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1 Revista da ABRALIN Associação Brasileira de Linguística

2 R454 Revista da Abralin / Associação Brasileira de Linguística. Vol. I, n. 1 (junho 2002) -. - São Carlos, SP: UFSCar, Volume XIII, n.2 (jul./dez. 2014) Semestral ISSN Linguística - Periódicos. 2. Gramática comparada e geral. 3. Palavra - Linguística. I. Universidade Federal de São Carlos. II. Associação Brasileira de Linguística. III. Título. Bibliotecário: Arthur Leitis Junior - CRB 9/1548 CDD: 415

3 Revista da ABRALIN Associação Brasileira de Linguística ISSN Revista da ABRALIN Volume XIII Número 2 Jul./Dez. de 2014

4 Revista da ABRALIN Associação Brasileira de Linguística Aryon Dall'Igna Rodrigues (UnB) Bruna Franchetto (UFRJ/Museu Nacional) Carlos Alberto Faraco (UFPR) Cesar Augusto Mortari (UFSC) Charlotte Marie C. Galves (Unicamp) Daniel Vanderveken (Quebéc Trois-Rivières) Dermerval da Hora (UFPb) Didier Sheila Jean Marie Demolin (USP) Dino Preti (USP) Eduardo Roberto J. Guimarães (UNICAMP) Eleonora Cavalcante Albano (IEL-Unicamp) Elza Gomez-Imbert (Université de Toulouse) Emilio Bonvini (CNRS-LLACAN-Paris) Eni de Lourdes P. Orlandi (IEL-Unicamp) Esmeralda Negrão (USP) Fábio Alves (UFMG) Gessiane Picanço (UFPará) Gillian Sankoff (University of Pennsylvania) Gregory Guy (York University) Ida Lúcia Machado (UFMG) Ieda Maria Alves (USP) Ilza Maria de Oliveira Ribeiro (UFBA) Ingedore Grunfeld Villaça Koch (Unicamp) Ingrid Finger (UFRGS) Ivone Panhoca (PUCCAMP) Kazué Saito Monteiro de Barros (UFPe) Laura Álvarez (ISPLA - Univ. de Estocolmo) Leda Bisol (PUC-RS) Leonor Scliar-Cabral (UFSC) Letícia Maria Sicuro Corrêa (PUC-RIO) Conselho Editoral Lorenzo Teixeira Vitral (UFMG) Luiz Carlos Cagliari (Unesp Araraquara) Luiz Carlos Travaglia (UFU) Luiz Marcuschi (UFPE) Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ) Maralice de Souza Neves (UFMG) Márcia Cançado (UFMG) Marcus A. Rezende Maia (UFRJ/Mus. Nac) Margarida Basílio (PUC - Rio) Maria Aparecida Torres Morais (USP) Maria Bernardete Abaurre (Unicamp) Maria Carlota do Amaral Rosa (UFRJ) Maria da Graça Krieger (Unisinos) Maria Eugênia Lamoglia Duarte (UFRJ) Maria Helena Mira Mateus (Univ. de Lisboa) Maria Helena M. Neves (Unesp-Araraquara) Maria Izabel Magalhães (UNB) Maria Luiza Braga (UFRJ) Maria Manoliu (UC-Davis) Maria Marta Pereira Scherre (UnB) Maximiliano Guimarães (UFPR) Oswald Ducrot (EHESS - Paris) Palmira Marrafa (Univ. de Lisboa) Rosane de Andrade Berlinck (Unesp) Ruth Elisabeth V. Lopes (Unicamp) Sérgio Moura Menuzzi (UFRGS) Teresa Cristina Wachowicz (UFPR) Tereza Cabré (Universidade de Barcelona) Thaís Cristófaro Silva (UFMG) Vanderci Aguilera (UEL) Revisão e Normalização de Textos Roberto Leiser Baronas Capa e Projeto Gráfico - Lúcio Baggio Formatação - Patricia Mabel Kelly Ramos Editor Chefe Roberto Leiser Baronas UFSCar Comitê Editoral Editor Adjunto Teresa Cristina Wachowicz UFPR Editor Adjunto e Representante junto ao SER-UFPR Luiz Arthur Pagani - UFPR Universidade Federal de São Carlos UFSCar Campus São Carlos Rodovia Washington Luís, km SP 310 São Carlos SP Brasil / CEP: Telefone: +55 (16) (Departamento de Letras) Fax: +55 (16)

5 Apresentação O presente volume especial da Revista da Abralin, sobre o tema Sintaxe Experimental, apresenta 12 artigos inéditos de pesquisadores brasileiros e internacionais, explorando questões gramaticais através de experimentos. Embora o termo Sintaxe Experimental tenha sido utilizado pela primeira vez em COWART (1997), que discute os problemas no uso do método informal de julgamentos de gramaticalidade, em Sintaxe, propondo a adoção de metodologia experimental mais rigorosa na obtenção dos julgamentos, mais recentemente, o termo vem sendo utilizado com um escopo metodologicamente mais abrangente. Atemonos, nos limites desta apresentação, a uma única referência recente, SPROUSE & HORNSTEIN (2013), um livro intitulado Experimental Syntax and Island Effects, que reune uma coletânea de artigos estudando um fenômeno central na teoria gramatical as ilhas sintáticas, em que se reportam, além do método de julgamento de gramaticalidade controlado, o uso de métodos psicolinguísticos, tais como a leitura automonitorada, o rastreamento ocular, o priming intermodal, bem como de métodos eletrofisiológicos. A investigação de questões gramaticais através de angulações metodológicas tão diversas, na aferição dos mecanismos cognitivos que dão lugar aos chamados efeitos de ilha, traz contribuições significativas não só para a compreensão desse fenômeno gramatical específico, mas também tem repercussões importantes para a dinâmica das relações entre a linguística e a psicolinguística, como reconhecem os autores. O presente volume temático da Revista da Abralin procura contribuir substantivamente para este debate corrente, reunindo artigos em que diferentes questões diretamente relevantes para teorias gramaticais, tais como movimento de QU, ilhas-qu, orações relativas, a teoria dos papéis temáticos, concordância gramatical, infinitivos flexionados, particípios e estrutura argumental de verbos, princípios da Teoria da Ligação, topicalização, resultativos, sintagmas preposicionais

6 coordenados e encaixados, quantificação, palavras compostas, discurso direto e reportado, são exploradas em estudos que investigam aspectos de sua compreensão, produção, aquisição como L1 ou como L2, através de metodologias diversas, produzindo resultados off-line e/ou on-line, tais como a produção eliciada, a leitura e a audição automonitoradas, o paradigma wug, o rastreamento ocular da leitura, o julgamento controlado de aceitabilidade, o monitoramento do olhar preferencial, a seleção e o julgamento de compatibilidade e do valor de verdade de figuras em relação a frases orais, a técnica de actout com objetos, a magnetoencefalografia. Os quatro primeiros artigos do volume reportam estudos experimentais, discutindo-os no quadro mais amplo da dinâmica das relações entre a linguística teórica e a psicolinguística. O artigo de CORREA, Relação sintaxe experimental - psicolinguística experimental para além da metodologia, fundamenta-se na conceituação clássica da nova disciplina da Sintaxe Experimental, em que tarefas de decisão categórica ou escalar sobre a gramaticalidade de frases produzem resultados em que o foco não recai sobre os processos que estão sendo investigados, embora seu resultado seja informativo em relação a estes. O artigo revê, inicialmente, o histórico das relações entre os empreendimentos de pesquisa gramatical teórica e psicolinguística, propondo de maneira interessante que, em contraste com os primeiros estudos experimentais em processamento, que eram alimentados por conceitos gramaticais, hoje, é a área de processamento que fornece aos estudos gramaticais, os métodos e técnicas experimentais, mantendo-se a dicotomia tradicional competência/desempenho. O estudo reporta um experimento de produção eliciada de orações relativas, realizado com falantes adultos de português brasileiro, para demonstrar diferenças relevantes entre gramaticalidade e aceitabilidade, relacionadas, respectivamente, ao produto de respostas categóricas e ao papel de fatores de processamento, para além desse produto. A autora argumenta que tal divisão de tarefas

7 forneceria o quadro adequado para um diálogo profícuo entre linguistas e psicolinguistas. O artigo de ALMEIDA, Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the consequences for syntactic theory, propõe o interessante conceito de ilhas subliminares, casos em que, embora se perceba efeitos sutis na extração de constituintes em construções com ilhas sintáticas, tais efeitos, no entanto, não geram inaceitabilidade categórica. Em 3 subexperimentos de avaliação da aceitabilidade de frases em uma escala de 7 pontos, realizados comparativamente entre falantes de inglês e de português, o autor investigou a gradiência na aceitabilidade de três tipos de construções: ilhas-qu (wh-island), topicalização e deslocamento para a esquerda. Esta tarefa de julgamento escalar, com maior granularidade do que a tarefa de julgamento de gramaticalidade categórica geralmente usada pelos estudos teóricos, permite ao autor demonstrar sensibilidade a ilhas-qu tanto em português brasileiro, quanto em inglês, fundamentando uma discussão que tem consequências importantes para a teoria gramatical e para teorias que procuram reduzir os efeitos de ilha ao processamento. O terceiro artigo no presente volume, em que se procura explorar as relações epistemológicas entre a linguística teórica, a sintaxe experimental e o processamento de frases é o de MAIA, intitulado, justamente, Teoria gramatical, sintaxe experimental e processamento de frases: explorando efeitos do antecedente e da lacuna ativos. MAIA procura colocar em questão o equacionamento da relação entre as disciplinas Sintaxe Experimental e Processamento de Frases, em termos da dicotomia metodológica online vs. off-line, propondo que a primeira desenvolva investigação tanto off-line quanto on-line da computação da gramática no processamento, abstraindo-a, no entanto, de fatores mnemônicos, atencionais e de incerteza e profundidade de análise, que estariam no escopo da área do Processamento de Frases. Reportando um experimento de leitura automonitorada em que se investiga o processamento do efeito da lacuna preenchida em construções com interrogativas-qu em português

8 brasileiro, MAIA procura discutir a interação dinâmica entre a teoria gramatical, a sintaxe experimental e o processamento de frases, na descoberta de um efeito de processamento não previsto inicialmente pela teoria gramatical uma discrepância entre a atribuição e a busca de papel temático. Em Extraordinary claims require extraordinary evidence (and ordinary ones require ordinary evidence): On experimental linguistics for less well studied languages, Sauerland traz para a discussão da relação entre o método de gabinete da linguística teórica e os métodos quantitativos da psicolinguística experimental, considerações sobre o método de trabalho de campo, característico do estudo de línguas indígenas, geralmente pouco documentadas, insuficientemente analisadas e em perigo de desaparecimento. O texto parte de um princípio baseado no senso comum, proposto pelo astrofísico Carl Sagan: propostas extraordinárias exigem evidências extraordinárias, tendo como corolário a afirmação que vai entre parêntese no título do artigo: propostas comuns, não extraordinárias, requerem evidências igualmente comuns, não extraordinárias. Sauerland revê criticamente os limites e os alcances dessas metodologias em termos de sua relevância e de seu custo e benefício, concluindo com uma reflexão sobre a propriedade de se realizarem experimentos psicolinguísticos junto a falantes de línguas indígenas. Os dois artigos que se seguem exploram propriedades sintáticas do português brasileiro (PB) e do português europeu (PE), respectivamente, usando tanto metodologias experimentais off-line (julgamento de gramaticalidade), quanto on-line (audição automonitorada em PB e leitura automonitorada, em PE), para propor análises de impacto descritivo e teórico. O artigo de KENEDY, O status tipológico das construções de tópico no português brasileiro: uma abordagem experimental, revisa, inicialmente, estudos que analisam o PB como língua com predominância de tópico, baseados em evidências de corpora ou de julgamentos informais de

9 gramaticalidade para, então, relatar dois experimentos psicolinguísticos, com base nos quais, argumenta ser o PB uma língua de predominância de sujeito. O primeiro experimento coletou de forma controlada, em um design fatorial 2x2, julgamentos de aceitabilidade de frases contendo referentes em posição de sujeito ou de tópico que podiam ser retomados por anáforas nulas ou pronominais. Para tornar a tarefa mais natural, o autor incluiu, além das frases, ilustrações que forneciam um contexto visual contribuindo para o seu licenciamento discursivo. O segundo experimento, de audição automonitorada, obteve tempos médios de audição significativamente mais elevados em segmentos críticos de construções em que DPs são integrados a VPs, em construções do tipo tópico/comentário, do que em construções do tipo sujeito/predicado. Com base nesses resultados, o autor argumenta que o default na competência sintática dos brasileiros seja a estrutura canônica sujeito > predicado, encontrando-se o DP sujeito no domínio do TP. O artigo de BARBOSA & FREIRE, A case of variable impoverishment in European Portuguese, investiga um caso de concordância verbal variável, em construções com o infinitivo flexionado e com o futuro do subjuntivo, que ocorre em português europeu, em região no norte de Portugal. Os resultados obtidos em um experimento de julgamento controlado de gramaticalidade e em um experimento de leitura automonitorada indicam que o fenômeno se restringe a morfemas de concordância positivamente especificados para o traço Número, não afetando o traço Pessoa. Com base nos resultados obtidos, as autoras concluem que o nivelamento da concordância não seria puramente sintático e desenvolvem análise do fenômeno em termos de uma regra de empobrecimento (impoverishment) pós-sintática, no quadro da Morfologia Distribuída. O artigo de NEVINS & RODRIGUES, Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure, também desenvolve análises de impacto teórico, com base em experimentação psicolinguística de dados do PB. Utilizando o paradigma wug, em que pseudo-verbos em forma infinitiva

10 eram introduzidos em contextos monotransitivos ou ditransitivos prévios, para terem formas participiais curtas e longas escolhidas em frases subsequentes, pelos quase 100 sujeitos que completaram o teste em plataforma na internet, os autores buscaram evitar efeitos de frequência, de congelamento de uso ou de influência da gramática tradicional. Analisando os resultados de seu primeiro teste, NEVINS E RODRIGUES puderam estabelecer um ranqueamento significativo entre verbos inacusativos, ditransitivos e psicológicos no sentido de uma preferência decrescente pelo uso do particípio curto, atemático. Os autores correlacionam esta preferência à complexidade estrutural dos três tipos de verbos: inacusativos não incluiriam o vezinho (little v) em sua configuração sintática; ditransitivos, por outro lado, teriam o vezinho, enquanto que os verbos psicológicos teriam vezinho + causador (causer). Estabelecendo esta correlação entre a maior complexidade estrutural e a maior preferência pela forma participial longa, os autores argumentam em favor de teorias que propõem que a marcação morfológica reflete a estrutura sintática. Um segundo experimento wug é, então, concebido e aplicado, para distinguir, na classe dos verbos psicológicos, aqueles que projetam seu experienciador em posição de argumento externo daqueles que projetam seu experienciador em posição de argumento interno. Os resultados dos 36 sujeitos que completaram o teste na plataforma na internet, não permitem que se estabeleçam diferenças entre os dois tipos de verbos psicológicos, o que é interpretado pelos autores como ratificando a sua hipótese inicial, uma vez que os dois tipos de verbos psicológicos teriam configuração estrutural de complexidade equivalente. O artigo que se segue, de GARCIA, intitulado Decomposição e recomposição no reconhecimento visual de palavras compostas: evidências em magnetoencefalografia, também subscreve proposta de sintaticização da morfologia. Após comparar os modelos teóricos lexicalista (minimalismo) não-lexicalista (Morfologia Distribuída), a autora faz uma breve apresentação da área de processamento de palavras, em que revê alguns dos principais

11 modelos propostos na literatura psicolinguística, para concentrar-se na investigação do papel da morfologia no reconhecimento de palavras, contrastando a esse respeito os modelos decomposicionais com os modelos composicionais e composicionais tardios. GARCIA resenha, então, alguns estudos em que a recuperabilidade do sentido dos morfemas constituintes no âmbito do sentido da palavra inteira é demonstrado, principalmente, através das técnicas de priming encoberto (masked priming) e de rastreamento ocular. Avaliando que os resultados desses estudos indicam, consistentemente, a existência de um estágio de decomposição inicial, que não seria semanticamente condicionado, a autora introduz o estudo desenvolvido em sua tese de doutorado, que visa, justamente, analisar esse estágio mais tardio do reconhecimento lexical, em que o sentido complexo da palavra seria ativado. Realizando estudo de palavras compostas em inglês através da técnica de magnetoencefalografia (MEG), a autora estabelece um componente de MEG, o Campo Medial Anterior (AMF) como medida dependente para essa atividade combinatória a posteriori, em que o sentido da palavra é ativado. O artigo Evidências experimentais do processamento da correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro, de LEITÃO, OLIVEIRA, TEIXEIRA, FERRARI NETO E BRITO, revê a literatura sobre a atuação dos Princípios da Teoria da Ligação durante o processamento da correferência e apresenta um estudo inédito de rastreamento ocular, realizado pelos autores para investigar o Princípio A, em português brasileiro. O experimento replica estudo anterior usando a técnica de leitura automonitorada, o que é justificado pelos autores pelo fato de que, ao contrário da técnica de leitura automonitorada, a técnica de rastreamento ocular teria granularidade suficiente para evidenciar a presença de dois estágios de atuação do Princípio A, Bonding e Resolution, assim como já demonstrado para o inglês, na literatura anteriormente revista. O primeiro estágio seria de atuação imediata, estabelecendo a correferência nos termos de localidade do Princípio A e bloqueando

12 os antecedentes indisponíveis, que poderiam influenciar a correferência apenas no segundo estágio, de resolução, por influência de fatores semântico-pragmáticos. Ao contrário do que se obteve em estudos sobre reflexivos em inglês, no entanto, o estudo de rastreamento ocular sobre o PB não evidenciou efeitos dos antecedentes indisponíveis na resolução anafórica de a si mesmo(a) em nenhum momento do processamento correferencial, assim como já obtido no estudo de leitura automonitorada. Os dois artigos seguintes apresentam, ambos, medidas off-line obtidas em testes conjugando input auditivo com imagens, para investigar a aquisição de construções gramaticais do português como primeira língua, por crianças brasileiras. Em The acquisition of coordination and recursion of PPs: how to fare the development of these computations?, FRANÇA, DE CARVALHO, LAGE e PINTO comparam a aquisição de sintagmas preposicionais coordenados e encaixados recursivamente por crianças de três e de quatro anos. As crianças ouviam frases em que os sintagmas preposicionais podiam estar encaixados recursivamente ou coordenados, controlando-se também o número de encaixes e de itens coordenados, que podia ser 2 ou 3. Simultaneamente ao input auditivo, apresentavam-se duas imagens, lado a lado, em uma tela de computador, sendo uma das imagens associada à representação coordenada e a outra, à representação de encaixe recursivo. A tarefa solicitada às crianças era a de apontar a imagem que melhor correspondia à frase ouvida, filmandose as respostas. A computação dos resultados demonstrou que tanto as crianças de 3 anos, quanto as crianças de 4 anos, exibem comportamento que indica terem a representação coordenada disponível. Entretanto, apenas as crianças de 4 anos apontaram corretamente, de modo estatisticamente significativo, as imagens de encaixe recursivo, ao ouvir as frases de encaixe recursivo, não havendo, no entanto, o número de camadas de encaixe (2 ou 3), produzido diferenças significativas. Baseados nesses padrões de resultados, os autores concluem que a idade

13 de 4 anos seria o momento em que a representação de encaixe recursivo de PPs se torna disponível para as crianças adquirindo PB. LOPES apresenta no artigo How Children Distribute: The Acquisition of the Universal Quantifier in Brazilian Portuguese, os resultados de três testes com crianças entre 3 e 6 anos, envolvendo a apresentação oral de frases em conjugação à apresentação de figuras. O objetivo do estudo foi, principalmente, o de testar a hipótese de que a marcação morfológica da concordância nominal no quantificador universal tod-, inexistente em seu correspondente em inglês, forneceria pista morfológica que permitiria às crianças brasileiras quantificar sobre indivíduos, exibindo comportamento adulto diretamente, sem passar pela fase de quantificação sobre eventos, que se observa em crianças falantes de inglês. Após comprovar sua hipótese, LOPES aplica um quarto experimento em que crianças de 5 a 6 anos eram solicitadas a representar sentenças auditivas, com leitura distributiva ou coletiva, usando objetos. Os resultados indicaram uma preferência significativa pela leitura distributiva, independentemente da marcação morfológica dos DPs. Embora reconhecendo que os resultados do seu quarto experimento possam levantar questões sobre os resultados obtidos para o grupo etário na faixa de 5 a 6 anos no seu segundo experimento, a autora conclui que as pistas de concordância presentes na gramática do PB aduzem, de modo geral, evidências em favor da teoria da competência plena (full competence), que postula que as crianças interpretam, desde o início, os quantificadores como o fazem os adultos, quantificando sobre indivíduos e não sobre eventos. O artigo que encerra o volume, The learnability of the resultative construction in English L2: a comparative study of two forms of the acceptability judgment task, de SOUZA & OLIVEIRA, trata da aprendizibilidade de construções resultativas por falantes bilíngues de português e de inglês. Além de fazer uma revisão substancial das construções resultativas, o estudo traz uma contribuição metodológica importante, aferindo

14 comparativamente duas formas da tarefa de julgamento de aceitabilidade, de uso tradicional em Sintaxe Experimental, uma baseada na escala Likert e outra em estimativas de magnitude. A questão gramatical que serve de base para a discussão metodológica que é o foco do artigo é a construção resultativa que, licenciada em inglês, assim como a construção depictiva (e.g. John tore the package open/john arrived at the meeting late), pode ser de aquisição problemática para aprendizes L2 desta língua que têm L1 que, como o português, apenas licenciariam plenamente construções depictivas (João chegou à reunião atrasado/ *João rasgou o pacote aberto). Após mapear as diferenças entre as resultativas nas duas línguas, SOUZA & OLIVEIRA colocam em exame como seriam a aceitabilidade e a aprendizagem das resultativas em inglês por falantes de português L1, através, exatamente, das duas tarefas de julgamento mencionadas acima. Como demonstrado cuidadosamente no artigo, os resultados obtidos indicam que o paradigma baseado na escala Likert parece permitir uma captura da gradiência da aceitabilidade mais poderosa do que aquela obtida pelo paradigma de estimativa de magnitude. Marcus Maia (UFRJ/CNPq)

15 SUMÁRIO ARTIGOS RELAÇÃO SINTAXE EXPERIMENTAL - PSICOLINGUÍSTICA EXPERIMENTAL PARA ALÉM DA METODOLOGIA Letícia M. Sicuro Corrêa - Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio/CNPq)) SUBLIMINAL WH-ISLANDS IN BRAZILIAN PORTUGUESE AND THE CONSEQUENCES FOR SYNTACTIC THEORY...55 Diogo Almeida - (NYU -Abu Dhabi) TEORIA GRAMATICAL, SINTAXE EXPERIMENTAL E PROCESSAMENTO DE FRASE: EXPLORANDO OS EFEITOS DO ANTECEDENTE E DA LACUNA ATIVOS...95 Marcus Maia - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/CNPq) Extraordinary claims require extraordinary evidence (and ordinary ones require ordinary evidence): On experimental linguistics for less well studied languages Uli Sauerland - (ZAS/Berlin) O status tipológico das construções de tópico no português brasileiro: uma abordagem experimental Eduardo Kenedy- Universidade Federal Fluminense (UFF) A case of variable impoverishment in European Portuguese Pilar Barbosa &Telma Freire - Universidade do Minho - CEHUM/ILCH

16 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Andrew Nevins- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) & University College London (UCL) Cilene Rodrigues- Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) Decomposição e recomposição no processamento lexical: uma revisão dos estágios do reconhecimento visual de palavras complexas Daniela Cid de Garcia - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Evidências experimentais do processamento da correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro Márcio Martins Leitão - Universidade Federal da Paraíba (UFPB/CNPq) Rosana Costa de Oliveira - Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Elisângela Teixeira - Universidade Federal do Ceará (UFC) José Ferrari Neto - Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Dorothy Bezerra Silva de Brito - Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE/UAST) The acquisition of coordination and recursion of PPs: how to fare the development of these computations? Aniela Improta França - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Alex de Carvalho - École Normale Supérieure (ENS, França) Aleria Lage - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mayara de Sá Pinto - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) How children distribute: The acquisition of the universal quantifier in Brazilian Portuguese Ruth E. Vasconcellos Lopes - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/CNPq)

17 The learnability of the resultative construction in English L2: a comparative study of two forms of the acceptability judgment task Ricardo Augusto de Souza - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cândido Samuel Fonseca de Oliveira - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)

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19 ARTIGOS

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21 Relação sintaxe experimental - psicolinguística experimental para além da metodologia Letícia M. Sicuro CorrÊa Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio/CNPq) Resumo A tradicional divisão de tarefas entre estudo do conhecimento e estudo do processamento linguístico é posta em perspectiva e relativizada diante da convergência que emerge da pesquisa linguística e da pesquisa psicolinguística, no contexto do Programa Minimalista. Semelhanças e diferenças entre a prática da pesquisa em sintaxe experimental e na psicolinguística são apontadas, distinguindo-se os componentes intuitivo/automático e analítico de tarefas de julgamento de aceitabilidade. Resultados experimentais obtidos por meio de tarefa de produção eliciada (em condição de alta demanda) são discutidos em relação a possíveis formas de representar a relação núcleo/oração relativas em um modelo da língua interna e a fatores que podem acarretar variação em julgamentos de aceitabilidade com medidas escalares. Abstract The traditional division of labour between the study of language knowledge and the study of sentence processing is put in perspective and relativized in the light of the convergence that emerges from the linguistic and the psycholinguistic research, in the context of the Minimalist Program. Similarities and differences are pointed out between experimental syntax and the psycholinguistic research, by considering the intuitive/automatic and the analytical components of acceptability judgement tasks. Experimental results obtained in an elicited production task (in highly demanding conditions) are discussed in relation to possible representations of relative clauses in the grammar and to factors that might account for variability in scalar acceptability judgments. Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

22 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia Palavras-chave sintaxe experimental; computação sintática on-line; produção de orações relativas; estratégia de último recurso. Keywords experimental syntax; on-line syntactic computation; relative clause production; last resort strategy Introdução As últimas décadas têm presenciado um crescente interesse no que passou a ser conhecido como Sintaxe Experimental (Bard et al., 1996; Schütze, 1996; Cowart, 1997; Sprouse, 2007a; b; Dabrowska, 2010). Isso requer que se considere em que medida essa prática difere da pesquisa psicolinguística no que concerne ao acesso ao conhecimento linguístico subjacente a diferentes formas de desempenho linguístico. O termo experimental, nesse sintagma, diz respeito ao uso, por parte de linguistas, de metodologia experimental para o teste de hipóteses relativas ao conhecimento intuitivo do falante/ouvinte acerca de sua língua materna, o que inclui restrições universais à forma das gramáticas das línguas humanas (cf. Sprouse & Hornstein, 2014). O uso de metodologia experimental apresentou-se, assim, à teorização linguística, como um modo de investigação alternativo ou complementar ao tradicional uso informal das intuições de um falante nativo (em geral o próprio linguista) no julgamento da gramaticalidade ou da aceitabilidade 1 de sentenças geradas por meio da gramática gerativa que se quer apresentar como modelo do conhecimento linguístico do 1 Gramaticalidade e aceitabilidade não são conceitos equivalentes, como demonstram as estruturas geradas por meio de operações recursivas que resultam no sucessivo encaixamento de estruturas de mesmo tipo, o qual só é restringido no uso da língua pelas limitações de memória que condicionam sua aceitabilidade (Ex. João amava Marina que amava Pedro que amava Antônia que o Marcelo que a Teresa que o André que (...). 22

23 Letícia Sicuro Correa falante, ou para as quais é necessário prover uma análise formal. Mais recentemente, um programa de sintaxe experimental se apresenta, que pretende ir além da caracterização do que seria gerado pela gramática de uma dada língua, ou impedido de ser gerado por qualquer gramática humana, para explorar a relação entre julgamento de aceitabilidade e a natureza do conhecimento linguístico (Sprouse, 2007a). A metodologia experimental é tradicionalmente utilizada na Psicologia Cognitiva e passou a ser utilizada na investigação do processamento linguístico, motivada pela proposta da linguística gerativista em meados do século passado, dando origem ao que se entende por Psicolinguística na chamada era chomskyana (cf. Levelt, 2013). O crescente interesse em sintaxe experimental parece (re)aproximar esses campos de investigação que se viram, em certa medida, dissociados a partir da década de 70. As tarefas e os objetivos diferem, contudo, em larga medida, quando se consideram experimentos psicolinguísticos e experimentos conduzidos no contexto da sintaxe experimental. Essa última se utiliza basicamente de uma tarefa de decisão, categórica (respostas sim/não) ou escalar 2 (Cowart, 1997; Sprouse, 2007; Schütze & Sprouse, 2011). Falantes nativos devem decidir quanto à aceitabilidade de uma dada sequência de elementos do léxico (com prosódia viável), como uma possível sentença de sua língua materna. A pesquisa psicolinguística envolve uma ampla gama de tarefas que visam a captar efeitos de fatores que possam atuar no que há de automático ou, pelo menos, não consciente, nos processos de produção e de compreensão da linguagem. Ainda que tarefas de decisão forçada (como na identificação de uma dentre um conjunto de figuras, de modo que a escolha revele compreensão de um enunciado linguístico) ou tarefas de julgamento (como em relação ao valor verdade da proposição expressa por uma sentença em dado 2 A decisão escalar pode ser ordinal, com valores não numéricos ordenados, como bom, regular, ruim, numérica intervalar (1, 2, 3..) e proporcional (ratio scale), por estimativa de magnitude essa última, incorporada na Sintaxe Experimental em analogia a seu uso na Psicofísica (cf. Sprouse, 2007a). 23

24 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia contexto de enunciação) sejam utilizadas, o foco da decisão ou do julgamento não recai sobre os processos que estão sendo investigados, embora seu resultado seja informativo em relação a estes. É importante que o participante não esteja ciente do que está sendo investigado, pois isso pode direcionar suas respostas, ao contrário do que acontece nas tarefas de julgamento de aceitabilidade usualmente utilizadas. 3 Assim sendo, há diferenças fundamentais entre o uso da experimentação no âmbito da sintaxe experimental e na prática psicolinguística. De todo modo, o crescente interesse pela experimentação no âmbito da linguística gerativista (como também em semântica e pragmática experimental (cf. Huang & Snedeker, 2011; Meibauer & Steinbach, 2011) favorece uma aproximação da pesquisa em linguística formal e em psicolinguística experimental, que pode ir na direção de uma maior integração entre esses campos. Buscando um paralelo entre o início da pesquisa psicolinguística da década de 1960 e o presente momento da sintaxe experimental, poderse-ia pensar que, enquanto naquele momento conceitos linguísticos eram buscados de forma a alimentar a investigação do processamento linguístico (cf. Fodor et al., 1974), hoje a psicolinguística forneceria ao linguista diretrizes metodológicas básicas relativas a design e técnicas experimentais, controle de variáveis, procedimento de testagem e tratamento estatístico dos dados, mantendo-se a divisão de tarefas sugerida pela dicotomia competência/desempenho: teoria linguística como estudo do conhecimento linguístico; psicolinguística, voltada para o desempenho linguístico. Diante dessas considerações, este artigo tem como objetivos: (i) eliminar um possível entendimento equivocado com relação à divisão de tarefas entre teoria linguística e psicolinguística que a dicotomia competência / desempenho possa ter sugerido; (ii) distinguir os 3 Uma maneira de tornar o participante não totalmente ciente do objetivo de uma tarefa de aceitabilidade é pedir que avalie se a sentença foi ou não produzida por um falante nativo (cf. Milhorance, 2014). 24

25 Letícia Sicuro Correa componentes de tarefas de julgamento de aceitabilidade com vistas a estabelecer o que há de comum entre a pesquisa linguística e em sintaxe experimental e (iii) à guisa de ilustração, recuperar resultados experimentais obtidos com falantes adultos do português brasileiro (PB), por meio da técnica de produção eliciada em condições com demandas diferenciadas, os quais serão discutidos em relação a possíveis representações para a relação entre núcleo e oração relativa, e aos fatores que podem acarretar variação nos julgamentos quanto à aceitabilidade de uma dada estrutura. 1 Conhecimento linguístico, desempenho linguístico e a relação Linguística-Psicolinguística A dicotomia competência / desempenho levou ao entendimento de que a teoria linguística se ocupa do conhecimento linguístico e a psicolinguística do desempenho. Essa divisão de tarefas pode caracterizar, grosso modo, os interesses da pesquisa em cada campo, uma vez que por desempenho linguístico entenda-se não a sua manifestação comportamental em si mesma, mas os processos mentais dependentes do conhecimento de uma dada língua, de recursos computacionais que se apliquem a dados linguísticos (do chamado léxico mental) e de todo o aparato envolvido na produção, na compreensão de enunciados linguísticos e em tarefas cognitivas dependentes da linguagem. Mesmo com essa ressalva, para um melhor refinamento da caracterização do objeto de cada campo é necessário que se considere o que pode ser entendido por conhecimento linguístico nesse contexto. Conhecimento linguístico é um termo que engloba diferentes componentes da linguagem humana. Seu sentido técnico tem evoluído com os termos competência linguística (Chomsky, 1965), língua interna (Chomsky, 1986) ou simplesmente língua(gem) (Chomsky, 2007). No contexto da pesquisa gerativista, conhecimento linguístico incorpora (a) o conhecimento do que há de específico de uma dada língua, i.e. 25

26 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia do que pode ser adquirido mediante experiência linguística; (b) o conhecimento do que há de comum às línguas humanas (as aspas indicam que se trata de algo de natureza distinta do que pode ser adquirido a partir da experiência linguística) e (c) o conhecimento de operações de natureza computacional responsáveis pela combinação de elementos do léxico em objetos sintáticos (aspas duplas indicam que se trata de algo de natureza distinta dos demais tipos de conhecimento já diferenciados). A teoria gerativa trouxe para si a tarefa de caracterizar as propriedades desse objeto complexo, de forma a explicitar as possibilidades combinatórias da linguagem humana (no que concerne à geração de expressões linguísticas), por meio de um modelo formal de gramática passível de se aplicar à caracterização dos diferentes estados da língua interna desde o inicial (comum aos seres humanos) ao que representa o produto da aquisição da linguagem (a gramática de uma língua específica). A estratégia de pesquisa foi a de dissociar o estudo da língua(gem), como forma de conhecimento ou domínio da cognição, do estudo do processamento linguístico. Com o desenvolvimento da teoria dos Princípios e Parâmetros (Chomsky, 1981; 1986), que deu origem à proposta do Programa Minimalista (Chomsky 1995), ficou claro, contudo, que o que é formalizado linguisticamente em termos de princípios universais (como por exemplo, os princípios de localidade (cf. Rizzi, 2013)) (i.e. o conhecimento em (b)) decorre de algo mais fundamental, que extrapola o domínio estrito da linguagem e requer que se considerem as imposições das interfaces níveis representacionais acessíveis aos sistemas recrutados no desempenho linguístico (Chomsky, 1995; 2005). Ainda em decorrência desses desenvolvimentos, o conhecimento em (c) passou a ser entendido como faculdade de linguagem em sentido restrito, compondo, juntamente com (b), a chamada faculdade de linguagem em sentido amplo, que possibilita a aquisição de (a) de forma natural (Hauser et al., 2002). 26

27 Letícia Sicuro Correa Entende-se, assim, que a sintaxe experimental visa a clarificar a natureza do conhecimento representado por um modelo da língua interna que reflete restrições decorrentes da natureza e do modo de operação do aparato processador da linguagem. Esse empreendimento é conduzido por meio do estudo de uma particular forma de desempenho linguístico julgamentos de aceitabilidade. Em que medida o resultado da sintaxe experimental difere substancialmente do tipo de contribuição que o estudo de outras formas de desempenho linguístico possa trazer para o entendimento da natureza do conhecimento linguístico? A pesquisa psicolinguística de meados do século XX foi motivada pelo compartilhamento de abordagens entre a linguística gerativista e a psicologia cognitiva, fundada no conceito de processamento de informação. Em um primeiro momento, houve o entendimento, da parte de psicólogos interessados no processamento linguístico, de que uma gramática gerativa (proposta como modelo da competência linguística do falante nativo) poderia fornecer unidades de análise ou mesmo uma métrica para a caracterização da complexidade do processamento. Daí a preocupação com a realidade psicológica de unidades de análise linguística, a concepção de uma teoria da complexidade derivacional, remetendo a regras do modelo formal de gramática, e a própria ideia de um modelo algorítmico do usuário da língua, no qual seria incorporada uma gramática gerativa, o que animou a pesquisa psicolinguística no início década de 60 (cf. Miller & Chomsky, 1963; Fodor et al., 1976; Miller, 1983). Uma vez que a relação entre modelo de gramática e processamento mostrou-se inadequada ou prematura naquele momento, a pesquisa linguística e a psicolinguística seguiram de forma consideravelmente independente. Diferentes paradigmas metodológicos foram criados para captação de efeitos que pudessem informar sobre a arquitetura do processador linguístico e seu modo de operação. Investigam-se aspectos do 27

28 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia processamento linguístico pertinentes à compreensão da linguagem (da segmentação e análise do sinal acústico da fala, ao parsing ou análise sintática, interpretação semântica e referência) e à produção da fala (desde a conceptualização de uma ideia/intenção de fala codificação gramatical ao planejamento articulatório que antecede a concretização da fala em sons vocais) (para uma visão panorâmica desses desenvolvimentos, cf. Gaskell, 2007; Traxler & Gernsbacher, 2006). No que concerne ao processamento linguístico em nível sentencial, a linha de investigação instaurada por Kimball (1973), focada nos princípios que regem o parsing de sentenças, toma como referência, em certa medida, modelos desenvolvidos na vertente chomskyana do gerativismo (Berwick & Wineberg, 1985; Gorell, 1995; Frazier, 1999). Outros formalismos vêm sendo, contudo, utilizados, os quais foram desenvolvidos com o objetivo específico de serem compatíveis com sua implementação em computadores e/ou com a natureza incremental do processamento linguístico humano (como a Gramática Léxico-Funcional (Kaplan & Bresnan, 1982) a Gramática Procedimental Incremental (Kempen & Hoenkamp, 1987) e seus desdobramentos (Kempen & Harbusch, 1998; Vosse & Kempen, 2008; Kempen, 2009); a TAG (Tree-adjnoingingrammar) (Joshi & Schabes, 1997; Ferreira et al., 2004); a Gramática Categorial Combinatória (Steedman, 2000) e a Sintaxe Dinâmica (Kempson et al., 2001). Com a progressiva lexicalização das gramáticas nas diferentes vertentes do gerativismo (cf. Levelt, 2008), os resultados da pesquisa linguística e da pesquisa psicolinguística começam, em certa medida, a convergir. Observa-se, em particular, que evidências pertinentes ao caráter incremental do processamento linguístico parecem ter percolado para a formalização de modelos da língua interna, como sugerem os conceitos de fase (Chomsky, 1999) e de espaços derivacionais paralelos (Uriagereka, 1999). 28

29 Letícia Sicuro Correa Em suma, a estratégia gerativista de prover uma teoria do estado inicial da língua(gem) mediante formalização de gramáticas levou à necessidade de se incorporarem princípios que refletem a arquitetura e o modo de operação do aparato processador humano. A pesquisa psicolinguística, ao voltar-se para diferentes formas de desempenho linguístico como meio de investigar os processos e representações mentais subjacentes a estes, apresenta o tipo de exigências impostas à gramática pelo aparato processador da linguagem. Assim sendo, não há como atribuir a cada campo de investigação um papel instrumentalizador para o outro. Cabe, contudo, pensar em uma teoria que integre o que é formalizado em termos de língua interna com o conhecimento que se faz acessível ao processamento da linguagem, de forma incremental, em tempo real. É nessa direção que vai a proposta de um modelo integrado de computação on-line, de base minimalista, que orienta a análise dos dados de processamento apresentados na seção 3. Em que medida um modelo mediador dessa natureza pode ser relevante para a sintaxe experimental? 2 Julgamento de aceitabilidade: uma forma de desempenho linguístico/cognitivo O empreendimento da Sintaxe Experimental teve como motivação primeira alcançar maior objetividade no teste empírico de hipóteses linguísticas e na caracterização das restrições à forma das gramáticas (Corwan, 1997). Embora haja controvérsia quanto ao impacto, na teorização linguística, da substituição de julgamentos informais por julgamentos obtidos experimentalmente (cf. Dabrowska, 2010; Francom, 2009; Schütze & Sprouse, 2011), esse empreendimento, em uma segunda fase, pretende explorar a relação entre julgamento de aceitabilidade e a forma ou natureza do conhecimento linguístico (Sprouse, 2007a; 2007b). 29

30 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia Julgamentos de aceitabilidade correspondem ao reconhecimento de uma dada sequência de elementos do léxico (com prosódia possível) como um enunciado passível de ser produzido naturalmente pelo próprio participante, ou por alguém que possa ser por este reconhecido como falante nativo em uma situação hipotética (no que entra o reconhecimento de outras variantes da língua, diferentes da do próprio falante). Trata-se de uma tarefa decisória que, como tal, não só é dependente de intuição (processo automático) como de análise (i.e. processos analíticos, deliberados, próprios de atividades metacognitivas) em maior ou menor grau (cf. Thompson et al., 2011). O quanto desse processo decisório, nas tarefas de julgamento da aceitabilidade de sentenças, é informado por uma intuição encapsulada a ponto de ser imune à influência de fatores externos à computação sintática é uma questão empírica. A opção por medidas escalares de aceitabilidade pretende levar em conta a interferência de fatores circunstanciais que podem influenciar o componente analítico do processo decisório. Em princípio, a natureza metalinguística, consciente, da tarefa, pode maximizar seus efeitos se, por exemplo, o participante se pautar por um registro culto em sua decisão, o que pode mascarar o estado atual da sua gramática tal como seria captado em contexto distenso. Pode, não obstante, levá-lo a responder com base no que imagina ser possível em uma variante diferente da sua, para a qual não tem intuições. A identificação desses fatores, vinculados a etapas pós-sintáticas do processamento, e a caracterização de seus efeitos, não estão, contudo, no foco de interesse na sintaxe experimental a rigor, direcionada ao componente intuitivo do processo decisório. Assim sendo, são os processos automáticos envolvidos na condução do parsing da estrutura em questão que seriam relevantes para o acesso ao conhecimento intuitivo da língua pelo falante. O julgamento de aceitabilidade passa por todas as etapas do processo de compreensão de sentenças (inibindo-se, talvez, a busca por referentes 30

31 Letícia Sicuro Correa de DPs e dos eventos apresentados, dado tratar-se de tarefa explicitamente metalinguística). Qualquer estranhamento na condução dessas etapas acarreta resposta cerebral imediata (cf. Friederici, 2011). Assim sendo, o que há de intuitivo, encapsulado, na tarefa de julgamento de aceitabilidade é semelhante ao que é acessado indiretamente em experimentos psicolinguísticos (que não incluem o componente analítico de tarefas de julgamento). Em tarefas de julgamento de aceitabilidade, processos pós-sintáticos (do componente analítico) podem ou não reverter o resultado de um processo automático inicial. É interessante observar, em relação a esse ponto, que a despeito do uso de medidas escalares (como estimativa de magnitude), julgamentos categóricos parecem se impor nas respostas obtidas (Sprouse, 2007b). É possível, pois, que na maioria dos casos os processos automáticos envolvidos na compreensão das estruturas em questão se sobreponham aos processos reflexivos, de natureza consciente, do componente analítico. Nesse sentido, resultados da sintaxe experimental podem prover elementos para que se considere a gramática que se torna imediatamente acessível na computação em tempo real, na compreensão do enunciado, e elementos para que considerem os fatores que podem influenciar a manutenção da resposta imediata. Visto a partir desse ângulo, o empreendimento da sintaxe experimental pode ser tomado como um modo de investigação psicolinguística. E é nesse sentido que, tal como o resultado de experimentos psicolinguísticos, os resultados da sintaxe experimental podem informar sobre a natureza do conhecimento linguístico. 3 Produção eliciada de orações relativas e conhecimento gramatical Na última seção, procurou-se argumentar que a sintaxe experimental lida com um tipo de desempenho linguístico (por envolver compreensão), cognitivo (por envolver uma tarefa decisão), no caso de natureza metalinguística (por requerer decisão sobre estruturas linguísticas) e 31

32 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia que talvez apenas seu primeiro componente seja informativo acerca da gramática subjacente. Nesta seção, um outro tipo de desempenho linguístico é considerado. A produção eliciada de sentenças por preâmbulo. A proposta inicial foi relacionar as demandas da tarefa a custo de processamento (Corrêa et al., 2007) 4. Foi possível, contudo, trazer algumas considerações sobre o tipo de representação da relação núcleo-oração relativa, em um modelo de gramática, ao se considerar o modo como este pode ser incorporado a modelos de processamento na caracterização da computação em tempo real. Uma discussão de teor mais estritamente linguístico conduzida com base em um recorte dos dados previamente analisados foi apresentada (Augusto et al., 2010). Neste artigo, recuperamos o experimento original e algumas dessas considerações, com vistas a ilustrar de que modo outra forma de desempenho linguístico (diferente do julgamento de gramaticalidade) pode contribuir para a formalização de possibilidades combinatórias na língua e para o entendimento de possíveis efeitos do uso de estratégias de último recurso, pelo falante, em julgamentos de aceitabilidade pelo ouvinte. Na seção que se segue, o experimento é brevemente relatado. A seguir, os resultados são considerados à luz da proposta de um modelo integrado de computação on-line que visa a criar uma mediação entre modelos formais da língua interna e modelos de processamento (Corrêa & Augusto, 2007, 2011; Augusto et al., 2012). 3.1 Produção eliciada de orações relativas de alto custo O objetivo do experimento foi verificar em que medida demandas diferenciadas na produção de um DP definido específico, por meio de uma oração relativa, podem afetar o modo como a codificação gramatical se realiza incrementalmente, diante das opções de minimização de custo viáveis no PB. Foram consideradas como estratégias de minimização de custo (EMC) a produção de reativas passivas de sujeito (1) no lugar de 4 Uma versão estendida em inglês deste trabalho encontra-se em processo. 32

33 Letícia Sicuro Correa relativas de objeto direto (OD) (2) e a produção de relativas cortadoras (3) e com resumptivos (4) como forma de evitar pied piping em relativas padrão de objeto indireto (OI) (5). (1)...o aluno que Δ foi chamado pela professora... (2)...o aluno que a professora chamou Δ... (3)...o aluno que a professora falou de Δ (4) o aluno que a professora falou dele.. (5)...o aluno de quem a professora falou Δ... O desbalanceamento entre o custo de processamento de relativas de sujeito e de objeto, amplamente atestado na compreensão, também foi verificado em tarefas produção (Novogrodsky & Friedmann, 2006). Várias hipóteses foram apresentadas com vistas a dar conta desse custo diferenciado (cf. Miranda, 2008 para ampla revisão). Uma explicação avançada com base em resultados obtidos em chinês (língua SVO na qual a relativa tem seu núcleo em posição final) mostrase particularmente relevante, pois une um fator de natureza estrutural (posição do DP no marcador frasal) com acessibilidade, fator pertinente ao processamento em tempo real (Lin & Bever, 2006). Relativas de sujeito seriam mais acessíveis pelo fato de o sujeito ocupar posição estruturalmente mais alta do que os demais constituintes passíveis de serem relativizados, independentemente do direcionamento linear entre a relativa e seu núcleo (Lin & Bever, 2006). Os dados do chinês são compatíveis com a Hierarquia de Acessibilidade de Keenan e Comrie (1977), 5 segundo a qual o sujeito seria o constituinte mais acessível para relativização. Em línguas em que todas as posições sintáticas podem ser relativizadas, a gramática pode dispor de recursos para que opções de menor custo sejam preferidas na computação em tempo real. 5 A hierarquia de acessibilidade postula que Sujeito > Objeto Direto > Objeto Indireto > Oblíquo > Genitivo > Objeto de Comparação, onde > significa que o constituinte à esquerda mostra-se mais acessível à relativização do que o da direita, o que permite prever possíveis variações entre línguas no que concerne aos núcleos disponibilizados para a relativização. 33

34 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia No que concerne a relativas de objeto, relativas de sujeito na voz passiva (1) são uma alternativa, uma vez que se elimina a computação de um elemento interveniente (o sujeito da relativa) entre o núcleo da relativa e a posição de origem, mantendo-se as relações temáticas inalteradas (cf. (2)). Essa EMC tem sido interpretada, à luz da teoria linguística, como decorrente de uma versão altamente restritiva de um princípio de localidade Minimalidade Relativizada 6 (Rizzi, 1990, Friedmann et al., 2008, Grillo, 2009). No caso de relativas de objeto indireto, o maior custo (ou a menor acessibilidade do núcleo relativizado) seria, em princípio, decorrente de sua posição como complemento de preposição. Esse custo pode ser minimizado quando a língua possibilita que se evite pied piping, deixandose a preposição na posição de origem (preposition stranding), como no inglês (cf.(6)). (6)... the student who the teacher talked to Δ Quando esse recurso não está disponível, como no português, existe a possibilidade de uma estratégia cortadora ser utilizada, na qual se omite a preposição (cf. (3)) ou pode ainda haver inclusão de um pronome resumptivo, como estratégia de último recurso (Shlonsky, 1992; Aoun et al., 2001; Hornstein, 2001; Grolla, 2005) 7 (cf.(5)), o que também se aplica a genitivas (cf. (7) e (8)), cuja forma padrão é pouco frequente na língua oral. (7)...o aluno cuja professora Δ aderiu à greve... 6 Dada a configuração X Z Y, sempre que dois elementos competem para entrar em uma relação local, o mais próximo vence (Rizzi, 2004). No caso de relativas de objeto, a presença de um DP sujeito como elemento interveniente entre o núcleo da relativa e sua posição de origem não bloquearia a estrutura mas imporia um custo mensurável. 7 A estratégia de último recurso tal como formulada na teoria linguística, diz respeito a um modo de se evitar que uma derivação se aborte (crash). Em (Grolla, 2005), este conceito é trazido para o tratamento de questões de aquisição. Aqui, incorpora-se esse conceito à computação em tempo real. 34

35 Letícia Sicuro Correa (8)...o aluno que a professora dele aderiu à greve... O estudo de produção eliciada por preâmbulo conduzido com adultos falantes de PB por Corrêa e colaboradores partiu da hipótese de que o uso de estratégias de minimização de custo (EMC) na codificação gramatical de uma mensagem seria função das demandas impostas pelas condições de produção. Para testar essa hipótese, um preâmbulo foi apresentado visualmente, para leitura em voz alta, na tela de um computador, na qual também eram apresentadas duas figuras humanas, uma das quais a ser tomada como referente do DP a ser produzido. O preâmbulo foi formulado de forma a eliciar a produção do argumento externo de um verbo transitivo. O DP a ser produzido deveria ser modificado por uma oração relativa restritiva (no caso das condições teste) ou por adjetivo/pp (no caso de distratoras), de modo a possibilitar a referência a uma das figuras humanas apresentadas. Tem-se um exemplo do tipo de preâmbulo utilizado em (9): DP-sujeito, verbo transitivo direto, seguido de adjunto. (9) O treinador chamou para o ginásio... Duas condições de produção foram concebidas: produção planejada e não planejada. Em ambas, a tarefa consistia em dar continuidade ao preâmbulo, de modo tal que o referente do DP objeto fosse identificado como um de dois personagens apresentados por meio de duas figuras idênticas (Cf. Fig.1). Na condição planejada, o falante sabe a quem vai se referir ao planejar a sentença, dado que a informação crucial (um evento no qual o referente do DP é o paciente, por exemplo) é fornecida de antemão. Na condição não planejada, o participante dá início à leitura do preâmbulo sem saber como poderá distinguir, dentre as duas figuras idênticas, o alvo do referente do DP objeto. Essa informação lhe é dada de forma a estar sincronizada à produção do verbo da oração principal. A 35

36 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia condição planejada foi considerada de baixa demanda e a não planejada de alta demanda no processamento incremental da sentença. A demanda da tarefa foi, assim, uma variável independente (níveis: baixa e alta). A informação crucial para a codificação gramatical de um DP definido restritivo foi fornecida de forma escrita e dêitica (cf. Fig.1 e Fig.2). O DP referente à figura a ser referenciada foi apresentado com a função sintática do elemento a ser relativizado na codificação gramatical do enunciado a ser produzido (cf. (9-12)). (9) O ciclista derrubou esta menina (para a eliciação de relativas OD) Resposta por estratégia padrão:... a menina que o ciclista derrubou Resposta por EMC:... a menina que foi derrubada pelo ciclista (10) A professora falou desta menina (eliciação de relativa OI com preposição funcional) Resposta por estratégia padrão:... a menina de quem a professora falou Resposta por EMC:... a menina que a professora falou (dela) (11) O gerente brigou com este menino (para eliciação de relativa OI com preposição lexical) Resposta por estratégia padrão:... o menino com quem o gerente brigou Resposta por EMC:...o menino que o gerente brigou (com ele) (12) O professor desta menina saiu de férias (para eliciação de relativa genitiva) Resposta por estratégia padrão:... a menina cujo professor saiu de férias... Resposta por EMC:... a menina que o professor (dela) sal de férias 36

37 Letícia Sicuro Correa A segunda variável independente foi o tipo de relativa a ser eliciada: (OD (objeto direto), OI (objeto indireto com preposição funcional), OIF (com preposição funcional), OIL com preposição lexical) 8 e GEN (genitivo)). Obteve-se, assim, um design (2 (demanda da tarefa) X 4 (tipo de relativa)). Para variável dependente, tomou-se o número de respostas padrão, ou seja, relativas de objeto (em OD), relativas OI com pied piping (em OIF e OIL), relativas com cujo (em GEN). As previsões foram que o número de respostas padrão seria maior na condição de produção de mais baixa demanda (planejada) e que o uso de EMC seria maior nas estruturas menos acessíveis na hierarquia de acessibilidade. Participaram daquele estudo 40 sujeitos adultos (11 homens), de 18 a 52 anos, com escolaridade superior (alunos de graduação ou pósgraduação, que atuaram como voluntários). Estes foram divididos em dois grupos de 20, em função da variável Demanda da tarefa (Grupo 1: 7 homens; Grupo 2: 4 homens). O material consistiu de 24 estímulos-teste (6 por condição definida em função do tipo relativa a ser produzido) e 50 distratores. Para cada sentença a ser completada por produção eliciada, uma prancha (material visual) foi criada para apresentação em Power- Point, na tela de um computador. Nas condições de teste as figuras eram idênticas e nas distratoras não (cf. Fig. 1; Fig. 2). FigURA 1: Material visual na condição de teste 8 A distinção entre relativas OI com proposição funcional e lexical foi feita de forma a verificar, em caráter exploratório, se o tipo de preposição acarretaria efeito na sentença a ser produzida. 37

38 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia FigURA 2: Material visual na condição distratora O participante era convidado para uma tarefa na qual ele teria de completar um preâmbulo fazendo referência a uma das figuras, sem apontar. Na tarefa de baixa demanda (produção planejada), o participante tinha 5 seg para examinar as figuras e ler a informação fornecida. Em seguida, o preâmbulo aparecia na tela com um sinal de som. Ao ouvir o sinal de som, o participante deveria ler em voz alta o preâmbulo e continuá-lo, fazendo referência à figura apontada na tela. Na tarefa de alta demanda (não planejada), o participante dispunha de somente 2 seg para examinar as figuras, sobre as quais, nenhuma informação era dada. Após 2 segs, dado o sinal sonoro, o preâmbulo aparecia na tela e o participante começava a leitura oral. Somente 2 segundos após o sinal sonoro a informação crucial para a referência específica era disponibilizada na tela. Considerou-se que, na formulação incremental do DP objeto, o modo como se estabelece a relação núcleo relativa poderia ser diferenciado. 9 Os dados transcritos foram inicialmente categorizados como resposta padrão e não padrão. Para cada resposta padrão foi dado o escore 1, de modo que 6 era o número máximo de respostas padrão por condição. A ordem de apresentação dos estímulos foi aleatorizada em 4 listas. Os 9 O experimento foi conduzido na cabine de adultos, com isolamento acústico, do LAPAL (Laboratório de Psicolinguística e Aquisição da Linguagem PUC-Rio), e as respostas foram gravadas para posterior transcrição. 38

39 Letícia Sicuro Correa dados foram submetidos análise da variância (ANOVA) por sujeito e por item com design fatorial (2 (demanda da tarefa) X 4 (tipo de relativa), em que o primeiro termo é um fator grupal e o segundo medida repetida). Houve efeito principal de Demanda da tarefa em ambas as análises (F(1,37)=6.31 p =.01) e (F(1,10) = p<.0001), na direção prevista (Médias: Baixa: 0,5; Alta: 0,3) e um efeito significativo da interação entre Demanda da tarefa e Tipo de Relativa: (F(3,111)=2.62 p=.05) e (F(3,30)= 8.5 p<.001). O gráfico 1 apresenta os percentuais das respostas por sujeito, por condição. Observa-se que, ainda que respostas padrão tenham ocorrido predominantemente na Tarefa de menor demanda, como previsto, nas relativas OD, não foi observado efeito de Demanda da tarefa, o mesmo acontecendo com as genitivas, para as quais o número de respostas padrão foi muito pequeno em ambas as condições. O número de respostas padrão foi maior em relativas OI do que em OD, e o tipo de preposição não acarretou efeito significativo quando OIF e OIL são comparadas em ambas as tarefas. A distribuição de respostas na condição OD pode explicar este resultado que vai aparentemente na direção contrária da hipótese de acessibilidade formulara (Cf. Gráfico 2). Observa-se, no Gráfico 2, que 39

40 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia mais do que 50% das respostas na condição OD foram distribuídos entre relativas de sujeito na voz passiva, como antecipado, passivas adjetivais (Ex. A menina derrubada pelo ciclista), de menor custo do que as passivas verbais (Lima Junior & Corrêa, submetido), assim como uma variedade de respostas com relativas corrompidas em algum grau (algumas com alteração de papel temático), que permitem distinguir o grau de demanda das duas tarefas (maior número de respostas diversas na condição de alta demanda). Com relação à presença do resumptivo como estratégia de último recurso (além do uso de cortadoras, que correspondeu a 21-27% das respostas para OI e GEN), esta pode ser constatada tanto em OI quanto em GEN. Contudo, dado que a formulação de relativas genitivas foi particularmente árdua, são as relativas OI que tornam a relação alta demanda uso de resumptivo mais explícita (cf. Gráfico 3). O número de ocorrências é, contudo, relativamente pequeno, o que reforça a ideia de último recurso no processamento. 40

41 Letícia Sicuro Correa Em que resultados desse tipo podem contribuir para uma teoria do conhecimento linguístico e para um diálogo com a proposta da sintaxe experimental? 3.2 Computação linguística em tempo real e possíveis relações estruturais Procura-se aqui responder à pergunta acima, à luz da proposta em Corrêa & Augusto (2007; 2011). Como foi dito inicialmente, a ideia de um modelo algorítmico para a produção e a compreensão de sentenças que incorpore uma gramática gerativa é antiga e foi prematuramente abortada, uma vez que o modelo de gramática então concebido estava longe de se aproximar da adequabilidade explanatória requerida de um modelo da língua interna (cf. Fodor et al., 1976). Recentemente, essa ideia vem sendo recuperada, diante dos avanços da teoria linguística na direção de incorporar imposições das interfaces (Phillips, 1996; Phillips & Wagers, 2007; Lin & Bever, 2006). O principal entrave para que se explicite a articulação entre modelos da língua interna (na perspectiva chomskyana) e modelos de processamento diz respeito à direcionalidade da derivação, dado que uma 41

42 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia derivação totalmente bottom-up (com vista a dar conta da universalidade das relações gramaticais) não se compatibiliza com a incrementalidade dos processos de produção e de compreensão, que recorrem a uma gramática com parâmetros de ordem já fixados (Corrêa, 2008). Assim sendo, partindo-se de uma proposta em Corrêa (2005), na qual se considera que núcleos funcionais são recuperados do léxico mental na produção da fala em função da natureza intencional (pertinente à referência) de seus traços, enquanto núcleos lexicais trazem informação relativa à sua estrutura argumental, um modelo de computação em tempo real, de base minimalista, vem sendo desenvolvido (Corrêa & Augusto, 2007; 2011; Augusto et al., 2012). Neste, assumese que há, em princípio, dois direcionamentos para a computação: de cima para baixo (top-down), via acesso a núcleos funcionais que, uma vez recuperados do léxico mental, dão origem a esqueletos (marcadores) sintáticos subespecificados; de baixo para cima (bottom up), estruturas geradas em função da estrutura argumental associada aos núcleos lexicais recuperados do léxico, às quais se acoplam aos marcadores funcionais. Também supõem-se espaços derivacionais paralelos (inspirados em Uriagereka, 1999) e unidades equivalentes a fases (Chomsky, 1999), tomando-se o DP com fase, ou seja, unidade passível de chegar às interfaces ao longo do processamento da sentença (Augusto et al., 2012). O acoplamento de uma estrutura gerada bottom-up a partir de V é feito à altura de vp. Outros detalhes serão aqui omitidos, pois se afastam do foco da discussão. 10 Considerando-se as condições de processamento no experimento acima relatado, tem-se que, na condição planejada, o participante sabe de antemão que o único meio de fazer referência a uma das figuras idênticas é recuperar a informação crítica, por meio de uma relativa restritiva (passivas adjetivais também se apresentaram como alternativa em OD). 10 A ideia é que a computação tal como caracterizada se aplique à produção e à compreensão, com pequenos ajustes de forma a adaptarem-se os procedimentos a uma análise da esquerda para a direita. 42

43 Letícia Sicuro Correa Essa condição favorece a antecipação de um modificador restritivo que pode ser imediatamente codificado como complemento de D, em um DP acoplado como objeto requerido pelo verbo da matriz. No caso de a condição não ser planejada, contudo, não é possível para o falante antever a necessidade de fazer referência a uma das figuras idênticas, nem como tal referência específica poderia ser feita. Assim sendo, tornase mais compatível com essa condição que um DP não modificado seja imediatamente codificado e a que informação requerida para a referência lhe seja adicionada online, na forma de um adjunto. É necessário supor, portanto, que a língua interna possibilita a computação de orações relativas em diferentes configurações. Trazendo-se as considerações desenvolvidas em Augusto, Corrêa & Marcilese (2010), tem-se que: há dois tipos de análises presentes na literatura para o tratamento formal da geração de orações relativas: tipo Raising (Kayne, 1994) e tipo Matching (Citko 2001; Sauerland 2003;). De acordo com a Head Raising Analysis (HRA) (Kayne, 1994), as relativas são complemento de D; o elemento relativizado é movido para Spec, C a partir de uma posição argumental no interior da relativa, tal como exemplifica a estrutura em (13). (13) The [ [ [book] CP DP i [D which t i ]] j John like t j ] De acordo com a proposta da Matching Analysis (MA) (Sauerland, 1998; Citko, 2001), as relativas são adjuntos de NP; o NP, gerado fora da relativa, é coindexado ao elemento relativizado, movido para o Spec, C, o qual sofre um apagamento em PF, ou se submete a elipse (cf 14). 11 (14) The [book] i [ [(Op)/which book CP i ] j John like t j ] 11 No que concerne ao PB, Kato & Nunes (2009) sugerem uma análise, a partir de uma posição de LD (left-dislocation), assumindo a proposta de Raising, como em: Este é [o [CP [DP livro i[ DP que t i ] k [CP C [LD t k [IP você estava precisando pro k ]]]] (cf. Augusto et al. 2010) 43

44 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia Há argumentos linguísticos em prol de uma e de outra análise, assim como a favor da necessidade de se manterem ambas as análises disponíveis (cf. Augusto et al, 2010). Considerando-se essas possibilidades do ponto de vista da produção incremental, a HRA pode ser trazida para um modelo de computação online de forma a dar conta da produção planejada. Contudo, para dar conta da produção não planejada, MA teria de ser implementada. A figura 3 apresenta um esquema da produção incremental de relativa OI na condição de maior demanda, à luz da MA, na qual um resumptivo é inserido como último recurso. Figura 3: Esquema da computação online, incremental de relativa OI 44

45 Letícia Sicuro Correa No esquema da Fig. 3, as setas indicam o direcionamento da computação, sendo que a seta dupla indica o ponto em que uma estrutura gerada bottom up (em função de V) se acoplaria a um esqueleto funcional gerado top down a partir do CP. As elipses pontilhadas indicam as unidades passíveis de serem liberadas para a fala (ou seja para os níveis de interface necessários para que a fala se realize) à medida que a computação transcorre. Nesse caso, considera-se a situação em que um DP poderia ser planejado de forma a ser fechado (enviado para as interfaces) com a geração do NP. Diante da necessidade de um modificador sentencial ser formulado, este é adjungido, tendo, contudo a estrutura do CP subespecificada até que seja computada a estrutura pertinente ao verbo (transitivo indireto). Uma vez que, no início da computação da relativa, a função sintática do elemento relativizado na sentença a ser formulada não estaria definida, restaria ao falante/ cortar a preposição em PF (interface fônica) processador (diante da impossibilidade de preposition stranding), ou incluir um resumptivo como complemento da preposição como último recurso. Demonstra-se, assim, que imposições do processamento em tempo real requerem soluções gramaticais distintas para a geração de orações relativas e a possibilidade de estratégias de último recurso. O quão ótimas tais soluções podem ser para o ouvinte é uma questão empírica, a ser abordada tanto por experimentos de compreensão, quanto por julgamentos de aceitabilidade com medidas escalares. Resultados obtidos com crianças (Miranda, 2008) e preliminarmente obtidos com adultos (em andamento) em tarefas de compreensão sugerem que a presença de um resumptivo dificulta a compreensão (introduz-se um elemento cuja forma remete ao princípio B, quando deve ser interpretado como uma variável ligada), o que pode demandar mais do componente analítico em um julgamento de aceitabilidade. Tal componente permite acessar processos em deriva (ou sensibilidade a diferentes variantes por parte do falante) e EMCs são um possível fator desencadeador de processos 45

46 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia de mudança linguística. Nesse sentido uma análise do tipo Kato & Nunes (2009) (cf. Nota 10) refletiria o atual estado da gramática do PB ou para o qual o PB caminha. Em suma, diante das considerações a partir da computação em tempo real, tem-se que o componente intuitivo de julgamentos de aceitabilidade captaria o estado da língua interna do falante, o qual atuaria de forma encapsulada na computação da sentença em questão. O componente analítico de julgamentos de aceitabilidade, por sua vez, sinalizaria processos em deriva e soluções de último recurso, estas últimas não necessariamente previstas como parte do conhecimento linguístico do falante que é acionado fora de condições de alta demanda na fala. Considerações finais Este artigo buscou eliminar o risco de um entendimento equivocado relativo ao tipo de relação que se pode estabelecer entre a pesquisa psicolinguística e a sintaxe experimental demonstrando que é necessário distinguir os diferentes componentes do que é usualmente referido como conhecimento linguístico, o que vem sendo atingido no desenvolvimento, em larga medida, independente da pesquisa gerativista e da pesquisa psicolinguística. Demonstrou-se, ainda, que a prática da sintaxe experimental pode ser vista como um tipo de investigação psicolinguística se a participação específica dos componentes intuitivo e analítico do processo decisório for explorada, no que concerne ao desempenho de falantes em tarefas de julgamento de aceitabilidade. O experimento de produção eliciada de orações relativas aqui recuperado e discutido em termos de um modelo de computação sintática em tempo real demonstra um tipo de contribuição que o estudo do processamento pode trazer para uma teoria do conhecimento linguístico. Essa discussão também permite distinguir-se operacionalmente gramaticalidade de aceitabilidade. 46

47 Letícia Sicuro Correa Enquanto o primeiro termo remete ao produto da resposta categórica decorrente de processos automáticos no processamento de enunciados linguísticos, o segundo é produto deste resultado aliado ao efeito de fatores que levam em conta, dentre outros fatores, a possibilidade de o enunciado em questão ser produzido por uma estratégia de último recurso. Essas considerações apontam para um possível diálogo profícuo da parte de linguistas e psicolinguistas na construção de uma teoria integrada do conhecimento linguístico e de sua implementação em tarefas dele dependentes. Referências AOUN, Joseph; CHOUEIRI, Lina; HORNSTEIN, Norbert. Resumption, movement, and derivational economy. Linguistic Inquiry, v. 32, n. 3, p , AUGUSTO, Marina R. A; Corrêa, Letícia M. Sicuro.; Marcilese, Mercedes. (2010) Demandas de processamento distintas na produção de relativas: contribuições para o debate sobre as análises do tipo raising ou matching. GT de Teoria da Gramática. XXV Encontro Nacional da ANPOLL. Belo Horizonte, UFMG (versão textual a sair). ; CORRÊA, Letícia M. Sicuro; FORSTER, Renê. An argument for DPs as phases in an integrated model of on-line computation: the immediate mapping of complex DPs with relative clauses. Revista Virtual de Estudos da Linguagem ReVEL, v. 10, n. 06, 7-26, BARD, Ellen Gurman; ROBERTSON, Dan; SORACE, Antonella. Magnitude estimation of linguistic acceptability. Language, p ,

