Bases para um Esquema de Ordenamento do Território à Escala do Continente

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1 Bases para um Esquema de Ordenamento do Território à Escala do Continente Desenvolvimentos mais recentes SANTOS, Ana Sofia; GASPAR, Rosário; CONDESSA, Beatriz Resumo A documentação e informação existente no domínio do ordenamento do território é numerosa. Encontra-se porém, dispersa pelas diversas entidades produtoras e representa quase sempre visões sectoriais de uma realidade diversa e complexa. A realização de estudos preparatórios de adesão à Comunidade Europeia em 1986, os trabalhos desenvolvidos no âmbito dos Planos de Desenvolvimento Regional ( , , ), as decisões tomadas em termos das diversas políticas sectoriais com incidência espacial e a produção de diversos planos de ordenamento do território, constituíram oportunidades de definição e de sistematização do conhecimento do território aos diversos níveis. No entanto, estes estudos e trabalhos foram realizados com fins específicos, tendo a informação sido organizada segundo lógicas distintas que interessaria harmonizar e compatibilizar. A avaliação das tendências que se perfilam no ambiente e na organização do território, realizada desde há alguns anos, no âmbito do Relatório do Estado do Ambiente e Ordenamento do Território tem deixado clara a ausência de uma perspectiva global de abordagem nestes domínios. Aliás, o estabelecimento de um esquema director de ordenamento do território tem merecido ultimamente, uma importância crescente no seio da União Europeia em geral, e dos Estados-Membros em particular. Por outro lado, o desenvolvimento das tecnologias da informação, nomeadamente os Sistemas de Informação Geográfica (SIG), conjunto de ferramentas que permitem a integração, manipulação e análise espacial de grandes volumes de informação de natureza geográfica, vieram acelerar o ritmo a que a informação georreferenciada pode ser produzida, actualizada, disseminada e analisada. Neste contexto, tornou-se oportuna a criação de um projecto de investigação que visa fundamentalmente a inventariação e estruturação de informação geográfica relativa a diversos domínios sectoriais de modo a constituir um SIG de base para o apoio à definição de um esquema de ordenamento do território ao nível do continente. Este projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, no âmbito do Programa Operacional Ciência, Tecnologia, Inovação (comparticipado pelo FEDER), encontra-se a decorrer no Instituto Geográfico Português e corresponde à segunda fase de um projecto anterior. Designado por Bases para um Esquema de Ordenamento do Território ao nível do Continente BEOT (referência POCTI/ECM/2592/95/2001), tem como principais objectivos: - inventariar e estruturar a informação geográfica considerada relevante para um esquema director que estabeleça as bases de ordenamento do território nacional;

2 - contribuir para a constituição de uma plataforma dinâmica de informação em ordenamento do território, a disponibilizar através do Sistema Nacional de Informação Geográfica (SNIG), infraestrutura nacional que integra os vários organismos produtores de informação georreferenciada; - apoiar a realização de acções concretas no domínio do ordenamento do território, através da possibilidade de simulação de cenários de evolução. O programa de trabalhos iniciou-se com uma revisão bibliográfica que se consubstanciou mais tarde na constituição de uma base de dados das fontes consideradas relevantes. Após a identificação de potenciais fontes de informação geográfica, procedeu-se à recolha da informação pertinente para o projecto bem como dos metadados a ela associados. Procedeu-se ainda à integração de informação resultante de projectos de investigação anteriormente desenvolvidos. De referir que houve diversos constrangimentos na aquisição e tratamento de toda a informação coligida. A informação gráfica e alfanumérica foi estruturada e carregada no SIG. Deu-se prioridade à informação disponível em suporte digital. Foi, em último recurso, tratada alguma informação em suporte analógico de modo a que a mesma pudesse integrar o SIG e realizada a actualização e adequação de conteúdos. Estes procedimentos traduziram-se num elevado custo em termos de recursos humanos e de tempo. Com vista à disponibilização na Internet da informação coligida, foi constituído um site (http://panda.igeo.pt/beot/html/) onde toda a informação gráfica e alfanumérica incluída no sistema pode ser consultada e explorada, salvaguardando os direitos de autor da informação cedida. Estão ainda disponíveis para consulta a base de dados bibliográfica e os artigos produzidos no âmbito do projecto e apresentados em conferências da especialidade. É objectivo desta comunicação apresentar os desenvolvimentos mais recentes do projecto aproveitando a oportunidade para o divulgar junto das entidades que até aqui colaboraram nele e/ou virão a colaborar, e recolher contributos com vista a aproximar o projecto das expectativas do utilizador de informação georreferenciada sobre ordenamento do território. PALAVRAS-CHAVE: Ordenamento do Território, Sistemas de Informação Geográfica, Apoio à decisão INTRODUÇÃO Decorridos quase dois anos desde o início da segunda fase do projecto Bases para um Esquema de Ordenamento do Território à Escala do Continente (BEOT), a estrutura do site e respectivos conteúdos encontram-se em fase de poder ser divulgados de forma a acrescentar mais valia aos seus utilizadores. Pretendendo seguir a filosofia subjacente à sociedade da informação em que todos os cidadãos têm iguais direitos no acesso à informação e considerando que este era um dos objectivos do Projecto, a presente comunicação incidirá nos desenvolvimentos recentes do Projecto, fazendo igualmente referência ao respectivo site. OBJECTIVOS E METODOLOGIA O projecto BEOT visa fundamentalmente a inventariação e estruturação de informação geográfica, em suporte digital e formato vectorial, relativa a diversos domínios sectoriais tendo por fim a constituição de um sistema de informação geográfica de apoio à definição das Bases para um Esquema Director de Ordenamento do Território à Escala do Continente. Nesse sentido, tem como principiais objectivos: - inventariar e estruturar a informação geográfica considerada relevante para um esquema director que estabeleça as bases de ordenamento do território nacional; - contribuir para a constituição de uma plataforma dinâmica de informação em ordenamento do território, a disponibilizar através do Sistema Nacional de Informação Geográfica (SNIG), infraestrutura nacional que integra os vários organismos produtores de informação georreferenciada;

