BRANDNAMES OF AGRIFOOD PRODUCTS AS A RESULT OF THE VERTICAL INTEGRATION SYSTEM BETWEEN FARMER AND DISTRIBUTOR

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1 BRANDNAMES OF AGRIFOOD PRODUCTS AS A RESULT OF THE VERTICAL INTEGRATION SYSTEM BETWEEN FARMER AND DISTRIBUTOR Kassia Watanabe Doutoranda em Direito Agrário na Scuola Superiore di Studi Universitari e di Perfezionamento Sant Anna di Pisa, Piazza Martiri della Libertà, Pisa, Italia. Alfredo Massart Doutor Professor Titular da Scuola Superiore di Studi Universitari e di Perfezionamento Sant Anna di Pisa, Piazza Martiri della Libertà, Pisa, Italia. Abstract The main object of this paper shall be to show own-brand products as an integration system, and the importance of the regulation of the integration contract in Brazil. The own-brand products are those found in the supermarket net or in other types of distribution net, for example pharmacies. These products have the mark and the quality determined by their own distributors, that result of an integration system. The integration contract is not regulated in Brazil, therefore it is an atypical contract, nevertheless it is used in the most diverse sectors of the economy. The topics of this paper are: a) The concept and history of itegration system in Brazil, and of the ownbrand products. b) The regulation of integration contract in France, Spain and Italy. c) The draft law in agro-industrial contract, evaluating the possibility of it being adopted for contracts of own-brand. Key words: own-brands, integration system, integration contract

2 BRANDNAMES OF AGRIFOOD PRODUCTS AS A RESULT OF THE VERTICAL INTEGRATION SYSTEM BETWEEN FARMER AND DISTRIBUTOR MARCA PRÓPRIA DE PRODUTOS AGRO-ALIMENTARES COMO RESULTADO DE SISTEMA DE INTEGRAÇÃO VERTICAL ENTRE O PRODUTOR AGRÍCOLA E A DISTRIBUIDORA Kassia Watanabe Doutoranda em Direito Agrário na Scuola Superiore di Studi Universitari e di Perfezionamento Sant Anna di Pisa, Piazza Martiri della Libertà, Pisa, Italia. Orientador: Alfredo Massart Doutor Professor Titular da Scuola Superiore di Studi Universitari e di Perfezionamento Sant Anna di Pisa, Piazza Martiri della Libertà, Pisa, Italia. Resumo O principal objetivo desse trabalho será apresentar os produtos de marca própria como um sistema de integração e a importância da regulação do contrato de integração no Brasil. Os produtos de marca própria são aqueles encontrados nas redes de supermercados ou outros tipos de rede de distribuição, por exemplo farmácias. Esses produtos têm a marca e a qualidade determinadas pelos seus próprios distribuidores, que resultam de um sistema de integração. O contrato de integração não é regulado por lei no Brasil, portanto é um contrato atípico, apesar de ser amplamente usado nos mais diversos setores da economia. Os tópicos a serem abordados nesse trabalho são: a) o conceito e história do sistema de integração no Brasil e dos produtos de marca própria. b) a regulação do contrato de integração na França, Espanha e Itália. c) o projeto de lei do contrato agroindustrial, avaliando a possibilidade de ser adaptado aos contratos de marca própria. Palavras-chaves: marca própria; sistema de integração; contrato de integração 1-Introdução Os produtos de marca própria estão cada vez mais difundidos nas redes de supermercados, por exemplo produtos Carrefour, Barateiro, Esselunga etc, podendo ser encontrados nas várias linhas de produto oferecidas aos consumidores. Dentro desses produtos estão os agro-alimentares que são fornecidos com determinada marca e qualidade estipuladas pelo supermercado. A relação entre a rede de supermercado e o produtor agrícola não se trata somente de compra e venda, mas de um sistema de integração, pois o processo de produção sofre a interferência do detentor da marca. O sistema de integração é a relação contratual entre o produtor agrícola e a agroindústria, na qual esta coordena a atividade daquele. Esse sistema existe na região Sul do Brasil no cultivo de fumo, desde 1918 e é amplamente aplicado na avicultura, suinocultura, lactocultura e atualmente nas redes de supermercados. Apesar de ser praticado tal sistema a longa data, não existe a regulação do contrato Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto / USP Outubro de

