PROPOSTA DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO NA AGROINDÚSTRIA DE MOAGEM DE TRIGO

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1 PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS PONTA GROSSA GERÊNCIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO PPGEP MAICO JEFERSON DE OLIVEIRA PROPOSTA DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO NA AGROINDÚSTRIA DE MOAGEM DE TRIGO PONTA GROSSA DEZEMBRO 2007

2 ii MAICO JEFERSON DE OLIVEIRA PROPOSTA DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO NA AGROINDÚSTRIA DE MOAGEM DE TRIGO Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção, do Programa de Pós- Graduação em Engenharia de Produção, Área de Concentração: Gestão Industrial, da Gerência de Pesquisa e Pós-Graduação, do Campus Ponta Grossa, da UTFPR. Orientador: Prof. Kazuo Hatakeyama, PhD. PONTA GROSSA

3 iii DEZEMBRO PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Universidade Tecnológica federal do Paraná Campus Ponta Grossa Gerência de Pesquisa e Pós-Graduação PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO TERMO DE APROVAÇÃO Título de Dissertação PROPOSTA DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO NA AGROINDÚSTRIA DE MOAGEM DE TRIGO por Maico Jeferson de Oliveira Esta dissertação foi apresentada às 10h do dia 17 de dezembro de 2007, como requisito parcial para a obtenção do título de MESTRE EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, com área de concentração em Gestão Industrial, linha de pesquisa Gestão da Produção e da Manutenção, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. O candidato foi argüido pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a Banca Examinadora considerou o trabalho aprovado. Prof. Dr. Fábio Favaretto (PUCPR) Prof. Dr. João Carlos Colmeneiro (UTFPR) Prof. Dr. Luiz Carlos de Abreu Rodrigues (UTFPR) Prof. Dr. Kazuo Hatakeyama (UTFPR) Orientador Visto do Coordenador Prof. Dr. Kazuo Hatakeyama (UTFPR) Coordenador do PPGEP

4 iv À minha família, especialmente para meu querido Nicolas.

5 v AGRADECIMENTOS Ao meu orientador Prof. Kazuo Hatakeyama, PhD., sem o qual essa pesquisa jamais poderia ter se concretizado. A todos os Professores e Colaboradores da UTFPR. A Cooperativa Agrária Agroindustrial pelo apoio financeiro e disponibilidade das instalações fabris. Aos moinhos que contribuíram respondendo o questionário. A todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização da pesquisa.

6 RESUMO Esta pesquisa apresenta uma proposta de sistema de planejamento e controle da produção para a agroindústria de moagem de trigo. A proposta foi elaborada com base na pesquisa bibliográfica e na coleta de dados, utilizando questionário e o formulário, sendo o mesmo aplicado nos moinhos da região Sul do Brasil. O suprimento para a agroindústria de moagem de trigo é caracterizado pela instabilidade e pela dependência do fornecimento da matéria-prima proveniente da Argentina. Os moinhos apresentam tipicamente as etapas de recebimento, preparação, moagem de trigo em grãos, envase e expedição de farinhas. O fluxo de material é contínuo, a moagem representa a restrição do sistema. Na população em estudo, a etapa da moagem apresenta capacidade ociosa em relação à demanda do mercado. Foi desenvolvida uma proposta de controle da produção para o chão-defábrica, baseada na produtividade e na perda de ritmo da moagem, o objetivo é o monitoramento do fluxo da produção. Esta proposta foi simulada em um dos moinhos da amostra. Uma proposta de planejamento-mestre da produção, baseada na programação finita da moagem foi apresentada, onde a seqüência da produção é realizada considerando a data de entrega. A proposta prevê também o congelamento do último período para garantir a estabilidade do planejamento-mestre da produção. O foco na matéria-prima, o recurso restrição de longo prazo representado pela moagem e a necessidade de agrupamento das farinhas de trigo, são as premissas para a elaboração da proposta de planejamento agregado da produção para a indústria de moagem de trigo. Palavras-chave: Gestão; Produção; Moinho de Trigo.

