DESENVOLVENDO O TURISMO RURAL EM UM MEIO DE HOSPEDAGEM RURAL: SPA XANGRILÁ

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1 V I I S E M E A D E S T U D O D E C A S O G E S T Ã O S O C I O A M B I E N T A L DESENVOLVENDO O TURISMO RURAL EM UM MEIO DE HOSPEDAGEM RURAL: SPA XANGRILÁ Juliano Zanoni Especialista em Gestão e Análise Ambiental, Tutor Eletrônico do curso de Ensino a Distância da UNOPAR do curso de Tecnologia em Turismo. Silvio Roberto Stefano Professor Mestre do Departamento de Administração da UNOPAR da UNICENTRO e das Faculdades Guarapuava JULIANO ZANONI Rua Antero de Quental, 95 Londrina Pr CEP: Tel.: (43) ou SILVIO ROBERTO STEFANO Rua Pres. Zacarias, 875 Guarapuava PR CEP: Tel.: (42) RESUMO Nas últimas décadas diversos proprietários rurais vem diversificando suas atividades, com o turismo rural e até mesmo o eco-rural, conciliando estas atividades econômicas com as demais de suas propriedades. Este estudo objetivou a análise da exploração sustentável de uma propriedade rural trabalhando a educação ambiental como o seu principal produto comercial. Baseando-se na Chácara Adonai Ervas Medicinais, Condimentos & Cia., que se localiza no município de Londrina, onde se desenvolvem atividades direcionadas: ervas medicinais e a hospedagem rural. A metodologia caracteriza-se como exploratória de caráter descritiva, o período compreendeu o segundo semestre de 2002 e utilizou-se dados primários e secundários. A partir da pesquisa bibliográfica e outra in loco para diagnóstico (pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades), aponta-se as seguintes propostas: reformar e reestruturação dos alojamentos visando diminuir o impacto ambiental, formação das diretrizes da propriedade para preservar os atrativos ambientais da região, formação de um plano ambiental eficaz que seja capaz de educar tanto os visitantes como a comunidade vizinha à propriedade. Os resultados e conclusões apontam para um potencial turístico expressivo na propriedade analisada, podendo-se desenvolver vários segmentos do mercado turístico, como por exemplo: turismo ecológico, turismo eqüestre e até mesmo turismo de eventos. PALAVRAS CHAVES: Gestão ambiental, eco-turismo, educação ambiental.

2 Desenvolvendo o turismo rural em um meio de hospedagem rural: SPA Xangrilá INTRODUÇÃO O presente trabalho visa discutir alternativas e opções para que o empreendedor rural reestruture a infra-estrutura da sua propriedade minimizando os possíveis impactos ambientais que geraria se não tivesse tal preocupação. Utilizando-se da educação ambiental como o principal atrativo turístico para a sua propriedade. O meio rural e a educação ambiental são tendências que estão crescendo cada vez mais, mas como opções de turismo alternativo. Pode-se dizer que talvez o turista urbano já esteja saturado de ficar hospedado em grandes hotéis que estão localizados em mega metrópoles. A sua preferência nos dias de hoje tem sido fugir para o campo em buscar de paz e tranqüilidade que não tem encontrado na cidade por causa da violência e da poluição sonora etc. A exploração do turismo rural é recente, contudo está despertando o interesse não somente de turistas como também de empresários rurais que estão gerando mais receitas através da exploração turística dos recursos naturais que estão a disposição nas suas fazendas, sítios ou chácaras. O turismo rural é uma modalidade ainda relativamente nova no Brasil quando comparada a outras, como o modelo sol e praia e o eco-turismo. Não há marcos precisos para datar o início dessa atividade no Brasil devido à grande extensão geográfica do país. Com o rótulo de turismo rural, entretanto, sabe-se que as primeiras iniciativas oficiais, em escala estadual, ocorreram no município de Lages, localizado no planalto catarinense, na fazenda Pedras Brancas. Em 1986, a fazenda propôs a acolher visitantes para passar um dia no campo. Oferecendo pernoite e participação