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2 Ficha Catalográfica Anais do Congresso Brasileiro de Psicologia & Fenomenologia II Congresso Internacional de Fenomenologia & Psicologia, IV Congresso Brasileiro de Psicologia & Fenomenologia, VI Encontro do GT de Fenomenologia da ANPOF, I Encontro Nacional do GT Fenomenologia, Saúde e Processos Psicológicos da ANPEPP (2019: Curitiba, PR) 22 a 24 de julho de 2019 Universidade Federal do Paraná, Departamento de Psicologia, Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Psicologia, Laboratório de Fenomenologia e Subjetividade (LabFeno), ISSN X 1. Fenomenologia/ Psicologia / Filosofia / Geografia / Psicologia Fenomenológica/ Edição Eletrônica

3 Universidade Federal do Paraná Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Psicologia Departamento de Psicologia Laboratório de Fenomenologia e Subjetividade (LabFeno) Reitor da UFPR Prof. Dr. Ricardo Marcelo Fonseca Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-graduação Prof. Dr. Francisco de Assis Mendonça Diretor do Setor de Ciências Humanas Profa. Dra. Lígia Negri Coordenadora do Programa de Mestrado em Psicologia Profa. Dra. Alessandra Bianchi Chefe do Departamento de Psicologia Profa. Dra. Elaine Cristina Schmitt Ragnini Coordenador do Curso de Psicologia Prof. Dr. João Henrique Rossler Coordenador do Laboratório de Fenomenologia e Subjetividade Prof. Dr. Adriano Furtado Holanda Prof. Dr. Carlos Augusto Serbena (Vice-Coordenador) Produção, distribuição e informações: Laboratório de Fenomenologia & Subjetividade (Labfeno/UFPR) Site:

4 Grupo de Trabalho Fenomenologia, Saúde e Processos Psicológicos Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP) Coordenação Prof. Dr. Adriano Furtado Holanda (UFPR) Vice-Coordenação Prof. Dr. Tommy Akira Goto (UFU) Membros: Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel (Universidade Federal do Pará) Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná) Produtividade PQ2 Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (Universidade de São Paulo) Celana Cardoso Andrade (Universidade Federal de Goiás) Claudinei A. de Freitas da Silva (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) Crisóstomo Lima do Nascimento (Universidade Federal Fluminense) Danilo Saretta Veríssimo (Universidade Estadual Paulista/Assis) Ewerton Helder Bentes Castro (Universidade Federal do Amazonas) Pós Doc Ileno Izidio da Costa (Universidade de Brasília) José Olinda Braga (Universidade Federal do Ceará) José Tomás Ossa Acharán (Universidade de São Paulo, Doutorando) Mak Alison Borges de Moraes (Doutorando/Universidade de Brasília) Mariana Cardoso Puchivailo (FAE-PR/Universidade de Brasília) Raquel de Paiva (Universidade de Brasília) Sávio Passafaro Peres (Universidade Federal do Paraná/Universidade de São Paulo) Shirley Macêdo Vieira de Melo (Universidade Federal do Vale do São Francisco) Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia)

5 Grupo de Trabalho Fenomenologia Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia Coordenação Prof. Dr. Claudinei Aparecido de Freitas da Silva (UNIOESTE) Vice-Coordenação Prof. Dr. Carlos Diógenes Cortes Tourinho (UFF) Membros: Ericson Sávio Falabretti (PUCPR) Hélio dos Salles Gentil (USJT) Marcelo Fabri (UFSM) Mário Ariel Gonzáles Porta (PUCSP) Pedro Manuel dos Santos Alves (Universidade de Lisboa) Simeão Donizeti Sass (UFMG) OUTROS INTEGRANTES Adriano Furtado Holanda (UFPR) Alice Mara Serra (UFMG) Daniel Rodrigues Ramos (UFRB) Elena Pagni (UFJF) Everaldo Cescon (UCS) Gerson Brea (UnB) Giovanni Jan Giubilato (UEL) Marcos Aurélio Fernandes (UNB) Maria Aparecida Bicudo (UNESP) Martina Korelc (UFG) Nathalie Barbosa de La Cadena (UFJF) Sávio Passafaro Peres (USP/UFPR) Scheila Cristiane Thomé (UNIFESP) Tommy Akira Goto (UFU)

6 Comissão Científica Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel (Universidade Federal do Pará) Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná) Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (Universidade de São Paulo) Celana Cardoso Andrade (Universidade Federal de Goiás) Camila Muhl (Universidade Federal do Paraná/FAE-PR) Claudinei A. de Freitas da Silva (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) Crisóstomo Lima do Nascimento (Universidade Federal Fluminense) Danilo Saretta Veríssimo (Universidade Estadual Paulista/Assis) Ewerton Helder Bentes Castro (Universidade Federal do Amazonas) Ileno Izidio da Costa (Universidade de Brasília) José Olinda Braga (Universidade Federal do Ceará) Mak Alison Borges de Moraes (Doutorando/Universidade de Brasília) Mariana Cardoso Puchivailo (FAE-PR/Universidade de Brasília) Sávio Passafaro Peres (Universidade Federal do Paraná/Universidade de São Paulo) Shirley Macêdo Vieira de Melo (Universidade Federal do Vale do São Francisco) Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia) Comissão Geral Docentes UFPR Prof. Adriano Holanda Prof. Carlos Serbena Coordenação e Secretaria Geral Camila Muhl (UFPR/FAE) Fabiane Orengo (UFPR/APFeno) Mariana Puchivailo (FAE/APFeno) Coordenação Científica Camila Muhl (UFPR/FAE) Nicole Batista Krachenski (UFPR) Victor Portugal (UFPR)

7 Comunicação e Divulgação Yuri Ferrete (UFPR) André Fukuda (FAE) Financeiro Fabiane Villatore Orengo (UFPR) Arte e Compras Adriana Patrícia Egg Serra (UFPR) Secretaria Assistentes Cibele Stringuetta (UFPR) Isabela Perotti (UFPR) Karoline Schleder (UFPR) Victor Portugal (UFPR) Alex Orengo (UFPR) Karine Pereira (UFPR)

8 PATROCÍNIO APOIO Universidade Federal do Paraná Editora Juruá Mabu Curitiba Business

9 Sumário CONFERÊNCIAS... 1 Análise fenomenológica da saúde do corpo, da psique, do espírito... 2 Poderá o conceito husserliano de "crise" servir para uma compreensão da crise psíquica?... 3 A Fenomenologia Genética de Husserl em seus Contextos Sistemáticos e Históricos... 4 Repetición y advenir: en los márgenes de Sueño y Existencia en L. Binswanger... 5 Experiencia generativa de la paternidad... 6 La relación de la fenomenología y la psicología como un motor de la fenomenología trascendental... 7 MESAS REDONDAS... 8 A operacionalidade da fenomenologia henryana no acolhimento terapêutico de estudantes universitários com ideações suicidas... 9 Considerações fenomenológicas sobre Sofrimento e Crise Psíquica: apontamentos para uma (re)visita à psicopatologia clínica Hermenêutica Colaborativa: ação humanista-fenomenológica em grupos interventivos com universitários em sofrimento psíquico Sentir e Sentido em Merleau-Ponty, Paul Ricoeur, e Michel Henry A fragilidade afetiva na filosofia da vontade de Paul Ricoeur Ética e Ontologia da Ação de Paul Ricoeur Experiência do Numinoso, Símbolo e Saúde Mito e Religião na Fenomenologia Cassireriana Psicoterapia Integrada a Espiritualidade: Fenomenologia, Sofrimento Psíquico e Espiritualidade Método Fenomenológico na Psicologia: Da Construção da Psicologia Fenomenológica à Pesquisa Empírica Edmund Husserl, Edith Stein e as Pesquisas no Campo das Ciências Humanas: A contribuição de Angela Ales Bello The great beyond. Ou porque fenomenologia não é psicologia: redução e constituição do humano Vivências psicológicas de profissionais da saúde mental em projetos de inclusão em CAPS: Uma proposta de análise psicológico-fenomenológico A clínica do sofrimento psíquico grave: contribuições antropológico-fenomenológicas Experiência de doença e estoque de conhecimento no enfrentamento do diagnóstico psiquiátrico Fenomenologia do Inconsciente na Obra de Machado de Assis... 24

10 Por uma Fenomenologia da Morte em Rainer Maria Rilke A tradição Sufi e a Fenomenologia: Um Diálogo entre a Hermenêutica Espiritual e a Ontologia Fenomenológica a partir de Rumi e Heidegger Instante, Salto e Epifania: Na Filosofia, na Literatura e na Clínica De Freud a Heidegger e de volta. Ou, o que é isto Daseinspsicanálise? Vulnerabilidade antropológica na Daseinsanalyse contemporânea: sofrer com o próprio ser como fundamento da psicopatologia Psicopatologia, Dialética e Tomada de Decisão Clínica no Tratamento das Adicções a Substâncias As fontes filosófico-teológicas nos horizontes temáticos da psiquiatria de Eugenio Borgna Reflexões sobre o Pensar e o Fazer: Discutindo Cuidado através das Primeiras Crises Rompendo o Silêncio da Razão: A Palavra Viva segundo Levinas e Merleau-Ponty A Trama do Estético e do Político em Merleau-Ponty: A Vida entre Silêncio, Silenciamentos e Expressão Corpo e Gênero: Diálogos entre Merleau-Ponty e Simone de Beauvoir Contribuições da Fenomenologia para a Formação Interprofissional em Saúde A Construção da Saúde Existencial Simpatizar é sentir as dores e alegrias do outro? O papel da simpatia na compreensão das vivências alheias Reconhecimento de Si e Denegação do Outro nas Redes Sociais Autoconsciência Fenomenal e Estados Alterados de Consciência: Fenomenologia do Estado Hipnagógico A Pesquisa Fenomenológica no Contexto Amazônico: Possibilidades e Perspectivas Antropologia Fenomenológica como Propedêutica para uma Clínica: Questões de Constituição O Sujeito Anímico e o Sujeito Espiritual em Ideias II Dilthey e Husserl: Compreensão e Mundo da Vida Sentidos da Psicoterapia: Relatos de Pesquisa Ser-com e Espacialidade - Implicações e fundamento para a clínica Gestáltica Os Limites da Intencionalidade Operante como Parâmetro para a Produção Psicótica na Daseinsanalyse Psiquiátrica Fenomenologia nas obras de Carl Rogers: apontamentos para o cenário brasileiro A Fenomenologia à Luz da Problemática da Conversão de Si Teleologia e Evidência na fenomenologia de Husserl A Presença de Kierkegaard na Psicologia Existencial-Humanista Individuação, Tempo, Instante Filosofia e Ciências Biológicas em Merleau-Ponty: Entre Síntese e Rigor Conceitual... 53

11 A Figurabilidade do Jogo: Essência e Sentido do Lúdico em F.J.J.Buytendijk Fenomenologia, Empatia e Educação Merleau-Ponty e o Lebenswelt da Política SESSÕES TEMÁTICAS Estudos Históricos Sobre Fenomenologia, Existencialismo e Humanismo A RELAÇÃO ENTRE AUTENTICIDADE E CORPOREIDADE NAS TEORIAS PSICOLÓGICAS EXAMINADAS POR EDITH STEIN JUNG E A POLÍTICA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE C.G.JUNG A QUESTÃO DA PSYCHÉ EM TEMPO DE UMA PSICOLOGIA SEM ALMA A EXISTÊNCIA MARCADA POR MODOS DE VIVER PADRONIZADOS NO MUNDO INAUTÊNTICO DE JOVENS RECÉM FORMADOS E A ILUSÃO DO SUCESSO FOUCAULT, HUSSERL E BINSWANGER EM TORNO DA EXPRESSÃO O COMPROMISSO FENOMENOLÓGICO DO JOVEM FOUCAULT A CIÊNCIA PSICOLÓGICA E SEUS FUNDAMENTOS: UM ESTUDO DA VIDA E OBRA DE NILTON CAMPOS Estudos Teóricos Sobre Fenomenologia, Existencialismo e Humanismo UM OLHAR PARA A RELAÇÃO CONSTRUÍDA ENTRE PAI E FILHO EM ENSINANDO A VIVER UMA INVESTIGAÇÃO DO SER-PARA-A MORTE EM A HORA DA ESTRELA A ATENÇÃO E A INTENCIONALIDADE NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA A COMPREENSÃO DO SUICÍDIO À LUZ DA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL DE JEAN-PAUL SARTRE A EMPATIA EM EDITH STEIN E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A PSICOLOGIA A FENOMENOLOGIA DO ÓDIO DE AUREL KOLNAI A IDEIA DO NEXO PSICOLÓGICO ESTRUTURAL DA VIDA PSÍQUICA NA FILOSOFIA DE WILHELM DILTHEY A INVISIBILIDADE DA VIDA NA FENOMENOLOGIA DE MICHEL HENRY A RESPONSABILIDADE DO PSICÓLOGO À LUZ DA ÉTICA FENOMENOLÓGICA DE EMMANUEL LÉVINAS AS RELAÇÕES ENTRE TRABALHO E TEMPORALIDADE NA OBRA "NA COLÔNIA PENAL" DE FRANZ KAFKA DISSIDENZ: CONTRIBUIÇÕES DAS NOÇÕES DE ABSURDO E REVOLTA PARA (RE)PENSAR A PRÁXIS ÉTICO- POLÍTICA DA PSICOLOGIA EM TEMPOS SOMBRIOS DORIAN GRAY: O RETRATO DE UMA EXISTÊNCIA FENOMENOLOGIA E PSICOLOGIA ANALÍTICA: PSICOLOGIA ALQUÍMICA COMO UM MODO DE VER FENOMENOLÓGICO FENOMENOLOGIA, EXISTENCIALISMO E HERMENÊUTICA: AS POSSIBILIDADES DE DIÁLOGO A PARTIR DA OBRA DE GILBERTO SAFRA ELESSANDRA NUNES DE ÁVILA REIS LA FENOMENOLOGÍA DE LA HISTORIA DE HUSSERL Y EL FUNDAMENTO DE UN HUMANISMO UTÓPICO O JE E MOI NA OBRA A TRANSCENDÊNCIA DO EGO, DE JEAN PAUL SARTRE... 82

12 O EXISTIR NEGRO: CONTRIBUIÇÕES DE FRANTZ FANON PARA AS ONTOLOGIAS EXISTENCIAIS O INFERNO SÃO OS OUTROS: UMA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA DO PERCURSO EXISTENCIAL DE TONY NA SÉRIE AFTER LIFE O SENTIDO DA VIDA E SUAS NUANCES NA VIDA ADULTA E VELHICE O SUICÍDIO NO CONTEXTO ESCOLAR: APONTAMENTOS E REFLEXÕES PARA UMA PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DOS PROCESSOS ATENCIONAIS: A TEORIA DA RELEVÂNCIA EM GURWITSCH E SCHÜTZ PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA E A INTERSUBJETIVIDADE COMO FUNDAMENTO METODOLÓGICO NA PESQUISA PSICOLÓGICA SELF E AUTENTICIDADE EM MERLEAU-PONTY: APONTAMENTOS PARA UM DIÁLOGO POSSÍVEL COM HEIDEGGER E SARTRE SOBRE O INCONSCIENTE FENOMENOLÓGICO: PASSIVIDADE, AFEÇÃO E INTERMITÊNCIA TRAGÉDIA COMO SAÍDA NA INVIABILIZAÇÃO DO PROJETO-DE-SER Psicologia Clínica na Fenomenologia, Abordagens Existenciais e Humanistas LUTO NO PLANTÃO PSICOLÓGICO - ATENDIMENTOS EM UMA CLÍNICA-ESCOLA ATENDER EM DOMICÍLIO É PSICOTERAPIA? : ANÁLISE FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DE UMA SITUAÇÃO CLÍNICA POR CÉUS E MARES EU ANDEI": A RELAÇÃO COM PAIS NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL A ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO NOS GRUPOS DE APOIO AOS FAMILIARES E AMIGOS ENLUTADOS POR SITUAÇÃO DE SUICÍDIO A BUSCA DO SER-AUTÊNTICO DE PESSOAS SOROPOSITIVAS NUMA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICO- EXISTENCIAL A CLÍNICA GESTALTICA COMO PRÁTICA DE LIBERDADE A CLÍNICA PSICOLÓGICA INDIVIDUAL EM SITUAÇÕES DE SUICÍDIO A MORTE E A EMERGÊNCIA DO SENTIDO DA VIDA: UM ESTUDO DE CASO A POTÊNCIA TRANSFORMADORA DO ENCONTRO NA RELAÇÃO PSICOTERAPÊUTICA SOB O ENFOQUE FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL: CASO CLÍNICO A PSICOTERAPIA INFANTIL COMO MEDIAÇÃO PARA SUPERAÇÃO DA SOLIDÃO E DEVER-SER: UM RELATO DE CASO A VIVÊNCIA EM TEATRO E DANÇA COMO POSSIBILIDADE PARA A APROPRIAÇÃO DE SI ACOMPANHAMENTO DOMICILIAR: COMPREENSÕES DE UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO À LUZ DA PERSPECTIVA HERMENÊUTICA EXISTENCIAL ANÁLISE DO FILME O QUARTO DE JACK SOB O OLHAR FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL ANGÚSTIA E MORTE NA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL: UM ESTUDO DE CASO ATENDIMENTO EM PLANTÃO PSICOLÓGICO EM CLÍNICA-ESCOLA DE UM CASO DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER AUTOBIOGRAFIA ACOMPANHADA COM IDOSOS: UM RECURSO CLÍNICO PARA A DESCOBERTA DE SENTIDOS NO ENVELHECER

13 COMPREENSÃO DO LUTO E CONSTRUÇÃO DO PROCESSO PSICOTERÁPICO À LUZ DA FENOMENOLOGIA- EXISTENCIAL COMPREENSÕES FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAIS SOBRE O FENÔMENO DO SUICÍDIO CONSTITUIÇÃO DO EU A PARTIR DE OUTREM: INTERFACE ENTRE FENOMENOLOGIA E GESTALT-TERAPIA 111 CONTEMPORANEIDADE E SOFRIMENTO: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA CLÍNICA FENOMENOLÓGICO- EXISTENCIAL CONTRIBUIÇÕES DA DASEINSANALYSE À PRÁTICA DA PSICOLOGIA CLÍNICA HOSPITALAR CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA PARA UMA FUNDAMENTAÇÃO EM GESTALT-TERAPIA CONTRIBUIÇÕES DE UMA PSICOTERAPIA DE INSPIRAÇÃO KIERKGAARDIANA FRENTE AO QUADRO DA CULTURA CONTEMPORÂNEA DA NEUROSE À AWARENESS UMA PERSPECTIVA GESTÁLTICA ACERCA DA INTROJEÇÃO E AUTOPERCEPÇÃO EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA CLÍNICA NA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL EXPERIÊNCIA DE LUTO DE FILHAS/FILHOS PELA PERDA DO PAI DURANTE A ADOLESCÊNCIA GRUPO DE TERAPIA EM FENOMENOLOGIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA GRUPO PSICOTERAPÊUTICO COM CASAIS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA CONJUGAL IDENTIFICAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS NA RELAÇÃO TERAPÊUTICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. 121 LUTO NA PERDA GESTACIONAL MUSICANDO EM SUPERVISÃO DE ESTÁGIO E ENCAMINHANDO AÇÃO CLÍNICA EM PSICOLOGIA NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA VISITA: ACOMPANHAMENTO DOMICILIAR E AÇÃO CLÍNICA- RELATO DE EXPERIÊNCIA O AMOR COMO PILAR NA TERAPÊUTICA FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL: IMPASSES NA FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO DOMICILIAR: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA SOB O OLHAR FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL O CAMINHO ACONTECE NA RELAÇÃO TERAPÊUTICA: DES-CONSTRUÇÕES DO MODELO BIOMÉDICO DE CUIDADO NA DASEINSANÁLISE O CASO IVANA (NOME FICTÍCIO): ANÁLISE FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL O EXERCÍCIO DA PSICOLOGIA CLÍNICA A PARTIR DO PENSAMENTO DE HEIDEGGER: INTERPRETAÇÃO NARRATIVA DE DISCURSOS CLÍNICOS O IMPESSOAL COMO O MOVIMENTO EXISTENCIAL PARA A BUSCA DO ATENDIMENTO PSICOTERÁPICO O MÉTODO ADI/TIP, INTERVENÇÃO E MUDANÇA NO SOFRIMENTO DEPRESSIVO: PSICOLOGIA CLÍNICA, FENOMENOLOGIA, PSICOTERAPIA PENSANDO O SUICÍDIO A PARTIR DA FENOMENOLOGIA-HERMENÊUTICA DE MARTIN HEIDEGGER PLANTÃO DE ATENDIMENTO PSICOLÓGICO: UMA CLÍNICA HUMANISTA-FENOMENOLÓGICA DE ACOLHIMENTO E RESSIGNIFICAÇÃO PRÁTICA NA MODALIDADE DE PSICOLOGIA CLÍNICA FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL: UM ESTUDO DE CASO

14 PSICOTERAPIA CLÍNICA FENOMENOLÓGICA E O AQUI E AGORA: APROXIMAÇÕES ENTRE YALOM E A PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICA NO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE ESTUDO DE CASO PSICOTERAPIA ONLINE: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO PRELIMINAR QUANDO O SOL BATER, NA JANELA DO TEU QUARTO...A ESQUIZOFRENIA NA PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL QUESTÕES DE ESCOLHAS E RESPONSABILIDADES: UM ESTUDO DE CASO CLÍNICO FENOMENOLÓGICO RELATO DE EXPERIÊNCIA EM CLÍNICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL RELATOS NO SPA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE: A FENOMENOLOGIA EM FOCO SOBRE A EXPERIÊNCIA ONÍRICA DE UM SUICIDA HERMÉTICO SOFRIMENTO NA ERA DA TÉCNICA: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE ESTÁGIO EM SERVIÇO-ESCOLA SUICÍDIO E A CLÍNICA PSICOLÓGICA EXISTENCIAL: ATO DE VIOLÊNCIA CONTRA SI MESMO? SUICÍDIO: DO ESCURO DO EXISTIR À REINVENÇÃO DA VIDA NO ABRIGAMENTO DO PLANTÃO PSICOLÓGICO A Fenomenologia na Formação em Psicologia A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO PSICÓLOGO NA FENOMENOLOGIA SUPERVISÃO CLÍNICA, ATUAÇÃO E IDENTIDADE A SUPERVISÃO CLÍNICA COMO ESPAÇO DE (TRANS)FORMAÇÃO DO ESTUDANTE DE PSICOLOGIA EM PSICÓLOGO(A): COMO FAZER? A SUPERVISÃO E A CLÍNICA BASEADA NA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA ANÁLISE DA INSERÇÃO DA PSICOLOGIA HUMANISTA NO BRASIL A PARTIR DA OCORRÊNCIA DE EVENTOS CIENTÍFICOS APRENDIZAGEM NA DISCIPLINA DE PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA E EXISTENCIAL I NO CURSO DE PSICOLOGIA DA UFPB AS BORBOLETAS DA SAÚDE MENTAL: EXPERIÊNCIA NO CASULO COMPREENDENDO O SUICÍDIO À LUZ DA ONTOLOGIA HEIDEGGERIANA: EXPERIÊNCIAS EM UM SERVIÇO- ESCOLA DESABRIGO SE CUIDA ABRIGANDO: DESVENTURAS ENTRE PACIENTE E TERAPEUTA NO ACONTECER DA PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICO E A PARTIR DA MÚSICA, AS EMOÇÕES SE EXPRESSAM: ESTUDO FENOMENOLÓGICO COM DISCENTES DE PSICOLOGIA EXPERIÊNCIA DOCENTE EM PSICOLOGIA: UMA PERCEPÇÃO FENOMENOLÓGICA SOBRE CUIDADO COM/DO DISCENTE EXPERIÊNCIA FORMATIVA EM JOVENS CALOUROS DE UMA UNIVERSIDADE INTERIORIZADA: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO FENOMENOLOGIA DO ESTAGIAR: UMA POSSIBILIDADE DE VIR A SER PSICÓLOGO

15 FENOMENOLOGIA E PROCESSOS DE FORMAÇÃO: PROJETO DE DESENVOLVIMENTO ACADÊMICO DA UFF-IHS IMPACTO DA FENOMENOLOGIA NO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE DISCENTES DE PSICOLOGIA MEMORIAL DE FORMAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE BUSCA DE SENTIDO NA FORMAÇÃO PSICOLÓGICA NÃO TEM REMÉDIO: O DESAFIO DA REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA NA SUPERVISÃO DE PSICOTERAPEUTAS O ENSINO DA FENOMENOLOGIA COMO UM CONVITE À PESSOALIDADE DO FUTURO PSICÓLOGO O PLANTÃO PSICOLÓGICO NA CLÍNICA-ESCOLA: UMA ESCUTA FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA O RIGOR DO MÉTODO: A FENOMENOLOGIA E SUA ESSÊNCIA NA PRÁTICA PSICOTERÁPICA O ROLE-PLAY COMO PRÁTICA DE ENSINO APRENDIZAGEM PARA A CLÍNICA PSICOLÓGICA NO ENFOQUE HUMANISTA, FENOMENOLÓGICO E EXISTENCIAL PENSAMENTO E EXPERIÊNCIA NO PROCESSO DE ENSINO DA FENOMENOLOGIA: PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA (REL)AÇÃO PRIMEIRAS VIVÊNCIAS NA CLÍNICA FENOMENOLÓGICA: A AMPLIAÇÃO DO HORIZONTE HERMENÊUTICO PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA: UMA EXPLANAÇÃO DOS CONSTRUCTOS HISTÓRICOS DA ABORDAGEM REFLEXÕES ACERCA DA FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA EM UMA UNIVERSIDADE INTERIORIZADA: META- SÍNTESE QUALITATIVA SENTIDOS DO PLANTÃO PSICOLÓGICO NA VIVÊNCIA COMO PLANTONISTA SUPERVISÃO CLÍNICA NA PERSPECTIVA DA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL: DESENVOLVIMENTO DA POSTURA PSICOTERAPEUTA SUPERVISÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL E O ÂMBITO DO SUICÍDIO UM ESTUDO SOBRE A FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA: CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA-ANTROPOLÓGICA DE EDITH STEIN FENOMENOLOGIA E TRANSDISCIPLINARIDADE: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA VIDA ACADÊMICA: A CONCEPÇÃO DA PRESSÃO DO TEMPO POR DISCENTES DA PSICOLOGIA DA UFAM A Pesquisa Fenomenológica A DASEINSANÁLISE COMO POSSIBILIDADE INTERPRETATIVA DE ENTREVISTAS QUALITATIVAS A INCIDÊNCIA DO CONTEXTO FAMILIAR MULTIGERACIONAL NO PROCESSO DE ADOLESCER: UM ESTUDO DE CASO A POTÊNCIA DO AFETO: POR UMA CLÍNICA DA GESTÃO A TEMPORALIDADE DA CRIANÇA EXPRESSA PELO BRINQUEDO TERAPÊUTICO DRAMÁTICO ARTE E SAÚDE MENTAL: SENTIDOS DE UMA OFICINA AUTOCONCEITO FENOMENAL EM ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL NO MODELO INTEGRADO DE L ECUYER COMPARAÇÃO: UMA DISCUSSÃO FRENTE AO DETERMINISMO DA MULTIDÃO E DAS CERTEZAS E VERDADES UNIVERSAIS

16 COMPREENSÃO DAS TRANSIÇÕES COMBATIVAS VIVIDAS POR PRATICANTES DE TAEKWONDO EXPERIÊNCIA INTERNA E CRIATIVIDADE: INTERRELAÇÕES DA MENTE DUAL NO PROCESSO DE CRIAÇÃO ARTÍSTICA JOVENS CALOUROS MIGRANTES NA UFVJM: INVESTIGAÇÃO FENOMENOLÓGICA MÉTODO FENOMENOLÓGICO - UMA POSSIBILIDADE NA PESQUISA CIENTÍFICA PARA A COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES O AUTOCONCEITO FENOMENAL EM CRIANÇAS: UMA REFLEXÃO ACERCA DOS MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO O CAMINHAR DO DESVELAMENTO DO SER A PARTIR DA PRÁTICA DO TAE KWON DO: UMA ÓTICA FENOMENOLÓGICA O SER PSICOTERAPEUTA PARA ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA: UMA LEITURA FENOMENOLÓGICO- EXISTENCIAL O SER-EM NO MERCADO RELACIONAL; A VIVÊNCIA AFETIVO-SEXUAL PERMEADA PELO DIAGNÓSTICO DE HIV OS SENTIDOS DE PESSOA OBESA: ESTUDO FENOMENOLÓGICO PESQUISA FENOMENOLÓGICA HEIDEGGERIANA NA ÁREA DA ENFERMAGEM: ANÁLISE DE CONCEITOS PESQUISA FENOMENOLÓGICA INTERVENTIVA COM UNIVERSITÁRIOS DO SEMIÁRIDO NORDESTINO EM SOFRIMENTO PSÍQUICO SENTIDOS DA VIOLÊNCIA SEXUAL E SEUS IMPACTOS SOBRE A AUTOCONSCIÊNCIA E AUTOREPRESENTAÇÕES DO SELF AO LONGO DA VIDA TRANSGERACIONALIDADE E CONJUGALIDADE: PESQUISA PSICOLÓGICO-FENOMENOLÓGICA SOBRE TRANSMISSÃO PSÍQUICA ENTRE O TRANSIÇÕES COMBATIVAS E PSICOLÓGICAS NA LUTA GRECO-ROMANA UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO SOBRE A EXPERIÊNCIA DE USUÁRIOS EM UM CENTRO DE CONVIVÊNCIA. 199 VIVÊNCIAS DE PSICÓLOGOS COMO INTEGRANTES DE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES EM HOSPITAL Fenomenologia nas Instituições Públicas A IMPORTÂNCIA DO PLANTÃO PSICOLÓGICO NO ÂMBITO DA SAÚDE PÚBLICA A INCIDÊNCIA DO ESTRESSE NA ROTINA DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA A INFLUÊNCIA DA ESQUIZOFRENIA NO COTIDIANO DA FAMÍLIA, SOB A CONCEPÇÃO FENOMENOLÓGICA ACOLHIMENTO FAMILIAR REFLEXÕES SOBRE OS DESAFIOS PARA A IMPLANTAÇÃO DESTE SERVIÇO CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO EM PSICOLOGIA FRENTE AO FENÔMENO DO LUTO GESTACIONAL IMPLANTAÇÃO DE PLANTÃO PSICOLÓGICO NA DELEGACIA DE POLÍCIA DE DEFESA DA MULHER: UMA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA POSSIBILIDADES DE DIÁLOGO ENTRE A PSICOLOGIA EXISTENCIALISTA SARTRIANA E POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL DO SUS PROGRAMA REDE MÃE PARANAENSE: PRÉ-NATAL VIVENCIADO POR MULHERES RESIDENTES EM REGIÃO DE FRONTEIRA

17 QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHADOR PENITENCIÁRIO: UMA REVISÃO DA LITERATURA SOB A ÓTICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL TEMPO E CUIDADO EM SAÚDE MENTAL TRABALHO DAS MULHERES NA AGRICULTURA FAMILIAR: VIVÊNCIA, SIGNIFICADO E SUBJETIVIDADE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: UM MAU ENCOBERTO MORTE, CULTURA E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS NA PERSPECTIVA FAMILIAR Contribuições da Fenomenologia para a Educação A ESCOLA COMO MUNDO CULTURAL A FENOMENOLOGIA EM EDITH STEIN COMO POSTURA PEDAGÓGICA PARA O SENTIDO DO SER PESSOA A PARTICIPAÇÃO DOS DISCENTES NA CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PARTICIPATIVO: UM OLHAR FENOMENOLÓGICO A POSSIBILIDADE DE PROMOVER REFLEXÃO NA ESCOLA TRADICIONAL A PARTIR DA FENOMENOLOGIA HERMENÊUTICA A VIVENCIA DA EMPATIA NA FORMAÇÃO HUMANA NA FENOMENOLOGIA PEDAGÓGICA DE EDITH STEIN CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA À EDUCAÇÃO MÉDICA: EXPERIÊNCIAS DE HUMANIZAÇÃO FORMAÇÃO DE CATEQUISTA DA CATEQUESE COM ADULTOS. CONTRIBUIÇÕES FENOMENOLÓGICO- PEDAGÓGICAS DE EDITH STEIN IMINÊNCIA DA VIDA ADULTA E FRUSTRAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA: UMA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA NO CONTEXTO ESCOLAR NOVOS CAMINHOS A RESPEITO DOS TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM NA VISÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL O DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO NO AMBIENTE ESCOLAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOB A LUZ DA TEORIA ARENDTIANA OS BENEFÍCIOS DA NOÇÃO DE ESTRUTURA DE MERLEAU-PONTY PARA PENSAR A EDUCAÇÃO PAULO FREIRE E O EXISTENCIALISMO: LEITURAS DO CONCEITO DE AMANUALIDADE NO PENSAMENTO FREIRIANO PERSPECTIVAS E ANÁLISES DA PERFORMANCE DOCENTE NA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA E REVISÃO CRÍTICA DA CONSCIÊNCIA: UMA APROXIMAÇÃO ENTRE HUSSERL E MENEGHETTI VIOLÊNCIA ESCOLAR: UM OLHAR DA FENOMENOLOGIA PARA O SOFRIMENTO DA EDUCAÇÃO Sexualidade e Relações de Gênero REFLEXÕES ACERCA DA NOÇÃO DE IDENTIDADE DE GÊNERO: PERFORMATIVIDADE, SER-AÍ E SUBVERSÕES. 233 A RESSIGNIFICAÇÃO RELIGIOSA DE HOMO E TRANSEXUAIS FRENTE À HETERONORMATIVIDADE DE SUAS RELIGIÕES

18 A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NAS ARTES MARCIAIS: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO DE SUAS EXPERIÊNCIAS GRUPO DE PESQUISA SEXUALIDAD E VIDA USP/CNPQ EMPATIA E FEMININO SEGUNDO EDITH STEIN O GÊNERO COMO MODALIDADE EXISTENCIAL REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA NACIONAL SOBRE EDUCAÇÃO SEXUAL E PROSTITUIÇÃO NA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA MULHER, NEGRA E PROSTITUTA: PRODUÇÕES CIENTÍFICAS NOS CONTEXTOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS O FEMINISMO COMO QUESTÃO EXISTENCIALISTA: O APROFUNDAMENTO DA OBRA DE SIMONE DE BEAUVOIR INFIDELIDADE VIRTUAL UM ESTUDO DE CASO: UMA VIVÊNCIA FEMININA MATERNIDADE LÉSBICA BRASILEIRA. UMA REVISÃO DE TESES E DISSERTAÇÕES NAS CIÊNCIAS HUMANAS E DA SAÚDE DIÁLOGOS E APROXIMAÇÕES ENTRE SIMONE DE BEAUVOIR E MARCELA LAGARDE A SEXUALIDADE DO AUTISTA: UMA ANÁLISE DA PRIMEIRA TEMPORADA DA SÉRIE ATYPICAL SEXUALIDADE E GÊNERO NO MERCADO SEXUAL HOMOERÓTICO SUL-AMERICANO NARRATIVAS DOS SOBRE-VIVENTES DE PRÁTICAS HOMOFÓBICAS E TENTATIVAS DE SUICÍDIO NA DESCOBERTA DA ORIENTAÇÃO HOMOAFETIVA O Corpo na Fenomenologia A ESCAVAÇÃO DA INTERIORIDADE NA EUTONIA À LUZ DA ANTROPOLOGIA SOMATOLÓGICA DE EDITH STEIN A CONSTITUIÇÃO DO CORPO DO SUJEITO MODERNO EM FOUCAULT E MERLEAU-PONTY A MENOR DISTÂNCIA ENTRE DUAS PESSOAS: SER-CLOWN A RECIPROCIDADE ENTRE VOLUNTÁRIO E INVOLUNTÁRIO: ASPECTOS DE UMA FENOMENOLOGIA DA VONTADE EM PAUL RICOEUR ADOE-SER: UMA REFLEXÃO SOBRE O CONCEITO DE DOENÇA EM GESTALTTERAPIA E CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA ADOLE-SER EM MOVIMENTO: UMA PROPOSTA FENOMENOLÓGICA DE ESCUTA E COMPREENSÃO DA ADOLESCÊNCIA ANSIEDADE AO DISCURSAR EM PÚBLICO DEPRESSÃO EM ALUNOS DE CIÊNCIAS DA SAÚDE. ESTUDO DE CASOS DOS SABERES CORPORAIS EM CAPOEIRA AOS SABERES EXISTENCIAIS DA PESSOA CAPOEIRISTA

19 ENTRE ACONTECIMIENTO Y VULNERABILIDAD. HACIA UNA FENOMENOLOGÍA DE LA PSICOSIS EN HENRI MALDINEY FENOMENOLOGIA E ROSTO: PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS NA INTERFACE FENOMENOLÓGICO- EXISTENCIAL E LITERATURA MEU CORPO (IN)FINITO E (IN)COMPLETO: VIVÊNCIAS DA CORPOREIDADE NA SÍNDROME DE TURNER O SENTIDO DA BUSCA PELO CORPO IDEAL: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO O SER DO EGO ENCARNADO: UMA FILOSOFIA DA CARNE A PARTIR DE MICHEL HENRY PROCESSOS CRIATIVOS ARTÍSTICOS COMO RECURSO DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL: UMA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA SER BELA E CANSADA DÓI: O CORPO FEMININO ANORÉXICO NA ABORDAGEM HEIDEGGERIANA VIOLÊNCIA SEXUAL: COMPREENSÃO DA MANIFESTAÇÃO CORPÓREA SOB O VIÉS FENOMENOLÓGICO- EXISTENCIAL Fenomenologia, Religião e Espiritualidade A EXPERIÊNCIA DA MAÇONARIA: O SENTIDO DE SER MAÇOM NARRATIVAS JUNTO A PACIENTES EM TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO EM GRUPOS COMUNITÁRIOS DE SAÚDE MENTAL A FENOMENOLOGIA COMO CAMINHO PARA O RESPEITO DA DIVERSIDADE RELIGIOSA BRASILEIRA A FENOMENOLOGIA DA EXPERIÊNCIA MÍSTICA DURANTE ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO EM CATÓLICOS ROMANOS A FENOMENOLOGIA DOS ITINERÁRIOS EM SÃO FRANCISCO DE ASSIS DEUS SENCIENTE: O LUGAR DE XAVIER ZUBIRI NA FILOSOFIA DA RELIGIÃO EM SENDO ASSIM UM SER-PARA-A MORTE: VIVÊNCIAS DA ESPIRITUALIDADE DE PESSOAS EM CUIDADOS PALIATIVOS EXPERIÊNCIA RELIGIOSA HOMOAFETIVA: DA EXCLUSÃO À INCLUSÃO EXPERIÊNCIA VISIONÁRIA EM ESTADOS INCOMUNS DA CONSCIÊNCIA E SUA FENOMENOLOGIA EXPERIÊNCIAS ANÔMALAS E EXPERIÊNCIAS RELIGIOSAS: CIÊNCIA PSICOLÓGICA E FENOMENOLOGIA INFLUÊNCIAS DA UMBANDA NA FORMAÇÃO DA SUBJETIVIDADE DE SEUS PARTICIPANTES MODOS DE CUIDADO E EXPERIÊNCIA RELIGIOSA EM UM CAPS DE BELÉM DO PARÁ NARRATIVAS SOBRE A ESPIRITUALIDADE: O CASO DE COORDENADORES DE GRUPOS COMUNITÁRIOS DE SAÚDE MENTAL O MOMENTO EU-TU COMO DIMENSÃO DA ESPIRITUALIDADE NA CLÍNICA GESTÁLTICA OS MISTÉRIOS DIVINOS DA VIDA E O PENSAMENTO:A CIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA PERCEPÇÕES E INTERVENÇÕES DE PSICÓLOGAS FRENTE ÀS CRENÇAS RELIGIOSAS DE PESSOAS HOSPITALIZADAS: ESTUDO

20 REFLEXÕES SOBRE USUÁRIOS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS DO PÚBLICO FEMININO A FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL E A RELIGIOSIDADE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE NA PRÁTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO: UMA ANÁLISE DAS VIVÊNCIAS E PERCEPÇÕES DE FORMANDOS EM PSICOLOGIA Sofrimento e Psicopatologia Fenomenológica A EXPERIÊNCIA DE PROFISSIONAIS DE UM CAPS A PARTIR DE UMA PROPOSTA DE ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL A PATOLOGIZAÇÃO DO COTIDIANO E A DESUMANIZAÇÃO DA VIDA A TENSÃO DO EXISTIR NO MUNDO PRECARIZADO DO TRABALHO: UMA ANÁLISE EM MARTIN HEIDEGGER AS (IM)POSSIBILIDADES VIVIDAS NO PROCESSO DO LUTO MATERNO FRENTE À MORTE POR SUICÍDIO BUSCA DE SENTIDO DE DEPENDENTES QUÍMICOS EM UM CAPS - AD: SOB UMA LEITURA LOGOTERAPÊUTICA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA DO ABUSO DE DROGAS NA CONTEMPORANEIDADE COMPREENSÕES PSICODIAGNÓSTICAS DE KARL JASPERS E DO DSM-V: DIÁLOGOS E POSSÍVEIS REFLEXOS PSICOSSOCIAS COMPULSÃO ALIMENTAR: ESBOÇOS DE UMA REFLEXÃO DA PSICOLOGIA EXISTENCIALISTA LUTO, DIAGNÓSTICO E PSICOTERAPIA: POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES DE TATOSSIAN O CENÁRIO POLÍTICO COMO DISPOSITIVO DE ADOECIMENTO: EXISTÊNCIA E AFETO O COTIDIANO DOS USUÁRIOS DE UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL EM BOA VISTA - RR: UM OLHAR FENOMENOLÓGICO O SUJEITO DEPRESSIVO: UM OLHAR FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL POR UMA FENOMENOLOGIA DO ESTRANHO E DO ÍNTIMO A PARTIR DE PETER SLOTERDIJK SENTIMENTOS EXISTENCIAIS E VULNERABILIDADE: UMA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA SOFRIMENTO PSÍQUICO NA UNIVERSIDADE: UMA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA OS ESTUDOS SOBRE A EXPERIÊNCIA DE OUVIR VOZES E O MANEJO NAS ATIVIDADES LABORATIVAS UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL DA PRODUÇÃO ACADÊMICA SOBRE O SOFRIMENTO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS O CAMINHAR FENOMENOLÓGICO COMO TRANSCENDÊNCIA AO DIAGNÓSTICO: TRANSFORMANDO O ITINERÁRIO TERAPÊUTICO EM CLAREIRA DE POSSIBILIDADES Fenomenologia e Diálogos Interdisciplinares SUICÍDIO: DO MORRER POÉTICO AO VIVER SEM POESIA A ARQUITETURA, A TEORIA DE GOETHE E A FENOMENOLOGIA DA VIDA A EMPATIA COMO RECONHECIMENTO DA ALTERIDADE: UM ESTUDO A PARTIR DE EDITH STEIN

21 A FENOMENALIDADE DOS AFETOS NO TEXTO O ÓDIO NA CONTRATRANSFERÊNCIA DE WINNICOTT A FENOMENOLOGIA DE EDITH STEIN PENSADA NA PSICOLOGIA PALIATIVISTA A OPERACIONALIDADE DA FENOMENOLOGIA HENRYANA NO ACOLHIMENTO TERAPÊUTICO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS COM IDEAÇÕES SUICIDAS A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE FENOMENOLOGIA E PSICANÁLISE NO BRASIL E DEMAIS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DE ESTUDOS DO FENÔMENO MESSIÂNICO NO BRASIL SEGUNDO MARIA ISAURA PEREIRA DE QUEIROZ ATELIÊ DE DESENHO DE LIVRE-EXPRESSÃO E SUICÍDIO: REFLEXÃO A PARTIR DA FENOMENOLOGIA DA VIDA C. G. JUNG E E. HUSSERL: APROXIMAÇÕES TEÓRICA E METODOLÓGICA ENTRE PSICOLOGIA ANALÍTICA E FENOMENOLOGIA CLARICE LISPECTOR E MERLEAU-PONTY: A LITERATURA COMO OBJETO PRIVILEGIADO DE ESTUDO DO SER 315 EM BUSCA DE FUNDAMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL PARA PROCESSOS DE COACHING DE CARREIRAS EPOCHÉ E REVISÃO CRÍTICA DA CONSCIÊNCIA: APROXIMAÇÕES ENTRE FENOMENOLOGIA E ONTOPSICOLOGIA FENOMENOLOGIA DO OBSERVADOR: A PROPRIEDADE SOCIAL DO TORNAR-SE ATENTO FENOMENOLOGIA E TRANSFERÊNCIA NO SETTING PSICANALÍTICO FENOMENOLOGIA FILOSÓFICA E HUMANISMO: UMA ANÁLISE POR MEIO DAS TEORIAS HUSSERLIANA E ONTOPSICOLÓGICA FORMAÇÃO CONTINUADA EM ONTOPSICOLOGIA: SIGNIFICADOS E SENTIDOS HORIZONTES ABERTOS: REFLEXÕES SOBRE OS POSSÍVEIS IMPACTOS POLÍTICOS DE UM DESCENTRAMENTO DA NOÇÃO DE SUBJETIVIDADE HUMANIZAÇÃO EM UTI: DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES INFÂNCIA, AFETIVIDADE E RELAÇÕES RACIAIS: A CONTRIBUIÇÃO DA FENOMENOLOGIA INTERDISCIPLINARIDADE NO TRABALHO DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO E PROTEÇÃO A FAMÍLIAS E INDIVÍDUOS LUGAR, COTIDIANO, EXISTÊNCIA: FENOMENOLOGIA E PATRIMÔNIO METODOLOGIA INOVADORA INTERDISCIPLINAR E HUMANISTA NA FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA APLICADA NA FACULDADE ANTONIO MENEGHETTI NORMS IN NATURE: A PHENOMENOLOGICAL DISAGREEMENT O EU-PELE, A CARNE, A ALTERIDADE: INTERLOCUÇÕES ANZIEU/MERLEAU-PONTY O EXISTENCIALISMO NA CLÍNICA DE OLIVER SACKS: DIÁLOGOS COM A NEUROCIÊNCIA

22 UMA ARTICULAÇÃO FENOMENOLÓGICA HERMENEUTICA ENTRE OS CONCEITOS DE CIBERESPAÇO, HABITAR E ESPAÇO O MEDO DO PARTO COMO CONSTRUÇÃO INTERDISCIPLINAR: PROPOSTAS E REFLEXÕES PELO VIÉS FENOMENOLÓGICO O SUICÍDIO À PROVA DO AMOR DE SI: ROUSSEAU E MICHEL HENRY OUTREM E O MUNDO HUMANO NA OBRA O ESTRANGEIRO DE CAMUS: UMA LEITURA FENOMENOLÓGICA PRESSÃO PELO SUCESSO E A VIVÊNCIA DA TEMPORALIDADE POR JOVENS DE 18 A 25 ANOS ESCUTA E CUIDADO INTERDISCIPLINAR DA EXPRESSÃO COTIDIANA DE PESSOAS OUVIDORAS DE VOZES A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA COMO EXPERIÊNCIA DE ALTERIDADE: A OBRA DE ARTE COMO QUASE-SUJEITO SONIC THE HEDGEHOG E SEU CARÁTER ÉTICO E ESTÉTICO Intencionalidade, Processos Psicológicos e Saúde Mathias Waldburger Guedes e Roberto Novaes de Sá UMA CLÍNICA DO TRAUMA: ABERTURAS FENOMENOLÓGICAS NA COMPREENSÃO DO SOFRIMENTO A EXPERIÊNCIA COTIDIANA COMO POSSIBILIDADE TERAPÊUTICA EM UM PROGRAMA DE PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL O DESENVOLVIMENTO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE NO CONTEXTO POLÍTICO DO SÉCULO VINTE OS SIGNIFICADOS DO ACOMETIMENTO POR ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO PARA MULHERES DE MEIA IDADE: UMA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA POSICIONAMENTO PESSOAL FRENTE AO ADOECIMENTO ONCOLÓGICO EM CUIDADOS PALIATIVOS PROJETO EMOÇÕES: UM PROCESSO EM CONSTRUÇÃO ENTRE A MÚSICA, O TEMPO E O BEM-ESTAR ADOECER-COM-O-FILHO: A AUTENTICIDADE NA VIVÊNCIA DE UM TRATAMENTO CLÍNICO-GESTACIONAL A UTILIZAÇÃO DA HISTORIOGRAFIA PARA REFLEXÃO DO SENTIDO DE VIDA: RELATO DE EXPERIÊNCIA APRESENTANDO O DIÁLOGO ABERTO, ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE O SISTEMA FINLANDÊS FRENTE À CRISE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SARAU-PSI: AÇÃO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE NA GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA A VIVÊNCIA AFETIVA NA FENOMENOLOGIA DE DIETRICH VON HILDEBRAND FAMÍLIAS DE BEBÊS EM UTI NEONATAL: UMA PESQUISA FENOMENOLÓGICA O TABAGISMO ENQUANTO FATOR RESTRITIVO DE POSSIBILIDADES DE VIDA - UM OLHAR FENOMENOLÓGICO EM ENFERMARIAS DE HOSPITAL Processos Simbólicos e Imaginação ARTE E IMAGINAÇÃO COMO PROMOTOR DE SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE GRUPO OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA E A IMAGINAÇÃO ATIVA DE CARL G. JUNG, UMA ANALOGIA

23 FENOMENOLOGIA DOS SONHOS: UMA ABORDAGEM COM IMAGINAÇÃO ATIVA ANSIEDADE FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIALISTA ARQUETÍPICA: UMA ARTICULAÇÃO COMPARADA A PROJEÇÃO DA SOMBRA NA HOMOFOBIA A ARTE E A CLÍNICA FENOMENOLÓGICA: TESSITURAS (AUTO)BIOGRÁFICAS E EXISTENCIAIS O SINTOMA COMO SÍMBOLO AUTOREGULADOR DA PSIQUÉ E A TÉCNICA DA IMAGINAÇÃO ATIVA COMO CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO Fenomenologia e Filosofia A HERMENÊUTICA NA FENOMENOLOGIA EM SER E TEMPO A INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DE PHRONESIS EM MARTIN HEIDEGGER ALMA E CORPO NA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA DA FENOMENOLOGIA, ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA E ENATIVISMO: COMPROMETIMENTOS, DESVIOS E CONTINUAÇÕES DOLOR Y CREACIÓN: A PROPÓSITO DE LA TEMPORALIDAD HUSSERL, SELLARS E MCDOWELL: NOTAS SOBRE A CONTRIBUIÇÃO HUSSERLIANA PARA O PROBLEMA DO CONCEITUALISMO EPISTEMOLÓGICO IMPESSOALIDADE E MEDIANIDADE NO PENSAMENTO DE MARTIN HEIDEGGER INTERSUBJETIVIDADE EM SHELER: CONTRIBUIÇÕES FENOMENOLÓGICAS AO ESTUDO DA EMPATIA O CONCEITO DE DIGNIDADE HUMANA A PARTIR DO MODELO ANTROPOLÓGICOFILOSÓFICO DE MAX SCHELER O ESFACELAMENTO DO SUJEITO E A EMERGÊNCIA DO REAL O NEXO ONTOLÓGICO COMO POSSIBILIDADE DE SOLUÇÃO AO PROBLEMA CRÍTICO DO CONHECIMENTO: REFLEXÕES INTERDISCIPLINARES O PROBLEMA DA VERDADE EM ORTEGA Y GASSET REFLEXÕES SOBRE A TÉCNICA FENOMENOLÓGICA, SEGUNDO LEVINÁS

24 1 CONFERÊNCIAS

25 Angela Ales Bello (Centro Italiano di Ricerche Fenomenologische/Itália) 2 Análise fenomenológica da saúde do corpo, da psique, do espírito A questão que se investiga aqui diz respeito ao sentido daquela condição humana que chamamos de "saúde" em contraste com a outra que chamamos de "doença". Geralmente sabemos se estamos bem ou mal, costumamos dizer que nos "sentimos bem" ou "nos sentimos mal", o que significa que estamos no campo de sentimentos de bem-estar ou desconforto. Pode acontecer também que não tenhamos tais sensações e, no entanto, descobrimos, em certo momento, que um mal nos aflige. Isso diz respeito à saúde do corpo, mas o ser humano não é apenas corpo; então, para aprofundar a questão da saúde é necessário proceder a uma investigação preliminar sobre o sentido do ser humano, sobre sua complexidade e estratificação. O resultado desta investigação será nos compreender como entidades físicopsíquicas, portanto, como um corpo vivo (Leib) e como um espírito (Geist). Esta é a razão pela qual descobrimos que a saúde/doença afeta toda essa complexa estratificação. Por fim, analisaremos o que significa a saúde do corpo, da psique e do espírito, com particular referência à psique.

26 Carlos Morujão (Centro de Filosofia, Universidade Católica Portuguesa) 3 Poderá o conceito husserliano de "crise" servir para uma compreensão da crise psíquica? Numa situação de crise, o mundo em que assentamos as nossas certezas básicas torna-se problemático. Sentimo-nos desorientados e perdidos e procuramos uma solução radical, em ordem à sobrevivência. O mundo é sentido e vivido, mais do que pensado, como algo de irracional. As nossas crenças não aderem a ele e ele não parece dar lugar ao cumprimento das nossas expectativas. Em última instância, o familiar torna-se ameaçador, o que parecia seguro torna-se perigoso. A expressão portuguesa falta-nos o chão traduz a sensação de se viver numa crise. Estas ideias, que podemos encontrar nos textos husserlianos sobre a problemática da crise, nascidas, em primeiro lugar, numa reflexão sobre a cultura, podem ter outras aplicações. A nossa comunicação procurará investigar a sua pertinência para a compreensão da crise psíquica.

27 Pedro Alves (CEFUL/Universidade de Lisboa - Portugal) 4 A Fenomenologia Genética de Husserl em seus Contextos Sistemáticos e Históricos Neste trabalho, procuro dar conta da mutação no pensamento de Husserl que introduz a fenomenologia genética. Minha tese é que não se trata de um simples desenvolvimento interno do motivo transcendental das Ideias, de 1913, mas de uma reformulação do tema e do interesse central do programa fenomenológico. Vista retrospectivamente, essa mutação pode ser apresentada como um aprofundamento. Essa foi em larga medida a interpretação do próprio Husserl. Não a contestando, pretendo, porém, mostrar as clivagens, as linhas de ruptura e o modo como o programa fenomenológico se reorganiza a partir da teoria da génese, bem como assinalar os motivos que a ela conduzem.

28 María Lucrecia Rovaletti (Universidad de Buenos Aires) 5 Repetición y advenir: en los márgenes de Sueño y Existencia en L. Binswanger Como Foucault también nuestro propósito es escribir en los márgenes de Traum und Existenz, de L. Binswanger el análisis de la existencia tal como se aparece a sí misma y tal como se puede descifrar en el sueño. Binswanger muestra que el sueño no contiene solamente indicaciones que conciernen al pasado (Freud), sino también respecto al poder-ser del sujeto. Donde Freud afirma que el sueño es la realización de un deseo, Binswanger amplia el campo y considera que el sueño revela la existencia, más aún me revela mi libertad más allá de necesidades y de pulsiones, de limitaciones impuestas por lo real, de los obstáculos de la enfermedad y la muerte. Ya Jung había vislumbrado esto en los sueños donde el sujeto vive como drama su propio destino. Pero es gracias a Binswanger que el motivo del sueño no se comprende como una de las posibles significaciones de algún personaje sino como el fundamento de todas ellas. El tema del sueño ya no es el personaje que dice yo sino todo el sueño, es decir la primera persona onírica con el conjunto de sus contenidos oníricos. En este sentido, el sueño no es la reedición de una forma anterior o de una etapa arcaica de la personalidad, sino que se manifiesta como el devenir y la totalidad de la misma existencia. El sueño más que resucitar el pasado, presagia el futuro. El sueño es el advenir haciéndose, la libertad liberándose, la existencia que se recobra como totalidad. Por eso, sólo es posible encontrar el sentido de la repetición en la medida que ésta se constituye como experiencia de la temporalidad.

29 Julio César Vargas Bejarano (Departamento de Filosofía / Universidad del Valle, Colombia) 6 Experiencia generativa de la paternidad El nacimiento, la muerte y la reproducción de la vida conciernen íntimamente a la existencia humana. Husserl afirma que estos temas forman parte de la fenomenología generativa. En estas reflexiones me ocuparé en particular de la experiencia generativa de la paternidad y de sus efectos en la vida del hijo(a), desde el punto de vista de la fenomenología. Este tema ha sido investigado ampliamente por el psicoanálisis, al que ha servido como punto de referencia para interpretar la estructura y formación del espíritu humano. Sin embargo, la fenomenología también se ocupa de la parentalidad, más aún de la relación paterno-filial y reconoce su importancia para la configuración de la identidad personal. A pesar de las diferencias, se pueden encontrar varios puntos de convergencia entre las nociones de fecundidad y generatividad, abordadas por Levinas y Husserl respectivamente. Levinas eleva la fecundidad a un plano ontológico, que constituye la identidad del Mismo: en la apertura al Otro, en particular al hijo, tiene lugar una transformación decisiva en el ser de los padres. En este contexto, Levinas sostiene una tesis sorprendente en relación al vínculo entre padres e hijos: De una parte, afirma: yo no tengo hijo, soy mi hijo ; de otra parte, la unicidad del hijo proviene del Eros del padre. Indagamos las bases fenomenológicas que llevan a plantear esta identidad; interesa determinar cómo tiene lugar la ampliación del horizonte de mundo que adquiere un ser humano cuando asume la parentalidad, en qué medida se puede hablar de que allí tiene lugar una fractura o división interna en su ego y cuál es el carácter de la relación entre el padre y el hijo(a). Para abordar estos interrogantes, tomamos como punto de referencia especialmente las investigaciones de Gabriel Marcel, Emmanuel Levinas y Klaus Held.

30 Javier San Martín (UNED/Madrid, España) 7 La relación de la fenomenología y la psicología como un motor de la fenomenología trascendental Mi objetivo es explorar el núcleo aporético de la relación de la fenomenología con la psicología, que pasará por tres etapas, una primera en la que la fenomenología es un tipo de psicología una segunda, en la que Husserl distingue perfectamente esta relación, a una tercera, que podríamos calificar, de la claridad de la separación a la imbricación. La conferencia tendrá globalmente dos partes, primero, delinearé cómo Husserl comprende la relación de la fenomenología con la psicología, una vez superada la primera etapa en que la fenomenología se veía como psicología. En la segunda etapa Husserl formula una fenomenología neutral apta para la psicología y la fenomenología trascendental. Ambas se distinguen por ser elaboradas desde distintas actitudes, la actitud fenomenológica psicológica y la actitud fenomenológica trascendental, a la que se accede por la práctica de la reducción trascendental. En la segunda parte mostraré el cambio que sucede a mitades de la década de los 20, con la aparición de la teoría de los tres yoes, fundamental para resolver las polémicas sobre la reducción y la epojé.. Desde la distinción de los tres Yoes, la reducción trascendental es el descubrimiento del yo trascendental en el yo humano Desde esta nueva óptica abordaré la perplejidad del texto del 71 de La crisis, del que doy la interpretación de Iso Kern, y la que hay que reelaborar desde el final de la conferencia de 1931, que no puede menos de hacernos revisar el conjunto de las interpretaciones anteriores.

31 8 MESAS REDONDAS

32 Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (Universidade de São Paulo) 9 A operacionalidade da fenomenologia henryana no acolhimento terapêutico de estudantes universitários com ideações suicidas Nesta apresentação iremos mostrar que operacionalidade da fenomenologia da vida nas práticas clínicas não é o mesmo que aplicação da fenomenalidade da vida à clínica. Do histórico do conceito salientaremos dois momentos e dois conceitos. Os dois momentos serão: 1) O Colóquio Internacional Michel Henry: o incondicional da condição humana, na UCP Porto, 2013, que com Florinda Martins nos propusemos ver como o trabalho terapêutico se articularia com o conceito de corpopropriação em Michel Henry, exposto por Benoît Kanabus. 2) O desenvolvimento desta proposta deu-se no âmbito do projeto Corpo e Afectividade: a recepção de Michel Henry na lusofonia, com seminários internacionais na USP. Os dois conceitos são: fenomenalidade da encarnação e corpopropriação. Veremos como é que o conceito de corpopropriação nos ajuda a compreender aquilo que Christophe Dejours, na clínica, denomina de processo de inacabado da encarnação e que é o material fenomenológico do trabalho do terapeuta. No atendimento a estudantes universitários com ideações suicidas trabalhamos a corpopropriação daquilo que fazendo sofrer é sentido e vivido com o estranho de nós: como o inacabado da encarnação. Apoio: FAPESP 2018/ e CNPq Processo /

33 Ileno Izídio da Costa (Universidade de Brasília/GIPSI) 10 Considerações fenomenológicas sobre Sofrimento e Crise Psíquica: apontamentos para uma (re)visita à psicopatologia clínica A presente reflexão objetiva tecer considerações/reflexões de base fenomenológica acerca o sofrimento humano em sua expressão fenomênica da crise psíquica. Para tanto, buscamos apresentar apontamentos filosófico-clínico-fenomenológicos sobre o psíquico (aqui entendido não no sentido psicológico tão somente) mas, como Husserl propõe, dentro de uma estrutura de compreensão da subjetividade humana. Diante da complexidade, não só dos temas centrais (sofrimento e crise psíquica) como também das possibilidades diversas de abordagem fenomenológica, delimitaremos estas considerações - convite preliminar para discussões mais aprofundadas - na seguinte questão central: como podemos compreender e abordar (se podemos) o sofrimento humano e a crise psíquica em suas manifestações mais agudas (angustiantes) de (des)organização subjetiva da experiência humana que tem escapado das abordagens tradicionais psis (psicologia, psicopatologia, psiquiatria, psicanálise, psicodiagnóstica, psicométrica etc)? Para tanto, o paradigma psicopatológico norteador será o fenômeno tradicionalmente denominado de psicose, com o intuito fundamental de buscar bordejá-lo em suas possibilidades de estruturação inicial, ou seja, o que o sofrimento psíquico humano, classificado como psicopatológico (ou doentio ) expresso nas psicoses diz da estruturação basilar da subjetividade/experiência humana de todo ser humano? A partir disto, vejamos se é possível (re)visitar a psicopatologia clínica tradicional, nela incluída a psicopatologia chamada de fenomenológica. Estas elaborações serão baseadas nos 18 anos de existência/vivência/experiência do Grupo de Intervenção Precoce nas Primeiras Crises Psíquicas do Tipo Psicótico do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília.

34 Shirley Macêdo (Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina/PE Univasf) 11 Hermenêutica Colaborativa: ação humanista-fenomenológica em grupos interventivos com universitários em sofrimento psíquico A Hermenêutica Colaborativa é um método que surgiu como proposta humanistafenomenológica em clínica do trabalho. No entanto, vem se sedimentando como metodologia de pesquisa interventiva. Embasa-se nas filosofias de Merleau-Ponty e Gadamer, tendo aporte teórico em alguns conceitos da psicologia humanista de Carl Rogers. Consiste num método em que um clínico ou pesquisador, ao reunir em grupo sujeitos que compartilham de uma mesma realidade social, facilita um processo conjunto de interpretação e construção de alternativas, pautado no confronto de tradições, que viabiliza o encontro intersubjetivo e a retomada da consciência histórica, favorecendo a construção de novos projetos para enfrentarem e resignificarem o sofrimento. Diante disso, no presente trabalho, apontaremos como esse método vem sendo utilizado em projetos de pesquisa e extensão, cujos participantes de grupos são universitários em sofrimento psíquico e os facilitadores são estudantes de Psicologia. Por ser uma metodologia clínica de investigação e cuidado, tem-se deparado com o desafio de, nesses grupos, estarem em contato facilitadores e usuários que compartilham da vida acadêmica e de condições sociais semelhantes, o que pode vulnerabilizar os futuros psicólogos. No entanto, nesse contexto dialógico, a tradição é algo a favor da produção de sentido, devendo quem intervém saber diferenciar-se naquilo que o afeta como ser-nomundo-junto-com-outros. No processo, de pesquisa ou intervenção, é essencial a supervisão sistemática, além do incentivo a quem presta ajuda para o autocuidado, para que, cuidando de si, possa cuidar do outro; tomando, assim, conta da sua própria capacidade de cuidar e favorecendo a outros universitários, participantes de grupo interventivo, uma tessitura de sentidos que viabiliza a construção coletiva de fatores de proteção.

35 Dr. Rui Josgrilberg (Universidade Metodista de São Paulo UMESP) 12 Sentir e Sentido em Merleau-Ponty, Paul Ricoeur, e Michel Henry A fenomenologia voltada para as coisas mesmas impregnadas de sentido se preocupa não apenas com o fenômeno, mas com sua gênese e a sua comunicação. O sentido remonta ao sentir e ao sensível. Mas, Husserl desenvolveu relações problemáticas entre o sentir e o reduto da consciência sob a mediação da percepção. O sensível ficou reduzido à passividade animada pela intencionalidade da consciência e seus atos de doação de sentido. Um traço importante da fenomenologia francesa foi o resgate do sentir e do sensível como atos de sentido. Esse resgate da originariedade do sentido no sentir antes mesmo da reflexão significou uma forte guinada em direção ao corpo como sensor e irradiador de sentido. O Leib husserliano recebeu uma autonomia relativa em relação ao sentido das coisas. Alguns pensadores franceses que deram origem a esse resgate o fizeram quase que de modo independente um do outro, mas com ideias que permitem mostrar as aproximações e as diferenças. Nesse texto consideramos os caminhos cruzados de M. Merleau-Ponty, Paul Ricoeur e Michel Henry. A intersecção será feita através das ideias de mundo-da-vida (a intersubjetividade) e do sentir (e sentidos). Um exemplo será dado através das relações desses autores com a Psicanálise freudiana. Em Merleau-Ponty se propõe o resgate ontológico do corpo e do sentir, especialmente a partir de O visível e o Invisível; de Ricoeur trata-se da inflexão hermenêutica da fenomenologia por uma semântica filosófica densa de sentido; através do desejo e suas expressões narrativas Ricoeur abre a possibilidade da compreensão ontológica de si; já Henry amplia a ideia de vida como alternativa mais radical, segundo ele, ao mundo-da-vida de Husserl e ao ser-no-mundo de Heidegger; propõe a imanência e autoafecção do sentido à vida como base originária de sua fenomenologia material.

36 Hélio Salles Gentil (Universidade São Judas Tadeu/São Paulo) 13 A fragilidade afetiva na filosofia da vontade de Paul Ricoeur A obra do filósofo francês Paul Ricoeur, como se sabe, desdobrou-se em múltiplas pesquisas, do exame estritamente fenomenológico das relações entre o voluntário e o involuntário na ação humana levado a cabo no primeiro volume de sua Filosofia da vontade, publicado em 1950 ao exame das relações entre A memória, a história, o esquecimento, na sua penúltima grande obra, publicada com esse título em Passa pelo que se pode considerar a construção de uma hermenêutica de longo espectro, que vai da análise do mal a uma teoria do sujeito expressa principalmente em Si-mesmo como um outro, de 1990 incluindo nessa construção uma leitura filosófica da psicanálise de Freud em Da interpretação, de 1965 e uma investigação da linguagem centrada nos fenômenos de inovação semântica da metáfora e das narrativas históricas e de ficção dando a estas, as narrativas, um lugar fundamental na constituição da identidade dos seres temporais e de linguagem que somos particularmente em A metáfora viva, de 1975, e Tempo e Narrativa, de Longe de esgotar seu percurso, as obras aqui referidas constituem apenas uma parte de suas vastas investigações, que incluem de modo significativo inumeráveis ensaios dedicados a estes e a muitos outros temas e autores, dos quais se pode destacar os que se referem à justiça, em seus princípios e práticas, reunidos em dois volumes, intitulados O justo (I e II). O trabalho que aqui se apresenta procura examinar a noção de fragilidade afetiva tal como aparece no segundo volume de sua Filosofia da vontade, publicado em 1960, dedicado ao exame da Finitude e Culpabilidade. Depois de determinar o lugar dessa fragilidade na investigação levada a cabo por Ricoeur, o trabalho explora a análise que ele faz dela, apresentando a relevância e as contribuições de seu esclarecimento para a caracterização e compreensão da dimensão afetiva da condição humana, com destaque para suas implicações no exercício da liberdade.

37 Nilton Julio de Faria (Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUCCampinas) 14 Ética e Ontologia da Ação de Paul Ricoeur A priorização da tecnologia no modo contemporâneo de existir favoreceu a ideia de um fazer imediato para várias dimensões da vida que nos impede a reflexão acerca das relações que estabelecemos com os outros e com as instituições. O tempo parece ter sido ressignificado e respostas instantâneas são as mais valorizadas na busca de solução de problemas, sejam eles da vida privada ou da coletiva. Em nome da busca de um ideal de sociedade que é marcado pela busca de: visibilidade e sucesso; saúde e estética; felicidade e prazer, temos deixado de pensar as dimensões ética presentes nesse movimento. Buscamos em Ricoeur, em especial em sua obra O si mesmo como um outro, uma inspiração para pensarmos o momento atual. O autor resgata em Aristóteles as discussões acerca das dimensões teleológicas e deontológicas da ética, a primeira remete à finalidade enquanto a segunda ao dever; isso implica os predicados bom e obrigatório. O bom, são os valores que fazem apelo ao si, entendida por ele como ética; o obrigatório, por sua vez, remete ao conjunto de normas que devemos seguir, traduzindo-se como moral. O autor concebe a vida ética como aquele que deve visar a vida boa com e para os outros nas instituições justas. A ontologia da ação posta pelo filósofo, remete ao plano da iniciativa, seja ela individual ou coletiva, a possibilidade de se conhecer os agentes ação, aqueles que são geradores e constituintes das dimensões éticas. Se as iniciativas do plano individual podem ser compreendidas sob a perspectiva do desejo, as do plano individual podem ser interpretadas à luz das ideologias que as orientam. Concluímos o presente ensaio apresentando algumas considerações acerca dos dias atuais que, ao nosso ver, exigem um compromisso exacerbado com o obrigatório em detrimento do bom, no qual o outro passa a ser apenas um coadjuvante da existência e a instituições mero burocratas no controle do dever.

38 Carlos Augusto Serbena (Universidade Federal do Paraná) 15 Experiência do Numinoso, Símbolo e Saúde A existência humana se caracteriza por uma abertura de possibilidades e uma projeção de sua realização, enquanto as limitações destas, a enfermidade ou doença. Entretanto, na projeção de si, o ser humano se depara com dilemas constitutivos de sua existência, como antinomias (liberdade e necessidade, sujeito e objeto). A superação destes dilemas ocorre em sua existência, envolvendo o sujeito em sua atividade, pensamento, afetividade e imaginação no qual ele relaciona-se com a transcendência. Na doença isto não ocorre, implicando em limitações existenciais, e as antinomias permanecem. O pensamento fenomenológico abordou este processo de diferentes maneiras, mas principalmente de forma descritiva e a partir do sujeito no mundo (ser-aí) com a sua consciência e influenciou diversas correntes. Da perspectiva descritiva do fenômeno, há saberes que interagem e ampliam a compreensão, como a Psicologia Analítica, entendida como uma fenomenologia da imaginação. Neste sentido, a imaginação é constitutiva, criativa e por meio dela a consciência pode transcender a sua posição no mundo e elaborar as antinomias. No aspecto criativo, ela ultrapassa o sujeito racional e envolve aspectos não conscientes do ser-no-mundo que o transcendem. A partir da consciência, o mundo que o transcende se apresenta como um dilema, sendo um mundo exterior e sua própria subjetividade. O processo da imaginação é fundamental para a resolução desta e outras antinomias, pois possibilita um diálogo entre os polos. Desta relação e da totalidade do ser-aí emerge uma imagem que transcende a consciência e resolve precariamente esta antinomia um símbolo. Esta imagem simbólica possui como característica essencial a numinosidade, relacionando-a com o domínio do transcendente, do sagrado e da espiritualidade. Assim, saúde implica abertura à experiência do numinoso e suportar seu fascínio, arrebatamento, dualidade e mistério sem submergir nela.

39 Sylvio Fausto Gil Filho (Departamento de Geografia Universidade Federal do Paraná) 16 Mito e Religião na Fenomenologia Cassireriana A presente exposição visa apresentar a religião e o mito sob os auspícios da Filosofia das Forma Simbólicas de Ernst Cassirer ( ). Sob essa base compreende-se que a fenomenologia cassireriana tem como fundamento inicial a reflexão em Immanuel Kant ( ) e a crítica à Fenomenologia do Espirito em G. W. F. Hegel ( ). Sob a mediação das formas simbólicas o mundo da cultura é conformado em um espaço de ação onde a tríade do expressivo, representativo e significativo se realiza. O mito e a religião são formas simbólicas junto com a linguagem, a arte e a ciência. Sob esse aspecto o mito e a religião são, também, modos de conhecimento. O alicerce da teoria da cultura em Cassirer está na ideia de que a consciência humana é simbólica. Deste modo o mito e a religião conformam a realidade em uma matiz específica. Relaciona-se precisamente sob o aspecto da forma, que em sua idealidade não tem conteúdo específico portanto é universal. Sendo assim não se refere a manifestação histórica de uma religião especifica mas sim o seu as aspecto funcional, ou seja a função de plasmar o mundo de sentido e significado. A religião está associada funcionalmente ao mito. O mito apresenta duas estruturas concomitantes, uma de caráter conceitual e outra perceptual, assim o pensamento mítico depende de determinada forma de percepção do mundo. O mito percebe o mundo como de caráter expressivo. Ou seja, o verdadeiro substrato do mito não é um substrato de pensamento, mas de sentimento. Já a religião se emancipa do mito na medida em que seu caráter moral se expressa em leis e apontam ao universal.

40 Raquel de Paiva (Universidade de Brasília) 17 Psicoterapia Integrada a Espiritualidade: Fenomenologia, Sofrimento Psíquico e Espiritualidade O sofrimento psíquico grave (ou a crise psiquiátrica, psicótica ou do tipo psicótica, como preferimos chamar), nos apresenta uma polissemia e complexidade que nos leva à busca de uma compreensão para além dos padrões da ciência tradicional. Nossa ênfase será numa leitura fenomenológica e existencial destas dimensões, como fatores essenciais na constituição psíquica atuando na estruturação da experiência humana. O fenômeno religioso e as experiências espirituais acontecem efetivamente nas experiências íntimas das pessoas, que relatam com convicção e riqueza de detalhes suas vivências com Deus e os anjos, ou com o diabo e seus demônios, entidades, forças e energias e tornam-se protagonistas da vida, anseios, medos, conquistas e sofrimentos. Objetivamos refletir sobre essas experiências e a maneira que esse fenômeno se manifesta em seus discursos, descaracterizando a patologia atribuída, vendo-as como uma manifestação do humano. Esse ensaio busca uma reflexão e compreensão sobre a dinâmica dessas experiências subjetivas e intensas e sobre o existir, elucidando a vivência da espiritualidade no contexto da clínica psicológica. Objetivamos avançar para além da constatação do fenômeno espiritual no processo da crise psíquica, apontando para a possibilidade de uma psicoterapia integrada a espiritualidade na busca da compreensão do fenômeno religioso-espiritual de como se apresenta em sua expressão verbal ou escrita, objetiva ou subjetiva a origem fenomênica que se manifesta na sua totalidade, e não apenas nos significados físicos, mas baseados nas crenças, vivências e experiências subjetivas. Propomos a despeito do olhar reducionista e tradicional cientificista, o olhar às coisas mesmas no processo psicoterapêutico, tal como aparecem, tal como ouvimos, tal como sentimos ao sermos afetados pelo outro.

41 Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia/Brasil) 18 Método Fenomenológico na Psicologia: Da Construção da Psicologia Fenomenológica à Pesquisa Empírica Esse estudo visa discutir o método fenomenológico na constituição da Psicologia Fenomenológica elaborada pelo filósofo Edmund Husserl ( ) e o seu uso nas pesquisas ditas empíricas em Psicologia. Em primeiro lugar será abordado o projeto de Fenomenologia, de Psicologia fenomenológica e o lugar do método fenomenológico. Em seguida, será explorado como o método fenomenológico foi inicialmente transportado para a Psicologia pelo psicólogo norte-americano Amedeo Giorgi, destacando momentos problemáticos dessa investigação empírica psicológica e o seu entendimento pessoal de Psicologia Fenomenológica. Também abordará outros métodos ditos fenomenológicos atuais de pesquisa em Psicologia. O intuito é evidenciar como essa(s) proposta(s) metodológica(s) é muitas vezes similar aos outros métodos de pesquisa qualitativa em que tem-se a transposição de métodos filosóficos ou antropológicos para a Psicologia, tais como: análise de discurso ou análise hermenêutica, não caracterizando assim um método puramente fenomenológico husserliano. Por fim, apresentar-se-á modificações do método de Giorgi, sugerindo uma aproximação maior com a concepção de Psicologia Fenomenológica originalmente elaborada de E. Husserl.

42 Aparecida Turolo Garcia (Centro Italiano de Ricerche Fenomenologiche, Roma/Itália) 19 Edmund Husserl, Edith Stein e as Pesquisas no Campo das Ciências Humanas: A contribuição de Angela Ales Bello Da Fenomenologia Clássica de Edmund Husserl e Edith Stein às pesquisas no Campo das Ciências Humanas e da Psicologia A contribuição de Angela Ales Bello Ressaltando a grande contribuição, que a partir de 2001, a presença da Professora Angela Ales Bello traz aos diferentes ambientes acadêmicos brasileiros, apresento brevemente, a forma didática interessante e acessível, usada por ela, para mostrar o percurso que vai da Fenomenologia Clássica de Edmund Husserl e de Edith Stein, às mais recentes pesquisas no campo das Ciências, acima de tudo, das Ciências Humanas e da Psicologia. Tal percurso é caracterizado pelo interesse dos dois fenomenólogos pelas pesquisas científicas da Idade Moderna e Contemporânea, buscando dar -lhes um fundamento antropológico que indica, em primeiro lugar, quem é o ser humano, que é o objeto de tais disciplinas. Tomo, como ponto de partida, uma síntese da Conferência da Filósofa Ales Bello no V Seminário Internacional de Pesquisas e Estudos Qualitativos (V SIPEQ), promovido pela Sociedade Estudos e Pesquisas Qualitativas, e realizado no Campus da Universidade do Oeste do Paraná, em Foz do Iguaçu. Destaco, ainda, a presença desse tema nas obras de Ales Bello publicadas no Brasil.

43 Giovanni Jan Giubilato (Universidade Estadual de Londrina/PR, Brasil) 20 The great beyond. Ou porque fenomenologia não é psicologia: redução e constituição do humano Apresentamos os elementos fundamentais da fenomenologia para uma retomada crítica da discussão em torno das (possíveis) relações entre psicologia e fenomenologia. Com a finalidade de repensar e colocar em questão alguns fundamentos da recepção do pensamento fenomenológico no Brasil, que tem já uma longa tradição e uma história dos efeitos [Wirkungsgeschichte] estabelecida, reexaminamos detalhadamente a ideia da fenomenologia no ápice da trajetória filosófica de Husserl (anos ). Pela análise dos conceitos de redução e constituição, seguida da noção de autorreferência das disciplinas psicológicas e da filosofia fenomenológica, será possível expor a diferença fundamental entre ambas, na qual a primeira se situa num grande além em relação à segunda. Isso se deve a que a fenomenologia, ancorada sobre o dispositivo da redução - entendida como desumanização [Ent-menschung] - estuda fundamentalmente a constituição do humano [Ver-menschung] e, consequentemente, do campo psicológico. De fato, em várias ocasiões e sobretudo em seus manuscritos, Husserl aborda a relação entre ego natural e ego transcendental. Usa o termo aparência transcendental [transzendentaler Schein] para descrever a ambiguidade problemática segundo a qual o eu natural é, na verdade, transcendental; que, por sua vez, esconde-se humanizando-se e mundanizando-se numa atitude natural. O ego transcendental aparece no mundo, tem uma aparência natural, mas a dimensão transcendental de sua vida permanece oculta. Finalmente, examinando esse paralelismo entre ser humano e ego transcendental, âmbito psicológico e esfera transcendental, concluímos discutindo o paradoxo segundo o qual fenomenologia não é psicologia, mas a psicologia, ao contrário, se se pretende autêntica e radical, só pode ser fenomenológica.

44 Joelma Ana Gutiérrez Espíndula (Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Universidade Federal de Roraima) 21 Vivências psicológicas de profissionais da saúde mental em projetos de inclusão em CAPS: Uma proposta de análise psicológico-fenomenológico Este trabalho compõe pesquisa de pós-doutoramento em Psicologia, desenvolvida no PGPSI- UFU, com objetivo de analisar as vivências da dimensão humana dos profissionais de nível superior que atuam com pessoas com transtornos mentais/psiquiátricos nos CAPS de Boa Vista/RR, no processo de inclusão social. Para o desenvolvimento da pesquisa apoiou-se na Psicologia Fenomenológica de Husserl e Stein e no método fenomenológico-empírico de Giorgi. O método incidiu em um primeiro momento, em recolher a partir das entrevistas os significados essenciais vividos nas experiências dos profissionais, para em um segundo momento, identificar e destacar as vivências psicológicas (psíquicas) que estão na origem desses significados. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Roraima, com base na resolução 466/12 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. No total participaram do estudo oito profissionais que estão no serviço há mais de um ano nos CAPS em Boa Vista-RR, sendo realizadas entrevistas pautadas em perguntas norteadoras. Na obra Como compreendemos o sentido das coisas?, a filósofa italiana Ângela Ales Bello nos diz que para Husserl é uma possibilidade de todo ser humano intuir o sentido das coisas e que, ao desenvolver o método fenomenológico, nos apresentou de forma clara que o conhecimento tem caráter essencialmente intencional. Ao fazer a análise da subjetividade, a filosofia e as ciências têm captado somente uma parte limitada dela, por isso é necessário voltar e recomeçar, sempre do início, e buscar a essência da subjetividade. Então, a essência será tratada, aqui, como uma unidade subjetiva de sentido, sendo constituinte do objeto mesmo no seu conteúdo real.

45 Mak Alisson Borges de Moraes (Universidade de Brasília, Brasil) 22 A clínica do sofrimento psíquico grave: contribuições antropológico-fenomenológicas O objetivo do presente trabalho é esboçar, a partir de uma inspiração fenomenológica, uma Fenomenologia do sofrimento psíquico grave, utilizando como base as contribuições da antropologia fenomenológica delineada por Edith Stein. O sofrimento psíquico é um fenômeno essencialmente humano e que apresenta um caráter complexo, multifacetado e plural. Isso significa que o sofrimento se impõe de modo inevitável, visto que faz parte da constituição ontológica do humano. Diante disso, uma análise rigorosa acerca do sofrimento se faz necessária em virtude de sua fundamental importância no âmbito clínico. Entende-se que o sujeito da clínica, isto é, aquele que procura cuidados psicológicos, é um ser em sofrimento. Logo, o ser-sofrente constitui o eixo norteador da clínica psicológica. Nessa perspectiva, entende-se o sofrimento psíquico grave como as diversas manifestações no âmbito das desordens mentais, em que o sofrimento constitui o alicerce sobre o qual se ergue a crise psíquica grave. O SPG tem sido concebido no âmbito das ciências psi a partir de uma ótica cientificista-positivista, o que denota uma acepção reducionista a respeito do fenômeno. Em face disso, se torna imprescindível o desenvolvimento de uma Fenomenologia do sofrimento psíquico grave, buscando delinear assim uma clínica bem fundamentada e que sustente uma compreensão adequada acerca da questão do sofrer. Contudo, esse questionamento impõe preliminarmente uma questão antropológica, isto é, o que é o ser humano? Ou melhor, quem é esse ser-sofrente? Logo, destaca-se que uma Fenomenologia do sofrimento psíquico grave exige portanto uma antropologia filosófica. É nesse sentido que se insere as contribuições da antropologia fenomenológica de Edith Stein, discípula de Husserl e uma das principais representantes do movimento fenomenológico.

46 Camila Muhl (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 23 Experiência de doença e estoque de conhecimento no enfrentamento do diagnóstico psiquiátrico Com a acumulação de experiências adquiridas junto ao mundo da vida cotidiana, a todo o momento, fica à disposição de cada pessoa um estoque de conhecimento que permite que ela opere sobre o mundo. Alfred Schutz entende que o estoque de conhecimento funciona como um esquema interpretativo das experiências passadas e presentes e também aquelas que estão por vir. Todas as experiências vividas também são acrescidas ao estoque de conhecimento, o que faz com que este exista enquanto um fluxo contínuo que se transforma de acordo com a experiência atual. Se agimos referenciados por um estoque de conhecimento em todos as experiências, assim também o fazemos no que diz respeito a experiência de adoecimento: quando a pessoa se descobre em uma situação de sofrimento é a este estoque que ela recorre para compreender, significar e cuidar da sua enfermidade. Nesta investigação fenomenológica, a partir das noções de experiência de doença e estoque de conhecimento, pesquisamos junto a pessoas com diagnóstico de transtorno mental como elas enfrentavam à doença. Foram realizadas 20 entrevistas em profundidade, com pessoas de ambos os sexos, com idades entre 19 e 59 anos e diferentes diagnósticos psiquiátricos, que estavam em atendimento em um Centro de Atenção Psicossocial na região metropolitana de Curitiba/PR. Ao mobilizarem suas experiências prévias, identificamos que as seguintes estratégias e fatores de proteção foram usados no enfrentamento da doença: auto-observação, isolamento, arte, laços afetivos, organização/rotina e lazer.

47 Sávio Passafaro Peres (Universidade Federal do Paraná/Universidade de São Paulo-Ribeirão Preto, Brasil) 24 Fenomenologia do Inconsciente na Obra de Machado de Assis Nesta apresentação buscaremos expor o modo como Machado de Assis desenvolveu a concepção de inconsciente no romance Helena (1876). É fato sabido da crítica machadiana que um ponto fundamental no desenvolvimento desta concepção foi seu contato, na primeira metade da década de 1880, com a obra do filósofo alemão Eduard Von Hartmann Filosofia do Inconsciente (1867). Contudo, o que buscaremos mostrar é que Machado opera com a noção de inconsciente antes da leitura de Hartmann, o que se constata no romance Helena. Além disso, buscaremos mostrar que essa concepção de inconsciente é elaborada de tal modo que comporta uma interpretação fenomenológica. O romance Helena acompanha a vida do jovem Estácio, o qual, sem que se dê conta, vai gradualmente se apaixonando por sua suposta irmã bastarda Helena. Ao longo do romance, Machado vai mostrando como esse amor vai se instalando no coração do rapaz e influenciando ardilosamente sua vida e seus comportamentos com relação à moça. Estácio sente ciúmes inexplicáveis, fica corado ao perguntar questões íntimas à moça, sente antipatia dos pretendentes ao matrimônio que se apresentam a ela. As descrições de tais fenômenos revelam que seus sentimentos são préreflexivamente conscientes, mas não apreendidos reflexivamente. Embora ele aja e sinta como alguém que a ama, Estácio não formula, em signos linguísticos, para si mesmo, esse seu amor. A partir desta chave interpretativa, a concepção de inconsciente pode ser elucidada fenomenologicamente a partir de uma análise dos atos reflexivos. De fato, esta narrativa salienta um tópico que irá se repetir em várias de suas demais obras: certas vivências afetivas, embora não sejam apreendidas reflexivamente pelo sujeito que as vive, manifestam-se indiretamente nas ações, nas expressões corporais e no modo de compreender o mundo.

48 Renato Kirchner (Mestrado em Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Brasil) 25 Por uma Fenomenologia da Morte em Rainer Maria Rilke René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke ( ) é considerado um dos maiores poetas alemães da contemporaneidade. Em O livro das imagens (Das Buch der Bilder, 1902) podemos ler: A morte é grande, nós somos dela de boca ridente. Quando nos julgamos no meio da vida ousa ela chorar no meio de nós. Em A princesa branca (Die weisse Fürstin, 1904), o poeta estabelece uma distinção entre a morte própria (der eigene Tod) e a morte alheia (der fremde Tod), a saber: a morte alheia é a morte que se aproxima da nossa vida desde fora, isto é, como algo de fortuito e estranho, e nos impressiona antes da vida atingir a sua plena maturidade; a morte própria é a morte estipendiada por Deus, que promana de uma espécie de necessidade intrínseca da própria vida. O ser humano, portanto, deve apropriar-se interiormente da morte alheia de modo a transformá-lo em morte de e em si mesmo. Rilke amplia de tal modo o conceito de morte que ela acaba por caber dentro da vida; a morte está na vida. A morte deixa de ser pensada como o último acontecimento do qual não podemos ter experiência alguma e passa a ser pensada como um elemento constitutivo desta mesma vida presente. A questão que preocupa o poeta é saber que sentido tem para a nossa vida a ameaça incessante da morte, o que significa perguntar se o ser humano é capaz de tirar desta negação que é a morte um sentido positivo para a própria vida. O objetivo da presente comunicação consiste em acompanhar e compreender em que medida é possível tematizar e em sentido poético dizer o que e como está implicado no fenômeno da morte. A fim de cumprir o propósito, porém, faremos uma operação interpretativa em perspectiva heideggeriana, apontando, ao final, em que medida Vinicius de Moraes lê e interpreta o mesmo fenômeno da morte na crônica Relendo Rilke e Ferreira Gullar verbaliza o mesmo fenômeno no poema Rainer Maria Rilke e a morte.

49 Crisóstomo Lima do Nascimento (Universidade Federal Fluminense, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil) 26 A tradição Sufi e a Fenomenologia: Um Diálogo entre a Hermenêutica Espiritual e a Ontologia Fenomenológica a partir de Rumi e Heidegger. O fenômeno contemporâneo da perda de força das referências historicamente constituídas e balizadoras do estar-no-mundo decorre numa miríade de conseqüências não previamente passível de fácil avaliação. A insuficiência dos modelos explicativos para dar conta da latente insustentabilidade da existencialidade fática promove, para além da angustiante sensação de perda e esvaziamento de sentido do real que nos tem sido tão familiar, a possibilidade de reconfigurações de estatutos ontológicos de campos que permitem novos horizontes de possibilidades compreensivas do ser-no-mundo. Neste intuito, este ensaio se propõe a investir um olhar sobre a possibilidade de um diálogo entre dois pensadores de inegável influência sobre seus tempos: o poeta, teólogo e místico da tradição do pensamento Sufi do século XIII Maulâna Djalâl od-dîn Rûmî ( ) e o filósofo alemão Martin Heidegger ( ). Cientes da complexidade e vastidão das produções edificadas por estes gigantes do pensamento místico-ontológico interessam-nos aqui de modo mais específico as nuances dialógicas que nos permitem ousar apontar pontos de tangência entre ambos no que concerne a experiência mística anunciativa de um modo diverso do homem experienciar a habitação de mundo em relação aos que a tradição da metafísica nos lega, usual e com freqüência inadvertidamente. Neste sentido, a intensidade poética para tratar temas como o amor e a unidade do homem com o mistério por parte do místico do Islã e as noções de habitação e quadratura, já suscitadas de modo preliminar desde Ser e tempo e desenvolvidas ao longo de todo o percurso do pensamento ontológico do filósofo da Floresta Negra guiarão nossas reflexões neste não menos desafiador quanto instigante diálogo hermenêutico-espiritual.

50 Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 27 Instante, Salto e Epifania: Na Filosofia, na Literatura e na Clínica Neste trabalho nos propomos a refletir sobre os temas: instante, salto e epifania, sob diferentes perspectivas: da filosofia e da literatura para poder acompanhar a possibilidade de transformação tão almejada pela psicologia clínica. Faz-se importante ressaltar que o nosso interesse não recai sobre a possibilidade de que a clínica opere mudanças; queremos dar um passo atrás de modo a que possamos refletir sobre a possibilidade de transformação. Para tanto, primeiramente, temos que distinguir mudança de transformação. Mudança diz respeito a passar de um modo de se comportar frente a algo e transformação diz respeito a um modo outro de articular existência frente ao que se mostra. O primeiro ocorre por meio ao treinamento, ao esforço e na maioria das vezes, exige um intervalo temporal para que a mudança ocorra de fato, se torne hábito. O segundo ocorre no instante, prescinde de intervalo temporal, é salto de um modo de ser para outro. A questão que se impõe é que entendemos muito bem como operar mudanças e quando e como elas acontecem, mas no que diz respeito à transformação, sabemos como e quando ocorre? Para que haja mudança, o psicólogo muitas vezes dispõe de técnicas, ou seja, meios para atingir fins; mas para que haja transformação, não há nada de que o psicólogo possa dispor, ao contrário, é preciso que ele não disponha, não posicione, não dê caminhos. O que faz então o psicólogo? Ele atua dando um passo atrás, reconhecendo que a transformação só pode ocorrer pelo salto daquele que quer se transformar; ao psicólogo cabe apenas pacientar e de modo libertador não dizer o que o outro deve fazer, não fortalecer os motivos pelos quais o outro deve agir deste ou daquele modo. Pelo fato de parecer meio truncado entender o que e o como da transformação é que vamos recorrer à filosofia e à literatura.