48 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia BERWICK, Robert C. & WIENBERG, Amy S. The Grammatical Basis of Linguistic Performance. Cambridge, Mass.: MIT Press, CHOMSKY, Noam. Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge, Mass: MIT Press, Lectures on Government and Binding. Dordrecht: Foris, Knowledge of Language, its nature, origin and use. New York: Praeger, The Minimalist Program. Cambridge, Mass: MIT Press, Derivation by Phase. MIT Occasional Papers in Linguistics, v.18, Cambridge, Mass: MIT, Three factors in language design. Linguistic Inquiry, vol. 36, n.1, ; Beletti, Adriana; Rizzi, Luigi. On Nature and Language. Cambridge, CUP, 202. CITKO, B. Deletion under Identity in Relative Clauses. In: Proceedings of the North East Linguistic Society (NELS) 31, p , CORRÊA, Letícia. M. Sicuro. Possíveis diálogos entre Teoria Linguística e Psicolinguística: questões de processamento, aquisição e do Déficit Específico da Linguagem. In: Neusa MIRANDA; Maria Cristian L. NAME. (Orgs.) Linguística e Cognição. Juiz de Fora: Editora da UFJF, v., p , Relação processador linguístico-gramática em perspectiva: problema de unificação em contexto minimalista. D.E.L.T.A. Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada, v. 24, p , ; AUGUSTO, Marina. R. A. Computação linguística no processamento on-line: soluções formais para a incorporação de uma derivação minimalista em modelos de processamento. Cadernos de Estudos Linguísticos (UNICAMP), 49, ,

49 Letícia Sicuro Correa ; AUGUSTO, Marina. R. A. Possible loci of SLI from a both linguistic and psycholinguistic perspective. Lingua, v. 121, n.03, p , ; AUGUSTO, M. R. A.; MARCILESE, M. Resumptive pronouns and passives in the production of object relative clauses: circumventing computational cost. 22nd Annual CUNY Conference on Human Sentence Processing, Davis, CA. p. 148, COWART, Wayne. Experimental syntax: Applying objective methods to sentence judgments. Sage Publications, DABROWSKA, Ewa. Naive v. expert intuitions: an empirical study of acceptability judgments. The Linguistic Review, v. 27, n. 1, p. 1-23, FERREIRA, Fernanda; LAU, Ellen F.; BAILEY, Karl GD. Disfluencies, language comprehension, and tree adjoining grammars. Cognitive Science, v. 28, n. 5, p , FODOR, Jerry A.; BEVER, Thomas G. ; GARRETT, Merrill F. The psychology of language. New York: McGraw Hill, FRANCOM, Jerid Cole. Experimental Syntax: Exploring the effect of repeated exposure to anomalous syntactic structure Evidence from rating and reading tasks, Unpublished doctoral dissertation, University of Arizona, FRAZIER, Lyn. On sentence interpretation. Dordrecht: Kluwer, FRIEDERICI, Angela D. The Brain Basis of Language Processing: From Structure to Function. Physiological Review 91: ,

50 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia FRIEDMANN, Naama; BELLETTI, Adriana; RIZZI, Luigi. Relativized relatives: Types of intervention in the acquisition of A-bar dependencies. Lingua, 119, 67-88, GASKELL, Gareth. (Ed.). The Oxford Handbook of Psycholinguistics. NY: Oxford University Press Gaskell, GORELL, Paul. Syntax and parsing. Cambridge: Cambridge University Press, GRILLO, N. Generalized Minimality: Feature impoverishment and comprehension deficits in agrammatism. Lingua, vol.119, n.10, , GROLLA, Elaine. Pronomes Resumptivos em Português Adulto e Infantil. DELTA. Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada, v. 21, n.2, p , HAUSER, Marc.; CHOMSKY, Noam.; FITCH, W. Tecumseh. The Faculty of language: what is it, who has it, and how did it evolve? Science, n. 298, p , HORNSTEIN, N. Move! A minimalist theory of construal. Malden/ Oxford: Blackwell, HUANG, Yi Ting; SNEDEKER, Jesse. Logic and conversation revisited: Evidence for a division between semantic and pragmatic content in real-time language comprehension. Language and Cognitive Processes, vol. 26, n.8, , JOSHI, Aravind K.; SCHABES, Yves. Tree-adjoining grammars. In Grzegorz Rosenberg and Arto Salomaa (eds.) Handbook of Formal Languages, Berlin: Springer,

51 Letícia Sicuro Correa KAPLAN, Ronald M.; BRESNAN, Joan. Lexical-functional grammar: A formal system for grammatical representation. In Bresnan, Joan (ed.) The Mental Representation of Grammatical Relations. Cambridge, Mass: MIT Press. pp , KAYNE, Richard S. The antisymmetry of syntax. Cambridge, Mass: MIT Press, KATO, M.; NUNES, J. A uniform raising analysis for standard and nonstandard relative clauses in Brazilian Portuguese. In: NUNES, J. (Org.) Minimalist essays on Brazilian Portuguese syntax. Amsterdam: John Benjamins, Keenan, Edward L.; Comrie, Bernard. Noun Phrase Accessibility and Universal Grammar. Linguistic Inquiry, vol 8, 63-99, KEMPEN, Gerard. Clausal coordination and coordinative ellipsis in a model of the speaker. Linguistics, v. 47, n. 3, p , KEMPEN, Gerard; HARBUSCH, Karin. A Tree Adjoining Grammar without Adjoining The case of scrambling in German. In: Proceedings of the Fourth International Workshop on Tree Adjoining Grammars and related frameworks. p , KEMPEN, Gerard; HOENKAMP, Edward. An incremental procedural grammar for sentence formulation. Cognitive science, v. 11, n. 2, p , KEMPSON, Ruth; MEYER-VIOL, Wilfried; GABBAY, Dov M. Dynamic syntax: The flow of language understanding. Blackwell Publishing, KIMBALL, John. Seven principles of surface structure parsing in natural language. Cognition, v. 2, n. 1, p ,

52 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia LEVELT, Willem J. M. Formal grammars in Linguistics and Psycholinguistics Amsterdam: John Benjamins, Postscript pp. 1-17, LEVELT, Willem J. M. A history of psycholinguistics: The pre- Chomskyan era. Oxford: Oxford University Press, LIMA JR., João C.; CORRÊA, Leticia, M. Sicuro. A natureza do custo computacional na compreensão de passivas: um estudo experimental com adultos. (submetido). LIN, Chien-Jer Charles, BEVER, Thomas G. Proceedings of the 25th West Coast Conference on Formal Linguistics, ed. Donald BAUMER, David MONTERO, and Michael SCANLON, Somerville, MA: Cascadilla, MEIBAUER, Jörg; STEINBACH, Markus. Introduction: Experimental research at the pragmatics/semantics interface. In Meibauer, Jörg; Steinbach, Markus (Eds.) Experimental Pragmatics/Semantics. Amsterdam: John Benjamins, pp.1-18, MILHORANCE, Ludmila P. S. Resolução de anáfora no contexto do sluicing: o caso do Português Brasileiro. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, MILLER, George A. The background to modern psychology. In Jonathan MILLER (Ed.), States of mind: Conversations with psychological investigators, London: BBC Books, pp.12 28, ; CHOMSKY, Noam. Finitary models of language users. In Duncan Luce; Robert Bush; Eugene Galanter (Eds). Handbook of mathematical psychology, vol. 2. New York: Wiley. pp ,

53 Letícia Sicuro Correa MIRANDA, Fernanda V. O custo de processamento de orações relativas: um estudo experimental sobre relativas com pronome resumptivo no Português Brasileiro. Dissertação (Mestrado em Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, NOVOGRODSKY, Rama.; FRIEDMANN, Naama. The production of relative clauses in SLI: A window to the nature of the impairment, Advances in Speech-Language pathology 84, , PHILLIPS, Colin. Order and Structure. PhD. dissertation, MIT, PHILLIPS, C.; WAGERS, W. Relating Structure and Time in Linguistics and Psycholinguistics. Em Gaskell, Gareth (Ed). Oxford Handbook of Psycholinguistics, Oxford University Press. 2007; RIZZI, L. Relativized Minimality. MIT Press, Cambridge, Mass., 1990 ; Locality and left periphery. In: Belletti, Adriana. (Ed.), Structures and beyond: The Cartography of Syntactic Structures, vol. 3. Oxford: Oxford University Press.. Locality. Lingua Special Issue: Syntax and cognition: core ideas and results in syntax. vol 130, , SAUERLAND, Uli. The meaning of chains. PhD Thesis. MIT, Cambridge, ; Unpronounced Heads in relative Clauses. In: SCHWABE, Kerstin; WINKLER,Suzanne. (Eds.). The Interfaces. John Benjamins, Amsterdam/Philadelphia, p , SCHUTZE, Carson T. The empirical base of linguistics: Grammaticality judgments and linguistic methodology. University of Chicago Press, SCHÜTZE, Carson T.; SPROUSE, Jon. Judgment data. Research Methods in Linguistics, vol. 14, MIT, p. 2-27,

54 Relação Sintaxe Experimental Psicolinguística Experimental para Além da Metodologia SHLONSKY, Ur. Resumptive pronouns as a last resort. Linguistic inquiry, vol 23, n. 3, p , SPROUSE, Jon. A program for experimental syntax: Finding the relationship between acceptability and grammatical knowledge, Unpublished doctoral dissertatation, University of Maryland, 2007a.. Continuous acceptability, categorical grammaticality, and experimental syntax. Biolinguistics, v. 1, p , 2007b SPROUSE, Jon; HORNSTEIN, Norbert (Ed.). Experimental syntax and island effects. Cambridge University Press, STEEDMAN, Mark. The syntactic process. Cambridge: MIT press, THOMPSON, Valerie. A.; TURNER, Jamie. A. P.; PENNYCOOK, Gordon. Intuition, reason, and metacognition. Cognitive Psychology, vol. 63, n. 3, , TRAXLER, Matthew; GERNSBACHER, Morton Ann. Handbook of Psycholinguistics. 2 nd ed. New Yord: Academic Press, URIAGEREKA, Juan Multiple spell-out. In: Epstein, Samuel David; Hornstein, Norbert (Eds.) Working minimalism. Cambridge/ Mass: MIT Press. VOSSE, Theo; KEMPEN, Gerard. Parsing verb-final clauses in German: Garden-path and ERP effects modeled by a parallel dynamic parser. In: Proceedings of the 30th Annual Conference of the Cognitive Science Society. Washington DC,

55 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the consequences for syntactic theory. Diogo Almeida Language, Mind and Brain Lab - Division of Science, Psychology, NYU - Abu Dhabi. Abstract Categorical acceptability judgments form an important and productive heuristic that provides a substantial body of data to theoretical linguists. Despite its popularity, however, they might not always provide an accurate representation of the acceptability facts, especially when it concerns complex patterns of judgments across a range of different sentences types. In this work, I present evidence that, when categorical acceptability is substituted by a more graded measure of acceptability, one can observe wh-island sensitivity in Brazilian Portuguese in three syntactic phenomena (wh-movement, Topicalization and Left Dislocation), even though the island violating structures are marginally or fully acceptable. I conclude with a discussion about what the existence of such island sensitivity effects in marginally or fully acceptable sentences could mean for theories of syntactic islands, and syntactic theory more broadly construed. Resumo Julgamentos categoriais de aceitabilidade são uma heurística importante e produtiva que provê um corpo empírico substancial à teoria linguística. Entretanto, a despeito de sua popularidade, esses julgamentos nem sempre refletem de maneira correta os fatos relativos à aceitabilidade de sentenças, principalmente no que diz respeito a padrões complexos de julgamento que cruzam uma gama de diferentes tipos de sentenças. Neste estudo, eu apresento evidências que o Português Brasileiro exibe sensibilidade a ilhas de qu- em três fenômenos sintáticos distintos (movimento de qu-, topicalização e deslocamento à esquerda) quando medidas de aceitabilidade mais granulares substituem julgamento categoriais de aceitabilidade. O artigo Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

56 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory conclui com uma discussão a respeito de como a existência de sensibilidade à restrições de ilhas sintáticas em sentenças marginais ou plenamente aceitáveis pode impactar as teorias de ilhas sintáticas e, de maneira mais abrangente, a teoria sintática. Keywords experimental syntax, wh-islands, wh-movement, topicalization, left dislocation. Palavras-chave sintaxe experimental, ilhas de qu-, movimento de qu-, topicalização, Deslocamento a esquerda. 1 Introduction Informal acceptability judgments have served as one of the primary sources of data for theoretical syntax (Chomsky, 1965; Schütze, 1996; Sprouse et al., 2013). A recent large scale survey of ten years of the journal Linguistic Inquiry, for instance, has estimated that 48% of the data used in their theoretical syntax papers from 2001 to 2010 came from simple acceptability judgments, more than two times as much as the second most used source of data, judgments about possible interpretations, which were estimated to compose 23% of the data (Sprouse et al., 2013). However, despite its prevalence and popularity, informal acceptability judgment collection has persistently been a practice surrounded by controversy. One such controversy, which is the topic of this paper, pertains to how informal acceptability judgments are generally used to inform theory construction and theory evaluation. This is an issue that has received considerable attention in the literature (e.g., Bard et al., 1996; Featherston, 2005a; Sorace and Keller, 2005; Sprouse et al., 2013), and generally surfaces as a debate about how to interpret 56

57 Diogo Almeida gradience in accceptability judgments. While it is relatively uncontroversial that acceptability ratings are gradient in nature (Chomsky, 1965), grammars are generally modeled as categorical objects (Keller, 2000; Keller and Sorace, 2003; Sorace and Keller, 2005; Alexopoulou, 2007). Grammars of this sort can then be used to state whether they could have generated any given string. This mismatch between the nature of the data and the nature of theoretical objects the data helps motivate is not easily solvable. Taking this into consideration, most researchers proceed by making simplifying assumptions about the relationship between the acceptability and the grammatical status of sentences. A common working conjecture is that if after a putative grammatical manipulation a sentence is judged on a binary scale to be unacceptable, then we have grounds to think that the grammar has something to say - more specifically, to complain - about the resulting structure. This paper is organized as follows. Section 2 revisits the two basic research heuristics routinely used by syntacticians namely, the putative isomorphism between acceptability data and grammaticality, and whether categorical grammars necessitate looking at acceptability judgments in a categorical fashion and explores the consequences of dispensing with one or both heuristics. It will be argued that when acceptability data is not forced into a categorical binary scale, interesting data patterns can be observed that could have consequences for current theories of grammar. In particular, the concept of subliminal island effects will be presented in light of a discussion of gradient vs categorical acceptability judgments. Section 3 will present the case of syntactic island phenomena - more specifically, wh-islands - and use it to illustrate the fact that both English which is described as obeying wh-islands - and Brazilian Portuguese (BP) which is generally described as not subject to wh-islands yield essentially the same kind of evidence for wh-island sensitivity when their 57

58 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory pattern of gradient acceptability is analyzed without focusing primarily on whether they cross the tenuous and poorly defined boundary between acceptable and unacceptable categories. Section 3 concludes by presenting further evidence that islandsensitivity can be decoupled from binary categorical judgments of acceptability and be observed even in cases where the strings under evaluation are judged to be acceptable. In particular, evidence will be presented that certain topic constructions in BP, which have been generally analyzed as base-generated exactly on the basis of their insensitivity to island configurations, do in fact show evidence of whisland sensitivity. Crucially, this is an island constraint that had been posited not to operate in BP to begin with. Section 4 concludes with some considerations about what the existence of these subliminal islands effects might mean for a theory of grammar. 2 Acceptability vs Grammaticality Before proceeding, it is important to offer a working definition of acceptability and grammaticality that will be used throughout this paper. Henceforth, when we refer to the acceptability of a sentence, we mean the percept that a native speaker can form when she hears or reads an utterance, much like timbre is a perceptual attribute that listeners can experience upon hearing sounds. The grammaticality of a sentence, on the other hand, refers to a theoretical claim. More specifically, claiming that a sentence is grammatical is equivalent to claiming that (i) there is a formal object (a grammar) that can generate the specific utterance with its intended meaning and (ii) this formal object is somehow part of/ implemented in the mental makeup of the native speaker. It is generally assumed that sentence acceptability offers some insight as to its grammatical status, under the reasoning that utterances that conform to the mental 58

59 Diogo Almeida grammar of the native speaker would probably sound natural/acceptable as sentences of her language, whereas utterances that violate it would probably sound degraded (see Marantz, 2005 and Hoji, 2010 for discussions of this assumption). The precise nature of the relationship between acceptability and grammaticality is however still very much a mystery. What is clear is that the assumption that sentences should sound acceptable if and only if they are generated by the grammar and should sound degraded otherwise, is falsified by known empirical phenomena. There are sentences that are acceptable and yet considered ungrammatical, like the comparative illusion (cf. Phillips et al., 2011 for review of this and some other cases): (1) More people have been to Russia than I have Conversely, it is also possible to observe sentences that are judged to be unacceptable and yet are considered to be grammatical, like double center embedded structures (Chomsky and Miller, 1963): (2) The rat the cat the dog chased killed ate the malt. These phenomena show that any strong isomorphic thesis between acceptability and grammaticality is empirically untenable. However, a weaker version of the isomorphic thesis could nonetheless be useful as a heuristic. In other words, assuming a direct mapping between acceptability and grammaticality is ultimately a faulty strategy, but it can serve, if used discerningly, as a viable working hypothesis for diagnostic purposes, to be revisited and reassessed when the need arises. 59

60 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory 2.1 Categorical acceptability patterns vs Gradient acceptability patterns Given the fact that sentence acceptability is generally used heuristically to shed light on questions pertaining to sentence grammaticality, we can ask how the different options of reporting acceptability usually given to native speakers might impact linguistic research. While it is widely acknowledged that sentence acceptability is a gradient psychological quantity (Chomsky, 1965; Phillips, 2009), linguists often prefer to abstract away from that gradience and ask their informants to categorize sentences as good or bad, or as acceptable and unacceptable. This forced categorization onto a binary scale makes the direct mapping easier between data and theory. However, it is important to stress that this practice is yet another heuristic, and that this accumulation of heuristics is justified not by a solid theory of acceptability judgments (which does not currently exist; see Hofmeister et al., 2013 for discussion) but rather by the amount of progress one can make by judiciously invoking them as working hypotheses. Therefore, it is an open question whether acceptability facts would change if one were not to rely on either one or both of these heuristics. Crucially, if the description of the syntactic phenomenon changes according to the choice of the heuristics used in data collection and data interpretation, it is important to consider the potential implications for syntactic theory. 2.2 Syntactic islands and graded acceptability judgments Syntactic islands are a fertile ground for this sort of inquiry, because (a) they involve the interaction of different syntactic mechanisms, (b) they elicit varying degrees of acceptability within languages to the point that there have been proposals to reduce them to extra-grammatical factors, and (c) they are cross-linguistically diverse. We turn to these properties next. 60

61 Diogo Almeida Syntactic accounts of islands require two ingredients Traditional syntactic accounts of island effects generally require two elements: a long distance dependency formation mechanism (e.g., Movement) and a barrier to this mechanism (e.g., an embedded clause headed by a wh- word). The presence of either in a sentence by itself generates no problems. For example, objects can be moved to the front of the clause, and embedded clauses can be headed by a wh- word, as shown in the following examples: (3) Who did Mary see? (4) Mary wondered whether Bill saw Jane. However, trying to extract an object out of an embedded clause headed by a wh- word results in a string deemed unacceptable by many native speakers of English: (5) *Who did Mary wonder whether Bill saw? Notice the contrast in the case where the object is extracted out of an embedded clause headed by the complementizer that: (6) Who did Mary think that Bill saw? Syntactic islands elicit varying degrees of acceptability The schema sketched above forms the basic template for several other so-called syntactic island effects. These can be stated as constraints on which kind of constituents can be engaged by a particular longdistance dependency formation mechanism (such as Movement). Examples include the apparent bans on the extraction of an NP (a) out of another NP in subject position, (b) out of a coordinated NP or (c) out of an adjunct clause. 61

62 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory However, it is generally accepted that such restrictions on longdistance dependencies exhibit variations in how degraded the outcomes of their violations are judged to be. For instance, adjunct island effects are reported to sound more degraded than wh-island effects in English, even though both cases generate low acceptability ratings and are generally classified as unacceptable when forced onto a binary scale: Adjunct island: (7) *How i does Peter wonder whether Mary fixed the car t i? Wh-island: (8)?What i does Peter wonder whether Mary fixed t i? Syntactic islands vary cross-linguistically Syntactic islands have also been reported to exhibit substantial crosslinguistic variation. For example, Rizzi (1982) followed by Torrego, (1984), presented data suggesting that Italian and Iberian Spanish are not subject to the same wh-island constraints as English. This crosslinguistic contrast has been captured theoretically by proposing that the inventory of the categories that can act as a barrier to movement can vary across languages. In some, like English, the functional projection IP blocks movement, whereas in other languages, like Italian (Rizzi, 1982), Iberian Spanish (Torrego, 1984) and BP (Mioto et al., 2000; Mioto e Kato, 2005), it is CP that acts as a barrier. This has been a tremendously influential proposal, and it is predicated on contrasts like the one below (cf. Mioto and Kato, 2005): 62

63 Diogo Almeida English (9) What does Peter think that Mary bought t i? (10)*What does Peter wonder whether Mary bought t i? BP (11) O que i o Pedro achou que a Maria comprou t i? What the Pedro thought that the Mary bought What did Peter think that Mary bought? (12) O que i o Pedro perguntou se a Maria comprou t i? What the Pedro asked whether the Mary bought What did Peter ask whether Mary bought? Different possible diagnoses of syntactic islands. As an example of how looking at patterns of gradient acceptability might change the description of the basic cross-linguistic facts, we can turn to wh-islands in English and BP. Despite being described as generally acceptable and therefore grammatical in BP, sentences that violate the wh-island constraint do not sound perfectly acceptable, and a range of acceptability judgments can be elicited. It might be the case that, if forced to use a binary scale, sentences that violate wh-islands are judged just above the tenuous and ill-defined threshold of the binary category acceptable, while their English counterparts are judged to be below the same threshold. This forces us to consider an important question: How exactly does one define what counts as syntactic island sensitivity? 63

64 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory The usual strategy for defining island sensitivity is whether the offending cases are categorized as bad or unacceptable on a binary scale. As we have argued above, however, this type of reasoning is better defined as a research heuristic, and therefore it is ultimately unsuitable as a definitive diagnostic of islandhood. Once this way of defining islands is called into question, one can devise alternative means of diagnosing the conditions under which certain kinds of long distance dependency formation mechanisms (like Movement) are blocked. The factorial definition of islands, and the challenges from reductionist processing theories of islands An alternative way of diagnosing syntactic islands has been proposed in the context of a debate about theories of island effects that sought to reduce them to extra-grammatical factors. The simplest theory of this kind would propose that at least some island sensitivity effects might be better understood as the result of a conspiracy of independent constraints on parsing, rather than a grammatical constraint. Under such a proposal, the two ingredients of island effects - the presence of movement and the presence of an island configuration (for example, an embedded clause headed by a wh-word) - might have independent parsing (or processing) costs. The sentences below illustrate the paradigm for wh-island in English (diacritics indicating acceptability intentionally left out): Movement out of matrix clause (no island structure/island structure) (13) Who (thinks that/wonders whether) Mary read the book? Movement out of embedded clause, (no island structure/island structure) (14) What does John (think that/wonder whether) Mary read? 64

65 Diogo Almeida Figure 1 illustrates the different scenarios under which the length of movement and the presence of an island structure both have verifiable independent costs. The gray line in the middle of the plot illustrates the hypothetical boundary between acceptable and unacceptable categories in the traditional binary scale, and the lighter-gray area around it represents the area in which judgments might be categorized as either acceptable or unacceptable, depending on the person, and test situations. The offending sentence (ie, the one that incurs in both independent costs simultaneously) is marked in red. The top row of Figure 1 illustrates the cases in which the two independent costs add up linearly. The top left plot shows what the pattern would be in case the two independent processing costs existed, but would still generate sentences that would be rated as acceptable in the traditional binary scale. The top middle plot displays the pattern that would be expected if when the two independent costs combined, they would lower the acceptability of the offending sentence just enough for it to be judged acceptable or unacceptable in the traditional binary scale, although only marginally so. Finally, the top right plot illustrates the case in which the two costs combine linearly and produce an offending sentence that clearly cross the acceptability boundary in the traditional binary scale. It is this plot that corresponds to the simplest processing-based account of island effects, since the entirety of the island effect is accounted for by the simple addition of these two independently motivated costs incurred by the parser. 65

66 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory Figure 1. Hypothetical scenarios relating the factors of Structure (what kind of embedded clause is present in the sentence) and the site of origin of the moved element (matrix or embedded clause) that would generate an island sensitivity effect. If the pattern of acceptability in English could be described by the top right plot in Figure 1, then the simple processing-based account of island might be a tenable model. However, a large corpus of acceptability judgment experiments has already demonstrated that, by and large, island effects are better described by the bottom right plot in Figure 1 (Sprouse et al., 2012). In this plot, we see that the two processing costs do exist although in reality, it is not the case that they do for every island under consideration (see Sprouse et al., 2012) but they do not add up linearly. In other words, the severity of the acceptability penalty incurred by the offending sentence is larger than what would have been predicted by each cost separately. This fact is not 66

67 Diogo Almeida predicted by the simple processing-based theory considered so far, but it is compatible with a grammar-based account of islands, in which that particular structure (the one marked in red in Figure 1) is the target of a structural well-formedness constraint. However, there are other processing-based theories of island effects that can account for the same super additive effect of length of movement (from matrix or embedded clause) and presence of an island structure. For instance, Kluender and Kutas (1993) have argued that some island constraints the ones subsumed by Subjacency can be reduced to the conspiracy of these independent processing facts, and no grammatical constraint need be posited. Kluender and Kutas (1998) s account starts by assuming that the two ingredients for island effects have independent processing costs. More precisely, these factors are costly to the parser because they tax its working memory resources. If these resources are exceeded, then the parser simply fails to process the sentence, resulting in a sentence of much lower acceptability than it would have been predicted by the encumbrance of each independent cost by itself. This kind of model has been revisited recently by Hofmeister and Sag (2010), who explicitly reaffirm that limits on working memory capacity, when exceeded, might lead to the breakdown of the parsing process. Under this account, however, the same pattern of acceptability as the one posited by grammatical accounts of syntactic islands is predicted (ie., the lower bottom right plot in Figure 1). Finding the test cases that could distinguish one account from the other is not trivial, and the interested reader is referred to the recent series of articles and responses between (Sprouse et al., 2012a, 2012b) on one side and (Hofmeister et al., 2012a, 2012b) on the other for further discussion. It is important to notice, however, that while both models have the requisite mechanisms that allow them to naturally predict the pattern in the bottom right plot of Figure 1, neither model can readily account for the hypothetical patterns of the bottom left and bottom middle plots. 67

68 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory Under these two scenarios, the ingredients of island effects still interact super additively, but the offending sentence is still fully or marginally acceptable. These patterns would be problematic for traditional grammatical accounts of islands because these are generally stated as constraints on structural well-formedness. The patterns in the bottom left and middle plots, however, would imply that perhaps some sort of constraint is being applied, but its result is nonetheless judged to be well-formed enough by native speakers. In the same vein, the patterns in the bottom left and middle plots of Figure 1 would also be problematic for Kluender and Kutas (1993) s processing-based account. This is because the way the superadditive effect is derived under this kind of model is via a breakdown of the parsing process, a direct result of its working memory resources being exceeded. The effects in the bottom left and middle plots are still super-additive, but they do not result in particularly low acceptability ratings, indicating that these sentences would have probably been parsed well enough to generate natural sounding sentences especially since under Kluender and Kutas (1993) s account, there is nothing structurally ill-formed about these sentences Looking at the gradient acceptability of island phenomena: The concept of subliminal island effects. Once a factorial definition of what constitute an island effect is taken into consideration, and the heuristic adherence to categorical judgments is dispensed with, it is at least logically possible to conceive of the scenarios depicted in the bottom left and middle plots of Figure 1. These are both cases in which length of movement and the presence of an island structure combine super-additively, and yet the final result is still acceptable or marginally so. We will refer to this kind of island sensitivity as subliminal island effects, and contrast them with the traditional island effects, which we could refer to as supraliminal island effects, as the other side of the same phenomenon. 68

69 Diogo Almeida If island effects can be detected even within structures that are generally categorized as acceptable in the traditional binary scale, this could have consequences for how island-constraints are discussed in the theoretical literature. One of the goals of this paper is to explore the hypothesis that at least some of the cross-linguistic variation observed in the syntactic island literature is only superficial in nature. Put differently, it may be the case that island constraints are indeed universal, and the reason for the apparent cross-linguistic variation is not due to variations in the inventory of well-formedness constraints any given grammar might possess. The apparent variation would rather be due to fact that the acceptability penalties that are incurred when these putative universal constraints are violated simply vary across languages. If this kind of explanation is on the right track, then it would have two immediate consequences: First, for grammatical accounts of syntactic islands, it would invite significant simplification in the basic description of what an island effect is. Second, it would push the object of explanation away from ontological considerations about grammars, and instead force researchers to consider how a singular set of universal constraints ends up having different acceptability costs across different languages. For processing-based theories of islands, the existence of subliminal island effects would have even more far-reaching consequences. Fully reductionist theories such as the ones proposed by Kluender and Kutas (1993) and Hofmeister and Sag (2010) would be forced to abandon the goal of deriving island effects purely via extra-grammatical factors. This is because the facts of cross-linguistic variation would still point to super-additive effects that simply do not cause the parsing process to break down. If that is the case, then the linking between the two in the traditional supraliminal island cases might be simply fortuitous, and not the defining characteristic of what an island effect is. While processing-based accounts would still have plenty of room to posit a significant role for processing effects in the derivation of specific island 69

70 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory effects, if subliminal island effects can be documented, they would almost certainly necessitate language-specific, and therefore grammar-specific, constraints to be in place. 3 Wh-Island sensitivity in wh-movement, topicalization and left dislocation in English and BP: Do whether clauses in BP create subliminal islands? As an example of how this hypothesis would work, let us consider the case of wh-island constraints. In some languages, like English, the violation of this constraint generates a large enough acceptability penalty that makes it visible through the lenses of categorical acceptability judgments. Because these cases are visible to the naked eye and are more easily categorizable by native speakers, we have proposed referring to them as supraliminal islands. The first hypothesis to be considered in this study is whether in some languages, like BP, the violation of a wh-island constraint would simply be more difficult to observe, because the resulting structure might never receive a large enough acceptability penalty to be easily categorizable as unacceptable in the traditional binary categorical scale. In order to test the viability of such hypothesis, we will compare cases of whether-island structures in English and BP under this new factorial definition and see whether similar acceptability patterns are observed with different end results for the offending sentences ( unacceptable for English, acceptable or marginally acceptable in BP). If subliminal island effects can be detected, then this calls into questions all the cases in which the structural representation of a given phenomenon is decided on the basis of their putative sensitivity to island effects. The second test case evaluated in this study is the distinction between Topicalization (Chomsky, 1977) and Left Dislocation (Ross, 1967), two types of topic constructions that are superficially 70

71 Diogo Almeida very similar, in that both are phenomena in which a phrasal unit (for eg. an NP) occupies the left edge of the clause, and stands in a long distance dependency relation with an element inside of it: Topicalization/Left Dislocation (15) That bus i, the professor thinks that Matt missed (t i /it i ). In the case of Topicalization, it is normally assumed that the element involved in the long distance dependency is the trace of the moved phrase. In Left Dislocation, the element inside the clause is thought to be a co-referential pronoun. Therefore, despite their superficial similarities, it has long been proposed that Topicalization originates from movement, whereas Left Dislocation is a base generated structure. One of the empirical reasons to carve out a different genesis for these two phenomena is their divergent behavior when it comes to island sensitivity. Namely, Topicalization seems to be sensitive to syntactic islands, whereas Left Dislocation seems not to be: Topicalization (16) That bus, the professor (thinks that/*wonders whether) Matt missed. Left dislocation (17) That bus, the professor (thinks that/wonders whether) Matt missed it. 71

72 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory These facts are compatible with the view according to which movement is constrained by certain barriers (like embedded clauses headed by wh-words), whereas simple anaphoric relationships (which are taken to be at the heart of Left Dislocation) are not. 3.1 Experimental design. Three subexperiments were embedded into a single linguistic survey, where participants were asked to rate the acceptability of test items on 7-point scale. The first subexperiment compared wh-island cases in English and BP. The second subexperiment compared Left Dislocation in English and BP, and the third subexperiment compared Topicalization in English and BP. All subexperiments had four conditions in order to explore how the factorial decomposition of wh-islands is reflected in gradient acceptability data. The only exception was in English version of the third subexperiment (Topicalization), where only extraction out of object positions were possible, due to English not allowing null subjects. This yielded 10 experimental conditions in total. 3.2 Materials Ten base lexicalizations were created and modified to yield ten versions of each experimental condition. These were distributed across ten different lists, following a Latin square design. Therefore, every condition in each list contained an experimental item derived from a different base lexicalization, and each participant was only presented with one item per condition, never from the same base lexicalization. In addition, thirty-two filler sentences spanning the full acceptability spectrum observed in a large scale survey of English data judgments (Sprouse et al., 2013) were selected as to yield an approximate 1:1 ratio of acceptable vs unacceptable sentences, as in Sprouse et al., (In Press). The English fillers were used without any modifications 72

73 Diogo Almeida for the English experiment, and were translated into BP for the BP experiment. The author used his native speaker intuition to verify that the approximate 1:1 acceptable/unacceptable ratio was maintained in the translations. The use of 1:1 acceptable to unacceptable ratio that nonetheless spans the full range of the acceptability spectrum is not strictly necessary from an experimental perspective, but it does introduce a set of desirable properties from a methodological standpoint. The first is that participants are encouraged to use the full range of whatever acceptability scale they are presented with (a 7-point scale in our case), which helps minimizing scale-biases effects. The second desirable property is that a 1:1 acceptable-to-unacceptable ratio of sentences in the experiment provides for a more direct translation between the z-score transformed results (see Analysis below) and their potential binary counterparts, since 0 on the z-score scale would map rather naturally to an area closer to the boundary between acceptable and unacceptable categories. Subexperiment 1: English (A) and BP (B) wh-island cases A full paradigm is shown below for one base lexicalization in English and one in BP (diacritics indicating categorical acceptability omitted): Movement out of matrix clause; (no island structure/island structure) (18) Who (thinks that/wonders whether) Matt missed the bus? (19) Quem (achou que/perguntou se) o Marcos perdeu o ônibus? Who (thought that/asked whether) the Marcus missed the bus Who (thought that/asked whether) Marcus missed the bus? Movement out of embedded clause; (no island structure/island structure) 73

74 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory (20) What does the professor (think that/wonder whether) Matt missed? (21) O que que a professora (achou que/perguntou se) o Marcos perdeu? What that the professor.fem (thought that/asked whether) the Marcus missed What did the professor (think that/ask whether) Marcus missed? Subexperiment 2: Left Dislocation in English (A) and BP (B). Both English and BP allow us to test the full factorial paradigm for islands for cases of left dislocation (LD), as shown below (diacritics indicating categorical acceptability omitted): Pronoun in matrix clause; (no island structure/island structure) (22) That professor, she (thinks that/wonders whether) Matt missed the bus. (23) Aquela professora, ela (disse que/perguntou se) o Marcos perdeu o ônibus. That professor.fem, she (said that/asked whether) the Marcus missed the bus That professor, she (said that/asked whether) Marcus missed the bus. Pronoun in embedded clause; (no island structure/island structure) (24) That bus, the professor (thinks that/wonders whether) Matt missed it. (25) Aquele ônibus, a professora (disse que/perguntou se) o Marcos perdeu ele. That bus, the professor.fem (said that/asked whether) the Marcus 74

75 Diogo Almeida missed him That bus, the professor (said that/asked whether) Marcus missed it. Subexperiment 3: Topicalization in English (A) and BP (B) When it comes to topicalization, unfortunately English does not allow the full factorial paradigm, because the language does not accept null subjects: (26) *That professor, t thinks that Matt missed the bus. Because of this, only topicalization of objects will be tested, as in the paradigm below: Movement out of embedded clause, (no island structure/island structure) (27) That bus, the professor (thinks that/wonders whether) Matt missed. Brazilian Portuguese, in contrast with English, allows for null subjects in some circumstances. In general, subjectless matrix clauses are not allowed, unless there is a prominent element in the discourse that it can be coreferent with: (28) * ø disse que o Marcos perdeu o ônibus. NULL said that the Marcus missed the bus Said that Marcus missed the bus. (29) Aquela professora? Então, ø disse que o Marcos perdeu o ônibus. That professor.fem? So, NULL said that the Marcus missed the bus. That professor? Well, she said that Marcus missed the bus. 75

76 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory This allows for an attempt to have the full factorial paradigm in Brazilian Portuguese: Movement out of matrix clause; (no island structure/island structure) (30) Aquela professora, ø (disse que/perguntou se) o Marcos perdeu o ônibus. That professor.fem, NULL (said that/asked whether) the Marcus missed the bus That professor, ø (said that/asked whether) Marcus missed the bus. Movement out of embedded clause; (no island structure/island structure) (31) Aquele ônibus, a professora (disse que/perguntou se) o Marcos perdeu ø. That bus, the professor.fem (said that/asked whether) the Marcus missed NULL. That bus, the professor (said that/asked whether) Marcus missed ø. 3.3 Task Participants were instructed to judge the acceptability of sentences on a 7-point scale, ranging from 1 ( very unacceptable ) to 7 ( very acceptable ). The 7-point Likert scale judgment task has been shown to be at least as powerful as Magnitude Estimation (Weskott e Fanselow, 2011; Sprouse et al., 2013), but it is easier to implement and for participants to understand. 76

77 Diogo Almeida 3.4 Procedure The experiment was implemented using the Qualtrics software (Qualtrics, Provo, UT; version: 57336). The experiment began with a 6 sentence practice phase (3 acceptable and 3 unacceptable sentences each), followed the experimental phase. In the experimental phase, there was a 10-sentence adaptation period, in which fillers spanning the full spectrum of acceptability were presented (5 acceptable, 5 unacceptable). This was done to maximize the chance that participants would have used the full range of the 7 point scale before they encountered any of the experimental items. The items in this adaptation phase were always the same across participants, but were presented in random order for each participant. They were not distinguished in any way from the other items in the experimental phase. Following the adaptation phase, the rest of the materials were presented in randomized order for each participant. Participants completed the survey on their own pace, but were instructed to not overthink their judgments. Participants were asked to judge 44 experimental sentences, in addition to the six practice trials. 3.5 Participants 60 self-reported native speakers of American English were recruited via Amazon Mechanical Turk. 38 self-reported native speakers of BP were recruited via different social media websites and word of mouth. 77

78 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory 3.6 Analysis The 7-point acceptability ratings of the 44 experimental items from each participant were scaled to a standard deviation unit. This procedure, called z-score transformation, is carried out by first subtracting the mean rating of each participant from every item they rated and then subsequently dividing these values by the standard deviation of their raw ratings. The z-score transformation helps to mitigate potential scale biases arising from inconsistencies across participants regarding their use of the 7 point scale. For instance, some participants might have a bias towards using the lower or the upper end of the scale, or to use a smaller or larger range of values. Transforming the data into z-scores, these potential issues with the raw scores are minimized, and the data can be more meaningfully compared across participants. Visual inspection of the z-score transformed ratings confirmed the emerging consensus (Featherston, 2005a; Sprouse, 2007; Featherston, 2009) that acceptability ratings do not benefit from log-transformation, contrary to some suggestions in the early experimental syntax literature (Bard et al., 1996), and therefore only the z-score transformed data was used in the statistical analyses. 3.7 Results The results of each subexperiment are summarized in Figure 2, and discussed below. 78

79 Diogo Almeida Figure 2: Results of the three subexperiments. 79

80 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory Subexperiment 1A: Wh-islands in English In English, the interaction between Origin of Movement and Type of Embedded Clause was significant (F(1, 61) = 42.79, p <.0001), confirming the predicted super-additive effect that characterizes islandhood under its factorial definition. Both main effects were also significant (Origin of Movement: F(1, 61) = 218.5, p <.0001; Type of Embedded Clause: F(1, 61) = 42.79, p <.0001). Movement out of embedded clauses yielded generally lower acceptability ratings than sentences containing movement out of the matrix clauses (mean_embedded = 0.15, mean_matrix = 1.02). Sentences containing an embedded island structure received lower acceptability ratings than sentences with regular embedded clauses (mean_island = 0.22, mean_nonisland = 0.95). Planned comparisons (via paired t-tests) within each factor of the 2 x 2 design confirmed that the effect of Origin of Movement was significant both in the Island (t(61) = , p <.0001) and NonIsland structures (t(61) = , p <.0001). The effect of Type of Embedded Clause was significant for sentences with movement from the matrix clause (t(61) = 2.515, p =.0015), as well as for sentences with movement from the embedded clause (t(61) = , p <.0001). Subexperiment 1B: Wh-islands in BP In BP, the interaction between Origin of Movement and Type of Embedded Clause was significant for wh-island cases (F(1, 37) = 12.32, p =.0012), showing a similar super-additive effect that characterizes islandhood in its factorial definition in English. Both main effects were also significant (Origin of Movement: F(1, 37) = 39.22, p <.0001; Type of Embedded Clause: F(1, 37) = 23.34, p <.0001). Movement out of embedded clauses yielded generally lower acceptability ratings than sentences containing movement out of the matrix clauses (mean_embedded = 0.29, mean_matrix = 1). Sentences 80

81 Diogo Almeida containing an embedded island structure received lower acceptability ratings than sentences with regular embedded clauses (mean_island = 0.44, mean_nonisland = 0.86). Planned comparisons (via paired t-tests) within each factor of the 2 x 2 design further demonstrated that the effect of Origin of Movement was significant both in the Island (t(37) = , p <.0001) and NonIsland structures (t(37) = , p =.0003). The effect of Type of Embedded Clause was not significant for sentences with movement from the matrix clause (t(37) = , p =.2568), but was significant for sentences with movement from the embedded clause (t(37) = , p <.0001). Subexperiment 2A: Left Dislocation in English In English, the interaction between Position of Resumptive and Type of Embedded Clause was not significant (F(1, 61) = 0.001, p =.972). The super-additive effect that characterizes islandhood in its factorial definition was not observed in this manipulation. Only the main effect of Position of Resumptive was significant (Position of Resumptive: F(1, 61) = 5.788, p =.019; Type of Embedded Clause: F(1, 61) = 0.396, p =.532). Resumptives in embedded clauses yielded generally lower acceptability ratings than sentences containing resumptive pronouns in matrix clauses (mean_embedded = , mean_matrix = -0.03). Planned comparisons (via paired t-tests) within each factor of the 2 x 2 design showed that the effect of Position of Resumptive was significant in the Island (t(61) = , p =.044) but not in the NonIsland structures (t(61) = , p =.119). The effect of Type of Embedded Clause was not significant neither for sentences with resumptives in the matrix clause (t(61) = , p =.653), nor for sentences with resumptives in the embedded clause (t(61) = , p =.645). 81

82 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory Subexperiment 2B: Left Dislocation in BP In BP, the interaction between Position of Resumptive and Type of Embedded Clause was not significant (F(1, 37) = 1.517, p =.226). The super-additive effect that characterizes islandhood in its factorial definition was not observed in this manipulation. Only the main effect of Position of Resumptive was significant (Position of Resumptive: F(1, 37) = 5.284, p =.0273; Type of Embedded Clause: F(1, 37) = 0.608, p =.441). Resumptives in embedded clauses yielded generally lower acceptability ratings than sentences containing resumptive pronouns in matrix clauses (mean_embedded = 0.06, mean_matrix = 0.25). Planned comparisons (via paired t-tests) within each factor of the 2 x 2 design showed that the effect of Position of Resumptive was significant in the Island (t(37) = , p =.003) but not in the NonIsland structures (t(37) = , p =.3242). The effect of Type of Embedded Clause was not significant for sentences with resumptives in the matrix clause (t(37) = , p =.7216), nor for sentences with resumptives in the embedded clause (t(37) = , p =.1988). Subexperiment 3A: Topicalization in English In English, the topicalization paradigm had to be restricted to include only topicalization from object positions, due to the fact that English does not allow null subject sentences. The only manipulation used in this experiment was the Type of Embedded Clause. The results show that higher ratings were given in average to sentences containing topics extracted from regular complement clauses than to sentences containing topics extracted from interrogative complement clause (wh-islands), but this numeric difference is not statistically significant (t(62) = , p = 0.156) 82

83 Diogo Almeida Subexperiment 3B: Topicalization in BP In BP, the interaction between Position of Resumptive and Type of Embedded Clause was marginally significant (F(1, 37) = 2.569, p =.1). This finding is compatible with the predicted super-additive effect that characterizes islandhood under its factorial definition, although the evidence is weak. No other main effect was significant. Planned comparisons (via paired t-tests) within each factor of the 2 x 2 design showed that the effect of Position of Extraction was not significant neither in the Island (t(37) =.8044, p =.426) nor in the NonIsland structures (t(37) = , p =.6133). The effect of Type of Embedded Clause was not significant for sentences with topics extracted out of the matrix clauses (t(37) = , p =.9868), but was marginal for sentences with topics extracted from the embedded clause (t(37) = , p =.0684). 3.8 Discussion Subexperiment 1 demonstrates that both English and BP show whisland sensitivity. In fact, the average rating of the BP island-violating structure is barely below 0, an indication perhaps that this structure would not have been judged categorically unacceptable if the traditional binary scale had been used. This corresponds quite closely to the hypothetical scenario illustrated in the bottom middle plot of Figure 1. Subexperiments 2 and 3 investigated two different kinds of topic constructions: Left Dislocation, a construction that is generally described as being insensitive to islands, and Topicalization, which is generally assumed to be an island-sensitive construction. The results from the English part of these subexperiments (2A and 3A) shows that the Left Dislocation paradigm is judged as relatively unacceptable, and shows that the site of the resumption seems to affect the acceptability of the construction: When resumptive pronouns occur in an embedded 83

84 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory clause, the sentence is judged to be less acceptable than the cases where the resumptive pronouns appear in the matrix clause. Despite this linear distance effect, however, the English left dislocation data do not show any evidence of island-sensitivity. When it comes to Topicalization, we unfortunately could not test the full factorial paradigm in English, due to the restriction against null subjects in the language. The only conditions that could be tested were the extractions out of the embedded clauses. In the case of English, the island-status of the embedded clause did not seem to modulate the acceptability of the topicalized sentences. The Topicalization data shows however that English-speaking participants seem to exhibit a small preference for object topicalization from embedded clauses compared to object left dislocation from embedded clauses. Unlike the case of the wh-island in regular wh-movement, where both languages show similar acceptability patterns, the data from Left Dislocation and Topicalization showed a divergence between the two languages. Both Left Dislocation and Topicalization in BP demonstrated a small but apparently reliable sensitivity to wh-islands, something that is not found in the English data. Moreover, the acceptability pattern is the same across the two constructions, and shows that, at least qualitatively, the two constructions display the super-additive effect that potentially identifies islandhood under its factorial definition. In addition to the numeric results trending in the direction of island-sensitivity for both topic constructions, Topicalization shows marginal statistical evidence of super-additivity between the two pieces of information (structure of embedded clause and site of the dependency) that define islandhood factorially. This result is not exactly replicated for Left Dislocation, where the predicted statistical interaction between the two factors is not observed. However, when both Topicalization and Left Dislocation are entered into a three-way 2 x 2 x 2 repeated measures ANOVA, coding Dependency Site 84

85 Diogo Almeida (matrix, embedded), Type of Embedded Clause (island, non-island) and Type of Topic construction (topicalization, left-dislocation) as factors, the interaction between the two relevant factors (Dependency Site and Type of Embedded Clause) result in marginal statistical significance (F(1,37) = 3.276, p =.07). This suggests that there is a real, reliable, but perhaps small effect of island-sensitivity in both Topicalization and Left Dislocation in BP. With only 38 participants, each only rating one token from each experimental condition, it is conceivable that our sample may not be large enough to reliably detect a small island sensitivity effect across two different structures (Topicalization and Left Dislocation). The admittedly still tentative evidence of island-sensitivity for both types of topic constructions in BP has another interesting feature to it: All the items in the factorial paradigm are rated as relatively acceptable sentences, and yet there is some evidence that the acceptability ratings are sensitive to syntactic islands. If this is true, this is a good illustration of the hypothetical scenario depicted in the bottom left plot in Figure 1, and thus would be an example of a subliminal island effect. 4 Conclusion The goal of this study was to try to explore the consequences of refusing to grant epistemological priority to binary categorical judgments of sentence acceptability in linguistic theory. As a test case, we decided to focus on syntactic islands, since they have been a very important class of phenomena within linguistic theory. Because syntactic islands seem to provide a window into the inner workings of long-distance dependency formation in the linguistic computational system, they are both the focus of intense theoretical investigation. They are also used as an important diagnostic tool that theoreticians exploit to adjudicate between competing linguistic analyses. For instance, a common inference that is drawn is that if a long-distance dependency is somehow 85

86 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory insensitive to syntactic islands, then it was probably not generated by the syntactic operation Movement (or whatever ultimately generates the natural class of long-distance dependencies that motivates the existence of this syntactic operation in the first place). In this study, both of these aspects of syntactic islands were investigated. The first hypothesis that we set out to explore was whether at least some of the within- and across- language variation surrounding syntactic islands was artifactual, more of a consequence of the tools routinely used by syntacticians than a property of the acceptability judgment data they investigate. The test case used in this work was the cross-linguistic variation of wh-islands. It has long been observed that some languages, like English, seem to impose a stronger acceptability penalty on extractions out of specific structural configurations, like an embedded clause headed by a wh-word, when compared to other languages, like Italian or BP. This basic cross-linguistic variation is then generally hypothesized to follow from differences in the grammar of these two sets of languages. However, as discussed in the introduction, no theory of acceptability judgments and their relationship with grammaticality exists that would license this kind of inference with any degree of certainty. While it is possible that the difference between English and BP when it comes to wh-islands does follow from differences in the two grammars, it is also conceivable that these differences are rather superficial, and that the grammars of the two languages are identical with respect to the type of restrictions they place on long-distance dependencies of the same kind. The experiment presented in this paper tested this hypothesis and showed that, contrary to traditional descriptions, both English and BP show evidence of wh-island sensitivity. More interestingly, the results also suggest that the reason for the traditional description of the lack of wh-island sensitivity in languages like BP may lie in the simple fact that the structures in BP that violate wh-islands sound more natural 86

87 Diogo Almeida than their English counterparts. This is a pattern of results that we have been referring to throughout this work as subliminal islands: cases where measurable island sensitivity effects are observed, and yet do not lead to gross sentence unacceptability. To provide a stronger case for the existence of subliminal islands, we turned to topic constructions in English and BP. One of them, Topicalization, has generally been described as being island-sensitive, contrary to the other, Left Dislocation. The inference that is generally drawn from these acceptability judgment facts is that Topicalization is generated by movement, while Left Dislocation is not. In keeping with the idea that syntactic island sensitivity may or may not induce gross sentence unacceptability, we have presented data suggesting that, at least in BP, both Topicalization and Left Dislocation show some degree of wh-island sensitivity. These results are noteworthy for two reasons: First, BP is generally described as not subject to wh-islands. Second, Left Dislocation is generally described as not subject to syntactic islands in general. If the results of our experiment are correct (and the evidence is still tentative at this point), then a profoundly different view of a phenomenon like Left Dislocation emerges. For instance, Kato (1998) has an interesting theory according to which left-dislocated NPs in BP are in fact generated by movement of secondary predicates. However, given the traditional description of the Left Dislocation facts, Kato (1998) has to posit that this particular kind of movement is not subject to island constraints. If Left Dislocation is indeed subliminally sensitive to islands, then Kato s proposal is simplified, and her analysis based on Movement would naturally predict these subliminal island effects. Conversely, all the arguments for a base-generation approach to Left Dislocation that were made primarily on the force of its supposedly island-insensitivity properties would need to be re-evaluated. 87

88 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory However, for all its provocative nature, it is important to be very clear about what the data presented in this paper does not show: First, the data presented in this paper does not challenge in any way the traditional description of the acceptability facts reported in the literature. To native speakers (the author included), wh-island violations in BP do not sound perfect, but neither do they sound utterly degraded. They occupy a position somewhere in the middle range of acceptability. The same pattern is borne out in the data presented here, where violations of whislands in BP were judged to be slightly below average acceptability. In addition, when it comes to Left Dislocation, the traditional description is that even in cases where the pronominal element is inside an island, the sentence still sounds acceptable. This is exactly the pattern observed in the data. The major contribution of the results presented here is that, despite the correctness of the data description in the theoretical literature, it is still possible to dissociate island sensitivity effects from categorical unacceptability. 4.1 Consequences for reductionist theories of islands. What about reductionist theories of island effects? If the data presented in this paper is on the right track, it nevertheless still presents a challenge to purely reductionist theories of islands. First of all, the very definition of an island effect used in this proposal is that the lowering in acceptability not be reducible to the linear addition of the two constituent parts of islands. In other words, what we consider to be the hallmark of an island effect is that the whole (ie, a long distance dependency inside an island) is more (in this case worse) than the sum of its parts (ie, the effect of having either a long distance dependency or a potentially island-inducing embedded clause), which runs counter reductionist argumentation. Nonetheless, let us assume that the superadditive effect observed in island effects is somehow compatible with the claims of reductionist theories. For instance, let us imagine 88

89 Diogo Almeida a reductionist theory based on working memory limitations, such as Kluender and Kutas (1993). In such a theory, one might propose that when the resources available to correctly parse the sentence are exhausted, a catastrophic failure occurs, leading to the super-additivity effects observed in island violations. The first problem with a theory like this is that it is virtually indistinguishable from the claims of grammatical theories. That in itself should certainly not count as an argument against such a theory, but it certainly does not provides any independently testable predictions on its own. However, if a proposal like the one sketched above is correct, then reductionist theories like the one just mentioned make exactly the wrong kind of prediction if subliminal island effects are a real phenomenon. This is because now we have cases where we observe a super-additive effect, seemingly created by an island-violation, that nonetheless does not result in a failure to parse the sentence, but rather in a final string that actually sounds marginally acceptable, like the case of wh-movement out of whislands in BP, or virtually fully acceptable, like Topicalization and Left Dislocation in BP. The cross-linguistic variation of island-phenomena has always been a challenge for reductionist theories, but if islandeffects are indeed universal, but subject to cross-linguistic variation in terms of the categorical acceptability of the island-violating structures, it becomes extremely hard to see how invoking universal costs conspiring with language-independent mechanisms could help explain the complex cross-linguistic island sensitivity facts. It seems that, if anything, this proposal would force us into considering the mirror image of a reductionist theory, one in which there are universal processing costs (which may or may not be language specific), but that conspire with language-dependent structures/mechanisms to give rise to the complex cross-linguistic pattern of acceptability judgments surrounding island phenomena. 89

90 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory References ARNON, I. et al. Cross-linguistic variation in a processing account: The case of multiple wh-questions. Proceedings of BLS. Anais, 2006 BARD, E. G.; ROBERTSON, D.; SORACE, A. Magnitude estimation of linguistic acceptability. Language, v. 72, n. 1, p , CHOMSKY, N. Aspects of the theory of syntax. MIT press, On wh-movement. In: CULICOVER, P.; WASOW, T.; AKMAJIAN, A. (Eds.). Formal syntax. New York: Academic Press, p CHOMSKY, N.; MILLER, G. A. Introduction to the formal analysis of natural languages. In: LUCE, R. D.; BUSH, R. R.; GALANTER, E. (Eds.). Handbook of mathematical psychology. Wiley, v. 2p FEATHERSTON, S. Magnitude estimation and what it can do for your syntax: Some wh-constraints in german. Lingua, v. 115, n. 11, p , 2005a.. Universals and grammaticality: Wh-constraints in german and english. Linguistics, v. 43, n. 4, p , 2005b.. Relax, lean back, and be a linguist. Zeitschrift für Sprachwissenschaft, v. 28, n. 1, p , GIBSON, E.; FEDORENKO, E. Weak quantitative standards in linguistics research. Trends in cognitive sciences, v. 14, n. 6, p , GREWENDORF, G. Empirical evidence and theoretical reasoning in generative grammar. Theoretical Linguistics, v. 33, n. 3, p ,

91 Diogo Almeida HAIDER, H. As a matter of facts comments on Featherston s sticks and carrots. Theoretical Linguistics, v. 33, n. 3, p , HOFMEISTER, P.; CASASANTO, L. S.; SAG, I. A. How do individual cognitive differences relate to acceptability judgments?: a reply to Sprouse, Wagers, and Phillips. Language, v. 88, n. 2, p , 2012a.. Misapplying working-memory tests: A reductio ad absurdum. Language, v. 88, n. 2, p , 2012b. HOFMEISTER, P. et al. The source ambiguity problem: Distinguishing the effects of grammar and processing on acceptability judgments. Language and cognitive processes, v. 28, n. 1-2, p , HOFMEISTER, P.; SAG, I. A. Cognitive constraints and island effects. Language, v. 86, n. 2, p , HOJI, H. Hypothesis testing in generative grammar: Evaluation of predicted schematic asymmetries. Journal of Japanese Linguistics, v. 26, p , KATO, M. A. Tópicos como alçamento de predicados secundários. Cadernos de estudos linguisticos, n. 34, p , KELLER, F. Gradience in grammar: Experimental and computational aspects of degrees of grammaticality. University of Edinburgh, KELLER, F.; SORACE, A. Gradient auxiliary selection and impersonal passivization in german: an experimental investigation. Journal of Linguistics, v. 39, n. 01, p , KLUENDER, R.; KUTAS, M. Subjacency as a processing phenomenon. Language and cognitive processes, v. 8, n. 4, p ,

92 Subliminal wh-islands in Brazilian Portuguese and the Consequences for Syntactic Theory MARANTZ, A. Generative linguistics within the cognitive neuroscience of language. The Linguistic Review, v. 22, n. 2-4, p , MERCHANT, J. The syntax of silence: Sluicing, islands, and the theory of ellipsis. Oxford University Press, MIOTO, C.; KATO, M. A. As interrogativas q do português europeu e do português brasileiro atuais. Revista da ABRALIN, v. 4, n. 1, p , MIOTO, C.; SILVA, M. C. F.; LOPES, R. E. V. Manual de sintaxe. Insular, MYERS, J. Syntactic judgment experiments. Language and Linguistics Compass, v. 3, n. 1, p , PHILLIPS, C. Should we impeach armchair linguists. Japanese/ Korean Linguistics, v. 17, p , PHILLIPS, C.; WAGERS, M. W.; LAU, E. F. 5 grammatical illusions and selective fallibility in real-time language comprehension. In: RUNNER, J. (Ed.). Syntax and semantics. Emerald Group Publishing Limited, v. 37p RIZZI, L. Violations of the wh-island constraint and the subjacency condition. In: Issues in italian syntax. Walter de Gruyter, v. 11. ROSS, J. Constraints on variables in syntax. Masschusetts Institute of Technology, SCHUTZE, C. T. The empirical base of linguistics: Grammaticality judgments and linguistic methodology. University of Chicago Press,

93 Diogo Almeida SORACE, A.; KELLER, F. Gradience in linguistic data. Lingua, v. 115, n. 11, p , SPROUSE, J. Continuous acceptability, categorical grammaticality, and experimental syntax. Biolinguistics, v. 1, p , A validation of amazon mechanical turk for the collection of acceptability judgments in linguistic theory. Behavior and Research Methods, v. 43, n. 1, p , SPROUSE, J.; ALMEIDA, D. The empirical status of data in syntax: A reply to gibson and fedorenko. Language and Cognitive Processes, v. 28, n. 3, p , SPROUSE, J. et al. Experimental syntax and the cross-linguistic variation of island effects in English and Italian. Natural Language and Linguistic Theory. In press. SPROUSE, J.; SCHÜTZE, C.; ALMEIDA, D. A comparison of informal and formal acceptability judgments using a random sample from linguistic inquiry: Lingua, v. 134, p , SPROUSE, J.; WAGERS, M.; PHILLIPS, C. A test of the relation between working-memory capacity and syntactic island effects. Language, v. 88, n. 1, p , 2012a.. Working-memory capacity and island effects: A reminder of the issues and the facts. Language, v. 88, n. 2, p , 2012b. TORREGO, E. On inversion in spanish and some of its effects. Linguistic inquiry, p , WESKOTT, T.; FANSELOW, G. On the informativity of different measures of linguistic acceptability. Language, v. 87, n. 2, p ,

94

95 TEORIA GRAMATICAL, SINTAXE EXPERIMENTAL E PROCESSAMENTO DE FRASES: EXPLORANDO EFEITOS DO ANTECEDENTE E DA LACUNA ATIVOS Marcus Maia Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/CNPq) RESUMO Este artigo apresenta resultados de experimentos de leitura automonitorada de construções interrogativas-qu, em que se detectam efeitos do antecedente e da lacuna ativos, para substanciar a discussão sobre a interação interdisciplinar entre as áreas da Teoria Gramatical, da Sintaxe Experimental e do Processamento de Frases. Os resultados sugerem que a atribuição de papel temático alvo a um DP por um verbo ditransitivo é processada com menos prontidão do que a busca pelo recebimento de papel temático pelo DP alvo, indicando uma assimetria não prevista originalmente na formulação biunívoca do critério-theta. ABSTRACT This article presents results of self-paced reading experiments in which WH-constructions display active filler and active gap effects to substantiate a discussion about the interdisciplinary interaction among the fields of Theory of Grammar, Experimental Syntax and Sentence Processing. The results suggest that theta-role assignment to a target DP by a ditransitive verb is processed less eagerly than the search for theta-role receipt by the target DP, indicating an asymmetry which was not originally predicted in the theta-criterion bi-univocal formulation. PALAVRAS-CHAVE Teoria gramatical. Sintaxe Experimental. Processamento de Frases. Critério-theta. Princípio do Antecedente Ativo. Princípio da Lacuna Ativa. Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

96 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos KEYWORDS Theory of Grammar. Experimental Syntax. Sentence Processing. Theta-Criterion. Active Filler Principle. Active Gap Principle. Introdução Faz-se, neste artigo, uma proposta de caracterização da nova disciplina Sintaxe Experimental (Experimental Syntax) face aos campos mais consolidados da Teoria Gramatical (Theory of Grammar) e do Processamento de Frases (Sentence Processing). Nossa proposta se substancia com base em estudos de leitura automonitorada de construções-qu em português brasileiro (PB), apresentados na seção II. Desde logo, no entanto, deixamos claro o lugar em que situamos a Sintaxe Experimental na interface da Teoria Gramatical e do Processamento de Frases. A proposta é, portanto, não eliminacionista, pois afirma-se a existência dos três campos. É também não reducionista, pois, ainda que situando a Sintaxe Experimental na confluência das outras duas áreas, baseiase, como argumentamos a seguir, em uma epistemologia em que cada campo tem ontologia própria, não devendo, portanto, um ser reduzido ao outro, sob pena de perda de conteúdo relevante. A conhecida proposta de MARR (1982) de que os sistemas cognitivos precisam ser descritos em três níveis, um computacional, outro algoritmico e um terceiro implementacional, pode fornecer um quadro de referência válido para se situar do lado computacional a teoria gramatical e do lado algoritmico o processamento psicolinguístico. O nível implementacional refere-se aos mecanismos neurológicos em que os algoritmos mentais são instanciados e não nos concerne diretamente aqui. De qualquer forma, a ideia motriz de MARR de que só é possível compreender plenamente um sistema cognitivo adotando-se diferentes angulações sobre o mesmo sistema parece-nos, de fato, correta. Além disso, MARR argumenta que um sistema representacional pressupõe 96

97 Marcus Maia necessariamente um processo e que, da mesma forma, um processo pressupõe uma representação. Em outras disciplinas, tais como a Fisica (eg. Estática e Dinamica), ou a Medicina (e.g. Anatomia e Fisiologia) não se cogita que recortes equivalentes entre uma caracterização de sistemas em diferentes níveis de abstração descrevam diferentes objetos, mas avalia-se que propiciem, de fato, angulações específicas sobre um mesmo objeto. A postulação de um nível anatômico da linguagem, nos termos do falante/ouvinte ideal em uma comunidade linguística homogênea 1, proposta em CHOMSKY (1965), fornece um quadro que tem permitido, inegavelmente, avanços importantes na modelagem do conhecimento da linguagem. A distinção desse nível em relação ao nível do desempenho tem sempre sido mantida por CHOMSKY, desde sua proposição inicial em Aspects, em De fato, pode-se mesmo depreender que a sua reconceituação do binômio clássico em termos de saber vs fazer 2, em entrevista de 1997, aponta no sentido da necessidade conceptual da diferença. A esse respeito, é interessante observar-se a proposta de TROTZKE, BADER & FRAZIER (2013) de considerar-se o nível do processamento, no âmbito do chamado terceiro fator, ao lado da Gramática Universal (primeiro fator) e da experiência (segundo fator), elaborando de modo original sobre a proposta dos três fatores de Chomsky (2007). Muito embora, como se aponta em LEWIS & PHILLIPS (a aparecer), o nível abstrato da teoria gramatical possa, em muitos modelos, ir além do o que o sistema faz, para procurar detalhar o como algorítmico do processo, afastando-se, portanto, do nível mais alto possível da abstração (cf. p. 37), tais detalhamentos não deveriam 1 Cf. CHOMSKY (1965), p. 3: Linguistic Theory is concerned primarily with an ideal speakerlistener in a completely homogeneous speech community who knows its language perfectly and is unaffected by such grammaticality irrelevant conditions as memory limitations, distractions, shifts of attention and interest, and errors (random or characteristic) in applying his knowledge of the language in actual performance. 2 Segundo CHOMSKY, há uma diferença conceitual entre o que você sabe e o que você faz, conforme se lê em CHOMSKY, N. (1997). A Linguística como uma ciência natural. Revista Mana, PPGAS-UFRJ, p. 196 e

98 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos inviabilizar a importância da existência de uma referência anatômica à teoria mais idealizada. Até por que, do lado do desempenho, o como dos processos costuma, frequentemente, operar em diferentes níveis de abstração, como também indicam LEWIS & PHILLIPS (cf. p.38). Obviamente, tal visão de arquitetura de um sistema, com diferentes níveis de aferição encontra também desafios a serem superados, como resenham LEWIS & PHILLIPS (cf. p. 39), mas, sem dúvida, fornece o quadro aparentemente mais razoável para se estudar os fenômenos linguísticos no pensamento e na ação, para usar-se uma metáfora tradicional de equacionamento da questão 3. Assim, a Teoria gramatical e o Processamento Sintático não teriam, cada um, um objeto distinto, mas, sim, estabeleceriam níveis de aferição diferenciados sobre o mesmo objeto (as frases), da mesma maneira que a Anatomia e a Fisiologia não estudam diferentes organismos, mas um único e mesmo corpo, em níveis distintos de aferição. Considerando-se válido o balizamento do o que representacional da teoria gramatical e do como algorítmico do processamento, falta ainda pensar-se o lugar da chamada Sintaxe Experimental. De fato, este lugar já parece existir desde sempre. A teoria gerativa foi postulada desde seu início com base em experimentos informais de julgamento de gramaticalidade. Em busca da caracterização da capacidade gerativa da linguagem, CHOMSKY propôs que se testasse a gramaticalidade das frases capturando-se algum tipo de reação bizarra, some sort of bizarreness reaction... (cf. CHOMSKY 1956/1982, LSLT, p. 95). Inovador em uma época marcada pelo antimentalismo, o método informal de julgamento de gramaticalidade tem sido, no entanto, objeto de críticas que apontam influência do quadro teórico (cf. LABOV, 1975), assistematicidade e inconfiabilidade (cf. BEVER, 1970), gradiência (cf. FEATHERSTON, 2005), instabilidade (cf. COWART, 1997), efeitos de saciação (cf SNYDER, 2000) em seu uso. Uma primeira providência 3 HAYAKAWA, S.I. Language in Thought and Action Enlarged ed. San Diego: Harcourt Brace Jovanovich,

99 Marcus Maia tem sido, portanto, a de promover maior controle em sua aplicação, transformando-o, de fato, em um experimento criterioso, inclusive com aferição cronométrica. É o que se vê, por exemplo, nos trabalhos de COWART, 1997, KELLER (2000) and FEATHERSTON (2007), que propõem a aderência a critérios metodológicos rigorosos na coleta e análise dos julgamentos e estabelecem os fundamentos do novo campo da Sintaxe Experimental. Embora aferindo os julgamentos cronometricamente, tais estudos empregam, obviamente, uma metodologia off-line, pois a aferição ocorre após o processamento, de fato, da construção gramatical que se julga, diferentemente de métodos amplamente usados em Processamento de Frases, tais como a leitura ou audição automonitoradas, o rastreamento ocular, a detecção imediata de incongruência, que são métodos ditos on-line, ou seja, fornecem um instantâneo 4 do processo no momento mesmo em que este acontece. Uma primeira proposta de resolução da tensão entre os campos da Sintaxe Experimental e do Processamento de Frases poderia ser a de se estabelecer que o primeiro se bastaria com dados off-line para testar experimentalmente questões diretamente relevantes para a teoria gramatical, enquanto que o segundo se apropriaria dos dados on-line para discutir e propor modelos de processamento em que, além das condições gramaticais estritamente, investigam-se fatores, tais como estratégias de parsing, memória, atenção, incertezas de análise, etc. Esta solução subscreveria implicitamente, no entanto, a visão de dois sistemas cognitivos distintos a que aludimos acima. Seria como se a Anatomia estudasse um corpo humano e a Fisiologia, outro. Como argumentam LEWIS & PHILLIPS, esta proposta desconsidera tanto o impacto significativo que se tem demonstrado que as condições gramaticais exercem no processamento on-line, quanto o fato de que a aquisição da gramática é mediada pelo processamento. 4 Cf. Mitchell, D. (2004). 99