nas lidas do campo, são consideradas pioneiras também a fazenda Barreiro e a fazenda Boqueirão. As iniciativas multiplicaramse rapidamente não somente em Lages, mas em todo o território brasileiro, particularmente nas regiões Sul e Sudeste. Mais recentemente aderiram à atividade muitos municípios da região Centro-Oeste, com destaque para o Mato Grosso do Sul. (ALMEIDA; RIEDL, 2000, p. 51) Os empresários e proprietários que não possuem o conhecimento necessário para aplicar o turismo rural em suas propriedades podem contar com o serviço de consultores que irão auxilialos na elaboração dos projetos, afim de comercializar o turismo de forma sustentável (minimizando os impactos ambientais) além de se tornar uma atividade rentável para o grande ou micro empresário rural em médio ou longo prazo. Um fator interessante sobre o turismo rural é que segundo a autora Olga Tulik, o turismo rural surgiu na França no ano de 1948, com o principal objetivo de conter o êxodo rural dentre outros fatores como: a preservação do meio ambiente, a preservação do patrimônio e da cultural local. E que segundo a autora o turismo rural adotado pelos empreendedores brasileiros foi montado nos modelos europeus, embora não com objetivo de combater o êxodo rural, mas sim por questões estritamente financeiras. A oferta e as opções do ecoturismo estão no seu auge, as pessoas tem procurado alternativas em suas viagens e estas alternativas estão vinculadas a natureza e aos seus atrativos turísticos. Hoje existem inúmeros pessoas que gostam de se reunir para ir acampar em lugares isolados, praticar escaladas, fazer trilhas, praticar mergulho, praticar, rapel entre outros esportes vinculados a natureza.

3 Hoje, no entanto, basta abrir o caderno de turismo de qualquer jornal e escolher uma das inúmeras opções de excursões para que existem para esses locais. É possível passar uma semana em lodge (hotel de selva) às margens do rio Negro, fazer um trekking 1 pelo Himalaia, descer de bote inflável um rio da Cordilheira dos Andes ou passar um mês em um transatlântico na Antártica, consultando apenas uma das inúmeras agências especializadas no chamado ecoturismo, que se espalharam pelo país nestes últimos cinco anos. (BARBIERI, 1998, p. 92) Já que de um lado existem as demandas turísticas, ou seja, de turistas interessados pelo turismo que esteja vinculado aos atrativos da natureza. De outro lado existem empresários que se preocupam em preservar o meio ambiente para poder explora-lo turisticamente, há também uma série de empresas privadas ou públicas interessadas no desenvolvimento do ecoturismo em determinadas localidades. Algumas empresas privadas como as agências de turismo e empresas de esportes radicais querem levar grupos de turistas para determinadas localidades que despertam grande interesse pelos seus belos atrativos naturais. No caso das empresas públicas, exemplo: EMBRATUR 2, a Secretária Estadual de Turismo ou a Secretária Municipal de Turismo buscam alternativas de fomentar o turismo e fazer crescer as regiões com a exploração desta atividade econômica. No caso da exploração da educação ambiental como produto turístico, podem ser contempladas algumas práticas de turismo em potencial, que são: Turismo Ecológico, Turismo de Aventura, Turismo Rural e o Turismo de Saúde. Em cada uma destas práticas de turismo podem ser desenvolvidas uma série de atividades comerciais que visam a geração de receitas, tanto para a comunidade nativa da localidade, que será explorada, como para o município e o estado. Algumas práticas que são do interesse notório dos ecoturistas são: a observação de aves, a pesca esportiva, rapel, montanhismo, escalada, rafting 3, espeleologia 4, eco-ciclismo entre outras modalidades que atraem os aventureiros. 