51 Manuel Moreira da Silva (Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná Unicentro/PR, Brasil) 28 De Freud a Heidegger e de volta. Ou, o que é isto Daseinspsicanálise? Este trabalho explicita a estrutura fundante do movimento de pensamento clínico que vai de Freud a Heidegger e retorna àquele, para então iniciar uma nova espiral do círculo fenomenológico-hermenêutico descrito, entre outros, por Boss, sob a denominação Da Psicanálise à Daseinsanálise. O trabalho explicita, a partir da práxis psicanalítica, três espirais do referido círculo Binswanger, Boss e Holzhey-Kunz: cada qual a expressão de uma geração de daseinsanalistas e certa concepção de Daseinsanálise, as quais mantêm em comum a indispensabilidade da Psicanálise freudiana. Com isso, se impõe a questão da existência de uma estrutura de pensamento que as informa em seu desenvolvimento, de geração a geração, em que pesem as críticas de seus iniciadores à teoria psicanalítica, a conceitos psicanalíticos específicos ou, ainda, à estrutura e aos pressupostos da anamnese. Contudo, Psicanálise e Daseinsanálise são solidárias naquilo que Boss designou a harmonia da práxis psicanalítica do entendimento concreto ou imediato e do entendimento daseinsanalítico, quando a teoria e a práxis psicanalíticas receberiam o influxo do entendimento daseinsanalítico explícito do ser humano. Harmonia cuja estrutura perpassa os ditos entendimentos e as estruturas que os conformam, em especial a assim chamada estrutura fundamental do Dasein, o ser-no-mundo, e as estruturas psíquicas entendidas existencialmente qua modos de ser-no-mundo. Daí o reconhecimento de uma estrutura homológica estruturante das homólogas, mas também do entendimento-de-ser e da práxis psicanalítica, bem como a distinção da estrutura propriamente dita do ser-aí e da estrutura fundamental deste; o que implica o caráter plástico ou modificável das estruturas homólogas. Estas as estruturas cujo tratamento modificador, próprio da Psicanálise, o trabalho designa Daseinspsicanálise.

52 Paulo Evangelista (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) 29 Vulnerabilidade antropológica na Daseinsanalyse contemporânea: sofrer com o próprio ser como fundamento da psicopatologia Esta comunicação tem por objetivo discutir a noção de "sofrimento existencial" a partir da Daseinsanalyse contemporânea, com ênfase na obra de Alice Holzhey-Kunz e Thomas Fuchs, passando antes, necessariamente, pela analítica existenciária que Heidegger desenvolve em Ser e Tempo. Esta proverá uma antropologia existencial enfatizando a nadidade da existência, fundamento de vulnerabilidade antropológica. Existir é estar a todo momento respondendo à periculosidade e ao peso da responsabilidade por ser. Esta relação com o próprio ser funda-se no entendimento pré-ontológico de Dasein. A interpretação pública de a-gente (das Man), é mecanismo de defesa contra a verdade ontológica existencial. Estas noções devem ser apresentadas na obra de Heidegger e na Daseinsanalyse, que encontrará em todo comportamento cotidiano - saudável e patológico - indícios desta condição (humana). A psicopatologia deve ser entendida, neste contexto, não mais no binômio saúde-doença, mas, sim possiblidade existencial de sofrer com o próprio ser. Também a relação terapêutica deve ser lida sob outra chave: a hermenêutica daseinsanalítica ilumina indícios da incontornável condição existencial. Reconfigura-se, portanto, o sentido da prática psicológica neste contexto e o caminho de formação profissional. O psicólogo deve assumir-se como aquele que se colocar a favor da liberdade e da autonomia de si e do outro a partir da própria indigência, aceitando a impossibilidade de dispor previamente dos pontos de chegada do encontro com o outro.

53 Guilherme Messas (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Brasil) 30 Psicopatologia, Dialética e Tomada de Decisão Clínica no Tratamento das Adicções a Substâncias A psicopatologia fenomenológica pode ser definida como uma investigação dialética das relações proporcionais das condições de possibilidade das experiências subjetivas. A identificação dessas desproporções permite que se entendam as experiências psicológicas alteradas como desproporções dessas condições. Dentre essas alterações, que comprometem toda a existência, destacam-se, por sua complexidade, as adicções a substâncias. As adicções reúnem um conjunto de experiências subjetivas e comportamentos que têm como ponto comum a restrição da existência a um eterno presente, condição que impede o desdobramento biográfico singular. Justamente por essa complexidade em sua manifestação existencial, a tomada de decisão clínica no cuidado cotidiano das pessoas com esse problema mostra-se, com frequência, desafiadora. O exemplo mais dramático dessa condição é a tomada de decisão entre uma estratégia redutora de danos e outra voltada à abstinência. Esta apresentação pretende oferecer, por meio da aplicação de uma perspectiva dialéticoproporcional de psicopatologia fenomenológica, subsídios para essa discussão. Para isso, ambiciona empregar a compreensão psicopatológica em dois níveis: o nível diagnóstico propriamente dito e o nível valorativo. Defenderei que o entendimento aprofundado das desproporções das condições de possibilidade de uma existência permite, por si só, a colocação do problema da adicção do modo mais claro possível. Apenas por meio desse esclarecimento diagnóstico existencial é possível uma tomada de decisão que leve em consideração os valores pessoais da existência envolvida na adição.

54 Márcio Luiz Fernandes (Pós-Graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 31 As fontes filosófico-teológicas nos horizontes temáticos da psiquiatria de Eugenio Borgna Os livros do psiquiatra italiano Eugenio Borgna aparecem acompanhadas tradição europeia por dois índices, um de nomes e outro bibliográfico. Ambos representam um mapa de orientação para o leitor e indicam as principais fontes utilizadas para a interpretação dos fenômenos estudados. Neste sentido, são instrumento valioso para estudiosos preocupados em realizar uma leitura que respeite o universo da auto-compreensão do autor. O objetivo deste trabalho é apresentar as principais fontes filosófico-teológicas que embasam a elaboração do psiquiatra italiano e como estas aparecem na articulação dos principais temas abordados. Para Borgna, os profissionais da saúde podem ser ajudados por meio dos conhecimentos filosóficos, teológicos e literários a meditar sobre como comportar-se frente às questões radicalmente humanas, como são aquelas da dimensão interior da dor e da doença, da subjetividade e o universo das emoções, da fragilidade e do respeito à dignidade do enfermo. Nota-se a influência da abordagem fenomenológica inaugurada por Husserl, Stein, Biswanger, Jaspers, Levinas, mestres para o desenvolvimento de uma psicologia e psiquiatria fenomenológicas. Por outro lado, no contexto dos processos de humanização da saúde, os escritos de Borgna sublinham a necessidade de ouvir também a contribuição da herança teológica como suporte para iluminar as práticas do cuidado e dignidade da pessoa humana. Suas obras estão permeadas por reflexões de teólogos como Agostinho e Tomás de Aquino, e contemporâneos como Guardini, Moltmann, Otto e Bonhoeffer. Por fim, nas obras do psiquiatra italiano encontram-se sugestões de leitura de personalidades da mística como Angela de Foligno, Teresa d Avila, Simone Weil, Ety Hillessum, João da Cruz, Madre Teresa de Calcutá que, na perspectiva de Borgna, oferecem sugestões para os que estão ocupados na escuta e na partilha do sofrimento e da esperança das pessoas no mundo contemporâneo.

55 Mariana Cardoso Puchivailo (FAE Centro Universitário/Universidade Federal do Paraná/Universidade de Brasília, Brasil) 32 Reflexões sobre o Pensar e o Fazer: Discutindo Cuidado através das Primeiras Crises A atenção ao momento de crise é um dos temas mais polêmicos e desafiadores do contexto da saúde mental, por isso deve ser constante e cuidadosamente abordada, discutida e refletida. O tema das primeiras crises ainda é pouco abordado - com poucas pesquisas na área ou grupos de intervenção especializados nesse tipo de atendimento. Porém, as primeiras crises têm especificidades que devem ser levadas em conta, e quando há uma preocupação em adequar a atenção frente a estas diferenças temos melhores resultados. Entende-se que mais importante do que as formas e técnicas de intervenção são as concepções, pré-conceitos, pressupostos que carregamos de forma irrefletida em nossas práticas. A forma como o profissional compreende o fenômeno está diretamente ligada à forma como ele irá se posicionar clinicamente frente a ele. Caso tenha uma visão naturalizante do ser humano suas ações estarão pautadas em um modelo concebido anteriormente e as formas de ação baseadas na compreensão do terapeuta e das naturalizações construídas, concepções essencialistas, e como tais, imutáveis, universais, atemporais. A reflexão proposta aqui sobre as formas de pensar do profissional de saúde e seu impacto em suas ações parte de uma pesquisa de abordagem qualitativa, realizada em um CAPS III de Curitiba, que utilizou como ferramenta de coleta de dados o diário de campo e entrevistas realizadas com o sujeito em crise, seus familiares e os profissionais do local. O processamento e análise desses dados foi feita através do método empírico-fenomenológico de Amedeo Giorgi. A partir da análise dessa experiência se pretende levantar algumas problematizações e reflexões a respeito da saúde mental e da atenção às primeiras crises buscando trazer possíveis contribuições para este campo.

56 Marcelo Fabri (Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil) 33 Rompendo o Silêncio da Razão: A Palavra Viva segundo Levinas e Merleau-Ponty Levinas e Merleau-Ponty são duas personalidades filosóficas muito diferentes, mas dotadas de afinidades notáveis. Eles tomaram a palavra durante a maior parte de suas vidas para denunciar certo poder de silenciar, de sobrevoar, de encobrir, de neutralizar o que é vivido, percebido, expresso e, principalmente, sofrido pelos seres humanos. Ambos se inquietaram com o poder neutralizante e totalizante do pensamento em relação às subjetividades e experiências corporais. Defenderam, assim, que o pensamento não detém o segredo e as potencialidades da linguagem. Em Merleau-Ponty, a operação corporal torna possível uma crítica ao intelectualismo, uma vez que a linguagem é, originariamente, palavra e expressão. Em Levinas, a palavra é ruptura da Totalidade, possibilidade de começo, início de toda a orientação no ser. Ela tem início na relação com o rosto de outrem. O objetivo da exposição é mostrar a convergência dos dois filósofos no que diz respeito à condição responsiva da subjetividade encarnada: sou aquele que responde à solicitação feita a mim. Mas, se Levinas descreve o sentido a partir do qual o silêncio produzido pela razão é rompido, Merleau-Ponty, por sua vez, mostra que é preciso ouvir as próprias vozes silenciadas pela razão.

57 Mônica Botelho Alvim (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) 34 A Trama do Estético e do Político em Merleau-Ponty: A Vida entre Silêncio, Silenciamentos e Expressão O trabalho discute o entrelaçamento das dimensões estética e política na filosofia de Merleau- Ponty, tomando como elementos centrais da discussão as noções de silêncio e expressão. A perspectiva estético-política implica, em última instância, considerar a carne do social como dimensão invisível, uma rede de estruturas de sentido que ganham visibilidade a partir da expressão, fenômeno da ordem do corpo e do sensível. A partir de reflexões sobre a instituição como alternativa à noção de constituição, Merleau-Ponty aborda o problema da gênese do sentido não mais a partir do sujeito como polo intencional de atos. O instituído não decorre diretamente da ação de um sujeito, podendo ser retomado por ele ou por outros com os quais coexiste, o que significa pensar a temporalidade não mais como instantaneidade e conferir a ela uma nuance de duração. São os acontecimentos que duram e assumem uma dimensionalidade que poderão ser retomados pelo sujeito ou por outros e formarão um conjunto histórico, sendo a história um processo de criação e dissolução de formas estáveis. Pensando a expressão como instituição, o filósofo centra no mundo intersubjetivo o lugar de inauguração e criação. O trabalho expressivo na arte realiza-se a partir do que já está dado silenciosamente e é retomado pelo artista, cuja ação gestual dá visibilidade ao mundo, faz falar esse silêncio. A ação política tem os mesmos atributos da expressão em geral, ela tem um caráter expressivo, é um lugar de nascimento e criação que está para além de cada consciência, que implica o outro, o sujeito no plural em sua coexistência. A partir dessa exploração, pretendemos indicar alguns passos preliminares de nossas pesquisas em direção à uma reflexão acerca de formas de invisibilização e silenciamento, considerando as possibilidades de coexistência em contexto de diferenças de classe, raça e gênero.

58 Joanneliese de Lucas Freitas (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 35 Corpo e Gênero: Diálogos entre Merleau-Ponty e Simone de Beauvoir A relação entre corporeidade e gênero, embora significativa fenomenologicamente, não tem sido amplamente explorada pela literatura. Simone de Beauvoir foi, em sua concepção sobre a corporeidade, influenciada pela obra de Merleau-Ponty, em especial a respeito da compreensão de que o corpo é condição para ser. Propomos um diálogo entre os dois autores, tendo as noções de corpo, alteridade e instituição como marcadores da argumentação. Ambos os autores têm em comum a compreensão do corpo como transcendente para o sujeito, enquanto objeto imanente para a alteridade. Entretanto, Simone de Beauvoir nos mostra que o corpo como potência (je peux) tão bem descrito por Merleau-Ponty, se torna na experiência feminina um não posso, restrito pela violência ontológica e intersubjetiva sofrida pela mulher. Ao tomarmos a noção de instituição em Merleau-Ponty para a leitura de Simone de Beauvoir, compreendida como matriz simbólica que faz com que haja a abertura de um campo, entendemos que ser mulher é uma instituição social, onde a relação entre a instituição biológica e o social-objetivante produz a experiência no mundo. Assim, podemos afirmar que Simone de Beauvoir avança em direção à compreensão dos aspectos da correlação fundamental homem-mundo que atuam no corpo como impossibilidade ou restrição, diante do corpo como potência. Além disso, reflete e amplia a compreensão da experiência de ser corpo no mundo e sua relação com a alteridade. Para tanto, diferentemente do que ocorre em Merleau-Ponty, o outro precisa ser desvelado no mundo e não mais como experiência dada em si-mesmo. Deste modo, a autora põe em relevo a institucionalização dos discursos especializados sobre o corpo e o modo como engendram a experiência de si, e abre a perspectiva da discussão ética no campo fenomenológico a partir dos fenômenos sociais.

59 Alessandro Gemino (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 36 Contribuições da Fenomenologia para a Formação Interprofissional em Saúde Este trabalho tem como objetivo apontar alguns modos pelos quais a fenomenologia pode auxiliar na sustentação epistêmica do trabalho interprofissional em saúde. Tem-se como base de reflexão a atuação clínica em diversos dispositivos do SUS na cidade do Rio de Janeiro (Serviço de Psicologia Aplicada da UERJ, Hospital Universitário Pedro Ernesto, Unidades Básicas de Saúde do entorno, além da parceria com a RAPS). Da década de 10 do século XX com a publicação de um livro seminal ao campo da psicopatologia, por Karl Jaspers, das cartas trocadas entre este e Martin Heidegger na década de 20, da ressonância do pensamento do último na psiquiatria de Ludwig Binswanger e Medard Boss culminando nos famosos Seminários de Zollikon, é reconhecida a importância da fenomenologia nas reflexões no campo da saúde. Aqui, três características são exploradas: o caráter pré-disciplinar do modo como Heidegger articula a fenomenologia, a hermenêutica como dispositivo de reflexão e apropriação crítica e a relação entre afeto e doação, pensada a partir de Michel Henry e Jean- Luc Marion.

60 José Paulo Giovanetti (FAJE Faculdade dos Jesuítas, Belo Horizonte, Brasil) 37 A Construção da Saúde Existencial Um dos mitos do século XXI é a saúde. O homem contemporâneo está preocupado com o seu bem estar por meio de vários caminhos para preservar a saúde. A grande maioria das pessoas tem buscado conquistar somente a saúde física. O avanço da medicina mostra o predomínio desse caminho. Entretanto, precisamos entender o ser humano na sua complexidade e estar atento a todas as dimensões da existência. Partindo de uma antropologia filosófica tripartida, isto é, que leva em consideração as dimensões corpórea, psíquica e espiritual, buscaremos desenvolver uma reflexão sobre os caminhos necessários a uma concepção de saúde existencial. Dessa forma, nossa reflexão será estruturada em três partes. Primeiramente, esboçaremos o conceito de uma antropologia tripartida. Num segundo momento, daremos destaque ao conceito de saúde, para finalmente, destacarmos a nossa preocupação com uma visão integrada do ser humano onde a harmonia das três dimensões antropológicas abrirá uma pista para a concepção existencial de saúde.

61 Daniel Rodrigues Ramos (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Brasil) 38 Simpatizar é sentir as dores e alegrias do outro? O papel da simpatia na compreensão das vivências alheias. Descreve-se o fenômeno da simpatia a partir de Max Scheler. O problema central é demonstrar que a simpatia é o lugar privilegiado para a compreensão das experiências vividas alheias, já que implica uma conexão essencial ou a unificação psíquico-afetiva com quem se compadece ou se congratula. Contudo, o compadecer e o co-alegrar não podem, sem mais, ser entendidos como a apreensão de conteúdos psíquicos alheios por meio da projeção da compreensão para dentro da vida psíquica do outro ou como reprodução (imitação de gestos e expressões) dos sentimentos alheios como se fossem próprios, equiparando erroneamente o simpatizar com a empatia e o contágio afetivo. Por esta razão, em primeiro lugar, distingue-se a simpatia dos fenômenos: sentir-com, projeção afetiva, contágio afetivo, unificação afetiva. Discute-se em que sentido a simpatia é sofrer-com e co-alegrar, mostrando que tal entendimento é possível somente na medida em que se tem em conta a sua dimensão ético-ontológica. Com efeito, simpatizar não é só viver o mesmo que outrem, mas a decisão livre, própria de um ser espiritual, de tomar parte na abertura do ser pessoal alheio, participar de seus atos intencionais. Contudo, a união afetiva, por se instalar no intermédio da consciência vivida-corporal e do centro espiritual da pessoa, não penetra esta última camada do ser. Conclui-se que o simpatizar pressupõe a forma suprema do amor, isto é, a um ser in concreto. Do contrário, a simpatia se mostra como genuíno amor universalista; senão, presa à interpretação puramente cognoscitiva, decairá no mero compreender ou, limitada ao comum entendimento, na atitude sentimentalista de sentir em companhia do outro, compartilhar emoções. No âmbito mais originário, a questão do papel da simpatia no conhecimento do outro recai no saber compreensivo proveniente do amor à pessoa.

62 Adelma Pimentel (Universidade Federal do Pará, Brasil) 39 Reconhecimento de Si e Denegação do Outro nas Redes Sociais Refletimos acerca da necessidade de reconhecimento social de internautas que recorrem à internet postando respostas e conteúdos ofensivos, intolerantes e violentos a personagens da mídia, em situações que discordam de opiniões. Indagamos suas motivações, supondo que relacionadas à busca subjetiva de auto reconhecimento que, entretanto, se baseia na denegação do outro. A hipótese fenomenológica se fundamenta no entendimento das argumentações elaboradas por Paul Ricoeur de que o uso pronominal do Si abre caminho para aproximação do uso verbal infinitivo do Se, o que favorece originar os sentidos idem e mesmo para a identidade pessoal, e os sentidos idem e ipse para o reconhecimento do outro e da identidade narrativa temporalmente situada. Ricoeur afirma que, pareando a alteridade com a ipseidade temos uma alteridade constitutiva da própria ipseidade. O si-mesmo como um outro sugere desde o começo que a ipsiedade do si-mesmo implica a alteridade em um grau tão íntimo, que uma não se deixa pensar sem a outra. Ao realizar uma hermenêutica do si, Ricoeur aponta que o outro é imprescindível ao conhecimento de si. Quanto à denegação, dialogamos com as características apontadas pelo filósofo Axel Honneth: o desrespeito, a possibilidade de ferir a integridade física, social e a dignidade, que podem abranger graus diversos de profundidade na lesão psíquica de um sujeito. Esta compreensão será articulada às teses produzidas pela antropologia, ciências sociais, filosofia fenomenológica da tecnologia e Gestalt-terapia do triênio , e posteriormente a entrevistas com a equipe da Delegacia de Crimes Cibernéticos de Belém. Ponderamos que ao problematizar a denegação relacionada ao auto reconhecimento ampliamos o enfrentamento das posturas antiéticas que causam sofrimento psíquico e são cotidianamente disseminadas nas redes sociais.

63 Alexsandro Medeiros do Nascimento (Pós-Graduação em Psicologia Cognitiva, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 40 Autoconsciência Fenomenal e Estados Alterados de Consciência: Fenomenologia do Estado Hipnagógico Os estudos cognitivos da autoconsciência têm se detido na descrição de seus efeitos sobre outros processos psicológicos em âmbito experimental, no levantamento de interrelações entre aspectos específicos da autofocalização e variáveis psicológicas e comportamentais, notadamente no âmbito da psicopatologia, e na descrição de diferenças individuais nos perfis de autofoco. O conjunto desses estudos tem deixado a descoberto aspecto fundamental do autofoco relativo à dinâmica experiencial a autoconsciência fenomenal, que refere aos estados qualitativos de autoexperiência durante processamento cognitivo autorreferencial. Pouco se sabe sobre o agenciamento da autoconsciência em outros estados de consciência, com parâmetros alterados, sendo pesquisa dos estados alterados de consciência fundamental para desvelamento de mecanismos sutis ainda não identificados na pesquisa. O objetivo do trabalho foi avançar na descrição ideográfica dos aspectos fenomenais da autoconsciência durante estado hipnagógico, na relação com demais elementos constituintes de sua fenomenologia. Estudo de caso único, de sujeito masculino adulto, em caráter rememorativo, foi efetuado com uso da Metodologia EFEA-I, cujo corpus gerado foi analisado por metodologia fenomenológica padrão. O padrão emergente evidenciou concurso de elementos constituintes da experiência autorrelacionada em termos de vasta rede de parâmetros da consciência alterados, visualizações, fala interna, sentimentos, senso de presença, e episódios de metaautoconsciência na instanciação da autoconsciência fenomenal. O estudo abre possibilidades de diálogo entre ciência cognitiva e fenomenologia em termos da heuristicidade dos métodos em 1ª pessoa atuais em produzir observações e descrições válidas de autoconsciência.

64 Ewerton Helder Bentes Castro (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) 41 A Pesquisa Fenomenológica no Contexto Amazônico: Possibilidades e Perspectivas A pesquisa em Psicologia utilizando o método fenomenológico tem sido efetivada há muitos anos. Contudo, no Amazonas, passa realmente a ser realizada a partir de meados dos anos 2000, especificamente, no ano de 2010, ou seja, tarefa bem recente se levarmos em consideração a história da Psicologia. A característica deste método de investigação é o mundo vivido do participante de pesquisa, ou seja, é o discurso desse outro que me traz o sentido, o significado atribuído a determina facticidade, a determinado fato. Assim, o objetivo desta mesa vem no sentido de expor pesquisas realizadas no contexto amazônico, pesquisas em andamento e propostas de projetos de pesquisa apresentadas ao Programa de Pósgraduação em Psicologia da Universidade Federal do Amazonas. O Laboratório de Psicologia Fenomenológico-Existencial vem desenvolvendo pesquisas na graduação com 8 Projetos de Iniciação Científica e 85 trabalhos de conclusão de curso. Na pós-graduação, até o momento, foram defendidas 20 dissertações e, sob orientação, temos 5 projetos de pesquisa. Dessa forma, apresentaremos algumas produções do Laboratório de Psicologia Fenomenológico- Existencial no que diz respeito à pós-graduação: o ser-clown, a menor distância entre duas pessoas; a concepção do si-mesmo em homens com câncer de próstata; a vivência de mulheres com Síndrome de Turner; a construção da subjetividade em membros de religiões de matriz africana, assim como, propostas relacionadas as relações afetivas em tempo de Aids, masculinidades apreensíveis diante do câncer de pênis e a espiritualidade em Cuidados Paliativos. Presume-se, assim, que a partir do Labfen existe o esforço de consolidação da pesquisa em Psicologia fenomenológica no Amazonas.

65 Adriano Furtado Holanda (Pós-Graduação em Psicologia e em Educação, Universidade Federal do Paraná, Brasil) 42 Antropologia Fenomenológica como Propedêutica para uma Clínica: Questões de Constituição Qual o lugar dos saberes psi? Qual seu objeto? Qual o estatuto epistemológico de disciplinas como Psicologia, Psicopatologia e Psicoterapia? Poderiam ser estas, consideradas como ciências ou apenas como disciplinas técnicas? Partimos da consideração que não deve existir hiato entre um determinado fazer e o pensar esse fazer. Deste modo, caso não se reconheça este entrelaçamento, os diversos fazeres, derivados destas disciplinas, se constituirão tão somente como ações técnicas, normativas e normatizantes, desalojadas do seu próprio solo epistêmico, replicando teses e olhares devedores de outros contextos científicos, e assim não se constituindo em campos efetivamente consolidados, autênticos, mas apenas corolários de outros, solidamente fundamentados (coincidindo com a crítica Comteana, por exemplo). Para se pensar o estatuto de ciência das disciplinas ditas psi, consideramos algumas premissas e direcionamentos: (a) Todas essas disciplinas são campos eminentemente clínicos ; (b) Faz-se necessário, pois, redefinir o sentido de clínica, para além da técnica; (c) Como possibilidade de constituição de estruturas científicas, é preciso revisitar seus fundamentos, reconstituindo seu objeto, o sujeito humano; (d) Como fundamento metodológico e empírico, a Fenomenologia aparece como recurso necessário e evidente; e, (e) Para tal, faz-se necessário reconstruir o campo, a partir de uma Antropologia Fenomenológica. Assim, o presente projeto tem por objetivo revisitar autores que contribuam para construir uma propedêutica para a Clínica, dentre eles, Husserl, Heidegger, Merleau- Ponty, Henry, Binswanger, Jaspers, Van den Berg, Schutz, Landgrebe, Fink, Stein e Ortega y Gasset.

66 Nathalie Barbosa de La Cadena (Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil) 43 O Sujeito Anímico e o Sujeito Espiritual em Ideias II O tema pretende evidenciar como a relação entre sujeito anímico e sujeito espiritual é fundamental para a compreensão da intersubjetividade e do mundo da vida (Lebenswelt). Em Ideias II, Husserl explica como, a partir do eu, sujeito e objeto são constituídos no mundo: natureza, alma e espírito. Estes três estratos do sendo são conhecidos a partir da atitude teorética em paralelo com a atitude espiritual e, no processo, se dá a explicitação do eu. Após a constituição da natureza, para o que o corpo (Körper/Leib) é fundamental, ainda numa atitude teorética, é constituída outra natureza de objetos materiais, os de natureza anímica, humana ou animal. A autopercepção torna-se evidente quando o eu é compreendido como ponto referencial das vivências, origem de atos e lugar de intuições, no eu está compreendido o ser inteiro com alma e corpo. A alma é o substrato das propriedades psíquicas, diferente da coisa, possui uma história, é parte da esfera superior, e convida a ascender ao espírito. Até este ponto, a constituição da realidade se dá de maneira isolada, mas se completará no nível intersubjetivo. O outro é percebido (Urpräsenz), inicialmente, como corpo junto com as coisas e, ao lado desta percepção, há uma apercepção (Appräsenz) dos horizontes co-dados. Há identidade entre o corpo alheio e o meu, o momento da empatia (Einfühlung), correspondência por analogia entre o ego e o alter ego em horizontes compartilhados. Numa atitude personalista, o sujeito é compreendido como ser espiritual, inteligente e livre, fonte de ações direcionadas a fins, é dizer, um ser vivo, livre e responsável. O mundo constituído a partir de uma atitude naturalista é uma redução do mundo em torno (Umwelt), mas o mundo cotidiano da atitude personalista lhe antecede, o mundo vital. É, portanto, através da atitude personalista, que se constitui uma comunidade de sujeitos espirituais.

67 Simeão Sass (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) 44 Dilthey e Husserl: Compreensão e Mundo da Vida A exposição apresentará os resultados parciais da pesquisa que tem como foco a psicologia fenomenológica e as suas interconexões com a psicanálise existencial de Sartre. A hipótese da pesquisa intenta demonstrar as conexões temáticas explícitas e implícitas entre as duas propostas elencadas. O objetivo central da pesquisa é demonstrar que a psicanálise erigida por Sartre, ao valorizar o conceito de compreensão, inscreve-se na tradição hermenêutica iniciada por Dilthey e, ao mesmo tempo, tenta permanecer fiel aos princípios da intencionalidade da consciência e da inseparabilidade entre homem e mundo circundante. A investigação acerca da vinculação entre Sartre e a hermenêutica constitui um desafio ao campo da pesquisa em tela visto que tal herança não é destacada entre os estudiosos dos dois autores. Tal desafio constitui um dos aspectos originais da pesquisa. Um objetivo complementar visa, ainda, demonstrar os nexos entre Dilthey e Husserl. O foco da presente exposição será abordar uma questão importante inserida na temática enunciada acima. Ela investigará as relações teóricas entre Dilthey e Husserl pertinentes ao modo como o iniciador da fenomenologia avaliou e criticou o fundador das ciências do espírito. Serão analisadas as correspondências trocadas entre os dois e as críticas husserlianas manifestadas em algumas de suas obras relativas aos temas centrais da filosofia de Dilthey. Nessas exposições surgirão tanto a crítica acerca da falta de rigor na elaboração de conceitos quanto a genialidade do responsável pela fundação das ciências humanas. Serão abordadas igualmente as considerações de Dilthey referentes ao problema da fundação da psicologia descritiva e analítica.

68 Celana Cardoso Andrade (Universidade Federal de Goiás, Brasil) 45 Sentidos da Psicoterapia: Relatos de Pesquisa Você precisa fazer psicoterapia, psicoterapia serve para se conhecer. São muitos os lugares-comuns que referem a essa prática já tradicional e que fazem uma associação quase que direta com a profissão do psicólogo. Mesmo assim, curiosamente, há pouca literatura formal sobre o tema da psicoterapia, e menos ainda discussões que sobre a construção dessa prática. Qual o sentido da psicoterapia no que se caracteriza seu fazer? Foi daí que surgiu a pergunta singular: e o que será que os próprios usuários dessa prática, aqueles que passam pelo processo, e que ali permanecem, o que será que os motiva, o que será que os mantém, enfim, qual será sua opinião sobre o tema? Esse trabalho procurou entender como se constroem os sentidos da psicoterapia para aqueles que são, de fato, os seus verdadeiros protagonistas. Para a realização da pesquisa foi utilizada a pesquisa qualitativa e abordou o método fenomenológico, segundo as formulações de Amedeo Giorgi. O momento empírico foi constituído de entrevistas abertas com três clientes que realizaram mais de seis anos de terapia individual e pelo menos dois anos de terapia de grupo. A pergunta Como você vivenciou seu processo psicoterapêutico? constituiu o aspecto inicial que serviu para estimular o diálogo entre os colaboradores e a pesquisadora. Observou-se, nos resultados a proximidade das categorias entre os colaboradores entrevistados e, sobretudo, que eles estão seguros que a psicoterapia contribuiu para a qualidade de suas vidas. São pessoas que entendem que psicoterapia implica em: crescimento, autoconhecimento, aceitação de si mesmo e do outro, respeito pelas pessoas e pela sua humanidade, diálogo, escuta, sentido de pertencimento, presença, mudança, liberdade, consideração com o próximo, humildade, ressignificação, viver o aqui-agora e relações saudáveis.

69 José Olinda Braga (Universidade Federal do Ceará, Brasil) 46 Ser-com e Espacialidade - Implicações e fundamento para a clínica Gestáltica. Com o intuito de formular a pergunta pelo sentido do Ser, tarefa esquecida ao longo da tradição metafísica, Heidegger percorreu um caminho filosófico com vistas à elaboração de uma Ontologia Fundamental, como meio de denunciar e superar os preconceitos que fundamentaram as razões desse esquecimento. Como tarefa intermediária para se chegar a uma Ontologia, teria que partir da formulação da pergunta primeira ao ente privilegiado - justo aquele que é capaz de refletir sobre ser, em seu próprio ser o que implicaria pô-lo a descoberto, através da elaboração de uma Analítica Existencial. Nessa empreitada, enumerou ao longo de Ser e Tempo, os diversos modos mais típicos de ser desse ente lançado, considerada sua cotidianidade mediana como lugar de acontecimento existencial, uma vez ser esta a instância em que Dasein (ser-o-aí) compartilha com outros a existência e mundo. O ser do Dasein desdobra-se ek-sistindo e se dá enquanto ser-com, o que legitima dizer que os polos de subjetividade e alteridade, por onde aflui o ser do eu-humano se complementam e se entrelaçam sob a configuração de uma tessitura cuja separação de seus momentos constitutivos seria impossível, a considerar sua dimensão ontológica. O compartilhamento do mundo como coexistência ocorre num espaço vivido, portanto, numa espacialidade em que se faz possível o encontro. Para a clínica Gestáltica, a construção de estratégias para se atingir estados de awareness é decorrente da efetivação do encontro, condição para ocorrência mesma do processo terapêutico. Esse privilegiado lugar de encontro, quer em ambiência grupal ou bipessoal obtém nos Existenciais ser-com e espacialidade, subsídios epistemológicos fundamentais para estruturação de uma clínica Gestáltica instigada por preceitos filosóficos situados no âmbito de uma Fenomenologia Hermenêutica heideggeriana.

70 Rodrigo Alvarenga (Núcleo de Direitos Humanos, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 47 Os Limites da Intencionalidade Operante como Parâmetro para a Produção Psicótica na Daseinsanalyse Psiquiátrica Ludwig Binswanger compreendeu que era necessário reestruturar o método de investigação e abordagem dos fenômenos psicóticos, pelo afastamento da ontologia cartesiana do sujeito e do objeto, a fim de que a psicoterapia não se constituísse como uma prática de negação da alteridade. Assim, o psiquiatra buscou em Husserl e em Heidegger o modo de superação do método objetivo das ciências da natureza, o qual pressupunha o dualismo e o solipsismo da consciência para fundar uma abordagem intersubjetiva da psiquiatria. O objetivo desta pesquisa é justamente examinar a legitimidade da Daseinsanalyse psiquiátrica de Ludwig Binswanger, no que se refere ao cumprimento daquilo para o qual ela própria se propôs, por meio da assimilação da investigação transcendental no campo das psicoses. O critério de legitimidade da articulação realizada pelo psiquiatra entre o transcendental e o empírico, na elaboração de uma fenomenologia das psicoses, será buscado pelo confronto com a questão da intersubjetividade na obra de Merleau-Ponty. Conforme será possível perceber, a Daseinsanalyse psiquiátrica, na medida em que se estrutura a partir do ego transcendental husserliano, ao compreender a percepção de outrem por analogia, permanecerá concebendo o alter ego psicótico a partir do ego psiquiátrico, comprometendo sua alteridade. A concepção de outrem em Merleau-Ponty, afastando-se da noção de cogito tácito e admitindo o estranho enquanto transcendência temporal, irá revelar as características do equívoco de Binswanger, que consiste em fazer derivar uma fenomenologia das psicoses da gênese constitutiva do tempo, da subjetividade e da intersubjetividade, pressupondo o solipsismo da consciência e o ego constituinte.

71 Paulo Coelho Castelo Branco (Mestrado em Psicologia da Saúde da Universidade Federal da Bahia, Campus Anísio Teixeira) 48 Fenomenologia nas obras de Carl Rogers: apontamentos para o cenário brasileiro Analisamos a relação de Carl Rogers com a Fenomenologia segundo uma perspectiva historiográfica que examina a ocorrência de citações e referências que ele fez a filósofos de orientação fenomenológica. As obras de Rogers foram organizadas em ordem cronológica de publicação e lidas conforme as técnicas de leitura seletiva e interpretativa. Rogers mencionou cinco filósofos de orientação fenomenológica: José Ortega y Gasset, Paul Tillich, Simone de Beauvoir, Maurice Merleau-Ponty e Martin Heidegger. Destes, somente Heidegger é efetivamente trabalhado em um texto sobre o ensino e os demais filósofos procedem de indicações e citações de outros autores. Nos livros em que Rogers referencia esses filósofos não há nenhuma discussão sobre a Fenomenologia; porém, há textos em que Rogers disserta sobre a Fenomenologia sem citar fenomenólogos. A Fenomenologia que Rogers menciona não é a filosófica, a qual ele teve ressalvas, mas é um paradigma estadunidense de ciência empírica e estudos da personalidade. A despeito disso, desenvolve-se no Brasil um movimento pósrogeriano de orientação filosófica fenomenológica. Ponderamos, finalmente, algumas observações sobre o que distingue o movimento brasileiro daquele paradigma contatado por Rogers nos EUA.

72 Danilo Saretta Verissimo (Faculdade de Ciências e Letras de Assis Universidade Estadual Paulista, Assis, SP, Brasil) 49 A Fenomenologia à Luz da Problemática da Conversão de Si Foucault, em A hermenêutica do sujeito, inclui o Husserl da Crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental, além de Heidegger, entre os autores para quem o ato de conhecimento permanece ligado às exigências da espiritualidade. A ideia de espiritualidade a que se refere Foucault possui um sentido preciso atrelado, por sua vez, à compreensão da filosofia como forma de pensamento que tenta determinar as condições e os limites do acesso do sujeito à verdade. Neste contexto, espiritualidade remete a um conjunto de pesquisas, práticas e experiências pelas quais o sujeito opera sobre ele mesmo as transformações necessárias para ter acesso à verdade. Este complexo abarca desde renúncias e asceses até modificações da existência e conversões do olhar, que constituem, da parte do sujeito, o preço a pagar pelo acesso à verdade. Foucault, grosso modo, faz a práxis espiritual girar em torno do conjunto nocional da conversão a si, relativo ao trabalho do sujeito de si sobre si. Nosso objetivo, nesta comunicação, é apresentar e discutir, a partir de Crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental, manifestações por parte de Husserl que permitam preencher a indicação dada por Foucault. Nossas análises serão guiadas pela hipótese de que a atitude transcendental, propagada por Husserl, e reforçada em meio às análises históricas que têm lugar em Crise, fundamenta-se numa dimensão prática compatível com o ideário clássico do retorno, ou da conversão, a si. Nessa direção, a epoché configura-se, mais do que como método de conhecimento, como exercício de aprendizagem e de transformação, e adquire uma acepção ética. Esta matriz deverá ser melhor caracterizada à luz de reflexões acerca do papel que a atenção possui tanto nas análises de Foucault quanto nas de Husserl, que fala em conversão total do olhar com vistas ao desvelamento de novas dimensões de investigação.

73 Carlos Diógenes Côrtes Tourinho (Universidade Federal Fluminense, Niterói, Brasil) 50 Teleologia e Evidência na fenomenologia de Husserl Um olhar panorâmico sobre o itinerário de Husserl permite-nos notar uma relação indissociável entre a doutrina teleológica das ciências e a teleologia da vida intencional. Se tal doutrina ganha contornos mais nítidos em Filosofia Primeira, a estrutura teleológica da vida intencional recebe a sua primeira abordagem já em Investigações Lógicas, a propósito da distinção e das sínteses progressivas entre atos intencionais significativos e seus preenchimentos intuitivos. E é justamente o exame aprofundado desta distinção propedêutica que nos permite notar uma relação estreita entre a teleologia originária da vida intencional e o princípio metodológico da evidência. Afinal, Husserl jamais abdicou da tese segundo a qual toda consciência é consciência de algo. Esta tese irá, por sua vez, desdobrar-se em uma dualidade fundamental que, ao se abrir, revela a distinção e síntese entre os atos intencionais significativos e seus preenchimentos intuitivos, assegurando-nos, assim, não apenas a função simbólica de tais atos, mas também, graças à síntese em questão, a sua função de conhecimento. Se tais atos aspiram a uma realização intuitiva, os primeiros preenchimentos intuitivos aspirariam, ainda em uma esfera pré-predicativa e, portanto, própria da intuição sensível, a um preenchimento mais completo. Os referidos atos intencionais se inclinariam, através de experiências concordantes com seus respectivos preenchimentos, a um ideal de preenchimento definitivo. Tal realização teleológica inerente à vida intencional da consciência somente se torna possível na medida em que a evidência assegura a presença da coisa (ou do estado da coisa) visada à consciência, garantindo-nos, segundo Husserl, a passagem do ato intencional enquanto um mero presumir a coisa visada para um ato no qual a coisa intentada encontrar-se-ia, em algum nível, presente ela mesma à consciência. A evidência torna-se, assim, responsável pela estrutura teleológica universal da consciência. Se a doutrina teleológica das ciências remete-nos para a vida intencional da consciência, a exposição da primeira e a análise desta última revelam-nos o estreitamento da relação entre os conceitos de teleologia e de evidência na fenomenologia de Husserl.

74 Myriam Moreira Protasio (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 51 A Presença de Kierkegaard na Psicologia Existencial-Humanista A Psicologia que costumamos denominar de existencial ou humanista-existencial deve muito a Kierkegaard, constantemente reportado como o Pai do Existencialismo. No entanto, o fundamento desta tradição e os sentidos conquistados por estas psicologias permanecem pouco explorados. Pesquisas recentes mostraram que, para além das tradicionais referências a Kierkegaard nas psicologias humanistas e existenciais, seu pensamento também pode ser reportado para a construção de uma psicologia empírica. Interessa-nos pensar as diferenças de perspectiva entre uma psicologia dita existencial-humanista, representada por Rollo May, e uma psicologia da existência inspirada em Kierkegaard, tal qual desenvolvida no Brasil nos primeiros anos do século XXI. Visamos esclarecer em que estas vertentes se aproximam ou se afastam em relação a três temáticas específicas, caras à tradição existencial e humanista, tanto na Psicologia como na clínica psicológica: liberdade, subjetividade e relação. Veremos que a psicologia existencial-humanista, embora busque pensar o homem de forma diferente das correntes psicanalítica e behaviorista, ainda se sustenta sobre a dicotomia homem e mundo, compreendendo o eu como potencialidade; a liberdade como livre-arbítrio; e a relação clínica como fundada na empatia. A psicologia da existência, por seu turno, sustenta-se na caracterização do eu como relação paradoxal sem privilégio da interioridade humana; na liberdade como indeterminação originária e a própria constituição da existência; e na compreensão da relação terapêutica inspirada nas reflexões de Kierkegaard sobre o amor. Não é nossa intenção esgotar o tema, mas sustentar um debate sobre a diversidade em que se constitui a presença de Kierkegaard nas psicologias que se auto denominam existenciais ou mesmo humanistas-existenciais.

75 Marcos Aurelio Fernandes (Universidade de Brasília, Brasil) 52 Individuação, Tempo, Instante O todo universal se individua em cada indivíduo. O indivíduo é uma singularidade irrepetível. Mas, no indivíduo humano, a individuação se realiza como dinâmica de liberdade, marcada pela temporalidade e historicidade da existência. Ser-homem significa estar conclamado a cuidar do todo e a tornar-se o que se é na dinâmica da liberdade. A existência é sempre conquista contínua de uma libertação que nunca se repete. É libertando-se a cada vez para a liberdade da verdade do ser, que o homem torna-se o que ele é e se individua, perfilando a sua humanidade e com isso toda a realidade (pois o homem é um microcosmo) numa singularidade. Individuação, assim, quer dizer tornar-se si mesmo, como homem humano, finitizando-se, na assunção do ser porvindouro no sentido do ser em face da morte. Individuação se torna, assim, solitude. Nela se dá a comunhão mais vasta, profunda e originária com o todo. Em tudo isso revela-se a dinâmica do tempo que somos nós: a temporalidade originária. A temporalidade originária reúne futuro, passado e atualidade na dinâmica de uma resolução antecipadora em que o homem, assumindo-se como ser-para-amorte, torna-se livre para o seu poder-ser mais próprio no relacionamento de cuidado com o todo. Essa reunião das ekstases da temporalidade mais própria é o instante (Ser e Tempo). No instante e como instante se dá o momento azado da libertação. No instante, o relacionamento do homem com o ser (o todo) e do ser (o todo) com o homem acontece como uma visão originária, uma mirada, em que cada ente, na sua diferença, pode aparecer no seu próprio. Nele, também as diferenças aparecem como concreções cada vez únicas do mesmo. O mesmo é o um único, o simples. Ele está longe de ser uniforme e de provocar náusea e tédio. Ele deixa ser e salvaguarda no seu próprio as diferenças e doa uma serenidade jovial e uma jovialidade serena. Tendo Heidegger, Kierkegaard e Mestre Eckhart como interlocutores, a comunicação pretende expor o tema em questão.

76 Elena Pagni (Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil) 53 Filosofia e Ciências Biológicas em Merleau-Ponty: Entre Síntese e Rigor Conceitual A análise do conceito de mundo (mundo percebido/histórico) para Merleau-Ponty, situa-se no entendimento da passagem do mundo sensível (mundo percebido) para o mundo da expressão (mundo cultural), que também nos leva a destacar uma dupla função do corpo. O corpo como 1) organização dada e resposta aos aspectos naturais do mundo - que inclui todos os problemas enfrentados pelas ciências biológicas relacionadas à capacidade do corpo de construir seu próprio habitat, se conservar, se reproduzir, se alimentar; o corpo 2) como órgão de mímica e, portanto, da práxis constituinte de gnosis e linguagem. O corpo, portanto, que retorna ao mundo para designá-lo e expressá-lo. Nesse sentido, o corpo é um poder de invenção, porém sujeito às condições e restrições da natureza (o próprio esquema corporal manifesta esses vínculos: simetria bilateral, visão, movimento), que evidentemente são resultados da evolução natural. Em minha apresentação, tentarei mostrar quais são, para Merleau-Ponty, os desafios mais importantes que as ciências biológicas impõem a uma certa maneira de filosofar (aquela "segundo substância, sujeito-objeto, causalidade") e como a filosofia é chamada a reinterpretar o passado, a própria metafísica e a ontologia, questionando, portanto, também sobre a possibilidade de realizar uma sintese filosofica que seja rigorosa do ponto de vista conceitual e metodológico.

77 Claudinei Aparecido de Freitas da Silva (Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Toledo, Brasil) 54 A Figurabilidade do Jogo: Essência e Sentido do Lúdico em F.J.J.Buytendijk Ao antecipar os clássicos trabalhos de Johan Huizinga e, mais tarde, Eugen Fink sobre a função do jogo como elemento cultural e simbolismo, o cientista holandês F. J. J. Buytendijk se dedica em descrever a atividade do jogo nos homens e nos animais como uma manifestação dos impulsos vitais. É essa perspectiva que o autor ensaia em seu livro Essência e Sentido do Jogo ao aplicar, mediante um método fenomenológico, uma compreensão profunda que envolve a característica mais essencial do lúdico, qual seja, a figurabilidade. A esfera do jogo é a esfera das figuras e com ele, a esfera das possibilidades, da fantasia. A figurabilidade emerge como pano de fundo hermenêutico a fim de restituir a dinâmica do lúdico cuja peculiaridade é o objeto do jogo, que pode se traduzir na emblemática tese apresentada pelo autor, quase parafraseando Husserl, de que jogar é jogar com alguma coisa. Buytendijk então conclui imprimindo todo um acento fenomenológico nessa hipótese interpretativa sui generis ao observar, na essência mais íntima do jogo, o seu elemento intencional, operante e, por isso mesmo, corporal. A riqueza semântica de tal fenômeno revela como princípio um perspectivismo que transpõe toda análise causal focando bem mais no aspecto intersensorial que também recobre tal experiência. O jogo, enfim, é marcado pelo signo da intencionalidade (não da ordem lógica, intelectiva), mas uma intencionalidade em que o jogador e o que é jogado perfazem uma só comunhão de essência e sentido. Ora, é esse ponto de vista gestáltico e, portanto, dialético que se pretende, aqui, examinar.

78 Clélia Peretti (Pós-Graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 55 Fenomenologia, Empatia e Educação A existência de Edith Stein se inscreve entre 1891 e 1942, circunscreve-se geograficamente no contexto filosófico, pedagógico e cultural da Alemanha do final do século XIX e nas primeiras décadas do século XIX. Não é nosso objetivo delinear o perfil biográfico de Edith Stein, embora utilizaremos fragmentos biográficos para ilustrar o estruturar-se de seu pensamento pedagógico. Objetiva-se, refletir sobre o conceito de empatia e educação a partir da perspectiva fenomenológica. O conceito de formação e auto formação (Bildung) é compreendido como uma disposição, inerente ao ser humano, em direção ao seu crescimento e progresso interior, tensão contínua pelo qual cultura e natureza, conhecimento e espírito dão forma ao ser humano, e é precisamente pela existência do ser humano que isso pode acontecer. O núcleo da pessoa é o centro no qual se orienta a pesquisa fenomenológica de Stein. O tema da empatia, encontra nesse conceito um espaço de conhecimento para ser explorado. Na dimensão pedagógica steiniana, a empatia é apresentada como experiência original de encontro, como itinerário pelo qual o educador é um instrumento que possibilita ao lado da Graça divina, uma educação para a perfeição e responsabilidade com o outro. Deste modo, Edith Stein delineia uma pedagogia do discernimento, conjugada com a verdade, a liberdade e a responsabilidade.

79 Ericsson Falabretti (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 56 Merleau-Ponty e o Lebenswelt da Política A intensa reflexão política merleau-pontyana, desde os editorais de Tempos Modernos, discute a conjuntura política e as circunstâncias históricas do seu tempo: a segunda guerra mundial, o plano Marshall, a guerra fria, o gaullismo, o comunismo e o liberalismo. Todavia, à análise dos fatos objetivos e pontuais, o pensamento político de Merleau-Ponty está centrado em uma reflexão sobre o vínculo da política com o mundo da vida, como podemos ler nos textos do pós-guerra: em Humanismo e Terror, em As Aventuras da Dialética e na obra Signos. Merleau- Ponty fala e escreve quase sempre a partir de Marx e a favor do comunismo e contra o liberalismo. Desde os primeiros textos até Humanismo e Terror, Merleau-Ponty, contra uma concepção materialista e econômica da história, apoiado em uma perspectiva heurística da obra de Marx, sustenta o caráter não unívoco e não determinista da história, mas ambíguo, pois nela operaria, ao mesmo tempo, a lógica da necessidade e da contingência, pois nada é absolutamente fortuito, mas também nada é absolutamente necessário, como afirma o filósofo. Todavia, a relação de Merleau-Ponty com o comunismo e com a obra de Marx é, também, marcada por deslocamentos, desvios, recusas e ambiguidades. Nas análises posteriores a Humanismo e Terror, Merleau-Ponty é contra uma interpretação reducionista e atomista do materialismo marxista, sustentando a ideia de que toda experiência humana, a partir de Marx, tem uma relação fundamental com a natureza e com os objetos culturais. No mundo da política a experiência humana se esboça no entrecruzamento das experiências, visíveis e invisíveis, irrefletidas e refletidas, pelas quais o homem organiza as suas relações com a natureza e com outros homens. O Lebenswelt da política remontaria a um fundamento que, ambiguamente, liga e separa todos os seres: a tensão permanente do tecido social que experimentamos no âmbito de uma experiência pré-reflexiva. Desse modo, a análise do mundo da política, semelhante aos atos mais básicos da percepção, não é redutível a um pensamento de sobrevoo, mas consiste na busca de um significado aberto, em uma sucessão de abordagens ou "esboços" (Abschattungen). Merleau-Ponty evoca, assim, a ideia de uma filosofia política que, análoga ao seu modelo da percepção, remontaria a uma organização presuntiva da vida humana.

80 57 SESSÕES TEMÁTICAS

81 58 1. Estudos Históricos Sobre Fenomenologia, Existencialismo e Humanismo

82 Achilles Gonçalves Coelho Júnior; Cristiano Roque Antunes Barreira (Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros, Brasil) 59 A RELAÇÃO ENTRE AUTENTICIDADE E CORPOREIDADE NAS TEORIAS PSICOLÓGICAS EXAMINADAS POR EDITH STEIN Buscando analisar a relação entre autenticidade e corporeidade na obra de Edith Stein, nos deparamos com a discussão realizada por esta autora sobre os tipos de teorias psicológicas presentes em sua época, explicitando a várias maneiras de abordar a pessoa e sua dimensão psíquica. O objetivo do presente trabalho foi discutir, a partir da classificação que Stein disponibilizou sobre os tipos de Psicologia, as possibilidades e limites do estudo da relação entre autenticidade e corporeidade, destacando também suas contribuições originais para o debate. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica em que analisamos, principalmente, os textos Introdução à Filosofia, Os tipos de Psicologia e seu significado para a Pedagogia e Problemas da formação feminina, na tradução italiana e publicados originariamente e respectivamente em , 1929 e Ao descrever os dois principais tipos de psicologia, a metafísica e a experimental, essa última subdividida em seus subtipos explicativa, descritiva, compreensiva e diferencial, Stein retoma a discussão da noção de alma na psicologia, bem como a indispensável consideração da dimensão da corporeidade para compreensão dos processos psíquicos. Tanto a causalidade psíquica, quanto a motivação, consideradas por Stein como leis que fundamentam a compreensão do objeto de estudo da psicologia, disponibilizam aspectos importantes para compreensão da noção de autenticidade ou individualidade autêntica. A possibilidade de compreensão da individualidade é efetivada na medida em que se busca recompor, através de uma análise regressiva, os momentos que antecedem a expressão da pessoa e se fundam na conexão de sentido entre as vivências pessoais, a partir de uma Psicologia Fenomenológica Pura, que já estava em andamento na obra steiniana.

83 Andrew Omar Soares e Carlos Augusto Serbena (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 60 JUNG E A POLÍTICA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE C.G.JUNG O presente estudo pretende traçar, em linhas gerais, qual o pensamento político de Carl Gustav Jung, analisando como suas concepções políticas influenciaram sua produção científica. O trabalho está em processo de desenvolvimento e consiste numa revisão da literatura pertinente do próprio autor, com ênfase nos livros Memórias, Sonhos e Reflexões e textos do volume 10 das Obras Completas. Estão sendo analisadas também obras de pósjunguianos que abordam a visão política do autor: Andrew Samuels, Sonu Shandasani e Lawrence R. Alschuler. Essas reflexões são importantes pois Jung resistiu a filiar-se a um viés político em especial por considerar nocivo todo movimento político de massa, compreendendo que eles anulam a individualidade. No entanto, ele aproximasse do liberalismo clássico devido a preocupação com a manutenção das liberdades individuais e também do conservadorismo por considerar a perda das tradições um processo de desenraizamento psíquico que levaria o ser humano ao niilismo e à degeneração. Sua concepção de natureza humana é próxima ao mito do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau, explicitado no relato da sua visita aos índios pueblo em Memórias, destacando o quanto eles eram dignos devido à conexão com a dimensão mítica da vida. O desejo do retorno a um modo de vida simples, porém com sentido e em conexão com a natureza, expressam certa rejeição à tecnologia ao compreender que ela, com suas facilidades, nos atrapalham na busca por sentido existencial, além de ter criado condições para a destruição da humanidade a partir da bomba H. Jung opõe-se ao materialismo científico por considerar que ele reduziu a vida a objetos frios de análise, considerando ideologias como o marxismo e o fascismo resultado direto deste: uma tentativa racional e totalitária de controle da sociedade que não leva em consideração a individualidade e as necessidades irracionais do ser humano. Sua crítica também inclui o materialismo consumista da sociedade americana da época.

84 João Lucas Santos de Oliveira e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 61 A QUESTÃO DA PSYCHÉ EM TEMPO DE UMA PSICOLOGIA SEM ALMA Este estudo visa discutir os rumos que a Psicologia atual, nascida como a ciência da alma na Grécia e que historicamente percorreu destinada a estudar a psyché,e como perdeu sua finalidade (télos) na modernidade ao se tornar uma ciência positiva, ou seja, em uma ciência sem alma. A hegemonia do ideal positivista experimental das ciências naturais no século XIX penetrou nos estudos psicológicos levando a constituição da Psicologia científica. Se de um lado muitos estudiosos passaram a se dedicar aos laboratórios experimentais, do outro manteve-se aqueles que defenderam a Psicologia a partir de métodos próprios. Alguns filósofos-psicologistas como W. Dilthey, F. Brentano e E. Husserl desenvolveram concepções e métodos não-reducionistas a respeito do problema da alma (psyché).desses, destaca-se Husserl como provavelmente o mais influente,sendo o elaborador da Fenomenologia, uma filosofia e um método que estuda os fenômenos, e que paralelamente desenvolveu a Psicologia Fenomenológica. A alma é a faculdade daquilo que é anímico, para as antigas culturas hebraicas seria um sopro divino conhecido como nephesh, para a cultura indiana a energia vital nomeada como mana. Para a fenomenologia haverá a distinção das vivencias humanas corpóreas, psíquicas e espirituais, a alma estará intrínseca nos impulsos psíquicos desejáveis e não desejáveis, e no espírito que gerará a capacidade de reflexão, pensamento e decisão, e, portanto a consciência transcendental. Assim, a partir de uma pesquisa qualitativa bibliográfica em escritos de Husserl e intérpretes, buscar-se-á os elementos da Psicologia Fenomenológica que se mostram totalmente relevantes para a compreensão da alma e do espírito humano, tais como: intencionalidade, motivação, corpo-vivo; e a relação entre o anímico e o psíquico; elementos subjetivo-qualitativos que mantém a ciência psicológica como uma Psicologia com alma.

85 Ludimila Junqueira Paulo e Roberta da Costa Borges (Faculdade Pitágoras, Brasil) A EXISTÊNCIA MARCADA POR MODOS DE VIVER PADRONIZADOS NO MUNDO INAUTÊNTICO DE JOVENS RECÉM FORMADOS E A ILUSÃO DO SUCESSO 62 Na atualidade, as redes sociais reforçam como a vida precisa ser bem sucedida, com emprego, casa e família, riqueza, aumentando a pressão social de ter que conquistar tais objetivos cada vez mais jovem, é importante discutir como jovens estão sendo afetados e lidando com o fato de não alcançarem o que é dito como sucesso. Para a Daseinsanálise, é habitual o jovem estar no mundo impessoal, do todo dia, fazendo e cumprindo padrões e normas já dados. Nossa realidade é marcada por desemprego e crise financeira. Realizou-se uma pesquisa, entrevistando jovens recém formadas para descobrir o que é considerado sucesso profissional, e se alcançaram o que pretendiam, após o curso de graduação. Buscou-se compreender se alcançar o que pretendiam poderia ser considerado abertura à possibilidade de existir em um modo de vida próprio e autêntico, em meio à cotidianidade mediana e impessoal. Se seria escapar da angústia e se lançar à possibilidades mais genuínas de propriedade, exercendo a profissão estudada e tendo reconhecimento financeiro e sucesso. Segundo as entrevistas, a angústia como possibilidade de singularização e escape do mundo dos necessários e dos afazeres, no sentido de ouvir o clamor da consciência, serviu para esses jovens recém formados refletirem nas escolhas e decisões que fossem possíveis para eles, para além do horizonte técnico do mundo que habitam. Tais reflexões apresentaram modosde-ser frustrados ao encararem o mercado de trabalho; também aprisionamento numa restrição de projetos existenciais já que não conseguem transitar no mundo do consumo que as próprias redes sociais reiteram. O horizonte que se abre para o psicólogo é fomentar locais de escuta, de diálogo e reflexão grupais ou individuais, cada vez mais no sentido de que os jovens compreendam o seu próprio movimento existencial, não apenas se fechando em ocupações que sejam mercadológicas e os escravizem ainda mais a modelos de vida padronizados e difundidos como de sucesso, reforçando tal ilusão.

86 Marcio Luiz Miotto (Universidade Federal Fluminense) FOUCAULT, HUSSERL E BINSWANGER EM TORNO DA EXPRESSÃO 63 Pretende-se abordar a Introdução a Sonho e Existência, publicada por Foucault em 1954, para extrair alguns traços de sua leitura sobre a Fenomenologia durante os anos Após uma breve introdução onde salienta a importância de ligar a análise concreta do Homem ao Dasein heideggeriano, Foucault promete um trabalho de cunho mais ontológico para uma outra ocasião, enquanto dedica o restante da Introdução a Binswanger ao estabelecimento do que chama de Antropologia da Imaginação e da Expressão. A antropologia da imaginação percorre primeiramente uma crítica dos naturalismos (os fisiólogos e Freud servem de exemplo), mas também uma depuração da Fenomenologia de Husserl, que seria ultrapassada pela Daseinsanalyse de Binswanger. Isso diz respeito diretamente ao modo como Foucault enxerga em Husserl uma teoria insuficiente sobre a expressão e a imagem, insuficiência cuja resolução perpassaria primeiro as releituras que Husserl faz das Investigações em 1914, mas cujo destino seria a Daseinsanalyse de Binswanger. Husserl serviria como uma espécie de intermediário entre o naturalismo e a Antropologia existencial. Mas se é assim, os trechos dedicados a Husserl são bastante curtos e alusórios. A presente comunicação se deterá nesses trechos: primeiramente, analisará a noção de expressão nas Investigações Lógicas e como Foucault chama a atenção à sua revisão em , chegando finalmente no ponto em que Foucault julga possível passar de Husserl a Binswanger. Em termos bastante gerais, Foucault tenta tematizar a passagem do primeiro Husserl, interessado na crítica do psicologismo e numa teoria do conhecimento capaz de evitar uma má fundação da Lógica, ao Husserl que publicou Idéias I e se encaminha às questões mais tardias do mundo da vida e da receptividade e passividade que antecedem as predicações cientificizantes. Passagem que nesse momento Foucault privilegia, mas que em outras ocasiões acusará como dando vazão a certos desenganos da filosofia francesa.

87 Marina Soares Ramos (Universidade Federal Fluminense- Campus Rio das Ostras, Brasil) 64 O COMPROMISSO FENOMENOLÓGICO DO JOVEM FOUCAULT Entre os anos de 1954 e 1961, isto é, entre o período final dos seus anos de formação e a publicação de sua consagrada tese História da Loucura, Foucault redigiu duas importantes obras que, apesar de possuírem escopos de análise distintos, revelam certas conformidades temáticas e, dentre elas, uma que diz respeito à abordagem fenomenológica. A primeira dessas obras foi publicada sob o título de Introdução à Sonho Existência na qual Foucault elogia as considerações do psiquiatra Ludwig Binswanger, supostamente de orientação fenomenológica-existencial. O autor aponta que Binswanger teria dado um passo na direção de uma superação das técnicas hermenêuticas de Freud e da fenomenologia de Husserl ao tentar elaborar uma filosofia da expressão que fundamentasse o ato significativo. A segunda obra intitulada Doença Mental e Personalidade é, como a primeira, perpassada por questões fundacionistas, e nela, o autor dedica o capítulo A doença e a existência inteiro ao tema da fenomenologia existencial. Este trabalho tem como objetivo central tratar do tema da fenomenologia no pensamento do filósofo Michel Foucault, por meio de uma análise detalhada do percurso argumentativo seguido pelo autor nas obras mencionadas. Partindo da tese de que a preocupação herdada de Husserl, por Foucault, pelas condições que determinam o aparecimento da significação foram fundamentais na consolidação tardia de sua argumentação. Para demonstrá-la, o esforço do presente trabalho é (i) analisar o propósito com que Husserl altera, em 1913, o seu pensamento acerca da análise do signo anteriormente apresentada em suas Investigações Lógicas I, amparado na nova noção de intenção significativa, e em que medida ele fornece sustentação filosófica à sua tese de que a intenção significativa é entendida como um ato de representação intencional; (ii) problematizar o modo com que Foucault recebe tal pensamento, e discutir o seu desenvolvimento ao longo da obra do filósofo.

88 Diego do Nascimento Mendonça e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 65 A CIÊNCIA PSICOLÓGICA E SEUS FUNDAMENTOS: UM ESTUDO DA VIDA E OBRA DE NILTON CAMPOS Este trabalho propõe-se a estabelecer uma construção narrativa da trajetória profissional do médico brasileiro Nilton Quadros Campos ( ), bem como compreender a vinculação de seu pensamento à Filosofia Fenomenológica. Para isso, apresentar-se-á, inicialmente, uma historiografia em caráter biográfico com o objetivo de elucidar cronologicamente o percurso de Campos e, posteriormente, analisar parte do seu legado bibliográfico, especialmente sua Tese de Concurso à Cátedra de Psicologia Geral da antiga Universidade do Brasil: O Método Fenomenológico na Psicologia. À medida que se dedicava aos trabalhos experimentais no Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro, Campos consolidava, também, sua preocupação com os fundamentos filosóficos da Psicologia, direcionando-se para os estudos fenomenológicos. Dessa maneira, constataremos que o posicionamento filosófico de Nilton Campos constituiu uma marca acadêmica ao longo de toda a sua atuação profissional. Sua vinculação à Filosofia Fenomenológica, antes, durante e depois da formulação da Tese de 1945, ilustra esse fato.

89 66 2. Estudos Teóricos Sobre Fenomenologia, Existencialismo e Humanismo

90 67 Cleina Roberta Biagi, Sandra Mara Duarte Pierozan e Vanessa Maichin (Universidade Paranaense, Brasil) UM OLHAR PARA A RELAÇÃO CONSTRUÍDA ENTRE PAI E FILHO EM ENSINANDO A VIVER Este trabalho refere-se a análise do filme Ensinando a Viver (The Martian Child, 2007, EUA), do diretor Menno Meyjes. Pretende-se assim lançar um olhar para uma das possibilidades de construção de relação entre pai e filho, através da história contada no longa. Apoiado no referencial teórico fenomenológico-existencial interessa às autoras analisar a relação entre os dois personagens principais que se descobrem e se recriam em sua experiência de ser pai e de ser filho, buscando compreender os sentidos existentes nas vivências dos personagens David e Dennis, respectivamente, procurando usar como método de investigação a fenomenologia. A intenção é buscar identificar os medos, as angústias e os conflitos de ambos os personagens, que recriam uma nova relação paternal, a partir da adoção paterna. A pesquisa teórica busca em autores como Violet Oaklander, Rollo May e Tereza Erthal, a compreensão dos fenômenos analisados no enredo do filme. A história apresenta David Gordon, um escritor de ficção científica que na infância acreditava que extraterrestres viriam buscá-lo. Viúvo há pouco tempo decide adotar Dennis, um menino órfão que também acredita ser um marciano em missão de exploração na Terra. Analisar esta relação consistiu em reconhecer diferentes maneiras de vivenciar a relação entre pai e filho, a qual não se apresenta em uma única forma, mas sim de várias maneiras, as quais de diferentes modos podem envolver afeto e companheirismo. Para tanto, o trabalho se utilizou dos pressupostos filosóficos e teóricos existencialistas.

91 Thiago Sitoni Gonçalves, Caio Cezar Pontim Scholz e Thaís da Silva Souza (Universidade Paranaense, Brasil) 68 UMA INVESTIGAÇÃO DO SER-PARA-A MORTE EM A HORA DA ESTRELA O tema da morte, questão entremeada no ser, possui leituras plurais, encontrando-se demarcada por aspectos históricos do seu desvelamento. De rituais à cerimônias, traça-se distâncias e proximidades diante da finitude. Nas artes, a morte torna-se inspiração, sobretudo, na literatura como uma via de expressão e criação da textura ficcional. Dado a estas considerações, o presente trabalho versa em investigar, baseado em um estado da arte, o conceito de ser-para-a-morte em Heidegger e o seu surgimento na obra A Hora da Estrela, de Lispector. Historicamente, Ariès situa a morte enquanto interdita nos dias atuais, vetada ao diálogo por um falso contágio social e ainda, transparece ser realidade exclusiva dos hospitais. O fenômeno torna-se constituinte ao ser, em Heidegger ao tomar seu surgimento na existência. Essa noção ontológico existencial, torna a morte, o poder-ser irremissível da presença, acontecendo a qualquer tempo, desvelando um modo de ser para o seu devido encerramento ou fim. A morte não é exclusiva a um lugar, todavia, está no próprio ser-nomundo. Frente a isso, Heidegger, expõe a fuga de si e a cotidianidade sendo atitudes que visam distanciar-se dessa condição. Isto posto, o ser-para-morte em Lispector, surge em três momentos: com a personagem Macabéa, a ida a cartomante e no desfecho da trama. Seu nome vem de uma promessa à Nossa Senhora da Boa Morte, o que desvela seu lançamento no mundo mediante a um contexto de pobreza e posteriormente, de impessoalidade. Em seguida, a ida a cartomante, demonstra uma atitude frente a própria existência mediante um outro, sendo este, aquele/a previsor do futuro, objetivando-o em acontecimentos atribuindo vida a sua impessoalidade. Consoante à previsão da cartomante, a protagonista é atropelada ao sair do local. Portanto, no desfecho, a morte torna-se o fim da sua existência e da obra de Lispector, viabilizando um contato reflexivo sobre a finitude do narrador.

92 Flávia Neves Ferreira (Universidade Estadual Paulista, Brasil) 69 A ATENÇÃO E A INTENCIONALIDADE NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA Este trabalho tem como temática a atenção e intencionalidade sob o viés da fenomenologia, pretendese fomentar uma exegese filosófica que desponte para problematizar o campo da psicologia fenomenológica. Apropriando-se da premissa de Ricouer de que a atenção é um ato intencional, pretendemos circunscrever a correlação entre atenção e intencionalidade, primeiramente, no campo ontológico fazendo diálogo entre Husserl e Heidegger; para então, nos desdobrarmos para o âmbito cognitivo, a partir das análises de Merleau-Ponty que dialoga com a psicologia experimental para esclarecer os processos cognitivos. Isso, em certa medida, nos traz a possibilidade de aproximar a ontologia de Heidegger com a fenomenologia da percepção de Merleau-Ponty. De uma perspectiva fenomenológica e hermenêutica é que deriva a consequência da aproximação destes dois autores, ainda que eles percorram por caminhos distintos, ambos buscam superar a base epistêmica do conhecimento pautada na dicotomia entre sujeito e objeto. Acredita-se que a atenção e a intencionalidade são um dos alicerces para as intervenções no campo da psicologia, na medida em que expressam a realização do ser-no-mundo; e nada mais são do que o direcionar-se para algo, uma vez que o ser é ekstase, ou seja, ele é constituído por uma dinâmica ek-stática, por movimento um expositivo, por uma saída de si, por uma abertura no mundo, então, ele depende de sua polarização intencional para o mundo, aí reside a possibilidade de definir o ser como ser-intencional. Diante de um posicionamento epistemológico e crítico, considera-se que conduzir uma pesquisa a partir da interseção entre filosofia e psicologia pode viabilizar não somente um levantamento teórico em seu sentido epistemológico, mas, sobretudo, propiciar a sua compreensão com fins metodológicos para seu uso no campo da práxis, podendo contribuir para uma prática edificadora, assim, reafirmar o compromisso ético, político e social da psicologia.

93 Thaís da Silva Souza e Thiago Sitoni Gonçalves (Universidade Paranaense, Brasil) 70 A COMPREENSÃO DO SUICÍDIO À LUZ DA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL DE JEAN-PAUL SARTRE Falar de morte, na maioria das vezes, suscita silêncios. Fukumitsu & Kovács (2015), sobre o suicídio, expressam que isso ocorre à medida que simultaneamente, provoca o questionamento acerca dos multifatores desse acontecimento. Objetivo: compreender o fenômeno do suicídio a luz de algumas considerações da fenomenologia existencial de Sartre. Problema da pesquisa: De acordo com Angerami-Camon (2007), a existência do homem se relaciona à sua situação de ser-no-mundo, a qual gera angústia e desalento por se tratar de um mundo recheado de regras e exigências, que ceifam as possibilidades de vivências íntegras do sujeito. Todavia, Sartre (1997), frisa a responsabilidade do ser que se faz em existência, projetando e engajando-se com a humanidade. O sujeito é o único responsável e capaz de criar o ambiente em que viverá, e estabelecer um sentido para a existência, de modo que assim, seja feito um compromisso com sua vida, e se estabeleça projetos existenciais. Sartre (1997), ainda pontua que a mesma responsabilidade que o sujeito tem sobre sua vida, tem sobre sua morte. Angerami (1986) nos coloca que o suicídio se relaciona à busca pela resolução de conflitos e sofrimentos que acompanham a existência, casando essa ideia, com a de Sartre (1997) de que a morte é exclusiva ao sujeito, não podendo nenhuma outra pessoa morrer por ele, pode-se pensar o suicídio como algo do sujeito para si próprio. Ainda com Sartre (1997), entendemos que a morte não deveria ser uma alternativa, pelo fato de que o suicídio colocaria fim a todos os demais projetos existentes. Pode-se compreender também que ao visualizar a morte como possibilidade, vê-se sem possibilidades existenciais. Resultados finais: apesar de o suicídio ser uma fatalidade, é um projeto do sujeito, mesmo este não devendo ser uma possibilidade. Compreende-se com Fukumitsu e Kovács (2015), não ser possível pontuar a motivação ao ato de por fim à existência, por ser um ato singular, múltiplo e passível de leituras plurais.

94 Jean Santin, Maria Inês Amaro Assunção de Melo, Waldir Souza e Franciane Martins (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 71 A EMPATIA EM EDITH STEIN E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A PSICOLOGIA Este estudo prioriza a contribuição de Edith Stein para a psicologia, sobretudo a obra: L Empatia di Edith Stein A primordialidade dessa pesquisa é apontar: Qual a contribuição fenomenológica e sua importância intersubjetiva para a psicologia na atualidade? Contudo, a empatia pode ser uma possibilidade de aproximação do ser humano em sua esfera espiritual. O objetivo é analisar e discutir o valor fundante da empatia, segundo Edith Stein e o elemento constitutivo da existência humana. O método adotado é o qualitativo bibliográfico, através da biblioteca virtual (BVC) e Capes com os seguintes descritores psicologia and psychologys e fenomenologia e psicologia. Os resultados parciais desta pesquisa acenam neste momento, apenas para a terceira parte de sua tese a qual examina a constituição do indivíduo psicofísico próprio e alheio e o papel que a empatia desenvolve no ser humano. Stein, desvela uma contribuição a psicologia, pois apresenta o indivíduo como um ser unitário (único), feito de um corpo físico e de um Eu consciente. Está unidade não é a simples soma de dois elementos, nessa união assumem caráter diferentes: o corpo físico (Körper) se torna corpo vivente (Leib) e a consciência se apresenta como alma, princípio psíquico do corpo. A unidade indivíduo psicofísico pertence ao âmbito natural, enquanto pessoas pertencem ao espiritual. Portanto a empatia é de um lado a experiência originária de um conteúdo não originário, porém de outro lado colhe a globalidade da individualidade alheia e todos os seus aspectos. Na constituição do indivíduo psicofísico a empatia se revela como condição de possibilidade, seja do próprio indivíduo, ou do mundo existente interno. Mediante a experiência intersubjetiva das diversas imagens do mesmo mundo, posso então chegar a demonstrar que a existência independe do mundo. Sem a empatia não somente eu estaria preso ao interno da minha imagem de mundo, mas estaria incapaz de colher a consistência mesma do mundo.

95 Yuri Amaral de Paula e Ileno Izídio da Costa (Universidade de Brasília, Brasil) 72 A FENOMENOLOGIA DO ÓDIO DE AUREL KOLNAI Inspirado no aporte filosófico-metodológico legado por Edmund Husserl ( ) e pelos autores do chamado primeiro período do movimento fenomenológico, Aurel Kolnai ( ), filósofo húngaro, durante a década de 1930, após a dissolução desse grupo pioneiro, efetivou uma série de estudos sobre os chamados sentimentos hostis, em especial sobre o asco, a soberba e o ódio. Embora significativamente desconhecidos, estes estudos permanecem coerentes com a meta e rigor dos primeiros autores da fenomenologia, tendo sido o seu mais importante e conhecido ensaio sobre o asco publicado em 1929 no anuário de Husserl, Jahrbuch für Philosophie und phänomenologische Forschung. Tal como esses autores, Kolnai dedicou uma variedade de escritos que demonstram um cuidadoso e sistemático trabalho de esclarecimento sobre a essência das vivências afetivas com uma simultânea preocupação em descrever a sua estrutura básica bem como a sua implicação na dimensão ética da experiência humana, dando continuidade e aprofundamento ao projeto brentaniano da ética fundada na esfera afetiva em sua correlação constitutiva com os valores, perseguida pelos primeiros fenomenólogos. Com vista à divulgação e promoção do debate a respeito de sua obra, objetivou-se traçar um panorama teórico-reconstitutivo dos principais escritos de Kolnai sobre o ódio. Destaca-se o caráter multidimensional dessas análises, expondo uma variada diferenciação comparativa do ódio entre outras vivências afetivas aparentadas (como a ira, a antipatia, a aversão, o asco etc.), mas delimitadas à luz do método fenomenológico. Questiona a predominante concepção sobre a simetria antagônica entre o ódio e o amor e a sua possibilidade de coexistência objetiva, base do fenômeno da ambivalência. Aborda também vicissitudes da intenção imanente do ódio à hostilidade e destruição do odiado e dos aspectos ético-morais e políticos de sua superação. Concluímos pontuando alcances e limites metodológico-analíticos da investigação de Kolnai.

96 Luís Fernando Moro Milléo e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 73 A IDEIA DO NEXO PSICOLÓGICO ESTRUTURAL DA VIDA PSÍQUICA NA FILOSOFIA DE WILHELM DILTHEY A obra de Wilhelm Dilthey ficou por anos sem o devido reconhecimento por parte da academia brasileira e seu status infelizmente ainda permanece o mesmo em grande parte dela. Salvo o esforço de alguns programas de mestrado em filosofia e direito, a realidade aponta para o total desconhecimento do referido autor e sua obra. Na formação em psicologia, por exemplo, mesmo quando os cursos adentram nos períodos em que a psicologia humanista começa a ser apresentada aos alunos é muito comum não haver qualquer citação em relação à existência do autor e sua importância para a construção do pensamento psicológico. O presente trabalho tem como principal objetivo fundamentar a possibilidade e condição da psicologia descritiva e analítica de Wilhelm Dilthey, partindo da apresentação do nexo psicológico estrutural da vida psíquica. Para tanto, focaremos nossos principais esforços em sua obra seminal de 1894 Ideias sobre uma psicologia descritiva e analítica. A escolha da obra em questão não se trata de mera aleatoriedade, mas se deve ao fato de a mesma delinear de forma abrangente o pensamento do autor em relação ao objetivo proposto no estudo, além de indicar um caminho metodológico que nos ajudará na consecução da tarefa. Por mais delimitado que seja nosso foco de estudo, procuraremos não cair na armadilha das simplificações, portanto resta claro que não nos absteremos de nos esforçar para adentrar e apresentar os conceitos aparentados ao nosso objetivo, por razão de embasamento de um ponto de vista, quando se apresentem as eventuais aberturas que o tema enseja. Se formos bem sucedidos em nossa intenção teremos colaborado para a possibilidade da apresentação do pensamento deste autor para o universo da Psicologia e quem sabe assim estaremos contribuindo para o fortalecimento epistemológico dessa ciência.

97 Renato Garibaldi Mauri e Ednéia Maria de Oliveira Mauri (Centro Universitário Adventista Engenheiro Coelho, Brasil) 74 A INVISIBILIDADE DA VIDA NA FENOMENOLOGIA DE MICHEL HENRY Há uma percepção nítida nas estatísticas do mundo contemporâneo sobre a banalização da vida. Noticiários que reportam de modo incisivo pessoas que tiram suas vidas e a vida alheia de forma drástica. A reflexão sobre a vida se faz pertinente, principalmente diante de acontecimentos presentes na demonstração constante do afastamento de si. Para Henry viver significa ser, designa o ser, a impossibilidade de escapar de si, diante da insuperável experienciação de si, no sofrer se de si mesma. A vida é invisível, pois sua essência reside na autoafecção. O grande mal-estar no mundo pode ser amenizado pelas novas formas da compreensão do viver. Henry, na Bárbarie, cita que o comportamento humano é fruto da relações subjetivas, daquilo que se manifesta pelo pathos originário, pois a essência da vida está na autoafecção, em seu conceito primordial, na experienciação da vida em si, no encontro da ipseidade.este artigo apresenta como objetivo realizar uma reflexão sobre o conceito da vida em Henry, sobre sua complexidade, e sua pertinência para a compreensão da contemporaneidade diante do sofrer. O artigo em questão será subdividido da seguinte forma:1 - Conceito de vida na fenomenologia de Michel Henry, 2 - A abordagem da visibilidade/ invisibilidade na vida (pathos e autoafecção), 3 - A importância da imanência e da transcendência na construção fenomenológica, 4 Uma possível compreensão do sofrer a partir da fenomenologia da vida. Este trabalho é uma análise de revisão bibliográfica, onde foram utilizados textos do próprio Henry e de pesquisadores que contribuíram direta ou indiretamente para a compreensão do tema em questão. A análise do assunto desenvolvido pode possibilitar um meio, não só para a compreensão do limite da vida, mas o encontro, ou reencontro de si na vida, como protagonistas e sujeitos da própria história.

98 Luis Vicente Caixeta e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 75 A RESPONSABILIDADE DO PSICÓLOGO À LUZ DA ÉTICA FENOMENOLÓGICA DE EMMANUEL LÉVINAS A proposta desse estudo, sendo desenvolvido como projeto de pesquisa, objetiva refletir sobre o sentido antropológico-ético na ação do psicólogo a partir da ética como responsabilidade pelo outro em Emmanuel Lévinas ( ), discípulo de Edmund Husserl ( ). Essa pesquisa se revela inédita pela carência de estudos interdisciplinares entre as contribuições da fenomenologia husserliana e levinasiana à Psicologia. Além disso, o estudo é relevante para conscientizar o psicólogo sobre o sentido ético como respeito responsável no seio da alteridade pela formação e atuação profissional. Trata-se de uma pesquisa qualitativa teórica, cujo percurso metodológico será a pesquisa bibliográfica. O itinerário envolverá a ética filosófica da alteridade de Lévinas como prolongamento da Fenomenologia, considerando o diálogo por meio das principais obras e posterior discussão analítico-reflexiva do Código de Ética Profissional do psicólogo vigente. A Fenomenologia como ciência rigorosa busca o resgate da subjetividade por meio dos fenômenos que se mostram à consciência intencional correlacionada ao mundo objetivo, e cujo método de análises descritivas possibilita encontrar a essência de modo a responder ao problema do dualismo cartesiano e da ciência positivista, a qual naturaliza a subjetividade em detrimento do objetivismo. Lévinas como fenomenólogo diverge de Husserl sobre o problema da intersubjetividade ao considerar que o Outro não é tematizável pelo Mesmo, mas se revela como um diferente, apelando por responsabilidade ética, fora da relação do poder-saber egóica. Assim, o resgaste do sujeito antropológico e da constituição de uma alteridade ética contribui para pensar o sentido ético profissional, humanitário, não reduzido às normas legais, mas sim com visão de sentido humano primeiro, como responsabilidade pelo outro, sendo esse fundamento que perseguiremos como um dos resultados da pesquisa.

99 Thiago Trafimovas e José Estevam Salgueiro (Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil) 76 AS RELAÇÕES ENTRE TRABALHO E TEMPORALIDADE NA OBRA "NA COLÔNIA PENAL" DE FRANZ KAFKA As implicações do trabalho em relação ao projeto existencial. Problema de Pesquisa: A atividade do trabalho pode ser entendida como forma de lidar com o vazio existencial, de forma que a constante busca para lidar com esta falta e o trabalho se possibilitam como um projeto existencial, dotado de suas próprias particularidades, como visto em Arendt (2005) em suas categorias da vita activa. Hipóteses: Viu-se profunda correlação entre temporalidade e vita activa, utilizando então o conto de Franz Kafka Na Colônia Penal (2011), buscou-se retirar desta obra literária uma forma de emular os sentidos e significados da atividade do trabalho dentro das situações apresentadas ali, de forma que serviram de subsídios para a discussão desta relação trabalhoxtemporalidade. Objetivo geral: Utilizar da análise das unidades cênicas retiradas do texto indicadores da relação proposta anteriormente e discutilas em suas particularidades. Método: A partir da ideia discutida por Vigotsky em seu texto A Psicologia da Arte (2001), o conto foi assumido como autônomo ou seja, independente da psicologia do autor e do leitor para que seja expressão de um evento social, utilizando unidades cênicas retiradas do corpo do texto e as analisando individualmente. Resultados Finais: Cada categoria da vita activa de Arendt (2005) trabalho (labor), obra (work) e ação (action) possui aspectos que dizem respeito ao passado, presente e ao futuro, de forma que: trabalho (labor) possui a principal atuação no presente, pois diz respeito a um afastamento do passado e não-relação com o futuro por conta da alienação e do esgotamento corporal laborioso; a obra (work) está ligada com o passado, pois, por possuir o sentido de permanência no mundo, se relaciona com a opacidade da memória de um ser que já não está mais vivo, mas deixa sua marca por sua produção; a ação (action) com presente, por ter sua característica de linguagem e comunicação e agir em relação às outras temporalidades.

100 André Luiz Guerra da Silva e Pedrinho Arcides Guareschi (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil) 77 DISSIDENZ: CONTRIBUIÇÕES DAS NOÇÕES DE ABSURDO E REVOLTA PARA (RE)PENSAR A PRÁXIS ÉTICO-POLÍTICA DA PSICOLOGIA EM TEMPOS SOMBRIOS Trata-se do resultado de uma pesquisa de mestrado em Psicologia Social, apresentada como ensaio teórico, que buscou nas contribuições do literato e filósofo argelino Albert Camus problematizar a dimensão ético-política desde a perspectiva da Filosofia do Absurdo. O interesse nessa filosofia e nas contribuições desse filósofo em particular derivou do fato de que a atual profusão de informações, bem como a velocidade com que elas transitam em uma sociedade marcada pela racionalidade técnica, terem contribuído para emergência daquilo que se poderia chamar de uma Era Pós-verdade, contexto no qual a performatividade narrativa e retórica sobrepuseram-se às pretensões de veracidade, o que parece ter colocado em xeque a moderna racionalidade política fundamentada em princípios de certeza e objetividade. Diante de tal conjuntura, constatamos que a dimensão puramente intelectual do problema ético-político tem resultado cada vez mais estéril e impotente para dar conta do desafio do viver em comum. Dentre as possibilidades de enfrentamento desse contexto, emergem as contribuições de Camus, as quais sugerem não persistirmos nos esforços de salvaguardar fundamentos transcendentes perdidos, mas, ao invés disso, investir na radicalidade das noções de Absurdo e Revolta, as quais nos permitem elaborar uma discussão em torno dos pressupostos indissociáveis que articulam ética e política desde uma perspectiva existencial, isto é, efetuando uma politização da ética e uma eticização da política, resgatando, assim, o caráter imanente tanto da invenção e legitimação de valores (ética) como da luta pela imposição e hierarquização desses valores (política). Como resultado da pesquisa desenvolvida, vale destacar a elaboração da noção de Dissidenz, cujo efeito teórico foi a articulação dos sentidos de dissidência e existenz para a fundamentação crítica de uma práxis ético-política possível - ou necessária - em tempos sombrios.

101 Érika Hasse Becker e Neiverth Daniely Dias Pacheco (Instituição de Ensino Superior Sant Ana, Brasil) 78 DORIAN GRAY: O RETRATO DE UMA EXISTÊNCIA O objeto deste estudo foi a análise da obra literária O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde a partir de determinados conceitos da Psicologia Existencialista Sartreana. Para se chegar ao objetivo principal foram percorridos alguns objetivos específicos que compreenderam a apresentação da obra bem como seu autor, a descrição do contexto histórico contemporâneo à produção da obra, o estudo dos princípios básicos da psicologia existencialista e por fim a relação destes princípios com trechos da obra. Para tanto utilizou-se o método qualitativo com análise hermenêutica de interpretação criativa. O interesse pela análise desta obra surgiu após a realização de sua leitura, ao perceber que muitos temas existencialistas estavam presentes na história. O romance que foi publicado pela primeira vez em 1890 pode ser considerado um clássico uma vez que permanece atual através do tempo e expõe um protagonista que ainda no século XIX se depara com certos dados da existência que qualquer um de nós na atualidade poderia viver. Os resultados demonstram que o personagem Dorian Gray passou maior parte da narrativa vivendo em má-fé tendo alguns despertares de autenticidade e buscando retornar ao seu projeto inicial sem se responsabilizar por atitudes vividas no passado. Também foi possível perceber a forma como os conceitos de corpo como ser-para-si e ser-para-o-outro aparecem na obra. Após realizar esta análise muitos questionamentos e inquietações podem ser levantados. A pesquisa em questão não teve por objetivo esgotar as possibilidades de análise mas, sim, apontar pontos relevantes sobre a existência humana.

102 João Luis Corá Silva (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 79 FENOMENOLOGIA E PSICOLOGIA ANALÍTICA: PSICOLOGIA ALQUÍMICA COMO UM MODO DE VER FENOMENOLÓGICO A fenomenologia é um método que busca voltar às coisas elas mesmas, em outras palavras, volta-se a experiência a partir de si mesma, evitando preconceitos pré-reflexivos e naturalizados. O enfoque fenomenológico visa a essência ou a experiência originária, o dado puro, tendo, por isso, em vista o ser ele mesmo, contrariando a visão científica que parte da cisão sujeito/objeto, assim como uma noção causal de interpretação dos fenômenos. Jung, por sua vez, a fim de dar ouvidos a complexidade da alma, e entendê-la através de sua própria linguagem (as imagens), procura aproximar-se fenomenologicamente da própria experiência humana, visando apreender as imagens da psique que a constituem, em outras palavras, buscando as essências dos fenômenos psíquicos. As concepções teóricas e conceituais de Jung têm como pressuposto a função psíquica da imaginação que é esta função espontânea da psique que, por sua vez, ocorre a partir da junção sujeito e realidade. É no bojo da psicologia analítica que nasce a importância do processo da imaginação poética como um elo de ligação entre sujeito e objeto, abrindo o caminho para profundidade da alma. A visão metafórica e imaginal é sensível a experiência imediata e visa compreender a realidade em seu próprio vira-ser. Tendo isso em vista, procurar-se-á, nesse trabalho, estabelecer uma relação entre o método fenomenológico da Fenomenologia de Husserl e Heidegger e o método da Psicologia Analítica de Jung, portanto tem-se como principal hipótese que a Psicologia Analítica possui em seu núcleo um modo fenomenológico de abordar o psiquismo humano, tem como objetivo último as imagens da alma. Desta forma, esta pesquisa tem como foco principal a metáfora alquímica que perpassa a obra de Jung, compreendendo que estas metáforas são um meio possível para compreender de que forma se dá a aproximação fenomenológica da Psicologia Analítica com os fenômenos da alma.

103 Guilherme Bessa Ferreira Pereira e Elessandra Nunes de Ávila Reis (Faculdade de Patos de Minas, Brasil) 80 FENOMENOLOGIA, EXISTENCIALISMO E HERMENÊUTICA: AS POSSIBILIDADES DE DIÁLOGO A PARTIR DA OBRA DE GILBERTO SAFRA A busca por respaldo e orientação na intervenção clínica faz com que profissionais da área utilizem diferentes inspirações teóricas objetivando diálogos que esclareçam e produzam inteligibilidades a respeito do que ocorre neste cenário. Os diferentes respaldos possíveis estão implicados na diversidade epistêmica que caracteriza o campo da psicologia e testemunham a respeito do alcance que tem as temáticas relacionadas a esta disciplina, ao mesmo tempo em que explicitam os contornos que os limites epistêmicos impõem. A obra de Gilberto Safra, entretanto, busca superar esses limites ao propor diálogos que inovam a compreensão que se tem de tais epistemologias, resultando em uma proposta de prática clínica a partir da experienciação e da reflexão crítica, erudita e contínua. Psicanalista e Doutor em Psicologia Clínica, Safra constrói uma obra que aproxima diversos temas a partir de uma leitura que expande o universo clínico com conexões com, a Literatura, a Espiritualidade e a Filosofia Existencialista. Neste trabalho, a proposta é fazer uma análise da obra de Safra encontrando nele elementos de aproximação entre as metodologias da Hermenêutica, do Existencialismo e da Fenomenologia. Reconhece-se que se tratam de dois procedimentos filosófico-metodológicos diferentes no sentido de que um procura a compreensão dos fenômenos enquanto que o outro, a interpretação semiótica. Porém, na obra de Safra percebemos a proximidade dos dois procedimentos ao constatar que o autor busca uma compreensão Ontológica do sujeito em terapia e, para isto, lança mão de conceitos como o idioma pessoal que se trata de um exercício de Hermenêutica. Assim, realiza uma orientação clínica inspirada nas duas filosofias que expande o estudo da postura clínica terapêutica com respaldos para o uso da empatia e da aceitação positiva incondicional, além de contribuir com o estudo da Fenomenologia, do Existencialismo e da Hermenêutica.