7 7 ABSTRACT This research approaches planning studies and production control in the Agribusiness of grain milling. With base on studies, one molding of planning system and production control is proposed. The planning molding system and production control was elaborated based on a bibliographic research and with data collection through questionnaires and the formulae. The data were colleted in the mills from South of Brazil. The supply to agribusiness of grain milling is characterized by instability and dependence of raw material supply coming from Argentina. The divergence between quality of national grain and the necessity of the industry is a part of Brazilian reality. The mills present typically by the times of receiving, preparation, milling of grains, packaging and shipping of flours. The flux of operations is the flow shop kind, where milling represents the restriction of the system. In the population studied, the millings present an inactive capacity related to Market Demand. It was developed a methodology of production control on the factory floor, based on productive and lost of rhythm from milling. The goal is to monitor the flux of production. The methodology was simulated in one of the mills from the sample. A proposal of master production planning to agribusiness of grain milling was elaborated. The data collection revealed the demand of this tool for planning and production control. The proposal was based on a complete programming of milling, where the sequence of production is accomplished based on the delivery date. The proposal even sees the frozen time that happens in the last period to guarantee the stability of the master production planning. The focus on raw material, that restricts resource in a long period represented by milling and the necessity of grouping of flour are the premises to elaborate an aggregate planning of production to agribusiness of grain milling. Keywords: Management; production; Grain mill.

8 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABITRIGO Associação Brasileira da Indústria do Trigo APICS Association for Operations Management ATO Assembly to Order BOM Bill of Materials CRM Customer Relationship Management CRP Capacity Requirements Planning DRP Distribution Requirements Planning EDD Earliest due date ERP Enterprise Resources Planning ETO Engineer to Order JIT Just in Time MPS Master Production Schedule MRP Materials Requirements Planning MRP II Manufacturing Resources Planning MTO Make to Order MTS Make to Stock OPT Optimized Production Technology SFC Shop-floor Control SCM Supply Chain Management S&OP Sales and Operations Planning TOC Theory of Constraints WIP Work in Process

9 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Diferenças entre produção contínua e intermitente...23 Quadro 2: Sistemas de programação finita de capacidade...49

10 10 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Sistema de produção...20 Figura 2: Suprimento de trigo para a indústria brasileira...24 Figura 3: Consumo de trigo na indústria brasileira nos últimos treze anos...25 Figura 4: Evolução da área cultivada com trigo no Brasil...25 Figura 5: Produtividade de trigo em quilos por hectare no Brasil Figura 6: Evolução da importação brasileira de trigo...27 Figura 7: Distribuição dos moinhos no Brasil...28 Figura 8: Estrutura da produção nos moinhos...29 Figura 9: Recebimento de trigo...30 Figura 10: Etapa de preparação do trigo...31 Figura 11: Fluxo de operações nas máquinas da preparação de trigo...32 Figura 12: Processo de moagem de trigo...34 Figura 13: Fluxo de operações nas máquinas da moagem do trigo...35 Figura 14: Linha de envase de farinha...36 Figura 15: Fluxo de operações nas máquinas de envase...36 Figura 16: Mercado de farinha no Brasil...37 Figura 17: Estrutura de sistema de PCP...39 Figura 18: Sistemática de previsão de demanda...42 Figura 19: Entradas e saídas do planejamento-mestre da produção...44 Figura 20: Indústria de moagem para programação...57 Figura 21: Ociosidade de M2 em relação à demanda...59 Figura 22: Período de verificação do monitoramento da produção nos moinhos...61 Figura 23: Proporção de controle aplicado nas etapas de produção...61 Figura 24: Proposta de sistema de controle de chão-de-fábrica para moinho de trigo...62 Figura 25: Desempenho em perda de ritmo e paradas não programadas de duas linhas de moagem de trigo...64 Figura 26: Produtividade nas linhas de moagem MA e MB...66 Figura 27: Interface do sistema de controle de chão-de-fábrica...67 Figura 28: Resposta à demanda nos moinhos...69

11 11 Figura 29: Horizonte de planejamento nos moinhos...70 Figura 30: Horizonte das previsões nos moinhos...71 Figura 31: Exemplo da programação finita proposta...73 Figura 32: Interface S&OP e MPS...74 Figura 33: Proposta de sistema de PCP para a indústria de moagem de trigo...76