1 Caminhada (trekking): consiste na realização de caminhadas, em trilhas ou não, onde o turista carrega seu próprio equipamento em mochilas especiais. Próprio para contemplar paisagens, como cascatas, montanhas, praias, além da observação da fauna ou flora. O local visitado é muitas vezes, acidentado ou desportivo de acesso, e a caminhada é a única alternativa para chegar até ele. Muitos hotéis e/ou pousadas, localizados em áreas verdes, estão proporcionando aos seus hóspedes esse tipo de atividade em sua programação, porém monitorada por profissionais experientes. (GOIDANICH, 2000, p. 12) 2 Embratur T Sigla de Instituto Brasileiro de Turismo. (PELLEGRINI FILHO, 2000, p. 90) 3 Enfrentar corredeiras a bordo de um bote de borracha requer, antes de mais nada, trabalho em equipe. O rafting é feito geralmente com 6 remadores, entre os quais um instrutor que dá os comandos (CIDADE AVENTURA, 07 mar. 2004) 4 espeleologia E T [Do gr. spelaion, caverna + estudo.] S.f. Especialidade da geologia que trata de cavernas e grutas naturais. (PELLEGRINI FILHO, 2000, p. 95)

4 O fator decisivo para os aventureiros decidirem por uma localidade turística, são as paisagens que vão encontrar (ou seja, a fauna 5 e flora 6 a riqueza de um ecossistema, localidades que foram preservadas da ação do homem durante séculos de destruição dos recursos naturais do planeta). Já que a ascensão da atividade do turismo vem crescendo e gerando mais receitas para as fábricas e a indústria do turismo nada mais justo que os órgãos competentes cuidem com mais eficácia dos planos preventivos da segurança dos recursos naturais....até os dias de hoje, o ecoturismo atrai cada vez mais adeptos. De 1990 até 1995 cresceu entre 30 e 40 %; no mesmo período, o setor empresarial turístico teve um crescimento estimado em 8%, o que é muito, comparando-se com outros segmentos da economia. O que antes tinha o intuito custear pesquisas sobre gorilas, pandas e baleias, atualmente é um negócio altamente rentável, que gera milhões de dólares por ano. (BARBIERI, 1998, p. 92) Os próprios ecoturistas já são meio fiscais protetores da natureza uma vez que se preocupam em desfrutar dela sem colocar em risco a sobrevivência da fauna ou flora por onde passam. Em alguns casos os turistas que estão passeando em parques ou dentro de grandes áreas de matas nativas que ainda não são parques, já fazem parte de alguma organização não governamental e procuram ficarem atentos aos mal feitores da natureza para poderem denuncialos a justiça. PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVO Existe demanda pelo turismo em áreas rurais que trabalham a educação ambiental na região de Londrina e regiões vizinhas. Se for comprovada a existência de demanda com que freqüência ela irá ao atrativo turístico em questão? É viável sugerir a conversão de uma parte da propriedade que está servindo como objeto de estudo da monografia como uma RPPN 7. É necessário expor a comunidade rural vizinha da estância à importância em explorar a região turisticamente e os benéficos que os turistas vão gerar para a localidade. Que ferramentas serão mais úteis para conscientizar a comunidade e empreendedores rurais, a desenvolver a atividade turística no meio rural sem prejudicar os recursos naturais? 5 fauna E T S.f. O conjunto das espécies animais de determinado hábitat ou de determinado estrato geológico. (PELLEGRINI FILHO, 2000, p. 102) 6 flora E T S.f. O conjunto das espécies vegetais de determinada região ou de um período geológico. A convergência de diversos fatores determina a flora típica de um biótopo solo, precipitações, incidência de luz solar, ação de animais no transporte de sementes etc. (PELLEGRINI FILHO, 2000, p. 106) 7 As Reservas Particulares do Patrimônio Natural, também conhecidas como RPPNs, são áreas de conservação de natureza em propriedades privadas. A existência de uma RPPN é um ato de vontade, o proprietário é que decide se quer fazer de sua propriedade, ou parte dela uma RPPN, sem que isso acarrete perda do direito de propriedade. (IBAMA, 26 mar. 2001g)