3 WATANABE,K. e MASSART,A. de integração no Brasil o que não acontece em países europeus como França, Espanha e Itália. No ano de 1998 foi apresentado o Projeto-Lei n 4.378, que regula as relações jurídicas entre a agroindústria e o produtor rural integrado, entretanto ainda está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Esse projeto merece atenção para que seja melhorado e que possa atender às necessidades das partes envolvidas. Esse trabalho propõe apresentar que os produtos de marca própria resultam de um sistema de integração e que a regulação do contrato de integração é de suma importância. 2-Sistema de integração A integração consiste em um relacionamento contratual, no qual uma parte, a integradora, fornece a matéria-prima, a tecnologia e coordena a atividade da outra, a integrada, que fornece o local e a mão-de-obra. Estabelece-se a parceria entre as partes o que permite o controle quantitativo e qualitativo da matéria-prima, além da garantia de fornecimento. Os sujeitos dessa relação podem ser individuais ou coletivos. No caso dos coletivos seriam os acordos interprofissionais 1 realizados através das associações. O sistema de integração é bastante abrangente nos mais diversos setores da economia e há várias espécies de integração: integração total, integração parcial, quase integração, integração vertical e integração horizontal. A integração total envolve a propriedade total dos ativos, compreendendo a internalização das atividades na esfera de uma única firma. A integração parcial é o sistema que a empresa adota de produzir internamente algumas de suas necessidades e o restante externamente. A quase integração é uma relação entre negócios verticalmente relacionados, mas não possui a propriedade total, ou seja, o ativo não pertence a uma única empresa e situa-se em algum ponto entre os contratos de longo prazo e a propriedade integral. A integração vertical é a combinação de processos de produção, distribuição, vendas e/ou outros processos econômicos tecnologicamente distintos dentro dos limites de uma mesma empresa, ou seja, a decisão de uma empresa utilizar transações internas ou administrativas, ao invés da utilização de transações de mercado para atingir seus objetivos econômicos.(porter, 1991) A integração horizontal se dá quando não é distinta a classe da cadeia produtiva em que a ocorre. É a integração dentro do mesmo setor produtivo; corresponde à coordenação de um grupo de empresários dedicados à mesma atividade para o exercício dela. (CARROZZA; ZELEDÓN, 1990) Na agroindústria é amplamente praticado o sistema de integração vertical do tipo quase integração, que é realizado através da relação entre a agroindústria e o produtor rural ou suas respectivas associações. Essa relação é concretizada através do contrato de integração também denominado contrato agroindustrial. 1 Acordos interprofissionais são acordos coletivos, que operam em vários setores produtivos, estipulados pelos representantes de uma pluralidade de produtores agrícolas, de um lado, e pelas empresas de comercialização e transformação, ou pela associação desses, do outro lado. Na Itália, esse acordo que é normalmente estipulado a nível nacional, mas também a nível regional, tem caráter geral no sentido de prever as condições que serão inseridas nos contratos individuais, às vezes também estabelece o mecanismo de subdivisão da quantidade que deve ser produzida, particularmente quando se opera em regime de quota como no caso da beterraba, o que não acontece com a quota do leite que é administrada pela Política Agrícola (COSTATO,2002). IV Congresso Internacional de Economia e Gestão de Redes Agroalimentares 3

4 BRANDNAMES OF AGRIFOOD PRODUCTS AS A RESULT OF THE VERTICAL INTEGRATION SYSTEM BETWEEN FARMER AND DISTRIBUTOR No Brasil o sistema de integração foi introduzido na cultura de fumo em Na década de 50 foi implantado esse sistema na suinocultura, através do fomento agropecuário pela empresa Sadia, iniciando no Sul do país com a criação da Associação Rural de Concórdia. Foi expandido para a avicultura o que demonstrou grande viabilidade econômica e ser um dos motivos para o sucesso das exportações. Atualmente, o sistema de integração também se encontra no setor de supermercados para os produtos de marca própria. A estrutura de distribuição se modificou e o que era antes uma estrutura extremamente pulverizada, constituída por pontos de venda de pequenas dimensões sob a direção familiar, passou para as grandes redes de mercado ou grande distribuição organizada de forma empresarial. Na Itália, a distribuição de produtos perecíveis realizada pela Distribuição Organizada se realiza em duas fases: a primeira é a relação entre a Central e a Cedis (Central de Distribuição); a segunda é entre a Cedis