III Congresso Nacional do Cangaço. Sertões: Memórias, Deslocamentos e Identidades LIVRO DE RESUMOS

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1 III Congresso Nacional do Cangaço Sertões: Memórias, Deslocamentos e Identidades LIVRO DE RESUMOS UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia DH - Departamento de História 2013

2 UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia DH - Departamento de História Colegiado de História Endereço: Estrada do Bem Querer, Km 4 CEP: Vitória da Conquista - BA Telefone: (77) Organização: Jairo Carvalho do Nascimento João Batista Vicente do Nascimento João Reis Novaes Joaquim Antonio de Novais Filho Revisão: Ana Maria Oliveira Lima Heurisgleide Sousa Teixeira Jerry Guimarães Capa (layout): Eric Santos e Jaime Freire (ASCOM/UESB) Impressão: Gráfica Artprint Congresso Nacional do Cangaço (3: 2013: Vitória da Conquista, BA) ISSN: Livro de Resumos do III Congresso Nacional do Cangaço: Sertões: Memórias, Deslocamentos e Identidades / Jairo Carvalho do Nascimento, João Batista Vicente do Nascimento, João Reis Novaes e Joaquim Antonio de Novais Filho (organizadores). Vitória da Conquista: UESB, p. 1. História Encontro. 2. História: Sertões. 3. História: Cangaço. CDD 981

3 Reitor Paulo Roberto Pinto Santos. Vice-Reitor José Luis Rech. Pró-Reitoria de Extensão Fábio Félix. Departamento de História DH Cristiano Lima Ferraz. Colegiado de História Iracema Oliveira Lima. Coordenação do Evento Carlos Tadeu Melo Botelho, Iracema Oliveira Lima, Lemuel Rodrigues Silva, João Reis Novaes, Joaquim Antonio de Novais Filho e Marcílio Lima Falcão. Secretaria Executiva Dayane Oliveira, Bianca Santos e Thaíse Ludimilla F. Morais. Comissão Científica Alex Guimarães (UESB), Antonieta Miguel (UNEB), Antônio Fernando de Araujo Sá (UFS), Argemiro Ribeiro de Souza Filho (FAINOR/Vitória da Conquista, BA), Carlos Alberto de Oliveira (UESC), Carlos Tadeu Melo Botelho (UESB), Claudio Cledson Novaes (UEFS), Clovis F. Ramaiana Moraes (UEFS), Dilton Oliveira de Araújo (UFBA), Emanuel Pereira Braz (SBEC), Erivaldo Fagundes Neves (UEFS), Francisco Eduardo Torres Cancela (UNEB), Heurisgleide Sousa Teixeira (UNEB), Iracema Oliveira Lima (UESB), Itamar Pereira Aguiar (UESB), Janete Ruiz de Macedo (UESC), Joaquim Antonio de Novais Filho (UESB), Jorge de Souza Araújo (UEFS), José Alves Dias (UESB), Josivaldo Pires de Oliveira (UNEB), Lemuel Rodrigues da Silva (UERN), Lina Maria Brandão de Aras (UFBA), Marcílio Lima Falcão (UERN), Maria Aparecida Silva de Sousa (UESB), Maria Cristina Dantas Pina (UESB), Maria de Fátima Novaes Pires (UFBA), Raimundo Nonato Pereira Moreira (UNEB), Renato Léda (UESB), Rosimeiry Florêncio de Queiroz Rodrigues (SBEC), Sérgio Armando Diniz Guerra Filho (UFRB), Wescley Rodrigues Dutra (SBEC) e Wilson da Silva Santos (UNEB). Comissão de Infraestrutura e Logística Alex Guimarães, Carlos Alberto, Ildimar França, Joslan Santos Sampaio, Leila Prates e Renailda Cazumbá. Comissão de Finanças Antonio Andrade, João Batista Vicente e Marcílio Falcão. Comissão de Divulgação e Assessoria de Imprensa Eduardo Leite, Esmon Primo, Ildimar França, Jairo Carvalho, Jerry Guimarães, Leandro Aquino Wanderlei e Lemuel Rodrigues. Comissão de Cultura Antonio Andrade, Carlos Rizério, Esmon Primo, Glauber Lacerda, João Omar e Uelber Barbosa Silva.

4 Sumário Apresentação, p. 5 Simpósios temáticos, p. 6 ST 1 Cultura e representações no sertão nordestino: memória, identidades e ressignificações, p. 6 ST 2 Contos, canções e cenas: o cangaço em imagens, letras e sons, p. 17 ST 3 Linguagens e novas tecnologias de informação e comunicação em História: domínios, abordagens, ensino e pesquisa, p. 26 ST 4 Nacionalismo e modernização no debate intelectual, científico e literário na Primeira República, p. 34 ST 5 Memória, identidade e patrimônio, p. 38 ST 6 Estudos em História Cultural: objetos, problemas e abordagens, p. 45 ST 7 Violência, banditismo e disputas políticas nos sertões do nordeste, séculos XIX e XX, p. 56 ST 8 Escritas de lugares: história e literatura, paisagens e sensibilidades, p. 65 ST 9 Rastos, restos e rostos: história, literatura, cinema e outras artes na invenção dos sertões, p. 74 ST 10 Movimentos sociais: religião e religiosidade, p. 84 Índice onomástico, p. 88