100 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos A proposta de um único sistema cognitivo, aferido em diferentes níveis parece, portanto, mais adequada. Sobre esse mesmo único sistema incidem diferentes angulações: uma mais teórica, que descreve suas propriedades gerais (a Teoria Gramatical), outra que estuda a implementação do sistema em sua relação com outras funções cognitivas (memória, atenção) e em situações de ambiguidade de análise (o Processamento de Frases). A terceira angulação intermediária às duas primeiras - seria a Sintaxe Experimental a proposta de investigação offline e on-line da computação da gramática no processamento, abstraindo-a, no entanto, de fatores mnemônicos, atencionais e de incerteza e profundidade de análise 5. Desta forma, o campo do Processamento de Frases mantém seu espaço próprio, estudando, por exemplo, fenômenos de ambiguidade estrutural, de reanálise no parsing, interpretações goodenough, como se tem feito, por exemplo, no âmbito da Teoria do Garden- Path, estabelecendo-se princípios de economia atuantes na preferência por análises específicas de construções em que a gramática legitima a derivação de ambas as possibilidades. Além disso, mais recentemente, questões importantes sobre a implementação on-line de condições gramaticais têm sido produtivamente discutidas, no âmbito da área de Processamento de Frases, tendo em vista os conceitos de Ilusão Gramatical e de Falibilidade Seletiva, diretamente relevantes tanto para a Sintaxe Experimental stricto sensu, quanto, naturalmente, para a área do Processamento de Frases (cf. PHILLIPS ET ALII, 2007; PHILLIPS ET ALII, 2011; MAIA, 2013; MAIA ET ALII, 2014). Por outro lado, o campo do Processamento de Frases empresta à Sintaxe Experimental suas técnicas e métodos, afinados ao longo de várias décadas de pesquisa experimental, para o propósito de se investigar não só julgamentos off-line de modo controlado, mas também 5 Os fatores gramaticalmente irrelevantes, segundo a proposta de CHOMSKY (1965), p.3:... grammaticality irrelevant conditions as memory limitations, distractions, shifts of attention and interest, and errors (random or characteristic)

101 Marcus Maia a implementação on-line das condições gramaticais. Naturalmente, a interação dinâmica desses três campos gera tensões interessantes que não só produzem conhecimentos inovadores sobre o sistema cognitivo da linguagem mas que acabam por impor, dinamicamente, atualizações nos recortes e nas fronteiras definidoras de cada um dos campos. Possivelmente, a análise de um caso específico, deveria, ao menos em tese, tornar mais claras essas questões. Na seção II, a seguir, apresenta-se um princípio de processamento de frases, o Princípio do Antecedente Ativo, procurando-se demonstrar a sua interação com a implementação on-line de condições da teoria gramatical, a saber, a atribuição de Caso e de papel temático, fazendo, assim, Sintaxe Experimental com dados do português brasileiro. Como se verá, no entanto, nesta interação dinâmica entre a teoria gramatical e o processamento de frases, descobre-se um efeito de processamento não previsto inicialmente pela teoria gramatical uma discrepância entre a atribuição e a busca de papel temático. 1 Os Efeitos do Antecedente Ativo e da Lacuna Ativa em PB O Efeito da Lacuna Preenchida (ELP), epifenômeno do Princípio do Antecedente Ativo (CLIFTON & FRAZIER, 1989), tem sido detectado em diferentes línguas, desde os trabalhos seminais de CRAIN & FODOR (1985) e de STOWE (1986). Em PB, MAIA (2014) apresenta resultados de experimentos de rastreamento ocular e de leitura automonitorada em que se compara o processamento de construções interrogativas-qu em frases como as exemplificadas em (1) e (2) abaixo. (1) Que livro o professor escreveu sem ler a tese antes? (2) Que livro o professor escreveu a tese sem ler antes? 101

102 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos Na frase (1), o constituinte Que livro se encontra na periferia esquerda, em posição não-argumental (A-barra). Conforme análise clássica na Teoria Gerativa (CHOMSKY, 1977), o sintagma-qu teria sido deslocado via movimento sintático de sua posição original de objeto direto do verbo escrever, uma posição argumental, onde recebe Caso e papel temático, que são, então, transmitidos na cadeia sintática, cuja cabeça é a posição A-barra na periferia esquerda, para onde o sintagma-qu foi movido. Observe-se, no entanto, que a análise do movimento de QU, do ponto de vista da Teoria Gramatical obedece a um algoritmo bottomup, em que a concatenação sintática Verbo-Objeto precede logicamente o movimento do constituinte-qu. Em contraste, o processamento da frase é necessariamente top-down, ou seja, o leitor inicia a computação das relações sintáticas a partir do constituinte-qu na periferia esquerda. Ao encontrar, portanto, o constituinte Que livro, em (1), o processador deve iniciar imediatamente uma operação de busca que encontre como primeiro recurso uma posição na estrutura em que o constituinte possa ser interpretado. Esta posição é encontrada na posição estrutural vazia ou lacuna, logo após o verbo escrever. Na frase (2), no entanto, a posição sintática de objeto do verbo escrever, a primeira em que o constituinte-qu deslocado poderia ser interpretado, encontra-se preenchida pelo SN a tese. A hipótese entretida em MAIA (2014) foi a de que o ELP se instanciaria, nesse segundo caso. Na leitura da frase, ao encontrar um sintagma-qu na periferia esquerda, o processador sintático, guiado pela necessidade de satisfazer as condições gramaticais necessárias para a computação da frase, procuraria a posição sintática onde essas condições possam ser satisfeitas como primeiro recurso, no caso em exame, a posição de objeto do verbo escrever. Ao encontrá-la preenchida por um SN ( a tese, no exemplo acima), haveria um efeito surpresa em (2), identificável pela diferença dos tempos de leitura e de fixação ocular na comparação com o SN equivalente em (1). 102

103 Marcus Maia Análises desenvolvidas em MAIA (2014) demonstraram que, conforme previsto, o tempo médio de fixação ocular do constituinte a tese é significativamente mais alto na segunda frase do que na primeira, evidenciando a ocorrência do ELP em PB. O mapa de calor na Figura 1, abaixo, ilustra essa diferença. Figura 1: Mapa de calor de duas frases lidas por 10 sujeitos CLIFTON & FRAZIER (1989) analisa o ELP como um caso de um princípio mais abrangente, incluído no âmbito das estratégias de economia da Teoria do Garden Path (TGP), o Active Filler Principle, traduzido em MAIA & FINGER (2005) como Princípio do Antecedente Ativo. Este princípio é formulado, nos termos de CLIFTON & FRAZIER (1989), da seguinte forma: Quando um antecedente de uma categoria XP tiver sido identificado em uma posição não argumental, tal como COMP, ranqueie-se a possibilidade de atribuí-lo a uma lacuna correspondente na frase, acima da opção de identificar um sintagma lexical da categoria XP 6 (cf. CLIFTON & FRAZIER, 1989, p. 292). 6 When a filler of category XP has been identified in a non-argument position, such as COMP, rank the option of assigning its corresponding gap to the sentence over the option of identifying a lexical phrase of category XP. 103

104 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos O presente estudo coloca em questão se haveria também um Efeito da Lacuna Ativa 7 tão significativo quanto o Efeito do Antecedente Ativo. No quadro da teoria gramatical, o critério-theta (CHOMSKY, 1981) prevê biunivocamente que o núcleo do predicado atribua papéis aos argumentos e que cada argumento receba papel, sem diferenciar, portanto, a atribuição do recebimento de papel temático 8. Nossa hipótese é a de que, ao contrário do previsto na proposta de representação da teoria gramatical, haveria uma assimetria no processamento, entre a atribuição e o recebimento de papel temático: O SN seria mais ativo em sua busca de licenciamento gramatical do que o verbo, em sua busca de atribuição de papel temático. Desenvolveu-se um experimento de leitura automonitorada 9 com o objetivo de detectar e comparar, na leitura de frases, o efeito do antecedente ativo com um possível efeito da lacuna ativa em português brasileiro. Estabeleceram-se duas variáveis independentes, cada uma com dois níveis, em um design 2x2, a saber, (1) Elemento ativo (Antecedente ou Lacuna) e (2) Estrutura Argumental do Verbo (Monotransitivo ou Ditransitivo), gerando as condições experimentais AM, AD, LM e LD, exemplificadas no quadro 1, que já apresenta os sete segmentos em que se dividiram as frases para leitura automonitorada. 7 Uma estratégia da lacuna ativa (Active Gap Strategy) foi proposta por NG (2008) com base em estudo de leitura automonitorada de construções do tipo lacuna-antecedente em Chinês Mandarim. 8 Every theta role that a verb can assign must be realized by some argument, and each argument may bear only a single theta role (cf. Chomsky 1981, p.36) 9 Na implementação, aplicação e análise desse experimento contou-se com a colaboração da bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), Amanda Rocha, aluna da Faculdade de Letras da UFRJ. 104

105 Marcus Maia Quadro 1: Exemplos das condições experimentais Seg 1 Seg 2 Seg 3 Seg 4 Seg 5 Seg 6 Seg 7 AM Para quem o redator escreveu o manual para o sábado de professor manhã AD Para quem o redator enviou o manual para o professor LM O redator escreveu o manual para o professor LD O redator enviou o manual para o professor para quem para quem sábado sábado sábado de manhã de manhã de manhã Esse experimento foi complementado por um segundo experimento 10 em que frases com, basicamente, os mesmos itens lexicais, foram pareadas nas mesmas condições, mas, ao contrário das condições experimentais, incluíam um SP não ambíguo entre as análises de aposição sintática ao SV ou ao SN objeto. Esse experimento teve como objetivo servir de controle, evitando o efeito garden-path necessário, nas condições experimentais, para se instanciar os efeitos de lacuna preenchida pretendidos. O Quadro 2 exemplifica um conjunto dessas condições controle. 10 A opção pela aplicação de dois experimentos, ao invés de incluir as condições experimentais e de controle em um único instrumento, teve por objetivo evitar um experimento excessivamente longo com oito condições experimentais. No LAPEX (UFRJ/CNPq), temos sempre obtido melhores resultados em experimentos com design mais simples do que em experimentos excessivamente complexos, com número alto de itens, em que pode ocorrer perda de acuidade nos tempos de leitura e índices de resposta. 105

106 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos Quadro 2: Exemplos das condições de controle AMc ADc LMc LDc Seg 1 Seg 2 Seg 3 Seg 4 Seg 5 Seg 6 Seg 7 Para no o redator escreveu o manual sábado de quem escritório manhã Para no o redator enviou o manual sábado de quem escritório manhã O no para escreveu o manual sábado de redator escritório quem manhã O no para enviou o manual sábado de redator escritório quem manhã As variáveis dependentes foram os tempos médios de leitura dos segmentos críticos (medida on-line) e os índices de resposta às questões interpretativas após cada frase (medida off-line). Essa medida consistia de perguntas após a leitura de cada frase em que se sondava a compreensão do SP argumento ou adjunto. O Quadro 3 ilustra o conjunto de questões interpretativas apresentadas após a leitura de cada uma das frases nos Quadro 1 e 3. Quadro 3: Exemplos das questões interpretativas Condição AM AD LM LD AMc ADc LMc LDc Pergunta Foi para o professor que o redator escreveu o manual? Foi para o professor que o redator enviou o manual? Foi para o professor que o redator escreveu o manual? Foi para o professor que o redator enviou o manual? Foi no escritório que o redator escreveu o manual? Foi no escritório que o redator enviou o manual? Foi no escritório que o redator escreveu o manual? Foi no escritório que o redator enviou o manual? 106

107 Marcus Maia A lógica do experimento foi a de que o Efeito da Lacuna Preenchida (ELP) se instanciaria para o SP-QU extraído da posição de objeto indireto, em verbos do tipo enviar que subcategoriza o argumento alvo, mas não para o SP-QU extraído da posição de adjunto que, naturalmente, não é subcategorizado pelo verbo. A previsão seria, então, a de que o segmento 5 da condição AD seria lido com latências significativamente mais elevadas do que o segmento 4, em LD. A latência maior deste segmento crítico em AD se daria porque o processador, guiado pelo Princípio do Antecedente Ativo, postularia, como default, a posição sintática após o objeto direto para interpretar o SP movido, encontrando-a, no entanto, preenchida. No que se refere a um possível Efeito da Lacuna Ativa, a previsão seria a de que uma comparação das latências médias na leitura dos segmentos 5 das condições LM e LD deveria indicar valores significativamente mais elevados na condição LD do que na condição LM. Esta diferença demonstraria a existência de LACUNA ATIVA, pois apenas no verbo DITRANSITIVO há subcategorização de posição sintática alvo. Como demonstrado em MAIA (2014), o processador sintático seria sensível à grade argumental do verbo, postulando a lacuna para o SP no segmento 4 apenas na condição LD, analisando-o, como default, como SP de SV 11. Na condição LM, que não projeta lacuna alvo, o SP no segmento 4 seria analisado mais prontamente como SP aposto ao SN objeto. Com base nessas análises, o processador entraria em efeito garden-path, apenas no segmento 5 da condição LD, em que a análise default de SP de SV seria posta em cheque pelo SP-QU para quem. O parser deveria, então, após sua surpresa inicial, reanalisar sua decisão de aposição mínima. Tanto o efeito surpresa, quanto a reanálise seriam, portanto, responsáveis pelos tempos de para quem mais elevados na frase LD do que na 11 Maia (2011) investiga experimentalmente construções equivalentes, ambíguas entre a aposição de SP ao SV ou ao SN objeto, que são analisadas com base no Princípio da Aposição Mínima (Minimal Attachment), arguindo em favor da aplicabilidade deste princípio da Teoria do Garden Path neste tipo de construção sintática ambígua em PB. 107

108 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos frase LM (nos exemplos no Quadro 1, verbo enviou vs verbo escreveu), caracterizando efeito spillover da lacuna preenchida em LD. Finalmente, para se comparar o efeito do antecedente ativo com um possível efeito da lacuna ativa, previu-se que, nas condições controle, sem o efeito garden-path, o segmento 5 de ADc deveria apresentar latências médias mais elevadas do que o segmento 4 de LDc, caso, de fato, ocorra a assimetria no critério-theta hipotetizada no estudo. Em ADc, o SP-QU seria mais ativo em sua busca por receber Caso e papel temático do que o verbo, em LDc, em atribuir ou checar essas mesmas condições gramaticais. Assim, a frustração do parser ao encontrar a lacuna postulada para o SP-QU deslocado, preenchida pelo SP no escritório em ADc seria maior do que a frustração obtida na atribuição de papel pelo verbo de LDc ao encontrar o SP não alvo no escritório ocupando a primeira posição em que um SP alvo poderia ser postulado para receber Caso e papel temático. Nesse experimento controle, não se deveria encontrar nem efeito de antecedente ativo, nem efeito de lacuna ativa, nas condições AMc e LMc, uma vez que os verbos do tipo de escrever são monotransitivos e não projetam lacuna. Além disso, a comparação do SP no escritório em ADc5, onde ele preenche a lacuna do antecedente ativo para quem com o SP no escritório em AMc5 onde ele não preenche lacuna, prevê uma diferença significativa em que ADc5 apresente maiores latências, confirmando o efeito do antecedente ativo. Método Participantes: 48 alunos do curso de Letras da UFRJ participaram dos experimentos, havendo 24 realizado a versão experimental e 24, a versão de controle. Material: Prepararam-se 16 conjuntos de frases experimentais, como o conjunto exemplificado no Quadro 1, e 16 conjuntos de frases de controle, 108

109 Marcus Maia como exemplificado no Quadro 2. Em ambos os casos distribuíramse sistematicamente as frases em quatro versões, em quadrado latino, de modo que cada participante fosse expostos às quatro condições, em cada experimento, mas não as mesmas frases de cada conjunto. Acrescentou-se a cada versão dos experimentos o mesmo conjunto de 32 frases distrativas, apresentadas em randomização distinta a cada vez que o experimento era aplicado. Procedimentos: Os sujeitos foram testados no Laboratório de Psicolinguística Experimental da Faculdade de Letras da UFRJ (LAPEX-UFRJ), em equipamento imac CORE i5, 4GB RAM, 500GB HD, com tela de 21 polegadas, rodando o programa Psyscope (build 57), no sistema operacional X (Leopard). Devidamente orientado, o participante pressionava a barra de espaço na leitura de cada segmento. Após a leitura de cada frase, os sujeitos eram instruídos a responder a pergunta que era projetada em nova tela, apertando uma tecla identificada com a palavra SIM ou uma tecla identificada com a palavra NÃO, de acordo com a resposta que achasse mais adequada. Antes de iniciar o teste, os participantes passavam por uma prática de duas frases, sob a observação do pesquisador, que lhes indicava ajustes, quando necessário, garantindo, assim, a eficácia da tarefa. Após esta fase, o pesquisador saía da sala e o participante dava início à realização do experimento. Cada sessão experimental durava cerca de vinte minutos. Resultados e Discussão Medidas on-line Uma ANOVA bifatorial intrassujeitos, utilizando como segmento crítico o SP exemplificado no conjunto experimental no Quadro 1 por para o professor, revelou um efeito principal altamente significativo do fator Elemento Ativo (Antecedente ou Lacuna): F(1,95)=19,1, 109

110 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos p=0, Não há efeito principal do fator Transitividade (Monotransitivo x Ditransitivo): F(1,95)=1,58, p=0,21. Há, no entanto, interação significativa entre os dois fatores: F(1,95)=15,5, p=0, O gráfico 1 ilustra os valores de cada condição. Gráfico 1: Tempos médios de leitura do SP crítico em cada condição experimental Efeito do Antecedente Ativo Um teste-t pareado entre os segmentos relevantes (SP para o professor, no exemplo no Quadro 1) de AD5 (966ms) e de LD4 (741ms) indicam que o Efeito da Lacuna Preenchida (ELP) é instanciado para o SP extraído da posição de objeto indireto, em verbos do tipo enviar que subcategorizam o argumento alvo (AD5 x LD4 t(173) = 4,7, P<0,0001 ***). Com verbos monotransitivos do tipo escrever, por outro lado, não há diferença nos tempos médios de leitura do SP crítico entre as condições AM5 (816ms) e LM4 (811), confirmando que não há efeito de lacuna preenchida com verbos monotransitivos que não subcategorizam argumento alvo. O teste-t pareado entre os segmentos equivalentes ( para o professor ), das condições LM 4 (811ms) e LD4 (741) indica 110

111 Marcus Maia latências significativamente mais elevadas para o SP adjunto de verbo ditranstivos como enviar do que para o SP argumento de verbos monotransitivos, como escrever (t(95)=2,1,p=0,038), sugerindo que a facilitação do argumento é efeito da previsibilidade possibilitada pela inspeção prévia da grade argumental do verbo. Observe-se, no entanto que, no segmento seguinte, nessas duas condições, o SP para quem, há uma inversão do efeito. A condição com o verbo ditransitivo em que se havia obtido latências menores para o seu argumento alvo em LD4, agora, apresenta latências maiores no segmento LD5 (1064), comparativamente à condição com os verbos monotransitivos, com latências menores em LM5 (811ms), conforme indicado pelo teste-t pareado entre esses segmentos (t(95)=4,8, p=0,0001). Esse resultado, ilustrado no Gráfico Y, sugere a existência de efeito garden-path na condição ditransitiva, mas não na condição monotransitiva. Em verbos como enviar, o parser se comprometeria com a análise do primeiro SP ( para o professor ) como argumento alvo. Ao encontrar o SP-QU para quem no segmento seguinte, esta análise se revelaria incorreta, causando surpresa e exigindo reanálise da aposição do SP-QU, de SP de SV para SP aposto ao SN objeto, única análise capaz de resolver o garden-path. Na condição monotransitiva, por outro lado, em que não há subcategorização de argumento alvo pelo verbo, o primeiro SP ( para o professor ) já seria aposto diretamente ao SN objeto, sendo o SP subsequente para quem aposto como adjunto do verbo, sem causar garden-path, produzindo, portanto, latências menores. Esta diferença seria indicativa da existência de EFEITO DA LACUNA ATIVA: apenas no verbo ditransitivo há lacuna ativa, portanto os tempos de para quem mais elevados na frase com o verbo enviou indicaria efeito spillover da lacuna preenchida. 111

112 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos Gráfico 2: Efeito da Lacuna Ativa Finalmente, compare-se as magnitudes do efeito do antecedente ativo e do efeito da lacuna ativa. Contrastando-se as condições controle entre si, em que, em princípio não haveria situação de ambiguidade causadora de garden-path, observa-se que o efeito do antecedente ativo parece ser mais forte do que o efeito da lacuna ativa. Note-se que Adc5 (929ms), o SP no escritório, em frase com antecedente ativo, exibe latências significativamente mais elevadas do que o mesmo SP em LDc4 (830ms), frase com lacuna ativa. ADc5 x LDc4 t(152) = 2,7, p = 0,0085. Observe-se, em contraste, que a mesma diferença não ocorre nas frases em que o SP é um adjunto, o que se explica pelo fato de que verbos monotransitivos não projetam lacuna, não se instanciando, neste caso, nem efeito do antecedente ativo e nem efeito de lacuna ativa. AMc5 (818ms) x LMc4 (791ms) - t(171) = 0,6, p = 0,56 ns. Ainda comparando o SP no escritório em Adc5, onde ele preenche a lacuna do antecedente ativo para quem com o SP no escritório em Amc5 onde ele não preenche lacuna, há uma diferença significativa na direção esperada, ou seja, a maior latência é no primeiro caso. Adc5 (929ms) x Amc5 (818ms) t(164)= 2,7, p = 0,0066. Em contraste, a comparação de LMc4 com LDc4, que afere a lacuna ativa, não abre significância, o que confirma que o efeito da lacuna ativa não é tão forte quanto o efeito 112

113 Marcus Maia do antecedente ativo. LMc4 (791ms) x LDc4 (830ms) t(159) = 0,9, p = 0,37 ns. Essas condições são ilustradas no Gráfico 3. GRÁFICO 3: Antecedente Ativo x Lacuna Ativa Medidas off-line Os resultados das perguntas interpretativas estão apresentados na Tabela 1, em que se apresentam os índices de acerto e de erro e, na última coluna, os percentuais de acerto obtidos em cada condição experimental e de controle: Tabela 1: Resultados da Medida off-line Condição Acertos Erros % AMc % ADc % LMc % LDc % AM % AD % LM % LD % 113

114 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos Observe-se que os índices de acerto são significativamente mais altos do que os índices de erro em todas as as condições controle (X 2 = 122, p=0,0001), mas ficam na chance, nas condições experimentais (X2=2,9, p=0,09). Comparando-se os índices de acerto obtidos nas condições experimentais com aqueles obtidos nas condições controle, observa-se que, nos controles, acertou-se significativamente mais do que nas experimentais (X2=15,02, p=0,0001). Esse conjunto de resultados obtidos nas medidas off-line podem ser explicados pela existência dos garden-paths nas condições experimentais, que teriam levado a erro de análise sintática no parsing, como evidenciado nas medidas on-line, persistindo dúvidas na fase interpretativa, mesmo após a reanálise sintática. Eles não só atestam a pertinência da inclusão das condições controle no presente estudo, mas também indicam a relevância do uso de medidas on-line, em Sintaxe Experimental. Sem as latências aferidas durante o curso do processamento on-line, não seria possível desenvolver as análises comparativas sobre os efeitos do antecedente ativo e da lacuna ativa reportadas no presente trabalho, uma vez que os dados interpretativos de final de frase não tem a granularidade necessária para distinguir diferenças entre as condições. Considerações Finais A psicolinguística e a linguística teórica encontram-se em um momento de intensa convergência de interesses, projetando perspectivas de avanços significativos na compreensão dos fenômenos linguísticos. A dinâmica dessas relações interdisciplinares produz, no entanto, tensões naturais, que colocam em questão não só as propriedades do objeto de investigação, mas as próprias fronteiras das disciplinas que interagem com seus saberes e fazeres específicos para estudá-lo. 114

115 Marcus Maia No presente artigo, propôs-se estudar uma condição da teoria gramatical, o critério-theta, a partir de um princípio estabelecido no âmbito da área do Processamento de Frases, o Princípio do Antecedente Ativo, comparando-se em um experimento de leitura automonitorada, este princípio com um possível efeito da lacuna ativa, tendo-se obtido resultados que indicam a maior magnitude da busca por papel temático por um antecedente ativo do que da atribuição de papel temático por uma lacuna ativa. Tal assimetria, que não é prevista, originalmente, na formulação de biunivocidade da teoria-theta seria um fenômeno do nível do processamento, não precisando, necessariamente, ser uma propriedade do nível da arquitetura gramatical, embora razões intrateóricas possam até vir, em futuros modelos, a prever a assimetria como parte do aparato gramatical 12. No presente estudo, pretendemos apenas colocar em perspectiva essa interface gramática/processamento. É crucial reconhecer que só se está apenas começando a explorar questões, teorias e métodos de representação e de processamento, nesta relativamente nova disciplina da Sintaxe Experimental. De qualquer forma, queremos concluir que a preservação das diferenças de escopo de cada uma das disciplinas envolvidas no empreendimento interdisciplinar, evitando reducionismo e eliminacionismo desnecessários, parece ser a estratégia mais apta a garantir o ambiente propício para se explorar, de modo integrado, domínios centrais da arquitetura e do processamento gramaticais, com o potencial de impactar significativamente o conhecimento sobre a cognição de linguagem. 12 Note-se, a esse respeito, que o princípio de processamento Minimal Chain Principle (DeVicenzi, 1991) também é formulado de modo simétrico: Avoid postulating unnecessary chain members at surface structure, but do not delay required chain members. 115

116 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos Referências BEVER, T. G. The cognitive basis for linguistic structures. In John R. Hayes, ed., Cognition and the Development of Language. New York: John Wiley and Sons CHOMSKY, N. The Logical Structure of Linguistic Theory. New York: Plenum. 1956/1982. CHOMSKY, N. Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge, Mass. The MIT Press CHOMSKY, N. On Wh-Movement. In: CULICOVER, Peter, WASOW, Thomas, Akmajian, Adrian (Eds.). Formal Syntax. New York: Academic Press, pp CHOMSKY, A. N. Lectures on government and biding. Dordrecht: Foris, CHOMSKY, N. A Linguística como uma ciência natural. Revista Mana, PPGAS-UFRJ, vol. 3, n. 2, p. 183 a CLIFTON, C. & FRAZIER, L. Comprehending sentences with longdistance dependencies. In: TANENHAUS, M.K. & CARLSON, G. (Eds.), Linguistic structure in language Processing. Dordrecht: Kluwer Academic Press, COHEN, J., MACWHINNEY, B., FLATT, M., PROVOST, J. Psyscope: An interactive Graphical System for Designing and Controlling Experiments in the Psychology Laboratory Using Macintosh Computers. In Behavior Methods, Research, Instruments, and Computers. 25, p

117 Marcus Maia COWART, W. Experimental syntax: Applying objective methods to sentence judgments. Thousand Oaks, CA: Sage Publications CRAIN, S & FODOR, JD. (1985). How can grammars help parsers? In: D Dowty, L Kartunnen, & A Zwicky (Eds.). Natural language parsing. Cambridge: Cambridge University Press, DE VINCENZI, M. Syntactic Parsing Strategies in Italian: The Minimal Chain Principle. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers FEATHERSTON, S. Magnitude estimation and what it can do for your syntax: Some wh-constraints in German. Lingua, 115: b. FEATHERSTON, S. Data in generative grammar: The stick and the carrot. Theoretical Lingusitics, 33, HAYAKAWA, S.I. Language in Thought and Action. Enlarged ed. San Diego: Harcourt Brace Jovanovich, KELLER, F. Gradience in Grammar: Experimental and Computational Aspects of Degrees of Grammaticality. PhD dissertation, University of Edinburgh LABOV, W. Empirical foundations of linguistic theory. In Robert Austerlitz, ed., The Scope of American Linguistics, Lisse: Peter de Ridder LEWIS, S. & PHILLIPS, C. (in press). Aligning grammatical theories and language processing models. Journal of Psycholinguistic Research. 117

118 Teoria Gramatical, Sintaxe Experimental e Processamento de Frase: Explorando os Efeitos do Antecedente e da Lacuna Ativos MAIA, M. A. R. Reading and Listening to Garden-Path PP Sentences in Brazilian Portuguese. International Journal of Mind, Brain & Cognition, v. 2, p MAIA, M.A.R. Efeito da Lacuna Preenchida e Plausibilidade Semântica no Processamento de Frases em Português Brasileiro. Cadernos de Letras (UFF), n MAIA, M; MOURA, A. ; OLIVEIRA, F.L. Ilusão gramatical e falibilidade seletiva no processamento de lacunas não preenchidas em português brasileiro. Revista da ABRALIN, v. XIII, p , MAIA, M. A. R. Linguística Experimental: aferindo o curso temporal e a profundidade do processamento. Revista de Estudos da Linguagem, v. 21, p. 9-42, MAIA, M., FINGER, I. (Orgs.). Processamento da Linguagem. 1. ed. Pelotas, RS: EDUCAT. 535p. 2005) MARR, D. (1982) Vision. San Francisco: W.H. Freeman. MITCHELL, D. C. On-line Methods in Language Processing: Introduction and Historical Review. In: CARREIRAS, Manuel & CLIFTON, JR Charles (eds). The on-line study of sentencec omprehension: eyetracking, ERPs and beyond. (p ). New York, NY. Psychology Press, NG, S. An Active Gap Strategy in the Processing of Filler-Gap Dependencies in Chinese. Proceedings of the 20th North American Conference on Chinese Linguistics (NACCL-20) Volume 2. Edited by Marjorie K.M. Chan and Hana Kang. Columbus, Ohio: The Ohio State University. Pages

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120

121 Extraordinary claims require extraordinary evidence (and ordinary ones require ordinary evidence): On experimental linguistics for less well studied languages Uli Sauerland Zentrum für Allgemeine Sprachwissenschaft, Berlin, Germany (ZAS/Berlin) ABSTRACT The late physicist Carl Sagan, whom I quote in the first part of my title, skillfully phrased the common sense view on evidence in the mature sciences. In linguistics, however, evidence has become a controversial issue, especially so when it comes to the investigation of less well studied languages. In this paper, I argue that Sagan s principle should be applied to linguistics. The growing accessibility of a wide array of experimental techniques and computational tools to analyze such data makes it feasible to back up extraordinary claims with evidence from a variety of sources. At the same time, it is in many cases possible to agree on what constitutes an ordinary claim and focus the extra effort on extraordinary claims. For non-controversial claims no more than the minimum effort to establish the claim and properly document the evidence is necessary. RESUMO O falecido físico Carl Sagan, citado na primeira parte do título deste artigo, formulou com habilidade a visão do senso comum sobre a natureza da evidência nas ciências maduras. Em linguística, no entanto, a evidência tornou-se um assunto controverso, especialmente quando se trata da investigação das línguas menos bem estudadas. Neste artigo, defendo que o princípio de Sagan deve ser aplicado à linguística. A acessibilidade crescente a uma Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

122 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages grande variedade de técnicas experimentais e ferramentas computacionais para analisar dados linguísticos torna viável apoiar propostas extraordinárias a partir de evidências de uma grande variedade de fontes. Ao mesmo tempo, é, em muitos casos, possível chegar a um acordo sobre o que constitui uma proposta científica comum, não extraordinária, deixando para concentrar qualquer esforço extraordinário apenas para apoiar propostas igualmente extraordinárias. Para propostas não controversas não é necessário mais do que um mínimo de esforço para se estabelecer e documentar as evidências. keywords evidence, fieldwork, syntax, semantics, methodology Palavras-chave evidências, trabalho de campo, sintaxe, semântica, metodologia Introduction Evidence has become a topic generating substantial discussion in theoretical and descriptive linguistics. For instance, the University of Tübingen in Germany organizes a biannual conference entitled Linguistic Evidence since The conference describes itself in the call for papers for the 2014 conference as a meeting place for linguists who wish to improve the empirical adequacy of linguistic theory and linguistic analysis. and aims to more closely integrate data-driven and theory-driven approaches 1 Implicit in this description is the view that the empirical adequacy of linguistic theory is open to improvement because the theory has not paid sufficient attention to the accessible linguistic evidence (data). Also several recent journal contributions focus on the methodology of collecting evidence to address questions in linguistic theory. I discuss 1 /sfb-833/ev/le2014/call-for-papers.html, accessed Aug. 2,

123 Uli Sauerland below a debate concerning evidence in theoretical syntax and semantics focusing on English data (Gibson and Fedorenko, 2010, 2013; Sprouse and Almeidam, 2013; Sprouse et al. 2013), but also two recently published contributions on the methodology of fieldwork (Matthewson, 2004; Dixon, 2007). I hope to show that despite all the discussion within linguistics, the same view towards evidence used in the established sciences can also be applied in linguistics. Sagan (1980) aptly phrased this principle as I quote it in the title of this paper: Extraordinary claims require extraordinary evidence. My paper is structured into three sections. In the first section, I articulate some general principle relating to evidence. In particular, I show the Sagan s principle has been the common view of the relationship between theoretical claims and empirical evidence for centuries dating back at least to Hume (1748). The second part of my title is in parenthesis ( and ordinary ones require ordinary evidence ) because it remains an implicature in Sagan s formulation. But I show that it has been understood as part of the principle since the beginning. I then provide a suggestion of how to understand the terms extraordinary and ordinary within Sagan s principle on the basis of prior likelihoods and the cost of mistakes: An extraordinary claim is one likely to cause high costs in the case of a mistake. In the second section, I review a recent debate concerning the sources of evidence for the study of well-studied languages (Gibson & Fedorenko, 2010; Sprouse & Almeida, 2013), and show that the outcome of the debate has essentially been Sagan s principle. In the second part, I review recent contributions on the methodology of the study of less well studied languages, especially by Dixon (2007) and Matthewson (2004), and point out some weaknesses of Dixon s text-only method. But while I agree with Matthewson's inclusive approach for most cases, I show that there are cases where one should call upon experimental evidence: specifically, I discuss Matthewson s own (2006) work on 123

124 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages presuppositionality in Salish as a case in point. Instead of Dixon and Matthewson fieldwork specific methodologies, I propose that Sagan s principle should be applied as a guideline for the study of less well studied languages as well. This entails that both evidence from traditional fieldwork techniques as well as evidence from experimental techniques have a role to play. For many questions, though, a combination of established fieldwork techniques with proper documentation using modern recording technologies is most appropriate as the main source of evidence. In the final section, I conclude with some practical suggestions for when to incorporate formal experiments to gather quantitative evidence in syntactic and semantic fieldwork. 1 A Philosophy of Science Briefing 1.1 Sagan s Principle and its Implicature The first part of my title is a quote from the physicist Sagan (1980): Extraordinary claims require extraordinary evidence. In the title, I furthermore articulate an implicature of Sagan s principle, namely that ordinary claims require only ordinary evidence. In this section, I argue that the Sagan s principle as well the implicature I added are an established tenet of the philosophy of science dating back to at least Hume (1748). I furthermore consider how it can be applied to evidence in linguistics. I first show that Sagan s principle is actually rooted deeply in the history of science. I quote Sagan s principle here from a science TV program Sagan appeared in. While Sagan s phrasing is widely quoted and original to Sagan, it is also well-known that the underlying principle is much older than Sagan s formulation of it. Two much older formulations 124

125 Uli Sauerland of essentially the same principle are due to Hume (1748) and Laplace (1814). Two relevant quotes from section 10 of Hume s (1748) book are A wise man... proportions his belief to the evidence and No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind that its falsehood would be more miraculous than the fact which it endeavors to establish. Hume calls the latter quote a general maxim worthy of our attention, so we might also use the term Hume s maxim instead of Sagan s principle. A second, early relevant quote is the following from the French scientist Laplace (1814: p. 50): Qu it ne serait pas philosphique de nier les phénomènes, uniquement parce qu ils sont inexplicable dans l état actuel de nos connaissances. Seulement, nous devons les examiner avec une attention d autant plus scrupuleuse, qu il paraît plus difficile de les admettre. ( It would not be philosophy to deny phenoma solely because they are inexplicable according to the present state of knowledge. But we ought to examine them with an attention all the more scrupulous as it appears more difficult to admit them. ) Wikipedia (2014b) reports that Flournoy (1899) reformulated Laplace s principle as: The weight of the evidence should be proportioned to the strangeness of the facts., which might have inspired the more modern formulation of Sagan. The quotations show that Sagan s principle is an old principle of science. Consider now the implicature of Sagan s principle that ordinary claims require only ordinary evidence. In Hume s and Sagan s formulations, the implicature I added in the title is not made explicit. Conditionals If p then q are well known in the linguistic literature to trigger an implicature If not p then not q, also referred to as conditional perfection (Geis & Zwicky, 1971 and others). For example the recommendation If it s raining, you should take an umbrella implicates that if it s not raining, you shouldn t take an umbrella. Sagan s principle is just an elegant formulation of the conditional if you make an extraordinary claim, 125

126 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages you must present extraordinary evidence for it. So, it implicates that ordinary claims require only ordinary evidence. The same holds for the second quote from Hume above: The statement that no evidence except for a very strong kind is sufficient to establish a miracle, implicates that there is evidence that s less than very strong, but sufficient to establish a non-miracle. Actually both Hume (1748) and Sagan (1980) had a reason to leave the implicature implicit: The quotes of Hume s are from a chapter on miracles, so Hume was focussing on the case of extraordinary claims. A similarly reason applies to Sagan s quote. The Sagan quote is inspired by the rather similar phrase An extraordinary claim requires extraordinary proof by the sociologist Truzzi (1978) according to Wikipedia (2014a). While I have no opinion on whether Sagan was actually quoting Truzzi, it is of interest to the present argument that both Sagan and Truzzi were fellow founders of the Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal. Given this fact, it makes sense for both of them to omit the implicature concerning ordinary claims because all claims of paranormality are by definition extraordinary. The first Hume quote and also Laplace s and Flournoy s formulations are explicit about the implicature since they speak of a proportional relation between the evidence furnished and the claim that one is sought to establish. In sum, I showed in this section that Sagan s principle including its implicature are established principles in the philosophy of sciences. However, we still need to determine how to apply the principle to linguistic claims and evidence. To be able to do so, we need to understand the adjectives ordinary and extraordinary as applied to linguistic claims and evidence. In this next section, I suggest a general Bayesian understanding of both terms and consider specifically what this entails for linguistic evidence. 126

127 Uli Sauerland 1.2 What s Extraordinary? The Cost of Errors To derive any consequences from Sagan s principle, we need to understand what constitutes and ordinary vs. an extraordinary claim and similarly what constitutes ordinary and extraordinary evidence. Hume s term miracle indicates that extraordinary claims are those that we believe to be highly unlikely. But, I think we also intuitively understand that the cost of a potential error affects the quality of the evidence we desire: Before you go on an overseas trip, you might check several times that you have your passport with you. But you are more likely to not check at all that you packed your tooth brush. That this behavior is rational at least if you re are anything as forgetful as me, follows from the Bayesian computation linked to the cost of error. Assume that your equally likely to not have packed your passport or your toothbrush. But the cost of not having your passport is substantial: you might not be able to board your flight without it. And since even the memory that you checked your passport 20 minutes ago might be mistaken, it makes sense to expend the energy to check again just to be sure you avoid the substantial cost of error. By comparison, the cost of not having your toothbrush is a lot smaller, so checking whether you have it on you is uneconomical -- the error is too inconsequential to be worth the cost. The example shows to factors that play a role: the cost of the test and the cost of an error. A further factor that plays a role is the reliability of a test: Staying with the example, you might check for your passport either by quickly feeling through the outside of your bag that it contains a passport sized printed document or you might do a more elaborate, but more reliable check: open your bag, take out the passport, open it, and check the name and validity of the passport. The statisticians Neyman and Pearson (1928) introduced the discussion of two different type of error types in testing a hypothesis. A type I error occurs when the test comes out in favor of a hypothesis 127

128 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages that s actually false, while a type II error occurs when the test results speaks against a hypothesis that s actually true. The two types of errors might cause different amounts of damage. The calculations involved in this type of scenario well understood in the context of medical tests and is discussed in conjunctions with the concepts of sensitivity and specificity of tests. For our purposes a rough understanding is sufficient. Consider the case of a medical test for a condition that has no other symptoms. The test itself has a specific cost to it both in terms of the cost of carrying out the test and in terms of the suffering the test itself causes. Assume we furthermore know that a specific percentage of a specific population has the condition in question. Finally we know the rates of the two errors: For the people that actually have the medical condition in question, the test gives a specific rate of Type II errors or false negatives. And for the people that actually don t have the medical condition, the test gives a specific rate of Type I errors or false positives. On the other hand, the true positives benefit from treatment, while for the true negatives only the cost of the test itself is incurred. The framework of utility analysis of von Neumann & Morgenstern (1944) implies that the test is only useful if the cost of the test to an individual is smaller than the potential benefit that individual draws from each of the four possible outcomes times the possibility of belonging to each of the four groups. And if we have to decide between two possible tests, we would want the cost increase the more expensive test causes to be smaller than the total additional benefit an individual gets from the pricier test as compared to the cheaper test. Schematically, a test with many false positives is more acceptable when the likelihood of an actual positive increases or the cost done by treating a false positive decreases. And a test with many false negatives is more acceptable when the actual rate of positives is decreased or when the cost a false negative is decreased. In medical testing all the precise costs may be known at least in approximation: the cost of the test and the treatment, the cost 128

129 Uli Sauerland reduction of successful treatment compared to not giving treatment to affected individuals and also the cost of the possible side effects of treating one of the false positives. In linguistic examples, the cost of a test is generally known in approximation: it s roughly the cost of the required field work. But the benefit of a correct linguistic theory or the cost of an incorrect linguistic theory are not known. So we can t really determine what rate of Type I and Type II errors we should tolerate. In behavioral psychology, researchers have agreed to tolerate 5% of Type I and 20% of Type II errors. These values apply specifically to a scenario of testing a tested hypothesis that two groups of measurements are drawn from different populations vs. the null hypothesis that the two are drawn from two randomly chosen groups of the same population. The 5% and 20% rates correspond to the assumption that there is no prior bias as to whether the test hypothesis is correct or not, and but that the cost of publishing a false positive is greater than the cost of not publishing a false negative (in terms of cost to the field of psychology, not to the individual researcher). There are many scenarios in linguistics and also in linguistic fieldwork where this kind of set-up is applicable. For example, we may compare whether males and females use an overt first person pronoun, starting from the null hypothesis that there is no sex difference. In such a case the run-of-the-mill psychological method can be applied to possibly show that there is a sex difference. However, in linguistic work and especially in linguistic field-work, situations are common where the psychological method isn t applicable. Consider for example the situation of a field-worker who wants to determine the word used to describe rabbit in the language of an indigenous group. Quine (1957) argues that it is close to impossible to conduct even such a simple task while strictly applying the method of behavioral psychology. The field-worker would need to set-up a series of controlled experiments where indigenous speakers observe rabbits vs. some other 129

130 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages stimuli to determine that the presence of rabbits triggers a different word from that of for example foxes and thereby shoot down the `null-hypothesis that the words for rabbits and foxes is the same in the indigenous language. Quine concludes from this argument that field-work can never yield determinate results and more generally that translation is indeterminate, but this result derives in large part from Quine s strict adherence to the behavioral method. Some residual uncertainty is common to all scientific endeavors, of course. But this is better discussed for medical research, nuclear physics, or the theory of evolution rather than linguistic fieldwork.. At the same time, the fieldworker has a justified prior belief that the perceptual organs and the mental faculties of the indigenous groups do not substantially from those of other humans. Why then should the field-worker start with the null-hypothesis that the indigenous group should lack a term for rabbit if rabbits occur frequently in the environment the indigenous group occupies? A different kind of starting point would be the hypothesis that the indigenous language is not substantially different from other previously studied languages including the well-studied European and East-Asian languages except for the phonetic content of the lexical items. Under this perspective the Type I and II errors are the opposite from that of the Quinean perspective. So if we accept different rates of the two types of errors, we arrive at different outcomes. Assume we accept 20% of Type II errors. Then, on the Quinean approach up to 20% of the claims of the form this indigenous group doesn t have a word for X would be false, while on the latter approach up to 20% of the claims of the form this indigenous group has a word for X just like European languages would be false. The previous paragraph I argued that the choice of a null hypothesis is by no means obvious for linguistic research. One approach might lead to over-exoticizing the language under study, the other to over- 130

131 Uli Sauerland Europeanizing it. Over-exoticizing arises as follows: If field-worker was to generally start from the null hypothesis that an indigenous languages lacks a specific distinction like that between rabbits and foxes and we accept a high rate of false negatives, the indigenous language would end up being described as lacking many distinctions better studied languages draw. But, over-europeanizing comes about when the field-worker starts with the assumption that the indigenous language is similar to well-studied languages. Then any false negative corresponds to a claim that the language in question has a property of some well-studied language. Regardless of approach, errors are of course unwanted and the expectation is that attempts at replication of a result are going to eliminate errors over time. But some rate of error is unavoidable in any scientific endeavor, and given that, the error of over-europeanizing is the less dangerous type of error. In the following, I ll call this the comparison-based approach: the term Over-Europeanizing brings with it connotations of neo-colonialism and cultural imperialism, as well as memories of Latinizing the description of some European languages by religious scholars and translators of the Bible. But in current linguistic work, a substantial variety of languages is quite well-described so the connotations mentioned don t apply. The body of current grammatical description is certainly still dominated by languages from the Indo-European family, but detailed descriptions of several East- Asian languages, languages from other families spoken in Europe and its periphery (Finno-Ugric, Turkic, Semitic, Basque), and substantial amount of grammatical description of other languages from all over the planet. Therefore the null hypothesis would in most cases need to be specified as which is the language of comparison: this phenomenon in language X is like a specific phenomenon in the specific better studied language Y, where the field-worker would need to take care to determine the right comparison language Y. In addition, the field-worker would also need to identify the phonetic content of the lexical items. So, 131

132 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages there are sufficient checks built into the comparison-based approach to ensure that erroneous claims of the type that language X is like some well-studied language in some respect are not damagingly frequent. Furthermore claims of the type language X is like language Y rarely excite great interest, and therefore the greater burden of proof should be placed on the researcher claiming that language X and language Y differ. The over-exoticizing approach, in my view, is more severely handicapped: it seems to start from the presumption that the humanity of the indigenous group is in doubt and ends up all too frequently making false pronouncements of language X lacking some property simply on the basis of the field-worker not having found positive evidence for the property in question. Given that claims of this type incur great interest, the field shouldn t rely on an approach that generates a high number of false negatives of this type. In sum, I have argued that claims in fieldwork on indigenous language should generally be taken to be ordinary if they closely correspond to generalization established on the basis of better studied languages. And one property of an extra-ordinary claim is that it claims that an indigenous language diverges from the grammatical properties of better studied languages. The resulting picture is different from one where it s assumed as null-hypothesis that some grammatical factor always plays no role in the indigenous language. In addition the degree of extraordinariness depends on the hypothetical cost caused by an erroneous claim (a false positive) and that of an erroneous rejection of the same claim (a false negative). But this cost can not even be estimated at this point and the actual decisions depend largely on the social consensus of the researchers in the field -- given what kind of evidence are others willing to revise their theoretical models to incorporate the new claim. In the following sections, I attempt to derive more practical consequences out of these general philosophical principles. 132

133 Uli Sauerland 2 Current Linguistic Methodology 2.1 Evidence from Well-Studied Languages This section summarizes the current state of a debate about which is the most suitable method to gather acceptability judgments in one of the best studied languages there is: English (Gibson and Fedorenko 2010, 2013, Sprouse and Almeida 2013, Sprouse et al. 2013). The recent debate began with a broad accusation of sloppiness against research using traditional armchair methods in syntactic and semantic research. But at least at this point, the result of the debate is that quantitative evidence from formal experiments offers no better validity than evidence from the traditional armchair method. This is an important result to keep in mind also for linguistic work on less well-studied languages where also usually quantitative evidence is not collected. Gibson and Fedorenko (2010, 2013) accuse the fields of syntax and semantics of being open to researchers own cognitive bias and specifically a confirmation bias in favor the researchers own proposal. To support this claim they cite a couple of selected, individual cases of judgment data from the published literature that Gibson and Fedorenko failed to reproduce in quantitative studies involving multiple test conditions and multiple speakers. Gibson and Fedorenko therefore call for the widespread adoption of quantitative research methods for syntax and semantics. Given the advances in software technology to conduct judgment elicitation over internet platforms such as Amazon Mechanical Turk, they claim that the cost both in terms of researchers time and payment of participant would be worth the putative gain in accuracy. Sprouse and Almeida (2013) and Sprouse et al. (2013), however, show that Gibson and Fedorenko themselves are guilty of a 133

134 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages violation of one basic of method of quantitative research: they don t consider a random sample of data in their evaluation of the armchair research method, but instead focus on a few selected cases of data that were already known to be controversial. Sprouse et al. (2013) present an evaluation of the armchair method based on a randomized selection of data from journal articles. They report that 95% of the contrasts in acceptability they tested are confirmed by quantitative measurement using Amazon Mechanical Turk. This means that the armchair method is at least comparable concerning the number of false positives it results in than the standard method of behavioral psychology. The failed confirmation of 5% of the contrasts in the quantitative trials may signal that there is indeed some small mismatch, but at this point it remains open as to whether these are false positives of the armchair method or false negatives of the quantitative method. Overall this result entails that existing results and methods in the field are not undermined by the wider availability of experimental methods, but experimental methods are still important as they allow research on many questions that couldn t be addressed by the armchair method. Also for surprising, extraordinary new claims there could be an advantage to providing stronger evidence as expected by Sagan s principle. The finding of Sprouse et al. (2013) is important for the fieldwork since it shows that currently most contrasts of acceptability relevant to linguistic theory are such strong effects that they can be reliably judged without resort to quantitative methods at least by trained linguists. There are some difference though that remain to be investigated: In most fieldwork situations, the bulk of data will be collected not from trained linguists, but from between one and a couple of language consultants. Also while most interested researcher (e.g. the reviewers of a paper) can readily attempt to reproduce English judgments, this is in most cases impossible for indigenous languages. In the following section, I consider existing recommendations for the methodology of fieldwork 134

135 Uli Sauerland and the implications of the wider availability of documentation and experimental techniques. 2.2 Evidence for Less Well-Studied Languages In this section, I first focus on two recent contributions on the methodology of field work on less widely spoken languages by two prominent researchers in the field: Matthewson (2004) and Dixon (2007). The two approaches represent two opposite ends of a spectrum of opinion (and therefore are exemplary for other s views of others in the field): while Dixon urges an almost exclusive focus on the collection of texts in the target language, Matthewson advocates in addition the use of elicitation, of translation and use of a contact language in the field. But neither of the two explicitly addresses the issue of formal experiments. The goal of the section is to defend briefly again the liberal view of Matthewson, but in addition to indicate some space where formal experiments should be added to the fieldworkers inventory. First, consider the recommendations Dixon (2007) offers. While Dixon s paper contains more general advice on the practical aspects of fieldwork, a substantial part of his paper concerns methodology. Here, the focus on collecting texts is very explicit in Dixon s section 9 on what to do. Dixon focuses on three tasks: beginning to speak the language, compiling a dictionary, and recording and analyzing texts. The list doesn t mention grammatical elicitation, and Dixon states at the end of the section (p. 23) that grammatical elicitation should play no role whatsoever in linguistic fieldwork (emphasis in original). Also on p. 22, Dixon writes that the only way to understand the grammatical structure of a language is to analyse recorded texts in that language. Furthermore, in a later section on what not to do (p. 27), Dixon reiterates that controlled elicitation shouldn t be pursued. 135

136 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages Dixon s view as far as I can gather is extremist and Matthewson mentions many researchers who have taken a different stand. Nevertheless the extremist texts-only view still remains influential in the field. But there are many problems with the exclusive focus on collecting texts. One general problem of corpus based linguistics is that it neither obtains ungrammatical sentences nor sentences that are false in a specific scenario. Given the important role these types of data play in linguistic analysis, the text-only view is prone to a large Type II error: not finding data that would actually show interesting distinctions. Consider briefly two examples that illustrate the error-proneness of a text-only strategy. The first example is actually from spoken English. Spoken English isn t a bad proxy for an indigenous language in a field-work scenario which likely doesn t have a written form, but at the same time English is well studied. Thompson (2002) looks at evidence for complement clauses in spoken English corpora, and concludes that rather than complement clauses, spoken English only allows unembedded declaratives accompanied by an evidential phrase. To support her claim, Thompson extracted a sample of 452 complement-taking predicates from a corpus of spoken English and analyzed the structure and discourse contribution of each item in detail. Newmeyer (2010) points out that Thompson committed a Type II error: concluding from the lack of evidence, that something doesn t exist. Specifically, Newmeyer looks at a much larger corpus of English than Thompson did: 170 Megabytes of text data, and finds numerous different types of evidence for the existence of complement clauses in English. What is instructive here is the amount of text required to avoid a Type II error: For which indigenous language has anybody gathered and transcribed 170 Megabytes of data? If one page of text corresponds to 500 Bytes (characters), then 170 Megabytes correspond to 340 thousand pages of text: Dixon s text-only approach requires the field-worker to gather roughly two bookshelves full of transcribed stories required to determine whether a language has 136

137 Uli Sauerland complement clauses or not. At the same time, the text-only approach is not immune to errors of the Type I type. In fact, once a linguist is actually immersed in a collection of texts and their translations, it seems to become difficult to discern specific surprising properties of the language under investigation. An example indicating that type of failure to see an obvious linguistic difference to widely spoken languages in a text that was widely studied both in original and in translation concerns Homeric Greek. As Deutscher (2011) renarrates, the fact that the color categories of Homeric Greek don t correspond to color categories of English, German, French and other modern European languages was only pointed out by Gladstone (1858: ). Gladstone slightly overinterpreted the data (He assumed color vision was different at Homer s time), but given the modern knowledge of cross-linguistic variation in color terms Gladstone s basic observation was essentially correct, though overlooked by almost all others studying Homer s writing. I don t think we can be confident that similar oversights can be ruled out if linguistics was to rely entirely on the text-only method. Two factors may lead field workers to overlook interesting grammatical properties in texts: For one, since the gathered texts are usually stories, field workers may attribute unusual properties to metaphoric use or poetic language as was the case for Homeric Greek, but one Gladstone argues to be incorrect. Secondly, relevant data in texts may be spread out very thinly over different stories, and may only be convincing when arranged into one paradigm. This probably was less of a factor in the case of Homer since many researchers intensively studied his writing, but it is a significant concern for texts gathered in fieldwork. Needless to say the very successful typological research on color terms by Berlin & Kay (1969) didn t rely on text corpora at all. In sum, the text-only approach is prone to a large number of Type II errors and even then may not generally lead to a full view of the 137

138 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages language under investigation. A third concern about the approach is that it might lead field workers to not document a large part of what they do. I have always found it very natural to construct an example sentence in a language I m interested in and then ask a native speaker of whether it s grammatical and what it means. I can t imagine that other linguists differ in this respect, even those who subscribe to the text-only view. In fact, Dixon s manual urges the field-worker to learn the indigenous language and try to use it in conversation. Furthermore, he says it s important to encourage people to correct all your mistakes (p. 20), which is very close to judgment elicitation: tell me whether what I say is grammatically correct and whether it s true in this scenario. The major difference here is that Dixon doesn t exhort the field-researcher to document exchanges of this type, while I consider this at least as important to document such judgement-elicitation sessions as stories and other texts: Only if other researchers have access to all the data a field-worker s conclusions are based on (including the ungrammatical sentences), can they evaluate the arguments and it is this independent scrutiny that underpins progress in the field. Furthermore, in such judgment elicitation sessions all important grammatical sentences should be recorded from at least one native speaker. Matthewson (2004) is primarily concerned with semantic fieldwork. The distinctions between syntactic, semantic, and pragmatic field-work aren t generally easy to draw though, and Matthewson s paper contains a lot of insights relevant to these other subfields. Matthewson like me takes a strong stance against the text-only approach. She in particular argues that the use of a contact language (she uses the term meta-language ) and of translations in elicitation need to be handled with care, but need not be detrimental. One recent example of the latter from work on Matses I was involved in is presented by Munro et al. (2012): We investigated the claim that Matses doesn t have a form of 138

139 Uli Sauerland speech report corresponding exactly what is indirect speech in English and also in Spanish. As part of a controlled elicitation experiment, we asked Matses speakers who also spoke Spanish to translate sentences with indirect speech from Spanish into Matses. In this experiment, we might have easily ended up with data that show transfer effects from Spanish into Matses. However, actually eight of the nine speakers gave Matses responses that fully corresponded to the claim that Matses only has forms similar to direct speech in Spanish. The ninth speaker, who did show a transfer from Spanish to Matses, was working as a Spanish teacher. So, the example illustrates the potential for transfer effects involved in translation tasks, but at the same time the evidence obtained is actually revealing when speakers overcome the potential for grammatical transfer inherent in translation tasks. Overall, Matthewson s liberal approach is on the right track in attempting to strike a balance between attempting to block false positives, but at the same time not impose unreasonable methodological barriers that impede progress and cause a large number of false negatives simply because research methods commonly used for widely spoken languages are banned for indigenous languages. One topic Matthewson doesn t address is the use of formal experiments in fieldwork. As I discussed in the previous section, there is no general, precise answer to this question until we know the cost of having different types errors in our linguistic theory. If one is too skeptical, one would end up spending a lot of field work time and effort for results that could ve been obtained with equal accuracy in an easier way. The satisfactory reliability of the armchair method shows that not every formal experiment is warranted. On the other hand, if one doesn t undertake the effort of a formal experiment when it s due, one may easily miss an opportunity to convince the community of an observation that is extraordinary in Sagan s sense. There can t be a general answer to when formal experiments could add to field-work 139

140 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages results, even assuming that the experiment if properly designed and carried out. One example where a non-experimental fieldwork result has been ignored and this lack of reception is possibly due to nonexperimental nature is provided by Matthewson s own work on Lillooet Salish. Matthewson (2006) proposes on the basis of fieldwork that St át imcets lacks presuppositions of the type that English has which place a requirement on the common ground (Stalnaker, 1973 among others). She proposes that instead St át imcets can mark content as objective propositional content in the sense of Gauker (1998). To argue for this parameter Matthewson cites, on the one hand, unpublished experimental work by Conti (1999), which I couldn t access, and published work by herself (Matthewson et al. 2001) on English, and, on the other hand, reports on an informal experiment conducted in the field for St át imcets. Mathewson (2001, 2006) relies on the frequency of presupposition challenging responses to test for presuppositionality. Specifically, she tested adult English speakers on the presupposition of (1) that there is in elephant in your hair isn t satisfied, and found that 62% of them challenge (1) with a phrase like What elephant? or similar. (1) Did you get the elephant out of your hair? In 2006, Matthewson claims that St át imcets adults don t challenge what might appear to be presuppositions in the same way. For example, she reports on presenting the sentence in (2) to one of her consultants. The English translation of (2) presupposes that some other person s being in jail was mentioned before, but Matthewson reports that her St át imcets informant didn t challenge this response, but only asked what Lisa did to land her in jail. Matthweson takes this to be evidence that t it in (2) doesn t trigger a presupposition of the same type as English presuppositions, though it has the same semantic content. 140

141 Uli Sauerland (2) wá7 t it l-ti gélgel-a tsitcw k Lisa be also in-det strong-det house DET Lisa Lisa is also in jail. As far as I know Matthewson s claim has been largely ignored in the field. One current theme in work on presupposition (e.g. Abrusan 2011) is to attempt to derive that some aspects of content must be presuppositional from general pragmatic and semantic principles. But if Matthewson (2006) is correct, that enterprise would be futile since the parametric difference between English and St át imcets shows that the presuppositionality of some content is an arbitrary feature of a specific language like English and other languages can differ. I think the reason Matthewson s work has been ignored is that the evidence she present has not been as extraordinary as the claim Matthewson is making, and she should ve done a more formal experiment on the matter. That Matthewson s claim is extraordinarily surprising is in this case clear: Matthewson (2006) writes herself that her claim is somewhat radical (p. 63). Her 2006 generalization also differs from Her previous 1998 work, where she writes (p. 116) that the lexical item corresponding to English too induces presuppositions 2. I conclude therefore that Matthewson should have done formal experimental work to corroborate the central claims of her 2006 work. Specifically, one kind of study that comes to mind is the following: Matthewson compares the performance of English adults on (1) with that of St át imcets adults on (2). But neither the two groups nor the two sentences are very similar: As for the two groups, Matthewson (2006) writes that her consultants My relationship with the consultants from whom data were obtained is a friendly one, and I have known each of 2 Matthewson (1998) proposes that determiners in Salish languages and specifically St át imcets cannot be presuppositional, consistent with the 2006 claim. Furthermore, she does preface the discussion I quote from in the text with the proviso that the full investigation of the relevant claims is beyond the scope of her 1998 work. 141

142 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages the consultants for between 12 and 14 years. (p. 68). Matthewson et al. (2001) don t report who the English adult subjects were that gave the 62% challenge-responses, but quite likely they were undergraduate students at the University of Massachusetts. If this is correct, there appear to be substantial differences in age, level of education, and familiarity with the experimenter between the two groups. As for the sentences, a more appropriate comparison would ve been between (2) and its English translation. If a simple formal experiment controlling these two factors better corroborated them, it would certainly have brought broader recognition to Matthewson s (2006) results. Overall though the observational method has served the field quite well. Though some regard Galileo s experiments as the starting point of modern science, many big discoveries in science weren t based on experiments, but only on close observation of nature. Consider just one of the most influential modern scientific theories: Darwin s theory of evolution. Almost the entire body of evidence for evolution that Darwin based his theory comes from observations. Darwin wasn t opposed to experiments -- late in his life, he proved experimentally that earthworms improve the fertility of soil --, but Darwin did not waste any time on establishing obvious facts underpinning his account of evolution such as the anatomy of the Galapagos fauna, and at his time of writing also didn t have the methods at his disposal to seek experimental confirmation of evolution. Linguists too need to develop a taste for when quantitative data are useful, and when they are an impediment to progress. 3 Conclusion: When to formally experiment in the field? To conclude, I take stock and attempt to derive some practical recommendations. It is impossible, though, to derive a precise general recommendation from the above considerations as to when to do a 142

143 Uli Sauerland formal experiment and when it would be a waste of time. Clear cases of former are any cases where experiments are also called for for wellstudied languages: cases where the data are subtle, cases where additional measurements such as timing data or neurological data are expected to be revelatory, and cases where groups other than adult informants are under investigation. Clear cases of the latter are data that trust-worthy language consultants judge to be clear and that conform to patterns of a better studied language. That leaves a large area where it is up to the individual researchers judgment whether experiments are expected to add to the reliability of the findings. But I think there is enough motivation to suggest that researchers engaged in fieldwork should at least consider and acquire the ability to perform formal, quantitative experiments. Especially this should be the case in situations where formal experiments can be incorporated into the fieldwork situation without being taking away a large amount of time from other methods like judgment elicitation and story elicitation. Compared to the investigation of well-studied languages the situation for field-work is different in several ways. One recent technological advance in the case of well-studied languages has been the availability of the internet based platforms that allow researchers to conduct trials, especially Amazon s Mechanical Turk (a point of Gibson & Fedorenko s 2010 paper that I discussed above in section 2.1). The internet based methods make it possible to conduct quantitative trials for researchers that don t have access to lab space and research assistants that gather judgment data from a large group of English speakers. But, speakers of any indigenous language are unlikely to be available on Mechanical Turk -- even for German and Japanese I found it impossible to get more than about 40 native speakers in a study conducted in But integrating formal experiments into fieldwork also benefits in some ways from recent technological progress and furthermore offers some 143

144 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages distinct advantages. The two ways technological progress make it easier to conduct formal experiments in the field are the following: For one, smaller and cheaper equipment make it possible to create and manipulate recordings and other data in the field to set up an experiment. Secondly, freely available, public domain software tools facilitate both the creation of stimuli and analysis of data from formal experiments. For the analysis, especially the Praat software for phonetic analysis and the R software for statistical analysis and the creation of graphs can nowadays replace expensive commercial software such as SPSS for research purposes. Still it costs time to prepare and conduct formal experiments to gather quantitative data in the field. But there a number of important reasons to consider doing so in selected circumstances. The typical scenario I have in mind here is one where initial fieldwork using judgment elicitation has already provided evidence in favor of the conclusions that a formal experiment then attempts to corroborate. Of course there are also cases where judgment elicitation isn t useful in the first place as with questions of traditional psycholinguistics and experiments are needed to establish any useable evidence. But even in cases where language consultants judgment provide some evidence, there may be reasons to conduct in addition a formal experiment. The foremost reason is that the evidence and the conclusions drawn from it are surprising, for example they may contradict apparently well-established generalizations in linguistics. If this is the case, the simplest possible experiment would be to independently question several additional members of the community. After all, if all five out of five individual agree that a contrast goes the same direction, this establishes statistical significance by the binomial test. A second good reason may be that in situations of language endangerment the evidence might not be available later. So it may be the last chance to document any property of such a language with greater reliability. A related third reason is that in situations where an indigenous language 144

145 Uli Sauerland is not the main daily language of most members of a community anymore, individual consultants judgement may be more uncertain than otherwise, or it may be desirable to determine whether all members of the community share the relevant judgment. For example, in work of my own with the Teiwa in Indonesia (Kratochvil, Hollebrandse, and Sauerland, in progress), we primarily worked with younger speakers as consultants. However, younger speakers were all literate in Indonesian and we turned to experimental techniques to determine whether older, illiterate speakers shared the relevant judgments. A fourth advantage of integrating some experimental work in field situations is that it can involve all members of the community, while typically one works every day with the some preferred consultants in judgment elicitation who gain some proficiency, and also not all community members volunteer to tell stories to be recorded. In this situation, enrolling all comers as participants in an experiment and providing some appropriate compensation for the effort is a way to engage the whole community in the study and receive some immediate benefit. For this, it is helpful if the experiment is not too hard, but rather fun for the participants, so I offer some simple methods in the following. For work in syntax and semantics, simple methods are focused on the task of either judging that one sentence sounds better (i.e. more grammatical) than another, or that one sentence is more acceptable in a specific situation. It is also often helpful to look at work done in language acquisition research with children since materials for children must be designed to be engaging. Of course, one shouldn t overdo this: infantilizing is no better received by members of an indigenous community than by adults elsewhere. It also is helpful to ask the community or the consultants one works with closely for suggestions on how to do this. My own experience comes from work on Teiwa mentioned above, Matses (Munroe et al. 2012), and Pirahã (Sauerland, to appear). The methods 145

146 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages that are most easily and broadly applicable: we essentially compiled a list of testable examples working with a few primary informants. The list consisted primarily of questions of the type, can this sentence be used in this scenario? After the list was done, we went around with it and asked other speakers the questions on the list, and just reported their responses. In addition we did another experiment involving translations from Spanish into Matses. In the case of Teiwa and Pirahã, the goal was different from the one in Matses. For both languages, it was unclear if specific scenarios (namely, false belief scenarios) could be described in the language at all. In this case, we followed language acquisition research by using targeted elicitation: We created relevant scenarios and asked speakers to report relevant aspects of that scenario. So this was spontaneous production in a controlled situation. If it works, the results from this method provide strong evidence for the existence of the specific structures speakers use in this scenario since speakers produce them spontaneously. But the work required especially for the evaluation is much greater, than in acceptability or comprehension studies, and additional comprehension experiments seemed necessary to me in both of my cases to confirm the interpretation. This examples illustrate that, if formal experiments are warranted in the first place, the goals determine the best method and setup. References Abrusan, Marta. Predicting the presuppositions of soft triggers. Linguistics and Philosophy 34: Berlin, Brent & Paul Kay. Basic color terms: Their universality and evolution. University of California Press

147 Uli Sauerland Conti, Rachel. Presuppositions of the. Ms., University of Massachusetts, Amherst Deutscher, Guy. Through the language glass: Why the world looks different in other languages. Arrow Books Dixon, R. M. W. Field linguistics: a minor manual. Sprachtypologie und Universalien Forschung (STUF). 60: Gladstone, William E. Studies on Homer and the Homeric Age I. Oxford, United Kingdom: Oxford University Press Hume, David. An Enquiry concerning Human Understanding Flournoy, Théodore. Des Indes à la Planète Mars: Étude sur un cas de Somnambulisme avec Glossolalie Gauker, Christopher. What is a context of utterance? Philosophical Studies Gibson, Edward & Evelina Fedorenko. Weak quantitative standards in linguistics research. Trends in Cognitive Science Gibson, Edward & Evelina Fedorenko. The need for quantitative methods in syntax and semantics research. Language and Cognitive Processes 28, 88:124. DOI: / Kratochvil, Hollebrandse, and Sauerland. in progress. Complexity before Evolution: Complement Clauses in Teiwa. Laplace, Pierre Simon. Essai philosophique sur les probabilités

148 Extraordinary Claims Require Extraordinary Evidence (and Ordinary Ones Require Ordinary Evidence): On Experimental Linguistics for Less Well Studied Languages Matthewson, Lisa. Determiner Systems and Quantificational Strategies: Evidence From Salish, Holland Academic Graphics, The Hague Matthewson, Lisa, Timothy Bryant and Tom Roeper. A Salish stage in the acquisition of English determiners: Unfamiliar definites. In The Proceedings of SULA. GLSA, University of Massachusetts, Amherst Matthewson, Lisa. On the methodology of semantic fieldwork. International Journal of American Linguistics Munro, Robert, Rainer Ludwig, Uli Sauerland & David W. Fleck. Reported speech in Matses: Perspective persistence and evidential narratives. International Journal of American Linguistics Newmeyer, Frederick J. What conversational English tells us about the nature of grammar: A critique of Thompson s analysis of object complements. In Kasper Boye & Elisabeth Engberg-Pedersen (eds.), Usage and structure: A festschrift for Peter Harder, Berlin: Mouton de Gruyter Neyman, Jerzy & Egon S. Pearson. On the Use and Interpretation of Certain Test Criteria for Purposes of Statistical Inference, Part I. Joint Statistical Papers. Cambridge University Press. pp [1966]. Quine, Willard van Orman Word and Object. Cambridge, Mass.: MIT Press. Sauerland, Uli. to appear. False Speech Reports in Pirahã: A Comprehension Experiment. 148

