A APROPRIAÇÃO DO SISTEMA DE ESCRITA ALFABÉTICA E A CONSOLIDAÇÃO DO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO. Ano 02 Unidade 03

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1 CONCURSO DA EDUCAÇÃO PREFEITURA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE CARGO: PROFESSOR 1 / 2015 A APROPRIAÇÃO DO SISTEMA DE ESCRITA ALFABÉTICA E A CONSOLIDAÇÃO DO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO Ano 02 Unidade 03

2 ( F ) Memorizar os grafemas (símbolos - letras) que correspondem aos distintos fonemas (sons) de uma língua é suficiente para que alguém consiga aprender a ler e a escrever. Portanto a apropriação do sistema de escrita alfabética SEA pode ser entendido como a aquisição de um código.

3 ( V ) O sistema de escrita alfabética SEA é um sistema de notação (representação/ escrita) dos segmentos sonoros da fala. Portanto aprendê-lo requer uma complexa tarefa do aprendiz que necessita compreender a natureza desse sistema, ou seja, suas propriedades conceituais.

4 ( V ) Entender que a compreensão da escrita alfabética pelo aprendiz passa pelo questionamento de que a escrita nota e de que maneira nota os segmentos sonoros das palavras é entender o sujeito como cognoscente, alguém que pensa, constrói interpretações e age sobre o rela para fazê-lo seu. É não reduzir a aprendizagem da leitura e da escrita meramente ao perceptivo-motor.

5 A escrita alfabética como sistema notacional

6 Por que a escrita alfabética é um sistema notacional e não um código? Como as crianças se apropriam deste sistema?

7 Sistemas notacionais Assim como a numeração decimal e a moderna notação musical (com pentagrama, claves de sol. Fá, ré), a escrita alfabética é um sistema notacional. Nestes sistemas, temos não só um conjunto de caracteres ou símbolos (números, notas musicais, letras) mas para cada sistema, há um conjunto de regras ou propriedades, que definem rigidamente como aqueles símbolos funcionam para poder substituir os elementos da realidade que notam ou registram.

8 A escrita alfabética como sistema notacional Como demonstrou Ferreiro (1985), para aprender como o sistema de escrita alfabética (SEA) funciona, a criança vive um trabalho conceitual, por meio do qual vai ter que desvendar duas questões principais: - O que é que as letras notam (isto é, registram)? - Como as letras criam notações (ou palavras escritas)?

9 O processo através do qual a criança responde a estas duas questões-chave, envolve um conjunto de hipóteses. É a própria criança que, em sua mente, tem que reconstruir as propriedades do SEA, para poder dominá-lo. Nesse percurso, ela tem que compreender os aspectos conceituais da escrita alfabética e tal compreensão funciona como requisito para que ela possa memorizar as relações letra-som de forma produtiva, sendo capaz de gerar a leitura ou a escrita de novas palavras.

10 As propriedades do Sistema de Escrita Alfabética (SEA)

11 Propriedades do SEA que o aprendiz precisa compreender e dominar para se tornar alfabetizado 1. Escreve-se com letras, que não podem ser inventadas, que têm um repertório finito e são diferentes de números e de outros símbolos. 1. A criança quando domina esta propriedade reconhece que se escreve com o alfabeto, conjunto de 26 letras. 2. As letras têm formatos fixos e pequenas variações produzem mudanças na identidade das mesmas (p, q, b, d), embora uma letra assuma formatos variados (P, p, P, p). 2. A escrita com bastão maiúsculo deve ser proposta para o início da alfabetização, mas a apresentação dos 4 tipos de letras do alfabeto e sua familiarização deve acompanhar o processo. 3. A ordem das letras no interior da palavra não pode ser mudada. 3. A criança que ainda não construiu esta propriedade acredita que ao escrever SECOLA, lê-se ESCOLA.

12 4. Uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e em diferentes palavras, ao mesmo tempo em que distintas palavras compartilham as mesmas letras. 4. A professora ajuda a construção desta propriedade quando apresenta a palavra de um texto que está sendo trabalhado e pede (com o alfabeto móvel) que se mude o grafema propondo a escrita e leitura de novas palavras. Trabalho com pares mínimos. Exemplo: MATO, RATO, GATO, BATO, JATO, TATO, CATO, FATO, PATO. 5. Nem todas as letras podem ocupar certas posições no interior das palavras e nem todas as letras podem vir juntas de quaisquer outras. 5 Ao construir este principio o alfabetizando sabe que é possível escrever palavras com encontros consonantais como TR, VR, CL ou com dígrafos como o CH, mas jamais é possível o encontro de consoantes como XT compondo uma sílaba.

