetáculos, seus atores e as relações com o público cidadãos do distrito rural de São Gonçalo do Bação revitalizam os laços comunitários de identidade. Memórias, fatos históricos e ficção são entrelaçados num movimento coletivo, contínuo e ascendente. Em 2005 foi realizada uma pesquisa de campo junto ao Grupo de São Gonçalo do Bação como parte dos estudos de Mestrado em Teatro. Neste período, foi possível observar e participar das atividades teatrais do Grupo, realizar entrevistas e imagens que nortearam as reflexões e desdobramentos do trabalho de pesquisa. DAVID ANTUNES (ESTC/CIAC) Um Teatro com teatro Nesta comunicação, procura-se pensar o teatro no seu próprio acontecimento como teatro e defende-se a ideia de que é nesse lugar e a partir desse lugar que devem ser colocadas todas as eventuais questões pedagógicas, ou outras, que esse acontecimento coloca. ARMANDO NASCIMENTO ROSA (ESTC) Espect-actores em Elusis: As fontes remotas de Teatro e Comunidade na Grécia antiga E se fossemos surpreender as raízes gregas de Teatro e Comunidade num tempo anterior e num lugar diferente, mas próximo, daquele onde o teatro ocidental (no seu formato mais convencional) conheceu os seus momentos inaugurais mais determinantes? A presente comunicação procura dar resposta a esta pergunta, a partir de um diálogo com noções e práticas contemporâneas de Teatro e Comunidade. 3

4 LUÍSA MONTEIRO (CIAC) Teatro depois dos 65; e depois? Um grupo de 18 elementos com idades entre os 68 e os 79 anos de idade, apresentou quatro criações teatrais num ano. Está a preparar a quinta. Chegaram ao teatro com uma grande necessidade de falar. A dor e o medo fizeram parte das suas trajectórias de vida. Mais de metade do grupo tem dificuldades financeiras. Padecem de problemas de saúde, especialmente relacionados com a estrutura óssea e muscular. Como denominadores comuns, traziam as síndromes do ninho vazio, da caixa fechada sobre o armário e do álbum sacralizado. Entre outros, foi objectivo oferecer-lhes, pela criação teatral, a oportunidade de uma reparação interior; potencializar-lhes o futuro, através da construção de um envelhecimento como uma etapa positiva e não como uma maldição existencial; restaurar-lhes a qualidade do contacto com o mundo e dotá-los de poder. Foi utilizado o método dos três D s: desarticulação, desconstrução e desenvolvimento. Resultados positivos. JOÃO BRANCO (DIRECTOR ARTÍSTICO DO INSTITUTO CAMÕES - CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS - PÓLO DO MINDELO) O chão do teatro cabo-verdiano ou como ensino informal do teatro mudou a realidade cénica de um país. Desde 1993, na ilha de S. Vicente, tem sido implementado através do Instituto Camões Centro Cultural Português - Pólo do Mindelo, em Cabo Verde, um Curso de Iniciação Teatral, com a duração média de 9 meses, já com 13 edições concretizadas. Hoje, 17 anos após a primeira aula do primeiro curso, pode-se dizer que a realidade teatral caboverdiana é completamente diferente, e pretende-se nesta comunicação explicar qual a influência directa que estes cursos de iniciação teatral tiveram nesta construção de uma nova realidade. Basta dizer que na ilha do teatro por excelência - a ilha de S. Vicente - todos os grupos de teatro em actividade, tiveram a sua origem nestes cursos de iniciação teatral. Com eles, se tem construído o chão por onde caminha hoje, a passos largos, o teatro crioulo." 4