e os vários pontos de venda. Existe a Grande Distribuição Organizada (G.D.O.) e as Cooperativas que detêm maior poder de negociação em relação ao fornecedor e impõem a própria política de marca e de preço(zolin, 1995/1996). No caso dos produtos agrícolas de marca própria o contrato é pactuado entre o supermercado e o produtor rural, ou através das respectivas associações 2. Trata-se de um sistema de integração, pois o produtor sofre a interferência da distribuidora que estipula a qualidade desejada do produto, a embalagem na qual ele deve ser comercializado, a marca com que o fornecedor-integrado deve identificar o produto e, apesar de não necessariamente fornecer a matéria-prima, é o comercianteintegrador que tem o controle do produto, além de estipular o preço, mesmo havido uma prévia negociação. (WATANABE, 2001) As parcerias são geralmente para trás, ou seja, integração vertical descendente, pois o comerciante tem o objetivo de dominar o fornecimento, implementar padrões de qualidade e regularidade, legislações de segurança e eliminação de custos, para atender às exigências do consumidor que cada vez mais está preocupado com a origem dos alimentos, ou seja, garantia de fornecimento, garantia de qualidade do produto e apropriação de margem superior no sistema. (NEVES; MACHADO, 1996) As vantagens derivadas da integração contratual no setor de distribuição são várias, por exemplo: a) economia de custo, além da empresa comercial se assegurar o abastecimento a preço estável e com continuidade; b) controla a aquisição dos produtos no mercado, reduzindo os custos de contratação com diferentes fornecedores; c) melhora o fluxo de informação entre os produtores e varejistas, que caso contrário seria controlado pelos atacadistas; d) controla a qualidade dos produtos a serem adquiridos. 3-Marca Própria Marca é um sinal que difere o produto de outros semelhantes no mercado. É do interesse do empresário mas também do interesse do consumidor identificar o produto, que uma vez satisfeito o escolherá novamente. Deste modo, a marca pode ser coletora de clientela, pois a colocando em um objeto ou referindo-a a um serviço, ela pode ser memorizada pelo público, o que faz distinguir os produtos e os serviços 2 A contratação através das associações, ou seja, a contratação coletiva se traduz em acordo interprofissional. Na Europa a Associação de Produtores Hortifrutícolas nasceu com o Reg.(CEE) n. 159 de 1966, modificado pelo Reg.(CEE) n de 1972 e em seguida pelo Reg.(CEE) n de 1978, que tem importante tarefa desde a concentração da oferta até o controle de produção e venda dos produtos agrícolas.(zolin, 1995/1996) Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto / USP Outubro de

5 WATANABE,K. e MASSART,A. marcados daqueles que não possuem uma marca e por isso é um sinal distintivo (SENA,2001) Kotler e Scott (1993,p.633) expressam algumas definições-chaves sobre marca: - Marca (brand): nome, termo, símbolo, design, ou uma combinação destes, que objetiva a identificar os bens ou os serviços de uma empresa ou grupo de empresa, que os diferenciam dos concorrentes. - Nome de marca (brand name): é a parte da marca que pode ser vocalizada, ou seja, que pode ser expressa por palavras. Por exemplo: Avon, Fiat, Disneyland, American Express, Olivetti. - Marca comercial (brand mark): a parte da marca que é reconhecível, mas não pronunciável, é um símbolo, um desenho, uma cor, ou um tipo de inscrição característica. Podem ser citados como exemplo o crocodilo da Lacoste e o leão da Metro-Goldwyn-Mayer. - Marca comercial de fábrica (trademark): a marca, ou parte da marca, ao qual se confere proteção legal na qual se confirma a propriedade exclusiva. Uma marca comercial de fábrica tutela o direito exclusivo do vendedor a usar o nome marca ou a marca comercial. - Copyright: O direito legal e exclusivo de reproduzir, publicar e vender a matéria e o artigo de uma obra literária, musical ou artística. Outra distinção de marca é: marca de fábrica e de comércio. A primeira também pode ser denominada de marca de produção e a segunda é o produto distribuído por um intermediário, que na legislação italiana, segundo o artigo 12 da Lei n 929/42 dispõe que o comerciante pode acrescentar sua própria marca, mas não pode suprimir a marca do produtor ou do comerciante de quem adquiriu o produto. Entretanto, isso não acontece na relação entre as grandes distribuições que determinam que o produtor renuncie sua marca e coloque a marca estipulada por elas (RICOLFI, 1999). No