5 Apresentação O Congresso Nacional do Cangaço é um evento acadêmico, de caráter periódico (bianual), concebido e idealizado pela Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. É um evento consolidado nacionalmente, com duas edições realizadas: a primeira no ano de 2009, em Brasilia DF, e a segunda em 2011 em Cajazeiras PB, no campus da Universidade Federal de Campina Grande. Desde sua fundação, em 13 de junho de 1993, a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) vem ampliando sua atuação. Neste ano, a SBEC firma parceria com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), instituição situada em uma região de forte tradição no universo cultural das expressões históricas e artísticas do sertão. Com o tema Sertões: Memórias, Deslocamentos, Identidades, esta terceira edição pretende promover discussões em torno de questões que envolvem o processo de construção das representações sobre os sertões, dentre elas o cangaço, a religiosidade, as artes, as identidades, entre outras manifestações culturais. Com este evento, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia possibilitará uma profícua articulação dos debates sobre novas temáticas, abordagens, objetos de pesquisa, metodologias de pesquisa e ensino, teorias e práticas do fazer historiográfico local, regional e nacional, com o que está sendo discutido em outros espaços do país e do mundo em relação ao cangaço e a outras temáticas relacionadas aos sertões. Neste Livro de Resumos dedicamos suas páginas exclusivamente para a seção acadêmica dos simpósios temáticos. Nele encontraremos a lista completa de simpósios com seus respectivos trabalhos e autores. São 10 simpósios temáticos, com o total de 125 resumos aprovados. A programação completa do evento está disponível no Caderno de Programação, com as informações sobre conferências, mesas-redondas, minicursos, lançamentos de livros e outras atividades culturais. Seja bem-vindo(a) a Vitória da Conquista e à UESB. E um bom evento para todos! Coordenação do III Congresso Nacional do Cangaço

6 SIMPÓSIOS TEMÁTICOS Serão realizados no período vespertino, das 13:30h às 16:30h. Consulte abaixo o local de realização de cada simpósio temático. ST 1 CULTURA E REPRESENTAÇÕES NO SERTÃO NORDESTINO: MEMÓRIA, IDENTIDADES E RESSIGNIFICAÇÕES Sala Jesuíno Brilhante - Auditório do CAP José Ferreira Júnior Professor da Faculdade de Integração do Sertão / Serra Talhada PE Doutorando em Ciências Sociais (UFCG) Mestre em Ciências Sociais (UFCG) Resumo: A cultura é objeto de investigação acadêmica; ela permite uma maior compreensão dos fenômenos sociais, em particular aos que remetem às especificidades da preservação de memórias, seu uso no processo de formação identitária e às ressignificações por que passam tais identidades. Este simpósio temático discutirá a memória e sua importância no constructo de identidades e as ressignificações verificadas nessas construções, tomando como espacialidade os sertões nordestinos em suas múltiplas representações: relações de gênero, questões familiares, relação com os lugares, expressões artísticas, religiosidade, etc. Acataremos trabalhos que tratem da temática proposta, sob as óticas da História, da Sociologia, da Antropologia e de ciências afins. SESSÃO 1 23 DE OUTUBRO (QUARTA-FEIRA) POESIA E MEMÓRIA EM MARIA BONITA, DE MYRIAM FRAGA Verônica Almeida Trindade Mestranda em Literatura e Diversidade Cultural (UEFS) Resumo: Este trabalho tem como principal objetivo discutir sobre memórias e a sensualidade feminina através da poesia de Myriam Fraga. Nesse sentido, visa-se a representar imagens femininas em sua poética, ressignificadas na contemporaneidade. As memórias, as quais se pretende representar, serão contextualizadas através de Maria Bonita, de Myriam Fraga, poema de mesmo nome da personagem feminina do cangaço nordestino que faz parte do imaginário cultural coletivo do sertanejo

7 Palavras-chave: Poesia e Memória Sensualidade Myriam Fraga. UM ESTUDO ONTOLÓGICO SOBRE A REALIDADE HUMANA N'ESSA TERRA DE ANTONIO TORRES Ana Cristina da Silva Pereira Graduanda em Licenciatura em Letras (UNEB) Resumo: A partir da realidade humana presente no romance Essa Terra, de Antonio Torres, este artigo apresenta uma análise sobre os personagens torreanos à luz de questionamentos ontológicos suscitados através da filosofia existencialista sartreana. Em Essa Terra, a diegese desenvolve-se através do relato do narrador Totonhim, que se vale da memória para apresentar o drama vivenciado pelo seu irmão Nelo em seu trajeto de retirante nordestino que não se identifica com a realidade local vivida no Junco (sertão da Bahia, atual Sátiro Dias) e busca integrar-se à realidade paulistana. Parte do pressuposto do sujeito pósmoderno, fragmentado e complexo para tratar do processo des-identificação sofrida pelo personagem Nelo, apontando-lhe o caráter trágico e absurdo decorrente do deslocamento da terra natal no interior da Bahia para São Paulo, assim como a situação de incomunicabilidade característica desse personagem. Os questionamentos existencialistas que fundamentam este trabalho partem da distinção estabelecida por Paul Sartre entre o conceito de ser em si, simples realidade humana, e o conceito de ser para si, sujeito consciente de suas ações e livre de determinações de qualquer ordem. Como contraponto a Nelo, apresenta-se o narrador Totonhim, sujeito consciente de sua realidade, mas que mantém a esperança, mesmo diante de um cenário hostil, numa atitude que permite traçar um paralelo com o herói mitológico Sísifo a partir do conceito de absurdo desenvolvido pelo pensador francês Albert Camus. Palavras-chave: Identidade Realidade Humana Absurdo. DESCAMINHOS DO SERTÃO: MEMÓRIA E IDENTIDADE NA OBRA ESSA TERRA, DE ANTÔNIO TORRES Graciethe da Silva de Souza Graduanda em Letras (UFRB) Luciene Conceição dos Santos Graduanda em Letras (UFRB)