104 Pablo Guíñez (Universidad Diego Portales, Chile) 81 ELESSANDRA NUNES DE ÁVILA REIS LA FENOMENOLOGÍA DE LA HISTORIA DE HUSSERL Y EL FUNDAMENTO DE UN HUMANISMO UTÓPICO En mi presentación expongo los fundamentos de la fenomenología de la historia de Husserl, que son sustento de su filosofía política y su ética. En primer lugar, expongo cómo la fenomenología genética puede actuar como una filosofía de la historia. En segundo lugar, destaco cómo Husserl descubre a partir de lo anterior una teleología que hace tender a la subjetividad siempre hacia la perfección. Finalmente, esbozo las etapas que Husserl distingue por las cuales la subjetividad (individual y comunitaria) debe conducirse en vistas de alcanzar una utopía de que pone en su centro la vida de la persona y el ser humano. En la primera parte de mi conferencia esbozo los elementos metodológicos de la fenomenología de la historia de Husserl. Sugiero que a partir de la noción husserliana de instauración originaria (Urstiftung) y de pregunta retrospectiva (Rückfrage), Husserl puede distinguir entre una historia empírica y una historia racional, permitiendo hablar de una auténtica fenomenología de la historia. En la segunda parte, expongo cómo Husserl da cuenta de que desde formas básicas de conciencia como los instintos y las actividades de la vida cotidiana hay en la vida humana una normatividad que tiene una orientación hacia una mayor perfección teórica, práctica y afectiva. Muestro cómo Husserl concluye la presencia de una teleología universal que hace a cada conciencia apuntar hacia lo mejor. En la tercera parte, expongo las etapas que la conciencia atraviesa hasta llegar al estado de una utopía humanista donde se expresa auténticamente la racionalidad humana. Expongo cómo desde formas básicas de conciencia el ser humano toma conciencia de la racionalidad de sus acciones; luego, cómo éstas se tornan en un ideal para él con el fin de tener una vida más valiosa; finalmente, cómo ese ideal me obliga a tener que despertar la racionalidad de otros en vistas de alcanzar el mejor mundo posible.

105 Fabrício Rodrigues Pizelli (Universidade Estadual Paulista, Brasil) 82 O JE E MOI NA OBRA A TRANSCENDÊNCIA DO EGO, DE JEAN PAUL SARTRE Almeja-se, no presente trabalho, analisar um problema: em que medida a proposta fenomenológica do Eu (Je) e do Eu (Moi) colabora para a superação do solipsismo em Sartre? Para isso, consulta-se o texto A Transcendência do Ego, publicado em Uma vez compreendida a aspiração sartriana em superar as dificuldades teóricas do idealismo e realismo, objetiva-se investigar a maneira com que Sartre aborda a constituição do objeto psíquico transcendente, o qual pela intencionalidade, é correlato da consciência. Desse modo, Sartre ao assumir a consciência como um campo transcendental pré-subjetivo, o Je e Moi serão ausentes na consciência irrefletida, surgindo apenas por meio de um ato reflexivo. Contudo, haja vista que o solipsismo é um problema enfrentado pelas filosofias da consciência, Sartre, diferente de Kant e Husserl, rejeita a tese do Je como estrutura imanente da consciência, de modo a conferir ao Je e Moi faces da constituição do objeto psíquico (ego) transcendente; o Je como face ativa e unidade das ações; o Moi como face passiva como unidades dos estados e, eventualmente, qualidades. Com essa abordagem, Sartre apresenta uma alternativa ao idealismo e realismo absoluto, caracterizando uma possível solução ao problema do solipsismo, pois o ego passa a ser uma junção de atividade e passividade ao mesmo tempo. Porém, se o ego fosse uma estrutura imanente da consciência, dotada de pura atividade, Sartre recairia nas mesmas dificuldades de Kant e Husserl, os quais, na visão do autor, não superam efetivamente o problema do solipsismo; ao passo que, se o ego fosse pura passividade, a consciência seria um objeto inerte, posição a qual Sartre rejeita. Portanto, através da relação intencional da consciência e das estruturas conferidas ao Je e Moi, o ego pode ser descrito como uma síntese irracional da atividade e passividade, de modo a estabelecer uma possível superação ao problema do solipsismo na obra A Transcendência do Ego.

106 Nilson Lucas Dias Gabriel e Lucia Cecilia da Silva (Universidade Estadual de Maringá, Brasil) 83 O EXISTIR NEGRO: CONTRIBUIÇÕES DE FRANTZ FANON PARA AS ONTOLOGIAS EXISTENCIAIS O presente trabalho é um recorte da minha pesquisa de mestrado em psicologia, que tem como objetivo compreender a concepção de liberdade na obra Pele Negra, Máscaras Brancas, publicada originalmente no ano de 1952 na França pelo psiquiatra negro Frantz Omar Fanon ( ). Utilizo do método progressivo-regressivo numa perspectiva sartreana como recurso metodológico para a construção da pesquisa e por isso busquei pela compreensão conceitual bem como biográfica da liberdade para o autor martinicano. No tocante a esse trabalho, tenho como principal objetivo tencionar a existência negra como categoria crítica e de análise para os estudos existencialistas a partir da contribuição fanoniana. Tanto o autor como a sua obra em questão são marco para o existir negro e estão entre as principais referências para as discussões raciais no mundo; fruto de uma academia epistemicida, o mesmo não ocorre nas diversas áreas do pensamento que não consideram as relações raciais como fundantes de nossa sociedade atual. Fanon aponta para a irresponsabilidade daqueles e daquelas existencialistas que ao propor seus estudos ontológicos abandonaram sua fonte, o próprio existir humano, e nisso consiste afirmar que todo e qualquer ensaio ontológico proposto numa sociedade cindida pela colonização que não compreende raça está fadada a não dar onta da realidade. Num estreito diálogo com o existencialismo de Jean-Paul Sartre ( ), Fanon reconhece a zona do não-ser proposta pelo filósofo francês, no entanto, acentua que as armas civilizatórias foram responsáveis pela morte em algum lugar do existir negro e por isso, este não tem o direito humano de descer aos verdadeiros infernos da existência. Uma vez desumanizado o negro não corresponde mais a humanidade, já que essa é branca e europeia; o negro representa o seu oposto. E se é verdade que a existência precede a essência, o negro não mais um homem, é um homem negro e a ele foi conferida uma essência negra anterior ao seu existir.

107 Daniela Dantas Lima (Universidade São Francisco, Brasil) 84 O INFERNO SÃO OS OUTROS: UMA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA DO PERCURSO EXISTENCIAL DE TONY NA SÉRIE AFTER LIFE. Trata-se um seriado televisivo composto por seis episódios e que conta a saga de um homem, Tony, a partir da morte de sua esposa. A dor de seu luto é tão intensa que o faz perder total interesse pela vida e pelas outras pessoas. Se viver perde o sentido, a morte se torna um flerte e, com isso, ele perde qualquer preocupação com o julgamento externo, passando a ser totalmente congruente em relação a todas as suas experiências. Nessa atitude aparentemente autêntica, acaba trazendo à luz sutilezas dos comportamentos humanos que passam despercebidas ao senso comum. Ele aponta problemas sérios que as pessoas vivenciam mas preferem chamar atenção para banalidades que desviam das angústias da existência. Tony diz que somos cheios de desculpas em relação às nossas decisões, denunciando atitudes de má-fé sartreanas. Entretanto, também para ele, há a dificuldade em se responsabilizar pelo que vive, se tornando vítima da perda e atribuindo sua desgraça ao mundo e a quem o cerca. Essa é sua desculpa. Tony vive uma clara situação de incongruência, a provável razão para seu luto complicado. Contudo, à medida em que é afetado pela intersubjetividade de alguns encontros, sua possibilidade de abertura à experiência vai sendo reestabelecida. Nesse ponto da trama, já percebeu que atribuía o significado de sua vida a algo externo a si, do mesmo modo como os que criticava atribuíam a um deus ou à vida após a morte. Ele passa a perceber o valor da vida a partir da vivência da finitude e que sua importância está exatamente aí: em experimentar e desfrutar do que é possível. Conclui que saber que não vai viver para sempre é exatamente o que faz a vida interessante. Uma ilustração do eterno retorno nietzscheano, de como a entrega à fatalidade da existência traz possibilidades de superação e um interessante paralelo com a realidade discutida por Simone de Beauvoir com a história do imortal Fosca no livro Todos os homens são mortais.

108 Eduardo Ferreira Almeida e Daniela Dantas Lima (Universidade São Francisco, Brasil) 85 O SENTIDO DA VIDA E SUAS NUANCES NA VIDA ADULTA E VELHICE A compreensão sobre o sentido da vida tem estado presente desde o princípio da trajetória humana, impulsionando o homem na busca por respostas. Viktor Frankl, criador da logoterapia (terapia de sentido), influenciado pela fenomenologia e estudioso do tema, afirma que na contemporaneidade o homem não sofre tanto por frustração sexual como na época de Freud, mas sim de uma frustração existencial, fazendo com que viva afastado de suas principais características. Ainda apresenta alguns valores que podem significar ou ressignificar a existência do homem durante sua vida, definidos como: valores de criação, valores vivenciais e valores de atitude, que podem auxiliar o homem a encontrar o sentido de sua existência. Objetivo: o presente trabalho teve como objetivo compreender os diferentes sentidos que o homem contemporâneo atribui às suas vivências. Método: foi utilizado o método clínico-qualitativo, com foco na compreensão do sentido da experiência vivida por cada indivíduo, tratando-se de uma realidade que não pode ser quantificada nem mensurada. Esse estudo foi realizado numa amostra de cinco pessoas maiores de 18 anos e, da região de Campinas. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma entrevista semidirigida com questões abertas e, o fechamento se deu pelo processo de saturação. Os dados colhidos foram tratados por análise qualitativa de conteúdo, destacando-se a etapa denominada processo de categorização, após leitura e releituras das entrevistas transcritas na integra. Resultados e discussão: os dados apontam para a influência das tecnologias, com o trabalho ocupando a centralidade na vida do homem contemporâneo, a falta de reflexão sobre o que dá sentido à vida e a evitação do sofrimento como negação à morte. O estudo demonstrou que o homem moderno está mais próximo dos valores de criação, com alta necessidade de produzir, submergido pela cultura proposta pelo capitalismo e desconectado de valores vivenciais e de atitude.

109 Elaine Lopez Feijoo (Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro, Brasil) 86 O SUICÍDIO NO CONTEXTO ESCOLAR: APONTAMENTOS E REFLEXÕES A partir do filme Monsieur Lazhar O que traz boas novas (filme é resultado de uma peça de teatro, lançado em 2012, do cineasta canadense Philippe Falardeau (embora canadense, os temas escola, família e educação são universais), mostraremos as questões que afetam alunos (entre 12 e 14 anos), professores e direção quando um suicídio ocorre na escola. Tensões e conflitos, bem como segredo, sentimento de culpa e culpabilização comumente aparecem nessas situações. O filme mostra justamente situações em que esses sentimentos e conflitos aparecem em escolas em que o Núcleo de Atendimento Clínico (IFEN Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro) foi solicitado para atuar em situações em que o suicídio ocorreu na escola. Com o filme em questão queremos ilustrar o modo de experimentar o luto presente nos diferentes segmentos escolares: direção, professores, alunos, inspetores e os demais profissionais inseridos nesse contexto escolar. Na figura do Professor Lazhar com a sua sensibilidade, podemos pensar a tarefa do profissional de psicologia nas situações de posvenção. Esclarecimentos sobre se devemos ou não falar sobre a temática do suicídio que ocorreu naquele contexto; como o tema deve ser abordado; o que fazer frente a algum membro da instituição que entre em crise durante a atuação de posvenção serão esclarecidos por meio de nossa experiência nesse tipo de atuação. Falar sobre morte, luto e suicídio ainda são temas tabus na sociedade atualmente?

110 Hernani Pereira dos Santos e Danilo Saretta Verissimo (Pontifícia Universidade Católica do Paraná e Universidade Estadual Paulista, Brasil) 87 PARA UMA PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DOS PROCESSOS ATENCIONAIS: A TEORIA DA RELEVÂNCIA EM GURWITSCH E SCHÜTZ Nos estudos fenomenológicos, as questões relativas à atenção e ao problema da seletividade da mente e do interesse foram formuladas, nas obras de Aron Gurwitsch e de Alfred Schütz, como a teoria da relevância. Apesar da diferença de posicionamento dos dois autores quanto à dimensão da problemática da relevância, ambos correlacionaram-na com a análise dos processos atentivos que constituem um tema (ou ocupação) para a consciência. Meu objetivo é apresentar as diferenças e os pontos de complementaridade das teorias dos dois autores e fazer indicações sobre a sua importância para a psicologia fenomenológico-existencial contemporânea. A diferença principal entre os autores está na dimensão enfatizada em sua análise. Em Gurwitsch, o problema da relevância diz respeito à relação entre o tema e o contexto de codados dentro do qual se coloca e a partir do qual se destaca e que se diferencia entre aquilo que é relevante e aquilo que é irrelevante ou marginal. Em Schütz, tratase de analisar a gênese do tema a partir de um campo de sedimentações de sentido, que entrelaça a temporalidade imanente do eu psicológico, o contexto situacional em que se encontra o eu psicológico e os referenciais simbólicos e intersubjetivos da história e da cultura. Na medida em que iluminam dimensões complementares do mesmo conjunto de fenômenos e processos, as formulações destes autores podem ser lidas em conjunto e mutuamente esclarecidas. Entendemos que, por um lado, a dimensão analisada por Gurwitsch diz respeito à organização do campo de consciência, em um plano horizontal, e que, por outro, a análise de Schütz destaca uma dimensão vertical e estruturada quanto à gênese do significado do tema. Considerada de maneira sintética e sistêmica, a teoria da relevância pode ser uma importante contribuição à psicologia fenomenológico-existencial contemporânea e orientar uma análise psicossociológica dos modos de atenção constituintes das relações sociais de nosso tempo.

111 Eduardo Luis Cormanich (Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil) 88 PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA E A INTERSUBJETIVIDADE COMO FUNDAMENTO METODOLÓGICO NA PESQUISA PSICOLÓGICA O presente relato parcial de pesquisa de doutorado se insere no âmbito da pesquisa em psicologia teórica, com o objetivo de buscar uma maior clareza dos fundamentos básicos da ciência psicológica e uma fundamentação metodológica mais sólida para o exercício da psicologia científica, tais como preconizado e defendido na obra de Edmund Husserl. Como continuidade de nossa pesquisa de mestrado, na qual abordamos a temática da psicologia fenomenológica na Husserliana IX, a presente pesquisa visa esclarecer o conceito de intersubjetividade (Intersubjektivität), desenvolvido, principalmente nos volumes XIII, XIV e XV das obras completas do filósofo. Defendemos a possibilidade de um paradigma fenomenológico que possibilite a (re)fundação da ciência psicológica, tendo como pressuposto metodológico a existência de um campo em comum, no qual as subjetividades únicas monádicas, reúnem-se formando uma comunidade de mônodas ; ou seja, a possibilidade da existência da intersubjetividade como um campo onde as experiências psicológicas coletivas se originam, se realizam e se desenvolvem. Tal pressuposto, o defendemos, possibilitaria a compreensão do fenômeno psicológico de uma maneira transcendental e universalizante. Defendemos a necessidade do desenvolvimento e aprimoramento do método fenomenológico na investigação de fenômenos intersubjetivos, o qual poderia proporcionar a fundamentação metodológica de uma psicologia de bases fenomenológicas, conforme o ideário husserliano e, a qual, em última instância, possibilitaria a superação da crise epistemológica da psicologia, conferindo-lhe o status de cientificidade almejado desde a sua fundação. Além da obra husserliana, outros autores como Stein, Zahavi, Kockelmans, Giorgi, e Goto, são referenciais utilizados em nosso estudo.

112 Gilberto Hoffmann Marcon e Reinaldo Furlan (Universidade de São Paulo, Brasil) 89 SELF E AUTENTICIDADE EM MERLEAU-PONTY: APONTAMENTOS PARA UM DIÁLOGO POSSÍVEL COM HEIDEGGER E SARTRE A temática do self na psicologia desenvolveu-se historicamente permeada por oposições tensionais internas: constância x mudança, particularidade x universal, pessoa x mundo. Tais eixos se apresentam delimitando um campo de questões-limite acerca do ser si mesmo. Nos pensamentos fenomenológico-existenciais, a aproximação descritiva encontra tais dilemas epistemológicos redobrados em tensões éticas, ao se reportar à questão da autenticidade. Trata-se do desafio de oferecer predicados a uma existência que frequentemente se apresenta sob caráter de abertura, radical indefinição ou negatividade. Enquanto a filosofia de Heidegger e Sartre, sob aproximações diferentes, concedem relativa centralidade e tematizam diretamente a problemática da autenticidade, a compreensão de Merleau-Ponty, ainda que situada em proximidade e no diálogo direto com tais aportes, não concede ao tema a mesma importância de forma explícita. Procuramos apontar para o desenvolvimento das temáticas ligadas à autenticidade ao longo da obra do autor como forma de elucidar as consequências de seu projeto de reabilitação conceitual para uma retomada descritiva dessa problemática ampla. Nossa hipótese é de que o aporte merleau-pontyano, ao tematizar o caráter eminentemente ambíguo da experiência mundana do si mesmo enquanto corporeidade, aponta para uma compreensão original da experiência do ser autêntico: em contraponto à possibilidade radical de recuo, a inerência radical de contato. A contribuição potencial dessa recolocação parece se dar, para além do ganho descritivo em si, no possibilitar de compreensões renovadas acerca das tensões que perpassam o entendimento desses temas: habilitar a apreensão descritiva, sem cair em contradição, daquilo que há de concretude no indeterminado, de universal na singularização e de passividade na liberdade e vice-versa, para todos os casos no que tange às próprias compreensões contemporâneas de self.

113 Jeison Andres Suarez Astaiza (Universidade Federal do Ceará, Brasil) 90 SOBRE O INCONSCIENTE FENOMENOLÓGICO: PASSIVIDADE, AFEÇÃO E INTERMITÊNCIA Dentro da fenomenologia husserliana, a consciência não deve ser pensada em um hiato irreconciliável com o inconsciente, como se fosse duas esferas diametralmente diferentes, mas como um campo constituído de registros ou estratos, onde o inconsciente se refere aos níveis em que certos sentidos - do mundo e seus fenômenos - estão em total escuridão. Há, então, dois sentidos ou usos diferentes do inconsciente, dados a partir de três diferentes registros ou estratos. O primeiro deles se refere ao horizonte do mundo, àquela dimensão de latência e possibilidade que sempre envolve o patente e o concreto; o inconsciente, neste caso, está estritamente ligado à dimensão do mundo não afetante, mas dado como um horizonte co- intencional de representações vazias ou intenções que podem ser cumpridas. O segundo uso está relacionado ao não-afetante, isto é, àquilo que, no registro afetivo-inconsciente, não tem efeito sobre o eu, trata-se da ordem das afecções nulas. No transcurso temporal de uma experiência o que acontece é uma modificação retencional que não implica a incapacidade de trazer de volta à representação na esfera do presente aquilo que está sedimentado na escuridão (da memória ou da memória retida). Pelo contrário, o desvanecimento ou adelgaçamento (Abklingen), que inevitavelmente tem que sofrer uma experiência em cada momento do tempo, não implica a indiferenciação do conteúdo retido ou lembrado, mas apenas a perda de seu caráter afetante. Se pensamos em um fenômeno, toda consciência, em cada momento particular, é sedimentada e integrada a uma consciência geral de segunda ordem que armazena a totalidade de nosso passado já vivido e agora não-afetante que está sempre à distância e como a saga de um presente que nunca é estático, mas consiste em uma pura continuidade, é sempre um agora momentâneo. O texto a seguir faz uma revisão dos dois sentidos ou usos diferentes do inconsciente a partir do que chamamos intermitência do fenômeno.

114 Charlene Fernanda Thurow, Adria de Lima Sousa e Gabriela Rodrigues (Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil) 91 TRAGÉDIA COMO SAÍDA NA INVIABILIZAÇÃO DO PROJETO-DE-SER Heróstrato, historicamente conhecido por incendiar o templo de Artemis em Éfeso, objetivava ser reconhecido na posteridade. No conto intitulado Erostrato do livro O muro (1939), Jean- Paul Sartre descreve a identificação do personagem Paul Hilbert com o desejo de Heróstrato, mesmo que por um feito negativo. A grande queixa de Hilbert consiste na monopolização do sentido da vida. Para ele, as pessoas parecem amar umas às outras naturalmente e essa experimentação lhe parece impossível: não consegue amá-las e sente ódio delas. Várias vivências de inviabilização do seu desejo-de-ser emergem na busca de encaixar-se nos moldes de aceitação dos outros e seu projeto-de-ser parece não lhe pertencer, deixando sua existência sem sentido. Diante do projeto-de-ser inviabilizado, encontra uma saída para tornar-se ilustre e lembrado por uma grande ação, como Heróstrato: matar pessoas e suicidar-se. Vê no crime uma transformação em sua vida e, paulatinamente, vai se apropriando do futuro glorioso e passa a ser o crime ao planejá-lo. Escolher-se criminoso é escolher um modo de serno- mundo. O projeto-de-ser é sempre um projeto de vida e suicidar-se é a renúncia à responsabilidade de escolher para cessar a angústia; não um projeto de morte. Pela primeira vez Hilbert sente-se no controle da sua existência e seria lembrado por algo que ele fez segundo suas vontades. A estória de Sartre permite-nos tecer reflexões a partir dos pressupostos existencialistas e relacioná-los com acontecimentos contemporâneos, como os massacres de Suzano/SP e ChristhChurc/Nova Zelândia. Pode-se questionar se os massacres foram planejados pelos atiradores para se tornarem protagonistas célebres, dado que noticiou- se que tinham conhecimento de tragédias anteriores como referência para as execuções, assim como na literatura. A compreensão existencialista do sofrimento humano pode possibilitar a produção de estratégias preventivas, visando ampliar o campo de possíveis e viabilizar o projeto-de-ser.

115 92 3. Psicologia Clínica na Fenomenologia, Abordagens Existenciais e Humanistas

116 Ellen Caroline Lopes e Andressa Melina Becker da Silva (Universidade de Sorocaba, Brasil) 93 LUTO NO PLANTÃO PSICOLÓGICO - ATENDIMENTOS EM UMA CLÍNICA-ESCOLA O espaço terapêutico o qual a pessoa é recebida sem agendamento prévio para acolhimento de demandas emergentes é denominado Plantão Psicológico. Esse serviço tem como objetivo principal a redução do sofrimento de um indivíduo por meio da escuta ativa e do acolhimento psicológico. Casos de enfrentamento do luto são frequentemente recebidos nesta Clínica- Escola, seja ele referente a perda concreta, simbólica (términos de relacionamentos, fim de uma carreira, divórcio, separação dos pais, entre outros) ou antecipatório (vivência do luto antes da perda concreta e frente ao encerramento do processo terapêutico). Em decorrência disso o objetivo deste trabalho foi de relatar aspectos comuns no processo de luto, como por exemplo, assiduidade nas sessões e o contato dos usuários como seres mortais, a angústia e o vazio existencial. Os atendimentos em Plantão Psicológico ocorreram em uma Clínica-Escola em uma cidade do interior do estado de São Paulo, o qual foram conduzidos à luz do Método Fenomenológico, tendo como base fundante a Epoché. Nesta instituição o Plantão Psicológico tem como regimento um atendimento e até 3 retornos (considerando as particularidades de cada caso). Com relação ao perfil dos usuários percebeu-se uma heterogeneidade tanto com relação a idade quanto a sexo, visto que compreende desde uma criança de 8 anos até uma mulher de 57 anos e abrange os sexos feminino e masculino. Perante essas vivências foi possível perceber a importância de reflexões fenomenológicas, mas primordialmente, do acolhimento psicológico realizado no momento inicial, que contribuíram para que a grande maioria dos atendidos pudessem ter seu sofrimento diminuído. Outro ponto a ser destacado é sobre a necessidade urgente de se criar espaços reflexivos de debate sobre morte na sociedade contemporânea, o que pode ter como efeito indivíduos mais conscientes sobre experienciar o aqui-e-agora, ou seja, de construção de sentido existencial perante o viver.

117 Biancha da Silva Souza Carvalho e Myriam Moreira Protasio (Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro, Brasil) 94 ATENDER EM DOMICÍLIO É PSICOTERAPIA? : ANÁLISE FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DE UMA SITUAÇÃO CLÍNICA Estudos que versam a modalidade de atendimento domiciliar na perspectiva do psicólogo evidenciam o desconforto e o estranhamento destes profissionais ao atuarem em um solo pouco explorado. Especificidades da clínica tradicional e meio as peculiaridades do ambiente residencial tornam-se confusas e exigem adaptação e flexibilidade quanto aos seus pressupostos teóricos e técnicos. Esse trabalho que tem o objetivo de apresentar a análise fenomenológico-existencial de uma situação clínica que ocorreu em ambiente domiciliar é o desdobramento de uma monografia de especialização no IFEN. Por meio dos relatos de Carlos, 60 anos, diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica, abordamos a atmosfera residencial, o contato com os familiares e demais profissionais da empresa de Home Care, a participação na rotina da casa, o sigilo, a privacidade, a relação analista-analisando e de que modo se constituem as especificidades da clínica tradicional no contexto domiciliar. Seguindo os passos da análise existencial kierkegaardiana proposta por Feijoo e Protasio, discutimos a atitude tutelar, o acolhimento atento, a possibilidade, liberdade, o acompanhar a direção do próprio fenômeno, a afinação, o cuidado, a disposição da serenidade, a atitude da paciência, e o pensamento meditante na prática clínica. A autora conclui afirmando que, aos poucos, foi se sentindo confortável em atuar nessa modalidade clínica ao passo em que compreendia a clínica psicológica de bases fenomenológico-existencial como um lugar que não busca respostas, não se apressa em obter resultados, mas que medita, se demora nas coisas e atentase para não recair nas sedimentações do cotidiano mediano. Cessando seu questionamento atender em domicílio é psicoterapia? a autora percebeu que o que faz, de fato, é psicoterapia.

118 Katia Silene Contessotto da Silva e Tatiana Slonczewski (Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Brasil) 95 POR CÉUS E MARES EU ANDEI": A RELAÇÃO COM PAIS NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL O psicodiagnóstico infantil é uma prática psicológica que se revela como relação humana e profissional, limitada no tempo, amparada por referencial teórico específico, e cuja finalidade é a compreensão e avaliação da criança em seu processo de ser, viver e relacionar-se com o mundo. Na escuta empática do discurso dos pais, inicia-se o processo de conhecer a criança que se apresenta e uma relação interpessoal que pode culminar em um encontro genuíno e colaborativo, para além de uma simples coleta de informações. O presente trabalho tem por finalidade relatar a experiência dos doze encontros realizados com um casal de pais no processo do psicodiagnóstico do filho de onze anos de idade, entre os meses de setembro e novembro de 2018, em um Serviço-Escola de Psicologia, na perspectiva da Abordagem Centrada na Pessoa. As entrevistas semanais almejaram facilitar a livre expressão dos pais sobre a relação com o filho e a vida em família, além de aprofundar sentidos da busca pelo cuidado psicológico naquele momento. Migrantes da Bahia, traziam sistematicamente no discurso a nostalgia do cenário idílico de vida junto ao mar e à natureza, contrapondo-o aos temores e à aridez afetiva que a vida em um grande centro urbano lhes suscitava naquele momento. No contexto das entrevistas, os pais puderam ouvir e reconhecer um ao outro, acolhendo as discrepâncias no modo como lidavam com a realidade e como isso se revelava no sofrimento do filho. As atitudes de rigor e praticidade maternos diante dos desafios da vida foram postas em diálogo com as de superproteção expressas pelo pai naquele período, permitindo que eles acessassem mais sensivelmente o sofrimento vivido pela criança em contexto doméstico e escolar. Os encontros com os pais revelaram-se como oportunidades de contato psicológico autêntico, permitindo uma compreensão e avaliação ampliadas da realidade da criança e da família.

119 Maria Bernadete Medeiros Fernandes Lessa e Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro, Brasil) 96 A ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO NOS GRUPOS DE APOIO AOS FAMILIARES E AMIGOS ENLUTADOS POR SITUAÇÃO DE SUICÍDIO Pretendemos desenvolver um estudo que possa investigar como a experiência do suicídio de um parente ou pessoa próxima pode afetar a existência de seus familiares e amigos, e como a atuação do psicólogo clínico treinado para atuar frente a situações de suicídio contribui no enfrentamento dessa experiência impactante, nos grupos de apoio para enlutados por esse tipo de morte. E também refletir sobre como as questões hegemônicas que prescrevem o mundo sedimentado pela lógica da técnica, podem afetar a experiência dos enlutados por um suicídio. O impacto de um suicídio não só repercute na existência daquele que desistiu da vida, como também em toda sua rede de relacionamentos. Estudos mostram que a cada tentativa de suicídio, de cinco a dez pessoas ao redor são profundamente afetadas, acarretando consequências emocionais, sociais e econômicas. Encontrar as causas que levam ao suicídio tem se mostrado muito distante dessa experiência que, na maioria das vezes desperta perplexidade. Parece que a existência na sua concretude não é alcançada e por isso pouco se pode falar sobre o que se passa nesse acontecimento. E para os enlutados, aceitar e conviver com a explicação da ciência, do senso comum ou da religião tem se mostrado insuficiente e na maioria das vezes, ineficiente para abarcar a gama de sentimentos e afetos que envolvem esta situação. Torna-se imperativo que esse grupo de pessoas que são afetadas por um episódio de suicídio, também receba atenção especializada principalmente com a criação de grupos de apoio aos sobreviventes ao suicídio. A atuação profissional em grupos dirigida aos sobrevidentes de um suicídio, possibilita que um contingente significativo de pessoas possa usufruir dos benefícios que a atividade em grupo proporciona aos seus membros.

120 Alice Fonseca Faria e Marcia Maria Coutinho de Oliveira (Universidade do Vale do Sapucaí, Brasil) 97 A BUSCA DO SER-AUTÊNTICO DE PESSOAS SOROPOSITIVAS NUMA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL Problema de Pesquisa: Heidegger e Sartre (1970) pontuam que apenas o homem tem consciência de sua existência. Uma vez lançado no mundo, está condenado a ser livre, de acordo com Sartre (1970), pois é inteiramente responsável por suas escolhas. Existindo, portanto, em relação à sua condição de ser-no-mundo (Dasein), o homem se depara com empecilhos no decorrer da existência, segundo Forghieri (1993), se constituindo como condição de facticidade, onde acaba estabelecendo e criando certos limites. Porém, estas restrições não são suficientes para o sujeito se tornar um ser existencialmente doente. Objetivo: Em uma perspectiva Fenomenológico-Existencial este projeto, através da análise de diferentes discursos, visou à compreensão das vivências entre as pessoas soropositivas no que se refere ao impacto do diagnóstico de HIV/AIDS, bem como os significados a ele atribuídos e o processo de construção de um modo autêntico de existir, diante desta facticidade Metodologia: Participaram da pesquisa nove pessoas que convivem com HIV/AIDS; sendo seis do sexo masculino e três do sexo feminino. Esta pesquisa foi realizada no Centro de Testagem e Aconselhamento CTA, em Pouso Alegre, Minas Gerais. Foi utilizado um Roteiro Semiestruturado e as Entrevistas foram gravadas: sendo posteriormente transcritas, obedecendo com rigor metodológico, a Redução Fenomenológica, em que busca-se captar e compreender o sentido da vivência imediata da pessoa em determinadas situações: através de dois momentos básicos da escuta clínica: o envolvimento existencial e o distanciamento reflexivo. Resultados: foi possível destacar e compreender, através da análise das Unidades de Significados, das entrevistas realizadas, os sentidos atribuídos à experiência de conviver com o vírus (HIV) e a síndrome (AIDS); além de evidenciarem-se características das maneiras de existir preocupada, sintonizada e racional, na busca por um modo autêntico de existir no mundo, de cada um dos entrevistados.

121 Pedro Henrique Rocha Aleixo de Sousa Marcelo Pinheiro da Silva (Instituto de Gestalt-Terapia do Rio de Janeiro, Brasil) 98 A CLÍNICA GESTALTICA COMO PRÁTICA DE LIBERDADE O objetivo do presente artigo é traçar paralelos entre o pensamento nietzscheano e as estéticas da existência discutidos por Michel Foucault em suas últimas obras e cursos com a prática clínica gestáltica e sua visão de homem. O conceito nietzscheano de além-do-homem, em interpretação de Alexandre Marques Cabral, deve ser visto como uma apropriação ressignificadora do homem, e não como uma recusa ao próprio homem. Foucault, por sua vez, ressalta que as práticas de si cuidado de si e cuidado dos outros tem como objetivo, em análise estreita, a produção de liberdade. A prática clínica, fazendo-se referência à função do filósofo segundo Foucault, poderia ser vista como cuidar do cuidado dos outros, isto é, cuidar da forma como o paciente se relaciona com si e com os outros, o que sugere uma aproximação com os conceitos de além-do-homem e da estética da existência. Especificamente no que tange à Gestalt-terapia, psicoterapia existencial surgida com Fritz Perls no período do pós-guerra, o psicólogo é visto como um guardião da relação, posto ser ferramenta para a produção de awareness, fazendo com que o paciente descubra o mecanismo pelo qual se aliena, e, como participante ativo, descubra e modifique seu próprio comportamento, ou, em outras palavras, fazendo com que o cliente cuide de si. Assim, busca- se, também com o presente artigo verificar de que forma os referidos conceitos poderiam ser experienciados na psicoterapia especialmente na Gestalt-terapia, como forma de produção de liberdade e como possibilidade de atenção às técnicas de si, buscando estudar, inclusive, o papel do psicólogo em uma prática clínica que não se submeta a referências normativas e corretivas.

122 Myriam Moreira Protasio e Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro, Brasil) 99 A CLÍNICA PSICOLÓGICA INDIVIDUAL EM SITUAÇÕES DE SUICÍDIO O suicídio entre jovens tem aumentado nos últimos anos, figurando cada vez mais na mídia. Citamos como exemplo o número 149 da Revista Piauí, de fevereiro de 2019, onde é citado que, de acordo com a OMS, em 2016 o suicídio figurou como a segunda razão mais comum de óbitos entre adolescentes e jovens de 15 a 29 anos no mundo, e no Brasil se revelou a quarta causa de morte nessa mesma faixa etária. Entre os muitos motivos associados ao desejo ou mesmo ao ato de tirar a própria vida, o desespero é tema recorrente na literatura dedicada ao tema, que muitas vezes estabelece uma correlação causal entre o que comumente entendemos como desespero, um sentimento de que estamos sem saída, e a decisão por tirar a própria vida. Esta investigação quer mostrar de que modo expressões de desespero aparecem no discurso clínico de um jovem que apresenta pensamentos suicidas. Será realizada a análise existencial do discurso de modo a levantar a modalidade e as circunstâncias em que aparece a experiência de desespero e como se articula ao desejo de tirar a própria vida. As reflexões de Kierkegaard sobre o desespero são o referencial teórico que esclarecerá sobre a experiência deste jovem. O interesse por essa temática surgiu numa primeira pesquisa sobre suicídio, quando expressões de desespero apareceram de forma relevante no discurso de pessoas que se encontravam em dúvida entre viver ou morrer. Em um segundo momento da pesquisa analisou-se, à luz do pensamento de Kierkegaard, as expressões que caracterizavam o desesperar em atendimentos clínicos realizados no Núcleo de Atendimento Clínico a Pessoas em Risco de Suicídio do SPA da UERJ no segundo semestre de Chegou-se à conclusão que desespero não é um sentimento que possa ser extirpado, mas a própria condição do homem que não pode decidir a situação em que existe e com a qual sempre se articula, de um modo ou de outro.

123 Guilherme Mareca de Oliveira, Marcelo Rufino Ferreira e Juliana Nunes de Barros (Universidade do Estado de Minas Gerais, Brasil) 100 A MORTE E A EMERGÊNCIA DO SENTIDO DA VIDA: UM ESTUDO DE CASO O presente estudo pautou-se no seguinte questionamento: O que a morte, enquanto condição existencial, representa para o Ser-aí em sua trajetória?. O caso que se apresenta é fruto de um estágio específico, de prática clínica do curso de Psicologia, na cidade Divinópolis, MG. A paciente, 30 anos, em seu relato inicial disse sofrer de ansiedade e pânico. Esses sintomas, já vivenciados diante à morte da avó, retornaram em situações semelhantes, como: a morte do avô, acidente sofrido pelo pai, cirurgia de alto risco da mãe e a descoberta de uma doença no próprio útero. O objetivo do estudo é uma reflexão sobre a temática da morte e do sentido da vida à luz da Psicologia Fenomenológica-existencial. O método utilizado é o estudo de caso, a partir de recortes do processo terapêutico. Dentre os resultados obtidos, percebeu-se: reflexão sobre as situações que geravam angústia, culpa e ansiedade; a possibilidade de questionar seu projeto existencial inautêntico e a ausência de sentido da vida (pensamentos suicidas); abertura para apropriação do modo autêntica do Ser; e, no plano orgânico, a melhora no sono e a diminuição da irritabilidade. A angústia denota uma apertura no projeto existencial inautêntico, onde a consciência clama pela singularização do Ser-aí. A antecipação da morte significa tomar consciência do caráter de finitude do Dasein, compreendendo o absurdo da existência e a exigência em dar sentido para a vida através das possibilidades que se apresentam ao Ser-aí. A morte, nesse caso, apresentou-se para a paciente como a possibilidade de encerramento de seu projeto existencial, provocando angústia e medo. As reflexões no processo psicoterapêutico propiciaram a revisão e tomada de consciência do seu sofrimento, ao convidá-la a apropriar-se do modo autêntico do Ser-aí.

124 Érica Silvana de Freitas Oliveira (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) 101 A POTÊNCIA TRANSFORMADORA DO ENCONTRO NA RELAÇÃO PSICOTERAPÊUTICA SOB O ENFOQUE FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL: CASO CLÍNICO Desde da antiguidade até hoje, homens e mulheres escolheram a morte, ou seja, a morte voluntária faz parte da história da humanidade até quando é possível pensar. Ao longo da história o suicídio foi adquirindo diferentes concepções, passando pelas visões divergentes dos filósofos da antiguidade, a visão pecaminosa da Igreja e a condenação jurídica dos Estados na Idade Média, chegando a contemporaneidade com a categorização enquanto patologia. Entendendo que há predominância da visão do suicídio enquanto doença, muitas vezes o suicida é rotulado e classificado como alguém que tem um transtorno psiquiátrico que precisa ser tratado e curado. Ter pensamentos suicidas vai contra a visão hegemônica da contemporaneidade em que se deve escolher a vida acima de tudo. Nesse sentido, uma pessoa com pensamentos suicidas ou que tentou o ato vai contra o que esse valor supremo prega, e portanto, só poderia está fora de si. Uma pessoa normal, jamais poderia pensar em tirar a própria vida. Portanto, o suicídio entra na categoria de patologia, uma doença que deve ser evitada a qualquer custo. A psicologia é convidada para participar dos métodos de prevenção partindo desse princípio: que deve ser evitado sempre, que deve ser tratado como um sintoma/consequência de um transtorno. O questionamento desse projeto vai no seguinte caminho: será que o psicólogo que fundamenta a sua prática na fenomenologia hermenêutica pode pensar dessa forma? Qual seria outra direção para pensar o fenômeno do suicídio e atuar na área clínica a partir do pensamento fenomenológico hermenêutico de Martin Heidegger? Dessa forma, com base em uma revisão de literatura e relatos de experiências com atendimentos busca-se pensar um outro trajeto. Partindo desse caminho alternativo, esse estudo objetiva contribuir para o fortalecimento de uma prática clínica psicológica com bases existenciais, proporcionando bases para fundamentar o trabalho clínico do psicólogo com pessoas que pensam ou tentaram o suicídio.

125 Juliana Caroline Alves Santiago e Marisa Rosa de San Thiago (Fundação Universidade Regional de Blumenau, Brasil) 102 A PSICOTERAPIA INFANTIL COMO MEDIAÇÃO PARA SUPERAÇÃO DA SOLIDÃO E DEVER-SER: UM RELATO DE CASO Este trabalho tem por objetivo relatar um processo psicoterapêutico com base na teoria existencialista de Jean-Paul Sartre com uma criança de 8 anos diagnosticada com Transtorno Opositor Desafiante. A partir da teoria existencialista, compreende-se que a personalidade de uma criança é um projeto-deser em curso que se constitui através da materialidade existente a sua volta e das mediações dos outros sendo uma subjetividade- objetivada ativa em sua possibilidade de liberdade, inferindo significados e intencionalidade ao mundo. Neste processo de personalização, as emoções são experimentações psicofísicas vivenciadas no campo da espontaneidade, na qual o sujeito experimenta, momentaneamente, com intensidade, a inviabilização de seu desejo-de-ser no mundo. Desta forma, buscou-se aplicar na psicoterapia o método descritivo e biográfico de Sartre para compreender como era possível esta criança vivenciar emoções de raiva desencadeando comportamentos desafiantes e de oposição frente às regras e limites do cotidiano. A partir da descrição, contatou-se que a criança precisava desenvolver o desejo e projeto-de-ser com o outro em relação de alteridade e reciprocidade, e ultrapassar o imediatismo do prazer-de-ato para investir em escolhas que viabilizem o processo de satisfação-de-ser com o outro. Buscou-se, então, mediar a criança para analisar as situações e refletir criticamente sobre seus comportamentos, desejos, possibilidades e consequências, e assim, desenvolver habilidades de autonomia e protagonismo em relação a sua vida. Com a família e escola, buscou-se que eles se tornassem mediação para tal desenvolvimento, ultrapassando a serialidade em direção ao processo de grupo em fusão. No final do processo psicoterapêutico, a criança não apresentava mais comportamentos de desafio e oposição, constituiu grupos de amizade e relação de tecimento com sua família, desenvolveu intencionalidade com a materialidade e com os outros em prol de viabilizar seu projeto-de-ser no mundo.

126 Roberta B. Flores Bayma, Ana Paula C. Monteiro Leite, Adelma Pimentel e Cezar Luís Seibt (Universidade do Pará, Brasil) 103 A VIVÊNCIA EM TEATRO E DANÇA COMO POSSIBILIDADE PARA A APROPRIAÇÃO DE SI Na construção textual apresentam-se reflexões sobre a vivência em teatro e em dança enquanto experiências fenomenológicas para apropriação de si, sendo ambas provocadoras ao processo de ampliação da percepção corporal e da realidade. A escrita é delineada no encontro das compreensões críticas das autoras nos campos da Arte, especialmente em concepções cênicas compostas de narrativas e na dança do ventre, e da Psicologia Clínica, em clínica ampliada, dialogando com a Gestalt-Terapia. Nas obras clássicas desta abordagem a arte aparece como recurso válido ao processo de ampliação da consciência como manejo clínico. No presente busca-se apresentar itinerário investigativo da compreensão da vivência no teatro de narrativas e na dança do ventre como uma possibilidade de apropriação de si, pela noção de campo relacional como facilitador dos processos de assimilação e integração na consciência de si no mundo. Constitui-se como percurso de pesquisa de doutoramento das autoras, pelo caminho metodológico de revisão de artigos de produções científicas entre 2008 e 2018 publicadas nas bases Pepsic, Scielo e Google acadêmico, pelos descritores apropriação de si, teatro e dança de maneira conjunta ou isolada em títulos, resumos ou palavraschave. Selecionou-se os textos com temas relacionados ao interesse de pesquisa e referencial teórico fenomenológico, incluindo produções nacionais e internacionais. Criadas categorias sobre as diferentes formas de abordar a apropriação de si e a relação com a vivência artística supracitada, aborda-se incialmente o processo de apropriar-se de si como experiência de reconhecimento de si, percurso de integração entre as necessidades emergentes e a capacidade de satisfação na realidade. Prospecta-se na pesquisa ampliar a produção acadêmica a respeito da vivência em teatro e dança enquanto potência de cuidado de si, não apenas como recurso válido enquanto manejo clínico.

127 Hugo José Dutra Soares Filho, Charles Eduardo de Brito, Danielle de Fátima da Cunha C. de Siqueira Leite (Universidade Vale do Ipojuca, Brasil) 104 ACOMPANHAMENTO DOMICILIAR: COMPREENSÕES DE UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO À LUZ DA PERSPECTIVA HERMENÊUTICA EXISTENCIAL O presente trabalho busca apresentar um relato de experiência de um acompanhamento psicológico domiciliar, realizado durante o período do estágio profissionalizante em Psicologia Clínica. Para tanto, assume como horizonte aberto a hermenêutica existencial enquanto caminho possível para compreender a existência humana e suas ressonâncias na prática psicológica. Este horizonte, aponta para a possibilidade de pensarmos / fazermos uma ação clínica que ultrapassa a configuração de setting terapêutico tradicional, na direção de desvelar uma ação mais afinada à existência humana e um fazer mais contextualizado, para além de um fazer técnico-explicativo. Dentro desses horizontes, outros modos de fazer revelam-se enquanto caminhos possíveis, não previamente estruturados. Nessa direção, a experiencia de estágio possibilitou lançar os estagiários frente a possibilidade pensar /fazer uma ação clínica que se disponha a aproximar-se e recolher sofrimento daqueles que procuram pela ajuda psicológica, mas que, por qualquer motivo, encontram-se impossibilitadas de deslocar-se fisicamente para instituições que ofereçam tais serviços. Tal experiência lança os estagiários frente ao tensionamento entre teoria e prática, possibilitando desvelar um fazer clínico que se constitui na própria ação, desalojando-os dos caminhos tradicionais apreendidos em seu processo de formação. Situação que os possibilita compreender a visita domiciliar enquanto um modo do fazer clínico, para além de sua configuração tradicional enquanto recurso da assistência social.

128 Diani Gonçalves Franco, Vanessa Aparecida Walterman e Karine Ribeiro Queiroz (Universidade Paranaense, Brasil) 105 ANÁLISE DO FILME O QUARTO DE JACK SOB O OLHAR FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL O presente trabalho objetiva analisar Joy, personagem do filme O Quarto de Jack (Room, no original, 2015). Joy - mãe de Jack, é sequestrada e mantida em cativeiro por sete anos. Neste período dá à luz ao menino Jack. Joy é praticamente tudo o que Jack conhece do mundo. Ela o ensinou tudo e a lidar com o ínfimo espaço em que vivem. O único contato que ambos têm com o mundo exterior é a visita periódica de Nick, o sequestrador que os mantém em cativeiro, mas que Jack não tem aproximação - Joy esconde a criança no armário toda vez que Nick aparece. No decorrer da película se pode perceber que Joy vive uma relação de dependência com Nick, conseguindo dele o essencial para sobreviver com seu filho. Jack não conhece o mundo fora do quarto, a noção que ele tem se construiu a partir das informações que sua mãe tenta lhe transmitir. Joy faz o possível para tornar suportável a vida no local, mas não vê a hora de deixá-lo. Para tanto, elabora um plano onde com a ajuda do filho, poderá retornar à realidade. Após o plano ser bem sucedido, mãe e filho são resgatados e reinseridos à sociedade, então eles começam uma nova vida. Frente a nova realidade, a protagonista, se depara com diferentes sentimentos e conflitos que vão surgindo em sua vida. Através da visão Fenomenológica Existencial buscamos analisar os temas centrais da psicologia existencialista presentes nas atitudes da personagem tais como: liberdade, angústia, culpa, temporalidade e demais conceitos que ricamente encontramos sob a luz da abordagem, no comportamento de Joy. Como metodologia, a análise de conteúdo do filme, possibilitou correlaciona-lo com pesquisas teóricas sobre a fenomenologia e o existencialismo. Tendo em vista os aspectos observados, conclui-se que os filmes podem ser ótimas fontes de reflexão para a prática da Psicologia, fazendo-se valer dos diversos sentimentos que os mesmos despertam, levando as pessoas a ressignificarem algumas de suas vivências, possibilitando novas formas de ver e sentir seu mundo.

129 Marcelo Rufino Ferreira e Juliana Nunes de Barros (Universidade Estadual de Minas Gerais -Divinópolis, Brasil) 106 ANGÚSTIA E MORTE NA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL: UM ESTUDO DE CASO Para o estudo a seguir uma questão se faz presente: As tonalidades afetivas, em especial a angústia, contribuem com o processo de ressignificação das experiências e sofrimentos trazidos pela paciente? O objetivo do trabalho é propor uma reflexão através do referencial teórico Fenomenológicoexistencial afim de compreender a tonalidade afetiva fundamental, a angústia, a partir das considerações Heideggerianas do ser-para-a-morte. Esse estudo apoiasse em uma experiência de estágio específico, do curso de Psicologia, tendo a clínica fenomenológica como aporte teórico. O estágio foi realizado numa UBS, na cidade de Carmo da Mata-MG. A paciente, 29 anos, anuncia sua queixa relatando um medo excessivo de morrer. Sintomas como sudorese noturna, irritabilidade, ansiedade, taquicardia e insônia, foram citados. O método realizado foi o estudo de caso com foco intrínseco e análise de dados embutida. Dentre os resultados dos atendimentos, pode-se destacar: a compreensão dos aspectos que norteiam sua ansiedade, melhora nas relações afetivas, ampliação da consciência sobre seu sofrimento e responsabilização pelo próprio projeto existencial ao apropriar-se de um modo de vida mais autêntico. O medo excessivo da morte implicava prejuízos e sofrimentos, visto que, para ela, era insuportável ficar só dentro de casa ou sair na rua, optando por se recluir no domicílio sempre à companhia de alguém. A angústia denota a crise de seu projeto existencial, clamando pela apropriação singular do Ser-aí. A morte escancara a condição de finitude e possibilidade de encerramento de seus projetos. Ao compreender o sentido de sua angústia e seus medos, a paciente pode buscar novos sentidos às experiências que lhe causavam sofrimento e novas possibilidades de ser-no-mundo tendem a surgir. Conclui-se que, para além de ter consciência do sofrimento, é preciso compreendê-los na busca de novos significados. E as tonalidades afetivas se apresentam fundamentais para esse processo de transformação.

130 Bruna da Silva Nogueira e Andressa Melina Becker da Silva (Universidade de Sorocaba, Brasil) 107 ATENDIMENTO EM PLANTÃO PSICOLÓGICO EM CLÍNICA-ESCOLA DE UM CASO DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER O Plantão Psicológico tem por objetivo um atendimento emergencial à demanda trazida pelo usuário naquele momento, o qual visa ao acolhimento psicológico e diminuição do sofrimento apresentado pelo indivíduo. A violência contra mulher é uma demanda que aparece com frequência nesta Clínica-Escola. Frente a ela, o profissional deve estar atento para não julgar, suspendendo as suas crenças Epoché - para que possa realizar um bom trabalho e construir um vínculo terapêutico. Este trabalho apresenta como objetivo contar um estudo de caso de violência contra mulher, atendido em Plantão Psicológico na Clínica-Escola da Universidade de Sorocaba. O Plantão Psicológico, nesta instituição, funciona com um atendimento e até 3 retornos (a depender do caso), sendo os atendimentos de 50 minutos. A usuária tem 45 anos, 2 filhos e pertence a um nível socioeconômico baixo e sofreu violência física, psicológica, patrimonial e moral durante 23 anos com o seu ex-marido. Mesmo saindo de casa com os filhos, a violência ainda continuava e a usuária começou a apresentar sintomas de depressão e crises de pânico. Foram trabalhadas durante o atendimento psicológico as fronteiras de contato, na qual a cliente precisava compreender as relações adquiridas durante sua história, reflexões fenomenológicas que a fizeram entrar em contato com o fenômeno violência e a refletir sobre o quanto as violências ainda se faziam presente em sua vida e o que suas escolhas poderiam resultar em um contato maior com sua essência, aproximando-se de uma maior autenticidade. Para concluir, percebeu-se que o acolhimento psicológico com mulheres que são vítimas da violência é de suma importância, sendo que através do Plantão Psicológico é possível ouvir, compreender e acionar as redes de apoio.

131 Diogo Arnaldo Corrêa (Universidade de Mogi das Cruzes, Brasil) 108 AUTOBIOGRAFIA ACOMPANHADA COM IDOSOS: UM RECURSO CLÍNICO PARA A DESCOBERTA DE SENTIDOS NO ENVELHECER O envelhecimento é uma etapa da vida em que se deve considerar a experiência única e irrepetível de cada pessoa em razão dos diversos significados que referem não haver um modo único para envelhecer. A história de vida de uma pessoa conserva uma diversidade de sentidos que podem ser recuperados com o propósito de rever as escolhas empreendidas no existir para confirmá-las e/ou adotar novas decisões. O objetivo desse trabalho é apresentar a Autobiografia Acompanhada, recurso que pode ser utilizado com idosos no âmbito clínico corroborando o cuidado para o enfretamento dos desafios nesse momento da vida e a promoção de atos livres. A Autobiografia Acompanhada foi construída por Elizabeth Lukas, psicóloga austríaca e logoterapeuta, e visa o apelo à autodeterminação para favorecer que uma pessoa possa descobrir o sentido da sua vida ante os momentos de confronto que experimenta. Baseada na Análise Existencial Logoterapia, é um processo de recapitulação que permite que o aspecto autêntico da vida seja reconhecido e conservado, oferecendo à pessoa a oportunidade de se reconciliar com a autenticidade de sua história. A recuperação da história de vida pode ser dada por redação ou com o uso de colagem, fotografias, durante nove meses aludindo, de modo metafórico, a experiência gestacional para um novo nascimento. Para cada mês enfoca-se um tópico: 1) os meus pais; 2) meu período pré-escolar; 3) meu período de formação escolar e profissional; 4) minha idade adulta; 5) minha situação atual; 6) meu futuro próximo; 7) meu futuro distante; 8) a minha morte; 9) as minhas pegadas neste mundo. O recurso proporciona profunda experiência de encontro com a própria existência e ampliação da percepção da importância da vida e da ação da liberdade sobre ela, contrapondo a ideia de passividade e insuficiência na velhice. A pessoa idosa dialoga com o seu presente, suas memórias e seu devir, descobrindo, assim, sentidos em sua própria história.

132 Aline Kowara Lilian Claudia Ulian Junqueira (Universidade Paulista, Brasil) 109 COMPREENSÃO DO LUTO E CONSTRUÇÃO DO PROCESSO PSICOTERÁPICO À LUZ DA FENOMENOLOGIA-EXISTENCIAL Este trabalho se caracteriza como um estudo de caso de caráter qualitativo acerca do encontro terapêutico que se deu entre uma estagiária do curso de Psicologia e sua paciente, uma mulher adulta de 40 anos, que fora encaminhada do plantão psicológico da mesma unidade. Este estudo, bem como os atendimentos, foi fundamentado no método fenomenológico de pesquisa clínica e na Daseinsanálise. Todas as sessões foram transcritas na íntegra e analisadas sob dois grandes eixos: a compreensão do processo de luto sob a perspectivada da psicologia fenomenológica-existencial e a construção do processo psicoterápico com ênfase nas tonalidades afetivas que o perpassaram. Enlutada pelo conjugue há sete anos, é considerada como um caso de luto patológico pela psiquiatria e a psicologia tradicionais. Em um horizonte histórico que preconiza que o luto deve ser vivido com discrição, ela encontra na psicoterapia o acolhimento de seu sofrimento, que, nesta perspectiva, é então compreendido como condição do existir e não como sintoma de uma patologia. No decorrer do processo terapêutico, partiram, a paciente, do desabrigo, e a terapeuta, do estar lançada, em direção à confiança, que facilitou o processo de apropriação do ser-aí. Para isso, foi crucial que a terapeuta acolhesse a indeterminação do aberto que é o encontro e a existência, tecendo, junto à paciente, as intervenções que lhe fizessem sentido enquanto existência singular e lhe possibilitassem ressignificar a ausência de quem ainda se faz tão presente.

133 Bruno Urbano e Thaís Serafim (Centro Universitário Integrado, Brasil) 110 COMPREENSÕES FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAIS SOBRE O FENÔMENO DO SUICÍDIO Este trabalho tem como finalidade discutir as diferentes compreensões sobre o fenômeno do suicídio sob a ótica da fenomenologia-existencial. A partir de discussões realizadas no âmbito de supervisões clínicas de um estágio curricular de abordagem existencialista Sartreana viuse a necessidade de uma maior compreensão sobre esse fenômeno social considerando que o índice de tentativas ou mesmo mortes consumadas por suicídio vem aumentando significativamente a nível mundial. Especialmente no Brasil o suicídio é considerado a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, clamando não só por uma compreensão que abranja a complexidade do fenômeno, mas também, pela capacitação efetiva dos profissionais ligados à área da saúde mental. Por meio das discussões realizadas após um levantamento bibliográfico em livros e artigos científicos, observou-se que para além da escassez de materiais, não há consenso interpretativo na literatura fenomenológica-existencial sobre o referido tema. Sendo assim, serão abordadas nos limites deste trabalho, as compreensões propostas por Kierkegaard, Heidegger, Camus e Sartre. De projeto à totalização do Ser, serão apresentadas as aproximações e os distanciamentos entre os diferentes teóricos. Embora tais distanciamentos sejam evidenciados dentro da base epistemológica do existencialismo o objetivo desse trabalho pautou-se pelo desejo de realizar entre a comunidade científica discussões que enriqueçam a prática clínica de psicoterapeutas fenomenológico-existenciais, tendo na empatia, uma das atitudes clínica basilares no atendimento a pessoas em sofrimento psíquico.

134 Fabiana De Zorzi (Clínica Privada, Brasil) 111 CONSTITUIÇÃO DO EU A PARTIR DE OUTREM: INTERFACE ENTRE FENOMENOLOGIA E GESTALT-TERAPIA A proposta deste trabalho é compreender um pouco mais acerca da constituição do eu a partir de outrem. Neste sentido, reúno aqui, conceitos desenvolvidos por Perls, como o primado do organismo e a sua relação com o meio e reflexões sobre o conceito de agressão, em interface ao ser sensível e senciente, a partir da noção de corporeidade desenvolvida por Merleau- Ponty. Podemos compreender a energia agressiva como a força que promove ações para uma abertura ao crescimento, à confirmação e validação do eu. E é nessa abertura, em direção ao mundo e ao outro, que nos deparamos com as possibilidades e, por vezes, impossibilidades de vir a ser. A fenomenologia de Merleau-Ponty contribui para pensar no ser de possibilidades ante um mundo sensível, esse da ordem que constitui o nosso laço com outrem. Desde que nasce, o ser encontra-se em constante desenvolvimento, exatamente por essa superfície de contato capaz de possibilitar impressões, apreensões e expressões entre ele e outrem. O coexistir por meio da relação entre corpos é um processo que ocorre desde as experiências mais remotas entre o bebê e seu meio. Ambos os autores observam uma incorporação entre a mãe e o bebê. A partir de Perls, na fase de amamentação, valores, comportamentos e cultura são introjetados sem qualquer discriminação. Posteriormente, a criança tem a oportunidade de experimentar o que é oferecido pelo meio, mas apenas partes da personalidade são introjetadas. Muitas situações de discordância entre as necessidades da criança e a relação com outrem acabam causando uma paralisação da sua energia agressiva e, por fim, da nutrição do eu. Quando o movimento da energia agressiva não flui naturalmente, a criança denuncia, quer seja por meio de comportamentos disfuncionais, quer seja por interrupções do desenvolvimento emocional do seu senso de eu, e é geralmente nessas situações que a família busca ajuda. O sintoma é escancarado e a criança precisa ser escutada.

135 Samira Meletti da Silva Goulart e Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) CONTEMPORANEIDADE E SOFRIMENTO: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA CLÍNICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 112 Este trabalho objetiva refletir sobre os sofrimentos contemporâneos e a lida clínica da psicologia com o fenômeno a partir de uma perspectiva fenomenológico-existencial inspirada em Heidegger e sua meditação sobre a Era da Técnica. Interessa-nos saber: como os sofrimentos aparecem no contemporâneo e expressam os modos de vida característicos desta Era da Técnica? Como a psicologia clínica vem acolhendo e lidando com esses sofrimentos? As transformações histórico-culturais-sociais contemporâneas, os ideais de controle, produtividade, desempenho, saúde, sucesso, beleza e felicidade, requerem dos homens novas habilidades, comportamentos e sentimentos que favorecem, muitas vezes, a experiências de sofrimento. Ansiedade, medo, angústia, estresse, tristeza, solidão, são sentimentos comuns às pessoas desta época, frequentemente interpretados como sofrimento, diagnosticados e classificados como doença ou transtorno que devem ser tratados e corrigidos. A psicologia, filha desta era tecnocrata, tradicionalmente lida com as queixas individualmente, responsabilizando o homem por seu padecer. Contudo, ao se aproximar dessas experiências de sofrimento, a prática clínica tem evidenciado questões existenciais características desta Era, que no seu cotidiano dissemina a necessidade de controle, produção, troca, consumo e desempenho constantes. Proliferam-se as queixas de cansaço, esgotamento, ansiedade, entre outras, favorecendo a sofrimentos diversos e sua classificação diagnóstica. Visto isso, torna- se primordial à psicologia ampliar sua compreensão sobre o fenômeno do sofrimento, contextualizando-o junto a seu horizonte histórico. A clínica fenomenológico-existencial apresenta, nesse sentido, uma importante contribuição na compreensão desse fenômeno ao meditar sobre a técnica e considerar ser-aí cooriginário ao mundo, adotando um saber-fazer clínico que sustenta a dor própria à existência e contextualiza o sofrimento junto às determinações do horizonte histórico contemporâneo.

136 Henrique Shody Hono Batista e Lucas Pimentel de Lara (Hospital do Idoso Zilda Arns, Brasil) 113 CONTRIBUIÇÕES DA DASEINSANALYSE À PRÁTICA DA PSICOLOGIA CLÍNICA HOSPITALAR A prática do psicólogo em instituições hospitalares se mostra como um desafio que constantemente interroga os limites e as possibilidades da psicologia em seus aspectos clínicos, teóricos e sociais. O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre as possibilidades de uma clínica fenomenológico-existencial, inspirada nos fundamentos da Daseinsanalyse de Martin Heidegger e de Medard Boss, que sirva de subsídio para a atuação do psicólogo hospitalar. Para tanto, utiliza-se da metodologia de revisão narrativa de literatura, em diálogo com o relato de experiência, bem como de situações clínicas vividas pelos autores, de modo que a teoria e a prática estejam fundamentalmente implicadas nesta apresentação. O exercício do método fenomenológico da redução, bem como a abertura do profissional diante de aspectos fundamentais do existir, permitem um olhar novo e transformador para os dilemas vividos por aqueles que enfrentam uma internação. Olhar este que não recaí de imediato nas ações técnicas tão características de nosso tempo, como por exemplo a hipermedicalização. O que está em questão é a abertura de outros modos de poderser frente ao sofrimento existencial, em que a tutela de si possa emergir em um espaço de liberdade que, muitas vezes, encontra-se restrito. Assim, uma psicologia hospitalar que se fundamenta na clínica daseinsanalítica se configura como uma ação e um exercício terapêutico necessário para a atualidade, podendo contribuir com discussões atuais das ciências da saúde, tais como a humanização, o cuidado integral e o respeito a autonomia do paciente.

137 Josiane Maria Tiago de Almeida e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 114 CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA PARA UMA FUNDAMENTAÇÃO EM GESTALT-TERAPIA A Gestalt-terapia é considerada uma abordagem psicológica fenomenológico-existencial, por ter como uma de suas influências teóricas importantes a Fenomenologia filosófica. Ela se constitui como uma clínica psicológica que busca encontrar formas de acessar a experiência do cliente no seu sentido mais genuíno, livre de julgamentos ou de uma teoria explicativa, concentrando-se na estrutura concreta do aqui-e-agora e ativando os recursos criativos do cliente, a fim de que ele possa, consciente de suas possibilidades e limitações, escolher os melhores caminhos a percorrer. A Fenomenologia é uma filosofia cujo objetivo é analisar descritivamente os fenômenos e um método, o método fenomenológico, cujo intuito é chegar a um conhecimento evidente e apodítico sobre as coisas (fenômenos). Apesar de E. Husserl ter estabelecido uma relação entre e Fenomenologia e Psicologia em suas análises, elaborando assim a Psicologia Fenomenológica, sua perspectiva envolvia uma concepção epistemológica, sem uma intenção clínica ou instrumental. Diante disso, nosso estudo, que é parte de uma investigação de um mestrado em Psicologia, tem como objetivo analisar qual a influência da Fenomenologia na Gestalt-terapia e se ela se constitui autenticamente como uma Psicologia Fenomenológica. É possível detectar a partir de uma análise epistemológico-metodológica que a Fenomenologia se constituirá mais como uma visão-de-mundo (Weltanschauung) para a Gestaltterapia, oferecendo um conjunto de concepções, valores e ideias sobre o ser humano e o mundo, que uma metodologia para se conhecer o psiquismo humano e, a partir disso, intervir. Outro ponto de destaque é a transposição da Fenomenologia Transcendental para a Psicologia, sem passar pela Psicologia Fenomenológica. Para a análise dessa e de outras questões implicadas no estudo, optamos pela pesquisa bibliográfica, pois assim será possível evidenciarmos o desenvolvimento epistemológico das ideias que constituem ambas as concepções.

138 Sanmey Silva Santos e Luiz José Veríssimo (Universidade de Araraquara, Brasil) 115 CONTRIBUIÇÕES DE UMA PSICOTERAPIA DE INSPIRAÇÃO KIERKGAARDIANA FRENTE AO QUADRO DA CULTURA CONTEMPORÂNEA Nosso trabalho pretende esboçar uma articulação de temas kierkegaardianos como desespero, angústia, possibilidade, etc. com a proposta de uma psicoterapia que trabalhe as relações humanas no âmbito social e interpessoal contemporâneos. Na perspectiva da valorização da singularidade, SØren Aabye Kierkegaard, nos convida a conhecer a nossa própria existência, numa aprendizagem que envolve paixão, amor, fé, angústia, desespero. O filósofo não deseja contemplar a existência com neutralidade e imparcialidade, mas, como quem encara os riscos inerentes ao existir e se entrega até os limites de suas possibilidades à tarefa do eu ao assumir tornar-se si mesmo. Seu pensamento se recusa a conceber o ser existente enquadrado num sistema explicativo, e nos permite construir uma epistemologia psicológica que nos convida a compreender e a questionar os possíveis caminhos da existência humana e seus desmembramentos quando trabalhados numa psicoterapia. Na contemporaneidade, essa psicoterapia de inspiração kierkegaardiana, permite-nos trabalhar com inúmeras formas do vasto campo do desespero humano, expressas por um esteticismo que recusa a elaboração da angústia existencial. Ocorrem-nos, nesse momento, a intolerância às diferenças (de opinião, de preferências, de crenças, etc.), a acentuada recusa da alteridade; um alto índice de ansiedade, expresso pela urgência que é demandada desde o campo do trabalho ao campo das relações íntimas; indicadores cada vez mais acentuados de problemas como suicídio, violências em geral; a dispensa de contato interpessoal pelo abuso do uso da internet, a superexposição narcísica das pessoas nas redes sociais; a confusão, e mesmo, dissolução do espaço público e do espaço privado. No quadro da cultura atual, muitos são os desafios e problemas que dão chancela à seriedade de uma psicoterapia em que se possa trabalhar e descobrir possibilidades próprias do existir, distintas daquelas já previstas e prescritas pela multidão e pelo modo de ser impessoal.

139 Carla Weiniere de Oliveira Santos (Centro Universitário Alves Faria, Brasil) 116 DA NEUROSE À AWARENESS UMA PERSPECTIVA GESTÁLTICA ACERCA DA INTROJEÇÃO E AUTOPERCEPÇÃO Compreender a forma como o indivíduo lida com suas situações inacabadas é um ponto chave para compreensão de como responde a situações vivenciadas no seu presente. Nesse sentido, a psicoterapia desenvolve um importante papel, considerando que oferece ao indivíduo a oportunidade de um olhar acurado sobre a forma como suas relações cotidianas são vividas no aqui-e-agora, como responde ao contato com as outras pessoas e refletir em que medida situações inacabadas interferem nesse contato. Partindo deste pressuposto, buscamos descrever, por meio de um estudo de caso, como situações inacabadas podem afetar o indivíduo e acarretar em comportamentos neuróticos. Ao trabalhar a ressignificação do indivíduo no seu meio e o enfrentamento de situações inacabadas, a pessoa consegue reestruturar sua dinâmica mobilizando seu ajustamento funcional e autorregulação saudável diante de situações adversas, tornando-se capaz de uma mais clara percepção de si e do contexto do qual faz parte, fazendo escolhas autênticas e conscientes, permitindo ao sujeito compreender que é possível permanecer consigo após o contato com o outro e que este contato disponibilizará o movimento e ampliação de sua percepção consigo, com o outro e com o mundo. Utilizamos, como elementos chave, o conceito de neurose postulado pela Gestalt-terapia, os mecanismos neuróticos com ênfase na introjeção e as interrupções de contato, explorando, no caso em questão, cada camada da neurose identificada e trabalhada no setting terapêutico, para caminhar com o indivíduo na exploração de suas potencialidades, na realização da awareness e no aprimoramento de sua autopercepção.

140 Yasmayara Vitória dos Santos Almeida (Instituto de Ensino Superior de Brasília, Brasil) 117 EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA CLÍNICA NA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL O presente artigo tem como objetivo relatar e analisar a experiência adquirida no estágio supervisionado em Psicologia Clínica com viés na abordagem fenomenológica existencial, tendo como base o estudo de caso de uma paciente e cinco relatos breves. A metodologia adotada seguiu das orientações técnicas e teóricas obtidas na supervisão em Psicologia Clínica na Abordagem Fenomenológica Existencial. O estágio foi realizado na Clínica Escola do Centro Universitário IESB, localizada em Ceilândia no Distrito Federal, durante o 9 semestre de Psicologia. Os recursos metodológicos utilizados durante a realização do estágio partiram do manejo com uma paciente, variando para seis pacientes. Foi trabalhado a entrevista de triagem, o acolhimento, a escuta e a intervenção psicológica como instrumentos do processo psicoterapêutico. A amostra é constituída por pacientes do sexo feminino e masculino, com idade entre 23 a 50 anos, escolaridade de nível médio e superior incompleto. A partir da prática do estágio procurou-se retratar através do convívio psicoterapêutico com a paciente uma síntese da experiência clínica na vertente fenomenológica existencial, cujo objetivo central foi efetuar intervenções focado na existência dos pacientes, estabelecendo estratégias e manuseios preservando a individualidade e procurando compreender os fenômenos apresentados. A partir desse estudo foi compreendido que cada paciente tem sua subjetividade, e através do processo terapêutico é tecido um elo entre paciente e psicoterapeuta. Cada sessão é imprevisível, traz algo novo, seja de progresso, regresso ou nova demanda. Percebeu-se que o andamento do processo depende mais dos pacientes do que do terapeuta, que o psicoterapeuta é apenas um facilitador do processo. Foi observada na prática a diferença que faz ver o paciente como um ser único, estar atendo a sua história de vida, experiências, crenças e priorizar durante todo o processo preservar a sua liberdade.

141 Dafne Thaissa Mineguel e Assis Joanneliese de Lucas Freitas (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 118 EXPERIÊNCIA DE LUTO DE FILHAS/FILHOS PELA PERDA DO PAI DURANTE A ADOLESCÊNCIA A morte de uma/um mãe/pai impõe uma das experiências mais marcantes que as/os filhas/filhos podem vivenciar, em especial quando são crianças ou adolescentes. Mesmo havendo consenso na literatura sobre os profundos impactos na vida das/dos filhas/filhos, poucos são os estudos que investigaram como a experiência é vivenciada por elas/eles. Do ponto de vista existencial, para compreender a vivência de luto é preciso aproximar-se do sentido da perda e do sentido da relação que se dava entre a pessoa que morreu e a enlutada. Assim, essa pesquisa teve como objetivo compreender a vivência de luto de filhas/filhos pela morte do pai durante a adolescência, buscando apreender como foi essa experiência e quais foram os impactos sentidos por elas/eles no decorrer de suas vidas e, para tanto, optou-se como caminho o método fenomenológico de Amedeo Giorgi. Foram entrevistadas quatro pessoas que perderam o pai por morte repentina e a análise das entrevistas revelou dez elementos constituintes, que articulados em um todo evidenciam a experiência de perda de um pai na adolescência. São elas: A vivência do repentino, Perda de um apoio, Ausência, Abandono, Sentimento de futuro roubado, Amadurecimento, Transformação nos modos de ser filha/filho, Suporte nas relações sociais, Evitação e Espiritualidade. Conclui-se que é no entrelaçamento de dois aspectos que essa experiência de luto se dá, a saber: a perda e ressignificação do modo de atuar de uma referência e o momento em que a morte acontece. A partir da morte daquele que tinham como referência, sentimentos como desamparo, falta de suporte e mudança na própria temporalidade emergiram, implicando em mudanças no modo como o adolescer dessas/desses filhas/filhos se desdobrou. A ausência passa a ser marcante em suas vidas em um momento em que consideram como fundamental ter o pai presente, seja para dar apoio, consentimento na tomada de decisões e reconhecimento das conquistas, seja para partilhar suas existências e trajetórias de vida.

142 Ana Luísa Rocheteau Antonelli Leça, Luiza Cizik Franco, Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista e Ari Rehfeld (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) 119 GRUPO DE TERAPIA EM FENOMENOLOGIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA O presente trabalho trata-se um relato de experiência sobre um grupo de terapia em fenomenologia-existencial na clínica escola chamada Ana Maria Poppovic da PUC-SP, situada no bairro Pacaembu em São Paulo. O grupo foi idealizado a partir de uma demanda da clínica de oferecer um serviço que pudesse atender às necessidades da população que procurava atendimento psicológico nessa instituição. O grupo foi composto pelos seguintes participantes: terapeuta, co-terapeuta, transcritora e dez pacientes (com oscilações entre entradas e saídas de pacientes). Esses pacientes eram considerados graves pela clínica. Temse como objetivo apresentar o processo desse grupo de terapia em uma perspectiva fenomenológico-existencial, e relatar a experiência de co-terapeuta e de transcritora do grupo. Para tal, realizou-se uma descrição de como se deu o início, o desenvolvimento e o desfecho desse grupo e uma apresentação do processamento do grupo. Explicitou-se desde sua criação, sua composição, as sessões, os movimentos dos pacientes, e seus principais temas, seus registros e burocracias, suas supervisões até a troca de co-terapeuta. Para a fundamentação e complexificação desse relato tem-se o referencial teórico colaborando no entendimento da experiência. O resultado do grupo foi ter possibilitado a apropriação da situação existencial de cada e novos modos de enfrentamento. E a relevância desse trabalho está em poder apresentar e compartilhar uma forma de se trabalhar e processar um grupo de terapia com o referencial teórico da fenomenologia-existencial.

143 Kamilly Souza do Vale e Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel (Universidade Federal do Pará, Brasil) 120 GRUPO PSICOTERAPÊUTICO COM CASAIS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA CONJUGAL Foi através das teorias feministas e das análises sobre a violência masculina na vida pública que iniciou-se a compreensão de que homens e mulheres, ainda que de diferentes formas, vivenciam problemas decorrentes da violência conjugal. As relações de gênero, de separações históricas entre meninos e meninas e que ainda hoje causam polêmicas são atitudes conservadoras que refletem a necessidade de debates que problematizem tais comportamentos que se mantém numa sociedade considerada Pós-Moderna. Este trabalho investiga a violência conjugal vivenciada por casais heterossexuais e adota como método o trabalho em grupo com casais a partir de um referencial existencial fenomenológico, buscando a realização de uma intervenção clínica para o enfrentamento de tal situação. O estudo se configura como uma pesquisa-intervenção, já que a pesquisadora e os envolvidos na situação desempenharam um papel ativo na compreensão e busca de formas de superação do problema proposto. A coleta de dados foi realizada no Núcleo Especializado de Atendimento ao Homem em Violência Doméstica e Familiar da Defensoria Pública do Pará, com 3 casais, cujos homens foram sentenciados por violência doméstica. Os resultados da pesquisa demonstram que, no cotidiano, os conflitos conjugais aconteciam diariamente; não havia espaço para o diálogo; os modos diferentes de existir dificultam a convivência entre ambos; as questões financeiras e formas de solucionar conflitos sempre terminavam em possibilidade de separação. A intervenção clínica contribuiu para a revisão, pelos casais, de seus processos de subjetivação; os casais perceberam a importância de incluir no seu cotidiano a criação de atos de solidariedade e apoio mútuo. Conclui-se que psicoterapia no modelo em grupo é uma potente ferramenta para que os casais obtenham um melhor relacionamento interpessoal e uma comunicação dialógica.

144 Filipe Codeceira Gusmão e Maria Lucicleide Falcão de Melo Rodrigues (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 121 IDENTIFICAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS NA RELAÇÃO TERAPÊUTICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA O presente trabalho tem como objetivo descrever uma experiência no estágio supervisionado no Serviço de Psicologia Aplicada/UFPE norteado pela Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Trata-se de implicações de experiências pessoais na relação terapêutica. Como método de escuta clínica na perspectiva fenomenológica, a ACP tem a compreensão empática como uma atitude relevante para emergir os fenômenos na relação terapêutica. Levando-se em consideração que cada indivíduo vive suas experiências à sua maneira (campo experiencial), bem como as percebe a partir de seus referenciais (campo perceptivo), ele é o centro de seu próprio mundo. Desse modo, o terapeuta se coloca a disposição do campo perceptivo da pessoa que escuta. Assim, há maior possibilidade de uma compreensão empática, isto é, de se colocar no lugar do outro sem jamais se perder de seu próprio campo fenomenal. Essa é a condição do como se. Portanto, tendo vivido situações semelhantes às relatadas na relação terapêutica, percebi que simultaneamente me conectava com minhas próprias experiências de vida e com as da outra pessoa. Ao contrário do que imaginava, antes de vivenciar a prática clínica, de que minhas experiências pessoais pudessem vir a afetar negativamente meu trabalho como terapeuta, percebi a presença de uma afetação mais positiva e uma maior facilidade em compreender empaticamente o outro quando reconheço pontos de identificação de minha experiência nessa relação. Ressalto, também, que a supervisão e o trabalho pessoal foram fundamentais para o discernimento entre o que era meu e do outro, o que contribuiu para compreensão empática. Portanto, considero relevante estudos que tratem sobre possíveis implicações positivas na relação terapêutica quando o terapeuta identifica situações vividas por ele que se assemelham àquelas trazidas por seus respectivos clientes.

145 Luiza Sionek e Joanneliese de Lucas Freitas (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 122 LUTO NA PERDA GESTACIONAL A gestação é uma experiência de profundas transformações, em que o corpo da mulher se abre para abrigar outro corpo: o do bebê. Assim, a relação entre a gestante e o bebê no ventre diferencia-se das demais, pois é marcada pela ambiguidade de ter um corpo que é e não é seu, que é sensível e senciente. A perda gestacional, ou óbito fetal, rompe com essa relação que vinha sendo desenhada e coloca a mulher frente à facticidade de que a vida termina a qualquer momento. Embora a perda gestacional seja um fenômeno frequente, seu luto é considerado silenciado e sua expressão é deslegitimada. Nesse sentido, esse estudo teve por objetivo compreender a experiência de luto materno na perda gestacional. Foram realizadas cinco entrevistas, a partir da pergunta disparadora como foi para você perder o seu filho?. As participantes haviam sofrido perdas gestacionais entre oito e 38 semanas. O método se baseou na proposta compreensiva de Giorgi e a análise de dados revelou nove constituintes que estruturam a experiência de luto na perda gestacional, a saber: dor; falta de sentido; estado de choque; raiva e inveja; culpa; medo de nova perda; ser mãe de um novo filho; solidão; ressignificação. Pode-se compreender que a perda gestacional é experienciada como a perda de um bebê, e não de um feto ou embrião sem sentido. Quando se perde um bebê, perde-se um futuro conjunto, a confiança no próprio corpo e a mãe que se projetava ser com aquela criança. Ademais, a perda gestacional tem a particularidade de se tratar de uma morte experienciada no próprio corpo e de uma relação visceral entre mãe e bebê. Assim, solidão, culpa e dor possuem uma tonalidade marcante. Conclui-se que é necessário acolhimento a este luto desde a notícia e ao longo da vida, já que o luto não se encerra no parto, enterro (quando há) ou nascimento de um novo filho. No entanto, é possível constituir novos sentidos para a perda, para a relação com o bebê e para o modo de ser que havia sido desvelado na gestação.

146 Celina Maria Aragão Ximenes (Faculdade Pio Décimo, Brasil) 123 MUSICANDO EM SUPERVISÃO DE ESTÁGIO E ENCAMINHANDO AÇÃO CLÍNICA EM PSICOLOGIA A supervisão de estágio em clínica psicológica no contexto de clínica-escola representa um momento decisivo na formação do futuro profissional de psicologia. Comumente presente nas grades curriculares de ensino superior no Brasil, toda supervisão pretende acompanhar o estagiário no exercício de uma prática respaldada em constructos teóricos, mediante reflexões de profissionais que demonstram experiência na área. A prática de estágio em clínica psicológica inspirada numa perspectiva fenomenológica existencial não se fundamenta na aplicação de conhecimentos teóricos que através do uso de técnicas se ajustam a casos concretos. Neste trabalho, a partir do contato com 10- dez estagiários supervisionados em clínica-escola de Psicologia localizada na região nordeste do país, no tempo estimado de 1-um ano; pretendemos refletir a nossa prática de supervisão, que ao privilegiar a ação clínica em Psicologia, assume como um dos recursos possíveis, o uso de composições musicais. Para tanto, valer-nos-emos da noção de hermenêutica proposta por Martin Heidegger e de fragmentos da nossa narrativa registrada em diário de campo realizado na pesquisa que subsidiou a nossa tese de doutorado. Partindo da compreensão de Dasein e de técnica moderna, procuraremos caracterizar a supervisão em clínica psicológica por nós acolhida; de modo a num segundo momento, explicitarmos como as composições musicais, refletidas nesse contexto, podem encaminhar a ação clínica no encontro do estagiário com o cliente. Acreditamos que composições musicais imersas em diferentes enredos (arranjadas ou desarranjadas histórias) e en-ton-ações (estados de humor), assim como tantas outras ferramentas, tendem a suscitar reflexões sobre modos mais próprios de existir no mundo com os outros.

147 Charles Eduardo de Brito, Hugo José Dutra Soares Filho e Danielle de Fátima da Cunha Cavalcante de Siqueira Leite (Universidade Vale do Ipojuca, Brasil) 124 NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA VISITA: ACOMPANHAMENTO DOMICILIAR E AÇÃO CLÍNICA- RELATO DE EXPERIÊNCIA Vive-se um contexto no qual há a predominância de um fazer técnico-explicativo que se destina a explicações práticas dos acontecimentos da vida. Tal panorama cientificista parece influir no fazer do psicólogo de modo que sua ação se caracterize pela busca para desenvolver soluções rápidas para os problemas de ordem psicológica. Este cenário acaba por reforçar práticas clássicas de atendimento, fechando o horizonte para o desvelamento de outros modos de atuação do profissional de psicologia. Todavia esse paradigma técnico-explicativo vem revelando-se como insuficiente para o recolhimento do sofrimento que se revela no próprio existir humano. Na busca de um fazer mais afinado ao existir e ao próprio contexto em que o sofrimento se desvela, o acompanhamento domiciliar se mostra como um recurso frutífero, possibilitando a ação clínica dar-se. O presente trabalho busca, pois, refletir uma situação de estágio a partir de uma perspectiva Fenomenológica Existencial, apontando algumas reverberações deste pensamento na prática psicológica. A experiência descrita refere-se ao atendimento a um paciente que devido às sequelas de um AVC, viu-se em um rompimento com todo seu modo cotidiano de vida. Sua mobilidade reduzida o impossibilitava de ir até os locais de atendimento, e a dificuldade em verbalizar a fala o impedia de se comunicar com aqueles que estavam ao seu redor. As visitas domiciliares permitiram o acesso do paciente ao serviço de psicologia, possibilitando a ampliação de seus horizontes compreensivos para novas formas de se colocar diante das situações, propiciando o paciente refletir e apropriar-se de sua nova condição, desvelando outros modos de ser-si-mesmo. Tal experiência aponta para a possibilidade do acompanhamento psicológico domiciliar configurar-se como um modo de cuidar daqueles que demandam pela atenção psicológica, mas que por qualquer motivo, encontra-se impossibilitado de ir ao encontro desse profissional em outros espaços físicos.

148 Suelen Aparecida Batista, Lorrana Rodrigues Reis e Juliana Nunes de Barros (Universidade do Estado de Minas Gerais, Brasil) 125 O AMOR COMO PILAR NA TERAPÊUTICA FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL: IMPASSES NA FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA Este trabalho enquanto uma revisão bibliográfica, tem por tema o amor como pilar na terapêutica Fenomenológica Existencial. Problematiza-se a possibilidade de pensar a clínica ou um fazer na psicologia onde quer que ele se dê, tendo como pilar, o amor. Em nossa hipótese essa práxis só é possível a partir de uma relação em que sujeito e analista se impliquem ganhando assim a dimensão de um encontro no qual o analista se serve do amor na dimensão de cuidado, sem se tornar ateórico ou desvestido de técnica, para considerar o paciente de modo autêntico permitindo que se mostre como ele é em si mesmo, em sua alteridade, como uma epistemologia singular. Uma relação paciente-terapeuta, nestes termos propostos, não raro é desconsiderada no percurso acadêmico em psicologia, no qual é apresentado um modelo científico que nos convida à neutralidade e distanciamento do sujeito pelo analista. Assim, uma abordagem pelo amor é muitas vezes pormenorizada e desvalorizada, nos inquietando na medida que entendemos que não é possível a clínica de outra forma. Desse modo, objetiva-se apresentar uma leitura pela ótica fenomenológica existencial, de uma clínica ou de um fazer na psicologia que compreenda o amor como pilar, facilitador de cuidado e reconhecimento de alteridade somado às técnicas e teorias que a profissão enquanto ciência solicita da(o) psicóloga (o). Diante de tal estudo, como resultado podemos inferir que a prática psicológica como terapêutica na abordagem fenomenológica só se torna efetiva quando se tem o amor como estruturante, juntamente com as colunas teoria, técnica e por que não da supervisão.

149 Biancha da Silva Souza Carvalho e Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 126 O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO DOMICILIAR: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA SOB O OLHAR FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL O atendimento psicológico domiciliar é uma modalidade de atuação em expansão no Brasil. O profissional vai ao encontro da pessoa com dificuldade de se locomover ao consultório frente a uma patologia, indisposição emocional ou por comodidade do solicitante. O presente estudo que tem como objetivo expor uma revisão narrativa da literatura sobre relatos de experiências de psicólogos que atendem em domicílio, faz parte de uma pesquisa de mestrado. Realizamos um levantamento bibliográfico nas bases de dados Google Scholar, Scielo, Bireme e PsycArticles, nos idiomas português e inglês. Os descritores utilizados foram: home care, atendimento psicológico domiciliar, psicoterapia e assistência domiciliar. Os resultados mostram dificuldades e desafios experienciados pelos profissionais nesse contexto de atuação. As especificidades da prática clínica convencional tornaramse confusas devido às peculiaridades do domicílio. Diante do desconforto ao adentrarem nesse solo pouco investigado, os psicólogos sentiram a necessidade de adaptação quanto ao setting, à relação terapêutica, o sigilo e a privacidade. Peculiaridades como o vínculo com os familiares também ganharam destaque nas discussões, além de reconhecerem a necessidade de flexibilidade dos referenciais teóricos e técnicos frente à insuficiência destes no âmbito residencial. Seguindo o caminho da Epoché, proposto por Husserl, evidenciamos que esses estudos pautaram-se em perspectivas da psicologia moderna, que se fundamenta na concepção de uma subjetividade encapsulada, cujas teorias e práticas psicológicas tornam o sujeito passível de mapeamento. Por fim, apresentamos uma perspectiva clínica que, ao se sustentar em bases fenomenológico-existenciais, assume um outro modo de pensar que não se apoia no exercício de aplicação de técnicas, mas busca se aproximar da própria experiência clínica, cujo fazer do psicólogo se encaminhe pela paciência e em uma postura serena, sobretudo, ao pensar os elementos da esfera domiciliar.

150 Luzia Aparecida Ravagnani Abbud e Lilian Cláudia Ulian Junqueira (Centro Universitário Barão de Mauá, Brasil) 127 O CAMINHO ACONTECE NA RELAÇÃO TERAPÊUTICA: DES-CONSTRUÇÕES DO MODELO BIOMÉDICO DE CUIDADO NA DASEINSANÁLISE Estudo de caso clínico na abordagem teórico e metodológica da Psicologia fenomenológico-existencial, fruto de atendimentos clínicos de psicoterapia individual Paciente de 56 anos, casada, mãe de três filhas. Encaminhada pelo serviço hospitalar,após cirurgia de aneurisma cerebral, com confusão mental, não aceitava seu quadro clinico. O estudo realizado sob o aporte da Daseinanálise e fundamentado no método fenomenológico de pesquisa clínica. Realizada a análise fenomenológica das sessões transcritas na íntegra e categorizada conforme a análise das similaridades e singularidades pelos passos da análise fenomenológica. O sentido compartilhado no encontro terapêutico reflete as relações de mundo da paciente e como as compreende, sentido este ainda encoberto por ela, o desvelar desse e a compreensão de seu modo de estar no mundo possibilitaram o contato consigo, sendo responsável e livre para assumir seu modo de existir desabrigado e fragmentado. No início do processo a paciente narrou sua luta em existir, pois filhas e marido querem que continue doente (sic). Por meio da redução fenomenológica, através do encontro genuíno, a paciente pode reconhecer-se na sua vulnerabilidade, com liberdade perante seu Ser de possibilidades e não como um ente dado em sua função do itinerário prescritivo da doença. Relatou que muitas vezes se calou, sentindo-se sufocada. Porém vem conseguindo mostrar que não está morta (sic). Relatou que após os atendimentos tem tido coragem de expor suas vontades, e a busca pelo equilíbrio entre a Joana e a Maria Joana (sic). Relata que a Joana é imponente, nariz em pé (sic), e a Maria, rejeitava, até entender que Maria é a mãe de Jesus, significa paz. O estudo contribuiu para a estagiária descobrir que o caminho terapêutico se faz caminhando, numa postura de quem aguarda os fenômenos acontecerem e se mostrarem sem se prender nos fatos que enquadram a paciente na psiquiatria ou neurologia, transcendendo e permitindo o Existir em totalidade.

151 Ivone Laurentino dos Santos, Juliana dos Santos Cardoso, Jaqueline Tavares de Assis e Henrique Campagnollo Dávila Fernandes (Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos, Brasil) 128 O CASO IVANA (NOME FICTÍCIO): ANÁLISE FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL Introdução: A fenomenologia analisa a realidade concreta. Os pacientes têm existências reais, sendo as pessoas mais autorizadas a descrever as situações que vivenciam. A psicoterapia deve mobilizar o paciente para tomar consciência das dinâmicas existenciais que atravessam as suas relações. Relato de caso: Ivana, 52 anos, chegou ao CIEPSI - Clínica de Psicologia da Uniceplac(Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos), com queixas bastante difusas, mas sempre perpassadas por suas dificuldades em lidar com a filha adolescente e com o marido - com quem é casada há vinte anos - Ivana é dona de casa e se encontra há anos desempregada. Sente-se triste, perdida, angustiada e sem autonomia; não suporta as bebedeiras do marido, a quem já ameaçou com uma faca e expulsou de casa. Discussão/hipóteses: Como o feminino se faz presente no mundo? Na condição de mulher, como Ivana poderia buscar um espaço de liberdade ou de busca para "ser mais"? Ivana parece perdida, desatenta às suas próprias demandas e descrente quanto aos seus projetos de vida. Ivana precisa enfrentar os "fantasmas" que tanto lhe atormentam. Métodos/técnicas: Envolvimento existencial do terapeuta com a fala do paciente, com o distanciamento reflexivo(redução fenomenológica) frente aos fenômenos. Busca por mobilizar, no paciente, as possibilidades que envolvem aspectos como responsabilidade, ação e aceitação de riscos. Resultados Finais da Pesquisa: Numa perspectiva existencial, a produção psicoterápica é mutua, onde a fala e a escuta assumem papeis fundamentais para a mobilização da reflexão do "si próprio" do paciente. Ivana teve alta, quando retomou o diálogo consigo mesma. Ivana percebeu seu potencial para o autocuidado, deixando para trás o risco de entristecer-se, cada vez mais, o que potencialmente a colocaria na iminência de desenvolver uma depressão. Foi fundamental o compromisso de escutar a paciente, sem reduzir a sua fala à fatos desconexos da realidade mesma.

152 Roberta da Costa Borges (Faculdade Pitágoras de Uberlândia, Brasil) 129 O EXERCÍCIO DA PSICOLOGIA CLÍNICA A PARTIR DO PENSAMENTO DE HEIDEGGER: INTERPRETAÇÃO NARRATIVA DE DISCURSOS CLÍNICOS O texto reflete acerca da experiência que permeia o exercício do psicólogo em uma clínica psicológica, em nosso horizonte histórico atual. A perspectiva é fenomenológico-hermenêutica nos moldes do pensamento de Martin Heidegger. Fez-se necessário repousar o olhar à decisiva questão: como se dá o exercício da psicologia clínica a partir de uma perspectiva fenomenológico-hermenêutica no momento atual? Por esse caminho, configurou-se o objetivo geral, qual seja o de demonstrar o exercício da psicologia clínica a partir do pensamento de Heidegger, tomando como indicativo formal à compreensão de ser-com-o-outro. Para tanto, foi preciso ir ao encalço de alguns objetivos específicos, tais como: descrever a analítica existencial de Heidegger em Ser e Tempo para esclarecer o modo-deser do homem que nos permite pensar a clínica; pensar as determinações presentes na era da técnica para entender como é possível haver esta prática clinica fenomenológico-hermenêutica nesse nosso mundo; apresentar trechos de situações clínicas para refletir sobre a possibilidade de uma clínica que se mostre como lugar das múltiplas alteridades. Buscando trilhar um caminho foi realizada uma revisão narrativa da literatura, juntamente com análise dos discursos clínicos baseadas na interpretação fenomenológica hermenêutica. Como resultado, encontramos: a angústia freqüente, na qual Escarlete teme que a escolha do passado seja suficiente para mantê-la no mesmo lugar em seu casamento; o modo-de-ser ressentido de Jussara que em preocupação substitutiva, espera que façam o que ela quer, então chama a atenção da mãe diante de inúmeras tentativas de suicídio; e ainda o discurso de Fabíola que parece fazer tudo pra ter controle, estar em todo lugar, quando não consegue, sente raiva. Vomita tudo o que come. Torna-se vítima o tempo inteiro, num ser-com-o-outro que aparece no modo da co-dependência de modo ôntico. Tais possibilidades interpretativas demonstram a experiência do psicólogo clínico na Daseinsanálise.

