IV ASPECTOS HIDROLÓGICOS E QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO CUBATÃO NORTE SANTA CATARINA

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1 22º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 14 a 19 de Setembro Joinville - Santa Catarina IV ASPECTOS HIDROLÓGICOS E QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO CUBATÃO NORTE SANTA CATARINA Dra Mônica Lopes Gonçalves (1) Geóloga pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em Geologia Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutora em Hidrogeologia e Recursos Minerais. Professora da Universidade da Região de Joinville UNIVILLE. Dra Therezinha Maria Novaes de Oliveira Engenheira Sanitarista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Mestre pela UFSC. Doutora em Engenharia de Produção. Professora da UNIVILLE. Rafael Rosenstock Voltz Aluno do Curso de Geografia da UNIVILLE. Reginaldo José de Carvalho Aluno do Curso de Geografia da UNIVILLE. Alessandro Barbosa Funcionário da Universidade da Região de Joinville responsável pela Estação Meteorológica. Aluno do Curso de Geografia da UNIVILLE. Endereço(1): Rua Graviola, 200 Saguaçu Joinville - SC. CEP: Brasil - Tel: (47) RESUMO

2 A Bacia Hidrográfica do rio Cubatão do Norte (BHRCN) é a principal bacia hidrográfica do Município de Joinville, sendo também o maior manancial responsável por cerca de 70% do abastecimento de água desta, que é a maior Cidade do Estado de Santa Catarina. Este trabalho objetivou realizar uma caracterização da qualidade da água superficial do Rio Cubatão; analisando os dados de vazão; os dados pluviométricos e estabelecendo relações entre eles. A metodologia foi desenvolvida através da coleta de água em dois pontos da bacia, onde o rio é enquadrado segundo resolução 20/86 do CONAMA como Classe I e outro onde o enquadramento é Classe III, durante o período de agosto de 2000 a dezembro de Os parâmetros analisados foram ph, cor real, turbidez, sólidos totais, dureza total, cloretos, alumínio, bário, ferro total, manganês, zinco, cloro livre, fluoretos, nitratos, sulfatos, cianetos, cobre, cromo total, cromo hexavalente, arsênio, cádmio, chumbo, selênio e mercúrio, além de fenol e coliformes totais e fecais. Para as vazões foram usadas as séries históricas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL feitas no Salto 1 do Rio Cubatão e próximo ao Distrito de Pirabeiraba e as medições de vazão que têm sido efetuadas pelo Comitê de Gerenciameto da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão - CCJ, desde abril de Os dados pluviométricos foram obtidos junto à estação Meteorológica da Universidade da Região de Joinville -UNIVILLE, cujo período de coleta sistemática de dados foi de 1996 a dezembro de Os resultados mostraram a ocorrência de pequenas concentrações de metais, mas que são potencializadas com o arraste causado pelas chuvas. Também ocorrem problemas relacionados ao saneamento básico, uma vez que os índices de coliformes estão elevados para a classe atual do Rio, estes índices também recebem um aumento com as chuvas e por fim, é necessário que se realize um constante monitoramento para garantir um melhor controle dos recursos hídricos potencial disponíveis na bacia hidrográfica. PALAVRAS-CHAVE: Qualidade da Água, Rio Cubatão, Hidrologia. INTRODUÇÃO Este trabalho se justifica pelo fato do Rio Cubatão suprir cerca de 70% da demanda de água de Joinville, que é a maior cidade do Estado de Santa Catarina. As nascentes desta bacia se encontram em sua grande maioria nas encostas da Serra do Mar, enquanto a sua foz se dá na Baía da Babitonga. Atualmente esta bacia hidrográfica conta com o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica Cubatão do Norte (CCJ) criado por Decreto Estadual ne de 23 de novembro de 1998 que vem realizando um diagnóstico ambiental da Bacia do Rio Cubatão para elaboração do Plano de Recursos Hídricos. Este trabalho objetivou realizar uma caracterização da qualidade da água superficial do Rio Cubatão; analisar os dados de vazão; os dados pluviométricos e estabelecer relações entre eles. MATERIAIS E MÉTODOS