8 Resumo: O presente artigo é fruto de um diálogo entre questões relacionadas à identidade, à memória e à cultura vivenciadas no sertão brasileiro. Analisa-se aqui o modo como o sertanejo aparece na literatura contemporânea, no palco da era pós-moderna, de identidades líquidas, em que a presença desse personagem efetiva-se de forma desestabilizada dos referenciais consagrados por poéticas e narrativas de conotação social, como a verificada no romance regionalista de Afinal, a narrativa sertaneja contemporânea acrescenta ao plano sociocultural pautado na descrição do cotidiano do sertão o viés do drama psicológico dos sujeitos que experienciam, sob novas perspectivas, o fenômeno da migração. Para tanto, escolhemos o romance Essa Terra, de autoria do escritor baiano Antônio Torres, publicado em 1976, que insere questões subjetivas ao debate sobre o (des) encontro campo-cidade vivenciado no sertão, especialmente dos migrantes baianos em direção à capital paulista. Enfim, a leitura crítica da narrativa de Antônio Torres nos impulsiona a reavaliar as balizas identitárias do sertão na literatura brasileira. Palavras-chave: Identidade Memória Sertão. SERTÃO E MEMÓRIA EM ELOMAR FIGUEIRA MELLO Tatiana Cíntia da Silva Mestranda em Estudos Literários: Literatura e Cultura (UFS) Resumo: O presente trabalho tem como corpus a canção Retirada, de Elomar Figueira Mello. Tem-se como proposta a leitura e análise dos eixos identitários que circundam o constante emigrar do nordestino, ser andarilho, que foge da seca. O inevitável deslocamento, ora carregado pela memória/saudade da antiga terra, ora marcado pelo medo do que irá encontrar hibridizado à esperança de se deparar com a terra desejada, será o ponto central do estudo em questão. Além de tais entornos, será evidenciada a oralidade presente na canção como marca metapoética do compositor e elemento integrante da cultura nordestina de cantar/contar suas apreensões e pretensões pela istrada enluarada enquanto vive a retirar. Palavras-chave: Sertão Retirada Memória. AS REPRESENTAÇÕES DE LAMPIÃO PELOS VERSOS DA LITERATURA DE CORDEL DO SÉCULO XX Sabrinne Cordeiro Barbosa da Silva Mestranda em História Comparada (UFRJ)

9 Resumo: Ao longo da História do Brasil as personagens que marcaram essa trajetória nacional tiveram suas vidas e ações contadas e pesquisadas por diversas áreas da historiografia. Na conjuntura da região Nordeste, por exemplo, destacaram-se as narrativas sobre os feitos de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. As mudanças no campo historiográfico, principalmente após a década de 1960, propiciaram que os textos e biografias referentes a estas figuras passassem a não se concentrar exclusivamente nos chamados documentos oficiais, estabelecendo-se, na atualidade, uma articulação entre eles e as novas tipologias de fonte, como as de cunho literário. A escolha do cangaceiro Lampião para essa comunicação se deu por ele se constituir personagem já bastante trabalhado neste contexto da pluralidade de fontes. A cinematografia brasileira narrou à trajetória do cangaceiro em filmes como: O Cangaceiro (1953) de Lima Barreto, Lampião e Maria Bonita (1982), de Paulo Afonso Grisolli, e O Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas. O próprio fenômeno do Cangaço também foi retratado em diferentes obras literárias como o romance Grande Sertão: Veredas,de Guimarães Rosa. Esta comunicação irá analisar as representações do cangaceiro Lampião a partir de exemplares da Literatura de Cordel. O cerne desta pesquisa estará nos discursos narrativos presentes neste tipo de folheto. Buscase perceber, através dos versos de cordéis, uma visão de Lampião baseada não como uma figura folclórica, mas como um indivíduo de importância histórica. Palavras-chave: Lampião Representação Literatura. A AS ROUPAS DO HOMEM: O MITO DO JAGUNÇO EM O RISCO DO BORDADO, DE AUTRAN DOURADO Andréia Silva de Araújo Doutoranda em Literatura e Cultura (UFBA) Resumo: O presente artigo se dispõe a refletir sobre a construção do mito do jagunço a partir da narrativa de O Risco do Bordado (1976) de Autran Dourado, atendo-se mais especificamente ao capítulo VII da obra em questão. Em 'As roupas do homem', o autor apresenta a figura mítica do jagunço Xambá por meio das lentes do menino João da Fonseca Nogueira que, anos depois, já adulto, resolve sair em busca das histórias em torno de seu mito de infância. Cotejando depoimentos, memórias e 'causos' do imaginário popular dos habitantes da fictícia cidade de Duas Pontes, o que resulta da busca de João da Fonseca Nogueira é o avesso do mito de Xambá, despido de seus atributos de coragem e virilidade responsáveis por projetar-lhe uma aura sobrenatural para dar lugar a uma representação em tom menor que, opondo-se ao mito, faz com que a figura de Xambá gradualmente decresça, se humanize e, finalmente, se desumanize, não mais pela via do mito, mas pela via da marginalização social. Referendam a análise desenvolvida os estudos