5 METODOLOGIA O suporte metodológico do presente trabalho caracteriza-se como sendo um levantamento descritivo, com uso de duas fases, qualitativa primária e secundária e quantitativa primária. Os dados primários da fase qualitativa foram coletados de documentos relativos ao SPA que é o objeto de estudo do trabalho de pós-graduação (conversas informais). Em cima dos resultados das conversas informais com uma das proprietárias e dos documentos pesquisados, foi aplicada a técnica de análise de conteúdo de maneira a extrair as informações mais relevantes. Importante comentar que os principais tipos de documentos pesquisados foram livros. Os dados da pesquisa de campo, exploratória e quantitativa foram coletados através de 1000 questionários. Sendo que 800 foram aplicados aleatoriamente nos estudantes (de vários cursos) e funcionários do campus da Universidade Estadual de Londrina. Os outros 200 questionários foram aplicados aleatoriamente nos estudantes da Universidade Norte do Paraná. OBJETIVO GERAL Analisar a educação ambiental como principal atrativo, para turistas que tenham afinidade com o turismo no meio rural. Desenvolvendo também a consciência ambiental nos proprietários rurais. Objetivos Específicos a) Realizar um diagnóstico global da propriedade rural, compreendendo seus pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades; b) Analisar o potencial turístico da propriedade analisada; c) Discutir a educação ambiental como suporte para exploração sustentável da atividade turística. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O turismo rural vem se tornando cada vez mais um dos principais atrativos turísticos que tende a crescer por ser uma atividade que exige menos dinheiro do público alvo que prática este tipo de lazer. Mas é claro que mesmo no turismo rural ou turismo ecológico existem opções para todos os bolsos e gostos. Numa chácara de três alqueires, os produtores Nazilda e Odácio Manchini cultivam mais de 100 espécies de ervas medicinais, que são comercializadas na Feira de Lua. (MENDONÇA, 14 jun. 1998, p. 4A). A busca de novas opções de comercio para serem desenvolvidas no trade 8 turístico é muito importante, pois os turistas estão saturados de ficarem num espaço agradável e sempre a 8 trade n 1 comércio. 2 negócio. he does a goad trade / ele faz bons negócios. 3 tráfico. vt + vi comerciar, negociar. 2 trocar, intercambiar. foreign trade comércio exterior. home/domestic trade comércio nacional. jack of all trades homem dos sete instrumentos. to trade (up) on tirar proveito de, especular. trade and industry comércio e indústria. (MICHAELIS: DICIONÁRIO ESCOLAR DE INGLÊS, 2001, p. 333)

6 disposição mesmas coisas para fazerem. Por esse motivo o cultivo e exploração das ervas medicinais pode ser um fator para se alavancar o turismo rural, setor que apresenta tantos atrativos turísticos. Tidos como locais para tratamento médico que se utilizavam-se de recursos naturais como as fontes termais. Embora a prática da utilização de fontes termais também seja usada nos grandes hotéis resorts 9. São voltados para hospedes interessados em saúde e cuidados com o corpo. Originalmente, os spas vinculavam-se a locais onde as propriedades terapêuticas das águas constituíam o atrativo principal. Hoje, o interesse por esse tipo de instalação vem se ampliando, com o foco sendo desviado para o controle de peso e o condicionamento físico. (ANDRADE; BRITO; JORGE, 2000, p. 85) Em ambos os casos o tratamento pelas fontes termais e o da obesidade requerem mão-deobra qualificada, pois o acesso nas fontes termais poderá gerar graves queimaduras na pele e a falta de proteínas na alimentação pode gerar uma anemia ou seqüela pior no indivíduo que se encontra em tratamento médico. No começo buscava-se apenas a compreensão da natureza através da educação ambiental, o homem analisa a natureza e os efeitos de sua interação sobre ela. A conferência da ONU 10 sobre