Brasil, de acordo com o artigo 11 do Decreto-Lei n 986, de 21 de outubro de 1969, que institui normas básicas sobre rotulagem de alimentos e expressa que o rótulo do produto deve ser especificado de forma legível o nome e/ou marca do alimento; nome do fabricante ou produtor e a sede da fábrica ou local de produção. Portanto, não importa se a marca seja da distribuidora ou do produtor, mas deve especificar quem produz e o local da produção. Na perspectiva dos economistas é analisada a função que a marca desenvolve sobre o mercado. O economista tem como característica de descrever a realidade e não de enunciar regras, ou seja, usa a linguagem descritiva da realidade e não prescritiva do comportamento. Do ponto de vista do ordenamento jurídico é completamente diverso da do econômico, pois não se trata de descrever qual a função que a marca desenvolve sobre o mercado, mas se trata de determinar quais as funções são selecionadas como merecedoras de tutela do sistema jurídico (RICOLFI, 1999). A marca pode agregar valor ao produto e é necessário investimento para o desenvolvimento e divulgação dela. Muitas empresas não têm condições suficientes para desenvolver uma marca e uma das alternativas é produzir produtos com a marca de outra empresa, no caso das redes distribuidoras. Dessa forma podem colocar sua produção no mercado, através dos produtos de marca própria e sem a preocupação de investimentos em marketing. Produtos de marca própria são aqueles que têm sua marca/identidade e distribuição controlada por varejistas, atacadistas, cooperativas de consumo, centrais de compras, importadores, exportadores, ou por qualquer outro distribuidor de bens de consumo, e pertencem a estes distribuidores (Guia ABRAS). Esses produtos já existem há muito tempo e é bastante relevante para a estratégia dos mercados, representando mais de 30 das vendas do varejo alimentar no IV Congresso Internacional de Economia e Gestão de Redes Agroalimentares 5

6 BRANDNAMES OF AGRIFOOD PRODUCTS AS A RESULT OF THE VERTICAL INTEGRATION SYSTEM BETWEEN FARMER AND DISTRIBUTOR Reino Unido e 12,6 nos Estados Unidos da América e, por exemplo do total de vendas de suco de laranja congelado deste país, US$469 milhões, 36 são de marca própria (SOUZA; NEMER, 1993). Na tabela a seguir pode-se verificar a participação geral das marcas próprias na Europa: País Volum e dif. ppx99 Valor dif. PpX99 Reino 44,8-0,6 43,1-0,4 Unido Bélgica 35,9 1,1 26,6 0,5 Alemanha 29,0 1,7 22,5 1,2 França 23,6 1,5 20,1 1,0 Holanda 21,9 0,6 18,6-0,5 Espanha 21,9 2,0 15,7 1,5 Itália 12,6 1,1 10,9 0,9 Fonte: Retail Services ACNielsen Europa Ano Base: 2000 No Brasil, os produtos de marca própria, no ramo de bens duráveis começaram com a Sears, que veio ao país em 1948 e adotou a mesma padronização dos Estados Unidos. No varejo alimentar, a rede de supermercados Paes Mendonça foi a primeira a lançar a marca própria em 1969, e foi seguida pelo grupo Pão de Açúcar em Outras redes de mercados também seguiram o exemplo.(souza; NEMER, 1993) Os produtos alimentares de marca própria incluem os industrializados e naturais. Os naturais podem ser citados como exemplo: ovos que são acondicionados em embalagens com a marca própria; frutas com etiquetas da marca própria etc; os industrializados são os produtos alimentares processados que possuem a marca própria. A natureza das relações entre produtores agrícolas e mercado tem sido mudada nos últimos vinte anos por influência do progresso tecnológico que induz o canal de distribuição a exigir matérias primas sempre melhores qualificadas e padronizadas para oferecer aos consumidores cada vez mais exigentes em relação à qualidade e aos serviços incorporados. (AJELLO, 2000) Por isso a escolha de um fornecedor parceiro é importante para que possa atender às exigências do mercado e em relação aos produtos de marca própria é necessária a parceria de fornecedores que tenham condições de trabalhar para o mercado. 4-Contrato de integração O contrato de integração no setor de produtos agro-alimentares também é denominado de contrato agroindustrial, apesar de ser uma terminologia errada, pois esse contrato também pode ser aplicado em outros setores e não especificamente às agroindústrias, mas também às distribuidoras. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto / USP Outubro de