149 Uli Sauerland Sagan, Carl. Cosmos: A Personal Voyage, Episode 12, Encylopedia Galactica, 1:10 min Sprouse, Jon & Diogo Almeida. The empirical status of data in syntax: A reply to Gibson and Fedorenko. Language and Cognitive Processes Stalnaker, Robert. Presuppositions. Journal of Philosophical Logic Thompson, Sandra A. Object complements and conversation: Towards a realistic account. Studies in Language Truzzi, Marcello. On the Extraordinary: An Attempt at Clarification. Zetetic Scholar, Vol. 1, p Wikipedia. 2014a. Marcello Truzzi. wiki/marcello_truzzi, accessed Aug. 2, 2014 Wikipedia. 2014b. On Miracles. Of_Miracles, accessed aug. 2,

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151 O status tipológico das construções de tópico no português brasileiro: uma abordagem experimental Eduardo Kenedy Universidade Federal Fluminense (UFF) Resumo Neste artigo são reportados 2 experimentos que testaram previsões derivadas da hipótese do PB como uma língua de tópico. O exp. 1 é um teste de julgamento de aceitabilidade, em que se conferiu que os participantes preferem anáforas nulas orientadas para o tópico do discurso, enquanto optam por anáforas pronominais orientadas para o sujeito da frase. O exp. 2 é um teste de audição segmentada em que se verificou que os participantes tiveram mais dificuldade de processar estruturas tópico > comentário em relação a estruturas sujeito > predicado. Tais resultados parecem reunir evidências de que o PB seja uma língua com proeminência de sujeitos. Abstract In this paper, two experiments address the question whether Brazilian Portuguese (BP) should be classified as a discourse-oriented language. Exp.1 is a speeded judgment task that has shown that participants prefer null anaphor bound to a topic DP while they prefer full pronominal anaphor bound to subject DPs. Exp. 2 is a self-paced listening that has demonstrated that participants had a big deal of difficulty while processing topic > comment structures, as opposed to subject > predicate strings. These results suggest that BP must be classified as a subject-oriented language. Palavras-chave topicalização, sintaxe experimental, PB, língua de sujeito. Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jun./dez. 2014

152 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental Keywords topicalization, experimental syntax, Brazilian Portuguese, subject oriented language. Introdução As estruturas de tópico são um fenômeno sintático-discursivo bastante produtivo nas línguas humanas. Tais estruturas, muitas vezes referidas pelo termo topicalização, podem ser descritas como a computação linguística por meio da qual um determinado constituinte (o tópico) é posicionado à periferia esquerda de uma frase, que sobre ele apresenta algum comentário. A topicalização encerra a estrutura frasal tópico > comentário, a qual é distinta da ordenação sujeito > predicado 1 por marcar, no tópico, traços prosódicos e discursivos ausentes no constituinte quando não topicalizado. Note-se, por exemplo, a saliência do argumento interno do verbo ler, topicalizado em (1) a seguir, por contraste a seu status fonológico e discursivo menos marcado em (2), em que se encontra no domínio do verbo que o seleciona. (1) Aquele livro, ainda não tive tempo de ler. (2) Ainda não tive tempo de ler aquele livro. Em um estudo considerado clássico na literatura descritiva sobre topicalização, Li & Thompson (1976) indicaram que as estruturas de tópico são encontradas em todas as línguas naturais, muito embora apresentem diferentes níveis produtividade nas línguas particulares. De acordo os autores, há entre as línguas humanas quatro tipologias básicas para as estruturas de tópico: (i) línguas orientadas para o discurso, com proeminência de tópicos; (ii) línguas orientadas para a frase, com 1 Neste artigo, tomaremos por tópico e topicalização os chamados tópicos marcados (cf. DUARTE, 2003), em que a estrutura tópico > comentário não coincide com a ordenação sujeito > predicado. Sujeitos em tópico são considerados um tópico não marcado. 152

153 Eduardo Kenedy proeminência de sujeitos; (iii) línguas mistas e (iv) línguas sincréticas. Diante dessa proposta de classificação tipológica, muitos linguistas têm procurado identificar o status da topicalização no português do Brasil (PB). Estudos como, dentre outros, os de Pontes (1987), Galves (1998, 2001), Decat (1989), Kato (1989, 2006), Callou, Moraes e Leite (1993), Vasco (1999, 2006) e Orsini (2003) têm atestado, com base em corpora do PB, a existência de construções de tópico supostamente exclusivas de línguas orientadas para o discurso. Essas evidências têm levado muitos linguistas a aventar a hipótese de que o PB seja uma língua com proeminência de tópicos (cf. PONTES, 1987; NEGRÃO, 1990; GALVES, 2001; ORSINI, 2003; KATO, 2006). Por outro lado, autores como Duarte (1996) e Kenedy (2002) argumentaram que o PB deve ser descrito como uma língua com proeminência de sujeitos. De acordo com esses dois linguistas, os exemplos de construções de tópico encontradas em corpora do PB são igualmente visíveis em dados do português europeu (PE) e também noutras línguas românicas, sobre as quais não há dúvida se tratar de língua de sujeito. Nesse contexto de busca pela caracterização mais adequada para a tipologia das construções de tópico em PB, é notável que tanto os defensores de uma tipologia com proeminência de tópicos quanto os que advogam em favor da tipologia com proeminência de sujeitos baseiam suas hipóteses em apenas dois tipos de metodologia de pesquisa: a intuição do próprio linguista e a análise de corpus. No presente artigo, pretendemos introduzir um terceiro tipo de metodologia na abordagem do fenômeno: a experimentação. Trata-se de uma abordagem que vem conquistando crescente prestígio na comunidade linguística nacional e internacional, a qual ficou conhecida como sintaxe experimental (cf. COWART, 1997; SPROUSE, 2007; KENEDY, 2007; MAIA, 2012). Consideramos que a sintaxe experimental possa apresentar novas perspectivas de análise acerca do status da topicalização em PB 153

154 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental porque a intuição do linguista e as análises de corpus, conquanto sejam essenciais para identificar padrões estruturais fundamentais de uma língua, apresentam limitado poder explanatório para as pesquisas que pretendem formular generalizações sobre a competência linguística dos falantes (no sentido de Chomsky, 1965) subjacente à tipologia de uma língua específica. Dizemos isso porque, primeiramente, intuições acerca de estruturas linguísticas são variáveis, portanto, para tomá-las seriamente como argumento científico, é preciso compreender essa variação de maneira metodológica e estatisticamente apropriada. Em segundo lugar, os dados linguísticos encontrados num dado corpus são inevitavelmente enviesados pelo perfil sociocultural dos falantes e pelo gênero textual que deu origem a tal registro de fala ou de escrita, o que quer dizer que corpora com perfis socioculturais e gêneros textuais diferentes normalmente apresentarão dados muito distintos, mesmo em relação a um único fenômeno, como a topicalização. Como veremos neste artigo, o recurso à experimentação no estudo da sintaxe permite que intuições, variáveis linguísticas e extralinguísticas possam ser controladas em laboratório, de modo que o comportamento dos participantes de um experimento possa ser mais confiavelmente atribuído a um fator específico, como a tipologia da língua que se assume estar representada na mente de um falante/ouvinte. Para além desta introdução e das conclusões finais, o presente artigo está organizado em cinco seções. Na primeira delas, apresentaremos a proposta tipológica formulada por Li & Thompson (1976), destacando as características fundamentais dos quatro tipos de língua previstos pelos autores. Na segunda seção, descreveremos a essência dos estudos sobre as construções de tópico em PB, indicando os principais argumentos de linguistas que consideram a língua pertencente à tipologia de tópico, por oposição às vozes dissonantes de Duarte (1996) e Kenedy (2002). Na terceira seção, apresentaremos o experimento I julgamento de aceitabilidade de anáforas. Basicamente, esse experimento verificou se em PB (i) anáforas nulas ou pronominais são 154

155 Eduardo Kenedy igualmente orientadas para constituintes nominais em posição de tópico ou se (ii) anáforas nulas e pronominais podem diferenciar-se quanto à preferência da posição sintática de seu referente, se tópico ou sujeito. Na seção de número quatro, discutiremos o experimento II audição segmentada automonitorada. Tal experimento, em essência, verificou o tempo de reação dos participantes quando expostos a segmentos de fala que atribuíam uma configuração sujeito > predicado ou tópico > comentário a certa estrutura sintática em construção. Por fim, na seção número cinco, apresentamos nossa interpretação sobre o que os resultados desses dois experimentos significam para o contexto da discussão acerca da tipologia da topicalização em PB. 1 A tipologia das construções de tópico Em estudo pioneiro, Li & Thompson (1976) formularam uma proposta de tipologia linguística para descrever o status da topicalização entre as línguas humanas. Os autores, com base numa análise de corpus com dados de diversas línguas, afirmaram que as estruturas de tópico são comuns e produtivas em todas as línguas conhecidas e, presumivelmente, existem em todas as línguas naturais. Tal afirmação se motivou pelo fato de a topicalização caracterizar-se como mecanismo discursivo universal de apresentação de informação velha e pressuposta na condução de diálogos em situação natural de interação oral por oposição à apresentação de informação nova, em foco, nesses mesmos contextos (cf. DOOLEY & LEVINSOHN, 2003). Ocorre que a produtividade da topicalização parece ser variável entre as línguas. Há, segundo Li & Thompson (1976: 460), línguas em que as construções de tópico são uma estrutura marcada, nas quais a ordenação sujeito > predicado é a mais básica na estruturação de frases, e há também, inversamente, línguas em que a topicalização é um fenômeno não marcado, que apresentam a sequência tópico > comentário como mecanismo fundamental de ordenação linear de frases. 155

156 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental Ao cotejar os aspectos morfossintáticos das línguas com proeminência de sujeitos e das línguas com proeminência de tópicos, os autores concluíram que apenas distingui-las com base na noção de marcação 2 (tópico marcado versus tópico não marcado) não seria o suficiente para descrever a complexidade do status da topicalização nas diferentes línguas naturais. Sendo assim, propuseram a seguinte tipologia, que sumarizaria o comportamento possível das estruturas de tópico em qualquer língua humana: (a) línguas com proeminência de sujeito; (b) línguas com proeminência de tópicos; (c) línguas mistas e (d) línguas sincréticas. Com essa classificação, devemos compreender que uma língua como, por exemplo, o indonésio pertence à tipologia proeminência de sujeitos. O exemplo (3) ilustra que, nessa língua, a estrutura sintática mais básica na composição de frases é sempre sujeito seguido de predicado. (3) [Ibu anak itu] [membeli sepatu]. (LI & THOMPSON, 1976: 470) [A mãe dessa criança] [comprou sapatos]. Por contraste, o lahu seria exemplo de uma língua com proeminência de tópicos. Nesse tipo de língua, como se indica em (4), a constituição mais básica de frases ocorre pela introdução de um tópico ao qual se segue um comentário. Nelas, estruturas do tipo sujeito > predicado ou não ocorrem ou são marcadas, no sentido de que são menos frequentes e carreiam informações diferentes de seu correlato com topicalização. 2 Dooley & Levinsohn formularam uma definição simples e útil acerca da noção de marcação, que será adotada neste artigo: Configurações não marcadas são um modo de expressão tipo piloto automático, pelo qual sucessivos pedaços de informação estão sendo acrescentados à representação mental de modo rotineiro, previsível. Configurações marcadas são um modo mais mão na massa, sendo usadas quando a transmissão de informação se torna não rotineira (2011: ) 156

157 Eduardo Kenedy (4) [Ho] [na-qhô yi vê yò]. (LI & THOMPSON, 1976: 462) [Elefantes,] [os narizes são longos]. Para ilustrar as línguas do terceiro tipo, com tipologia mista, Li & Thompson citam o japonês. Nessa língua, tanto sujeito como tópico são igualmente produtivos e coexistem como estruturas alternativas disponíveis na gramática mental dos falantes. Nessa tipologia, não é possível distinguir, seja pela noção de marcação ou por particularidades morfossintáticas, que tipo de estrutura de frases é a mais básica da língua. Já o tagalog, ainda seguindo Li & Thompson, ilustra o caso de uma língua sincrética. Nessa tipologia linguística, as noções de sujeito e de tópico são indistinguíveis e, assim, um tópico é sempre o sujeito da frase e o sujeito da frase é sempre o tópico do discurso. Com base nessa proposta tipológica, Li & Thompson (1976) analisaram as principais diferenças linguísticas que separam as categorias sujeito e tópico nos quatro tipos de língua. Os autores destacaram que (i) o tópico, mas não o sujeito, apresenta-se obrigatoriamente como uma expressão definida; (ii) o sujeito, mas não o tópico, sempre se inscreve na estrutura argumental de um predicador; (iii) o sujeito, mas não o tópico, possui propriedades formais e semânticas determinadas pelo predicador da frase (como s-seleção, c-seleção, papel temático); (iv) o tópico, mas não o sujeito, encerra sempre informação velha, sobre a qual incidirá um foco prosódico acentual; (v) o sujeito, mas não o tópico, desencadeia a concordância verbal 3 ; (vi) o tópico, mas não o sujeito, ocupa necessariamente a posição inicial da frase; (vii) o sujeito, mas não o tópico, submete-se a fenômenos sintáticos como relativização, passivização, apagamento por correferência em orações encaixadas e imperativização. Em decorrência dessa distribuição complementar entre as duas categorias linguísticas, os autores argumentaram que as línguas de tópico apresentariam fenômenos morfossintáticos exclusivos. Por 3 Trata-se do caso típico. Os autores reconhecem que, em situações específicas, o tópico pode provocar concordância verbal, como ocorre não raramente em PB (cf. VIEGAS, 2014). 157

158 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental exemplo, línguas de tópico como o lahu possuem morfemas específicos para identificar a topicalização. Dentre muitos outros, um fato gramatical relevante sobre as línguas de tópico, que será explorado no primeiro experimento a ser discutido no presente artigo, diz respeito ao controle da referência das categorias anafóricas presentes numa frase. Nas línguas orientadas para o discurso, o tópico (mas não o sujeito) é sempre o referente de uma expressão anafórica, seja ela uma categoria vazia ou um pronome pleno. Veja-se o seguinte exemplo do mandarim. (5) [Nèike shù yèzi dà,][suóyi wó bu xíhuán]. [Aquela árvore i,] [as folhas são grandes, por isso, eu não gosto Ø i ]. Em frases desse tipo, a expressão referencialmente dependente (pronome nulo ou lexical) será ligada ao constituinte em posição de tópico, e nunca em posição de sujeito. É importante notar que Pontes (1987: 23) chegou a afirmar que, em PB, as anáforas são obrigatoriamente orientadas para o tópico, já que, segundo a autora, o PB se insere entre as línguas da tipologia tópico > comentário. A seguir, apresentaremos a essência dos argumentos dos linguistas que sustentam ser o PB uma língua de tópico. Veremos também os contraargumentos dos que não concordam com essa classificação tipológica. Como ficará claro, toda essa querela é conduzida com base em pesquisas sustentadas em dados de corpus e/ou na intuição dos autores, razão pela qual argumentaremos em favor do recurso à experimentação como uma terceira margem para a discussão. 2 O status do tópico em PB Na interpretação de Pontes (1987) e Kato (1989, 1993), os dados de diversos corpora do PB nem sempre permitem a distinção 158

159 Eduardo Kenedy nítida entre tópicos não-marcados e tópicos marcados. Segundo as autoras, é comum que sujeitos gramaticais em PB não recebam uma nítida proeminência acentual, fenômeno fonológico marcado que parece indicar que tal sujeito se encontra em posição de tópico, em decorrência de alguma pressão discursiva. Veja-se, por exemplo, o contraste entre as elocuções Os brasileiros são um povo trabalhador e Os brasileiros... são um povo trabalhador. A pausa acentual da segunda frase, apontada ortograficamente pelas reticências, pode ser interpretada como indício fonético de que o constituinte os brasileiros tenha sofrido topicalização e, por isso, encontra-se na periferia esquerda da frase (em CP, o sintagma complementador). A posição original desse constituinte movido é justamente a posição de sujeito gramatical, no domínio do sintagma flexional (TP). As representações (6) e (7) ilustram, respectivamente, o estatuto gramatical da frase sem topicalização e com topicalização: (6) Sujeito em posição canônica [ CP [ TP [ DP os brasileiros [ VP são um povo trabalhador]]]] (7) Sujeito em posição de tópico [ CP [ DP [os brasileiros] i [ TP ø i [ VP são um povo trabalhador]]]] Essa falta de distinção fonológica entre sujeitos realizados em TP ou em CP teria ocorrido, de acordo com Kato (1993), por conta de uma gramaticalização da posição em CP como a origem básica dos sujeitos em PB. Kato assume explicitamente que, em PB, DPs sujeitos são gerados na base diretamente em CP, sob topicalização. Essa posição à periferia esquerda da frase, nomeada por Kato (1993) como Letf Deslocation (LD), seria a mais básica (default) em PB para estabelecer na sintaxe qualquer estrutura de predicação, seja a relação sujeito > predicado, seja a relativização ou a interrogação. 159

160 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental Embora dominante na linguística brasileira, a interpretação do status do PB como língua de tópico tem recebido críticas de alguns pesquisadores. Duarte (1996), por exemplo, argumentou contra tal hipótese apresentando uma longa lista das particularidades morfossintáticas características das línguas de tópico. A autora pontuou que apenas uma dessas propriedades pode ser encontrada em PB: a ocorrência de múltiplos sujeitos como ocorre no exemplo de Duarte (1995): A Clarinha i, ela i cozinha que é uma maravilha. Entretanto, argumenta que tal propriedade manifesta-se muitas vezes em línguas da tipologia proeminência de sujeitos, tais como, entre outras, francês, italiano e espanhol. Já Kenedy (2002) asseverou que a hipótese de sujeitos gerados sistematicamente como adjuntos em CP só seria sustentada com base em evidências fonéticas, sintáticas e/ou discursivas de que os sujeitos em PB ocupam sempre e necessariamente a posição de tópico em CP. Como tais evidências nunca foram apresentadas exaustivamente, a hipótese LD de Kato (1993) seria, para o autor, apenas especulativa, útil somente para a descrição de certo conjunto de dados de corpus. Como se pode ver, a interpretação tipológica do PB com relação às estruturas de tópico não é incontroversa. As divergências descritivas acerca do status da topicalização em PB ocorrem, segundo entendemos, porque os estudos sobre o tema baseiam-se todos, por um lado, em argumentações puramente conceituais motivadas pela intuição do próprio linguista, como é o caso de Kato (2003) e Kenedy (2002), ou, por outro lado, pela análise e interpretação de diferentes corpora, como é o caso de Pontes (1987) e Duarte (1996). Entendemos que estudos baseados na intuição do linguista e/ou em dados retirados de corpus podem ser usados infinitamente para sustentar ou rejeitar qualquer hipótese teórica sobre uma língua. Com efeito, intuições linguísticas são variáveis de indivíduo a indivíduo e, dessa forma, só podem ser utilizadas como argumento científico quando submetidas a controles de variáveis e a testes estatísticos de variância. Análises de corpora, por sua 160

161 Eduardo Kenedy vez, possuem poder explanatório limitado, uma vez que seus resultados podem ser fortemente enviesados pelo perfil sociocultural dos sujeitos falantes e/ou pelo gênero textual característico do corpus em análise, algo que, da mesma forma, precisa ser controlado para que se possam fazer generalizações descritivas adequadas. Diante das limitações de análises intuitivas ou baseadas somente em corpora, Kenedy (2009) apontou a necessidade de abordar a problemática da topicalização no PB sob a perspectiva da sintaxe experimental. Segundo o autor, experimentos formulados para capturar a realidade psicológica da topicalização poderão verificar se, no processamento cognitivo da informação linguística, brasileiros apresentam reações diferentes a estruturas tópico > comentário por oposição a estruturas sujeito > predicado, manifestando ou não preferência natural por uma delas. 3 Experimento I julgamento de aceitabilidade de orientação de anáforas Kenedy & Mota (2012) sustentaram que, no que se refere especificamente ao fenômeno da correferência anafórica, as previsões para o PB serão diferentes se assumirmos que a língua seja da tipologia de sujeito ou da de tópico. Se o PB puder ser caracterizado como uma língua com proeminência de tópicos, devemos então esperar que anáforas nulas e pronominais sejam igualmente orientadas para o tópico do discurso, e não para o sujeito da frase, conforme é o padrão identificado desde Li & Thompson (1976) para línguas com tipologia sintática semelhante à do mandarim (língua de tópico). A identificação de um padrão comportamental diferente desse enfraquecerá a hipótese do PB como língua de tópico: a discriminação entre tipos de anáforas orientadas para sujeito e orientadas para o tópico é o padrão identificado para línguas com proeminência de sujeitos, tais como o PE e o inglês. 161

162 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental O experimento 1 se caracteriza como um julgamento imediato de aceitabilidade que procurou verificar, justamente, qual é a preferência dos falantes brasileiros ao atribuírem um pronome lexical ou uma categoria vazia a um constituinte nominal que ocupa ou a posição de tópico ou a posição de sujeito numa frase. No paradigma metodológico do presente experimento, os participantes são levados a ler um conjunto de frases na tela de um computador. Após a leitura de cada frase, são instados a emitir imediatamente um julgamento sobre a frase lida, considerando-a aceitável ou inaceitável. Trata-se de um experimento off-line que permite o registro da reação dos participantes da tarefa a determinados estímulos, tanto em termos da aceitabilidade de uma estrutura, quanto em relação ao tempo consumido para julgá-la. Esse tipo de experimento é útil para a investigação acerca da topicalização em PB porque nos permite verificar a existência na língua de algum padrão comportamental na retomada anafórica de constituintes em posição de sujeito ou em de tópico, considerando-se que uma língua-i orientada para tópico do discurso apresentará padrões distintos dos esperados de uma língua-i orientada para o sujeito da frase. 3.1 Design experimental Criamos um desenho experimental que apresentava aos participantes (i) anáforas nulas associadas a um referente em posição de sujeito, (ii) anáforas pronominais associadas a um referente em posição de sujeito, (iii) anáforas nulas associadas a um referente em posição de tópico e (iv) anáforas pronominais associadas a um referente em posição de tópico. A tarefa dos participantes era tão somente identificar, pressionando uma tecla destacada no computador, se consideravam cada uma dessas configurações como aceitável ou inaceitável. 162

163 Eduardo Kenedy 3.2 Hipóteses e previsões Com base nesse desenho experimental simples, as previsões da pesquisa impõem-se naturalmente. Assumindo-se a hipótese de que a língua-i subjacente ao comportamento linguístico dos brasileiros seja uma língua com proeminência de tópicos, devemos esperar que anáforas nulas e anáforas pronominais sejam julgadas mais aceitáveis quando orientadas para o tópico do discurso, pois tal é o comportamento tipicamente identificado em línguas da tipologia do mandarim. Complementarmente, anáforas nulas e pronominais devem ser menos aceitáveis quando orientadas para o sujeito da frase, já que línguas de tópico tipicamente não orientam anáforas para o sujeito. De maneira oposta a essa previsão, devemos esperar que, sob a hipótese de que os falantes do PB comportem-se como usuários de uma língua com proeminência de sujeitos, as anáforas nulas apresentem padrões de distribuição diferentes das anáforas pronominais, orientando-se cada tipo de anáfora ou para o sujeito ou para o tópico da frase. 3.3 Variáveis e condições No experimento, foram selecionadas como variáveis independentes (i) a posição do referente e (ii) a categoria da anáfora. Trata-se, dessa forma, de um desenho experimental 2 x 2 do qual resultam as quatro condições experimentais ilustradas a seguir. (1º) referente em posição de sujeito, retomada com anáfora nula (Szero): [Aquela secretária de vermelho] i disse que o diretor demitiu Ø i ; (2º) referente em posição de sujeito, retomada com anáfora pronominal (Spro): [Aquela secretária de vermelho] i disse que o diretor demitiu ela i ; (3º) referente em posição de tópico, retomada com anáfora nula (Tzero): [Aquela secretária de vermelho] i, o diretor disse que demitiu Ø i ; (4º) referente em posição de tópico, retomada com anáfora pronominal (Tpro): [Aquela secretária de vermelho] i, o diretor disse que demitiu ela i. 163

164 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental As variáveis tomadas como dependentes no experimento foram o tipo de julgamento emitido pelos participantes (aceitável x inaceitável) relativamente a cada condição, bem como o tempo despendido em cada julgamento. 3.4 Participantes Participaram do experimento 30 indivíduos selecionados aleatoriamente entre recém-formados da Universidade Federal Fluminense, no campus do Gragoatá (Niterói/RJ), em diversas habilitações. A média de idade dos sujeitos foi de 24 anos. 21 participantes eram do sexo feminino e 9, do sexo masculino. 3.5 Materiais O experimento foi composto por 16 frases experimentais. Com esse número, foi possível que cada sujeito emitisse 4 julgamentos para cada condição experimental. Além disso, adotou-se a distribuição intrassujeitos, com balanceamento de frases no esquema de quadrado latino, de forma que todos os sujeitos fossem expostos a todas as condições experimentais sem que lessem as exatas versões Szero, Spro, Tzero e Tpro de um mesmo estímulo. Cada frase experimental possuía o total de 20 a 22 sílabas. As retomadas anafóricas aconteciam sempre no domínio de uma oração encaixada à direita da cláusula matriz. Especificamente, a categoria vazia e o pronome lexical que retomam o sujeito da frase ou o tópico do discurso ocupam a posição de complemento verbal no verbo da oração encaixada. O referente anafórico possuía invariavelmente o traço [+ humano], realizado na terceira pessoa do singular. Além das frases experimentais, foram adicionadas 32 frases distratoras aos estímulos. Essas frases não possuíam qualquer relação com a retomada anafórica de sujeito e de tópicos e, assim, cumpriam a função de distrair a atenção do sujeito, de modo a evitar a criação de um padrão de resposta resultante da tomada de consciência das 164

165 Eduardo Kenedy estruturas sob teste. Ao conjunto de frases experimentais e distratoras, adicionou-se também duas frases de controle, as quais não apresentavam retomadas anafóricas na posição de complemento, mas somente sujeitos e tópicos em estruturas frasais com verbos intransitivos, tais como Aquela secretária de vermelho disse que o diretor morreu e Aquela secretária de vermelho, o diretor disse que morreu. No total, cada sujeito emitiu julgamento sobre 50 frases (16 experimentais, 32 distratoras e 2 controles). 3.6 Procedimentos Cada sujeito recebeu, individualmente, instruções para a realização do experimento, as quais eram apresentadas oralmente, na interação direta com o experimentador, e também por escrito, ao início da tarefa, na tela do computador. Todos participavam, também, de um pré-teste (treinamento), realizado diante do experimentador, em que ocorriam apenas frases distratoras e que possuía o mesmo design do experimento real. Esse pré-teste tinha intenção de confirmar o perfeito entendimento, por parte do sujeito, da tarefa a ser desempenhada. O experimento real só tinha início quando o sujeito participante demonstrasse ter compreendido perfeitamente a tarefa a que se submeteria. Ao iniciar o experimento real, o sujeito encontrava-se sozinho, sem a interferência do experimentador ou de qualquer outro indivíduo, em uma sala com isolamento acústico necessário para a perfeita concentração na tarefa. Ao pressionar uma barra amarela, destacada no teclado do computador, uma frase era apresentada ao participante ao centro de uma tela de 15 polegadas. Na mesma tela, logo acima dessa frase, duas imagens em forma de desenho humano eram apresentadas. Tais imagens justificavam o tópico contrastivo e o modificador nominal presentes, respectivamente, nas condições com tópico e com sujeito das frases experimentais. Assim, quando uma frase como Aquela secretária de vermelho disse que o diretor demitiu ela ou Aquela secretária de 165

166 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental vermelho, o diretor disse que demitiu era apresentada ao participante, havia um contexto visual em que duas imagens de secretárias eram exibidas acima das frases. Numa imagem, apresentava-se uma secretária vestida de vermelho e, na outra, apresentava-se uma secretária vestida com outra cor qualquer. Esse contexto visual apresentava uma referência mínima para que um tópico contrastivo ( aquela secretária, mas não a outra ) e um modificador nominal ( a secretária vestida de vermelho, mas não com outra cor ) pudessem ser licenciados na frase, levando-se em consideração as condições discursivas que motivam as topicalizações e as modificações nominais (cf., entre outros, ILARI, 1992; LEVINSON, 2007). Cada frase juntamente com suas respectivas imagens era apresentada aos participantes pelo tempo de 5 segundos. Após esse tempo, a frase era retirada da tela do computador e uma instrução visual indicava ao participante que ele deveria julgar a frase que acabara de ser lida como aceitável ou inaceitável. Para julgar uma frase como aceitável, o participante deveria pressionar, o mais rapidamente possível, um botão verde destacado no teclado do computador. Já para julgar uma frase como inaceitável, o participante deveria pressionar imediatamente um botão vermelho, também destacado no computador. Após o julgamento de uma frase, o computador apresentava uma tela em branco (tela de repouso). Para iniciar a leitura da próxima frase e suas imagens, o participante deveria pressionar novamente uma barra amarela. Todo o procedimento deveria ser repetido até que todas as frases do experimento tivessem sido lidas e julgadas. O experimento foi elaborado e aplicado no software Psycope versão X B46, suportado pelo Sistema Operacional X do computador PowerBook G4 (laptop da Apple, Macintosh), tela LCD de 15 polegadas. As palavras foram apresentadas em fonte 25, na cor preta, com fundo branco. 166

167 Eduardo Kenedy 3.7 Resultados Em relação aos tipos de julgamento, o experimento demonstrou que a condição Szero (retomada de sujeito com anáfora nula) apresentou um percentual pequeno de aceitabilidade, com apenas 33% de julgamentos aceitáveis. Tal resultado contrasta com os julgamentos de Tzero (retomada de tópico com anáfora nula), que atingiu 92% de aceitação. Essa assimetria entre anáforas de sujeito e de tópico manteve-se quando a anáfora era feita por um pronome lexical. Nesse caso, a condição Spro (retomada de sujeito com anáfora pronominal) atingiu 71% de aceitação, ao passo que Tpro (retomada de tópico com anáfora pronominal) teve aceitabilidade no nível da chance, com 52% de julgamentos aceitáveis. O gráfico 1 a seguir ilustra esses resultados. O teste Chi-quadrado indicou diferença significativa entre os percentuais de julgamento de cada condição, com p <.01 (X2 (3, N = 60) = 162,5). Ressalte-se que as frases de controle, com verbos intransitivos que possuíam sujeitos e tópicos semelhantes às frases experimentais, mas que não apresentavam retomada anafórica receberam julgamentos aceitáveis em 100% dos casos. Gráfico 1: percentual de aceitação de cada condição. Quando consideramos a variável dependente tempo de julgamento, verificamos novamente uma assimetria entre a percepção das anáforas voltadas para o sujeito e a das voltadas para o tópico. Nesse caso, Szero recebeu julgamentos no tempo médio de 1687 milissegundos, 167

168 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental por contraste à condição Tzero, que foi julgada mais lentamente, em médios 2019 milissegundos. Já Spro recebeu julgamentos na média de 1502 milissegundos, tempo consideravelmente inferior aos 2398 milissegundos despendidos com o julgamento de Tpro. Essas diferenças foram identificadas como significativas no teste Anova bivariada, identificando-se um efeito principal das variáveis posição do referente e categoria da anáfora (F 1 (1, 60) = 16,65. p <.05) F 2 (1, 4) = 17,64. p <.05). Não foram encontrados efeitos de interação entre essas variáveis. Tais achados indicam, de uma maneira geral, que os participantes do experimento preferem que referentes em posição de tópico sejam retomados por uma categoria vazia, enquanto preferem que referentes na posição de sujeito sejam retomados por um pronome lexical. Essa discriminação entre as condições experimentais é também visível nos tempos médios consumidos durante os julgamentos, já que as condições com referentes na posição de tópicos sempre demandam mais tempo de julgamento em relação às condições com referentes na posição de sujeito. 3.8 Discussão O comportamento manifestado pelos participantes brasileiros foi precisamente ao encontro do que esperamos de falantes que tenham um conhecimento linguístico típico de uma língua com proeminência de sujeitos, refutando, portanto, as previsões derivadas da hipótese do PB como língua de tópico. Isso se torna claro quando cotejamos os índices de aceitabilidade de cada condição. Quando eram apresentados a referentes em posição de tópico, com retomada feita por uma anáfora nula, os participantes demonstravam alto índice de aceitação (92%), em flagrante contraste com a baixa aceitação de referentes em posição de sujeito que eram retomados por anáfora nula (33%). Esse padrão de aceitabilidade praticamente se invertia quando a retomada era feita por um pronome pleno. No caso, a aceitação de referentes na posição de 168

169 Eduardo Kenedy sujeito com retomada feita por pronome lexical atingiu 77%, ao passo que a aceitação de anáforas pronominais relativas a referentes em posição de tópico não ultrapassou o nível da aleatoriedade. É também importante perceber que o tempo médio do julgamento de condições com referente em posição de tópico foi significativamente superior às latências no julgamento das condições com referente em posição de sujeito. Tzero consumiu em média 332 milésimos de segundos a mais, quando comparado aos julgamentos de Szero. O mesmo padrão ocorre quando cotejamos Tpro a Spro. Tpro consumiu em média 896 milissegundos a mais do que Spro. Tal comportamento, com diferenças estatisticamente significativas, parece coerente com o que se espera de uma língua-i com proeminência de sujeitos. Afinal, nessas línguas, estruturas com topicalização são consideradas marcadas, já que possuem todas as informações presentes na estrutura não marcada e mais uma o relevo comunicativo dado ao constituinte em tópico. Na condição de estrutura marcada, é natural que essa construção demande mais tempo de processamento off-line, afinal há nelas mais informações a serem computadas pela mente dos falantes no empacotamento geral do estímulo. Isso pode ter influenciado o retardo no julgamento das condições com referente em tópico, já que os participantes possuíam, nessas condições, mais informações cognitivas a processar, o que demandaria naturalmente mais tempo de reação. Tal comportamento não seria esperado numa língua de tópico, na qual a topicalização é a estrutura não marcada. 4 Experimento 2 audição segmentada automonitorada Nesse paradigma experimental on-line, os sujeitos participantes são levados a ouvir frases num fone de ouvido acoplado a um computador. Cada frase do experimento é apresentada em pequenas partes, denominadas segmentos, que podem ser constituídas de palavras ou de 169

170 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental sintagmas. O tempo de reação consumido pelo participante ao passar de um segmento para o outro imediatamente posterior é registrado por um dispositivo interno ao computador. A lógica por detrás dessa metodologia é a seguinte: o tempo de reação aos segmentos auditivos é fortemente influenciado pelo processamento cognitivo on-line demandado pelo estímulo linguístico presente no segmento. Tal lógica se justifica pelas seguintes inferências. Ao pressionar uma tecla indicada no computador, o primeiro segmento de uma frase é apresentado auditivamente ao participante, que, após o término da audição desse segmento, deve pressionar novamente uma tecla no computador de maneira a solicitar a apresentação do estímulo seguinte. Como os estímulos são apresentados de maneira serial e não cumulativa, isto é, como o segundo segmento só é exibido após o primeiro, sem possibilidade de repetição, o participante deverá manter o primeiro segmento ativo em sua memória de trabalho e integrá-lo sintaticamente ao segundo segmento quando este for exibido, de modo a produzir mentalmente uma representação sintática coerente entre ambos 4 antes de passar para o próximo segmento. Dessa forma, assume-se que quanto mais tempo for consumido na passagem de um segmento para o outro, mais custo cognitivo é demandado pela integração entre os dois estímulos. Sendo assim, devemos entender que um maior tempo de reação na audição de um estímulo X, em comparação com um estímulo Y, será tomado como evidência de que o processamento cognitivo de X é mais custoso do que o de Y. Para os propósitos do presente artigo, entenderemos que diferenças no tempo de reação aos estímulos X e Y serão interpretadas como evidência de que a computação mental de X e a 4 Essa exposição concentra-se na representação mental correspondente à integração sintática de apenas dois segmentos. Naturalmente, as integrações demandadas neste paradigma experimental são proporcionais ao número de segmentos utilizados no experimento. Assim, um experimento composto por três segmentos demanda a manutenção do primeiro segmento na memória, a integração do segundo segmento ao primeiro, a manutenção do composto desses dois segmentos na memória e, por fim, a integração desse composto com o terceiro segmento. 170

171 Eduardo Kenedy de Y é assimétrica na competência linguística dos sujeitos submetidos ao experimento. Ora, se fizermos com que a integração de X corresponda à estrutura tópico > comentário e a integração de Y corresponda à estrutura sujeito > predicado, poderemos então verificar se essas configurações frasais são ou não computadas assimetricamente pelos participantes do experimento. É justamente isso o que intentamos fazer com o presente experimento. 4.1 Design experimental Criamos um desenho experimental de modo a apresentar um sintagma determinante (DP) como o primeiro segmento a ser ouvido pelo participante. Esse sintagma pode, a princípio, ser associado na frase a uma posição de tópico ou a uma posição de sujeito. Neste experimento, a definição do DP como tópico ou como sujeito na frase dá-se apenas na audição do segundo segmento, que introduz o sintagma verbal (VP) da construção, conforme se ilustra em (8) a seguir. (8) [ DP 1º segmento / VP 2º segmento / 3º segmento] a. Essa janela / venta muito / no verão. b. Essa janela / fica aberta / no verão. Em (8a), o segmento crítico, destacado em negrito, define o sintagma Essa janela como tópico do discurso, enquanto em (8b) o segmento crítico seleciona esse DP como sujeito do verbo. Assumimos que, no processamento cognitivo desses estímulos, os participantes deverão atribuir a (8a) a representação mental tópico > comentário, ao passo que, diante de (8b), atribuirão a representação sujeito > predicado. O interessante é que a decisão pela representação do DP como tópico ou como sujeito só pode ser definida durante a audição do segundo segmento, que introduz o VP. O objetivo do experimento é verificar se, na integração entre o primeiro segmento e o segundo, há alguma 171

172 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental computação particularmente mais custosa para os participantes, se a do VP com o DP sujeito ou com o DP tópico. Tal custo, se houver, será capturado por maiores latências na audição do VP presente no segundo segmento, que afinal define o tipo de estrutura da frase. É importante salientar que o estímulo (8a) possui, neste experimento, duas versões: uma com o contorno melódico característico das estruturas de tópico e outra com o contorno melódico típico da apresentação de um sujeito gramatical. 5 Com isso, poderemos verificar se sujeitos e tópicos com e sem pistas prosódicas apresentam assimetrias na percepção dos participantes, bem como será possível aferir se a pista prosódica é algo relevante para o licenciamento, na compreensão, de um DP na posição de tópico. 4.2 Hipóteses e previsões Conforme se assume no paradigma de tempo de reação, latências maiores no segmento crítico indicarão maior complexidade em seu processamento cognitivo. Assim, a hipótese de que o PB seja uma língua de proeminência de tópicos prevê que o processamento de (8a) demandará menos tempo de reação se comparado com (8b). Tal hipótese é coerente com a ideia de que a representação tópico > comentário esteja automaticamente disponível como default na competência linguística de um indivíduo cuja língua-i seja de proeminência de tópicos. Com efeito, o processamento de (8b) envolve a quebra da expectativa pela estrutura tópico > comentário e a consequente elaboração de outra representação mental, no caso, a estrutura canônica sujeito > predicado. A quebra da expectativa e a reestruturação sintática são os fatores cognitivos que, segundo a hipótese em favor do PB como língua de tópico, deverão provocar maiores médias na audição do segmento crítico de (8b). 5 Para a identificação das curvas melódicas típicas de sujeitos gramaticais e de tópicos discursivos, pautamo-nos no estudo de Moares & Orsini (2003). Manipulamos, no programa Praat, a vocalização do DP, com voz feminina jovem, de modo a seguir os parâmetros descritos pelos autores acerca de cada estrutura específica. 172

173 Eduardo Kenedy Pelo exposto, a hipótese de que o PB seja uma língua de proeminência de tópicos será confirmada no experimento caso os tempos médios de reação a VPs que introduzem a estrutura sujeito > predicado sejam superiores aos tempos médios de reação a VPs que introduzem a estrutura tópico > comentário. Caso não haja assimetrias entre os tempos despendidos com dois tipos de VPs e/ou caso os tempos médios de reação a VPs que introduzem a estrutura sujeito > predicado sejam inferiores aos de VPs que introduzem a estrutura tópico > comentário, então o experimento não sustentará a hipótese do PB como língua de tópico. Para além dessas previsões, compararemos outrossim os tempos médios de reação a estruturas de tópico com e sem licenciamento fonológico, a fim de verificar se tal pista funciona como licenciador da estrutura, facilitando ou não o seu processamento com relação a estruturas sujeito > predicado. 4.3 Variáveis e condições A única variável independente selecionada para o experimento é o tipo de estrutura sintática da frase, estabelecida na conjugação do DP do primeiro segmento com o VP do segundo segmento. Trata-se, portanto, de um experimento simples, com somente duas condições experimentais: (i) tópico > comentário e sujeito > predicado, conforme os exemplos: (1º) condição tópico > comentário : Essa janela / venta muito / no verão; (2º) condição sujeito > predicado : Essa janela / fica aberta / no verão. A variável dependente em teste é o tempo de reação do segmento crítico, no caso, o segundo segmento, o VP, destacado nos exemplos em negrito. Após a audição da frase, os participantes respondiam a uma pergunta de interpretação, que não será considerada na análise dos resultados, tendo configurado apenas uma espécie de controle para assegurar a concentração e a atenção dos participantes. 173

174 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental O experimento contou também com um controle para as frases da condição tópico > comentário. No caso, tal controle visava verificar se a presença do contorno melódico de tópico, por oposição à ausência desse contorno, poderia facilitar a integração entre o DP em posição de tópico e o VP da frase. Esse controle é ilustrado como se segue: (1º) com contorno melódico de tópico: Essa janela / venta muito / no verão. (2º) sem contorno melódico de tópico: Essa janela / venta muito / no verão Participantes Participaram do experimento 30 brasileiros de nível superior, selecionados aleatoriamente dentre os recém-formados da Universidade Federal Fluminense, no campus do Gragoatá (Niterói/RJ), em diversas habilitações. A média de idade dos sujeitos foi 23 anos. Ao todo, 19 sujeitos eram do sexo feminino e vinte e 11 do sexo masculino. Todos são indivíduos diferentes daqueles que se submeteram ao primeiro experimento. 4.5 Materiais O experimento foi composto por 8 frases experimentais. Com esse número, foi possível que cada sujeito fosse exposto 4 vezes a cada condição do experimento. Adotou-se a distribuição intrassujeitos, com balanceamento de estímulos com uso do quadrado latino, de forma que todos os participantes fossem expostos a todas as condições sem que lessem as exatas versões tópico > comentário e sujeito > predicado 6 Preferimos considerar a marcação prosódica da construção tópico > comentário como um controle e não como uma condição experimental em si mesma, porque o objetivo do experimento é verificar se os participantes conseguem atribuir por si mesmos a estrutura de tópico a um DP apresentado fora de um contexto discursivo, tal como deve acontecer por padrão em línguas de tópico. Em contraste, atribuir a um DP um caráter de tópico marcado, com a respectiva marcação fonológica, é algo que se espera acontecer em línguas de sujeito e também nas de tópico. Portanto, para destacar a maior importância da ausência de marcação fonológica, descrevemos esse fator como um controle experimental. 174

175 Eduardo Kenedy de um mesmo estímulo. Além das 8 frases experimentais, 16 frases distratoras foram adicionadas aos estímulos. Essas frases não possuem qualquer relação com a estrutura sujeito versus tópico e, assim, cumprem a função de distrair a atenção do sujeito, de modo a evitar a tomada de consciência das estruturas sob teste. Ademais, o experimento cotinha também duas versões das frases da condição tópico > comentário. Dessas versões, um conjunto de 4 frases foram classificadas como experimentais: são os estímulos tópico > comentário sem contorno melódico de topicalização. Já o segundo conjunto continha também 4 frases, que foram classificadas como controle e continham estímulos do tipo tópico > comentário com contorno melódico de topicalização. No total, cada sujeito foi exposto a 28 estímulos (8 frases experimentais, entre as quais as 4 frases tópico > comentário que não recebem marca prosódica de tópico, 16 frases distratoras e 4 frases controle, em que a estrutura tópico > comentário recebe a marca prosódica típica de topicalização). Cada VP em cada segmento crítico de cada condição experimental foi composto por duas palavras que perfazem um total de quatro ou cinco sílabas, de tal forma que assimetrias no desempenho dos sujeitos não possam ser devidas ao tempo de reação a um estímulo mais extenso em relação a outro menos extenso. Os DPs usados como sujeitos e tópicos foram balanceados para o traço [animacidade]. Os verbos usados nos estímulos eram tais que selecionavam um DP sujeito referencial e, assim, eram usados na condição sujeito > predicado, ou eram tais que não selecionavam sujeito referencial, de modo a serem usados na condição tópico > comentário. 4.6 Procedimentos Cada sujeito recebeu as mesmas instruções descritas no experimento 1. Dando início à experimentação, ao pressionar uma barra branca destacada no teclado, era disparado no fone de ouvido do participante 175

176 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental o estímulo auditivo com o primeiro dos três segmentos de cada frase a ser ouvida. Com a conclusão da audição do primeiro segmento, o sujeito deveria pressionar novamente a barra branca para autorizar a apresentação do próximo e assim deveria proceder até que todos os segmentos tivessem sido ouvidos. Após a audição do último segmento, uma pergunta interpretativa, com resposta sim ou não era feita auditivamente, à qual o participante deveria responder pressionando uma tecla verde, para sim, e uma vermelha, para não. Ao pressionar um desses botões, o participante deveria acionar novamente a barra branca, de modo a autorizar a apresentação oral do primeiro segmento de uma nova frase e repetir todo o procedimento até que todas as frases fossem ouvidas. O experimento foi elaborado e aplicado nos mesmos software e hardware descritos no experimento Resultados No conjunto dos 30 sujeitos participantes, os tempos médios de reação à condição tópico > comentário foram superiores às latências da condição sujeito > predicado. Quando inserido em um contexto como [Essa janela / venta muito / no verão], sem o contorno melódico de topicalização, o segmento crítico era processado em médios 1521 milissegundos, enquanto demandava 1035 milissegundos de reação ao se encontrar na estrutura [Essa janela / fica aberta / no verão]. A diferença obtida, 486 milissegundos, quase meio segundo, foi considerada significativa no teste estatístico Anova: [F 1 (1,30) = 1,23; p<.05]. [F 2 (1,8) = 20.66, p<.05]. Quando analisamos o tempo de reação a estruturas tópico > comentário com a curva melódica típica das estruturas de topicalização, os tempos de reação ao VP subsequente diminuem significativamente. O controle tópico > comentário com pista fonológica de topicalização alcançou tempos médios 1101 milissegundos de reação, assemelhandose, sem diferença estatística relevante, às latências da condição sujeito > 176

177 Eduardo Kenedy predicado. Dessa forma, as reações a estruturas de sujeito > predicado e tópico > comentário, com a curva melódica adequadamente marcada são idênticas, ao passo que as reações a estruturas tópico > comentário sem pista fonológica alcançam latências significativamente superiores. 4.8 Discussão Os resultados deste segundo experimento não são capazes de validar as previsões da hipótese do PB como uma língua de proeminência de tópicos. Com efeito, os tempos de reação à condição sujeito > predicado foram significativamente menores em relação à condição tópico > comentário (sem pista fonológica), o que pode ser tomado como evidência de que a estrutura sujeito > predicado fazia parte da expectativa inicial dos sujeitos participantes, quando lhes foi apresentado um DP fora de contexto discursivo e sem marcação fonológica especial. Por outro lado, as estruturas de tópico, quando devidamente marcadas, ainda que fora de contexto mas com o contorno melódico indicativo da topicalização, recebem o mesmo tipo de reação despendido com estruturas sujeito > predicado, com tempos médios indistinguíveis dessa condição. Tal padrão de comportamento parece ser indício de que os participantes conseguem reagir a uma estrutura marcada, como a topicalização, tão prontamente quanto reagem a estruturas não marcadas prosodicamente, como a relação gramatical canônica sujeito > predicado. No entanto, não são capazes de fazer isso por si mesmos, projetando por si próprios sobre o DP do primeiro segmento alguma prosódia implícita ou outro recurso cognitivo que promova tal constituinte à condição de tópico em CP. Logo, tópico > comentário não parece ser, de acordo com os resultados deste experimento, a estrutura mais automática e não marcada na língua-i dos participantes. Neste experimento, os resultados favoráveis à hipótese do PB como língua de sujeito podem ser interpretados da seguinte maneira. Com 177

178 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental um DP em sua memória de trabalho, os participantes do experimento criavam a expectativa do aparecimento de um VP que desse sequência à estrutura sujeito > predicado que, provavelmente, haviam começado a representar mentalmente quando da apresentação do DP fora de contexto e sem pista fonológica de tópico. Com a introdução de um VP coerente com essa expectativa, o processamento cognitivo do estímulo era facilitado, algo que se tornou visível com os tempos de reação mais rápidos na condição sujeito > predicado. Já se um VP incoerente com tal expectativa fosse introduzido, então os sujeitos precisavam refazer sua representação mental, reanalisando o DP do primeiro segmento como tópico seguido de comentário. O custo cognitivo dessa reanálise é capturado pelas maiores latências na reação à condição tópico > predicado sem pista fonológica para o tópico. Tal reanálise não se torna necessária caso o DP, apesar de encontrar-se fora de contexto, contenha marcas prosódicas que indiquem a presença de um tópico. Nesse caso, as reações a estruturas tópico > comentário tornam-se idênticas às reações a estruturas sujeito > predicado, já que o participante é capaz de identificar que o DP que inicia os estímulos encontra-se em CP, e não em TP. 5 Discussão geral Os resultados dos dois experimentos aqui analisados indicam que o comportamento típico dos brasileiros participantes de ambas as tarefas se assemelha ao que se espera de uma língua-i com proeminência de sujeitos. Em nenhum dos dois experimentos pode-se confirmar as previsões derivadas da hipótese de que o PB seja uma língua de tópico muito pelo contrário, os dados refutam claramente as previsões derivadas de tal hipótese. 178

179 Eduardo Kenedy No primeiro experimento, vimos que os participantes discriminam com nitidez um tipo específico de anáfora que deve retomar preferencialmente o tópico (pronome nulo) e outra que deve retomar o sujeito (pronome pleno). Esse é um tipo de comportamento esperado numa língua com proeminência de sujeitos, em que a topicalização é uma estrutura marcada. Em línguas de tópico, as anáforas, sejam nulas ou plenas, são tipicamente orientadas para o tópico, não para o sujeito. No mesmo experimento, as latências de julgamento indicaram que os participantes consomem significativamente mais tempo para emitir julgamentos a respeito de estruturas de tópico, o que parece ser uma indicação de que tal estrutura é mentalmente computada como uma construção marcada, quando comparada à relação canônica, não marcada, entre sujeito e predicado. No segundo experimento, vimos que o tempo de reação na integração entre um DP e um VP que formam uma relação sujeito > predicado é significativamente inferior quando fazemos o cotejo com a integração de DPs e VPs que geram a relação tópico > comentário, sem pista prosódica que indique se tratar de topicalização. Com isso, assumimos que a estrutura padrão, não marcada, uma espécie de default na competência sintática dos brasileiros seja a estrutura canônica sujeito > predicado, encontrando-se o DP sujeito no domínio do TP. O estranhamento que DPs em posição de tópico, em CP, sem o devido licenciamento fonológico parece provocar se deve, como assumimos, ao fato de tal estrutura configurar-se como marcada na competência dos falantes do PB. Esse status marcado faz com que o licenciamento gramatical de uma construção de tópico se dê em configurações específicas, como a presença de entoação adequada e/ou a inserção em contexto discursivo que torne a topicalização previsível, tal como acontece tipicamente nas línguas de sujeito. 179

180 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental Conclusões Em termos mais gerais, propusemos com este artigo a possibilidade de que abordagem da sintaxe experimental seja adotada como uma metodologia complementar aos estudos gramaticais baseados na intuição dos estudiosos e/ou na análise qualitativa de ocorrências de dados em corpora. Pesquisas experimentais permitem a replicação e a falsificação (no sentido de Popper, 1959), em virtude de apresentarem com a máxima explicitação suas variáveis, suas condições, seus controles, suas hipóteses, seus participantes, seus materiais, seus procedimentos e sua estatística de análise de resultados. Eventuais e indefectíveis erros de uma pesquisa particular podem ser corrigidas numa pesquisa em sintaxe experimental subsequente, reforçando os achados de um pesquisador ou talvez apontando novos rumos na interpretação de um determinado fenômeno variável. Por ora, as evidências coligidas neste artigo harmonizam-se em favor da hipótese do PB como língua de sujeitos. Referências CALLOU, D.; MORAES, J.; & LEITE, Y. A topicalização no português do Brasil: sintaxe e prosódia. In: II CONGRESSO DA ASSEL, Rio de Janeiro. Anais do II Congresso da Assel. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, CHOMSKY, N Aspects of the theory of syntax. Cambridge, MA: MIT Press. COWARD, W. Experimental syntax: applying objective methods to sentence Judgments. London: Sage Publications, DECAT, M. B. N. Construções de tópico em português: uma abordagem diacrônica à luz do encaixamento no sistema pronominal. In: TARALLO, F. (Org.). Fotografias sociolinguísticas. Campinas: Pontes,

181 Eduardo Kenedy DOOLEY, R. A & LEVINSOHN, S. H. Análise do Discurso: conceitos básicos em linguísitca. RJ: Vozes, (Ed. Original, 2003), DUARTE, M. E. L. A perda do princípio Evite Pronome no Português Brasileiro. (Tese de Doutorado). São Paulo: UNICAMP, DUARTE, I. A topicalização no português europeu: uma análise comparativa. In: DUARTE, I. & LEIRIA, I. (eds.) Actas do Congresso Internacional sobre o Português. Lisboa: APL/Colibri, DUARTE, I. Relações gramaticais, esquemas relacionais e ordem de palavras. In.: MATEUS et al. (orgs.). Gramática da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho, GALVES, C. Ensaios sobre as gramáticas do português. Campinas: Editora da Unicamp, GALVES, C. Tópicos, sujeitos, pronomes e concordância no português brasileiro. Cadernos de estudos linguísticos, n. 34. Unicamp: Campinas, ILARI, R. A Perspectiva Funcional da Frase Portuguesa. Campinas: Editora da Unicamp, KATO, M. Comparando o Português da América com o Português de Portugal e com outras línguas. Museu da Língua Portuguesa. Disponível em: interna.php?id_coluna=13, KATO, M. Recontando a história das relativas em uma perspectiva paramétrica. In. ROBERTS, I. & KATO, M. (orgs.) Português Brasileiro: uma viagem diacrônica. Homenagem a Fernando Tarallo. Campinas: Unicamp,

182 O Status Tipológico das Construções de Tópico no Português Brasileiro: uma Abordagem Experimental KATO, M. A. Tópico e sujeito: duas categorias na sintaxe? Cadernos de estudos linguísticos, n.17. Unicamp: Campinas, KENEDY, E. Aspectos estruturais da relativização em português: uma análise baseada no modelo raising. (Dissertação de Mestrado). RJ: UFRJ, KENEDY, E. (2009). Por uma pesquisa em sintaxe experimental sobre a topicalização no português do Brasil. In: XV CONGRESSO DA ASSEL, Rio de Janeiro. Anais do XV Congresso da Assel Linguagens em diálogo: pesquisa e ensino na área de Letras. RJ: Ed. UFRJ, KENEDY, E. & MOTA, C. Orientações de anáforas nulas e pronominais para sujeitos e tópicos no PB. Linguística, Vol. 8, Núm. 2. RJ: UFRJ, KENEDY, E. A hipótese da antinaturalidade de pied-piping em oraçõe relativas. (Tese de Doutorado). RJ: UFRJ, LEVINSON, S. C. Pragmática. SP: Martins Fontes, LI, C. N. & THOMPSON, S. A. Subject and topic: a new typology of language. In: LI, C. N. (Ed.). Subject and topic. New York: Academic Press Inc., MAIA, M. Sintaxe Experimental: entrevista com Marcus Maia. ReVEL, v. 10, n. 8, Disponível em files/6935cf63f e9df0d88ad1a13.pdf. Acesso: junho MATEUS, M. H. et al. Gramática da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho,

183 Eduardo Kenedy MORAES, J. & ORSINI, M. Análise prosódica das construções de tópico no português do Brasil: estudo preliminar. Letras Hoje, Num , pp. 261/272. NEGRÃO, E. V. O português brasileiro: uma língua voltada para o discurso. (Tese de Livre Docência). USP: SP, ORSINI, M. T. As construções de tópico no português do Brasil: uma análise sintático-discursiva e prosódica. (Tese de Doutorado). UFRJ: RJ, 2003 PONTES, E. O tópico no português do Brasil. Campinas: Pontes, POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. SP: Cultrix, (edição original de 1959) SPROUSE, J. A Program for Experimental Syntax: Finding the relationship between acceptability and grammatical knowledge. (Tese de Doutorado). University of Maryland: Maryland, VASCO, S. Construções de tópico na fala popular. (Tese de Doutorado). UFRJ: RJ, VASCO, S. Construções de tópico no português: as falas brasileira e portuguesa. (Dissertação de Mestrado). UFRJ: RJ, VIEGAS, A. T. Sujeitos nulos, tópicos e a satisfação de EPP na aquisição de segunda língua: a influência do português brasileiro no inglês. (Dissertação de Mestrado). UERJ: RJ,

184

185 A case of variable impoverishment in European Portuguese Pilar Barbosa Universidade do Minho (CEHUM/ILCH Telma Freire Universidade do Minho (CEHUM/ILCH) Abstract This paper presents a case of variable agreement leveling in European Portuguese which is found in a particular region in Portugal and has a highly restricted distribution: it only occurs in contexts with the inflected infinitive and the future subjunctive. We present the results of a series of grammaticality judgement tests and one self-paced reading test applied to the speakers of the relevant dialect that indicate that the phenomenon in question does not affect the Person features and does not pertain to narrow syntax. We propose an analysis that relies on the idea that agreement leveling is due to operations that take place in the post-syntactic PF branch of the grammar. Our approach adopts Nevins and Parrott s (2010) suggestion of using the notion of variable rule from Variationist Sociolinguistics (Labov l969) as a mechanism within the Distributed Morphology framework (Halle and Marantz l993) to explain inter and intra-individual variation. Agreement leveling in the dialect in question is argued to be due to the probabilistic application of a rule of Impoverishment that deletes the feature [Plural] from Agr morphemes positively specified for this feature in the context of the inflected infinitive and future subjunctive. Since what these two environments have in common is the phonological shape of the exponent for T(ense), the affix r, this is a case of inwards-sensitive phonologically conditioned Impoverishment, as predicted under the assumption that Vocabulary Insertion proceeds cyclically, root-outwards (Bobalijk 2000). Keywords distributed morphology, variationist sociolinguistics, Portuguese, variation, variable rule, impoverishment, agreement leveling, inflected infinitive Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jun./dez. 2014

186 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese Resumo Este artigo estuda um caso de concordância variável em português europeu que se verifica numa área circunscrita do Norte de Portugal e tem uma distribuição particular: apenas afeta as formas verbais de Infinitivo Flexionado e do Futuro do Conjuntivo. Apresentam-se os resultados de um série de testes de gramaticalidade e um teste de leitura automonitorizada aplicados a falantes do dialeto relevante, que indicam que o fenómeno em causa não afeta os traços de Pessoa e não pertence à sintaxe estrita. Propõe-se uma análise baseada na ideia de que a neutralização dos traços de concordância é o resultado de operações que se aplicam no nível pós-sintáctico da gramática. A abordagem adota a proposta de Nevins e Parrott (2010), que usa a noção de regra variável da Sociolinguística Variacionista (Labov l969) enquanto mecanismo enquadrado no modelo da Morfologia Distribuída (Halle e Marantz l993), como forma de explicar a variação inter e intraindividual. A neutralização da concordância verbal deve-se à aplicação probabilística de uma regra de Empobrecimento que elimina o traço [Plural] dos morfemas de concordância positivamente especificados para este traço. Uma vez que o que os contextos de Infinitivo Flexionado e de Futuro do Conjuntivo têm em comum é o seu expoente, o afixo /-r/, a regra de Empobrecimento deve ser capaz de ver a forma do item vocabular inserido no nó T, o que vem confirmar a posição defendida em Bobalijk 2000 segundo a qual a Inserção Vocabular procede sequencialmente, de baixo para cima. Palavras-chave infinitivo flexionado, empobrecimento, morfologia distribuída, sociolinguística variacionista, português, regra variável, variação Introduction Verbal agreement as a variable rule in Portuguese has been the focus of research mainly in Brazilian Portuguese (BP) (Scherre l994; Scherre and Naro l998, A. Rodrigues 2004), where the absence of overt agreement between the subject and the finite verb is attested: 186

187 Pilar Barbosa e Telma Freire (1) a. Nós não tinha medo de sucuri, não tinha medo de onça, não we not had.ø fear of sucuri not had.ø fear of jaguar not pensava em nada think-imperfective.past.ø in nothing b. Counterpart in the standard dialect Nós não tínhamos medo de sucuri, não we not have. imperfective.past.1pl fear of sucuri not tínhamos medo de onça, não pensávamos have.imperfective.past.1pl fear of Jaguar not think.imperfective.past.1pl em nada. in nothing We weren t afraid of sucuri, we weren t afraid of jaguar, we didn t think of anything. (A. Rodrigues 2004: 134) In the case of European Portuguese (EP), there is no record of similar alternations. The existing studies on the topic (Mota and Vieira 2008; Cardoso, Carrilho and Pereira 2012) mostly describe alternations between plural and singular agreement in co-occurrence with a plural DP subject, as illustrated in (2). These studies conclude that the type of verb (unaccusative) and the position of the subject (postverbal) are decisive factors in favor of non-standard agreement. (2) quando morria pessoas when died.3sg people The qualitative differences between BP and EP concerning nonstandard verbal agreement are arguably related to the null subject property, EP being a consistent null subject language and hence requiring rich verbal agreement morphology (cf. Barbosa, Kato & Duarte 2006) and BP, a partial null subject language (C. Rodrigues 2004), no longer requiring rich agreement. 187

188 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese The present study investigates a case of variation in verbal agreement in EP that, as far as we know, has never been described before in the literature, and has particular properties and distribution: the omission of phi-feature agreement in contexts with the inflected infinitive, as exemplified in (3b, 4b, 5b) (examples taken from spontaneous speech). (3) a. Standard EP Se é para nós comermos, eu venho. if be. Pres.Ind.3sg for we.nom eat.inf.1pl I come.pres.ind.1sg If it is for us to eat, I ll come. b. Se é para nós comer, eu venho. if be. Pres.Ind.3sg for we.nom eat.inf-ø I come.pres.ind.1sg (4) a. Standard EP É melhor nós irmos lá. be. Pres.Ind.3sg better we.nom go.inf-1pl there It is better for us to go there. b. É melhor nós ir lá. be. Pres.Ind.3sg better we.nom go.inf-ø there (5) a. Standard EP Isto é para nós fazermos? this be. Pres.Ind.3sg for we do. Inf-1pl b. Isto é para nós fazer? this be. Pres.Ind.3sg for we do. Inf-ø Is this for us to do? 188

189 Pilar Barbosa e Telma Freire This type of non-standard agreement is attested in a particular region in the North of Portugal Vale do Sousa and Vale do Ave, and is rather intriguing in view of the observation (Duarte, Gonçalves and Santos 2013) that there is a general tendency to overuse the inflected infinitive in colloquial EP (cf. (6b)) even in contexts that require the uninflected form in the standard variety (cf. (6a)): (6) a. Standard dialect: Eles acabam de falar com a Maria. they finish.pres.ind.3pl of talk. inf-ø with the Maria They have just talked to Mary. b. Eles acabam de falarem com a Maria they finish. Pres.Ind.3pl of talk. inf.3pl with the Maria This article presents the results of a battery of tests applied to the speakers from the region in question, namely grammaticality judgment tests (GJT) and a test of self-paced reading (section 2). The results show that (i) agreement leveling only affects the agreement morphemes positively specified for the feature [Number]; (ii) the phenomenon at issue is not limited to the inflected infinitive; it also extends to the future subjunctive. In section 3, we present an analysis of this phenomenon based on the notion of variable rule from Variationist Sociolinguistics (Labov l969) as a mechanism within the theory of Distributed Morphology (Halle and Marantz, l993), along the lines proposed in Nevins and Parrott (2010). In particular, we suggest that the phenomenon in question is due to the application of a rule of Impoverishment in the post-syntactic level of grammar. Following Nevins and Parrott (2010), we propose that this is a variable rule, i.e., a rule that operates in a probabilistic rather than in a deterministic fashion. Given that the inflected infinitive and the future subjunctive share the same affix, /-r/, we conclude that the Impoverishment rule 189

190 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese must be able to see the particular lexical item inserted under T, thus corroborating the proposal originally put forward in Bobalijk (2000) that Vocabulary Insertion proceeds cyclically, root-outwards. 2 Experimental tasks The experimental tasks were conceived so as to anticipate and assess the contexts in which verbal agreement is leveled and determine whether the phenomenon in question is indeed limited to a particular region in the North of Portugal: Vale do Ave and Vale do Sousa. Two different techniques offline and online were used: a series of grammaticality judgment tests (GJT) and a test of self-paced reading. These tasks were presented to the participants at different stages of the investigation, as discussed in the next subsections. 2.1 Grammaticality judgement test 1 Participants Study group: 50 adolescent speakers from Vale do Ave e Vale do Sousa, all currently in the second year of secondary education, average age of Materials Conditions were created to test finite and infinitival clauses. In each condition, there were standard agreement clauses and non-standard agreement clauses. In both finite and infinitival clauses, the environments tested included purpose clauses as well as clauses in subject and object (with and without preposition) position. The following examples illustrate test sentences for the condition purpose clause. The two versions, with and without agreement, were presented to the subjects (the asterisk is meant to reflect the grammar of standard EP): 190

191 Pilar Barbosa e Telma Freire (7) a. O professor tem de ser exigente para os alunos the teacher has of be.inf demanding for the students *trabalhar / trabalharem work.inf.ø / work.inf.3pl The teacher must be demanding in order for the students to work. b. O professor tem de ser exigente para que the teacher has of be.inf demanding for that os alunos *trabalhe / trabalhem the students work.subj.ø / work.subj.3pl The teacher must be demanding so that the students work inf = infinitive subj = subjunctive Regarding finite clauses, besides subordinate clauses in the present and past subjunctive, the conditions tested also included matrix indicative clauses and if and when-clauses in the future subjunctive. The main reason for including the future subjunctive was that the speakers of this region produced utterances such as (8a-9a) (compare these with standard EP (8b-9b)) (8) a. Se nós acabar isto, podemos sair? if we finish.subj.fut.ø this, can. ind.pres.ipl leave b. Standard EP Se nós acabarmos isto, podemos sair? if we finish.subj.fut.1pl this, can. ind.pres.ipl leave If we finish this, can we leave? (9) a. Se eles for, eu também vou. if they go subj.fut.ø, I also go ind.pres.1sg 191

192 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese b. Standard EP Se eles forem, eu também vou. if they go subj.fut.3pl I also go ind.pres.1sg If they go, I also go. (8a) and (9a) are ungrammatical in the standard dialect. (8a) contains a regular verb and (9a) contains an irregular verb. This point is important given that, with regular verbs, the forms for the future subjunctive and the infinitive are homophonous whereas in the case of irregular verbs they show stem allomorphy, as shown below: (10) Regular verb: cantar Irregular verb: ir Eu Tu Nós Vocês Eles Inflected Infin. Cantar cantares cantarmos cantarem cantarem Future Subjunctive Cantar cantares cantarmos cantarem cantarem Inflected Infin. ir ires irmos irem irem Future Subjunctive for fores formos forem forem Thus, in the case of the verb ir, the inflected infinitival form for the 1pl, for instance, is irmos, whereas the future subjunctive is formos. In view of the attested cases of agreement leveling in the future subjunctive, we included if and when clauses in our GJT and we varied the use of regular and irregular verbs as controlled variables. In each condition, there were first person plural (1pl) and third person plural (3pl) subjects; in the case of 3pl, we alternated between the use of a pronoun and a full DP. 192

193 Pilar Barbosa e Telma Freire Procedure The test was presented to the study group in a face-to-face session and participants were confronted with 120 randomly distributed items, corresponding to the conditions under study. After reading each sentence, participants had to position themselves according to the following Likert scale: totally accept, accept, hard to accept and totally reject. This scale lacks a neutral point, so as to force the subjects to take a clear stand on the issue. Results We were able to observe that there is an expressive difference in the grammaticality judgments concerning non-standard forms of infinitival clauses (56.2%, Standard Deviation (SD)=20.3) and finite clauses (22.7%, SD=21.1), as presented in Graph 1. Graph 1 193

