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1 Arquivo Público do Estado de São Paulo Oficina: O(s) Uso(s) de documentos de arquivo na sala de aula Ditadura Militar e Anistia (1964 a 1985). Anos de Chumbo no Brasil. Ieda Maria Galvão dos Santos 2º Semestre/

2 Eixo Temático: Cidadania. Componente Curricular: História. Tema: Ditadura Militar e a Lei de Anistia. Título: Anos de Chumbo no Brasil ( ). Público: 9.º ano Ensino Fundamental. Tempo estimado: 07 aulas. Justificativa: O Brasil viveu um longo período sob o jugo da ditadura militar, enfrentou vários percalços, com avanços e retrocessos, modificando os rumos da nossa história. Durante esse período que ficou conhecido como Anos de Chumbo, o governo militar silenciou muitos membros de nossa sociedade, pois defendiam a volta da democracia e o fim das desigualdades sociais, econômicas e políticas no país. Mas o poder estava concentrado nas mãos do presidente, através de Atos Institucionais (AI), que por várias vezes contrariavam o conceito de cidadania. Esse trabalho se faz importante, pois permite a leitura crítica dos alunos de várias fontes documentais, refletindo e interpretando esse período da história do Brasil. O aluno poderá compreender o processo histórico que conduziu às lutas de resistência à ditadura militar brasileira ( ) pela libertação dos presos políticos e pela anistia bem como os processos de reconstrução de memória. Objetivo Geral: Esta sequência didática tem como objetivo de levar o aluno a refletir sobre determinadas ações humanas, onde o poder se refere à capacidade de ação e de afirmação de si mesmo, de um indivíduo ou de um grupo. 2

3 Objetivos Específicos Caracterizar o regime militar que se implantou no Brasil. Reconhecer as várias formas de resistência promovidas contra a ditadura militar no nosso país. Analisar as diferentes interpretações da Lei de Anistia de 1979 Debater e utilizar diversas fontes históricas, relacionar conteúdos, interpretar imagens, questionar, observar, e fazer inferências são as habilidades e competências desenvolvidas e a serem estimuladas com estas propostas. Valorizar os ideais de democracia e justiça social. DESENVOLVIMENTO: 1.ª aula: Problematização: O Brasil já viveu sob uma ditadura militar? Qual o significado dos termos Ditadura, Anistia, Diretas Já? Através de explanação oral com apresentação de slides, os alunos conhecerão previamente a estrutura social, econômica e política da Ditadura Militar ( ) no Brasil e as formas de resistência política desenvolvidas neste período, bem como a Lei da anistia. 2.ª Aula: Seleção de documentos Em seguida, a turma será dividida em grupo, para pesquisarem na internet documentos, textos jornalísticos, imagens, músicas disponíveis também, no site do Arquivo do Estado de São Paulo, acerca do tema, das manifestações populares, as formas de repressão e violência, a fim de que possam analisar o comportamento e as aspirações da opinião pública naquela época, abrindo espaço para debate para cada grupo apresente leitura e interpretação dos textos a todos. A coleta de todo material selecionado após análises serão reunidas em exposição e na resolução de questões. 3

4 3.ª aula: Leitura e Análise: a Arte como instrumento de agitação política. Um grupo que se destacou na luta contra a opressão foi o dos artistas: atores, músicos, cineastas, artistas plásticos, poetas, escritores... Cada um contribuía com o que melhor sabia fazer, questionando os fatos e informando a população, apesar de censurados pelos órgãos opressores. E, como bons artistas, os músicos populares brasileiros descreveram os horrores da ditadura nos mínimos detalhes. Descrições que perpetuam até os dias atuais, trazendo à tona toda a covardia aplicada contra nosso povo, e que não nos deixam esquecer todas as atrocidades cometidas contra nosso país. Na década de 60, a censura tentou calar quem tinha algo a falar. Mas alguns músicos acharam uma brecha e deixaram para a posteridade seu pesar. Um dos mais ilustres artistas militantes foi Chico Buarque que, com outros grandes nomes, como Milton Nascimento, Caetano Veloso através das canções disse ao mundo que a liberdade de expressão estava caçada no Brasil. Outro grande expoente do período foi Geraldo Vandré que compôs Pra não dizer que não falei das flores, um hino contra a ditadura. Anexo 01. Os alunos serão convidados a ouvir esta canção através do vídeo: Ditadura Militar, disponível em Analisar o que o autor enfatiza com a mensagem da canção e as imagens do vídeo? Interpretar os versos em negrito da música. 4

