FORMAÇÃO LEITORA NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Daniela Andrade Coelho da Fonseca 1, Marilani Soares Vanalli 2

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1 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, FORMAÇÃO LEITORA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Daniela Andrade Coelho da Fonseca 1, Marilani Soares Vanalli 2 1 Mestranda da UNOESTE. 2 Docente da UNOESTE RESUMO Pretende se com este artigo científico analisar como acontece o processo de formação de leitores na Educação Infantil e destacar a importância da formação leitora nesta etapa, tomando se como base a pesquisa bibliográfica e o RCNEI (REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL) que traz inúmeras propostas e caminhos para este determinado fim, já que o trabalho com a linguagem se constitui em um dos eixos básicos na Educação Infantil, dada a importância para a formação do sujeito e para a construção do conhecimento e do desenvolvimento do pensamento. A formação do leitor o conduz à leitura e o domínio dela tanto quanto o da linguagem são caminhos indispensáveis para a apropriação do conhecimento e formação dos cidadãos com maior autonomia para atuar na sociedade. Palavras chave: Educação Infantil formação do leitor linguagem oral e escrita. INTRODUÇÃO As situações de participação em sala de aula devem ser organizadas de forma que as crianças possam buscar informações; fazer solicitações; comunicar se por meio de gestos, sinais e linguagem corporal que são significativas para possibilitar a linguagem falada. A criança aprende a verbalizar por meio da apropriação da fala do outro, pois esse processo refere se à repetição pela criança de fragmentos da fala do adulto ou ainda de outras crianças. Portanto, aprender a falar não consiste apenas em memorizar sons e palavras. A aprendizagem da fala pelas crianças não se dá de forma desarticulada com a reflexão, o pensamento, a explicitação de seus atos, sentimentos, sensações e desejos. Constata se que as crianças constroem conhecimentos sobre a escrita muito antes do que se suponha e de que elaboram hipóteses originais na tentativa de compreendê la. Essa concepção supera a idéia de que seja necessário, em determinada idade, instituir classes de alfabetização para ensinar a ler e escrever. Aprender a ler e a escrever fazem parte de um longo processo ligado à participação em práticas sociais de leitura e escrita. Há os que advogam a existência de pré requisitos relativos à memória auditiva, ao ritmo, à discriminação visual etc., que devem também ser desenvolvidos para possibilitar a aprendizagem da leitura e da escrita pelas crianças. A ampliação de suas capacidades de comunicação ocorre gradativamente, por meio de um processo de idas e vindas que envolvem tanto a participação das crianças nas conversas cotidianas, em situações de escuta e cantos de músicas, em brincadeiras e etc., como a

2 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, participação em situações mais formais de uso da linguagem, como aquelas que envolvem a leitura de textos diversos. Para tanto, acredita se que a formação educacional de uma pessoa esteja amplamente amparada na leitura, ou melhor, na formação de leitura que esta criança possa ter. É possível que semeando na seara da leitura tenhamos resultados diferenciados quanto às leituras que serão feitas no futuro por tal pessoa. Pensa se no plantio leitura, para a colheita leitor. OBJETIVOS Analisar como acontece o processo de Formação leitora na Educação Infantil bem como salientar a importância da leitura para a formação cidadã. Segundo o REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL volume 3 (Brasil, 1998), Crianças de zero a três anos as instituições e profissionais de educação infantil deverão organizar sua prática de forma a promover as seguintes capacidades nas crianças: participar de variadas situações de comunicação oral, para interagir e expressar desejos, necessidades e sentimentos por meio da linguagem oral, contando suas vivências; interessar se pela leitura de histórias; familiarizar se aos poucos com a escrita por meio da participação em situações nas quais ela se faz necessária e do contato cotidiano com livros, revistas, histórias em quadrinhos etc. