REGIME DE GESTÃO DE BENS PÚBLICOS

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1 UNIDADE DISCIPLINA TRABALHO República Democrática de S. Tomé e Príncipe MINISTÉRIO DO PLANO E FINANÇAS REGIME DE GESTÃO DE BENS PÚBLICOS PROPOSTA DE REVISÃO DO DECRETO-LEI N.º 47/2009 VERSÃO PARA CONSULTA PÚBLICA REDACTOR: MC&A CONSULTORES ASSOCIADOS (VERSÃO 12.1 AGOSTO 2014)

2 NOTA EXPLICATIVA O Decreto-Lei n.º 47/2009, de 18 de Novembro, foi adoptado no âmbito da reforma das finanças públicas, iniciada com a aprovação da Lei sobre o Sistema de Administração Financeira do Estado (SAFE). O objectivo central do supra-citado diploma era disciplinar os mecanismos de gestão e os procedimentos conducentes à alienação dos bens do Estado. Após mais de quatro anos de vigência, a existência de casos omissos no Decreto-Lei 47/2009 impunha uma revisão profunda do mesmo, de modo a criar um quadro legal estruturado e conciso para gestão dos bens que integram o património público. É neste contexto que surge o presente diploma. O diploma ora apresentado define claramente o seu âmbito de aplicação, incidindo sobre os bens que formam o património público, ou seja, todos os bens que pertencem às entidades e organismos públicos, com ou sem autonomia patrimonial. A par disso, define-se, desde já o alcance da autonomia patrimonial, ficando ressalvado aos organismos com autonomia patrimonial o pleno exercício das prerrogativas sobre os bens que lhes forem alocados. O novo diploma tenta simplificar a terminologia utilizada, recorrendo a definições dos conceitos-chave utilizados ao longo do texto, como forma de evitar interpretações que possam por em causa o espírito de todo o regime de gestão de bens públicos. Outra inovação que é introduzida pelo presente diploma tem a ver com o âmbito de aplicação do mesmo que passa a ser extensível a todas as entidades públicas dotadas de património próprio. Todavia, esta opção não prejudica os poderes de tutela (controlo da legalidade) tradicionalmente conferidos à Direcção do Património do Estado. De facto, assume-se como princípio geral que toda a Administração Pública está sujeita ao regime de gestão e alienação de bens, sem prejuízo das competências exercidas no âmbito da autonomia patrimonial legalmente prevista para cada organismo público. Tendo em conta que os bens do Estado constituem património público, o dever de protecção do património público recai sobre todos os cidadãos sendo obrigatória para os funcionários públicos a denúncia de situações susceptíveis de por em causa os bens que compõem esse património. Dentre as soluções previstas no presente diploma, também consagra-se um regime para a 2

3 gestão dos bens públicos, abrindo espaço para o arrendamento e outras formas de gestão dos bens imóveis pertencentes ao Estado, bem como um regime legal coerente para o arrendamento dos edifícios privados pelo Estado. O regime actualmente em vigor para a hasta pública também foi objecto de revisão, simplificando o procedimento e clarificando os prazos e garantias exigidos aos concorrentes na hasta. Tendo em conta que as alterações requeriam uma reestruturação profunda de alguns conceitos e procedimentos consagrados no diploma actualmente em vigor, a presente revisão propõe-se a adoptar um diploma completo, revogando integralmente o Decreto-Lei n.º 47/

4 REGIME DE GESTÃO DE BENS PÚBLICOS Índice Preâmbulo... 9 Capítulo I Disposições Gerais Objecto Âmbito de aplicação Definições Composição do património público Domínio privado indisponível Domínio privado disponível Princípio da autonomia patrimonial Aplicação aos bens do Domínio Público Capítulo II Aquisição de bens e direitos patrimoniais Incorporação de bens e direitos patrimoniais Aquisição de bens Casos especiais Afectação e desafectação Bens vagos Achados e despojos históricos Adjudicação Aquisição onerosa Aceitação de bens Prescrição aquisitiva Outros casos de prescrição Justificação de domínio Justificação Administrativa Encargos Capítulo III Da Gestão do Património Público Secção I Âmbito da Gestão Patrimonial Poderes compreendidos no âmbito da gestão Competências exclusivas da Direcção do Património do Estado Âmbito da tutela Protecção do património público Legitimidade Deveres gerais dos utilizadores de bens públicos