13 6. As letras notam ou substituem a pauta sonora das palavras que pronunciamos e nunca levam em conta as características físicas ou funcionais dos referentes que substituem. 6. Uma criança, no processo de alfabetização pode considerar que boi se escreve com mais letras que formiga porque aquele animal é maior que este. Tal criança ainda não construiu esta propriedade. 7. As letras notam segmentos sonoros menores que as sílabas orais que pronunciamos. 7. O aluno já construiu consciência fonêmica. Pode estar no nível alfabético da escrita quando já se apropriou deste princípio do SEA. 8. As letras têm valores sonoros fixos, apesar de muitas terem mais de um valor sonoro e certos sons poderem ser notados com mais de uma letra. 8. Acreditar que o sistema de escrita alfabética é um código não leva em conta esta propriedade que deve ser construída propiciando aos alunos atividades onde sejam trabalhadas, por exemplo, o som que assume o grafema G diante do E, I ou os fonemas dos dígrafos como o CH, LH e o NH e mesmo os vários grafemas que possuem o fonema /s/.

14 9. Além de letras, na escrita de palavras, usam-se, também, algumas marcas (acentos) que podem modificar a tonicidade ou o som das letras ou sílabas onde aparecem. 9. Embora os grafemas para a escrita de VOVÓ e VOVÔ sejam os mesmos, a criança ao ler as duas palavras percebe que o som muda devido aos acentos diferentes usados na última letra o de cada palavra. 10. As sílabas podem variar quanto às combinações entre consoantes e vogais (CV, CCV, CVV, CVC, V, VC, VCC, CCVCC...), mas a estrutura predominante no português é a sílaba CV (consoante vogal), e todas as sílabas do português contêm, ao menos, uma vogal. 10. A professora está propondo a construção desta propriedade quando trabalha com textos reais que apresentam palavras de várias composições silábicas e de que cujas sílabas podem ser tomadas como objeto de análise.

15 ( F ) Segundo a teoria da psicogênese de FERRERO e TEBEROSKY as crianças passam por hipóteses ao (re)construírem o sistema de escrita alfabética. São elas: a hipótese pré-silábica, silábica, silábicoalfabética e alfabética. Tais hipóteses representam uma evolução fixa e linear, seguidas universalmente por todas as crianças.

16 ( F ) Ao término do primeiro ano do ensino de nove anos do ensino fundamental, espera-se que a criança tenha atingido a hipótese alfabética, tendo se apropriado da quase totalidade das propriedades do SEA e passa a escrever com base em uma correspondência entre fonemas e grafemas. Ela então está alfabetizada.

17 Psicogênese da língua escrita De acordo com a psicogênese da escrita, a criança não começa a aprender a escrita apenas quando entra para a escola. Esse aprendizado não é uma simples imitação mecânica da escrita do adulto, mas uma busca para compreender o que é a escrita e como ela funciona; o aprendizado da escrita é de natureza conceitual. Nesse processo, a criança levanta e testa hipóteses sobre a escrita.

18 As tentativas de escrita feitas pelas crianças nesse processo não são erros, mas a expressão de suas respostas as suas hipóteses. A criança amplia seu conhecimento sobre a escrita com base na reelaboração de hipóteses anteriores.

19 HIPÓTESES DESENVOLVIDAS PELAS CRIANÇAS DURANTE O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LÍNGUA ESCRITA Pré-silábico Silábico Silábico-alfabético Alfabético

20 PRÉ-SILÁBICO Mistura de rabiscos e sinais gráficos. Não há relação fonema/grafema (consciência fonológica). A criança pode apresentar o realismo nominal, que a leva a pensar que as coisas grandes seriam escritas com muitas letras, ao passo que as coisas pequenas seriam escritas com poucas letras. FORMIGA BOI

21 PRÉ-SILÁBICO A criança começa a distinguir o que serve para ser lido (letras e números) de desenhos. Nesse momento, ela estabelece dois princípios: O princípio da quantidade mínima de letras: segundo a qual é preciso ter no mínimo 3 (ou 2) letras para que algo possa ser lido. O princípio da variedade interna das letras: descobrir que, para escrever palavras diferentes, é preciso variar a quantidade e a ordem das letras que usa, assim como o próprio repertório de letras que coloca no papel. De modo parecido, a criança passa a conceber que, no interior de uma palavra, as letras têm que variar.