153 Marilia Felix Gomes e Roberta Costa Borges (Faculdade Pitágoras de Uberlândia, Brasil) 130 O IMPESSOAL COMO O MOVIMENTO EXISTENCIAL PARA A BUSCA DO ATENDIMENTO PSICOTERÁPICO Problema de Pesquisa: Durante o processo psicoterápico, no discurso do cliente, o impessoal aparece como um modo de ser do Dasein no cotidiano, ser-com-os-outros, por vezes identificado pelo psicoterapeuta para que o Dasein se distancie do conjunto e apareça para si mesmo na clínica. Nas primeiras sessões é onde ele pode se apresentar de uma forma mais notória, como um falatório onde vemos repetições e crenças comuns do cotidiano trazido pelo cliente, assim como na curiosidade, o ver por si mesmo e não pela visão dos outros, ou por vezes na ambiguidade da consciência do que o cerca e de si mesmo nesse espaço para se questionar. Hipótese: Percebendo esses movimentos e sua presença na fala do cliente quando explica o porquê da busca pela psicoterapia, nos deparamos com o impessoal no ser-com-o- outro, que o levou a estar ali e que pode estar claro ou não. Objetivo: Diante disso o presente trabalho visa analisar como a voz do impessoal propicia um movimento existencial do cliente na busca pelo atendimento psicoterápico, buscando uma possível compreensão e reflexão do cotidiano que se apresenta na clínica nesse primeiro momento. Metodologia: Realizando uma análise do discurso de clientes, nas primeiras sessões de psicoterapia realizada na CEAP- Clínica Escola de Atendimento Psicológico, da FPU de MG, dentro de uma análise fenomenológico-existencial e revisão bibliográfica. Resultados Parciais: Ao observar esse movimento existencial pode-se reconhecer um possível amparo moral, ao desresponsabilizar o cliente, por suas questões, não sendo protagonizadas por si mesmo, mas pela fala de todos, que contribuíram com uma ideia de censo comum, do que é a clínica e o que ela pode fazer pelo cliente em questão, fazendo parte do imaginário impessoal e que pode trazer uma série de influências ao processo psicoterápico.

154 Maria Clara Jost e Tommy Akira Goto (Faculdade de Ciências de Minas Gerais e Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 131 O MÉTODO ADI/TIP, INTERVENÇÃO E MUDANÇA NO SOFRIMENTO DEPRESSIVO: PSICOLOGIA CLÍNICA, FENOMENOLOGIA, PSICOTERAPIA A depressão é fenômeno multifatorial, constituída por fatores bioquímicos e associada à comorbidades médicas, porém, é sofrimento eminentemente psíquico, caracterizando grave problema à saúde mundial e à Psicologia Clínica. Objetiva-se apresentar os resultados quanti-qualitativos obtidos assim como analisar as vivências psicológicas que emergiram ao longo de caso clínico realizado com o Método ADI/TIP. A pesquisa foi composta de duas etapas. Na primeira, realizou-se a pesquisa clinicoempírica com dez sujeitos com diagnóstico de depressão, divididos em dois grupos: experimental (G1) e controle (G2). Os resultados foram avaliados utilizando-se metodologia quantitativa para coleta (Inventário de Depressão Beck BDI) e análise dos dados (SPSS); e qualitativa (entrevista semiestruturada), cujos dados foram avaliados segundo Indicadores Genéricos de Mudança (LHIGM) e Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada (EDAO). Na segunda, utilizou-se o método fenomenológico- empírico, com alterações de Goto e Feijoo, fundamentando-se na fenomenologia e antropologia-fenomenológica para a compreensão das vivências psicológicas basilares tanto do sofrimento psíquico depressivo quanto das mudanças evidenciadas. Verificou-se que o esclarecimento das vivências psicológico-afetivas essenciais do sofrimento depressivo assim como dos processos de mudança, permite a apreensão das contribuições desse processo psicoterapêutico, segundo conceito PBEP, de curta duração (10-15 sessões), que demonstraram transformações tanto nas configurações de sentidos conformados às vivências afetivo-emocionais primevas quanto nas compreensões subjetivas/intersubjetivas dos sujeitos, reduzindo a sintomatologia depressiva e possibilitando à pessoa a descoberta de outros modos de ser. Compreende-se que esses resultados podem fornecer elementos que colaborem na compreensão e no enfrentamento do sofrimento depressivo bem como contribuam na investigação das práticas psicológicas clínicas na atualidade.

155 Paula Guimarães Guerreiro e Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 132 PENSANDO O SUICÍDIO A PARTIR DA FENOMENOLOGIA-HERMENÊUTICA DE MARTIN HEIDEGGER Desde da antiguidade até hoje, homens e mulheres escolheram a morte, ou seja, a morte voluntária faz parte da história da humanidade até quando é possível pensar. Ao longo da história o suicídio foi adquirindo diferentes concepções, passando pela visões divergentes dos filósofos da antiguidade, a visão pecaminosa da Igreja e a condenação jurídica dos Estados na Idade Média, chegando a contemporaneidade com a categorização enquanto patologia. Entendendo que há predominância da visão do suicídio enquanto doença, muitas vezes o suicida é rotulado e classificado como alguém que tem um transtorno psiquiátrico que precisa ser tratado e curado. Ter pensamentos suicidas vai contra a visão hegemônica da contemporaneidade em que se deve escolher a vida acima de tudo. Nesse sentido, uma pessoa com pensamentos suicidas ou que tentou o ato vai contra o que esse valor supremo prega, e portanto, só poderia está fora de si. Uma pessoa normal, jamais poderia pensar em tirar a própria vida. Portanto, o suicídio entra na categoria de patologia, uma doença que deve ser evitada a qualquer custo. A psicologia é convidada para participar dos métodos de prevenção partindo desse princípio: que deve ser evitado sempre, que deve ser tratado como um sintoma/consequência de um transtorno. O questionamento desse projeto vai no seguinte caminho: será que o psicólogo que fundamenta a sua prática na fenomenologia hermenêutica pode pensar dessa forma? Qual seria outra direção para pensar o fenômeno do suicídio e atuar na área clínica a partir do pensamento fenomenológico hermenêutico de Martin Heidegger? Dessa forma, com base em uma revisão de literatura e relatos de experiências com atendimentos busca-se pensar um outro trajeto. Partindo desse caminho alternativo, esse estudo objetiva contribuir para o fortalecimento de uma prática clínica psicológica com bases existenciais, proporcionando bases para fundamentar o trabalho clínico do psicólogo com pessoas que pensam ou tentaram o suicídio.

156 Jussane Alexandre Risczik, Samara Cecilia Balica Strassburg e Alessandra Vieira Fernandes (Universidade Paranaense, Brasil) 133 PLANTÃO DE ATENDIMENTO PSICOLÓGICO: UMA CLÍNICA HUMANISTA-FENOMENOLÓGICA DE ACOLHIMENTO E RESSIGNIFICAÇÃO O Plantão Psicológico configura-se como modalidade de cuidado direcionada à demanda emocional emergencial da comunidade e funciona enquanto estratégia de promoção da saúde mental. Sua origem está associada à perspectiva humanista-fenomenológica, que considera o potencial do ser humano em desenvolver-se e ressignificar suas experiências mediante atitudes facilitadoras presentes na relação plantonista-cliente. A fim de contribuir para o desenvolvimento dessa clínica emergente, este estudo aborda a experiência de implantação do Plantão de Atendimento Psicológico. Objetiva-se descrever e caracterizar o perfil dos usuários atendidos pelo plantão, assim como as demandas identificadas. Participaram da investigação 47 usuários/as atendidos por plantonistas entre uma a três sessões, totalizando 68 atendimentos. Os dados foram coletados pelas Fichas de Registros de Plantão de Atendimento Psicológico e relatórios de atendimento produzidos pelos plantonistas, sendo analisados via estatística descritiva. Evidenciamos que mulheres e meninas foram o público atendido com predominância. A faixa etária entre 10 a 20 anos de idade mostrou-se prevalente, em contrapartida com o público na faixa de 40 a 70 anos de idade, que constituiu a minoria a buscar o serviço de plantão psicológico. A maioria dos usuários atendidos representam a comunidade externa à instituição. Concernente às demandas identificadas nos atendimentos, verificamos a predominância de conflitos familiares e transtorno depressivo, seguidas das queixas de ideação e/ou tentativa de suicídio e ansiedade. Sob estas demandas, as intervenções foram efetivadas de modo verbal e por meio de jogos, objetivando sua ressignificação. Notamos que a comunidade mostrou-se satisfeita com o serviço de plantão psicológico, pois os/as usuários expressaram sua relevância no momento vivenciado por eles, por viabilizar novas perspectivas frente ao sofrimento vivenciado, além de autonomia e desmistificação do atendimento psicológico.

157 Thalita de Souza Caldas, Beatriz Aparecida Patrocinio de Souza e Diogo Arnaldo Corrêa (Universidade de Mogi das Cruzes, Brasil) 134 PRÁTICA NA MODALIDADE DE PSICOLOGIA CLÍNICA FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL: UM ESTUDO DE CASO O objetivo desse estudo é apresentar a experiência de acompanhamento clínico de um atendido num Serviço-Escola de Psicologia a partir do referencial fenomenológico-existencial. Os atendimentos foram realizados no Serviço-Escola de Psicologia de uma Universidade do Alto Tietê por uma estagiária do 9º semestre. O atendido, 18 anos, masculino, foi acompanhado entre agosto a novembro de 2018(total de 10 atendimentos).a partir da escuta autêntica, encontro genuíno e relação dialógica durante os atendimentos individuais, além da supervisão em grupo para as orientações dos atendimentos, compreendeu-se que o que se desvelava era o encontrar-se perdido do atendido; referenciava desvinculação de seu ser em relação a pensamentos calculantes; suas relações estavam atreladas a modos impróprios e superficiais como não estabelecer novas amizades e relacionamento amoroso por não sentir pertencimento na relação e não compreender suas emoções com constante repetir e passar adiante. Sem relacionamento familiar, marcado por delicadezas, referia a prevalência do desamparo; e a compreensão do ambiente de trabalho como tóxico. Sua disposição e compreensão apresentavam-se superficiais, sem conseguir desvincular em outros âmbitos suas experiências. Todo esse movimento existencial denotava dispersão, uma impermanência que diz sobre um velamento significativo de uma existência que é atravessada e apresentada fenomenicamente por um entediar-se que gira em torno dela própria, onde não conseguia executar o cuidado primário, se apresentando em segundo plano, encontrando-se perdido. Após as intervenções, o atendido manteve-se em um lugar que ainda não conseguia enfrentar, alternando entre estar angustiado e entediado, fugindo de poder se enfrentar devido a um constante movimento de manter-se no impessoal tomado pelo cotidiano do mundo fático. Contudo, já apresentava reflexão sobre seu lugar no mundo e as possibilidades de execução do existir a caminho.

158 Anna Carolina Dechandt Von Henneberg e Marcos Vinicius Barszcz (Instituto de Ensino Superior Sant Ana, Brasil) 135 PSICOTERAPIA CLÍNICA FENOMENOLÓGICA E O AQUI E AGORA: APROXIMAÇÕES ENTRE YALOM E A PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA O presente trabalho se insere no campo de estudos da psicoterapia fenomenológica existencial, com ênfase no conceito de Aqui e Agora de Irvin D. Yalom, conforme debatido na obra Os Desafios da Terapia Reflexões para Pacientes e Terapeutas. O conceito é trazido pelo autor em uma obra de modo não sistemático, mas com ênfase literária, isto é, distante das formas padronizadas e sistemáticas de produção científica. Assim, indaga-se as aproximações e distanciamentos do conceito de Aqui e Agora descrito por Yalom em justaposição à clínica fundamentada em premissas da psicologia fenomenológica existencial. Assim, objetiva-se discutir o Aqui e Agora descrito de modo não-sistemático por Yalom em comparação com aspectos elementares de uma psicoterapia da referida base teórica. Para tanto, a partir de seu caráter bibliográfico, qualitativo e exploratório, compara temáticas centrais do Aqui e Agora de Yalom extraídas da obra Os Desafios da Terapia Reflexões para Pacientes e Terapeutas com conceitos que fundamentam a psicoterapia fenomenológica em outros autores, dentre aqueles, a epoché, o -ser-no-mundo, atitude natural e fenomenológica, as maneiras de existir e o ser-no-mundo-com-o-outro. Dentre os autores utilizados para a fundamentação da clínica fenomenológica-existencial encontram-se livros e artigos publicados em bases de dados científicos, de autores nacionais e internacionais que versaram sobre o tema. Os resultados parciais apontam para a possibilidade de aproximações entre a suspenção de julgamento característica da epoché e a análise centrada na hermenêutica do instante terapêutico; entre a atitude natural e fenomenológica em justaposição à análise conjunta dos significados de fenômenos emergentes na imediatez da sessão psicoterápica; e entre a materialidade do mundo circundante constituinte do Serno-Mundo e a utilização do Aqui e Agora como atualização perceptual do microcosmo em que o sintoma se realiza na vida do sujeito.

159 José Tomás Ossa Acharán e Andrés Eduardo Aguírre Antúnez (Universidade de São Paulo, Brasil) PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICA NO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE ESTUDO DE CASO 136 Nesta pesquisa será apresentado o estudo de caso da jovem Iris, 24 anos estudante da Universidade de São Paulo que procurou o Escritório de Saúde Mental buscando ajuda devido às ideias suicidas, sofrimento intenso com sentimento de culpa e ódio, comportamentos agressivos com outras pessoas, comportamentos de automutilação, sentimento de solidão por não conseguir manter relações duradouras, depreciação da sua autoimagem corporal e impossibilidade de manter projetos a longo prazo. Foi-lhe proposto um acompanhamento psicoterapêutico durante um ano, também foi encaminhada a um serviço de psiquiatria. Problemática de Pesquisa: será que a psicoterapia fenomenológica poderá ajudar a paciente a fazer mudanças positivas no seu quadro psicopatológico? Hipótese: acreditamos que a psicoterapia fenomenológica ligada as contribuições filosóficas de Michel Henry e à compreensão clínica da psicopatologia fenomenológica desenvolvida pelos psiquiatras Binswanger e Callieri, ajudará a ter melhoras significativas no quadro clínico da jovem estudante. Nosso objetivo é analisar os primeiros seis meses de tratamento psicoterapêutico, fazendo uma leitura sobre as mudanças que foram ocorrendo ao decorrer do processo psicoterapêutico. Metodologia: foi utilizado o método qualitativo de pesquisa, onde foram analisadas as notas das experiências mais significativas de cada sessão feitas pelo psicoterapeuta. Resultados Parciais: Iris tem demonstrado melhoras significativas no controle da sua impulsividade emocional e comportamentos agressivos perante os outros, conseguindo manter boas relações no seu ambiente de estágio, também tem conseguido diminuir a sua intensidade de ciúmes sobre o seu namorado, passando a estar numa fase estável da relação, que compactua com sua melhora numa maior estabilidade do seu estado afetivo. Iris tem se apropriado das escolhas e dos projetos, visualizando um futuro para si, situação que ela nunca tinha imaginado.

160 Nara Helena Lopes Pereira da Silva e Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (Universidade de São Paulo, Brasil) 137 PSICOTERAPIA ONLINE: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO PRELIMINAR O Conselho Federal de Psicologia regulamentou em 2018 a prestação de serviços psicológicos realizados por meio das Tecnologias de Informação e da Comunicação (TICs), autorizando, entre outros serviços, as consultas e/ou atendimentos psicológicos de diferentes tipos, síncrona ou assíncrona, com vistas à avaliação, orientação e/ou intervenção em processos individuais e grupais. Estudos apontam a necessidade de investimentos em cursos de graduação em Psicologia, elaboração e resoluções que orientem os psicoterapeutas no uso das TICs, falta de diretrizes para uma investigação da psicoterapia online, diversidade de nomenclaturas, falta de estudos e de treinamento específico para as novas modalidades de atendimento, manejo profissional adequado das Tecnologias, entre outros. Diante do cenário atual, busca-se evidenciar o fenômeno da virtualidade nos processos de psicoterapia online e nos processos presenciais mediados pelas TICs, por meio de uma leitura filosóficofenomenológica. Por se tratar de uma etapa preliminar de uma pesquisa de pós-doutorado que está sendo desenvolvida no IPUSP com financiamento FAPESP proc. n. 2018/ , pretende-se esboçar neste trabalho algumas reflexões acerca dos aspectos práticos decorrentes da interface psicologia e tecnologias, como ambiente e configuração da forma de atendimento, conduta e postura profissional, segurança das informações, capacitação para o uso de ferramentas tecnológicas; e também promover reflexões fenomenológicas acerca da virtualidade, em sua esfera cotidiana, comunicativa, ética e estética. As experiencias do virtual-real surgem como um convite para um reposicionamento sensível com o mundo, um novo modo de se posicionar diante da vida, com um alargamento dos modos de se relacionar, de se comunicar e de se vincular consigo e com os outros.

161 Felipe de Souza Areco e Julia Aparecida Pereira (Centro Universitário Barão de Mauá, Brasil) 138 QUANDO O SOL BATER, NA JANELA DO TEU QUARTO...A ESQUIZOFRENIA NA PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL A fenomenologia contribuiu para as possibilidades do estabelecimento das relações entre a filosofia e a psicologia, destacando que o conhecimento psicológico é reflexão e ao mesmo tempo vivência. Para a fenomenologia a personalidade se refere a um conjunto de características do existir, que são compreendidas e percebidas tendo como fundamento os seus aspectos fenomenológicos. Assim, para Heidegger a esquizofrenia é uma privação da essência, ou seja, da abertura do dasein para o ser. Por meio do contexto terapêutico está sendo oferecido para o paciente possibilidades para que o mesmo consiga ressignificar a sua existência para ser-no-mundo. O presente trabalho se constitui em um estudo de caso que está sendo conduzido em um estágio embasado na abordagem fenomenológicoexistencial, em uma Clínica Escola de Psicologia, localizada no interior de São Paulo. O paciente se queixa que depois do diagnóstico que lhe foi dado, sua vida parou e ele se sente engaiolado (sic) pela esquizofrenia, pois vive em um medo constante de tentar ser livre, e em algum momento se deparar com um surto. Ao notarmos o desvelamento do fenômeno a estagiária se colocou em uma posição de redução fenomenológica suspendendo então todos os seus saberes, e com isso possibilitou o paciente existir. Conforme os fenômenos estão se mostrando a luz da fenomenologia, a estagiária tem conduzido as sessões através da supervisão oferecida pelo seu professor supervisor de um modo em que *João consiga ressignificar o diagnóstico que lhe foi dado. Conforme a teoria embasada, pacientes esquizofrênicos tendem a se sentir privados de sua existência e se tornam seres monótonos. Além das possibilidades que surgem na psicoterapia, é instigante a forma como o paciente se entrega ao seu mundo, permitindo que a estagiária possibilite ser um fio condutor de sua existência para que as descobertas produzidas em seu mundo e nas relações pessoais possam fazer referência ao que já foi e ao que é no momento.

162 Valdir Barbosa da Silva Junior e Hinayana Leão Motta Gomes (Universidade de Rio Verde, Brasil) 139 QUESTÕES DE ESCOLHAS E RESPONSABILIDADES: UM ESTUDO DE CASO CLÍNICO FENOMENOLÓGICO O existencialismo percebe o homem como um ser livre, porém neste caso liberdade trata-se da habilidade de fazer escolhas e responsabilizar-se por estas, já que a vida é uma consequência daquilo que optou-se, pois para viver é necessário escolher. A escolha é vista como a essência do viver, pois o ser vivencia sua existência de acordo com o modo existente. Destarte na doutrina existencialista, a liberdade é conceituada de uma forma totalmente diferente da concepção clássica, ou seja, nesta visão é compreendida como liberdade sendo assim o livre arbítrio. Todavia, na visão sartreana, o conceito de liberdade é diferente do simplesmente poder optar ou não por se fazer algo, ou seja, é agir com liberdade, incorporada à responsabilidade. Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo compreender a experiência de uma mulher em relação ao projetar a sua responsabilidade e culpabilidade de escolhas no outro. Identificando os aspectos subjacentes a este fenômeno e comparando os achados fenomenológicos com a literatura já existente. Utilizou-se neste estudo o método de pesquisa qualitativa com enfoque fenomenológico, buscando assim compreender a experiência do sujeito livre de qualquer a priori, buscando-se a apreensão do vivido. A partir da análise dos dados, levantaram-se as seguintes unidades temáticas de sentido ou significado: estão ligados ao sentimento de abandono e culpa; e dificuldades nas escolhas e tomada de decisão. Estas temáticas tem grande importância, pois determinam a experiência do sujeito, mantendo o comportamento estudado. Conclui-se que a vida do ser humano, em seu cotidiano é de tomada de decisões e escolhas, e que ao contestar as diversas formas que o mesmo temporaliza seu espaço e assume suas escolhas na sua concretude, o sujeito ludibria suas escolhas e responsabilidades no outro. Tais aspectos psicológicos não foram explorados nesta pesquisa, e podem ser posteriormente investigados.

163 Ana Carla Sviderski, Aline Paula Sanczkoski, Camila Almeida, Nayara Lais Tedesco e Tagley Cristina Morás (Faculdade de Pato Branco, Brasil) 140 RELATO DE EXPERIÊNCIA EM CLÍNICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL O presente trabalho acadêmico de conclusão de concurso tem por objetivo explanar as experiências da acadêmica através do Estágio Supervisionado em Psicologia, a aluna realizou atendimentos individuais com duração de 50 minutos. As intervenções em psicoterapia clínica foram baseadas nos fundamentos da abordagem fenomenológico-existencial, nos principais conceitos da teoria. O caso exposto foi acompanhado pela acadêmica no seu estágio no período de Março a Junho de O cliente atendido será identificado com o nome fictício de José. As queixas inicialmente foram trazidas pelo médico clínico geral devido ao falecimento da mãe e um possível quadro depressivo. José demonstrava dificuldades de relacionamento com seus familiares, principalmente com o irmão e em vários momentos José não se responsabilizava pelas suas escolhas. No primeiro momento buscou-se otimizar a autoconsciência do cliente. Percebeu-se que José também possuía um sentimento de vazio em relação à própria vida, um sentimento de impotência quanto à organização de sua vida, resultando assim uma dependência com o outro. José demonstrava um sentimento de angústia e constantemente agia de má-fé, negando sua liberdade e suas responsabilidades, tentando estabelecer uma relação de dependência também com a estagiária terapeuta. Quando começa perceber que é o protagonista de sua própria história demonstra um sentimento de superioridade apontando os erros dos irmãos. Pode-se perceber um sentimento de aceitação do falecimento da mãe, contudo José cria um vínculo de afeto com a acadêmica ao saber da última sessão, o mesmo não comparece. Na abordagem entendemos que o indivíduo faz suas escolhas que são livres, no qual dá sentido a sua existência e isso significa liberdade, promovendo assim a maturidade da autenticidade, a liberdade de escolher envolve responsabilidade e compromisso consigo mesmo. A ação clínica parte da escuta, onde o indivíduo se compreende e isso gera abertura para outras possibilidades de ser.

164 Ellen Cristine Rocha Cabral Nunes (Universidade Federal Fluminense, Brasil) 141 RELATOS NO SPA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE: A FENOMENOLOGIA EM FOCO O tema central deste trabalho é propor uma reflexão sobre a importância de uma postura fenomenológica nos atendimentos psicoterápicos individuais cujo abordagem teórica é a Gestalt-Terapia(GT). Essa problematização terá como base a experiência da autora no Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Federal Fluminense no Centro Universitário de Rio das Ostras. A metodologia utilizada para a construção deste trabalho é a de revisão bibliográfica dos aspectos fenomenológicos presentes na abordagem da GT. O formato de relato de experiência tem como objetivo exemplificar a importância da postura e do respeito do gestalt-terapêutica diante do fenômeno da clínica. Este estudo tem como problema e indagação de que maneira a fenomenologia é importante para a postura do terapeuta em seus atendimentos na clínica psicológica. A GT surge como abordagem da terceira onda da psicologia, como um movimento de subversão das abordagens psicanalíticas e comportamentais da época. Seus principais autores foram Perls,Goodman e Hefferline. Ideais importantes da fenomenologia e do existencialismo fazem parte da fundamentação teórica desta abordagem psicoterápica. Utilizaremos como exemplo a utilização do fenômeno e da postura fenomenológica diante do cliente em terapia. Encarar cada atendimento individual como algo único e surpreendente faz parte dessa postura. O fenômeno, fundamental para a fenomenologia, é a realidade primeira da clínica, a experiência relacional com o cliente deve ser o foco imediato do terapeuta, já que o fenômeno já é uma totalidade em si. Utilizar o fenômeno presente na sessão deve ser o foco primeiro do trabalho do terapeuta. Pensar em atividades ou experimentos para facilitar o processo de contato do cliente com sua queixa é o instrumento básico do terapeuta. Em minhas experiências clínicas no SPA, usar o fenômeno a favor do cliente no momento presente é muito mais proveitoso do que a criação de atividades que serão levadas no futuro para o espaço terapêutico.

165 Victor Portavales Silva e Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 142 SOBRE A EXPERIÊNCIA ONÍRICA DE UM SUICIDA HERMÉTICO O trabalho pretende apresentar uma análise existencial acerca das experiências vivenciadas por um sobrevivente a uma violenta tentativa de suicídio. Através da análise de seus sonhos, delírios, alucinações e devaneios buscar-se-á refletir sobre o ato do suicídio e sua relação com o horizonte hermenêutico em que ele ocorre. O referencial teórico adotado pauta-se na fenomenologia-hermenêutica de Martin Heidegger e na filosofia existencial de Soren Kierkegaard. A vivência concreta, singular, de um suicida é utilizada para que se possa pensar a possibilidade do suicídio tal qual uma experiência que pode aparecer em nosso horizonte histórico como uma saída para qualquer existente. Assim, o estudo de uma situação individual de suicídio não se constitui como mero estudo de caso, mas precisamente como um estudo social, já que aponta para uma questão que não é da ordem da individualidade, mas da copertinência ontológica entre homem e mundo que é constitutiva do Dasein. No intuito de enriquecer a análise, será traçado um paralelo entre a situação apresentada e o clássico caso Ellen West, de Ludwig Binswanger, centrando a análise na importância dos relatos de ordem onírica, a despeito das polêmicas suscitadas em relação à conduta do psiquiatra. Esse enfoque busca retomar, na perspectiva da psicologia fenomenológico-existencial, a importância das experiências vivenciadas fora do estado de vigília. A análise deste tipo de material, embora já discutida por Ludwig Binswanger e Medard Boss, parece ter sido abandonada nas últimas décadas, sendo mais comumente associada às perspectivas psicodinâmicas em psicologia. A conclusão a que chegamos é que constituem importante objeto de estudo, e permitem trabalhar a questão do suicídio sob novos enfoques.

166 Lucas Araújo Soares, Yasmin de Lourdes Leite Guerra e Ana Karina Silva Azevedo (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil) 143 SOFRIMENTO NA ERA DA TÉCNICA: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE ESTÁGIO EM SERVIÇO- ESCOLA O presente trabalho foi desenvolvido a partir de uma investigação das demandas recebidas pelo autor durante estágio curricular em clínica no serviço-escola de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O estágio em questão possui duas etapas, a primeira de triagem e a segunda de plantão psicológico ambas foram consideradas. Percebese que grande parte dos relatos clínicos revela um sofrimento que tem lugar no horizonte histórico e descortina aspectos importantes de uma contemporaneidade marcada pela urgência ;, pela exigência por produtividade e desempenho. Alguns temas aparecem com frequência, como sensação de estresse e pressão, solidão, automutilação, ideação suicida e tremores, revelando como o adoecimento psíquico possui marcas do tempo atual. Este estudo, de caráter qualitativo e experiencial, tem como lente de interpretação a ontologia heideggeriana. Tem-se como objetivo buscar compreender de que maneira a experiência do sofrimento psíquico se situa historicamente e desvela sentidos de ser na contemporaneidade. A esse respeito, ganha destaque o que Heidegger vem a denominar como Era da Técnica, período em que impera a velocidade, os diagnósticos e a instrumentalização da vida assim como a impessoalidade, sendo esta um modo de ser do homem que carece de apropriação de si mesmo. O dasein, como ser historicamente constituído e co-originário ao mundo, tem, portanto, suas experiências afinadas pela técnica na atualidade e isto é notadamente expresso nas queixas clínicas. Além das citadas anteriormente, a problemática dos psicofármacos também é bastante presente e refere-se à tendência moderna de medicalização da existência e à cultura dos analgésicos. Tais questões se imbricam e apontam para a maneira como homem e mundo são em constante relação e para como as demandas clínicas dizem do sofrimento na atualidade.

167 Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo (Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro, Brasil) 144 SUICÍDIO E A CLÍNICA PSICOLÓGICA EXISTENCIAL: ATO DE VIOLÊNCIA CONTRA SI MESMO? Etimologicamente a palavra suicídio vem do latim suicidium, em que cidium (imolação) e sui (si mesmo), diz respeito a uma violência que o homem imprime a si mesmo. A questão que se apresenta é o que se pode entender como violência? Antes, porém, temos que retornar a definição de suicídio por parte dos estudiosos que tratam desse tema. Eles dizem que esse ato infringido a si mesmo tem que terminar em morte, caso a morte não se concretize não podemos falar em suicídio, mas em tentativa de suicídio. Assim, somente a violência contra si mesmo não é necessariamente, suicídio, pode ser apenas tentativa. Mas ainda há problema nisso, o que realmente se quer dizer com violência contra si mesmo? Alguns estudiosos do tema dizem que violência quer dizer qualquer ato que provoque uma lesão corporal; outros estendem que são atos que levam ao sofrimento psíquico e moral. No entanto, ao se pensar em suicídio, ato que finalize com a vida, a violência está apenas atrelada ao corpo - a lesões que levem à morte. Se não levarem ao óbito, são tentativas desde que a intenção fosse morrer. Aqueles que fracassaram na tentativa de terminar com a sua vida, temos então que proceder para alcançar quais eram suas intenções. Outro problema resulta daí: como alcançar as intenções do outro? Pelo que ele diz, pelo modo como age ou ainda pelo sentido daquilo que está em jogo na tentativa? O que encontramos na relação clínica são duas situações: tentativa de suicídio e suicídio malogrado. No primeiro caso, a tentativa poderia não cumprir aquilo que parecia ser o objetivo; no segundo, todo ato ocorrera para atingi-lo, no entanto, malogrou. Nessas duas situações podemos buscar o que estava em jogo no querer pôr fim à vida. É isso que vai acontecer na relação clínica que muitas vezes nos surpreende, mesmo porque o que aparece vai na contramão do que dizem os compêndios e manuais.

168 Léa Cristina De Lazzari Bessa e Lilian Cláudia Ulian Junqueira (Universidade Paulista, Brasil) 145 SUICÍDIO: DO ESCURO DO EXISTIR À REINVENÇÃO DA VIDA NO ABRIGAMENTO DO PLANTÃO PSICOLÓGICO O plantão psicológico é um atendimento emergencial que pode se caracterizar por um único encontro, recebendo a procura espontânea do paciente ou sendo encaminhados pela rede municipal, realizados em um Centro de Psicologia Aplicada do interior de São Paulo. Os alunos plantonistas atendem os pacientes no momento imediato à procura, com supervisão imediata. Muitos são acolhidos na urgência do desabrigo existencial, manifestando possibilidade de cometer autoagressões diversas, como saída imediata da dor e do sofrimento. O estudo teve por objetivo compreender as dimensões existenciais do plantonista e do paciente, neste inesperado que reflete no ser-aí e no vir a ser do Dasein, que no encontro convoca a entrega do próprio terapeuta à ajuda emergencial. Realizado sob o aporte compreensivo da psicoterapia existencial e no método fenomenológico, foram analisados cerca de 10 plantões psicológicos, com demandas sobre ideação suicida. O terapeuta lida com a própria angústia do seu ser-aí lançado na agoridade, exposto ao sofrimento humano e seus desdobramentos. Questionase como lidar com este emergencial tendo em perspectiva o processo terapêutico que se faz necessário em ideações suicidas e como orientar a trajetória deste processo na sua singularidade. Como lidar com a angústia do estagiário na busca de abrigo diante ao sofrimento apresentado pelo paciente? Plantonista e paciente, lançados em constante construção e desconstrução, em busca de nova confiança no abrigamento, e que desta relação nascem novas possibilidades, onde o caminho terapêutico se faz caminhando ao lado, numa postura que aguarda, acolhe e medita o acontecido. Apesar do impacto que gera a insegurança no manejo do suicídio, quando refletido, constrói possibilidades em re-inventar-se, como esperança de morada e, na medida que constrói novos sentidos, distancia a possibilidade de morte, nascendo da relação a sabedoria do cuidar e olhar juntos para o sofrimento, que sempre busca por compreensão.

169 A Fenomenologia na Formação em Psicologia

170 Telma Regina Lago Costa e Jade Mac Cormick Diniz Cabral (Centro Universitário IESB, Brasil) 147 A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO PSICÓLOGO NA FENOMENOLOGIA SUPERVISÃO CLÍNICA, ATUAÇÃO E IDENTIDADE Pretendeu-se averiguar a vivência de supervisora e supervisionadas na clínica-escola, bem como o impacto da supervisão no processo de formação acadêmica e na construção de identidade profissional dos envolvidos, sob a ótica da fenomenologia-existencial. Para tanto, utilizou-se do método qualitativo, em que há os relatos das vivências pessoais de orientadora e orientadas, no período do nono semestre do curso de Psicologia, na unidade de Ceilândia-DF. Através da leitura de texto na abordagem, iniciavase a supervisão com o debate e a discussão entre supervisora e colegas, elencando a experiência clínica com a teoria a fim de construir uma visão fenomenológica sobre o atendimento clínico. Orientar alunos de Psicologia, na posição de docente, nos atendimentos clínicos, na abordagem fenomenológicaexistencial tem sido um desafio e ao mesmo tempo um prazer. Nestes quatro anos, como supervisora clínica, tem acompanhado alunos de graduação em ensino superior, percebendo o quanto é desafiante convidar e conseguir retirar o aluno em formação da visão causal, linear e com julgamento moral ou um diagnóstico categorizando o paciente. Sair da visão universal da Psicologia é um desafio que cada aluno, no decorrer do processo, vai se percebendo na sua singularidade. Neste período, já houve diferentes tipos de alunos, a clientela é carente por se tratar de usuários de uma cidade periférica no Distrito Federal e os casos emocionais são perpassados diversas vezes pelas questões de vulnerabilidade social, violência e outros. Como supervisionada, a vivência prática do fenômeno clínico é o meio não só para aprender empiricamente conceitos e conteúdos ministrados em sala de aula, como também fornecer um real peso, incapaz de ser transmitido através do método tradicional de educação. O cuidado e a clareira, conceituados cientificamente em capítulos, somente ganham sentido e perspectiva, aos alunos, no estar com o outro e no compartilhamento de vivências seja no atendimento, seja na supervisão.

171 Renata Ferreira de Azeredo (Faculdade Maria Tereza, Brasil) 148 A SUPERVISÃO CLÍNICA COMO ESPAÇO DE (TRANS)FORMAÇÃO DO ESTUDANTE DE PSICOLOGIA EM PSICÓLOGO(A): COMO FAZER? Este trabalho tem o propósito de narrar vivências e refletir sobre desdobramentos da atividade de supervisão de estagiários(as) em formação profissional, do curso de psicologia das Faculdades Integradas Maria Thereza no período de 06/08/2018 a 12/12/2018, a partir da abordagem fenomenológico-existencial. Esta, nos orienta a refutar a ideia de causalidade na explicação dos fenômenos humanos e visa contribuir para a afirmação de uma prática psicoterápica capaz de desvelar outras possibilidades de compreensão do ser. Entendemos que isto gera um desafio para o(a) estagiário(a), ávido(a) por encontrar um protocolo de como proceder na clínica, algo que explicite como interpretar os fenômenos ou que o(a) ajude a relacionar: causa do sofrimento de seu analisando com o tratamento adequado para trazer-lhe felicidade. Para se trabalhar à luz da fenomenologia é imprescindível que se construa um olhar novo para a clínica psicológica. Por isso, apresentou-se compreensibilidades plurais, que auxiliassem a um pensar e a um fazer clínica não asséptico, ao contrário, idiossincrásico e hermenêutico durante as supervisões. Conceitos trazidos nas obras de Heidegger, Sartre e Kierkegaard, contribuições de Sapienza, Sá e Feijoo e escritos de Guimarães Rosa e Fernando Pessoa, foram constituidores deste processo de criação-supervisão, auxiliando na composição de um exercício compreensivo dos fenômenos-humanos. Um dos resultados obtidos foi a defesa de um fazer clínica que assume o método fenomenológico-hermenêutico em articulação com a arte, aqui especificamente a literatura, justificando para tal, a tomada da existência como indeterminação; ou seja, ao admitirmos o existir-humano-no-mundo como possibilidade sempre inacabada, faz-se necessário pensar uma clínica psicológica que prescinda de determinações dadas a priori e perfaça seu caminho no caminhar, num exercício contínuo que articula o saber que se aprende manualmente e a partir da própria experiência.

172 Sheylla Sousa Silva, Telma Regina Lago Costa, Baltazar Ferreira Dos Reis, Nádissa Portela Nunes e Izabelle Cristina Dos Santos (Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília, Brasil) 149 A SUPERVISÃO E A CLÍNICA BASEADA NA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA Ao iniciarmos as supervisões estabelecemos na nossa mente que temos que saber como atender o nosso cliente/paciente, e que precisamos mostrar resultados; porém na perspectiva fenomenológica esses pensamentos começam a se esvair e nas supervisões percebe-se como vão surgindo novas formas de viver o fenômeno que se abre no espaço de compreensão do ser-com, aproveitando a ideia de apenas existirmos com o outro. E esse espaço segue nos atendimentos, e cada um de nós nos despimos do que já se conhece e se permite conhecer algo novo, como o nosso cliente percebe o mundo, nos proporcionando uma troca, uma construção mútua. Saber que o pronto não existe e que o Ser não está encapsulado é libertador para ambos, terapeuta/paciente e o desvelar de uma pessoa é descobrir cada vez mais, e sempre terá algo novo para viver se permitirmos essa relação com o outro. A experiência de se aproximar do vivido tanto no momento da supervisão como no espaço terapêutico da clínicaescola, tem se mostrado desencadeador de mudanças tanto no cliente como no terapeuta. O espaço terapêutico promovido pelo encontro psicológico, transforma queixa ou diagnóstico em fenômenos compartilhados. O valor da supervisão para o desenvolvimento fenomenológico que acontece na clínica-escola pode ser registrado e percebido pelas narrativas dos alunos supervisionados e pela própria supervisora que também no ser-com desenvolve-se junto aos seus alunos. Deste modo temos a intenção de promover a importância da experiência clínica/supervisão na construção de nossas identidades profissionais, ainda na graduação, pois nos proporciona esse estar com o outro e uma reflexão sobre o estar na nossa própria existência. Por estarmos em processo de supervisão no presente semestre, ainda não temos resultados sobre a nossa pesquisa qualitativa.

173 Guilherme Bessa Ferreira Pereira e Willian Ricardo Caixeta (Faculdade Patos de Minas, Brasil) 150 ANÁLISE DA INSERÇÃO DA PSICOLOGIA HUMANISTA NO BRASIL A PARTIR DA OCORRÊNCIA DE EVENTOS CIENTÍFICOS A Psicologia Humanista-Fenomenológica se refere a um grande leque de abordagens psicoterápicas que possuem consonância em referências teóricas, filosóficas e uso de metodologia fenomenológica, experiencial e/ou hermenêutica. Surgida em meados do século XX, exerceu grande influência no campo da psicologia clínica, organizacional e na educação. No Brasil, a inserção da Psicologia Humanista se deveu à ação direta de determinadas pessoas que se esforçaram em organizar a divulgação e a formação de profissionais. Neste cenário foi fundamental a ocorrência de encontros de formação, workshops e vivências bem como iniciativas acadêmicas como defesas de teses e de dissertações e congressos acadêmicos. Passadas décadas dos primeiros eventos, este trabalho tem como objetivo fazer um levantamento dos encontros acadêmico-profissionais realizados entre 2013 e 2018 visando descrever e mapear a inserção da Psicologia Humanista-Fenomenológica. Como fonte de dados recorreu-se às divulgações online do Conselho Federal de Psicologia. Conforme os critérios estabelecidos nesta pesquisa, chegou-se ao resultado de 26 eventos analisados e organizados nas seguintes categorias: temática, tipo de evento, datas, localidades e instituições promotoras. Foi revelado então que a maioria dos eventos trata de temas relacionados à Fenomenologia, tem o formato de Congresso, ocorreu entre 2016 e 2017, estão concentrados na região Sudeste (apesar de ser grande também o número de eventos ocorridos no Nordeste) e foram promovidos por Universidades. A partir de tais resultados infere-se sobre o esforço de busca de respaldo acadêmico-científico para as práticas e teorias da Psicologia Humanista-Fenomenológica, fato já apontado como necessário por outros autores da área. Assim como se reconhece que os profissionais e pesquisadores têm buscado diálogo e proximidade valorizando trocas e intercâmbios característicos a estes eventos.

174 Davi Corlett Silva, Sandra Souza, Alana Alexandra Almeida da Silva e Vinícius André Gouveia de Sousa (Universidade Federal da Paraíba, Brasil) 151 APRENDIZAGEM NA DISCIPLINA DE PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA E EXISTENCIAL I NO CURSO DE PSICOLOGIA DA UFPB Psicologia Fenomenológica e Existencial I é ministrada na UFPB no quarto período do curso de Psicologia. Na fenomenologia, o fenômeno se apresenta unicamente para cada pessoa, considerando que o processo de conhecer se dá na intencionalidade da consciência. Questiona-se: é possível facilitar o ensino-aprendizagem, utilizando o princípio da intencionalidade no entre a disciplina e alunos? Teve como objetivo facilitar o alunado a participar na construção de sentidos no processo de aprendizagem. Foram três unidades: as duas primeiras com filósofos das abordagens fenomenológicas existenciais e a terceira apresentação de trabalhos pelos alunos. A metodologia foi acordada com o alunado. Firmou-se um compromisso grupal. Primeira unidade: Kierkegaard, Husserl, Heidegger. A avaliação consistiu em resenhas críticas, realizadas em sala de aula após estímulo dado: encenação artística pelos monitores. Segunda unidade: Sartre, Nietzsche, Buber. A avaliação consistiu na produção de questões feitas pelos alunos. Após isso, os monitores selecionaram algumas questões, resultando em quatro tipos de provas. A terceira unidade consistiu na apresentação de trabalhos em grupo com temas livres: filmes, música, teatro, dança, relacionando com o conteúdo do semestre. Ao final, a turma avaliou a disciplina. Recortes de falas dos alunos: A avaliação se mostrou mais didática e contextualizada, quando comparada com o modelo tradicional. ; Achei bem estimulante, bem estimulante e inovador, uma vez que priorizava avaliar o entendimento do aluno com relação ao tema abordado. Permitiu reflexões, apropriação da teoria e síntese. Na terceira avaliação, os alunos declararam a autonomia com liberdade sobre o processo ensino-aprendizagem. A arte demonstrou papel destacado na compreensão do conteúdo dado. O processo de aprendizagem proposto foi bem avaliado. Percebeu-se que o aluno pode engajar-se de forma autônoma no processo de aprendizagem, vivenciando na intencionalidade o sentido no aprendizado.

175 Amanda Mendes Cavalcante dos Santos e Leonardo Alves Coelho (Faculdades Maria Thereza, Brasil) 152 AS BORBOLETAS DA SAÚDE MENTAL: EXPERIÊNCIA NO CASULO O presente trabalho narra a experiência de estágio em Psicologia, em um Hospital-Dia de Saúde Mental no município de Niterói-RJ. Lugar onde os autores se deparavam com visões restritivas e limitantes do cuidado com os pacientes da clínica, estes, que reduzidos a seus diagnósticos eram constantemente privados de seu poder-ser. A narrativa foi dividida em dois momentos. O primeiro, por um conto autoral, intitulado A menina e suas borboletas, que expressa através de uma linguagem lúdica e poética a relação paciente/equipe técnica, ou seja, de um lado os usuários capturados nas caixinhas manicomiais e de outro, os técnicos que, sob a égide do que intitulam enquanto cuidadores, capturam suas liberdades. O segundo momento, à luz da fenomenologia, apresentaremos os contrapontos entre uma clínica determinante, focada nas estruturas psíquicas e substancializadas, que cerceiam possibilidades, e uma clínica da liberdade, que corresponde ao encontro daquilo que se mostra a seu modo próprio e a partir de si mesmo, de sua própria experiência em seu âmbito de sentido. Com isso, retomamos e enfatizamos a importância de pensar a reforma psiquiátrica através de uma reflexão das práticas dos serviços de saúde mental. Propondo a atitude fenomenológica como via de acesso ao que se mostra, acolhendo as idiossincrasias dos usuários, de modo a não reduzir as suas aberturas de poder-ser e estar-no-mundo. Apostando numa prática clínica baseada no encontro, trazemos neste artigo nossa experiência com essas pessoas únicas, que foram capazes de des-aprisionar-nos, ensinando-nos a virar borboletas.

176 Yasmin de Lourdes Leite Guerra, Lucas Araújo Soares e Ana Karina Silva Azevedo (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil) 153 COMPREENDENDO O SUICÍDIO À LUZ DA ONTOLOGIA HEIDEGGERIANA: EXPERIÊNCIAS EM UM SERVIÇO-ESCOLA Os serviços-escola são instituições voltadas para a formação profissional do psicólogo, fornecendo espaço para práticas de atendimento clínico pelos estudantes através de estágios supervisionados, pesquisas e extensão. Busca-se atender e acolher a comunidade, ofertando serviços à população que, em grande parte, não possui recursos para adquiri-lo em outros lugares. Sob a ótica da fenomenologia de Martin Heidegger, compreendemos que apesar das demandas que chegam ao serviço serem advindas de experiências singulares do Ser-aí, elas têm como plano de fundo temas transversais à existência do homem. A tentativa de suicídio é uma temática frequente na escuta clínica, que pensada a partir da hermenêutica heideggeriana, pode ser relacionada às tonalidades afetivas fundamentais da angústia, do tédio e ao desejo pela finitude da existência em um mundo pós-moderno. O presente estudo tem como objetivo relatar as experiências obtidas no Serviço de Psicologia Aplicada (SEPA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tendo em vista três atendimentos de triagem realizados no primeiro semestre de 2019, pela estagiária autora deste estudo, que envolveram a temática da ideação ou tentativa de suicídio. As compreensões de intenção de autoextermínio daqueles atendidos no SEPA serão realizadas sob a ótica da ontologia heideggeriana, através de um trabalho qualitativo e experiencial. A partir das reflexões propostas, observa-se que o esvaziamento de sentido desencadeado pela angústia pode conduzir o homem ao suicídio, como uma forma de eliminá-la, devido à dificuldade de sustentação desta tonalidade afetiva. O tédio, por sua vez, impede a temporalização do homem, desvinculando-o de sua historicidade. Deste modo, o Ser-aí se encontra desinteressado por si e pelo mundo a sua volta, levando-o a reconsiderar sua própria existência.

177 Renata Cristina Barbosa Castro e Lilian Claudia Ulian Junqueira (Universidade Paulista, Brasil) 154 DESABRIGO SE CUIDA ABRIGANDO: DESVENTURAS ENTRE PACIENTE E TERAPEUTA NO ACONTECER DA PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICO Estudo de caso de psicoterapia com uma adolescente que relatou suas vivências de sofrimento e desabrigo existencial, sentindo-se desacolhida como ser-no-mundo. Ela busca ajuda espontaneamente no plantão psicológico da clínica escola, vestida de desespero e dor por não conseguir mais existir em abandono do pai. Foi acolhida pela estagiária e iniciou a psicoterapia, perdurando por dois anos. Este estudo foi realizado sob o aporte da Daseinanálise e fundamentado no método fenomenológico de pesquisa clínica. Foi realizada a análise das sessões transcritas na íntegra e tematizada em categorias conforme a análise das similaridades e singularidades. Durante o processo terapêutico partilhou o ressentimento pelo desprezo do pai e sua ausência. Sofreu experiências de desproteção por abuso sexual na infância e adolescência, ansiedade, medos, desconfiança, carência excessiva, desejo de ser aceita e amada, gerando sonhos longe da realidade. Fenômenos como inseguranças, desafios, incertezas, ações homofóbicas, discriminações foram frequentemente relatadas e refletidas nas sessões. Com restrições nas realizações de seus existenciais, tais como liberdade existencial, seu desejo de morte era intenso diante do enfrentamento da dor, o que resolvia com automutilação, apresentando ideação suicida, ocasionando uma queda do Dasein e na terapeuta. O final do processo compreende uma experiência de superação com descobertas de possibilidades, conquistas, um amadurecimento e liberdade estabelecida na relação, o que permitiu a adolescente e a estagiária saírem do desabrigo, adquirindo confiança, desenvolvendo domínio do seu ser-aí, com responsabilidade, podendo vir-a ser, assumindo as facticidades do existir, lidando com as limitações do seu ser para a morte como escolha de possibilidades de Existir e não somente como restrição. Terapeuta e paciente transforma-se percebendo que o caminho se faz caminhando, numa postura meditativa em que se reflete e vive junto ao acontecer da Vida.

178 Guilherme Vasconcelos Torres e Ewerton Helder Bentes de Castro (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) 155 E A PARTIR DA MÚSICA, AS EMOÇÕES SE EXPRESSAM: ESTUDO FENOMENOLÓGICO COM DISCENTES DE PSICOLOGIA O homem, como ser no mundo, tem a capacidade de transformar tudo que lhe é significativo (ou não) em conjuntos rítmicos, harmônicos e melódicos. A música tem permeado o fazer e o caminhar humano desde a ancestralidade. Assim, a música tem subsidiado o desenvolvimento, o crescimento e propiciado o enfrentamento de situações difíceis em variados contextos sociais. Desta forma, esta pesquisa buscou compreender o sentido atribuído à uma música erudita Bourée em Mi Menor de Johann Sebastian Bach por grupos de estudantes de psicologia a partir do olhar da Psicologia Fenomenológico-Existencial. A pesquisa foi no viés qualitativo, de caráter descritivo e exploratória, utilizando o método fenomenológico de pesquisa em Psicologia. Foram participantes vinte e dois discentes do Curso de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas. Após escutarem a música, foram realizadas entrevistas áudio gravadas que partiram de uma questão norteadora, que sofreu possíveis desdobramentos. A análise das entrevistas foi realizada considerando os pressupostos da Psicologia Fenomenológico-Existencial de Maurice Merleau-Ponty, sendo construídas, a partir das falas dos participantes, cinco categorias de análise: A récita inicia: a imersão na música e as sensações; Temporalidade; Capacidades, habilidades e atitudes; E sou afetado: os sentimentos afloram; Outras concepções, outras conotações, outras possibilidades. O estudo aponta à utilização da música para subsidiar o processo ensino/aprendizagem e em Dinâmicas de Grupo com grupos específicos.

179 Ana Paula Chagas Monteiro Leite, Márcio Barra Valente e Cezar Luís Seibt (Universidade Federal do Pará, Brasil) 156 EXPERIÊNCIA DOCENTE EM PSICOLOGIA: UMA PERCEPÇÃO FENOMENOLÓGICA SOBRE CUIDADO COM/DO DISCENTE Neste trabalho as reflexões apresentadas versam sobre diferentes experiências dos autores como docentes na formação em Psicologia. Objetivou-se investigar as relações entre docentes- discentes para compreender os sentidos do cuidado na/com a referida formação. Assim, buscou-se subsídios na leitura de Martin Heidegger acerca do cuidado. Quanto ocupação: está na essência relacional da existência humana enquanto cuidado para com os entes intramundanos e revela-se através da utilidade instrumental. Como preocupação: fundamenta-se na constituição essencial da existência enquanto ser-com-outros e designa o cuidado para com os outros seres humanos. Este envolve múltiplos modo: o primeiro diz respeito a indiferença e ausência de surpresa no cuidado e relaciona-se com o cotidiano e a média do conviver com os outros. O segundo trata da preocupação que se antepõe ao outro, no sentido de substitui-lo. Nessa preocupação, o outro pode se tornar dependente e dominado por aquele que cuida dele. O terceiro implica colocá-lo diante de suas próprias possibilidades existenciais. Acredita-se que este modo como o mais adequado ao docente, sendo cuidado propriamente dito. Na formação acadêmica encontramos discentes ainda pouco preocupados com os desafios da profissão, por exemplo, desenvolver escuta diante do outro em sofrimento. Bem como demasiado preocupados com teorias que decifrem este outro como objeto. Concluise que a existência do discente não é uma coisa com que os docentes se ocupam indiferentemente nem algo que alguém faz por ele. Pelo contrário, trata-se de um ajudar o discente a tornar-se, em seu cuidado, transparente a si mesmo e livre para ele, não sendo possível ensinar um modo específico de cuidado como algo pronto e acabado.

180 Luiz Humberto Souza Júnior, Paulo Coelho Castelo Branco e Ana Clara Santos Alves de Oliveiria Freitas (Universidade Federal da Bahia, Brasil) 157 EXPERIÊNCIA FORMATIVA EM JOVENS CALOUROS DE UMA UNIVERSIDADE INTERIORIZADA: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO Esta pesquisa objetiva compreender a experiência e o processo de formação do psicólogo em alunos recém ingressos no curso de Psicologia em um campus interiorizado pela ação governamental do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Inserida em uma perspectiva nacional de estudos sobre a formação do psicólogo no Brasil, esta pesquisa se torna relevante ao juntar-se para um conjunto de estudos que pretendem contribuir com uma descrição e reflexão sobre as especificidades da formação de psicólogos em um campus interiorizado pelo REUNI. A amostra foi composta por nove discentes matriculados no curso. Os participantes responderam a entrevistas semiestruturadas. Posteriormente os dados foram analisados segundo a perspectiva fenomenológica empírica de Amedeo Giorgi. Foram estabelecidos três eixos de sentidos relacionados: aos vínculos entre discentes e docentes; as suas compreensões sobre a matriz curricular do curso; a valorização e desvalorização advindas do processo de interiorização. A partir dos resultados obtidos, observou-se que as experiências dos alunos expressam: relações proximais com os docentes, que tornam o ambiente universitário mais acolhedor; compreensão de que faltam ofertas de optativas por falta de contingente de professores e apreciação de uma grade mais voltada para a área de Saúde. Conclui-se com proposições de uma pesquisa comparativa entre as matrizes curriculares da instituição situada no interior e das sediada na capital, pesquisasse uma pesquisa compreensiva sobre a experiência de egressos que estão inseridos no mercado de trabalho no interior.

181 Sara Dutra Sotte e Lúcia Adriana Salgado Affonso Anhel (Universidade Federal Fluminense, Brasil) 158 FENOMENOLOGIA DO ESTAGIAR: UMA POSSIBILIDADE DE VIR A SER PSICÓLOGO O presente trabalho tem por objetivo observar as práticas de estágio em psicologia referentes a um projeto de estágio/extensão universitário, tendo como período observado os anos de 2014 e Este estágio/extensão nasce a partir da relação Universidade e Cidade, atuando em quatro escolas da rede pública, tanto municipais quanto estaduais, por meio do projeto Da Escola para o Trabalho. A partir de uma perspectiva fenomenológica existencial, a qual propõe romper com a atitude natural cotidiana de objetivar e cristalizar os sentidos da existência e das experiências ganhando, com as representações teóricas, um reforço, o que dificulta ainda mais a atitude fenomenológica de suspensão, lidamos com a suposição de que o lugar do estagiário apenas pode ser legitimado a partir do saber positivo ao qual está respaldado sua prática, sendo pela detenção da técnica eficaz de intervenção que se tornará profissional. Esse trabalho visa um redimensionamento do lugar da teoria e das técnicas psicológicas nas práticas de cuidado sob a compreensão fenomenológica, trazendo a relevância para o estagiário de se vivenciar a experiência clínica para só depois se apoiar na teoria.

182 Magna Silvana da Silva Peçanha, Iasmim Oliveira dos Anjos, Larissa Rodrigues Augusto, Thuany Cristini da Costa Torres e Miriam Carvalho Brito de Mendonça (Universidade Federal Fluminense, Brasil) 159 FENOMENOLOGIA E PROCESSOS DE FORMAÇÃO: PROJETO DE DESENVOLVIMENTO ACADÊMICO DA UFF-IHS A presente comunicação diz respeito ao Projeto de Desenvolvimento Acadêmico UFF- PROAES Psicologia, Modernidade e Pensamento Contemporâneo realizado junto ao departamento de Psicologia da UFF-IHS-RPS (orientador: Prof. Marcio Miotto). Trata-se de um projeto de iniciação à pesquisa, cujo objetivo é estudar diversas transformações e críticas às historiografias da Psicologia, segundo dois eixos: o primeiro enfoca a História da Psicologia e busca revisões críticas à imensa cultura de manuais, tomando como base autores como Paul Mengal, Fernando Vidal, Georges Canguilhem e outros; o segundo eixo tenta compreender a Psicologia dentro dos debates maiores sobre a Modernidade, tomando como base diversos autores, tais como Michel Foucault, a Fenomenologia e outros. Cabe aos integrantes acompanharem o professor dentro de um desses dois eixos. Sendo assim, as atividades de Desenvolvimento Acadêmico se desdobraram como um grupo de estudos sobre Fenomenologia (também vinculado a um dos momentos do projeto PIBIC-UFF A Questão da Clínica na Obra Inicial de Michel Foucault ), cuja organização consiste em encontros semanais para a discussão dos textos previstos no cronograma, sob a condução de um dos membros do grupo, tendo por objeto uma introdução a Husserl focada na crise da humanidade européia e a contrapartida fenomenológica. A presente comunicação descreverá os desenvolvimentos e implicações do Projeto, tomando como critério duas frentes: em âmbito epistemológico, a crítica da fenomenologia às diversas perspectivas naturalistas e objetivistas vigentes em Psicologia; e em âmbito de formação, a importância da Fenomenologia em contextos formativos que muitas vezes perpassam a atitude natural, as perspectivas positivistas ou outros modos irrefletidos sobre o ser humano.

183 Ludmila Jeanne da Costa Moreira e Thais Mayara Dias da Silva (Instituto de Educação Superior de Brasília, Brasil) 160 IMPACTO DA FENOMENOLOGIA NO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE DISCENTES DE PSICOLOGIA O presente trabalho tem como objetivo principal expor a importância do estudo da fenomenologia-existencial na graduação de alunos de Psicologia e busca incentivar a valorização da mesma na prática de psicólogos, pois, acredita-se que, a fenomenologia- existencial auxilia o psicólogo a obter uma compreensão mais profunda da queixa de seu paciente e a enxergar seu paciente de forma mais ampla, sem o coisificar. Para isso, realizou- se uma análise das experiências e transformações que o contato com a fenomenologia- existencial, através da teoria e da prática vivenciadas no estágio supervisionado, proporcionou às autoras. Com isso, observou-se que, através do aprofundamento no estudo sobre a fenomenologia-existencial, as autoras obtiveram uma melhora significativa em sua atuação no contexto clínico, pois desenvolveram maiores habilidades de investigação dos fenômenos e aprimoraram habilidades pessoais que interferiam nos processos psicoterapêuticos dos quais atuavam como alunas-terapeutas. Além disso, as autoras passaram a compreender a importância da responsabilização de seus pacientes nos fenômenos presentes em suas vidas e a enxergar as queixas e o sofrimento de seus pacientes de outra forma, visto que, o contato com abordagens que focam sua atuação na resolução de problemas ou que trabalham com determinações psíquicas havia sido maioria em suas respectivas graduações na Psicologia. Portanto, conclui-se que, devido ao fato de a visão fenomenológica-existencial tornar a psicoterapia mais eficaz, por proporcionar uma melhor compreensão dos fenômenos e a enxergar de forma mais adequada os entes, ela torna-se mais do que uma abordagem dentro da Psicologia e passa a ser válida como complemento para todas as abordagens presentes na Psicologia.

184 Jaqueline Lima da Silva Nery e Márcio Melo Guimarães de Souza (Existere, Brasil) 161 MEMORIAL DE FORMAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE BUSCA DE SENTIDO NA FORMAÇÃO PSICOLÓGICA Este trabalho consiste em uma reflexão crítica entre trajetória escolar e elaboração de sentido com os recursos da fenomenologia-existencial. Com apoio das contribuições dadas por Paul Ricoeur ao campo de relações entre tempo, narrativa e poética, procurou-se elaborar um memorial acerca do percurso escolar da autora, explorando-se as experiências que vão das dificuldades de aprendizagem, passando pelo fracasso escolar, até o engajamento com a escola. O exercício foi realizado sob a perspectiva metodológica de que era possível encontrar nas teorias de Heidegger, Merleau-Ponty, Sartre e Kierkegaard a potência analítica para se pensar inautenticidade e elaboração de sentido como condições fundamentais do sujeito engajado pela ou na educação, bem como os efeitos resultantes de fracasso ou sucesso escolar. Para tanto, a elaboração da narrativa escolar em primeira pessoa, continente das implicações subjetivas e poéticas do sujeito, foi tomada como método privilegiado em duas medidas. Primeiro, por permitir livremente a busca pela palavra autêntica que representa as experiências de sentido ou alienação por parte do sujeito. Segundo, porque a elaboração do discurso escrito sobre a história vivida permite a ressignificação das experiências e a produção de novos sentidos. A elaboração do trabalho e sua exposição em modalidade de roda de conversa indicou, como resultados parciais, a potencialidade da narrativa para elaborar sentidos para sua autora e sua potência em convocar outras narrativas no exercício da roda.

185 Daniela Dantas Lima (Universidade São Francisco, Brasil) 162 NÃO TEM REMÉDIO: O DESAFIO DA REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA NA SUPERVISÃO DE PSICOTERAPEUTAS A psicologia nasce com a expectativa de seguir o modelo das ciências naturais, sendo fundada a partir do modelo biomédico, em uma cultura marcada por uma visão de homem cartesiana e positivista. As intervenções da psicologia tradicional reproduzem essa visão dicotomizada concentrando-se em aspectos superobjetivos ou supersubjetivos das vivências. O existencialismo e a fenomenologia opõem-se a esse ponto de vista e tentam resgatar a percepção do funcionamento humano tal como se dá, compreendendo o homem uma encarnação do entrelaçamento entre natureza e cultura. Desse modo, as psicoterapias de base fenomenológico-existencial partem do pressuposto de que é o resgate desse ser intencional, de sua experiência pré-reflexiva, que pode potencializar as possibilidades de desenvolvimento individuais. Sugerem que o psicoterapeuta seja capaz de facilitar o contato do indivíduo com esse momento de sua existência por meio de uma atitude de redução fenomenológica. Na prática, isso quer dizer um movimento constante do psicoterapeuta em voltar-se aos significados do que é expresso por quem o procura. Entretanto, nessa tentativa, é comum que o psicoterapeuta seja capturado pela queixa objetiva do cliente que clama por resolução, pela solicitação de que seu problema seja remediado e pela necessidade do próprio profissional em se mostrar e se perceber eficaz. Nesses casos, a herança cultural impede o psicoterapeuta de voltar-se ao olhar subversivo sugerido pela perspectiva fenomenológica à intersubjetividade do encontro dialógico. Em vez de centrar-se no cliente, centra-se no problema ou em si mesmo, aspirando a eficácia do tratamento. Isso pode aparecer nos relatos dos supevisionandos como elogios, ênfase nas capacidades positivas do cliente e a sugestão de escolhas. Desse modo, o exercício por excelência das supervisões se torna a tentativa de se exercitar a atitude de redução, congruência ou awareness desses psicoterapeutas iniciantes.

186 Carolina Esteves Alves e Renata Ferreira de Azevedo (Faculdades Integradas Maria Thereza, Brasil) 163 O ENSINO DA FENOMENOLOGIA COMO UM CONVITE À PESSOALIDADE DO FUTURO PSICÓLOGO Historicamente, e sobretudo a partir do final do século XIX, a Psicologia vem se consolidando como ciência e incorporando técnicas e procedimentos que se adequam a um cenário positivista. Mais de um século depois, a organização da sala de aula, as disciplinas predominantemente teóricas, as aulas expositivas ainda nos remetem a um método cartesiano de ensino, no qual o conhecimento é o objeto a ser transferido para o sujeito. A abordagem fenomenológica-existencial, sobretudo em Heidegger, parece ir na contramão desse mecanicismo, sendo desafiadora em um mundo estético, marcado pelo ter-que-ser. Apesar de não ser contra a técnica e sim contra a substituição do pensamento pela técnica, Heidegger nos convida a caminhar no sentido oposto a este cenário cientificista e a poder-ser durante todo o processo. Nesta lógica, através de uma atividade de aula de Teorias Existenciais e Humanistas do curso de Psicologia das Faculdades Integradas Maria Thereza/RJ, os alunos foram desafiados a: dado o caráter humano das ciências, trazer pessoalidade às apresentações. Contrapondo às tradicionais aulas que separam conhecedor e objeto a ser conhecido, nos vimos diante de outras possibilidades de pensar e experienciar a formação, que incluíssem as idiossincrasias do humano em seu horizonte histórico de estudo. A partir desta perspectiva e de autores como Sartre e Heidegger, suas obras sobre liberdade e analítica existencial, fomos encorajados a desconstruir a Psicologia sob a ótica que vinha sendo ensinada. Fomos estimulados a acolher nossas próprias questões existenciais e fazer delas, a nossa inspiração. Como resultado da reflexão, foi criada uma adaptação de uma música de Chico Buarque, na qual foi descrita a construção de uma pessoa desde a concepção até os dias atuais. O ensino da fenomenologia trouxe à cena da graduação, o protagonismo do aluno frente à construção de seu saber-fazer, deslocando-o da impessoalidade para a pessoalidade, despertando assim um desejo de ser-no-mundo.

187 Léa Cristina De Lazzari Bessa e Lilian Cláudia Ulian Junqueira (Universidade Paulista, Brasil) O PLANTÃO PSICOLÓGICO NA CLÍNICA-ESCOLA: UMA ESCUTA FENOMENOLÓGICA- EXISTENCIAL NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 164 O Plantão psicológico recebe a pessoa no momento de sua urgência ou emergência, apresentando-se como um espaço de acolhimento para o sujeito que se abre a seu destinar- se; é o acolhimento de um grito que não sabe para onde ir, caracterizando-se como um único encontro, podendo ou não retornar. Entendemos como emergência as situações de risco iminentes, como ideação suicida, no plantão psicológico é também considerado como emergência o sofrimento existencial do cliente, a sua aflição pelas escolhas que deveria fazer; o sofrimento por suas perdas; ou com seus amores e desamores, ou seja, o que o moveu pela procura do atendimento. Como urgência, entendemos as situações que necessitam de tratamento o mais breve possível, mas sem risco imediato, enquanto no Plantão, a urgência também se caracteriza pela demanda psicológica revelada no decorrer no atendimento, nem sempre levada ao atendimento como queixa inicial. Os atendimentos propiciam à pessoa uma visão mais clara e abrangente de si mesmo e de perspectivas frente às suas questões, buscando a abertura de possibilidades. A disponibilidade do plantonista de se entregar à escuta do outro, permitirá o cuidar. O cuidado é uma atitude de ocupação e pre-ocupação, responsabilização e envolvimento afetivo. Neste trabalho, será apresentado o Serviço de Plantão Psicológico realizado no Centro de Psicologia Aplicada, da Universidade Paulista-UNIP de Ribeirão Preto, iniciado há 20 anos no referencial fenomenológico-existencial. Os atendimentos ocorrem nos horários matutino, vespertino e noturno, pelos estagiários do último ano do curso de psicologia. As supervisões ocorrem imediatamente ao atendimento, orientando quanto à possibilidade de ser marcado um retorno, ou quanto à necessidade de um encaminhamento para psicoterapia ou para outro profissional. O Serviço tem as portas abertas para a comunidade, sem agendamento prévio, devendo apenas comparecer alguns minutos antes do início do plantão, para a realização da inscrição.

188 Felipe Suster Gomes Fonseca e Lucas Francis e Silva Ong (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) 165 O RIGOR DO MÉTODO: A FENOMENOLOGIA E SUA ESSÊNCIA NA PRÁTICA PSICOTERÁPICA No final do século XIX, ao acusar o equívoco e cegueira epistemológica que as ciências eidéticas cometiam ao adotarem o positivismo como método inexorável de produção científica, a fenomenologia de Edmund Husserl promoveu uma saída construtiva às ciências ao instaurar um método rigoroso de elucidação e compreensão afinado aos limites ontológicos dos próprios fenômenos. Em seguida, com a publicação de Ser e Tempo, Martin Heidegger levou às últimas consequências a fenomenologia de seu mestre. Com a descrição e interpretação da existência como ponte de acesso à pergunta fundamental sobre o sentido de ser, fora introduzida a hermenêutica, consolidando um fio condutor compreensivo imprescindível à realização do pensar fenomenológico. A partir dos primeiros ensinamentos fenomenológicos de Husserl e do consistente espaço que Ser e Tempo conquistou, a fenomenologia veio servindo de alternativa a filósofos e profissionais de outras áreas, como psiquiatras e psicólogos. Desde então fora se tornando frequente, especialmente no Brasil, correntes psicoterápicas autointituladas fenomenológicas que claramente bebem de fontes epistemológicas diversas, como a psicologia humanista ou a escola filosófica existencial. Há também os setores psicoterapêuticos reféns das contribuições conceituais de Heidegger, especialmente as encontradas em Ser e Tempo, que ignoram a experiência meditativa fenomenológica em si na construção de uma prática psicoterápica. Neste sentido, como podemos dizer com firmeza que o método fenomenológico é radicalizado nas práticas psicoterápicas até então? Para esclarecer esta questão fundamental, é necessário compreendermos a filosofia fenomenológica, como método basilar da experiência do pensamento colocando-nos no encontro estrito com os fenômenos, como para assegurarmos uma base pragmática coerente e sólida no campo da psicoterapia que seja afinado à própria fenomenologia em sua essência, respeitando sua origem e as premissas epistemológicas por ela exigida.

189 Lucia Marques Stenzel e Marcela Lahiguera Cesa (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Brasil) 166 O ROLE-PLAY COMO PRÁTICA DE ENSINO APRENDIZAGEM PARA A CLÍNICA PSICOLÓGICA NO ENFOQUE HUMANISTA, FENOMENOLÓGICO E EXISTENCIAL Este trabalho visa apresentar a proposta de um Projeto de Iniciação à Docência da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) que tem como objetivo oferecer uma experiência prática aos alunos da disciplina de Técnicas de Intervenção II na graduação do Curso de Psicologia. A disciplina visa a aquisição de conhecimento para a prática terapêutica no enfoque humanista, fenomenológico e existencial. A principal ferramenta didática desenvolvida é o role-play, técnica na qual alunos são convidados a atua interpretando papéis específicos característicos do contexto clínico. Além da implementação da técnica de role-play no contexto de sala de aula, propõe-se o registro em vídeo da atividade que é incorporado à uma plataforma virtual de ensino e dá origem a atividades didáticas e avaliativas, tais como, a criação de fóruns virtuais de discussão e análise de sessões. Esta proposta reforça a concepção de que a relação terapêutica deve deixar de ser entendida como centrada exclusivamente no sintoma e na doença, para poder ser compreendida como bi- centrada, onde o papel do terapeuta como facilitador do processo de mudança do cliente se torna fundamental. A importância da relação e do diálogo intersubjetivo, tão bem abordado por teóricos da abordagem humanista, fenomenológica e existencial, são os pilares desta proposta pedagógica, possibilitando uma nova experiência no âmbito da graduação. Este projeto cria um espaço de ensino diferenciado, com novas práticas e metodologias pedagógicas, no sentido de suprir uma demanda ainda carente de prática clínica nas abordagens humanista, fenomenológica e existencial no sul do Brasil, devido à falta de instituições de formação clínica neste campo. O projeto foi financiado pela instituição através Programa de Iniciação à Docência (PID) UFCSPA e conta com uma aluna bolsista.

190 Giovana Fagundes Luczinski (Universidade Federal de Pelotas, Brasil) 167 PENSAMENTO E EXPERIÊNCIA NO PROCESSO DE ENSINO DA FENOMENOLOGIA: PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA (REL)AÇÃO Algumas das características da sociedade contemporânea, como pluralismo, fluidez e aceleração, impõem novos desafios à intervenção psicológica e à formação dos futuros profissionais. O presente trabalho parte da prática docente na graduação, delineando uma proposta de ensino para as abordagens existenciais e humanistas, ancorada em sua fundamentação filosófica. A redução fenomenológica e a percepção, como tratadas por Merleau-Ponty, guiam práticas em sala de aula, questionando a atitude natural e instigando os discentes a se colocarem diante das teorias, realizando uma experiência de construção ativa da aprendizagem. Nesse sentido, são importantes as noções de narrativa e experiência, conforme trabalhadas por Walter Benjamin, as quais são colocadas em diálogo com os trabalhos de psicólogos como Mauro Amatuzzi sobre a potência das relações e o caráter intersubjetivo de todo fenômeno. Experienciar o mundo pressupõe tecer encontros e exercer o pensamento crítico e criativo, com abertura e afetividade. Nesse percurso, as distinções de Hannah Arendt entre pensamento e conhecimento merecem ser aprofundadas para que se tenha uma compreensão alargada dos processos de singularização e das possibilidades de ação dentro da universidade. Esta deve ser espaço para o pensamento, a reflexão e o testemunho de experiências, culminando no cuidado com o mundo, através da corresponsabilidade. Tomando, portanto, a complexidade do conceito de mundo em Hannah Arendt, a docência precisa ser um comprometimento ético, pois sempre terá repercussões políticas. Abordando essas temáticas em diálogo com os autores citados, pretende-se, então, discutir caminhos para aulas, supervisões clínicas e orientações no âmbito das abordagens existenciais e humanistas. Trata-se de adotar a postura fenomenológica como veículo para uma aprendizagem relacional e estética, na qual o professor assuma um lugar de presença e mediação, sustentando tensões e evidenciando possibilidades.

191 Marcos Antonio Dias dos Santos Lima, Ludmila Jeanne e Juliana Marques (Centro Universitário do Instituto de Educação Superior de Brasília, Brasil) 168 PRIMEIRAS VIVÊNCIAS NA CLÍNICA FENOMENOLÓGICA: A AMPLIAÇÃO DO HORIZONTE HERMENÊUTICO O último passo para a formação do estudante e o primeiro como profissional em psicologia clínica é o processo de estágio supervisionado, dentro da graduação. É de fundamental importância que o aluno passe por esse processo com suporte adequado. Para que essa experiência seja gratificante, o aluno, durante a graduação, apropria-se de uma abordagem de forma mais íntima, assim como de um supervisor, capazes de fornecer suporte e instrumentos adequados durante o processo. Visto isso, o presente texto tem como objetivo geral explanar, sob uma perspectiva fenomenológico-existencial, a entrada no contexto clínico de estudantes e avaliar o processo de evolução profissional e pessoal envolvidas nesse contato. Este trabalho consiste em uma pesquisa qualitativa, por meio de observações e entrevistas, que serão realizadas ao longo do primeiro semestre de Seu público alvo são 15 alunos-estagiários em psicologia clínica, com supervisão e orientação sob a perspectiva fenomenológico- existencial. Concluiu-se, até agora, que os passos iniciais se dão com os estudos prévios da teoria e o manejo com os pacientes, tendo como atitude primordial uma postura de abertura diante do outro, intimamente ligada aos fenômenos e as estruturas que compõe o Dasein. Essa abertura, muitas vezes, entra em contraste com os valores e crenças pessoais e isso abre espaço para as primeiras frustrações dos alunos-terapeutas. Por isso, a fenomenologia busca convidá-los para a abertura do horizonte hermenêutico, cuidando e aceitando a liberdade e as possibilidades do Dasein de ressignificação. Inicialmente, observou-se uma evolução considerável de atuação na clínica a partir da fenomenologia, assim como uma evolução pessoal de abertura para o desconhecido. Contudo esta pesquisa ainda está em andamento, pois nos encontramos no meio do semestre e para a conclusão final, requerida no objetivo da pesquisa, continuaremos a observar e entrevistar alunos-terapeutas até o final do 1º semestre de 2019.

192 Letícia Joana Jardim, João Felipe de Oliveira Santos e Claudemir Gomes (Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba, Brasil) 169 PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA: UMA EXPLANAÇÃO DOS CONSTRUCTOS HISTÓRICOS DA ABORDAGEM O presente ensaio buscou fundamentar o adentro da filosofia fenomenológica nas ciências psicológicas por meio da historicidade que conduz esse processo, foi construído através de artigos, obras e pesquisas, uma linha referente ao contexto histórico que buscou elucidar a época em que ocorreram eventos significativos tanto para a psicologia quanto para a filosofia e, consequentemente, para a fenomenologia, com a intenção de levantar um debate sobre até que ponto a filosofia e a psicologia fenomenológica como método podem se alinhar e na mesma medida se separarem. Ao longo de sua constituição a psicologia recebeu influencias de diversos saberes, uma característica que fundamenta seu pluralismo. Dentre estes saberes, destaca-se a fenomenologia, com intuito de emergir compreensão do vasto campo de atuação, e o pressuposto objetivo que a fenomenologia almeja no âmbito psicológico, se faz de ultra importância estudar sua gênese e contexto, bem como as dificuldades que propiciaram um solo para que elas coexistissem. Destacam-se a visão de mundo do século XX e o entrelaçamento das teorias: fenomenologia e a psicologia. Ao longo do ensaio faz-se importante elencar os motivos que contribuíram para que o pensamento fenomenológico ganhasse autonomia e se separasse da psicologia experimental, movimento que ganha notoriedade com Husserl, que mais tarde viria a ser de fato, o fundador da fenomenologia. Serão destacadas as vertentes constituídas principalmente por Husserl e Heidegger, que contribuíram não somente como corrente psicológica e filosófica, mas em um multímodo de ver, sentir e reconhecer o outro.

193 Ana Clara Santos Alves de Oliveira Freitas e Paulo Coelho Castelo Branco (Universidade Federal da Bahia, Brasil) 170 REFLEXÕES ACERCA DA FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA EM UMA UNIVERSIDADE INTERIORIZADA: META-SÍNTESE QUALITATIVA Este estudo teve como objetivo elaborar reflexões sobre a formação em psicologia em uma universidade interiorizada a partir dos resultados de dois estudos fenomenológicos empíricos realizados com os docentes e discentes. Os resultados desses estudos foram analisados através do método meta-síntese qualitativa, que possibilitou algumas meta-reflexões para avançar a discussão dos temas emergentes. Estabeleceram-se, pois, três eixos reflexivos sobre as experiências formativas em Psicologia, relacionadas: aos benefícios do Programa de Apoio REUNI para os discentes e docentes; ao senso de pertencimento à instituição por intermédio do ensino, da pesquisa e extensão; à forma singular proximal dos relacionamentos que ocorrem em uma universidade interiorizada e se diverge da formalidade da capital. Discutindo, a partir disso, a possibilidade de acesso à Universidade para pessoas que não tinham oportunidade de ingresso em uma IES pública; a contribuição do ensino-pesquisa- extensão para o processo formativo em que ocorre crescimento pessoal, acadêmico, desenvolvimento profissional e de aptidões acadêmicas; e as relações interpessoais que são horizontalizadas e mais familiarizadas entre docentes e discentes, facilitando o processo de ensino-aprendizagem. As conclusões pautaram-se em: com a implantação da universidade interiorizada, houve ampliação do trabalho e oportunidade de estudo, além disso, ocorreu colaboração com o desenvolvimento regional do município por intermédio de atividades acadêmicas desenvolvidas através da Universidade. Conclui-se com indicações sobre os limites da pesquisa e como eles podem ser superados através de mais estudos sobre a formação em psicologia nos interiores para usufruir mais meta-sínteses sobre o tema.

194 Samara Cecilia Balica Strassburg, Jussane Alexandre Risczik e Alessandra Vieira Fernandes (Universidade Paranaense, Brasil) 171 SENTIDOS DO PLANTÃO PSICOLÓGICO NA VIVÊNCIA COMO PLANTONISTA A vivência dos processos clínicos na formação em Psicologia é acompanhada por diferentes desafios e sentimentos. Ao considerar o Plantão de Atendimento Psicológico, pressupõe-se que a experiência do acadêmico plantonista tem suas particularidades, uma vez que essa modalidade se caracteriza pela diversidade de público e demandas atendidas em um demarcado período de tempo. Compreender essa vivência torna-se fundamental para amparar e nortear a formação dos acadêmicos e a prática de supervisão. O estudo teve como objetivo identificar e discutir os sentidos e sentimentos emergentes na vivência de plantonistas de atendimento psicológico. Trata-se de um estudo exploratório, realizado com duas acadêmicas plantonistas atuantes nos atendimentos de plantão psicológico no segundo semestre de Para coleta de dados, utilizou-se o instrumento fenomenológico Versão de Sentindo, no qual, ao final de cada atendimento as plantonistas responderam a questão Que sentido teve esse atendimento para mim?, totalizando 27 respostas. Os dados foram tratados pelo software de análise textual IraMuTeQ, via análise de similitude e nuvem de palavras, sendo identificado as frequências e as conexões entre as palavras. Constata-se que as palavras sentir e perceber foram relatadas com maior frequência. O sentir esteve associado aos termos precisar, acolher, atender, entender e confiar, que remetem às atitudes terapêuticas da relação plantonista-usuário na perspectiva humanista-fenomenológica, mediante a criação de um ambiente facilitador ao desenvolvimento de recursos psicológicos frente ao sofrimento. Por sua vez, os sentimentos de angústia e preocupação foram identificados e associados à preparação do plantonista para o atendimento, enquanto que a sensação de tranquilidade foi vinculada ao encerramento da sessão. Por meio da versão de sentido, foi possível identificar expectativas e representações da imersão das plantonistas na relação com o cliente.

195 Marli Bueno de Castro, Ivone Félix de Sousa e Teresa Cristina Barbo Siqueira (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil) 172 SUPERVISÃO CLÍNICA NA PERSPECTIVA DA FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL: DESENVOLVIMENTO DA POSTURA PSICOTERAPEUTA Delimitar o que é supervisão clínica em psicoterapia fenomenológica existencial na psicologia e na prática psicoterapêutica e desenvolver a postura fenomenológica do acadêmico no consultório. Problema do Estudo: É possível fazer o aluno de nono e décimo período da disciplina Estágio Supervisionado na clínica conhecer e aplicar a teoria e prática do psicólogo dentro do enfoque da Fenomenologia Existencial? Metodologia: Pesquisa bibliográfica, leitura, fichamento e discussões dos temas. Atendimentos clínicos e supervisões para orientações de cada sessão de atendimento realizada pelo aluno. Resultados: A supervisão clinica é um momento de estudo da abordagem, reflexão e postura do acadêmico no exercício de aprender a ser psicoterapeuta fenomenológico-existencial em que um psicólogo/professor mais experiente ajuda o quase formando em psicologia a refletir sobre sua prática na clínica. Observa-se que o aluno consegue conhecer e aplicar a teoria e a prática psicoterápica com enfoque da Fenomenologia Existencial, pois apresenta transcendência nos modelos teóricos embasando a sua prática. O aluno compreende em sua prática que a supervisão apresenta limitações, pois quando o caso é levado à supervisão, a sessão já ocorreu e assim, ela não se reproduzirá impedindo o supervisor junto ao aluno de atuar sobre sessões ocorridas. Ele entende que sua segurança é determinada pelo embasamento teórico e pelo conjunto reflexivo de intervenção. Compreende que o processo de psicoterapia é sobre o detalhamento da fala do cliente e se constitui uma relação dialogal, fundada no discurso do psicoterapeuta e do cliente tornando importante refletir acerca da fala e da escuta e de como se articulam no processo de psicoterapia. Percebeu-se que na filosofia da existência, buscam-se reflexões sobre o existir a partir do método fenomenológico, hermenêutica, estrutura da presença, na consciência, no sentimento de desespero e de angústia, na liberdade ou não.

196 Thaís Campos Paixão de Carvalho e Márcio Melo Guimarães de Souza (Existere, Brasil) 173 SUPERVISÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL E O ÂMBITO DO SUICÍDIO Pretende-se a partir deste trabalho dialogar a respeito de alguns aspectos relacionados a Supervisão Fenomenológico-Existencial e o âmbito do suicídio. Situações complexas e delicadas como as que envolvem o tema suicídio podem requerer por parte do profissional estabelecer contato com um supervisor. A supervisão em Psicologia Clínica fundamentada na Abordagem Fenomenológico-Existencial assinala em seu fazer o emprego da hermenêutica. A aproximação deste campo enquanto possibilidade de compreensão no que diz respeito a questões que permeiam a existência. Para a discussão do papel da hermenêutica apresenta-se como alicerce o pensamento heideggeriano. A reflexão sobre a supervisão clínica em psicologia faz considerações sobre o que se pretende e como usualmente entendemos o papel da supervisão, contudo percebe-se também a necessidade de abordá-la em alguns âmbitos como em matéria de suicídio. Nota-se que vivenciar a supervisão pautada na fenomenologia existencial requer tanto de supervisor quanto de supervisionando abertura e afinação essencialmente hermenêutica. A importância da supervisão no sentido de clareamentos não apenas no que concerne a dúvidas correspondentes a perspectiva teórica na qual se desenvolve a prática, mas também de caráter ético, uma vez que o profissional embasa seu trabalho tanto em seu referencial teórico quanto no Código de Ética que norteia o profissional de psicologia. Deste modo, este trabalho constituiu-se de maneira a contribuir e ampliar os discursos ligados ao contexto da supervisão tendo em consideração a tônica do suicídio.

197 Beatriz Oliveira Menegi e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 174 UM ESTUDO SOBRE A FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA: CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA- ANTROPOLÓGICA DE EDITH STEIN O mundo moderno é assolado por uma crise que afeta a humanidade nos mais diversos aspectos, desencadeando dificuldades também no sistema educacional, fazendo necessárias diversas reformas em seus projetos e métodos, na tentativa de melhorar e humanizar os processos de formação. Portanto, nesse estudo propôs-se a refletir sobre formação de psicólogos, considerando o contexto de emergência dos cursos no Brasil e as maiores demandas da atuação. A pesquisa tem por objetivo compreender como se estabelece o processo de formação, em especial de psicólogos, utilizando-se das contribuições da Fenomenologia de Edmund Husserl ( ) e Edith Stein ( ). O método empregado para este estudo é de cunho qualitativo-bibliográfico, com base teórica fenomenológica. O estudo pode ser dividido em quatro etapas: a compreensão da Fenomenologia e Psicologia Fenomenológica; descrição e concepção de pessoa humana; a questão da formação humana e a análise da formação em Psicologia no Brasil. Edith Stein analisou o ser humano, o compreendendo como estrutura complexa dotada de corpo, psique (alma) e espírito, nesse sentido, pode também refletir acerca da formação da pessoa humana, que deve ser integral, além de ser compreendida como um continuo processo de atualização das potencias do sujeito. As Diretrizes Curriculares para os cursos de graduação (2004) em Psicologia recomendam que a formação do psicólogo deve ser básica, sólida, científica e generalista e que contemple, em nível informativo e analítico, as principais abordagens formadoras do pensamento psicológico contemporâneo e, que a atuação deve acontecer em diferentes contextos. A orientação pedagógica de cunho fenomenológico compreende que o ato educacional precisa estar fundamentado na formação da pessoa e, para isso deve ir além do ensino teórico e prático de certos conteúdos, quer seja, implica em uma formação global do ser humano que envolva suas disposições corporais, psíquicas e espirituais.

198 Thaike Augusto Tarcio Ribeiro e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 175 FENOMENOLOGIA E TRANSDISCIPLINARIDADE: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA Desde a década de 70, o tema da formação em Psicologia no Brasil tem sido alvo de incontáveis estudos, debates e reformas e ainda há insatisfação no que tange à formação do psicólogo brasileiro. As críticas perpassam desde os aspectos pedagógicos, didáticos e metodológicos até o campo das epistemologias e ideologias teórico-políticas subjacentes. A partir de uma pesquisa de mestrado em andamento na pós-graduação em Psicologia de uma universidade mineira, propomos o diálogo de dois campos do conhecimento que fundamentam autênticas revoluções gnosiológicas, epistemológicas e ontológicas: a Fenomenologia de Edmund Husserl e a Transdisciplinaridade com Bassarab Nicolescu. O objetivo principal é analisar as possíveis contribuições da Fenomenologia para a Transdisciplinaridade com foco na formação em Psicologia. Utilizando-se da metodologia qualitativa bibliográfica, os resultados parciais apontam na direção de que a Fenomenologia e a Transdiciplinaridade partilham de conexões intensas e fundamentais, frequentemente defendendo ideias e ideais idênticos por meio de abordagens, linguagens e perspectivas distintas. Ambas perseguem o ideal da unidade do conhecimento e têm como objeto de estudo a realidade como um todo. Além disso, complementam-se, por exemplo, na maneira com que os diferentes níveis de realidade do objeto transdisciplinar se fazem acessíveis pelos diferentes níveis de realidade do sujeito transcendental, permitindo uma visão cada vez mais geral, unificadora e abrangente da Realidade. Este diálogo, por sua vez, tem se revelado rico e profícuo para pensar a Psicologia integralmente em suas facetas teóricas e práticas assim como para pensar uma formação humana que aponte soluções para os seus problemas mais pungentes criticados na literatura atual.

199 Pedro Xavier Lana e Ewerton Helder Bentes de Castro (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) 176 VIDA ACADÊMICA: A CONCEPÇÃO DA PRESSÃO DO TEMPO POR DISCENTES DA PSICOLOGIA DA UFAM O ser-no-mundo constrói suas experiencias não somente através do espaço do qual faz parte, mas também através de algo que está intimamente ligado a todo e qualquer significado que o ser venha a atribuir na sua jornada pelo existir: O tempo. As consequências e significados que cada um atribui à passagem do tempo são inúmeras, entretanto, decidimos aqui investigar quais são os sentidos que os discentes de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas atribuem à Pressão que o tempo exerce sobre suas vidas. Destaca-se claramente na pesquisa, como esta pressão exerce uma influência fundamental quanto ao nível de motivação ao qual os alunos se encontram. Delimitamos nossa pesquisa a 18 alunos regularmente matriculados do 1º ao 6º do curso de Psicologia da UFAM, tendo como referência teórica a fenomenologia de Merleau-Ponty. Foram utilizados os parâmetros do método fenomenológico de pesquisa, sob viés qualitativo, descritivo e exploratório. A coleta de dados foi feita através de entrevista fenomenológica, que partia de uma questão norteadora, e a partir desta, foram feitos desdobramentos no sentido de aprofundar-se no significado que cada participante atribui à pressão do tempo. Dessa forma foi-se possível elaborar quatro categorias de analise: A questão dos prazos: entre o sofrimento e as possibilidades ; Em relação ao aluno ; Em relação aos docentes: a cobrança e a não-organização ; Consequências: o mundo vivido torna-se opresso. Investigar as formas que o ser experimenta o tempo, é algo que tem sido feito pela humanidade a milhares de anos, e portanto, sem sombra de dúvidas, é um dos temas mais complexos que podemos abordar em Psicologia. Para tanto, é preciso ir além, é preciso reconhecer essa complexidade e daí partir para investigação dos fenômenos, os quais só podem estar presentes no Ser.