3 A metodologia utilizada para estudar a qualidade da água do Rio Cubatão, iniciou com a definição de dois pontos de coleta e realização de coletas mensais no período compreendido entre agosto de 2000 e dezembro de Os pontos escolhidos estão situados conforme a Figura 01, sendo um na ponte baixa da Estrada João Fleith, a montante da captação de água da cidade, onde o rio é enquadrado como Classe 1 segundo Portaria Estadual 024/79 e o outro, na Ponte da Estrada do Saí, a jusante da captação de água, onde o rio é enquadrado como Classe 3. Os parâmetros monitorados foram ph, cor real, turbidez, sólidos totais, dureza total, cloretos, alumínio, bário, ferro total, manganês, zinco, cloro livre, fluoretos, nitratos, sulfatos, cianetos, cobre, cromo total, cromo hexavalente, arsênio, cádmio, chumbo, selênio e mercúrio. Estas análises foram feitas utilizando os métodos de colimetria, espectofotometria, potenciometria e colilirt no caso dos coliformes fecais. As análises bacteriológicas foram realizadas pela técnica de tubos múltiplos. Para as vazões foram usadas as séries históricas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL feitas no Salto 1 do Rio Cubatão e próximo ao Distrito de Pirabeiraba e as medições de vazão que têm sido efetuadas pelo CCJ, desde abril de 2000 e disponíveis na Home Page (www.cubataojoinville.org.br.), foram obtidas próximo ao ponto da ANEEL, junto ao Distrito de Pirabeiraba (Figura 01). Os dados pluviométricos foram obtidos junto à estação Meteorológica da UNIVILLE, cujo período de coleta sistemática de dados foi iniciado a partir de 1996 e vem funcionando até a presente data e cuja localização se encontra na Figura 01. Figura 01: Localização dos pontos de coleta de água, postos fluviométricos. Os rios em azul são os de Classe II e os em amarelo são os da Classe III. Na UNIVILLE se situa a Estação Meteorológica. RESULTADOS Serão apresentados e discutidos apenas os resultados que estão incompatíveis com a legislação. Com relação à qualidade da água, tem-se que na Estrada João Fleith, os parâmetros bacteriológicos e alguns físico-químicos têm ultrapassado os limites estabelecidos pela Resolução do CONAMA Nº 020/86 para rios de Classe 01, principalmente com relação ao alumínio, fenol e, coliformes totais, coliformes fecais e demanda bioquímica de oxigênio - DBO, conforme visualizado nas figuras 03, 04, 05, 06 e 07. Figura 03: Concentração de alumínio na Estrada João Fleith

4 Figura 04: Concentração de fenol na Estrada João Fleith Figura 05: Coliformes Fecais na Estrada João Fleith Figura 06: Coliformes totais na Estrada João Fleith Figura 07: Demanda Bioquímica de Oxigênio Na Estrada do Saí, onde o Rio Cubatão é enquadrado como rio Classe 3, observa-se variações em alguns dos mesmos padrões que na Estrada João Fleith, como alumínio, que em geral, os valores são superiores, ultrapassando também os valores estabelecidos para rios Classe 3 (Figura 08). Quanto a coliformes fecais e totais (figuras 09 e 10) os valores se enquadram nos limites para rios Classe III na maior parte do ano. A novidade foi uma amostra de mercúrio que deu um valor alto numa única coleta realizada no dia (Figura 11), e que nem houve precipitação pluviométrica tão elevada. Confrontando estes resultados, com a precipitação diária medida pela estação Meteorológica da UNIVILLE, tem-se que parte destes resultados se deve a uma lixiviação tanto do alumínio, como do fenol e microorganismos patogênicos que estão no solo, oriundos provavelmente de processos antrópicos. A relação da precipitação pluviométrica com a qualidade da água do rio é diretamente proporcional. Figura 08: Alumínio no Saí Figura 09: Coliformes fecais na Estrada Saí Figura 10: Coliformes totais no Saí Figura 11: Mercúrio no Saí