12 12 LISTA DE TABELAS Tabela 2: Estatística da produção brasileira de trigo...26 Tabela 1: Informações sobre a população Tabela 3: Variações de produtos e diagramas de moagem nos moinhos...58 Tabela 4: Métodos de controle utilizados nos moinhos...60 Tabela 5: Estatística dos dados do sistema de controle de chão-de-fábrica...66 Tabela 6: Eventos que ocorrem na programação dos moinhos...68 Tabela 7: Ferramentas de planejamento usadas nos moinhos...69

13 13 SUMÁRIO CAPÍTULO I Introdução Origem do Trabalho Justificativa da Pesquisa Limitações da Pesquisa Objetivos Objetivo Geral Objetivos Específicos Estrutura do Trabalho...18 CAPÍTULO II Revisão de Literatura Sistema de Produção Classificação dos Sistemas de Produção Indústria de Moagem de Trigo no Brasil Suprimento Industrialização Recebimento de Trigo em Grãos Preparação de Trigo em Grãos para a Moagem Moagem de Trigo em Grãos Envase da Farinha de Trigo Distribuição Sistema de Planejamento e Controle da Produção PCP Planejamento de Vendas e Operações (S&OP Sales and Operations Planning) ou Planejamento Agregado da Produção Gerenciamento da Demanda Planejamento Mestre da Produção (MPS Master Production Schedule) Planejamento Detalhado de Materiais Sistema de Controle de Chão-de-Fábrica Programação no Ambiente MRP II Sistema de Programação com Capacidade Finita Programação no Ambiente TOC...49

14 Programação do Ambiente JIT Controle da Produção...51 CAPÍTULO III Metodologia Caracterização da Pesquisa População Coleta e Análise dos Dados...54 CAPÍTULO IV Proposta de Sistema de PCP para a Indústria de Moagem de Trigo Sistema de Controle de Chão-de-Fábrica para a Indústria de Moagem Proposta de Programação da Produção Proposta de Controle de Produção Simulação da Proposta de Controle de Chão-de-Fábrica Interface do Sistema de Controle de Chão-de-Fábrica Proposta de MPS para a Indústria de Moagem de Trigo Interface do Processo MPS Proposta de S&OP para a Indústria de Moagem de Trigo Visão Geral da Proposta de Sistema de PCP para a Indústria de Moagem de Trigo...76 CAPÍTULO V Considerações Finais Sugestões para Trabalhos Futuros...80 REFERÊNCIAS...81 ANEXOS A QUESTIONÁRIO...87 ANEXOS B - OFÍCIO...88

15 15 CAPÍTULO I 1.1 Introdução O aumento da oferta da farinha de trigo em relação à demanda propiciado pelas evoluções tecnológicas dos processos de produção, caracterizando o cenário competitivo atual, motivou as organizações a investirem no aprimoramento das técnicas de administração de seus processos produtivos, entre as quais as sistemáticas de planejamento e controle da produção. Um sistema de planejamento e controle da produção (PCP) pode ser analisado sob duas óticas que se complementam, numa visão sistêmica, enquanto estrutura de informação que integra os estágios de um empreendimento e da maneira mais específica modelando o padrão de decisão adotado em cada estágio. Os sistemas de produção diferem quanto à estrutura de seu PCP, espelhando sua complexidade que estará presente em maior ou menor grau, em função do tipo de empreendimento, com risco da falta de produto para atender ao mercado, ou excesso de estoques. Assim, tais ocorrências podem comprometer o fluxo de caixa e onerar os custos com a manutenção do estoque. Responsáveis essencialmente pelo equilíbrio entre a demanda e o fornecimento, os sistemas de PCP têm nas agroindústrias dois desafios: o primeiro, é a incerteza no suprimento, já que a produção agrícola está condicionada a uma variável aleatória da natureza; o segundo desafio é na outra extremidade, o consumo estável característico do mercado de alguns artigos padronizados. Um agravante particular para a indústria de moagem de trigo está na produção brasileira de trigo em grãos que não é auto-suficiente. O cereal é importado do Canadá, Estados Unidos, França e Argentina, de onde provém a maior importação visando atender a demanda brasileira. A capacidade instalada de moagem no Brasil supera o consumo atual de farinha de trigo, atingindo próximo de 40% de ociosidade em relação à capacidade instalada (ABITRIGO, 1999). No Brasil a industrialização de trigo em grãos foi submetida a um alto nível de intervenção estatal, desde a década de sessenta até os anos Foram