7 WATANABE,K. e MASSART,A. Na França, após a Segunda Guerra, ocorreu uma lei de orientação agrícola, a Lei n 933 de 1962, que disciplinava a organização interprofissional. Essa lei teve como objetivo adaptar qualitativa e quantitativamente a produção à necessidade do mercado e proteger o produtor agrícola da sua fraqueza de poder contratual em relação ao do empresário comercial, o que fez surgir as bases para a regulação do elemento subjetivo da agriculture contractuelle. (TRAISCI, 1992). Foi o primeiro país a manifestar uma noção do contrato de integração com a Lei n , de 6 de julho de 1964, regulação da agriculture contractuelle, que expressa no título V artigo 17 essa noção sob dois aspectos: a qualidade das partes e o objeto de suas obrigações, que pressupõem um fornecimento recíproco de produtos e serviços entre as partes.(jannarelli, 1981) Essa lei prevê um regime especial de contratação por acordos entre os adquirentes de produção agrícola ou suas organizações e as organizações dos produtores agrícolas, que são acordos interprofissionais, ou os acordos individuais entre os pertencentes às categorias dos produtores agrícolas e dos empresários comerciais, para aquisição dos produtos que poderão ser transformados ou armazenados e sua comercialização pode ser objeto de previsão de longo prazo.(trasci, 1992) O legislador francês de 1964 teve consciência de que o instrumento de tutela do setor agrícola mais eficiente consiste no desenvolvimento e no fortalecimento da contratação coletiva e, por isso, tem o objetivo de incentivar aos produtores a se organizarem em associações, que é o elemento fundamental para a difusão e penetração dos contratos de integração.(trasci, 1992) Na Espanha, a Lei n 29, de 22 de julho de 1972, refere-se aos agrupamentos de produtores agrícolas, de modalidade associativa formados por cooperativas e outras associações, que tem como objetivo se fortalecerem perante as empresas industriais e comerciais. Em 26 de maio de 1982, foi instaurado um regime de negociação coletiva pela Lei n 19, que regula os acordos interprofissionais e os acordos coletivos. (FUENZALIDA, 1990) Essa Lei havia uma excessiva intervenção estatal e por isso inadequada, sendo simplificada pelo Real Decreto 2.556/85, de 27 de dezembro de 1985 e, posteriormente, modificado pelo Real decreto 1.460/90, de 16 de novembro de 1990, para o procedimento especial de homologação de contratos-tipo de produtos não susceptíveis aos da Lei n 19 de Foi aprovada em 30 de dezembro de 1994, a Lei n 39, que regula as organizações interprofissionais agroalimentares.(lozano, 1996) A Lei n 24, de 28 de novembro de 1984 que é a lei de contratos de integração na Catalúnia foi inspirada no esquema do contrato associativo. O legislador espanhol prevê que a integração pode ter dois grupos: a) na forma de colaboração entre agricultura e indústria direcionada à transformação e conservação dos produtos agrícolas, que é regulada pela legislação nacional; b) na forma de colaboração entre agricultura e indústria mais direcionada à produção de vegetais e de animais, que contém a atividade zootécnica e é prevista pela legislação regional da Catalúnia.(SERRANO, 1994) Na Itália, segundo Massart (1990), pode-se dividir o estudo a respeito do contrato de integração em duas fases: a primeira marcada pela obra de Moruzzi no ano de 1962 e a segunda pela de Bivona no ano de A Lei n 88, de 16 de março de 1988, destinada ao contrato agroindustrial possui como títuilo: Normas sobre acordos interprofissionais e sobre contratos de cultivação e venda dos produtos agrícolas. Os acordos interprofissionais representam um instrumento de mediação que os agricultores podem utilizar para negociar em condições mais igualitárias com a contra-parte, geralmente mais forte, representada pela indústria ou empresa de IV Congresso Internacional de Economia e Gestão de Redes Agroalimentares 7

8 BRANDNAMES OF AGRIFOOD PRODUCTS AS A RESULT OF THE VERTICAL INTEGRATION SYSTEM BETWEEN FARMER AND DISTRIBUTOR comercialização, e a intervenção legislativa que regula esses acordos é bastante útil para os produtores agrícolas. A Lei abrange indiretamente os contratos individuais, definidos como contrato de cultivação e venda, que tem como objeto a troca dos produtos agrícolas e que são concluídos entre o produtor individual ou a associação individual e a empresa individual de transformação e comercialização, mas pressupõe a existência do acordo nacional e do acordo interprofissional estipulado a nível nacional, ou somente na zona onde as empresas consideradas exercem suas atividades.