194 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese To check for statistically significant differences, we applied a T-Test for Paired Samples, as presented in Table 1. Table 1 Finite clauses (N = 50) Mean (SD) Infinitival Clauses (N = 50) Mean (SD) t (49) Study group 22.7 (21.1) 56.2 (20.3) 13.45*** ***p <.001 As shown, there are significant differences between the levels of acceptability of finite and infinitival clauses without verbal agreement: t (49) = 13.45, p <.001. The results concerning the clauses in the future subjunctive aren t included in these calculations because they were very similar to those of the infinitival clauses. Later, we will return to the future subjunctive. For now, we focus on infinitival clauses. Graph 2 shows the rates of the levels of acceptability in clauses with and without verbal agreement: Graph 2 194

195 Pilar Barbosa e Telma Freire In spite of the difference in percentage (28.3%), speakers accept both standard verbal agreement (84.5%, SD=9.2) and non-standard verbal agreement (56.2%, SD=20.3). To check for statistically significant differences, we applied a T-Test for Paired Samples as presented in Table 2. Table 2 Study group ***p <.001 Verbal agreement (N = 50) Mean (SD) Without Verbal agreement (N = 50) Mean (SD) t (49) 56.2 (20.3) 84.5 (9.2) 10.23*** The results show that there are significant differences between the levels of acceptability of infinitival clauses with and without verbal agreement: t (49) = 10,23, p<.001. Despite this statistical result, the fact remains that 56.2% of the infinitival clauses without verbal agreement were accepted by the participants. Graph 3 presents the levels of acceptability per context of nonstandard verbal agreement in infinitival clauses. 195

196 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese Graph 3 Graph 3 shows that the context with the highest level of acceptability corresponds to infinitival purpose clauses (64%, SD=33.9). The following example is illustrative: Standard: comermos (10) A mãe faz sempre pão para nós comer. the mother makes always bread for we eat.inf.ø Mother always makes bread for us to eat. We note that the highest percentage of acceptance in purpose clauses is not related to exceptional case marking (ECM). This possibility was safeguarded in the design of the test itself by including examples in which the embedded subject appears in the oblique case: (11) *A mãe faz sempre pão para mim comer. the mother makes always bread for me.obl eat.inf.ø 196

197 Pilar Barbosa e Telma Freire Our participants overwhelmingly rejected examples such as (11) (95.5% of non-acceptance) while accepting the corresponding sentences with a nominative pronoun (see graph 4): (12) A mãe faz sempre pão para eu comer. the mother makes always bread for I.nom eat.inf.ø Mother always cooks bread for me to eat. Graph 4 Coming back to the results presented in Graph 3, it appears that the argumental clauses in subject and object position show very similar results (54.8% (SD=23.4) and 54.5% (SD=21.2), respectively). Subject clauses selected by adjectival predicates (cf. (13)) were accepted in 49.5% of the cases (again, the asterisk reflects our own judgements). 197

198 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese (13) *É difícil nós trabalhar assim. Standard: trabalharmos Is difficult we work.inf.ø like.this It is difficult for us to work like this. In spite of the differences among different types of infinitival clauses, the results for the infinitival clauses lead to the conclusion that, in fact, in this region, speakers accept variation in verbal agreement. Now we turn to finite clauses. As mentioned before, the levels of acceptability in finite clauses are very low (22.7%, SD=21.1). Next we discuss these in more detail. It should be noted that these results exclude contexts with the future subjunctive (Graph 5). Graph 5 Graph 6 presents the acceptability rates for finite sentences without verbal agreement distributed per context. This graph includes the results for the future subjunctive. 198

199 Pilar Barbosa e Telma Freire Graph 6 In Graph 6 the results for the future subjunctive stand out, as mentioned before. The subjects clearly do not accept the remaining contexts without verbal agreement but accept those with the future subjunctive (50.8%, SD=28.4): 53% of acceptance for regular verbs and 48.5% for the irregular ones. The results in this context are, therefore, very similar to those of infinitival clauses with non-standard verbal agreement (56.2%, SD=20.3). To check whether there was any statistical difference between the levels of acceptance of the future subjunctive without verbal agreement and other finite clauses, also without verbal agreement, we applied a T-Test for Paired Samples (Table 4). 199

200 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Table 4 Study group ***p <.001 Future subjunctive (N = 50) Mean (SD) Other Finite clauses (N = 50) Mean (SD) t (49) 50.8 (28.4) 22.7 (21.1) -9.15*** The results show that there are significant differences between the levels of acceptability of the future subjunctive and the other finite clauses: t (49) = -9.15, p <.001. Thus, we conclude that, in this dialect, the future subjunctive differs from the other finite contexts and displays a pattern that is similar to that of infinitival clauses. 2.2 Grammaticality judgement test 2: control group So as to verify whether this type of non-standard agreement is geographically restricted, the same GJT was applied to Portuguese speakers from different districts from North to South of Portugal who have never lived in Vale do Sousa or Vale do Ave. Participants 68 speakers from different districts from North to South of Portugal Northern districts: Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro, Coimbra; Central districts: Castelo Branco, Lisboa, Setúbal and Southern districts: Beja and Faro who have never lived in Vale do Sousa or Vale do Ave. 200

201 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues Materials The same test applied to the study group. Procedure The same test, with the same items and the same instructions, was applied to the control group, the only difference being that this group was tested via the Internet, due to time and space constraints. Results The results were clear and allow us to conclude that these EP speakers do not accept the infinitival forms without agreement, unlike the study group. The results for standard agreement clauses are similar to those of the group of study. Graph 7 presents the results for the control group, excluding, for now, the future subjunctive. Graph 7 201

202 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese The speakers from the control group reject the clauses without verbal agreement, regardless of whether they are infinitival (94.66%, SD=16.2) or finite clauses (96.54%, SD=12.6). Similar results were obtained in the future subjunctive (95.78%, SD=13.8), as seen in Graph 8: Graph Discussion The data collected from both groups in the GJT enable us to conclude that, in fact, the speakers of the group of study cancel agreement even when the syntactic structure provides all the information for them to establish it. In this regard, EP speakers present a linguistic behavior that is similar to that of non-standard varieties of Brazilian Portuguese (cf. (1)), with one crucial difference: in the former case, agreement leveling is limited to contexts in which the verb is either in the inflected infinitive or in the future of subjunctive. In addition, it has also been confirmed that this pattern is indeed limited to a particular region of Portugal, namely Vale do Sousa and Vale do Ave. 202

203 Pilar Barbosa e Telma Freire 2.4 Self-paced reading test Participants The same participants from Experiment 1. Materials 120 random items, corresponding to the conditions under study, 8 sentences for each of the 15 conditions. Procedure The self paced reading test was applied to the participants of the study group in a face-to-face session using Linger, a computer application that allows the realization of a wide range of experiences related to language processing. This type of test determines the reading time of each participant in each of the regions of the sentence, both critical (segments under study) and noncritical (remaining segments of the sentence) and, based on these reading times, it is possible to assess if the critical segments took more or less time to process. Each participant was responsible for revealing, at a natural reading pace, a sentence that appeared on the screen, word by word, as the participant pressed a key. At the end of each sentence, participants were faced with a question, which appeared at once on the screen. Participants should press a key for yes and another key for no. They were encouraged to read the sentences at a natural pace and to answer the questions as accurately as possible; they were never informed that there would be non-standard agreement items in the test. Predictions Our expectations were the following: (i) clauses with standard verbal agreement would be read faster than the others; (ii) the infinitival 203

204 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese structures without agreement and the structures in the future subjunctive without agreement would be processed faster than the structures without agreement in other tenses. Results For the purposes of the analysis, we only considered the participants who responded correctly to more than two-thirds of the questions as well as the participants whose average individual reading time did not deviate from the overall average 2.5 standard deviations. In the end, no participant was excluded. Results were analyzed according to the average reading time per character as the study examines critical segments with inherently different extensions, i.e., comer versus comermos or comerem ; ir versus irmos or irem. Table 5 presents the average reading times per character in each of the study conditions. Table 5 Conditions Standard verbal agreement Finite Clauses (excluding Future Subjunctive) Infinitival Clauses Future Subjunctive Non-standard verbal agreement Finite Clauses (excluding Future Subjunctive) Infinitival Clauses Future Subjunctive Average reading time per character (ms) The data presented correspond to the average reading times per character for all participants at the critical segments. 204

205 Pilar Barbosa e Telma Freire Discussion As expected, on average, clauses with standard agreement are read much faster than those with nonstandard agreement. Regarding the latter, the expected result was that subjects would read the infinitival and future subjunctive clauses faster than the others. However, this is not what happened. We got the opposite result: the infinitive and the future subjunctive structures with nonstandard agreement took longer reading times (96,70ms and ms, respectively) than the other clauses (71.20ms). Even though the reading times for the nonstandard agreement cases went in the opposite direction from what was predicted, we observe that the inflected infinitive and the future subjunctive constructions display a pattern that sets them apart from the other finite clauses: they evidence longer reading times not only in the nonstandard agreement cases but also in the standard agreement ones. In the latter case, the future subjunctive clauses are those that present longer reading times (73.27ms), but these results are closer to those obtained for the infinitival clauses with standard verbal agreement (65.48ms) than to those of the other finite clauses (59,85ms). Moreover, in the nonstandard agreement constructions, the values obtained for the inflected infinitive (96.70ms) and the future subjunctive (106.85ms) are the closest values found when the average reading times for all conditions are compared. In sum, the results of the self-paced reading test suggest that, overall, the future subjunctive and the inflected infinitive demand higher, albeit similar, processing costs than the other conditions under study. Our take on this issue is that this is due precisely to the presence of two variants in the grammar of these speakers one variant with full agreement inflection and the other with non-standard agreement inflection. By hypothesis, this situation imposes additional processing costs. This hypothesis is supported by the following facts: (1) the reading times obtained for infinitival and future subjunctive clauses with standard 205

206 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese verbal agreement are considerably higher than those obtained with their counterparts with other finite tenses; (2) infinitival clauses and future subjunctive clauses without verbal agreement present closer reading times than any other conditions Interim summary Combining the results of the self-paced reading tests with those of the GJT, we conclude that agreement leveling in the future subjunctive and in the infinitive is indeed an option that is available in the grammar of our subjects. At this point, two questions arise: 1. Does neutralization apply to Person as well as Number or just to Number? In the tests applied thus far, the persons used were 1P and 3P plural, so in order to determine whether Person is affected, we need to test for 2P singular. 2. Does leveling also apply in cases of subject drop? According to A. Rodrigues (2004), one of the causes of agreement leveling in BP in the presence of an overt subject is the fact that the information is redundant: the phi-feature set present in verbal agreement reduplicates the phi-features of the subject. If this functional principle applies to the speakers in this study, it is anticipated that speakers will reject sentences displaying null subjects and lack of agreement. In order to tackle these two issues, we ran two further GJTs. These are described in the next section. 2.6 Grammaticality Judgement Test 3 So as to determine whether agreement leveling affects Person, a new 1 One way of testing this hypothesis would be to apply the same self-paced reading test to a control group. So far, we were not able to undertake this task and leave it for future research. 206

207 Pilar Barbosa e Telma Freire GJT was applied to the same participants. In this second test, sentences with 2sg were included. (14) Este livro é para tu *ler / leres this book is for you.nom read.inf.ø read.inf.2sg This book is for you to read. If neutralization affects Person, omission of agreement in 2P should exhibit levels of acceptability comparable to those observed with omission of agreement in the plural forms. We opted for 2sg instead of 2pl especially because the 2pl form vós, you is disappearing, particularly among younger speakers, being replaced by the form vocês, which triggers 3P verbal agreement. Many speakers who still retain the pronoun vós often find it difficult to conjugate the verb in 2pl, so this variable would introduce unnecessary noise in analyzing the results. Participants The same participants from Experiment1. Materials 42 random items, corresponding to the conditions under study Procedure The same procedure as in Experiment 1. Results In Graph 9, we present the results of this second grammaticality judgment task with respect to omission of 2sg agreement morphology (right column) in comparison with omission of 1pl and 3pl agreement morphology (left column) in infinitival clauses. 207

208 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese Graph 9 Note that the level of acceptance of infinitival clauses without agreement in 1pl and 3pl is again high (63.6%). In contrast, the results of clauses with 2Sg show that speakers do not accept this structure (83.2%) and do not recognize it as part of their grammar. Hence the conclusion is clear: the 2Sg is not affected by neutralization. We take this observation as an indication that Number is the feature that is targeted by neutralization, rather than Person. 2.7 Grammaticality judgement test 4 The third GJT aimed to determine whether agreement leveling also occurs in null subject structures. On the assumption that the presence of overt agreement morphology is a prerequisite for subject pro-drop in a null subject language of the consistent type like EP, the prediction is that agreement omission should yield deviant results when the subject is null. This cannot be tested in infinitives in view of the existence of noninflected infinitives, which lack agreement morphology, but it can be 208

209 Pilar Barbosa e Telma Freire tested in the future subjunctive. Therefore, this GJT contained examples with the future subjunctive in addition to matrix finite clauses. The two versions, with and without agreement, were presented to the subjects (the version without agreement is ungrammatical in standard EP): (15) a. Eles querem sair mais cedo. Se trabalhar, they want to leave earlier if work.subj.fut.ø, vão sair mais cedo. go. ind.pres.ipl leave earlier. They want to leave earlier. If they work, they will leave earlier. b. Eles vão chegar atrasados. Se trabalharem, they want to leave earlier if work.subj.fut.3pl, vão sair mais cedo. go. ind.pres.ipl leave earlier. Participants The same participants from Experiment 1. Materials 40 random items, corresponding to the conditions under study Procedure The same procedure as in Experiment 1. Results Regarding matrix clauses, the results were as predicted: the participants accepted the clauses with standard verbal agreement (93.5%) and rejected the structures without agreement with only 12.5% 209

210 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese acceptance. The results for the future subjunctive in null subject clauses are shown in Graph 10. Graph 10 In the cases of null subject constructions, the participants accept unequivocally the structures with verbal agreement, as expected, regardless of which plural person is omitted (99.0% and 98.5% in 1P and 3P, respectively); but there are also high levels of acceptance in structures without verbal agreement (54.1% and 57.8%, 1P and 3P, respectively), a joint average of 55.9%. Discussion In view of the high levels of acceptance of structures without verbal agreement, we conclude that the data do not meet the initial prediction. The results of this test are particularly interesting when compared with those of the first test, with the same structures, but with overt subjects. 210

211 Pilar Barbosa e Telma Freire When comparing the data, the levels of acceptance are very identical (cf. Table 2). This is a strong indicator that, for these speakers, agreement is also variable when the subject is null. In other words, the phenomenon in question doesn t interfere with a core syntactic property such as the licensing of a null subject. Table 6 Conditions Future subjunctive clauses (without verbal agreement) Overt subject Null subject Future subjunctive clauses (with verbal agreement) Overt subject Null subject Results 91.8% 98.8% 50.8% 55.9% 2.8. Conclusions Summing up the results obtained thus far, the phenomenon of variable agreement under discussion has the following distinctive properties: 1. it occurs not only with infinitival forms but also in the future subjunctive; 2. it does not affect grammatical Person; 3. it doesn t interfere with the licensing of a null subject. In our view, this cluster of properties is a strong indicator that the phenomenon in question is not purely syntactic and rather belongs with morphology. In the next section we propose an analysis of these facts that relies on the idea that agreement leveling is due to operations that take place in the post-syntactic PF branch of the grammar. 211

212 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese 3 Analysis In this section, we present an analysis of the restricted kind of agreement leveling found in the grammars of the speakers of Vale do Ave and Vale do Sousa. However, before we present our analysis, we must provide an account of the standard dialect. We turn to this matter in the next subsection. 3.1 The standard dialect We assume the model of Distributed Morphology (Halle and Marantz l993, Embick and Noyer 2007). Distributed Morphology (DM) assumes a Morphological Structure (MS) level between Spell Out and PF. In this model, the output of narrow syntax is the input to MS, in which further operations apply during the computation to PF. DM is a late insertion model. The terminal nodes of the syntactic derivation labeled morphemes are bundles of abstract features relevant only to syntax and the phonological exponents for functional morphemes are inserted post-syntactically, via the process of Vocabulary Insertion (VI). The Vocabulary is a list of the phonological exponents of the different abstract morphemes of the language, paired with conditions of insertion (see below). Following Marantz (1997), we take roots not to have any category; in the syntax they are merged with category-giving functional heads. In the verbal domain, this head is v and is responsible for the verbal properties of the verbal complex, like (in)transitivity, agentivity, (accusative) case, and so on. Along the lines of Oltra-Massuet (l999) for Catalan, we assume that, in the unmarked case, the Tense (T), Mood (M), and Aspect (Asp) features are combined in EP into a single morpheme for the computational system. In the syntax, a root merges with the verbalizing head v and further undergoes cyclic head-to-head movement all the way up to T (which stands for T/Asp/M or TAM for 212

213 Pilar Barbosa e Telma Freire short). We further assume that, in a null subject language such as EP, T combines with an Agr node in the syntax, resulting in the following minimal representation for the verbal complex under Agr: (16) One further, fairly uncontroversial, assumption we make is that at MS v has a theme vowel (Th) adjoined to it. (17) Th defines the class v belongs to. In EP, there are three verb class features (c 1, c 2, c 3 ) corresponding to the theme vowels -a, -e, -i, respectively 2. 2 Oltra-Massuet (l999) argues, on the basis of Catalan, that every functional head requires a (possibly null) theme vowel. However, since this issue is not crucial for 213

214 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese In the case of infinitival clauses, we take T to be [ FIN], so the syntactic representation is as follows: (18) Regarding the future subjunctive of regular verbs, the features under T are [+Fin;+Fut; +Subj] (here we simply adapt Oltra-Massuet s 1999 proposal for subjunctive clauses in Catalan): (19) As for the phi-feature set to be inserted under Agr, we adopt Nevins s (2007) proposal according to which the feature matrices for person and number combine the following features: the EP cases under discussion, we will not include the theme vowel under T in our representations. 214

215 Pilar Barbosa e Telma Freire (20) phi-features for Person: [±participant, ± author] Number features: [± pl] The different combinations of phi-features give us the following specifications for the Agr node: (21) 1Psg: [+participant; +author;-pl] 2Psg: [+participant; -author;-pl] 3Psg: [-participant; -pl] 1Ppl: [+participant; +author;+pl] 2Ppl: [+participant; -author;+pl] 3Ppl: [-participant; +pl] As mentioned above, in the PF component of the grammar, the functional morphemes receive phonological representations via VI where each Vocabulary Item is defined as a pair that specifies the relation between a phonological expression and a grammatical or semantic feature and possibly a context of insertion. We propose the following Vocabulary items for insertion under Th (22), under T in infinitives and in the future subjunctive (23), and under Agr (24). The Vocabulary Items in (23) have actually been independently proposed by Oltra-Massuet (l999) in her analysis of Catalan verbal morphology. /r/ as an exponent for [+Fut] is needed also in the case of the future indicative (cf. Arregi and Oltra-Massuet 2005): (22) /ɑ/ [c 1 ] /e/ [c 3 ] /i/ [c e ] 215

216 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese (23) /r/ [-Fin] /r/ [+Fut] (24) /s/ [+participant; -autor;-pl] /mos/ [+participante; +autor;+pl] /N/ [+pl] /ø/ elsewhere One important feature of late insertion is underspecification, which is governed by the Subset Principle (Halle l997), that determines that Vocabulary Items do not need to be fully specified for insertion at a particular node: (25) Subset Principle The phonological exponent of a vocabulary item is inserted into a position if the item matches all or a subset of the features specified in that position. Insertion does not take place if the Vocabulary Item contains features not present in the morpheme. The following Principle regulates competition among different Vocabulary Items capable of being inserted at a particular node: (26) Blocking Principle Whenever there is more than one Vocabulary Item capable of being inserted, the more specified item is to be chosen. We can see how these two principles work when we consider the derivation of the form of the future subjunctive of a regular verb such as cantarmos. 216

217 Pilar Barbosa e Telma Freire (27) [ kɑnt- [ [c 1 ] [ [+Fin; +Subj.; +Fut] [ [+participant; +author;+pl]]]]] /ɑ/ [c 1 ] /r/ [Fut.] a. /mos/ [+part; +aut;+pl] b. /N/ [+pl] In this case, two exponents compete for insertion under Agr, /mos/ and /N/, but the Blocking Principle determines that the most specified one, /mos/, wins over the other. The representation in (27) yields the form /kɑntɑrmos/. For 3pl, there is only one form available, namely /N/. The form /kɑntɑren/ is thus derived (I assume that a phonological rule inserts an epenthetic vowel before the nasal segment in order to create a possible rhyme). In the case of regular verbs, the output forms for the inflected infinitive are homophonous with those of the future subjunctive. Where the two tenses diverge is with irregular verbs: in the first person plural we get irmos for the inflected infinitive and formos for the future subjunctive. For the purposes of this article, we will assume without further discussion, following standard practice in DM (Marantz, 1997), that stem allomorphy is obtained via application of phonological readjustment rules. Thus, in the case of the verb ir, a phonological readjustment rule spells out the structure [[ ir] th] as /fo-/ in the context of the Past and Future subjunctive. This stem combines with /-r/, the exponent for [Fut], yielding /for-/, and then further combines with the exponents for AGR. In the case of the 1pl, /mos/ combines with / for/ yielding formos. In the inflected infinitive, by contrast, there is no phonological readjustment, so the output form is irmos. These derivations apply in the case of the standard dialect. In the next section we turn to agreement leveling in the dialect of Vale do Sousa and Vale do Ave. 217

218 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese 3.2 Dialectal agreement leveling We propose that agreement leveling in the dialect under discussion is due to application of a rule of Impoverishment (Bonet l991). Impoverishment rules apply in MS to morphosyntactic features (i.e., prior to VI) and eliminate certain distinctions. As a result, the Vocabulary Item that is expected to be chosen can no longer be inserted and a less specified item, generally the elsewhere case, is chosen instead; in other words, there is retreat to the elsewhere case. For the case in hand, we suggest a rule of Impoverishment that eliminates the Number feature from the morphemes that are positively specified for this feature, in a particular context. We will return shortly to the context of application of this rule. (28) Impoverishment rule [+pl] [ø] / [±participant; ± author; ] As a corollary of (28), there is a retreat to the elsewhere case, which is the zero exponent. As we have seen, (28) applies in two particular contexts: the inflected infinitive and the future subjunctive. When we consider what these two contexts have in common, the obvious answer is that they share the exponent, namely the lexical item /-r/. However, since Impoverishment applies before VI and manipulates abstract features, it is not possible to make reference to the exponent in the rule unless it is assumed that VI applies cyclically, from the most deeply embedded constituent outwards 3. In fact, this claim has been forcefully put forward in Bobalijk 2000 and has been assumed ever since in connection with contextual allomorphy (Embick 2010). In our case, Impoverishment at the Agr node must be able to see the particular lexical item that has been inserted under T in the immediate lower cycle. 3 We thank Andrew Nevins for pointing out this fact to us, which turned out to be crucial. 218

219 Pilar Barbosa e Telma Freire We restate the Impoverishment rule as follows: (29) Impoverishment rule [+pl] [ø] / -r] [ Agr ±participant; ± author; ] That Impoverishment is conditioned by the presence of the affix /-r/ follows from cyclicity and nothing else needs to be said. Note, however, that rule (29) doesn t apply categorically in the dialect here described, given that the subjects accept both variants in the GJT (in fact, with a bias in favor of the standard variant). Even though our study didn t focus on production, it is a fact that speakers oscillate between the two variants, the one with and the one without paradigm leveling. In the spirit of Nevins and Parrott (2010), we propose that (29) is a variable rule in the Labovian sense, i.e., it is a rule the application of which is probabilistic rather than deterministic. Using the notion of variable rule taken from Variationist Sociolinguistics (Labov, l969; Guy, l991) within the framework of DM, Nevins and Parrott (2010) claim that variable Impoverishment is one of the mechanisms of inter and intra-individual variation in morphosyntax. Moreover, they claim that morphological Impoverishment operations are induced by the inherent and universal markedness of particular morphosyntactic features or their combinations, where the positive value of a morphosyntactic feature is considered marked (along the lines of Greenberg, 1966; Croft, 2003). The data discussed here is in line with this proposal given that the morphemes targeted by impoverishment are those that are positively specified for the Number feature [+pl] (see also Otra- Massuet 2013 for a similar approach to variation in inflectional morphology in Catalan). 219

220 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese 5 Conclusions This study started off from the observation that there is agreement leveling variation in particular syntactic environments in the speech of Vale do Sousa and Vale do Ave. We applied a series of GJ tests and a self paced reading task to a total of 50 speakers of this variety of Portuguese. The results from the tests allowed us to conclude that these speakers accept forms with and without overt agreement morphology in contexts with the inflected infinitive and the future subjunctive and reject the remaining finite sentences without agreement. It was also found that participants in the control group categorically reject the forms without agreement that are accepted by the participants in the study group. Moreover, the participants of the study group reject forms without agreement in contexts with the inflected infinitive and the future subjunctive in the 2ps, which suggests that it is Number that is being affected rather than Person. The analysis proposed is based on the notion of variable Impoverishment developed in Nevins and Parrott (2010) as a means of explaining inter and intra-linguistic variation. To the extent that it succeeds in accounting for the data, this study may be seen as an argument in favor of the authors suggestion of incorporating the notion of variable rule of Variationist Sociolinguistics as a mechanism within the framework of DM. Thus, this study confirms the interest of applying the DM theoretical model to the study of intra-and interindividual variation in morphosyntax. Yet another relevant finding of this study is the existence of an affinity between the inflected infinitive and the future subjunctive as opposed to all other grammatical tenses. Since what these two contexts have in common is the exponent itself, this is a case of inwards sensitive phonologically conditioned Impoverishment, as predicted in a model that assumes that VI proceeds cyclically, root-outwards (Bobalijk 2000). 220

221 Pilar Barbosa e Telma Freire References Arregi, Karlos; Oltra-Massuet, Isabel Stress-by-structure in Spanish. Linguistic Inquiry 36-1: Barbosa, Pilar; Duarte, M. Eugênia; Kato, Mary. Null Subjects in European and Brazilian Portuguese. Journal of Portuguese Linguistics. 4, Lisboa: Edições Colibri Bassani, Indaiá de Santana; Lunguinho, Marcus Vinicius. Revisitando a flexão verbal do português à luz da Morfologia Distribuída: um estudo do presente, pretérito imperfeito e pretérito perfeito do indicativo. ReVEL, edição especial n. 5, Bonet, Eulàlia. Morphology after Syntax: Pronominal Clitics in Romance, MIT: Doctoral dissertation Cardoso, A.; Carrilho, E.; Pereira, S. On verbal agreement in European Portuguese: syntactic conditions for the 3sg/3pl alternation. Diacrítica 25-1: Duarte, M. I.; Gonçalves A.; Santos. Control, tense and inflected infinitives: an argument for an Agree theory of Control. Manuscrito em fase de submissão, Universidade de Lisboa Embick, David; Noyer, Rolf. Distributed Morphology and the Syntax/Morphology Interface. In The Oxford Handbook of Linguistic Interfaces, Gillian Ramchand and Charles Reiss (eds.), Oxford: Oxford University Press Greenberg, Joseph. H. Language Universals with Special Reference to Feature Hierarchies. The Hage: Mouton. l

222 A Case of Variable Impoverishment in European Portuguese Guy, Gregory R. Explanation in variable phonology: An Exponential model of morphological constraints. Language Variation and Change 3: l991. Halle, Morris; Marantz, Alec Distributed Morphology and pieces of inflection. In: Hale, Ken; Keyser, Samuel Jay. The View from Building 20. Cambridge, MA: MIT Press, pp Halle, Morris. Distributed Morphology: Impoverishment and Fission. MIT Working Papers in Linguistics. l997. Labov, William. Contraction, deletion and inherent variability of the English copula. Language 45: l969. Marantz, Alec. No escape from syntax: Don t try morphological analysis in the privacy of your own lexicon. In Proceedings of the 21st Annual Penn Linguistics Colloquium, ed. A. Dimitriadis, et al., volume 4.2 of U. Penn Working Papers in Linguistics, Penn Linguistics Club, University of Pennsylvania, Philadelphia Mota, Maria Antónia; Vieira Sílvia. Contrastando variedades do português brasileiro e europeu: padrões de concordância sujeitoverbo. C. Gonçalves and M. L. L. de Almeida (orgs.) Língua Portuguesa. Identidade, Difusão e Variabilidade. UFRJ, Pós-Graduação em Letras Vernáculas, pp Nevins, A. The representation of third person and its consequences for person case effects. Natural Language and Linguistic Theory 25, Nevins, Andrew; Parrott, Jeffrey. Variable rules meet Impoverishment theory: Patterns of agreement leveling in English varieties. Lingua 120-5:

223 Pilar Barbosa e Telma Freire Oltra-Massuet, Isabel. On the notion of theme vowel: a new approach to Catalan verbal morphology. Masters thesis. Cambridge, MA: MIT Press. l999. Oltra-Massuet, Isabel. Variability and allomorphy in the morphosyntax of Catalan past perfective. In Distributed Morphology Today Morphemes for Morris Halle, Ora Matushanksy and Alec Marantz (eds.), pp Cambridge, MA: Mass: MIT Press Rodrigues, A. S. Concordância verbal, sociolinguística e história do português brasileiro. Forum Linguístico 4-1: Florianópolis Rodrigues, Cilene. Impoverished morphology and A-movement out of case-domains. University of Maryland. Ph.D diss Scherre, M. M. P. Aspectos da concordância de número no português do Brasil. Revista Internacional de Língua Portuguesa (RILP) - Norma e Variação do Português. Associação das Universidades de Língua Portuguesa. 12: Scherre, M. M.P.; Naro, A. J. Sobre a concordância de número no português falado do Brasil. In Ruffino, Giovanni (org.) Dialettologia, geolinguistica, sociolinguistica.(atti del XXI Congresso Internazionale di Linguistica e Filologia Romanza) Centro di Studi Filologici e Linguistici Siciliani, Universitá di Palermo. Tübingen: Max Niemeyer Verlag, 5: l

224

225 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Andrew Nevins Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) University College London (UCL) Cilene Rodrigues Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) Abstract This article presents two experimental studies that investigate the role of syntax in constraining morphological processes related to past participle forms in Brazilian Portuguese. Analyses within the autonomous approach to morphology have defended that diachronically and synchronically, Romance past participles reflect an inter-paradigmatic relation between participles and other verbal paradigms that remains completely oblivious to non-morphological information Aronoff (1994), Chagas (2007). However, the results of two wug-tests conducted here point towards an integration between syntax and morphology in such forms, along the lines of Lobato (1999) and Calabrese (2014). Verbal argument structure plays a role in defining the participle form: the lighter the verbal argument structure, the heavier the preference for short-form participles. Resumo Apresentamos dois estudos experimentais com vistas a investigar o papel da estrutura sintática na formação do particípio passado em português brasileiro, verificando a validade de diferentes análise para as formas curtas e longas. Na proposta da morfologia autônoma Aronoff (1994) Chagas (2007), a formação de particípios baseia-se em relações inter-paradigmáticas que se apresentam como desvinculas de outros componentes da gramática. Em contrapartida, análises como Lobato (1999) e Calabrese (2014) sugerem que a sintaxe interfere na formação dessas formas. Nossos resultados favorecem a segunda análise, demonstrando que a estrutura argumental do verbo de origem é fator decisivo na escolha da forma participial: quanto mais leve a estrutura argumental do verbo mais leve será sua forma participial. Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

226 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Keywords Wug tests, short-form participles, argument structure, syntax-morphology interface Palavras-chave logatomas, particípios curtos, estrutura argumental, interface sintaxe-morfologia. 1 Introduction Recently the interface between syntax and morphology has been subject to detailed investigation. Within the minimalist program this interface is viewed as a point in the derivation in which the output of syntax is delivered to morphology, which will, based on the properties of the syntactic output, apply operations and mechanisms to guarantee the convergence of the derivation on the PF side. This integrated architecture of the grammar is well developed within the Minimalist Program and the Distributed Morphology framework Halle & Marantz (1993), Harley & Noyer (2000), Embick (2010), Bobaljik (2011). Within these formalisms, morphology is intrinsically dependent on syntax, and there is only one computational system, which operates merging features at different structural levels, going from a zero level derivation within words to a maximal level derivation within phrases. This integrated view is disputed, however. Since Aronoff (1994), it has been proposed that morphology can be a completely independent component of the grammar. That is, the rules, operations and mechanisms used by morphology do not take into consideration information from other components - syntax, semantics and/or phonology Aronoff (1994). 226

227 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues Research into Romance languages has presented a series of evidence in favor of this autonomous view of morphology. Maiden (2005), for instance, has defended that the subjunctive paradigm is a morphome, an autonomous morpheme. In his analysis, all the cells of the subjunctive paradigm piggyback on the 1Sg form of the indicative mood, forming what has been called the L-Shaped morphome, as shown in Table 1: Table 1: The L-shaped morphome for verbs such as ouvir to hear : the same stem is shared among the 1sg present indicative and all forms of the subjunctive, to the exclusion of the 2sg/3sg indicative Maiden (2005). Indicative Subjunctive 1sg ouç-o ouç-as 2sg ouv-es ouç-a 3sg ouv-e ouç-as Along similar lines, it has been proposed that past participle forms (long vs. short) of the type found in Romance are also based on the 1sg of the indicative, constituting another example of morphome: a paradigm that emerges based solely on a morphological inter-paradigm relation with the 1sg cell of the indicative mood Chagas (2007). The L-shaped paradigm as a productive base of formation for the subjunctive mood was contested by Nevins & Rodrigues (2013). The authors conducted a series of experiments using wug forms in different Romance language (European Portuguese, Spanish and Italian) and concluded that Romance speakers have a statistically significant preference to form the subjunctive paradigm by taking into consideration syntactic/formal features, such as person and mood, rather than arbitrary morphological geometric shapes within paradigms. 227

228 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure While L-shaped irregular verbs may have had a diachronic foothold in the language, they are no longer productive, arguably due to the fact that speakers have gradually refused to extend/transmit a pattern with no grounding in syntactic natural classes. In the present article, we will present two experiments that employ a pseudoword (or wug ) methodology, investigating past participle forms: long vs. short. The results show that the licensing of short forms depends heavily on the argument structure of the verb in question. The lighter the argument structure of verb, the higher the preference for short-form participles. Thus, it follows that the morphological process of forming past participles piggybacks on the syntactic and semantic information contained within the verbal root. This, together with the results of Nevins & Rodrigues on subjunctive formation, undermines the main evidence that researchers have presented within Romance languages to justify an autonomy of morphology. The paper is organized as follows: in Section 2 we present data from Brazilian Portuguese, which displays innovative short-form participles. In Section 3, we discuss two different analyses for the phenomenon: Chagas proposal defending an autonomous morphology based analysis, and Lobato/Calabrese s analysis, relating participle forms with syntactic structure. In Section 4, we present two experiments conducted in Brazilian Portuguese, testing the hypothesis that verbal argument structure plays a role in determining the form of participles. In these experiments four verbal classes were considered: unaccusatives, transitives, ditransitives and psych verbs. The results suggest a significant relation between verbal argument structure and past participle forms. Unaccusative verbs have a preference for short-form participles, whereas transitives and ditransitives do not. Psych verbs, on the other hand, prefer long participle forms. A theory based on the autonomy of morphology does not account for these results. Therefore, our conclusion (Section 5) shows that a theory along the lines proposed by Lobato/Calabrese 228

229 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues has a better chance to explain the formation of past participle forms, as morphology seems to be syntactically grounded. 2 Past Participles: short and long forms Romance languages in general present regular and irregular past participle forms. As the Portuguese past participles in (1) illustrate, regular forms keep the thematic vowel of the original verb and add the morpheme d, whereas irregular forms do not. Thus, regular forms are often called the long forms and the irregular forms are called rhizotonic, athematic, or simply short-form participles: (1) secado/seco, limpado/limpo, aceitado/aceito, acendido/aceso, dried, clean, accepted, ignited However, not all verbs accept both forms. In European Portuguese and also in some dialects of Brazilian Portuguese, verbs like the ones in (2) accept only long participles, whereas others verbs (3) are compatible with short-form participles only. (2) matado/*mato, apaixonada/*apaixono, fechado/*fecho killed, impassioned, closed (3) *abrido/aberto, *escrevido/escrito, *dizido/dito opened, written, said Romance speakers in general seem to have a strong preference for long forms. This is clearly observed during the acquisition process of Portuguese, a period in which long forms for the verbs in (3) are readily found. Adults might also have this preference; Tucker (2000) shows that Italian adult speakers, when introduced to unfamiliar Italian 229

230 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure verbs, have a strong preference for forming long participles based on the infinitive. Nevertheless, an interesting current development in nonstandard dialects of Brazilian Portuguese (henceforth BP) involves the spreading of short forms for past participles that historically have only long forms. For example, although the short-form participles in (4) are unacceptable in European Portuguese and Standard Brazilian Portuguese, they are found in many varieties of colloquial BP. In the present discussion, we restrict ourselves to varieties spoken in Rio de Janeiro & Minas Gerais. (4) chego, trago, compro arrived, brought, bought (cf. chegado, trazido, comprado) The short and long forms seem to be accepted in both passive and past perfect contexts, as shown in (5). The short forms, however, don t look like the corresponding infinitive form, as in the passive and perfect in (5b), the perfect in (6c), and optionally the passive and the perfect in (5d). (5) Infinitive 1SgInd Past 1SgInd Pres Passive Past Perfect a. apagar ser apaguei apago extinguish apagado ter apagado b. acender acendi acendo ser aceso ter aceso ignite c. frigir fry d. comprar buy frigi frijo ser frigido ter frito comprei compro ser compro/ comprado ter compro/ comprado 230

231 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues Forms like (5b) acender/aceso are largely frozen, though examples of this sort are widely found in Italian (e.g. mettere/messo to put ). Throughout the Romance languages most of these doubled forms reflect diachronic developments from the so-called t-stems inherited from Latin (see Bachrach & Nevins, 2008 for an overview of approaches to this phenomenon). Notably, the irregular/short participles can be called athematic, as they lack the theme vowel (preserved in apagado but lost in aceso). In Lobato (1999), it is suggested that these innovative participles involve an alternative spell-out, without the theme vowel and the participial -d- morpheme (the nature of which has seen various proposals across the Romance languages, e.g. deverbalizer, resultative, etc). What is largely unique to contemporary BP (although apparently parallels are found in Sicilian Italian; cf. Maiden, 2013) is the emergence of athematic participles that do not reflect this diachronic inheritance, and indeed, some of which are considered substandard or variant, but are nonetheless increasing in attestation. This may be a result of the grammaticalization and generalization of sporadic hypercorrective tendencies that are found in a diglossic situation such as BP, in which the prescriptive norm is rather distant from the colloquial forms and in which speakers across all class levels often feel uncertain about correct usage. Given the stigmatized usage of overregularized and natural productions such as %foi abrido instead of foi aberto was open, it may be that speakers come to treat athematic short-forms as correct, paving the way for extension and innovation of short-forms to etymologically novel contexts. Nonetheless, our central emphasis in this paper is to raise the point that even hypercorrection often submits to grammaticallybased generalizations, and, as a result, the sporadic tendency to produce short-forms may not apply equally across-the-board. Whatever the source of the innovation (which, to our mind, must be grounded in independent conditions specific to BP, given its limited 231

232 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure attestation elsewhere in Romance), at the present moment, forms such as ter pagado and ter pago are both acceptable, standing in marked contrast to the more entrenched cases such as ter frito, alongside which *ter frigido is unacceptable. In many cases, doublets involve irregular short-forms, so that the innovative ter trazido / ter trago to have brought and ter perdido / ter perco to have lost are both acceptable, in contrast to the entrenched ones. This latter set of data lends initial plausibility to Chagas (2007) hypothesis that these innovative participles are based on the 1sg, as indeed trago and perco are the 1sg.ind forms. However, cases such as eu pego I grab and eu tinha pego I had grabbed show different vowels: the former is pronounced with the [-ATR] lax vowel [ ], while the latter with the [+ATR] tense vowel [e]. Similarly, for verbs such as construir to construct with 1sg construo, the short-form participle, if anything, would be tenho construto, and definitely not *tenho construo. Interestingly, for some verbs, the passive particle favors the shortform while the perfect favors the long form (e.g. imprimir to print, with ser impresso, ter imprimido; see SCHER et al. (2014) for detailed discussion). This preference for either the short or the long form might indicate that these forms are near doublets in the sense of Kroch (1994). The contrast in (6), for example, suggests that they do not have the same syntactic distribution, and might not have the same meaning (7), as discussed in Pires (1998), Lobato (1999), Boechat (2008) and Rodrigues (2008). 1 (6) a. Ele foi cegado/*cego pela bala do revólver he was blinded/blind by.the bullet of.the gun He was blinded by the gun bullet 1 Data from Rodrigues (2008). 232

233 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues b. Ele ficou cego/*cegado depois da cirurgia he got blind/blinded after of.the surgery He went/became blind after the surgery (7) a. Secados os pratos, coloque-os sobre a mesa (Eventive reading) dried the dishes put-them on the table Having dried the dishes, put them on the table b. Secos os pratos, coloque-os na mesa (Resultative reading) dry the dishes put-them on.the table The dishes having become dry, put them on the table Indeed, some of these differences may be akin to Embick s (2004) distinction between participial forms in English such as an open door and an opened door, and Maiden (2013: 509) explicitly suggests such an interpretive difference for Sicilian short-form vs long-form participles such as apì rtu/graputu open/opened. While these potential syntactic and semantic differences merit further exploration, in this paper we will focus on testing different classes of verbs to verify if argument structure plays any role in defining the form of the past participle. Although we will not pursue them in this paper, the syntactic and semantic differences above might follow from our conclusion that the form of the derived participle depends on the internal argument structure of the original verb. Some native speakers have the intuition that (8a) is better than (8b), which in turn is better then (8c). Importantly, the main difference between these examples is the argument structure of verbs. In (8a) the participle comes from an unaccusative verb, whereas in (8b) and (8c) it comes from a transitive and a ditransitive verb. 233

234 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure (8) a. Eu tenho chego tarde para as reuniões I have arrived.short-form late for the meetings I have arrived late for the meeting b.?* Eu tenho pago as contas todo mês I have paid.short-form the bills every month I have paid the bills every month c. * Eu tenho apresento o João para o pessoal I have introduced.short-form the João to the people I have introduced João to the folks Thus, it is in principle worthwhile investigating a potential relation between argument structure and participle forms. If this is on the right track, the general conclusion about the architecture of grammar is that there is a close integration between syntax and morphology, contrary to the autonomous morphology proposal. 3 Autonomous morphology or syntactically-grounded morphology? Given the data in (5), one tempting generalization that can be contemplated is that the innovative participle short-forms are imitations of the 1sg.ind forms. While this is not the case for the entrenched forms in (5a-c), Chagas (2007) puts forth an analysis that short-forms are the result of an inter-paradigmatic relation: BP innovative shortform participles are formed based on the 1sg of the indicative mood. According to this author, this relation is what licenses the increase in productivity of short-form participles in BP. This inter-paradigmatic relation, however, is not so easily conceived as the 1sg.ind in particular has no privileged morphosyntactic closeness to participle forms that would not be shared by other inflected 234

235 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues person/mood combinations. In other words, for Chagas analysis to be correct, short-form participles would have to be morphomes - independent productive pieces of morphology that are truly arbitrarily learned inflectional mappings between 1sg.ind and short-form participles - resulting from purely morphological correspondences, showing no sensitivity to syntactic properties of the original verbs. In contrast with Chagas proposal, under analyses such as Lobato s (1999), the short-forms are alternative spell-outs of a syntactic structure, and no matter which details of that structure one may adopt, the intuition is that shorter forms reflect lesser structure. As such, the syntax of the verbs in question comes to be relevant in understanding the morphophonological form of past participles. Observations such as Lobato s are echoed in formal analyses of related phenomena within Distributed Morphology (e.g. Embick, 2004 and Calabrese, 2014). Calabrese, for instance, proposes that the absence of the theme vowels in past participles allows for locality between the verbal root and Tense, enabling contextual allomorphs such as perso lost in Italian (cf. infinitive perdere) and eleito elected in Portuguese (cf. infinitive eleger). That is, the theme vowel projects a head that blocks a structural relation between T and the verbal root, and therefore, shortform participles, which lack the theme vowel, are lighter in structure than long forms (which have the extra functional head projected by the theme vowel). If indeed short forms reflect less syntactic structure, we conclude that past participle forms are not morphomes at all, as syntax and morphology work together in determining their shape. 2 Under a theory in which the relation between short-form participles spell-out and the word-internal syntax of participle expressions is directly reflected, properties such as argument structure and event structure can 2 Other approaches to the phenomena (eg. Scher et al. 2014) treat participle forms as largely a matter of post-syntactic operations that prune the morphological structure. Hence, they also predict that syntactic information should not constrain the formation of past participles. 235

236 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure play potential roles in conditioning the acceptability of such forms. Thus, it is relevant to mention that of the extant innovative short-forms, very few are found with ditransitives and psych-verbs such as agradar to please, aborrecer to annoy, and temer to fear. Nonetheless, this may be related to token frequency in the language or other grammar-external factors. Thus, to test the hypothesis that argument structure plays a role in the formation of past participles without having the interference of external variables, wug-testing presents itself as extremely useful, as wugs have a token frequency of zero, allowing participants to rely on the phonological form, the syntactic environment, or neither of the above, in rating the goodness of short-form participles given a particular infinitive and 1sg.ind form. 4 Testing the role of argument structure in defining past participle forms We present two experiments designed to test whether short-form participles are productively extended to novel wug verbs, and the extent to which verb class membership can differentially modulate the preference for short-forms. Experiment 1 tests four major classes of verbs, and Experiment 2 presents a follow-up specifically within the class of psych-verbs. 4.1 Experiment 1: verbal classes vs. preference for shortform participles In this experiment we tested participles formed based in verbs from four lexical semantic structure classes: inherent and non-inherent unaccusatives (9a,b), non-alternating transitives (10), ditransitives (11) and psych verbs (12). 3 3 For a detailed description of these classes, see Levin (1993). 236

237 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues (9) a. As crianças chegaram atrasadas the children arrived late The children arrived late b. O vaso quebrou the vase broke The vase broke (10) As mulheres esfregaram as roupas the women scrubbed the clothes The women scrubbed the clothes (11) Os ricos doaram computadores aos órfãos the rich-pl donated computers to.the orphans The rich people donated computers to the orphans (12) A peça comoveu o público The play moved the audience The play moved the audience This brings us directly to the hypothesis under evaluation in (13): (13) Verbs with less argument structure will display a stronger preference for short-form participles. This hypothesis predicts then that unaccusative verbs, which have arguably less lexical structure than transitive, ditransitives and psych verbs Chomsky (1995), Hale & Keyser (1993) will be more prone to realization via short-form participles, in accordance with the speakers intuitions presented in (8). 237

238 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Material, design and participants The use of wugs was necessary to avoid the interference of nonrelated variables, such as token frequency, and the entrenchedness or diachronic frozenness of particular forms. In addition, as sometimes BP speakers are too aware of right vs. wrong in terms of traditional grammar and at times they can be quite sensitive to wrong participle forms, we opted for using wugs in order to minimize these issues. We did not look for contextual allomorphs, such eleger/eleito to elect (inf./participle), i.e. short-form participles with distinct stem allomorphs, as we concentrated on testing the role of argument structure (L-syntax, in Hale & Keyser s, 1993) terms) in defining short-form and longform participles differing only in the presence/absence of the thematic vowel and the d- morpheme, such as chego/chegado arrived (short.form/ long.form). Participants were exposed to 24 wug forms: 6 wugs for each argument structure class. The wugs were also equally distributed in the three verbal conjugation paradigms, with two wugs per conjugation. This is illustrated below: Table 2: Wugs for transitive verbs. 1 st Conjugation 2 nd Conjugation 3 rd Conjugation pandar biver gutir lasar lufer labir The wugs were created taking into consideration the phonotactics of BP. They all had two syllables, and they were created so as to minimize resemblance with existing verbs of BP from the same verb class. A full list of stimuli is included in Appendix 1. Filler trials, 30 in total, were also wugs and involved unrelated morphophonological alternations such as the diminutive inho and 238

239 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues -zinho, nominalizations with -ção vs. -mento, and other nominally-based productivity-related alternations. The target items, as well as the fillers, were presented in frames, which were intended to be transparent with respect to the argument structure of the artificial form. As exemplified below, the frames were constructed such that the infinitive (e.g. pandar) was presented in the first clause, and the 1sg.ind (e.g. pando) in a later clause. It is not possible to test inherent unaccusatives in a passive context. Thus, we elicited the participle forms using the analytic perfect in combination with the auxiliary ter. The wellformedness of the short-form vs. long-form participles were judged by speakers using a scale from one to five, and their appearance (shown first vs. shown last) was equally counterbalanced within the experiment. (14) Frame for a transitive verb Eu acho que pandar a casa todos os dias é importante para manter tudo limpo. Eu pando a minha casa bem, mas minha mãe, que é mineira, tem um capricho incrível e panda muito bem. No ano novo, depois que ela tinha (pando/pandado) toda a casa, ficou um cheiro delicioso. I think that to pandar the house every day is important in order to keep everything clean. I pando my house very well, but my mom, who is from Minas, has an incredible knack and panda very well. On New Year s Eve, after she had (pando/pandado) the house, it smelled wonderful. (15) Frame for a ditransitive verb Malir dinheiro para familiares é muito perigoso. Eu nunca malo grana para ninguém, mas o Fernando vai ficar na miséria. Ele male toda a grana que ele tem para os primos. Se eu fosse ele, eu não teria 239

240 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure (malido/malo) 40,000 Reais para aquele primo esquisito dele que mora na Alemanha. To malir money to relatives can be dangerous. I never malo funds to anyone, but poor Fernando might end up penniless. He males all his money to his cousins. If I were him, I wouldn t have (malido/malo) 40,000 bucks to that weird cousin of his living in Germany. In examples such as (14-15), the scale 1-5 was used to indicate relative preference for the form on the left (1 indicating absolute preference for the form on the left; 5 indicating absolute preference for the form on the right; 3 indicating equal preference, and 2 and 4 indicating stronger but not absolute preference for one of the forms). All participants saw all items and fillers, presented in randomized order. The experiment was conducted with the research platform online pesquisa (https://www.onlinepesquisa.com), and took around 10 minutes to be completed. 186 participants logged in; however, only 98 of them completed the experiment. We did not control for social variance among the participants (e.g. age, educational background and native dialect). While these variables may play a role in defining past participle forms, there is no reason to think that such factors would specifically interact with the independent variables of interest, namely these four classes of verbs. While one particular speaker may overall favor short-form participles more than another speaker, nothing in their extralinguistic demographics per se should cause such a preference to emerge more in some verb classes than in others. 240

241 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues Results The results (n=98) were statistically analyzed using the open-source software R. The analysis conducted, in a within-subjects design, tested the effects of type of argument structure on short vs. long participle forms. The graphic in Figure 1 crosses the types of argument structure considered in Experiment 1 with the relative preference for shortform participles, where a higher rating indicates a greater tolerance for short-form participles. Pairwise comparisons were conducted with two-tailed paired t-tests between each comparison of interest. As shown, unaccusatives have a statistically significant preference for short participle forms when compared with transitives, ditransitive and psych verbs. The comparison between transitives and ditransitives resulted in no significant difference for short forms. In turn, psych-verbs displayed a statistically significant dispreference for short forms, and differed from unaccusatives, transitives and ditransitives. Figure 1: Experiment 1 results with means by verb class (n=98), on a scale of 1 to 5, where higher numbers represent a greater preference for the athematic participle (e.g. pando) as opposed to the long-form (e.g. pandado). Comparisons among means are represented by p-values or by n.s. (not significant). 241

242 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Discussion These results demonstrate a clear sensitivity to syntactic aspects of the lexical structure of the verbs from which participles are formed. Speakers pay attention to phrasal aspects of the verb in question in determining whether a theme vowel and the d- of the corresponding participle form are omissible or not. A straightforward interpretation of these facts emerges rather easily, once the literature on the verbal classes is considered. Specifically, under the hypothesis that unaccusatives have no little v, (di)transitives have a little v, and psych verbs little v plus Causer (e.g. Pesetsky 1995), the ranking of the three levels of omissibility in short-forms directly corresponds to the amount of structure: those verbs with the least amount of heads tolerate short-forms the most, while those with a richer structure prefer to expone it using the long form. Suppressability of -d- thus corresponds to amount of structure, and this parallels a great deal of existing work on the way that morphological marking reflects additional syntactic structure building, in a way potentially related to the Monotonicity Hypothesis of Koontz-Garboden (2008). 4 4 Koontz-Garboden s hypothesis asserts that word formation operations do not remove operators from lexical semantic representations. This makes the prediction that a verb of non-causative changes of state (e.g. unaccusatives) cannot be derived from a verb of causative changes of state (e.g. transitive), because that would involve a morphological operation to delete the cause operator from the lexical representation of the verb. This is indeed visible in Quechua, where less morphology is equal to intransitivization and more is equal to transitivization: (i) hatun-ya hatun-ya-chi enlarge-intrs enlarge-trans At first sight, this correspondence seems not to be true universally, as examples from other languages (e.g. Pima, Spanish) suggest the opposite. Koontz-Garboden presents, however, a series of evidence that in these languages the causer operator is not deleted from the lexical conceptual structure of the verb in its intransitive version. Our research on athematic participles goes in the same basic direction, showing that, similarly to the data in (i), the short vs. long forms of past participles in Portuguese suggest differences in argument structure. Under the assumption that lexical semantic representations are mapped onto syntactic structure (e.g. Hale and Keyser, 1993), one can entertain the hypothesis that less syntactic structure requires less morphology. 242

243 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues The relevance of structure may not be limited to simply counting the number of arguments (although this works surprisingly well); in addition, event-structural properties of the verbs (as diagnosed by the relative admissibility of telic-oriented adverbs such as in two hours and get-passives) pair along with the well-formedness of short-form passives in the set below. (16) Unaccusatives a. The vase broke *for/in two hours b. The vase got broken (17) Transitives a. John cleaned the house in/for two hours b. The house got cleaned (18) Ditransitives: a. John sent the document to Mary in/?for two hours b. The document got sent to Mary (19) Psych-verbs a. John feared the situation *in/for two hours b. *John got feared Ditransitives patterned similarly to transitives in BP, as shown in Figure 1. This may be related to the fact that BP ditransitives are all of the put-type (involving a direct object NP and a goal PP), and none are of the send-type (involving a double object structure with a higher goal NP) that would involve an applicative structure Marantz (1993) and thereby an additional argument-introducing functional head. With respect to psych verbs, a more fine-grained investigation seems to be necessary as different classes of psych-verbs behave different syntactically. For example, while verbs that place the experiencer in the 243

244 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure external argument position [spec, vp] (SubjExp verbs), such as fear in (19), are unable to form get-passives, verbs that maps the experiencer onto the internal argument position (ObjExp verbs), such as worry and excite, are able to do so: (20) a. I got worried with Karl s decision b. I got excited by the news In addition, while SubjExp verbs do not exhibit an intransitive alternation in terms of middle formation (21a), while ObjExp verbs do, as shown in (21b): (21) a. * The truth respects easily (cf. John respects the truth) b. Children bore easily (cf. Your story bored the children) Notice, however, that although ObjExp verbs can display a middle alternation, they are incompatible with a fully unaccusative frame (22). This might be related to the fact that ObjExp verbs must project an extra layer of argument structure, which is related to the external participant of the event - a Causer in Pesetsky s (1995) terms. ObjExps are permitted in middle structures, however, given that the latter involve a mapping of the external argument onto the syntactic structure Hoekstra & Roberts (1993), Keyser & Roeper (1992), Stroik (1992) among others. (22) a. *The children bored with your story b. * John annoyed with your behavior At any rate, although all psych verbs might display an equally complex argument structure, they do display syntactic differences. Thus, 244

245 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues it is in principle possible that they pattern differently with respect to past participle formation. In Experiment 1 we did not control for SubjExp vs. ObjExp psych verbs. Therefore, we decided to launch a second experiment to verify if there is any difference between these two classes of verbs with respect to the formation of short-form participles. 4.2 Experiment 2: Subject Experiencer vs. Object Experiencer psych verbs. Belletti & Rizzi (1998) observed the existence of three natural classes of psych verbs in Italian: temere to fear, preoccupare to worry and piacere to please. Although according to these authors, preoccupare and piacere are different structurally, 5 they have in common the fact that both of them map the experiencer onto a position within the VP domain, whereas temere maps the experiencer onto a position outside the VP domain. For that reason, verbs of the class of temere are called Subject Experiencer (SubjExp) verbs, and verbs of the class of preoccupare and piacere are called Object Experiencer (ObjExp) verbs. Having granted the Belletti & Rizzi classes of two psychverbs, we designed a second experiment to investigate the following question: (23) Do SubjExp and ObjExp psych verbs behave differently with respect to the licensing of short-form participles? Material, design and participants Similarly to Experiment 1, in Experiment 2 we used wug psych-verbs to probe participants preference for short-form participles. Suppletive participle forms (e.g. confundir/confuso confuse.inf / confused.participle ) 5 In their analysis, preoccupare maps the experiencer to the direct object position, a sister of V, receiving accusative Case. With piacere, on the other hand, the experiencer is mapped onto an adjunct position, sister of VP, being marked with dative case. 245

246 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure were not considered. There were 12 target wug forms: 6 wugs for each class of psych-verbs, equally distributed within the three verbal conjugation paradigms (2 for each conjugation). In Table 3, we include the SubjExp verbal wugs and in Table 4 the ObjExp verbal wugs that were tested. As shown, all wugs respected the phonotactic constraints of BP and they all had three syllables. Table 3: Wugs for SubjExp verbs 1 st Conjugation 2 nd Conjugation 3 rd Conjugation limadar mebuler atulir jatular sapider feradir Table 4: Wugs for ObjExp verbs 1 st Conjugation 2 nd Conjugation 3 rd Conjugation jolatar teliner valumir todomar jelider botunir Filler trials (24 in total) were also wugs involving noun formation with alternations such as the diminutive inho and -zinho, nominalizations with -ção vs. -mento, and other nominally-based productivity-related alternations. Following the design of the first experiment, all the wugs (target items and fillers) were presented in frames, which were intended to be transparent with respect to the argument structure of the artificial form. In the frames, the 1sg.pres.ind was presented first, followed by the infinitive form, then by the 1sg.past.ind. This repetition of the 1sg was intended to make the counter-hypothesis (i.e. short forms are formed 246

247 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues based on 1sg autonomous morphology) stronger. The participle forms were elicited in the context of 3sg perfect tense in combination with the auxiliary. The judgments about short vs. long form were elicited using a scale from one to five along the lines described above for Experiment 1, and the appearance of the short-form (shown first vs. shown last) was equally counterbalanced within the experiment. (24) Frame for a SubjExp verbal wug Eu mebulo muitíssimo meu filho. Acho que mebuler um filho é inerente a todas as mães. Mas eu sempre fui assim, pois eu mebuli muito meus pais também. Mas minha irmã era bem diferente de mim. Eu acho que ela nunca tinha (mebulido/mebulo) ninguém antes de ter tido um filho. I really mebulo my son. I think that to mebular a child is inherent to all mothers. But I was always like this, as I mebuled my parents a lot as well. My sister was very different from me. I think she had never (mebulido/mebulo) anyone before having a child. (25) Frame for an ObjExp verbal wug Eu nunca jolato alguém da minha família com meus próprios problemas. Jolatar alguém com seus problemas não é legal. Outro dia, eu vi que eu jolatei meu pai falando das minhas questões emocionais e ele ficou muito triste. Isso ficou pior porque minha irmã já o tinha (jolatado/jolato) com o mesmo tipo de problema. I never jolato members of my family with my own problems. To jolatar someone with your problems is not right. The other day, I noticed that I jolated my father by talking about my emotional issues and he got really sad. This is even worse because my sister had already (jolatado/jolato) him with the same type of problem. 247

248 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure A complete list of the frames presented in Experiment 2 is included in Appendix 2, with the accompanying extant psych-verbs presented along side the intended frame/wug combination. The experiment was again conducted with the research platform online pesquisa (https://www. onlinepesquisa.com), and it took around 10 minutes to be completed. 52 participants logged in, but only 36 completed the experiment. All participants saw all items, with a randomized order of presentation Results The results (n=36) were statistically analyzed using the open-source software R. In a within-subjects design, we tested the effects of type of argument structure (SubjExp vs ObjExp) on short vs. long participle forms. As shown in Figure 2 and measured by a two-tailed paired t-test, there was no statistical significance difference between the classes of psych-verbs with respect to preference for short participle forms. Figure 2: Experiment 2 results with means by verb class (n=36), on a scale of 1 to 5, where higher numbers represent a greater preference for the athematic participle (e.g. pando) as opposed to the long-form (e.g. pandado). The difference between Subject Experiencer verbs (left) and Object Experiencer verbs (right) was not significant. 248

249 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues Discussion The result suggests that speakers do not consider the difference in argument structure between SubjExp and ObjExp while computing past participle forms. These results are expected if the argument structure of both SubjExp and ObjExp involves an extra head responsible for projection of the external argument, as proposed by Pesetsky (1995). That is, both types of verbs possess a heavy lexical structure, in which the VP layer is dominated by another argument taking head. Therefore, the results are in accordance with our initial hypothesis. There is, however, an issue that has to be considered. First, it is unclear that every sentence designed to contain a wug psych-verb indeed receives a psych interpretation. Arad (1998) has argued that a sentence containing one of Belletti & Rizzi s ObjExp psych verbs can receive two different readings: agentive and stative. The agentive reading, she argues, does not deliver a psych-reading, and only stative readings are truly psychological readings. All the syntactic properties attributed by Belletti & Rizzi to ObjExp psych-verbs are observed in stative readings, but not in agentive readings, which behave syntactically like regular transitive agentive predicates. From Arad s argumentation, we can thus conclude that psych-verbs are better tested using stative predicates. This was not controlled in the experiments we conducted. A priori it might be then that Belletti & Rizzi s dual classification of psych-verbs is not fine grained enough for the purpose of our current investigation. In fact, the inner aspect of the event described by the verb (state vs. event) might emerge as an important issue to be considered in general, as it seems that habitual readings favor short participles. For example, according to some speakers intuitions, in the examples below, the habitually-framed sentence (a) sounds a bit better than episodic sentence (b): 249

250 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure (26) a. Eu tenho chego atrasada todos os dias I have arrived late all the days I have arrived late every day b. % Eu tinha chego atrasada na festa I had arrived late in.the party I had arrived late at the party Thus internal as well as external aspect might play a role in defining the past participle forms of the verb. This should inform all future work on this topic. For now, let us emphasize that our current results show that given Belletti and Rizzi s categorization of psych-verbs, there is no significant difference between Subject Experiencer and Object Experiencer verbs with respect to their preference for short past participle forms. Given that the same methodology, employed in Experiments 1 and 2, was sensitive enough to detect differences in the former, we contend that the null result in the latter may stem from either a ceiling effect whereby both SubjExp and ObjExp verbs, despite their differences, are both too syntactically heavy to tolerate short-form participles, or may indeed result from too coarse-grained a classification of these verb types, whereby factors such as stativeness and habitualness were not sufficiently controlled within the frames to render the ObjExp verbs truly distinct. 5 General conclusion The present results point to the fact that morphological realization can make reference to the amount of hierarchical syntactic structure underlying it (pace models such as Anderson, 1992). In sum, suppression of the theme vowel and -d- in the short-form participles is not simply a morphomic generalization based on analogical reasoning 250

251 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues stemming from Latin t-stems (acendido/aceso). Instead, speakers reliably show tolerance for short-forms when they correspond to smaller amounts of argument structure. While the growing emergence of these innovative participles in BP may be the result of the complex diglossic situation of hypercorrection and metalinguistic awareness of correct short forms in the suppletive cases, our central point in this paper is to show that reference to morphology by itself is not enough to explain the effects of independent variables (verb classes, as defined by argument structure and event structure) on the dependent variables, namely the acceptability of athematic participles. The sporadic omission of the theme vowel and d- found in BP (and rarely found to this productive extent in other Romance languages) certainly may result from social and educational factors, but the differential modulation of their application by verb classes implicates a undeniable role for the syntax. Appendix 1: Stimuli for Experiment 1 Transitivos 1) Eu acho que pandar a casa todos os dias é importante para manter tudo limpo. Eu pando a minha casa bem, mas minha mãe, que é mineira, tem um capricho incrível e panda muito bem. No ano novo, depois que ela tinha (pando/pandado) toda a casa, ficou um cheiro delicioso por todos os lados. 2) Lasar livros no prazo é muito difícil. Eu nunca laso os meus livros no prazo. Então, eu sempre pago multas. Meus amigos lasam seus livros sempre no prazo, mas esse semestre, eles têm (lasado/laso) livros com atrasado e estão pagando multa. 251

252 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure 3) Biver o cabelo para festas deixa muitas mulheres mais bonitas. Quando eu bivo meu cabelo com arranjos de flores, chamo muita atenção. Minha irmã bive o cabelo toda semana. Por exemplo, na festa de sábado ela tinha (bivo/bivido) o cabelo dela na sexta. 4) Lufer as plantas do jardim pode ser uma tarefa muito agradável. Todo dia, eu lufo minhas plantas. Quando não tenho tempo, meus filhos lufam elas para mim. E eles adoram fazer isso. Ontem a tarde, eles já tinham (lufido/lufo) as rosas e as samambaias quando eu cheguei em casa. 5) O meu irmão sempre inventa de gutir o quarto dele de noite. Eu nunca guto as minhas coisas a noite. Sempre faço isso durante o dia. Mas ele guta o quarto dele até de madrugada. Ontem a noite, ele fez muito barulho e, só depois que ele tinha (guto/gutido) todo o guarda-roupa, foi que minha mãe pediu para ele parar. 6) Atualmente, as crianças adoram labir os brinquedos. Eu nunca labo os meus, mas minha irmã labe todos. Não importa se o brinquedo é dela ou não. Ontem depois que ela tinha (labido/labo) a boneca da minha prima, foi que ela se deu conta de que a boneca não era dela. 252

253 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues Bitransitivos 1) Bilar alguma coisa para alguém é algo que me dá muito prazer. Eu sempre bilo dinheiro para mendigos. Minha mãe não bila nada para ninguém. Semana passada, ela me deu uma bronca porque eu tinha (bilo/bilada) os 100 Reais para uma criança de rua. 2) Sular uma língua estrangeira para uma criança é um avanço na educação dela. Eu sulo inglês para meu filho. As minhas irmãs também sulam inglês para os filhos delas. Minha irmã mais velha já tinha (sulado/sulo) francês para a filha dela antes. 3) Caper uma carta para alguém distante é muito divertido. Eu capo cartas para meus amigos na França. Meu pai cape uma carta para a minha irmã que mora na Holanda de vez em quando. Nos últimos tempos, ele tem (capo/capido) uma carta para ela toda semana. 4) Noder palavrões para a Maria sem necessidade foi um ato cruel do João. Eu nunca nodo coisas pesadas para ninguém. Minhas amigas nodem coisas terríveis para os namorados delas. Outro dia, a Matilde tinha (nodido/nodo) uns palavrões para o namorado dela e ele se chateou. 5) Asir algo para alguém pode ser um problema. Por isso, eu não aso as minhas coisas para ninguém. Minha irmã ase tudo para as amigas. Um dia desses, ela já tinha (aso/asido) um livro para uma amiga, quando se lembrou que iria precisar dele na escola. 253

254 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure 6) Malir dinheiro para familiares é muito perigoso. Eu nunca malo grana para ninguém, mas o Fernando vai ficar na miséria. Ele male toda a grana que ele tem para os primos. Se eu fosse ele, eu tinha (malido/malo) Reais para aquele primo esquisito dele que mora na Alemanha. Inacusativos 1) Dupar uma peça que a gente gosta dá muita tristeza, mas acontece quando a gente muda de casa. Toda vez que eu mudo, eu dupo alguma coisa. O fato é que cristal dupa muito fácil. As peças de cristal que eu tinha (dupo/dupado) na mudança anterior foram todas para o lixo. 2) Fompar roupas é fácil nos dias de hoje, já que temos muitos produtos para isso. Quase todos os dias eu frompo roupas de festa aqui na lavanderia. Essas roupas de hoje frompam super fácil. Acho que ontem na hora de ir embora, eu já tinha (fompado/fompo) uns 10 ternos. 3) Sager um bolo pode acontecer se você não sabe em qual temperatura colocar o forno. Eu sago muito bolo aqui em casa porque meu forno está desregulado, mas também porque esses bolos de caixinha sagem fácil. Ultimamente, eu tenho (sago/sagido) um bolo por semana. 4) Feser um cachorro é um prazer na vida de uma pessoa velha. Eu feso o meu vira-lata todas as tardes. Ele adora sair de casa. Mas, meu puddle fese muito fácil porque ele é um cachorrinho muito bonzinho. Ontem, eu já tinha (fesado/feso) ele de manhã antes de vir para a aula de italiano. 254