200 A Pesquisa Fenomenológica

201 Maira Prieto Bento Dourado (Universidade Federal do Sul da Bahia, Brasil) 178 A DASEINSANÁLISE COMO POSSIBILIDADE INTERPRETATIVA DE ENTREVISTAS QUALITATIVAS Este trabalho apresenta a Daseinsanálise como uma proposta interpretativa em entrevistas de explicitação sobre a morte de crianças. Debruçados sobre método qualitativo fenomenológico investigamos o fenômeno da morte da criança a partir da morte de uma criança, que pôde ser descrita por aqueles que com ela conviveram, buscando os sentidos produzidos por tal experiência. A Daseinsanálise é uma proposta psicoterapêutica que visa à compreensão do Dasein a partir da relação de cuidado destinada a busca de sentido. A entrevista de explicitação é uma técnica de intervenção que visa acolher e conduzir o entrevistado à quebra do nível habitual de descrição, guiando-o a um nível de consciência de conhecimento préreflexivo, para que este alcance e possa descrever os sentidos mais próprios dessa experiência, conectado com ela. O processo de análise das entrevistas foi registrado em áudio e descrito de modo atento e rigoroso. O detalhamento das expressões verbais e não verbais ofereceram indícios que apontaram os critérios de que a explicitação foi alcançada, o processo interpretativo se dedicou a esses trechos que revelaram os sentidos mais próprios despidos de trechos ligados a opiniões, tradições e discursos generalistas. A Daseinsanálise enquanto interpretação não se reservou exclusivamente à etapa da descrição, mas sim contribuiu para a postura de abertura necessária à investigação das experiências sensíveis devido à intensidade emocional que elas acarretam. A disponibilidade exigida àquele que entrevista esteve em todo o processo desde o convite inicial do participante até a condução da entrevista que por vezes não pôde ser fidedigna à proposta diacrônica necessária à análise visto que a situação exigia uma condução singular de cuidado. Acreditamos que a pratica clínica da Daseinsanálise que está fundamentada no encontro entre duas pessoas assim a análise das entrevistas pôde ser conduzida tornando possível um tratamento similar e continuado ao discurso transcrito.

202 Maria Gabrielle Coelho Caldeira, Iandria Souza Oliveira e Yuri Elias Gaspar (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri) 179 A INCIDÊNCIA DO CONTEXTO FAMILIAR MULTIGERACIONAL NO PROCESSO DE ADOLESCER: UM ESTUDO DE CASO A família é considerada um dos principais contextos de desenvolvimento que influenciam no processo de adolescer. Neste estudo de caso, objetivamos investigar a experiência de uma adolescente inserida num contexto familiar multigeracional. Realizamos entrevista semiestruturada guiada pelas seguintes temáticas: a relação da adolescente com o seu corpo, com a sua família e com os demais contextos relacionais nos quais está inserida. A narrativa foi analisada segundo a perspectiva fenomenológica de van der Leeuw, que busca apreender a mútua constituição sujeito- mundo por meio da análise da estrutura da vivência. Apreendemos vivências estruturantes do processo de adolescer da entrevistada: a vergonha com o desenvolvimento do próprio corpo; a percepção de que o relacionamento com gerações mais velhas lhe permitiu amadurecer e assumir responsabilidades; a dor diante da violência doméstica e do desequilíbrio de seus familiares e as diferentes possibilidades de elaboração e superação desta realidade; a importância de alguns relacionamentos para o enfrentamento das dificuldades do seu processo de migração e de adaptação à cidade e à universidade. A partir da análise da experiência, destacamos como um contexto familiar multigeracional extenso nem sempre expressa cuidado, mas que a troca de experiências com gerações mais velhas pode trazer benefícios para a construção da subjetividade. Podemos perceber também como a pessoa pode se posicionar diante de contextos de violência, não necessariamente reproduzindo a realidade em que viveu, e que o reconhecimento de relacionamentos significativos pode ajudar nesse processo de elaboração de si e do mundo. Concluímos que o processo de adolescer não é uniforme, já que as experiências vividas são a um só tempo singulares e marcadas pelos contextos nos quais a pessoa está inserida. E que o contexto familiar multigeracional não determina, mas pode facilitar ou dificultar o processo de amadurecimento da pessoa.

203 Jorge Gomes da Silva Sobrinho e Ana Lúcia Francisco (Universidade Católica de Pernambuco) 180 A POTÊNCIA DO AFETO: POR UMA CLÍNICA DA GESTÃO A transição de modelo de gestão numa empresa familiar é uma tarefa complexa, que envolve um conjunto de variáveis, muitas vezes dispersas, dentre elas as imprevisíveis, ou seja, aquelas que atravessam a execução do planejado. Nas empresas familiares, o imprevisível pode ser marcado pela dimensão afetiva, que está entrelaçado à gestão e a família. A presente pesquisa teve como objetivo acompanhar e sistematizar um processo de mudança de um modelo centralizado de gestão de Recursos Humanos (RH) para um modelo distribuído e consultivo,, acolhendo a dimensão afetiva como potência transformativa. Adotou-se uma estratégia múltipla quanto ao referencial teórico, por meio da ergologia, esquizoanálise e psicossociologia a partir do enfoque metodológico da cartografia de Deleuze e Guattari (1995), Barros e Kastrup (2009) e Rolnick (2011) em que intervir é acompanhar processos de produção de subjetividade. Metodologia: a intervenção foi realizada numa empresa familiar, com sede em Olinda-PE e atuação no comércio de consumo de alimentos prontos. Participaram da pesquisa, gestores de loja, diretores, psicólogas, gestora de RH e trabalhadores que se revezaram em momentos distintos da pesquisa, dividida em quatro movimentos: exploratória, aprofundada, ação e avaliação. Como método para análise das produções e notas do diário de campo, utilizamos o uso de mapas mentais (Novak& Gowin, 1996), construídos por meio dos aplicativos online GOCONQR e remoto CMAPTOOLS, produzindo uma topografia das marcas e traços que circularam no rizoma-gestão, por meio de ações transformativas. Resultados: ao final, compreendemos que a clínica da gestão, se posiciona como uma clínica do trabalho de base fenomenológica, em que suas intervenções, visam por meio de experimentações e invenções, dar passagens aos afetos implícitos e explícitos nas narrativas das empresas familiares, por meio do reconhecimento e acolhimento de tal dimensão.

204 Marcela Astolphi de Souza e Luciana de Lione Melo (Universidade Estadual de Campinas, Brasil) 181 A TEMPORALIDADE DA CRIANÇA EXPRESSA PELO BRINQUEDO TERAPÊUTICO DRAMÁTICO O brinquedo terapêutico dramático, considerado uma brincadeira estruturada para criança com idade entre três e 12 anos, com duração de 15 a 45 minutos, proporciona, à criança, a exteriorização de sentimentos, impulsionando a elaboração de conflitos e a catarse. Embora possua etapas, permite o brincar sem condução para um tema específico. Essa filosofia vai ao encontro do referencial da Fenomenologia, onde o pesquisador não considera diante de si o ser humano como seu objeto de pesquisa, mas um ser em abertura que tem um mundo a ser desvelado. Esse estudo tem como objetivo desvelar o fenômeno da temporalidade à luz do referencial heideggeriano, a partir da observação de 13 sessões de brinquedo terapêutico dramático com irmãos de crianças com doenças crônicas, parte de uma pesquisa de doutoramento em andamento. A constituição fundamental da existência é a temporalidade extática na qual a subjetividade do Dasein se liberta. Na brincadeira, essa subjetividade refletiu as vivências da criança e seus modos-de-ser diante da facticidade a qual está lançada, favorecendo o desvelamento do seu mundo, ultrapassando o tempo cronológico e pré- determinado. O limite se deu como uma de-limitação das relações da criança com o mundo e favoreceu que se revelasse, durante a brincadeira, seu ser-aí em total abertura, aspectos de sua existência no tempo cronológico. A possibilidade de vir-a-ser não se findou quando a brincadeira foi finalizada, pois ao ser convidada a brincar, a criança se organizou para revelar aspectos do seu mundo-vida, naquele instante. Nesse contexto, o tempo cronológico pôde ser elástico e negociável mediante necessidade individual, de modo que fossem consideradas todas as expressões para ela vir-a-ser na sua facticidade e em liberdade. A temporalidade é indissociável da existência e, por este motivo, o tempo cronológico não foi um limitador da liberdade de expressão da criança, já que a sua temporalidade extática permeará sua vida até a morte.

205 Karoline Stoltz Schleder e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 182 ARTE E SAÚDE MENTAL: SENTIDOS DE UMA OFICINA A pesquisa objetiva compreender os sentidos de uma oficina de arte para membros de uma associação de pessoas que participam da Rede de Atenção Psicossocial. As relações entre arte e saúde mental são pensadas e praticadas prioritariamente por profissionais da saúde e voltadas às práticas de cuidado, se justificando pela atenção psicossocial. Adicionado a isso, observa-se a disseminação de propostas de intervenções artísticas no campo da saúde mental que investem na arte como produção cultural para a reabilitação psicossocial. O diferencial da oficina de arte em estudo refere-se ao seu contexto independente do dispositivo de saúde, pelo seu enfoque artístico e pela ênfase na descrição do processo a partir de uma atitude fenomenológica. O estudo é empírico qualitativo e teve como instrumentos de coleta de dados a observação participante, diário de campo, grupos focais e questionário. Foram identificados os seguintes núcleos de sentido a partir da experiência dos participantes da oficina: terapêutico; de aprendizagem e desenvolvimento do conhecimento, da imaginação e da criatividade; relacionamento do grupo e espaço de descoberta e de superação. O estudo aponta que a experiência estética desenvolvida na oficina pode contribuir tanto para o caráter terapêutico quanto de aprendizagem e desenvolvimento dos participantes, além da qualificação de seu trabalho artístico. Fica evidente que a relação entre arte e saúde mental, apesar de mencionar o olhar sobre o sujeito, afasta-se deste na homogeneização de suas práticas. Ao afastar-se do sujeito, perde-se de vista o caráter terapêutico, o qual foi evidenciado pelos participantes da oficina investigada, que não tinha esse enfoque. Por fim, enfatiza-se a importância de escutar a pessoa para a qual se destina a prática no cuidado à saúde mental e sugere-se que outros estudos se debrucem sobre a descrição do processo de desenvolvimento de práticas, procurando avaliar até que ponto atendem às necessidades de seus participantes.

206 Verônica Barros de Fonte Silva e Alexsandro Medeiros do Nascimento (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 183 AUTOCONCEITO FENOMENAL EM ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL NO MODELO INTEGRADO DE L ECUYER Este estudo, de cunho qualitativo e fenomenológico, teve como objetivo verificar se as categorias propostas pelo modelo integrado do autoconceito de L Ecuyer emergem de autorrelatos de adolescentes pernambucanos, confirmando a utilidade e heuristicidade deste modelo teórico em perspectiva fenomenológica para a realização de uma descrição fenomenal do autoconceito de adolescentes em contextos brasileiro e local. A hipótese que fundamentou a pesquisa é de ser o modelo integrado de L Ecuyer adequado ao tratamento das autopercepções de adolescentes em contexto brasileiro, evidenciando a pertinência do mesmo já encontrada em outros estudos transculturais prévios. A coleta de dados foi realizada em escolas públicas e privadas, localizadas no Grande Recife, através do Método W-A-Y (Who are you? ou Quem é você? ) que consiste em responder esta pergunta indutora numa folha de papel com a questão impressa. A amostra foi composta de 22 adolescentes, entre 10 e 14 anos de idade, estudantes do 6º ano do ensino fundamental. As autodescrições foram analisadas segundo o método fenomenológico padrão e os resultados apresentaram sete temas abrangentes constituintes do autoconceito desses adolescentes: (1) Identidade; (2) Família; (3) Amigos; (4) Preconceito e Bullying; (5) Gostos; (6) Qualidades; e (7) Sentimentos. Diversas categorias propostas pelo modelo L Ecuyer emergiram dentro desses temas como: Denominações Simples; Sentimentos e Emoções; Qualidades e Defeitos; Enumeração de Atividades; e, Gostos e Interesses. Dessa maneira, os resultados mostraram que o modelo integrado de L Ecuyer pode ser útil para a realização de uma descrição fenomenal do autoconceito dos adolescentes pernambucanos. Todavia, estudos mais robustos, com amostras maiores e representativas de todo período da adolescência são necessários, para se corroborar a validação deste modelo teórico fenomenológico em contexto brasileiro, para uso com adolescentes.

207 Alessandra Lírio Lima (Brasil) 184 COMPARAÇÃO: UMA DISCUSSÃO FRENTE AO DETERMINISMO DA MULTIDÃO E DAS CERTEZAS E VERDADES UNIVERSAIS O trabalho partirá de Kierkegaard, incialmente com o livro Ponto de vista explicativo da minha obra de escritor e do livro Discursos Edificantes em Diversos Espíritos. O primeiro trata da concepção de que a multidão é mentira, e que todo homem que se refugia na multidão, está em fuga da condição de singular, e sua covardia é a multidão, agindo como o numérico. Apesar, da multidão compor-se de indivíduos é necessário estar ao alcance de cada indivíduo tornar-se o que é, sabendo que ao escolher se excluir de ser si próprio torna-se somente multidão. O segundo livro conta a história do lírio preocupado e de um pássaro malvado, inconstante e cheio de caprichos, veremos o querer colocar-se no lugar de outro, ou que coloca um outro no seu lugar, tratando da compreensão de como a comparação pode ser nociva com quem se compara, e com quem é comparado. É também em Heidegger e em Sartre que encontramos o conceito de um si-mesmo, que quando está no modo de fuga da condição de indivíduo singular é considerado inautêntico, preferindo a multidão. O que para Sartre é a impossibilidade do indivíduo ser isto que ele é. A intolerância à diferença e a comparação nos diversos aspectos das nossas vivências nos embrenham em um mar sem fim, dificultando o indivíduo de ser o que ele é. Desta forma, buscaremos compreender os aspectos da comparação na sociedade e os impactos nas possibilidades do indivíduo, diante de suas escolhas. Tendo como objetivos estudar a relação estabelecida na sociedade para a formação da comparação; e a identificação dos tipos de situações que confrontam o indivíduo na busca de si-mesmo. A pesquisa será realizada através de pesquisa bibliográfica. E ao final do trabalho tentaremos compreender como a comparação se tornou obrigatória na realidade do indivíduo, e como a fenomenologia pode contribuir para uma nova perspectiva no olhar da diferença.

208 Pâmela Martins Alves Cangerana e Cristiano Roque Antunes Barreira (Universidade de São Paulo, Brasil) 185 COMPREENSÃO DAS TRANSIÇÕES COMBATIVAS VIVIDAS POR PRATICANTES DE TAEKWONDO Formalmente, o taekwondo se orienta por princípios como cortesia, perseverança, autocontrole, espírito indomável, integridade que devem ser exercitados em ato. Todavia, o praticante está suscetível a ser tomado pela hostilidade ou se deixar levar pela ludicidade, como têm mostrado estudos fenomenológicos em outras modalidades combativas. O objetivo dessa pesquisa é identificar e compreender as transições psicológicas nas experiências vividas por praticantes de taekwondo. Entrevistas semiestruturadas foram realizadas com praticantes. Em modo de escuta suspensiva, prezaram pela relação empática entre entrevistador e entrevistados a fim de acessar suas experiências vividas. Transcritos, os relatos foram submetidos ao cruzamento intencional. Foram encontrados elementos que delimitam essas transições e definem os momentos mais pertinentes às experiências de briga, brincadeira e luta propriamente dita. Os resultados mostram que, para o praticante de taekwondo, a experiência de luta o coloca em um estado de concentração, havendo certo desligamento da atenção com relação a quaisquer eventos que não envolvam o combate. O lutador busca se orientar pela razão dos movimentos, esforçando-se para manter-se focado em reagir com o intuito de pontuar e/ou neutralizar o oponente conforme sua ação. Quando transita para a brincadeira é notável que o praticante receia menos explorar limites, os quais são, corriqueiramente, superados nessa experiência, vivenciada ludicamente, seja por cumplicidade com o oponente, seja porque este não parece lhe oferecer riscos. A vivência de descontração apresenta-se como importante momento para a aquisição de novos conhecimentos motores, de seus limites e do desenvolvimento de novas habilidades. Arrastado a transitar à briga o lutador se afasta dos princípios de luta, inclinando-se a agir com violência. O reconhecimento das vivências que determinam as transições favorece intervenções em Psicologia do Esporte junto aos mestres e praticantes.

209 Marijaine R. de Lima Freire e Alexsandro Medeiros do Nascimento (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 186 EXPERIÊNCIA INTERNA E CRIATIVIDADE: INTERRELAÇÕES DA MENTE DUAL NO PROCESSO DE CRIAÇÃO ARTÍSTICA. O presente estudo quantitativo abordou o construto Criatividade e sua relação com a mente psicológica e fenomenal, a partir de processos cognitivos associados à criatividade, personalidade criativa e elementos da experiência interna. Após meio século de estudos científicos com esse construto, muitas teorias emergiram, a maioria voltada à análise funcional, sendo raras as referências aos elementos fenomenais. Com base nessa dialética dimensional da mente, surgiu o problema desta pesquisa, que visa entender como os processos cognitivos psicológicos e fenomenais confluem para a realização da pessoa criativa, com recorte do artista plástico, e de como essa dialética deva estar mais otimizada nestes indivíduos do que em não artistas. Para tal levantou-se três hipóteses: 1) A mente dual está interligada durante o processamento cognitivo, trabalhando de modo paralelo e apresentando um vetor causal, processos cognitivos causam mente fenomenal ou vice-versa; 2) Autoconsciência é mediadora da experiência interna; 3) Primazia dos artistas em relação aos demais grupos, com todos os fatores do estudo estando otimizados nesta categoria em relação às demais. A amostra foi em número de 271 participantes artistas plásticos, estudantes de arte e leigos, de ambos os sexos, maiores, e escolaridade a partir de Ensino Médio incompleto. Os dados foram coletados em salas de aula, ateliês universitários, como também nas residências e ateliês particulares. Metodologicamente estruturou-se segundo um delineamento correlacional, com apoio em três escalas psicométricas de respostas likert e de uma tarefa artística prática para introspecção com o tema pré-definido PAZ. Os resultados demonstraram haver um gradiente fenomenal que ladeia o processamento cognitivo, sugerindo que a mente faz coisas ao mesmo tempo que sente e evidenciando uma operação conjunta entre as dimensões, abrindo-se uma perspectiva para se avançar nos estudos da fenomenologia em vértice quantitativo.

210 Yuri Elias Gaspar e Andersson José Aparecido de Oliveira (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Brasil) 187 JOVENS CALOUROS MIGRANTES NA UFVJM: INVESTIGAÇÃO FENOMENOLÓGICA A entrada do(a) jovem no ensino superior é marcado por mudanças, novas experiências e elaborações. Tal experiência tende a ser ainda mais impactante quando o(a) jovem migra de outra cidade para cursar a universidade. Objetivamos compreender de que modos o(a) jovem calouro migrante elabora sua experiência de ingresso na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM. Entrevistamos, fenomenologicamente, sete calouros(as) de diferentes cursos e localidades. Da análise fenomenológica (segundo van der Leew) de quatro destas entrevistas, apreendemos que G (de comunidade rural de Berilo MG) vivencia a saída do lugar de origem como ruptura, provocado pelo distanciamento de sua comunidade, dificultando sua adaptação (não tanto à universidade, mas à cidade), ao passo que H (de São Paulo) elabora essa processo de migração e de entrada na UFVJM como libertação de um contexto urbano em que ele não se sentia livre para assumir o seu próprio ser e fazer. Para J (do Rio de Janeiro), que mudou com sua família, ser migrante anunciou a possibilidade de reconstrução da própria comunidade em um novo lugar, facilitando sua inserção no contexto universitário. K (de comunidade quilombola de Chapada do Norte MG) se percebe aprisionada na nova cidade por reconhecer-se distante de relações comunitárias genuínas, no entanto ingressar na universidade é afirmado como grande sonho conquistado, e por isso se sente realizada. Enquanto experiência-tipo, ser jovem calouro(a) migrante mostra-se como novidade desafiadora na qual a pessoa é solicitada a reelaborar a própria identidade e a compor um novo lugar no mundo. Este momento de elaboração de si e da experiência universitária (reconhecida como qualitativamente diversa do Ensino Médio) é tomado pela pessoa como ocasião de maior responsabilização pelo próprio processo, e por uma re-descoberta do que é significativo para si e dos horizontes que a vida universitária pode abrir.

211 Arlene Leite Nunes Meyer (Univille, Brasil) 188 MÉTODO FENOMENOLÓGICO - UMA POSSIBILIDADE NA PESQUISA CIENTÍFICA PARA A COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES Introdução: Método fenomenológico (MF) é uma via de acesso ao fenômeno, em seus diversos aspectos, propondo-se a descreve-los. Para elaborar pesquisa fenomenológica é necessário estar diante de dimensões da experiência humana, buscando destacar a experiência de vida da pessoa. Para conhecer a experiência, são necessárias informações fornecidas pela própria pessoa. Objetivo: Apresentar o MF como possibilidade de pesquisa, através da apresentação de dissertação de mestrado, cujo objetivo foi compreender o significado da experiência vivida por adolescentes com transtornos alimentares (TA) a partir de perspectiva fenomenológica. Metódo: Entrevistamos adolescentes com TA. Para análise foram seguidos passos propostos por Giorgi, abordagem qualitativa, centrada nas concepções fenomenológicas, para identificar unidades de significado e atingir estrutura da experiência vivida de cada uma das entrevistadas. Foi realizada categorização para atingir apreensão da estrutura geral da vivência, extraindo estrutura do vivido. Realizou-se síntese geral, composta pela análise de todos depoimentos, para fornecer visão geral. A partir dessa realizou-se diálogo reflexivo, articulando conteúdos empíricos e teóricos. Resultados: Revelaram sofrimento das adolescentes por engordar, não se achar magra suficiente, comer demais, não comer, provocar vômito, tomar laxantes, diuréticos, tentar suicídio, ver pais sofrendo, não se sentirem compreendidas pelos outros, por si próprias. Conclusões: O método qualitativo, centrado em abordagem fenomenológica, possibilitou acesso ao conteúdo de forma profunda, não-generalizadora ou interpretativa, e ver algo conhecido com novos olhos: descobrir o que são TA não é tarefa difícil, a proposta era mostrar como são na visão de quem está passando por eles, compreendendo significado da experiência vivida ao invés de explicar, pois na perspectiva fenomenológica é a compreensão do fenômeno que nos possibilita abranger sua totalidade em suas múltiplas dimensões.

212 Adriele de Sousa Matos; Alexsandro Medeiros do Nascimento (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 189 O AUTOCONCEITO FENOMENAL EM CRIANÇAS: UMA REFLEXÃO ACERCA DOS MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO O trabalho traz uma reflexão teórico-metodológica sobre apreensão do autoconceito fenomenal em crianças. O autoconceito é, segundo o Modelo Integrado de L Ecuyer, um sistema multidimensional, hierárquico e fenomenal, sendo composto de estruturas fundamentais que se referem a aspectos globais de percepções de Si mesmo. O processo de formação do autoconceito é lento e influenciado pelas relações que a criança constrói ao longo do seu desenvolvimento nos mais diferentes contextos, a partir das interações com os outros e das interpretações que a criança faz do seu ambiente. Levando em consideração que a criança está em pleno desenvolvimento físico, cognitivo e social, pensar em um único instrumento capaz de capturar o objeto de estudo em toda faixa etária infantil, desde as crianças não-alfabetizadas até as maiores constitui-se em um desafio. Foi feita busca na literatura dos últimos cinco anos sobre aspecto metodológico desse tipo de estudo e levantou-se principais técnicas utilizadas. Usualmente para investigar autoconceito em crianças são utilizadas escalas psicométricas, existem no Brasil alguns instrumentos validados, porém os tais se aplicam apenas a grupo etário mais elevado, de 07 a 12 anos em média. Outra técnica é entrevista fenomenal, podendo ser aplicada a grupo etário mais amplo, as crianças respondem a roteiro semiestruturado e o pesquisador desempenha papel mediador para facilitar na compreensão das perguntas, mas esta técnica apresenta como principal desvantagem a subjetividade do pesquisador. O Método W-A-Y aparece como instrumento promissor, dado não impor limites ao sujeito na autodescrição, permitindo que o autoconceito das crianças, mesmo as não-alfabetizadas, consiga ser capturado de forma válida e fidedigna. Considerando, portanto os limites e vantagens dos instrumentos e técnicas descritos acima, concluímos que os estudos precisam avançar com o intuito de alargar o campo teórico e metodológico da área, especialmente em perspectiva fenomenológica.

213 Beatriz Aparecida Patrocinio de Souza, Victor Yuri Malatesta, Diogo Arnaldo Corrêa e Geovana Mellisa Castrezana Anacleto (Universidade de Mogi das Cruzes, Brasil) 190 O CAMINHAR DO DESVELAMENTO DO SER A PARTIR DA PRÁTICA DO TAE KWON DO: UMA ÓTICA FENOMENOLÓGICA Tendo a Ontologia Fundamental de Heidegger como referencial de análise, esse estudo objetivou compreender de que modos os praticantes de Tae Kwon Do podem trilhar um caminho de descobrimento do ser. Participaram do estudo dois atletas maiores de 18 anos; masculino e feminino; graduados faixa preta e residentes no Alto Tietê; como critério de inclusão considerou-se ainda ter seis anos de prática sem interrupções por lesões graves por dois anos e foram excluídos aqueles sem registro na Federação Brasileira de Tae Kwon Do, Federação de São Paulo de Tae Kwon Do,Kukkiwon,e iniciação competitiva menor que um ano. Os entrevistados foram indicados como K. (masculino) e T. (feminino). De suas narrativas recolhera-se os seguintes trechos: [...] mas aí meu mestre veio e me falou olha, vai ter um campeonato, vai ser um campeonato pequeno, não vai ser nenhum paulista, nada. É um open. Então vamos lá, participar... ver se você gosta. Eu falei ah todos meus amigos iam, aí eu também fui. E assim que eu fui eu comecei a competir e to aqui até hoje (K). Eu tenho um irmão deficiente e ele fazia fisioterapia [...] daí ele ficou sabendo que tinha esporte lá [...]. Daí minha mãe se interessou e me colocou. Daí, nisso eu podia escolher três esportes, daí eu escolhi Tae Kwon Do, Balé e Judô. Daí nenhum me interessou. Daí eu continuei só com o Tae Kwon Do (T). As narrativas apresentaram sintonização com aquilo que se apresenta e demonstra na facticidade, referindo o ser si próprio demarcado pela abertura ao universo competitivo, indo da impessoalidade para a singularização (projeto)numa abertura do praticante em seu horizonte existencial ao encontro de sua experiência de modo potencial e autêntico. As expressões apresentadas demonstraram que a partir da disposição afetiva é possível elucidar diversos momentos em que o descobrimento do ser como abertura para o Dasein pode ser demarcado por um dispor-se à prática que o singulariza.

214 Fábio Henrique Dutra Costa, Wellingyhon De Lucia Outrello, Caroline de Oliveira Zago Rosa, Juliana Vendruscolo e Felipe de Souza Areco (Centro Universitário Barão de Mauá, Brasil) 191 O SER PSICOTERAPEUTA PARA ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA: UMA LEITURA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL O graduando de Psicologia se depara durante toda a sua formação com constatações dos docentes acerca da importância da psicoterapia pessoal, seja para o profissional psicólogo já formado, seja para o estudante de psicologia que logo se tornará um profissional. Tal constatação que vem ao encontro com os conteúdos encontrados na literatura sobre esse assunto, no qual diversos autores reafirmam a importância da psicoterapia pessoal para o psicólogo, profissional ou estudante. Pretendemos com este trabalho compreender a relevância da psicoterapia na formação do estudante de Psicologia que passa por esse processo durante a sua formação, de como é a sua visão sobre o ser psicólogo a partir da vivência com outro profissional. Foi utilizado o método de pesquisa fenomenológica. A entrevista possui uma questão norteadora: Qual a importância da psicoterapia pessoal na formação do psicólogo? Entrevistadores e entrevistado estabeleceram um encontro diante da resposta dada pelo participante e partindo da suspensão de valores e juízos anteriormente adquiridos. O ser-com constitui existencialmente o ser-no-mundo, e deve poder ser interpretado como fenômeno da cura. Em outras palavras, existimos, mas existimos em um mundo. Somos (sein), somente através do aí (da). O papel do psicoterapeuta está na recuperação desta relação entre o paciente e seu mundo, suas possibilidades e particularidades, sendo-com ele um possibilitador dessa abertura. Cabe mencionar por fim que somos seres únicos, lançados às possibilidades mundanas conscientes na relação enquanto estudantes de Psicologia e futuros Psicólogos desvelando a importância daquilo que ocultamos em nós, nos levando a ver panoramicamente parte de si, mesmo em algo que venha se manifestar factualmente. Portanto, a psicoterapia é parte fundamental não só do olhar enquanto psicoterapeuta, mas consideramos justa a efetividade da importância para alunos do curso de Psicologia.

215 Cícero Benedito Vasconcelos, Lalá de Oliveira e Ewerton Helder Bentes de Castro (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) 192 O SER-EM NO MERCADO RELACIONAL; A VIVÊNCIA AFETIVO-SEXUAL PERMEADA PELO DIAGNÓSTICO DE HIV Em um mundo onde as relações se demonstram mais efêmeras e passíveis de troca, a interação entre os indivíduos se transforma em um mercado relacional, onde as pessoas se projetam tanto como consumidoras quanto produtos para o consumo. A necessidade do contato com este outro perpassa o nicho do social ou pessoal, integrativo do ser-com, atingindo uma primordialidade ontológico-existencial. Sabendo destes aspectos, um nicho em específico chama a atenção e cujas características são pluridimensionais, a relação afetivosexual entre parceiros com sorologia discordante, passível de impedimentos na hora do relacionar-se, dado o olhar lançado sobre os indivíduos com comunicação do diagnóstico de HIV/Aids. A facticidade formalizada pelo diagnóstico indica limitações, que são alimentadas por políticas higienistas e pela própria desinformação do outro em relação a sua condição. Este projeto possui o objetivo de compreender a vivência da expressão afetivo-sexual de pessoas vivendo com HIV dentro do contexto da modernidade líquida. Será utilizado o método fenomenológico de pesquisa em psicologia a partir de entrevista áudio gravada e a análise amparada na teoria fenomenológica de Martin Heidegger para elucidar o processo de vivência cerceada pela facticidade da comunicação do diagnóstico. Serão considerados 15 participantes que estão inseridos dentro do contexto de busca de uma relação afetivo-sexual e que sejam pessoas vivendo com vírus HIV/Aids; buscando, ao fim, a compreensão do sentido atribuído pelos participantes ao fenômeno das relações.

216 Sabrina Araújo Feitoza Fernandes Rocha, Alexsandro Medeiros do Nascimento, Rebeca Oliveira Duarte, Adriele de Souza Matos e Verônica Barros de Fonte Silva (Centro Universitário Estácio do Recife, Brasil) 193 OS SENTIDOS DE PESSOA OBESA: ESTUDO FENOMENOLÓGICO A obesidade há muito se tornou problema mundial de saúde pública, tem sido objeto de interesse científico ultrapassando o campo da saúde, para adentrar em muitas áreas do conhecimento como psicologia, e desta, aos estudos em cognição e experiência interna. Este trabalho de cunho qualitativo e fenomenológico objetivou identificar os sentidos de Pessoa Obesa em população adulta recifense, e descrever os aspectos fenomenológicos presentes no conjunto fenomenal que caracterizam Pessoa Obesa como objeto de experiência interna, intencional para a consciência. A perspectiva adotada buscou realizar uma pesquisa a respeito do tema do indivíduo obeso que traga discussões interdisciplinares, com triangulação metodológica e epistemológica, seguindo a abordagem cognitivo fenomenológica de Nascimento, que respeitem autoapreensões das pessoas no cotidiano, ressalvando os aspectos qualitativos, privados e experienciais da mente. A hipótese que fundamentou a pesquisa é de que a modelização interna de Pessoa Obesa como objeto de experiência carrega a marca de profundo e histórico processo de desqualificação, demonização e culpabilização de pessoas acometidas de Obesidade, com repercussões para vida cotidiana, isto independente de o sujeito pesquisado se autodeclarar obeso ou não-obeso. A amostra compôs-se de 30 participantes, pareados por sexo e níveis de sobrepeso, os quais responderam com tempo de 1 minuto tarefa de associação-livre com palavra-estímulo: Pessoa Obesa. O corpus analisado por metodologia fenomenológica padrão segundo tratativa de Cott e Rock resultou em conjunto de temas componentes da essência das autoapreensões quanto Pessoa Obesa descrevendo-a como feios, compulsivos, doentes, com problemas psicológicos, dificuldades para viver o cotidiano, não se cuidam, discriminados, dificuldades no relacionamento amoroso sexual, que inspiram pena. Os achados evidenciam a necessidade de se investir em estudos sobre a situação de vulnerabilidade psíquica e social da Pessoa Obesa.

217 Luciana Palacio Fernandes Cabeça, Marcela Astolphi de Souza, Camila Cazissi da Silva e Luciana de Lione Melo (Universidade Estadual de Campinas) 194 PESQUISA FENOMENOLÓGICA HEIDEGGERIANA NA ÁREA DA ENFERMAGEM: ANÁLISE DE CONCEITOS Enfermeiros tem adotado o referencial teórico da fenomenologia heideggeriana em suas pesquisas. Esta opção está fundamentada na relação homem-enfermagem, uma vez que o cuidado compreender o ser em seu mundo e, propiciar a apreensão das experiências de indivíduos que vivem determinados eventos. O objetivo deste estudo foi identificar e analisar conceitos heideggerianos utilizados nas pesquisas da área da Enfermagem. Trata-se de revisão integrativa da literatura com a pergunta norteadora: Quais são os conceitos heideggerianos descritos na obra Ser e Tempo utilizados nas pesquisas da área da enfermagem? As buscas foram realizadas na Biblioteca Virtual em Saúde, National Library of Medicine, The Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature e Scopus, no mês de maio de Os termos utilizados nas pesquisas foram: Enfermagem e Pesquisa Qualitativa, combinados com os descritores não controlados Heidegger e Fenomenologia. Foram incluídos artigos na língua portuguesa, inglesa e/ou espanhola, publicados entre 2009 e Na primeira seleção foram encontrados 53 artigos com resumos disponíveis. Foram excluídos 25 por serem revisões integrativas, estudos teóricos, teses, dissertações e em duplicidade, totalizando 28 estudos primários para análise e, dentre esses, três indisponíveis para leitura. Nos 25 artigos lidos na íntegra, os conceitos identificados e analisados foram: ente, ser, Dasein, ser-no-mundo, ser-com-os-outros, poder-ser, existência, modos-de-ser, autenticidade, inautenticidade, ocupação, pre-ocupação, facticidade, temporalidade, historicidade, cotidianidade, espacialidade, afetividade, disposição, compreensão, linguagem, ser-para-morte, finitude, fuga, medo, cura, angústia, humor, temor, linguagem e verdade. Percebeu-se que os conceitos apoiam os temas estudados, porém não os explicam em profundidade, o que não impede que este referencial continue a ser utilizado considerando a relação que há entre cuidado fenomenológico e enfermagem.

218 Ana Lícia Pessoa Nunes, Melina Pinheiro Gomes de Souza e Shirley Macêdo Vieira de Melo (Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil) 195 PESQUISA FENOMENOLÓGICA INTERVENTIVA COM UNIVERSITÁRIOS DO SEMIÁRIDO NORDESTINO EM SOFRIMENTO PSÍQUICO Considerando o sofrimento psíquico em universitários uma questão de saúde pública, a pesquisa (que teve apoio do PIBIC/PIVIC CNPq/UNIVASF ) teve como objetivos compreender processos envolvidos em grupos interventivos com universitários usuários de um serviço escola de Psicologia do semiárido nordestino, descrevendo experiências dos colaboradores ao participarem dos grupos; apontando atravessamentos envolvidos nos processos; e identificando possíveis alcances dos grupos na (trans)formação em modos de subjetivação dos universitários. 16 colaboradores foram subdivididos em três grupos de oito encontros cada. A pesquisa fenomenológica interventiva utilizou o método da Hermenêutica Colaborativa, focado no sentido de uma experiência intersubjetiva compartilhada e na construção conjunta de estratégias de enfrentamento de uma realidade social. O instrumento de coleta foi a Versão de Sentido (VS), escrita por cada colaborador ao final de cada encontro. Os principais resultados foram: os universitários refletiram sobre o tempo, transitando entre passado (conectando-se à própria história de vida), presente (conscientizando-se das suas atuais possibilidades) e futuro (ao tematizarem objetivos e metas que desejavam alcançar); tomaram consciência das próprias responsabilidades, reconhecendo a necessidade de mudança de atitudes; revelaram a relevância de compartilharem experiências, surpreendendo-se com semelhanças entre suas questões pessoais, o que promoveu alívio do sofrimento; ressignificaram a realidade ao refletirem sobre novas estratégias de enfrentamento do sofrimento (não passividade, autonomia e autorresponsabilização frente os problemas, compartilhar dificuldades com colegas e revisar as próprias prioridades). Concluiu-se, principalmente, que o método utilizado favoreceu aos universitários poderem rever seus modos de subjetivação diante de si e do mundo, sendo viável a uma ação clínica de cuidado em instituições de ensino superior.

219 Epitacio Nunes de Souza Neto e Alexsandro Medeiros do Nascimento (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 196 SENTIDOS DA VIOLÊNCIA SEXUAL E SEUS IMPACTOS SOBRE A AUTOCONSCIÊNCIA E AUTOREPRESENTAÇÕES DO SELF AO LONGO DA VIDA A Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (VSCA), modalidade da violência sexual, se caracteriza como todo ato ou jogo sexual, envolvendo um ou mais adultos e uma criança/adolescente, objetivando estimular sexualmente a vítima, ou utilizá-la para obter estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra; e, se estabelece a partir de duas categorias distintas: abuso sexual e exploração sexual. Estudos têm ressaltado suas consequências sobre dimensões física, emocional e cognitiva das vítimas, contudo, pouco se sabe acerca dos impactos de tal fenômeno sobre autoconsciência e autorepresentações do self ao longo da vida. Este trabalho qualitativo e fenomenológico se caracteriza como estudo de casos múltiplos, e objetivou avaliar os sentidos de violência sexual e seus impactos na estruturação da autoconsciência (ruminativa ou reflexiva), autoestima e autoconceito das vítimas ao longo da vida. Nossa hipótese é que altos níveis de ruminação e autorepresentações deficitárias contribuem diretamente para relatos sobre experiências de VSCA acompanhados de maior sofrimento. A amostra foi composta por 02 participantes vítimas de VSCA, pareados por sexo, que responderam às entrevistas semiestruturadas, com roteiro prévio, com foco na realidade do sujeito e apreensões dos significados construídos sobre suas próprias experiências. A análise temática seguiu sumarização proposta por Cott e Rock, possibilitando integração dos temas abrangentes constituintes em paragrafo final com ênfase descritiva dos principais impactos da VSCA ao longo da vida percepções distorcidas de si, insegurança no contato com outras pessoas, impotência diante de situações de violência e sofrimento na revivência da experiência traumática. Buscou-se assim, compreensões mais amplas sobre como se estabelece a estruturação da autoconsciência e representações do self para quem tem corpo e intimidade violados, fundamental ao entendimento mais apurado sobre o fenômeno da violência sexual sobre o ciclo vital.

220 Eunides Almeida e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 197 TRANSGERACIONALIDADE E CONJUGALIDADE: PESQUISA PSICOLÓGICO-FENOMENOLÓGICA SOBRE TRANSMISSÃO PSÍQUICA ENTRE O fenômeno da transmissão psíquica entre gerações e seus atravessamentos na constituição e dinâmica conjugal é objeto de inúmeras pesquisas, interessando à psicologia clínica e social. Realizamos uma pesquisa psicológico-fenomenológica - a partir da Psicologia Fenomenológica elaborada por E. Husserl - sobre o fenômeno da transgeracionalidade na formação das relações amorosas, tal como este se manifesta na prática psicoterapêutica do Método ADI/TIP. Esta investigação teve como objetivo, a partir da análise da experiência e de seus significados, chegar às vivências psíquicas relacionadas com a transgeracionalidade. Observamos as seguintes vivências psíquicas na transmissibilidade da matéria psíquica e no modo de apropriação do legado no processo de autoformação: a) A vivência empática e a intersubjetividade na constituição e transmissibilidade da vida psíquica. b) As vivências do eu psíquico e do eu transcendental no movimento dos afetos. c) Vivências das leis psíquicas e das leis espirituais no processo de transmissão psíquica. d) A vivência de uma memória não consciente e pré-flexiva. A análise psicológico-fenomenológica e sua fundamentação teórica ampliaram a percepção do fenômeno transgeracional nas relações de conjugalidade, distinguindo e elucidando como o compartilhamento de conteúdos psíquicos atua na formação da pessoa, permitindo a compreensão da subjetividade psíquica em conexão e interdependência com a vida ativa. Evidenciaram-se as possibilidades reais da pessoa, em face ao eu espiritual livre e regido pelas leis de sentido, agir sobre seu legado e transformá-lo. Constatamos que os conteúdos psíquicos se transmitem via consciente (reflexivo) e não consciente (pré-reflexivo) por meio do ato empático, envolvendo uma memória transgeracional não consciente e pré-dada. Os resultados da análise trazem significativas contribuições para as práticas de intervenções clinicas e psicossociais.

221 Leonardo Fernandes Coelho e Cristiano Roque Antunes Barreira (Universidade de São Paulo, Brasil) 198 O TRANSIÇÕES COMBATIVAS E PSICOLÓGICAS NA LUTA GRECO-ROMANA Esse trabalho se alinha à produção de uma Psicologia dos Esportes de Combate de perspectiva fenomenológica. Subtraídas teorias prévias, se faz um retorno às experiências e uma redução às manifestações da consciência intencional pré-reflexiva que emergem nas práticas de combate. Assim como em outras artes marciais, de acordo com análises fenomenológicas do combate já efetuadas, a luta greco-romana apresenta três distintas experiências combativas a serem ponderadas: brincadeira, briga e luta. A brincadeira tem como motivação um aspecto lúdico, a graça e a diversão fazem parte do combate. A briga surge quando existe um desenvolvimento de coisificação do adversário, sendo a hostilidade e a força violenta as suas motivações. A luta, por sua vez, mostra haver uma mútua compreensão corpóreo intencional entre os lutadores, cujo fim é limitar os movimentos do outro. O objetivo deste estudo consiste em compreender como se dão as experiências vividas na luta grecoromana no trânsito psicológico entre brincadeira, luta e briga. Para tal, foram feitas nove entrevistas sob escuta suspensiva com praticantes de luta greco-romana. Os relatos foram transcritos e, como via de análise, submetidos ao cruzamento intencional. Os resultados das análises levaram à formulação de cinco categorias que auxiliam na compreensão da dinâmica vivencial dos fenômenos combativos junto aos lutadores: luta, fronteira entre luta e brincadeira, brincadeira, transição de luta para briga e briga. Como gênero esportivo a experiência que se busca é a de lutar. Brincar de lutar, todavia, comparece como passagem favorável ao ensino e aprendizagem. Já a briga emerge nas fronteiras da violência, distorcendo a luta e arrastando os lutadores a perderem o outro de vista e consideração. A compreensão de tais fenômenos é capaz de possibilitar uma atuação educativa na luta greco-romana, favorecendo atitudes menos abusivas entre os atletas, além de atuações mais respeitosas, gerando uma melhora na aprendizagem da luta.

222 Eberson dos Santos Andrade e Vera Engler Cury (Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Brasil) 199 UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO SOBRE A EXPERIÊNCIA DE USUÁRIOS EM UM CENTRO DE CONVIVÊNCIA O resumo refere-se a uma pesquisa de Mestrado que objetivou compreender a experiência de usuários em um Centro de Convivência (CECO). Os CECO s são instituições públicas que compõem as Redes de Atenção à Saúde e de Atenção Psicossocial em municípios brasileiros. Estes locais destacam-se pelo papel estratégico que desempenham na inclusão social de pessoas com transtornos mentais e de outras populações com problemáticas sociais. Constituiu-se como uma pesquisa qualitativa de natureza fenomenológica husserliana. O pesquisador acompanhou as atividades de um Centro de Convivência, localizado em uma cidade do interior do Estado de São Paulo, e realizou encontros dialógicos individuais com sete participantes adultos de ambos os sexos. Os encontros foram iniciados com uma questão norteadora. Após cada encontro, o pesquisador redigiu uma Narrativa Compreensiva a partir das suas impressões sobre a experiência do participante. Concluído este processo, foi elaborada uma Narrativa Síntese, contendo os elementos significativos da experiência vivida por todos os participantes no que se refere ao tema do estudo. Os elementos constituintes da experiência em pauta foram: (1) as relações interpessoais no contexto do CECO são orientadas por respeito, compreensão e interesse pelo outro, facilitando o desenvolvimento de laços sociais significativos; (2) a partir da convivência com outras pessoas e da participação em atividades coletivas, os usuários podem desenvolver criativamente suas habilidades e interesses; e (3) ao se sentirem acolhidos e respeitados como pessoas, os usuários desenvolvem uma relação afetiva positiva com o serviço que os faz colaborarem com as atividades de uma maneira diferente daquela que vivenciam em outros contextos de saúde pública. Concluindo, o CECO se revelou como um espaço propício ao desenvolvimento de potencialidades individuais e à valorização de relações sociais construtivas que preservam a tendência inerente das pessoas para o crescimento psicológico.

223 Thaís de Castro Gazotti e Vera Engler Cury (Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Brasil) 200 VIVÊNCIAS DE PSICÓLOGOS COMO INTEGRANTES DE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES EM HOSPITAL Em vista de compreender a atuação em equipe do psicólogo hospitalar, objetivou-se analisar fenomenologicamente a experiência de psicólogos que atuam em equipes multidisciplinares em hospitais. Participaram do estudo nove psicólogos, sendo oito mulheres e um homem, de hospitais no estado de São Paulo. Realizaram-se encontros dialógicos individuais com os participantes registrados sob a forma de narrativas compreensivas. Esta estratégia metodológica visa descrever os principais elementos da experiência de cada participante. Em seguida, redigiu-se uma narrativa síntese contendo os elementos significativos das experiências para apreender a estrutura do fenômeno em foco. Concluiu-se que: psicólogos necessitam romper barreiras pelas equipes dificilmente reconhece-los como importantes; sobrecarregam-se com demandas por incompreensão de suas funções; batalham pelo princípio da integralidade junto à equipe; compreensão empática e aceitação positiva incondicional caracterizam suas atuações com pacientes, familiares e profissionais, junto à confiança para bom funcionamento da equipe; necessitam se cuidar para exercerem suas funções; boa formação em Psicologia e pós-graduação em Psicologia Hospitalar precedem atuação competente em equipe.

224 Fenomenologia nas Instituições Públicas

225 Joelma Romão, Natália Regina dos Santos Silva e Mariella Passarelli (Universidade Paulista e Núcleo Papillon, Brasil) 202 A IMPORTÂNCIA DO PLANTÃO PSICOLÓGICO NO ÂMBITO DA SAÚDE PÚBLICA O plantão psicológico é uma prática de clínica ampliada em psicologia e constitui-se em atendimento psicológico de caráter emergencial, sem a necessidade de agendamento prévio. Sua atuação psicológica tem como principais objetivos a promoção de saúde, a escuta e o acolhimento em momentos de crise. O presente trabalho tem por objetivo apresentar a importância do plantão psicológico no âmbito da saúde pública em instituições que prestam serviço para o Sistema Único de Saúde (SUS), tanto para os usuários como para os profissionais da Saúde que nelas atuam. Para tanto será apresentado um breve relato da experiência da aplicação do Plantão Psicológico realizado com base na perspectiva da abordagem Fenomenológica-Existencial de um estágio no ano de 2017 em um Pronto Atendimento o qual totalizou dois meses de atendimento para a população e a experiência de 2018 de um trabalho voluntário através do projeto Construindo uma Cultura de Humanização que totalizou oito meses de atendimentos para profissionais da saúde de quatro Unidades Básicas (UBS), ambas experiências em uma cidade do interior de São Paulo. Foi possível perceber quanto o auxilio no momento de crise é positivo para amenização do sofrimento psíquico, bem como instrumento de cuidado e apoio para os profissionais da saúde. Evidenciamos que alguns pacientes se apresentaram angustiados, ansiosos com situações incomuns com as quais precisavam lidar levando-os para atendimento médico com queixa de base orgânica. Vivenciamos acolhimento de profissionais da saúde que apresentavam angustias e ansiedades tanto de questões pessoais como de situações ocorridas no ambiente de trabalho. Percebemos que a escuta e o acolhimento das pessoas nas instituições do SUS, tanto pacientes como dos profissionais possibilitou mudanças, ressignificação de experiências e compreensão no enfretamento do adoecer e de suas rotinas. Consideramos que é de suma importância para Saúde Pública a contemplação da modalidade Plantão Psicológico no SUS.

226 Maria Carolina de Amorim Borges e Rafael Farias da Silva (Faculdade Frassinetti do Recife, Brasil) 203 A INCIDÊNCIA DO ESTRESSE NA ROTINA DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA Introdução: A origem deste trabalho deu-se por meio de questionamentos acerca de algumas condições presentes na atividade do profissional de segurança pública, como por exemplo, buscar saber se existem fatores que influenciam na incidência do estresse em sua rotina laboral; se a atividade é considerada de alto risco, em virtude da natureza de sua função; e se o profissional de Psicologia pode atuar na minimização dos impactos negativos provocados pelo estresse na atividade desenvolvida pelos mesmos. Objetivo: O objetivo deste trabalho é refletir sobre os impactos causados pelo estresse na vida pessoal e profissional desses trabalhadores; visa também demonstrar a importância da atuação do profissional de Psicologia no acolhimento e escuta dessas pessoas. Metodologia: A metodologia utilizada neste trabalho foram as pesquisas bibliográfica e de campo, essa última por meio de entrevistas e depoimentos. Desenvolvimento: No caso do trabalhador da área de segurança pública, nota-se que a incidência do estresse provoca consequências negativas em sua vida. Conclusão: Portanto, há necessidade de que sejam implementadas melhores condições de trabalho, além de suporte emocional em paralelo ao desenvolvimento da atividade. Dessa forma, ter-se-á maior valorização e reconhecimento desses profissionais que atuam de forma a garantir a segurança e o bem-estar da sociedade.

227 Sarah Miguel Rodrigues e Laís Soares da Silva 204 A INFLUÊNCIA DA ESQUIZOFRENIA NO COTIDIANO DA FAMÍLIA, SOB A CONCEPÇÃO FENOMENOLÓGICA Estudos mostraram a gravidade da esquizofrenia nos processos cogntivos, afetivos, físicos e sociais. A esquizofrenia, é habitualmente conhecida como uma das doenças psiquiátricas de alta complexidade. É estabelecida como uma psicopatologia que afeta significativamente a percepção, o pensamento, o comportamento, o movimento e a emoção. Um indivíduo portador de tal transtorno mental, geralmente, perde sua autonomia, ficando completamente dependente de seus familiares para exercer desde funções básicas até funções complexas. O tratamento é muito valoroso na vida de um indivíduo portador de esquizofrenia, visto que este promove um impacto positivo na vida de quem porta, a enfermidade causa fragilidade. Por isso o acompanhamento com profissionais da área é necessário, a família também é impactada e carece de assistência. O tratamento deve considerar a família e não somente o doente. A convivência familiar com um sujeito portador de esquizofrenia, é classificada como uma contenda diária contra o sofrimento. Tal sofrimento causado pela esquizofrenia é um evento inevitável, tanto para o portador quanto para os familiares, que carecem de muita cautela e atenção, a qualidade de vida desses familiares é enredada à doença visto que as responsabilidades se tornam inúmeras. Diante disso, questiona-se: Como é a rotina do familiar dos portadores de esquizofrenia grave? Podemos conjeturar que para a representação familiar, o cotidiano é permeado por momentos conflitivos, frustração emocional, postura de autoculpabilização e sobrecarga familiar. Este estudo tem caráter fenomenológico, qualitativo, e é efetivado por meio de entrevistas qualitativas, com familiares de pessoas com esquizofrenia, que estão cadastrados no CAPS II, de Ituiutaba/MG. Os resultados parciais comprovam a hipótese de que a família é altamente afetada.

228 Suzi Adriana Florencio (Universidade Paranaense, Brasil) 205 ACOLHIMENTO FAMILIAR REFLEXÕES SOBRE OS DESAFIOS PARA A IMPLANTAÇÃO DESTE SERVIÇO CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA A pesquisa a seguir, busca refletir acerca dos desafios encontrados para a implantação de um serviço de acolhimento familiar, em um município de pequeno porte. Entre os desafios para a implantação, encontram-se as lacunas teóricas, no que tange a está modalidade de acolhimento. Inicia-se com uma revisão bibliográfica, fazendo um retrocesso histórico de como foram instituídos os acolhimentos no Brasil. Busca compreender, as bases para estruturação da política pública de assistência social, responsável pelas diretivas de trabalho. O objetivo da pesquisa consiste em, compreender o acolhimento, e os sentidos produzidos pela experiência do acolher, sendo esta, uma das hipóteses que sustentaram o processo de estruturação deste serviço. Busca apontar referencias teóricos para que, outras equipes técnicas possam, em processo de estruturação, recorrer. Esboçar possibilidades a novas metodologias de trabalho para instrumentalizar profissionais que atuem com os serviços de acolhimento familiar. Quanto à metodologia utilizada para a realização da pesquisa, optou-se por uma pesquisa qualitativa, com estudo de campo. Para a coleta dos dados serão utilizadas entrevistas semi estruturadas. Os dados serão analisados com base teórica do construcionismo social, por meio da análise do discurso e da produção de sentido. Por meio dos recortes selecionados dos discursos dos sujeitos que fizeram parte da pesquisa, serão analisadas as peculiaridades e singularidades na experiência do acolher. Os discursos provenientes das entrevistas concentram-se sobre temas como: acolhimento familiar, acolher, capacitação. Até o momento da elaboração deste resumo, a pesquisa encontra-se em fase de encaminhamento ao comitê de ética em pesquisa, estando concluída a revisão bibliográfica. Após a aprovação e a devolutiva da comissão, as entrevistas serão aplicadas.

229 Cláudia Cristina Pedrassolli Bubeck, Desiree Correia Carneiro e Marisa de S. Thiago Rosa (Universidade Regional de Blumenau, Brasil) 206 ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO EM PSICOLOGIA FRENTE AO FENÔMENO DO LUTO GESTACIONAL A perda gestacional traz para as mães que perderam seus filhos, bem como para os pais e demais familiares, sentimentos de dor e incompreensão, muitas vezes expressados em tristeza, raiva, desesperança e frustração ante a perda. Este fenômeno torna-se doloroso e complicado, pois além da morte em si, ocorre a quebra dos ideais e expectativas por parte dos pais e familiares, o que pode deixar marcas profundas e significativas. Este estudo baseou-se em dados bibliográficos recentes, na busca por compreender, através dos conhecimentos da Psicologia, do que se trata esse fenômeno, bem como levantar na literatura especializada, as possibilidades de intervenção diante do luto gestacional. Entre os achados, destacam-se estratégias de enfrentamento que instrumentalizam o psicólogo tornando seu trabalho com as famílias que passam pelo luto gestacional efetivo, nos diferentes níveis de atenção, com seus recursos específicos e tempo disponível para tratamento. Estas estratégias devem ser avaliadas e adaptadas de acordo com a rede de relações que envolvem as pacientes e familiares, em seus respectivos contextos sócio-econômico-culturais em que o psicólogo irá atender, e suas demandas específicas. A intervenção do psicólogo abrange não apenas o paciente em si, mas também toda a equipe hospitalar. Sendo o ser humano muito mais que um corpo físico, o atendimento integral à saúde é indiscutível. Portanto, a integração da equipe de saúde é imprescindível para que o atendimento e o cuidado alcancem a amplitude do ser humano, considerando as diversas necessidades do paciente.

230 Andressa Melina Becker da Silva (Universidade de Sorocaba, Brasil) 207 IMPLANTAÇÃO DE PLANTÃO PSICOLÓGICO NA DELEGACIA DE POLÍCIA DE DEFESA DA MULHER: UMA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA O Plantão Psicológico é um serviço de atendimento psicológico que busca o acolhimento e orientação de quem o procura em momento de urgência e emergência emocional. Apesar de ter uma predominância clínica, o Plantão Psicológico pode ser aplicado em diversos contextos em que existam pessoas em sofrimento. Tendo como base uma fundamentação teórica Fenomenológica-Existencial, o trabalho é voltado para o acolhimento do fenômeno, uma ampliação do contato de si, de um processo reflexivo e de novas possibilidades, além de um enfoque no aqui-e-agora e aspectos emocionais. Este trabalho objetiva relatar como se deu a implantação de um serviço de Plantão Psicológico na Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, em um município do interior do estado de São Paulo. É importante contextualizar que as mulheres vítimas de violência verbal, psicológica, moral, física, sexual e/ou patrimonial chegam para prestar queixa em um ambiente nada acolhedor, com profissionais focados nos procedimentos burocráticos e jurídicos; mesmo que estas vítimas cheguem muito fragilizadas. Pensando-se nisso, um projeto foi elaborado buscando prestar uma assistência psicológica a estas vítimas. Vinculado a Universidade de Sorocaba (UNISO), o projeto foi desenvolvido em caráter de Extensão. Assim, 10 alunas do curso de Psicologia, que já cursaram ou estão em curso da disciplina de Psicologia Humanista Existencial foram selecionadas para atuar, sendo dividido duas alunas para cada dia da semana (de segunda a sexta-feira). Em duas semanas de atendimentos, percebeu-se que as vítimas saíam mais fortalecidas da delegacia, buscando um maior contato com os próprios sentimentos. Além disso, o acompanhamento psicológico virou rotina dentro da Delegacia, como uma parte de todo o processo que a vítima passa ao fazer a denúncia. As alunas recebem supervisão semanal para discussão dos casos e de suas condutas. Aos poucos, busca-se uma humanização do ambiente da delegacia para um melhor atendimento das vítimas.

231 Marisa de S Thiago Rosa (Fundação Universidade Regional de Blumenau, Brasil) 208 POSSIBILIDADES DE DIÁLOGO ENTRE A PSICOLOGIA EXISTENCIALISTA SARTRIANA E POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL DO SUS Pretende-se analisar no presente trabalho, algumas contribuições da Psicologia Existencialista e seus fundamentos teórico-metodológicos para a atuação na área da Saúde Mental e suas Políticas Públicas, a partir da identificação de pontos de convergência entre ambas na literatura disponível. Serão abordadas as noções sartrianas de liberdade/alienação, a condição humana de sermos sujeito do nosso próprio ser e da história humana a partir da concepção de que fazemos a história junto com os outros, tecidos nos grupos. No que tange às políticas públicas, destaca-se o conceito de Clínica Ampliada como um dos pilares da Política de Humanização do SUS, sendo que um dos seus grandes desafios reside em lidar com os usuários enquanto Sujeitos, considerando sua participação e autonomia no estabelecimento dos projetos terapêuticos singularizados, sendo o diálogo qualificado o meio pelo qual a atenção se dá, tanto entre as equipes e usuários, como intra e interequipes. Segundo a PNH do SUS (2007), os valores que norteiam essa política são a autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a corresponsabilidade entre eles, os vínculos solidários e a participação coletiva no processo de gestão (p. 07). Será abordada também a necessidade da demarcação rigorosa do fenômeno psicológico enquanto condição metodológica para intervir na especificidade do mesmo em termos interdisciplinares, dada a necessidade da psicologia enquanto ciência e profissão trabalhar, ao lado de outras disciplinas científicas, a partir do olhar fenomenológico e existencialista de Jean-Paul Sartre. Diante das recentes ameaças de retrocesso no cuidado ao sofrimento psíquico, pretende-se contribuir, entre outras coisas, para a superação da lógica manicomial, através do diálogo entre o locus de práticas e as produções teóricas, para a construção e implementação de tecnologias face aos indicadores de sofrimento mental na população brasileira.

232 Sebastião Caldeira, Thaissy Fernanda de Oliveira, Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari, Letícia Damasceno e Oscar Kenji Nihei (Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil) 209 PROGRAMA REDE MÃE PARANAENSE: PRÉ-NATAL VIVENCIADO POR MULHERES RESIDENTES EM REGIÃO DE FRONTEIRA Introdução: A atenção pré-natal destaca-se como fator essencial nas intervenções oportunas sobre potenciais fatores de risco para complicações à saúde das mães e de seus recém-nascidos. A relevância do acompanhamento pré-natal para desfechos positivos nos indicadores de morbimortalidade materna e infantil levou o Estado do Paraná a implantar em 2012 o Programa Rede Mãe Paranaense (PRMP). Objetivo: Apreender a vivência de mulheres que realizaram o pré-natal pelo PRMP em uma região de fronteira. Método: Pesquisa qualitativa alicerçada na Fenomenologia Social de Alfred Schütz. A Fenomenologia Social de Alfred Schütz mostra-se adequada ao presente estudo porque permite a compreensão dos fenômenos humanos no cotidiano a partir de experiências concretas do vivido. Foi desenvolvida no município de Cascavel e Foz do Iguaçu, localizados na região Oeste do Paraná, contemplados na Faixa de Fronteira do Arco Sul brasileiro no limite com o Paraguai e Argentina. Resultados: Identificaram-se cinco categorias: Conhecimento sobre o PRMP; Acesso e acolhimento no serviço de saúde; Atendimento multiprofissional e suas peculiaridades; Educação em saúde e Perspectivas das mulheres frente ao PRMP. Conclusão: Os achados do estudo apontam para uma prática voltada ao modelo médico-assistencial operada de maneira sistematizada com pouca abertura para diálogos, troca de experiências e informações. Instiga reflexões sobre o cuidado pré-natal diante da proposta do PRMP que requer investimentos na formação e ações dos profissionais no âmbito do ensino, da pesquisa e da assistência, a fim de otimizar a vivência das mulheres de maneira que seja saudável, segura e positiva. Estudos qualitativos no tocante à assistência pré-natal devem ser estimulados, a fim de promover um monitoramento mais fidedigno das políticas de saúde maternoinfantil, em especial do PRMP vigente no Estado do Paraná.

233 Leonardo Toshiaki Borges Yoshimochi e Julio Cesar Carvalho (Centro Universitário Barão de Mauá, Brasil) 210 QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHADOR PENITENCIÁRIO: UMA REVISÃO DA LITERATURA SOB A ÓTICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL Assistimos ao cenário caótico da segurança no Brasil, o crescimento da criminalidade e o aumento significativo do número de pessoas presas. Considerando um contexto demarcado pela violência, criminalidade e delinquência, profissionais penitenciários estão sujeitos a uma série de desconfortos que englobam a desvalorização, condições laborais inadequadas, com possibilidades de gerar agravos à saúde. Este estudo teve como objetivo apresentar uma revisão da literatura científica, de cunho qualitativo, acerca do tema: Qualidade de vida do trabalhador penitenciário, lançando olhar sobre os trabalhos publicados em fontes de base nacional e internacional, de modo a favorecer a reflexão a respeito do tema e contribuir com a ampliação das perspectivas das publicações nesta área. Concebido de maneira descritiva. O referencial teórico adotado foi o Fenomenológico-Existencial. Sua metodologia visou, por meio da seleção e análise, descrever a produção científica acerca da temática, favorecendo a leitura crítica e a reflexão. O estudo envolveu uma busca sistemática nos indexadores eletrônicos: Web of Science, Scopus, LILACS, SciELO, PubMed e PsycINFO, no período compreendido entre 2008 e Foram recuperados e analisados vinte e oito trabalhos. Para a compreensão da visão global das produções foi feita a leitura integral dos estudos. No geral, as publicações abordaram temas relacionados a psicopatologias como, por exemplo, estresse, Burnout, depressão, ansiedade uso abusivo de substâncias, sofrimento psíquico; apontaram para cuidados com a saúde mental, condições laborais e satisfação no trabalho. Os resultados contribuíram para a descrição de três categorias: 1. Saúde ou doença, compartilhando um caminho, 2. O cotidiano e seus desdobramentos e 3. Sobre valor e (in)satisfação. A principal contribuição deste estudo foi desenvolver um olhar crítico para o agente de segurança penitenciária.

234 Lidiane Gonçalves Pimenta e Natália Aparecida Pimenta (Brasil) 211 TEMPO E CUIDADO EM SAÚDE MENTAL O presente trabalho surge da experiência de psicólogas em Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), no interior de Minas Gerais, e do questionamento das mesmas sobre o lugar do psicólogo neste dispositivo, em tempos em que o cuidado após a reforma psiquiátrica ainda se baseia na assistência biomédica. Neste serviço visualizamos um horizonte histórico respaldado pela hipermedicalização e uma demanda de atuação psicológica cada vez mais objetiva e que companhe esse modelo organicista. Há uma atitude preescritora sobre o adoecimento do outro, isto é, um determinismo de como o existente deve cuidar da sua própria dor. Conduta essa que revela um dos modos de tutelar, afastando uma escuta e uma fala que possibilite um refletir e um acompanhar no sofrimento do outro. O cotidiano da equipe se mostra, na maioria das vezes, que a posição médica é decisiva no cuidado, desconsiderando tanto o protagonista quanto os demais profissionais. Percebe-se ainda que os psicólogos são convidados a traduzir tal acompanhamento em unidades de medida para inserir o paciente na instituição, diagnosticá-lo e apresentar resultados sobre o tratamento proposto, em uma lógica de produção e controle. A fenomenologia existencial, por outro lado, surge com uma nova compreensão sobre o existir humano e suas vivências. O cuidado de si, proposto por Heidegger, na cotidianidade ou nas questões mais profundas do dasein, nos permite uma atuação no campo da saúde mental em que estar-com-o-outro seja também uma possibilidade de abertura para (re)descobrir o seu poder-ser. Partindo, para tanto, de um não saber sobre seu momento e sua cura, abdicando de uma intervenção invasiva e imperativa de tratamento. Assim, é necessário ainda considerar que esse cuidado, não acompanha, na maioria das vezes, um tempo biológico. Necessitando, desse modo, que esse profissional da escuta entenda o seu papel e atuação no momento da crise, não se deixando seduzir pelo discurso de um modelo limitado, biomédico e imediatista.

235 Sebastião Caldeira, Leda Aparecida Vanelli Nabuco de Gouvêa, Maristela Salete Maraschin, Nelsi Salete Tonini e Elizabeth Aparecida de Souza (Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil) 212 TRABALHO DAS MULHERES NA AGRICULTURA FAMILIAR: VIVÊNCIA, SIGNIFICADO E SUBJETIVIDADE Introdução: No meio rural o chamado trabalho pesado é realizado principalmente por homens já que exige força física, contudo, mulheres também o fazem e ainda cuidam da família, da casa e seu entorno. Objetivo: Compreender a vivência de mulheres trabalhadoras rurais no âmbito da agricultura familiar. Método: Pesquisa qualitativa alicerçada na Fenomenologia Social de Alfred Schütz, com 29 trabalhadoras rurais do município de Cascavel, Região Oeste do Estado do Paraná. Optou-se pela entrevista individual semiestruturada para a obtenção dos relatos. Os dados foram organizados de acordo com o referencial proposto. Resultados: Identificou-se três categorias: Facilidades e prazer acerca do trabalho rural; Dificuldades e desvalorização enfrentadas; Expectativas frente ao trabalho rural. Considerações finais: As mulheres estudadas possuem bagagem de conhecimento sobre o trabalho rural como aquele que proporciona gosto e prazer, mesmo diante do esforço físico empregado e do cansaço. Como dificuldades enfrentadas, trazem o sofrimento físico e psíquico, no tocante às preocupações com a manutenção da vida no meio rural, as dificuldades para pagar as dívidas e o difícil acesso ao local de trabalho, bem como, o enfrentamento das intempéries naturais como a chuva e o frio. Esperam maior valorização por parte dos esposos, filhos e sociedade, requerendo empoderamento e maior satisfação no meio rural; Possuem expectativas de melhorias do processo de trabalho rural, bem como, do retorno financeiro por parte da sociedade e órgãos responsáveis pelo labor na agricultura. A partir dos resultados encontrados, espera-se que outros estudos possam ocorrer com a temática em tela para que novos resultados venham se somar a estes aqui encontrados. Pretende-se também que no ensino, na pesquisa e na assistência, esta pesquisa, possa instigar novos estudos e suscitar estímulo às políticas e programas em prol do trabalho rural por parte da população feminina.

236 Sarah Miguel Rodrigues, Laís Soares da Silva e Evaldo Batista Mariano Júnior (Universidade Estadual de Minas Gerais, Brasil) VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: UM MAU ENCOBERTO 213 O presente trabalho se refere a uma pesquisa realizada com gestantes, enfatizando a violência obstétrica. A violência obstétrica pode ser vivida por uma mulher a qualquer momento da gestação, parto ou pós-parto, sendo caracterizada por situações de maus tratos, xingamentos, intervenções sem necessidade ou sem o consentimento da gestante, e até mesmo quando informações importantes não são repassadas. Apesar de sua abrangência, o parto ainda recebe maior destaque dentro do referido tema, momento no qual a atuação ética do profissional deveria englobar a autonomia de escolha da mulher. Diferente de outros procedimentos que, via de regra, necessitam de rigorosas intervenções médicas, o ato de parturição é fisiológico e poderia ocorrer quase sempre de forma natural, demandando muito mais apoio do que procedimentos cirúrgicos. Porém, a realidade revela que as gestantes têm tido seus direitos violados e aponta para uma crescente demanda por movimentos de humanização do atendimento dirigido à essas mulheres: contribuir para a promoção de um ambiente acolhedor às mulheres grávidas é essencial para a desconstrução do atual cenário que registra relatos alarmantes de violência obstétrica. O método utilizado na pesquisa foi o método fenomenológico, no qual consiste na compreensão da experiência, assim como ela se mostra, juntamente com a realização de entrevistas, para análise quali- quantitativa, com mulheres grávidas usuárias do serviço de atendimento às gestantes fornecido pela Unidade Mista de Saúde II, no município de Ituiutaba/MG. Teve-se como objetivo a promoção de maior visibilidade da temática, e também a informatização do leitor. Os resultados mostraram que, 14% das gestantes não conheciam nenhum método de intervenção, 53% conheciam os nomes das intervenções por nomes populares, e muitas comentavam que já tinham sofrido algum tipo de intervenção sem serem consultadas, sendo considerado violência obstétrica.

237 Aline Luiza de Carvalho e Márcia Stengel (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Brasil) 214 MORTE, CULTURA E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS NA PERSPECTIVA FAMILIAR Os avanços que ocorrem no âmbito da saúde em ações inovadoras na busca da qualidade de vida são respostas às preocupações primordiais da população e dos profissionais da área, seja em quaisquer setores. Para tanto, nota-se, além das implicações de cursos e origem de novas especialidades, inovações técnicas e intervenções cada vez mais aprimoradas que contribuem a este fim. Pode-se considerar que, diante de características visíveis da pós-modernidade, este interesse permeia muitos aspectos, como a busca da longevidade com uma qualidade de vida superior nos dias atuais e, não menos importante ou desconectado a esse interesse, a negação da morte. Durante a experiência profissional com famílias doadoras foi que me interessei em pesquisar sobre seus anseios, expectativas, fantasias e desejos ante a escolha a fazer. Além de considerar a importância da decisão, também foram observadas falas comuns que deixam transparecer ideias sobre o significado da morte, da doação de órgãos, além de aspectos simbólicos frente à complexidade do momento, os sentimentos que estão eminentes e a compreensão do ocorrido e consequências desta perda. Foram entrevistadas famílias que passaram pelo processo de doação de órgãos a fim de colher informações sobre as relações familiares, o processo de elaboração de luto e a interferência da decisão para as relações familiares e sociais. Observou-se que as escolhas excediam o interesse individual, perpassava e transpassava aos da família, perspectivas religiosas, características de grupos, mas principalmente por uma resposta a uma demanda social vigente e modelos de comportamentos contemporâneos. Neste sentido, o que vemos hoje é um número significativo de pessoas que evitam não só falar de morte, mas negam todas as formas de contato com situações de angústia e dor, caracterizando um comportamento social evitativo e com pouca maturidade para as questões complexas que são inevitáveis e condição da existência humana. Hoje, evitamos sofrer e demonstrar o sofrimento para que esse não seja transmitido consequentemente para outro. O fenômeno da condição humana, de tão doloroso para os que hoje convivem em condições pós-modernas de liberdade, prazer e seguranças administradas individualmente, passa para a condição,mesmo que simbólica para as famílias de derrotados por meios, métodos e instrumentos que lutam para abafá-la. A dor é medicalizada, solitária e subjetivamente ainda mais intensificada por não achar escapes e apoio para a sua elaboração. O reflexo disso faz considerar uma interpretação dos vieses social na saúde, às relações

238 familiares no cuidado hospital-domiciliar e na iminência de processos potencialmente prejudiciais aos envolvidos (paciente-equipe-família). Assim, com os avanços técnicos e tecnológicos, a morte, sai de uma leitura biológica simplificada e entrelaça-se a sentidos sociais de morte e trazem traços, culturas e angústias pertinentes a cada época a que vivemos. Cabe-se e pensar intervenções que reconsiderem essas dificuldades: o distanciamento do contato com a morte e elaboração da perda e a sensibilização social a princípios de convivências sociais, como o cuidado, o apoio e a solidariedade. Refletir sobre processos de subjetivação nessa vivência do luto, a participação da cultura nessa elaboração, nos apontam as dificuldades não só diante da perda de um ente querido, mas também de uma dificuldade social maior de lidar com temas relativos a dor, desprazer e finitude existencial, além de formas diferenciadas de ressignificação desse luto por uma ação social maior, a doação de órgãos. A experiência de doação de órgãos para essas famílias entra como uma resposta social, mas também subjetiva de elaborar esse luto dialogicamente: por um lado, a compreensão da perda do ente, enfrentando a realidade da morte biológica e real, entretanto, a condição de não-morte. Neste caso, apoiam-se em credos, valores e ideais pós-morte, principalmente de base religiosa, e da personalização dessa continuidade dando uma leitura e significação pessoal e social para cada ente falecido. A doação de órgãos, então, contribui, segundo os seus relatos a satisfazer o desejo do parente, de dar um norte à sua perda, provocando uma sensação de que há um sentido, objetivo, um fim e motivo para ter doado os órgãos: ajudar alguém, mas principalmente dar explicações a si, daquilo que é inexplicável. Observa-se que, apesar de ser um tema socialmente aceito e tecnicamente avançado, falar de doação de orgãos é tecnicamente difícil até mesmo aos profissionais da saúde, pois ele remete a essa finitude existencial e a angústia de que nada poder vencer a morte, somente mascará-la. falar de doação de órgãos enquanto sujeitos com saúde, é falar de morte. É aproximá-la como uma realidade em próxima e com potencial, o que faz muitos evitarem discorrer sobre ela. Mesmo sendo a decisão sobre o outro, é sobre nós mesmos que estamos falando; é sobre sentidos, valores pessoais e sociais, os próprios medos, vazios, angústias e traumas que serão expostos em respostas de aceite ou recusa de conversar sobre a doação de órgãos. 215

239 Contribuições da Fenomenologia para a Educação

240 Ruanita Costa Macêdo (Universidade Federal do Maranhão, Brasil) 217 A ESCOLA COMO MUNDO CULTURAL O trabalho tem como objetivo apresentar a instituição escolar como espaço de vivências que proporciona a produção do conhecimento. Assim, busca-se perceber a concepção de escola dos/as professores/as e gestores/as da escola e suas relações com a produção do conhecimento escolar. Isso significa que as ações pedagógicas desenvolvidas na escola são propícias para construir uma perspectiva investigativa de formação, que contribua na construção do conhecimento profissional docente, e principalmente, na compreensão da pesquisa como princípio educativo. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de campo, em processo de desenvolvimento, em que autores como Rezende (1990), Brandão (2013) e Freire (2011) são as principais referências que fundamentam a pesquisa. A instituição escolar com o passar dos anos configurou-se como um espaço de difusão, tradução, reprodução e construção do conhecimento de modo sistematizado. Contudo, sabe-se que algumas atividades docentes são permeadas apenas por práticas reprodutivistas e acríticas, situação que não leva a escola a ser reconhecida como construtora do conhecimento, isto é, espaço sociocultural de interações diversas. Entende-se que a escola constitui-se um mundo cultural, tendo em vista a singularidade de cada sujeito que influencia e é influenciado pelas culturas. Diante disso, considera-se relevante um trabalho pautado na transformação de si, e do outro como consequência e não imposição, por isso, buscando a organização das informações de modo que seja ressaltado o conhecimento, em que alguns instrumentos podem ser utilizados, sobretudo as tecnologias digitais. Contudo, acredita-se que isso será possível também, com o auxílio de uma formação inicial baseada no protagonismo dos sujeitos da escola, ou seja, apoiada no modelo de formação que recebeu em sua formação inicial e sua perspectiva de formação continuada.

241 Clélia Peretti (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 218 A FENOMENOLOGIA EM EDITH STEIN COMO POSTURA PEDAGÓGICA PARA O SENTIDO DO SER PESSOA A pesquisa antropológico-filosófica de Stein que reconhece e revela a experiência empática como uma ferramenta metafísica e documenta a existência de sujeitos estranhos, contribui para identificar o ser real e o insere no contexto dos seus semelhantes e no conjunto dos seres finitos e do Ser Infintio. Assim, a experiência investigativa de Stein, diferente de seus contemporâneos, que quis e foi fiel a descrição fenomenólogica da experiência nos ajuda, através da sua postura pedagógica, a compreender o ser humano na sua constituição, a nos interrogar sobre o que é o ser humano buscando captar sua essência específica de humano e como se experimenta e se vivencia em sua interioridade. Edtih Stein aponta para a base antropológica como primazia de toda sua atividade formativa, identificando a totalidade, a unicidade e a irrepetibilidade com que cada pessoa é constituída e e chamada a uma vida de reciprocidade ativa com o outro através de uma relação empática. Como maior esfera formativa, a pedagogia steiniana ressalta a graça divina como força que vem ao encontro da natureza humana e restabelece o ser humano à vida divina. Para desenvolver a relação entre o ser finito e eterno, a teologia steiniana faz a aliança entre fé e razão. A completude de sua pesquisa permite encarar o mistério como uma luz capaz de iluminar a razão, visto que somente pela razão não é possível compreender toda a verdade existente. Mesmo com a ruptura com Deus, a luz da razão não se apaga por completo, porém, sozinho, o ser não consegue realizar-se. A força da graça ilumina a razão e inclina a vontade ao bem eterno. Para Stein, o próprio Deus, Ser Eterno, habita o ser humano, ser finito. Deste modo, a pessoa acessa a verdade, na medida em que se volta para o seu interior, iniciando um caminho de autoconhecimento e reconhecimento de Deus que habita em si.

242 Aline Eleuterio Matos e Luciana Szymanski (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) 219 A PARTICIPAÇÃO DOS DISCENTES NA CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PARTICIPATIVO: UM OLHAR FENOMENOLÓGICO A pesquisa a ser apresentada retrata o desenvolvimento de uma dissertação de mestrado de cunho interventivo e dialógico realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), financiada pelo CNPq. A Universidade, em parceria à Associação de Moradores Amigos de Pianoro localizada na região da Brasilândia, Zona Norte da cidade de São Paulo, está co-elaborando o Projeto Político Pedagógico Participativo (PPPP) para três equipamentos de educação: dois Centros de Educação Infantil e um Centro da Criança e Adolescente no território. Descreveremos os caminhos percorridos inicialmente durante as reuniões entre pesquisadores e gestão, docentes, comunidade, famílias, crianças e adolescentes para a construção do PPPP. Relataremos, particularmente, o envolvimento numa instituição de ensino não formal denominada Centro da Criança e Adolescente (CCA) localizada na mesma região e como os jovens dessa instituição participam da construção do PPPP. A partir desse envolvimento com a equipe e alunos do CCA, surge o problema de pesquisa desenvolvido nesse processo: Como se dá a participação de crianças e adolescentes de um CCA na construção de um Projeto Político Pedagógico Participativo? O objetivo geral da pesquisa é compreender a participação dos discentes na construção do PPPP e os objetivos específicos são a contribuição para a construção de uma representatividade dos mesmos, a formação de um espaço de reflexão sobre a identidade do CCA junto aos discentes e o estreitamento da relação entre universidade e comunidade a partir da participação das crianças e adolescentes. Trataremos, portanto, de apresentar o nascimento e desenvolvimento de uma questão de pesquisa na articulação direta com o campo onde ela se desenvolve e como os pensamentos articulados pela Psicologia fenomenológica existencial, com seus questionamentos às formas tradicionais de pesquisar no campo da psicologia e educação, contribuem para esta proposta interventiva de pesquisa.

243 Gislaine Gomes Vieira, Amelia Tereza Garcia Reis, Gabriella Aguiar Campos, Gislaine Cristina de Lima e Deborah Mello Azevedo (Pitágoras, Brasil) 220 A POSSIBILIDADE DE PROMOVER REFLEXÃO NA ESCOLA TRADICIONAL A PARTIR DA FENOMENOLOGIA HERMENÊUTICA A escola tradicional é um local onde regras, rótulos, e constructos da cultura ditam padrões de ser que dificultam a conquista de si mesmo. Considerando a escola, tal como vem sendo conduzida desde a Idade Moderna, por meio da técnica, tornou-se um campo de inautenticidade segundo a Fenomenologia Hermenêutica. Cientes de que tal fenomenologia possa contribuir para o ambiente escolar, o presente trabalho partiu de pensar, como Heidegger em sua obra Serenidade, numa escola que abrisse campo de reflexão e de crítica da condução da vida, de um modo autêntico. Realizou-se uma pesquisa qualitativa bibliográfica com base na obra mencionada, e em leitores de Martin Heidegger e artigos acadêmicos. Tal busca permeou-se pela possibilidade de reflexão dos fenômenos ocorridos na infância e na adolescência, que pudessem dar espaço para que os próprios alunos, em conexão com o mundo, fossem se dando, em sua abertura às possibilidades. Dar ao aluno, possibilidades de experienciar as relações, observar o sentido que elas têm em suas vidas, os coloca em contato consigo mesmos, com o que acreditam ser importante, tomando consciência do que escolhem. No texto de Heidegger, ele questiona a técnica moderna e mostra a necessidade de sairmos de um pensamento calculante, muito comum às escolas tradicionais, e abrirmos pensamento meditativo (ou reflexivo), com a possibilidade de pensar de uma maneira que não se limite as elaborações de teorias calculistas e já dadas da realidade. Por sermos uma sociedade não reflexiva, foi possível entrever o quanto estamos repetindo padrões, emitindo mensagens confusas no âmbito escolar, não permitindo nem aos alunos e nem aos professores a possibilidade de reflexão que sirva ao curso da vida e das escolhas individuais e coletivas.

244 Tommy Akira Goto, Beatriz Oliveira Menegi e Bruna Alves Schievano (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 221 A VIVENCIA DA EMPATIA NA FORMAÇÃO HUMANA NA FENOMENOLOGIA PEDAGÓGICA DE EDITH STEIN Pode-se dizer que conceito de empatia (Einfühlung) tem sido estudado e usado por diversas disciplinas, marcado por uma história conceitual de desacordos e discrepâncias. Na Psicologia, em especial, a empatia tem sido discutida particularmente por pesquisadores e profissionais de áreas clínica, social e do desenvolvimento. Dentre tantas teorias filosóficas e psicológicas sobre o fenômeno da empatia, destacamos a análise empreendida pela filósofa Edith Stein ( ), que contribuiu para esse debate no contexto da Europa no século XIX, momento em que a Psicologia buscava o reconhecimento de ciência. Em sua tese de doutorado intitulada Sobre o Problema da Empatia (Zum Problem der Einfühlung, 1917), na qual parte da problematização de seu mestre E. Husserl sobre a questão da intersubjetividade, em consonância com uma lacuna epistemológica, ainda por ser preenchida na Fenomenologia, Stein promoveu uma análise antropológica-fenomenológica sobre a empatia, evidenciando-a como uma vivência. Assim, analisando esse ato diferentemente de outros atos da consciência pura, Stein nos mostra que, de maneira geral, a empatia pode ser entendida como vivência não-originária pelo seu conteúdo, o que nos possibilita ter uma vivência originária do outro em uma presentificação empatizante. Dada a crise do mundo moderno que atinge a educação, coube a este estudo, a partir de uma pesquisa qualitativa bibliográfica, refletir acerca da empatia no processo da formação humana. A empatia afeta principalmente a dimensão espiritual no processo formativo, sendo, portanto, fundamental no processo educativo, que, sem a empatia, estaria fadado ao fracasso. O processo formativo tem por objetivo a atualização das potencias da pessoa, sendo a empatia uma vivência que pode pôr em evidência as forças interiores, de modo a direcionar as emoções e sentimentos do sujeito para que alcance seu espaço pessoal e comunitário.

245 Roberta Vasconcelos Leite e Letícia Perígolo Jorge (Universidade Federal dos Vales, Brasil) CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA À EDUCAÇÃO MÉDICA: EXPERIÊNCIAS DE HUMANIZAÇÃO 222 A educação médica no Brasil vivencia intensas transformações nas últimas décadas, em parte em resposta às críticas ao excessivo direcionamento técnico da formação e atuação do médico. A humanização da medicina emerge como escolha ética dos cursos e busca-se concretizá-la em diferentes estratégias pedagógicas. Neste trabalho, apresentamos o projeto de extensão Garimpando o cotidiano, desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (Diamantina/MG) e analisamos como a concepção fenomenológica de pessoa que o embasa relaciona-se aos impactos relatados pelos acadêmicos envolvidos. No projeto, são realizados grupos de elaboração da experiência para promoção da saúde mental abertos a estudantes, professores, técnicos administrativos, usuários, familiares e trabalhadores de serviços de saúde mental da cidade. A proposta, inspirada nos Grupos Comunitários de Saúde Mental de Ribeirão Preto, fundamenta-se na fenomenologia clássica de Husserl e Stein, priorizando a atenção à experiência e o reconhecimento da fecundidade dos vínculos comunitários para a formação da pessoa. A metodologia envolve encontros periódicos com momentos de compartilhar a beleza de expressões culturais e a força de experiências cotidianas. Sua marca distintiva é a promoção da horizontalidade das relações: todos são cuidados e cuidadores uns dos outros. Os estudantes avaliam que o projeto é oportunidade de mergulhar na profundidade que é a vida do outro, conhecendo o que há de mais sensível e verdadeiro nele. Ressaltam o convite a estarem atentos às sutilezas do dia a dia, a perceber a grandiosidade contida nelas, a deixarem aflorar a própria humanidade. Conclui-se se que, dentre muitas formas possíveis de promover humanização na educação médica, a realização de grupos para o encontro com a alteridade em que se reconhece a pessoalidade de todos os envolvidos se mostra profícua para o desenvolvimento da empatia e para ampliação da visão de si e do mundo.

246 Sonia Maria Gaio e Valdirlei Augusto Chiquito (Pontifícia Universidade Católica, Brasil) 223 FORMAÇÃO DE CATEQUISTA DA CATEQUESE COM ADULTOS. CONTRIBUIÇÕES FENOMENOLÓGICO-PEDAGÓGICAS DE EDITH STEIN Este trabalho visa analisar a formação de catequista da Catequese com Adultos, os critérios inspiradores da formação à luz do Diretório Nacional de Catequese, do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos e do pensamento pedagógico de Edith Stein. A Iniciação à Vida Cristã de Adultos com inspiração catecumenal carrega consigo a responsabilidade de formação de catequista a fim de que se torne o mais capacitado possível para realizar sua missão e comunicar a mensagem cristã àqueles que desejam entregar-se a Jesus Cristo. Formar catequistas de adultos, é entrar num processo de amadurecimento, de adultescência: uma tarefa permanente, dinâmica, em vista do cultivo da fé colocada por Deus no coração do homem. A formação, deve ajudar o catequista a amadurecer como pessoa, fiel, discípulo, educador e mediador da obra salvífica de Cristo. Este processo deve levá-lo a fazer experiência de comunhão, de amor, de conhecimento de Deus e de vivência comunitária. A fenomenologia se mostra como uma ferramenta útil no conhecimento da pessoa humana, visto que há aspectos que não podem ser colhidos por meio de recursos técnicos, mas apenas por meio da reflexão, da vivência e da observação. A pedagogia perseguida por Edith Stein possui um fundamento antropológico que não se limita ao mero conhecimento natural sobre o ser humano e o mundo, mas bebe nas fontes últimas sobre o ser, nas fontes da Revelação. Conhecer o que é o ser humano, o que ele deve ser e como chegar a sê-lo é a tarefa mais urgente de todo o homem e, constitui o papel essencial da pedagogia ajudá-lo nesse percurso. A Revelação diz algo sobre o homem e, por isso, é preciso levá-la em consideração no processo de formação de catequistas. O ato pedagógico essencial começa, segundo Edith Stein, quando existe cooperação de Deus e o homem para levar um terceiro à salvação. Aquele que está em fase de formação, ao conhecer e optar livremente pelo caminho apresentado, poderá se abrir à Graça, para que essa seja eficaz.

247 Juliana de Araújo Maciel Marques, Marcos Antonio Dias dos Santos Lima, Stephany Keite Silva Retz, Izabelle Cristina dos Santos e Camilla Gomes Borges de Oliveira (Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília, Brasil) 224 IMINÊNCIA DA VIDA ADULTA E FRUSTRAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA: UMA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA NO CONTEXTO ESCOLAR A adolescência é uma fase do desenvolvimento marcada por grandes mudanças biológicas, psicológicas e sociais, que culminam em um processo de amadurecimento decisivo para o desenvolvimento de habilidades na construção da vida. Além desses fatores, existem conflitos que se fazem presentes no cotidiano desses adolescentes, crescendo juntamente com eles: a dúvida de quem ser, do que ser, e o que fazer. Essa dúvida, aliada a cobrança dos familiares e da sociedade para que saiam de uma situação de transição, direto para uma realidade de produção de mão de obra e de crescimento, contribui fortemente para a presença de uma sensação de desamparo e adoecimento, não apenas psicológico, mas também físico. Considerando isso, a presente pesquisa tem como objetivo analisar alguns desafios marcantes enfrentados por alunos no último ano do ensino médio, visando também estimular o desenvolvimento da autonomia e da liberdade de escolhas, por meio da conscientização da pluralidade de possibilidades. A abordagem presente nesta pesquisa será de uma postura fenomenológica, tanto na avaliação quanto no manejo interventivo. Com isso, serão realizados encontros semanais de discussão, com grupos de 10 estudantes cada e duração de três encontros, durante o primeiro semestre de Nesses encontros serão abordados temas que envolvam os fenômenos vividos no contexto escolar e decorrentes dele, como esses alunos aprendem a lidar com as frustrações, perspectivas do futuro, seus medos e incertezas diante da iminência da vida adulta e da escolha de carreira.

248 Amanda Sabrini Müller Lopes, Adriana Cordeiro Bezerra, Gabriela Frizon e Vanessa Maichin (Universidade Paranaense, Brasil) 225 NOVOS CAMINHOS A RESPEITO DOS TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM NA VISÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL Psicologia Fenomenológica e Existencial I é ministrada na UFPB no quarto período do curso de Psicologia. Na fenomenologia, o fenômeno se apresenta unicamente para cada pessoa, considerando que o processo de conhecer se dá na intencionalidade da consciência. Questiona-se: é possível facilitar o ensino-aprendizagem, utilizando o princípio da intencionalidade no entre a disciplina e alunos? Teve como objetivo facilitar o alunado a participar na construção de sentidos no processo de aprendizagem. Foram três unidades: as duas primeiras com filósofos das abordagens fenomenológicas existenciais e a terceira apresentação de trabalhos pelos alunos. A metodologia foi acordada com o alunado. Firmou-se um compromisso grupal. Primeira unidade: Kierkegaard, Husserl, Heidegger. A avaliação consistiu em resenhas críticas, realizadas em sala de aula após estímulo dado: encenação artística pelos monitores. Segunda unidade: Sartre, Nietzsche, Buber. A avaliação consistiu na produção de questões feitas pelos alunos. Após isso, os monitores selecionaram algumas questões, resultando em quatro tipos de provas. A terceira unidade consistiu na apresentação de trabalhos em grupo com temas livres: filmes, música, teatro, dança, relacionando com o conteúdo do semestre. Ao final, a turma avaliou a disciplina. Recortes de falas dos alunos: A avaliação se mostrou mais didática e contextualizada, quando comparada com o modelo tradicional. ; Achei bem estimulante, bem estimulante e inovador, uma vez que priorizava avaliar o entendimento do aluno com relação ao tema abordado. Permitiu reflexões, apropriação da teoria e síntese. Na terceira avaliação, os alunos declararam a autonomia com liberdade sobre o processo ensino-aprendizagem. A arte demonstrou papel destacado na compreensão do conteúdo dado. O processo de aprendizagem proposto foi bem avaliado. Percebeu-se que o aluno pode engajar-se de forma autônoma no processo de aprendizagem, vivenciando na intencionalidade o sentido no aprendizado.

249 Maíra Padilha Gondim, Bárbara Borges Gomes da Silva, Hanna Larissa Maia Braga, Michelle de Lima Meira e Tatiana Luna Campanha (Universidade Católica de Pernambuco, Brasil) 226 O DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO NO AMBIENTE ESCOLAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOB A LUZ DA TEORIA ARENDTIANA A presente pesquisa surgiu a partir da experiência das autoras no plantão psicológico em duas instituições de ensino da cidade do Recife (PE). Na primeira instituição, o trabalho acontecia junto aos estudantes do ensino fundamental II. Na segunda, o plantão ocorria na escola como um todo, sendo esta um berçário em que as crianças tinham até 3 anos. Foi observado que o diagnóstico psicológico torna-se cada vez mais presente nas instituições escolares, sendo demandado tanto pela escola como pelos pais dos estudantes. Essa realidade nos convoca enquanto psicólogas a pensar qual o lugar que este dispositivo tem no ambiente escolar e no processo de ensino-aprendizagem. O trabalho foi realizado a partir dos diários de bordo, nos quais as pesquisadoras relataram suas experiências nas instituições, e dos estudos sobre educação a partir de Hannah Arendt. Compreendemos a partir de Arendt que o ato de educar baseia-se na responsabilidade que os adultos tomam pelo mundo e pelas crianças e jovens. O que pudemos observar nas duas unidades escolares nos sugere que o diagnóstico psicológico parece ocupar o lugar de respaldo para a instituição se isentar de uma implicação diante de eventuais dificuldades ou fracassos escolares apresentados por aqueles alunos que têm um transtorno identificado e acompanhado por profissionais de psicologia fora da escola. Dessa forma, ao passar a responsabilidade sobre a criança para um elemento técnico o diagnóstico, parece-nos que a escola prescinde da autoridade de apresentar o mundo a criança e, por consequência, da tarefa principal da escola que é educar.