16 16 estabelecidas cotas semanais para moagem, fixados os preços do trigo em grãos e da farinha, controlando desta forma os investimentos no setor (ABITRIGO, 1999). A liberdade de comercialização de trigo em grãos e farinha, após a década de noventa, iniciou uma nova fase para os moinhos, agora com maior autonomia para realizar investimentos em ampliações e modernização do parque fabril. 1.2 Origem do Trabalho A forma de prática empresarial com a liberdade de investimentos e atualização tecnológica trouxe como conseqüência a competição entre os moinhos. Têm maior competitividade os moinhos que operam com a adoção de estratégias eficientes de planejamento e controle da produção, as quais carecem de pesquisa na busca da racionalização de investimentos realizados. No que diz respeito aos moinhos brasileiros, o controle estatal que perdurou até a década de noventa desestimulou o desenvolvimento das técnicas de administração da produção no setor, até mesmo as referências nacionais que descrevem o processo de moagem de trigo em grãos são escassas e muitas vezes não estão disponíveis aos interessados. Há uma demanda por estudos que contribuam para o desenvolvimento da gestão da produção nos moinhos, através dos sistemas de planejamento e controle da produção. 1.3 Justificativa da Pesquisa Conciliar a demanda do mercado com a capacidade de fornecimento do sistema produtivo é uma atividade que está presente no âmbito de todas as organizações. O planejamento e o controle da produção diferem em cada organização, contudo a necessidade de determinar quando e quantos artigos devem ser produzidos é comum a todas as organizações (BONNEY 2000). Campos (2004) em seu trabalho analisando o desempenho do setor moageiro no período pós 1990, identificou a necessidade de melhorar a competitividade no

17 17 setor, devido à concorrência que aumentou pelo incremento na capacidade produtiva dos moinhos e a importação de farinha de trigo da Argentina. O sistema de PCP poderá auxiliar os moinhos na melhoria da competitividade. Os trabalhos acadêmicos sobre PCP são voltados, na maioria das vezes, para as indústrias de manufatura. A agroindústria demanda trabalhos deste gênero, especialmente nos casos em que particularidades condicionadas pelo processo de produção interferem nas atividades de PCP. 1.4 Limitações da Pesquisa Como as atividades de PCP têm ampla abrangência, e os sistemas de produção também diferem quanto ao modelo de decisão adotado, a delimitação da pesquisa é necessária para que as conclusões obtidas após a coleta de dados, se repitam quando a análise ocorre à luz do escopo aqui abordado. A pesquisa limita-se à indústria de moagem de trigo. O processo mostra semelhanças quando comparado com outros de produção contínua para estoque. Mesmo assim, os moinhos apresentam suas próprias particularidades. Este trabalho não definitivo é um dos pioneiros do gênero na indústria de moagem de trigo no Brasil, conforme foi evidenciado durante a pesquisa bibliográfica. A proposta estará sujeita aos ajustes e a contínuas melhorias após o seu funcionamento. 1.5 Objetivos Ao descrever o objetivo da pesquisa busca-se chegar ao enunciado formal do tema, na forma de uma frase curta e objetiva em que se definam as principais características da pesquisa, tornando-se o ponto de partida para todo o planejamento ou gestão coletiva da investigação (VASCONCELOS, 2002). Para cumprir sua finalidade propõe-se um objetivo geral desdobrado em objetivos específicos.