3 - apoiar a realização de acções concretas no domínio do ordenamento do território, através da possibilidade de simulação de cenários de evolução. Este projecto, a decorrer no Instituto Geográfico Português, é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia no âmbito do Programa Operacional Ciência, Tecnologia, Inovação (comparticipado pelo FEDER) e teve início no ano de 2002 estando prevista a sua conclusão no corrente ano. O BEOT corresponde à segunda fase de um projecto iniciado no ex-centro Nacional de Informação Geográfica (ex-cnig) e financiado pelo Programa Praxis XXI. Em termos metodológicos, o BEOT, inclui 3 grandes fases: - A Fase 1 - Preparação metodológica - corresponde à inventariação e análise crítica das principais fontes de informação tanto em termos bibliográficos com em termos de informação georreferenciada considerada relevante no âmbito do projecto. As principais actividades desta fase incluíram a pesquisa bibliográfica sobre temas relativos ao ordenamento do território, a construção de bases de dados com as fontes identificadas e coligidas, a identificação de potenciais fontes de informação geográfica relevante para os objectivos do projecto, a recolha e estruturação de metadados e a recolha da informação cartográfica e alfanumérica. - A Fase 2 - Implementação do SIG, consiste na estruturação, carregamento e validação da informação a integrar no SIG. De acordo com a revisão bibliográfica e a análise crítica das fontes de informação efectuadas na fase anterior, os dados já disponíveis em suporte digital foram estruturados de forma a poder ser carregados e tratados no SIG. A informação apenas disponível em suporte analógico teve que ser tratada por forma a poder ser incluída no mesmo sistema. - A Fase 3 - Exploração do SIG pretende tirar partido da exploração do sistema de informação geográfica que está a ser implementado, nomeadamente na simulação e avaliação de cenários de evolução alternativos. Um dos principais objectivos do projecto consiste na disponibilização da informação geográfica para apoio ao ordenamento do território a todos os interessados por esta temática. Assim, estabeleceu-se que toda a informação incluída no sistema deveria ser disponibilizada, para consulta e exploração, através do site do projecto, salvaguardando os direitos de autor da informação cedida. O endereço actual do site é (ver Figura 1). Figura 1. Página de entrada no site do BEOT DOCUMENTAÇÃO Foi constituída uma base de dados, disponível no site, cuja pesquisa (ver Figura 2) permite, além da identificação das obras científicas e técnicas que serviram de base ao suporte teórico do Projecto, o acesso aos respectivos resumos. Estão também disponíveis para consulta os conteúdos das comunicações a artigos produzidos no âmbito do Projecto e apresentados em conferências ou revistas da especialidade.