250 Rodrigo Piva Coelho de Magalhaes (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) 227 OS BENEFÍCIOS DA NOÇÃO DE ESTRUTURA DE MERLEAU-PONTY PARA PENSAR A EDUCAÇÃO O trabalho propõe uma análise do conceito de Estrutura exposto por Merleau-Ponty buscando apontar as vantagens deste para pensar os processos de educação utilizando ara tanto a obra A Estrutura do Comportamento e os cursos de psicologia e pedagogia da infância ministrados pelo autor. Defendendo a necessidade de uma revisão ontológica da ciência, sustentando a visão de que o contato do homem com o mundo não é secundário, mas imediato, Merleau-Ponty analisa a teoria do comportamento reflexo e identifica a maneira científica de apreender a existência. A ciência busca o sujeito neutro previsto por Descartes, exclui conceitos como vontade de sua consideração e decompõe cada processo do comportamento em tantas etapas quanto possíveis. Isto implica em uma coisificação do humano, já que seu modo de ser se dá por processos físicos separáveis em partes infinitesimais, cada uma colocada como etapa no que, ao final, seria o comportamento. O humano seria secundário ao mundo. Para o autor, é tarefa do homem constituir-se tanto quanto é tarefa do mundo existir enquanto canteiro onde esta obra há de se edificar. O mundo percebido não é uma consequência do mundo real, como se fossem separados por um processo inteligível que define o primeiro através do segundo. Pode-se encontrar as consequências do pensamento cientificista na educação quando o aprendizado é concebido como um processo linear, marcado pelo sucesso de uma entre diversas tentativas, quando é imposto ao aprendiz um universo inacabado, à parte daquele do tutor. O conceito de Estrutura aponta para um aprendizado que se dá no mundo. Quando a criança aprende a diferenciar cores, o aprendizado diz respeito à sua introdução neste mundo, mais do que a esta habilidade específica. Apresentando sua concepção de estrutura, Merleau-Ponty ensina como o todo é maior do que a soma das partes, e como podemos aliar seus ensinamentos àqueles de Paulo Freire, quando ambos defendem, por exemplo, um educar no mundo e através do mundo.

251 Rodrigo Freese Gonzatto, Sara Campagnaro e Luiz Ernesto Merkle (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Brasil) 228 PAULO FREIRE E O EXISTENCIALISMO: LEITURAS DO CONCEITO DE AMANUALIDADE NO PENSAMENTO FREIRIANO A obra de Paulo Freire almeja a compreensão e a transformação da Educação, de vivências do ensino e da aprendizagem em condições de opressão, em direça o a processos dialo gicos problematizadores, com liberdade e respeito como prerrogativas. Para tal, Freire se alicerça em uma multiplicidade de aportes teo ricos, entre eles, o existencialismo. O aforismo a existe ncia precede a esse ncia, por exemplo, é relido por Freire, em reflexão sobre a alfabetização, ao propor que a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Esta pesquisa busca identificar, em particular, os usos e possíveis implicações do conceito de amanualidade, em Paulo Freire. A amanualidade é um conceito trabalhado por Martin Heidegger, que trata do modo ontológico como o ser humano se relaciona com o mundo e os objetos ao seu redor. Por exemplo, no livro Professora Sim, Tia Não, Freire descreve os afazeres em uma manhã a partir da maneira esponta nea e da maneira sistema tica de se mover no mundo, que remetem a dois modos de amanualidade de Heidegger: Zuhandenheit (ready-to-hand) e Vorhandenheit (present-at-hand). No livro A importa ncia do ato de ler, Freire contrasta o uso de uma caneta por um alfabetizando e um alfabetizador, que indicam diferentes desenvolvimentos, que pode ser relacionado à noção de grau de amanualidade de outro pensador brasileiro, Álvaro Vieira Pinto, com quem Freire se relacionou pessoal e intelectualmente. No livro Extensa o ou Comunicaça o?, Freire apresenta o conceito de ad-mirar como modo reflexivo de engajamento com o mundo, busca pela racionalização da realidade e processo de humanização do próprio ser humano, pode, pela estrutura, ser associado ao modo sistemático de amanualidade. Por fim, postulamos que estas indicações pontuais podem ser correlacionadas ao conceito de amanualidade, na obra freiriana, mas que carecem aprofundamentos e debates, tanto no sentido de história das ideias, quanto de entendimento da singularidade do pensamento de Paulo Freire.

252 Felipe Moraes e Maria Regina Guarnieri (Instituto Federal de São Paulo e Universidade de Araraquara, Brasil) 229 PERSPECTIVAS E ANÁLISES DA PERFORMANCE DOCENTE NA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL A ação docente é compreendida em uma diversidade de perspectivas, partindo desde um olhar das abordagens pedagógicas até outras áreas do conhecimento como a filosofia, psicologia, sociologia, entre tantas outras. Nessa direção podemos compreender, em tal infinidade de olhares, a significação de cada elemento da ação docente e sua importância nas práticas educacionais, no desenvolvimento do vínculo afetivo e nas interações que promovem a construção do conhecimento. Dentro desses vieses, temos a ação do professor enquanto ação didática. Seu corpo, sua voz, o modo com o qual utiliza o espaço e interage nele fazem do próprio professor o autor de um fazer, ou seja, sua performance enquanto ação mediadora na e para a relação da construção do conhecimento entre os sujeitos. Analisar esse fenômeno em sala de aula do 1 Ano do Ensino Fundamental é relevante para compreender como ocorrem as relações entre professor/aluno em um momento no qual os alunos estão inseridos em um modelo de escola em que se procura definir os aspectos alfabetizadores e de letramento. Porém, até pouco tempo, o perfil de escola que esses alunos tinham em vista (educação infantil) era pautado nas vivências e outras experiências diversificadas, não tendo o letramento como aspecto basilar. O presente trabalho se propõe a investigar como os aspectos da performance do professor interferem no ambiente de sala de aula do 1 Ano do Ensino Fundamental. Para tal, tem como aporte teórico a compreensão do sujeito de acordo com a abordagem fenomenológicoexistencial de Martin Heidegger, que apresenta aspectos referentes à compreensão do ser em sua individualidade e nas relações com os outros e no espaço. A metodologia da pesquisa consiste na observação da prática de uma professora alfabetizadora em sala de aula com vistas a caracterizar sua performance e realização de entrevista para um levantamento sobre a compreensão que possui a respeito da própria performance. Obtive como resultado a confirmação da hipótese da pesquisa ao constatar que o professor não se percebe enquanto ator do processo, dificultando a autocrítica, alteração da performance e dos elementos relacionados a espacialidade e que a epistemologia tem papel fundamental nas concepções e no próprio modo de atuação do docente, sendo então a fenomenologia uma teoria capaz não apenas de desvelar ao profissional tais elementos, mas orientar novas concepções do ser no espaço escolar e ampliar nossa concepção sobre a importância de uma prática docente que favoreça os aspectos pedagógicos e didáticos da performance na contemporaneidade.

253 Ana Carolina Marzzari, Eloisa Vieira Ribeiro, Ana Paula Bolzan Monteiro e Bruno Fleck da Silva (Antonio Meneghetti Faculdade, Brasil) 230 REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA E REVISÃO CRÍTICA DA CONSCIÊNCIA: UMA APROXIMAÇÃO ENTRE HUSSERL E MENEGHETTI O presente trabalho de pesquisa tem como temática a redução fenomenológica e a revisão crítica da consciência, buscando aproximar os estudos dos pesquisadores Edumud Husserl e Antonio Meneghetti. Desse modo, este trabalho parte do pressuposto de que a epistemologia clássica encontra, a partir da Fenomenologia de Husserl, o desafio de esclarecer o enlace que ocorre entre sujeito e objeto, bem como a redução fenomenológica apresentada como meio para a purificação da consciência em direção ao Em Si dos fenômenos na análise dos atos intencionais. Em outra perspectiva, reflete-se, de modo análogo, a contribuição de Meneghetti, cientista que formalizou a Ciência Ontopsicológica, em que foi possível levantar a hipótese de que uma semelhante metodologia se sustenta, ao afirmar que o conhecimento principia com a atitude de revisão crítica da consciência, buscando-se chegar a uma exatidão da consciência para que se possa fazer conhecimento ontológico, sendo está a primeira etapa do método ontopsicológico, que se segue de outras etapas, também importantes, para o avanço do conhecimento consciente. Este trabalho de pesquisa tem caráter teórico-dedutivo e faz-se de uma revisão bibliográfica que evidencia as semelhanças entre a Fenomenologia husserliana e a Ciência Ontopsicológica de Meneghetti no que se refere ao âmbito da teoria do conhecimento. Por fim, a presente pesquisa destina-se a evidenciar o conceito de nexoontológico em Antonio Meneghetti verificando sua semelhança com a noção de evidência originária em Edmund Husserl.

254 Célia Auxiliadora dos Santos Marra (Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Brasil) 231 VIOLÊNCIA ESCOLAR: UM OLHAR DA FENOMENOLOGIA PARA O SOFRIMENTO DA EDUCAÇÃO As violências, crescentes também nas escolas, expõe a fragilidade de estratégias de enfrentamento desses conflitos, como se constatou em recente pesquisa, em que professores vivem o impasse entre ensinar e educar, suscitando atitudes desfavoráveis à minimização dessas violências. Um olhar fenomenológico para essa realidade traz à luz conhecimentos sobre a estrutura humana e pode aguçar a percepção de sinais de sofrimento existencial dos protagonistas, beneficiando o processo educativo. A antropologia fenomenológica steiniana distingue essa estrutura como um Eu constituído das dimensões corpóreas, psíquicas e espirituais, plenas de capacidades, integradas no Eu único e puro, coordenador dessas esferas. Torna-se, então, imprescindível o auxílio de um Outro no desenvolvimento dessas capacidades, auxiliando a pessoa no desdobrar-se de significados e sentidos, até que alcance autonomia na plenitude de contato consigo, com os outros e o mundo. Entretanto, distorções e bloqueios podem resultar em adoecimento de si e das relações intersubjetivas. É o que desnuda o inconsciente noológico renatiano diretamente pesquisado, em que códigos existenciais préreflexivos elaborados atuam como predições de verdades. Quando negativos, podem bloquear o fluxo vital e as funções de contato. Então, padrões cristalizados e repetitivos de comportamento respaldam pensamentos e atitudes prejudiciais nas relações intersubjetivas, produzindo efeitos adversos, incluindo violências e sequelas psicossomáticas. Assim, torna-se imprescindível a compreensão da estrutura humana essencial, desde o momento primordial de vida, em sua singularidade, e na vida comunitária. Isso oportuniza ao educador e educando ressignificarem suas experiências e atitudes, antes enganosas, redirecionando-as para o verdadeiro sentido de vida. Essa é a responsabilidade compartilhada na formação da pessoa, também na escola, e que concorre para a resiliência e criatividade no estabelecimento das relações intersubjetivas.

255 Sexualidade e Relações de Gênero

256 Alexandre Trzan-Ávila (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 233 REFLEXÕES ACERCA DA NOÇÃO DE IDENTIDADE DE GÊNERO: PERFORMATIVIDADE, SER-AÍ E SUBVERSÕES Este trabalho apresenta uma reflexão crítica sobre a noção de identidade de gênero como naturalmente dada. Para tanto, nos apropriamos do pensamento da filósofa Judith Butler - especialmente sua compreensão de performatividade e teoria queer -, apontando suas consonâncias com as estruturas básicas do ser-aí humano descritas pelo filósofo Martin Heidegger. Em um segundo momento, aventaremos possibilidades de enfrentamento às restrições, retificações e opressões de gênero. Destarte, este trabalho revela que a noção de performatividade dialoga com o pensamento heideggeriano em sua ontologia fundamental, isto é, com elementos como a indeterminação ontológica originária do existir humano e seu caráter de poder-ser. Uma compreensão fenomenológica hermenêutica permite-nos afirmar que o caráter de poder-ser do ser-aí desconstrói o pressuposto de que somos possuidores de faculdades ou propriedades previamente dadas, constituídas naturalmente de forma independente do lugar e tempo histórico onde o ser-aí emerge. Ora, o existente humano em seu caráter de poder-ser já está sempre sendo, atuando, performando o ser que nós somos. Este trabalho se justifica em um cenário nacional conservador, reacionário, fundamentalista e intolerante que afeta diretamente, de modo violento e opressor, a população LGBT; cenário onde, inclusive, se faz presente a atuação de psicólogos que pedem o direito de tratar como doença indivíduos que se identificam como homossexuais. Finalmente, serão apontados modos factíveis do ser-aí quebrar os grilhões identitários da existência; moções concretas de luta, resistência e subversão para o enfrentamento aos enquadramentos e opressões identitárias no cotidiano. Dentre os tais modos, o que há em comum a todos é a possibilidade de retomada de si mesmo, oriunda do processo de singularização do ser-aí que pode se dar na própria vida e, especialmente, na clínica psicológica de caráter fenomenológico hermenêutico.

257 Eloísa Cristina Garcia e Camila Campos Marçal da Cruz (Faculdade Ciências da Vida, Brasil) 234 A RESSIGNIFICAÇÃO RELIGIOSA DE HOMO E TRANSEXUAIS FRENTE À HETERONORMATIVIDADE DE SUAS RELIGIÕES Essa comunicação visa apresentar uma pesquisa realizada enquanto trabalho de conclusão do curso de Psicologia. A pesquisa em questão objetivou compreender como o homo e transexuais cristãos da cidade de Sete Lagoas/MG, ressignificaram a forma de viver a religiosidade diante da heteronormatividade de suas religiões. Buscou-se por meio de uma pesquisa de campo, qualitativa, bibliográfica, com abordagem fenomenológica, responder de que forma as religiões cristãs tradicionais abordam a homossexualidade e a transexualidade; a influência do credo religioso na vivência da sexualidade e os possíveis conflitos que este pode gerar; visando entender quais as possibilidades de ressignificação foram encontradas por estes diante da não aceitação da sua condição de ser por sua religião. O Brasil é o país que mais mata LGBT (Gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgênero) no mundo, segundo pesquisa realizada pela Rede TransBrasil e pelo grupo Gay da Bahia em Por outro lado, no Brasil, de acordo com o Censo do IBGE 2010, 86% dos brasileiros se consideram cristãos. Estudos também apontam que pessoas do grupo LGBT, estão entre aqueles de maior vulnerabilidade ao suicídio. O presente estudo se justificou pela importância do tema, na medida em que a psicologia se propõe a amparar o ser em sua integralidade, a despeito de em sua práxis ainda prevalecer o viés heterossexista nas pesquisas e práticas psicológicas. Foram entrevistadas 7 pessoas, entre 21 e 35 anos, sendo 3 homens e 2 mulheres cisgênero, 1 transexual mulher e 1 transexual homem. As entrevistas confirmaram o exposto pelas pesquisas bibliográficas, apontando que o olhar do outro influencia na construção da subjetividade e na forma como o ser se percebe. Assim, o ser humano, como ser relacional, necessita da confirmação do seu modo de ser por um outro, para validação da sua existência.

258 Leila Curvello de Mendonça, Luiza Ferreira Figueiredo, Thabata Castelo Branco Telles e Cristiano Roque Antunes Barreira (Universidade de São Paulo - Ribeirão Preto, Brasil) 235 A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NAS ARTES MARCIAIS: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO DE SUAS EXPERIÊNCIAS Em 2013 a UNESCO criou o ICM (The International Centre of Martial Arts for Youth Development and Engagement) que tem como um dos objetivos a inclusão das mulheres na prática de Artes Marciais (AM). Tal objetivo evidencia a inferioridade da participação feminina nas AM mundo afora, limitando seu acesso aos desenvolvimentos pessoais promovidos pelas práticas e justificando a iniciativa do ICM de abraçar a questão em políticas públicas de alcance global, em especial nos países em desenvolvimento. Alinhada às iniciativas do ICM e atenta à sua prerrogativa de respeitar as particularidades culturais dos países onde atua, a presente pesquisa busca identificar e compreender as percepções e experiências vividas por brasileiras praticantes de AM acerca de sua condição de mulher nesse contexto. Para isso, relatos de experiência produzidos sob escuta suspensiva com 8 praticantes de diferentes AM foram transcritos e submetidos a cruzamento intencional. Os resultados obtidos mostram que o estereótipo e a ideia de divisão de esportes masculinos e femininos é persistente e se sustenta em instituições determinantes na formação dos jovens, a escola e a família, por via das posições assumidas por diretores, professores e pais. No contexto e na prática, a ideia de sexo frágil materializa-se quando os homens agem com indulgência, desintensificando os treinos/combates ou fazendo comentários que diminuem as capacidades de aprendizado e desempenho da oponente. Por outro lado, diante deste plano de fundo, a valorização da condição feminina atribuída por terceiros e percebida pelas praticantes ocorre quando têm desempenho combativo destacado igual ou superior ao de homens e quando se sobressaem como exemplo para outras mulheres. Elas chegam a perceber menor desigualdade quando se desenvolvem na prática e conquistam graduações (faixas) superiores, sugerindo que não enfocar marcadores de gênero, mas de peso, força física e habilidade, possa favorecer o engajamento feminino nas AM.

259 Maria Alves de Toledo Bruns João Paulo Zerbinat (Universidade de São Paulo - Ribeirão Preto, Brasil) 236 GRUPO DE PESQUISA SEXUALIDAD E VIDA USP/CNPQ Nossa proposta é instigar um diálogo acerca das pesquisas realizadas no Grupo de Pesquisa Sexualidadevida-USP/CNPq acerca dos matizes da sexualidade atual. As investigações se ancoram no projeto de pesquisa Processos culturais e subjetivação: sexualidade e desenvolvimento humano/usp, sendo constituído por quatro eixos estruturantes. 1-O mosaico da família contemporânea e as relações de gênero;2- Subjetividades binárias e não binárias de sujeito: sexo, sexualidade,corpo/desejo/corporeidade na contemporaneidade;3-o corpo em sua temporalidade: o processo do envelhecer, do adoecer e do deserotizar-se; 4-A sexualidade de sujeitos com deficiências. Alicerçados no paradigma fenomenológicoexistencial, na interface com a dialética dos processos culturais das matrizes de sentidos: família, escola, saúde, mídia, religião, justiça, entre outras. Estas articulam e desarticulam os processos de subjetivações expressos nas e pelas transformações dos conceitos, narrativas e práticas cisnormativas/binárias e não de gêneros, como é a expressão da transidentidade. A construção de um corpo de conhecimentos acerca dos matizes da sexualidade a partir do paradigma fenomenológico instiga a uma reflexão critica acerca de perspectivas naturalizantes e normativas de modo a abalroar o paradigma patologizante da virilidade. Romper com paradigmas normativos e binários é um desafio e, ao mesmo tempo, uma necessidade urgente para inventar e reinventar outros códigos, rituais, significados e sentidos compreensíveis aos matizes de expressões e vivências eróticas fora da lógica cisheteronormativa.

260 Maria Cecilia Isatto Parise (Oficina Municipal São Paulo e Universidade de São Paulo, Brasil) 237 EMPATIA E FEMININO SEGUNDO EDITH STEIN Partir-se-á de quatro citações de Edith Stein em três conferências de 1931 e 1932 e na preleção para o curso de antropologia filosófica no Instituto de Pedagogia Científica de Münster, onde ela vincula ao feminino uma maior e mais necessária capacidade empática. Essa aproximação não se trata de um argumento retórico em Stein, mas está ancorada na antropologia dual da autora, desenvolvida a partir do método fenomenológico de Husserl, em diálogo com a metafísica cristã e com as necessidades atuais do tempo em que vive a autora. A análise da corporeidade em sua vinculação com a descrição do fenômeno da empatia fornecerá um fundamento antropológico para uma caracterização do ser feminino, sem abandonar a afirmação de uma estrutura geral comum a homens e mulheres e da singularidade única e irrepetível de pessoa humana. Segundo Stein o modo como a mulher vivencia os diferentes estratos de sua estrutura - corpo vivenciado, psique e espírito - é diverso daquele do homem. Para tentar esclarecer essa questão partir-se-á da análise da corporeidade em Stein, visto que: (1) a empatia está estritamente vinculada à corporeidade; (2) é um dado da realidade que o corpo feminino difere do masculino por sua capacidade de conceber e gerar uma nova vida. Complementar-se-á, brevemente, com a sua análise do feminino e do masculino originaria da tradição judaico-cristã. Mostrar-se-á que os argumentos antropológicos steinianos não estão apenas fundamentados em uma crença religiosa ou em uma visão de mundo e da relação homem e mulher da primeira metade do século XX, mas vão além e para um âmbito mais profundo, eidético: o de uma antropologia dual de cunho ontológico, ou de uma filosofia do ser humano que leva em consideração a sua distinção em feminino e masculino.

261 Matheo Bernardino e Joanneliese de Lucas Freitas (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 238 O GÊNERO COMO MODALIDADE EXISTENCIAL A complexidade da conceituação de gênero é campo fértil de discussões contemporâneas e possibilita aberturas de novos horizontes sobre seus sentidos profundos e suas implicações para a existência humana. O objetivo deste trabalho foi o de propor uma compreensão de gênero como modalidade existencial. Para isso, uma pesquisa qualitativa foi realizada, propondo reflexões a partir da fenomenologia existencial merleaupontyana. É possível observar que Merleau-Ponty descreve a corporeidade, a percepção e a sensação como modalidades existenciais. Ainda que não descreva no seu trabalho o que entende por modalidade existencial, sua compreensão retoma a ideia heideggeriana que se refere às estruturas fundamentais da existência do ser-aí e que delimitam possibilidades da experiência que se abrem ao ser humano em sua atualidade. O gênero, como modalidade existencial, descreve uma diversidade de possibilidades de identificação e de relações do ser no mundo, uma estrutura do ser humano que se desdobra em possibilidades diversas de modo de ser particulares, modos esses que conduzem a um estilo próprio de cada pessoa, e que são desveladas intencionalmente, enquanto um eu-posso imbricado no mundo. Assim como o corpo espectral da cor branca é todas as cores unidas em um só e ao mesmo tempo não é nenhuma, pois irradia/reflete todas elas, a experiência do gênero como modalidade existencial, possui as mais diversas configurações de identidade-gênero-sexo. Entre as infinitas possibilidades/potências de ser, temos uma diversidade de configurações espectrais: mulher-feminino-vagina, homem-masculino-pênis, transhomem-masculino-vagina, transmulher-feminino-pênis, homem-masculino-intersexo, mulher-feminino-intersexo, travesti-feminino-pênis, entre outras possibilidades. Todas essas expressões de gênero do ser-corpo são potências da modalidade existencial gênero. Como um estilo expressivo próprio, são a expressão intencional particular da identidade do ser no mundo.

262 Monica Soares e Maria Alves de Toledo Bruns (Universidade Estadual Paulista - Araraquara, Brasil) REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA NACIONAL SOBRE EDUCAÇÃO SEXUAL E PROSTITUIÇÃO NA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA 239 Os temas educação sexual e prostituição têm sido estudado ao longo dos tempos por variadas áreas e diversas abordagens. Problema de Pesquisa: Mas como é a relação desses temas na abordagem fenomenológica? Como é inter-relação dos temas educação sexual e prostituição e em especial para fenomenologia? Objetivos: Neste contexto, este trabalho objetiva investigar a produção cientifica nacional a respeito da educação sexual na interface com a prostituição e a fenomenologia, analisando e apresentando as publicações que evidenciaram essa temática. Metodologia: Para isso foi utilizado o método de revisão sistemática e meta-análise, que promoveu uma pesquisa aprofundada sobre a temática investigada. Resultados: Foram elegidos 14 artigos para análise, categorização, classificação e discussão de eixos temáticos definidos após a leitura do material encontrado. As categorias elencadas foram (1) Pesquisas Teóricas e Revisão do Conhecimento Produzido; (2) Prostituição e Fenomenologia; (3) Educação Sexual e Fenomenologia; (4) Prostituição e Educação Sexual em Saúde; (5) Prostituição, Adolescência e Educação Sexual. Esta revisão possibilitou compreender que apesar da importância de estudos que visam compreender a educação sexual em contextos diferenciados, como a prostituição, o impacto dessas vivências e suas relações, foram encontrados poucos estudos brasileiros que relacionam esses eixos, especialmente na fenomenologia. Desse modo a produção científica sobre a temática se torna imperativa para melhor compreensão do tema sob o olhar da fenomenologia.

263 Patrick Junior Tavares, Willian Junior Franco, Monica Soares e Maria Alves Toledo Bruns (Centro Universitário de Rio Preto, Brasil) 240 MULHER, NEGRA E PROSTITUTA: PRODUÇÕES CIENTÍFICAS NOS CONTEXTOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS Produções que evidenciam a vivência da mulher negra têm sido cada vez mais importantes, por evidenciar as vivências de exclusão e discriminação que configuram a desigualdade racial e para que estratégias de enfrentamento sejam criadas em diversos contextos. O tema que norteou o estudo foi à prostituição da mulher negra. Problema de Pesquisa: Mas como é a relação desse tema na abordagem fenomenológica? Como é inter-relação dos temas mulher negra e prostituição e em especial para fenomenologia? Objetivos: Neste contexto, este trabalho objetiva investigar as produções científicas nacionais e internacionais a respeito da vivência da mulher negra na interface com a prostituição e a fenomenologia, analisando e apresentando as publicações que evidenciaram essa temática. Metodologia: Para isso foi utilizado o método de revisão sistemática, que promoveu uma pesquisa aprofundada sobre a temática investigada. Resultados: Foram elegidos 04 produções científicas para análise, sendo assim, 02 produções brasileiras e 02 produções internacionais, categorização, classificação e discussão de eixos temáticos definidos após a leitura do material encontrado. As categorias elencadas foram (1) Pesquisas Teóricas e Revisão do Conhecimento Produzido; (2) Prostituição e Fenomenologia; (3) Mulher Negra e Fenomenologia; (4) Prostituição e a Mulher Negra. Esta revisão possibilitou compreender que apesar da importância de estudos que visam à mulher negra em contextos diferenciados, como a prostituição, o impacto dessas vivências e suas relações, foram encontrados poucos estudos brasileiros e poucos estudos no exterior que relacionam esses eixos, especialmente na fenomenologia, que não foi encontrado nada. Desse modo a produção científica sobre a temática se torna imperativa para melhor compreensão do tema sob o olhar da fenomenologia.

264 Paula Helena Lopes e Ester Konig da Silva (Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil) 241 O FEMINISMO COMO QUESTÃO EXISTENCIALISTA: O APROFUNDAMENTO DA OBRA DE SIMONE DE BEAUVOIR Entende-se que o livro de Simone de Beauvoir, O segundo Sexo, marcou a história como uma grande obra feminista sobre a condição da mulher na sociedade. Ela revela o percurso da construção histórica da condição da mulher, apresentando os estratagemas que mantém as mulheres nesse lugar de segundo sexo. Simone de Beauvoir foi uma mulher que, pioneiramente, enfrentou as barreiras sociais, familiares e religiosas para construir sua carreira acadêmica, tornando-se uma das primeiras mulheres a lecionar numa universidade da França. Em seu livro Memórias de uma moça bem-comportada, ela traz um resgate de sua infância, nos fazendo acompanhar seu percurso de vida, cheio dos atravessamentos de ser mulher numa época onde mulheres não deveriam estar onde ela queria estar. Nesse resgate histórico, Simone nos alerta sobre a forma que as questões biológicas foram usadas para manter e submeter as mulheres a determinados papéis de maternidade e cuidado, as condicionando a gerência financeira, intelectual e social dos homens, revelando a dinâmica de dominação-submissão tão presente na época. O presente trabalho pretende revisitar a obra de Simone de Beauvoir de forma não sistemática, a fim de elucidar as discussões relacionadas as questões de gênero, para além da superficial alusão a celebre frase não se nasce mulher, torna-se. Entende-se, desse modo, que o feminismo faz parte da experiência emancipatória das mulheres, como um projeto de ser que conduz a mulher a desamarrar as correntes que afivelam suas escolhas e as impedem de transcender. Leituras, discussões e reflexões tornam emergente repensarmos as contribuições existencialistas de Simone de Beauvoir para constituir e fundamentar um existencialismo feminista, objetivando pensar a condição da mulher, atualizando as reflexões da autora da década de 1940, a possibilidade emancipatória por meio de movimentos coletivos de conhecimento e a transcendência decorrente da vivência dessas novas possibilidades de ser mulher.

265 Rafael Diniz de Lima e Maria Alves de Toledo Bruns (Universidade de São Paulo, Brasil) 242 INFIDELIDADE VIRTUAL UM ESTUDO DE CASO: UMA VIVÊNCIA FEMININA Os meios virtuais utilizados por vários segmentos socioculturais facilitam o contato de um grande número de pessoas em tempo real. Tal realidade modificou as relações interpessoais atingindo as relações afetivas e sexuais de homens e de mulheres compromissados com os códigos jurídicos de casamentos e ou de parcerias estáveis, entre outros. Esse contexto instigou-nos a indagar: Que fenômeno é este a infidelidade virtual? Foi realizado estudo de caso pela perspectiva do método fenomenológico e saberes de Amatuzzi de como a colaboradora X, 27 anos de idade e 4 anos de relação estável com objetivo de compreender os significados e sentidos dado à infidelidade de seu parceiro. Acessamos à colaboradora por meio das redes sociais e do aceite em participar de uma entrevista, ocorrida num Serviço Escola de Psicologia. A entrevista foi mediada pela questão: Relate para mim como você vivenciou a infidelidade virtual de seu parceiro e quais significados e sentidos atribuiu a essa experiência e como reelaborou seu projeto familiar. O relato foi submetido às etapas da analise da metodologia fenomenológica que são: a transcrição, leitura e releituras com objetivo de identificar as unidades de significados que foram agrupadas nas categorias: 1) a descoberta da infidelidade; (2) a vivência da infidelidade virtual; (3) reprogramação do projeto de vida após a infidelidade virtual. A interpretação de Ammatuzzi acerca da vivência de X relata que a infidelidade virtual quebrou a exclusividade afetiva e sexual entre o casal, as trocas de emoticons sinaliza uma troca romântica e portanto afetuosa, indica infidelidade. Essas trocas são vividas por X com profundo sofrimento por se sentir traída. A literatura aponta que a dor vivenciada pela infidelidade real não diferencia da infidelidade virtual. A intensidade erótica desvela o fenômeno da infidelidade virtual ser (dês)estruturadoras de juras de amor eternos. Refazer o projeto de vida demanda tempo e até a busca de ajuda terapêutica.

266 Renata Ferreira de Azeredo e Horácio Sívori (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 243 MATERNIDADE LÉSBICA BRASILEIRA. UMA REVISÃO DE TESES E DISSERTAÇÕES NAS CIÊNCIAS HUMANAS E DA SAÚDE Este trabalho dedicou atenção à maternidade lésbica na produção brasileira de Teses e Dissertações em Psicologia e áreas afins. Investigou-se o que tem sedimentado nosso horizonte histórico sobre o tema e sistematizou-se os resultados das pesquisas analisadas, que foram agrupados em dois eixos: o primeiro abordou as mudanças jurídicas e sociais nas concepções de família e parentalidade de casais de lésbicas na busca por proteção legal e o segundo, reuniu as discussões sobre o campo da Saúde. Como resultado verificou-se um processo de mudança das dinâmicas conjugais e familiares, no âmbito jurídico e cotidiano, com efeitos nas formas de existir destas famílias. Pôde-se notar desafios na busca por direitos sexuais e reprodutivos destas mulheres e disputas políticas e ideológicas entre forças que ora promovem a justiça e tratamento igualitário, ora obstaculizam a vida democrática, preconizando normativas que excluem, promovem violência e reforçam preconceitos. Constatou-se um horizonte histórico sedimentado na correlação entre maternidade e heterossexualidade e entre maternidade e feminino. Na tentativa de produzir um afastamento ante às verdades postuladas, perguntamos: em que medida a maternidade se vincula a uma feminilidade e atua na construção da identidade heterossexual feminina? Como as pesquisas compreendem o aumento no número de famílias lésbicas? O que estas narram sobre suas experiências? Como encaram as dificuldades advindas de uma sociedade que até há pouco não as incluía como família? O que dizem das mudanças em prol dos direitos da diversidade? Que percepções e histórias teriam para compartilhar sobre a atuação dos profissionais de saúde? Em síntese, a forma como essas mulheres reinventam a si e a maternidade, demonstra um campo de estudo potente e revela medidas singulares de existir. Ao criarem linhas alternativas para seus modos de vida, enriqueceria conhecer mais sobre as estratégias que inventam no enfrentamento daquelas violências.

267 Sara Campagnaro, Rodrigo Freese Gonzatto e Edla Eggert (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 244 DIÁLOGOS E APROXIMAÇÕES ENTRE SIMONE DE BEAUVOIR E MARCELA LAGARDE Neste estudo, buscamos apontar aproximações entre as ideias da filósofa francesa Simone de Beauvoir e da antropóloga mexicana Marcela Lagarde, sobre a condição existencial das mulheres. Leitora de Beauvoir, Lagarde se apropriou do pensamento da filósofa para construir um pensamento ampliado sobre as mulheres. Por exemplo, a máxima de Beauvoir, não se nasce mulher, torna-se, é desenvolvido por Lagarde ao apontar que não se nasce amando, se aprende a amar. Para Lagarde e Beauvoir, as pessoas não nascem prontas e definidas, mas se constroem ao longo da vida. Porém, a educação de mulheres e homens segue os padrões hegemônicos e androcêntricos, que ensinam meninas a servir e serem amorosas, e os meninos a serem servidos e valentes. Esses modos de educar mulheres e homens, geram objetivos e projetos de vida distintos e desiguais. Para Beauvoir, a mulher se constrói com vistas para o Outro, mais um objeto da vida experienciada do que um sujeito de suas próprias escolhas. Viver se quilibrando entre o ser sujeito e o ser objeto faz parte da convivência em sociedade, porém, a desigualdade de gênero estabelece um desequilíbrio, com mulheres postas em posição de subserviência, como figura secundária de suas próprias vidas. Vivem como erpara-o-outro, não se realizando por completo e dificilmente alcançando a expectativa que o outro tem de si. Lagarde conceitua como madresposa essa mulher, se colocando sempre à disposição para servir. As expectativas da sociedade patriarcal para com as mulheres, são, ainda, de que reproduzam, tornando-se mães e esposas, mulheres de alguém e um ser-paraos-outros. O cuidado e o amor para com as pessoas de seu convívio a convertem nesse ser que se submete voluntariamente a servir e a investir suas energias vitais no cuidado emocional dos outros. Nosso argumento conclusivo é que as duas autoras produzem teses que se completam e aprofundam o estudo analíticos do ser e do estar no mundo das mulheres como aprendentes ao longo da vida.

268 Thais Rodrigues de Carvalho Nascimento e Maria Alves de Toledo Bruns (Universidade Estadual Paulista, Brasil) A SEXUALIDADE DO AUTISTA: UMA ANÁLISE DA PRIMEIRA TEMPORADA DA SÉRIE ATYPICAL 245 Nosso objetivo é compreender a sexualidade do autista desvelada na primeira temporada da série Atypical produzida pela Netflix em Atypical em português significa Atípico é um seriado norte-americano da empresa Netflix, um site privado com acesso a filmes e séries. Esta série provocou interesse por apresentar o adolescer do espectro autista, vivido pelo protagonista Sam, cujo perfil é um jovem de 18 anos com autismo que busca o amor e sua independência. O autismo é caracterizado por déficit na tríade: interação social; comunicação verbal e não verbal; e padrões restritivos e repetitivos do comportamento. Para esta análise elegemos a pesquisa qualitativa fenomenológica com base no saber Merleau-pontyano. Assistimos e reassistimos a primeira temporada com intenção de identificar as unidades de significado que foram agrupadas nas seguintes categorias 1: Nos horizontes das relações intrafamiliares; 2: Nos horizontes das relações extrafamiliares; 3: Nos horizontes da adolescência a experiência afetivo/sexual. Essas categorias foram analisadas pela perspectiva merleau-pontyana que expressa ser a sexualidade um fenômeno inerente ao sujeito compreendido em seu tempo e espaço, ou seja, a prática afetiva sexual é construída em acordo com as normas éticas, morais e sexuais na interface com as matrizes de sentidos família, escola, política, religião, ciência, mídia entre outras. O corpo fala e sua fala desvela e vela a educação sexual que recebemos na família e na escola e essas matrizes cartografam tabus, mitos, estigmas valores e normas de como expressar o desejo sexual. Os familiares de Sam ocultam na fala do silêncio as dificuldades de relacionar com a sexualidade do filho autista, veem o filho como assexuado mesmo com as transformações físicas, psíquicas e sexuais expressas na puberdade. Essa educação sexual reprime e alijam as pessoas com deficiência de vivenciarem relações afetiva/ sexuais. Todos/as clamam por uma educação sexual inclusiva.

269 Normando José Queiroz Souza Viana, Epitacio Nunes Neto e Maria Verônica Brasesco (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Brasil) 246 SEXUALIDADE E GÊNERO NO MERCADO SEXUAL HOMOERÓTICO SUL-AMERICANO O estudo analisa os sentidos atribuídos ao trabalho por trabalhadores sexuais que atuam no mercado sexual homoerótico Sul-americano, a partir das experiências de Recife, Brasil, e Buenos Aires, Argentina. Avalia as estratégias de subjetivação adotadas por homens e mulheres a fim de justificar suas inserções e permanências voluntárias em tal segmento econômico. Trabalhador sexual é toda e qualquer pessoa que desenvolve atividades laborais, formais ou informais, em estabelecimentos comerciais vinculados ao mercado do sexo. Parte-se da hipótese de que, assim como os executores da prostituição, estes sujeitos justificam suas inserções e permanências através de dificuldades econômicas, ocultando o prazer vivenciado no exercício laboral. O estudo está fundamentado numa abordagem qualitativa, não experimental, de caráter exploratório e de base etnográfica, de viés fenomenológico, assentado em modelos descritivos e interpretativos. A amostra envolveu 26 participantes, pareados por sexo, divididos em dois grupos (brasileiros e argentinos). A análise se respalda na teoria da dupla hermenêutica, possibilitando revelar os sentidos que os próprios sujeitos constroem a partir de suas ações. Os resultados mostram que o mercado sexual homoerótico se revela como consolidado campo de trabalho, congregando centenas de trabalhadores que, através de seus rendimentos contribuem significativamente para o sustento de suas famílias. Os trabalhadores sexuais sofrem os estigmas e discriminações devido as atividades laborais que desenvolvem, tendo muitas vezes, tanto a moral e a dignidade, quanto o caráter questionados pela sociedade em geral. Apesar do sofrimento, os mesmos destacam os bons rendimentos, a alegria do público, a diversão, a interação social (e, às vezes, sexual) com os clientes como significativas vantagens do trabalho. Em tal mercado, a dialética prazer/sofrimento respalda construções de significados acerca do trabalho e das próprias identidades das pessoas que nele atuam.

270 Lilian Cláudia Ulian Junqueira Lorrayne Batista Moser Rayane Mayara de Araujo Lyra (Universidade Paulista, Brasil) 247 NARRATIVAS DOS SOBRE-VIVENTES DE PRÁTICAS HOMOFÓBICAS E TENTATIVAS DE SUICÍDIO NA DESCOBERTA DA ORIENTAÇÃO HOMOAFETIVA A ideia do suicídio versa sobre uma história de sofrimento, um ato de desespero ou insanidade e reacende a discussão sobre as dificuldades que é a compreensão e a abordagem destas pessoas no desenrolar de suas tramas pessoais, além das dificuldades de detecção de sinais de desesperança, pedidos de ajuda, verbais e não verbais, frente ao surgimento da ideação suicida. A presente pesquisa teve como objetivo investigar e compreender a vivência das práticas homofóbicas e sua relação com as tentativas de suicídio durante a descoberta da identidade homoafetiva. Estudo qualitativo embasado no referencial teórico-metodológico da fenomenologia, consistiu em uma pesquisa de campo, em que foi realizada uma entrevista fenomenológica com quatro pessoas, com a questão norteadora: Como foi para você vivenciar a descoberta da sua identidade sexual homoafetiva?. Por meio das falas dos participantes, foi realizada a análise fenomenológica dos discursos em suas singularidades e similaridades, e a partir disso, foram construídas nove categorias temáticas: A historicidade da singularização do ser versus os prescritivos de vida heterossexuais; Revelar-se para o mundo; A vivência das perversidades homofóbicas; O sofrimento psíquico e as tentativas de suicídio; O papel do profissional da saúde; Re construção das relações com si e com o outro; A batalha travada com si próprios; A renúncia dos projetos de vida; A construção de novas possibilidades. O estudo buscou evidenciar fatores responsáveis e de proteção frente às tentativas de suicídio entre adultos, como forma de prevenção de riscos e também conscientização dos profissionais sobre o cuidado desta demanda crescente, tendo em vista que quando se lida com questão do suicídio, o trabalho não se limita apenas aos cuidados do psicólogo, como também de outros profissionais como enfermeiros, psiquiatras, educadores e até mesmo a família, sendo necessário refletir cuidados menos estigmatizantes frente aos temas tabus: sexualidade e suicídio.

271 O Corpo na Fenomenologia

272 Gabriela Bal (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil) 249 A ESCAVAÇÃO DA INTERIORIDADE NA EUTONIA À LUZ DA ANTROPOLOGIA SOMATOLÓGICA DE EDITH STEIN Edith Stein ( ), faz uma antropologia fenomenológica, ou ainda, uma antropologia somatológica, a partir da qual o corpo ocupa um lugar central. Dar lugar e voz, à pessoa humana, a partir de sua corporeidade e interioridade, num momento de total destituição do humano - o entre guerras e a 2ª grande guerra - representa um desafio ao qual Edith não se furtou. Sob o seu olhar, a pessoa humana vive, no seu núcleo único, pessoal e intransferível (kern), uma experiência paradoxal, que nasce como que de uma escavação da própria interioridade, que se inicia pelo corpo, pelas sensações, pela percepção, experienciadas enquanto corporeidade animada (corpo vivenciado - leib). Edith reconhece não apenas o núcleo a partir do qual emerge a singularidade humana, mas especialmente aquilo que nos permite vivenciar a nossa pessoalidade, ao preenchermos a nossa forma vazia (leeform), ancorados na solitude última (ultima solitude de Duns Escoto). Viver a pessoalidade, através do preenchimento da forma vazia, morada das qualidades humanas, ancorado na solitude ultima, é retornar ao estado originário a partir do qual o ser surge do não ser, ao espaço do como enquanto ato de ser. Em minha experiência clínica em eutonia (método terapêutico de educação somática desenvolvido por Gerda Alexander [ ], na Dinamarca), observo que os estados de fragmentação e desintegração corporal se referem a experiências muito primitivas, de caráter originário, de fragmentação e desintegração somatopsíquicas. A partir de sessões individuais e vivências de grupo, nas quais se dirige a atenção às sensações corporais, ao trabalhar conscientemente, num primeiro momento, o envelope corporal, a pele, se promove a integração e a percepção da totalidade do corpo, desenvolve-se um estado de presença, o qual, na narrativa dos pacientes após as sessões, remetem a experiências originárias capazes de promover, potencialmente, a integração de fraturas éticas originárias.

273 Fernando de Almeida Silveira (Universidade Federal de São Paulo, Brasil) 250 A CONSTITUIÇÃO DO CORPO DO SUJEITO MODERNO EM FOUCAULT E MERLEAU-PONTY Michel Foucault estuda o corpo enredado, submetido aos embates, rupturas e descontinuidades das forças dos poderes-saberes que se articulam estrategicamente na história da sociedade ocidental. Por sua vez, Merleau-Ponty visa à experiência sensível que germina, enquanto estrato originário da correlação corpo próprio-mundo, como uma região de sentidos que não se limita a seus significados histórico-culturais pois representa nossa abertura ao Ser em geral, denominada de região do Ser bruto. Considerando a importância crescente da noção de corpo nos autores estudados (como também o fato de Merleau-Ponty ter sido professor de Foucault, importante na sua formação acadêmica-filosófica), esta pesquisa compara o corpo enredado foucaultiano com o corpo germinante merleau-pontyano e avalia em que medida a perspectiva genealógica foucaultiana dissolveria a noção de subjetividade que reside, em Merleau-Ponty, na experiência do corpo próprio. Esta pesquisa parte da análise da dimensão onírica do poder/saber em Foucault enquanto heterotopias, fractais e fragmentadas deenunciados e práticas, constituídoras dos corpos/almas modernos, em seus efeitos históricos de edificação do imaginário dos sujeitos. E faz a sua articulação com a investigação do caráter invasivo da enunciação do corpo vivido em Merleau-Ponty enquanto ato violento no extravasamento das percepções, a partir do exemplo da correlação entre sono e vigília, no processo de encarnação e deslocamento dos sentidos do sujeito da experiência fenomênica. Verificou-se que a tentativa de Foucault, em suas analíticas, de submeter o corpo germinante de Merleau-Ponty à mesma pressuposição discursiva do seu corpo enredado, é uma forma de desconsiderar as singularidades da paisagem enunciativa do corpo na fenomenologia merleau-pontyana pois, dentre eles, é somente Merleau-Ponty que propõe uma articulação entre enredamento e corpo germinado através da qual percepção e subjetivação podem se remeter mutuamente. Este trabalho se desenvolve através da leitura de bibliografia dos referidos autores, comentaristas e de outros autores da filosofia moderna, em um enfoque interdisciplinar, que se remete tanto ao campo da psicologia como da filosofia, na medida em que se analisa a complexa correlação entre o corpo vivido e corpo histórico, e o processo de construção da identidade do sujeito moderno (Agência Financiadora: FAPESP).

274 Jaqueline de Freitas Figueiredo e Ewerton Helder Bentes de Castro (Faculdade Maurício de Nassau, Brasil) A MENOR DISTÂNCIA ENTRE DUAS PESSOAS: SER-CLOWN 251 Partindo do pressuposto de que o clown não é um personagem nem uma construção à parte da vida do ator, mas sim, um processo de construção referenciado nas experiências, vivências e no corpo, estabeleci como objetivo deste trabalho a compreensão de como o processo de encontro com o clown pessoal ressignifica a corporeidade dos atores, bem como os aspectos experimentados nesta corporeidade que vivencia o clown pessoal. Com o viés qualitativo, utilizei o método fenomenológico de pesquisa em Psicologia, tendo como base para análise individual das transcrições das entrevistas e de suas unidades de significado os conceitos do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, cujo aporte conceitual de percepção e corporeidade subsidiou a compreensão da experiência do ator em ser-clown e a complexidade do fenômeno humano da corporeidade vivida. A pesquisa foi realizada a partir de entrevista áudio gravada partindo de uma questão norteadora que apresentou desdobramentos. Foram participantes 05 (cinco) pessoas, de ambos os sexos, que realizam performances clownescas na cidade de Manaus, no estado do Amazonas. Com base nos dados coletados foram identificadas as seguintes categorias de análise: Historicidade do sujeito clown; A temporalidade e o esvanecer dos limites; Clown e o re-encontro de si; A vivência da disponibilidade: ser-com. Através da análise foi possível compreender que os participantes encontraram na experiência de ser clown não apenas uma manifestação artística ou possibilidade cômica de atuação, mas também um meio de se tornar disponível em suas vivências, o que proporciona uma nova percepção de si enquanto corporeidade, do mundo percebido, e na construção de outros modos de existência. No que concerne aos aspectos acadêmico e social, este trabalho contribui para a formação em Psicologia no que diz respeito a importância da corporeidade promover novas leituras acerca da vivência do corpo como um elemento fundamental para a compreensão do humano.

275 Bruno Fleck da Silva e Patrícia Wazlawick (Universidade Federal de Santa Maria, Brasil) 252 A RECIPROCIDADE ENTRE VOLUNTÁRIO E INVOLUNTÁRIO: ASPECTOS DE UMA FENOMENOLOGIA DA VONTADE EM PAUL RICOEUR O presente texto destina-se a refletir os alcances reflexivos do exercício filosófico de Paul Ricoeur no início dos anos cinquenta a partir do uso do método fenomenológico de Edmund Husserl e já em nova perspectiva, a saber, a do enxerto hermenêutico na Fenomenologia. Como recurso metodológico, este trabalho usou das técnica da pesquisa bibliográfica no âmbito da investigação teórica. Inserido na tradição husserliana, ao desenvolver uma fenomenologia da vontade o filósofo francês reconhece uma reciprocidade antropológica entre o voluntário e o involuntário expressa numa mediação que exige da consciência um encarnar-se mediante o involuntário, bem como, aponta para a presença da dimensão involuntária na reflexão consciente voluntária. A hipótese é que o resultado de uma fenomenologia da vontade como mediação prática entre voluntário e involuntário permite reconhecer na filosofia do pensador francês os primeiros acenos de uma passagem de uma fenomenologia que reconhece seus limites e que não é mais somente descrição, mas também compreensão, isto é, acrescentando ao método husserliano a perspectiva hermenêutica. Identifica-se, desse modo, a transformação epistemológica dada por Paul Ricoeur, bem como, o início de uma fenomenologia francesa, de cunho pós-husserliano e portanto crítica. Ainda mais, o texto evidencia que o exercício fenomenológico-hermenêutico do francês Ricoeur desemboca na problemática ética, onde o agir é considerado como o movimento da consciência com aquilo que está em outra ordem, involuntária, onde o corpo aparece como tema central.

276 Raquel Martins de Vitérbo Farias e Rebeca Ferreira Viana (Universidade Federal Fluminense, Brasil) 253 ADOE-SER: UMA REFLEXÃO SOBRE O CONCEITO DE DOENÇA EM GESTALTTERAPIA E CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA O artigo pretende apresentar a síntese de um levantamento bibliográfico em torno do conceito de adoecimento presente em livros e artigos nacionais de Gestalt-terapia. O Nosso objetivo é pensar como o adoecer tem sido abordado por Gestalt-terapeutas e quais correntes fenomenológicas tem sido utilizadas de apoio nos escritos de gestalt-terapia no Brasil. Para tanto, utilizamos as bases científicas do Scielo, Google Acadêmico e pesquisa física e digital em livros fundamentados na Gestalt-terapia. Apresentamos, por fim, as contribuições da fenomenologia de Merleau-Ponty e Erwin Strauss na tentativa de romper com a dicotomia entre saúde e doença advindas da modernidade. A Gestaltterapia problematiza o paradigma reducionista da ciência moderna, que trabalha com a concepção de sujeito cindido em partes, em prol de um paradigma mais complexo, que concebe o homem como totalidade no mundo com o outro. Nesse ponto, a fenomenologia de Merleau-Ponty nos ajuda a ampliar a discussão sobre a importância de pensar o corpo como composição, como co-presença com o mundo. É estando no mundo e em contato com ele que o homem cria formas espontâneas de existência e de auto-regulação. Para a Gestalt-terapia, o adoecimento, então, é a perda ou a diminuição da processo criador, o sintoma seria a melhor forma possível de criação, naquela configuração: sujeito no mundo e com o outro. Assim, processo de adoecimento não se deve fundamentar em explicações causais ou subjetivas, mas, no campo, na configuração. Já a fenomenologia de Straus nos ajuda a problematizar a própria palavra pathos, que dá origem à palavra patologia, atribuída na modernidade à doença, ele retoma seu sentido originário: espanto e afetação, experiência corpórea não subjetificada, mas, que se dá no mundo com outro. Isso nos possibilita pensar a despatologização enquanto tentativa de romper com o psiquismo, pensando o adoecimento como processo inerente ao SER e que se dá campo, no mundo e com outro.

277 Mônica Botelho Alvim, Mariana de Lima Braune, Mariana Germano Maia, Yana Magno Findlay e Ana Carolina Braga França (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) 254 ADOLE-SER EM MOVIMENTO: UMA PROPOSTA FENOMENOLÓGICA DE ESCUTA E COMPREENSÃO DA ADOLESCÊNCIA Este trabalho tem como objetivo apresentar o Projeto de Extensão da UFRJ Adole-ser em Movimento, discutindo seus fundamentos e metodologia de intervenção. O projeto propõe trabalhar com adolescentes em uma Escola Municipal e em uma ONG, ambas situadas na periferia da cidade do Rio de Janeiro, buscando construir com os jovens participantes uma compreensão de sua situação e condição adolescente. São realizados grupos semanais, interdisciplinares, oferecendo espaços de diálogo produzidos em torno de atividades de arte e expressão. Assim, o projeto visa à criação de dispositivos de produção cultural que convidam a lançar novos olhares para a realidade dos jovens, trabalhando coletivamente na identificação e discussão de questões bio-psico-sócio-cultural-políticas que envolvem seu território e sua subjetivação. O título do projeto faz referência ao arcabouço filosófico e teórico que sustenta a concepção de adolescência, pensada fenomenologicamente como temporalidade e tem como centro a noção de corpo de Merleau-Ponty, implicada com a ideia de movimento. Somos mundo e nossa experiência acontece no encontro com a diferença, enquanto afetamos e somos afetados pelo outro, o que nos exige um movimento de criação e ressignificação da vida e da existência. Associando a pesquisa-ação à metodologia da experimentação, concebendo o fazer artístico como possibilidade transformadora e o corpo como potência política, o trabalho com a arte busca a corporeidade como fonte dos processos de subjetivação e o diálogo com o outro como parte fundamental desse processo. Desse modo, apresentaremos o método de intervenção e análise, estruturado a partir das dimensões da corporeidade, espacialidade, temporalidade, alteridade e dialogicidade, abordando, a partir de vinhetas, situações vividas no grupo e problemáticas emergentes que permitam discutir questões envolvidas com o fenômeno adole-ser.

278 Andrea Alves de Oliveira (UNIFACIG Centro Universitário, Brasil) ANSIEDADE AO DISCURSAR EM PÚBLICO 255 A ansiedade ao falar em público embaraça a vida do sujeito prejudicando-o em seu convívio social e profissional. Este trabalho tem como problema de pesquisa compreender o medo de falar em público a partir das sensações. Constituem-se como objetivos: discorrer na perspectiva da fenomenologia da percepção merleaupontiana sobre a ansiedade ao falar; conceituar ansiedade, medo e timidez; e verificar as stratégias de como vencer a ansiedade ao discursar. Utiliza-se como metodologia a pesquisa bibliográfica. Os resultados apontam que a transação entre timidez e ansiedade ocorre pelo fato de os tímidos sentirem medo de serem julgados e terem crenças negativas de si. Desta forma, não se arriscam, preferindo esquivar-se, gerando assim a ansiedade e consequentemente produzindo os sintomas fisiológicos que são inerentes a ela, haja vista que o medo de falar em público acarreta um mal estar físico e psicológico. A teoria da percepção em Merleau-Ponty também se refere ao campo da subjetividade e da historicidade, ao mundo dos objetos culturais, das relações sociais, das contradições, do diálogo, das tensões, e neste sentido, as experiências do medo de falar podem ser percebidas e resignificadas ao configurar relações entre corpo, percepção e conhecimento. Conclui-se que buscar reverter os pensamentos sobre a versão de se falar em público; lutar contra o medo e perceber que se consegue vencê-lo, devem ser as estratégias mais ajustadas, pois só se é capaz de superar o medo, na prática, enfrentando-o, e persistindo no exercício da arte de discursar.

279 Julio Cesar Menendez Acurio (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Brasil) 256 DEPRESSÃO EM ALUNOS DE CIÊNCIAS DA SAÚDE. ESTUDO DE CASOS O presente trabalho analisa o fenômeno depressivo em dois momentos da formação universitária na área das ciências da saúde (medicina, enfermagem e fonoaudiologia). Comparou-se alunos com diagnostico de depressão nos primeiros anos da vida acadêmica versus alunos com o mesmo diagnostico na etapa de práticas clínicas na qual inicia-se o atendimento a pacientes. A modalização afetiva mostrou-se diferente nesses dois momentos do processo formativo universitário. No primeiro grupo o espetro sintomatológico caracterizou-se por agitação psicomotora e queixas físicas, no segundo grupo de alunos observou-se uma corpo-apropriação dos afetos com vivências de culpa e desânimo. As contribuições do fenomenólogo francês Michel Henry nos ajudam a compreender o processo corpo-apropiativo dos afetos, onde o início das práticas clínicas instaura, fortemente, o aspecto relacional da profissão, no qual o outro (paciente) é vivenciado como afeto, determinando a corpo-apropriação afetiva nos alunos. Dito processo nos ajuda a compreender a diferença das manifestações sintomatológicas entre os dois grupos estudados. Considerar estas caraterísticas psicopatológicas contribui para uma abordagem diferente no tratamento do adoecer mental em alunos universitários.

280 Pedro Henrique Martins Valério e Cristiano Roque Antunes Barreira (Universidade de São Paulo, Brasil) 257 DOS SABERES CORPORAIS EM CAPOEIRA AOS SABERES EXISTENCIAIS DA PESSOA CAPOEIRISTA A capoeira é uma manifestação cultural praticada mundialmente. Sendo reconhecida como patrimônio imaterial da humanidade, também se vê nesta uma forma de saber cultural, principalmente quando a mesma é vivida de modo mais histórico, cultural e tradicionalmente situado. Destaca-se então a possibilidade de um saber corporal em ação quando a capoeira se manifesta. Cabe então uma investigação fenomenológica clássica (Edmund Husserl; ) sobre os sentidos vividos que estruturam a experiência própria à capoeira que sustentariam este saber. Foram realizadas entrevistas abertas e em profundidade com 15 mestres de diferentes vertentes que desfrutam de reconhecimento na comunidade de capoeiristas de modo geral. Transcritas e analisadas em acordo com os passos suspensivos e redutivos pertinentes ao cruzamento intencional, evidencia-se uma estrutura intersubjetiva que, dentre outros, apresenta os seguintes sentidos vividos: A necessidade de realização existencial que encontra identificação pessoal e caminho na capoeira para que esta seja suprida - a pluralização de possibilidades de posicionamento e ação no mundo, a espera aberta, atenta, ativa e criativa ao que se apresenta na roda e na vida implicada em uma forma de autoconhecimento. Um saber próprio às situações de jogo dentro da roda, que desenvolve um modo de lida existencial no qual a pessoa toma um conhecimento maior sobre as suas próprias inclinações, necessidades e potencialidades existenciais, vividas enquanto formas originais de manifestação de si enquanto pessoa e capoeirista. Isto se á em correlação com a percepção, saber e ação mais aguçados na lida com as possibilidades, limites e adversidades que a vida instaura para realiza-las, sejam elas externamente situacionais ou presentes na própria interioridade subjetiva desta pessoa-capoeirista. Apoio Institucional: Fapesp.

281 Bryan Francisco Zúñiga Iturra (Universidad de Chile, Chile) 258 ENTRE ACONTECIMIENTO Y VULNERABILIDAD. HACIA UNA FENOMENOLOGÍA DE LA PSICOSIS EN HENRI MALDINEY Desde sus inicios la obra de Maldiney se posiciona como una fenomenología que busca interrogar la dimensión sensible mediante la cual se revelan a un existente encarnado, - es decir situado corporalmente en el mundo- sus diversas vivencias. De esta manera su filosofía al invitarnos a interrogar nuestro contacto sensible con el mundo deviene inevitablemente un pensamiento fenomenológico acerca de la corporalidad. Teniendo a la vista esta panorama la siguiente propuesta tiene por objetivo abordar la experiencia psicótica en cuanto pone en relieve la radical vulnerabilidad mediante la cual es entendida la corporalidad en este pensamiento. En otras palabras, por medio del presente trabajo se busca elaborar una fenomenología de la psicosis que estudie ésta en su calidad de experiencia vivida; dejando de lado con ello todas aquellas consideraciones filosóficas -tales como la distinción entre lo normal y lo patológico- a través de las cuales se suele abordar este fenómeno. En este sentido, la hipótesis de lectura que inspira esta investigación es que si atendemos a la descripción fenomenológica a través de la que el autor caracteriza tanto a la subjetividad como a la corporalidad, es decir, a partir del estatuto de la vulnerabilidad, entonces podemos pensar la experiencia psicótica o locura como una posibilidad radical de la existencia humana. Así mi presentación dispone de los siguientes momentos: primero, abordaré las nociones de transpasibilidad y transposibilidad por medio de las cuales el autor describe la existencia humana; segundo, buscaré reconstruir sistemáticamente la comprensión de la corporalidad y la subjetividad que subyace al desarrollo de ambas nociones, a saber aquella que mienta éstas a partir del estatuto fenomenológico de la vulnerabilidad; para finalizar, intentaré elaborar una fenomenología de la psicosis a partir de una descripción de algunas de las notas mediante las que se nos torna manifiesta dicha experiencia.

282 Maria Madalena Magnabosco (Universidade FUMEC, Brasil) 259 FENOMENOLOGIA E ROSTO: PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS NA INTERFACE FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL E LITERATURA A fenomenologia, enquanto um modo de acercar-se da realidade ou um modo através do qual nos aproximamos do que pretendemos investigar, se constitui não apenas como um modo diferente de olhar para a realidade, mas também como uma outra epistemologia que nos permite uma compreensão do Ser. Nesse viés, com a intencionalidade de apreender a constituição do rosto, a Literatura se articulará com a Fenomenologia para oferecer uma ampliação do olhar, especialmente no âmbito daquelas vivencias que dizem respeito ao que é especificamente próprio do humano. O presente artigo utilizará a articulação Literatura Fenomenologia para uma compreensão mais ampla da condição humana em seu processo de estar a caminho e construir um rosto. O rosto é sempre constitutivo do ser e, portanto, relacional, tendo a possibilidade de ser constantemente reconstruído, bem como destituído nos modos que constituem o caminhar do homem no mundo das convivencias. Para nos acercarmos da importância da constituição do rosto nas relações humanas, bem como de sua destituição em humanidades, o artigo versará sobre o conceito heideggeriano do homem a caminho, o qual se descreverá através do olhar fenomenológico e dialógico com um conto de Clarice Lispector editado no livro A Via Crucis do Corpo e sob o título: Ele me bebeu. Utilizando o olhar fenomenológico a partir do conto, a intenção do artigo é desconstruir uma concepção positivista do homem e devolve-lo à ontologia do Ser através da compreensão de como se coloca a caminho e como constrói e reconstrói seu rosto em constantes e novos nascimentos.

283 Rebeca Louise Pevas Lima de Freitas e Ewerton Hélder Bentes de Castro (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) 260 MEU CORPO (IN)FINITO E (IN)COMPLETO: VIVÊNCIAS DA CORPOREIDADE NA SÍNDROME DE TURNER Esta pesquisa voltou-se à compreensão das vivências da corporeidade para mulheres que convivem com a Síndrome de Turner (S.T)- refere-se à modificação genética advinda da deleção total, parcial, ou alternância no segundo cromossomo do par sexual feminino (XX) na maioria das células do corpo. Acontece durante a formação embrionária, não tendo relação hereditária ou de faixa etária dos pais. São fatores que fomentam o estudo: o pouco olhar para o ser na Síndrome de Turner ; o nãoaprofundamento de questões subjetivas referentes às principais repercussões. Participaram 8 mulheres residentes na capital de São Paulo, ou que lá estiveram durante a pesquisa. As entrevistas foram norteadas pelas seguinte questão: 1) Como tem sido conviver com a Síndrome de Turner? A análise baseia-se nas considerações de Martins, Bicudo, Amatuzzi e Giorgi, versando sobre elementos importantes para a elaboração das categorias principais: conviver com a Síndrome de Turner tem sido...; Não vou conseguir X O que consigo ; sou normal! Me aceito e levo uma vida normal!; (des)conheço, me (des)aproprio, me (des)cuido; Convivendo com a Síndrome de Turner: o ser nãodesenvolvido, o ser-mulher e o ser-mãe; Olhar do/no Outro. Através destas, foi construída a Síntese e a Análise Compreensiva das vivências relatadas. O trabalho contribuiu à disseminação do conhecimento sobre a síndrome, em seu caráter dissociado do puramente nosológico. A maneira como os profissionais de saúde atendem pessoas com S. T. parece essencial; assim como a visão e as expectativas que a família cria em torno da Síndrome, permeadas pelo que conhecem sobre. O nãoesclarecimento pode aumentar a angústia de entrar em um novo universo : de comparações; e, a princípio, consideram não serem seres capazes. À medida que se (re)conhecem, Ter ou não S.T deixa de ser substancial para se tornar apenas um dos aspectos da vida. Desta forma passam a priorizar o cuidado consigo e a busca por seus direitos.

284 Gabriela Duarte Ferreira e Arlene Leite Nunes (Universidade da Região de Joinville, Brasil) 261 O SENTIDO DA BUSCA PELO CORPO IDEAL: UM ESTUDO FENOMENOLÓGICO O presente trabalho objetivou compreender o sentido da busca pelo corpo ideal em mulheres com este perfil que frequentam uma academia na cidade de Joinville/SC, uma vez que o assunto perpassa o cotidiano de todas as mulheres, impondo normas a um padrão irreal de corpo, paradoxalmente, escravizando-as por meio de um discurso que preconiza a liberdade. Desse modo, a amostra foi composta por 10 participantes que se enquadraram nos critérios de corpo ideal, ou seja, magras, com corpo tonificado e músculos definidos, através de uma metodologia qualitativa com uso de entrevistas semiestruturadas, visando levantar o perfil sociodemográfico das participantes da pesquisa e identificar suas percepções em relação a temática discutida, comparando os dados à pesquisa bibliográfica realizada. As informações adquiridas em campo foram analisadas por meio do viés fenomenológico, identificando-se 68 unidades de significado, das quais 08 serão descritas por estarem diretamente relacionadas aos objetivos da pesquisa, as quais são: definição de corpo ideal; início da busca pelo corpo ideal; mudanças realizadas para ter o corpo atual; relação atual com seu corpo; função do corpo; papel da academia; rotina de vida; influência da mídia. Os resultados mostraram que o corpo ideal é inalcançável, uma vez que, para essas mulheres, sempre é possível aperfeiçoar o físico. Além disso, observou-se que há uma promessa ilusória de felicidade e aceitação que permeia o sentido dessa busca. Em última análise, questionou-se se poderia, também, esse excesso do corpo esconder a falta de si?

285 Matheus Mariano da Silva e Érica da Silva Martins (Universidade Federal de Santa Maria, Brasil) 262 O SER DO EGO ENCARNADO: UMA FILOSOFIA DA CARNE A PARTIR DE MICHEL HENRY Michel Henry, filósofo francês contemporâneo ( ), leitor, estudioso e fruto da fenomenologia contemporânea, dentre eles, principalmente, Husserl, Heidegger e Merleau- Ponty, apresentou sua filosofia com o intuito de elucidar as bases da própria fenomenologia. Assim sendo, ele desenvolve aquilo que chama de Fenomenologia da Vida, ou Fenomenologia Material. Tomando um caminho contrário ao da tradição, Henry não tem como fundamento o método intencional proposto por Husserl, mas estabelece sua filosofia a partir da afetividade como revelação. Nosso filósofo propõe uma inversão metodológica na fenomenologia, onde a Vida mesmo em si, via afetividade, é que abre acesso ao mundo, e não a consciência, lembrando que Vida aqui, não é vida no sentido biológico, mas uma vida imanente, uma vida absoluta e ontológica. Outro fator importante na fenomenologia de Michel Henry é a atribuição do caráter encarnado dessa vida, pois essa vida só pode se fenomenalizar enquanto vida, numa carne, local originário de autoafecção e autorrevelação, onde não há nenhum tipo de distanciamento fenomenológico entre eles, que um possa ser afetado sem que o outro o seja também. Desse modo essa carne vivida, adquire um caráter originário não mundano (e ao mesmo tempo mundano), visto que, antes de qualquer manifestação na esfera do horizonte intencional, ela já é constituída como afetante e afetado na sua relação com a Vida. Portanto é nesse sentido que se compreende a afirmação de que o ser do ego é uma carne, dito de outra forma, que a Vida enquanto um autoaparecer, fonte originária e constituinte de todo o fenômeno não pode ser um conteúdo abstrato desprovido de materialidade fenomenológica, mas sim uma Vida que é carne, uma Vida que se sente e que se faz sentir, uma Vida que é doação, mas que também é recepção.

286 Aide Esmeralda López Olivares,Samantha Hanna Seabra Castilho Simões, Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel e Lucivaldo da Silva Araújo (Universidade Federal do Pará, Brasil) 263 PROCESSOS CRIATIVOS ARTÍSTICOS COMO RECURSO DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL: UMA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA Objetivamos compreender como os processos criativos artísticos, por meio da dança, música, artes visuais e teatro se constituem como estratégias de cuidado psicossocial a pessoas em sofrimento mental, aquelas com significativas dificuldades intrapsíquicas e interpessoais nas dimensões emocionais, afetivas, ocupacionais e sociais. Para tanto, transitamos por conhecimentos das áreas da Arte, especificamente da performance como proposta artística transdisciplinar, na Terapia Ocupacional e na Gestalt-Terapia, criando um diálogo e metodologia articulados. Utilizamos fundamentação epistemológica de orientação fenomenológica como uma possibilidade de estudo da vivência e do manejo dos profissionais no cuidado. Nesse sentido, realizamos um grupo terapêutico corporal com doze participantes, usuários de um CAPS no município de Belém, sendo quinze encontros no período de agosto a novembro de As sessões se estruturavam em três momentos: atividade de introdução da proposta; atividade expressiva terapêutica; e atividade reflexiva, de culminância dos conteúdos abordados. Com os relatos obtidos, observamos que: os usuários por vezes apresentaram insegurança, prejuízos na autoimagem, autonomia, autoestima e interação social; as intervenções proporcionaram o auto reconhecimento da capacidade criativa dos participantes, enquanto criadores, como qualidade de todo ser humano. A vivência poética experenciada a partir da articulação da expressão humana com o fazer artístico no cuidado em saúde, se configurou enquanto uma estratégia de apelo sensorial, promovendo outras maneiras de contato do indivíduo consigo mesmo e com o outro. Assim, na nossa vivência profissional e na vivencia dos participantes, destacamos os processos criativos artísticos não apenas como mediadores da subjetividade, mas também como recursos de manifestação e ressignificação da mesma, no processo contínuo de inventar a si mesmo como recurso de cuidado, seja na prevenção, recuperação ou promoção da saúde.

287 Amanda Pantoja Freitas e Cezar Luís Seibt (Universidade Federal do Pará, Brasil) 264 SER BELA E CANSADA DÓI: O CORPO FEMININO ANORÉXICO NA ABORDAGEM HEIDEGGERIANA Esta revisão integrativa tem como objetivo conhecer o panorama dos conteúdos que estão sendo produzidos a respeito das vivências do corpo de mulheres anoréxicas na contemporaneidade. Discutimos neste artigo corpo feminino, e os fatores que apoiam a visão que temos sobre ele na atualidade, além do impacto dos padrões de beleza no modo como vivenciamos nossos corpos, a partir da supervalorização da magreza. A pergunta norteadora foi o conhecimento produzido a partir das publicações no período de 2013 a 2018 a respeito das vivências do corpo de mulheres anoréxicas na contemporaneidade, estão considerando a perspectiva fenomenológica para a compreensão deste fenômeno?. As bases de dados escolhidas foram Scielo, Google Acadêmico e Lilacs, no período de 2013 a 2018, os critérios de inclusão foram trabalhos científicos nacionais e internacionais realizados com mulheres anoréxicas a partir de 18 anos, utilizando os descritores mulheres anoréxicas ; corpo feminino anoréxico ; anorexia na contemporaneidade, foram encontrados 29 artigos. Após leitura integral das publicações, 16 (dezesseis) foram selecionados para análise. A Anorexia Nervosa foi abordada enquanto uma psicopatologia com aspectos psíquicos e sociais que contribuem para sua ocorrência. O corpo feminino foi amplamente discutido sobre a perspectiva de adoecimento e sofrimento devido a busca obsessiva pela magreza e as conclusões das publicações salientavam aspectos sociais, psicológicos e/ou familiares como determinantes para o desenvolvimento do transtorno, além de ressaltarem a importância do tratamento multidisciplinar. Exercitando a postura fenomenológica tal como compreendida por Martin Heidegger discutimos o corpo anoréxico feminino enquanto um recorte para problematizarmos o modo como nós temos vivenciado nossos corpos na contemporaneidade.

288 Gutiérri Cordovil de Oliveira, Flávia A. Vetter Ferri Weschenfelder e Franciele Maria Pôncio (Faculdade de Pato Branco, Brasil) 265 VIOLÊNCIA SEXUAL: COMPREENSÃO DA MANIFESTAÇÃO CORPÓREA SOB O VIÉS FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL Os significados atribuídos aos fenômenos são subjetivos. No que tange a violência sexual, as potenciais dificuldades a nível físico e metafísico tendem a se acentuar caso não haja movimento rumo à ressignificação por parte do indivíduo. Entende-se que os significados atribuídos ao fenômeno da violência por aquele que a sofre são únicos, outrossim, o vislumbrar de possibilidades para lidar com as implicações da violência sexual também serão particulares. A violência sexual além de ser uma intromissão seriamente danosa à vida da vítima, uma violação de direitos, pode caracterizar-se também como fechamento, inibição em grau subjetivo da sexualidade. A explanação do papel do Psicólogo nessa problemática é fundamental, indo de encontro com o necessário suporte ao indivíduo nesse processo de ressignificação. Tendo como base uma pesquisa bibliográfica, o presente trabalho está ancorado nos princípios da Fenomenologia e do Existencialismo, promovendo uma discussão acerca do caráter factual da experiência. Constituindo-se como um problema de magnitude social generalizado, o fenômeno da violência sexual enfrenta barreiras significativas que dificultam seu desdobramento no sentido de se desenvolver principalmente uma prevenção eficiente, que vão desde os aspectos ontológicos até os culturais. Dessarte, cabe aqui ressaltar a relevância de se apresentar esse tema, podendo a psicologia contribuir diretamente com discussões e ações neste âmbito. Pela perspectiva Fenomenológico-Existencial, o terapeuta atuará como um facilitador, baseando-se no próprio fenômeno, ou seja, pela captação do sentido atribuído pelo próprio cliente, tendo como intuito a reflexão, para uma possível ampliação de consciência, a fim de que a vítima possa transcender essa vivência e descobrir um novo sentido, ressignificar sua percepção, indo em direção à uma existência autônoma.

289 Fenomenologia, Religião e Espiritualidade

290 Alex Ander de Souza Orengo e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná) 267 A EXPERIÊNCIA DA MAÇONARIA: O SENTIDO DE SER MAÇOM Este trabalho tem por objetivo identificar qual é e como se dá o significado de Ser Maçom. Para tanto, buscou-se explorar a vivência de Maçons dos Graus 1, 2 e 3, a partir de suas vivências em Lojas Simbólicas (Anexo 1), caracterizando este Ser Maçom e identificando os elementos que possam compô-lo. A Maçonaria é hoje a maior organização do mundo, possuindo mais de cinco milhões de membros e com representatividade em todas as áreas da sociedade. Embora antiga, ainda é muito pouco conhecida, ainda cercada em mistério e revestida de segredo. Entretanto a Maçonaria não vigora como assunto frequente em pesquisas acadêmicas e os poucos estudos desenvolvidos, são direcionados para história e cultura política. Entendemos que esta realidade justifica a necessidade de mais pesquisas sobre o tema. Desta forma a pesquisa foi conduzida através de uma abordagem empírico qualitativa; os dados foram coletados através de entrevistas semiestruturadas com 15 homens que se designam Maçons no período de 19 de maio à 16 de junho de 2017, através da seguinte pergunta disparadora: O que é Ser Maçom para você?. O primeiro capítulo apresenta uma pequena introdução à Maçonaria; expondo uma linha cronológica dos principais eventos históricos universais da Ordem, concluindo com o desenvolvimento da Maçonaria no Brasil. O segundo artigo apresenta o estudo empírico, seu desenvolvimento e os resultados obtidos. A conclusão que chegamos foi que Ser Maçom é um conjunto de posturas, formado por dois grupos de condições: institucionais, representadas pela rotina maçônica, que não o designam como sendo Maçom, mas o desqualificam se não forem seguidas; e as comportamentais, que fazem com que, de fato, o indivíduo seja reconhecido como Maçom. Este conjunto de posturas traduz uma Persona Maçônica que é transmitida através da mais pura tradição Maçônica: a tradição oral. Os dados foram analisados por meio do método descritivo fenomenológico, buscando captar as unidades de sentido das entrevistas. O estudo em questão foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Setor da Saúde da UFPR.

291 Felipe Gabriel Peixoto e Marcio Luiz Fernandes (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 268 NARRATIVAS JUNTO A PACIENTES EM TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO EM GRUPOS COMUNITÁRIOS DE SAÚDE MENTAL O presente trabalho tem como tema o exercício da escuta das experiências dos usuários em tratamento psiquiátrico, os quais estão inseridos na realidade de grupos comunitários de saúde mental. Definiu-se como hipóteses que a espiritualidade e a transcendência são temas importantes para o usuário no enfrentamento de questões relacionadas à saúde e, mesmo que indiretamente, estão presentes em alguns de seus relatos por meio do simbólico. Através de uma perspectiva fenomenológica, o objetivo do trabalho é compreender a totalidade do grupo comunitário, para que seja possível a realização da redução fenomenológica, se aproximando assim ao máximo da experiência autentica do sujeito, afim de então compreender como as questões simbólicas e de transcendência, se relacionam com o relato de suas experiências e o sentido atribuído pelo sujeito. Para alcançar tal finalidade, em um primeiro momento foram realizadas observações participantes no Simpósio de Perspectivas Inovadoras no Cuidado de Saúde Mental, e no XXI Encontro Comunitário de Saúde Mental, o que viabilizou um primeiro contato com os usuários. Nessas oportunidades, foi possível ter acesso a algumas de suas narrativas, sendo possível vivenciar o grupo comunitário na reunião anual. Através da técnica de estudo de caso, foi identificado a presença do simbólico e de uma ressignificação subjetiva das experiências nos relatos dos usuários dentro do grupo comunitário de saúde mental: uma usuária descreveu cada uma de suas experiências como se fosse um novo colar de pérolas ; outro, por sua vez, relatou que as experiências do grupo comunitário faziam ele se sentir com superpoderes. Nesse sentido, podemos verificar que o grupo comunitário propicia ao participante um olhar reflexivo e atento ao cotidiano, dando lugar ao livre compartilhamento das vivências por meio da fala.

292 Gustavo Bianchini Porfírio (Centro Universitário Campo Real, Brasil) 269 A FENOMENOLOGIA COMO CAMINHO PARA O RESPEITO DA DIVERSIDADE RELIGIOSA BRASILEIRA O Brasil é uma nação que desde a sua formação se mostrou como plural e diversa, desde as várias culturas indígenas presentes na região até as novas culturas que foram se inserindo através da chegada dos imigrantes. Isso permite um campo fértil para pesquisas na área da Fenomenologia da Religião (FR), visto que esta busca a compreensão do fenômeno religioso, através da experiência religiosa. O trabalho levanta a questão: poderia esse método de pesquisa chamado por Fenomenologia mostrar um caminho para o respeito entre os cidadãos diante da diversidade religiosa no Brasil? Assim, o objetivo do presente trabalho é apresentar a Fenomenologia como uma visão de ser que possa orientar o homem para um maior respeito com as manifestações religiosas, com o sagrado que se apresenta. A metodologia empregada para a elaboração do trabalho constitui uma revisão teórica-conceitual de artigos de periódicos e livros relacionados ao tema, assim como jornais online com notícias que possam exemplificar os assuntos trabalhados. A fenomenologia tem para oferecer muitos conceitos, mas dentre eles, a Epoché e a intencionalidade são destacados. Estes, permitem que a FR se torne uma possibilidade de abertura para o sagrado, pois essa área da pesquisa fenomenológica acolhe o fenômeno religioso. Problematiza-se então se essa postura de abertura poderia ser estendida para a maioria dos cidadãos brasileiros, como forma de conscientização e diminuição de preconceito e violência, pois em uma análise ampla, a Fenomenologia da Religião apresenta um grande respeito em relação à manifestação religiosa. Assim, o trabalho busca apresentar uma possibilidade, que embora pareça estar distante, precisa ser considerada e sempre que possível posta à prática: Uma realidade de respeito com o outro. A Fenomenologia da Religião mostra que é possível o respeito inter-religioso, mas que isso exige mais do que apenas um falar, é imprescindível também, um fazer.

293 Vanessa Bezerra Cornélio Martins, Alexsandro Medeiros do Nascimento, Alda Batista de Oliveira e João Carlos Santana da Costa (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 270 A FENOMENOLOGIA DA EXPERIÊNCIA MÍSTICA DURANTE ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO EM CATÓLICOS ROMANOS Este trabalho em perspectiva ideográfica visou descrever a fenomenologia da experiência mística durante Adoração ao Santíssimo Sacramento entre católicos romanos em termos de seus caracteres fenomenais, os parâmetros da consciência e seus valores assumidos e a autoconsciência fenomenal como mediadora da experiência. Diversas tradições religiosas e místicas descrevem essa experiência religiosa como um encontro direto com Deus, deuses ou outras realidades. Um elemento constituinte da experiência mística é a absoluta manifestação e iniciativa divina, que penetra no homem, transformando-o. O termo Eucaristia é o Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, que se faz presente em corpo, alma, sangue e divindade. A linguagem litúrgica fala da Eucaristia como o mistério da fé por excelência. Para os teóricos da espiritualidade, a Eucaristia é a fonte mística da verdadeira contemplação cristã, que jamais pode ser reduzida à pura admiração estética ou estática, mas que é sempre participação dialogal. Há que se arguir tal experiência em termos de sua fenomenologia constituinte, ainda não abordada por um enfoque fenomenal e cognitivo, tal como proposto neste trabalho, que lança a hipótese de a experiência mística advinda na contemplação eucarística ser urdida com a participação de amplo arcabouço de operações cognitivas, notadamente parâmetros da consciência, autoconsciência e elementos de experiência interna. Como instrumento para a coleta de dados foi utilizado autorrelato escrito a partir de questão indutora, e os dados foram analisados por metodologia fenomenológica padrão. Os achados evidenciaram ampla rede cognitiva mediando a experiência mística, notadamente parâmetros de temporalidade, calibração, autoconsciência fenomenal, além de aspectos do misticismo classicamente descritos na literatura, ampliando o conhecimento ainda escasso de estados incomuns de consciência durante ritos litúrgicos em perspectiva fenomenológica.

294 Albertina Laufer (FAE Cenro Universitário, Brasil) 271 A FENOMENOLOGIA DOS ITINERÁRIOS EM SÃO FRANCISCO DE ASSIS Este estudo se propõe a refletir sobre a possibilidade de uma Fenomenologia dos Itinerários em Francisco de Assis ( ). Toma-se como base a obra de Boff e Dürckheim, Terapeutas do Deserto (2018), na qual se apresenta alguns aspectos da sua trajetória. A escolha do tema se justifica porque ele é considerado não apenas um santo católico, mas um ícone universal. Com isso, questiona-se: pode-se pensar em uma fenomenologia dos itinerários em São Francisco de Assis e como caracterizá-la? A metodologia segue a normativa da pesquisa bibliográfica, cujas fontes constam em artigos, revistas e obras disponíveis em plataformas digitais e bibliotecas. Historicamente, pessoas sempre se juntaram e empreenderam um itinerário tomando como base uma referência e, no caso de Francisco, a figura de Cristo. Diante disso, ele desenvolveu um modo próprio de ser, permeado pelo ideal cristão. A partir de suas vivências, vislumbra-se um caminho traçado a partir de um fenômeno (logos) que suscitou diversas expressões concretas. Assim, considera-se que foi uma experiência de subjetivação, mediante a qual ele se tornou referencial para toda uma geração. Do ponto de vista fenomenológico, percebe-se o seu caráter histórico, e como tal deve ser situado no tempo. Desse modo, os autores evidenciam que se pode pensar em um itinerário fenomenológico de Francisco de Assis, compreendido nas etapas: experiência do numinoso, metanoia, consolações, dúvida, passagem pelo vazio, estado de transformação, retorno à vida quotidiana. Trata-se de uma experiência humana de profundidade, inerente a todo ser humano, mas que nele se deu de modo singular. Considera-se, ainda, que o ideal de Francisco é um fenômeno que precisa ser compreendido como parte de um movimento humano e espiritual que vai além da própria consciência e que, em razão disso, toma a sua época, ultrapassando as fronteiras do cristianismo.

295 Vitor Chaves de Souza (Universidade Metodista de São Paulo, Brasil) 272 DEUS SENCIENTE: O LUGAR DE XAVIER ZUBIRI NA FILOSOFIA DA RELIGIÃO Ao lado de Edmund Husserl e Martin Heidegger, Xavier Zubiri ( ) é um dos principais fenomenólogos no mundo espanhol. Dentre as suas preocupações filosóficas, além da fundamentação fenomenológica, o seu pensamento possui centralidade nos conceitos de homem, Deus e realidade. Diante da tendência vigente para o nivelamento entre filosofia e ciência, Zubiri empenhou-se na construção de um sistema filosófico cuja base estaria na compreensão do ser humano como tal. Para isso, situou a realidade e a religião no interior da linguagem filosófica, de modo que tal situação pudesse, a seu ver, superar as demais alternativas no cenário filosófico. Segundo Antonio Vidal Nunes, Zubiri estabeleceu um novo horizonte de compreensibilidade do fenômeno religioso, no qual o legado herdado sofre uma ação crítica ao cabo da qual delineia uma nova orientação. Fez-se notar, deste modo, uma perspectiva original na compreensão do problema de Deus na tradição fenomenológica. Nesta perspectiva, fundamenta-se, com esta pesquisa, o objetivo de aprofundar o tema da filosofia da religião enquanto área do conhecimento da filosofia tendo na investigação do problema de Deus na obra Natureza, História e Deus, de Xavier Zubiri, um exercício atual e propício para tal tarefa. O método de trabalho orienta-se por uma metodologia analítica, com incidência fenomenológica hermenêutica. Como resultado final de pesquisa, conclui-se: o acesso à realidade se dá pelas sensações, i.e., relaciona diretamente o intelectivo ao sensorial, formando uma nova abordagem de reflexão fenomenológica pelo cruzamento (e soberania) do sensorial no acesso do conhecimento. O lugar de Zubiri, portanto, na Filosofia da Religião, vai além dos textos consagrados pela tradição, levantando novas questões a partir de uma concepção do divino enquanto a religação primordial do ser humano ao seu poder de realidade.

296 Amanda Carolina dos Santos Zanetti e Ewerton Helder Bentes de Castro (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) 273 EM SENDO ASSIM UM SER-PARA-A MORTE: VIVÊNCIAS DA ESPIRITUALIDADE DE PESSOAS EM CUIDADOS PALIATIVOS Os cuidados paliativos é uma abordagem de assistência holística onde o indivíduo é reconhecido em sua totalidade biopsicossocial e espiritual, recebendo amplos cuidados que abarquem todas as possibilidades, inclusive as que tangem à espiritualidade. As pesquisas na área da saúde tem gradativamente dado foco a espiritualidade devido sua influência positiva no enfrentamento de doenças crônicas e no processo da morte. Contudo, as necessidades espirituais destes pacientes não são efetivamente atendidas, em virtude da falta de preparo dos profissionais da saúde nesta temática. Partindo desta compreensão, está sendo desenvolvido este projeto de pesquisa de mestrado em psicologia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com objetivo de compreender as vivências da espiritualidade de pessoas em cuidados paliativos, amparando-se na teoria de Martin Heidegger. Através de uma abordagem qualitativa, será feito uso dos parâmetros do método fenomenológico de pesquisa em psicologia, utilizando entrevista áudio gravada para coleta de dados com quinze pacientes, acompanhados pela Fundação Centro de Controle em Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON). Para a análise das entrevistas, deverá ser considerado: transcrição das entrevistas de forma literal; identificação das Unidades de Significado; a expressão psicológica nas Unidades de Significado e a elaboração das Categorias Temáticas. A realização de pesquisas nesta área é reflexo da preocupação com a contribuição que a Psicologia pode propiciar nas estratégias de acompanhamento a grupos com diagnostico de doenças crônicas e em cuidados paliativos, bem como refletir condutas mais humanizadas e melhorias na qualidade da assistência à saúde.

297 Jayane Santos Guimarães, João Paulo Zerbinati e Maria Alves de Toledo Bruns (Universidade Estadual Paulista, Brasil) 274 EXPERIÊNCIA RELIGIOSA HOMOAFETIVA: DA EXCLUSÃO À INCLUSÃO Em meio ao contexto hostil e intolerante de algumas instituições religiosas tradicionais, na década de 60, nos Estados Unidos, houve a fundação da Igreja da Comunidade Metropolitana após seu precursor ter sido expulso da igreja que frequentava por sua condição homoafetiva. Este fenômeno contemporâneo, de relação entre a diversidade afetivo-sexual e a experiência religiosa nos instigou na elaboração deste estudo. Nosso objetivo foi compreender a experiência religiosa de uma mulher lésbica, que perpassou por instituições religiosas tradicionais e inclusivas. A metodologia qualitativa fenomenológica foi eleita para acessar os tons da vivência da colaboradora, através de um diálogo mediado pelo seguinte convite: Fale para mim como tem sido sua vivência homoafetiva e sua prática religiosa desde sua infância, adolescência, fase adulta, ou seja, até o momento em que passou a conhecer e frequentar a Igreja Inclusiva. A história de Cíntia possibilitou o emergir de quatro categorias de análise, a saber: (1) Vivência na infância: Igreja Evangélica tradicional na interface com a família; (2) Vivência na adolescência: entre o desejo homoafetivo e o ensinamento religioso; (3); Vivência adulta: igreja evangélica tradicional e vivência homoafetiva e (4) Vivência inclusiva: Igreja Inclusiva e vivência homoafetiva. Por intermédio de sua trajetória, compreendemos que, a lógica cisheteronormativa incorporada pelas instituições religiosas tradicionais pode ser danosa aos sujeitos que não se enquadram no modelo tradicional afetivo-sexual por impossibilitarem a integração entre a experiência religiosa com a afetiva-sexual. De modo contrário à exclusão, a experiência religiosa inclusiva pode influir de modo significativo e positivo na vida das pessoas LGBTs que impetram na experiência religiosa um aspecto importante para significar o viver.

298 André Oliveira de Assis Núñez, Alexsandro Medeiros do Nascimento e Lucas Nonato Souza e Silva (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil) 275 EXPERIÊNCIA VISIONÁRIA EM ESTADOS INCOMUNS DA CONSCIÊNCIA E SUA FENOMENOLOGIA Experiência visionária tem sido relatada associada a inúmeros fenômenos e processos cognitivos como profundas experiências espirituais, místicas e transpessoais, bem como emergência de processos ideativos relacionados a conteúdos de natureza metafísica, filosófica, existencial e religiosa, intensa experiência emocional, êxtases, e insights de cunho pessoal, biográfico ou sobre natureza do Self. Seu fundamento em processos imaginativos da mente e possível mediação de outros processos cognitivos urgem por pesquisa de cunho fenomenológico que circunscreva tais processos e seus enlaces no seio da experiência incomum. O presente trabalho versa sobre fenomenologia de Experiência visionária em Estados incomuns da consciência, e hipotetiza-se a edificação de tal experiência não apenas no concurso de imagens mentais, mas em ampla rede de aspectos cognitivos e fenomenais a serem levantados e descritos. O estudo edificou-se em perspectiva ideográfica, fenomenológica, consistindo de estudo de 03 casos múltiplos, de amostra adulta e universitária, escolhidos de forma intencional, por terem relatado experiência visionária durante estado incomum da consciência vivenciado. O relato fenomenológico individual construído de próprio punho em resposta a pergunta-indutora foi analisado por metodologia fenomenológica padrão giorgiana. As categorias temáticas geradas indicaram um conjunto de temas como Visões, Práticas introspectivas, Enlace Self-Ambiente, Dinâmica psíquica, Sentimentos, Senso de presença, Inefabilidade, Impacto posterior da experiência, e Parâmetros e Valores da Consciência, dentre os quais mostraram-se em caracteres modificados Individuação, Fronteiras do self e diferenciação de estados, Calibração, Locus da consciência, Tempo, Conectividade ao mundo, e Noese. O conjunto temático levantado evidenciou complexa rede de operações cognitivas e aspectos fenomenais constituintes da Experiência visionária, oportunizando conhecimento mais profundo de sua fenomenologia emergente.

