Ainda Mais Próximo dos Clientes. Empresas. 10 de Novembro de 2010

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1 Ainda Mais Próximo dos Clientes O acesso ao crédito pelas Empresas 10 de Novembro de 2010

2 Agenda 1. Introdução 1.1. Basileia II. O que é? 1.2. Consequências para as PME s 2. Análise de Risco 2.1. Avaliação de Risco de Crédito a) Situação Económico-Financeira Análise Sectorial - Indicadores Económico-Financeiros - Valores de Referência b) Comportamento 3. Sugestões Finais 4. Basileia II Impacto nas PME s - Conclusões 2

3 1. Introdução 1.1. Basileia II O que é? Acordo internacional que determina as regras de gestão de risco que os Bancos deverão adoptar por forma a assegurar que dispõem de níveis de capital suficientes para a realização das suas actividade envolvendo risco. Visa, em última análise, garantir a estabilidade do sistema financeiro global. Define o requisito mínimo de capital que os Bancos devem manter para fazer face aos RISCOS DE MERCADO, OPERACIONAL E DE CRÉDITO. RISCO DE MERCADO: risco associado a exposições em aberto face à natural evolução do mercado (Ex: acções, opções, moeda estrangeira, etc); RISCO OPERACIONAL: risco de perdas directas ou indirectas resultantes de inadequação ou falha atribuível aos processos internos, pessoas, sistemas informáticos ou a eventos externos; RISCO DE CRÉDITO: risco associado à probabilidade de determinado crédito entrar em incumprimento. 3

4 1. Introdução 1.2. Consequências para as PME s Pressuposto Base Bancos terão de alinhar a utilização dos seus capitais às características dos riscos de crédito que contratam. Maior utilização dos capitais pode implicar: Aumento dos custos (spreads/taxas de juro) associados aos empréstimos; Maior dificuldade nos critérios de concessão de crédito. Factor Chave: RISCO DE CRÉDITO 4

5 2.1. Avaliação do Risco de Crédito Avaliação Risco do Cliente Mitigação Gestão de Carteira Segmentação Scorings & Ratings Garantias Recuperação Transacções Nota de Risco (PD) Nível de Protecção (LGD) Probabilidade de Incumprimento Perdas devido ao Incumprimento Exposição ao Incumprimento Requisitos de Capital 5

6 Os níveis de protecção reflectem a perda esperada em caso de incumprimento GRAU DE COBERTURA (inverso do LTV) Nível de Protecção Colateral Financeiro Residencial Colateral imobiliário Comercial Não produtivo / não residencial Outro colateral (*) LGD NÍVEL 1 >= 100% ,5% NÍVEL 2 >= 70%, < 100% >= 150% ,0% NÍVEL 3 >= 60%, < 70% >= 130%, < 150% ,0% NÍVEL 4 >= 50%, < 60% >= 110%, < 130% >= 145% ,0% NÍVEL 5 >= 40%, < 50% >= 100%, < 110% >= 120%, < 145% >= 120% - 24,0% NÍVEL 6 >= 30%, < 40% >= 80%, < 100% >= 100%, < 120% >= 100%, < 120% >= 120% 28,0% NÍVEL 7 >= 20%, < 30% >= 60%, < 80% >= 75%, < 100% >= 80%, < 100% >= 90%, < 120% 32,0% NÍVEL 8 >= 10%, < 20% >= 40%, < 60% >= 50%, < 75% >= 60%, < 80% >= 60%, < 90% 36,0% NÍVEL 9 < 10% < 40% < 50% < 60% < 60% 40,0% (*) Exemplo: Consignação de receitas 6

7 Perda esperada e capital A perda esperada de uma operação de crédito e o capital requerido são essencialmente determinados pelo grau de risco do Cliente (ou do seu avalista) e pelo nível de protecção da operação. Avaliação do risco do Cliente Segmentação Sistemas de Rating Grau de risco (PD) Perda esperada Factores de mitigação do risco Garantias e colaterais Eficácia da recuperação Nível de Protecção (LGD) Capital requerido 7

8 Perda esperada A perda esperada de uma operação de crédito será tanto maior quanto pior for o grau de risco de Cliente e quanto pior for o nível de protecção. PERDA ESPERADA 4,5% 4,0% 3,5% 3,0% 2,5% 2,0% 1,5% 1,0% 0,5% 0,0% NP 9 NP 5 NP GRAU DE RISCO 8

9 Consumo de capital O consumo de capital de uma operação de crédito é calculado em função de vários factores: segmento de exposição, maturidade, grau de risco do Cliente e nível de protecção. CONSUMO DE CAPITAL 16% 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% NP 9 NP 5 NP GRAU DE RISCO Exposição Corporate VV> 50M Maturidade 2,5 anos 9

10 O que é importante na avaliação do risco de crédito das Empresas? Comportamento Situação Económica e Financeira 10

11 a) Situação económica e financeira Fiabilidade/transparência dos elementos contabilísticos: apresentação de contas certificadas por ROC / auditadas (de preferência sem reservas ou ênfases, caso existam devidamente explicadas), relatório de gestão e anexos detalhados (reforçada pelo novo SNC), aprovadas e entregues dentro dos prazos legalmente definidos; Estabilidade dos critérios contabilísticos, ou seja, não se registarem mudanças frequentes (de ano para ano)/ser consistente (sem alterações de mera cosmética ; Situação Económica e Financeira Nível de endividamento ajustado à capacidade de geração de fundos (EBITDA ou cash flow ) da Empresa; Dependente da actividade e média sectorial, mas também do ciclo de vida da Empresa. EXEMPLOS: Empresa de trading - é normal e aceitável um nível de endividamento elevado ajustado à rotação das existências; Empresa Start-up (ou que efectuou um investimento muito significativo recentemente) - é aceitável um nível mais elevado do que, à partida, seria normal se a Empresa estive em fase de cruzeiro 11