5 Utilização de bens do Estado por outras entidades Secção II Do Exactor Patrimonial Exactor Patrimonial Funções do Exactor Patrimonial Competência Designação do Exactor Patrimonial Superintendência e tutela Incompatibilidades Regime subsidiário Secção III Gestão de bens imóveis e direitos imobiliários Sub-secção I Disposições gerais Aplicabilidade Registos Formas de exploração dos bens imóveis Rendimentos Sub-secção II Arrendamento de imóveis para instalações Arrendamento de imóveis para o Estado Organização do processo Representação do Estado Objecto do contrato Formalidades Sub-secção III Arrendamento de imóveis do domínio privado do Estado Bens disponíveis para arrendamento Contratos Denúncia dos contratos Notificação Sub-secção IV Disposições diversas Arrendamento de imóveis pelos organismos autónomos Concessões Disposições comuns à aquisição e ao arrendamento de imóveis Secção IV Utilização de Veículos e Parque de Veículos do Estado Utilização de veículos Matrículas... Erro! Marcador não definido. Registos sobre os veículos Responsabilidade civil do condutor Limites à circulação dos veículos Veículos de representação ou função... Erro! Marcador não definido. Entidades privadas... Erro! Marcador não definido. 5

6 Parque de Veículos do Estado Princípios da gestão do PVE Coordenação das aquisições de veículos Regime de aquisição de veículos Locação de veículos Aplicação Obrigatória Capítulo IV Da Alienação do Património Público Secção I Disposições Gerais Bens susceptíveis de alienação Verificação da incapacidade Conteúdo do auto de verificação de incapacidade Autorização para alienação Legitimidade e capacidade para a aquisição de bens públicos Procedimentos aplicáveis Preparação da alienação Avaliação dos bens Secção II Do Concurso Público Aplicação Tramitação do Concurso Público Lançamento do concurso Entrega das propostas Abertura das propostas Comissão de avaliação Critérios de avaliação Publicação dos resultados provisórios Recursos Acta do Concurso Fixação dos resultados definitivos Secção III Hasta Pública Aplicação Aviso Exposição dos bens Da hasta pública Da venda em segunda praça Da venda em terceira Praça Acta da hasta pública Secção IV Procedimentos Especiais

7 Subsecção I Ajuste Directo Aplicabilidade Alienação de imóveis arrendados para habitação Oposição ao preço Subsecção II Leilão em Carta Fechada Aplicabilidade Processamento do Leilão Subsecção III Venda em Feira Pública Aplicabilidade Subsecção IV Cessão a título definitivo para instalação de missões diplomáticas estrangeiras Aplicabilidade Finalidade e encargos Formalidades Auto de cessão Subsecção V Cedência definitiva de Bens Aplicabilidade Requisitos Formalidades Auto de cessão Subsecção VI Disposições Diversas Permuta de bens Secção V Consumação da alienação Produção de efeitos Escritura pública Pagamento Falta de pagamento Registos Secção VI Disposições diversas Alienação de bens imóveis com registo irregular Cláusulas acessórias Reversão dos bens alienados Outros negócios de disposição de bens Receitas da alienação de património Requisitos da reaquisição de prédios executados em processos de execução Alienação de bens localizados fora do território nacional Capítulo V Disposições Finais e Transitórias

8 Penalidades Regularização do património Veículos alienados Encargos especiais Edifícios das antigas roças Regularização do património imobiliário do Estado Regularização matricial Destino dos bens alienados ilegalmente Retoma da posse

9 Decreto-Lei n.º /2013 Preâmbulo O Decreto-Lei n.º 47/2009, de 18 de Novembro, constituiu um marco na reforma das finanças públicas em São Tomé e Príncipe, em particular na gestão dos bens que integram o património público. A sua aplicação permitiu introduzir novos mecanismos de gestão de bens e procedimentos de alienação mais transparentes. Volvidos mais de quatro anos da sua entrada em vigor, considera-se essencial operar uma revisão do mesmo, de modo a trazer soluções para um conjunto de casos omissos nesse mesmo diploma. Assim, O Governo aprova, nos termos da alínea c) do artigo 111.º da Constituição da República Democrática de São Tomé e Príncipe, o seguinte: Artigo 1.º Aprovação É aprovado o novo Regime de Gestão de Bens que integram o Património Público, doravante designado por Regime de Gestão de Bens Públicos, que segue em anexo ao presente diploma e dele faz parte integrante. Artigo 2.º Legislação Revogada São revogadas integralmente as disposições do Decreto-Lei n.º 47/2009, de 18 de Novembro, mantendo-se revogadas todas as disposições constantes do Decreto-Lei n.º 32/82, de 12 de Agosto, e do Decreto n.º 21/97, de 4 de Agosto. Artigo 3.º Entrada em vigor O presente diploma entra em vigor na data da sua publicação oficial. 9