meio ambiente e desenvolvimento, realizada em 1977 em Tibilisi, na ex-união Soviética, definiu naquela época que o objetivo fundamental da educação ambiental é: Fazer com que os indivíduos e a coletividades compreendam a natureza complexa do meio ambiente natural e do criado pelo homem resultante da interação de seus aspectos biológicos, físicos sociais, econômicos e culturais e adquiram os conhecimentos, os valores, os comportamentos e as habilidades práticas para participar responsável e eficazmente na preservação e na solução dos problemas ambientais e na questão da qualidade do meio ambiente. (BARBIERI, 1998, p. 89) Mas o tempo foi passando e com ele o buraco na camada de ozônio foi aumentando (por conseqüência o clima em determinados pontos do planeta foi se alterando), o aparecimento das chuvas ácidas, o derretimento das calotas polares, o aumento de construções de usinas nucleares, o extensivo aumento dos recursos naturais não renováveis entre outros fatores, começaram a chamar a atenção da população mundial. O Brasil sofreu muito no que diz respeito à questão da preservação ambiental, como também na educação das pessoas, processo que teria minimizado os impactos ambientais pelos quais passaram e ainda estão passando os estados brasileiros. A principal ameaça para os biólogos e geólogos é o desaparecimento da mata atlântica. 9 hotel de resort E T Tipo de hotel destinado a turistas em férias, portanto, de lazer geralmente localizado junto a um atrativo da natureza. Procura valorizar o descanso e a distração mediante a associação de seu equipamento convencional com a oferta diferencial representada por bens do meio ambiente (cachoeira, ar puro, bosque, fonte de água, praias, esportes aquáticos etc.). Assim, é um tipo de estabelecimento hoteleiro que oferece atrativos além do chamado in-door: atrativos da natureza. (PELLEGRINI FILHO, 2000, p. 129) 10 ONU. Sigla da Organização das Nações Unidas. [Em ingl.: UNO.] (FERREIRA, 1986, p. 1225)

7 Podemos apreciar o quadro abaixo e ver o tamanho da extensão e da ganância da humanidade perante a destruição que causou nas suas floras, prejudicando com isso a harmonia que é o grande ecossistema que pode-se denominar planeta terra. Quadro 2 Situação das Florestas nos Principais Países PAÍS COBERTURA COBERTURA ORIGINAL ATUAL ÁREA DESMATADA / ANO Brasil km km km 2 América Central km km km 2 Zaire km km km 2 Índia km km km 2 Indonésia km km km 2 Fonte: dados elaborados pelo autor através de adaptação feita de OLIVEIRA (2000a, p ). O público que busca o turismo rural geralmente são pessoas que já tem origem rural e querem matar a saudade das coisas que realizavam na infância ou que presenciaram na adolescência. Portanto, pode ser vista como uma fulga para o campo. É o turismo praticado em áreas (fazendas, sítios ou chácaras) para proporcionar aos visitantes a oportunidade de participar das atividades próprias da zona rural, como: andar a cavalo, ordenar vacas, passear de carroça, tomar banho de rio ou cachoeira, caminhar pelos campos, comer churrasco, tomar chimarrão etc. É intensamente procurado por pessoas que residem em grandes centros urbanos e que precisam de um descanso físico e mental. Esse tipo de turismo exige estrutura apropriada e investimento, pois as pessoas que o praticam querem conviver em ambiente rústico, porém com um mínimo de conforto. (OLIVEIRA, Pereira, 2000, p. 72) As pessoas que tem origem no campo gostam de levar os seus filhos juntos para aprenderem como é a vida no campo e também para conhecerem os animais que são criados na fazenda. Pois existem crianças que foram criadas no meio urbano que nunca viram uma vaca, um cavalo, uma cabra, uma galinha entre outros animais. Sendo assim, é uma forma de aprendizado para as crianças e uma maneira para os pais relaxarem longe dos problemas das cidades grandes. O turismo de saúde surgiu de forma mais eletizada para as pessoas de alto poder aquisitivo. As localidades que oferecem este tipo de turismo geralmente são os: SPAs, as estâncias e algumas clínicas de tratamento para desintoxicação de usuários de drogas. Claro que também existem outras modalidades. Praticado por pessoas que necessitam realizar tratamentos de saúde e, por isso procuram locais onde existem clínicas e serviços médicos especializados. Como exemplo desse tipo de turismo, Cuba é um destino de saúde por excelência, graças a seus avanços científicos