5 Aula 04: Observação de Documentos. Anexo 02. Espera-se que o aluno observe e descreva sobre o comportamento da sociedade diante do período militar brasileiro, por meio das ironias da charge apresentada, no Movimento. São Paulo, 02 jul. 1979, p. 24. Apesp. Aula 05: Observação de Documentos. Anexo 03. Leitura, análise, seleção das principais ideias do documento jornalístico A Oposição condena as restrições. Movimento. São Paulo, 2 a 7 jul. 1979, pp. 5 e 6. Apesp. a) Identificar o jornal, a data e as principais ideias do texto. b) Analisar as críticas da oposição ao projeto de Lei da Anistia e verificar se fazem sentido, quando analisamos a Lei da Anistia (Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979). Aula 06 e 07: Avaliação. A avaliação deverá percorrer a participação dos alunos durante todo o processo de aprendizado: Como última etapa a avaliação se realizará em dois momentos: Os alunos deverão produzir um texto com suas conclusões individuais acerca do tema Resolução de questões. 5

6 Anexo 01. Música: Pra não dizer que não falei das flores Geraldo Vandré. Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Nas escolas nas ruas, campos, construções Caminhando e cantando e seguindo a canção. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer Pelos campos há fome em grandes plantações Pelas ruas marchando indecisos cordões Ainda fazem da flor seu mais forte refrão E acreditam nas flores vencendo o canhão Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Há soldados armados, amados ou não Quase todos perdidos de armas na mão Nos quartéis lhes ensinam antigas lições De morrer pela pátria e viver sem razão. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Nas escolas, nas ruas, campos, construções Somos todos soldados, armados ou não Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não. Os amores na mente, as flores no chão A certeza na frente, a história na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinando uma nova lição. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. 6

7 ANEXO 02 - Observação de imagem. CHARGE: Movimento. São Paulo, 02 jul. 1979, p. 24. Apesp. A charge teve presença garantida nos principais jornais da imprensa alternativa durante o período da história brasileira marcada pela ditadura militar. A Lei de Anistia foi decretada em agosto de 1979 pelo presidente João Batista Figueiredo. De acordo com leitura e interpretação da charge, responder: O que a charge retrata? O que a lei da Anistia significou para os brasileiros que haviam se exilado do país? E para os militares acusados de tortura e assassinato? 7

8 ANEXO 03. A oposição condena as restrições. Movimento. São Paulo, 2 a 7 jul. 1979, pp. 5 e 6. Apesp. 8

9 Atividade Avaliativa. De acordo com o tema estudado responda as questões: 1. Como podemos definir o período da Ditadura Militar no Brasil? 2. Quais eram as formas de resistência contra o regime militar brasileiro? 3. O que foi o Ato Institucional 05 (AI-5)? 4. Qual foi o papel que muitos estudantes desempenharam na ditadura? 5. Como os jornais indicavam que certa matéria havia sido censurada? 6. O que foi a Lei de Anistia? 7. A Constituição de 1967, elaborada sob o comando dos militares, buscava legalizar e fortalecer a ditadura militar no Brasil. Em 1988, mais de vinte anos depois, uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita pelos brasileiros, aprovou a nova Constituição do país. Em sua opinião a Constituição de 1988 garantiu a cidadania a todos os brasileiros? Justifique? 8. O regime militar no Brasil se manteve no poder no país de 1964 a 1985, buscava vigiar e controlar o espaço público e todo o enunciado político contra a ditadura. Nos veículos de comunicação em massa havia mensagens políticas de resistência, assim aconteceu com a música brasileira, principalmente para driblar a censura que ocorria sobre as composições musicais. Nos documentos do DOPS, uma das instituições que perseguiam os artistas qualquer composição musical ou declaração que chocasse a normalidade política da ditadura era registrada como suspeita e marcada pela censura. Classificava-se grupo de atuação comunista àqueles que eram formados por Chico Buarque, Edu Lobo, Nara leão, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, entre outros. Além de espaços sociais serem suspeitos, a atividade artística era considerada suspeita e subversiva. 9

10 Após a leitura de textos encontre no diagrama as palavras destacadas procure o significado das palavras: Comunista Subversiva Censura Política Ditadura 9. Caracterize o governo do general Emílio Garrastazu Médici, governo considerado o mais duro da ditadura militar. Observe a imagem: Esclareça os motivos que levaram a existência do movimento destacado na imagem. 10

11 BIBLIOGRAFIA Brasil. Lei N.º 6683, de 28 de agosto de Disponível em: acesso. APOLINÁRIO, Maria Raquel - Projeto Araribá: História/organizadora Editora Moderna, São Paulo, OLIVEIRA, Maria da Conceição Carneiro/ Ferraresi, Carla Miucci/ dos Santos, Andrea Paula - História em Projetos, Ática, SILVA, Vitória Rodrigues e. Estratégias de Leitura e Competência leitora: Contribuições para a prática de ensino de História. História, São Paulo, Rodrigues, Joelza Ester História em documento: imagem e texto, 2.ed. São Paulo: FTD, Vídeo: Pra não dizer que não falei das flores Geraldo Vandré e a Ditadura Militar - 11

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