(russo,1989) Porru (1990) expressa que para serem protegidos por essa Lei, os produtores agrícolas devem se associar às organizações que estipulam o acordo interprofissional a que o contrato se refere, portanto, outros contratos poderão apenas fazer parte da categoria econômica da integração vertical, apesar de serem eficazes e válidos, mas não farão parte da categoria prevista nessa Lei. Todas as Leis acima mencionadas tratam primeiramente dos acordos interprofissionais, pois é necessária a organização dos produtores para poder definir os programas comuns de produção, os de comercialização e deste modo conseguirem um equilíbrio entre a oferta e demanda. 5-Projeto-Lei 4.378, de 1998 O Brasil, diferentemente de alguns países europeus, ainda não possui a regulação dos contratos de integração. Entretanto, foi apresentado pelos deputados Milton Mendes e João Cóser em 07 de abril de 1998 o Projeto de Lei n 4.378, que tem como objetivo a regulação das relações jurídicas entre a agroindústria 3 e os produtores rurais integrados 4. Mas não se trata de acordos interprofissionais como as leis já citadas, porque no Brasil, apesar das relações poderem ser de forma coletiva, podem também ser diretamente com produtores individuais, o que não implica que sejam associados, o que os desfavorece bastante pela sua posição econômica e diminui o poder de negociação. O projeto apresentado definiu obrigações da indústria e os direitos do produtor integrado e para a resolução de divergências entre as partes contratantes o projeto prevê a criação de comissões municipais que teriam entre suas atribuições a arbitragem dos conflitos. Também equiparou os comerciantes e exportadores à agroindústria, desse modo o contrato de marca própria também faz parte dele. A justificativa oferecida pelos autores é a necessidade de uma legislação que seja capaz de regular procedimentos e relações de natureza comercial e trabalhista que vêm sendo realizadas no Brasil e no mundo devido às evoluções econômicas e 3 A agroindústria foi definida como : a empresa que beneficia ou industrializa produtos de origem agropecuária. Mas na alteração do projeto apresentada pelo deputado relator Telmo Kirst, definiu a agroindústria como: a empresa, inclusive cooperativas, que beneficia ou industrializa bens de origem vegetal ou animal. 4 O primeiro projeto apresentado referiu o produtor rural integrado como: aquele que, de forma individual ou associativa, mediante contrato, assume etapa do processo produtivo determinado pela agroindústria. Na alteração do projeto apresentada pelo deputado relator Clementino Coelho, definiu o produtor rural integrado como: aquele que na condição de produtor agropecuário, extrativista vegetal ou pescador, atuando individual ou coletivamente, realiza etapa de processo de produção empreendido por agroindústria. Na alteração do projeto apresentada pelo deputado relator Telmo Kirst, definiu o produtor rural integrado como: pessoa física, de forma individual ou coletiva, inclusive em regime de economia familiar, com ou sem cooperação laboral de prepostos, ou pessoa jurídica que, mediante contrato de produção integrada, assume determinada etapa do processo produtivo com a agroindústria. Vale salientar que nesse projeto refere-se ao produtor rural que é mais abrangente que o produtor agrícola. Segundo Silva, o termo rural vem do latim ruralis, de rus (campo), é empregado para designar ou referir a tudo que pertence ao campo; agrícola é usado para indicar tudo o que provém da agricultura. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto / USP Outubro de

9 WATANABE,K. e MASSART,A. tecnológicas. São relações de parceria enquadradas atualmente com base no Estatuto da Terra, de Entretanto, este não definiu o contrato de integração o que mostra a necessidade de atualização legislativa. Para opinar sobre o mérito, o projeto foi distribuído à Comissão de Economia, Indústria e Comércio, depois à Comissão de Agricultura e Política Rural e à Comissão de Constituição e Justiça e de Redação para a análise de que trata o art. 54 do regimento Interno. Na primeira Comissão, o Deputado Relator Clementino Coelho apresentou emenda que propõe a instituição de comissões de arbitragem a que as partes se submeteriam, que são diferentes das comissões apresentadas no projeto de 07 de abril de Esse projeto foi favorável com essa alteração na data de 27 de outubro de Em seguida o projeto foi remetido à Comissão de Agricultura e Política Rural, que foi aprovado nos termos de um segundo substitutivo apresentado pelo Deputado Relator Telmo Kirst, no dia 12 de setembro de Ficou definido o seguinte: a) a