299 Stella Maris Souza Marques e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia) 276 EXPERIÊNCIAS ANÔMALAS E EXPERIÊNCIAS RELIGIOSAS: CIÊNCIA PSICOLÓGICA E FENOMENOLOGIA São muitas as formas e as maneiras do ser humano experienciar o mundo e a si mesmo, constituindo assim um conjunto amplo de experiências. Ao longo do tempo, o ser humano foi se interessando e tematizando cada uma dessas experiências e, a partir daí, construindo saberes específicos, tais como: a religião, a filosofia, a arte e a ciência. Esse estudo visa explorar dois tipos de experiências, as anômalas e as religiosas, partindo dos principais saberes que atuam no conhecimento e validação delas. No entanto, encontramos sobre essas experiências incontáveis contradições entre as classificações, teorias e conceitos, levando a ausência de esclarecimentos seguros na literatura. Nesse sentido, essa pesquisa, que está sendo desenvolvida em um mestrado em Psicologia, tem o intuito de buscar uma melhor compreensão conceitual e descritiva das experiências anômalas e religiosas, caracterizando a natureza de cada uma dessas experiências e suas relações na vida humana. Para isso, contaremos com uma base teórica da Fenomenologia de E. Husserl, porque para o filósofo, a Psicologia científica fracassou ao não questionar o sentido único e genuíno, enquanto uma tarefa essencial da ciência universal do ser psíquico. Por isso, diante de tantos problemas epistemológicos, conceituais e metodológicos no estudo científico-naturalista da experiência religiosa e anômala, optamos, para uma melhor compreensão dessa temática, realizar uma pesquisa qualitativa do tipo teórica e bibliográfica em seus fundamentos.

300 Sibele Heil dos Santos (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 277 INFLUÊNCIAS DA UMBANDA NA FORMAÇÃO DA SUBJETIVIDADE DE SEUS PARTICIPANTES O presente trabalho tem por objetivo investigar como a prática da religião Umbanda se relaciona com a superação de complexos culturais brasileiros sob a ótica da teoria do complexo cultural da psicologia analítica, através do culto a diferentes minorias que foram marginalizadas na formação identitária do povo brasileiro. Buscou-se também alargar as fronteiras da Psicologia da Religião, aumentando o campo de atuação do psicólogo através da compreensão mais refinada de fenômenos religiosos, e do reconhecimento de tais práticas como fontes de bem estar e desenvolvimento psíquico dos seus participantes. Investigou-se como as origens históricas da formação identitária brasileira influenciaram na formação do complexo cultural através da segregação e massacre de diferentes segmentos da sociedade associados aos mitos não cristãos. Considerando que as manifestações dos complexos culturais são absolutamente únicas - uma vez que seu conteúdo e atividade são a ponte entre o indivíduo, a sociedade e os reinos arquetípicos - a presente análise partiu da pesquisa de experiências de praticantes da religião através de entrevistas qualitativas de caráter flexível, íntimo e aberto. Nesta pesquisa piloto constatou-se um profundo respeito às entidades chamadas preto-velhos, caboclos e malandros que representam respectivamente a parcela afrodescendente, índia e pobre da população marginalizada brasileira, nos sugerindo que tais praticantes empreendem em sua prática uma jornada de aceitação e cura de seus complexos, admitindo neste outro - completamente diferente da hegemonia branca - uma fonte de sabedoria, resiliência e inspiração. Os resultados demonstraram que a desidentificação do complexo ocorre de forma gradual e paulatina através de momentos de angústia e tensão das forças psíquicas, com movimento pendular de confrontação interior de abrir-se e fechar-se à função transcendente, onde o sagrado os leva a criar novos sentidos dentro do seu próprio território existencial.

301 Lucivaldo da Silva Araújo e Marília Ancona-Lopez (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) 278 MODOS DE CUIDADO E EXPERIÊNCIA RELIGIOSA EM UM CAPS DE BELÉM DO PARÁ Trata-se de uma pesquisa qualitativa de orientação fenomenológica que objetivou compreender como se dá a relação singular entre religiosidade e saúde mental em um Centro de Atenção Psicossocial-CAPS de Belém, capital do Estado do Pará. A cidade destaca-se no cenário religioso brasileiro, dentre outras coisas, por abrigar a maior procissão católica da atualidade o Círio de Nazaré; além de ser o berço onde nasceu a maior igreja evangélica pentecostal do mundo a Assembleia de Deus. Tais peculiaridades, somadas à influência cultural e religiosa de europeus, africanos e indígenas, assim como o envolvimento religioso de instituições e profissionais nos serviços de atenção à saúde mental, motivaram a realização desta pesquisa. A observação participante, a vivência do Círio de Nazaré e a realização de entrevistas com onze profissionais que atuam na instituição nos permitiram acessar um espaço de cuidado permeado por diversos componentes da identidade cultural religiosa do povo paraense. No CAPS, orações, cânticos, leitura da Bíblia, passes, mantras, mentalizações etc., surgem com finalidades religiosas e terapêuticas, ou seja, desenvolvem-se visando melhorar o quadro clínico dos clientes. Trata-se de uma clínica culturalmente instituída por pessoas cujo ethos aquático permite-lhes assumir múltiplas formas. Uma prática líquida, indefinida e sem bordas, que se desenvolve em um lugar no qual os homens e deuses caminham juntos. Esse modo particular e transgressor de atenção em saúde mental evidencia os limites da própria clínica. Desoculta um processo que se organiza e se mostra efetivo em seus próprios termos, e, portanto, surge como possibilidade diante da insuficiência de teorias que não dão conta da complexidade dos problemas humanos.

302 Gylda Sunhog Orsi Márcio Luiz Fernandes (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 279 NARRATIVAS SOBRE A ESPIRITUALIDADE: O CASO DE COORDENADORES DE GRUPOS COMUNITÁRIOS DE SAÚDE MENTAL O Grupo Comunitário de Saúde Mental sediado no Hospital Dia do Hospital de Clínicas da USP de Ribeirão Preto apresenta em sua metodologia aspectos característicos que permitem com que os coordenadores compartilhem e reflitam sobre suas experiências cotidianas assim como os usuários do serviço. Visto que esta simetria na relação terapêutica não é usual na área da saúde e que muitas vezes o cuidado a estes profissionais é negligenciado, a hipótese levantada é de que aspectos como a horizontalidade e integralidade contribuam para a promoção da saúde de forma holística dos coordenadores no Grupo Comunitário. Buscou-se identificar nas narrativas dos profissionais de saúde participantes do Grupo Comunitário as questões relativas aos significados atribuídos com relação aos recursos espirituais e religiosos e seus significados para a atuação junto ao grupo comunitário de saúde mental. Os relatos foram coletados através da observação participante durante o simpósio Perspectivas Inovadoras no Cuidado em Saúde Mental e o XXI Encontro Comunitário de Saúde Mental. Estes relatos foram analisados a partir da técnica do estudo de caso por meio da abordagem fenomenológica. Dentre eles, uma coordenadora em formação compartilhou que estava experienciando um momento de muita fragilidade física em sua vida e que trouxe para um encontro a imagem de uma borboleta com Nossa Senhora nas asas. Durante a reflexão feita no Grupo, um participante comentou que a coordenadora recebeu a vitamina por meio da imagem da borboleta com a Santa nas asas. A coordenadora concluiu que a transformação que ela buscava surgiria a partir desta imagem. Esta narrativa demonstra como a horizontalidade e integralidade permitem com que todos compartilhem suas experiências e reflitam sobre elas gerando transformação em seu cotidiano. Neste caso, a transcendência é expressa, através da religiosidade e espiritualidade, como uma vitamina, algo que é capaz de transformar, revitalizar, dar forma interior.

303 Hinayana Leão Motta Gustavo Alves Pereira de Assis (Universidade de Rio Verde, Brasil) 280 O MOMENTO EU-TU COMO DIMENSÃO DA ESPIRITUALIDADE NA CLÍNICA GESTÁLTICA Trata-se de um estudo teórico acerca da dimensão espiritual do Eu-Tu no fazer gestáltico. Considera-se a temática relevante na praxe de clínicos, bem como nas produções científicas da área. Objetiva-se compreender se este momento inscreve-se na dimensão espiritual da psicoterapia gestáltica. A Gestalt-terapia enquanto clínica fenomenológica-existencial foi influenciada pela filosofia dialógica de Martin Buber. Este autor descreveu duas atitudes humanas, a saber: Eu-Isso e Eu-Tu. Aqui nos interessa a última na relação terapêutica. O Eu-Tu corresponde ao momento de graça em que psicoterapeuta e consulente se encontram em intima e profunda comunhão. Neste instante, ambos se acham em uma atmosfera de existência maior, em que os selfs se encontram na esfera do entre. É através do entre que o psicoterapeuta e consulente se olham para além do visível, se encontrando em um mundo desconhecido. É o momento Eu-Tu pulsando no encontro terapêutico, revelando que fazer clínica demanda reverência ao outro, ao Tu que nos chega ao consultório. Eu e Tu, dois atores em psicoterapia que se abrem, se revelam e se dão ao fluxo do acontecer inter-humano. Eu-Tu, momento de cura, de ressignificação da existência total, de cuidado e de atitude amorosa. Na clínica gestáltica, a atitude dialógica do terapeuta busca tocar as centelhas sagradas do consulente, despertando-o para o viver verdadeiro, que para Buber é encontro. Portanto, encontros Eu-Tu refletem bons contatos, indicando que o processo de cura da pessoa atendida está em curso. O acontecer do Eu-Tu evidencia a espiritualidade na prática clínica, pois revela um além das conexões humanas. Assim, a Gestalt-terapia pode ser definida como uma abordagem da espiritualidade, como uma prática clínica do sagrado.

304 Rosangela de Oliveira (Fundação Carmelita Mário Palmerio, Brasil) 281 OS MISTÉRIOS DIVINOS DA VIDA E O PENSAMENTO:A CIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA No estudo dos fenômenos da consciência e tudo que acontece ao redor do ser humano, e nas suas vivências denominamos de fenomenologia, termo que surgiu no campo da filosofia. Dentro do contexto religioso e da espiritualidade há uma forte ligação também com a filosofia, no que se diz respeito ao homem e seu amor pela sabedoria do conhecimento, levando-o a refletir sobre a origem do universo, do sentido das coisas, sobre a sua própria existência e a existência de um ser superior. Seria uma fonte de conhecimento vinda ou inerente do espírito(alma) ou da mente? Ao decorrer do tempo em algum momento da vida passamos ou iremos passar por uma experiência única transcendental. Nesse momento entraremos nos grandes mistérios da vida e do pensamento, é o pensamento gerando vida, a vida gerando pensamentos e ações. Com essas considerações, queremos demonstrar que a fenomenologia, religião e espiritualidade estão conectadas, as suas raízes entrelaçam juntamente com a filosofia no estudo e compreensão dos mistérios sublimes da mente e a essência da vida. Foi através do estudo de livros e no diálogo entre algumas religiões que pesquisamos, nos quais observamos uma certa coerência entre a ambas. Numa experiência, do ponto de vista fenomenológico é vivida e sentida,o que mais se ajusta ao conhecimento dos fatos, aquilo que ocorre no plano da experiência está mais próxima do real. Na religiosidade e na espiritualidade, as leis divinas estão escritas na consciência do ser humano,fazendo que o homem vá ao encontro do estudo nas suas experiência íntimas ou compartilhadas, na meditação, permitindo uma introspecção na busca de seu objetivo, no sentido concreto para sua existência, mas que também pode ser uma complexa e exclusiva forma de visão de cada pessoa, com a proximidade de sua própria essência divina, despertando sua consciência, tornando uma verdadeira ciência o seu comportamento diante das diversidades e da sociedade.

305 Letícia Silva de Souza, Paulo Coelho Castelo Branco e Andrea Batista de Andrade Castelo Branco (Universidade Federal da Bahia, Brasil) 282 PERCEPÇÕES E INTERVENÇÕES DE PSICÓLOGAS FRENTE ÀS CRENÇAS RELIGIOSAS DE PESSOAS HOSPITALIZADAS: ESTUDO O uso de substâncias perpassa a barreira de gênero. Homens e mulheres estão sujeitos e propensos a usar tais substâncias. O presente projeto parte das seguintes questões: Qual é a realidade de mulheres, usuárias de substâncias psicoativas? Como a religião e a abordagem fenomenológico- existencial contribuam para o tratamento? Para entender o tratamento foi utilizado o modelo oferecido em Comunidades Terapêuticas. Quanto à metodologia foi realizada uma revisão bibliográfica sobre esses assuntos, a fim de relatar as transformações e a construção social sobre usuários, dependência e gênero. Com a abordagem de caráter qualitativa caracterizamos uma pesquisa exploratória que busca desenvolver, esclarecer e modificar conceitos a partir da problemática apresentados. A filosofia do tratamento em Comunidade Terapêutica é ajudar quem quer ser ajudado, para isso o tratamento tem como base, o tripé: oração, disciplina e trabalho. Fica evidente assim que o processo de tratamento desenvolve uma autonomia neste acolhido. Diferente do publico masculino, alcoolismo feminino é um comportamento reprovado pela sociedade em geral, até mesmo para algumas mulheres, além das mulheres receberem instintivamente o papel de cuidadoras do lar, filhos e marido. A vulnerabilidade do público feminino perante aos efeitos do álcool é grande, percebemos a falta de políticas públicas que direcionam atenção a esse público. Em relação ao tratamento a experiência espiritual serve de apoio e possibilita uma mudança de comportamento, estilo de vida e de identidade. A abordagem fenomenológico-existencial segue com o objetivo de ajudar esse indivíduo se responsabilizar pela identidade a ser construída todos os dias a partir de suas escolhas e de ser capaz de tomar decisões, que resultam sua existência. A partir disso sabemos que é necessária uma conscientização de todos para implantação de novas medidas de assistência no sistema de saúde, como também possivelmente a elaboração de novas políticas públicas.

306 Nayara Lais Tedesco (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) 283 REFLEXÕES SOBRE USUÁRIOS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS DO PÚBLICO FEMININO A FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL E A RELIGIOSIDADE O uso de substâncias perpassa a barreira de gênero. Homens e mulheres estão sujeitos e propensos a usar tais substâncias. O presente projeto parte das seguintes questões: Qual é a realidade de mulheres, usuárias de substâncias psicoativas? Como a religião e a abordagem fenomenológico- existencial contribuam para o tratamento? Para entender o tratamento foi utilizado o modelo oferecido em Comunidades Terapêuticas. Quanto à metodologia foi realizada uma revisão bibliográfica sobre esses assuntos, a fim de relatar as transformações e a construção social sobre usuários, dependência e gênero. Com a abordagem de caráter qualitativa caracterizamos uma pesquisa exploratória que busca desenvolver, esclarecer e modificar conceitos a partir da problemática apresentados. A filosofia do tratamento em Comunidade Terapêutica é ajudar quem quer ser ajudado, para isso o tratamento tem como base, o tripé: oração, disciplina e trabalho. Fica evidente assim que o processo de tratamento desenvolve uma autonomia neste acolhido. Diferente do publico masculino, alcoolismo feminino é um comportamento reprovado pela sociedade em geral, até mesmo para algumas mulheres, além das mulheres receberem instintivamente o papel de cuidadoras do lar, filhos e marido. A vulnerabilidade do público feminino perante aos efeitos do álcool é grande, percebemos a falta de políticas públicas que direcionam atenção a esse público. Em relação ao tratamento a experiência espiritual serve de apoio e possibilita uma mudança de comportamento, estilo de vida e de identidade. A abordagem fenomenológico-existencial segue com o objetivo de ajudar esse indivíduo se responsabilizar pela identidade a ser construída todos os dias a partir de suas escolhas e de ser capaz de tomar decisões, que resultam sua existência. A partir disso sabemos que é necessária uma conscientização de todos para implantação de novas medidas de assistência no sistema de saúde, como também possivelmente a elaboração de novas políticas públicas.

307 Karine Costa Lima Pereira e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 284 RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE NA PRÁTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO: UMA ANÁLISE DAS VIVÊNCIAS E PERCEPÇÕES DE FORMANDOS EM PSICOLOGIA O trabalho teve como objetivo investigar como formandos em psicologia vivenciam sua espiritualidade/religiosidade (E/R) em relação ao ambiente acadêmico e à formação como psicólogo. A pesquisa é parte de um estudo mais abrangente realizado com graduandos de psicologia do primeiro ao quinto ano de curso de quatro Instituições de Ensino Superior, sendo uma pública, duas privadas e uma confessional. Para este recorte, foi realizado um estudo descritivo qualitativo, sendo o instrumento um questionário estruturado para relato escrito, elaborado com perguntas abertas dirigidas a segunda pessoa do singular, direcionadas as percepções, vivências e experiências do colaborador. A análise dos dados foi desenvolvida com base na metodologia empírico-fenomenológica, método que busca acessar elementos de significado e estruturas do vivido a partir de uma análise sistematizada de depoimentos ou outras formas de objetivação das vivências. Participaram 108 formandos, com idade entre 21 e 65 anos, sendo a maioria do sexo feminino (N=84). Quanto ao perfil de E/R, 57,4% pertencem a uma religião, 18,5% são agnósticos, 13,9% acreditam em Deus e 10,2% são ateus. A maioria se considera uma pessoa espiritualizada, mas não religiosa (46,3%), seguida de nem religiosa, nem espiritualizada (25,9%). A relação entre Psicologia e Religião aparece como um tema elaborado superficialmente entre os formandos, especialmente no que se refere à experiência pessoal de E/R e a futura prática profissional. Muitos estudantes apresentam uma visão positiva da E/R humana, bem como sobre a tarefa da psicologia ou do psicólogo diante desta dimensão. De forma oposta, parte também representativa dos formandos se baliza pelo afastamento dos campos. Para esses formandos, não parece cabível o diálogo, associação ou mesmo necessidade de um fazer por parte do psicólogo, somando-se a essas estruturas a defesa e o alerta contra uma psicologia religiosa, o perigo da interferência pessoal e da falta de neutralidade.

308 Sofrimento e Psicopatologia Fenomenológica

309 Nicole Batista Krachenski e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 286 A EXPERIÊNCIA DE PROFISSIONAIS DE UM CAPS A PARTIR DE UMA PROPOSTA DE ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL A Reforma Psiquiátrica Brasileira, preconizada pela Lei nº em 2001, busca em certa medida conformidade na prática em saúde mental, modificando o modelo assistencial. Visto isso, o Ministério da Saúde prevê diretrizes que valorizam a relevância do profissional que atua na área, buscando uma prática coerente à Reforma. Apesar disso, é possível perceber por inúmeros estudos recentes sobre o tema que os profissionais ainda estão se adaptando e aprendendo a lidar com uma nova forma de fazer saúde mental. Ao encontro de tal premissa, com base em uma experiência vivida em um CAPS III de Curitiba, especialmente a partir do contato com os profissionais, foi possível perceber uma dificuldade na apropriação de outra maneira de atenção a primeiras crises compreendidas como psicóticas. Dessa forma, esta pesquisa teve como objetivo investigar a experiência de profissionais de um CAPS III de Curitiba a partir de uma proposta de atenção às primeiras crises do tipo psicótico. Para isso, utilizamos uma metodologia de caráter qualitativo, partindo do método empíricofenomenológico, na qual foram realizadas entrevistas abertas (com uma pergunta disparadora) com cinco profissionais do CAPS em questão. O processo de análise dos dados teve como base a sistematização de Amedeo Giorgi, buscando nos discursos unidades de sentido. De acordo com o material analisado, foi possível observar a constância da lógica manicomial no CAPS especialmente no tocante ao manejo de crises psicóticas, apresentando dificuldades na articulação da Rede de Atenção Psicossocial. A partir disso, buscamos trazer à discussão questionamentos a respeito da viabilidade da Reforma Psiquiátrica hoje no Brasil.

310 Felipe Eduardo de Carvalho Ferreira, Nilton Júlio Faria e Julia Pouzas Straessli Pinto (Centro de Estudos em Gestalt Terapia, Brasil) 287 A PATOLOGIZAÇÃO DO COTIDIANO E A DESUMANIZAÇÃO DA VIDA A segunda metade do século vinte foi marcada com grandes transformações, dentre elas o avanço de tecnologias em diferentes esferas da cultura. Tal avanço, pautado na velha proposição do positivismo: conhecer para predizer e controlar, gerou uma falsa sensação de controle sobre o mundo e sobre o indivíduo. No que concerne à saúde, é possível identificar a implementação de equipamentos diagnósticos cada vez mais precisos, sugerindo, inclusive a possibilidade de diagnósticos precoces que possibilitariam intervenções médicas, também precoces que, teoricamente evitariam o surgimento de doenças. Com a saúde mental não é diferente, classificações como CID ou DSM possibilitariam o preciso diagnóstico para uma indústria farmacêutica cada vez mais envolvida em pesquisas que atendam a esta demanda. Consequentemente, a saúde passa a ser entendida como consumo, remetendo-nos à ideia de terapêutica prótese. O presente trabalho busca apresentar as diversas perspectivas sobre o processo de patologização da vida. Tendo como referência a Ontologia da Ação de Paul Ricoeur, destaca-se que para a concepção de saúde da contemporaneidade é necessário reparar esse organismo considerado exclusivamente biológico em detrimento do humano. Nesse sentido, discorremos sobre a medicalização à vida inclusos nos processos de adoecimento e saúde, possibilitando um pensamento mais crítico e recorrendo à alternativas e estratégias para um viver menos nocivo ao humano e sua existência que vem sendo patologizada e consequentemente desumanizada.

311 Elina Eunice Montechiari Pietra (Universidade Veiga de Almeida, Brasil) 288 A TENSÃO DO EXISTIR NO MUNDO PRECARIZADO DO TRABALHO: UMA ANÁLISE EM MARTIN HEIDEGGER O campo do trabalho vem se caracterizando, cada vez mais, por aspectos que estudiosos denominam como estresse relacionado ao trabalho, assédio organizacional, doenças ocupacionais (como LER/DORT), esgotamento profissional (conhecido como burnout), entre outros. Essas caracterizações da atual relação homem-trabalho, iniciadas desde o processo de industrialização, aponta para aquilo que determina o horizonte histórico de nossa era: a produtividade incessante. O homem, que antes, mantinha uma relação estreita com o seu trabalho, tomando-o a partir de suas próprias condições e necessidades, agora é envolvido em uma teia de produção da qual desconhece limites e a qual lhe ressoa como totalmente imprevisível. Martin Heidegger, em A questão da técnica, denunciava que o homem, desde a era moderna, abandonou a capacidade de reflexão e passou a orientar sua existência estritamente pelo pensamento técnico-calculante. Desse modo, a existência passou a se validar apenas pela mensuração e pelo controle, influenciada pelo modelo científico de pensar. O mundo do trabalho, inserido nessa estrutura histórica de sentidos, passou a se conceber também ao modo da quantificação, do planejamento e do resultado, sempre em graus ilimitados. Nesse campo histórico, o homem, como os demais recursos à disposição do processo de produção, passou a ser tomado como um ente, cuja utilidade começa e termina no ato de produzir, e sem o qual o indivíduo tem sua existência invalidada. Sofrendo os revezes desse fazer desenfreado, o homem se põe envolvido na impessoalidade dessa relação, a qual, através de um discurso envolvente, ilusoriamente lhe assegura felicidade e sucesso profissional. Ao ser tomado como um fator produtivo, ter a sua relação com o trabalho distanciada, uma vez que sua existência em jogo se perde na cientificidade e no pragmatismo dessa relação, o homem passa a desenvolver variados transtornos.

312 Adriana Patrícia Egg Serra e Joanneliese de Lucas Freitas (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 289 AS (IM)POSSIBILIDADES VIVIDAS NO PROCESSO DO LUTO MATERNO FRENTE À MORTE POR SUICÍDIO O luto pela morte de um ente querido pode ser descrito, do ponto de vista fenomenológico, como uma experiência de dor e perda de sentido do mundo-da-vida, a partir do rompimento da relação eu-tu, que encerra a possibilidade de atualização do diálogo. Dentre as muitas experiências de luto, duas daquelas que são consideradas as mais desorganizadoras que um ser humano pode sofrer são as vividas pelos pais diante da perda de um filho e as que advém de mortes por suicídio. Este estudo foi desenvolvido a partir de uma pré-reflexão com base na literatura encontrada contemplando os temas citados e na análise do caso específico de uma mãe cuja filha tirou a própria vida. Utilizou-se como metodologia uma pesquisa empírica qualitativa, de caráter exploratório a partir da análise de entrevista, realizada com essa mãe, orientada pelo método fenomenológico. As características mais marcantes e distintivas que se revelaram na experiência analisada foram um profundo sentimento de impotência diante da percepção de um desfecho que insistia em se apresentar de modo inexorável, o desamparo vivido na busca por um auxílio que se evidenciava insuficiente e o grande desgaste das relações da família nuclear. Percebe-se que estas experiências perpassaram o vivido mesmo antes da morte da filha e se prolongaram no tempo, marcando também o processo de luto. Como recursos de enfrentamento, por outro lado, despontaram o suporte encontrado no amparo da família ampliada e no coping religioso, depois do suicídio consumado. Espera-se que este trabalho contribua para uma reflexão mais ampla e uma compreensão mais profunda tanto deste fenômeno quanto acerca do papel dos profissionais da saúde no acompanhamento de pacientes em risco de suicídio e seus familiares.

313 Joelma Ana Gutiérrez Espíndula e Matuzalém Lima e Sousa (Universidade Federal de Roraima, Brasil) 290 BUSCA DE SENTIDO DE DEPENDENTES QUÍMICOS EM UM CAPS - AD: SOB UMA LEITURA LOGOTERAPÊUTICA O primeiro Centro de Atenção Psicossocial a Álcool e outras Drogas (Caps III-Ad), localizado no município de Boa Vista-RR, foi inaugurado somente no ano de 2013, sendo a maioria de usuários é constituído por jovens de 16 a 22 anos. Este serviço faz parte da política nacional de saúde mental e está inserido na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), do SUS. O objetivo desse estudo de iniciação científica foi compreender a partir da experiência dos colaboradores dependentes químicos e alcoólicos os motivos que o levaram ao consumo, além de compreender o sentido do abandono das drogas a partir da vivência de comunidade entre os membros de Oficina Terapêutica do CAPS-ad. O estudo se caracteriza por ser descritivo-qualitativo, cujo procedimento de coletas de dados deu-se através de 10 (dez) entrevistas semiestruturadas. A coleta de dados iniciou-se após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, da Universidade Federal de Roraima, de acordo com a resolução 466/2012. Empregou-se o tratamento de dados a fenomenologia de Giorgi, e as discussões dos dados foi fundamentada na Logoterapia e análise existencial de Viktor Frankl, tendo como focos: vazio existencial, busca de sentido, sentido de vida e vontade de sentido. Pode-se perceber que a maioria dos colaboradores encontra-se em experiência de vulnerabilidade social, apoio cotidiano com os outros usuários, profissionais de saúde que auxiliaram na construção do sentido de vida para a manutenção do tratamento e evitar o abandono da reabilitação psicossocial. Assim, a maioria deles mostra tomada de atitude e valores diante da circunstância em que se encontram e relatam o desejo de ainda alcançar uma profissão, um trabalho, de conquistar ou manter uma família A partir disso, pode-se perceber que a instituição carece de atividades que promovam reflexões dos internos, tendo em vista que existe um alto índice de desistência do tratamento, o que pode estar relacionada à falta de sentido existencial de vida para superar o vício.

314 Lucas Francis e Silva Ong e Felipe Suster Gomes Fonseca (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) 291 COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA DO ABUSO DE DROGAS NA CONTEMPORANEIDADE O uso de drogas permeia a história da humanidade desde seus primórdios. No entanto, a situação atual é peculiar: a recente política proibicionista de guerra às drogas, a síntese de princípios psicoativos e produção desenfreada de novas drogas são apenas alguns dos fatos que convergem com um aumento vertiginoso do abuso, compulsão e ependência, configurando um significativo acréscimo do uso ao longo das últimas décadas. Observamos hoje dados extremamente preocupantes quanto ao abuso de ubstâncias psicoativas, sejam elas lícitas, ilícitas ou medicamentos psiquiátricos. Para compreender o abuso de drogas na Modernidade, a postura científica tradicional opera seccionando o fenômeno, desarticulandoo com o acontecimento histórico mais amplo no qual ele se encontra originariamente imerso, identificando conexões causais a partir de ciências específicas (química, biologia, medicina etc) que abandonam aquilo que é mais relevante para o tema: os elementos estruturais e fundamentais de nosso período histórico. Através do método fenomenológico-hermenêutico de Martin Heidegger, objetiva-se compreender a atual relação do homem com as drogas diretamente marcada pelo acontecimento da Modernidade: a verdade técnica enquanto determinação do ser do ente em sua totalidade, ou seja, um tempo histórico no qual os entes se abrem ao homem como disponíveis em sua máxima presentidade manipulável. Tal hermenêutica enquanto pesquisa é exatamente o contrário do modelo explicativo convencional, uma vez que suprime o seccionamento do referido fenômeno em relação ao seu campo hermenêutico originário; mas o situa com uma densidade ontológica tornada possível desde Heidegger: é possível compreender (verstehen), ou seja, realocá-lo exatamente no horizonte histórico no qual ele se encontra.

315 Guilherme Nogueira Maria do Rosário Silva Resende e Celana Cardoso Andrade (Universidade Federal de Goiás, Brasil) 292 COMPREENSÕES PSICODIAGNÓSTICAS DE KARL JASPERS E DO DSM-V: DIÁLOGOS E POSSÍVEIS REFLEXOS PSICOSSOCIAS Praticamente em todas sociedades, do passado e presente, as pessoas com comportamentos dissonantes da maioria entram em foco, e a psicopatologia é uma ciência que auxilia o alcance da compreensão psicodiagnóstica dessas. O objetivo geral da pesquisa é responder o problema: quais os possíveis reflexos psicossociais para o diagnóstico em saúde mental conforme as propostas de Karl Jaspers e dos manuais psiquiátricos contemporâneos? A metodologia é uma revisão da literatura científica de textos clássicos de Karl Jaspers e produções que discutam sua obra, a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais e artigos críticos sobre o mesmo. Também há uma revisão sistemática da literatura para averiguar sobre os modelos diagnósticos de saúde mental no Brasil e suas críticas. Até o momento da pesquisa foi possível notar uma diferença entre os modelos de psicodiagnóstico de Jaspers e do DSM-V. Como ciência, a psicopatologia nasceu em 1913 com a publicação de Psicopatologia Geral, de Karl Jaspers. Sua proposta psicodiagnóstica foi estudar o que o homem vivencia e como o faz, investigando juntamente a biografia do paciente. Para ele alcançar patamar científico, foi necessário classificar, definir, diferenciar e descrever os fenômenos psíquicos particulares por meio do método fenomenológico. Já o DSM-V permite o psicodiagnóstico e define as patologias psiquiátricas por menção a agrupamentos de sintomas, desprezando a narrativa das histórias de vida dos pacientes, e possíveis causas sociais e psicológicas particulares que podem ter instigado o sofrimento psíquico ou comportamento. Agrupar e classificar os sintomas é um processo de grande relevância para a compreensão da sociedade, mas é preciso, também, averiguar como é aquele sintoma na singularidade do sujeito. Por isso, na próxima fase da pesquisa, espera-se identificar e analisar possíveis reflexos psicossociais favorecidos pelo diagnóstico em saúde mental no Brasil contemporâneo.

316 Milene Strelow, Charlene Fernanda Thurow, Djecica Koepsel Solera, Joana Carlota da Silva e Paulo Roberto Francisco (Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil) 293 COMPULSÃO ALIMENTAR: ESBOÇOS DE UMA REFLEXÃO DA PSICOLOGIA EXISTENCIALISTA Nos manuais psiquiátricos a Compulsão Alimentar (CA) é descrita como um comportamento caracterizado por episódios de comer em grandes quantidades e em curtos espaços de tempo. Perda de controle sobre o impulso de comer, seguido de sentimentos de culpa, vergonha, nojo, arrependimento. Na categoria dos Transtornos Alimentares, a CA é muitas vezes associada a distorções de imagem e quadros de estresse. Entretanto, a complexidade deste fenômeno exige ir além da descrição de sinais e sintomas até o conjunto de situações sócio históricas e de relações do sujeito. Em Sartre o Ego resulta das inúmeras experiências do homem com o mundo: inicialmente espontâneas, mas depois de ocorrerem repetidas vezes, ganham função em nosso ser, tornando-se transcendentes, atuando como mediadoras entre nós e as situações. A CA pode ser compreendida neste mesmo horizonte. Com base em alguns casos estudados, é possível constatar uma função de preenchimento, além da mera satisfação física; trata-se de preencher um vazio de ser, das relações, da solidão na qual o sujeito se encontra:... Nossa como esse menino come bem!. Isso virou motivo de orgulho. Eu me sentia enaltecido! Eu tinha um lugar!. Trata-se de uma muleta emocional, tal como o álcool e outras drogas. A CA aparece como uma saída inventada para lidar com algo em sua vida de relações. Uma saída fracassada, pois preenche de maneira falsa este vazio de ser. O sujeito come e não saboreia, sente-se culpado, sem controle, utiliza de mecanismos compensatórios, repetindo o ciclo, buscando novamente este prazer em ato de comer, que nunca dá conta de preencher o prazer de ser : Parece que o estômago é o último amparo, o último espaço a ser preenchido. Me dá consolo. É um entorpecimento. Precisamos então compreender como foi possível a construção deste mecanismo de compulsão, bem como a relação que o sujeito estabelece com o alimento e sua imagem corporal, para então proporcionar superação desta condição.

317 Luís Henrique Fuck Michel e Joanneliese de Lucas Freitas (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 294 LUTO, DIAGNÓSTICO E PSICOTERAPIA: POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES DE TATOSSIAN A publicação do DSM-5 trouxe em seu bojo discussões acerca do luto, envolvendo sua diferenciação do Transtorno Depressivo Maior e a proposta diagnóstica do Transtorno do Luto Complexo Persistente. A nova edição do manual estatístico diagnóstico reforça a necessidade de reflexão em torno dos critérios diagnósticos do luto e aos modos de cuidado possíveis para enlutados. Diante disso, uma compreensão existencial do luto, bem como as contribuições da psicopatologia fenomenológica de Tatossian, possibilitam um desvelamento do fenômeno, propiciando também novos modos de assistência que respeitam o modo de ser global do enlutado e a sua autonomia diante da própria vivência de enlutamento. O presente estudo se propõe a apresentar o luto enquanto um fenômeno intersubjetivo que emerge a partir da supressão abrupta da (inter)corporeidade de um ente querido com quem se partilhava o mundo em termos de espacialidade e temporalidade. Nesta perspectiva, a experiência de luto não seria passível de superação, visto que esta é uma condição a que se é lançado a partir da morte de outrem com quem se era, não havendo caminhos possíveis para a restauração dos modos de ser-com anteriormente habituais dados nessa relação - restando, no entanto, a possibilidade de sua ressignificação. Nesta reflexão, discorreremos sobre o modelo inferencial de clínica, proposto por Tatossian, que evidencia a autonomia do paciente e sua liberdade diante da situação em que se encontra, permitindo-nos pensar em um diagnóstico de luto capaz de transpor os limites heteronômicos presentes nos manuais diagnósticos, de orientação semiológica. Finalmente, apresentaremos os fundamentos para um projeto psicoterapêutico para enlutados, propondo uma clínica do luto que considere a díade liberdade e não liberdade do paciente, como critério para a compreensão de sua dimensão patológica e para a tutela do enlutado sobre o seu existir.

318 Débora Fátima Gregorini e Gutiérri Cordovil de Oliveira (Faculdade de Pato Branco, Brasil) 295 O CENÁRIO POLÍTICO COMO DISPOSITIVO DE ADOECIMENTO: EXISTÊNCIA E AFETO Atualmente, o Brasil é regido com base em um sistema capitalista de economia, modelo no qual há a valorização do capital e do consumo. O consumismo é um grande aspecto mantenedor do capitalismo, uma vez que através do consumo movimenta-se o capital, que é valorizado como ferramenta que permite consumir. Percebe-se dentro desse molde social e econômico o papel central de oferta e desejo. Oferta-se ao sujeito empréstimos, cartões de crédito e longas jornadas de trabalho, lhe garantindo em contrapartida a satisfação de atingir seu desejos de consumo. Considerando essa sociedade desejante com base em pesquisas bibliográficas, busca-se entender aspectos da organização política e suas variáveis como fonte de sofrimento psicológico. Cria-se a hipótese de que o cenário político e econômico tem contribuído para o adoecimento da população. Como nas diversas esferas da vida em sociedade, o universo mental não deve ser considerado como de total responsabilidade de um indivíduo que o vivencia subjetivamente, uma vez que, integrado ao mundo, o mesmo é afetado por tudo aquilo que acontece em sua sociedade, seja de forma direta ou indireta. Subjacente a isso, o aspecto mental então reflete o mundo, o que confere ao mundo, mais especificamente enquanto organização social e política, fator crucial para o modo de funcionamento da vida subjetiva e em sociedade, numa relação que acontece ininterruptamente. É sabido que na depressão a perspectiva de futuro está comprometida por quem a vivencia, uma vez que os indivíduos, não destacados das condições do mundo, constroem sentido a partir das experiências. Outros transtornos relacionados à ansiedade são também reflexos de significações feitas a partir de vivências do sujeito à instabilidade advinda de uma sociedade com constantes mudanças, transtornos alimentares como bulimia e anorexia refletem na corporeidade o modo de relação com o mundo e a busca por um reconhecimento social de suas escolhas.

319 Joelma Ana Gutiérrez Espíndula e Katyanne Melo da Silva (Universidade Federal de Roraima, Brasil) O COTIDIANO DOS USUÁRIOS DE UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL EM BOA VISTA - RR: UM OLHAR FENOMENOLÓGICO 296 O objetivo desta pesquisa é apresentar os resultados finais de monografia defendida no Curso de Psicologia da Universidade Federal de Roraima, sobre a temática de um Centro de Atenção psicossocial. O Processo da Reforma Psiquiátrica no Brasil proporcionou a criação de serviços de cuidado às pessoas em sofrimento psíquico substitutivos aos manicômios, entre eles estão os CAPS. Os CAPS desempenham um importante papel contra a institucionalização das pessoas em sofrimento mental do estigma e exclusão social, através do cuidado em comunidade, mas é notável a necessidade de estudos nesta temática, com o objetivo de colaborar com a qualidade dos serviços prestados. O objetivo deste estudo foi compreender os modos de ser-no-mundo dos usuários do CAPS III de Boa Vista, a partir do cotidiano. O método utilizado foi a Fenomenologia. Os resultados levaram a identificação de quatro constituintes essenciais desta experiência: 1) As relações interpessoais como facilitadoras para a adesão ao cuidado psicossocial, onde estas relações foram consideradas importantes e positivas. 2) As Vivências do processo de Reabilitação psicossocial, reafirmando que tal processo é amplo e envolve a dinâmica de diversos aspectos, os mais mencionados foram a experiência da automedicação, indicando dificuldade dos usuários para realizá-la, o sofrimento em decorrência do adoecimento psíquico e percepções de melhoras a partir da adesão ao cuidado na instituição. 3) As atividades dentro e fora do CAPS, que foram consideradas igualmente importantes, por possibilitar a interação com diversas pessoas, apesar de que a reinserção social ainda esteja limitada. 4) Dificuldades para a construção de Redes de Apoio efetivas, estas dificuldades foram percebidas através da identificação de dificuldades das relações familiares, além de participarem de pequenos grupos religiosos fora da instituição.

320 Aline Maria Dengo (Faculdade de Pato Branco, Brasil) 297 O SUJEITO DEPRESSIVO: UM OLHAR FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL Considerando o fenômeno depressivo, é significativo promover uma reflexão baseada na fenomenologia existencial, posto que o mesmo é comumente explicado através de um viés médico-padronizado, que tende a patologizar a existência, retirando do sujeito potencialidades e a capacidade de devir. O objetivo deste trabalho é compreender o sujeito depressivo sob a luz da ótica fenomenológico-existencial. Revisou-se alguns conceitos do existencialismo e refletiu-se existencialmente acerca da atribuição de sentido, liberdade, angústia, responsabilidade, sofrimento existencial e a patologização da existência. Realizou-se um levantamento bibliográfico, na base de dados Scielo, Pepsic e no Google Acadêmico utilizando como descritores: Depressão; Existencialismo; Psicopatologia; Psicoterapia Existencial; a leitura de obras existenciais e psicológicas e o Portal Secad. Os resultados sugerem que, dado a liberdade do homem, não há nada a priori que motive a depressão, na qual uma relação de causalidade possa ser estabelecida. Aborda-se a condição de liberdade, diminuição do potencial de escolhas, angústia ontológica e a responsabilização, o que é compreendido por existência autêntica e inautêntica, como refletem no estado depressivo e sua relação com a temporalidade vivenciada pelo sujeito. Reflete-se sobre a alta incidência do fenômeno depressivo considerando os interesses da indústria médico-farmacêutica. Apontase a importância de trabalhar o sentido da vida com o sujeito depressivo e o papel do psicoterapeuta na perspectiva existencial. Considerando que há carência de publicações fenomenológico-existenciais sobre as psicopatologias, entende-se necessária a ampliação o tema. Sendo assim, ressalta-se a importância de compreender o sujeito em sua subjetividade e despir-se de pré-conceitos, possibilitando a ressignificação existencial e a compreensão do fenômeno depressivo a partir da vivência do sujeito que sofre.

321 Renan Silva Carletti e Gilberto Safra (Universidade de São Paulo, Brasil) 298 POR UMA FENOMENOLOGIA DO ESTRANHO E DO ÍNTIMO A PARTIR DE PETER SLOTERDIJK No presente trabalho pretendo descrever e articular as noções de estranhamento e intimidade com a prática da psicologia clínica. Inicialmente, irei descrever os conceitos de íntimo e estranho para, na sequência, apresentar a dinâmica que estes dois conceitos estabelecem na situação clínica. Ambos conceitos serão tratados a partir de duas obras do filósofo alemão Peter Sloterdijk: O Estranhamento do Mundo e ; Esferas I Bolhas. Em Esferas I Sloterdijk fornece uma narrativa histórico-filosófica da intimidade, descrevendo minuciosamente a relações duais que se iniciam desde o início da vida; e proporcionando uma gramática singular para abordar o estar com um outro. Por outro lado, O Estranhamento do Mundo revela que o estar no mundo nunca se passa de forma tranquila; os acompanhamentos, extensamente descritos em Esferas são aqui tensionados pela ausência de um sentido originário no existir e a transitoriedade da pós-modernidade. Parto da condição de que uma discussão a respeito daquilo que é humano deve considerar o caráter paradoxal de sua experiência no mundo. Portanto, todo acompanhamento traz consigo uma ameaça de seu rompimento. Não se pode pensar uma relação de intimidade sem as agruras advindas de seu entorno. A exploração deste paradoxo será conduzida pela literatura de Juliano Pessanha, precisamente sua obra denominada Recusa do não-lugar e a descrição de situações clínicas. Assim, mostrarei como estes movimentos do existir colaboram na compreensão do sofrimento em uma perspectiva fenomenológica.

322 Marcelo Vieira Lopes (Universidade Federal de Santa Maria, Brasil) 299 SENTIMENTOS EXISTENCIAIS E VULNERABILIDADE: UMA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA A avaliação das patologias psiquiátricas envolve a assunção implícita de uma determinada concepção da natureza humana. Somos criaturas instáveis e psicologicamente vulneráveis, cujas vicissitudes, traumas e tragédias da vida podem, eventualmente, desgastar nosso arranjo mental. No atual marco de interação entre fenomenologia e psiquiatria, um fator considerado determinante do diagnóstico tem sido a atenção ao modo como os sentimentos influenciam as auto descrições, nas quais constam de forma predominante, por exemplo, sentimentos de autotransformação, alienação, apatia, distância, insegurança, etc. Ratcliffe (2008) descreve os chamados sentimentos existenciais como uma classe distinta de sentimentos corporais, não-conceituais que estruturam de forma pré-intencional nossa experiência dos outros, do mundo e de nós mesmos. São as alterações psiquiátricas, segundo Ratcliffe, que permitem identificar a ruptura nessa dimensão afetiva, ocasionando alterações no senso de realidade do indivíduo enfermo. A hipótese deste trabalho consiste em identificar, portanto, um sentimento regulador de todas as experiências enfermas a partir da noção de vulnerabilidade. A vulnerabilidade nomeia, deste modo, um traço essencial da mudança das formas cotidianas do existir para os aspectos mais deteriorados da experiência humana. Seria possível, através da análise de casos psiquiátricos, portanto, sugerir que os sentimentos são, por um lado, o próprio meio de manifestação da enfermidade, como, por outro, expressão de um tipo de vulnerabilidade que se apresenta como traço essencial da enfermidade mental. Nosso objetivo, assim, consiste em mostrar que o sentimento de vulnerabilidade que molda o encontro intencional humano em suas formas deterioradas pode ser descrito, fundamentalmente, por um sentimento de vulnerabilidade existencial e que sua consideração é essencial para um tratamento adequado.

323 Ileno Izídio da Costa e Mariana Monção de Lima (Universidade de Brasília, Brasil) SOFRIMENTO PSÍQUICO NA UNIVERSIDADE: UMA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA 300 O presente trabalho propõe abordar o tema do sofrimento psíquico e da produção de sentido em indivíduos pertencentes à comunidade universitária, com foco em experiências observadas na Universidade de Brasília (UnB). O recente aumento dos casos de tentativas de suicídio em universidades brasileiras e a grande incidência de modalidades específicas de sofrimento psíquico (com destaque para os chamados transtornos ansioso e depressivo) em membros do corpo docente e discente de instituições de ensino superior no país evidencia a necessidade de se discutir saúde e sofrimento mental no contexto acadêmico. A Academia tem como traço intrínseco a alta demanda de produção intelectual; consequentemente, o indivíduo imerso neste ambiente está sujeito a diversos fatores estressores, dentre eles a pressão por uma constante produtividade que se encaixe em moldes pré-determinados de excelência e a preocupação com a atual tendência de precarização da pesquisa no Brasil, além das expectativas sociais associadas ao ingresso em uma instituição de ensino superior e a necessidade de se incluir em uma situação de mercado de trabalho de crescente competitividade. Buscando realizar uma investigação do fenômeno em si, propomos uma discussão de como o ambiente acadêmico impacta o processo de produção de sentidos do indivíduo que nele está inserido. Lançaremos mão, para tal, de experiências observadas e relatadas por profissionais e estudantes atuantes no GIPSI (Grupo de Intervenção Precoce nas Primeiras Crises do tipo Psicótico) e no Núcleo de Estudos, Pesquisas e Atendimentos em Saúde Mental e Drogas (NEPASD) da Universidade de Brasília, a serem problematizadas com base no método da hermenêutica de profundidade. Com esta análise objetivamos fomentar discussões em busca de uma melhor compreensão dos fatores associados ao sofrimento psíquico no contexto universitário, a fim de se pensar possíveis estratégias de prevenção e acolhimento em âmbito institucional para o problema abordado.

324 Maria de Nazareth Rodrigues Malcher de Oliveira Silva e Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel (Universidade Federal do Pará e Universidade De Brasília) 301 OS ESTUDOS SOBRE A EXPERIÊNCIA DE OUVIR VOZES E O MANEJO NAS ATIVIDADES LABORATIVAS O movimento antimanicomial promoveu em saúde mental a ampliação de terapêuticas, além das medicamentosas, voltadas para as atividades laborativas e inserção social. Um dos focos está na autonomia, integralidade e expressão subjetiva dos fenômenos psíquicos de pessoas em sofrimento psíquico grave, como o Grupo de Ouvidores de Vozes, que surgiu nos anos 80 do século XX na Holanda, como um movimento que considera a experiência, e não unicamente a concepção do sintoma de alucinação auditiva. Assim, a vivência do ouvidor de vozes é o tema do trabalho com o objetivo de identificar na literatura cientifica, período de 2005 a 2018, as abordagens da experiência, da representação de ouvir de vozes, e do manejo laboral do cotidiano, em que o ouvidor se insere. O método utilizado foi de revisão narrativa. As fontes foram pesquisadas no portal de periódicos da CAPES. Encontramos 30 artigos em português e inglês. Os descritores foram saúde mental, esquizofrenia, ouvidores de vozes. Os dados foram organizados em uma planilha temática e analisados com foco na narrativa da linguagem e apresentados descritivamente. Entre os resultados identificamos que os artigos focalizam, principalmente a caracterização da experiência de ouvir vozes, associada a vivências traumáticas, e as consequências no dia a dia, o que dificulta o desempenho de atividades laborativas. Além disso, cinco estudos de análise fenomenológica descreveram a experiência como própria do ouvidor, pouco compartilhada, ligada à biografia da pessoa. Ressaltamos que, os conteúdos encontrados na literatura brasileira expuseram a caracterização das tipologias da experiência de ouvir vozes; enquanto a internacional apresentou a abordagem psicopatológica fenomenológica descrevendo à experiência de vivência de mundo e dos aspectos intersubjetivos do fenômeno no cotidiano das pessoas. Ressaltamos a importância de estudos empíricos que envolvam esta experiência, com foco fenomenológico, para melhor compreensão do fenômeno.

325 Klessyo do Espirito Santo Freire e Maria Virginia Machado Dazzani (Universidade Federal da Bahia, Brasil) UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL DA PRODUÇÃO ACADÊMICA SOBRE O SOFRIMENTO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS 302 Este estudo objetivou o levantamento e análise da produção nacional e internacional sobre o sofrimento de estudantes universitários, à luz da psicologia fenomenológica existencial. Para tanto, foi realizada uma revisão de literatura integrativa com trabalhos publicados até o dia 17 de março de Utilizou-se as bases de dados Scielo, PePSIC, BVS- Psi e o portal de periódicos da CAPES. Foram utilizados como descritores sofrimento e estudantes universitários, sofrimento e universidade, sofrimento no contexto universitário e estudantes universitários. Como critério de inclusão, selecionou-se artigos que versavam sobre o sofrimento e suas expressões (depressão, suicídio, estresse etc), excluindo aqueles que se referiram a um curso, área ou de uma situação específica, como estudantes estrangeiros e intercambistas. No total, levantou-se 26 artigos, com pesquisas realizadas em diferentes países. A maior parte foi publicada nos últimos 10 anos (22), apontando que apesar do sofrimento entre estudantes ser um fenômeno recente, está presente em diferentes países. A maioria dos estudos utiliza abordagem quantitativa (19), emprega escalas, questionários e testes psicométricos, associando esse sofrimento a sintomas psiquiátricos e indicam a universidade como um fator de risco para a saúde dos estudantes. Apenas dois trabalhos apresentam abordagem fenomenológica existencial. A partir de uma análise fenomenológica, depreendeu-se que a maioria dos estudos, ao utilizar modelos explicativos causais, se concentra muito mais nas expressões do fenômeno do que no fenômeno em si. A experiência e sofrimento do estudante é um evento complexo no qual estão presentes elementos culturais, institucionais e ontológicos, relacionados ao dasein. Assim, os resultados apontam a necessidade de mais estudos qualitativos sobre a temática, em especial da psicologia fenomenológica existencial, para um aprofundamento e melhor compreensão da experiência de sofrimento entre os estudantes.

326 Patrícia Nazaré da Costa Pires e Lilian Cláudia Ulian Junqueira (Universidade Paulista, Brasil) O CAMINHAR FENOMENOLÓGICO COMO TRANSCENDÊNCIA AO DIAGNÓSTICO: TRANSFORMANDO O ITINERÁRIO TERAPÊUTICO EM CLAREIRA DE POSSIBILIDADES 303 Estudo de caso, no referencial teórico-metodológico da fenomenologia existencial. As informações foram obtidas com a anuência da paciente, coletadas durante ano de 2018, período em que ocorreram as sessões de psicoterapia. A paciente mulher, solteira e sem filhos, buscou ajuda no plantão psicológico após os tratamentos na oncologia. Relatou que recebeu o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar em conjunto à ocasião de seu adoecer de câncer de mama. O estudo buscou explanar a importância do atendimento psicoterápico com base no método fenomenológico como na abertura de possibilidades que se encontravam fechadas mediante um diagnóstico recebido em avaliação médica, seguido de tratamento contínuo para o humor e afetividade. A paciente foi diagnosticada há 8 anos e desde então viveu o itinerário existencial em busca de informações a respeito da doença e procura ajuda psicológica insatisfeita com uso contínuo de medicação. Apresenta, no processo terapêutico, horizonte restrito de buscas existenciais, anulando qualquer outro sentido da vida que não fosse relacionado ao cuidado seu transtorno o que lhe desperta muita angústia de não Existir. Antes do diagnóstico, relata uma infância e começo de adolescência muito ativas e sem sintomas, conseguindo trabalhar, namorar, estudar e sonhar. Hoje faz o uso continuo de medicamentos e chegou a ficar internada por 28 dias em um Hospital Psiquiátrico e desde então tem vivido somente para o transtorno. No mesmo período foi abandonada pelo noivo com quem teve seu único relacionamento na vida. A psicoterapia incentivou que a paciente buscasse o sentido do adoecer, compreendendo os acontecimentos ao longo da sua história e pela epoché uma forma diferente o que viveu e o que ainda estaria porvir na Clareira das possibilidades do seu Existir, escolhendo um modo de ser cuidadoso perante as facticidades e não reduzindo-se ao diagnóstico nomeado como sua Existência, acolhendo os paradoxos de seu caminhar e lançando-se ao Existir em totalidade.

327 Fenomenologia e Diálogos Interdisciplinares

328 Yan Sousa de Almeida e Ana Maria Lopez Calvo Feijoo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil) 305 SUICÍDIO: DO MORRER POÉTICO AO VIVER SEM POESIA Atualmente se vive em uma lógica onde a vida deve ser preservada a qualquer custo, sem levar em consideração aquele que vive a própria vida. Nessa lógica, o ato do suicídio é visto por um viés totalmente moralizante, e encarado, na maioria dos casos como algum tipo de adoecimento. Dessa forma, aquele que põe fim a própria vida é caracterizado como desistente, não portador de coragem, doente e frágil. Sendo assim, o suicídio se torna um escape, um ato desesperado, somente realizado quando não há mais opções. Este trabalho pretende apreender o suicídio por outro ângulo, sem com isso estabelecer explicações causais simples que encapsulariam todas as nuances deste fenômeno. Tal aproximação se dará a partir da literatura, mais especificamente a obra de Yukio Mishima de título Cavalo Selvagem, história que nos apresenta Isao Iinuma, que a partir do seu modo de se relacionar com a vida, manifesta uma lida com a morte diferente da lógica moderna atual, sem sofrimento, desespero, doença ou medo, mas como um instante de poesia. Fundamentados por um gesto hermenêutico e a obra literária buscamos desvelar quais são as condições de possibilidade que permitam que tal lida se manifeste.

329 Bianca Mauri e Renato Garibaldi Mauri (Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Brasil) 306 A ARQUITETURA, A TEORIA DE GOETHE E A FENOMENOLOGIA DA VIDA A retomada do eu fenomênico se manifesta na arte voltada a captar a afetividade do sujeito, diante do processo que visa a potencialidade do ser e promove o encontro de si. Para Michel Henry, assim como Kandinsky, a arte deve ser impulsionada e guiada pelo invisível, pela própria vida, contra um método focado somente na exterioridade, num utilitarismo que teria como consequência a desintegração da cultura. Este estudo tem o objetivo de compreender a relação entre a fenomenologia de Michel Henry com a teoria da cor de Goethe e a aplicação desta, na arquitetura. A proposta deste projeto será realizada por intermédio do exame bibliográfico, no possível vínculo que se estabelece entre artes, arquitetura e fenomenologia. O artigo se divide em três aspectos, a saber: 1 O estudo da fenomenologia da Vida de Michel Henry com ênfase na arte, 2 A fenomenologia da teoria da cor de Goethe, 3 A aplicação da experiência henryana na arquitetura. A fenomenologia abre portas para uma reflexão através da negação de dicotomização entre sujeito e objeto. As teorias de Goethe são intrínsecas a esta postura, tem como preocupação principal pesquisar o universo das cores como fenômeno relacionado ao todo, não reduzido na representação matemática do fenômeno da cor. O estudo em Goethe foi resgatado no século XX por pesquisadores da Gestalt e por pintores como Kandinsky, o qual foi fonte de estudo de Michel Henry para a elaboração da obra Ver o invisível. Goethe enfatiza a significância das cores como um fenômeno incluso do âmbito psicológico e filosófico e desenvolve uma física da cor baseada na experiência. Esta investigação visa relacionar e entender o vínculo entre a cor aplicada e a fenomenologia, uma arquitetura que vai ao encontro da essência pela afetividade do observador e caracterizar, desta forma, uma vivência de si.

330 Rudimar Barea (Centro de Ensino Superior Rio Grandense, Brasil) 307 A EMPATIA COMO RECONHECIMENTO DA ALTERIDADE: UM ESTUDO A PARTIR DE EDITH STEIN Este trabalho tem por objetivo apresentar o tema da empatia como passo fundamental para o reconhecimento da alteridade. Uma das teses centrais de Edith Stein presente em sua obra Sobre o Problema da empatia está na afirmação de que o ato sui generis da empatia concerne em perceber o sentido da vivência do outro que emerge diante do meu ser. Quando percebemos empaticamente a vivência originária do outro, consideramos a possibilidade de vivê-la em modo pleno, dado que possuímos a mesma estrutura vivencial. O sujeito da empatia reconhece a comum humanidade presente no outro ser humano. Tomamos como hipótese de nosso trabalho que a empatia além de possibilitar o conhecimento do estado vivencial do outro contribui significativamente para o reconhecimento da alteridade desde a sua singularidade e do tempo fenomenológico, que motivou o seu estado vivencial presente. A problemática da vida humana, com respeito ao querer, o sentir, ao agir do outro, exige-nos uma reflexão de reconhecimento da alteridade, pois não se esgota a vida humana em um modo de ser; e, a empatia pode nos ajudar a dar-se conta da alteridade. Perceber empaticamente a dor do outro desde sua alteridade significa dar-se conta da peculiar singularidade que abala a sua vivência atual. Metodologicamente com base em Edith Stein em primeiro lugar apresentaremos um estudo descritivo sobre o tema da pessoa humana; no segundo momento descreveremos sobre o tema da empatia; o terceiro momento tem como finalidade evidenciar a importância do reconhecimento da alteridade com vista à dignidade dos seres humanos. O estudo do ser humano e suas implicações subjetivas e intersubjetivas reconhecidas por empatia nos levam a um único caminho: a afirmação da dignidade da pessoa humana desde sua corporeidade, desde sua posição social, econômica, política dentre outras dimensões que o ser humano se afirma na sociedade.

331 André Luiz de Oliveira e Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (Universidade de São Paulo, Brasil) 308 A FENOMENALIDADE DOS AFETOS NO TEXTO O ÓDIO NA CONTRATRANSFERÊNCIA DE WINNICOTT O objetivo desse trabalho é o de estabelecer um diálogo entre o pensamento fenomenológico e a clínica psicanalítica. Aqui, a visão do psicanalista Donald Woods Winnicott sobre os afetos, especificamente acerca do ódio, apresentado em seu trabalho intitulado, O ódio na contratransferência (1947) é analisado e colocado em diálogo com a Fenomenologia da Vida de Michel Henry. Winnicott apresenta o tema da ambiguidade, onde ele aponta a necessidade do terapeuta de reconhecer e aceitar o ódio ocasionalmente despertado nele por algum paciente para poder amá-lo e ajudá-lo na resolução de suas agruras e em seu desenvolvimento. Winnicott traz o afeto, no caso o ódio, como parte da condição humana e assinala que este pode estar presente até mesmo nas relações de cuidado que se estabelecem entre os seres humanos. O ódio se transfigura como um sofrimento no terapeuta, resultado das dificuldades impostas pelos pacientes difíceis que levam a necessidade de que o terapeuta aceite e viva esta experiência de ódio para que ele possa superar as dificuldades e poder integrar o sentimento de amor na intervenção do caso, fornecendo um tratamento transformativo e de ajuda ao desenvolvimento de quem está adoecido. Michel Henry, em seu texto Sofrimento e Vida (2001), aponta para a fenomenalidade da afetividade como o fundamento que possibilita a vida. O sofrer é manifestação da vida em toda sua nudez, fomentada pela passividade radical que lhe é inerente. Michel Henry destaca que é no sofrer que a vida advém a si e que, portanto, é em seu vivenciar único que o sofrimento poderá se transformar em fruição de si. Winnicott e Henry, embora de formas distintas, se aproximam, ao considerar que a despeito das dificuldades que a vida impõe, somente se abrindo genuinamente para vivenciar as experiências relacionais que fazem parte da condição humana, entre elas o sofrimento e reconhecendo-as, é que as dificuldades serão superadas.

332 Maria Inês Amaro Assunção de Melo, Waldir Souza e Jean Santin (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 309 A FENOMENOLOGIA DE EDITH STEIN PENSADA NA PSICOLOGIA PALIATIVISTA Essa pesquisa busca na fenomenologia de Edith Stein pensar a psicologia paliativista. A psicologia paliativista pode subsidiar sua prática a partir da fenomenologia steiniana? Pode haver possibilidade de compreender o ser humano por meio da definição psicofísicoespiritual na Obra: La Struttura della persona umana de Edith Stein. O objetivo é analisar o pensamento steiniano na ótica da psicologia paliativista. O método é a revisão qualitativo bibliográfica, por meio dos dados (BVS) e Capes, utilizando os seguintes descritores fenomenologia e cuidados paliativos. O resultando parcial confere a contribuição da psicologia nos cuidados paliativos (CP), os quais são definidos pela OMS (2016), como assistência multidisciplinar que objetiva a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e familiares, em situação de doenças que ameaçam a continuidade da vida, primam pela prevenção e alívio do sofrimento, identificação precoce, avaliação impecável, tratamento da dor, sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais. A partir da definição de (CP) a antropologia-filosófica de Stein visa introduzir o conceito de força vital mostrando a vida presente no organismo vivente, o Leib, e o corpo vivente, animado pela psique. A força vital pode ser psíquica ou também espiritual. Assim,alma (Seele), se divide em uma parte mais propriamente psíquica e em uma parte espiritual que se pode ser denominada de Geist (STEIN, 1933/2013, p. XXIII-XXVI). A essência espiritual se liga em unidade com a parte material, por sua vez essa constitui o princípio de individualização, pelo processo espiritual (STEIN, , p. XXVI-XXVII). A psicologia paliativista nessa ótica necessita ampliar conhecimento para além do modelo de atenção, muitas vezes, direcionados ao reducionismo biológico ou a conceitos amplos não aprofundados. Assim, lidar com a dor, com a perda, com o sofrimento e a morte ultrapassam as cercanias do corpo físico e explicações meramente superficiais.

333 Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (Universidade de São Paulo, Brasil) 310 A OPERACIONALIDADE DA FENOMENOLOGIA HENRYANA NO ACOLHIMENTO TERAPÊUTICO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS COM IDEAÇÕES SUICIDAS Neste artigo iremos mostrar que operacionalidade da fenomenologia da vida nas práticas clínicas não é o mesmo que aplicação da fenomenalidade da vida à clínica. Do histórico do conceito salientaremos dois momentos e dois conceitos. Os dois momentos serão: 1- foi no colóquio internacional Michel Henry: o incondicional da condição humana, na UCP Porto, 2013, que com Florinda Martins nos propusemos ver como o trabalho terapêutico se articularia com o conceito de corpopropriação em Michel Henry, exposto por Benoît Kanabus. 2- O desenvolvimento desta proposta deu-se no âmbito do projecto Corpo e Afectividade: a recepção de Michel Henry na lusofonia, com seminários internacionais na USP. Os dois conceitos são: 1- fenomenalidade da encarnação e corpopropriação. Veremos como é que o conceito de corpopropriação nos ajuda a compreender aquilo que Christophe Dejours, na clínica, denomina de processo de inacabado da encarnação e que é o material fenomenológico do trabalho do terapeuta. No atendimento a estudantes universitários com ideações suicidas trabalhamos a corpopropriação daquilo que fazendo sofrer é sentido e vivido com o estranho de nós: como o inacabado da encarnação.

334 Cibele Stringuetta e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 311 A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE FENOMENOLOGIA E PSICANÁLISE NO BRASIL E DEMAIS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA O objetivo deste estudo foi conhecer o cenário da produção científica para a temática fenomenologia e psicanálise, como parte da dissertação de mestrado a ser desenvolvida a partir de revisão sistemática de literatura sobre o tema. Foram realizadas buscas nas bases eletrônicas DOAJ, Lilacs, Scielo, PePSIC, IBICT e CAPES, utilizando-se as expressões booleanas fenomenologia OR psicanálise e fenomenologia AND psicanálise, seguida de refinamento para título e resumo. Os resultados quantitativos evidenciaram a necessidade de analisar qual o conteúdo dos trabalhos e como os estudos associavam as duas vertentes. Dos trabalhos que citavam as duas palavras, foram obtidos 192 resumos, os quais foram analisados e classificados de acordo com as seguintes categorias: a) discussão de ema/assunto; b) fenomenologia e psicanálise em diálogo; c) fenomenologia como descrição; d) fenomenologia como método; e) fenomenologia como teoria/episteme; f) resumos que não se encaixavam em nenhuma das categorias. Ao final foram identificados os principais autores em cada uma das publicações. Dentre as publicações que citavam as duas palavras no mesmo estudo, apenas 24% apresentavam algum diálogo entre as teorias. Como resultado, verificou-se que a fenomenologia tem servido de base para produções em psicanálise como método ou epistemologia geral de pesquisa, e que diversas vezes é utilizada, ainda, como palavra sinônimo de descrição, sem nenhuma ligação com a teoria husserliana. Referente aos autores apontados no levantamento, percebe-se uma pulverização de teóricos (n=76), com predominância da obra de Merleau-Ponty. Os resultados apontaram para um número reduzido de produções científica que associem fenomenologia e psicanálise e a falta de diálogo teórico-conceitual entre as teorias no Brasil e demais países da América Latina.

335 Eder Silva (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Brasil) 312 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DE ESTUDOS DO FENÔMENO MESSIÂNICO NO BRASIL SEGUNDO MARIA ISAURA PEREIRA DE QUEIROZ O presente artigo propõe breve reflexão sobre estudos de messianismos, enquanto fenômeno religioso, e de acordo com abordagens elaboradas pela sociologia de Maria Isaura Pereira de Queiroz. Tal proposta pretende apresentar aspectos que possivelmente indicariam a autora como precursora na introdução de métodos diferenciados utilizados na compreensão de fenômenos messiânicos na sociedade brasileira. Enquanto seus predecessores analisavam os atos a partir do ponto de vista globalizado ou organizacional, esta, por sua vez, estudava-os partindo da estrutura interna de cada movimento messiânico, afim de captar fatores que possibilitariam analisar se um determinado tipo de messianismo é um fenômeno religioso ou fato social. Mas em suas abordagens, Maia Isaura Pereira de Queiroz não desconsiderava nem um nem outro campo do saber, ia mais longe: enxergava o campo religioso não apenas como metáfora da sociologia, mas, sobretudo, como dialetização do social. Podemos identificar o método etnográfico na sua formação como socióloga, isto, talvez, por ser a escola de Chicago quem primeiramente levantou os alicerces das primeiras turmas de sociólogos no Brasil. Mas, mais do que isto, podemos reconsiderar que também a microssociologia foi preponderante e essencial influência na composição de seus estudos. A complexidade dos métodos cabíveis para a análise de tal temática messianismos nos possibilitará repensarmos sobre novas percepções quanto a estudos contemporâneos, tanto relacionados à psicologia social e das religiosidades, bem como dos atuais desdobramentos decorrentes de insatisfações, desilusões e, consequentemente, expectativas renovadas relativas ao cenário brasileiro. O messianismo, seja ele observado como fenômeno social ou religioso, se faz presente não apenas no imaginário das ruralidades, mas, sobretudo, nos grandes centros urbanos.

336 Erika Rodrigues Colombo e Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil) ATELIÊ DE DESENHO DE LIVRE-EXPRESSÃO E SUICÍDIO: REFLEXÃO A PARTIR DA FENOMENOLOGIA DA VIDA 313 O presente trabalho se propõe a apresentar uma intervenção terapêutica, com o objetivo de oferecer apoio a estudantes da USP que já tentaram, ou ao menos pensaram em tentar o suicídio. Tal intervenção é parte de um projeto de doutorado do Instituto de Psicologia da USP, em parceria com o Escritório de Saúde Mental (ESM) criado pela reitoria da USP, em Atualmente, o suicídio está entre as três maiores causas de morte entre pessoas com idade entre 15 e 35 anos e foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, em todo o mundo, no ano de Casos recentes de suicídios entre estudantes da Universidade de São Paulo (USP), ao menos quatro, foram registrados entre maio e junho de A partir disso, foi criado o Escritório de Saúde Mental (ESM), com o objetivo de proporcionar aos estudantes de graduação e pós-graduação acolhimento em relação ao sofrimento psíquico apresentado durante a formação universitária. Dentre os temas prioritariamente abordados pelo ESM, está a questão do suicídio, suas possíveis causas e prevenção. Apesar da ampla gama de fatores de risco, os suicídios são evitáveis. A tentativa prévia de suicídio é o fator preditivo isolado mais importante. Dessa forma, uma intervenção, junto àqueles que já tentaram ou pensaram em cometer suicídio, pode ter importante papel na prevenção. A implementação do Ateliê de Desenho de Livre-Expressão, segue a metodologia desenvolvida pelo psicólogo francês Michel Ternoy, a partir do método de análise fenômeno-estrutural de Eugène Minkowski. A partir da experiência no Ateliê, propomos também estabelecer um diálogo teórico com a fenomenologia da vida de Michel Henry, visando uma melhor compreensão acerca do sofrimento de jovens estudantes universitários no contexto do suicídio. Na teoria de Henry, a violência é tema central, a partir da qual podemos compreender o suicídio como ação destrutiva resultante do ressentimento sendo este uma modalidade da violência originária.

337 Carolina Rodrigues de Oliveira e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 314 C. G. JUNG E E. HUSSERL: APROXIMAÇÕES TEÓRICA E METODOLÓGICA ENTRE PSICOLOGIA ANALÍTICA E FENOMENOLOGIA Algumas ideias elaboradas na Psicologia Analítica de C. G Jung ( ) apresentam ligação direta a alguns fenômenos que estão além da experiência empírico-psicológica, tais como a intuição, sonhos e, até mesmo, imaginação. O fundamento dessas experiências e seus significados que, como analisou Jung, origina os processos psicológicos conscientes e inconscientes em cada ser humano, foi evidenciado com recursos metodológicos para além do dado empírico. Isso se aproxima da proposta fenomenológica de Edmund Husserl ( ), quando propõe que os fenômenos sejam evidenciados em essência, para além do empírico e científico das hipóteses e teorias. O psicólogo americano Roger Brooke tem importante contribuição na aproximação teórica e metodológica entre os estudos junguiano e husserliano, na qual alguns dos apontamentos envolvem a intuição enquanto método para alcançar a amplitude dos fenômenos, a atuação do inconsciente e a complexidade da ordem psicológica. O estudo de Jung enfatiza e contribui para a compreensão do ser humano e o significado dos fenômenos psíquicos, tal qual a proposta de Psicologia Fenomenológica de Husserl. Desta forma, seguindo a proposta de pesquisa qualitativa bibliográfica, este estudo visa um aprofundamento teórico nos estudos que fazem face às duas propostas metodológicas, trazendo os conceitos e estruturações da Fenomenologia e da Psicologia analítica, e abordando os estudos previamente publicados que os correlacionam. Por fim, intenciona-se trazer complemento para a área, principalmente em novos pontos de convergência entre os estudos, nos quais se equiparam e/ou complementam.

338 Julia Tozzi Muraro e Reinaldo Furlan (Universidade de São Paulo, Brasil) 315 CLARICE LISPECTOR E MERLEAU-PONTY: A LITERATURA COMO OBJETO PRIVILEGIADO DE ESTUDO DO SER O objetivo deste estudo é mostrar que a linguagem literária, em particular a literatura moderna, é um objeto privilegiado para o estudo do Ser. Para isso, a obra de Clarice Lispector foi o fio condutor e foram realizadas leituras da obra de Merleau-Ponty, principalmente aquelas sobre a linguagem literária. A obra de Clarice apresenta diversas reflexões poéticas sobre a relação sujeito e mundo, sobre a cognição e a consciência humana da existência. Ademais, a questão da existência humana e da identidade pessoal são sempre colocadas pela autora como processos que nunca terminam, demonstrando um caráter incoativo e inacabado, considerado característico da fenomenologia por Merleau-Ponty. A autora lida o tempo todo com o que parece inalcançável, indizível, refletindo sobre o mundo e como permanecer fiel a ele ao dizê-lo. Assim, ela busca aludir ao indizível sem seguir as regras através de uma tentativa de expressão livre. Isso significa que não é através da nomeação do inominável, ou de situá-lo como um objeto no mundo que o torna compreensível, mas que o fracasso da linguagem permite aludir e fazer sentir algo que escapa. Outrossim, segundo Merleau-Ponty, na fala expressiva não se escolhe simplesmente um signo para identificar uma significação já estabelecida, tateia-se ao redor de uma intenção de significar, sem texto que a oriente, que está para ser escrito. Precisamos considerar que a fala emerge de um fundo de silêncio, que sempre a acompanha e é necessário para que se diga algo. Ou seja, a significação não deriva somente dos signos, mas também de uma significação indireta que existe entre eles. Dessa forma, a expressão artística assim como a fala expressiva, não busca identificar signos e significações, mas desdobrar um sentido incoativo. Como diz o filósofo, as palavras mais filosóficas não são as que encerram o significado no que dizem, mas as que abrem mais energicamente para o Ser. Uma tarefa que consideramos realizada por Clarice em toda a sua obra.

339 Márcio Melo Guimarães de Souza (Universidade Paulista, Brasil) 316 EM BUSCA DE FUNDAMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL PARA PROCESSOS DE COACHING DE CARREIRAS O termo coaching nasceu originariamente no campo dos esportes e foi em 1974, com a publicação de The Inner Game of Tennis, que o conceito de coaching começou a se expandir para o mundo empresarial e para o desenvolvimento pessoal. Desde então, o avanço da produção científica na área é inegável, principalmente no campo da psicologia comportamental e da psicologia positiva. Contudo, não são abundantes os trabalhos que fundamentem o processo de coaching a partir da fenomenologia existencial. Fundamentado em minha experiência como terapeuta existencial, comecei a perceber as relações entre os processos de psicoterapia e coaching. Desde então tenho desenvolvido processos de coaching cuja ênfase está voltada para as escolhas profissionais que o indivíduo já realizou e para aquelas que ainda está para realizar. Tais escolhas são compreendidas dentro de um projeto existencial que é definido pelos sentidos nelas contidos que formam uma narrativa de carreira intimamente ligada com a narrativa pessoal do coachee. Nesta perspectiva, recusamos a separação entre dimensão pessoal e profissional do coachee por entendermos que trata-se de um único Dasein que deve ser compreendido na integralidade de sua existência. É neste ponto que o suporte de autores como Kierkegaard, Nietzshe, Husserl, Heidegger, Sartre e Paul Ricoeur torna-se imprescindível para possibilitar a compreensão da carreira como fenômeno que se mostra sempre a partir de uma existência repleta de sentidos que não podem ser compreendidos a partir de teorias de cunho normativo e generalizante. Para a compreensão da carreira como fenômeno, precisamos ajudar o coachee a compreender sua própria carreira como fenômeno pertencente a sua existência como um todo, a ter consciência de sua implicação nas escolhas que o definem hoje, bem como em suas escolhas futuras. Dentro deste contexto, as escolhas de carreira são compreendidas como o caminho necessário para a realização de um projeto dotado de sentido e localizado em uma existência.

340 Cristian Ceron do Amaral e Bruno Fleck da Silva (Faculdade Antonio Meneghetti, Brasil) 317 EPOCHÉ E REVISÃO CRÍTICA DA CONSCIÊNCIA: APROXIMAÇÕES ENTRE FENOMENOLOGIA E ONTOPSICOLOGIA Edmund Husserl propõe uma psicologia fenomenológica que possa contribuir para tornar claro as intencionalidades do sujeito, e aponta a Epoché, suspensão do juízo, para que seja possível a aproximação da verdade a partir da evidência direta e imediata. A Epoché se distingue em três fases claras e distintas, sendo a primeira, e que iremos abordar neste artigo, a redução fenomenológica. Já a Ontopsicologia, fundada por Antonio Meneghetti, que tem na Psicoterapia de Autenticação como uma de suas principais práticas, toma como base a Revisão crítica da consciência para chegar no sujeito autêntico, íntegro a si mesmo e a seu Projeto de Natureza, a partir da percepção e entendimento da intencionalidade psíquica do sujeito, que se faz primeira e anterior aos complexos e adaptações feitas, inconscientemente, pelo sujeito. Este artigo busca revisitar tanto estes conceitos, quanto suas práticas, e estabelecer uma relação de base entre a Epoché, de Husserl, e a Revisão Crítica da Consciência, de Meneghetti, para, a partir de então, pontuar sobre o quanto a Ontopsicologia toma para si a responsabilidade de possibilitar ao homem a condição de realização de si, em si e no mundo, e se coloca como a realização prática e real da proposta de Husserl, de uma psicologia fenomenológica pautada na intencionalidade e realização do eu. Para a realização deste trabalho, foi adotado como metodologia uma pesquisa qualitativa, sob forma de revisão de literatura, nos campos da filosofia, fenomenologia e Ontopsicologia.

341 Michael Hyon Manoiero Kang e Danilo Saretta Verissimo (Universidade Estadual de São Paulo, Brasil) 318 FENOMENOLOGIA DO OBSERVADOR: A PROPRIEDADE SOCIAL DO TORNAR-SE ATENTO Na fenomenologia, quando se pretende estudar o problema dos crite rios segundo os quais um observador intenciona preferencialmente alguma coisa, e difícil de se evitar o conceito de atença o. Presumindo-se que toda percepça o e realizada por um sujeito social e historicamente situado, na o menos relevantes sa o as circunsta ncias nas quais este sujeito intenciona, isto e, o contexto em que ele percebe. Neste trabalho, investigamos sobre a natureza da atença o, com enfoque a seus aspectos histo rico-sociais, partindo das ana lises feitas por Crary (2013) sobre os discursos cientí icos e iloso icos a respeito da atença o. Objetivamos compreender a tese geral do autor, bem como explorar a natureza e o problema da percepça o atenta no advento e subsequente avanço da modernidade. A pesquisa teve natureza teo rico-conceitual baseou-se no mapeamento e sistematizaça o de material bibliogra ico, em leituras e recenso es analíticoestruturais, interpretativas, e críticas da bibliogra ia selecionada, e na produça o de textos que concretizaram o trabalho de ana lise. Utilizamos me todos de pesquisa teo rica em psicologia e em iloso ia recomendados por Laurenti, Lopes Araujo (2016). Concluímos que, apesar da atença o ser descrita em termos de estabilidade, coere ncia e objetividade, as condiço es sociais que sustentam a modernidade conduzem a estados de devaneio, distraça o, e ambiguidade. Atença o e distraça o coexistem num continuum onde ambas alternam-se incessantemente. Notamos tre s modos atencionais: volunta rio, instintivo, e sugerido; sendo os u ltimos particularmente vulnera veis a te cnicas de manipulaça o perceptiva. Institucionalmente, exigese do sujeito moderno uma atenção contínua hiperfocada, ao mesmo tempo em que ela deve ser volátil e constantemente atraída por diferentes imagens do ambiente no mundo do consumo: deve-se ser um trabalhador produtivo e um consumidor efetivo. Tal paradoxo caracteriza a experiência sensorial contemporânea.

342 Mailza Rodrigues Toledo e Souza (Universidade de São Paulo, Brasil) 319 FENOMENOLOGIA E TRANSFERÊNCIA NO SETTING PSICANALÍTICO Problemas de desigualdade, inadequações da força de trabalho ante a crescente sofisticação do mercado, imigrantes ilegais, injustiça racial e de classe estão na vanguarda das preocupações políticas. Além disso, a Internet, a mesma que paradoxalmente aproxima e distancia as pessoas, tornou ilusoriamente fácil às pessoas diagnosticarem a si próprias, chegando aos consultórios portando diagnósticos válidos atribuídos pelo Dr. Google, com os quais se identificam, mas que não logram resolver problema físico e/ou emocional algum. Diante desse cenário caótico, jamais visto na história da humanidade, é preciso pensar uma psicanálise que dê conta das demandas do Século XXI, ao mesmo tempo crescem a procura espontânea de cidadãos comuns pela formação em cursos habilitantes para psicanálise. Consequentemente, a psicanálise deixou de ser um método terapêutico que privilegie predominantemente a elite cultural, social e econômica como fora nos tempos de Freud. É neste contexto que entra em cena uma metodologia psicanalítica interdisciplinar quer conceba o ser humano holisticamente considerando seus aspectos emocionais, espirituais, mentais, energéticos, culturais... e suas relações com o corpo, ou seja, vivenciamos um colapso da subjetividade e da intersubjetividade suo psicanalista contemporâneo precisa munir-se de um arsenal analítico muito mais vasto para atender as demandas de um contexto social em rápida e incessante mutação, no qual tudo acontece a jato requerendo que as sessões sejam cada vez menos frequentes e simultaneamente cada vez mais flexíveis e efetivas. Neste trabalho pretendo articular as relações entre fenomenologia e psicanálise, a partir de referenciais teóricos pertinentes às teorias psicanalíticas e fenomenológicas, em especial a psicanálise de orientação lacaniana e transmatriscial de Thomas H. Ogden e a psicologia profunda de Bertrand Russell. Embora o estudo esteja alicerçado em uma fundamentação teórica, o enfoque principal sobre o qual incide essa reflexão será a experiência clínica e os processos existências gerados no setting, que produzem uma transformação clínica e existencial na vida do paciente. Sendo assim, trata-se de uma apresentação que pretende ilustrar as teorias propostas a partir do registro de breves vinhetas clínicas nas quais, acredito, acontecem o fenômeno transferencial.

343 Ana Paula Bolzan Monteiro, Ana Carolina Marzzari, Eloisa Vieira Ribeiro e Breno Prado da Silva (Faculdade Antonio Meneghetti, Brasil) 320 FENOMENOLOGIA FILOSÓFICA E HUMANISMO: UMA ANÁLISE POR MEIO DAS TEORIAS HUSSERLIANA E ONTOPSICOLÓGICA A presente pesquisa trata da fenomenologia filosófica e do humanismo, seguindo a visão abordada por Edmund Husserl e por Antonio Meneghetti, dentro da ciência ontopsicológica. Detendo-se de questionamentos sobre a consciência do ser humano, tendo em vista que ambos os cientistas, citados anteriormente, tratam dessa temática. Assim sendo, o principal objetivo desta pesquisa é fazer uma correlação entre essas duas visões que permearam por tempos diferentes, sendo a fenomenologia caracterizada com um viés filosófico de pensamento, trazendo como premissa a experiência vivida pelo ser humano. Tendo como enfoque, também a realidade daquela situação, daquele indivíduo, que é dado e baseado em imagens, que por vezes é consciente e por outras inconsciente. Para alcançar tal objetivo foi realizada uma pesquisa bibliográfica, com base em publicações científicas, periódicos, livros, anais, por meio do modo dedutivo partiu-se dos conceitos gerais da fenomenologia filosófica e humanismo, para as visões de Husserl e Meneghetti. Como resultados se verificou semelhanças entre as teorias dos cientistas, que trazem uma visão de que o fenômeno acontece apenas quando se conscientiza aquela realidade. A consciência do ser humano é plástica e temporal, a qual se mostra por meio de imagens, que pode se dar por sonho, mimica, fisionômica etc., mas que por vezes são inconscientes e para torná-las conscientes requer-se de meios metódicos, de modo que tornam consciente aquilo que não se vê conscientemente.

344 Carmen I. D. Spanhol (Faculdade Antonio Meneghetti, Brasil) 321 FORMAÇÃO CONTINUADA EM ONTOPSICOLOGIA: SIGNIFICADOS E SENTIDOS Neste artigo apresentam-se contribuições dos modos de apropriação do método ontopsicológico e os motivos que levaram professores do Ensino Superior a buscar essa formação. Tem por objetivo relatar os significados e sentidos atribuídos à formação em Ontopsicologia pelos profissionais que a compreendem e aplicam em atividades de sala de aula. A metodologia da pesquisa fundamenta-se no enfoque fenomenológico-hermenêutico e os participantes foram seis professores universitários, com idade e tempo de serviço variados. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista em profundidade, de caráter narrativo. Os resultados estão expressos em um mapa conceitual e contextualizados com fragmentos das falas dos entrevistados. Os dados apontam que o motivo básico que os levou à formação no método em estudo, se relaciona à busca existencial. Evidenciam a dimensão pessoal do professor como base para a qualidade do seu trabalho. Constata-se que a aplicabilidade do método permite ao professor ampliar a consciência de si mesmo e compreender a dinâmica da aula, por meio da leitura de campo semântico. Para os professores pesquisados, a formação continuada implica em mudanças contínuas no seu fazer, momento a momento em todas as esferas da vida. O professor que conquista sua autonomia, torna-se um profissional autêntico e, à medida que exterioriza aquilo que é, no amor ao seu trabalho, contribui intensamente para a ordem social de modo natural.

345 Alice Vignoli Reis e Mônica Botelho Alvim (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) 322 HORIZONTES ABERTOS: REFLEXÕES SOBRE OS POSSÍVEIS IMPACTOS POLÍTICOS DE UM DESCENTRAMENTO DA NOÇÃO DE SUBJETIVIDADE Esta comunicação visa apresentar um desenvolvimento filosófico acerca dos possíveis impactos políticos de um descentramento na noção de subjetividade. Este desenvolvimento - que tem como principal referência o pensamento de Merleau-Ponty - vem sendo realizado no âmbito de uma tese de doutoramento em psicologia. O estudo deu-se a partir da constatação de que nosso atual modo de produção econômica e, consequentemente, nosso modelo político, está profundamente ancorado em uma produção subjetiva regida pela lógica do indivíduo, que reconhece o ser humano como centrado em si mesmo, apartado da natureza e dos demais, continuamente empenhado na manutenção dos próprios interesses.considerando que essa figura do indivíduo extrai o senso de si de uma imagem que é vivida como essência e que assim precisa manter-se idêntica a si mesma (Rolnik, 1999), cremos ser possível afirmar que essa lógica de produção subjetiva está intimamente imbricada com a intensificação da experiência do medo e da violência na sociedade contemporânea. Dentro desta lógica haveria um fechamento ao contato com a alteridade e a diferença, uma vez que a transformação inevitável que ocorre neste contato seria vivida como um colapso da própria subjetividade. Levando em consideração o atual movimento de ressurgimento do fascismo enquanto prática política cotidiana, a investigação a que nos propomos neste trabalho e que pretendemos compartilhar nesta comunicação nos parece fundamental. Nosso caminho de reflexão parte da ontologia da carne de Merleau-Ponty, desenvolvimento último de seu trabalho de pensamento, em que ele se aprofunda na questão do descentramento da subjetividade. A partir do diálogo com outros autores que abordam a obra de Merleau-Ponty, como Renaud Barbaras e Luiz Damon Moutinho, traçamos uma reflexão sobre a relação entre este descentramento e a possibilidade de emergência de novas formas coletivas de vida, que não estejam calcadas numa ideia privatista e solipsista da subjetividade.

346 Rhayssa Ferreira Brito e Ione Marinho (Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco) 323 HUMANIZAÇÃO EM UTI: DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES Os diálogos interdisciplinares de humanização em ambientes de Terapia Intensiva são de extrema importância diante da aplicação de diversas tecnologias de suporte a vida existentes. O diálogo entre equipe, paciente e família poderá ser atravessado pelas diversas caraterísticas do serviço, tais como os resultados esperados naquele ambiente, a duração do tratamento, as condições clínicas do paciente, manejo da dor e a experiência de cada sujeito envolvido neste processo de cuidado. Diante destas questões, faz-se necessário um trabalho integrado nestes serviços, para refletir sobre a finalidade do cuidado sem saúde, baseado em diversas questões: do que estou cuidando? de mais uma condição clínica? de um corpo adoecido? ou de uma pessoa? Levando em consideração estas indagações, como também a demanda de diálogo sobre humanização e presença da família no ambiente de UTI, uma série de treinamentos foram instituídos para os profissionais de saúde que atuam nas unidades de terapia intensiva do Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco localizado na cidade do Recife- PE. Baseando-se na obra de Gadamer, o carater oculto da saúde foram ofertadas rodas de treinamento e diálogo, partindo da reflexão de que a doença não caracteriza-se somente como uma perca de equilíbrio do corpo, nem um fato médico-biológico, mas um processo histórico de vida e social. O intuito destas ações, é de que além do foco em questões técnicas próprias do suporte intensivo as questões biológicas, é que a equipe de forma interdisciplinar foque também nas questões humanas, sociais, individuais do sujeito adoecido, familiares e preferências. Como resultado, estas ações fizeram os profissionais refletirem a partir de questões levantadas através de suas próprias experiências de vida, a importância do cuidado integrado, levando em consideração o paciente e seus familiares dentro deste processo e melhorar a qualidade da assistência neste ambiente.

347 Debora Elianne Rodrigues de Souza (Projeto Social Vivencer) 324 INFÂNCIA, AFETIVIDADE E RELAÇÕES RACIAIS: A CONTRIBUIÇÃO DA FENOMENOLOGIA O presente trabalho tem como objetivo compartilhar reflexões iniciais, advindas do processo de atendimentos individuais realizados junto às crianças negras, em um Projeto Social implantado dentro de um espaço religioso de matriz africana, cujo objetivo é a oferta de Apoio Psicológico e Educativo. A intervenção proposta está ancorada no pensamento de Paulo Freire e na perspectiva de Merleau Ponty. Parte-se do pressuposto de que a única forma de compreender o modo de ser da criança, é ouvindo o que elas têm a dizer e, assim, acolhê-las a partir de seu ponto de vista. Neste sentido, entende-se que há que se dar atenção ao que é comum a muitas crianças e, ao que é muito próprio daquela criança específica, tendo em vista a singularidade de suas vivências e os processos históricos e culturais constituinte do seu modo de estar no mundo com os outros. Assim, a escuta atenta de crianças, têm demonstrado, entre outros, o quão primordial é fazer um recorte racial, para compreender e (re)conhecer a especificidade do trânsito da criança negra no mundo, considerando para isso, toda vivência da corporalidade, da outridade, da linguística, da temporalidade e da espacialidade constituinte da mundaneidade da criança negra. Neste contexto, a intervenção psicoeducativa de orientação fenomenológica, tem se mostrado eficaz, na medida em que ao considerar a relatividade da verdade e a perspectiva de olhar, se disponibiliza ao acolhimento da questão, tal como se apresenta e, abre possibilidades de utilização de diferentes estratégias com objetivo de apresentar outras possibilidades de compreender a situação vivenciada e, assim, abrir caminhos para que seja possível a (re) construção de novos jeitos de habitar e co-habitar o mundo, pautados em uma perspectiva crítica, libertária, afetiva e emancipadora.

348 Najla Ferreira Martins e Mariane Ranzani Ciscon Evangelista (Centro Universitário de Maringá-Unicesumar, Brasil) 325 INTERDISCIPLINARIDADE NO TRABALHO DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO E PROTEÇÃO A FAMÍLIAS E INDIVÍDUOS O Brasil é um país marcado pelas diferenças econômicas, sociais, raciais e de gênero, o que leva milhares de pessoas à marginalização, e concomitantemente a terem seus direitos fundamentais violados. Desta forma, o presente trabalho tem por objetivo caracterizar a população de adolescentes que frequentam o grupo de adolescentes realizado pelo Serviço de Execução de Medida Socioeducativa (SEMS) em conjunto com a Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) e Atenção às Famílias dos Adolescentes Internados por Medidas Socioeducativas (AFAI). Quanto à metodologia, a pesquisa foi realizada durante 20 encontros semanais, divididos em dois momentos, no Centro de Referência Especializada de Assistencial Social (CREAS) da cidade Sarandi/PR. A amostra é constituída por 11 adolescentes, sendo sete que participam do (SEMS) e quatro que participam do (PAEFI). A maioria dos adolescentes são do gênero masculino (2 do gênero feminino e 9 do gênero masculino), com idade entre 13 e 17 anos, possuem baixo nível de escolaridade e/ou não estudam, têm renda familiar de até três salários mínimos e são usuários de substâncias psicoativas, especificamente maconha. Os encontros ocorreram de forma semiestruturada, ou seja, a partir da demanda, escuta dos adolescentes foram trabalhadas algumas temáticas como: violência, substâncias psicoativas, família, educação/trabalho, autoestima/autopercepção, entre outras. O trabalho com as diferentes temáticas contribuiu para o diálogo intragrupo, compreensão e reflexão acerca dos temas correlacionados as vivências dos adolescentes. Com base no exposto, ressalta-se a importância do trabalho interdisciplinar, a compreensão do indivíduo em sua integralidade. Os profissionais que se inserem nesse meio devem aferir o indivíduo em seu contexto, de forma a captar as reais necessidades e dificuldades desses adolescentes e suas famílias, proporcionando apoio e proteção a essas.