5 IVAM CABRAL (SP ESCOLA DE TEATRO) A presente fala tem por objetivo percorrer aspectos da experiência transformadora sofrida por um espaço vazio, socialmente e politicamente renegado, por meio de ações socioculturais sustentadas pelo diálogo teatral. Uma mesa em uma calçada de um lugar abandonado inicia o percurso das ações culturais que um grupo de teatro, a Cia de Teatro OS SATYROS, ainda permeado por um trabalho solitário, realiza, pensando em possibilidades de modificações estruturais desse local e de sua identidade pré-estabelecida. Ao se fechar com o entorno e nos próprios processos de transformação, esse grupo estabelece o diálogo a partir do lugar e da posição sociocultural daqueles que, até então, são donos desse espaço e ditam a sua organização. A política que se propaga com as ações de que se falará na discussão sobre Teatro e Ação Cultural no encontro sobre Pedagogia do Teatro Práticas e Contextos adentra a necessidade de se pensar o pertencimento dos sujeitos aos espaços de produção e veiculação cultural. De onde, acredita-se na necessidade de colocar a voz do anônimo em prática, de se permitir a abstração, que sustenta o olhar transformador e a necessidade da excelência quanto à formação. Ações culturais emergidas do epicentro de determinados grupos eleva seus integrantes ao lugar de agentes. Esse agenciamento reorganiza a perspectiva do humano, do sujeito dinamizador e o responsabiliza, em contrapartida, pela manutenção e propagação das atividades de melhoria sociocultural. É desse percurso e nesse contexto que nasce a SP Escola de Teatro Centro de Formação das Artes do Palco. TERESA ANDRÉ (CLUBE UNESCO/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO) Da escola à vida: monólogo sobre o teatro Partindo de um esboço panorâmico da situação do teatro no sistema educativo português nas últimas décadas, deambula-se pelos outros espaços de desenvolvimento do teatro na sociedade actual, no sentido de estabelecer uma cartografia mínima. A reflexão foca diversificados eixos: - o teatro na escola; - os espaços do teatro; - os papéis comunicacionais e culturais do teatro; 5

6 - as representações culturais do teatro na sociedade contemporânea; - as possibilidades e os constrangimentos do teatro face às necessidades da comunidade. DOMINGOS MORAIS (ESTC) Educação pela Arte Três anos de intervenção artística nas escolas públicas do Concelho da Amadora A ESTC iniciou em 2007 uma intervenção artística com alunos do 1º ciclo do Ensino Básico realizando um inovador programa de Educação pela Arte, decorrente de um protocolo estabelecido com a Câmara Municipal da Amadora e desde 2008 também com o MPIAEA. Ao longo destes três anos, cerca de 8000 crianças trabalharam uma vez por semana com professores na sua maioria formados na ESTC. Por essa equipa passaram já 95 professores, a quem foi proporcionada formação específica em psicopedagogia das expressões e educação artística e nas disciplinas que fazem parte do programa especialmente concebido - Movimento e dança, Expressão dramática, Expressões musical e plástica, poética. Os recursos decorrentes das técnicas de animação de figuras e objectos, os adereços e cenários, a sonoplastia e uma selecção de filmes de animação de qualidade são alguns dos recursos utilizados. Os estudos e relatórios elaborados que somam já cerca de 650 páginas podem ser considerados como referências no esclarecimento dos propósitos do Ministério da Educação de proporcionar a todas as crianças do 1º ciclo o acesso a actividades de enriquecimento curricular. A ESTC terá talvez realizado através deste protocolo um dos mais consequentes projectos de serviço à comunidade por uma Escola Superior do Ensino Artístico. ISABEL BEZELGA (UNIVERSIDADE DE ÉVORA) A abordagem intercultural no ensino do teatro: Contextos de formação Na Universidade de Évora tem-se vindo a privilegiar, desde há mais de uma década, uma abordagem intercultural na formação em teatro, quer direccionada para a formação inicial de professores e educadores, quer na formação em teatro educação e comunidade. Destas abordagens têm surgido diferentes experiências de formação que resultam no desenvolvimento de projectos artísticos e teatrais na comunidade. Nas práticas contemporâneas de criação e formação artística tem-se assistido a um vivo interesse pelas soluções performativas populares. A criação teatral, atravessando a 6