8 e suas novas técnicas em todas as especialidades da medicina. (OLIVEIRA, Pereira, 2000, p. 75) O turismo de saúde cresceu muito nos últimos anos. Existem fatos históricos que contam a legitimidade e do auge do turismo de saúde, como o caso do incidente nuclear da usina que aconteceu na Ucrânia em 1989, os feridos foram todos transferidos para Cuba onde se concentram os melhores especialistas do mundo na área de queimaduras. Pode-se mencionar o caso dos médicos sem fronteiras que viajam o mundo para tratar de pacientes que necessitam de tratamento médico urgente. A atividade do turismo ecológico é muito comum no continente africano onde são promovidos os denominados safáris ecológicos. Diferente do passado, os turistas se preocupam em fotografar os animais ameaçados de extinção e não estão interessados em caça-los como os exploradores ou colonizadores do passado. Praticado por pessoas que apreciam a natureza, entre as quais destacam-se os residentes em países desenvolvidos, industrializados. Interessadas em manter contato com os elementos da natureza que já desapareceram das grandes cidades, essas pessoas buscam locais nos quais a natureza ainda permanece intacta, como as regiões do Pantanal e da Amazônia. O objetivo desses visitantes é respeitar ar puro, apreciar a beleza do ambiente e registrar em fotos e filmes os elementos da fauna e da flora. (OLIVEIRA, Pereira, 2000, p. 69) Os turistas da natureza ajudam a criar a conscientização ambiental nos demais visitantes de um parque, pois os mais velhos se reeducam e não pensam mais em matar os animais que hoje trazem turistas para a região que por conseqüência geram receitas para a comunidade local. E as crianças aprendem que preservar os animais hoje vai garantir que as próximas gerações poderão aprecia-los no futuro (evitando que saiam da lista de espécies ameaçadas de extinção). ANÁLISE DOS RESULTADOS Questão 16 - Quando você está praticando turismo no meio rural. Você apanha o seu lixo em sacos plásticos? Na grande maioria dos casos, ou seja, 94 % os turistas apanham o lixo que estão produzindo em suas atividades turísticas pelas zonas rurais. Minimizando os impactos ambientais que estão ocasionando durante a sua permanência. Mas ainda falta um pouco de conscientização ambiental no 6 % restante que não recolhe o seu lixo de acordo com o gráfico 16.

9 Gráfico 16 - O Turista Apanha O Lixo Que Produz Na Zona Rural: 100% 50% 0% 94% Sim 6% Não Opções Questão 17 - Quando você costuma encontrar lixo que foi jogado por outra pessoa você o recolhe? O grande problema dentro da exploração da atividade do ecoturismo dentro do Brasil, é que o turista na maioria dos casos não apanha o lixo que é gerado por outros turistas. Fatos que são comprovados através das respostas dos ouvintes da pesquisa quantitativa, que em sua maioria 50,90 % afirma não apanhar o lixo que é gerado por outros turistas que encontra dentro de áreas de preservação ambiental de acordo com o gráfico 17. Gráfico 17 - O Turista Apnha O Lixo Deixado Por Outros? 