10 ANEXO I REGIME DE GESTÃO DE BENS PÚBLICOS Capítulo I Disposições Gerais Artigo 1.º Objecto O presente diploma visa estabelecer o regime geral de gestão dos bens imóveis, veículos e outros bens móveis que constituem o património do Estado e das demais entidades públicas. Artigo 2.º Âmbito de aplicação 1. O presente diploma aplica-se ao Estado e aos demais entes públicos, designadamente às autarquias locais, à Região Autónoma do Príncipe e aos institutos públicos. 2. O regime previsto no presente diploma aplica-se igualmente às Empresas Públicas, salvo disposição em contrário em lei especial. 3. Não são abrangidos pelo presente diploma os bens que integram o património financeiro do Estado, os bens que integram o património cultural, os documentos e arquivos que integram o património arquivístico, os veículos e outros bens móveis afectos às Forças Armadas e às forças de segurança que revistam a natureza de material militar, nos termos definidos no presente diploma. Artigo 3.º Definições Para efeitos do presente diploma, consideram-se: a) Estado: a República Democrática de São Tomé e Príncipe enquanto Estado unitário, representado pelos seus órgãos de soberania e que constitui a Administração Central do Estado. b) Região Autónoma: pessoa colectiva pública que constitui a Região Autónoma do Príncipe, nos termos da Constituição da República e do respectivo Estatuto Político- Administrativo. 10

11 c) Autarquias Locais: pessoas colectivas públicas de população e território destinadas à prossecução dos interesses específicos das respectivas populações, representadas na ilha de São Tomé pelos Distritos. d) Património: o conjunto de bens e direitos de que uma pessoa, singular ou colectiva, é proprietária. e) Património cultural: o conjunto de bens de valor cultural, histórico ou artístico que enquanto tal for classificado nos termos da Lei sobre o Património Cultural - Lei n.º 4/2003; f) Património público: conjunto de bens e objectos materiais que pertencem ao Estado, às autarquias locais e à Região Autónoma do Príncipe. g) Propriedade: direito real máximo, tal como definido nos termos do Código Civil. h) Titulação: acto que representa o título pelo qual o bem se vincula ao património público ou se desvincula do mesmo, podendo ser através de contrato, acto administrativo ou qualquer outra forma legalmente admissível. i) Afectação: a detenção de bens públicos a título provisório, em que o bem ainda se mantém na propriedade da entidade de origem. j) Equipamento de natureza militar: o equipamento bélico constituído por armamento e munições, ou qualquer equipamento a que o armamento esteja ligado de forma permanente, bem como todos os outros equipamentos como tal considerados no âmbito da legislação do sector. Artigo 4.º Composição do património público O património público é composto pelos bens de domínio público e pelos bens do domínio privado, entendendo-se por: a) Bens do domínio público: as coisas públicas ou bens dominiais que integram todos os bens na titularidade do Estado, declarados insusceptíveis de ser objecto de propriedade privada, inalienáveis, imprescritíveis e impenhoráveis, atendendo à sua natureza ou ao destino de utilidade pública estabelecido por lei; b) Bens do domínio privado: o conjunto constituído pelos restantes bens e direitos corpóreos de que uma entidade pública é proprietária, também designados bens patrimoniais. 11