255 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues 5) Lomir feijão pode dar um trabalhão, mas todos os dias eu lomo feijão aqui em casa. Feijão roxinho lome mais rápido se você deixá-lo de molho na água antes. Meus filhos adoram feijão. Ontem, minha filha queria saber se eu tinha (lomo/ lomido) feijão para o jantar. 6) Satir tapetes é o que eu mais gosto de fazer. Todo dia eu sato os tapetes da minha sala. Meu tapete persa é ótimo porque ele sate fácil e não fica todo torto. Sexta-feira passada às oito da manhã, eu já tinha (satido/sato) todos os tapetes da casa inteira. Verbos Psicológicos 1) Femar as tradições de um povo é uma prova de educação. Eu, como boa gaúcha, femo as tradições do meu rio grande. A minha família também fama as nossas tradições. Nos últimos anos, eu também tenho (femado/femo) as tradições de outros estados. 2) Legar o povo parece ser a meta do governo. Eu, por exemplo, me lego muito com a falta de emprego. Mas a inflação também lega a gente. No inicio desse ano tivemos esses protestos todos, mas se não fosse o controle do povo, o governo já tinha (lego/legado) a gente muito mais. 3) Depois que conheci o Ricardo só sei o jeser. Eu o jeso pelo seu jeito gentil e pela capacidade que ele tem de me entender. Acho que ele também me jese pela mesma razão. Eu já tinha (jeso/jesado) o Ricardo desde aquele dia em que ele não nos deixou pagar a conta do restaurante. 255

256 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure 4) Gurer crianças é uma covardia. Eu não guro meu filho, mas minha mãe gure todos os netos dela. Antes de deles irem dormir ela conta estória de mula sem cabeça e assombração para todos ele. Nos Estados Unidos, uma senhora que tinha (guro/gurado) o filho foi preso. 5) Olir pessoas doentes deve ser a prioridade de todos os médicos. Eu tenho muita paciência e por isso olo os meus pacientes. A médica que trabalha comigo não ole ninguém. Outro dia ela me perguntou porque eu tinha (olido/olo) uma das minhas pacientes. 6) Bojar-se com a morte é besteira. Eu na verdade não me bujo com muita coisa. Sou meio aventureira. Minha irmã se boje com tudo. Semana passada ela foi para o México e teve de tomar calmante. Acho que ela tinha se (bojo/bojado) muito com a preparação para a viagem. Appendix 2: Stimuli for Experiment 2 ObjExp 1) Eu nunca jolato alguém da minha família com meus próprios problemas. Jolatar alguém com seus problemas não é legal. Outro dia, eu vi que eu jolatei meu pai falando das minhas questões emocionais e ele ficou muito triste. Isso ficou pior porque minha irmã já o tinha (jolatado/jolato) com o mesmo tipo de problema. 256

257 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues 2) Eu não todomo os meus netos com estórias de terror. Todomar crianças pode criar problemas psicológicos sérios. Eu todomei o filho mais velho com uma estória de assombração e hoje ele até hoje morre de medo de ficar sozinho. Quando eu vi o problema já era tarde demais. A estória já tinha (todomo/todomado) o pobrezinho. 3) Eu acho que eu telino a minha mãe com minha falta de perspectiva para o futuro. Teliner pessoas da família com esse tipo de problema é muito ruim. O fato de eu não ter encontrado um emprego no ano passado telinou muito o meu irmão também. Até eu aprender a conviver com essa tipo de situação, isso já tinha me (telinido/telino) demais também. 4) Eu jelido meus amigos sempre que eu posso. Saber jelider as pessoas é essencial no mundo de hoje. No meu último emprego, eu jelidi meu chefe o tempo inteiro com presentes e afagos, e ele me tinha em grande estima. O meu marido é muito esperto, ele tinha me (jelido/ jelidido) antes mesmo de eu decidir namorar com ele. 5) Eu sou um bom líder do time porque eu sempre valumo os meus colegas. Se estamos perdendo uma partida, eu começo a valumir a equipe. Na nossa partida contra a Alemanha, eu sai do banco de reserva eu valumi os que estavam em campo. Antes disso, O Felipão tinha (valumido/ valumo) todos nós no vestiário. 257

258 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure 6) Como um bom psicólogo, eu botuno as pessoas. Sempre que chegam muito nervosos no consultório, eu começo a botunir meus pacientes. Outro dia eu botuni uma senhora que estava muito preocupada com a saúde do marido. A minha colega de trabalho também é boa nisso. Foi ela quem me ensinou, pois ela tinha (botuno/botunido) e curado uma paciente com uma forte crise de pânico. SubjExp 1) Eu limado muito a minha professora de inglês porque ela sabe muito, mas é muito modesta. Limadar uma pessoa como ela não é difícil. Eu a limadei assim que a conheci. O ano passado uma colega minha a tinha (limadado/limado) pelo carinho com que ela nos trata. 2) Eu jatulo os meus pais, meus irmãos e todas as pessoas que gosto. Jatular o outro é essencial para a gente viver bem em comunidade. Eu sempre jatulei todas as pessoas que eu amo ou que trabalham comigo. A minha melhor amiga também é assim. Eu acho que ela tinha (jatulo/jatulado) o nosso chefe mesmo antes de conhecê-lo 3) Eu mebulo muitíssimo meu filho. Acho que mebuler um filho é inerente a todas as mães. Mas eu sempre fui assim, pois eu mebuli muito meus pais também. Mas minha irmã era bem diferente de mim. Eu acho que ela nunca tinha (mebulido/ mebulo) ninguém antes de ter tido um filho. 258

259 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues 4) Ultimamente eu sadipo jiló. Sapider algum tipo de comida é muito comum. Na infância, eu sadipi doce de leite. Nunca mais comi esse tipo de doce. Mas todo mundo é assim com jiló. Minha irmã mais nova me disse que nunca tinha (sadipo/ sadipido) nenhuma comida, só jiló. 5) Eu sou atulido pela minha namorada. Atulir-se com alguém hoje em dia é tão difícil porque as pessoas estão muito egoístas e fechadas. Mas eu me atuli por ela assim que eu a conheci. Com ela foi diferente. Ela não tinha se (atulido/ atulo) por mim antes de a gente se casar. 6) Eu ferado que a Dilma não seja eleita. Feradir a situação política do Brasil é algo comum desde sempre. Na época da eleição do Lula, eu feradi que algo errado fosse acontecer. Meu pai me contou, que na época da eleição para diretas já, a população do Brasil inteira tinha (ferado/feradido) um novo golpe dos militares. References Anderson, Stephen. A-morphous morphology. Cambridge, UK: Cambridge University Press Arad, Maya. VP structure and the syntax-lexicon interface. PhD thesis, UCL Aronoff, Mark. Morphology by itself: stems and inflectional classes. Cambridge, Mass. The MIT Press

260 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Bachrach, Asaf & Nevins, Andrew (eds). Inflectional identity. Oxford University Press Belletti, Adriana & Rizzi, Luigi. Psych-verbs and theta-theory. Natural Language & Linguistic Theory, 6(3), Bobaljik, John. Universals in comparative morphology. Cambridge, MA: MIT Press Boechat, Alessandro de Medeiros. Traços morfossintáticos e subespecificação morfológica na gramática do Português: um estudo das formas participiais. Tese de doutorado, UFRJ, Brazil Calabrese, Andrea. Locality effects in Italian verbal morphology. Presented at CISCL, University of Siena, Adriana Belletti s Internet Celebration Chagas, Paulo. Athematic participles in Brazilian Portuguese: a syncretism in the making. Acta Linguistica Hungarica 54: Chomsky, Noam. The minimalist program. Cambridge, MA: The MIT Press Embick, David. Localism versus globalism in morphology and phonology. Cambridge, MA: The MIT Press Embick, David. On the structure of resultative participles in English. Linguistic Inquiry 35: Hale, Ken and Keyser, Samuel Jay. On argument structure and the lexical expression of syntactic relations. In: Ken Hale & Samuel Jay Keyser (eds.) The View from Building 20. Cambridge, MA: The MIT Press

261 Andrew Nevins e Cilene Rodrigues Halle, Morris & Marantz, Alec. Distributed morphology and the pieces of inflection. In: Ken Hale & Samuel Jay Keyser (eds.) The view from building 20. Cambridge, MA: The MIT Press Harley, Heidi & Noyer, Rolf. Formal versus encyclopedic properties of vocabulary: evidence from nominalizations. In Peters B. (ed.) The lexicon-encyclopedia interface. Amsterdam: Elsevier Hoekstra, Teun & Roberts, Ian. Middle constructions in Dutch and English. In E. Reuland & W. Abraham (eds.) Knowledge and Language II. Dordrecht, Kluwer Keyser, Samuel Jay. & Roeper, Tom. Re: the abstract clitic hypothesis. Linguistic Inquiry 23: Koontz-Garboden, Andrew. Monotonicity at the lexical semantics-morphosyntax interface. In Emily Elfner and Martin Walkow (eds.), Proceedings of the 37th annual meeting of the Northeast Linguistic Society, Volume 2. Amherst, MA: GLSA. pp Kroch, Anthony. Morphosyntactic variation. In K. Beals et al. (eds) Papers from the 30 th regional meeting of the Chicago Linguistics Society. Parasession on variation and linguistic theory Levin, Beth. English verb classes and alternations. Chicago: The University of Chicago Press Lobato, Lucia. Sobre a forma do particípio do Português e o estatuto dos Traços formais. DELTA Maiden, Martin. Morphological autonomy and diachrony. In Yearbook of Morphology

262 Athematic Participle Choice is Predicted by Argument Structure Maiden, Martin. The Latin third stem and its Romance descendants. Diachronica 30.4: Marantz, Alec. Implications of asymmetries in double object constructions. In Sam Mchombo (ed) Theoretical aspects of Bantu grammar. Stanford, CA: CSLI Publications, Nevins, Andrew and Rodrigues, Cilene. Naturalness biases, morphomes, and the Romance first person singular. The Proceedings of the IX Formal Workshop on Formal Linguistics. UFRJ, Brazil Pesetsky, David. Zero syntax. Cambridge, MA: MIT Press Rodrigues, Cilene. (Brazilian) Portuguese past participle forms. Paper presented at the MIT Linguistics Department Pires, Acrísio. As formas V-Do em Português do Brasil: características sintáticas e semânticas. MA thesis, UnB, Brazil Scher, Ana Paula et al. Voice (a)symmetries and innovative participles in Brazilian Portuguese. Cadernos de Estudos Lingüísticos 56.1: Stroik, Thomas. Middles and movement. Linguistic Inquiry 23: Tucker, Emily. Multiple allomorphs in the formation of the Italian agentive. Masters thesis, UCLA

263 Decomposição e recomposição no processamento lexical: uma revisão dos estágios do reconhecimento visual de palavras complexas 1 Daniela Cid de Garcia Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Resumo Estudos sobre o reconhecimento visual de palavras têm mostrado resultados convergentes para um estágio de decomposição inicial equivalente para palavras transparentes (SAILBOAT) e opacas (BOOTLEG). Considerando que tanto palavras transparentes quanto opacas são deocompostas, deve haver um estágio posterior de recomposição que daria conta da diferença entre os mecanismos de ativação do sentido de SAILBOAT e de BOOTLEG. Este estudo tem como objetivo apresentar o estado da arte com relação ao processamento de palavras, destacando os estágios até agora identificados que precedem e que seguem o acesso lexical e apontando o papel crucial dos morfemas nesse processo. Abstract Studies of word recognition show convergent evidence for an indistinguishable initial decomposition stage for transparent (SAILBOAT) and opaque (BOOTLEG) words, as predicted by full-decomposition models. Considering that both transparent and opaque words are decomposed, there should be a later stage of recomposition that would account for the difference between the meaning retrieval mechanisms of SAILBOAT and BOOTLEG. This study aims at presenting the state of the art concerning word processing, highlighting the stages that precede and follow lexical access, as well as the crucial role of morphemes in the process. 1 Este artigo resume uma parte da tese de doutorado da autora (Programa de Pós-graduação em Linguística da UFRJ/apoio CAPES e Comissão Fulbright, sob orientação de Aniela França e Marcus Maia). O experimento reportado (GARCIA, 2013) foi realizado no Laboratório de Neurolinguística da Universidade de Nova York, em parceria com Teon Brooks, e teve a supervisão de Liina Pylkkanen e Alec Marantz. Revista da ABRALIN, v.13, n.1, p , jul./dez. 2014

264 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Palavras-chave morfologia, composicionalidade semântica, acesso lexical, MEG Keywords morphology, semantic compositionality, lexical access, MEG O papel da morfologia no processamento de palavras Entender o papel dos morfemas na arquitetura e no processamento da linguagem é um desafio relevante tanto para a linguística teórica quanto para a Psicolinguística. No escopo da teoria da Gramática Gerativa, ela se traduz primeiro em definir quais são os átomos memorizados que entram na numeração para então serem operados pela sintaxe. Para suas vertentes lexicalistas que incluem a versão mais recente da Gramática Gerativa, o Minimalismo (CHOMSKY, 1995), as palavras estão armazenadas em sua forma plena no léxico e a computação se dá, portanto, no nível supralexical. Há, por outro lado, propostas não-lexicalistas, que argumentam que a noção intuitiva de palavra não corresponde necessariamente às unidades mentais das operações linguísticas, uma vez que não parece se justificar um domínio especial de associação entre som e sentido no nível lexical (MARANTZ, 1997a; 1997b). A proposta não-lexicalista da Morfologia Distribuída (HALLE & MARANTZ, 1993; BORER, 2000; HARLEY & NOYER, 1998a; 1998b) prevê que a computação ocorra em múltiplas fases, distribuída em diferentes camadas funcionais. A sintaxe operaria, portanto, também no interior da palavra, fazendo a concatenação entre raiz e morfemas categorizadores. Dentro do escopo da Psicolinguística, estudar essas questões envolve também compreender as etapas perceptuais envolvidas no reconhecimento lexical, que devem culminar na seleção da representação 264

265 Daniela Cid de Garcia relevante para a computação linguística. Essas etapas devem variar dependendo da modalidade auditiva ou visual. Em estímulos auditivos, por exemplo, é natural que haja uma ativação incremental à medida em que os fones vão sendo percebidos no tempo. Sendo assim, deve existir um momento de composição fonética na etapa inicial do reconhecimento de uma palavra, de modo que ele envolva a ativação de várias outras palavras a partir da semelhança fonológica com cada segmento desvelado no curso da fala (cf. Modelo Cohort MARSLEN- WILSON & WELSH, 1978). À medida que cada novo som da palavra é percebido, algumas palavras são desativadas e outras, com semelhança pelo meio, são ativadas. Estímulos visuais, por sua vez, devem prescindir dessa primeira etapa composicional, considerando-se que a leitura se dê por reconhecimento paralelo das letras (DAHEANE, 2009; RAYNER & POLLATSEK, 1987). Após essa ativação inicial de nível mais baixo, a informação perceptual deve ser segmentada nas partes que servirão como as unidades mínimas da computação linguística. Determinar o tamanho e a natureza dessas unidades implica entender como o léxico mental é organizado. Estudos em processamento da linguagem têm se dedicado há pelo menos quatro décadas à investigação do papel da morfologia no reconhecimento de palavras. Inaugurados por Taft & Forster (1975), esses estudos podem ser organizados em grupos distintos, de acordo com o que cada um deles postula com relação à decomponibilidade morfológica. Os modelos decomposicionais defendem que a palavra deve ser armazenada e acessada por meio de seus constituintes mínimos, os morfemas (TAFT & FORSTER, 1975; STOCKALL & MARANTZ, 2006). Por outro lado, modelos não-decomposicionais argumentam que a palavra esteja representada e seja acessada inteira (SEIDENBERG & GONNERMAN, 2000). Modelos decomposicionais tardios postulam que a decomposição de palavras em seus constituintes pode ocorrer após o acesso lexical 265

266 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas à palavra inteira (GIRAUDO & GRAINER, 2000; MARINKOVIC, 2004). Modelos decomposicionais iniciais, por outro lado, defendem que os morfemas são acessados automaticamente logo no início do processamento da palavra complexa. Os modelos de decomposição inicial podem ainda ser divididos entre os que preveem um mecanismo de dupla rota (MARSLEN-WILSON et al., 1994; SHREUDER & BAAYEN, 1995; CARAMAZZA et al., 1998; PINKER, 2000; HAY & BAAYEN, 2005) e os que defendem a decomposição plena da palavra em morfemas durante seu reconhecimento (TAFT, 2004; STOCKALL & MARANTZ, 2006). Modelos não-decomposicionais consideram que palavras se relacionam no léxico mental por meio de conexões fonológicas e semânticas. Para esses modelos, portanto, não há um nível morfológico de representação, e efeitos de priming entre palavras relacionadas são explicados em termos de coincidência de traços fonológicos e de sentido. Essa abordagem tem sido desafiada por estudos que utilizam a técnica de priming encoberto (FORSTER, 1998) 2. Nesses estudos, palavras morfologicamente relacionadas têm efeito diferenciado de palavras com semelhança fonológica ou semântica (LONGTIN ET AL., 2003; RASTLE et al., 2004; GARCIA, 2009). Os resultados têm mais recentemente se direcionado em favor dos modelos decomposicionais (GARCIA, 2009; RASTLE et al., 2004; LONGTIN et al., 2003; ZWITSERLOOD, 1994; STOCKALL & MARANTZ, 2006; FIORENTINO & POEPPEL, 2007a). Um fator importante que parece condicionar o modo como palavras complexas são acessadas é a transparência semântica, ou seja, o quão recuperável é a relação entre o sentido dos morfemas constituintes e o sentido da palavra inteira. Palavras semanticamente transparentes como SAILBOAT (barco a vela) e TEACHER (professor) têm sua ativação 2 Nessa técnica, o prime é apresentado muito rapidamente, de modo que não seja conscientemente percebido. Sendo assim, a visualização é suficiente para ativar etapas iniciais do reconhecimento lexical, e essa ativação afeta o reconhecimento da palavra alvo. (GARCIA, 2013) 266

267 Daniela Cid de Garcia facilitada pelo sentido de seus constituintes (SAIL=vela, BOAT=barco, TEACH=ensinar). Essa facilitação parece, por outro lado, ser afetada pelo tipo de tarefa quando a relação entre os constituintes e o todo é opaca (BOOTLEG=falsificado; mas BOOT=bota e LEG=perna). Estudos com priming encoberto indicam haver um momento inicial do reconhecimento da palavra em que os constituintes são ativados, uma vez que há facilitação entre constituintes e a palavra inteira independente da transparência semântica (RASTLE et al., 2004; LONGTIN et al., 2003; GARCIA, 2009). Quando o prime é apresentado por um tempo mais longo, no entanto, essa facilitação ocorre apenas para palavras semanticamente transparentes. Isso indica a existência de uma fase no reconhecimento da palavra, anterior ao pareamento semântico, em que seriam acionadas apenas características morfo-ortográficas da palavra. Palavras como brother (irmão), que podem ser pseudo-segmentadas em uma raiz e um sufixo, seriam decompostas tanto quanto palavras como teacher, em que a segmentação é relevante para o reconhecimento. Porém, ainda que essa decomposição ocorra independentemente das entradas lexicais, existiria sensibilidade visual para fatores de nível mais elevado como o reconhecimento de morfemas, de modo que palavras como brothel (bordel) não são segmentadas. Nesse caso, ainda que uma pseudo-raiz broth- (caldo) possa ser reconhecida, o material reminiscente -el não é um sufixo existente na língua. Efeitos desse tipo se diferenciam do modelo de decomposição plena proposto originalmente por Taft & Forster (1975), o Affix Stripping, para o qual a decomposição da palavra passa primeiramente por um momento de remoção obrigatória dos afixos, anterior ao acesso lexical. Essa remoção ocorreria independentemente de o material reminiscente existir ou não. Para Taft & Forster (1975), portanto, palavras como winter (vento) seriam decompostas. Palavras como brothel, por outro lado, não seriam (GARCIA, 2013). 267

268 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Utilizando também a técnica de priming encoberto e trabalhando com palavras compostas, Shoolman & Andrews (2003), Fiorentino (2006) e Fiorentino & Poeppel (2007b) encontram resultados semelhantes aos de Rastle et al. (2004). Zwitserlood (2004) reporta efeitos de decomposição independente de transparência semântica em um teste de priming parcial não encoberto. Não houve efeito significativo para relação meramente ortográfica nesses estudos. O uso da técnica de rastreamento ocular apresenta um ganho importante por possibilitar que as medidas sejam feitas durante o processo de leitura, podendo ser útil para caracterizar diferentes estágios do processamento morfológico a partir do movimento dos olhos. Maia et al. (2007) apresentam resultados associando a técnica de rastreamento ocular com o efeito Stroop (STROOP, 1935). O estudo revela maior atividade ocular em condições com morfemas transparentes do que nas com palavras opacas e pseudo-derivadas, o que os autores interpretaram como indicativo em favor de modelos de dupla rota. Resultados nessa mesma direção foram encontrados por Andrews et al. (2004) e Juhasz et al. (2003), que obtiveram efeitos de frequência para primeira fixação (first fixation) no primeiro constituinte de palavras compostas, e também efeitos na manutenção da fixação (gaze duration) para os segundos constituintes. Esses estudos também encontraram efeitos que indicam representação no nível da palavra inteira, tanto em manutenção da fixação quanto nos tempos totais de leitura. Todos esses resultados indicam que exista representação no nível sublexical, o que não pode ser explicado por modelos não-decomposiconais. Se os resultados desses estudos mencionados acima apontam consistentemente para a existência de um estágio de decomposição inicial que parece não ser semanticamente condicionado, deve existir um momento posterior em que o sentido complexo da palavra é ativado. Essa ativação deve se dar por meio da combinação entre os sentidos dos 268

269 Daniela Cid de Garcia morfemas resultantes da decomposição inicial. Garcia (2013) teve como foco de análise exatamente esse estágio mais tardio do reconhecimento lexical. De modo a manipular esses efeitos posteriores ao acesso aos morfemas, a autora estabeleceu o Campo Medial Anterior (AMF) como medida dependente para essa atividade combinatória. O AMF é um componente de MEG que ocorre entre 350 e 450 milissegundos após o início da apresentação de um elemento crítico ligado a algum tipo de computação semântica (BEMIS & PYLKKÄNEN, 2011). O processamento lexical no tempo e no espaço 3 Investigações utilizando as técnicas de eletroencefalografia (EEG) e magnetoencefalografia (MEG) têm se mostrado convenientes como forma de mapeamento online das computações envolvidas no processamento lexical. Essas técnicas têm a vantagem de acompanhar essas computações com uma resolução temporal de milissegundos. No entanto, para que se possam formular hipóteses testáveis, é necessário que se tenha uma ideia clara de como componentes relacionados à atividade cerebral podem estar associados às computações específicas que queremos examinar. Estudos realizados recentemente com a técnica de magnetoencefalografia têm identificado alguns componentes na forma da onda obtida ao se medir a atividade eletromagnética associada ao reconhecimento visual de palavras (TARKIAINEN et al., 1999; EMBICK et al., 2001; HALGREN et al., 2002; PYLKKÄNEN et al., 2002; CORNELISSEN et al., 2003). Esses componentes estão relacionados a diferentes estágios desse processo, e são sensíveis a fatores específicos relacionados ao estímulo. De acordo com esses trabalhos, a rota para o acesso lexical aconteceria em pelo menos quatro estágios, durante 400 ms após o início da visualização da palavra. Abaixo apresentam-se os estágios relacionados à percepção visual em MEG, 3 Seção adaptada de Garcia (2013) 269

270 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas mas a sequência é qualitativamente semelhante para estímulos visuais e auditivos (SALMELIN, 2010). Esses diferentes componentes atuam de forma equivalente aos estágios do reconhecimento visual postulados por modelos de decomposição inicial. Sendo assim, eles têm se mostrado como importantes ferramentas para mapear as computações associadas a esses diferentes estágios, podendo ajudar a resolver, no tempo e no espaço, os dados conflitantes dos estudos baseados em tempos de resposta. O primeiro componente, identificado originalmente por Tarkiainen et al. (1999), ocorre em torno de ms após o início da apresentação da palavra e está associado a características visuais mais concretas, como tamanho e luminância (Type I response). Esse componente tem origem na região occipital e apresenta sensibilidade para propriedades ortográficas. Estudos mais recentes realizados por Dikker e Pylkkänen revelam ainda que pistas sintáticas e léxico-semânticas do estímulo já afetam esse componente (DIKKER & PYLKKÄNEN, 2011; DIKKER et al., 2010). Após esse estágio, há um momento em que as palavras são decompostas em seus morfemas constituintes, caracterizada pelo componente M170. Essa decomposição, que é pré-lexical e tem origem no córtex temporal inferior, ocorre entre 150 e 200 ms e é sensível a sequências de letras (Type II response TARKIAINEN et al., 1999). Estudos com ressonância magnética funcional (fmri) localizam uma região no córtex visual que estaria consistentemente implicada com a identificação de palavras, e que ficou conhecida como a Área da Forma Visual da Palavra (Visual Word Form Area VWFA). Essa área seria resultado de uma reorganização funcional associando a capacidade da leitura com restrições estruturais do sistema visual (DEHAENE et al., 2002; McCANDLISS et al., 2003; FRANÇA et al., 2013). Lewis et al. (2011) argumentam ainda que a área poderia se chamar Área da Forma Visual de Morfemas, já que, nesse estágio do reconhecimento, ocorre decomposição da palavra baseada na forma de raízes e afixos. 270

271 Daniela Cid de Garcia Essa afirmação se baseia em resultados de uma série de estudos com MEG que trouxeram uma caracterização temporal mais precisa para as propriedades identificadas nos estudos com neuroimagem sobre essa área (SALMELIN, 2007; ZWEIG & PYLKKÄNEN, 2009; SOLOMYAK & MARANTZ, 2009; 2010; LEWIS et al., 2011). Zweig & Pylkkänen (2009) comparam diretamente palavras morfologicamente complexas e simples, dialogando com a literatura de priming encoberto (LONGTIN et al., 2003; RASTLE et al., 2004), e identificam o M170 como a primeira resposta visual sensível à complexidade morfológica. Solomyak & Marantz (2009, 2010) e Lewis et al. (2011) apresentam resultados que corroboram a existência de decomposição obrigatória baseada em relações de frequência entre raízes e afixos (HAY, 2001), a partir de modulações nas amplitudes do M170. Lewis et al. (2011) encontram ainda evidências de que possa haver representação da palavra inteira já disponível nos estágios mais iniciais do reconhecimento lexical apenas para palavras cuja decomposição não é determinante para o acesso lexical, indicando que exista uma rota dupla de acesso atuando desde o início do reconhecimento da palavra. Há ainda um terceiro componente, o M250, que ocorre entre 200 e 300 ms após o início da apresentação da palavra e parece ter origem na parte posterior do hemisfério esquerdo. Não há consenso quanto às possíveis computações associadas a esse componente, mas ele parece ter relação com certas propriedades fonológicas do estímulo (PYLKKÄNEN et al., 2002). Todos esses estágios até aqui estão envolvidos com processamentos pré-lexicais, ou seja, eles antecedem o pareamento arbitrário entre forma e sentido que caracteriza o acesso lexical (HALLE & MARANTZ, 1993). Esse pareamento, por sua vez, parece ser captado por um componente mais tardio, em torno de 350 ms após a apresentação visual da palavra. Esse componente, sensível à frequência e à repetição (PYLKKÄNEN ET AL., 2002) mas não à competição entre as representações ativadas pelo estímulo, tem sido identificado como correlato do acesso lexical. 271

272 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Fiorentino & Poeppel (2007) utilizam esse componente para mapear estágios do curso temporal da decomposição em palavras compostas do inglês, manipulando as propriedades tidas como envolvidas no acesso lexical e captadas pelo M350 para comparar diretamente palavras compostas com palavras simples. Assumindo que o M350 é sensível a fatores relacionados ao acesso lexical, itens mais curtos e com maior frequência deveriam apresentar ativação mais rápida do M350 (peak latency). Sendo assim, os autores previram que, se houvesse ativação dos constituintes das palavras compostas, eles teriam latências menores do que as palavras simples maiores e menos frequentes com que foram comparadas. Como previsto, as latências do M350 associadas às palavras compostas foram mesmo menores, indicando ativação dos constituintes em estágios iniciais do reconhecimento de palavras complexas. Isso aponta para a existência de representações no nível sublexical. Aqui, é relevante observar que o componente neurofisiológico utilizado para caracterizar a decomposição não foi necessariamente o mesmo em palavras derivadas e palavras compostas. Nas palavras derivadas, essa constatação foi feita 1) comparando diretamente palavras derivadas com palavras simples (ZWEIG & PYLKKÄNEN, 2009), 2) comparando efeitos relacionados à forma visual da palavra com efeitos relacionados ao sentido (SOLOMYAK & MARANTZ, 2009), ou, ainda, 3) comparando frequências de sequências ortográficas em final de palavra com sequências correspondentes a afixos da língua (SOLOMYAK & MARANTZ, 2010). Cada tipo de manipulação teve efeitos marcados em diferentes componentes na forma da onda. Manipulações ortográficas obtiveram resposta associada ao M100, ao passo que manipulações de morfemas e de sentido obtiveram resposta associada ao M170 e ao M350, respectivamente. Em palavras compostas, a decomposição foi constatada pela ativação lexical dos constituintes, indicada pelas 272

273 Daniela Cid de Garcia latências de pico do M350 mais rápidas que as latências associadas às palavras monomorfêmicas de mesmo tamanho e frequência. Não foram encontrados efeitos no componente M170, o que indica que houve acesso ao sentido dos constituintes, e não apenas um desmembramento prélexical baseado na forma visual das raízes. Stockall & Marantz (2006) também utilizam o M350 como índice de acesso lexical (ativação da raiz) para mostrar que o reconhecimento de palavras flexionadas envolve sua decomposição em morfemas lexicais e funcionais, independente da regularidade. Resumindo, várias formas já foram usadas para verificar as etapas do reconhecimento visual de palavras. Independente da metodologia utilizada, existe um consenso sobre o fato de haver um momento do reconhecimento que envolve a ativação de constituintes. Basicamente, essa decomposição é constatada a partir de diferentes vias, utilizando diferentes metodologias. Recentemente, estudos eletrofisiológicos têm procurado localizar no tempo as etapas envolvidas no reconhecimento lexical. Em palavras derivadas, essa decomposição parece mais bem caracterizada, envolvendo uma distinção mais clara entre o momento em que as palavras são decompostas com base na forma visual dos morfemas (captada por experimentos utilizando priming encoberto e detectável pelo componente M170) e o momento posterior em que se dá o acesso à raiz, com o pareamento entre forma e sentido (detectável pelo componente M350). Levando-se em consideração os resultados desses estudos, todas as palavras que podem ser segmentadas em morfemas existentes são segmentadas (teacher ; brother ; brothel ), nos momentos mais iniciais do reconhecimento. Palavras compostas, por outro lado, não podem ser decompostas com base em uma relação entre afixos e raízes. Conforme reconhece Libben (1994), é mais difícil conceber uma heurística sistemática para 273

274 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas a segmentação de palavras compostas em seus morfemas constituintes. Por serem constituídos apenas por morfemas de classe aberta, a decomposição não pode ocorrer checando-se uma lista relativamente pequena, como no caso dos afixos. Além disso, palavras compostas possuem mais chance de serem segmentáveis em diferentes pontos, gerando múltiplos constituintes possíveis (clamprod pode ser segmentado em clamp-rod e em clam-prod cf. LIBBEN et al., 1999). De qualquer forma, é praticamente consensual, entre os estudos realizados com palavras compostas, que existe acesso aos constituintes durante o curso temporal do reconhecimento. Essa decomposição, assim como ocorre para as palavras derivadas, acontece independente da transparência semântica (ZWITSERLOOD, 1994; FIORENTINO & POEPPEL, 2007b). Ou seja, se as palavras compostas são segmentáveis, elas devem ser segmentadas (teacup ; hogwash ; penguin ). Sendo assim, se todas as palavras com alguma estrutura interna possível são decompostas (teacup, hogwash, carpet / teacher, apartment, corner), uma questão que se configura mais recentemente diz respeito a quais seriam as computações subsequentes que dariam conta da interpretação correta das palavras complexas. Entender quais são as subrotinas do processamento lexical e quando elas ocorrem no curso temporal do reconhecimento e apontar quais medidas dependentes captam essas diferentes subrotinas é um trabalho ainda em progresso, e um desafio para pesquisas sobre o acesso lexical. Pressupondo a ativação sublexical durante o processamento de palavras, Garcia (2013) examinou a atividade neuronal associada a efeitos combinatórios pós-lexicais que devem ocorrer entre os morfemas ativados, identificando um possível componente que possa ser usado para testar futuras hipóteses sobre processos combinatórios no curso do reconhecimento de palavras compostas. Como afirma Garcia (2013), 274

275 Daniela Cid de Garcia A composicionalidade em palavras ou expressões linguísticas não é sempre indiscutível. Uma questão importante para o estudo da linguagem em uma perspectiva biolinguística deve ser, portanto, que tipo de composicionalidade faz parte do inventário de operações da linguagem natural. (GARCIA, 2013) Estudos recentes têm se dedicado a isolar algumas operações combinatórias básicas. Manipulando a composicionalidade semântica em sintagmas adjetivais e em sentenças envolvendo coerção e violações semânticas, esses estudos têm encontrado atividade aumentada do AMF associada à composição de significados complexos (PYLKKÄNEN & McELREE, 2007; PYLKKÄNEN, MARTIN, McELREE & SMART, 2009; BRENNAN & PYLKKÄNEN, 2008; BRENNAN & PYLKKÄNEN, 2010; PYLKKÄNEN, OLIVERI & SMART, 2009; BEMIS & PYLKKÄNEN, 2011). Garcia (2013) se soma a essa série de trabalhos, verificando que esses mesmos efeitos podem ser reproduzidos por processos de composição semântica entre os morfemas constituintes de palavras compostas. Tomando como base Bemis e Pylkkänen (2011), em que a correlação entre o AMF e processos combinatórios foi encontrada em sintagmas adjetivais envolvendo a combinação entre um nome e um adjetivo (red boat = barco vermelho), esse mesmo tipo de efeito foi investigado por Garcia (2013) no âmbito de palavras compostas, como SAILBOAT. Como essas palavras são constituídas pela concatenação de dois morfemas lexicais, analogamente ao que ocorre com a modificação em sintagmas como red boat, consideramos que seria o tipo de estímulo mais adequado a um primeiro teste que busca encontrar esses efeitos em palavras. (GARCIA, 2013) 275

276 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Uma questão em aberto com relação ao processamento de palavras compostas é quanto a se existe um índice neurofisiológico independente para a composição entre seus morfemas constituintes. Existem estudos que apontam o papel da composição para dar conta, sobretudo, do processamento de palavras novas (SChreuder & Baayen, 1995; Gagné, 2002; JI et al., 2011). Levando-se em consideração o curso da rota visual do reconhecimento de palavras (PYLKKÄNEN & MARANTZ, 2003), é possível pensar que exista algum índice, em torno do 400 ms, que possa estar envolvido com as operações combinatórias pós-lexicais. Uma característica particular das palavras compostas é o fato de que seus dois constituintes são associados por uma relação gramatical não expressa (BISETTO & SCALISE, 2005). Por exemplo, a palavra teacup poderia ser associada à expressão cup for tea, caracterizando uma relação de subordinação entre seus constituintes. Os constituintes dos compostos podem ainda estar relacionados por uma relação de coordenação, como no caso do adjetivo bittersweet, não se esgotando nesses dois tipos as relações possíveis. Bisetto e Scalise (2005) classificam as palavras compostas como sendo de diferentes tipos, baseando-se nos tipos de relações entre seus constituintes. A classificação como endocêntricas ou exocêntricas está relacionada com o núcleo da palavra composta, isto é, com o fato de o sentido da palavra inteira ser ou não um hiperônimo do seu núcleo. Essa classificação parece ser equivalente ao que Libben (1998) chama de componencial e não-componencial, respectivamente. A classificação em subordinadas, atributivas ou coordenadas diz respeito à relação sintática entre seus constituintes. 276

277 Daniela Cid de Garcia Figura 1: Classificação das palavras compostas (BISETTO & SCALISE, 2005; p. 9) Outro fator complicador para o entendimento de como as palavras compostas são processadas é a transparência semântica. Libben (1995) propõe um modelo em que a ativação das palavras compostas é separada em três níveis: (1) o nível do estímulo, para dar conta da habilidade que temos de interpretar palavras compostas novas; (2) o nível lexical, que daria conta do fato de sabermos que palavras como strawberry (=morango) contêm o item lexical straw (=canudo), mas não o significado desse item (LIBBEN, 2005: p. 58); e (3) o nível conceptual, para dar conta do fator componencialidade. Nesse modelo, as diferenças em termos de transparência semântica são caracterizadas a partir de uma ação combinada de ligações facilitatórias e inibitórias entre o nível lexical e o nível conceptual. Considerando que palavras complexas sejam representadas e acessadas por meio de seus constituintes, as palavras compostas podem ser abordadas como sendo o resultado de uma simples concatenação entre dois elementos lexicais. No entanto, a exata relação que pode existir entre esses dois elementos é bastante variável (JACKENDOFF, 2002; DRESSLER, 2006; JAREMA, 2006; BISETTO & SCALISE, 2005). De acordo com Libben (2006), palavras compostas devem ser facilmente segmentáveis entre seus morfemas constituintes. Caso contrário, palavras compostas novas não seriam interpretáveis. 277

278 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Por outro lado, existe um domínio idiossincrático que coloca essas palavras em uma interseção entre itens lexicais e sentenças, refletindo as propriedades tanto das representações linguísticas na mente, quanto do processamento gramatical (LIBBEN, 2006) 4. Modelos eficientes de processamento lexical devem ser capazes de dar conta dessas diferenças. Ainda que as relações entre os constituintes das palavras compostas possam ser de diferentes naturezas, pode-se afirmar que as palavras compostas, em geral, são o resultado do processo de composição entre o significado de seus constituintes. Isso deve ser necessariamente verdadeiro pelo menos para palavras novas, já que elas, em princípio, não devem ter seu sentido idiossincrático representado no léxico mental. Garcia (2013) realizou um teste de nomeação em que foram comparadas palavras compostas e palavras-controle simples da língua inglesa (e.g. SAILBOAT=barco a vela vs. SPINACH=espinafre). O tarefa foi realizada enquanto se monitorava a atividade eletromagmética cortical dos participantes. Considerando que o esforço computacional é maior em palavras compostas, uma vez que envolve a combinação dos sentidos dos constituintes, a amplitude do AMF deve ser aumentada durante o reconhecimento dessas palavras, em comparação com as palavras simples. Conforme mostrado acima, outros estudos já utilizaram a técnica da magnetoencefalografia para entender os mecanismos envolvidos no reconhecimento de uma palavra. O componente M350, sensível a fatores como frequência e repetição, foi relacionado ao momento em que ocorre o acesso lexical, ou seja, em que ocorre o pareamento entre forma e sentido. Durante o reconhecimento da palavra SAILBOAT, então, ocorre a ativação da raiz SAIL e a ativação da raiz BOAT, indicadas pelo componente M350. Nesse estágio, o reconhecimento de palavras como SAILBOAT não é diferente do reconhecimento de 4 compound words are structures at the cross-roads between words and sentences reflecting both the properties of linguistic representation in the mind and grammatical processing. (LIBBEN, 2006; p. 3) 278

279 Daniela Cid de Garcia palavras como BOOTLEG. Sendo assim, ainda que em tese não exista relação semântica entre BOOT e BOOTLEG, a palavra é decomposta nos estágios mais iniciais do reconhecimento como indicado por experimentos com priming encoberto e com MEG. O que diferencia a natureza dessas duas categorias de palavras (transparentes e opacas) deve ocorrer, portanto, em algum momento de composição semântica posterior ao acesso às raízes (GARCIA, 2013). Olhado para esses momentos que seguem o acesso às raízes, o estudo aqui reportado buscou indícios da recombinação entre os morfemas ativados, que culminaria na ativação do sentido da palavra composta. A opção por palavras compostas foi feita para fins de paralelismo com o trabalho de Bemis e Pylkkänen (2011), trazendo o foco para o contexto intralexical. O processo de formação da palavra, no entanto, pode ser relevante na segmentação e recomposição do estímulo e na ativação do sentido da palavra. Por exemplo, palavras derivadas (e flexionadas), são formadas por uma raíz e por um morfema categorizador (e.g. [TEACH]ER] ou [PARK]ED]), ao passo que palavras compostas são formadas por pelo menos duas raízes (GARCIA, 2013). Considerando uma proposta não-lexicalista como a da Morfologia Distribuída (HALLE & MARANTZ, 1993), cada uma dessas raízes lexicais que pode se relacionar com a palavra inteira de forma transparente, como em SAILBOAT, ou de forma opaca, como em BOOTLEG deve ser concatenada a um morfema categorizador (e.g. [SAIL] ] N e [BOAT] ] N ), e o significado dessas duas raízes deve ainda ser combinado para formar o significado da palavra composta SAILBOAT. Essa combinação pode ser por uma relação hierárquica de subordinação (SAILBOAT [barco] [com vela]) ou por coordenação (BITTERSWEET [amargo] e [doce]). A composição pode ainda ter palavras com a mesma categoria formal, como em SAILBOAT (nomenome), ou com categorias diferentes, como em REDNECK (adjetivonome red=vermelho; neck= pescoço; redneck=caipira). 279

280 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas França et al. (2008) notam que há uma invisibilidade das computações composicionais que se estabelecem a partir do ponto da arbitrariedade saussureana (p.47), quando se utiliza a técnica de ERP. Esse trabalho compara palavras monomorfêmicas com palavras polimorfêmicas. Os resultados obtidos indicaram que, em um paradigma de priming auditivo com aferição da atividade elétrica relacionada à leitura dos alvos, a quantidade de camadas morfológicas não produz uma gradação na dificuldade de ativação da palavra. Sendo assim, a facilitação de centralização em relação a centro é equivalente à facilitação de pureza em relação a puro, havendo indicação de que o aumento das camadas morfológias não acarretaria maior custo de ativação. Por outro lado, Maia, Lemle & França (2007) reportam experimentos que investigam a decomposição morfológica na leitura de palavras isoladas, utilizando a técnica de rastreamento ocular. Esse trabalho revela maior atividade ocular (fixações e movimentos sacádicos) na leitura de palavras morfologicamente complexas, o que revelaria maior custo de processamento para palavras morfologicamente complexas. A sensibilidade do rastreador ocular para essas camadas composicionais pós-lexicais revela que há um custo de processamento para a soma das camadas funcionais após o acesso lexical. Essa composicionalidade, no entanto, deve ser de uma natureza diferente da encontrada em palavras compostas e captadas pelo AMF. Como são constituídas por morfemas livres, as palavras compostas lidam com um inventário mais aberto de possibilidades. As palavras derivadas e flexionadas, por sua vez, podem contar com uma heurística mais sistemática na computação de cada nova camada funcional (Affix Stripping: Taft & Forster, 1975). 280

281 Daniela Cid de Garcia Figura 2: Composicionalidade em palavras derivadas e compostas (In: Garcia, 2013) Estudar os diferentes níveis de complexidade lexical, assim como suas diferentes naturezas, pode contribuir com um maior entendimento sobre os mecanismos envolvidos no reconhecimento de palavras e, em maior escala, fornecer peças importantes para uma caracterização explicativa da dinâmica espaço-temporal do circuito cerebral de construção de sentido (cf. GARCIA, 2013). Referências Bemis DK., & Pylkkänen L. Simple Composition: An MEG investigation into the comprehension of minimal linguistic phrases. Journal of Neuroscience, 31(8): Bisetto A, Scalise S. Classification of compounds. Lingue e Linguaggio 2: Brennan J, Pylkkänen L. Processing Events: Behavioral and neuromagnetic correlates of aspectual coercion. Brain and Language, 106,

282 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Brennan, J.; Pylkkänen, L. Processing Psych Verbs: Behavioral and MEG Measures of Two Different Types of Semantic Complexity. Language and Cognitive Processes, 25 (6), Caramazza, A.; Shelton JR. Domain-specific knowledge systems in the brain: The animate-inanimate distinction. Journal of Cognitive Neuroscience, 10, Chomsky, N. The Minimalist Program. MIT Press Cohen, L.; Lehéricy S.; Chochon, F. et al. Language-specific tuning of visual cortex? Functional properties of the visual word form area. Brain. 125: Dehaene S. Reading in the brain. Penguin Viking, Dehaene, S.; Le Clec h, G.; Poline J. B.; LeBihan D.; Cohen, L. The visual word form area. A prelexical representation of visual words in the fusiform gyrus. NeuroReport, 13: , Embick, D., Poeppel, D. Defining the relation between linguistics and neuroscience. To appear in Twenty-first century psycholinguistics: Four cornerstones, Anne Cutler (ed.), Lawrence Erlbaum Associates Federmeier, K.D.; Kutas, M. A rose by any other name: longterm memory structure and sentence processing. J. Mem. Lang. 41, (1999) Fiorentino, R.; Poeppel, D. Compound words and structure in the lexicon. Language and Cognitive Processes, 12, Fiorentino, R. Poeppel, D. Processing of compound words: An MEG study. Brain and Language, 103, b. 282

283 Daniela Cid de Garcia Fiorentino, R. Masked morphological priming of compound constituents: Specifying the locus of morpho-orthographic segmentation effects using English compound words. Unpublished rawdata Friederici, A.; Frisch, S. Verb Argument Structure Processing: The Role of Verb-Specific and Argument-Specific Information. Journal of Memory and Language Garcia, D. C. Elementos Estruturais no Acesso Lexical: o Reconhecimento de Palavras Multimorfemicas no Português Brasileiro. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: UFRJ/Faculdade de Letras GARCIA, D. C. Efeitos composicionais no reconhecimento visual de palavras compostas em inglês: um estudo com MEG. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ/Faculdade de Letras Giraudo, H.; Grainger, J. Effects of prime word frequency and cumulative root frequency in masked morphological priming. Language and Cognitive Processes, 15, Hagoort, P.; Hald, L.; Bastiaansen, M.; Petersson, K. M. Integration of word meaning and world knowledge in language comprehension. Science. Apr 16;304(5669): Epub 2004 Mar Halle, M.; Marantz, A. Distributed morphology and the pieces of inflection. In K. Hale and S.J. Keyser, eds., The View From Building 20: Linguistic Essays in Honor of Sylvain Bromberger. Cambridge, MA: MIT Press, Hansen, P.; Kringelbach, M.; Salmelin R. MEG: An Introduction to Methods. Oxford University Press, Oxford, UK

284 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Harley, H.; Noyer, R. Mixed nominalizations, short verb movement, and object shift in English. In Proceedings of NELS 28, ed. by P.N. Tamanji & K. Kusumoto, GLSA, Amherst, b. Harley, H.; Noyer, R. Licensing in the non-lexicalist lexicon: nominalizations, vocabulary items and the Encyclopaedia. In MITWPL 32: Papers from the UPenn/MIT Roundtable on Argument Structure and Aspect, ed. Heidi Harley. MITWPL, Cambridge, Cognitive Sciences 9(7) a. Kutas, M. & Hillyard, S. A. Reading senseless sentences: Brain potentials reflect semantic incongruity. Science, 207, b. Lewis, G.; Solomyak, O. & Marantz, A. The neural basis of obligatory decomposition of suffixed words. Brain & Language, 118, Libben, G. Semantic transparency in the processing of compounds: consequences for representation, processing, and impairment. Brain and Language, 61, Likert, R. A technique for the measurement of attitudes. Archives of Psychology, Vol , 1932, 55. Longtin, Catherine-Marie; Segui, Juan; Hallé, Pierre A. Morphological priming without morphological relationship. Language and Cognitive Processes 18.3: Marantz, A. No escape from syntax: Don t try morphological analysis in the privacy of your own Lexicon. Proceedings of the 21st Annual Penn Linguistics Colloquium: Penn Working Papers in Linguistics 4: 2, ed. Alexis Dimitriadis et.al a. 284

285 Daniela Cid de Garcia Marantz, A. Stem suppletion, or the arbitrariness of the sign. Talk given at the Universite de Paris VIII. 1997b. Marinkovic, K. Spatiotemporal dynamics of word processing in the human cortex. Neuroscientist, 10, Maris, E.; Oostenveld, R. Nonparametric statistical testing of EEG- and MEG-data NICI, Biological Psychology, Radboud University Nijmegen, Nijmegen, The Netherlands F.C. Donders Center for Cognitive Neuroimaging, Radboud Universityf Nijmegen, Nijmegen, The Netherlands Marslen-Wilson WD, Welsh, A. Processing interactions and lexical access during word-recognition in continuous speech. Cognitive Psychology, 16, Marslen-Wilson, W., et al. Morphology and meaning in the English mental lexicon. Psychological Review, 101, Pinker S. Words and Rules: The Ingredients of Language. Phoenix: Harper Perennial Marr, D. Vision: A Computational Investigation into the Human Representation and Processing of Visual Information. San Francisco: Freeman Pylkkänen, L. & McElree, B. The syntax-semantic interface: On-line composition of sentence meaning. Handbook of Psycholinguistics (2nd Ed), NY: Elsevier Pylkkänen, L. & McElree, B. An MEG Study of Silent Meaning. Journal of Cognitive Neuroscience, 19,

286 Decomposição e Recomposição no Processamento Lexical: uma Revisão dos Estágios do Reconhecimento visual de palavras complexas Pylkkänen, L.; Marantz, A. Tracking the time course of word recognition with MEG. Trends in Cognitive Sciences, 7, Pylkkänen, L.; Brennan, J.; Bemis, D. K. Grounding the Cognitive Neuroscience of Semantics in Linguistic Theory. Language and Cognitive Processes Pylkkänen, L.; Martin, A. E., McElree, B.; Smart, A. The Anterior Midline Field: Coercion or Decision Making? Brain and Language, 108, Pylkkänen, L.; Oliveri, B.; Smart, A. Semantics vs. World Knowledge in Prefrontal Cortex. Language and Cognitive Processes, 24, Pylkkänen, L.; Stringfellow, A.; Marantz, A. Neuromagnetic evidence for the timing of lexical activation: An MEG component sensitive to phonotactic probability but not to neighborhood density. Brain and Language, 81, Rastle, Kathleen; Matthew Davis; Boris, New. The Broth in my Brother s Brothel: Morpho-Orthographic Segmentation in Visual Word Recognition. Psychonomic Bulletin & Review 11.6: Rayner, K.; Pollatsek, A. Eye movements in reading: A tutorial review. In M. Coltheart (Ed.), Attention and performance XII: The psychology of reading (pp ). Hillsdale, NJ: Erlbaum Schreuder, R.; Baayen, R. Modeling morphological processing. In Feldman, L. B. (ed), Morpholog- ical Aspects of Language Processing. Lawrence Erlbaum, Hillsdale, New Jersey,

287 Daniela Cid de Garcia Seidenberg, M. S.; Gonnerman, L. M. Explaining derivational morphology as the convergence of codes. Trends in Cognitive Sciences, 4, Shoolman, N.; Andrews, S. Racehorses, reindeers and sparrows: Using masked priming to investigate morphological influences on word identification. Masked priming: The state of the art. Psychology Press Solomyak, O.; Marantz, A. Lexical access in early stages of visual word processing: A single-trial correlational MEG study of heteronym recognition. Brain and Language, 108, Stockall, L.; Marantz, A A single route, full decomposition model of morphological complexity: MEG evidence. The Mental Lexicon, 1(1), Taft, M & Kenneth I. Forster. Lexical storage and retrieval of prefixed words. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior 14(6) Taft, M. Morphological decomposition and the reverse base frequency effect. The Quarterly Journal of Experimental Psychology Section A, 57, Zweig, E. & Pylkkänen, L. A visual M170 effect of morphological complexity. Language and Cognitive Processes, 24, Zwitserlood, P. The role of semantic transparency in the processing and representation of Dutch compounds. Language and Cognitive Processes, 9,

288

289 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro 1 Márcio Martins LEITÃO Universidade Federal da Paraíba (UFPB/CNPq) Rosana Costa de OLIVEIRA Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Elisângela Nogueira TEIXEIRA Universidade Federal do Ceará (UFCE) José FERRARI NETO Universidade Federal da Paraíba(UFPB) Dorothy Bezerra Silva de BRITO Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPe/UAST) Resumo Esse artigo objetiva elaborar uma revisão da literatura sobre processamento da correferência relacionada à Teoria da Ligação (Binding Theory) em Português Brasileiro (PB), tomando como ponto de partida o quadro minimalista da Teoria Gerativa, que discute o estatuto teórico dos Princípios de Ligação (Binding Principles).Especificamente, este artigo trata de questões relativas ao processamento on-line desses princípios, como o de determinar seu papel no processamento correferencial e o momento exato de sua aplicação, investigando que 1 Os autores agradecem os auxílios financeiros do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aos projetos nº / (Projeto Universal 14/2012), nº / (Projeto Universal 14/2011), nº / (Chamada 18/2012 MCTI/ CNPq/MEC/CAPES), além da bolsa de Produtividade em Pesquisa (PQ/ Processo nº /2012-6) concedida ao primeiro autor. de correspondência: Revista da ABRALIN, v.13, n.1, p , jul./dez. 2014

290 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro informações atuam em momentos iniciais e tardios do processamento. Assim, um experimento de rastreamento ocular foi conduzido, visando obter dados empíricos que aportem nova evidência sobre esse fenômeno. Abstract This article aims to review studies on coreferential processing with relation to the Binding Theory in Brazilian Portuguese, taking as starting point the minimalist framework of the Generative Theory, which discusses the theoretical status of the Binding Principles. Specifically, this paper addresses issues related to the on-line processing of these principles, such as the determination of their role in coreferential processing, and the exact moment of their application, investigating what kind of information acts in both early and late moments of processing. An eye-tracking experiment was carried out in order to gather empirical data which bring new evidence on the phenomenon. Palavras-chave Teoria da Ligação, Princípios de ligação, Correferência, Processamento, Movimentação ocular Keywords Binding theory, binding principles, co-reference, processing, eye movement Introdução Os princípios de ligação (Binding Principles CHOMSKY, 1981), na forma como são definidos e caracterizados no âmbito da Teoria Linguística Gerativa, sob o escopo da Teoria da Ligação (Binding Theory), foram especialmente propostos para explicar a gramaticalidade ou a agramaticalidade das sentenças de uma língua, no que se refere às possibilidades de interpretação de elementos referenciais. Isso significa que, levando-se em conta somente as adequações explicativa 290

291 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito e descritiva do modelo formal de língua em que os princípios se acham inseridos, é mister reconhecer sua pertinência. Entretanto, a pertinência dos princípios e sua caracterização teórica não impede o surgimento de questões a respeito da maneira como eles se inserem no uso efetivo da linguagem. Uma dessas questões é a explicitação do modo como os princípios de ligação atuam durante o momento reflexo do processamento de sentenças. Em outras palavras, trata-se da maneira como os princípios, formalmente definidos e caracterizados em termos de um modelo mental de língua, interagem com os meios físicos que subjazem ao processamento linguístico on-line e com os princípios próprios desse nível implementacional da linguagem. A evolução dos modelos formais propostos pela Teoria Linguística de orientação gerativista, em especial a partir do Modelo de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981), possibilitou a formulação de modelos de língua que permitem descrições do modo de funcionamento dos princípios de ligação no curso das computações linguísticas envolvidas na geração e compreensão de sentenças. No Modelo Minimalista (CHOMSKY, 1995), os princípios de ligação, ainda que não tenham sofrido modificações significativas em relação às formulações iniciais (CHOMSKY, 1981), suscitaram novas questões, as quais tangem, especialmente, as relações entre o modelo formal de língua e as interfaces que lhes dão suporte. Assim, no Minimalismo, uma das questões fundamentais, em relação aos princípios de ligação, foi a determinação do momento em que os princípios atuariam. Em outras palavras, tratava-se de apontar em que ponto do curso da derivação linguística formalmente definida pelo modelo teórico os princípios agiriam, licenciando a sentença ou fazendo a derivação fracassar. No modelo de Princípios e Parâmetros, foi proposto que os princípios atuariam na estrutura profunda (Deep Structure), um nível de interface entre a língua e os sistemas conceptuais-intencionais. Ferreira (2000) postula que os princípios agem após a Forma Lógica (LF Logical 291

292 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro Form), já na interface Conceptual-Intencional (C-I Interface), sendo que sua violação não acarreta bloqueio (crash) da computação linguística. Por outro lado, atualmente, no Minimalismo, sugere-se que eles se aplicam em LF (HORNSTEIN, NUNES e GROHMANN, 2005). Como se percebe, a questão do ponto exato de atuação dos princípios permanece em aberto, e novas evidências empíricas a respeito ainda estão para ser aduzidas. Pode-se dizer que as propostas traduzem a atual perspectiva linguística a respeito da ação dos princípios de ligação no curso temporal da computação linguística. Embora prevista no Minimalismo, a caracterização acima não chega a formalizar a relação entre os passos derivacionais previstos no modelo e sua implementação em sistemas de desempenho. Uma perspectiva que levasse essa relação em conta deveria descrever o papel dos princípios, ou seja, analisaria, entre outros fatores, aqueles ligados à memória de trabalho e ao custo de processamento das diferentes formas de retomada anafórica no estabelecimento das relações correferenciais no momento em que uma sentença é ouvida por um falante. A perspectiva psicolinguística, portanto, vem investigando tais fatores para se aprofundar acerca do momento e do ponto de atuação dos princípios de ligação no processamento on-line. A tendência é a de se adotar uma concepção mais procedimental da atuação destes princípios. Estudos recentes têm procurado investigar como se dá o processamento das relações correferenciais estabelecidas a partir da ação dos princípios de ligação. O traço comum a esses trabalhos é o foco dado ao momento em que os princípios de ligação atuam no processamento on-line dos elementos correferenciais. Como se vê, a perspectiva psicolinguística não desconsidera o modelo teórico no qual se apoiam os princípios de ligação, apenas busca fundamentá-lo mais em pontos relativos à memória, à recuperação de informações nela contidas e em fenômenos mais próximos do processamento real das sentenças. 292

293 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito O presente trabalho tem como objetivo justamente realizar uma revisão da literatura sobre o modo de atuação dos Princípios da Teoria da Ligação durante o processamento da correferência, em pesquisas que fizeram uso de dados do português brasileiro (PB) e de outras línguas, notadamente o inglês. Parte-se dos últimos avanços teóricos proporcionados pelo Minimalismo, que vão no sentido de rediscutir o estatuto teórico dos Princípios de Ligação, caracterizando-os como epifenômenos. Entre as abordagens daí resultantes, podem-se citar (i) a de que a distribuição de anáforas e pronomes, contrariamente ao que é afirmado em Chomsky (1986), não seria determinada pela referência, que é uma propriedade dos nominais, e sim pela reflexividade, uma propriedade de predicados (REINHART e REULAND, 1993); ou, ainda, (ii) a de que as propriedades referenciais e de ligação de elementos pronominais estão relacionadas à composição de sua estrutura interna (REINHART e REULAND, 1993; CARDINALETTI e STARKE, 1999; DÉCHAINE e WILTSCHKO, 2002; BRITO, 2009). Essas abordagens são, em seguida, confrontadas com os resultados de estudos experimentais em PB (LEITÃO, PEIXOTO e SANTOS, 2008; OLIVEIRA, LEITÃO e HENRIQUE, 2012, 2013; FERRARI-NETO, 2014), e em outras línguas, que examinaram o processamento dos Princípios de Ligação. Especificamente, este artigo trata das principais questões relativas ao processamento on-line desses princípios, quais sejam, o de determinar o seu papel no processamento sentencial e o momento exato de sua aplicação, além de investigar quais tipos de informações linguísticas atuam em momentos iniciais e tardios do processamento, utilizando-se algumas das várias formas de retomada possíveis em português. Questões relativas ao papel de componentes de interface no processamento também são consideradas, em especial a memória de trabalho. Com o objetivo de complementar a discussão com novos dados experimentais, discutem-se os resultados de um estudo de rastreamento ocular, que 293

294 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro utilizou os mesmos estímulos do estudo de Oliveira, Leitão e Henrique (2012), com o objetivo de obter a validação dos resultados por meio de outra metodologia, o que, desse modo, aporta maior rigor e robustez à análise do fenômeno em foco. O estudo de rastreamento ocular utilizou a aferição de medidas on-line e off-line, o que permite maior precisão e variedade de resultados no estabelecimento de comparações não só com os resultados encontrados em PB, mas também com os estudos sobre processamento e Teoria da Ligação, já conduzidos em outras línguas. 1 A estrutura interna das expressões nominais e os Princípios de Ligação A Teoria da Ligação (Chomsky, 1981) foi formulada com o intuito de explicar como as propriedades referenciais de anáforas, pronomes e expressões-r(eferenciais) interferem em sua distribuição em uma sentença. Esta distribuição seguiria os princípios apresentados a seguir: Princípios de Ligação (Chomsky, 1986) Princípio A. Uma anáfora deve ser ligada em seu domínio de ligação. Princípio B. Um pronome deve ser livre em seu domínio de ligação. Princípio C. Uma expressão-r deve ser livre. Por domínio de ligação entende-se o domínio sentencial, ou seja, o menor XP que contenha a expressão nominal e um T finito. Por ligado(a) entende-se correferente a um antecedente que esteja presente no domínio de ligação da expressão nominal. Quanto ao Princípio A, uma crítica que tem sido feita à Teoria da Ligação é a de que ele foi formulado levando-se em consideração línguas que têm uma distinção bipartida entre pronomes reflexivos e pronomes plenos, como o inglês, por exemplo. No entanto, existem línguas cujos 294

295 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito sistemas anafóricos contêm três ou até mesmo quatro formas distintas. Essas línguas têm reflexivos nus (bare reflexives, ou anáforas SE, como proposto em REINHART e REULAND, (1993)), além de pronomes reflexivos (anáforas SELF) e pronomes plenos. Além disso, mesmo as línguas com essa distinção bipartida em seu sistema anafórico apresentam alguns problemas para a Teoria da Ligação. Em inglês, por exemplo, tanto anáfora quanto pronome permitem a leitura correferente em contextos em que estão inseridos em um PP 2, como em (1a), ou em sintagmas adjuntos em (1b) (exemplos de REINHART e REULAND, 1993): (1) a. Max likes jokes about himself/him. b. Max saw a gun near himself/him. Reinhart e Reuland (1993) propõem uma abordagem modular para a Teoria da Ligação, com a intenção de explicar a distribuição complementar entre anáforas e pronomes e também as questões relacionadas ao que exatamente rege a distribuição de anáforas SE, anáforas SELF e pronomes. Daí a formulação da hipótese de que os Princípios A e B não são sensíveis a uma hierarquia e apenas regulam a interpretação de predicados reflexivos. Os autores afirmam que a reflexividade é uma propriedade de predicados, e propõem um sistema alternativo: Condições de ligação (REINHART; REULAND, 1993) Princípio A. Um predicado reflexivo é marcado como reflexivo. Princípio B. Um predicado marcado como reflexivo é reflexivo. A diferença nas propriedades referenciais de anáforas, pronomes e expressões referenciais é explicada na proposta de Reinhart e Reuland (1993) pela presença/ausência do traço [± R(eferencial)] 2 Prepositional phrase.o equivalente em português a sintagma preposicional. 295

296 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro nos itens lexicais. Eles definem [± R] como uma característica morfossintática que, juntamente com o traço [± marcador reflexivo], caracteriza sistemas anafóricos tipologicamente. Um item lexical é [+R] somente se ele estiver totalmente especificado para os traços-φ pessoa, número, gênero e caso. Do contrário, o item é caracterizado como [ R]. Assim, nessa proposta, pronomes são [+R] e anáforas SE são [ R], mas ambos compartilham a propriedade de não serem [+ marcador reflexivo], ou seja, ambos não reflexivizam os predicados dos quais fazem parte e assim têm de estar fora do predicado que contém seu antecedente, ou, nos termos da Teoria da Ligação, são livres no seu domínio de ligação. Anáforas SELF se comportam como marcadores reflexivos e têm de estar dentro do predicado que contém seu antecedente. Inseridas nos desenvolvimentos mais recentes da Teoria de Regência e Ligação, conhecidos como Programa Minimalista (CHOMSKY, 1995 em diante), algumas propostas discutem o estatuto de primitivos teóricos como pronomes, buscando identificar como diferenças na estrutura interna das expressões nominais implicariam em diferentes padrões de distribuição na sentença e, consequentemente, na sua submissão aos princípios de ligação A, B ou C. Em seu artigo, Cardinaletti e Starke (1999) tentam, entre outras coisas, descobrir a fonte das assimetrias que justificam a sua proposta de dividir a classe pronome em três tipos distintos, fortes, fracos e clíticos, em uma tentativa de resolver o problema de imprecisão que a noção de pronome, enquanto classe homogênea, mostra quando confrontada com dados empíricos. De acordo com os autores, os pronomes fracos e clíticos seriam formas deficientes, ou seja, eles seriam restritos, em oposição aos pronomes fortes, em relação a um grande conjunto de construções. Por outro lado, os elementos fortes e fracos fariam parte de um mesmo grupo em relação à posição que ocupariam em estrutura-s (o artigo é baseado nas últimas versões de Princípios e Parâmetros), que seria XP, enquanto clíticos seriam encontrado apenas em posições X

297 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito As características de deficiência dos pronomes fracos seriam um subconjunto de características de deficiências de clíticos, resultando em uma relação clítico < pronome fraco < pronome forte. Cardinaletti e Starke (1999) apontam que quanto mais um pronome é deficiente, menos traços/projeções ele contém, ou seja, a estrutura sintática dos pronomes deficientes é ela própria deficiente (CARDINALETTI e STARKE, 1999, p. 23). Essa deficiência estrutural seria traduzida como a falta de um conjunto de núcleos funcionais que contêm traços-φ e traços referenciais (de forma semelhante às projeções funcionais mais altas associadas ao verbo). A ausência de alguns destes núcleos funcionais seria o gatilho de assimetrias sintáticas, semânticas e prosódicas entre as três classes. Déchaine e Wiltschko (2002a) também propõem que a classe dos pronomes não é uniforme sintaticamente e assumem que as línguas podem ter três tipos de pronome: pro-dp, pro-φp e pro- NP, de acordo com suas projeções sintáticas, que teriam as seguintes configurações: Pro-DPs funcionariam como expressões-r comuns e sempre conteriam φp e NP como subconstituintes. Sua sintaxe seria a de um DP e, portanto, seriam restritos a posições de argumento. Pro-φPs seriam uma projeção funcional intermediária entre N e D e não teriam nem a sintaxe de determinantes nem a de nomes. Consequentemente, eles poderiam atuar tanto como predicados quanto como argumentos. Pro- 297

298 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro NPs, por sua vez, teriam a mesma sintaxe de nomes lexicais e ocorreriam na posição de predicado. Quanto a suas propriedades de ligação, pro- DPs estariam sujeitos ao princípio C, Pro-φPs, como variáveis, estariam sujeitos ao princípio B. Pro-NPs seriam indefinidos no que diz respeito à Teoria da Ligação e suas propriedades de ligação seriam consequência de sua semântica inerente. Poderíamos, a partir da revisão apresentada nessa seção, supor que o que se afirma ser uma ocorrência de [±R] como um traço morfossintático em Reinhart e Reuland (1993) é traduzido como a ocorrência (ou não) de uma camada estrutural em Déchaine e Wiltschko (2002a). Déchaine e Wiltschko (2002b) sugerem que a distinção D/φ/N se estende aos reflexivos. Elas assumem que há, no mínimo, três tipos de reflexivos: reflexivos DP, φp e NP, e que a categoria na qual o reflexivo se encaixa determina a relação de ligação entre ele e o antecedente. Reflexivos DP, por exemplo, teriam as propriedades de expressões-r e, portanto, seriam ligados ao antecedente por correferência (uma relação de identidade que se dá entre os argumentos de uma relação transitiva); reflexivos φp se comportariam como variáveis, entrando numa relação de ligação através de um operador; e reflexivos NP, como constantes nominais, entrariam numa relação de ligação temática. Segundo Déchaine e Wiltschko (2002b), uma consequência geral de reduzir as propriedades de ligação dos reflexivos à sua identidade categorial seria a de que os efeitos associados aos princípios de ligação (CHOMSKY, 1981) seriam epifenômenos, uma vez que derivam da interação de fatores independentemente motivados. Como exemplos de reflexivos DP, as autoras sugerem os pronomes reflexivos do inglês: (3) I saw myself. (4) *I saw me. 3 3 Este é o julgamento apresentado pelas autoras. O exemplo em (4) não é considerado agramatical 298

299 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito As autoras assumem que a complementaridade entre pronomes pessoais e reflexivos é um exemplo de bloqueio (cf. BURZIO, 1989; DÉCHAINE & MANFREDI, 1994; WILLIAMS, 1997 apud DÉCHAINE e WILTSCHKO, 2002b), definido abaixo: Princípio Bloqueador: Selecione a forma mais especificada. 4 (x é mais especificado que y sse x tem mais traços que y). Em uma abordagem bloqueadora, a ligação local de me é impossível porque uma forma mais especificada (myself) está disponível para correferência. Embora ambos reflexivos e pronomes pessoais sejam DPs, o primeiro tem estrutura mais complexa e, assim, é considerado mais especificado: Diferentemente de Reinhart e Reuland (1993), Déchaine e Wiltschko (2002b) assumem que reflexividade é um subproduto da correferência. Se não há um antecedente disponível no domínio de ligação, a atribuição de correferência falha, e assim os reflexivos DP funcionam como logóforas. O uso logofórico de reflexivos DP é uma consequência do efeito bloqueador: em contextos logofóricos, a forma por todos os falantes do inglês. 4 The Blocking Principle: Select the most specified form. (x is more specified than y iff x has more features than y) 299