12 a) Situação económica e financeira Situação Económica e Financeira (cont.) Adequado nível de capitalização (Capitais Próprios/Activos) (depende do tipo de actividade e média sectorial. Exemplos: i. Comércio/prestação de serviços 30%; ii. Indústria transformadora 35% iii. Construção civil 27%) Evolução (de preferência favorável e consistente) do Volume de Negócios e resultados recorrentes (sem efeitos extraordinários), que será comparada com a registada pela média e principais Empresas do Sector; Apresentação das justificações para evoluções menos favoráveis das contas, bem como das medidas em curso (eventuais resultados/consequências já registados) para corrigir as mesmas. 12

13 a) Situação económica e financeira Análise da Estrutura organizativa da empresa (segregação de funções ex. financeira, comercial, planeamento e controle) Situação Económica e Financeira (cont.) Análise a outra informação qualitativa relevante sobre as características da empresa, em resultado de Contacto Comercial efectuado entre a empresa e o seu Gestor de Cliente, como por exemplo: Estrutura accionista; Capacidade de gestão; Produtos/serviços comercializados; Produtos líderes de mercado; Posicionamento face à concorrência; Carteira de clientes (concentração de vendas nos principais Clientes,...); Principais Clientes e fornecedores; Actividade exportação/importação (percentagem, países de destino, etc.)

14 4. Análise Sectorial Indicadores Económico-Financeiros Valores de referência Apresentamos seguidamente um conjunto de valores de referência para alguns indicadores económico-financeiros, que poderão influenciar positivamente a nota de risco e consequentemente o spread da operação: Sector Passivo Financeiro Autonomia Enc.Financ. Liq. Enc.Financ. Totais Autofinanciamento Financeira VAB Margem Bruta Indústria < 4,5 > 35% < 7% < 5% Comércio < 6 > 30% < 8% < 8% Construção < 7 > 27% < 7% < 9% Turismo < 4 > 35% < 6% < 5% Logística e Transportes < 4,5 > 23% < 5% < 5% Prestação de Serviços < 3,5 > 30% < 5% < 3% Notas: - Passivo Financeiro = Passivo MLP + Bancos CP + Outros Empréstimos CP - Autofinanciamento = Resultados Líquidos + Amortizações + Provisões - VAB = Autofinanciamento + Encargos Financeiros + Imposto sobre Rendimento + Encargos com Pessoal - Margem Bruta = Produção Custos Variáveis 14

15 4. Análise Sectorial Indicadores Económico-Financeiros Valores de referência Outros Indicadores Valores de Referência Sector Rendibilidade Capitais Próprios Rendibilidade Activo Indústria > 9% > 5,5% Comércio > 12,5% > 6% Construção > 11,5% > 6% Turismo > 12,5% > 7% Logística e Transportes > 13% > 5,5% Prestação de Serviços > 19% > 8% Notas: - Rendibilidade Capitais Próprios = Resultados Líquidos / Capital Próprio médio - Rendibilidade Activo = ( Resultados Líquidos + Encargos Financeiros + Imposto sobre Rendimento ) / Activo 15

16 b) Comportamento A forma como a Empresa se relaciona com o Banco é outro dos aspectos tidos em conta na avaliação do risco da empresa, como por exemplo: Cumprimento atempado: i. no pagamento de juros e comissões de todas as responsabilidades; ii. do plano de reembolso das operações de empréstimos m/l prazo e leasing; Comportamento Movimentação não cristalizada (para cima e para baixo) e pelo limite máximo das Contas Correntes Caucionadas e Linhas de Descobertos; Sem recurso frequente a descobertos nas contas (não previamente negociados / acordados entre o Banco e o Cliente); Alocação correcta e directa dos fundos recebidos às respectivas operações de financiamento (por exemplo, os recebimentos relacionados com facturas ou letras objecto de operações de factoring ou desconto de letras devem ser alocados à respectiva liquidação); 16

17 b) Comportamento MUITO IMPORTANTE Comportamento Sem incidentes registados na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal (havendo, devem estar devidamente justificados e explicados); Disponibilidade e histórico dos sócios/accionistas para prestar colaterais e/ou garantias pessoais (que também pode contribuir significativamente para a melhoria das condições de pricing); Ter acesso a várias fontes de financiamento alternativas em uma ou mais Instituições de Crédito (linhas de Curto Prazo, linhas de Médio Prazo, PME Investe). 17

18 5. Basileia II Impacto nas PME s Conclusões CONCLUSÕES O risco é avaliado em função da combinação entre a nota de risco do Cliente e o nível de protecção (garantia) da operação; A análise do risco do Cliente depende, em grande parte, da própria empresa: da qualidade das suas contas e da qualidade da sua gestão; Quanto melhor a informação financeira e as garantias prestadas, melhores as condições de crédito de que a PME poderá beneficiar. 18

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