349 Washington Ramos dos Santos Junior (Universidade de São Paulo, Brasil) 326 LUGAR, COTIDIANO, EXISTÊNCIA: FENOMENOLOGIA E PATRIMÔNIO Propomos com este trabalho entender que a relação entre homem e natureza funda tanto o próprio homem quanto a Geografia isso é claramente percebido por meio da compreensão dos seus símbolos e das suas mitologias, e nesse sentido a técnica assume importância fundamental. A técnica individualiza um grupo perante outro e, por isso, lugar, cotidiano e existência adquirem singularidades que sustentam a ciência geográfica. O lugar é o pertencimento a determinado local da superfície terrestre que, contudo, não pode ser reduzido a identificação do indivíduo, sob pena do surgimento de determinismos e de ideologias quando estes se referem a outrem. A existência é dada pelas práticas cotidianas, muitas vezes permeadas por técnicas próprias que condicionam o vestir, a alimentação, os hábitos, as festividades, os fazeres e os sentidos da vida humana na Terra. O patrimônio é justamente esse pertencimento imbricado ao cotidiano e à existência humanos e, portanto, é fruto das técnicas adaptativas dos grupos sociais ao ambiente em que vivem. Desse modo, parece-nos indissociável técnica e arte, a que, por sua vez, permite a transcendência do homem. Se não há arte, não há homem, e não há Geografia. O patrimônio imaterial, independente de sua categorização, conta-nos sobre o processo, vivo, de manutenção de determinado grupo social, de suas práticas cotidianas, dos sentidos atribuídos à vida e das técnicas utilizadas para sua existência. Isso é profundamente geográfico, uma vez que é a técnica que possibilita a mediação entre homem e natureza. Nesse sentido, a fenomenologia é recurso fundamental à análise, uma vez que permite compreender as mudanças ao longo do tempo, e perceber, no presente, como essas simbologias se manifestam. Ademais, a constituição das memórias relacionadas às celebrações é fundamental para a determinação da significância do patrimônio imaterial. Utilizamos neste artigo, como exemplo, o São João do Semiárido nordestino.

350 Juliana Fick de Oliveira, Breno Prado da Silva, Carmen Ivanete D'Agostini Spanhol e Maria Clara Mahlke Ranoff (Faculdade Antonio Meneghetti, Brasil) 327 METODOLOGIA INOVADORA INTERDISCIPLINAR E HUMANISTA NA FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA APLICADA NA FACULDADE ANTONIO MENEGHETTI O objetivo do presente relato é destacar recentes pesquisas que apresentam uma metodologia inovadora interdisciplinar e humanista desenvolvidas na Faculdade Antonio Meneghetti (AMF). A metodologia utilizada para este fim foi uma pesquisa bibliográfica. A ênfase destacada toma por base pesquisas de professores da AMF no período de 2013 a Um dos estudos realizados com professores da IES fez uso da metodologia fenomenológica hermenêutica para compreender os significados e sentidos da formação continuada de professores do ensino superior que utilizam o método ontopsicológico na sua formação. A pesquisa realizada em 2014 apresenta a pedagogia ontopsicológica como uma metodologia que auxilia na formação de jovens líderes, preparando-os para o mercado de trabalho atual. Na pesquisa que aborda o processo de formação da Instituição, destacamos que foram verificados os resultados da Formação Ontopsicológica Interdisciplinar Liderística (FOIL), analisadas as visões dos alunos desta faculdade acerca de seus professores e comparadas com as de alunos de outras instituições, e então evidenciados os efeitos resultantes da prática interdisciplinar do corpo discente. O estudo mais recente, realizado em 2018, aponta que a metodologia utilizada na Faculdade Antonio Meneghetti tem características particulares de incentivo à formação empreendedora e se diferencia das outras instituições de ensino superior. Cruzando os resultados dos autores citados, compreende-se que quando é utilizada a metodologia ontopsicológica obtém-se resultados positivos na formação pessoal, profissional e existencial de alunos e professores.

351 Cristián Martínez Bravo (Universidad Diego Portales, Chile) 328 NORMS IN NATURE: A PHENOMENOLOGICAL DISAGREEMENT In the recent enactivist literature, some authors have pointed out that norms in nature can arise from a biological, naturalistic account centered in the structural processes through which any organism is coupled with its environment (Weber & Varela, 2002; Di Paolo, Rohde & De Jaegher, 2010). This coupling is understood as being he source of not only meaning in life, but also of a kind of normative dimension established between brain, organism and its environment which is a necessary condition for life. Norms in life, according to the enactivist view, could arise in strict cientific terms or, in other words, norms in life corresponds to a very strict naturalistic framework of investigation. On the other hands, some enactivists have remarked the necessity of going to phenomenology as a methodological remedy for the subjective part of being a living organism (Varela, 1996; Weber & Varela, 2002; Thompson, 2007). Despite the above, a philosophical understanding of norms should conclude that the scientific view is insufficient in giving the right place to norms in nature, because it involves treating them without teleological language, or reduce them to statistical data (Okrent, 2018). In other words, there is a philosophical dimension of research, doesn t opened to the scientific one which shouldn t be reduced to this dimension. In this talk I argue that norms in nature should open the possibility to talk about transcendental traits of normativity in life. My presentation consists in: a) a discussion of the philosophical insufficiences of the concept of sense-making (Varela &; Weber, 2002; Di Paolo, 2005; Thompson, 2007) by a phenomenologico-transcendental stance; b) a positive extension of this concept sccafolded by a phenomenological concept of norm; c) a conclusion bout the necessity of widening the current polisemical concept of naturalism.

352 Fernanda Brockmann Vanassi (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil) 329 O EU-PELE, A CARNE, A ALTERIDADE: INTERLOCUÇÕES ANZIEU/MERLEAU-PONTY Este trabalho tem como objetivo compreender o papel da alteridade na constituição subjetiva e suas articulações com a corporeidade e as experiências sensoriais. Para tal, lançamos mão das contribuições da psicanálise e da filosofia, mais especificamente, da fenomenologia contemporânea, no que diz respeito ao corpo. Tendo em vista a compreensão da relação euoutro na constituição psíquica, voltamos a nossa atenção para os conceitos de Eu-pele e de carne desenvolvidos por Didier Anzieu e Maurice Merleau-Ponty, respectivamente. Inicialmente, revisamos algumas formulações da psicanálise freudiana voltadas para o corpo, principalmente o conceito de eu-corporal, buscando abrir caminho para a investigação da teoria desenvolvida por Anzieu. Em linhas gerais, Anzieu elabora a noção de Eu-pele como uma metáfora para explicar a representação de si mesmo do bebê a partir das experiências da superfície do corpo, em especial, fornecidas pelos cuidados maternos. Passando para o estudo de Merleau-Ponty, descobrimos o conceito de carne enquanto tecido ou entrelaçamento entre sujeito e mundo, superfície que constitui o horizonte da experiência intersubjetiva. O autor desenvolve a noção de consciência encarnada, a qual resume a ideia de sujeito constituído a partir de sua experiência perceptiva do mundo e do outro. Para os dois autores, o eu surge a partir da experiência sensível, sendo tarefa do corpo organizar os dados sensoriais antes mesmo de passar para a consciência reflexiva. Além de evidenciar que a dimensão da corporeidade é fundamental para o desenvolvimento psíquico, emocional e cognitivo, este estudo deixa claro o aspecto relacional do processo de subjetivação, presente nos dois autores.

353 Sophia Borges (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) 330 O EXISTENCIALISMO NA CLÍNICA DE OLIVER SACKS: DIÁLOGOS COM A NEUROCIÊNCIA Diante do crescente predomínio das abordagens comportamentais em diversos campos da neurociência, torna-se necessário resgatar outras possibilidades de embasamento teórico para atuação clínica em áreas como a neurologia, a psiquiatria e a neuropsicologia. Nesse contexto, as perspectivas fenomenológicas se apresentam como uma via para a reestruturação dessas disciplinas, oferecendo oportunidades para o desenvolvimento de práticas clínicas que busquem compreender o sujeito em sua totalidade. Nessa direção, o neurologista Oliver Sacks se destacou por trazer perspectivas fenomenológicas, particularmente da fenomenologia da percepção, para o campo neurológico, visando estabelecer uma clínica que entendesse a construção da imagem do corpo como resultante da descrição de uma experiência subjetiva e do reconhecimento de um sujeito em um campo de ação. Além disso, trabalhou constantemente com a produção subjetiva da narrativa do caso clínico como forma de resgatar o sujeito nas ciências médicas, trazendo à tona sua materialidade. Em Witty Ticcy Ray, Oliver Sacks analisa o caso de um paciente diagnosticado com Síndrome de Tourette, buscando reconstituir sua historicidade e compreender sua situação como sujeito no mundo, para além do reconhecimento nosológico da patologia. Neste trabalho, tomamos como referência o conto citado para a reflexão sobre a atuação clínica nas áreas ligadas à neurociência. Para isso, analisamos, a partir da perspectiva sartreana, os conceitos de temporalidade, situação, liberdade e projeto descritos na trajetória do paciente, assim como a condução do caso e as práticas realizadas por Sacks. Pretendemos, com isso, contribuir para a elaboração de uma clínica não reducionista, capaz de se debruçar sobre a situação do sujeito em sofrimento em sua relação com a realidade orgânica.

354 Wanderson Alexandre da Silva Quinto e Adelma Pimentel (Universidade Federal do Pará, Brasil) 331 UMA ARTICULAÇÃO FENOMENOLÓGICA HERMENEUTICA ENTRE OS CONCEITOS DE CIBERESPAÇO, HABITAR E ESPAÇO Este ensaio objetiva realizar uma articulação entre o conceito de Cibercultura produzido por Pierre Lévy; e os de habitar e de espaço elaborado por Heidegger em Ser e Tempo. Especificamente examinamos a contribuição dos autores sobre a filosofia da tecnologia, pois refletimos sobre o uso crescente da internet e da Tecnologia de Informação e Comunicação, pelos internautas nas redes sociais, e que se configuram como modos subjetivos de existir e se relacionar. Pensamos ainda a postura ética dos usuários. A cibercultura abrange as normas de relacionar; enquanto o habitar e o espaço estão relacionados a vivência do mundo em uma conjuntura política e sociológica. Logo, habitar é morar em um local e desdobramentos multidimensionais da vivência, da envoltura com a comunidade, da cultura e demarcação territorial no espaço e tempo. Também, o mundo é sempre compartilhado favorecendo a relação entre subjetividade e a alteridade. Por meio de um embasamento fenomenológico hermenêutico consideramos que, no ciberespaço as relações se constituem como um convite à redescoberta dos sentidos do mundo, da existência humana e da potência igualitária, entre o atual e o virtual. O ciberespaço configura uma recriação coletiva da vida social, proporcionando outras maneiras de compartilhar, usufruir, de performances com efeitos subjetivos paradoxais. Este movimento vem acompanhado de encantamentos, benefícios, ameaças e de precária autocritica dos usuários. Em tempos de interação, informação e sociabilidade aparece no ciberespaço a dissolução da ética do justo; é instalada a desarmonia social, e a classificação do humano como mercadoria, em uma estreita relação com o poder proveniente do mundo capitalista. Simultaneamente é ampliada a criatividade, o entretenimento e a elaboração compartilhada de textos e discursos.

355 Laís Soares da Silva e Sarah Miguel Rodrigues (Universidade do Estado de Minas Gerais, Brasil) 332 O MEDO DO PARTO COMO CONSTRUÇÃO INTERDISCIPLINAR: PROPOSTAS E REFLEXÕES PELO VIÉS FENOMENOLÓGICO Considerando que é através da linguagem, verbal ou não verbal, que o sujeito se apropria da realidade ao seu redor e, na mesma medida, exterioriza as significações dadas aos elementos desse contexto, no presente trabalho o direcionamento da questão se atenta ao fenômeno da caracterização da dor do parto, vivida ou imaginada, e a influência cultural sofrida pela mesma. Considerando, ainda, o contexto e os interesses institucionais como obstáculos a serem superados, na hipótese de que estes exercem papel fundamental na consolidação dessa visão do parto como um fenômeno aterrorizante. Logo, o propósito inicial da pesquisa se ocupou de reconhecer no discurso das gestantes entrevistadas, elementos que confirmassem a influência exercida pelo modelo de atuação médica no pré-natal e, principalmente, no momento do parto, na constituição da representação que as mulheres gestantes dão ao momento de parir. Para tanto, a primeira etapa da pesquisa foi realizada no segundo semestre de 2018, na Unidade Mista de Saúde II da cidade de Ituiutaba-MG, tendo como público alvo as mulheres grávidas usuárias do serviço de saúde ofertado pelo SUS. A metodologia escolhida foi aplicação de questionários semi-estruturados, estes foram lidos pelas aplicadoras em forma de entrevista, para garantir a compreensão em caso de dificuldade de interpretação. Na primeira etapa, os resultados sugerem que a caracterização do parto como evento doloroso e temido prevalece no cenário em questão: o medo da dor vem atrelado a uma série de questões, nasce na desinformação, perpassa pelo protagonismo médico e desemboca na patologização. Essa representação medonha, além de pouco naturalista, é também geradora de mal estar entre as gestantes, realidade que precisa ser superada. Dessa forma, sugere-se o empoderamento feminino e a democratização do saber como ferramentas primordiais para a ressinificação desse fenômeno tão singular que é o dar luz à uma vida.

356 Andrés Eduardo Aguirre Antúnez, Erika Rodrigues Colombo e Florinda Martins (Universidade de São Paulo, Brasil) 333 O SUICÍDIO À PROVA DO AMOR DE SI: ROUSSEAU E MICHEL HENRY A fenomenalidade do suicídio em Michel Henry prende-se com a fenomenalidade de si e é desenvolvida no âmbito do desespero de Kierkegaard logo em 1963, no início da sua obra filosófica, A Essência da Manifestação e, em 1996, aparece como fenomenalidade da ocultação da vida social que, em O cadáver indiscreto, transforma o homicídio em suicídio. Por isso já em 1987, em A Barbárie, o suicídio, aparece não como uma de entre as múltiplas formas de violência que apela à revisão da fenomenalidade da intersubjetividade, mas como a forma de violência eminentemente social, na esteira de Gabriel Tarde, nesta obra referido. Ora é no âmbito da fenomenalidade de si que a intersubjetividade, em Michel Henry, se desenvolve. E a fenomenalidade de si apresenta-se como a fenomenalidade do sentimento de se sofrer a si mesmo. Esta posição de Michel Henry tem dado azo a múltiplos equívocos que, mais do que falsear o pensamento de Henry, bloqueiam as suas potencialidades naquilo que à fenomenalidade do sofrimento diz respeito. Ora iremos mostrar que, em Michel Henry, sofrerse a si mesmo é equivalente ao amor de si de Rousseau, tal como mostrou Paul Audi no primeiro colóquio internacional consagrado a Michel Henry, em Cérisy Paul Audi mostra que é a partir da equivalente expressão de Descartes il me semble tomada por Rousseau do francês e tomada por Henry do latim at certe videre videor que a fenomenalidade da intersubjetividade como sentimento de si, sentimento do amor e do desamor de si, se desenvolve. Mostraremos a importância dessa fenomenalidade no trabalho do terapeuta com jovens com ideações suicidas em contexto de Ateliê de pintura. O recurso que faremos à linguagem por eles expressa na pintura mostrará que sentimento de si - l epreuve de soi e linguagem matricial da vida - première langue - de nosso viver, são a matéria fenomenológica das as atividades realizadas em Ateliê de pintura que corpoapropriadas transfiguram o insuportável do sofrimento. Apoio: FAPESP e CNPq.

357 Gabriel Leva França Maciel e Reinaldo Furlan (Universidade de São Paulo, Brasil) OUTREM E O MUNDO HUMANO NA OBRA O ESTRANGEIRO DE CAMUS: UMA LEITURA FENOMENOLÓGICA 334 O objetivo deste trabalho é realizar uma leitura da obra O Estrangeiro de Albert Camus, publicado em 1942, através da perspectiva fenomenológica de Maurice Merleau-Ponty, mais precisamente, a construída em sua obra Fenomenologia da Percepção (1945). Mais precisamente, pretende-se analisar as passagens de Mersault, protagonista da obra camusiana, utilizando-se dos princípios elaborados por Merleau-Ponty como base teórica para tal leitura, dentre os quais privilegia-se a questão do Outro e o vínculo com a sociedade, no eixo que trata precisamente da imbricação entre liberdade e situação, da inserção em um mundo tornado ao mesmo tempo dimensão de abertura e transcendência. Assim, a construção da personagem camusiana será confrontada, desde a relação com sua mãe que, morta, traz o início dramático da obra e que a permeia até o fim; seu relacionamento com Marie (par romântico); o assassinato do árabe, que parece quase desmotivado na praia; até o julgamento que sela a sentença do protagonista, com a aparente falta de sentido das contingências humanas em sua forma social, para Mersault. Considerando que desde que conhecemos e julgamos estamos sempre situados e vinculados ao mundo social, busca-se demonstrar a ausência desses vínculos para Mersault. O personagem, que é mostrado como um estrangeiro na sociedade, trata as cerimônias e as tradições humanas como simples arranjos de cores e de luz, destituindo-as do valor de sua significação humana. Demonstra-se então, como o protagonista representa a ideia do divórcio entre o homem e o mundo chamada por Camus de Absurdo, tese que parece contrariar o sentido geral da obra de Merleau-Ponty, que destaca o movimento de vínculo espontâneo da experiência do corpo próprio em direção ao mundo e ao outro. No caso de Merleau-Ponty, destacam-se, assim, a presença do mundo e de outrem na formação do sujeito e como ambos são o terreno fértil para a abertura do corpo ao Ser.

358 Bianca Holanda Lopes e Márcio Melo Guimarães de Souza (Universidade Paulista, Brasil) 335 PRESSÃO PELO SUCESSO E A VIVÊNCIA DA TEMPORALIDADE POR JOVENS DE 18 A 25 ANOS A pesquisa teve como objetivo analisar como os participantes percebem a pressão pelo sucesso exercida pelos ideais sociais, como isso os afeta e como isso influencia sua vivência da temporalidade e sua saúde mental. Foram entrevistadas doze pessoas, sendo seis mulheres e seis homens, com idades entre 18 e 25 anos. Identificou-se em seus depoimentos a forma como cada um dos indivíduos compreende o sucesso e o que fazem em suas vidas para alcançá-lo. Por meio dos relatos, pode-se analisar como esse processo de alcançar o sucesso tem afetado a vida dos jovens e tem feito com que se sintam a cada dia mais pressionados a realizarem coisas muito cedo. Também percebeu-se que as expectativas de outras pessoas próximas com relação ao sucesso tem influência nas escolhas que os participantes fizeram, ainda que não tenham sido escolhas por vontade própria. Desta forma a hipótese deste estudo foi confirmada, uma vez que foi constatado que os jovens se sentem pressionados por conta das expectativas e ideais sociais e que têm planos e metas estabelecidos de acordo com esses ideais, e também ao constatarmos que alguns desses jovens sentem-se ansiosos e estressados por conta das exigências. A forma como estes jovens se relacionam com o tempo também encaixou-se com o que foi proposto na hipótese: vivendo cada dia menos voltados para o presente e mais preocupados com o futuro que percebem como algo muito próximo. Com isso, pode-se observar que alguns dos participantes têm sua saúde mental negativamente afetada durante a juventude, na busca de se encaixarem no ideal de sucesso. Os resultados desta pesquisa chamam a nossa atenção para a discussão sobre de que forma a vida e a saúde mental destes jovens estão sendo afetadas pela pressão social imposta e podemos pensar como a psicologia poderá direcionar suas práticas e intervenções sobre os modelos de sucesso e relações de trabalho que existem hoje em nossa sociedade.

359 Maria de Nazareth Rodrigues Malcher de Oliveira Silva e Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel (Universidade Federal do Pará e Universidade de Brasília, Brasil) 336 ESCUTA E CUIDADO INTERDISCIPLINAR DA EXPRESSÃO COTIDIANA DE PESSOAS OUVIDORAS DE VOZES O movimento antimanicomial promoveu em saúde mental a ampliação de terapêuticas, além das medicamentosas, voltadas para as atividades laborativas e inserção social. Um dos focos está na autonomia, integralidade e expressão subjetiva dos fenômenos psíquicos de pessoas em sofrimento psíquico grave, como o Grupo de Ouvidores de Vozes, que surgiu nos anos 80 do século XX na Holanda, como um movimento que considera a experiência, e não unicamente a concepção do sintoma de alucinação auditiva. Assim, a vivência do ouvidor de vozes é o tema do trabalho com o objetivo de identificar na literatura cientifica, período de 2005 a 2018, as abordagens da experiência, da representação de ouvir de vozes, e do manejo laboral do cotidiano, em que o ouvidor se insere. O método utilizado foi de revisão narrativa. As fontes foram pesquisadas no portal de periódicos da CAPES. Encontramos 30 artigos em português e inglês. Os descritores foram saúde mental, esquizofrenia, ouvidores de vozes. Os dados foram organizados em uma planilha temática e analisados com foco na narrativa da linguagem e apresentados descritivamente. Entre os resultados identificamos que os artigos focalizam, principalmente a caracterização da experiência de ouvir vozes, associada a vivências traumáticas, e as consequências no dia a dia, o que dificulta o desempenho de atividades laborativas. Além disso, cinco estudos de análise fenomenológica descreveram a experiência como própria do ouvidor, pouco compartilhada, ligada à biografia da pessoa. Ressaltamos que, os conteúdos encontrados na literatura brasileira expuseram a caracterização das tipologias da experiência de ouvir vozes; enquanto a internacional apresentou a abordagem psicopatológica fenomenológica descrevendo à experiência de vivência de mundo e dos aspectos intersubjetivos do fenômeno no cotidiano das pessoas. Ressaltamos a importância de estudos empíricos que envolvam esta experiência, com foco fenomenológico, para melhor compreensão do fenômeno.

360 Jenifer Cortes Demeterco e Joanneliese de Lucas Freitas (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 337 A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA COMO EXPERIÊNCIA DE ALTERIDADE: A OBRA DE ARTE COMO QUASE-SUJEITO As reverberações da arte na vida humana são frequentemente temas de debates e reflexões. A psicologia e a filosofia também se voltam a esse problema sob diferentes perspectivas. Sob o viés da fenomenologia, pode-se afirmar que a experiência diante da obra de arte enquanto objeto estético trata-se de experiência análoga àquela vivida diante do que nos é diferente. Este trabalho tem por objetivo refletir acerca da experiência estética como experiência de abertura ao mundo e à alteridade a partir dos estudos do filósofo francês Mikel Dufrenne, que escreveu o mais extenso estudo a respeito da estética em fenomenologia. Dufrenne dedicou-se a pensar a experiência estética, a experiência do espectador diante da obra de arte, como experiência exemplar, por revelar a co-substancialidade entre o existente e o mundo, remetendo a um horizonte ontológico. Supera-se, assim, o paradigma dicotômico sujeito e objeto ao entender que um transcende e exige o outro. Trata-se de uma solidariedade existente sem que haja subordinação, uma reciprocidade particular e constituinte. Quando o espectador se abre ao sensível que se manifesta na obra de arte por meio de uma percepção estética, ocorre um entrelaçamento entre o observador e o objeto que ele visa, o que os conecta intensamente e faz com que não haja cisão entre eles. É pela percepção estética que a obra de arte se torna um objeto estético, possibilitando, por conseguinte, a experiência estética. Para que isso ocorra, portanto, é necessária a presença sensível do humano. Compreendendo que há um elemento de subjetividade na obra, que diz respeito à subjetividade do autor que a criou, e que o objeto estético nos propõe um mundo, Dufrenne toma a obra como um quase-sujeito. Desse modo, compreender esteticamente a obra é uma experiência comparável à compreensão da alteridade, atividade de abertura para novas significações e possibilidades.

361 Thiago de Paula Cruz (Faculdades Integradas Campos Salles, Brasil) 338 SONIC THE HEDGEHOG E SEU CARÁTER ÉTICO E ESTÉTICO O problema que norteou a presente pesquisa é: como é a experiência de jogar Sonic the Hedgehog. Tendo isto em mente, o objetivo estabelecido por tal problema é compreender a experiência de se jogar Sonic the Hedgehog. Este jogo, lançado no ano de 1991 para o sistema Mega Drive possui o nome de seu protagonista e possui títulos em sua franquia sendo produzidos até os dias de hoje (tanto jogos de videogame como também quadrinhos, desenhos animados e filmes). Utilizando por base o relato de uma experiência completa do jogo (do início até o final), utilizamos o método fenomenológico tal qual proposto por Husserl (2006) em diálogo com outros autores como Merleau-Ponty (1994) e Gadamer (1998). Nesse processo, desvelamos duas categorias que descrevem o fenômeno em questão: o caráter ético do jogo; e o caráter estético do jogo. Ambos aparecem como tendo relação íntima com aquilo que Huizinga (1996) chama de "tensão" durante o jogo e que podemos descrever como angústia e ansiedade (CRUZ, 2010). Dessa maneira, o caráter ético se manifesta tanto com relação a angústia que permeia a experiência em jogo durante o prelúdio, inlúdio e interlúdio como também no risco assumido constantemente nas decisões tomadas seriamente nele (como, por exemplo, se determinados objetivos devem ser assumidos como tarefa de jogo ou não). O caráter éstétco se manifesta nas possíveis recepções estéticas que aparecem em jogo (como, por exemplo, a trilha sonora) e na própria fascinação e arrebatamento que é característica essencial do jogo enquanto tal. Ao final do trabalho, pudemos perceber que a tensão que permeia a experiência lúdica, a repetição, o interlúdio e a própria relação tão discutida popular e academicamente entre jogos de videogame e arte são elementos a compreender em futuras pesquisas que envolvam esse, ou outros jogos.

362 Intencionalidade, Processos Psicológicos e Saúde

363 Mathias Waldburger Guedes e Roberto Novaes de Sá (Universidade Federal Fluminense, Brasil) 340 UMA CLÍNICA DO TRAUMA: ABERTURAS FENOMENOLÓGICAS NA COMPREENSÃO DO SOFRIMENTO Tomando como referência a perspectiva fenomenológico-hermenêutica, esse trabalho propõe uma discussão a respeito do chamado trauma psicológico e apresenta encaminhamentos possíveis para o acolhimento e o cuidado desse tipo de fenômeno recorrentemente presente como demanda psicoterápica. Para tal, é necessária, inicialmente, uma análise crítica da compreensão corrente dessa questão no campo da psicologia clínica, sobretudo no que se refere à tradição legada pelos escritos freudianos. Tomando a via fenomenológica de questionamento das sedimentações conceituais históricas e suas correspondentes reduções psicologizantes, busca-se aqui uma elucidação do sentido próprio do trauma para além de uma compreensão ainda derivada da noção moderna de subjetividade. Na sequência dessa contextualização, apresentamos as contribuições heideggerianas para a compreensão do modo de ser homem, de forma a demonstrar a analítica da existência como sustentação conceitual basilar da aposta clínica daseinsanalítica. Dentre tais desdobramentos, pontuase como a noção de ser-aí e ser-no-mundo redimensiona, especialmente, o entendimento do adoecimento psíquico e o seu consequentemente manejo clínico. Aqui é afirmado o sentido existencial do padecimento, de modo a revelar o sofrimento enquanto uma realização privativa da liberdade humana constitutiva, de modo que se possa conceber a clínica como uma prática de apropriação existencial e promoção de saúde enquanto liberdade. É nesse sentido que a condição traumática pode ser pensada como uma realização possível do sofrimento existencial, reunindo, em conjunto com o significado global do adoecimento, as especificidades que são abordadas nessa discussão. Dentre elas, destacamos a historicidade particular do sofrer traumático, convocando a uma reflexão sobre a temporalidade dos sofrimentos humanos e da escuta psicoterápica a eles direcionada.

364 Ana Paula Craveiro Prado e Carmen Lúcia Cardoso (Universidade de São Paulo, Brasil) 341 A EXPERIÊNCIA COTIDIANA COMO POSSIBILIDADE TERAPÊUTICA EM UM PROGRAMA DE PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL O Grupo Comunitário de Saúde Mental configura-se como um programa aberto de promoção de saúde mental que valoriza o cuidado com as experiências cotidianas. O objetivo do presente estudo foi compreender como a experiência cotidiana foi abordada pelos participantes no processo grupal e quais são as potencialidades desse recurso no trabalho em grupo. Para tal, foi adotada abordagem qualitativa em pesquisa, a partir da fundamentação epistemológica, metodológica e teórica da Fenomenologia Clássica. Foram analisadas quatro sessões grupais audiogravadas e transcritas na íntegra. Cada sessão foi analisada individualmente e, posteriormente, enquanto um conjunto a análise foi permeada por adoção de atitude fenomenológica diante do material. Foram constituídas três unidades de sentido, a saber: A experiência no cotidiano As experiências constituíram-se no mundo-da-vida, a partir da empiria dos fenômenos, e puderam ser apreendidas e significadas pelos participantes; A temporalidade da experiência diante do convite de compartilhar experiências, a experiência se constituiu no processo grupal como uma unidade delineável na vivência do participante, isto é, um recorte temporal e de sentidos em um horizonte vivido mais amplo composto pela história de vida do participante, contextos em que vive, características pessoais, entre outros; Experiência e a dimensão ontológica embora singulares, as experiências, quando partilhadas, remetem ao especificamente humano. No GCSM, o trabalho com as experiências cotidianas permitiu resgatar a intencionalidade constitutiva entre pessoa e realidade, a relação indissociável entre pessoa e mundo vivido, em um espaço intersubjetivo e comunitário com perspectiva de cuidado à saúde mental. Nesse sentido, este estudo constitui-se como uma contribuição para o campo de práticas grupais, apontando para uma ampliação das possibilidades de cuidado, a partir da valorização da experiência vivida.

365 Yuri Alexandre Ferrete e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 342 O DESENVOLVIMENTO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE NO CONTEXTO POLÍTICO DO SÉCULO VINTE As primeiras décadas do século vinte registram, na história, fenômenos singulares quando comparados a outros momentos históricos. As revoluções populares, como a Revolução Russa de 18, as crises econômicas, a exemplo da Crise de 29 e a República de Weimar, os movimentos políticos radicais e as duas grandes guerras, foram determinantes para a transformação de uma nova dinâmica de mundo ao proporcionarem demandasdesconhecidas até então. Como resposta a estas novas necessidades,a proposição de desenvolvimento social passou a ser fundamentopara o campo da política e acadêmico. Nesse contexto, o âmbito da saúde com as discussões sobre o seu paradigma, objeto e pragmática, pode ser considerado um dos núcleos que sofreu grandes alterações. O conceito de Promoção da Saúde é um exemplo de resposta a esta nova dialética de demanda-prática. Visto isto, o presente estudo toma como o objeto o primeiro documento oficial sobre a Promoção da Saúde: a Carta de Ottawa, com o objetivo de analisar a dinâmica entre a evolução política do século vinte com o desenvolvimento das políticas pública de saúde. O método usado para análise do documento é o Método Hermenêutico de Gadamer, que visa o retorno à potencialidade do texto para a realização de questionamentos que permitam novas produções de conhecimento. Os primeiros resultados indicam a existência de uma dinâmica hierárquica de tutela entre as políticas de desenvolvimento e os sujeitos que são focos destas mesmas práticas. A ambição em romper com o modelo hegemônico da época, o binômio saúde-doença positivista, transpassa pelo discurso da contextualização do sujeito, mas constituí práticas que controlam o modo de vida das pessoas pelo viés de um modelo de vida idealista. Termos como capacitação, autonomia, empoderamento, mascaram o controle social pelo discurso da humanização da vida. O trabalho também destaca a presença destas mesmas posições de normatização da vida, em políticas do século vinte e um, como o Sistema Único de Saúde.

366 Camila Freire Sebastião, Douglas Eduardo Pereira Costa e Leandra Rossi (Centro Universitário Barão de Mauá, Brasil) 343 OS SIGNIFICADOS DO ACOMETIMENTO POR ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO PARA MULHERES DE MEIA IDADE: UMA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICA O Acidente Vascular Encefálico (AVE) representa hoje a terceira causa mais comum de morte em países em desenvolvimento e é uma das principais causas de incapacitação. Nesse sentido o presente estudo tem por objetivo compreender o modo como mulheres acometidas pelo AVE vivenciam e significam a doença. Para a condução dessa pesquisa foi o usado o método fenomenológico que permite uma análise das formas concretas da existência, na qual o pesquisador entra em contato com a vivência singular do depoente, podendo assim intuir sobre a essência do fenômeno a ser estudado. Para a obtenção dos depoimentos foi realizada a entrevista fenomenológica, após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conduzida a partir da seguinte questão norteadora: Como você vivenciou a experiência de ser acometida pelo AVE?. As entrevistas foram realizadas com cinco mulheres de meia idade que sofreram AVE e fazem tratamento fisioterápico na Clínica de Fisioterapia do Centro Universitário Barão de Mauá. Os conteúdos das entrevistas foram analisados a partir da analise das unidades de significados no discurso que permitem a descrição do fenômeno. Foi possível apreender a maneira que se desvelou a doença, desde seu anúncio, bem como o modo com que essas mulheres significaram o adoecer, passando por um processo de ressignificação das relações sociais, das relações consigo mesmas e com seu próprio corpo. As pacientes mostraram diferentes maneiras de vivenciar o adoecimento pelo AVE, o que contribuiu para um aprofundamento do tema e para a discussão do mesmo no campo da psicologia, dado que o adoecer mostrou-se ir além da questão biológica, possibilitando aos pesquisadores mergulharem no campo psicossocial da vivência das depoentes, apreendendo a maneira com que elas conciliam as estratégias no manejo da doença. Porém cabe ressaltar que são necessários novos estudos sobre a temática exposta, pois os dados encontrados se restringem à vivência singular das depoentes participantes.

367 Hellen Luiza Meireles Silva, Cristiano Roque Antunes Barreira, Pedro Henrique Martins Valério e Fernanda Maris Peria (Universidade de São Paulo, Brasil) 344 POSICIONAMENTO PESSOAL FRENTE AO ADOECIMENTO ONCOLÓGICO EM CUIDADOS PALIATIVOS Os Cuidados Paliativos em Oncologia preconizam promover a qualidade de vida de forma integral aos pacientes que estão fora das possibilidades curativas. O contexto da área é complexo e pesquisar as experiências vividas nesta condição pode implicar em um cuidado cada vez mais refinado e efetivo aos pacientes. Assim, o objetivo da pesquisa foi identificar e compreender o fenômeno do adoecimento oncológico paliativo realizando entrevistas fenomenológicas com 14 pessoas atendidas ambulatorialmente em um hospital público terciário no interior de São Paulo. Os princípios fenomenológicos clássicos de Husserl foram considerados em todo o arco da pesquisa, desde a formulação do objeto à análise. Os resultados são parciais, mas os elementos essenciais vistos nesta análise mostram com clareza um posicionamento dos pacientes voltados para a vida cotidiana, ou seja, não estão direcionados à doença e à morte, mas a tudo que é possibilidade e potencialidade de viver. Neste caminho, dá-se uma luta constante, manifestada de diversas maneiras, sustentando e mantendo este movimento. A vida é percebida de forma mais intensa, o que promove a busca por modos de viver e de lutar. Outro elemento de sustentação deste posicionamento pessoal é experiência religiosa que lança horizontes seguros de esperança de viver fazendo com que os pacientes tenham fé na continuidade da vida, não afirmando uma morte em breve, mas confiando nos desígnios de algo maior do que eles próprios. Os pacientes mostram também quais são as razões pelas quais quererem viver, sendo outro elemento desta experiência, que aponta para o valor e sentido da vida. Com estes elementos essenciais da experiência de adoecer oncológico paliativo é possível ampliar o cuidado oferecido para garantir um plano terapêutico visando as reais necessidades dos pacientes e o alcance da qualidade de vida tão preconizada pela área de Cuidados Paliativos Oncológicos.

368 Norma Cecília Bizari Cavichioli Franzini, Andreia Duarte Alves Martins, Paula Lais Ribeiro Sobradiel e Juraci Moraes Cabral (Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, Museu e Aquivo Histórico: Antônio Sandoval Netto; Brasil) 345 PROJETO EMOÇÕES: UM PROCESSO EM CONSTRUÇÃO ENTRE A MÚSICA, O TEMPO E O BEM- ESTAR O objetivo deste trabalho é compreender o potencial terapêutico da experiência vivida em práticas grupais de promoção à saúde mental, que se distingue por ter a finalidade de atenção à experiência humana. O projeto surgiu da inquietação ao observar o público atendido no Ambulatório de Saúde Mental de Presidente Prudente(SP), diante da ausência de profissional de Psicologia, da institucionalização dos pacientes e da possibilidade de articulação entre os serviços. E tendo o Museu e Arquivo Histórico, Antônio Sandoval Netto, um acervo de discos de vinil, que necessitavam de circulação, elaborou-se este projeto, em parceria com a Universidade do Oeste Paulista, com a motivação pela apreensão dos significados próprios de cada sujeito; inserido em sua totalidade cultural e histórica. Consiste na promoção à saúde, pela consonância com a perspectiva da integralidade, autonomia e visão ampliada do processo saudável por meio de seus pressupostos de totalidade do fenômeno, consciência intencional e ética. Foram realizados vinte e quatro encontros com os grupos I e II, com duração de uma hora e meia cada um, com uma média de cinco a oito participantes, com relatos de experiências, contato com a música por meio dos discos de vinil, dinâmicas, fotografias pessoais e contos. Conectando-se a questões pessoais, familiares e sociais, disponibilizando a escuta de livre associação durante o desenvolvimento das ações e a contextualização das ideias e significados. É importante ressaltar que as experiências vivenciadas e subjetivas se entrelaçam, identificando uma realidade complexa: abandono familiar, ausência de políticas públicas adequadas, uso de medicação controlada, envelhecimento natural, perdas e aposentadoria.traços comuns que se apresentam, dentre eles, o reconhecimento e o significado da vida, processo de percepção de si mesmo, das condições que se encontram e sentido do cuidado construído entre espaços de diálogos.

369 Larissa Gabriela Lins Neves e Ewerton Helder Bentes de Castro (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) 346 ADOECER-COM-O-FILHO: A AUTENTICIDADE NA VIVÊNCIA DE UM TRATAMENTO CLÍNICO- GESTACIONAL Esta atividade científica debruçou-se sobre a vivência de internação hospitalar de mulheres gestantes com complicações clínicas. O problema de pesquisa voltava-se para o questionamento de como as mesmas conseguiam lidar com um adoecimento juntamente com um filho em seu ventre. O objetivo era compreender o discurso de gestantes em processo de internação para tratamento clínico, diante da situação de adoecer-com-o-filho. Foi presumido que seriam encontradas estratégias autênticas, bem como inautênticas de conviver com o adoecimento, sendo importantes para o momento as formas autênticas. A pesquisa foi qualitativa e, diante da psicologia em saúde e nos moldes do método fenomenológico, resgatou a partir de entrevistas de acolhimento os sentidos e significados apreendidos por 14 gestantes em processo de tratamento clínico em uma maternidade pública na cidade de Manaus/AM. As categorias de análise foram baseadas de acordo com a obra Ser e Tempo, de Martin Heidegger, na qual delineia o conceito de autenticidade do ser-no-mundo. Portanto, foram encontradas quatro categorias que expressaram o ser-doente em processo de vir-a-sersaudável. Suas denominações foram de acordo com as frases mais marcantes de cada grupo: Eu fico aqui, aqui eu vou ficando. Vontade de Deus..., que expressa a religiosidade presente;... aí eles me internaram. Por isso que eu tô aqui..., que apresenta o entendimento do quadro clínico;... Não é aquele que fez e sumiu. Ele fez e tá do meu lado..., denotando o apoio familiar e... Preferia tá em casa do que aqui, mas... já que é pro meu bem..., que demonstra a adesão ao tratamento. O trabalho constatou a importância da psicologia em saúde dentro de uma maternidade, assim como a relevância específica do acompanhamento de demandas psicológicas em leitos de tratamento clínico gestacional.

370 Victoria Luzia Antunes Grothe (Universidade de Sorocaba, Brasil) 347 A UTILIZAÇÃO DA HISTORIOGRAFIA PARA REFLEXÃO DO SENTIDO DE VIDA: RELATO DE EXPERIÊNCIA A Historiobiografia no contexto clínico propicia ao paciente a valorização e a reflexão de suas experiências de sua história pessoal, desta forma, portanto, buscando viabilizar um novo olhar sobre o fenômeno e oportunizando um espaço para relatem suas vivências, possibilitando a tomada de consciência acontecimentos, seus relacionamentos, bem como a compreensão do seu ser total, ou seja, de maneira holística. Desta maneira, a psicóloga busca auxiliar na elaboração dos conteúdos conscientes da subjetividade do individuo, o qual o mesmo por meio do conteúdo exposto por ele, se apropria sobre a problemática, se questiona sobre as suas possibilidades de estratégias de enfrentamento. O presente trabalho derivou-se dos atendimentos realizados no ambulatório da APAE de Cajati. E teve como ênfase verificar os sentidos de vidas, ressignificações do sujeito nas dimensões biopsicossocial espiritual e cultural, para que este possa elaborar novas estratégias de enfrentamento diante a sua vida. Os resultados obtidos demonstram a necessidade de o sujeito buscar a reflexão para poder compreender a sua responsabilidade, ou seja, a consciência sobre si. Verificou-se a necessidade dos indivíduos terem um espaço/tempo para compartilhar suas histórias de vida, seus medos, insegurança, entre outros. Portanto, este recurso proporciona aos profissionais da saúde auxiliarem os usuários do serviço de entrarem em contato com sua subjetividade a fim de ressignificarem os momentos vividos, para que o mesmo possa se tornar um agente transformador da sua história pessoal.

371 André Fukuda Maeji e Mariana Cardoso Puchivailo (FAE Centro Universitário, Brasil) 348 APRESENTANDO O DIÁLOGO ABERTO, ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE O SISTEMA FINLANDÊS FRENTE À CRISE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O presente trabalho é um estudo teórico que tem por objetivo explanar os princípios básicos do grupo finlandês Open Dialogue (OD), junto a possibilidades reflexivas diante das práticas realizadas no Brasil. O contexto inicial do grupo se deu quando, na Lapônia Ocidental, os números referentes a casos de esquizofrenia eram mais elevados comparado ao resto da Finlândia. Baseado no primeiro programa para reforma finlandesa Need-Adapted (NA), Jaakko Seikkula, psicólogo e terapeuta familiar começa um movimento na pequena cidade de Turku com os pacientes ditos não-tratáveis. Com o avanço de seus estudos, Seikkula insere a abordagem dialógica junto às famílias nos tratamentos para os pacientes esquizofrênicos ou em surtos psicóticos. Utilizando a escala de Global Assessment Functioning (GAF), o grupo mostra números superiores de recuperação quando comparado à outros modelos de intervenção. O baixo índice de medicamentos utilizados durante e após o tratamento é outro dado que chama atenção no grupo. Os princípios básicos descritos pelo OD são: a) intervenção imediata; b) perspectiva da rede social; c) flexibilidade e mobilidade; d) responsabilidade; e) continuidade psicológica; f) tolerância às incertezas e g) dialogismo. Alguns referenciais teóricos encontrados na bibliografia do OD são as práticas colaborativas de diálogo e principalmente a teoria de Mikhail Bakhtin. Utilizando o linguista russo, o grupo discorre conceitos como polifonia e dialogismo e, a partir disso mostram a possibilidade de se pensar em uma intersubjetividade. Acreditamos não ser possível uma transposição do modelo OD para solo brasileiro, mas ao subtrairmos as diferenças culturais, sociais e econômicas, o que nos restaria para reflexões? Alguns resultados preliminares nos mostram que os grandes desafios giram em torno da postura perante a crise, o diálogo horizontal interdisciplinar entre os profissionais responsáveis pelo caso e a rigidez do sistema de saúde.

372 Valéria Cristina de Albuquerque Brito, Ingrid Luiza Neto, Camila Emerenciano Berrondo e Higor Barreira dos santos (Centro Universitário UDF, Brasil) 349 SARAU-PSI: AÇÃO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE NA GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA As atividades lúdicas, artísticas e culturais são importantes recursos para a promoção da saúde integral. No contexto acadêmico, especialmente de faculdades particulares, momentos de lazer que congreguem alunos e professores e ofereçam possibilidades de fruição de obras artísticas e culturais são escassos ou inexistentes. O presente estudo apresenta os resultados da seção qualitativa de uma pesquisa sobre o impacto de uma atividade de promoção da saúde psicológica dos estudantes e docentes do curso de Psicologia de uma faculdade particular de Brasília, o SARAU-PSI. A pesquisa composta por 2 perguntas fechadas (edições que participou, turno de participação) e 4 abertas (como foi a participação, aspectos mais relevantes da experiência, gostaria que evento se repetisse, como gostaria que fosse o próximo) foi enviada a 34 participantes do SARAU-PSI 2018, que disponibilizaram seus s para a pesquisa. Foram compiladas e analisadas as respostas de 12 participantes que retornaram o formulário preenchido. As respostas individuais foram agrupadas por unidades de sentido e significado atribuído ao evento em termos pessoais e coletivos. Nas respostas, destaca-se no âmbito pessoal, as menções ao sarau como momento de diversão e abertura para ver/mostrar aspectos da vida pessoal, que não se evidenciam na relação em sala de aula e, assim, integrarse melhor ao grupo. Na dimensão coletiva, destaca-se a intenção de que o evento seja estendido a alunos e docentes de outros cursos da faculdade, para ampliar a experiência positiva de integração. Conclui-se que o evento propicia relação mais humana entre docentes e discentes e pode ser fator de proteção para saúde e da cultura de paz no contexto acadêmico.

373 Marília Zampieri da Silva e Tommy Akira Goto (Universidade Federal de Uberlândia, Brasil) 350 A VIVÊNCIA AFETIVA NA FENOMENOLOGIA DE DIETRICH VON HILDEBRAND O filósofo Dietrich von Hildebrand ( ), discípulo de E. Husserl, desenvolveu análises filosóficas a partir da chamada fenomenologia realista, ou seja, período da filosofia fenomenológica que buscava uma análise das essências genuínas, mantendo o contato existencial com a realidade. Para von Hildebrand somente com o método fenomenológico é possível chegar à verdade e profundidade das coisas. Ao analisar a vida consciente, no intuito de conhecer a essência do ser humano, von Hildebrand descreveu o ser humano em uma estrutura ontológica composta pelo: entendimento, vontade e afetividade; quer seja, estruturas intencionais que compõem centros operativos de vivência. No entanto, segundo o filósofo, a afetividade é a que melhor expressa a vida interior humana, por ocupar um lugar de destaque em suas análises. A afetividade não se reduz às formas não espirituais, mas tende fundamentalmente a ser um sentimento espiritual, no qual se manifestam de modo pleno as chamadas "respostas afetivas. Assim, compreendendo-a fenomenologicamente como uma resposta afetiva, ativa e que manifesta a tomada de decisão quanto aos acontecimentos no ser humano, von Hildebrand pôde descrever várias camadas significativas da afetividade que vão da vivência sexual à espiritual. O objetivo desse estudo é apresentar a fenomenologia da afetividade de von Hildebrand, a partir de um estudo qualitativo-bibliográfico do tema em questão, buscando as possíveis contribuições à Psicologia Fenomenológica.

374 Mariana Pajaro, Leopoldo Fulgencio e Fernanda Fernandes da Silva (Universidade de São Paulo, Brasil) 351 FAMÍLIAS DE BEBÊS EM UTI NEONATAL: UMA PESQUISA FENOMENOLÓGICA Esta pesquisa se propõe a investigar a experiência de pais e familiares de bebês internados em UTI neonatal afim de compreender de que modo esta vivência pode ou não influenciar na relação que se estabelece o bebê e seus cuidadores. O estudo questiona: quais são os cuidados psicológicos fundamentais aos pais e familiares de bebês em situação de UTI neonatal? Ao se configurar como uma pesquisa fenomenológica, pretende-se entrevistar cinco famílias de bebês internados para que se dê voz às suas experiências e sentidos na vivência desse contexto, contemplando tanto a rede pública quanto a particular. O recorte pelo cenário da UTI deve-se ao fato de que, neste espaço, comumente são vivenciados prejuízos no contato dos pais e familiares com o bebê. A inserção neste contexto, caracterizado pela terceirização dos cuidados básicos - agora sob responsabilidade da equipe de saúde. As vivências e os registros de experiências precoces, ou precocíssimas, influenciam sobremaneira a constituição dos vínculos iniciais e subsequentes de uma criança. Essas primeiras experiências, em nível gestacional ou mesmo nos primeiros anos de vida, podem impactar na relação mãe-bebê, no desenvolvimento emocional da criança e no modo como ela significa suas relações posteriores. No que tange este princípio, oferecer aos bebês experiências que sejam favoráveis ao vínculo com a mãe e com o ambiente, sobretudo na mais tenra idade, mostram-se fundamentais para as integrações emocionais que ocorrerão ao longo do desenvolvimento subsequente. Pressupõe-se que cuidar dos pais é cuidar dos bebês, o que significa oferecer-lhes a possibilidade de um melhor desenvolvimento psíquico futuro. Sendo assim, a premissa fenomenológica desta pesquisa embasa-se na perspectiva do uso da Fenomenologia como método para compreender tal fenômeno psíquico.

375 Tassiani Turra Ferreira e Thayla Marques da Silva (Universidade de São Paulo, Brasil) 352 O TABAGISMO ENQUANTO FATOR RESTRITIVO DE POSSIBILIDADES DE VIDA - UM OLHAR FENOMENOLÓGICO EM ENFERMARIAS DE HOSPITAL (TEMA) As doenças tabaco-relacionadas são algumas das grandes causas das internações em hospitais e um problema de saúde pública, sendo a principal causa de morte evitável no mundo. (OBJETIVO) Este trabalho tem como objetivo apresentar intervenções realizadas com pacientes tabagistas internados em um hospital geral, frente às dificuldades na cessação do hábito de fumar. Os atendimentos foram realizados por Psicólogas do Programa de Aprimoramento Profissional do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. As intervenções foram iniciadas após a emissão de pedidos de interconsulta por outros profissionais de saúde, atuantes nas enfermarias do hospital. (METODOLOGIA) O processo decorre em realizar uma entrevista para investigação do histórico com o tabagismo. Os sintomas de ansiedade e depressão também são avaliados e considerados para a proposta terapêutica que pode incluir o uso de medicações. Além disso, busca-se perceber os recursos pessoais que o indivíduo apresenta para lidar com situações para parecem ultrapassar suas possibilidades. As intervenções e próximos atendimentos vão em direção ao fortalecimento, bem como na ampliação de seus recursos pessoais. No espaço terapêutico, deve-se trabalhar de maneira a proporcionar nova relação com o futuro. Este, mesmo que num primeiro momento se mostre ainda como problema, pode, com o passar do tempo, ser vivido e sentido como desafio de cuidar de si, inclusive após a alta hospitalar. É fundamental, neste processo de acompanhamento, possibilitar um encontro terapêutico seguro em que o paciente não se perca de vista, como tarefa permanente para com o cuidado de sua própria vida. Parte disso envolve a motivação e a prontidão para a mudança do hábito de fumar. (CONCLUSÃO) Ao considerar que novos modos de viver e lidar podem ser aprendidos, estas intervenções proporcionam aos pacientes uma possibilidade de desenvolvimento de novos sentidos, transformando o seu estar no mundo.

376 Processos Simbólicos e Imaginação

377 Thayla Marques da Silva e Simone Maia Oberlaender (CAPS-AD, Brasil) 354 ARTE E IMAGINAÇÃO COMO PROMOTOR DE SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE GRUPO A criatividade e a imaginação são atividades humanas de grande importância para aprendizagem e ressignificação de experiências. É a capacidade de reelaboração de vivências anteriores para novas situações de maneira a se projetar no futuro. Haja vista sua significância para vida, faz-se necessários espaços de fortalecimento de tal habilidade nos diferentes ambientes de saúde, como nos centros de atenção à saúde mental. O objetivo desse trabalho é relatar a experiência de um grupo de estimulação imaginativa como promotor de saúde em um Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas (CAPS AD). Este é parte da rede de atenção psicossocial, atende pacientes crônicos com uso/abuso de álcool ou outras drogas. Em Uberaba, MG a equipe desse serviço planeja tratamentos aos usuários a partir de avaliações técnicas e proposta de plano terapêutico singular; o grupo Imaginar é um dos possíveis dentro do plano de tratamento. Ele caracteriza-se como grupo aberto, reflexivo, voltado à pacientes com algum nível de prejuízo cognitivo decorrente do uso/abuso de álcool ou outras drogas. Os encontros são semanais, duração de 1 hora e 30 minutos e dirigidos por uma psicóloga. A partir do uso de imagens, música, poemas e outras produções artísticas como estimuladores, os participantes são convidados a ampliar o que é visto/ouvido, relacionar a suas vivências e novas possibilidades práticas diárias de vida e saúde. As falas iniciam-se sobre a obra em si e suas características, depois há uma ampliação do que a complementa para além dela, trazendo ensinamentos e reflexões para a vida pessoal e social dos participantes. Nos encontros, é possível constatar que o grupo proporciona a criatividade e imaginação como mecanismo promotor de vida, alcançando seu objetivo. Assim, reforçase a importância de ampliar estratégias nos serviços de saúde que ressignifiquem os sofrimentos e experiências a partir da imaginação e criatividade pelo uso da arte.

378 Roselis Bittelbrunn (ICHTYS Insituto de Psicologia e Religião, Brasil) 355 OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA E A IMAGINAÇÃO ATIVA DE CARL G. JUNG, UMA ANALOGIA. Este trabalho objetiva fazer uma analogia entre as experiências de Santo Inácio de Loyola em seus Exercícios Espirituais (E.E) pela fé e os exercícios da Imaginação Ativa (I.A.) de Carl Gustav Jung pela psicologia analítica. Ambos são procedimentos metodológicos dialéticos que incentivam o praticante a voltar-se para o interior de si mesmo. Esta dinâmica favorece o amadurecimento pessoal, contribui para a conscientização dos fenômenos internos e propicia o autoconhecimento. Santo Inácio apontava a fé cristã como via para experenciar Deus, obtida pela vivência de práticas religiosa e serviços apostólicos. Este método organizado e exigente confere ao praticante a conscientização do significado de sua existência embasado na experiência Divina. Carl Jung sempre se interessou pelos fenômenos religiosos e seus efeitos no homem. Seus estudos o levaram a entender que a experiência religiosa é uma realidade espiritual, um acontecimento psíquico. Explorar este mundo interior o levou a descobrir o inconsciente pessoal e coletivo. Jung entendeu que a não relação do inconsciente com a consciência geravam muitas neuroses. Desbravar e entender este solo passa a ser seu objetivo. Para tal intento, o autor desenvolve uma técnica psicológica, a Imaginação Ativa, e explora o solo inconsciente causando uma transformação pela compreensão do símbolo. Os caminhos percorridos por Santo Inácio e por Jung divergem na abordagem, mas convergem para o mesmo fim: a transformação. Neste sentido, o presente trabalho faz uma analogia entre os E.E e a I A objetivando identificar afinidades entre os métodos utilizados. Para abordar este tema e os conceitos relacionados será feito uma revisão bibliográfica nas obras dos autores mencionados e outros complementares.

379 Lúcia Fátima Reolon dos Santos (ICHTYS Instituto de Psicologia Analítica, Brasil) 356 FENOMENOLOGIA DOS SONHOS: UMA ABORDAGEM COM IMAGINAÇÃO ATIVA Na história da humanidade encontramos registros do interesse de diferentes povos e culturas com relação ao fenômeno dos sonhos. Muitos destes povos organizavam-se enquanto sociedade, apoiados em ritos e vivências que buscavam compreender o sentido dos sonhos da comunidade ou, especificamente, de seu líder, político ou religioso. Posteriormente, com o advento das ciências e concepções dicotômicas, a elaboração onírica perdeu valor e significado. Somente no início do século XX, o interesse de pesquisadores e estudiosos voltouse para a dimensão inconsciente da psique e buscou-se estudar e compreender o mundo dos sonhos. C. G. Jung foi um destes desbravadores do universo onírico. Para a Psicologia Analítica, teoria psicológica desenvolvida pelo psiquiatra suíço, o trabalho com os sonhos possui ampla relevância. Sonhos são fenômenos que expressam os processos simbólicos do inconsciente à consciência; são considerados a manifestação mais genuína do inconsciente. O esforço por compreendê-los pode ser uma tarefa árdua, até mesmo uma arte. Isto posto, objetiva-se apresentar um método de abordagem e ampliação dos sonhos através da técnica da Imaginação Ativa, ilustrando-o com um caso. Para tanto, procedeu-se uma revisão de literatura na obra coligida de Jung e de seus comentadores. Quanto à Imaginação Ativa, tratase de um método dialético, desenvolvido e auto experienciado por Jung, o qual permite, quando autenticamente realizado, uma compreensão e/ou transformação do sintoma, da linguagem e das imagens oníricas. No caso apresentado, verificou-se a efetividade da Imaginação Ativa na ampliação dos conteúdos oníricos e na compreensão de sua origem e finalidade.

380 Renan Marques Franklin (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 357 ANSIEDADE FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIALISTA ARQUETÍPICA: UMA ARTICULAÇÃO COMPARADA Este trabalho objetiva compreender quais as convergências e divergências sobre o tema da ansiedade, na obra dos autores Rollo May e James Hillman, tendo como hipótese a possibilidade de um diálogo complementar entre estas distintas linhas de pensamento. Para esta comparação, foram analisados os livros Psicologia e Dilema Humano e O significado de ansiedade de May, juntamente com o livro Pã e o pesadelo de Hillman. Os autores divergem especialmente na compreensão da psicodinâmica geral da psique, sobre haver uma centralidade geral, defendida por May e contrariada por Hillman. Apesar disso, ambos os autores concordam nos demais pontos analisados. Eles reconhecem que a criatividade é uma manifestação do mesmo fenômeno da ansiedade. Por isso, a ansiedade deve ser vivenciada através da aceitação do fenômeno como se apresenta, sem categorização ou interpretação causal. O processo criativo, quando recalcado, gera ansiedade patológica neurótica, que bloqueia o sujeito. Quando pode seguir seu fluxo natural, ela abre o sujeito para sua liberdade de criação de si mesmo, e a alternância entre as posições possíveis dentro dessas possibilidades gera uma vertigem, sentida como ansiedade normal, que se manifesta por desejos e mobilização do indivíduo. Os autores criticam, e pontuam como promotoras de ansiedade, a categorização, o oposicionismo, e o dualismo cartesiano, que distanciariam o humano, da natureza livre. Essas funções ocorrem mais por uma necessidade do Eu, do que por estarem presentes nos fenômenos em si. Também apresentam concordância na distinção entre ansiedade, como forma de relação genérica com o mundo, e medo, onde há um objeto gerador específico. Concluo que, embora os autores tenham concepções diferentes quanto ao funcionamento dinâmico do psiquismo, ambos reconhecem a importância da ansiedade, que não deve ser recalcada, mas vivenciada de forma criativa, para isso sendo necessária uma postura de aceitação do fenômeno.

381 Stella da Silva Carvalho Nunes da Rosa, Vicente Baron MussiVicente Baron Mussi e Carlos Augusto Serbena (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 358 A PROJEÇÃO DA SOMBRA NA HOMOFOBIA O debate sobre questões e direitos da comunidades homossexual tem aumentado e ganhado maior notoriedade nos últimos anos, principalmente com as altas taxas de violência e episódios de discriminação. Além disso, é observável um crescente apelo ao retorno dos papéis tradicionais de gênero, trazendo à tona questões como a existência de uma conduta apropriada para homens e mulheres, e sua relação com a sexualidade exercida por heterossexuais e homossexuais. A psicologia analitica coloca que atribuímos ao o outro, a projeção, características negadas em si e desvalorizadas, a figura da sombra. A homoafetividade, em determinados contextos, pode ser interpretada como a sombra coletiva do papel tradicional de gênero. Já a intolerância, pode ser identificada como parte do processo de projeção da sombra sobre o outro. Portanto, objetifica-se compreender os mecanismos de projeção da sombra dentro do discurso homofóbico. Para tanto, foram entrevistados 12 participantes aplicando-se a escala de homofobia explícita e implícita de Marinho et al, as quais foram transcritas e feita análise temática baseada em Bardin. Os participantes foram homens entrevistados entre os anos de 2017 e Identificou-se a projeção do aspecto feminino (figura da anima), e uma reação de estranhamento e maior agressividade perante situações hipotéticas envolvendo a homoafetividade e pessoas próximas dos participantes. Observa-se que existem correlações entre a percepção da sexualidade e padrões de gênero, refletidos na projeção da anima e de outras atribuições feitas pelos participantes à comunidade homoafetiva.

382 Ana Karoline Leite Valadão (Instituto Sedes Sapientiae, Brasil) 359 A ARTE E A CLÍNICA FENOMENOLÓGICA: TESSITURAS (AUTO)BIOGRÁFICAS E EXISTENCIAIS O processo psicoterápico em sua essência é fundado, descrito e anunciado por meio da palavra, ou seja, pela fala. É pela construção da narrativa verbal do cliente que o psicoterapeuta acessa seu mundo de significações, o que propicia a construção de novos sentidos. Desse modo, sua principal missão é valorizar sua singularidade, favorecer o desenvolvimento de suas potencialidades, ajudá-lo a se apropriar da sua história de modo a tornar-se autor da sua própria narrativa e ativo em seus próprios processos. O presente estudo de caso origina-se da reflexão de que o discurso vivencial proferido pelo cliente em contexto psicoterápico pode também ser representado por meio da arte e da linguagem expressiva, convidando-o a ser autor e artista da própria existência. Inserida aos contornos clínicos, a arte ultrapassa o valor estético e inaugura sua modalidade psicoterapêutica ao possibilitar a expressão visual da experiência vivida pelo cliente, bem como o desvelar do sentido do fenômeno. A técnica artística escolhida para a realização do presente estudo de caso foi a escrita criativa e o desenho livre. Assim, o presente trabalho se justifica na importância da compreensão da escrita e do desenho como uma possibilidade de acesso aos sentidos da experiência da paciente. Ela é uma jovem de 24 anos, perdeu a mãe aos 10 anos, atualmente é estudante de psicologia e procurou a terapia pela primeira vez com a queixa de ansiedade e ataques de pânico. Inicialmente, ela relatou que tinha dificuldade de identificar o que sentia e após 08 sessões, ela foi convidada a pintar suas emoções no setting clínico. A evolução do caso tem mostrado uma diminuição da incidência dos sintomas de ansiedade, bem como um entendimento maior dos processos emocionais que permeiam a sua existência. Conclui-se que o ingresso ao mundo vivido realizado pelas vias sensíveis da arte oportunizou o movimento de imersão, de autoconhecimento e integração das emoções ao enredo racionalizado da cliente.

383 Ana Silvia de Andrade e Roselis Bittelbrunn (ICHTYS Instituto de Psicologia, Brasil) O SINTOMA COMO SÍMBOLO AUTOREGULADOR DA PSIQUÉ E A TÉCNICA DA IMAGINAÇÃO ATIVA COMO CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO 360 Carl Gustav Jung ocupou-se muito em compreender os fenômenos da alma humana e os processos simbólicos atuantes na psique. Ao estudar a dinâmica da psique, Jung sempre chamou a atenção sobre a necessidade da comunicação entre os pares de opostos: consciente e inconsciente e sobre os perigos da unilateralidade. Quando há a integração entre eles formase o terceiro elemento, o símbolo, que, se elaborado, pode ser capaz de promover a transformação psíquica necessária. O sintoma é um símbolo que, em seu dinamismo, pode ser visto como um componente que atua manifestando a função autorregulatória da psique. Sendo assim, todo sintoma pode ser visto como uma linguagem da alma e, sendo uma linguagem, faz-se necessário decifrar sua mensagem. Uma das formas de acesso aos conteúdos inconscientes é a técnica desenvolvida por Carl Gustav Jung, conhecida como Imaginação Ativa. Esta técnica leva o indivíduo a abordar o inconsciente, personificar um conteúdo invisível e trazê-lo à superfície, através de imagens simbólicas carregadas de emoção que subjazem ao sintoma, de maneira a poder dialogar e interagir com ele. Assim sendo, por ser o sintoma um sinal de alerta do organismo em busca de equilíbrio, e por ser a técnica da Imaginação Ativa um diálogo com as imagens, que atuam no indivíduo, surge a indagação: - A técnica da Imaginação ativa é eficaz para o tratamento de sintomas? Por buscar a integração da psique, pode-se dizer que a referida técnica tem contribuído de forma eficaz para a transformação de sintomas. Portanto, o objetivo deste trabalho é apresentar um caso clínico onde foi aplicada a técnica da Imaginação Ativa para a dissolução do sintoma físico. Para isto será feito a revisão bibliográfica nas obras de Jung e outros autores complementares abrangendo o tema em questão, bem como o relato de uma sessão de Imaginação Ativa, cujo resultado levou o indivíduo à fonte de sua doença e à transformação do sintoma. Carl Gustav Jung ocupou-se muito em compreender os fenômenos da alma humana e os processos simbólicos atuantes na psique. Ao estudar a dinâmica da psique, Jung sempre chamou a atenção sobre a necessidade da comunicação entre os pares de opostos: consciente e inconsciente e sobre os perigos da unilateralidade. Quando há a integração entre eles formase o terceiro elemento, o símbolo, que, se elaborado, pode ser capaz de promover a transformação psíquica necessária. O sintoma é um símbolo que, em seu dinamismo, pode ser visto como um componente que atua manifestando a função autorregulatória da psique.

384 Sendo assim, todo sintoma pode ser visto como uma linguagem da alma e, sendo uma linguagem, faz-se necessário decifrar sua mensagem. Uma das formas de acesso aos conteúdos inconscientes é a técnica desenvolvida por Carl Gustav Jung, conhecida como Imaginação Ativa. Esta técnica leva o indivíduo a abordar o inconsciente, personificar um conteúdo invisível e trazê-lo à superfície, através de imagens simbólicas carregadas de emoção que subjazem ao sintoma, de maneira a poder dialogar e interagir com ele. Assim sendo, por ser o sintoma um sinal de alerta do organismo em busca de equilíbrio, e por ser a técnica da Imaginação Ativa um diálogo com as imagens, que atuam no indivíduo, surge a indagação: - A técnica da Imaginação ativa é eficaz para o tratamento de sintomas? Por buscar a integração da psique, pode-se dizer que a referida técnica tem contribuído de forma eficaz para a transformação de sintomas. Portanto, o objetivo deste trabalho é apresentar um caso clínico onde foi aplicada a técnica da Imaginação Ativa para a dissolução do sintoma físico. Para isto será feito a revisão bibliográfica nas obras de Jung e outros autores complementares abrangendo o tema em questão, bem como o relato de uma sessão de Imaginação Ativa, cujo resultado levou o indivíduo à fonte de sua doença e à transformação do sintoma. 361

385 Fenomenologia e Filosofia

386 Isadora Franco (Universidade Estadual de São Paulo, Brasil) 363 A HERMENÊUTICA NA FENOMENOLOGIA EM SER E TEMPO O presente trabalho pretende expor e explicar como Martin Heidegger usa a interpretação hermenêutica da palavra logos para resolver a possível contradição do duplo sentido da palavra fenômeno. Para realização dessa pesquisa, utiliza-se somente da análise da introdução de Ser e Tempo. O autor se refere ao significado original polissêmico da palavra grega e também mostra suas transformações ao decorrer da história da filosofia. No sentido grego fenomenologia significa tanto o manifesto quanto mostrar-se; isso implica que o primeiro signifique aquilo que é visível em si mesmo e o segundo signifique algo que anuncie o ser. Nesse sentido, pode-se implicar que exista uma contradição que uma palavra signifique anunciante e anunciado ao mesmo tempo, como resolver esse impasse? O autor, analisando o significado de logos e as diversas interpretações ao longo da história da filosofia, compreende que muito já se foi desvirtuado do conceito grego. Equivaler a razão à verdade é uma noção moderna que parte de um desvio do conceito original de logos. Por isso Heidegger, remonta ao conceito aristotélico de discurso que é fazer ver, ressaltando que os discursos não são sinônimos de verdade, podem indicá-la, aparentá-la ou até mesmo negá-la. Mesmo assim, os discursos têm que ser vistos como possibilidades de interpretações dos fenômenos, considerando que estes se demonstram de infinitas maneiras. Assim, esse impasse é resolvido considerando que um fenômeno por si só é apodítico e apreendido imediatamente (anunciado), porém razão e compreensão são concebidos como interpretação de algo que anuncie outra coisa, o autor conceitua fenomenologia como: fazer ver a partir dele mesmo o que se mostra como tal como ele por si mesmo se mostra, ou seja a interpretação de fenômenos apodíticos que indicam o ser.

387 Saulo Sbaraini Agostini (Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil) 364 A INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DE PHRONESIS EM MARTIN HEIDEGGER O que se pretende investigar neste trabalho é a interpretação fenomenológica de Heidegger sobre o conceito de phronesis de Aristóteles. Nosso problema funda-se em responder à questão de (i) como Heidegger se reapropria de um dos conceitos centrais do livro VI da Ética à Nicômaco de Aristóteles? Em sentido específico pretendemos analisar: (ii) de forma breve em que medida essa interpretação se distingue das tradicionais e (iii) como a mesma prepara e influencia a obra de Ser e Tempo (1927). Para isso interpretaremos a obra apelidade de Informe Nartorp [Nartorp Bericht] de 1921/22 submitida por Heidegger para ingresso nas universidades de Göttingen e Marburg. Nossa metodologia será eminentemente bibliográfica: para realizar nossa pesquisa cotejaremos duas traduções da obra original Phänomenologische Interpretationen zu Aristoteles [Nartorp Bericht] a tradução espanhola de Jesús Escudero e a tradução brasileira de Enio Paulo Giachini. Bem como, será de ajuda para o esclarecimento do conceitual heideggeriano pré Ser e Tempo as obras Ontologia: Hermenêutica da Facticidade e Platão: O sofista - não se trata da investigação destas obras por um todo, mas o uso metodológico e instrumental para aclarar a obra principal a ser abordada. Outros conceitos que precisarão ser definidos e aclarados a partir da fenomenologia heideggeriana são: kinesis e práxis. Ambos são utilizados pelo filósofo para desentulhar o conceito de phronesis interpretado pela tradição. Por fim, pretendemos utilizar da bibliografia de comentadores nacionais e internacionais para discussão da reapropriação fenomenológica e heideggeriana do conceito de phronesis.

388 André Shizuo Hachiguti de Quadros (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 365 ALMA E CORPO NA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA É possível que aquilo que vivemos de modo tão frequente seja também algo que se distancia da própria possibilidade do experimentar assim como da objetivação científica? Seguindo os passos da fenomenologia hermenêutica de Hans-Georg Gadamer em seu livro O caráter oculto da saúde pretendemos lançar uma tímida luz sobre o entrelaçamento de temas como o corpo, a alma, a memória e a vida. O filósofo alemão Immanuel Kant operou uma conhecida crítica sobre a disciplina filosófica denominada psicologia rationalis, que resultou, algum tempo depois, na separação entre filosofia e psicologia. Passando pelas concepções gregas de zoé, bios e psiché (entendida, segundo Aristóteles, como a vitalidade do corpo) Gadamer explora a experiência grega e a contrapõe com a experiência moderna da separação radical entre corpo e alma (tanto da metafísica cartesiana quanto do idealismo transcendental kantiano). Evita-se, no entanto, a redução do problema à concepção neurofisiológica de consciência, autoconsciência e mente, recorrendo, pelo contrário, à nossa experiência cotidiana do olhar e da reflexão interna e externa para melhor esclarecer a questão. Para o fenomenólogo alemão o ritmo da vida acontecendo em seu fluxo natural, que por vezes se torna invisível (oculto) para nós, é o que ele chama de saúde e bem-estar. Sendo a doença, por sua vez, quem nos evidencia nosso próprio corpo, quando nos damos conta que temos algo ou que algo nos falta nele, caracterizado pela doença. Por fim, se apontarão algumas críticas a partir da perspectiva de Emanuelle Coccia (filósofo italiano, autor de A Vida das Plantas) e Fabian Ludueña (filósofo argentino, autor de A comunidade dos espectros).

389 Victor Luis Portugal Clavisso (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 366 DA FENOMENOLOGIA, ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA E ENATIVISMO: COMPROMETIMENTOS, DESVIOS E CONTINUAÇÕES O caminho e as consequências do pensamento da filosofia fenomenológica no decorrer do século XX foram da psicopatologia à filosofia da mente, das ciências cognitivas ao pensamento político. Mais recentemente -mais especificamente na segunda metade do século passadouma das correntes que tiveram resultados mais frutíferos foi aquela de uma compreensão fenomenológica para discussão de filosofia da mente, ciências cognitivas, e filosofia da biologia. Isso tomou forma principalmente a partir da introdução do termo enactivism (enativismo) nas discussões contemporâneas, uma abordagem de inspiração fenomenológica que, em conjunto com autores da antropologia filosófica, busca compreender a consciência como enativa, estendida, corporificada e inserida na estrutura da vida. O presente trabalho busca fazer uma discussão histórica e conceitual de algo que subliminarmente esteve e ainda está em todos os trabalhos contemporâneos em enativismo, qual seja saber até que ponto há nele uma intersecção, modificação, contradição, comprometimento com a ciência fenomenológica enquanto concepção transcendental. Buscarei resgatar vários dos principais pensadores utilizados para fundamentar a postura enativista, seus principais argumentos bem como escolas, a exemplo do enativismo inicial de Francisco Varela, o enativismo sensóriomotor de Noë e O Regan, o enativismo radical de Hutto e Myin, até recente propostas de autores como Fuchs, Gallagher e Thompson. A pesquisa direciona-se no sentido não apenas de buscar estabelecer uma compreensão geral do movimento enativista (estabelecendo seus pontos em comum e diferenças entre si), mas também de apontar quais aqueles que, ou como, contrastam com o movimento fenomenológico inicial.

390 Maria Christina Sánchez León (Pontificia Universidad Javeriana, Colômbia) 367 DOLOR Y CREACIÓN: A PROPÓSITO DE LA TEMPORALIDAD La ponencia planteada desarrollará una reflexión detenida sobre lo que se entiende como dolor en perspectiva fenomenológica, atendiendo especialmente al trabajo del filósofo alemán Edmund Husserl en diálogo con el francés Jean Luc Nancy. En segundo lugar, abordará en clave Nietzscheana y Spinozista, un vínculo con el cuerpo-afecto como motor de creación en la experiencia del dolor y del sufrimiento. Sabemos de sobra que con Nietzsche y con Spinoza, la experiencia del dolor y la experiencia del sufrimiento se encuentra lejos de cualquier tono o similitud con la resiliencia. Por esta razón, para la tercera y final parte de la presentación, resulta fundamental sostener que lo que hace que el dolor sea el motor de un acto creativo, es el despliegue de una forma de temporalidad expandida, tanto del dolor como del acto creativo, tanto del dolor como creación de espectador, como de la creación como acto doloroso. En suma, el trabajo que quiere exponerse considera fundamental el vínculo entre estética y fenomenología y mantiene viva la discusión sobre lo que puede un cuerpo como cuerpo, como afecto y como lugar en donde acaecen, surgen, respiran y se mueven los actos creativos. Qué sea el dolor y la creación, es una tarea cuyo resultado es la reflexión sobre las experiencias que esta ponencia quiere compartir sobre los avances de investigación del proyecto sobre las implicaciones de los cuidados paliativos, actualmente en curso.

391 Daniel Peluso Guilhermino (Universidade de São Paulo, Brasil) 368 HUSSERL, SELLARS E MCDOWELL: NOTAS SOBRE A CONTRIBUIÇÃO HUSSERLIANA PARA O PROBLEMA DO CONCEITUALISMO EPISTEMOLÓGICO A leitura conceitualista de Kant realizada por McDowell em Mente e Mundo atravessou as fronteiras da epistemologia analítica atual e alcançou a fenomenologia de Husserl, trazendo à tona um debate interpretativo em torno da sua teoria da percepção apresentada em Investigações Lógicas. Seguindo a interpretação de Cobb-Stevens, alguns comentadores defendem que Husserl amplia o domínio do entendimento de modo a abarcar nele a intuição, tomando esta última, portanto, como uma realização já conceitual o que endossaria a tese conceitualista. Outros comentadores, por sua vez, seguem a leitura realizada por Mulligan, de acordo com a qual Husserl distingue o ver nominal-proposicional do ver simples-direto de particulares, o que traria à doutrina de Husserl a exigência de uma intuição de particulares livre do exercício de conceitos e do concurso de palavras (uma leitura não-conceitualista, portanto). Pretendemos, partindo dessa disputa interpretativa, apresentar uma chave de leitura da teoria da percepção de Husserl que a coloque em diálogo com o debate em torno do conceitualismo sem, todavia, descaracterizá-la naquilo que lhe é próprio. Nossa hipótese é a seguinte: a teoria de Husserl desfaz um prejuízo de base que está presente na tese conceitualista, qual seja, o prejuízo davidsoniano segundo o qual somente crenças desempenham um papel justificatório no conhecimento. Mais precisamente, tentaremos mostrar que a concepção husserliana de Evidenz como Selbstgegebenheit é uma tentativa de caracterização do dado que lhe confere o poder de resistência sensível ao nosso conhecimento sem, contudo, aprisioná-lo à dependência congênita de estruturas conceituais ou à cadeia de necessidade causal que governa o mundo natural. Assim, a teoria de Husserl se veria livre das críticas sellarsiano-mcdowellianas ao Mito do Dado na medida em que desfaria uma de suas premissas fundamentais.

392 Leosir Santin Massarollo Junior (Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil) 369 IMPESSOALIDADE E MEDIANIDADE NO PENSAMENTO DE MARTIN HEIDEGGER A inautenticidade prospera nos conceitos agora abordados, a saber, medianidade e impessoalidade. Neles a faculdade desenvolvida é aquela do esquecimento do ser-aí; não se indaga com profundidade e não se faz perguntas decisivas. Como entender essa debilidade? Heidegger fala do impessoal como sendo um sujeito universal. Encetar a individualidade é pré-requisito de ambos os conceitos. Com essa noção penetra-se na questão da cotidianidade. O ato inaugural caracteriza-se com a tutela do ser-no-mundo à impessoalidade. A estimação tem como paradigma o ser-no-mundo. No caso da impessoalidade vigora o empenho dos outros. Entretanto, não se fala aqui de um grupo específico: os outros representam a decisão desprovida de individualidade. O primeiro ponto a realçar é que a abertura representativa do ser-aí se manifesta em seu antípoda: o encobrimento. O segundo ponto que friso é que com a obliteração da individualidade na complexidade da existência emerge o conceito de medianidade. O impessoal possui ele mesmo modos próprios de ser. A tendência do ser-com que denominamos afastamento funda-se em que a convivência, o ser e estar um com o outro como tal, promove a medianidade. Este é um caráter existencial do impessoal. Em seu ser, o impessoal coloca em jogo essencialmente a medianidade (HEIDEGGER, 2006, p. 184). Mais do que uma valoração estéril, a medianidade passa a corresponder à dinâmica da existência, porém, no modo da indiferença cotidiana. O ser-no-mundo fragmenta-se; o mundo circundante é compreendido e vivenciado na forma de um uníssono. Afastamento e nivelamento são características ontológicas da existência na cotidianidade.

393 Leticia Beatriz de Almeida Borsato e Nathalie de La Cadena (Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil) 370 INTERSUBJETIVIDADE EM SHELER: CONTRIBUIÇÕES FENOMENOLÓGICAS AO ESTUDO DA EMPATIA O debate contemporâneo sobre intersubjetividade tem sido marcado pela retomada da abordagem fenomenológica da empatia. Atualmente não há consenso sobre a definição de empatia, em vez disso, o que se encontra é uma polissemia do termo. As duas principais teorias da mente, Teoria-teoria e Teoria da Simulação, tem assumido que as outras mentes permanecem ocultas precisamente por falta de uma experiência direta. O objetivo desse trabalho é mostrar que a compreensão do conceito de empatia e do modelo de intersubjetividade propostos por Scheler podem oferecer uma nova explicação para a relação entre o eu e o outro. Para Scheler, o ato de consciência da empatia se encontra fundamentado no realismo ontológico. O reconhecimento do outro deve ser mediato, isto quer dizer que as manifestações sentimentais, através de manifestações corpóreas e da linguagem, são reconhecíveis imediatamente e por analogia. Sua fenomenologia insiste no compartilhamento do mundo, das circunstâncias e das vivências entre duas individualidades que, devido sua similaridade, podem compreender-se mutuamente. No caso da empatia, ela é uma espécie de fundamento primitivo de dação do outro, que constitui um campo de abertura ao outro em que, de certa forma, os pensamentos e os sentimentos de um eu e um tu, são co-intencionados. O acontecimento fundamental na relação do eu com o outro é um fluxo em que estão intimamente co-relacionadas as experiências que são minhas e essas que são do outro. A indiferença psíquica entre um eu e o outro garante, inicialmente, um compartilhamento original entre os conteúdos interiores e a expressividade exterior de dois indivíduos. Este campo de compartilhamento fenomenológico, mantém a distinção entre indivíduos, mas permite um mergulho numa experiência comum co-inteniconada. Pretende-se concluir, pelo exposto, que a teoria de Scheler seria fundamento filosófico para a intersubjetividade.

394 Luiza Aparecida Bello Borges e Nathalie Barbosa de la Cadena (Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil) 371 O CONCEITO DE DIGNIDADE HUMANA A PARTIR DO MODELO ANTROPOLÓGICOFILOSÓFICO DE MAX SCHELER Este trabalho alicerça-se no desenrolar de um projeto de dissertação de mestrado. O objetivo é estudar o conteúdo e a fundamentação do conceito de dignidade humana a partir do modelo antropológicofilosófico proposto por Max Scheler. O fenomenólogo compreende o ser humano enquanto dotado de espírito, isto é, enquanto pessoa, atributo que constitui seu objeto de interrogação inicial, qual seja, a peculiaridade humana no mundo. É a pessoa a origem e a fonte de atos de consciência espirituais a partir dos quais ela intui as essências (na dimensão teórica) e os valores (na dimensão prática) na própria vivência. Em ambas as dimensões, Scheler situa o a priori na esfera transcendente, podendo ser intuído pela consciência a partir da vivência (experiência fenomenológica). A fenomenologia scheleriana contrapõe-se ao criticismo de Kant que situa o a priori na dimensão transcendental, somente sendo alcançado através da especulação racional livre de qualquer apelo à experiência. São os valores o ponto de partida da ética material de Scheler e a pessoa é um valor sagrado (nível mais elevado da hierarquia de valores). Ao fazê-lo, a fenomenologia scheleriana supera o formalismo ético kantiano que concebe a pessoa como um fim a partir de uma releitura do imperativo categórico (formal e a priori). Após a revisão de literatura e o confronto entre os modelos antropológicofilosóficos propostos pelo criticismo kantiano e pelo personalismo humanista de Scheler, pretende-se concluir que esta é a opção mais coerente para fundamentar o conceito de dignidade humana, uma vez que permite conceber a pessoa enquanto unidade autônoma, possibilitando uma ponderação de valores, impossível com a proposta kantiana. O desenvolvimento da pesquisa se dá na forma de investigação filosófica em que se define um objeto identificável, qual seja, a comparação do conceito de pessoa de ambos os filósofos, e revisto a partir de uma investigação bibliográfica.

395 Renato dos Santos (Universidade de Coimbra, Portugal) 372 O ESFACELAMENTO DO SUJEITO E A EMERGÊNCIA DO REAL Na modernidade, o sujeito ganha destaque com a filosofia de Descartes, segundo a sua máxima penso, logo existo. O sujeito é, então, aquele que detém o poder de determinar sua própria existência por uma sorte de pensamento, um ato reflexivo que possibilita encontrar a segurança sobre a identidade de si mesmo, do mundo e do outro. Numa perspectiva diversa desta da centralidade do sujeito, buscarei refletir em torno do que escapa à lógica de um eu da representação. Trata-se, noutras palavras, de mostrar que o eu cartesiano é insustentável do ponto de vista do dinamismo da própria existência, dado que no fenômeno da existência não conseguimos manter a consistência de nossa vida recorrendo unicamente ao pensamento, à razão, como aporte de construção de sentido. A existência não se limita ao pensamento que dela se tem. Para sustentar as ideias aqui apresentadas, me servirei da fenomenologia de Merleau-Ponty, mais exatamente das críticas ao sujeito cartesiano, bem como a tese sobre o irrefletido, o invisível, e o estranhamento do mundo. Em seguida, me utilizarei de alguns conceitos da psicanálise, tanto de Freud quanto de Lacan, a fim de evidenciar como o inconsciente vem destituir o sujeito racional do comando absoluto sobre sua existência. Ao mesmo tempo, quero mostrar, com o auxílio da psicanálise, de que forma o sujeito quando fundado na razão adoece, por não conseguir lidar com aquilo que escapa de seu sentido, de seu controle racional. A impossibilidade de consistência simbólico-imaginária da existência é desencadeada por um furo, uma falta estrutural que é exterior e, ao mesmo tempo, íntima ao sujeito. Assim, ao final, veremos emergir o surgimento de um novo sujeito um sujeito atravessado por um outro, um estranho, um vazio, um nada; dando lugar, assim, não mais a uma pura atividade, mas a passividade frente a emergência do real.

396 Patrícia Wazlawick e Bruno Fleck da Silva (Faculdade Antonio Meneghetti e Universidade Federal de Santa Maria, Brasil) 373 O NEXO ONTOLÓGICO COMO POSSIBILIDADE DE SOLUÇÃO AO PROBLEMA CRÍTICO DO CONHECIMENTO: REFLEXÕES INTERDISCIPLINARES Este trabalho tem como tema o problema crítico do conhecimento, um antigo problema da Filosofia, que foi herdado e acarretou desdobramentos em diversas áreas da Ciência. Este problema é abordado com a questão: o homem é capaz de conhecer o que é o real? O objetivo geral, com pesquisa de metodologia teórica e bibliográfica, foi tecer uma análise reflexiva/epistemológica a esta questão, passagens técnicas no percurso da Filosofia, com Sócrates e Immanuel Kant, na Física com Werner Heisenberg, integrando o panorama histórico, científico e filosófico da discussão sobre a teoria do conhecimento e problema crítico do conhecimento, que depois acena e figura na discussão da crise das ciências europeias, por Edmund Husserl, chegando à Meneghetti e a Ontopsicologia, discutindo a solução a este problema. Realizou-se um percurso de aproximação reflexivo em relação ao problema crítico do conhecimento e à possibilidade de conhecer do homem: com Kant, na Filosofia, a crítica da razão pura; com Heisenberg, na Física, a crítica da razão do paradigma científico dominante; com Husserl, na Fenomenologia, a crítica da razão científica e discussão na psicologia, chegando à possibilidade de resposta/solução com a proposta da Ciência Ontopsicológica e o nexo ontológico. Husserl acusa a crise das ciências, a partir das conferências realizadas em Viena e Praga, 1935, verificando que um dos pontos era a existência de um critério pré-estabelecido, convencionado segundo opiniões da comunidade científica, não correspondente ao igual e simples da vida, de forma que a ciência perde, muitas vezes, a causalidade real. A Ontopsicologia, como ciência interdisciplinar que consente o processo de autenticidade e exatidão ao interno dos princípios instrumentais das diversas ciências, propõe o nexo ontológico entre estas, sendo conhecimento do homem no mundo-davida e propondo ao cientista operar a racionalidade com nexo ontológico para poder resolver o problema crítico do conhecimento.

397 Allan Müller e Adriano Furtado Holanda (Universidade Federal do Paraná, Brasil) 374 O PROBLEMA DA VERDADE EM ORTEGA Y GASSET Em sua obra póstuma intitulada Investigações Psicológicas o filósofo espanhol Ortega y Gasset investiga o problema da verdade e sua relação com a constituição de uma ciência. Para tanto, Ortega perfaz uma análise histórica acerca do problema focando principalmente os conceitos de verdade do século XIX, os quais sofriam forte influência do pensamento neokantiano. Destarte, Ortega enfatiza seu estudo naquilo que denomina problemas nodais, buscando com isto resolver sinergicamente os demais problemas oriundos destes. Efetua, então, uma análise aprofundada das qualidades relativas à verdade, à dúvida e à inverdade, entrelaçadas pela relação sujeito e objeto. Tendo como noção que toda teoria é um sistema de verdades, Ortega busca descontruir o ceticismo e o relativismo em prol de uma base contundente para o conceito de verdade visando embasar o conhecimento científico. Para tanto, visita grandes pensadores, tais como Brentano, Wundt, Husserl, dentre outros. Ortega alude à importância de tomar as coisas como são, pois a ciência europeia do século XIX vivenciava uma profunda crise. Assim, propõe analisar a constituição das ciências visando superar o idealismo e o subjetivismo e encontra em Husserl o nexo de conjunção da polarização sujeito e objeto. Contextualizando historicamente esta polaridade, Ortega sugere três metáforas para retratar os principais pensamentos relativos a explicação da relação do homem com seu meio em cada época. A primeira é denominada época de cera e foca a questão no objeto; A segunda metáfora, continente e conteúdo, impõe um enfoque no sujeito; por fim, a via intitulada Dii Consentes refere-se à relação mútua da consciência e da realidade. Eu sou eu e a circunstância dirá Ortega, isto é, consciência e realidade, vida e razão.

398 Camila Pacheco Gomes (Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil) 375 REFLEXÕES SOBRE A TÉCNICA FENOMENOLÓGICA, SEGUNDO LEVINÁS O presente trabalho tem por objetivo apresentar alguns aspectos que envolvem o método propriamente fenomenológico de matriz husserliana, a partir da leitura de Emmanuel Levinas. Ora, é numa cruzada contra o naturalismo, do qual o psicologismo é uma de suas vertentes, que o filósofo alemão Edmund Husserl ( ) lança as novas bases de um método descrevendo, pois, a fenomenologia como uma ciência de rigor cujo procedimento implica uma espécie de retorno à consciência, ou seja, a descrição das estruturas puras da consciência como fenômeno. Pois bem: Levinas mostra que a fenomenologia não explica os porquês dos fenômenos, a descrição fenomenológica procura o significado do finito no próprio infinito. Fazer fenomenologia é denunciar como ingênua a visão direta do objeto, logo o método fenomenológico proposto por Husserl, exige um árduo estudo no que se refere ao desvelar do fenômeno da subjetividade em sua pureza transcendental. Na obra Descobrindo a existência em Husserl e Heidegger (1967), Levinas tratará da importância de retomar os estudos de uma submissão do eu racional totalizante, pois a questão do eu, no seu existir unicamente, sob a luz de uma consciência, na qual se percebe como um eu junto do mundo, um eu encarnado, seria ao ver de Levinas um tanto quanto curiosa, pois, essa mesma fenomenologia levaria a ruína da representação. Levinas então apresentaria uma nova forma de fazer filosofia que não parte da lógica do mesmo, mas sim de uma alteridade, a questão do outro, que se manifesta com um rosto, como presença como outrem. Compreender o eu no seu sentido levinasiano, é estar imerso em outra busca: atitude de respeito, de responsabilidade, de cuidado, não só em relação a si mesmo, mas também e sobretudo, ao outro.

399 PROGRAMAÇÃO DO CONGRESSO 376

400 09:30:00 10:30:00 12:00:00 Conferência de Abertura (Teatro da Reitoria) VI Encontro do GT de Fenomenologia da ANPOF e I Encontro do GT Fenomenologia, Saúde e Processos Psicológicos da ANPEPP Segunda - Feira (22/07) Sessão Solene de Abertura Angela Ales Bello (PUL - Itália) - Análise fenomenológica da saúde do corpo, da psique, do espírito Almoço Mesa Redonda 1 (Teatro da Reitoria) Andrés Eduardo Aguirre Antúnez (USP) - A operacionalidade da fenomenologia henryana no acolhimento terapêutico de estudantes universitários com ideações suicidas Ileno Izidio da Costa (UnB) - Considerações fenomenológicas sobre Sofrimento e Crise Psíquica: apontamentos para uma (re)visita à psicopatologia clínica Shirley Macedo (Univasf) - Hermenêutica Colaborativa: ação humanistafenomenológica em grupos interventivos com universitários em sofrimento psíquico 14:00:00 Mesa Redonda 2 (Anfiteatro 100) Rui Josgrilberg (UMESP) - Sentir e Sentido em Merleau-Ponty, Paul Ricoeur, e Michel Henry Hélio Salles Gentil (USJT) - A fragilidade afetiva na Filosofia da Vontade de Paul Ricoeur Nilton Julio de Faria (PUCCampinas) - Ética e Ontologia da Ação em Paul Ricouer Mesa Redonda 3 (Sala Homero de Barros) Carlos Serbena (UFPR) - Experiência do Numinoso, Símbolo e Saúde Sylvio Fausto Gil (UFPR) - Mito e Religião na Fenomenologia Cassireriana Raquel Paiva (UnB) - A Psicoterapia Integrada à Espiritualidade Fenomenologia, Sofrimento Psíquico e Vivências Espirituais Sessões Temáticas 15:30:00 1) Estudos históricos sobre fenomenologia, existencialismo e humanismo (Sala 109) 2) Estudos teóricos sobre fenomenologia, existencialismo e humanismo (Sala 613) 3) Psicologia clínica na fenomenologia, abordagens existenciais e humanistas (Anfiteatro 1100) 4) A fenomenologia na formação em Psicologia (Anfiteatro 600) 5) A pesquisa fenomenológica (Anfiteatro 900) 6) Fenomenologia nas instituições públicas (Sala 112)

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