300 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro mais altamente especificada (reflexivos) é selecionada em detrimento da forma menos especificada (pronomes pessoais). Se há um antecedente local disponível, então a ligação acontece através da atribuição de correferência, e a obrigatoriedade de ligação local é comparável àquela da sintaxe de posse inalienável. Se não há um antecedente local disponível, então os reflexivos DP funcionam como logóforas. Em resumo, o quadro teórico do Minimalismo, ao mesmo tempo em que caracteriza os princípios de ligação, levanta uma série de pontos a serem melhor esclarecidos. No que tange à perspectiva psicolinguística, um bom número de questões permanece em aberto, quando se fala em processamento da correferência intrassentencial, uma vez que se necessita, ainda, de uma maior teorização acerca da atuação on-line dos princípios de ligação, bem como sobre sua relação com os sistemas de desempenho subjacentes à linguagem. A investigação dessas questões, analisadas sob uma ótica que visa conciliar modelos de língua com modelos de processamento linguístico, tem sido objeto de uma série de estudos, conduzidos em línguas variadas, nos quais se busca a caracterização do modo como os princípios de ligação atuam no processamento correferencial. Alguns desses estudos são apresentados a seguir. 2 Estudos sobre processamento correferencial e Teoria da Ligação O papel das restrições impostas pela Teoria da Ligação na resolução anafórica on-line de pronomes e de reflexivos anafóricos tem sido investigado em estudos de processamento que usam medidas sensíveis ao curso temporal, tais como leitura automonitorada (CLIFTON, KENNISON e ALBRECHT, 1997; BADECKER e STRAUB, 2002; KENNISON, 2003), movimentos oculares (STURT, 2003; RUNNER, 300

301 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito SUSSMAN e TANENHAUS, 2006) e potenciais evocados relacionados a eventos (ERPs) (HARRIS, WEXLER e HOLCOMB, 2000; XIANG, DILLON e PHILLIPS, 2009). Esses estudos têm mostrado que leitores e falantes de uma língua rapidamente ligam pronomes e reflexivos anafóricos a seus antecedentes disponíveis pela Teoria da Ligação durante o processamento. Entretanto, o interesse específico de vários desses estudos é investigar se os antecedentes indisponíveis sintaticamente, ou seja, que não são licenciados pelos princípios de ligação, podem ser considerados possíveis referentes para pronomes e reflexivos durante o processamento e, se for possível, quando essa ligação seria permitida. Utilizando tarefas de priming intermodal (cross-modal priming), Nicol e Swinney (1989), em um dos estudos seminais sobre o tema, chegam a resultados que apoiam a realidade psicológica das restrições sintáticas impostas pelos princípios de ligação e argumentam que essas restrições ocorreriam em momentos iniciais do processamento correferencial. Os autores propõem que os indivíduos, ao processar um pronome ou um reflexivo, só levam em consideração os antecedentes que estão estruturalmente disponíveis segundo a Teoria da Ligação. Os autores apresentam evidências experimentais com base no priming intermodal em que os participantes dos experimentos ouviam sentenças similares as dos exemplos (6) e (7). Durante essa audição, aparecia logo após o pronome him ou o reflexivo himself uma palavra sonda relacionada ou não semanticamente com os antecedentes contidos na frase (boxer, skier ou doctor, como nos exemplos (6) e (7)) ou, como controle, apareciam não palavras do inglês, e eles tinham de responder se a palavra era ou não uma palavra do inglês em uma tarefa clássica de decisão lexical. (6) The boxer told the skier that the doctor for the team would blame him for the recent injury. (7) The boxer told the skier that the doctor for the team would blame himself for the recent injury. 301

302 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro Nas sentenças que continham o pronome him (como em 6), houve efeito de priming significativo apenas quando as palavras sondas eram relacionadas aos antecedentes boxer e skier, disponíveis sintaticamente pelo princípio B da teoria da ligação. Já nas sentenças que continham o reflexivo himself (como em 7), houve efeito de priming significativo apenas quando as palavras eram relacionadas ao antecedente doctor, disponível sintaticamente pelo Princípio A da Teoria da Ligação. Esses resultados levaram à postulação da Hipótese do Filtro Inicial de Ligação em que se afirma que os antecedentes indisponíveis são excluídos imediatamente e não são levados mais em consideração em nenhum momento do processamento da sentença. Esse resultado é corroborado por Clifton, Kennison e Albrecht (1997) com base em resultados de um experimento utilizando a técnica de leitura automonitorada em que mais uma vez os antecedentes indisponíveis não são levados em conta no processamento dos pronomes. Em contraposição à Hipótese do Filtro Inicial de Ligação, Badecker e Straub (2002) propõem que seriam candidatos a referente dos pronomes e dos reflexivos, tanto antecedentes disponíveis, quanto antecedentes indisponíveis, seguindo a Teoria da Ligação (CHOMSKY, 1981). Um conjunto de experimentos, utilizando leitura automonitorada, palavra por palavra, mostrou que os antecedentes indisponíveis influenciaram o processamento da sentença, mesmo que em um efeito tardio. Observemos os exemplos (8), (9), (10) e (11) a seguir, retirados de um dos experimentos de Badecker e Straub (2002): (8) John thought that Beth owed him another opportunity to solve the problem. (9) John thought that Bill owed him another opportunity to solve the problem. 302

303 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito (10) Jane thought that Bill owed himself another opportunity to solve the problem. (11) John thought that Bill owed himself another opportunity to solve the problem. No experimento que utilizou esse tipo de estímulo, os resultados encontrados por Badecker e Straub (2002) mostraram tempos de leitura maiores quando havia convergência de gênero e número entre o antecedente indisponível (Bill) e o pronome him (exemplo 9) do que quando não havia convergência (exemplo 8) e tempos maiores quando havia convergência de gênero e número entre o antecedente indisponível (John) e o reflexivo himself (exemplo 11) do que quando não havia essa convergência (exemplo 10), entretanto esse efeito de lentidão na leitura só foi capturado na palavra opportunity e não imediatamente na leitura dos pronomes ou dos reflexivos, o que evidenciaria o efeito tardio. Sturt (2003) propõe, em contraste também com o Filtro Inicial de Ligação, a Hipótese do Filtro Reversível a partir de experimentos utilizando a técnica de monitoramento ocular. O autor se baseia em resultados que evidenciam que o processamento da correferência dos reflexivos ocorreria em dois estágios, em um primeiro estágio atuaria imediatamente o Princípio A da Teoria da Ligação, bloqueando a possibilidade de ligação com antecedentes indisponíveis e estabelecendo a ligação com antecedentes disponíveis, assim como proposto por Nicol e Swiney (1989) com a Hipótese do Filtro Inicial de Ligação, entretanto, divergindo desta, em momento posterior do processamento da sentença, essa restrição poderia ser revertida e, por influência do nível semântico-pragmático, os antecedentes indisponíveis poderiam influenciar o processamento correferencial. O primeiro estágio seria o denominado de ligação (Bonding) e o segundo de resolução (Resolution). 303

304 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro Kennison (2003) explora o mesmo tema em um conjunto de três experimentos, utilizando a técnica de leitura automonitorada, palavra por palavra. Um deles continha as frases experimentais dos mesmos tipos que as frases a seguir: (12a) Susan watched his classmate during the open rehearsals of the school play. (12b) Carl watched his classmate during the open rehearsals of the school play. (12c) They watched his classmate during the open rehearsals of the school play. (13a) Susan watched him yesterday during the open rehearsals of the school play. (13b) Carl watched him yesterday during the open rehearsals of the school play. (13c) They watched him yesterday during the open rehearsals of the school play. Nas frases (12 a,b,c), está presente o pronome possessivo his, e nas frases (13 a,b,c), o pronome pleno him. Em ambos os casos as continuações da frase são compatíveis com os tipos de pronome. Kennison (2003) encontrou os seguintes resultados: a) nas frases do tipo 12, os tempos de leitura logo depois do pronome foram mais rápidos quando o sujeito da sentença tinha o mesmo número e gênero do pronome, ou seja, masculino e singular, como em (12b), o que é compatível com o esperado, já que nesse caso o pronome possessivo está em posição estrutural em que a ligação entre o antecedente sujeito e o pronome possessivo é permitida pelo princípio B da Teoria da Ligação, havendo então convergência entre os traços de gênero e número, a ligação é feita e o processamento é mais rápido. b) Já nas frases (13 a,b,c) com o pronome pleno him, os tempos de leitura logo depois do 304

305 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito pronome foram mais rápidos quando não havia convergência de número com o sujeito antecedente, como em (13c), e mais lentos quando havia a convergência dos traços de número e de gênero, como em (13b). Esses resultados das frases tipo 13, com pronome pleno him, vão na direção do que foi encontrado por Sturt (2003), já que os antecedentes, mesmo sendo indisponíveis pelo princípio B da Teoria da Ligação, influenciaram os tempos de leitura em momento tardio, logo após o pronome. Em outro experimento, Kennison (2003) cria um preâmbulo antes de frases semelhantes a (13 a,b,c) em que existe um antecedente disponível para a ligação com o pronome him, como podemos ver no conjunto de frases do exemplo (14) a seguir: (14) Billy complained about having a stomachache. a. Laura watched him closely throughout the day. b. Michael watched him closely throughout the day. c. They watched him closely throughout the day. Nesse experimento, Kennison não encontrou diferenças no tempo de leitura entre as frases. A explicação para esse resultado seria que a existência de um antecedente disponível na posição de sujeito na frase anterior (Billy, no exemplo (14)) fez com que a ligação fosse estabelecida com o pronome, sem que os antecedentes indisponíveis tivessem influenciado o processamento correferencial. Com base nesses resultados, Kennison (2003) afirma, assim como Sturt (2003), que o processamento correferencial tem dois estágios, um primeiro estágio de Ligação (Bonding) e outro de resolução (Resolution), entretanto, a autora propõe uma descrição um pouco diferente da descrição de Sturt. Kennison propõe que primeiro ocorreria a geração do conjunto de candidatos a referente do pronome, incluindo antecedentes disponíveis e indisponíveis, e, na fase de Bonding, os princípios A e B guiariam a ligação possível apenas com o antecedente disponível, se esse antecedente disponível existir, a ligação é feita e é 305

306 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro avaliada na fase de Resolution como ligação adequada e então a busca por um referente termina e os antecedentes indisponíveis não são levados em conta, mesmo que haja convergência entre os traços de número e gênero, assim como os resultados descritos no segundo experimento que utilizou frases com preâmbulo, como em (14). No entanto, se na fase de Bonding não houver candidato disponível sintaticamente, a busca continua em Resolution, podendo ocorrer, nesse caso, a influência de antecedentes indisponíveis que tenham traços de gênero e/ou número compatíveis com o pronome, atrasando assim a decisão pelo término da busca no processamento e permitindo a inferência de que o referente está fora do contexto da sentença ou ainda a possível violação tardia do princípio de ligação. Isso aconteceu no experimento com frases semelhantes às dos exemplos (12), em que a palavra logo após ao pronome foi lida mais lentamente quando o antecedente indisponível era singular e masculino, convergindo com o pronome him. Nos cinco estudos reportados (NICOL e SWINEY, 1989; CLIFTON, KENNISON e ALBRECHT, 1997; BADECKER e STRAUB, 2002; STURT, 2003; KENNISON, 2003), foram encontrados resultados que mostram a atuação dos princípios A e/ou B propostos classicamente pela Teoria da Ligação (CHOMSKY, 1981) em momentos iniciais do processamento. As divergências, na maioria dos casos, ocorrem em relação à possibilidade ou não de antecedentes indisponíveis sintaticamente pelos princípios serem levados em conta em algum momento do processamento da sentença. Os dois primeiros estudos (NICOL e SWINEY, 1989; CLIFTON e KENNISON; ALBRECHT, 1997) mostram argumentos a favor da impossibilidade de antecedentes indisponíveis serem levados em consideração no processamento após a atuação dos princípios, entretanto, os outros três estudos (BADECKER e STRAUB, 2002; STURT, 2003; KENNISON, 2003) encontram resultados que evidenciam a influência desses antecedentes indisponíveis em momentos tardios, na fase de Resolution, permitindo a violação dos princípios se não houver na fase anterior nenhum antecedente disponível. 306

307 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Kennison (2003) explica os resultados do estudo de Nicol e Swiney (1989), focalizando a diferença da técnica de priming com reconhecimento de sonda, que pode ter capturado efeitos de ativação lexical, em vez de efeitos do processamento correferencial em si. Kennison ainda explica os achados de Clifton, Kennison e Albrecht (1997), focalizando os estímulos utilizados, que tinham como sujeitos antecedentes substantivos que, segundo Kennison, poderiam ser ambíguos em termos de gênero em alguns dos contextos. Os estudos em processamento correferencial descritos até aqui lidam com estruturas sintáticas canônicas em que as restrições impostas pela Teoria da Ligação (Chomsky, 1981), como vimos, são reais psicologicamente em termos de processos cognitivos, atuando geralmente nos primeiros estágios do processamento on-line. No entanto, outros tipos de estruturas sintáticas têm se mostrado arredios às restrições de ligação, ou seja, permitem a violação do princípio no processamento correferencial. Exemplos dessas estruturas são as frases contendo Picture Noun Phrases (PNPs), como exemplificado na sentença (15) a seguir: (15) John saw Peter s picture of himself/him. Nesse tipo de sentença, a Teoria da Ligação, inicialmente atuaria mantendo suas restrições, fazendo com que John fosse o antecedente disponível para o pronome him e Peter o antecedente disponível para o reflexivo himself. No entanto, alguns estudos utilizando a técnica de monitoramento ocular (RUNNER e SUSSMAN; TANENHAUS, 2003, 2006, 2009) têm mostrado que no caso desse tipo de estrutura com Picture Noun Phrases há possibilidade de violação dos princípios A e B da Teoria de Ligação, ou seja, há possibilidade de se ligar himself a John e de se ligar him a Peter, não só a partir da intuição dos falantes nativos do inglês, mas também dos resultados aferidos no processamento on-line dessas estruturas. 307

308 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro Como vimos na seção anterior, dentro da teoria linguística especificamente, existem algumas explicações para esses casos de violação que vão ao encontro dos resultados referentes às estruturas sintáticas com Picture Noun Phrase (PNP). Reinhart e Reuland (1993) apresentam o fato de tanto anáfora quanto pronome permitirem a leitura correferente em contextos em que estão inseridos em um PP ou em sintagmas adjuntos (cf. 1a e 1b). Esta ocorrência traz problemas para os princípios de ligação como estipulados em Chomsky (1981; 1986). Em relação às estruturas com PNPs, Reinhart e Reuland (1993) propõem que restrições sintáticas se aplicam, porém, nesses contextos, os reflexivos não estariam sujeitos ao Princípio A de ligação, já que, para os autores, o antecedente de uma anáfora deve ser um coargumento do mesmo predicado sintático para que o Princípio A se aplique. Essa possibilidade de comportamento para as anáforas do inglês é prevista dentro das reflexões de Déchaine e Wiltschko (2002b), uma vez que essas autoras classificam as anáforas do inglês como reflexivos DP, que são ligados a um antecedente local disponível através da atribuição de correferência, ou, caso não haja um antecedente local disponível, funcionam como logóforas. Na próxima seção, descrevem-se os estudos já conduzidos em português brasileiro, que focalizam questões semelhantes às explicitadas acima, centrando-se no modo como as restrições impostas pela Teoria da Ligação atuam no processamento correferencial on-line de pronomes e reflexivos em PB. 3 Estudos em Português Brasileiro Com o objetivo de compreender como o processamento das relações correferenciais do português brasileiro se desenvolve na mente dos falantes dessa língua, uma série de experimentos foram realizados buscando-se evidências empíricas sobre o modo como são processadas anáforas e pronomes. Estes estudos obtiveram resultados interessantes acerca dos fatores envolvidos no processamento de tais elementos. 308

309 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Um dos primeiros trabalhos que buscou analisar o processamento da correferência com falantes do português brasileiro foi o de Leitão, Peixoto e Santos (2008). Para avaliar a atuação dos princípios de ligação na interpretação do pronome ele em posição de objeto na sentença, e inspirados por Kennison (2003), os autores elaboraram dois experimentos, controlando os traços de gênero, número e animacidade dos antecedentes. O primeiro experimento continha frases como as expostas a seguir: (15a) Tião/ atropelou/ ele/ imprudentemente/ na estrada/ de Cabedelo. (15b) Talita/ atropelou/ ele/ imprudentemente/ na estrada/ de Cabedelo. (15c) As motoristas/ atropelaram/ ele/ imprudentemente/na estrada/ de Cabedelo. (15d) As carretas/ atropelaram/ ele/ imprudentemente/ na estrada/ de Cabedelo. Os resultados encontrados em Leitão, Peixoto e Santos (2008) corroboram com os resultados encontrados em Kennison (2003). Em frases do tipo (15a), em que o sujeito da sentença apresentava os mesmos traços de gênero, número e animacidade do pronome, o tempo de leitura foi significativamente maior do que o tempo de leitura de frases como (15d) quando não havia convergência desses mesmos traços. A partir desses achados pode-se concluir que os antecedentes indisponíveis ao princípio B influenciaram os tempos de leitura, confirmando a hipótese do processamento correrefencial em dois estágios, conforme é evidenciado em Kennison (2003). Já no segundo experimento, que é uma continuidade do primeiro, foi criado um preâmbulo em que havia um antecedente disponível ao pronome que combinava os mesmos traços. 309

310 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro (16) Carlos atravessou a rua correndo. a. Tião/ atropelou/ ele/ imprudentemente/ na estrada/ de Cabedelo. b. Talita/ atropelou/ ele/ imprudentemente/ na estrada/ de Cabedelo. c. As motoristas/ atropelaram/ ele/ imprudentemente/na estrada/ de Cabedelo. d. As carretas/ atropelaram/ ele/ imprudentemente/ na estrada/ de Cabedelo. Estes resultados evidenciam, então, que, com a ligação do pronome ao antecedente disponível, a busca por um antecedente terminou rapidamente, sem a interferência dos traços de gênero, número e animacidade dos antecedentes indisponíveis, a tempo de influenciar na resolução da correferência. Leitão, Peixoto e Santos (2008) destacam também que, neste experimento, com a presença de um antecedente disponível, a leitura do pronome ele foi significativamente mais demorada que no primeiro experimento exemplificado em (15) em que não havia o preâmbulo nem um antecedente disponível estruturalmente. Os autores interpretam esse fato como sendo evidência de que não houve, no primeiro experimento, efetiva ligação do pronome ao antecedente indisponível, ligação essa que se efetiva com o antecedente disponível do preâmbulo do exemplo (16), gerando, no segundo experimento, um custo maior devido a essa operação, o que tornou, portanto, mais lenta a leitura do pronome. Lacerda, Oliveira e Leitão (no prelo), com base em um experimento de leitura automonitorada, investigaram se diferentes tipos de retomada [se, Ø, ele(a)] podem influenciar o processamento correferencial de estruturas reflexivas, relacionando a estas a semântica do predicado verbal. 310

311 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Este experimento foi realizado em Minas Gerais e na Paraíba com o intuito de verificar se a variação dialetal do uso da anáfora se (uso, supressão, e substituição) poderia influenciar o processamento destas estruturas. Além do tipo de retomada [reflexiva - se, nula ø e pronominal ele (a)] e tipo de grupo (Minas Gerais e Paraíba), o tipo de verbo (verbos prováveis reflexivos e prováveis não reflexivos) também foi manipulado como uma variável independente. Os resultados evidenciaram um efeito significativo do tipo de retomada, indicando a possibilidade da influência do tipo de verbo. Acredita-se que as restrições sintáticas da teoria da ligação (CHOMSKY, 1981) foram ativadas em estágios iniciais de processamento (NICOL e SWINNEY, 1989), entretanto a interpretabilidade a partir da semântica verbal e a questão gramatical relacionada à variação dialetal foram também atuantes no processamento correferencial. Brito (2009), ao analisar teoricamente o se reflexivo no PB, assume com Reinhart e Reuland (1993) que a reflexividade é uma propriedade de predicados e afirma que, no PB, essa propriedade seria marcada pela presença do se, que apresenta uma simplificação estrutural em comparação aos outros clíticos do PB, por não codificar traços φ. Uma consequência desta subespecificação do se seria a ampliação do seu uso como reflexivizador o que, por sua vez, restringe a sua ocorrência a contextos reflexivos, diferentemente dos outros clíticos do PB, que podem ser dêiticos e indicar referência disjunta. Uma outra possibilidade apresentada pela gramática do PB, ainda que não faça parte do registro culto da língua, é de que o se seja a forma reflexiva também para antecedentes de primeira pessoa do singular e do plural, eu e nós, respectivamente, e também para o pronome de segunda pessoa do singular, tu. Uma das hipóteses aventadas é a de que, levando-se em conta a composição interna dos elementos pronominais, o se codifica apenas o traço [SELF], um traço semântico que é responsável pela interpretação reflexiva do predicado na Forma Lógica (LF - Logical Form) e, assim, 311

312 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro pode ser considerado apenas uma marca de reflexivização. A assunção da reflexividade como uma propriedade de predicados explicaria o fato de a possível não concordância entre os traços apresentados por se e pelo antecedente não interferir na gramaticalidade da sentença. Aliando essa reflexão aos achados empíricos de Lacerda, Oliveira e Leitão (no prelo), pode-se discutir se a ampliação do uso do se como reflexivizador de predicados, que contêm antecedentes com qualquer especificação gramatical, não seria resultado de um processo de gramaticalização que culmina, em alguns dialetos do PB, como o mineiro, estudado por Lacerda, Oliveira e Leitão (no prelo), com a supressão desse clítico sem o prejuízo da leitura reflexiva para alguns predicados. Focalizando também estruturas do PB, MAIA, GARCIA & OLIVEIRA (2012) realizaram um conjunto de quatro experimentos com o intuito de verificar se pronomes plenamente especificados e anáforas conceituais, em um contexto intrasentencial, estão sujeitos a restrições estruturais e interagem com predicados distributivos e genéricos sem apresentarem efeito principal. Nos experimentos1 e 2 (MAIA, GARCIA & OLIVEIRA, 2012), foi utilizada a técnica de leitura automonitorada num contexto em que pronomes e anáforas conceituais potencialmente retomavam NPs. No experimento 1, os resultados apontaram que tanto anáforas conceituais, quanto pronomes, estão sujeitos ao Princípio B de ligação. Os resultados encontrados no experimento 2 indicaram que pronomes e anáforas conceituais em uma posição de correferência catafórica com um NP na oração principal estão sujeitos ao Princípio C. As sentenças utilizadas no primeiro experimento, ou seja, sentenças em que a correferência era licenciada pelo princípio B, foram submetidas a técnica de rastreamento ocular (eye-tracking), sem segmentação dos estímulos. Os resultados obtidos neste terceiro experimento foram similares aos resultados encontrados no primeiro, já que não foi possível estabelecer nenhuma diferença significativa entre os tempos de leitura 312

313 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito dos pronomes e anáforas conceituais. No quarto experimento foi utilizada a técnica de audição automonitorada que cruzou o tipo de elemento anafórico (pronome ou anáfora conceitual) com o tipo de predicado (distributivo ou genérico). Este experimento demonstrou, da mesma forma, que tanto os pronomes quanto as anáforas conceituais exibem propriedades comuns em seu processamento. Os resultados apresentados neste conjunto de experimentos mostraram que as anáforas conceituais apresentam as mesmas características de pronomes completamente especificados no que se refere às restrições estruturais da Teoria da Ligação. O estudo também conclui que os Princípios B e C seriam psicologicamente reais de modo inverso: a correferência seria mais custosa para nomes e mais rápida para pronomes. Com base em resultados obtidos de experimentos sobre a língua inglesa, que focalizaram a correferência anafórica dos reflexivos e pronomes, e também com base em resultados descritos por Leitão, Peixoto e Santos (2008) sobre os pronomes, Oliveira, Leitão e Henrique (2012) elaboraram um experimento que buscou investigar o processamento da anáfora a si mesmo(a) no escopo intrassentencial evidenciando a possibilidade da influência que o Principio A da Teoria da Ligação exerce na resolução da correferência. Através da técnica experimental de leitura automonitorada, após a qual havia uma medida off-line, constituída por uma pergunta-controle, Oliveira, Leitão e Henrique (2012) apresentaram um conjunto de frases que continham antecedentes disponíveis e indisponíveis à anáfora (retomada). Em frases como (17a) e (17d), o gênero da anáfora a si mesmo(a) converge com o gênero do antecedente disponível. Em frases do tipo (17b) e (17c), o gênero do antecedente disponível não combina com o gênero da retomada. E em (17e) e (17f) ambos antecedentes possuem os mesmos traços que a retomada. 313

314 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro (17) a. Maria disse que João machucou a si mesmo no parque de diversão. b. João disse que Maria machucou a si mesmo no parque de diversão. c. Maria disse que João machucou a si mesma no parque de diversão. d. João disse que Maria machucou a si mesma no parque de diversão. e. João disse que José machucou a si mesmo no parque de diversão. f. Maria disse que Lilian machucou a si mesma no parque de diversão. Os resultados mostraram que a anáfora se vincula ao antecedente mais próximo, desprezando o mais distante, corroborando, assim, com a Hipótese do Filtro de Ligação Inicial (NICOL e SWINEY, 1989). Diante dos resultados obtidos, Oliveira, Leitão e Henrique (2012) destacaram que, nas condições em que o gênero da retomada (anáfora) era idêntico ao gênero do antecedente mais próximo (antecedente disponível), os tempos de leitura do segmento crítico, no caso, o segmento que continha a anáfora a si mesmo(a), foram significativamente menores do que em comparação às demais condições. Pode-se concluir então que apenas os antecedentes disponíveis influenciaram a resolução da correferência, ou seja, os antecedentes indisponíveis não foram levados em consideração no processamento das anáforas. Esses resultados corroboram o postulado de Nicol e Swinney (1989) que afirmam que as restrições sintáticas ocorrem em momentos iniciais do processamento. Neste experimento, observou-se também um efeito no segmento seguinte à retomada, uma vez que os tempos de leitura do segmento seguinte ao crítico seguiram o mesmo padrão do segmento crítico. Os 314

315 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito tempos de leitura do segmento pós-crítico, segmento que contém um sintagma preposicional (PP), também foram mais rápidos nas condições em que o gênero da retomada era idêntico ao gênero do antecedente disponível. Embora não esperado, encontrou-se efeito principal da variável gênero da retomada no segmento pós-crítico, concluindo que quando houve diferença de gênero, houve diferença de tempo de leitura. As médias de tempo de leitura das condições em que o gênero da retomada combina com o gênero do antecedente disponível, verificou-se tempos de leitura menor quando o gênero da retomada era masculino. Esses resultados mostram que os antecedentes indisponíveis são excluídos imediatamente nos primeiros estágios de processamento e não se revelam atuantes também em momento posterior a retomada, diferentemente do que se encontrou nos estudos em inglês de Badecker e Straub (2002) e de Sturt (2003) para os reflexivos, e de Kennison (2003) e nos estudos em português de Leitão, Peixoto e Santos (2008). Além da análise dos tempos de leitura do segmento crítico e do segmento pós-crítico, Oliveira, Leitão e Henrique (2012) verificaram, através de medidas off-line, os índices de respostas (SIM/NÃO) às perguntas referentes a cada condição, aferindo se as interpretações, ao final do processamento da sentença, seguiam também a correferência estabelecida online, guiada pelo princípio A da Teoria da Ligação. Os resultados das respostas corroboram os resultados obtidos através do experimento on-line, ou seja, mostraram que os antecedentes indisponíveis parecem ter sido excluídos no processamento da anáfora, já que as respostas foram convergentes com as restrições do princípio A. Com base no experimento realizado por Oliveira, Leitão e Henrique (2012) foram realizados mais dois experimentos nos quais se substituiu a anáfora a si mesmo (a) pelo termo anafórico ele(a) mesmo(a). Em um experimento, utilizando as mesmas condições experimentais encontradas em Oliveira, Leitão e Henrique (2012); Oliveira, Leitão e Araújo (2013) investigaram o tempo de leitura da anáfora ele(a) mesmo(a) dentro do escopo da sentença. O 315

316 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro objetivo era verificar se haveria alguma influência do traço pronominal ele(a) contido na expressão anafórica ele(a) mesmo(a). Os resultados obtidos no experimento de Oliveira, Leitão e Araújo (2013) corroboraram os resultados obtidos por Oliveira, Leitão e Henrique (2012), ou seja, apenas os antecedentes disponíveis estruturalmente influenciaram a resolução correferencial da anáfora, segundo o Princípio A da Teoria da Ligação. Comparando esses dois experimentos, um com a anáfora a si mesmo (a) e outro com ele(a) mesmo (a), a única diferença encontrada diz respeito a medidas off-line, as quais, no caso do experimento com o termo anafórico ele(a) mesmo(a) sugeriram alguma influência do traço [+pronominal]. Oliveira, Ferrari e Castor (2014) adaptaram o experimento com a anáfora ele(a) mesmo(a) segmentando este termo com o intuito de medir a o tempo de leitura do segmento ele(a) e do segmento mesmo(a). Assim, como no experimento de Oliveira, Leitão e Araújo (2013) em que o tempo de leitura do termo anafórico foi medido em um único segmento, pretendeu-se observar se o traço [+ pronominal] do ele(a) influenciaria na resolução da correferência, vinculando-se primeiramente aos antecedentes disponíveis para os pronomes, como salienta o Princípio B da Teoria da Ligação ou se, ao chegar no segmento seguinte, mesmo (a), haveria uma reanálise, vinculando-se aos antecedentes disponíveis estruturalmente às anáforas, conforme prevê o Princípio A. Oliveira, Ferrari e Castor (2014) concluíram que o segmento mesmo(a) foi relacionado ao antecedente disponível corroborando assim com o Princípio A. Já a ligação do segmento ele(a) com o antecedente disponível ao pronome não foi observada, ou seja, não foi capturada a atuação do Princípio B neste segmento. É no segmento mesmo(a) que se tem a completude da expressão anafórica ele(a) mesmo(a) e a confirmação de que a leitura desta expressão pelo sujeito é vista como uma anáfora, ao menos, nas estruturas sentenciais testadas no experimento. 316

317 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Esse resultado foi semelhante ao encontrado no experimento de Oliveira, Leitão e Henrique (2012) que trata da anáfora a si mesmo(a) e ainda, semelhante ao resultado encontrado no experimento de Oliveira, Leitão e Araújo (2012) quando se aferiu o tempo de leitura da anáfora ele(a) mesmo(a) sem segmentação entre ele(a) e mesmo(a). Em termos teóricos, pode-se relacionar esses resultados à composição estrutural das expressões a si mesmo(a) e ele(a) mesmo(a) que, de acordo com a proposta de Déchaine e Wiltschko (2002a) se assemelharia a das anáforas do inglês, anáforas DP, com mesmo(a) equivalendo ao morfema self. A si mesmo(a) e ele(a) mesmo(a) seriam ligados ao antecedente disponível por uma relação de correferência, e não necessariamente por uma restrição do Princípio A. Para investigar a robustez das evidências empíricas adquiridas com a técnica de leitura automonitorada, este trabalho reporta na próxima seção os resultados da investigação do papel do Princípio A no processamento on-line da sentença por meio da técnica de rastreamento ocular. 4 Evidências de movimentação ocular sobre a atuação do Princípio A Um experimento de leitura de sentenças foi conduzido para investigar se a movimentação ocular de participantes poderia evidenciar a presença de dois estágios de atuação do Princípio A, Bonding e Resolution, assim como argumentado por Sturt (2003) e corroborado por Kennison (2003). A decisão de replicar o experimento de Oliveira, Leitão e Henrique (2012) foi motivada pela alta granularidade da medida de movimentação ocular do equipamento que utilizamos (Eye-Link de 1000Hz), que registra o movimento dos olhos durante a leitura a cada milissegundo, e que poderia portanto aportar dados mais precisos acerca dos estágios Bonding e Resolution em PB, que ocorreriam em fases 317

318 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro distintas do processamento. Além de proporcionar esta investigação, a comparação de técnicas, cujos procedimentos, ligeiramente diferentes, podem influenciar no registro da computação linguística, também se torna um ganho para a área da Psicolinguística. Trata-se, portanto, de um experimento de rastreamento ocular que solicitou aos participantes que lessem na tela de um computador frases apresentadas em uma única linha. Um exemplo dos tipos de frase que foram apresentadas pode ser visto em (18), que apresenta como é a distribuição dos estímulos em seis diferentes listas. Está marcado em itálico o antecedente indisponível, em negrito o antecedente disponível e em negrito e entre colchetes a retomada (o segmento crítico). (18) a. FMRM Maria disse que João machucou [a si mesmo] no parque. b. MFRM João disse que Maria machucou [a si mesmo] no parque de diversão. c. FMRF Maria disse que João machucou [a si mesma] no parque de diversão. d. MFRF João disse que Maria machucou [a si mesma] no parque de diversão. e. MMRM João disse que José machucou [a si mesmo] no parque de diversão. f. FFRF Maria disse que Lilian machucou [a si mesma] no parque de diversão. As perguntas de compreensão e controle de atenção eram apresentadas na tela após a leitura das frases. Os participantes tinham que responder a perguntas do tipo: Quem se machucou? As alternativas de respostas apresentadas para o exemplo acima foram: Maria/João/ José/Lilian. 318

319 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Cada lista foi composta por 24 frases experimentais e 48 frases distratoras. As variáveis independentes do estudo são gênero do antecedente indisponível, gênero do antecedente disponível (masculino e feminino) e gênero da retomada (masculino e feminino), distribuídas em seis condições experimentais. Cada participante leu um conjunto formado por quatro frases de cada condição: (MFRM) antecedente indisponível masculino, antecedente disponível feminino e retomada no masculino; (FMRF) antecedente indisponível feminino, antecedente disponível masculino e retomada no feminino; (FMRM) antecedente indisponível feminino, antecedente disponível masculino e retomada no masculino; (MFRF) antecedente indisponível masculino, antecedente disponível feminino e retomada no feminino; (MMRM) antecedente indisponível masculino, antecedente disponível masculino e retomada no masculino; (FFRF) antecedente indisponível feminino, antecedente disponível feminino e retomada no feminino, configurando, assim, um design 5 de medidas repetidas do tipo 3 x 2. Participantes Foram testados vinte e seis participantes adultos (15 do sexo masculino e 11 do sexo feminino), com visão normal ou corrigida ao normal, sem histórico de doenças neurológicas ou psiquiátricas, com idade média de 23 anos, a maioria destro (25D/1E). Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em que declaram estar cientes de que sua movimentação ocular seria gravada. Os participantes não receberam qualquer remuneração para participar do estudo. 5 O tipo de verbo também foi controlado, metade dos verbos é do tipo provável reflexivo, como pentear, e a outra metade é do tipo provável não-reflexivo, como picar. Essa classificação replica o controle feito por Oliveira, Leitão e Henrique (2012) e tem sido utilizada produtivamente nos estudos de Grola (2011). Essa categorização dos verbos deve ser mais bem definida, talvez a partir de dados de frequência e merece posteriormente um estudo específico. 319

320 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro Procedimento Os procedimentos padronizados de calibração foram aplicados a todos os participantes no início e durante o experimento, sempre que houve necessidade. As frases experimentais foram exibidas em uma única linha, em fonte monoespaçada Monaco de 12 pontos, alinhada à margem esquerda da tela, na altura do centro da tela de apresentação dos estímulos. Os participantes foram distribuídos por listas experimentais (em uma média de quatro participantes por lista). Após a leitura de cada frase, os participantes respondiam a uma pergunta de controle de atenção e de correferência, fixando com o olhar a resposta correta. Os participantes não precisaram fazer uso de qualquer instrumento. As frases eram desvendadas com a fixação ocular em um quadrado que reaparecia na tela a cada novo estímulo. Os movimentos oculares foram gravados no rastreador ocular Eye-Link Plus1000 Desktop Mount, da marca SR Research, configurado para gravar em modo monocular a uma frequência de 1000Hz. Os participantes usaram um apoio para o repouso do queixo e da testa. Os dados foram processados no software livre Eye-Dry 6 e posteriormente analisados estatisticamente no programa SPSS. Optou-se pela análise dos dados crus e pelo registro do movimento do olho direito dos participantes. Somando-se todas as seis listas, registramos a movimentação ocular de 624 frases (24*26). Foram retiradas da análise 38 frases porque houve perda de registro da movimentação ocular no segmento crítico. Assim como foram consideradas apenas as fixações entre 80ms e 1000ms. Os participantes tiveram seus movimentos oculares gravados a uma distância de aproximadamente 70 cm do rastreador ocular Eye-Link Para apresentação e registro dos estímulos foi usado o software livre Eye-Track 7.10 m, desenvolvido por vários pesquisadores ligados ao 6 Igualmente produzido pela equipe do Eye-tracking Lab da Universidade de Massachussets em Amherst. Documentação disponível em 320

321 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Eye-tracking Lab da Universidade de Massachussetts em Amherst 7. Todos os testes foram realizados no Laboratório de Psicolinguística e Ciências Cognitivas do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará. Foram analisadas quatro medidas de leitura. Reportamos os resultados para (i) o tempo de primeira leitura (igualmente referido em inglês por first pass reading time), que é a soma das primeiras fixações no segmento crítico antes de o olhar deixar esta região na direção da esquerda ou da direita; (ii) o tempo total de leitura, que é a soma da duração de todas as fixações no segmento crítico; (iii) o número de fixações, que conta a quantidade de fixações no segmento crítico e que não representa, portanto, uma medida de tempo; e (iv) a duração da leitura regressiva (também referida em inglês por regression-path duration ou go-past reading time), que soma o tempo de todas as fixações a partir da primeira fixação vinda da esquerda no segmento crítico até a última fixação no segmento crítico antes de seguir para outro segmento à direita do segmento crítico. A diferença entre a medida de regressão e a de tempo de primeira leitura é que a regressão inclui o tempo em que o olhar pode retornar para regiões à esquerda do segmento crítico até decidir continuar a leitura da frase, indo para a direita. Resultados As questões de compreensão foram respondidas corretamente em 91% das vezes. Nenhum dos participantes chegou a um percentual de acerto menor do que 80%. Isto indica que os participantes compreenderam as frases, as perguntas e sobretudo as instruções do experimento. Em relação ao tempo de leitura aferido pelo rastreador ocular, pode-se dizer, de uma maneira geral, que os principais resultados apontam para um processamento inicial do Princípio A, durante a leitura do segmento crítico, percebido por duas das medidas aqui reportadas: o 7 Software disponível no site: 321

322 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro tempo da primeira leitura e a duração da leitura regressiva. É importante fazer referência à manipulação do gênero do antecedente disponível e indisponível, que tinha como objetivo determinar o tempo no qual as restrições de ligação atuam, quando confrontados com o gênero da retomada. Portanto, os resultados apontam para o fato de que a restrição ocorre no primeiro estágio de processamento. Pode-se notar que a velocidade de leitura foi menor quando o gênero da retomada e do antecedente disponível eram congruentes (4 últimas colunas do Gráfico 1), enquanto houve maior tempo de leitura para as condições em que o gênero do antecedente disponível e o da retomada eram incongruentes (duas primeiras colunas). Gráfico 1: Tempo da primeira leitura por condição experimental. Assim como na medida da primeira leitura, a medida da duração da leitura regressiva sugere haver também efeito da atuação do Princípio A no primeiro estágio, como pode ser visto na Tabela 1 que apresenta, por condição, as médias dos tempos de leitura no segmento crítico das quatro medidas de movimentação ocular aqui reportadas. 322

323 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Tabela 1: Médias por condição experimental das medidas de movimentação ocular no segmento crítico. Resultados da movimentação ocular no segmento crítico Primeira leitura Duração da regressão Tempo total de leitura Número de fixações Desvio padrão entre parênteses MFRM FMRF FMRM MFRF MMRM FFRF 479 (±163) 555 (±214) 785 (±262) 3,13 (±1,03) 508 (±135) 554 (±161) 714 (±229) 2,66 (±0,80) 429 (±129) 496 (±137) 670 (±170) 2,63 (±0,86) 452 (±108) 473 (±87) 716 (±225) 2,81 (±0,83) 434 (±122) 495 (±153) 632 (±145) 2,42 (±0,54) 418 (±81) 458 (±101) 617 (±165) 2,52 (±0,51) As frases foram divididas em cinco segmentos. Como se pode ver no exemplo abaixo, as divisões são marcadas pelo asterisco: Maria disse que* João machucou* a si mesmo* no parque* de diversão.* Análise da variância (ANOVA) e teste T 8 foram calculados para cada região e para as quatro medidas com as médias por participante. O design da ANOVA incluiu o gênero do antecedente indisponível, o gênero do antecedente disponível e o gênero da retomada. Nos segmentos anteriores ao segmento crítico não foram identificados efeitos significativos, assim como nos segmentos posteriores ao segmento crítico, quando foram considerados *no parque ou *no parque de diversão, que incluiria este último a região do encapsulamento, a parte final da sentença. Já em relação ao segmento crítico estudado, a região da anáfora, que representa de fato o interesse deste experimento, a análise da variância encontrou resultado significativo para as medidas de primeira leitura 8 Os dados amostrais passaram pelos testes de normalidade Shapiro-wilk e Kolmogorov- Smirnov, ambos indicando padrão normal: p-valor=0,152 e p-valor=0,09 respectivamente, o que permite, portanto, o uso dos testes paramétricos. 323

324 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro e de duração da leitura regressiva. Na medida de primeira leitura, um efeito principal foi encontrado na interação entre gênero do antecedente disponível e gênero da retomada (F(1,25)=7.378, p = 0.007). Encontrouse um valor marginalmente significativo para a interação entre gênero do antecedente indisponível, gênero do antecedente disponível e gênero da retomada (F (2, 25) = 2.856, p = 0.06). Não encontramos efeito principal referente ao gênero da retomada, como foi encontrado inesperadamente em Oliveira, Leitão e Henrique (2012). A ANOVA também revelou um efeito principal para a medida da duração da leitura regressiva, na interação entre gênero do antecedente disponível e gênero da retomada (F(1,25)=5.156, p = 0.02). Já a interação entre gênero do antecedente indisponível, gênero do antecedente disponível e gênero da retomada foi marginalmente significativa (F(2, 25) = 2.868, p = 0.059). Abaixo, um gráfico que ilustra a duração da leitura regressiva, em que se pode ver que a incongruência entre o gênero da retomada e do antecedente disponível gera maiores tempos de leitura. Gráfico 2: Duração da leitura regressiva no segmento crítico. 324

325 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Para analisar alguns dos resultados deste experimento por pares, o Teste T foi calculado para os dados da primeira leitura e da leitura regressiva entre as condições em que há apenas os antecedentes disponíveis combinando em gênero com a retomada (FMRM e MFRF) e as condições em que os antecedentes indisponíveis, assim como os disponíveis, combinam em gênero com a retomada (MMRM, FFRF). Não foram encontradas diferenças significativas entre essas condições, tanto para os dados da primeira leitura: FMRM e MMRM (t (25) = 0.17, P=0.56), MFRF e FFRF (t (25) = 1.56, P=0.06) e MFRM e MMRM (t (25) = 1.57, P=0.06), quanto para os dados referentes à duração da leitura regressiva: FMRM e MMRM (t (25) = 0.01, P=0.49); MFRF e FFRF (t (25) = 0.59, P=0.27); e FMRM e MFRM(t (25) = 1.37, P=0.08). Essas comparações são relevantes para que se possa identificar se, como encontraram Badecker e Staub (2002) para reflexivos em inglês, fazendo essas mesmas comparações, os antecedentes indisponíveis são levados em consideração no processamento online, fazendo com que quando os antecedentes indisponíveis também combinavam com o gênero da retomada, o tempo de processamento fosse mais lento do que quando apenas o gênero do antecedente disponível combinava com a retomada. O que podemos verificar é que os resultados obtidos vão de encontro a esse do inglês, pois não houve diferença entre as condições, o que reforça os resultados encontrados por Oliveira, Leitão e Henrique (2012) no experimento utilizando leitura automonitorada. Assim como Oliveira, Leitão e Henrique (2012), as conclusões que advêm destes resultados apontam para a não influência do antecedente indisponível na resolução anafórica de a si mesmo(a) em nenhum momento do processamento correferencial. 325

326 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro 5 Discussão Geral A pesquisa descrita nesse artigo provê, sobretudo, evidências que corroboram a Hipótese do Filtro Inicial de Ligação proposto por Nicol e Swiney (1989), já que os resultados, tanto na medida mais imediata do tempo de fixação da primeira leitura do segmento crítico, quanto na medida menos imediata dos tempos de fixação da leitura regressiva, mostram um mesmo padrão no processamento correferencial das formas reflexivas a si mesmo(a), em que somente os antecedentes disponíveis pelo Princípio A da Teoria da Ligação são levados em consideração. Os dois tipos de medida mostraram tempos maiores de leitura nas duas condições em que não havia antecedente compatível em gênero e número na posição estrutural licenciada pelo Princípio A. Mesmo que na posição estrutural indisponível houvesse antecedente compatível em gênero e em número, estes últimos não afetaram o processamento correferencial. Como nem mesmo em momentos tardios a atuação das informações dos antecedentes indisponíveis foi encontrada, já que não houve nenhum resultado significativo em relação aos segmentos seguintes à retomada reflexiva, os resultados divergem dos encontrados por Badecker e Straub (2002) e Sturt (2003), que encontraram efeito tardio relacionado aos antecedentes que combinavam em gênero e número com as formas reflexivas do inglês (himself/herself) e os resultados reportados seguem o que foi encontrado por Nicol e Swiney (1989) para o inglês, e por Oliveira, Leitão e Henrique (2012) para o PB. O argumento utilizado por Badecker e Straub (2002), Sturt (2003) e Kennison (2003) para explicar os resultados contrários a Nicol e Swiney (1989) que se baseou na diferença metodológica entre os estudos, não se sustenta no caso do PB, já que, tanto Oliveira, Leitão e Henrique (2012), quanto essa pesquisa utilizaram aferições on-line por meio de leitura automonitorada e de monitoramento ocular. 326

327 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito Em resumo, o que se tem, até o momento, são resultados divergentes entre os estudos com as formas reflexivas do inglês (himself/herself) em estruturas canônicas e com as formas reflexivas do PB (a si mesmo(a) e ele(a) mesmo(a)). Os estudos do inglês, utilizando o monitoramento ocular e a leitura automonitorada, encontraram evidências de processamento em dois estágios, em que primeiro atuaria o princípio A da Teoria da Ligação em Bonding, e depois haveria a possível atuação de informações não estritamente estruturais em Resolution. Os estudos do PB, utilizando essas mesmas técnicas, encontraram evidências em direção da Hipótese do Filtro Inicial de Ligação, em que só as informações estruturais guiam o processamento intrassentencial. Na proposta que caracteriza os Princípios de Ligação como epifenômenos, Déchaine e Wiltschko (2002b) argumentam que reflexivos DP (estrutura apresentada em (5a)), classe em que se enquadrariam tanto as formas reflexivas himself/herself quanto as a si mesmo(a) e ele(a) mesmo(a),estabelecem ligação com um antecedente disponível através da atribuição de correferência. Se não há um antecedente local disponível, então os reflexivos DP funcionam como logóforas. Isso explicaria os resultados encontrados para as formas reflexivas do inglês, mas deixa em aberto a não ocorrência da interpretação logofórica para as formas reflexivas do PB, ao menos nos resultados encontrados. Ainda assim, de acordo com essa abordagem, a interpretação logofórica só é possível na ausência de um antecedente disponível no domínio de ligação, o que talvez indique que em um primeiro momento as informações estruturais são levadas em consideração. Entretanto, se observados os resultados encontrados por Lacerda, Oliveira e Leitão (no prelo), que dizem respeito à investigação da forma reflexiva se e sua contrapartida nula no dialeto mineiro, tem-se resultados compatíveis com os encontrados para as formas reflexivas do inglês em estruturas canônicas, atuação inicial do princípio e atuação tardia de informações não estruturais, como variações dialetais e tipo de predicação verbal. 327

328 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro Pode-se estabelecer um diálogo entre os resultados de Lacerda, Oliveira e Leitão (no prelo) e a proposta teórica de Brito (2009), que aponta a deficiência de traço do se, que, por poder ser a forma reflexiva para antecedentes de qualquer especificação gramatical no PB, não apresenta, segundo Brito (2009), traços ϕ (gênero, número e pessoa) codificados em sua estrutura. Em consonância com a proposta de Déchaine e Wiltschko (2002), a autora assume que o se é um reflexivo N. Reflexivos N não são referenciais, assim a única maneira de entrarem em uma relação de correferência é através do predicado que os introduz, estabelecendo uma relação transitiva que é verdadeiramente reflexiva (R[x,x]), diferentemente das formas reflexivas do inglês, que, segundo Déchaine e Wiltschko (2002) seriam reflexivos DP, como já mencionado na seção 1. Entretanto, Brito (2009) concilia a proposta de estrutura interna para as formas reflexivas de Déchaine e Wiltschko (2002) com a proposta de Reinhart e Reuland(1993) de que anáforas SELF têm a propriedade de serem [+reflexivizadoras], assumindo que tanto o se reflexivo do PB quanto os reflexivos do inglês são anáforas SELF, com a diferença de que o elemento self se encontra morfologicamente realizado nos reflexivos do inglês, enquanto no se do PB, é um traço semântico que possibilita a interpretação reflexiva na Forma Lógica do predicado em que está presente, o que permitiria a atuação, mesmo que tardia, das informações não estruturais, como o tipo de predicação. Já no caso dos pronomes, os resultados do PB seguem no mesmo caminho, pois tanto os estudos de Badecker e Straub (2002) e Kennison (2003), quanto Leitão, Peixoto e Santos (2008) e Leitão e Bezerra (no prelo) encontraram evidências de que há dois estágios (Bonding e Resolution) no processamento correferencial intrassentencial, ao menos quando se trata de estruturas classicamente exemplificadas pelos estudos que se pautam pela Teoria da Ligação. 328

329 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito O confronto dos princípios de ligação, como formulados em Chomsky (1981; 1986), com os resultados de estudos experimentais como os apresentados neste artigo, revelam uma oscilação quanto ao ponto de atuação dos princípios de ligação no processamento on-line, ora com a interferência inicial de informações sintáticas, ora com a interferência inicial de informações semântico-discursivas. Os resultados parecem apontar para uma necessidade de se discutir os Princípios de Ligação enquanto universais que regem a distribuição de expressões nominais em sentenças. Contudo, ao se incorporar à discussão estudos que se enquadram nos desenvolvimentos mais recentes da Teoria da Gramática Gerativa (CHOMSKY, 1995 em diante), é possível observar que não são exatamente os Princípios de Ligação que precisam ser repensados, mas sim a classificação de expressões nominais em anáforas, pronomes e expressões-r, ou, mais precisamente, a existência dessas classes enquanto primitivos teóricos. Parece haver inúmeras subclassificações possíveis dentro dessas três classes maiores, e essas subclassificações também refletem diferenças referenciais, estruturais e distribucionais desses elementos. Torna-se essencial, assim, para continuidade e aprofundamento das pesquisas aqui reportadas, uma caracterização mais acurada das expressões nominais envolvidas nas relações de anáfora e correferência. Caracterização que leve em consideração a estruturação interna desses elementos, a natureza dos traços que as suas estruturas codificam e a interação entre traços gramaticais do antecedente e da expressão nominal, explicitando-se, dessa forma, os mecanismos que tornam possíveis os diferentes padrões de concordância demonstrados. Referências BADECKER, W.; STRAUB, K. The processing role of structural constraints on the interpretation of pronouns and anaphors. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition,

330 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro BRITO, D. B. S. O se reflexivo no português brasileiro f. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal de Alagoas. Maceió. CARDINALETTI, A.; M. STARKE. The typology of structural deficiency: A case study of three classes of pronouns. In: Clitics in the languages of Europe, ed. By Henk van Riemsdijk, Berlin: Mouton, 1999, p CHOMSKY, A. N. Lectures on government and biding. Dordrecht: Foris, CHOMSKY, A. N. Knowledge of language: its nature, origin and use. London, UK: Praeger, CHOMSKY, A. N. The Minimalist Program. Cambridge: MIT Press, CLIFTON, C.; KENNINSON, S. M.; ALBRECHT, J. E. Reading the words him and her: Implications for parsing principles based on frequency and on structure. Journal of Memory and language, DÉCHAINE, R-M.; WILTSCHKO, M. Decomposing pronouns. Linguistic Inquiry, n. 19, 2002a, p DÉCHAINE, R-M.; WILTSCHKO, M. Deriving Reflexives. WCCFL 21 Proceedings, ed. L. Mikkelsen and C. Potts. Somerville, MA: Cascadilla Press, 2002b, p FERRARI-NETO, J. Minimalismo em um enfoque psicolinguístico: os princípios de ligação e sua atuação no processamento on-line da correferência. No prelo. 330

331 Márcio Martins Leitão, Rosana Costa de Oliveira, Elisângela Teixeira, José Ferrari Neto e Dorothy Bezerra Silva de Brito GROLLA, E. & BERTOLINO, K. A proforma ele com antecedente local em português brasileiro adulto e infantil. In: Estudos da Linguagem: casamento entre temas e perspectivas. Org.: da Hora, D. & Negrão, E. João Pessoa: Editora Ideia/Editora Universitária da UFPB HARRIS, T.; WEXLER, K. & HOLCOMB, P. An ERP Investigation of Binding and Coreference. Brain and Language 75, 2000, p KALSER, E.; RUNNER, J. T.; SUSSMAN, R. S.; TANENHAUS, M. K. Structural and semantic constraints on the resolution of pronouns and reflexives. Cognition. 2009, 112(1): KENNISON, S. Comprehending the pronouns her, him, and his: implications for theories of referential processing. Journal of Memory and Language, LACERDA M. C.; OLIVEIRA, R.; LEITÃO, M. O processamento da anáfora se em português brasileiro e a influência da variação dialetal. Fórum Linguístico. No prelo. LEITÃO, M.; PEIXOTO, P.; SANTOS, S. Processamento da correferência intra-sentencial em português brasileiro. Veredas online, 2008, p MAIA, M.; GARCIA, D. C.; OLIVEIRA, C. The processing of conceptual anaphors and fully specified pronouns in intrasentencial contexts in Brazilian Portuguese. ReVEL, special issue n. 6, NICOL, J.; SWINNEY, D. The role of structure in coreference assignment during sentence comprehension. Journal of Psycholinguistic Research, 1989, p

332 Evidências Experimentais do Processamento da Correferência e dos Princípios de Ligação em Português Brasileiro OLIVEIRA, R.; LEITÃO, M.; HENRIQUE, J. A influência dos antecedentes vinculados e não vinculados no processamento da anáfora a si mesmo(a). Linguística, v. 8, n. 2, 2012, p OLIVEIRA, R.; LEITÃO, M.; ARAÚJO, E. A influência dos antecedentes vinculados e não vinculados no processamento da anáfora ele(a) mesmo(a). Revista do GELNE, Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste, v. 5, n. 1 e 2, Natal: UFRN, 2013, p OLIVEIRA, R.; FERRARI, J.; CASTOR, J. B. A Influência dos antecedentes disponíveis e não-disponíveis no processamento da anáfora ele(a) mesmo(a) em português brasileiro (PB). Revista Letrônica, revista digital do PPGL da PUCRS. Psicolinguística & escritas migrantes na literatura contemporânea. V. 7, n REINHART, T.; REULAND, E. Reflexivity. Linguistic Inquiry, n. 24, 1993, p RUNNER, J. T.; SUSSMAN, R. S.; TANENHAUS, M. K. Assignment of reference to reflexives and pronouns in picture noun phrases: evidence from eye movements. Cognitive RUNNER, J. T.; SUSSMAN, R. S.; TANENHAUS, M. K. Processing reflexives and pronouns in picture noum phrases. Cognitive Science , p STURT, P. The time-course of the application of binding constraints in reference resolution. Journal of Memory and Language, XIANG, M.; DILLON, B.; PHILLIPS, C. Illusory licensing effects across dependency types: ERP evidence. Brain & Language , p

333 THE ACQUISITION OF COORDINATION AND RECURSION OF PPs: HOW TO FARE THE DEVELOPMENT OF THESE COMPUTATIONS? 1 Aniela Improta FRANÇA Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/CNPq/ACESIN 2 ) Alex DE CARVALHO École Normale Supérieure (LSCP 3, França) Aleria LAGE Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/LADS 4 ) Mayara de Sá PINTO Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/LADS 4 ) 1 This research was supported by a Productivity in Research grant from CNPq (National Council of Scientific and Technological Development), bestowed to Aniela Improta França; a research grant from the Rio de Janeiro Carlos Chagas Filho Foundation for Research Support (FAPERJ), bestowed to Aleria Lage; and an undergraduate fellowship from CNPq bestowed to Mayara de Sá Pinto. This work would not have been possible without the support of the wonderful staff of the public preschools Espaço de Desenvolvimento Infantil Moacyr de Goes and Espaço de Desenvolvimento Infantil Professora Solange Conceição Tricarico, located in Maré community, in Rio de Janeiro. We are most indebted to the children and to their parents authorizations. 2 ACESIN Laboratório de Acesso Sintático 3 LSCP Laboratoire de Sciences Cognitives et Psycholinguistique 4 LADS Laboratório de Aspectos da Derivação Sintática: Neurofisiologia da Linguagem e Psicolinguística Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

334 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? RESUMO A recursividade, um cálculo implementado através da inserção de um constituinte dentro de outro, é amplamente reconhecido como uma capacidade cognitiva fundamental. Uma discussão interessante sobre o tema gira em torno da especificidade do domínio dessa cognição, ou seja, se ela está nas bases da capacidade de linguagem ou se é parte integral de recursos cognitivos gerais e é posta em ação na linguagem como um fator externo. Naturalmente, é primordial para essa discussão saber quando a recursividade é adquirida. Este estudo quer contribuir para esta discussão ampla, concentrando-se na aquisição de uma instância recursiva - a dos sintagmas preposicionais (PPs) em Português do Brasil. Os resultados apontam para a faixa etária de 4 anos como sendo a idade em que a recursividade começa a ser processada de forma significativa. ABSTRACT Recursion, a computation that is implemented by tucking a constituent into another, is widely recognized as a fundamental cognitive capacity. An interesting discussion tries to define the domain specificity of recursion, that is, if it lies in the underpinnings of language capacity, or if it is an integral part of general cognitive resources and is called into action as an external factor. Naturally, an important element in this discussion is the knowledge of when recursion is acquired. This study wants to contribute to this wide investigation by focusing on the acquisition of one recursive instance that of Prepositional Phrases (PPs) in Brazilian Portuguese. The results point to the age bracket of 4 years of age as the one in which recursion starts being meaningfully processed. PALAVRAS-CHAVE recursividade, sintagmas preposicionais, especificidade de domínio, aquisição de recursividade KEYWORDS recursion, prepositional phrases, domain specificity, acquisition of recursion 334

335 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto Introduction A standard observation in linguistics is that an expression of a given syntactic, semantic or phonological category may become part of another expression if both hold the same category. This computation, named recursion, that is implemented by tucking a constituent into another, is widely recognized as a fundamental cognitive capacity. An interesting discussion in this field tries to define the domain specificity of recursion, that is, if it lies in the underpinnings of language capacity (CHOMSKY, 2005; FITCH; HAUSER; CHOMSKY, 2005; HAUSER; CHOMSKY; FITCH, 2002) or if is an integral part of general cognitive resources and is called into action as an external factor (ARSENIJEVIC, HINZEN, 2010; ARSENIJEVIC, HINZEN, 2012). While the first option would explain the fact that recursion is supposed to be a major language principle found in all languages (cf. localized dispute in EVERETT, 2005, 2007; NEVINS, PESETSKY, RODRIGUES, 2009), the second option makes it easier to understand the multiple characteristics that involve the implementation of recursion in different aspects and phrases of different languages. A significant factor that can shed light onto this discussion is the acquisition of recursion. How and when exactly do children start processing recursion? On one hand it does not seem to be present in children s earliest utterances (ROEPER; SNYDER, 2004, 2005; ROEPER, 2011). Contrastingly, coordination appears as an earlier acquisition in language comprehension and production (PÉREZ- LEROUX et al., 2012). The fact that coordination appears earlier is rather intuitive and can be explained by the simple fact that coordination is a straight-forward way to bypass computation by accounting for items that are sent to storage (for instance, short-term memory) the way they appeared, without any correlation or hierarchy between them. This simplicity is likely to be successeful for at least a few items. Nevertheless, when there 335

336 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? is a number of items that starts challenging memory capacity, a safer cognitive decision is to resort to structure, which exponentially increases memory and processing capacities (MILLER, 1956). If items are organized hierarchically, then embedding computation, that is recursion, is a processing resource that once deployed might bring a reduction to the cost of combinatory computation. It might be costly to start the recursive structure, for instance: There is a banana in the box on the tray. But after the computation is established, it might be easier to embed other PPs, for instance: on the chair, over the carpet (MAIA et al., 2013). Clearly the evaluation of most economical choices can be readily attested in adult language, but how do children acquiring language implement these choices? In order to verify children s processing of recursion, this study will focus on a highly recursive structure: prepositional phrases (PP) in Brazilian Portuguese. The aim here is to contrast PP recursion to PP coordination in acquisition. To do this, this research will try to assess children at the earliest moment that recursion of PPs becomes an available property of their grammar, so that coordination can be compared at this very point. Since MAIA et al. (2013) attested a scale advantage in embedding multiple layers of PPs 5, this study also controlled for this possibility in children. That is, since the number of layers was a controlled factor it will be possible to verify if multiple embedding once deployed has processing advantages over coordination of several items, because it supposedly generates no extra computational cost, while coordination still requires reiteration and memory. 5 Maia et al tested adult participants using stimuli with three levels of PP embeddings. In addition to an off-line oral sentence/picture matching test, there was an on-line experiment, that evaluated neurophysiological (EEG-ERP) parameters. 336

337 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto 1 The test An oral sentence picture matching test was produced to be applied to sixteen 3 y-o and sixteen 4 y-o children, following a between-subject distribution. Children heard a sentence and had to match it with one of two pictures: one depicted a situation of a coordinated list and the other depicted a situation of embedded nouns hierarchically organized. The prosodic contour of phrases was controlled, using PRAAT platform 6, such that the only cue used for interpretation was syntactic. We left no pauses and suppressed all prosodic modulation, so that there were no biases that could confound participants. Using a preferential looking paradigm, participants listened to test sentences either in the recursive or coordination condition. For instance, in the recursive condition: There is a banana in the box on the tray on the chair; and in the coordinated condition: There is banana in the box and on the tray and on the chair. At the same time, children were presented with two images displayed side-by-side on the computer screen. One image was associated with the coordinated representation of the sentence (e.g., three bananas: one placed in the box, another on the tray, and another one on the chair) and the other with the recursive representation of the sentence (e.g., only one banana on top of the three containers) (Figure 1). Then, when listening to the test sentence, children had to point toward the best match. All the while, there was a camera filming children s gestures from behind, so that the experimenters could have an after-test response control, besides the register taken down by the experimenter s assistant during the test. 1.1 Materials and Method In this experiment, participants listened to test sentences either in 6 Using Praat for Linguistic Research is completely free, and is available for use at hum.uva.nl/praat/download_win.html 337

338 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? the recursive or coordination conditions For instance, in the recursive condition: There is a banana in the box on the tray on the chair; and in the coordinated condition: There is banana in the box and on the tray and on the chair. At the same time, children were presented with two images displayed side-by-side on the computer screen (Figure 1). One image (on the right) was associated with the coordinated representation of the sentence (e.g., three bananas: one was placed in the box; one, on the tray; and one, on the chair). The other image (on the left) was associated with the recursive representation of the sentence (e.g., only one banana on top of the three containers). Then, when listening to the test sentence in one of the experimental conditions (coordination vs. recursive), children had to point toward the image that best matched, in their opinion, the sentence they had just heard. Figure 1: A pair of images shown in the experiment, originally in color. The participant would choose the image on the left if she had an interpretation of recursion (on the left: «There is a banana in the box, on the tray, on the chair»), or the one on the right for coordination (on the right: «There is a banana in the box, AND on the tray, AND on the chair»). 338

339 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto When children clearly and resolutely pointed to one of the pictures, experimenters would count the response as relating to a coordinated or a recursive interpretation. Thus, if participants in each one of the two age groups were able to process and to correctly interpret the recursion of PPs, there would be more pointing toward the images representing the recursion, when they listened to the recursive sentences and more pointing responses toward the images representing coordination, when they listened to the coordinated sentences. The number of recursive layers and that of coordinated items were also controlled for. There were sentences with to or three recursive layers and coordinated items, as it can be seen in the examples below: Recursive sentence with two embeddings Tem gato na caixa na mesa (There is cat in the box on the bed) Recursive sentence with three embeddings Tem porco no balde na bandeja na cadeira (There is pig in the bucket on the tray on the chair) Coordinated sentence with two items Tem maça na caixa e no balde (There is apple in the box and in the bucket) Coordinated sentence with three items Tem cachorro na caixa e no balde e na cadeira (There is dog in the box and in the bucket and on the chair) 1.2 Participants Thirty-six children, native speakers of Brazilian-Portuguese 339

340 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? participated in this experiment. They were divided into two age groups: the 3-year-old group (2,9 to 3,8; M =3,5; n = 18 ) and the 4-year-old group (4,0 to 4,6; M = 4,3; n = 18). Children were tested in two public preschools in Rio de Janeiro, and their parents signed an informed consent form. An additional eight children participated in the study, but were not included in the final analysis because they were not concentrated on the task during the experiment (4), there were experimental problems (2), or there was some kind of fussiness during the experiment session in the school (2). 1.3 Stimuli Eight pairs of experimental sentences were created from eight target words likely to be known by children, for example: banana, cat, apple, pig, cake, dog, sandwich, rabbit. For each target word, we recorded a pair of sentences: one was the coordinated version and the other was the recursive version. The coordinated version was recorded with the conjunction AND before each PP, for example: There is banana in the box and on the tray and on the chair. The recursive version was recorded without a pause between the PPs, for instance: There is banana in the box on the tray on the chair (c.f., Appendix 1, for stimuli s list). Although the sentences were carefully recorded, so that no additional cues, such as pauses, could be extracted from prosody, the sentences were uttered as if they were being spoken naturally to a child, in a child-direct speech way. The recording was done by a male Brazilian Portuguese speaker (the second author) who recorded the stimuli after a few sessions of practice in order to control for other extraneous factors (e.g., pauses, noises, pitch variations, etc.). In total, we created sixteen test sentences: eight in the recursive condition and eight in the coordination condition. Thus, we created two lists of stimuli, so that each version of a given sentence pair appeared in a different list. This means that a given child would listen to a given sentence only in a recursive or a coordination condition, but not in both, 340

341 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto following a Latin square distribution. Each list contained four sentences recorded in the recursive version and four in the coordinated one, plus eight filler sentences. Each participant listened to only one list. Half of the participants were assigned to each list and the order of sentences presentation within each list was pseudo-randomized. 1.4 Procedure Children were tested individually in their own preschool. During the experiment, participants were seated in front of a computer screen displaying the visual stimuli. They were told that they were going to play a game in which they would have to find the image that corresponded to the sentences they would listen to. The experiment started by a practice session consisting in a presentation of a filler sentence that corresponded to one of the two pictures simultaneously presented to them (Figure 2). Figure 2: Participant during the test, pointing to the image on the right 341

342 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? As soon as the participant gave two correct pointing responses in this practice session, the experimenter would start the test session. Before the test session began, the experimenter would adjust headphones to the children s ears. The test session was composed of sixteen trials: eight test sentences and eight filler sentences, half of the test sentences with a recursive structure and half with a coordinated structure counterbalanced between participants. Each test trial started by an inspection period to provide the child enough time to look at the pair of images displayed on the screen. Each image was first presented separately for 5 seconds on the left or the right side of the screen, and a neutral audio prompt was played at the same time, for instance: Hey, look! Do you see that? Both images were then silently presented on the screen, for 5 seconds. Then, these images would disappear, and the screen was blank for 500ms. Finally, the two images appeared again together on the screen, simultaneously to the auditory test sentence. Participants task was to point toward the image that, in their opinion, matched the sentence they had heard. Each trial ended with the sound and illustration of clapping hands to stimulate the child s participation, regardless of whether the response was correct or not. The time course of each trial is described in Figure

343 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto Figure 3: The complete time course of each trial. Results Responses that correctly matched the target interpretation of the sentences (recursive in recursive condition, coordination in coordination condition) were scored as 1, and incorrect responses were scored as 0 (See Appendix 2). Thus, for each child and for each condition, we calculated the average scores of their responses and used them as the dependent measure in our analysis. 343

344 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? Because recursive and coordination responses in this task are complementary, we chose the proportion of pointing toward the recursive image as our dependent measure in the statistical analysis. Figure 4 presents the average proportion of pointing responses toward the recursive and the coordination images for each condition (Recursive or Coordination) for both groups of children (3-year-old Vs. 4-year-old). A one-way analysis of variance (ANOVA) was conducted with participants as random factor. This analysis included a within-subject factor Condition (Recursive, Coordination), and two between-subjects factor, List (List1, List2) and Group (3 year old, 4 year old). Figure 4: Proportion of pointing responses toward the Recursive image and the Coordination image after listening to the test sentences, with a recursive or a coordinated syntactic structure, for each group of participants. Error bars represent the standard error of the mean. 344

345 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto A main effect of Condition (F(1,34) = 6.38, p <.02) was observed. Taking all together, children pointed more toward the coordination image than to the recursive image when they heard the coordinated sentences. There was also a marginally significant effect of Group (F(1,34) = 3.92, p =.055) indicating that while 4-year-old children pointed more toward the recursive image than toward the coordination image when they heard the test sentences with the recursive structure (and vice-versa for the test sentences with the coordinated structure), 3-year-olds always pointed more toward the coordination image for both conditions (recursive, coordination). Thus, the proportion of pointing responses toward the recursive image in the recursive condition was above chance for 4-yearolds (60%), but for 3-year-old children the average was below chance (40%), (t(34) = , p <.01). No other effect or interaction reached significance. Discussion The main effect of the test points to the fact that the children tested at 3 and at 4 years of age appear to have the coordination interpretation available to them. One might argue that this test cannot properly disentangle coordination from a simple lexical effect: children might stock semantic contents of the items presented to them without really coordinating them. Nevertheless, even the simple adding of one layer of PP already entails a syntactic merge between a DP and a PP (a pencil in the box), or even a simplified merge (pencil in box). The fact that they recognize the coordinated condition in which there is a distribution of items, for instance: There is [a] banana in the box and on the tray and on the chair, shows that the structure entailed in the PP coordination is being at least partially realized. As a contrast, the recursive condition is more complex and cannot be confounded with mere memory storage, because such sentences necessarily entail hierarchical structures that yield meaning on their own, independently from the lexical properties. When the recursive figure was 345

