Uso de antibióticos no tratamento das feridas. Dra Tâmea Pôssa

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1 Uso de antibióticos no tratamento das feridas Dra Tâmea Pôssa

2 Ferida infectada Ruptura da integridade da pele, quebra da barreira de proteção Início do processo inflamatório: Dor Hiperemia Edema Aumento da temperatura PROCESSO PARA RESTAURAR A HEMOSTASIA

3 Potencial para infecção depende: Hidratação Nutrição Condições médicas preexistentes QUEM IRA DESENVOLVER INFECÇÃO??? PREVENÇÃO DE INFECÇÕES É OBJETIVO DE TODOS

4 Termos utilizados Ferida contaminada : presença de bactéria dentro da ferida sem reação do hospedeiro. Ferida colonizada: presença de bactéria dentro da ferida onde há multiplicação da bactéria sem resposta inflamatória significativa Colonização crítica: Quando há presença de bactérias replicantes no tecido, em maior número bioburden e patogenicidade para inibir o processo de cicatrização (competem por nutrientes e O2 aumento níveis inflamatórios).

5 Termos utilizados Ferida infectada: ferida com bactérias com multiplicação e reação inflamatório do hospedeiro.

6 Bactérias que estão relacionadas à infecção/colonização de feridas Cocos Gram positivos Streptococcus: Streptococcus pyogenes Enterococcus Enterococcus faecalis Staphylococcus Staphylococcus aureus Staphylococcus coagulase negativo Bacilos Gram positivos Pseudomonas aerugionosas Enterobactérias Escherichia coli Klebisiella sp Proteus sp Enterobacter

7 Bactérias que estão relacionadas à infecção de feridas Anaeróbios Bacterioides Clostridium Fungos Cândida sp Aspergillus

8 Vias de contaminação/infecção Contato direto Dispersão pelo ar Auto contaminação

9 Contaminação de feridas e desenvolvimento de infecção Colonização da ferida não significa infecção. Microorganismo colonizante pode proteger a ferida de novas contaminações. Infecção vai ocorrer quando: Aumento da virulência do microorganismo Status imunológico

10 Patogênese do processo infeccioso AUSENCIA DE SINTOMAS Colonização Adesão Multiplicação Infecção Invasão Disseminação PRESENÇA DE SINTOMAS

11 Como reconhecer uma ferida infectada? Critérios Tradicionais Eritema /Dor/Calor/Edema Abscesso Celulite Exsudato (seropurulento e hemopurulento)

12 Como reconhecer uma ferida infectada? Critérios Adicionais Abscesso Exsudato purulento Demora no processo de cura Descoloração dos tecidos nos bordos e dentro da ferida Pobreza do tecido de granulação ou tecido friável Dor intensa ou sensibilidade intensa. Aparecimento de bolhas na lesão Adaptado de Cutting y Harding, 1941

13 Sinais e sintomas Febre Taquicardia Hipotensão Leucocitose Coleta de Hemocultura

14 Confirmação do diagnóstico Cultura de swab da ferida????? Qual a validade??? Nem útil, nem custo efetivo. Biópsia da ferida: cultura quantitativa Difícil de ser executado Ferida pode curar mesmo com alta contagem de microorganismos.

15 Confirmação de diagnóstico Se cultura de área fechada: abscesso Tratar conforme agente isolado e antibiograma Se cultura quantitativa de tecido de ferida aberta Pode ser levado em consideração na hora do tratamento Swab Deve ser desencorajado!

16 Quando então vou usar antibiótico? Evidencia local de infecção Evidencia laboratorial : PCR, Leucocitose, etc Uso de antibiótico Evidencia sistêmica de infecção Evidencia laboratorial microbiológica de infecção

17 ANTIBIOTICOTERAPIA DAS PRINCIPAIS FERIDAS INFECTADAS

18 Características das lesões e agentes etiológicos Com sinais de infecção, com e sem uso prévio de antibiótico: S. aureus. Streptococcus B hemolítico, enterobactérias Com sinais de maceração S. aureus. Streptococcus B hemolítico, enterobactérias e Pseudomonas aeruginosas Com infecção sem melhora com antibioticoterapia de amplo espectro S. aureus, Staphylococcus coagulase negativo, enterobactérias, Enterococcus spp, Pseudomonas aeruginosas e fungos Necrose extensa, exsudato fétido: S. aureus, Staphylococcus coagulase negativo, enterobactérias, Enterococcus spp, Pseudomonas aeruginosas e anaeróbios Diretrizes Brasileiras para tratamento em Ulceras Neuropaticas dos Membros Inferiores

19 Úlceras venosas crônicas A flora é polimicrobiana ( aeróbica e anaeróbica). A cicatrização se dá de forma mais lenta quando infectadas bactérias/ g de tecido dificulta a cicatrização.