22 Atividades e jogos para as crianças com a hipótese de escrita pré-silábica: Associar palavras e objetos; Analisar palavras quanto ao número de letras, inicial e final; Distinguir letras e números; Reconhecer as letras do alfabeto; Familiarizar-se com os aspectos sonoros das letras através das iniciais de palavras significativas; Relacionar discurso oral e texto escrito; Distinguir imagem de escrita; Identificar letras e palavras em textos de conteúdo conhecido.

23

24 Função social da escrita Produção coletiva de texto (receita) e a escrita da rotina do dia

25 Bingo de letras

26 Trabalho com valor sonoro.

27 Atividades de nomeação de objetos com o trabalho de valor sonoro.

28 PERÍODO SILÁBICO Num processo progressivo de compreensão da escrita fonográfica a criança elabora uma escrita silábica, pelo fato de que as sílabas são as unidades sonoras mais perceptíveis da língua. Escreve uma letra para cada sílaba: Silábicas quantitativas ou escrita sem valor sonoro convencional : a criança tende a colocar, de forma rigorosa, uma letra para cada sílaba pronunciada, mas, na maior parte das vezes, usa letras que não correspondem a segmentos das sílabas orais da palavra escrita, mas fazem parte do seu repertório (como as letras do nome, por exemplo).

29 PERÍODO SILÁBICO Silábicas qualitativas ou com valor sonoro : A criança se preocupa em colocar não só uma letra para cada sílaba da palavra que está escrevendo, mas também letras que correspondem a sons contidos nas sílabas orais daquela palavra.

30 PERÍODO SILÁBICO Utilizou uma letra para cada sílaba Percebe o fonema e a sílaba; O critério de representação sonora utilizado: consoante e vogal Tem critérios de representação através de sílabas.

31 PERÍODO SILÁBICO Problemas encontrados pela criança: Como escrever vocábulos monossílabos? Como escrever palavras com letras repetidas? Como escrever nomes conhecidos pela metade? A criança que evolui no nível silábico vai descobrir que a leitura do que escreve não é possível porque faltam elementos discriminativos nas sílabas.

32 Atividades e jogos para as crianças com a hipótese de escrita silábica: ALITERAÇÕES Palavras que iniciam com o mesmo som ou grupo de sons.

33 Alfabeto móvel

34 Cruzadinhas

35 Escrita Silábico-Alfabética A criança neste período pensa que cada sílaba pode ter mais de uma letra, mas ainda não colocam todas. Há uma mistura de princípios silábicos e alfabéticos. A criança já é capaz de realizar uma análise interna da sílaba. Ao notar uma palavra, ora a criança coloca duas ou mais letras para escrever determinada sílaba, ora volta a pensar conforme a hipótese silábica e põe apenas uma letra para uma sílaba inteira.

36 Atividades e jogos para as crianças com a hipótese de escrita silábica-alfabética: Manipular textos orais para a percepção de unidades da língua como: palavras, sílabas e fonemas.

37

38 Atividades de nomeação de brinquedos e brincadeiras com hipóteses espontâneas.

39 Escrita Alfabética A criança é capaz de fazer uma correspondência sistemática entre letras e fonemas. A ortografia ainda não é a convencional. As crianças escrevem com muitos erros ortográficos, mas já seguindo o princípio de que a escrita nota, de modo exaustivo, a pauta sonora das palavras, colocando letras para cada um dos sonzinhos que aparecem em cada sílaba.

40

41 Os professores devem estar atentos para o fato de que ter alcançado uma hipótese alfabética não é sinônimo de estar alfabetizado. Se já compreendeu como o SEA funciona, a criança tem agora que dominar as convenções somgrafia de nossa língua. Esse é um aprendizado do tipo não conceitual, que vai requerer um ensino sistemático e repetição, de modo a produzir automatismos.

42 Atividades para as crianças com a hipótese de escrita alfabética: As sugestões de atividades para ser realizadas tanto com os silábico-alfabéticos quanto com os alfabéticos podem estar relacionadas a objetivos voltados para garantir maior fluência de leitura e maior consolidação das correspondências grafofônicas, como, por exemplo, a realização de cruzadinhas Este é o momento adequado para se iniciar um trabalho com o traçado de letra cursiva, visto que nesta hipótese, as crianças já não apresentam tantas dificuldades em decidir quantas e quais letras usar para escrever as palavras.

43 O trabalho com os nomes próprios e palavras estáveis deve continuar (sobretudo para os silábicos-alfabéticos), mas dessa vez como um suporte de apoio à escrita de novas palavras e de reflexão sobre as regularidades da língua portuguesa. o trabalho de reflexão ortográfica deve começar quando os alunos se tornam alfabéticos.