12 Artigo 5.º Domínio privado indisponível 1. Os imóveis que se encontrem afectos a fins de utilidade pública, constituem o domínio privado indisponível, compreendendo: a) Bens afectos aos departamentos e organismos da Administração Pública, desprovidos de personalidade jurídica; b) Bens localizados no estrangeiro afectos a missões diplomáticas, consulados ou delegações; c) Bens afectos a empresas públicas; e d) Outros bens do Estado afectos a quaisquer outras entidades. 2. Desde que deixem de ser necessários aos fins enunciados no número anterior, os imóveis do domínio privado indisponível tornam-se alienáveis mediante declaração prévia de alienabilidade pelo membro do Governo responsável pela área das finanças, ouvido o Ministro responsável pelo sector ao qual o bem estiver afecto. Artigo 6.º Domínio privado disponível O domínio privado disponível é composto pelos bens do património do Estado que não se encontrem afectos a fins de utilidade pública ou vierem à sua posse ocasionalmente e cuja utilidade é a de produzirem rendimentos. Artigo 7.º Princípio da autonomia patrimonial 1. A aplicação do regime previsto no presente diploma às autarquias locais, à Região Autónoma do Príncipe e às empresas e institutos públicos não deve prejudicar a respectiva autonomia patrimonial. 2. A autonomia patrimonial compreende o poder de praticar de forma definitiva, através dos seus órgãos e serviços, todos os actos de aquisição, gestão e disposição de bens, dentro dos limites consagrados no presente diploma e demais legislação aplicável. Artigo 8.º Aplicação aos bens do Domínio Público Salvo disposições específicas sobre a organização e competência dos serviços públicos responsáveis pela gestão patrimonial constantes do presente diploma, os bens que constituem o domínio público são regulados por lei especial. 12

13 Capítulo II Aquisição de bens e direitos patrimoniais Artigo 9.º Incorporação de bens e direitos patrimoniais A incorporação de bens e direitos no património das entidades abrangidas pelo presente diploma pode resultar dos diversos modos de aquisição admitidos no direito comum e ainda de formas privativas do direito público, penal, fiscal e administrativo. Artigo 10.º Aquisição de bens 1. O Estado pode adquirir bens e direitos: a) Por construção de raiz; b) Por atribuição da lei; c) Por adjudicação; d) A título oneroso, com exercício ou não da faculdade de expropriação; e) Pelo exercício do direito de preferência; f) Por herança, legado ou doação; g) Por prescrição aquisitiva; h) Por ocupação; i) Pelo financiamento total ou maioritário do valor da construção ou aquisição do bem ou direito; j) Por acessão; k) Pelos demais modos previstos na lei. 2. Os demais entes públicos previstos no presente diploma podem adquirir bens ou direitos pelas mesmas formas previstas para o Estado, salvo os casos em que a mesma seja vedada nos termos da lei ou dos respectivos estatutos. Artigo 11.º Casos especiais 1. Consideram-se igualmente propriedade pública, todos os bens móveis adquiridos pelas entidades públicas ou a elas doados, a qualquer título, por meio dos seus representantes, incluindo os bens doados aos serviços e aos titulares dos cargos públicos no exercício das 13

14 suas funções, quando o valor comercial desses bens seja superior a cinco milhões de dobras, e desde que não tenham carácter estritamente pessoal. 2. Para efeitos do número anterior, consideram-se bens de carácter estritamente pessoal aqueles bens que, por natureza, constituam objectos pessoais, designadamente acessórios de moda, produtos têxteis, canetas, bem como outros artigos de idêntica natureza. Artigo 12.º Afectação e desafectação 1. Quando um bem do domínio público do Estado é desafectado ou desclassificado, fica por esse facto jurídico incorporado no domínio privado do Estado, a menos que simultaneamente seja reclassificado noutra categoria de bens do domínio público. 2. O acto de desafectação ou desclassificação, uma vez publicado no Diário da República, é título suficiente para efeitos de inscrição matricial e registo predial. 3. A desafectação de bens do domínio público ou do domínio privado do Estado e posterior afectação ao domínio público ou ao domínio privado das autarquias locais ou da Região Autónoma do Príncipe deverá ser sempre feita de forma expressa, aplicando-se para esse efeito o disposto no número anterior. Artigo 13.º Bens vagos 1. Os bens imóveis que estiverem vagos e sem dono conhecido pertencem ao património do Estado, nos termos da legislação sobre a propriedade fundiária. 2. Os bens a que se refere o artigo anterior consideram-se adquiridos desde logo pelo Estado e este tomará posse dos mesmos por via administrativa, salvo se houver oposição de terceiro com posse superior a cinco anos, caso em que o Estado intentará a competente acção judicial. Artigo 14.º Achados e despojos históricos Pertencem ao Estado como bens patrimoniais os achados e despojos históricos nos termos da legislação em vigor. 14