7 diversidade de contextos e grupos culturais, tem estado na base de estimulantes projectos e propostas dramatúrgicas, nomeadamente na construção de novos objectos artísticos, através de uma reapropriação, acentuando uma esteticização crescente, mas também da conceptualização de inovadoras metodologias de criação e formação, traduzida nas recentes abordagens de cunho antropológico. A presente comunicação incide no contributo das manifestações performativas populares para a sistematização duma abordagem teatral intercultural. Apresentam-se exemplos que dão um breve panorama do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e do papel que a formação teatral tem tido nos percursos formativos dos alunos, quer através da utilização de metodologias específicas de abordagem do trabalho dramático, quer através da implementação de projectos de intervenção/animação na comunidade. LUIS CLAUDIO MACHADO (UNIVERSIDADE DE SOROCABA) Uma modalidade de trabalho interdisciplinar em Pedagogia Teatral Proposta de trabalho interdisciplinar de um texto teatral com foco nas relações entre a Dramaturgia e a História, disciplina cujos temas são de inegável valor estético e uma fonte permanente de inspiração para dramaturgos que buscam no acontecimento histórico um meio de representar uma realidade, de retratar uma época e uma sociedade, de fixar momentos de importância nacional ou universal, de descobrir os mistérios escondidos por trás de uma trama de acontecimentos. MIGUEL FALCÃO (ESELX/IPL) Pedagogias do teatro em escolas para não-actores É possível que a expressão pedagogia do teatro remeta, numa mais imediata acepção, para contextos formais ou informais de ensino-aprendizagem de criadores-artistas. Porém, ela poderá ser também equacionada no âmbito de percursos pedagógicos abrangentes e generalistas que, do ensino básico ao ensino superior, não dispensam o contributo fundamental da arte na formação integral do indivíduo. Nas escolas que não visam a formação de actores (como as escolas básicas ou as escolas de formação de professores), que pedagogia(s) para o teatro? Entre estas escolas e as comunidades educativas (aqui compreendidas as estruturas artísticas), que relações? 7

8 SARA BAHIA (FACULDADE DE PSICOLOGIA DA UNIV. DE LISBOA) O efeito criativo do teatro A participação de crianças e jovens no teatro. quer como espectadores quer como fazedores, promove a criatividade. O constante confronto com a interpretação e reinterpretação, bem como a atribuição de um significado e depois de outro, constituem fontes de enriquecimento criativo que o teatro pode proporcionar. Ao ver ou fazer, as crianças e os jovens envolvem-se no fazer/materializar/criar; representar/apresentar/comunicar; responder/reflectir/avaliar que caracterizam o teatro na educação (O Toole & O Mara, 2007). Estas dimensões constituem precisamente os pilares centrais da criatividade, considerada como a capacidade para produzir, fazer ou tornar algo em qualquer coisa nova e válida tanto para si como para os outros (Pope, 2005). Nesta acepção, o teatro tem um efeito muito positivo no desenvolvimento do potencial criativo. PAULO FILIPE MONTEIRO (IFL/FCSH/UNIV. NOVA DE LISBOA) A desumanização do teatro Na prática cénica e fílmica como actor, ouço há muitos anos gritar-se não queremos cá psicologias!, pedir-se uma leitura branca e outras enormidades que me preocupei em saber de onde vêm. Encontrei, desde o século XVIII, a ideia de um teatro sem corpo, ou sem actor, ou com actor sem corpo, ou com um corpo sem órgãos. É uma impressionante recorrência de um conceito paradoxal. Esta comunicação procura fazer o balanço dessa utopia e discutir se não será uma distopia RUI PINA COELHO (ESTC E CET/UL) Violência na crítica. Pode a crítica ainda ensinar alguma coisa a alguém? A crítica de teatro tem sido, desde sempre, portadora de fraca reputação. Desde o seu aparecimento que a crítica vem negociando as suas razões com as circunstâncias teatrais que se vão, também elas, transformando. Hoje, depois da sua já anunciada morte, a crítica profissional tenta ganhar espaço e relevância em suportes determinados cada vez mais pela imediaticidade e pela síntese. A exemplaridade do Caso Avignon 2005 veio aportar a esta discussão novas coordenadas e recentrar o papel da crítica, na medida foi sublinhada a responsabilidade pedagógica ou didáctica da crítica profissional para com os públicos, em especial na mediação de propostas de teatralidade do extremo. Assim, nesta breve comunicação proponho-me explorar o papel e a razão da crítica profissional de teatro e a sua importância pedagógica na recepção da representação da violência. 8

9 MARIA REPAS (ESTC) Boa voz, boa comunicação A qualidade da voz na qualidade da comunicação do pedagogo/artista. A eficácia da transmissão de conhecimentos e do estabelecimento de laços de cumplicidade e respeito dependem em grande parte da qualidade do principal veículo dessa comunicação; a voz. A responsabilidade do pedagogo/artista como exemplo mimético. As palavras veiculam não só conteúdo mas também forma, através da sua sonoridade. 9

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