44 Uso dos acervos das Obras Complementares ou do PNBE

45 ( V ) No segundo ano do ciclo de alfabetização, as práticas do ensino do SEA devem estar voltadas para a consolidação das correspondências somgrafia de nossa língua, de modo que os alunos consigam ler escrever com autonomia. Tais práticas devem conceber um ensino sistemático que inclua a compreensão de regularidades e irregularidades ortográficas de nossa língua, em contextos de letramento.

46 ( V ) Ao longo do segundo ano é necessário trabalhar ainda o reconhecimento e uso de diferentes tipos de letras, uso dos espaços em branco entre as palavras nos textos. A retomada do processo de compreensão do SEA para atingir a hipótese alfabética com os alunos que ainda não atingiu, deve ser meta de ensino desse ano do ciclo

47 O ensino do Sistema de Escrita Alfabética no segundo ano do ciclo de alfabetização

48 Ano 2

49 SER ALFABÉTICO X SER ALFABETIZADO [...] devemos estar atentos para o fato de que ter alcançado uma hipótese alfabética não é sinônimo de estar alfabetizado. Se já compreendeu como o SEA funciona, a criança tem agora que dominar as convenções som-grafia de nossa língua. [...] A consolidação da alfabetização, direito de aprendizagem a ser assegurado nos segundo e terceiro anos do primeiro ciclo, é o que vai permitir que nossas crianças leiam e produzam textos, com autonomia. (Unidade 3, Livro Azul, p.16). reivencao_alfabetizacao_ms.pdf

50 É PRECISO DESENVOLVER ATIVIDADES (Unidade 2, Livro Laranja, p.21) 1. atividades que envolvem o domínio de correspondências som-grafia; 2. atividades que envolvem o reconhecimento e o uso de diferentes tipos de letra; 3. atividades que envolvem a utilização do espaço em branco para separar as palavras do texto.

51 . 1. atividades que envolvem o domínio de correspondências somgrafia; -BINGO DOS SONS INICIAIS - CAÇA-RIMA - DADO-SONORO - TRINCA- MÁGICA *ampliados em sala de aula por meio de atividades complementares de reprodução escrita das palavras contidas no jogo, gerando outras reflexões sobre o registro gráfico. -BINGO DOS SONS INICIAIS - MAIS UM - TROCA LETRAS - PALAVRA DENTRO DE PALAVRAS * Contribuem de forma direta para o estabelecimento das relações entre pauta sonora e registro gráfico.

52 . 2. atividades que envolvem o reconhecimento e o uso de diferentes tipos de letra; As coleções de livros didáticos de alfabetização, aprovadas nas últimas edições do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), em geral, apresentam propostas interessantes para a inserção, de maneira gradativa, do reconhecimento e uso dos diferentes tipos de letra pelos alunos. Apresentação de textos em letra cursiva, como bilhetes, por exemplo, e solicita-se aos alunos identificar os locais em que a letra cursiva aparece. O mesmo pode ser feito com a imprensa maiúscula e minúscula. Apresentar textos curtos parlendas, cantigas, trava-línguas ou poesias - em formato de letras diferentes. Nesse tipo de atividade, os comandos podem levar os alunos a estabelecer comparações entre os textos apresentados e, podem também, solicitar pesquisas com os tipos de letra em destaque na atividade.

53 . 3. atividades que envolvem a utilização do espaço em branco para separar as palavras do texto. A identificação dos espaços em branco entre as palavras pode ser realizada quando na contagem dos espaços em branco e, por conseguinte, da quantidade de palavras de um enunciado, se solicitar aos alunos pintarem esses espaços e identificarem também letras iniciais e finais de cada palavra. Pode-se sugerir que os alunos pintem cada palavra de uma cor diferente ou que delimitem com um traço o início e fim das palavras. Ainda pode ser solicitada a reescrita do texto com a inserção dos espaços em branco entre as palavras, apresentando-se seja em formato de texto corrido seja em caixas referentes à quantidade de palavras do texto para serem preenchidas.

54 LIVROS DIDÁTICOS DE ALFABETIZAÇÃO PRÁTICAS DE LETRAMENTO PNLD Os efeitos positivos do livro didático nas escolas não dependem apenas de uma boa escolha do livro, mas também de um uso adequado desse instrumento em sala de aula.

55 Auxilia no planejamento e na gestão das aulas. Favorece a aquisição de conhecimentos, assumindo o papel de texto de referência. LIVRO DIDÁTICO Equilibra as atividades que favorecem o letramento com aquelas que possibilitam a apropriação SEA. Contribui na formação didáticopedagógica.

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