10 de Eliade (1998), Lepecki (1976) e Turchi (2006). Palavras-chave: Jagunço Mito Autran Dourado. SESSÃO 2 24 DE OUTUBRO (QUINTA-FEIRA) A MORAL DO TRABALHO NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DA SECA DE 1932, NO CEARÁ Leda Agnes Simões de Melo Mestranda em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade/Cpda (UFRRJ) Resumo: Essa proposta de trabalhado pretende analisar os discursos da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, em 1932, no Ceará, e seus impactos no cotidiano dos sertanejos, enfatizando como o Governo desejava programar uma política moralizante para o sertão. Esse trato levou à criação dos campos de concentração nessa região, que se tornaram verdadeiras escolas de trabalhadores cearenses para as obras públicas. O contexto era a entrada de Getúlio Vargas no poder, a formação de uma identidade nacional e de um verdadeiro homem brasileiro, sob o discurso da necessidade de isolar o retirante na região ou fixá-los nos sertões de Goiás e Mato Grosso, mas de maneira alguma levá-los para o litoral. Esse discurso oficial mostrava que havia alternativas para que o sertanejo continuasse na sua terra, principalmente através do trabalho nas obras públicas, onde era possível mantê-los controlados. O IFOCS, não tendo como encaminhar os milhares de flagelados de 1932 para as obras, criou sete campos de concentração no Ceará que chegaram a receber pessoas e neles os sertanejos foram moralizados, disciplinados e isolados. O honesto flagelado era aquele que honrava sua pátria e sua terra, trabalhava, não mendigava a esmola particular ou pública, nem saqueava armazéns. A estigmatização do sertanejo era notória e o seu controle ligado à velha ideia de sua passividade interessava não só ao Governo, mas às elites locais, que queriam continuar controlando as rédeas das leis do sertão. É com base nesses discursos e na construção dessa imagem estigmatizada do sertanejo que pretendo discutir as ideias de sertão, pobreza e identidade nacional no período citado, além de apresentar a criação de campos de concentração no Nordeste brasileiro, fato pouco explorado pela historia. Palavras-chave: Identidade nacional Seca Campos de concentração

11 PEREIRAS E CARVALHOS: UMA HISTÓRIA DA ESPACIALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE PODER (SERRA TALHADA) Cristiano Emerson de Carvalho Soares Mestrando em História (UFRN) Resumo: Do final do século XIX ao início do século XX, o Sertão do médio Pajeú pernambucano, especialmente o município de Serra Talhada, transformou-se em palco de uma guerra quase que secular entre as famílias Pereira e Carvalho. A ostentação de sangues e brasões em Serra Talhada acabou por contribuir para um processo de espacialização das relações de poder entre uma hegemonia campestre, no caso os Pereiras, e uma contrahegemonia urbana, os Carvalhos. Campo e Cidade se configuraram como territórios de conquista e manutenção do poder. O objetivo deste trabalho é analisar os conceitos teóricometodológicos de poder e espacialização, além de território e territorialização, como categorias espaciais fundamentais para compreender como o conflito entre as Famílias Pereira e Carvalho, no município de Serra Talhada, constitui um episódio histórico de espacialização das relações de poder no Brasil do início do século XX. Palavras-chave: Famílias Território Espacialização. A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO ORGANIZACIONAL DO ASSENTAMENTO CACIMBA NOVA Ednaldo Emilio Ferraz Mestrando em Ciênciais Sociais (UFRN) Resumo: Muitas discussões inflamadas decorrem hodiernamente envolvendo o meio rural brasileiro. Não poderia ocorrer de forma diferente, pois o rural se complexificou muito nas últimas décadas, heterogeneizando, a cada dia, o agrário, o agrícola e o não-agrícola. E uma dessas discussões que consegue atrair uma gama vasta de pesquisadores é a da reforma agrária, em diversas frentes de análise, e uma dessas frentes é concernente à eficiência dos assentamentos rurais quanto à renda, acesso aos serviços públicos, produção, comercialização, organização dos atores sociais e políticas públicas. No presente artigo se demonstrará uma breve radiografia da organização do assentamento Cacimba Nova, no município de Floresta, Pernambuco, considerado o melhor assentamento do estado. Ali crê-se que esse sucesso se deva à preponderância da ética protestante vivenciada, uma vez que, em mais de 200 pessoas que formam o assentamento, os protestantes variam entre 50% a 60%. Palavras-chave: Reforma agrária Assentamento Cacimba Nova