20 Úlcera venosa crônica Erisipela Celulite Infecção Necrotizante Cefalosporina de primeira geração Amoxacilina+ Clavulanato Ciprofloxacina + clindamicina Piperacilina + Tazobactam e ou vancomicina Carbapenêmicos e ou Vancomicina

21 Ulcera em pé diabético Classificação das infecções adapatadas do IDSA Guidelines Manifestação Gravidade /Infecção PEDIS Ferida sem inflamação ou secreção Dois ou mais sinais de inflamação, celulites ao redor com < 2cm, infecção limitada a pele e subctâneo Não infectada 1 Leve 2 Celulite > 2cm, linfangite, comprometimento da fascia, tendões, articulações, ossos, abscessos profundos Infecção extensa em pacientes com instabilidade hemodinâmica, toxêmico, distúrbios metabólicos Moderada 3 Grave 4 Diretrizes Brasileiras para tratamento em Ulceras Neuropaticas dos Membros Inferiores

22 Antibiótico no pé diabético infectado Leve Moderada Grave C C C Cefalosporina de 1ª geração Amoxacilina clavulanato Moxifloxacina Fluoroquinolonas ou cefalosporina de 3ª geração + clindamicina Ertapenem + glicopepetideo /piperacilina +tazobactam + glicopeptideo RSS Fluoroquinolonas + clindamicina RSS Ertapenem + clindamicina / piperacilina tazobactam + clindamicina/ glicopepetideo RSS Glicopeptideo + carabapenêmico C - comunitária RSS relacionada aos serviços de saúde Diretrizes Brasileiras para tratamento em Ulceras Neuropaticas dos Membros Inferiores

23 Tempo de tratamento Partes moles 2 a 3 semanas Osteomielite agudas 6 a 8 semanas Osteomielite crônicas 6 meses Diretrizes Brasileiras para tratamento em Ulceras Neuropaticas dos Membros Inferiores

24 Agente etiológico: Estudo 1: Staphylococcus aureus Enterobacter Enterococcus faecalis Úlcera de pressão Estudo 2: Staphylococcus aureus Staphylococcus coagulase negativos Proteus Streptococcus Anaeróbios Bacteriological investigation of infected pressure ulcers in spinal cordinjured patients and impact on antibiotic therapy. Spinal Cord. 2004;42(4):230. Bacteremia in the chronic spinal cord injury population: risk factors for mortality. J Spinal Cord Med. 2003;26(3):248.

25 Úlcera de pressão A cultura de sangue ou de uma cultura de uma amostra de biópsia de tecido profundo é mais clinicamente significativo. Swab mostra o colonizante

26 Características clínicas Calor, eritema, dor local, secreção purulenta, e a presença de um odor estranho Cicatrização de feridas retardada sendo o único sinal de infecção. Sinais sistêmicos, como febre e leucocitose, são muitas vezes ausente. Celulite Miosite Osteomielite

27 Antibiótico na Úlcera de pressão Sempre que possível baseado em dados microbiológicos. Empiricamente: Comunitária Ciprofloxacina e clindamicina Relacionada aos serviços de Saúde: Piperacilina/Tazobactam ou Meropenem + Vancomicina

28 Feridas secundárias a infecções Erisipela Celulite Foliculite Fasciite necrozante Infecção de sítio cirúrgico

29 Sumário Os antibióticos só devem ser utilizados quando há presença de infecção. Se possível a antibioticoterapia deve ser guiada por dados microbiológicos Os dados microbiológicos devem ser obtidos através de punção e biópsia de tecido. A cultura de swab deve ser desencorajada. O uso inadequado do antibiótico contribui apenas para aumentar a resistência antimicrobiana

30 Para refletir O processo de cura é um movimento constante da vida e do universo. Estar consciente dentro desse processo nos faz multiplicar a alegria de viver e entender o seu sentido, resgatando a saúde perfeita e a longevidade que fazem parte de nós, mas das quais muitas vezes nos esquecemos.

31 OBRIGADA!

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