100,00% 50,00% 49,10% 50,90% 0,00% Sim Não Opçõs CONCLUSÃO O grande fator que leva os empreendedores do meio rural a desenvolverem as suas atividades turísticas no meio rural é o conselho que é dado por amigos ou parentes correspondendo a 28,57 %. Apesar da atividade turística no meio rural ser uma coisa bem recente, cerca de 57,14 % dos empreendimentos rurais (estão funcionando a mais de dois anos). Os principais atrativos turísticos que foram encontrados nas propriedades foram os tanques de peixe correspondendo a 57,14 % (confirmando os investimentos dos proprietários no setor do turismo de pesca), as outras atividades corresponde a 42,85 % (que abrange áreas para eventos, restaurantes e lanchonetes). Na opinião dos empreendedores rurais a demanda pelos seus empreendimentos é mais forte na maioria dos casos, nos finais de semana correspondendo a 85,71 % (e nos feriados prolongados). Existe demanda de turistas por localidades que trabalham com a questão ambiental e ela seria mais nos finais de semana. Torna-se viável a conversão de uma parte da propriedade em RPPN, pois devido ao grande número de espécimes arbóreas e de aves encontradas na região

10 torna-se eminente a importância de preservação permanente da localidade. Para que a atividade turística seja desenvolvida de uma forma sustentável é indispensável o comprometimento de ambas as partes: empreendedores, comunidade vizinha e turistas. Para que a educação ambiental esteja constante foi sugerido a utilização de material gráfico (uma cartilha que a satisfazer a necessidade de orientar os turistas adultos e uma atividade para as crianças pintarem e se conscientizarem. Embora o que pretenda-se desenvolver na região, não seja apenas uma atividade econômica bem rentável, mas sim uma atividade econômica que esteja vinculada ao turismo explorando os recursos naturais de uma forma consciente e responsável buscando a conscientização dos turistas, empresários e também da comunidade local. Para o sucesso de um projeto no meio rural que inclua a exploração de recursos naturais em prol das atividades turísticas. Enfatiza-se que o empreendedor faça um planejamento estratégico sobre o que pretende-se implantar e se a sua propriedade vai ter suporte de infraestrutura para comportar os turistas sem gerar grandes impactos ao meio ambiente. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Joaquim Anécio; RIEDL, Mário. Turismo rural: ecologia, lazer e desenvolvimento. Bauru: EDUSC, 2000, p. 51. ANDRADE, Nelson; BRITO, Paulo Lucio de; JORGE, Wilson Edson. Hotel: Planejamento e Projeto. 2. ed. São Paulo: SENAC, BARBIERI, Edison. Biodiversidade: capitalismo verde ou ecologia social? São Paulo: Cidade Nova, 1998, p EMBRATUR. In: PELLEGRINI FILHO, Américo. Dicionário enciclopédico de ecologia e turismo. 1. ed. São Paulo: Manole, 2000, p. 90. ESPEOLOGIA. In: PELLEGRINI FILHO, Américo. Dicionário enciclopédico de ecologia e turismo. 1. ed. São Paulo: Manole, 2000, p.95. FAUNA. In: PELLEGRINI FILHO, Américo. Dicionário enciclopédico de ecologia e turismo. 1. ed. São Paulo: Manole, 2000, p.102. FLORA. In: PELLEGRINI FILHO, Américo. Dicionário enciclopédico de ecologia e turismo. 1. ed. São Paulo: Manole, 2000, p.106. MENDONÇA, Gisele. Com 7 ervas, casal faz Viagra Natural. Jornal de Londrina, Londrina, 19 jul Jl-Cidade, p. 4A. OLIVEIRA, Elísio Márico de. Educação ambiental: uma possível abordagem. 2. ed. Brasília: IBAMA, 2000a, p

11 OLIVEIRA, Antônio Pereira. Turismo e Desenvolvimento: Planejamento e Organização. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000b. ONU. In: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, p RAFETING. In: CIDADE AVENTURA. Rafting. Disponível em: «http://www.cidadeaventura.com.br/gold/esporte2.php?esporte=rafting». Acesso em 07 mar RESORT. In: PELLEGRINI FILHO, Américo. Dicionário enciclopédico de ecologia e turismo. 1. ed. São Paulo: Manole, 2000, p.129. RPPN. In: IBAMA. Tudo o que você sempre quis saber sobre as reservas de patrimônio natural. Disponível em: «http:www2.ibama.gov.br/unidades/rppn/duvidas.html». Acesso em 26 fev TRADE. In: MICHAELIS: dicionário escolar de inglês. São Paulo: Melhoramentos Ltda., 2001, p TREKKING. In: GOIDANICH, Karin Leyser. Turismo esportivo. Porto Alegre: SEBRAE/RS, 2000, p. 12.

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