12 DOS JUMENTOS AOS TRATORES: UMA EXPERIÊNCIA MODERNIZANTE NA REGIÃO DE IRECÊ-BA, NAS DÉCADAS DE 60 A 90 DO SÉCULO XX Atílio Sena da Silva Dourado Graduando em História (UNEB) Resumo: O presente trabalho tem o intuito de discutir como se deu o processo de modernização e mecanização no campo na região de Irecê BA, nas décadas de 60 a 90 do século XX. Mostra-se como esse processo, mediante a introdução de elementos modernizadores, como máquinas agrícolas e energia elétrica, influenciou na ressignificação de tradições e nas mudanças nas sociabilidades da população local, causando uma séria mudança na sociedade local, nas relações de trabalho e no cotidiano da população da zona rural. Constrói-se um panorama de como era o cotidiano da população da zona rural antes da modernização, como a comunidade se relacionava e como passou a ser o cotidiano e as relações sociais na comunidade após a introdução de elementos modernizantes. Palavras-chave: Irecê Jumentos Tradição e cotidiano. NO PASSO DA BOIADA: A HISTÓRIA DE OCUPAÇÃO E TRADIÇÕES VAQUEIRAS NO ALTO SERTÃO DA BAHIA ( ) Izis Pollyanna Teixeira Dias Graduada em História (UNEB) Resumo:O presente artigo aborda o diálogo estabelecido entre a memória popular e obras de historiadores que se dedicaram ao estudo da formação e desenvolvimento de comunidades agropastoris do alto sertão da Bahia, sua importância para o abastecimento de gado e produtos alimentícios para o estado da Bahia e de outras localidades do Brasil. Objetiva-se apresentar o vaqueiro como um dos atores da história que remonta à colonização dos sertões, e que contribuiu para a formação da identidade coletiva e da memória histórica do Brasil. Palavras-chave: Vaqueiro Memória Alto Sertão da Bahia. SERTÕES DA BAHIA COLONIAL: ENTRE A CRIAÇÃO DE GADO E A MINERAÇÃO

13 Tadeu Baliza de Souza Júnior Mestrando em História (UEFS) Resumo: O presente trabalho pretende investigar escritos da Historiografia Brasileira que tratam da criação de gado e da mineração: os textos se apresentam como fontes. Foram analisadas obras de André João Antonil (1711), Capistrano de Abreu (1907), Basílio de Magalhães (1914) e Urbino Vianna (1935). Outros escritos dão suporte bibliográfico na tentativa de cobrir lacunas dos autores, pois foram criados em circunstâncias diferentes. Existia uma interdependência entre a pecuária e a mineração, foram relevantes atividades econômicas para o surgimento, desenvolvimento e conexões das comunidades sertanejas, sobretudo as pioneiras: Jacobina e Rio de Contas. Nos tempos coloniais, os vaqueiros tangiam e os boiadeiros comercializavam o gado; esses sujeitos históricos eram os agentes desde o nascimento até a condução das boiadas para os mercados consumidores do litoral baiano. A grande extensão dos sertões foi essencial para a criação de gado, que era usado também como força motriz nos engenhos e nos transportes da cana no litoral. Devido à mineração surgiu uma figura importante que disputava com outros grupos sociais os achados das minas: o garimpeiro. A mineração forçou a sedentarizaçãodas pessoas, mormente próximos às regiões de Jacobina e de Rio de Contas. Esses indivíduos ajudaram a articular os sertões da Bahia com outras regiões inimagináveis. Palavras-chave: Sertões da Bahia Criação de gado Mineração SESSÃO 3 25 DE OUTUBRO (SEXTA-FEIRA) CANGAÇO RECONTADO: COMEMORAÇÕES DO SECULAR CANGACEIRO LAMPIÃO NO CEARÁ Vagner Silva Ramos Filho Graduando em história (UFCE) Resumo: O trabalho pretende analisar as reconstruções da memória social sobre o cangaço nas comemorações do centenário de nascimento do cangaceiro Lampião, em 1997/1998, no Ceará, a partir da imprensa, problematizando as variações da recordação e suas relações com as identidades nordestinas. O cangaço foi um dos fenômenos sociais com maior repercussão nos debates sobre os sentidos da emergente região do Nordeste brasileiro durante a primeira metade do século XX. A imprensa desse período foi espaço privilegiado para difusão de ideias, e sua importância para a constituição de memórias sobre espaços, culturas e acontecimentos continuou exercendo força vital posteriormente. Povoado por estereótipos estigmatizantes, o imaginário construído sobre o Nordeste é apresentado