4 Figura 2. Pesquisa Bibliográfica Na vertente da legislação de ordenamento do território, procedeu-se à sistematização dos diplomas legais que se entende serem importantes para o ordenamento do território. Esta sistematização consiste na identificação e descrição daqueles diplomas. Atendendo a que o projecto em causa é de âmbito nacional, deu-se maior importância aos diplomas de carácter genérico, isto é, aplicáveis a todo o Continente em detrimento de diplomas específicos cuja aplicabilidade seria restrita para um determinado território, como por exemplo um concelho. Para melhor estruturação dos diplomas foram estabelecidos dezasseis grandes temas nomeadamente: 1. Disposições gerais, 2. Política de solos e expropriação, 3. Servidões e restrições de utilidade pública, 4. Ordenamento do território e urbanismo, 5. Ambiente e recursos naturais, 6. Património arquitectónico e arqueológico, 7. Agricultura, silvicultura e florestas de produção, 8. Indústria e armazenagem, 9. Produção e distribuição de electricidade, gás e água, 10. Transportes, vias de comunicação e telecomunicações, 11. Comércio, 12. Turismo, 13. Equipamentos, 14. Habitação, 15. Programas e regimes de financiamento e 16. Cartografia e cadastro (ver Figura 3). INFORMAÇÃO GEORREFERENCIADA A pesquisa da informação georreferenciada considerada relevante para o Projecto seguiu diversos domínios como sejam as infra-estruturas, o uso do solo, o ambiente e recursos naturais, a população e actividades económicas, a rede urbana e acessibilidades, o património histórico e cultural. Foram ainda considerados, como informação complementar, os Instrumentos de Gestão Territorial. Esta pesquisa foi feita inicialmente nos sites dos respectivos produtores, atendendo à celeridade deste modo de consulta. Deu-se prioridade à informação cartográfica e alfanumérica em suporte digital, disponível gratuitamente. Refira-se que, usualmente, esta informação, mesmo sendo produzida por organismos públicos, não é gratuita, pelo que a sua aquisição envolve encargos que são incomportáveis para o orçamento de projectos de investigação. No caso do Projecto, teve que prescindir-se de alguma informação relevante para o apoio à decisão em ordenamento do território. Procedeu-se, ainda, à recolha da informação existente no ex-cnig para cedência ao público ou resultante de outros projectos de investigação. Só posteriormente se considerou a informação disponível apenas em suporte analógico. As entidades contactadas e que disponibilizaram informação são as constantes da figura 4.

5 Figura 3. Extracto da Estruturação da Legislação sobre Ordenamento do Território Figura 4. Entidades Consultadas e Informação Disponibilizada

6 A informação cartográfica relativa a alguns dos domínios referidos não existe, está desactualizada ou encontra-se muito incompleta porque não cobre a totalidade do território do continente ou porque não inclui, dentro de uma dada temática, componentes consideradas essenciais. Considerando as restrições referidas, a informação recolhida foi agrupada em oito temas subdivididos em sub-temas (ver Quadro 1). Estes encontram-se estruturados numa mapa, disponível no site do projecto, onde é possível visualizar de um modo dinâmico toda esta informação, ou seja, o utilizador pode definir o(s) tema(s) e sub-temas(s) que pretende visualizar, podendo constituir mapas diversos conforme os seus objectivos (ver Figura 5). Quadro 1. Temas e sub-temas da informação Tema Rede Rodoviárias Rede Ferroviária Rede de Gás Rede Eléctrica Recursos Hídricos Áreas de Reserva e Protecção Planos de Ordenamento Informação Base Sub-tema Auto-Estradas Itinerários Principais Itinerários complementares Estrada Regional Estrada Nacional Principal Secundária Complementar Desactivada Armazenagem subterrânea Central térmica Estação de derivação Estação de medição e regulação Estação de seccionamento Terminal de gás natural liquefeito Gasodutos Subestações eléctricas- pórticos Outras subestações eléctricas Linhas eléctricas de 150Kv e 130 Kv Linhas eléctricas de 220 Kv Linhas eléctricas de 400 Kv Áreas de subestações eléctricas Bacias hidrográficas Lista Nacional de Sítios Áreas Protegidas Zonas de Protecção Especial Matas Nacionais e Perímetros Florestais Planos de Bacias Hidrográficas Planos de Ordenamento da Orla Costeira Planos de Ordenamento das Áreas Protegidas Planos Regionais de Ordenamento Florestal Planos Regionais de Ordenamento do Território NUT II NUT III Distritos Concelhos Toponímia Limite do país