atividade de produção integrada não gera vínculo empregatício com a agroindústria nem há a obrigação de natureza previdenciária decorrente de solidariedade em relação às obrigações sociais do produtor rural integrado; b) os produtores rurais integrados deverão usar produtos e orientações técnicas recomendados pela agroindústria, mas que sejam permitidos pelas autoridades ambientais, e também atenderão as recomendações de segurança quanto à utilização de equipamentos de proteção individual no manejo de agrotóxicos e ao uso de medicamentos e insumos que possam causar danos à saúde, de acordo com a recomendação dos fabricantes; c) o prazo de vigência, extinção e penalidades são de livre acordo entre as partes, aplicando-se subsidiariamente, no que couber, as disposições do Código Civil Brasileiro; d) se ocorrer a concordata ou falência da agroindústria, poderá o produtor rural integrado pleitear a restituição dos bens desenvolvidos até o valor de seu crédito ou requerer a qualificação de seus créditos com privilégio especial sobre os bens desenvolvidos e, na falta destes, o privilégio alcançará as máquinas e equipamentos utilizados pela agroindústria; e) todos os bens remetidos pela agroindústria para o produtor rural integrado pertencem à agroindústria; f) os acordos realizados antes desta lei, que tenham o sentido da produção integrada, serão regidos por esta lei. No dia 13 de setembro de 2001, esse projeto foi encaminhado com a alteração realizada pelo Deputado Relator Telmo Kirst para a Comissão de Constituição e Justiça e de Redação. No dia 06 de novembro de 2002 foi aprovado por unanimidade o parecer por essa Comissão e encaminhado no dia 13 de novembro de 2002 à Coordenação de Comissões Permanentes. No dia 21 de novembro de 2002 foi comunicado que o projeto recebeu pareceres divergentes da Comissão de mérito e não foi aprovado. Enquanto não ocorre a sua aprovação é interessante levar em consideração: a) o prazo de vigência do contrato para que seja suficiente para amortizar os investimentos realizados pelo produtor integrado; b) a formação de organização dos produtores integrados para que possam se fortalecer perante as agroindústrias ou comerciantes integradores; c) as leis de contratos de integração realizados em alguns países europeus; d) o contrato de marca própria como parte desse Projeto de Lei. 6-Conclusão O sistema de integração pode ser adotado nos mais diversos setores da economia e classificado em várias espécies. Uma das espécies se dá através dos contratos IV Congresso Internacional de Economia e Gestão de Redes Agroalimentares 9

10 BRANDNAMES OF AGRIFOOD PRODUCTS AS A RESULT OF THE VERTICAL INTEGRATION SYSTEM BETWEEN FARMER AND DISTRIBUTOR agroindustriais, que é a relação entre o produtor rural e a agroindústria, ou entre as suas respectivas associações. Outra aplicação do sistema de integração é a relação entre o produtor rural e as redes de distribuição, através do contrato de marca própria. A classificação deste contrato pode, por analogia, ser contrato agroindustrial e a denominação mais adequada seria contrato agocomercial. Entretanto, caso não possa ser usado o contrato agroindustrial para tipificar tal relação é mister uma avaliação, que servira como base no contrato de marca própria, o que não significa criar nova figura de contrato, mas de inseri-lo nas figuras já existentes. Esses contratos não têm uma regulação como acontece nos países europeus: França, Espanha e Itália. Mas antes da regulação é necessária a organização dos produtores agrícolas, como ocorreu nesses países europeus, através dos acordos interprofissionais para a realização do contrato de integração. De nada adianta a regulação desse contrato sem uma organização dos produtores agrícolas, porque dessa forma continuará o desequilíbrio de forças entre a demanda e a oferta. No contrato de marca própria, por exemplo, se alguns fornecedores não aceitam os abusos da distribuidora, outros não fazem o mesmo o que dificulta atingir o ideal de Justiça. Por isso, a necessidade de uma conscientização, uma organização e união da classe a que pertencem. Com a evolução econômica e o dinamismo da sociedade novos contratos surgirão, o que é impossível para o legislador prever todos os seus tipos, mas o Código Civil Brasileiro de 2002 faculta a liberdade contratual, desde que sejam nos limites da função social, além de estarem presentes os princípios da boa-fé. Os contratos de integração já são amplamente praticados, e de acordo com os êxitos alcançados, a sua