14 muitas vezes como homogêneo. Assim, analisar as rememorações sobre o cangaço em meio às comemorações através da imprensa cearense, principalmente nos periódicos O Povo e Diário do Nordeste, em suas leituras sobre o passado, colabora para evidenciar contendas e por em questão o que significa o Nordeste e o ser nordestino. Pensar o cangaço e a questão identitária como memória social permite submeter à pesquisa as perspectivas teóricas e metodológicas da História Social da Memória, intuindo observar os trabalhos da memória inseridos no contexto como fonte e objeto de estudo histórico. Palavras-chaves: Lampião Comemoração Ceará. A MULHER E O CANGAÇO: RELAÇÕES E PRÁTICAS DE GÊNERO Camila da Silva Almeida Graduanda em História (UEFS) Resumo: O cangaço foi um movimento de bases sociais e latifundiárias propagado pelo Nordeste brasileiro, a partir do século XIX, e que teve como uma de suas características o predomínio dos conflitos e das demandas violentas, com a ação de grupos ou indivíduos que atuavam principalmente contra os proprietários de terras, os coronéis. O presente trabalho visa a estudar as Mulheres no Cangaço na região Nordeste do país, em meados do século XIX e inicio do século XX, como eram o convívio e atuação delas na vida do Cangaço. Para tanto, tomo como base as fontes biográficas e literárias, cujo levantamento nominal e de localidade foi realizado com base em relatos e histórias de sobreviventes no livro Lampião, as mulheres e o cangaço, de Antônio Amaury. Quem eram estas mulheres, de onde vieram e por quais motivos foram parar num bando de cangaceiros sem rumo pelo sertão adentro? Esta é a questão central que impulsiona o desenrolar deste artigo. Palavras-chave: Mulheres Cangaço Sertão. COMBATES DE MEMÓRIAS NO ÚLTIMO CAMPO DE BATALHA DE LAMPIÃO José Diones Costa dos Santos Graduando em História (UFS) Resumo: O Cangaço atuou na região do Nordeste brasileiro, principalmente entre a segunda metade do século XIX e meados do XX. Mesmo após a desestruturação dos bandos de cangaceiros, podemos constatar a presença das memórias desse fenômeno social

15 em diversos bens e expressões culturais no Brasil. O objetivo do presente artigo é trazer à tona um novo elemento no campo das batalhas da memória em torno do Cangaço, que foi a colocação de uma cruz em homenagem ao soldado volanteadrião Pedro de Souza, que também tombou no combate da Grota de Angico, em frente às cruzes que representam as Memórias de Lampião e dos cangaceiros mortos na localidade. A metodologia proposta é o depoimento de um dos que fixaram a cruz do volante na Grota, o João de Souza Lima. Nesta perspectiva, pretendemos identificar, refletir e problematizar as memórias do cangaço (memória do cangaço X volante). Palavras-chave: Nordeste brasileiro Memória Cangaço. A CRIAÇÃO AUDIOVISUAL SOB OS TEMAS DA MEMÓRIA E DA HISTÓRIA: RELATOS E ABORDAGENS DE UMA PRODUÇÃO BAIANA Marcelo Costa Lopes Mestrando em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB) Resumo: Certo perfil de tradição oral que reproduz saberes populares por meio de causos vem se modificando, de maneira estrutural, nas últimas décadas. A urbanização das formas de convivência e o avanço tecnológico que encurta fronteiras e se infiltra aceleradamente no cotidiano têm levado práticas da oralidade, no meio rural, a uma berlinda onde as formas de transmissividade de saberes têm se modificado a ponto de não serem mais reconhecíveis como foram durante séculos. Tomando as histórias de indivíduos que, segundo a crença popular, mantiveram a prática do corpo fechado como forma de sobrevivência nas suas relações de poder e guerra, violência e religiosidade, em 2012, o projeto do documentário intitulado Contra o Veneno Peçonhento do Cão Danado foi aprovado no edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia para sua produção em curtametragem. Este artigo busca refletir sobre o processo de pesquisa em andamento que redundará na finalização desta obra, no início de Tomando com referência teórica a memória coletiva, de Maurice Halbwachs, a análise e o relato desta pesquisa dão conta de uma série de reconstruções do passado a partir do presente, sob a ótica de determinado grupo, comunidade ou sociedade: são recordações que, sob este aspecto, estão sempre vivas e constantemente modificadas socialmente pela ação do agora e da coletividade, a partir do qual nenhuma memória nunca é tão somente individual. Temas como a natureza mágica nas relações de violência, matadores de aluguel, cangaceiros, grandes políticos e invultados, indivíduos do cotidiano, são parte deste universo. Palavras-chave: Memória Cinema Cultura popular