5 A vazão da bacia do Rio Cubatão obtida pela ANEEL (2001) entre os anos de 1952 e 2001 para o Salto 01 do Rio Cubatão, apresenta uma descarga média de 5,20 m3/s, enquanto para o trecho do rio próximo ao Distrito de Pirabeiraba, medida entre os anos de 1985 e 1999 aumenta para 22,8 m3/s em média. O CCJ também vem realizando medidas de vazões na bifurcação do canal do Rio Cubatão, com o leito antigo do rio, próximo ao Distrito de Pirabeiraba, desde abril de No período compreendido entre abril de 2000 e abril de 2003 as vazões do Rio Cubatão apresentou diferenças da ordem de 100 % na vazão, com relação àquelas médias medidas pela ANEEL no mesmo ponto. É possível que esta variação se deva à diferença do período de observação, já que o CCJ possui uma média de apenas dois anos, sendo que o ano de 2000 foi atipicamente seco para todo o País, fazendo com que a média seja baixa para um período tão pequeno de medições. Figura 12: Correlação Vazão medida pela ANEEL em Pirabeiraba, pelo CCJ na Barragem do Rio Cubatão com a precipitação pluviométrica. Com relação aos dados pluviométricos, tem-se que na parte jusante da Bacia Do Rio Cubatão, onde fica situada a Estação Meteorológica da UNIVILLE, o total anual médio entre 1996 e 2002 é de 2751mm, com 171dias de chuva por ano (Figura 13). Figura 13: Precipitação na Estação Meteorológica da UNIVILLE Como na região da Serra, as precipitações são sempre mais elevadas, é de se esperar, uma grande lixiviação do solo, carreando não só as partículas sólidas, como também coliformes fecais e totais, provenientes das fezes dos animais e de algumas residências, onde ainda não existem sistemas de fossa/filtro. Já o alumínio pode ser proveniente do solo, já que é abundante a presença de caulim nas nascentes do Rio Quiriri, que é o principal contribuinte do Cubatão a montante da estrada João Fleith e por último, o fenol pode ser originário da matéria orgânica em decomposição, sendo um vale muito encaixado no seu alto curso, e que com uma precipitação pluviométrica elevada, faz com que as substâncias oriundas da decomposição orgânica seja carreadas rapidamente para a água do rio. CONCLUSÕES A região da BHRC apresenta vazões extremamente variáveis, em função da precipitação pluviométrica. Esta última, também é responsável pelas variações na qualidade da água dos rios, visto que sempre quando chove, ocorrem significativas alterações em relação ao alumínio, fenol, coliformes totais e coliformes fecais, fazendo com que a água do rio não se enquadre nas classes estabelecidas para ele, de acordo com o trecho analisado. Há de se monitorar outros pontos, como o rio Cubatão a montante da sua confluência com o Rio Quiriri, o Rio Quiriri, Rio Seco, Rio Izaak e Rio da Prata para se detectar a origem da carga orgânica que está poluindo o Rio Cubatão, num trecho que deveria atender aos limites estabelecidos para rio Classe I. Recomenda-se ainda que se monitore em detalhe a

6 Bacia do Rio do Braço (Classe 3), onde existe grande potencial poluidor em função de abrigar uma boa parte do Distrito Industrial de Joinville. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEEL. Disponível em Acessado em janeiro CCJ. Aspectos Físicos da Bacia Do Cubatão. Disponível em Acesso em 28 nov CONAMA. Resolução n 20 de 18 de junho de Brasília: DESTEFANI. A. Proposta de Plano de Gestão Ambiental da Bacia hidrográfica do Ribeirão Manso, Jaraguá do Sul (SC): Para fins de criação de uma Área de Proteção Ambiental. Joinville: Programa de Mestrado em Saúde e Meio Ambiente da Universidade da Região de Joinville UNIVILLE, GONÇALVES M. L. Geologia para planejamento do Uso e Ocupação Territorial do Município de Joinville. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo Portaria Estadual 0024/79 de 19 de setembro de 1977 Enquadra os cursos de água do Estado de Santa Catarina, na classificação estabelecida pela Portaria GM n 0013, de 15/01/76, do Ministério do Interior. SANTA CATARINA (Estado). Portaria n. 024, de 19 de setembro de Dispõe enquadrar os cursos d água no Estado de Santa Catarina. Coletânea Legislação Sobre Recursos Hídricos, Florianópolis, SC, p , 2001.

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