institucionalização será de suma importância, seja em forma unitários ou estabelecidos em diferentes regimes jurídicos, segundo as necessidades próprias de cada atividade, não só como um instrumento na economia ou para dar vida às formas contratuais consuetudinárias. Agricultura no momento atual requer de instrumentos sólidos que superem a sua concepção tradicional e a levem ao progresso. O Projeto de Lei n 4.378/98 do Brasil foi o primeiro passo para a regulação das relações jurídicas entre a agroindústria e os produtores rurais integrados e uma vez aprovado, que seja eficiente para amparar a parte hipossuficiente da relação agroindustrial ou agrocomercial. Bibliografia -AJELLO, Carlo. L economia contrattuale in agricoltura: vantaggi e convenienze reciproche. In:Agricoltura e Diritto. Scritti in onore di Emilio Romagnoli.Milano:Giuffrè, v.1, BIVONA, Giuseppe. I contratti d integrazione verticale in agricoltura. Milano: Giuffrè, CARROZZA, Antonio; ZELEDÓN, Ricardo Zeledón. Teoría general e institutos de derecho agrario. Buenos Aires: Astrea, COSTATO, Luigi. Compendio di Diritto Alimentare.Padova: CEDAM, FUENZALIDA, Carlos Vattier. Los contratos agroindustriales en el derecho español. In: MASSART Alfredo (Org.). Accordi interprofessionali e contratti agroindustriali. Problemi di inquadramento giuridico. Pisa: ETS, KOTLER, Philip; SCOTT, Walter G. Marketing management. Analisi, pianificazione, attuazione e controllo. 7 ª ed. S.l.:Prentice Hall International, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto / USP Outubro de

11 WATANABE,K. e MASSART,A. -LOZANO, José Ma. Caballero. Los contratos agroindustriales en la experiencia española: el problema de su naturaleza juridica. Rivista di Diritto Agrario. Milano: Giuffrè, anno 75, p , MASSART, Alfredo. Spunti di riflessione in tema di contratti agro-industriale. In:. Accordi interprofessionali e contratti agroindustriali. Problemi di inquadramento giuridico. Pisa: ETS, MORUZZI, Luigi. Profili della vendita di prodotti agricoli com prezzo a riferimento e contratti di integrazione verticale. Milano: Giuffrè, NEVES, Marcos Fava; MACHADO FILHO, Cláudio P. A distribuição varejista de alimentos na Europa. In: Agribusiness europeu. São Paulo: Pioneira, PORRU, Paola. Riflessioni sulla causa dei contratti agro-industriali. In: MASSART Alfredo (Org.). Accordi interprofessionali e contratti agroindustriali. Problemi di inquadramento giuridico. Pisa: ETS, PORTER, Michael E. Estratégia competitiva. Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Tradução de Elizabeth Maria de Pinho Braga. 5. ed. Rio de Janeiro: Campus, RICOLFI, Marco. I segni distintivi. Diritto interno e comunitario. Torino: G.Giappichelli, RUSSO, Luigi. Gli accordi interprofessionali e i contratti di coltivazione e vendita nella legge n. 88 del Rivista di Diritto Agrario. Milano: Giuffrè, anno 68, p , SENA, Giuseppe. Il nuovo diritto dei marchi. Marchio nazionale e marchio comunitario. Milano: Giuffrè, SERRANO, Agustin Luna. Il rapporto fra agricoltura ed industria. In: ATTI DEL CONVEGNO ENRICO BASSANELLI. GLI ATTUALI CONFINI DEL DIRITTO AGRARIO, 1994,Firenze. p.133 -SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico.19 ª ed. Rio de Janeiro: Forense, SOUZA, Marcos Gouvêa de; NEMER, Artur. Marca e distribuição. Desenvolvendo denominação estratégica e vantagem competitiva no mercado global. São Paulo: Makron Books do Brasil, TRAISCI, Francesco Paolo. I contratti di integrazione verticale in agricoltura in Francia, Germania e Italia. Rivista di Diritto Agrario. Milano: Giuffrè, anno 71, p , WATANABE, Kassia. Natureza jurídica do contrato de integração e sua importância no agribusiness. Trabalho de especialização. Istituto di Diritto Agrario Internazionale e Comparato (IDAIC). Firenze, ZOLIN, Maria Bruna. Integrazione tra moderna distribuizione e azienda agrícola ortofrutticola. Rivista Agribusiness, Management & Ambiente. Udine: CISAPA, anno 1, p.24-34, 1995/1996. Revista Guia ABRAS de marcas próprias. Mercado, marketing, fornecedor, qualidade. Princípios gerais. ABRAS (Associação brasileira de supermercados) Site internet BRASIL. Projeto-lei n 4.378, de 07 de abril de Regula as relações jurídicas entre a agroindústria e o produtor rural integrado e dá outras providências. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/internet/sileg/prop_detalhe.asp?id=20847 >. Acesso em: 05 junho IV Congresso Internacional de Economia e Gestão de Redes Agroalimentares 11

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