15 Artigo 15.º Adjudicação 1. Para efeitos do presente capítulo, entende-se por adjudicação a entrega de um ou mais bens ao Estado, em consequência de procedimento judicial, fiscal ou administrativo. 2. Os bens e direitos adjudicados ao Estado em resultado de procedimento judicial, fiscal ou administrativo, serão entregues à Direcção do Património do Estado, remetendo-se o translado do acto, providência ou acordo respectivo. 3. A Direcção do Património do Estado promoverá a identificação exaustiva dos bens e direitos adjudicados e a avaliação pericial dos mesmos. 4. Efectuada a identificação e avaliação dos bens e direitos adjudicados, será regularizado o seu ingresso no domínio privado do Estado. 5. Sem prejuízo do disposto em legislação especial, a perda e abandono de viaturas a favor do Estado reger-se-ão nos termos do presente diploma. Artigo 16.º Aquisição onerosa As aquisições a título oneroso de carácter voluntário reger-se-ão pelos preceitos do presente diploma, seja qual for a natureza dos bens ou direitos de que se trata. Artigo 17.º Aceitação de bens 1. Compete ao membro do Governo responsável pela área das Finanças aceitar heranças, legados, ou doações a favor do Estado. 2. A aceitação de herança entender-se-á feita sempre a benefício de inventário. 3. A sucessão legítima do Estado rege-se pela lei civil e de processo civil em vigor. 4. Os funcionários que, no exercício das suas funções, tiverem conhecimento da existência de algum testamento ou oferta a favor do Estado, ficam obrigados a dar conhecimento do facto à Direcção do Património do Estado Artigo 18.º Prescrição aquisitiva 1. O Estado beneficiará da prescrição ao abrigo das leis comuns, sem prejuízo do estabelecido em legislações especiais. 15

16 2. É absolutamente proibida a aquisição de bens e direitos patrimoniais do Estado ou de quaisquer outras entidades públicas previstas no presente diploma por usucapião ou prescrição aquisitiva. Artigo 19.º Outros casos de prescrição 1. A prescrição, com ressalva do disposto no artigo anterior, e o abandono de bens ou valores a favor do Estado estão sujeitos a regime especial. 2. Sem prejuízo do disposto em legislação especial, consideram-se abandonados a favor do Estado: a) As obrigações, acções e títulos equivalentes, ainda que provisórios, representativos de capital de sociedades anónimas ou em comandita por acções, com sede em território nacional, quando, durante o prazo de vinte anos, os seus titulares ou possuidores de dividendos, juros, amortizações ou outros rendimentos, não tenham manifestado por qualquer modo legítimo e inequívoco o seu direito sobre os títulos; b) Os dividendos, juros, amortizações e outros rendimentos daqueles títulos, quando, durante o prazo de cinco anos, os seus titulares ou possuidores não hajam praticado qualquer dos factos referidos na alínea anterior; c) Os bens ou valores de qualquer espécie depositados ou guardados em instituições de crédito ou parabancárias, quando, durante o prazo de quinze anos, não haja sido movimentada a respectiva conta, não tenham sido pagas taxas de custódia ou cobrados ou satisfeitos dividendos, juros ou outras importâncias, dívidas ou os titulares não tenham manifestado por qualquer outro modo legítimo e inequívoco o seu direito sobre os bens ou valores; d) Veículos, motorizadas, navios e aeronaves, abandonados na via pública, junto à costa, no mar, ou ainda nas áreas sob jurisdição portuária ou aeroportuária, por um período superior a dois meses ininterruptos, quando essa situação representar perigo de poluição ou risco para a segurança dos transportes; e) Edifícios localizados nas zonas urbanas, quando abandonados pelos proprietários por prazo superior a três anos, após a notificação pela Direcção do Património; 3. A notificação dos possíveis proprietários dos bens previstos nas alíneas anteriores fazse nos termos previstos no artigo seguinte. Artigo 20.º 16