18 Objetivo Geral O objetivo geral desta pesquisa é: Elaborar uma proposta de sistema de PCP para a indústria de moagem de trigo Objetivos Específicos Os objetivos específicos desta pesquisa são: Elaborar uma proposta de sistema de controle de chão-de-fábrica que atenda a dinâmica da produção na indústria de moagem de trigo; Propor um programa mestre de produção ajustado às características da indústria de moagem de trigo; Propor um conjunto de premissas básicas para o planejamento de vendas e operações da indústria de moagem de trigo. 1.6 Estrutura do Trabalho A dissertação está dividida em cinco capítulos. O primeiro contextualizou o tema, apresentou a origem, as justificativas e os objetivos da pesquisa. No segundo capítulo é abordada a metodologia da pesquisa, envolvendo a caracterização, a população e a coleta e análise dos dados. A revisão bibliográfica do terceiro capítulo está elaborada de modo a oferecer o suporte teórico suficiente. Foi descrita de maneira enxuta, estruturada da seguinte forma: a. Sistema de produção apresenta a definição de sistema de produção abrindo caminho para os temas seguintes; b. Classificação dos sistemas de produção o foco é a demonstração do fluxo de materiais nas diferentes classes de sistemas de produção; c. Indústria de moagem de trigo nessa seção o processo de moagem foi descrito em maiores detalhes. O objetivo é subsidiar informações

19 19 precisas sobre o fluxo de operações, além de algumas especificidades do processo. Vários diagramas foram usados para essa finalidade; d. Sistemas de PCP um modelo geral de sistema de PCP sugerido por VOLLMANN et al. (2006) é utilizado para direcionar as discussões desse tema; e. Planejamento de vendas e operações o objetivo da seção é abordar o processo focando suas principais finalidades. Todas as etapas que compõem o sistema de PCP são apresentadas dessa forma. A ênfase está na lógica implícita dos modelos. f. Gerenciamento da demanda o foco é a previsão da demanda, devido a sua importância no sistema de produção em estudo. As metodologias de previsão são apresentadas quanto a sua funcionalidade; g. Planejamento-mestre da produção essa seção apresenta o objetivo da ferramenta e as três estratégias de planejamento-mestre; h. Planejamento detalhado de materiais a sistemática que utiliza a lista de materiais defasada no tempo e a baseada na taxa de consumo são apresentadas nesse tópico; i. Sistema de controle de chão-de-fábrica aborda os aspectos que envolvem a programação e o controle da produção. O quarto capítulo apresenta a proposta de sistema de PCP para a indústria de moagem de trigo, juntamente com a análise dos dados utilizados para validar algumas premissas da proposta. Por fim, no quinto capítulo, são apresentadas as considerações finais e as sugestões para trabalhos futuros.

20 20 CAPÍTULO II 2 Revisão de Literatura 2.1 Sistema de Produção Um sistema de produção envolve a transformação de insumos e matériasprimas através dos recursos de produção, em produtos ou serviços de maior valor agregado, de forma sistematizada. O modelo que representa um sistema de produção é apresentado na Figura 1. Entrada Transformação através dos Recursos de Produção Saída Figura 1: Sistema de produção Fonte: Adaptado de Slack et al. (1997) e Stevenson (2001) Os sistemas de produção nas organizações eram vistos como um custo necessário. Na década de setenta, a entrada das indústrias asiáticas no mercado americano motivou o interesse estratégico, principalmente na manufatura. A qualidade, flexibilidade, a prestação de serviços e a entrega passaram a fazer parte das decisões nos sistemas de produção, no sentido de contribuir para a competitividade da organização (SLACK, 1993). Nas últimas décadas, três grandes mudanças na gestão da produção se destacam (CORREIA; CORREIA, 2005): Tornou-se mais estratégica; Ampliou sua área de atuação através dos serviços prestados aos clientes, da qualidade, da flexibilidade e da entrega; Estendeu seu horizonte de preocupações, de unidade fabril para as redes de suprimentos.