7 Figura 5. Consulta Interactiva da Informação Georreferenciada Quase toda a informação recolhida teve que ser tratada de modo a poder ser incluída no sistema. Uma das principais tarefas prendeu-se com a definição dos processos necessários à compatibilização da informação cartográfica provenientes de diversas fontes, designadamente, a compatibilização de formatos e de sistemas de projecção e a realização de operações de edição (limpeza dos ficheiros, alterações de simbologia, cálculo automático de áreas ou perímetros), entre outros. As tarefas mais recentes prenderam-se com a actualização do conteúdo de alguns temas, nomeadamente: - todos os limites administrativos da Informação Base, na sequência da publicação, em 2003, da Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP); - a Rede Ferroviária, cujos elementos em falta foram incluídos (ex. a travessia sobre o Tejo) e os elementos que já não pertencem àquela rede foram excluídos; - algumas Áreas de Reserva e Protecção (em virtude de terem sido actualizadas pela entidade responsável/produtora) - inclusão de novos temas, como é o caso do Recursos Hídricos, e sub-temas, nomeadamente os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (cujos limites são agora disponibilizados). A forma de apresentação da informação no site foi, em alguns casos, também revista. Assim, a Rede Eléctrica que constituía um único tema passou a estar desagregada em vários sub-temas. Esta desagregação deveu-se ao facto de o software utilizado na disponibilização interactiva dos dados na Internet apresentar, numa versão mais recente,

8 potencialidades que antes não existiam (como é o caso da visualização individualizada de elementos do mesmo tipo dentro do mesmo layer). A informação alfanumérica recolhida encontra-se sistematizada numa base de dados. Esta pode ser visualizada no site, através de relatórios, de acordo com o tema de interesse do utilizador. Reconhece-se a importância da existência de metadados (informação que identifica e descreve a informação georreferenciada), por toda a facilidade que actualmente existe em transferir e converter informação em suporte digital. Procedeu-se, por isso, à integração de metainformação no sistema, tendo para o efeito recorrido às páginas web de metadados do SNIG. Nos casos em que a informação inventariada no projecto não constava dos inventários de informação geográfica do SNIG, foi concebida uma ficha-tipo onde constam os campos considerados importantes para a descrição dos conjuntos de dados geográficos, de acordo com a norma ISO/CD Todos os metadados encontramse sistematizados numa página própria (ver Figura 6). Figura 6. Consulta de Metadados ACTIVIDADES EM CURSO De entre as principais actividades em curso, realça-se os links interessantes e os sistemas de planeamento na Europa. Atendendo a que no projecto se pretende coligir informação que sirva de base à elaboração de um esquema de ordenamento do território a nível do Continente, não pode deixar-se de apresentar organizações que a nível europeu, ou mesmo nacional desenvolvem a sua actividade na perspectiva de melhor fundamentar e apoiar a tomada de decisão no ordenamento do território. Nesse sentido, foram estabelecidos links para os sites dessas entidades de que se destacam, a título exemplificativo, DATAR, AESOP, APPLA, etc. Os sistemas de planeamento na Europa serão abordados segundo duas vertentes, nomeadamente os níveis de poder e de administração territorial e a estrutura do planeamento territorial. Esta análise será apresentada como um estudo

9 comparativo de diversos países europeus, incluindo Portugal cujas potencialidades serão identificadas como contributos a considerar, no actual e, em futuros desenvolvimentos de esquemas de ordenamento nacionais. SUMÁRIO CONCLUSIVO Neste Projecto realça-se a sistematização da informação relativa a vários temas, e consequentemente a vários domínios, disponibilizada num site único, o que constituiu um esforço de tratamento e de compatibilização da informação sectorialmente produzida. Desta forma o BEOT contribui para facilitar iguais condições de acesso a informação de natureza geográfica, no contexto da Sociedade da Informação. Como nota final dir-se-á que, pelo facto de a informação ter natureza dinâmica, seja por alteração da original, seja por existência de nova informação, a actualização e enriquecimento dos conteúdos do site são uma tarefa constante. Ana Sofia Santos; Rosário Gaspar; Beatriz Condessa Ana Sofia Santos é técnica superior de 1ª classe do Instituto Geográfico Português. Licenciada em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade de Aveiro em 1993, especializada em Sistemas Integrados de Informação Geográfica pela Universidade de Aveiro e UNEFOR em 1995, mestre em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade Técnica de Lisboa em 2002; Rosário Gaspar é técnica superior de 1ª classe do Instituto Geográfico Português. Licenciada em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade de Aveiro em 1993, especializada em Sistemas Integrados de Informação Geográfica pela Universidade de Aveiro e UNEFOR em 1995, mestre em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade Técnica de Lisboa em 2003; Beatriz Condessa é professora auxiliar no Instituto Superior Técnico Universidade Técnica de Lisboa. Licenciada em Engenharia do Ambiente pela Faculdade de Ciências e Tecnologia / Universidade Nova de Lisboa em 1986, doutorada em Geografia pela Universidade de Barcelona em Centro para a Exploração e Gestão da Informação Geográfica (CEGIG) Grupo de Ordenamento do Território (GOT) Rua Artilharia Um, n.º 107 Instituto Geográfico Português Lisboa PORTUGAL Tel: Fax: URL:

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