17 Justificação de domínio Para efeitos do presente diploma, a justificação de domínio consiste no conjunto de procedimentos administrativos e legais tendentes a comprovar a propriedade pública de determinado bem. Artigo 21.º Justificação Administrativa 1. Aplicar-se-á o regime da justificação administrativa: a) Quando haja necessidade de justificar o domínio relativamente a um bem, para efeitos de registo, nos termos da Legislação sobre o Registo Predial; b) Quando surjam dúvidas acerca do limite ou características de qualquer prédio a registar, e não haja interessado certo que deva ser demandado; c) À prescrição aquisitiva, com as devidas adaptações. 2. A justificação administrativa compreende: a) Publicação do aviso em pelo menos dois jornais de circulação nacional, incluindo meios na internet; b) Escritura de justificação notarial; c) Publicação do resumo da escritura no DR, salvo para o caso da prescrição aquisitiva; d) Registo; e) Inscrição no cadastro de bens públicos; 3. As publicações previstas no presente artigo devem conter todas as informações e detalhes sobre os bens, conforme a regulamentação do cadastro de bens e estar disponíveis pelo prazo de três meses. 4. Sempre que haja recurso ou impugnação da justificação, a decisão sobre a titularidade do bem deverá ser em conformidade com as regras do Direito Privado, incluindo o recurso à via jurisdicional. Artigo 22.º Encargos Aplicam-se aos encargos com a aquisição, o disposto quanto à alienação de bens e direitos do Estado. Capítulo III Da Gestão do Património Público Secção I Âmbito da Gestão Patrimonial 17

18 Artigo 23.º Poderes compreendidos no âmbito da gestão 1. Além dos poderes legalmente conferidos, a gestão do património público compreende: a) Inscrição dos bens no cadastro de acordo com o Regulamento de Inventário e Cadastro dos Bens do Estado; b) Manutenção de um cadastro actualizado de bens; c) Arrendamento, cedência temporária ou definitiva e concessão de direitos sobre os bens imóveis; d) Aluguer e cedência temporária dos bens móveis e veículos; e) Cobrança a terceiros, das contraprestações devidas pela posse de bens sob o seu domínio, incluindo-se as rendas dos imóveis que se encontram arrendados e ou em concessão e entrega dos valores arrecadados nos Cofres do Estado; f) Zelar pela boa conservação dos imóveis, assegurando-se que os mesmos se encontram em condições de utilização; g) Providenciar para que todas as reparações necessárias sejam efectuadas, solicitando a intervenção dos serviços competentes quando preciso; h) Celebração dos contratos de seguros; i) Abate de bens públicos; j) Prática de todos os actos legalmente permitidos para assegurar a conservação do património público. 2. Ao nível da Administração Central do Estado, os poderes compreendidos no número anterior cabem à Direcção do Património do Estado, salvo os casos dos serviços dotados de autonomia patrimonial, nos termos do presente diploma. 3. No caso das Administrações Regional e Local, bem como dos institutos públicos, essa tarefa cabe aos órgãos executivos próprios, em particular aos serviços responsáveis pela administração e finanças. Artigo 24.º Competências exclusivas da Direcção do Património do Estado 1. A Direcção do Património exerce as competências estabelecidas no respectivo estatuto orgânico e a tutela sobre a gestão dos bens das entidades e organismos públicos que gozam de autonomia patrimonial. 18

19 2. A Direcção do Património do Estado pode delegar a todo o tempo nos Directores Administrativos e Financeiros de cada um dos Ministérios algumas das suas competências, nos termos da Legislação Administrativa geral. 3. Compete ainda à Direcção do Património do Estado a supervisão da utilização dos veículos de função, nos termos definidos no presente diploma. Artigo 25.º Âmbito da tutela A tutela sobre a gestão dos bens que constituem o património da Região Autónoma do Príncipe, das autarquias locais e das demais entidades e organismos abrangidos pelo presente diploma compreende os seguintes poderes: a) Acompanhamento do cumprimento das disposições constantes do presente diploma; b) Supervisão da gestão dos bens do Estado afectos a essas entidades; c) Solicitação de informações sobre os bens constantes do património dessas entidades quando os mesmos tiverem sido adquiridos com fundos provenientes do Orçamento Geral do Estado; d) Retoma dos bens que lhes tenham sido afectos nos termos do artigo 12.º; e) Supervisão da utilização dos veículos de função e da emissão de credenciais pelas entidades tuteladas. Artigo 26.º Protecção do património público 1. A responsabilidade primária pela protecção do património público cabe ao detentor ou utilizador do mesmo, que exerce todos os poderes legalmente admissíveis. 2. Sem prejuízo do previsto no número anterior, a Direcção do Património do Estado pode exercer todas as prerrogativas previstas no presente diploma e no respectivo Estatuto Orgânico, independentemente da localização física do bem e do organismo ao qual o bem estiver afecto. 3. A Direcção do Património do Estado exercerá o controlo sobre os bens afectos ao património do Estado através do Exactor Patrimonial, cujas competências estão definidas na Secção II do presente Capítulo. 4. A salvaguarda dos bens das autarquias locais, da Região Autónoma do Príncipe e dos institutos públicos cabe aos órgãos próprios dessas entidades, ressalvando-se as competências exclusivas do responsável pelos serviços do Património. 19