21 21 Incorporam o ambiente da gestão de operações, os produtos com ciclo de vida mais curto e alta taxa de renovação de mix de produção, alta variedade de produtos, consumidores mais exigentes por qualidade e entrega, e ainda o aumento da oferta e preços competitivos (BATALHA et al., 2007). O gerenciamento da cadeia de suprimentos (Supply Chain Management SCM) é fruto das mudanças na gestão dos sistemas de produção. O SCM representa uma integração estratégica dos sistemas de produção e comercial, partindo do consumidor final até os fornecedores iniciais (NOVAES, 2001). O SCM, como estratégia competitiva das empresas, é praticado por mais de duas décadas, entretanto poucas empresas desenvolveram seu SCM para obter o melhor proveito, conforme IBRAHIM e KENNEDY (2007) que apresentam uma proposta para melhorar a prática do SCM. Ferramentas como o ERP (Enterprise Resources Planning) e o CRM (Customer Relationship Management) também são exemplos de abordagens que suportam a integração. No trabalho comparando o desempenho na implantação de SCM, ERP e CRP, HENDRICKS et al. (2007) demonstram a eficácia dos três modelos, com desempenho diferencial do SCM no que se refere ao estoque. Na produção agroindustrial, desde a publicação do trabalho de Davis (1957) e Goldberg (1968), as relações de dependência entre as indústrias de insumos, produção agropecuária, indústria de alimentos e o sistema de distribuição não podem ser ignoradas (ZYLBERSZTAJN; NEVES, 2005). A integração estratégica na produção agroindustrial é evidenciada através das cadeias de produção agroindustriais (CPA), que partem de um produto final até a origem nas matérias-primas (BATALHA et al., 2001). Por meio da integração busca-se a redução de estoques, o aumento da flexibilidade propiciando respostas rápidas na variação da demanda, a redução de custos e o aumento da velocidade, uma vez que quanto menor for o tempo do ciclo entrada, transformação e saída, melhor é o fluxo financeiro da empresa. No caso da gestão de estoques, estudos demonstram redução de até 40% no inventário das empresas que estão incorporando estratégias de integração através das cadeias (COLUMBUS, 2005).

22 Classificação dos Sistemas de Produção A necessidade de classificar os sistemas de produção é ligada à resposta ao mercado, a variedade e a quantidade do resultado final da transformação, interferindo por conseqüência nas atividades de PCP. Uma classificação dependente da quantidade e da variedade, e que define o arranjo físico na produção de bens, é a que se baseia nas características operacionais. Tradicionalmente, os sistemas de produção podem ser divididos em três grupos quando são consideradas as características operacionais e do fluxo de materiais (MOREIRA, 2004; RUSSOMANO, 2000; SLACK, et al., 1997): Sistema de produção contínua Apresentam seqüência linear para a produção do produto ou serviço, as diversas etapas do processamento devem ser balanceadas para que as mais lentas não retardem a velocidade do processo. Apresentam acentuada inflexibilidade pela dificuldade em se alterar a capacidade produtiva ou a linha de produtos; Sistema de produção de fluxo intermitente Apresentam maior quantidade de set up, a mão-de-obra e os equipamentos são organizados em centros de trabalho, o produto flui de forma irregular de um centro de trabalho a outro. A produção pode ser em lotes para o estoque ou do tipo job shop; Construção de projetos Nesta modalidade ocorre o deslocamento dos recursos de transformação, diferente da produção contínua e da produção intermitente, nos quais os recursos a serem transformados são deslocados pelo sistema de produção. As principais diferenças entre os sistemas de produção contínua e intermitente são mostradas no Quadro 1.

23 23 Produção contínua Produção intermitente O tempo de preparação dos equipamentos é pequeno, comparado com o tempo de operação longo. A quantidade de produtos iguais precisa ser grande. As máquinas são arrumadas de acordo com o produto (em linha), precisando ser bem balanceadas. O tempo de preparação é aproximadamente da mesma ordem e grandeza que o tempo de operação. A quantidade de produtos iguais é pequena, mas pode se repetir (produção em lotes). As máquinas são arrumadas por processo de fabricação, com difícil balanceamento. Como as máquinas são especializadas, os operadores não precisam ser qualificados. A capacidade ociosa é pequena. Como as máquinas são universais os operadores precisam ser qualificados. A capacidade ociosa é maior em relação a produção contínua. O fluxo de produção é rápido resultando num estoque de material em processo pequeno. O fluxo de produção é lento, resultando num estoque de material em processamento alto. Exige poucas instruções de serviço. Exige muitas instruções de serviço. Quadro 1: Diferenças entre produção contínua e intermitente Fonte: Russomano (2000) Há uma amplitude entre a produção intermitente pura e a contínua pura que comporta vários tipos de sistemas de produção. As agroindústrias aproximam-se do sistema de produção contínuo. Indústrias de alimentos em geral são de processamento contínuo. Normalmente a indústria de alimentos é projetada para a produção contínua de alta eficiência global de equipamentos, minimizando os custos operacionais e os custos de qualidade (JAMES, 2005).