16 RETORNANDO À POLÍTICA: O ESTADO E A QUESTÃO DO DESENVOLVIMENTO DO SEMIÁRIDO Danilo Uzêda da Cruz Graduando Ciências Sociais (UFBA) Resumo: A política pública de Desenvolvimento Territorial em curso no Brasil possibilita a ampliação da esfera democrático-participativa, numa nova significação do conceito de políticas públicas e de desenvolvimento regional, e uma repactuação da relação entre Estado e sociedade civil, configurando um novo arranjo institucional de gestão pública. O Desenvolvimento Territorial na Bahia significa, sobretudo, o desenvolvimento do semiárido, uma vez que sua abrangência alcança 82% do território do Estado, e se pensarmos em termos culturais, o que não é semiárido é o recôncavo. Portanto a política pública busca organizar, por meio do Estado, a equação capital-trabalho-natureza e a relação com suas populações, fundamentada na ideia-conceito de participação e territorialidade, possibilitando outros arranjos institucionais. Essa impossível equação apresenta problemas teóricos e metodológicos entre ser uma proposta concreta garantidora da qualidade de vida mais ampla ou de comunidades restritas. Mas, sobretudo, um retorno da política, em seu sentido ontológico, alargando os espaços da sociedade na disputa por hegemonia dentro do aparelho estatal. Nesse recorte de pesquisa que ora apresentamos, buscamos entender porque essa ampliação da esfera democrática substitui outras formas de luta e organização do povo do semiárido, silenciando grupos e classes sociais, tornados reféns da técnica-tempo impostas pelo Estado. Busca-se interrogar porque a política pública de desenvolvimento territorial, portanto do semiárido, tem contribuído nesse novo arranjo, e sua articulação com três conceitos fundamentais: a concepção de território, de democracia e de participação, fazendo retornar identidades coletivas deixadas de lado ao longo dos anos 1990, ou substituindo-as por outros cenários de participação e disputas locais contra-hegenônicas. Palavras-chave: Desenvolvimento Territorial Sertões Estado e política IDENTIDADE E MEMÓRIA NOS SERTÕES DE EUCLIDES DA CUNHA Wilma Santana dos Santos Graduanda em Letras (UNEB/Campus XX) Resumo: O presente resumo pretende abordar as perspectivas de significações e representações do sertanejo como memória na formação da identidade nacional presentes na obra Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha. Inserido num cenário de luta e contrastes, o sertanejo é apresentado em Os Sertões como um forte. Através do jogo entre o selvagem e o moderno, o autor destaca a importância do sertanejo como integrante da

17 identidade nacional. Dentro desse ambiente, a literatura constitui um papel fundamental na constituição da nacionalidade. Esse papel constitui-se na preservação e valorização da identidade cultural. Na guerra de Canudos, o sertanejo é visto como um herói que, mesmo diante de tropas inimigas aparentemente imbatíveis, dispõe-se a enfrentar as dificuldades de forma bastante rude e segura. Contudo, o sertanejo, mesmo diante de características físicas tão rudes, não perde sua serenidade. Através de uma pesquisa bibliográfica da obra Os Sertões, é possível propor reflexões quanto à preservação da memória da identidade sertaneja, tendo como embasamento teórico autores como Darcy Ribeiro (1968), Euclides da Cunha (1902), Stuart Hall (2006), dentre outros. Palavras-chave: Identidade Memória Euclides da Cunha. IDENTIDADE CONSTRUÍDA X IDENTIDADE REIVINDICADA: O CONFRONTO ENTRE A MACHEZA E A HOMOSSEXUALIDADE EM SERRA TALHADA PE José Ferreira Júnior Professor da Faculdade de Integração do Sertão / Serra Talhada PE Doutorando em Ciências Sociais (UFCG) Resumo: Este artigo discute o confronto entre a macheza e a homossexualidade no espaço pernambucano serra-talhadense. Procura mostrar, no espaço citado, o constructo da macheza, que em seu discurso legitimador identitário, majoritariamente evoca a memória lampiônica. Também se atém à movimentação social decorrente da reivindicação homossexual que, na busca do usufruto de direitos constitucionalmente garantidos, à memória citada dá ressignificação, promovendo tensão entre os atores sociais envolvidos. Para a confecção deste trabalho lança-se mão de literatura histórica, antropológica e sociológica, como também de entrevistas feitas com elementos componentes das partes envolvidas. Palavras-chave: Macheza Homossexualidade Serra Talhada. ST 2 CONTOS, CANÇÕES E CENAS: O CANGAÇO EM IMAGENS, LETRAS E SONS Sala Antônio Silvino - Sala 1 do CAP Caroline de Araújo Lima Mestre em História Regional e Local (UNEB/Campus V) Professora do curso de História (UNEB/Campus XVIII)

18 Resumo: Este simpósio temático tem como proposta reunir estudantes e pesquisadores com o objetivo de divulgar resultados de pesquisas relacionadas ao tema do Cangaço. Pretendemos analisar as representações dos cangaceiros no cinema, nos folhetos de cordel, na literatura, nas fotografias jornalísticas, dentre outras linguagens. A partir de tais linguagens que deram a esses personagens contornos míticos e estereotipados, ofereceremos ricas discussões sobre identidade, representações de sertão e sertanejo, relações de poder, de gênero e de memória. O simpósio está aberto para receber propostas de temas que versem sobre o universo cultural dos sertões e sertanejos no campo do audiovisual, da literatura de cordel, na área fotográfica e da música popular. SESSÃO 1 23 DE OUTUBRO (QUARTA-FEIRA) CANGACEIROS: HERÓIS OU BANDIDOS? A ESTIGMATIZAÇÃO DO MITO EM TORNO DE LAMPIÃO E SEU BANDO NO FILME O CANGACEIRO Michele Soares Santos Graduanda em História (UNEB) Resumo: Este trabalho é fruto do estudo realizado durante a pesquisa de Iniciação Científica: História, Cinema e Ensino de História: O sertão, o cangaceiro e o beato no Cinema Brasileiro ( ). A partir das leituras realizadas durante essa pesquisa, foi possível constatar os estereótipos construídos sobre os cangaceiros e a região nordestina nos filmes que trabalham com essa temática. Assim, percebendo a grande influência dos espaços midiáticos, principalmente da produção fílmica sobre a sociedade, o presente estudo foi desenvolvido com a pretensão de analisar o filme O Cangaceiro (1953), de Vitor Lima Barreto, produzido em uma época que permeava no Brasil uma ideologia nacionalista e progressista, sendo visível o reflexo dessas ideologias nesta obra fílmica. A finalidade deste trabalho é identificar a forma como o cangaceirismo, um fenômeno social da zona rural, foi representado pelo intelectual da zona urbana no cinema, pretendendo realizar uma discussão sobre a consolidação mitológica da figura de Lampião e seu bando através deste filme. Cabe ressaltar que o filme O Cangaceiro obteve grande repercussão no Brasil, sendo o primeiro a ultrapassar as barreiras internacionais, consolidando os ciclos de filme referente ao cangaço. Palavras-chave: Representação Cangaço Cinema. TECENDO NARRATIVAS: O CINEMA VAI AO CANGAÇO NA DÉCADA DE