346 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? correctly matched to its corresponding sentence, that meant that the child knew that a single object was nested in two or three containers. That is, the distributive reading was blocked. The recursive structure appeared to be meaningful to the children tested as of 4 years of age (Check the two last columns in Figure 4). Four year olds pointed more to the recursive pictures than to coordinated ones when they listened to recursive sentences. Thus, this test successfully identified the transition period when PP recursion became a meaningful computation to children. The number of recursive layers two or three was not a significant factor, statistically speaking. Nevertheless, since 3 year-olds do not appear to use PP recursion meaningfully, and they were tested for layers together with 4 year-olds, another test focusing on 4 year-olds and multiple layers as a factor should be applied, in order to verify if their acquired computation seems to be similar to that of adults in this respect. Currently, we are developing a semantic investigation of manner PPs, conveying different thematic roles, and we expect to get the very same results as those of the place PPs already tested here, since recursion is a syntactic computation and should not be hindered or facilitated by the semantic content of the phrase. We also intend to test acquisition of other recursive phrases in a similar fashion. Most importantly, since 4 years of age is the moment that PP recursion seems to become available, several types of recursive computations must be tested involving other cognitive domains, so that it is possible to fare if recursion of PPs and of other linguistic structures, arising from interface effects, derive from more primitive properties than those verified in linguistic computations. In terms of more sophisticated perspectives, a desirable advancement, as much as it is hard to accomplish with children, is the use of online testing, that can discriminate between automatic and reasoned upon processes. 346

347 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto References ARSENIJEVIC, B.; HINZEN, W. On the absence of X-within-X recursion in human grammar. Linguistic inquiry, v. 43, n. 3, p , Recursion as a Human Universal and as a Primitive. p , CHOMSKY, N. Three Factors in Language Design. Linguistic Inquiry, v. 36, n. 1, p. 1 22, jan EVERETT, D. Cultural constraints on grammar in Piraha: A reply to Nevins, Pesetsky, and Rodrigues (2007). LingBuzz, p. 27, EVERETT, D. Cultural constraints on grammar and cognition in Piraha. Current Anthropology, v. 46, p , 2005 FITCH, W. T.; HAUSER, M. D.; CHOMSKY, N. The evolution of the language faculty: clarifications and implications. Cognition, v. 97, n. 2, p ; discussion , HAUSER, M. D.; CHOMSKY, N.; FITCH, W. T. The faculty of language: what is it, who has it, and how did it evolve? Science (New York, N.Y.), v. 298, n. 5598, p , MA IA, M. et al. The processing of PP embedding and coordination in Karaja and in Portuguese. Federal University of Rio de Janeiro, Disponível em: recursion/#about M ILLER, G. A. The magical number seven, plus or minus two: some limits on our capacity for processing information. Psychological review, v. 101, n. 2, p ,

348 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? NEVINS, A.; PESETSKY, D.; RODRIGUES, C. Piraha exceptionality: A reassessment. Language, n. 85, p , PÉREZ-LEROUX, A. T. et al. Elmo s Sister's Ball: The Problem of Acquiring Nominal Recursion. Language acquisition, v. 19, n. 4, p , ROEPER, T. The acquisition of recursion: How formalism articulates the child s path. Biolinguistics, v. 5, n. 1, p. 26, ROEPER, T.; SNYDER, W. Language learnability and the forms of recursion. In: DELMONTE, D. S. & R. (Ed.). UG and External Systems: Language, Brain and Computation. Amsterdam: John Benjamins v. 1, p , Recursion as an analytic device in acquisition. Proceedings of GALA 2003 (Generative Approaches to Language Acquisition, v. 2003, p , Appendix 1: Experimental Sentences List Trial Target Condition Sentence List1 Test1 Cat - Gato Recursive Tem gato na caixa na mesa. List1 Filler1 Dog - cachorro F1 O cachorro está no barco List1 Test2 Apple - Maça Coordination Tem maçã na caixa e no balde List1 Filler2 Little cat - gatinho Filler O gatinho subiu no telhado List1 Test3 Pig - Porco Recursive Tem porco no balde na bandeja na cadeira. List1 Filler3 Rabbit - coelho Filler Hoje é o aniversário do coelho List1 Test4 Banana - Banana Coordination Tem banana na caixa e na bandeja e na cadeira List1 Filler4 Apple - maça Filler Quem botou a maçã no livro? List1 Test5 Cake - Bolo Recursive Tem bolo na bandeja na mesa 348

349 Aniela Improta França, Alex de Carvalho, Aleria Lage e Mayara de Sá Pinto List1 Filler5 Pig - porco Filler O porco vai comer os morangos. List1 Test6 Dog - Cachorro Coordination List1 List1 Filler6 Test7 Strawberries - morangos Sandwich - Sanduiche Filler Recursive Tem cachorro na caixa e no balde e na cadeira A caixa de morango está cheia. Tem sanduiche na caixa no balde na mesa List1 Filler7 House - casa Filler Será que o porco vai entrar na casa? List1 Test8 Rabbit - Coelho Coordination Tem coelho no balde e na cadeira List1 Filler8 Dog and Cat - Cão_e_gato Filler O cachorro e o gato subiram na mesa. List2 Test1 Cat - Gato Coordination Tem gato na caixa e na mesa List2 Filler1 Dog - cachorro F1 O cachorro está no barco List2 Test2 Apple - Maça Recursive Tem maça na caixa no balde List2 Filler2 Little cat - gatinho Filler O gatinho subiu no telhado List2 Test3 Pig - Porco Coordination Tem porco no balde e na bandeja e na cadeira List2 Filler3 Rabbit - coelho Filler Hoje é o aniversário do coelho List2 Test4 Banana - Banana Recursive Tem banana na caixa na bandeja na cadeira List2 Filler4 Apple - maça Filler Quem botou a maçã no livro? List2 Test5 Cake - Bolo Coordination Tem bolo na bandeja e na mesa List2 Filler5 Pig - porco Filler O porco vai comer os morangos. List2 Test6 Dog - Cachorro Recursive Tem cachorro na caixa no balde na cadeira List2 Filler6 Strawberries - morangos Filler A caixa de morango está cheia. List2 Test7 Sandwich - Sanduiche Coordination Tem sanduiche na caixa e no balde e na mesa List2 Filler7 House - casa Filler Será que o porco vai entrar na casa? List2 Test8 Rabbit - Coelho Recursive Tem coelho no balde na cadeira List2 Filler8 Dog and Cat - Cão_e_gato Filler O cachorro e o gato subiram na mesa. 349

350 The Acquisition of Coordination and Recursion of PPs: How to Fare the Development of These Computations? Appendix 2: Example of stimulus control flow used with Participant M 350

351 How Children Distribute: The Acquisition of the Universal Quantifier in Brazilian Portuguese Ruth E. Vasconcellos Lopes Universidade Estadual de Campinas (Unicamp/CNPq) Resumo Examinamos a aquisição do quantificador universal em crianças monolíngues falantes do português brasileiro (PB). Nossa hipótese é a de que em línguas com concordância nominal morfologicamente marcada, como o PB, as crianças não passarão por um estágio de quantificação do evento, como no inglês, pois a morfologica nominal servirá como pista para a quantificação sobre indivíduos. Testamos 20 crianças de 4 a 6 anos que demonstraram um comportamento adulto. Testamos, também, sentenças ambíguas em relação ao escopo do quantificador. 40 crianças de 3 a 6 anos demonstraram uma clara preferência por leituras distributivas (79,2%). Abstract We examined the acquisition of the universal quantifier (every/all) by monolingual Brazilian Portuguese (BP)-speaking children. Our hypothesis holds that in nominal agreement languages, such as BP, children deal with quantification over individuals and not events very early on since they are morphologically cued into that when compared to children acquiring English, a language in which children start out quantifying over events. We tested 20 4 to 6 year-olds and they performed at ceiling as non-spreaders. We have also tested for scope readings in ambiguous sentences. Forty 3 to 6 year-old children were tested, showing a preference for the distributive reading (79.2%). Palavras-chave quantificador universal, português brasileiro, aquisição, abordagem formal Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

352 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese Keywords universal quantifier, Brazilian Portuguese, acquisition, formal approach Introduction 1 Our aim in this paper is to examine the acquisition of the universal quantifier tod- followed by a singular Noun Phrase (NP) or a plural Determiner Phrase (DP), by monolingual Brazilian Portuguese (BP)-speaking children. As we will discuss along the paper, the same morphological root tod- can combine either with a NP or a DP, yielding different interpretations (see Müller, Negrão & Gomes, 2007). We will be mainly interested in assessing children s interpretation for the tod- when combined with a singular NP (todo sapinho every frog ), but we will also contrast that with the form tod- with a plural DP (todas as meninas all the girls ) in order to assess any preferential interpretation children might show during the acquisition process. There is a vast literature on quantifiers in BP (see, among many others, Gomes (2004 e 2009), Lima (2013), Negrão (2002), Pires de Oliveira (2003)), not always converging in the analysis of tod- as a quantifier proper, but rather as a modifier (see Lima, 2013, for instance). Considering our interest here is to understand what happens with respect to acquisition, we will not explore the matter from a theoretical standpoint. We will, rather, explore hypotheses about the acquisition of quantifiers, assuming, for the sake of this paper, that tod- + a singular NP or a plural DP is a quantifier with different properties. With that in mind, our starting point was rather descriptive: When exactly do children display an adult interpretation of quantifiers in 1 I thank the audiences at the 41st Linguistic Symposium on Romance Languages and the Generative Approaches to Language Acquisition meeting, GALA See Lopes (2013) for a previous version of this paper. I also thank an anonymous reviewer for the generous comments and suggestions. The usual disclaimer applies. 352

353 Ruth E. Vasconcellos Lopes the language? By adult interpretation we simply mean that children will quantify over individuals and not over events, for reasons that will become clearer below. Our general results on a picture selection task show that, when faced with a simple sentence containing inergative verbs and only one universal quantifier in subject position, such as (1), children reach a figure of over 60% of adult-like interpretation since their 3rd birthday. (1) Todo sapinho tá lendo. Universal quantifier-masc-sg frog-little-masc-sg is reading Every frog is reading Following studies in other languages, we decided to test Is every X V-ing a Y? (Toda foca tá jogando uma bola? Is every seal playing with a ball? ) sentences to check whether or not children could interpret them. We were considering Philip s (1995) symmetrical hypothesis, according to which children establish a one-to-one mapping between the restrictor in subject and object positions ending up with an eventlike interpretation. 2. According to him, young children do not apply quantifiers over their nominal domains but rather take the sentence to be an event of Xs V-ing Ys, sometimes in an exhaustive manner. In other words, for such interpretation to apply and children take the sentences as true there has to be the same amount of Xs and Ys to take part in the event of Xs V-ing Ys. We will call that the event quantification theory. There is, however, a very different approach to the acquisition of quantifiers in the literature. We will call it the Full competence theory after Crain et al. (1996), among others. According to this theory, children know quantifiers from very early on and results that point 2 Roeper et al. (2004) also share the same analysis although they tackle the question with a different approach both theoretically and methodologically. We will go back to this point shortly. 353

354 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese otherwise are due to methodological flaws. By knowing quantifiers the authors mean that children interpret them as an adult, quantifying over individuals and not over events. Our experiments tried to circumvent the problems raised by Crain et al. while providing children with the chance to show non-adult-like behavior. Interestingly, we did find it. As it will be discussed below when we present our experiments and results, Brazilian children did not treat the quantification according to the event theory but they were not fully competent as well since they had a tendency towards a distributive reading of the sentences, regardless of the morphological form of the Quantifier Phrase (QP). Adults tested as our control group showed a clear cut pattern of interpretation associating the tod- used in a singular nominal domain (toda menina every girl ) as distributive and the one used in a plural nominal domain (todas as meninas all the girls ) as collective. Children were distributers despite of the morphology involved. Our hypothesis for the difference between English speaking children and Brazilian ones is related to the morphological differences of the two languages. Agreement factors cue Brazilian children from very early on in regard to the fact that the quantifier belongs in the nominal domain, therefore they don t quantify over the event. However, they also have to figure out which morphological forms go with which interpretation, which prevents them from being fully competent. We will come to this point in section 3.4 for a detailed discussion. It might be the case, though, that this non-adult pattern which seems to go on for quite a while is not necessarily linked to the quantifiers per se but to the different options the language offers reflected in distinct morphological choices. This paper will be organized as follows: In section 2, a brief overview of the literature on the acquisition of quantifiers is discussed; in section 3 we present our experiments and results and discuss them. We finish with a few final remarks in section

355 Ruth E. Vasconcellos Lopes 1 Different views on the acquisition of quantifiers: a brief overview 3 It is fair to say that there are roughly two approaches to the acquisition of quantifiers: those that attribute the non-adult responses to a lack of knowledge of quantificational operations and those that give a nonlinguistic account for children s deviant responses. 4 The first approach could be traced back as far as Inhelder & Piaget s (1964) work but we will concentrate here on what we have called the event theory on the previous section. Philip (1995) has proposed that children initially treat universal quantifiers as adverbial modifiers. Therefore, they would quantify over events, taking scope over the whole sentence, which yields a one-to-one mapping between subject and object. Thus, having to judge a sentence like (2) against the picture in (3) children will say that the sentence is not true since there is a pony which is not being held by any girl. (2) Is every girl holding a pony? (3) 3 For a thorough review see Meroni, Gualmini & Crain (2007). 4 We will not discuss here another linguistic approach advanced by Lidz & Musolino (2002), among other papers, in which they discuss whether children deal with scope effects in quantified sentences in a linear or hierarchical manner, obeying c-command if the second option is available. We did not test for that. 355

356 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese One of the predictions of such a proposal is that children will go through different stages during the development of the quantifier. Philip (op. cit.) proposes three of them: (i) the exhaustive reading; (ii) the symmetrical reading and (iii) target. In the first case, anything in a scene would be taken as part of the event by children. In the second one, children map subjects and objects symmetrically. According to this view, children would give the exhaustive and symmetrical interpretation, respectively, for a sentence such as (4): (4) Is every boy riding a pony? a. all minimal events in which either a boy or a pony (or both) is a participant, or in which any perceived object is a participant, are events in which a boy is riding a pony. (Philip, 1995: 75) b. all minimal events in which either a boy or a pony (or both) is a participant are events in which a boy is riding a pony. (Philip, 1995: 75) The second approach mentioned above was first advanced by Freeman, Sinha & Stedmon (1982) and then generalized to any phenomena in child grammar by Crain et al. (1996). According to these authors, children know quantifiers and the errors found are the result of infelicitous experimental design, since the yes/no option in scenarios like the one in (3) are not pragmatically plausible. Experiments, then, have to give the child a chance to consider a possible false outcome, which would make then plausible. Therefore, in a picture such as (3) having a girl holding something other than a pony could make it pragmatically plausible. Having this extra object, then, should flip children s responses from non-adult like to adult ones. One has to keep in mind, though, that this is exactly what Philip considers to drive the exhaustive reading initially. 356

357 Ruth E. Vasconcellos Lopes Roeper et al. (2004) have a similar approach to Philip s (1995), that is, also a grammar internal one, although trying to circumvent the methodological problems raised by the non-linguistic approach to quantification. They claim children go through three different stages during the acquisition path to quantification: from a bunny spreading (BS) one, to a classical spreading (CS) period to target. During the first two stages, children treat the quantification as an event one, in other words, they spread the quantifier over the whole sentence. Only when they realize the quantifier belongs in the nominal domain they become target-like. 5-6 To test their hypothesis, the authors showed children a picture of an event of V-ing, let s say bunnies eating apples and a teddy bear eating some cake. The bunnies and the apples are mentioned during the experiment but not the bear and the cake. Thus, there is an extra object in the scene but it is taking part in a different event. We have to keep in mind that this should do the trick for Crain et al (1996). Therefore, if non-adult responses are still there, it becomes hard to sustain that they are solely due to methodological questions. Going back to their proposal, in a sentence such as (5), if children still say it is not true against a picture such as the one in (6) then they can only be treating the quantifier as an operator over the events. It seems that one can compare both approaches in terms of the stages proposed during the course of development. The BS could be considered a super exhaustive stage, since it involves two different events and children would have to consider everything in the scenario. (5) Is every bunny eating an apple? 5 In either of these grammar internal approaches it is never clear what forces children out of one stage into the next. 6 Roeper et al s (2004) implementation of the theoretical proposal is quite different from the one found in Philip s work. We won t discuss them here. 357

358 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese (6) Finally, let s compare the BS set up in (6) to the CS one in (7), with the extra object and a distractor. That would be classically tested with sentences such as Is every seal playing with a ball? (7) 358

359 Ruth E. Vasconcellos Lopes Roeper et al. (2004) show that the BS and CS stages can occur together but the CS one will still go on for a long period of time. In other words, children as old as 9 years will still say no to (7). They start to show an adult-like behavior in English only around their 10th birthday. It is clear that children acquiring English are spreaders for a long period of time before their grammar starts to have the quantifier restricting nouns. Those results can be seen in Figure 1: Figure 1: From Roeper et al (2004: 26) As we will see in the next sections, most of our experiments were designed either as the classical set up or as a replication to Roeper et al s one, although we had two different experiments designed to test scope interaction between the universal and the existential quantifiers. Our hypothesis, already laid out in the first section, is a grammar-internal one although it compromises with the full competence theory as well to a certain extent. We will come back to that in the discussion section of the paper. 359

360 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese 2 Our study 7 Albeit running the risk of not presenting our study in the traditional format of experimental work, in the sake of clarity we will present each experiment separately together with the results found and a brief discussion. Procedure and subject descriptions will be found amidst each experiment description. A global discussion bringing us back home to the hypothesis proposed will be found in the last section. 2.1 The first experiment As briefly discussed in the Introduction, this first experiment wanted to answer a very simple and descriptive question: When do BP-speaking children display an adult interpretation of quantifiers in the language? The task was a picture-selection one. Children were presented with three pictures: one was true and the other two were false one with an extra subject (not doing the expected activity) and one with an extra subject and a distractor. This task should avoid any pragmatic effects such as those pointed out by Crain et al. (1996), becoming a truth value one since children had two options: true and false. Six simple activity-verb sentences were tested always with the universal quantifier in subject position followed by a singular NP. A sample sentence and the respective picture set can be found in (8) which repeats (1) and (9) below: (8) Todo sapinho tá lendo. Universal quantifier-masc-sg frog-little-masc-sg is reading Every frog is reading. 7 IRB (CEP/FCM/Unicamp) approval for all the experiments number 401/2008. I d like to thank Danielle Algave for preparing the pictures and running the experiments. I d also like to thank the children and their parents, for consent at the CECI (Centro de Convivência Infantil) and the EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil Maria Célia Pereira) both at UNICAMP. 360

361 Ruth E. Vasconcellos Lopes (9) Twenty children were tested: three 2 year-olds, eight 3 year-olds and nine 4 year-olds. Unfortunately the task proved too difficult for the 2 year-old children. Only three out of more than ten were able to finish the experiment and/or understand that they should match a picture to the sentence. Most of them just marbled at the pictures. Results were scored in a pre-prepared sheet of answers. We can see the overall results in Figure 2: Figure 2: Overall results (in %) for adult and non-adult interpretation of the universal quantifier by age. 361

362 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese The three age groups have quite similar results, although it is hard to sustain anything about the 2 year-olds having so few of them. As we can see, children get over 60% of expected answers. We have broken the answers down in order to check whether the non-adult responses had anything to do with one of the false options. Results are shown in Table 1: Table 1: Adult vs. extra-subject and distractor options by age 8 Age Adult choice Extra subject Distractor 2 11/18 5/18 2/ /48 8/48 10/ /52 11/52 9/52 52 Total 73 (61.9%) 24 (20.3%) 21 (17.8%) 118 The only interesting result is that the two year-olds have a tendency to pick the extra subject picture as true more often than the one with the distractor. This goes contrary to the predictions made by Crain et al. (1996). However, we can t really claim anything since we only tested three children, whom, apart from that, seem to pair up with the 3 and 4 year-olds. These two age groups don t seem to make any distinctions between the two false conditions. Despite answering our initial descriptive question, showing that young children have a preference for the adult interpretation of the universal quantifier, this experiment could not address any of the other possibilities raised in section 1 since this task cannot take apart quantification over nouns or over the event. 9 8 One of the 4 year-olds did not answer two of the questions. 9 Options could fit the same judgment: (i) it is the case that if x is an individual then x is reading; (ii) it is always the case that there is an event of reading and xs are doing 362

363 Ruth E. Vasconcellos Lopes 2.2 The second experiment Are Brazilian children spreaders like the children tested for English? If so, are they also exhaustive or perfectionist children as Philip (1995) puts it? We have used a picture judgment task in this experiment. Therefore, all children had to do was to judge the sentences presented as true or false. We have tested sentences with the famous Is every X V-ing a Y format but we did it in an affirmative mode: (10) Toda foquinha tá jogando uma bola. Universal quantifier-fem-sg seal-little-fem-sg is playing a ball Every seal is playing with a ball. Is that so/right, child? Ten sentences were tested against the classic spreading set up as shown in picture (7). Since the expected answers were positive, we have used fillers to counterbalance for negative ones. Forty children between the ages of three and six responded quite consistently to the task. We made sure we had 10 children per age group. Two year-olds were excluded in view of the results obtained in the first experiment. Results are shown in Figure 3: Figure 3: Overall percentages of adult interpretation by age 363

364 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese The most striking result is the mean percentage of expected answers when all age groups are considered: 81.5% (326/400). However, there were three 5 year-olds and four 6 year-olds who consistently behaved as what appears to be an exhaustive child. A couple of questions come to mind. Was there, in fact, a pragmatic factor at play? Was the material infelicitous? It is hard to make such a claim considering the younger children did so well in the task. Other hypotheses can be entertained. The first one is that the adult-like behavior in the younger groups is fully adult like. If so, then one has to explain the non-adult-like behavior in the older groups. The second one would predict that the younger groups behavior is only apparent; in other words, it is achieved by using nonadult means, either in parsing strategies or grammar stages. This sort of U-shaped development effect is not unsual in the literature. As a matter of fact, Conroy, Lidz & Musolino (2009) discuss it with respect to inverse scope quantifier/negation and claim that older groups integrate more refined parsing strategies which are responsible for the age effect found. We come back to that briefly when discussing our third experiment. Due to the results found in the second experiment, we decided to run another one. 2.3 The third experiment We wanted to make sure Brazilian children are not spreaders. This time, though, we decided to check that with a Bunny spreading set up as the one discussed in section 2. We tested sentences such as the one presented in (5), and repeated here as (11) in BP, to be judged against pictures such as the one shown in (6). 364

365 Ruth E. Vasconcellos Lopes (11) Toda coelhinha tá comendo uma maçã? Universal quantifier-fem-sg bunny-fem-sg is eating an apple? Is every bunny eating an apple? We had six sentences counterbalanced with NO-fillers since the expected answer was YES. We decided to test 5 and 6 year-olds due to the results obtained in the previous experiment, having 10 of them per age group. Surprisingly, results were 100% adult-like. We then tested another 14 children between 3 and 4 years of age. The mean adult-like response percentage was It seems fair to say that if there is a BS stage, then it is previous to these children 3 rd birthday fading away quite quickly, according to our results. If we compare both experiments, collapsing the percentages for the 3-4 age groups, we come out with the following, considering only the non-adult spreading behavior: Figure 4: Percentage of spreading over age groups 365

366 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese Comparing Figure 4 with Roeper et al. s (2004) results shown in Figure 1, we detect a clear difference between the acquisition of quantifiers in English and Brazilian Portuguese. The amount of spreading is really low, although persistent between the 5 and 6 year-olds. Children acquiring English moved from the classic spreading stage into the target only around their 10 th birthday and figures of non-adult responses were much higher. Thus, we will try and sustain that the younger groups do behave adult-like but the older ones get tramped into other more fine grained semantic and grammatical processes which showed in their somewhat poorer performance in the third experiment. We will claim that this is linked with scopal effects that come into play and, therefore, with the collective or distributive features of the quantifiers due to a morphological distinction of the language. To check that, we designed yet another experiment. 2.4 The forth experiment Considering BP-speaking children are not spreaders, how do they deal with quantifiers and their restrictors? Do they distribute individuals or have a collective reading? Do they get scopal ambiguities? Do they perceive that the same morphological item can get different semantic readings in the language according to number agreement in the nominal domain? Müller, Negrão & Gomes (2007) have shown that the same morphological item can bear different features and combine either with a NP or a DP, yielding different interpretations, as we have pointed out before throughout the paper: (12) a. tod- + NP_sg à EVERY b. tod- + DP_sg = adverbial (= whole, entire) c. tod- + DP_pl à ALL 366

367 Ruth E. Vasconcellos Lopes respectively, (12 ) a. Todo menino -tá brincando com uma bola. Q_sg boy is playing with a ball Every boy is playing with a ball. b. Todo o sofá está molhado. Whole the sofa is wet The whole sofa is wet. c. Todas as bolas tão numa caixa. Q_pl the_pl balls are in+a box. All the balls are in a box. We have disregarded (b) since it bears no interest for this paper. The singular choice seems to trigger a distributive reading while the plural, a collective one. To make sure that was the case, we had an adult control group for this experiment. We gave twenty 18 to 30 year-old monolingual Brazilians an off-line questionnaire with four sentences in two conditions singular and plural. They had two possible choices for each sentence and they were told they could choose one or both of them. (13) and (14) present a sample of the questionnaire for each condition: (13) Toda menina está em um barquinho Every girl is in a boat a. ( ) Há 4 meninas e todas elas estão num mesmo barquinho There are 4 girls and all of them are in the same boat b. ( ) Há 4 meninas e cada uma delas está em um barquinho distinto There are four girls and each one of them is in a different boat (14) Todas as bolas estão numa caixa. All the balls are in a box. 367

368 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese a. ( ) Há 3 bolas e todas elas estão numa mesma caixa. There are 3 balls and all of them are in the same box b. ( ) Há 3 bolas e cada uma delas está em uma caixa distinta. There are 3 balls and each one of them is in a different box Results are found in Table 2: Table 2: Percentage of distributive and collective choices among adults in the singular and plural conditions Distributive reading Collective reading Condition SINGULAR PLURAL Our results were clear-cut: Adults clearly prefer to distribute when the quantifier is in a singular form (12 a), while favoring a collective reading in the plural environment (12 c). Lima (2013) found similar results for the plural form and the collective reading. Marcilese and Rodrigues (2012), however, do not obtain the same results in an on-line test with adults. This might imply that our off-line test induced the adults into the preferences shown, which would indicate that there is a methodological problem here. Since we did not know of that at the time, we were moved by our results and whether or not children would be aware of such an effect in the language. To test that we applied an act-out task. Children were given props and had to act the sentence said by the experimenter out. But we wanted to make sure they would not fall into a symmetrical or exhaustive behavior, in other words, fall into a spreading trend, therefore extra objects were provided both for the subject as well as the object of the sentences. (15) illustrates the two possible outcomes: 368

369 Ruth E. Vasconcellos Lopes (15) Four trees and four giraffes, one giraffe under each tree. Distributional Several giraffes usually all of the props given under one and the same tree. Sometimes the other trees were displayed by themselves, sometimes not. Collective Once again forty 3 to 6 year-olds were tested, since we wanted to assure at least 10 children per age group. They were presented with six sentences three in each condition plus fillers. The singular and plural conditions were randomized during the experiment application according to the different answer sheets the experimenter had previously prepared to take note of the results. Overall results can be seen in Table 3 below: Table 3: Percentage of different interpretations all age groups collapsed Collective reading Distributive reading Condition SINGULAR PLURAL Total There is a striking preference towards the distributive reading, despite the morphological options on the DP. No one showed any spreading tendency whatsoever during this experiment. This leads us into thinking that the responses found for the 5 and 6 year-olds in the second experiment is either due to the 369

370 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese experimental material, which is odd since results for the younger groups were quite clean, or with the fact that they are starting to deal with the morphological and scopal phenomena involved in quantification in BP. As a matter of fact, an age effect was found between age groups 5 and 6 (χ2 = 5,8, gl=1, p < 0,05). It should be pointed out, however, that only four children (one 4, two 5 and one 6) showed an adult-like behavior, systematically associating the plural form with the collective reading and the singular one with the distributive option. However, the overall age group results do not show this tendency, once we would expect to see a decrease in the collective in the singular condition which happens together with an increase in the plural condition which does not happen. Those results are shown in Figure 5: Figure 5: Percentage of different interpretations by age group 3 Final remarks Although Brazilian children do not show a symmetrical behavior, or are spreaders in any sense, they do show a preference for distributing up to the last age group examined here. 370

371 Ruth E. Vasconcellos Lopes A possible explanation has to do with the syntactic behavior of the universal quantifier tod- in the language. The difference between English and BP, then, has to do with morphology. Agreement factors cue the BP grammar in placing the quantifier in the nominal domain very early, since at least the gender agreement mark will be present, if not the gender and number marks. On the other hand, while helping children find the right semantic restriction, morphology is also responsible for differences in interpretation, which are clearly difficult to sort out, according to the results we obtained in the last experiment discussed above. It seems that there are language specific factors involved in such choices. Brooks & Braine (1996) showed that children acquiring English did better with all a collective quantifier than with each a distributive one. However, their results were not replicated in Dutch (see Drozd, 1996) or Russian (see Kuznetsova et al., 2007). Most interestingly, though, were results achieved by Knezevic (2010) for Serbian. She reaches the same conclusions we did for BP: children are not spreaders and prefer to distribute. But it still remains to be explained why children in both languages default into the distributive option. Coming back to our initial hypothesis, we are driven into a grammar-internal approach, which, in a way, compromises with the full competence theory. Putting all of our results together it seems fair to claim that children do know that universal quantifiers quantify over individuals, what they have to figure out is how they work within the morphological system of the language, considering the different meanings available as the output of the possible syntactic combinations with the root tod-. Getting out of non-adult stages is, therefore, not a matter of quantifying erroneously but sorting the grammatical factors out. In any event, it is important to note that the jury is still out with respect to the results obtained in the off-line adult test and its implications for our conclusions here, considering Marcilese & Rodrigues (2012, among others). 371

372 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese References Brooks, P.; Braine, M. What do children know about the universal quantifiers all and each? Cognition Crain, S. et al. Quantification without qualification. Language Acquisition Drozd, K. Quantifier interpretation errors as errors of distributive scope. Proceedings of the 20 th BUCLD Freeman, N. et al. All the cars which cars? From word to meaning to discourse analysis. In: M. Beveridge (ed) Children thinking through language. London: Edward Arnold Publisher Gomes, A. Todo, Cada, e Qualquer : exigências sobre a denotação nominal e a verbal. M.A dissertation, University of São Paulo O efeito grau máximo sobre os domínios: como todo modifica a relação argumento- predicado. PhD dissertation, University of São Paulo Inhelder, B.; Piaget, J.. The early growth of logic in the child. London: Routledge, Kegan and Paul Knezevic, N. L acquisition des numéraux et des quantifieurs: Etude expérimentale en serbe, langue maternelle Mémoire de Master. Universite de Nantes Kuznetsova, J. et al. The acquisition of Universal Quantifiers in Russian. Proceedings of the 2nd GALANA. Somerville, MA: Cascadille Press Lidz, J.; Musolino, J. Children s command of quantification. Cognition

373 Ruth E. Vasconcellos Lopes Lima, S. Maximality and Distributivity in Brazilian Portuguese. Revista LinguíStica. 9: Lopes, R. E. V. Quantifiers in a nominal agreement language: Acquisitional cues. In: J. Stavrakaki; M. Lalioti; P. Konstantinopoulou. (eds). Advances in language acquisition. Newcastle: Cambridge Scholars Publishing, p Marcilese, M.; Rodrigues, E. S.. A compreensão do quantificador universal todo no PB: avaliação da interferência de fatores visuais no processamento. Anais da XXIV Jornada do Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste. Natal: EDUFRN Meroni, L. et al. The strength of the Universal Quantifier in child language. Proceedings of the 2nd GALANA. Somerville, MA: Cascadille Press Müller, A. et al. Todo em contextos coletivos e distributivos. DELTA Musolino, J.; Lidz, J. Why children aren t universally successful with quantification Linguistics Negrão, E. Distributividade e Genericidade nos Sintagmas Introduzidos por Cada e Todo. Revista do GEL, número especial: Philip, W. Event quantification in the acquisition of universal quantification. PhD Dissertation, UMass Pires de Oliveira, R. Is Todo N in Brazilian Portuguese a quantifier?. The proceedings of SULA 2, ed. by J. Anderssen, P. Mendez- Benito, and A. Werle. Vancouver: GLSA, University of Massachussetts, Amherst

374 How Children Distribute: The Acquisition of The Universal Quantifier in Brazilian Portuguese Roeper, T. et al. The acquisition path of quantifiers: Two kinds of spreading. Ms, UMass

375 THE LEARNABILITY OF THE RESULTATIVE CONSTRUCTION IN ENGLISH L2: A COMPARATIVE STUDY OF TWO FORMS OF THE ACCEPTABILITY JUDGMENT TASK Ricardo Augusto de Souza Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cândido Samuel Fonseca de Oliveira Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) RESUMO A tarefa de julgamento de aceitabilidade é um método crucial em sintaxe experimental. Este estudo compara duas formas da tarefa escalas Likert e estimativas de magnitude na investigação da aprendizibilidade da construção resultativa do inglês por bilíngues do português do Brasil e do inglês. A resultativa é difícil para essa população, uma vez que se faz necessário aprender mapeamentos entre sintaxe-semântica inexistentes na L1 e restrições de estrutura de eventos que licenciam a construção na L2. Os resultados indicam que ambas as tarefas controladas atestam a aprendizibilidade da construção, mas a alegada superioridade das estimativas de magnitude não foi verificada. ABSTRACT The acceptability judgment task is a crucial method in experimental syntax. This study compares two forms of the task Likert-scale and magnitude estimations in the investigation of the learnability of the English resultative construction for bilinguals of Brazilian Portuguese and English. The resultative poses a challenge for this population, as not only must they learn the syntax-semantics mapping unlicensed in their L1, but they must learn event structure constraints that govern such construction in the L2. The results indicate that while both controlled acceptability judgment tasks attest the learnability of the construction, the alleged superiority of magnitude estimations was not verified. Revista da ABRALIN, v.13, n.2, p , jul./dez. 2014

376 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task PALAVRAS-CHAVE Escala Likert, estimativa de magnitude, construção resultativa, aprendizibilidade em L2. KEYWORDS Likert-scale, magnitude estimation, resultative construction, L2 learnability. Introduction The acceptability judgment task is a method of eliciting participants data for research in syntax, as well as research on other areas of linguistic organization. The method allows the researcher to observe reactions of speakers to linguistic constructions that may not exist in common usage of a given language, thus allowing for the inquiry of hypotheses about restrictions imposed by the knowledge systems underlying specific languages, irrespective of whether such systems are treated as representations accessed either implicitly or explicitly. However, there is controversy about the validity of acceptability judgment data. This controversy is mostly motivated by recognition that such method of data elicitation is potentially liable to be affected by a number confounding variables that are not easily integrated into models of strictly linguistic knowledge. More recently the rigorous implementation of guidelines of experimental designs to the acceptability judgment task gave rise to an emerging tradition referred to as experimental syntax. Through experimental syntax, approaches that seek to mitigate possible threats to the validity of acceptability judgments are pursued. In such approaches, measurement scales are a vital concern. Two examples of the acceptability judgment task that differ in terms of their measurement rationale are scalar acceptability judgments and magnitude estimations. In the first type of task, judgment responses are usually recorded on categorical 376

377 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira Likert-type scales. In magnitude estimation the primary goal is the establishment of individualized scales, typically without manipulation of the temporal ceiling for judgment manifestation. The first approach, based on categorical scales, involves a task that is usually easy to learn by participants, but the ensuing analysis typically involves adaptation of statistical tests originally designed for continuous measures to categorical data. On the other hand, magnitude estimation in theory offers the advantage of ready adequacy to established statistical procedures for hypothesis testing based on continuous measures. However, it can be a more demanding task from participants viewpoint. The present study aimed primarily at comparing the results yielded by these two types of acceptability judgment tasks in an investigation of the learnability of the English resultative constructions by bilinguals of Brazilian Portuguese and English. The English resultative construction is a potentially complex structure for bilinguals of this particular linguistic profile. Not only does its licensing depend on semantic composition of subtle configurations of event structure, but also the surface syntactic structure it maps to is ambiguous with respect to the Portuguese language, where the same order of constituents link to a different meaning. A secondary goal of the present study is to examine the viability of implementation of experimental syntax techniques to the psychometric exploration of second language knowledge. There has been some controversy as to whether the acceptability judgment task fits the investigation of L2 knowledge, with doubts mainly related to whether such tasks would tap into implicit grammatical knowledge rather than explicit knowledge (MANDELL, 1999). More recently, though, there has been a revival of interest in the viability of use of this type of task as a reliable indicator of both implicit and explicit knowledge of L2 users (GUTIÉRREZ, 2013). The next section outlines details of the acceptability judgment task, with a special focus on the magnitude estimation paradigm. A 377

378 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task description of the resultative construction of English and a comparison and contrast with similar patterns in Brazilian Portuguese follows, leading to some considerations about the significance of evidence of learnability of this construction by native speakers of Brazilian Portuguese to current debates in second language acquisition. Then the methods of the present study are described, and the results analyzed and discussed. We finish with some concluding remarks about our interpretation of our findings. 1 Acceptability judgments in experimental syntax The cognitive revolution of the second half of the twentieth century, and especially the emergence of generative linguistics, has sparked interest in the cognitive processes related to the faculty of language. To investigate these processes, the primary source of evidence in various sub-fields of linguistics has been the acceptability of certain strings of linguistic units, namely sentences in the context of syntactic research (SORACE & KELLER, 2005). Acceptability how good and/ or acceptable a sentence sounds is regarded as property of overt linguistic material to which speakers have reasonable access through introspection. Sentence acceptability is a construct consisting of several factors (SCHUTZE, 1996; SPROUSE et al, 2013). We understand the acceptability judgment (AJ) task as a psychometric operationalization of this construct, and as such it should ideally be mostly sensitive to three factors: (1) grammaticality or well-formedness according to some governing linguistic principle; (2) representation or availability of implicit or explicit knowledge of that governing principle; and (3) processing capacity or access to such representation over the course of performance of the AJ task. Thus, the systematic observation of the behavior acceptance or rejection of a speaker in relation to certain constructions or strings of linguistic units can be considered a method to 378

379 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira reveal properties of the grammar of a language as well as the functioning of the human mind regarding this linguistic knowledge. It follows that it is also a method for experimental exploration of hypotheses about both such properties and their psychological reality. Data from speakers intuition have great value since there is no correspondence between linguistic knowledge and language use (SORACE & KELLER, 2005; SORACE, 2010). In other words, AJ data provide evidence of linguistic phenomena that are not readily observable in samples of spontaneous usage, but which nonetheless provide important insights into the functioning of language. This is the reason why AJ tasks and improvement of the methodological procedures that support them have been gaining ground among linguists, as attested by this very issue of the ABRALIN journal. In fields such as syntax, much of the data are extracted from methods that are considered informal by traditional cognitive science standards (DRABOWSKA, 2010). However, especially with the emergence of experimental syntax (COWART, 1997), formal procedures have come to be more consistently used and have drawn ever growing interest, opening a debate about which methods have greater empirical validity (BARD ET AL, 1996; SCHUTZE, 1996; FEATHERSTON, 2005, 2009; FERREIRA, 2005; CULBERTSON & GROSS, 2009; MYERS, 2009a, b; SORACE, 2010; PHILIPS, 2010; WESKOTT & FANSELOW, 2011; SPROUSE, 2011; FUKUDA et al, 2012; GIBSON & FEDORENKO, 2013; SPROUSE et al., 2013). Thus, studies seeking to illuminate the differences between two or more procedures (formal vs. informal; formal-x vs formal-y) are important in both validating proposals once defended, as well as in directing future studies. A practice widely used especially in much of generative linguistic research is for linguists themselves to judge the acceptability of sentences in order to probe theoretical arguments. Such practice is what has been commonly referred to as informal AJ, and it has generated distrust 379

380 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task among many authors (FERREIRA, 2005; MYERS, 2009a, b; GIBSON & FEDORENKO, 2013). Manifestations of distrust are due to a number of issues, among which Weskott & Fanselow (2011) highlight (1) the possibility of theoretical bias, (2) the lack of generalizability across other lexicalizations of the structure under scrutiny and (3) the inherent nonreplicability. Another characteristic of informal AJ that inspires distrust is the fact that this subjectivist introspectionism is likely to be performed by a person who deals with linguistic analysis far more often than ordinary people. Certain studies suggest this fact originating from the linguists professional lives may bias judgments (SCHUTZE, 1996; BARILE & MAIA, 2008; CULBERTSON & GROSS, 2009; DRABOWSKA, 2010). Some authors report that it is common to witness a linguist admitting their lack of sensitivity in relation to certain ungrammatical structures with which they work (SNYDER, 2000; MAIA 2013). A formal approach to the AJ task may be regarded as attempted responses to all such key criticisms. So we now pass over to a description of the main task characteristics and measurement guidelines of the formal AJ. 1.1 Formal Acceptability Judgments: Within a formal approach, the AJ task can be viewed as an experimental paradigm designed to measure intuitive assessments on the formation of different strings of linguistic units (KELLER, 1998). As opposed to the informal procedure, the formal AJ needs a representative sample of a given group of speakers, as well as a set of sentences that represent distinct lexicalizations of the construction under scrutiny. Basically, participants are exposed to a set of sentences target-sentences, control-sentences and distractors and after viewing/ listening to each of them, they use some kind of scale to indicate how acceptable each sentence is. This methodology allows the application of statistical tests 380

381 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira for the verification of hypotheses. Despite their suitability from the point of view of experimental methodology, the formal judgments of acceptability also present methodological aspects that may still need to be improved, and which are still open to debate. Among such aspects, the choice of measurement scale for trial conduction plays a leading role. There are at least four types of scales that can be used to perform the judgment of acceptability tests: nominal scale, ordinal scale, interval scale and ratio scale (BARD et al, 1996.). As argued by Keller (1998), the scale used in the elicitation of judgments has crucial importance, since it determines what kind of data will be obtained and what kind of mathematical operations will best suit the ensuing statistical inference procedure. The nominal scale is used to label different items. The objective is that participants determine whether different items are the same or different with respect to certain properties. It would be possible to use such a scale, for example, to sort words in relation to which language they belong. Needless to say, the items labeled in this test cannot be ordered and, moreover, the study is limited in regard to mathematical operations. It is not uncommon to find nominal scales to describe the acceptability of linguistic constructions (acceptable X unacceptable, x *, etc.), but such an operation hinders the perception of gradient differences between items, as these can only be revealed if a large number of participants are recruited and the statistical frequencies are computed. The ordinal scale focuses on two properties: order and equivalence. This scale is used to sort different items according to the amount or intensity of a particular property. Despite the fact that it is adequate to test scalar properties, this kind of scale does not assume that there is equality in the interval between the groups, as in the classification adopted by some linguists????* * ** in introspective judgments. Thus limitations regarding the application of statistical tests must be taken into consideration. 381

382 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task The interval scale, dissimilarly, seems appropriate for judging acceptability tests, precisely because it allows the use of several analytical tools in data treatment. This scale not only assumes that the groups are ordered, but it also assumes that the intervals between them are equal. Thus, it is possible to compare the differences between pairs of items in relation to a given property. Most studies that utilize this scale to carry out an AJ task do so with a Likert Scale (LS) of 5 or 7 points. Usually, the minimum value of these scales represents total unacceptability, while the maximum value is the total acceptability. The midpoint is neutral while the other points express partial acceptability or partial unacceptability. According to Fukuda et al. (2012), AJ tasks with the LS are user-friendly and generate refined results, which can receive statistical treatment. However, the author also points out that the LS cannot express all distinctions in acceptability as perceived by the participants. The ratio scale, though, is argued by Bard et al. (1996) to be the most informative scale. While this scale has the same benefits as the interval scale, it also has more freedom and flexibility in the implementation of judgments and, consequently, more fine-grained data. Whereas points on the interval scale usually represented by numbers have fixed boundaries, on a ratio scale there are no pre-established lower limit values across integers, making it possible to express very subtle differences between items. Therefore, it is argued that the ratio scale does not place any restrictions on the representation of the acceptability, allowing participants to express all personally perceived differences irrespective of how minute they are. However, the use of such a scale to measure the acceptability of different constructions is not easy to implement. In response to this challenge, Bard et al. (op. cit.) propose a method originating from psychophysics research called the magnitude estimation (ME), which aims to take, to the interval scale, the fine-grained data of the 382

383 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira proportional scale (KELLER, 1998). We now turn to a description of both the details and the controversy surrounding this proposal. 1.2 Magnitude Estimation (ME): The ME was proposed by Stevens (1956 1, apud BARD et al., 1996) in order to measure more efficiently people s perception of different continuous physical stimuli, such as brightness and sound. These perceptions are traditionally measured by a numerical judgment, but can also be represented by lines whose lengths reflect an individual s perception. With the ME, participants compare stimuli proportionally, instead of classifying, ordering, or labeling them as in most other scales. The judgments are made based on a comparison with a standard stimulus, i.e., the standard stimulus has the function of being the basis for estimating the magnitude of all other stimuli. There are two variants of the ME with respect to presentation of the standard stimulus, or modulus, against which comparisons are to be made (FEITOSA, 1996; SORACE, 2010). In the first, the participants receive the standard stimulus with a fixed value the modulus and should estimate the value of the other items based on a comparison with the modulus. The modulus should preferably have an intermediate value and may or may not be visible throughout the task. In the second variant, participants attribute the value of the standard stimulus, whose availability throughout the task is also optional. Imagine, for example, that the items to be compared are different intensities of the same sound. First, each participant assigns a numerical value to the first item, which will be used as the experiment modulus. If the participant assigns the value 50 for the standard stimulus and he/ she perceives the second sound as being 10 times more intense, he/ she should assign the second sound the value 500. Similarly, if the third stimulus seems 1 STEVENS, Stanley S. The direct estimation of sensory magnitudes: Loudness. American Journal of Psychology v.69, p

384 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task to have half the intensity of the module, then it must be assigned the value 25. Instead of classifying the items, the participants compare them in relation to the standard stimulus. Since there is no restriction on the numbers that can be used to express this comparison, participants in the linguistic experiment as explained earlier could not only tell whether a sentence is better or worse than another, but could also point out the numerical degree to which it is better or worse. It should be noted that one of the peculiarities of the ME is also one of its advantages: the judgments made with this method are relative, i.e., the judgments are made through comparisons. Most other methods require an absolute judgment or, in other words, the judges must use their own points of reference to judge the intensity of a certain property such as acceptability in the items being tested. According to Sorace (2010), from a psychometric point of view, the participants tend to be better at relative judgments than at absolute ones. According Weskott & Fanselow (2011), the extension of this methodology to areas other than perceptual psychology began in the 1980 s with studies in the social sciences. Despite being a debated methodology in this area, it remains a methodological option for researches on subjective attitudes. Bard et al. (1996) states that a considerable number of studies have demonstrated that social opinion can also be analyzed by methods and quantitative analysis. Sorace (2010) goes on to state that ME can be applied to validate social scales, which yields a powerful quantitative measure of social opinions. The ME has also been extended to linguistic studies. More specifically, it has been used to conduct AJ tests. This method has several aspects that make some linguists see it as gold standard for conducting this kind of task. According to Sorace & Keller (2005), the ME allows linguistic acceptability to be treated as a continuous property and is able to reveal subtle differences in judgments. Keller (1998) agrees, stating that this method has been applied successfully by different linguists to 384

385 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira investigate various linguistic phenomena. Moreover, Bard et al. (1996) and Sorace (2010) argue that normal adults are able to perform this kind of task reliably. They also claim that if the instructions are clear, even less experienced participants are able to provide consistent estimation of magnitude of sentences relative acceptability. According to these authors, even though the test may seem non-traditional at first sight, participants have the ability to express the proportionality between the sentences difference in acceptability just as they can express differences in sound intensity. Sorace (2010) argues that high sensitivity; no restriction of judgment values; relative and gradient judgments; and liability to powerful statistical tests are some advantages of the ME over competitor forms of the AJ task. Furthermore, Sorace & Keller (2005) advocate the use of the ME for its ability to generate fine-grained data, which enables the investigation of important linguistic aspects such as the differences between soft constraints and hard constraints. The superiority of the ME compared to other methods, however, is still a questionable point. As noted by Fukuda et al. (2012), problems that may be present in other scales, such as non-uniform distances between distinct points and limited representation of perceived differences do not seem to be present in the ME method. However, the learnability of a ME task may be severely jeopardized due to its counterintuitiveness and the mathematical reasoning requirements it imposes on participants. Therefore, studies aimed at contrasting the data from the ME with others such as the LS are of great importance for the validation of AJ methods. Bard et al. (1996) argue that the ME provides more informative data than those extracted from experiments with 7-point scales. Weskott & Fanselow (2011) put this claim to test with a series of three experiments, which aimed to compare the degree of informativeness of a 2-point scale, a 7-point scale, and the ME. In 385

386 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task none of the tests in the authors study was the ME significantly more informative than the other scales. In fact, there were data that pointed to the greater informativeness of the 7-point scale. Thus, the authors consider the claim that the ME is the best method for AJ tasks doubtful. Fukuda et al. (2012) conducted a study divided into 3 experiments that aimed at contrasting three AJ task methods: a binary yes/no task, a multiple-point Likert scale and the ME. In general, all methods appear to be sensitive enough to capture the different degrees of acceptability with respect to specific contexts, such as: inversion and non-inversion structure in wh-questions; the that-trace effect; sub-extraction from objects, subjects and wh-subjects; and the effect of subject type on whquestions without inversion. There was data, however, that indicated that only the ME was not able to represent the difference in acceptability between WH-object sentences with and without that. In this case, either the ME was less sensitive than other methods or the other methods generated an inferential error. Some authors have pointed out to aspects of the ME that may cause it not to be as superior as other methods as previously thought (FEATHERSTON, 2009; WESKOTT & FANSELOW, 2011; SPROUSE 2008, 2011). Sprouse (2008) argues that the constant repetition of the module can affect the processing mechanisms of the participants due to a priming effect. Moreover, Sprouse (2011) suggests that participants do not seem to use the default sentence as a unit of measure. Such influence can cause changes in the patterns of acceptability assigned by the participants. Weskott & Fanselow (2011) and Sprouse (2011) present psychophysical studies showing that people do not seem to provide the levels of accuracy advocated by the proponents of the ME method regarding the mental arithmetic involved in this task. These studies have primarily tested if particpants magnitude estimation of sound intensity presented commutativity and multiplicability, which are the 386

387 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira basic assumptions of the ME. Commutativity is the property that makes the order in which successive adjustments are made irrelevant p (q X) q (p X) while multiplicability is the property that makes the result of two successive adjustments equal to one adjustment that is numerically equivalent to the product of the two mentioned adjustments p (q X) r X, when p.q = r (SPROUSE, 2011). The results of these studies indicate that the production of the magnitude of sound intensity has commutativity, but not multiplicability. These findings are interpreted by Weskott & Fanselow (2011) as causing several implications to the use of the ME in linguistic studies, especially because according to the authors the scale underlying sound intensity is less complex than the one involved in sentence AJ tasks. Sprouse (2011) conducted a study consisting of two experiments to investigate whether ME judgments presented commutativity. The results indicate that less than 20% of participants presented this property in their judgments, i.e., over 80% of the participants performed the task differently from the manner they were instructed. Among the justification presented by the author, there is the absence of a 0-point for the acceptability scale, which is required in this type of judgment. The author suggests that there is no reason to believe that the ME provides more significant data than other methods of AJ. The present study brings a contribution to this debate by exploring the behavior of two AJ task paradigms in the context of L2 knowledge investigations. We now pass over to the description of the resultative construction of English, and to an exploration of the reasons why it may pose a learnability challenge to speakers of Brazilian Portuguese. 2 The resultative construction: English and Brazilian Portuguese (BP) present differences and similarities in the semantics assigned to a sentence formed by a noun phrase (NP), a transitive verb, a second noun phrase and an adjectival 387

388 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task phrase (AP). This sequence is illustrated by the following sentences: (1) a. Lucy ate the salmon raw b. Lucia comeu o salmão cru (2) a. John arrived at the meeting late b. João chegou à reunião atrasado In both English and BP, the AP can be interpreted as a modifier of either the first or the second NP. In (1), for instance, the AP raw/ cru modifies the second NP salmon/ salmão whereas in (2) the AP late/ atrasado modifies the first NP John/ João. This construction is denominated depictive (cf. WECHSLER, 2001; PYLKKÄNNEN & McELREE, 2006) and has as its main characteristic the fact that the AP can be interpreted only as a modifier of one of the arguments of the verb. Sentences in (1) and in (2) behave similarly in both English and BP. Nevertheless, there are sentences with the same pattern NP-VP-NP- AP that map to different interpretations in each of these languages. In English, in a sentence such as (3a) the AP open refers the state achieved by the second NP the package as a result of the action described by the verb, i.e., George tore the package until it became open. This construction in which the AP describes the result of an action is denominated resultative. In BP, however, a sentence such as (3b) triggers a different interpretation: it only allows for a depictive reading. In other words, the AP aberto refers to the state of the second NP pacote during the action described by the verb. (3) a. George tore the package open b. Jorge rasgou o pacote aberto 388

389 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira Both the depictive and the resultative constructions are licensed in English (WECHSLER, 2001; GOLDBERG & JACKENDOFF, 2004), but only the former seems to be licit in BP (MARCELINO, 2014), as discussed. This difference between the grammar of English and BP has been hypothesized to reflect contrastive settings of the compounding parameter (SNYDER, , apud MARCELINO, 2014). Such parameter is proposed as clustering the licensing of a number freestanding open class morpheme compounds in languages that allow for its positive setting. Such languages are languages that permit complex predicates like the resultiative construction. 2.2 The Resultative Construction in English According to Goldberg and Jackendoff (2004), the English resultative construction has been a major focus in research related to the interface between syntax and semantics. According to the authors, in this type of construction there are two sub-events. The verb phrase determines a sub-event, whereas the resultative construction as a whole determines the other. In order for both sub-events to occur in harmony, it is necessary that the arguments licensed by the verbs and the arguments licensed by construction share some syntactic positions. In (4), for instance, the sub-event determined by the construction is BILL CAUSE [TULIPS BECOME FLAT], in which Bill occupies the subject position and flat occupies one of the internal argument positions. Such sub-event occurs through the second sub-event BILL WATER TULIPS whose subject coincides with the one in the first sub-event and therefore the subject position is shared. The NP tulip occupies the other internal argument. Thus, all thematic roles are performed harmoniously. 2 SNYDER, W. Language Acquisition and Language Variation: The Role of Morphology. Ph.D. Dissertation. Cambridge, MA: The Massachusetts Institute of Technology,

390 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task (4) Bill watered the tulips flat As presented by Goldberg and Jackendoff (2004), both the semantics and the syntax of the resultative construction can vary. In turn, the authors propose that the resultatives should be considered a family, which can be divided into different sub-constructions. In this study, our focus will be only in the subconstruction instantiated by (4), which is formed by a subject (NP), a direct transitive verb (VP), a direct object independently selected by the verb (NP), and a resultative predicate expressing property (AP). This resultative sub-construction must be telic in order to be grammatical, but not all APs are able to provide a sentence with this property, as maintained by Wechsler (2001). According to the author, a sentence with a durative verb, such as (5), is atelic. Adding an AP to the sentence may make it telic (6) or keep it atelic (7). Wechsler goes on to contend that a telic event needs to have three aspects: an affected theme, a property scale, and a bound, related as follows: Some property of the affected theme argument changes by degrees along a scale due to the action described by the verb, until it reaches a bound. (WECHSLER, 2001, p.7). The resultative construction, therefore, requires APs that are capable of constituting a bound. (5) He wiped the table (6) He wiped the table dry / clean (7) *He wiped the table wet / dirty The only differences between (6) and (7) are the APs that constitute the resultative predicate. Both sentences have a theme table, which is transformed by an action wipe and acquire a scalar property. In 390

391 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira (6) the APs can be considered a definite bound because they are the maximum point of their own scale since dry and clean represent respectively 0% dirt and 0% liquid. The APs in (7) are different because neither wet or dirty represent the maximum value of their own scale. They basically represent any value above 0% and, in turn, cannot impose a bound for the action. In sum, in order for a sentence instantiating the resultative construction to be telic/ grammatical, it needs an AP that represents the maximum point of a scale property The Resultative Construction in Brazilian Portuguese Some studies have investigated the presence of the resultative construction in BP. For Foltran (1999), for instance, the BP resultative construction is exemplified by sentences like (8) and (9). Marcelino (2000), differently, argues that in BP the resultative predicate is formed by the adverb bem (well) followed by an AP that represents the change that the object NP has undergone. Moreover, this AP should contain the diminutive suffix -inho, as illustrated in (10). (8) Ele fez o chá fraco. He made the tea weak (9) Ele construiu a casa muito grande. He built the house very big (10) Joana picou o papel bem picadinho. Joana cut the paper well cut(diminutive) Lobato (2004) also argues for the existence of the resultative construction in BP. Besides the structure shown in (10), according to the author, there are at least four major groups within the resultative construction in BP, which are illustrated below: 391

392 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task (11) Deus criou os homens fracos. God created the men weak. (12) A manteiga congelou torta. The butter froze crooked. (13) João pintou a casa torta. John painted the house crooked (14) Ele cortou o cabelo curto. He cut the hair short. Marcelino (2014) compares these potential resultative structures in order to verify if they have the same properties of the English resultative sentences. The author proposes that these two languages differ from each other in two main aspects. First, the English resultative sentences are formed by an activity verb, but the sentence has an accomplishment reading due to the telicity generated by the resultative predicate. In turn, telic modifiers such as in an hour can be added to these sentences (15). However, if the resultative predicate is removed from these resultative sentences, they become atelic and it is no longer possible to add telic modifiers such as in an hour (16). In BP, however, the sentences that have been presented as instances of the resultative construction do not have an activity verb. Instead, they are formed by an accomplishment verb which makes the sentence telic regardless of the presence of the APs. Thus, the presence of the APs does not have an impact on the grammaticality status of these so-called BP resultatives, as illustrated in (17) and (18). (15) He hammered the metal flat in an hour 392

393 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira (16) *He hammered the nail in an hour. (17) Ela costurou a saia bem justinha em uma hora. She sewed the skirt well tight(diminutive) in an hour (18) Ela costurou a saia em uma hora. She sewed the skirt in an hour (MARCELINO, 2014) Second, Marcelino (2014) shows that BP and English respond differently to the how-test. Notice that in English the resultative predicate cannot be utilized as an answer to a how-question, i.e., a question about the manner the action was performed (19). In BP, dissimilarly, the APs can be utilized as answer to the how-question (20). (19) How did he hammer the nail? (*flat) (slowly/ rapidly) (20) Como ela custurou a saia? (bem justinha) How did she sew the skirt? (well tight(diminutive)) (MARCELINO, 2014) Marcelino (2014) argues that in this case we are dealing with two different constructions: the adverbial resultatives and true resultatives. The sentences that have been proposed as instances of the resultative construction in BP are, in reality, adverbial resultatives because instead of denoting a resultant state, their AP modifies the resulting state, which is indicated by the verb itself. Adverbial resultatives can also be found in English in sentences such as (21). Sentences such as he hammered the metal flat are instances of the true resultatives. They have an activity verb and their telicity depends on the presence of the resultative predicate. True resultatives are licensed and productive in English, but not in BP. 393

394 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task (21) How did he cut the meat? (thick) He cut the meat thick 2.4 Learnability of the resultative construction for BP- English bilinguals From a second language acquisition perspective, verification of the development of representations that support the interpretation of the English resultative by L2 users of English whose L1 is Brazilian Portuguese will be of theoretical interest. The contrast between the resultative construction in English and in Brazilian Portuguese, as well as the subtle semantic requirements for the licensing of such construction in English, imposes non-trivial cognitive operations to the second language learner. Let us assume, together with Marcelino (2007, 2014), that the true English resultative emerges from a positive setting of the compounding parameter. Such assumption entails that evidence of L2 learning of the English resultative by native speakers of Brazilian Portuguese would constitute evidence suggestive of behavior that resembles parameter re-setting in L2 acquisition. Whether or not second language learners do re-set L1 parameter values has been a core empirical question within generative studies of second language acquisition. Such question has been theoretically framed as related to the ultimate question of whether second language acquisition is guided or not by access to principles of Universal Grammar (for a review see WHITE, 2003). In the case of the English resultative construction the task the second language learner would face outreaches the level of morphemic compositionality, however. As discussed above, there are complex semantic configurations related to event structure that need to be computed for a grammatical resultative to ensue. Therefore, not only would the learner need to figure out the right mapping of syntactic 394

395 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira structure to semantic reading, but also he/she would need to figure out the right event structure that supports the construction. Another empirical question in second language acquisition research is whether or not fine semantic configurations are prone to be learnable. Slabakova (2006, 2008) defends that there is no maturational constraint that would impede L2 learners from acquiring syntax and semantics of a non-primary language. To the researcher, the bottleneck of second language acquisition is functional morphology proper. So, according to his perspective, the learnability of the resultative construction is predicted. Based on these facts about the resultative construction in English and BP, as well as based on the challenges it imposes for second language acquisition, the present study sought to test the behavior of the two AJ tasks as psychometric instruments to probe the following two learnabiliy questions: (i) Do bilinguals of BP and English with high proficiency in their L2 accept the English resultative construction? (ii) Do they learn the resultative predicate rules, therefore rejecting unlicensed APs? 3 Method In order to investigate the acquisition of the resultative construction by high-proficient BP-English bilinguals, we carried out two acceptability judgment tasks. As observed above, this experimental procedure for eliciting responses to verbal stimuli is a practical way to verify the existence of mental representation of aspects of the grammar since it does not depend on the observation of spontaneous speech. The task in Experiment 1 was conducted in person with a 7-point Likert scale, whereas the one in Experiment 2 was conducted online with the Magnitude Estimation 395

396 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task 3.1 Experiment Participants In total, there were 25 participants in Experiment 1, who were English majors at the School of Letters at the Federal University of Minas Gerais. They were bilinguals whose English language learning process had occurred in contexts of formal education in a society that does not have English as the dominant language for social interactions. All the selected participants had scores close to the maximum in a test of English vocabulary knowledge Vocabulary Levels Test, or VLT (NATION, 1990). In this test, participants perform associations between lexical items and meanings, and their lexical competence is ranked in a five-band scale that reflects access to lexical items of progressively decreasing frequency in corpora of general English. In other words, test takers scoring in the highest bands will have shown capacity to figure out meanings of lexemes of relatively low frequency, a behavioral trait that is assumed to tap into the size of the mental English L2 lexicon. In this study, the VLT was administered with a time limit of ten minutes, procedure adopted in order to increase the discriminatory effect of the test. The selected participants were in levels 4 or 5 or the VLT. The underlying assumption of this screening criterion is that high levels of competence in L2 lexical access are associated with high levels of proficiency in this language Materials The AJ task contained 56 sentences to be judged in relation to their acceptability. They were balanced in terms of grammaticality, so that 50% of the sentences were grammatical and 50% were ungrammatical. 16 of the sentences were the target stimuli (sentences instantiating the resultative construction). 8 of these sentences were grammatical 396

397 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira as illustrated in (22) and 8 were ungrammatical according to the rules proposed by Wechsler (2001) as illustrated in (23). All the sentences had the pattern NP-VP-NP-AP and were formed mostly by words that are among the most 2000 frequent ones according to the Corpus of Contemporary American English 3. (22) The driver loaded his car full. (23) *The farmer burned the wood dark Procedures: Participants were tested in groups at the School of Letters at the Federal University of Minas Gerais. After obtaining the participants consent and applying the VLT, the experimenter explained the participants how the task should be performed and conducted a training session. The AJ task sentences were displayed on a white screen by a data projector. Sentences were displayed one-by-one through a Microsoft Powerpoint slideshow presentation. Slides moved along automatically after a 9-second display. Therefore, participants had a 9-second ceiling of exposure to each sentence, and were instructed to provide their judgments within this ceiling. As soon as the training session was over, participants started the acceptability judgment task, which lasted for about 8 minutes. Items were numbered, and participants recorded their judgments on correspondingly numbered 7-point Likert scales (Fig. 1) on a printout. 3 Available at The 2000 most frequent lexeme threshold was based on the first band of the VLT, which covers precisely such frequency plateau. Therefore, for the design of the present study the participant screening criterion combined with the lexical control of stimuli as a measure to maximally reduce the possibility that performance on the AJ tasks was modulated by L2 vocabulary difficulty. 397

398 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task Figure 1: 7-point Likert scale Experiment Participants 28 subjects comprised the group of participants in Experiment 2. The profile of these participants was similar to those who were in Experiment 1. They were also students and high proficient BP- English speakers whose dominant language was BP. These subjects also performed an online version of the VLT and were rated at levels 4 or Materials: 80 sentences were presented to the participants in Experiment 2. As in Experiment 1, the items were controlled in terms of grammaticality and frequency. 16 of the sentences were the target stimuli, 8 of which were grammatical as illustrated in (24) whereas the other 8 had an unlicensed AP as exemplified in (25). (24) One of the classrooms was very dirty, so Desiree swept it clean (25) *Chelsea had straightened her hair, but her little brother watered it curly Procedure Experiment 2 was conducted online on the website Survey Monkey (www.surveymonkey.com), which offers enough tools for experiments using the magnitude estimation. 8 pages were created to present the experiment instructions in a succinct, direct and exemplified manner. 398

399 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira After this, the stimuli were presented one-be-one without a time limit. Below them there was a space for the participants to type the number representing their judgment, as illustrated in Figure 2. Figure 2: Presentation of Experiment 2 first item. The procedure was relatively simple. First, the participants assigned a number to the first sentence, which remained visible throughout the whole task. The following sentences were judged in comparison to the module the number that represented the judgment of the first sentence. Thus, the participants performed proportional judgments, as not only did they judge whether a sentence was more or less acceptable than the standard sentence, but they also expressed through their numbers how many times more or less acceptable the sentence was. 4 Analysis and discussion. For comparison of the measures o AJ elicited by the two forms of the AJ task described above, both the individual scores obtained through the Likert scale and the individual scores obtained in the magnitude estimation mode were converted into scores ranging from 0 to 1. Two subjects with incomplete sets of judgments from the data set obtained with the Likert scale AJ task were excluded from the analysis. After such 399

400 The Learnability of the Resultative Construction in English L2: A Comparative Study of Two Forms of the Acceptability Judgment Task conversion, valid subjects means across all critical items and items means across all valid subjects were compiled from the raw data of both variants of the AJ task. The data is described in the table below. TABLE 1: Means and standard deviation of the judgment data sets from the two tasks. Judgment data Means SD Grammatical resultatives Likert scale Grammatical resultatives Magnitude Estimation Ungrammatical resultatives Likert Scale Ungrammatical resultatives Magnitude Estimation The compiled means were tested for normality with the Kolmogorov- Smirnov test. The Likert scale set of means did not differ significantly from the normal distribution for either the grammatical sentences (K-S=0.15; p=0.17) or the ungrammatical sentences (K-S= 0.10; p=0.63). Likewise, the magnitude estimation set of means did not differ significantly from the normal distribution for the grammatical sentences (K-S=0.13; p=0.21), and only differed marginally for the ungrammatical sentences (K-S=0.16; p=0.07). As stated above, the primary goal of the present study was a comparison the sensitivity of AJ task conducted according to the magnitude estimation paradigm with the sensitivity of a speeded version of the Likert scale AJ task to capture L2 knowledge. To achieve such aim, we investigated the learnability of constraints on the English resultative construction by bilinguals of Brazilian Portuguese and English. We wanted to investigate if such bilinguals were not only capable of categorizing instances of such construction as well-formed sentences in English, but also capable of telling the truly well-formed instances from others that violated the subtle semantic constraints that 400

401 Ricardo Augusto de Souza e Cândido Samuel Fonseca de Oliveira modulate the well-formedness of the construction. A constrasting view of the resulting subject-based means obtained for both the grammatical and the ungrammatical sentences through the two forms of the AJ task applied in this study are displayed in the following graph. Graph 1: Grammatical and ungrammatical resultaive sentences through Likert-scale and magnitude estimation data. Both the AJs collected through the 7-point Likert scale task and the AJs collected through the magnitude estimation task reveal a clear differentiation between the grammatical and the ungrammatical resultative sentences. Pairwise T-tests were performed with the data sets from both tasks. The 7-point Likert scale task yielded a significant difference in the judgments of the grammatical and ungrammatical sentences by subjects (t1=4.96 (df=22), p<.001), and marginally significant difference by items (t2=2.2 (df=7), p=.06). The magnitude estimation task yielded a similarly significant difference in the judgments of the grammatical and ungrammatical sentences by subjects (t1=5.68 (df=27), p<.001), but no significant difference by items (t2=1.64 (df=7), p=.14). 401

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