24 Indústria de Moagem de Trigo no Brasil Suprimento A produção agrícola é dependente do clima, ou seja, um elemento aleatório que condiciona a oferta dos produtos agrícolas. A natureza também impõe um espaço de tempo entre a decisão de investir e a efetiva produção agrícola, em decorrência da sucessão de safras (BATALHA, et al., 2001). O suprimento incerto dos produtos agrícolas é uma dificuldade enfrentada pelas agroindústrias em geral. No caso dos moinhos a situação se agrava pela insuficiência na produção nacional de trigo, como mostra a Figura 2. Trigo nacional industrializado em toneladas a % Trigo importado industrializado em toneladas a % Figura 2: Suprimento de trigo para a indústria brasileira Fonte: Adaptado de ABITRIGO (2007) A sazonalidade no suprimento dificulta a adoção de estratégias baseadas na integração, muito embora existam vários casos de parcerias do tipo cliente e fornecedor.

25 25 A necessidade de trigo em grãos para a indústria de moagem vem evoluindo em ritmo modesto nos últimos treze anos conforme demonstra a Figura 3, seguindo o consumo dos produtos padronizados Industrialização de trigo em toneladas Ano Figura 3: Consumo de trigo na indústria brasileira nos últimos treze anos Fonte: ABITRIGO (2007) A evolução da área cultivada com trigo no Brasil entre os anos de 1993 a 2005 experimentou oscilações até 1999, porém crescente até 2003 e estabilizando nos dois anos seguintes, conforme mostra a Figura Área plantada em Hectares Ano Figura 4: Evolução da área cultivada com trigo no Brasil Fonte: ABITRIGO (2007)

26 26 A interferência da variável climática pode ser observada na Figura 5, que mostra uma evolução da produtividade brasileira nos últimos treze anos Produtividade em quilos por hectare Ano Figura 5: Produtividade de trigo em quilos por hectare no Brasil. Fonte: ABITRIGO (2007) A estatística da área cultivada e da produtividade de trigo no Brasil de 1993 a 2005 é indicada na Tabela 2. Tabela 1: Estatística da produção brasileira de trigo Produtividade de trigo (kg/ha) Área cultivada com trigo (ha) Média Máximo Mínimo Amplitude Fonte: Adaptado de ABITRIGO (2007)

27 27 A evolução das importações brasileiras de trigo é mostrada na Figura 6. A importação é proveniente principalmente da Argentina, um grande fornecedor mundial. Importação de trigo em toneladas Ano Figura 6: Evolução da importação brasileira de trigo Fonte: ABITRIGO (2007) Industrialização O processo de moagem do trigo em grãos vem sendo aprimorado desde a idade da pedra. Teve início usando golpes de pedra para realizar a moagem, passando pelos moinhos de pedra, os moinhos de bola e os atuais bancos de cilindros (GRANOTEC DO BRASIL, 2001). Nos últimos cem anos, o processo de moagem sofreu grande evolução tecnológica e automação. Por outro lado surgiram novas variedades de trigo em grãos, e tipos de produtos originários, buscando aprimorar a qualidade (ERLING, 2004).

28 28 Os moinhos associados à ABITRIGO estão amplamente distribuídos pelo Brasil, com maior concentração na região sul, conforme indica a Figura 7. Paraná 12 São Paulo 12 Rio Grande do Sul 9 Santa Catarina 8 Rio de Janeiro 4 Ceará 4 Minas Gerais 3 Bahia 2 Pernambuco 2 Pará 2 Espirito Santo 1 Goias 1 Distrito Federal 1 Sergipe 1 Alagoas 1 Paraíba 1 Rio Grande do Norte 1 Maranhão 1 Amazônia Figura 7: Distribuição dos moinhos no Brasil Fonte: ABITRIGO (2007)

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