20 5. No caso das embaixadas, a responsabilidade pela protecção do património público cabe ao Embaixador, sem prejuízo das competências do responsável pelos serviços do Património. 6. Salvo os poderes conferidos aos órgãos próprios, a protecção e salvaguarda do património público cabe a todos os cidadãos, por todos os meios legalmente admissíveis. 7. Os funcionários públicos têm o dever de denunciar os factos susceptíveis de danificar, destruir ou subtrair bens públicos, e de exigir a reposição da legalidade, sob pena de procedimento disciplinar. Artigo 27.º Legitimidade 1. Apenas têm legitimidade para utilizar os bens públicos as pessoas que forem autorizadas mediante acto administrativo, contrato ou por força da lei, e no respeito pelas disposições do presente diploma. 2. A violação do disposto no número anterior é passível de procedimento disciplinar, civil e criminal, a que ao caso couber. 3. Cada utilizador deve fazer prova do auto de autorização e apresentar o respectivo título sempre que tal lhe seja solicitado. Artigo 28.º Deveres gerais dos utilizadores de bens públicos 1. Os utilizadores de bens públicos devem fazê-lo com todo o zelo e cuidado de forma a promover a conservação do património público e abster-se de praticar actos susceptíveis de produzir danos ao mesmo ou qualquer outro que possa lesar os interesses do Estado, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil ou criminal a que ao caso couber. 2. O dolo ou negligência grosseira constituem circunstâncias agravantes da responsabilidade prevista no número anterior. Artigo 29.º 20

21 Utilização de bens do Estado por outras entidades 1. Os bens móveis que se encontram sob administração da Direcção do Património do Estado podem ser afectos a outros serviços do Estado e aos entes dotados de autonomia patrimonial, sem prejuízo das prerrogativas legais dessa Direcção. 2. A afectação prevista no número anterior faz-se mediante auto específico para o efeito, assinado por um representante da Direcção do Património do Estado e por outro do Serviço ao qual o bem ficará afecto, no momento da entrega do bem ou no momento em que se proceda à inscrição no inventário e cadastro de bens. 3. Assim que seja constatado que os Serviços aos quais os bens estiverem afectos já não carecem destes para o exercício das suas actividades, os mesmos são disponibilizados novamente à Direcção do Património do Estado, que decidirá sobre a sua reafectação a outros Serviços ou alienação. Secção II Do Exactor Patrimonial Artigo 30.º Exactor Patrimonial 1. A forma de nomeação, as responsabilidades e competências dos exactores patrimoniais estão definidas na presente secção. 2. Em todo o caso, é obrigatória a nomeação de um exactor patrimonial por ministério, por organismo com autonomia financeira no âmbito da Administração Central do Estado e por autarquia local, bem como na Região Autónoma do Príncipe e nas empresas e institutos públicos. 3. Os Exactores são coadjuvados por operadores, que são técnicos destacados no seio das demais Direcções do mesmo Ministério. Artigo 31.º Funções do Exactor Patrimonial 1. O Exactor Patrimonial será o interlocutor entre a Direcção do Património do Estado e o organismo a que fica afecto. 2. O Exactor Patrimonial é o responsável pela guarda e o controlo de todos os bens afectos ao organismo em que está colocado, respondendo por todo o património do mesmo, sempre que se verifique alguma alteração, nomeadamente aumento ou diminuição dos bens. 21

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