19 Francisca Kalidiany de Abrantes Lima Graduanda em História (UERN) Hélia Costa Morais Graduanda em História (UERN) Micarla Natana Lopes Rebouças Graduanda em História (UERN) Resumo: O cangaço, enquanto fenômeno social, tem se constituído em amplo e complexo objeto de investigação histórica no meio acadêmico. Sem indícios de que haja um consenso próximo, os questionamentos, interpretações e análises em volta desse fenômeno social abrangem uma ampla dimensão, que atinge não somente o espaço acadêmico, mas tem, contudo, ramificações que despertam a atenção da sociedade, ultrapassando, assim, os muros da academia. Uma das formas de abordagem desse fenômeno dá-se por meio das representações fílmicas sobre o tema, pois o cinema, enquanto um instrumento de arte massificada, é capaz de adentrar e influenciar o imaginário popular. Seu auge no campo cinematográfico dá-se na década de 1950 com o filme O Cangaceiro (1953), do cineasta Lima Barreto, produção que acarreta no surgimento do gênero Nordestern, influenciado pelo Western. Partindo desse pressuposto, o presente trabalho, tendo como base a análise do Cangaço enquanto fator histórico, tentará compreender como essa temática repercutiu no cinema nacional, propondo discussões como a representação imagética do Nordeste e seus sujeitos, a apropriação do gênero norte-americano Western e as contribuições do filme na disseminação do gênero no cinema brasileiro, levando em conta a representação do passado na narrativa cinematográfica e a construção de uma memória sobre o Cangaço. Palavras-chave: Cangaço Cinema Representação. LAMPIÃO: A IDEIA DO MITO E DO HERÓI CONSTRUÍDA NO FILME LAMPIÃO, REI DO CANGAÇO (1962) Elizabeth Oliveira Amorim Morais Mestranda em Ciências Sociais e Humanas (UERN) Resumo: Lampião ainda é visto enquanto um personagem histórico multifacetado.foi a partir dessa percepção que iniciamos o nosso interesse em revisitar essa figura presente no imaginário social nos dias atuais. A partir da análise fílmica de Lampião, o Rei do Cangaço (1962), filme dirigido por Carlos Coimbra, procuramos buscar de que maneira o

20 cinema pode ter contribuído para a cristalização de um Lampião herói e cercado por elementos míticos. Apesar de constatada a recorrência do tema cangaço tanto em produções bibliográficas quanto nas produções cinematográficas nacionais, verificamos que existem poucos estudos e publicações que discutem sobre a imagem de Lampião construída no cinema nacional. Nesse sentido, o presente trabalho procurou, através da análise dos mitos e do arquétipo do herói exposto na obra de Joseph Campbell, perceber como a personagem de Lampião foi construída no filme supracitado. Além disso, procuramos entender como essa construção pode ser considerada como um contributo a mais na formação da personalidade heroica e mítica do cangaceiro Lampião enraizada no imaginário social. Palavras-chave: Cangaço Mito Cinema. A PRESENÇA DE CANGACEIROS E CORONÉIS NO MOSAICO CHAMADO NORDESTE Mislene Vieira dos Santos Mestranda em História (UFS) Resumo: Este trabalho se propõe a refletir sobre a questão regional a partir dos fenômenos do cangaço e do coronelismo, evitando abordagens simplistas e generalizantes sobre tais manifestações. Busca-se perceber como estas contribuiram na construção de imagens a respeito do Nordeste, as quais muitas vezes são fundadas em mitos, reproduzindo visões cristalizadas a respeito desses dois fenômenos. A partir de um diálogo com a canção Lampião, do grupo musical Banda Pau e Corda (PE), são estabelecidas reflexões sobre as diversas faces do cangaço. O conceito de representação de Roger Chartier baliza as considerações. Pretende-se construir um trabalho em que se perceba o Nordeste enquanto um mosaico social, heterogêneo e localizado historicamente. Palavras-chave: Cangaço Coronéis Nordeste. SESSÃO 2 24 DE OUTUBRO (QUINTA-FEIRA) NA PISADA DOS CABRAS DE LAMPIÃO: MEMÓRIAS DO CANGAÇO NO XAXADO NORDESTINO Jéssica da Silva Souza Graduanda em História (UFS)

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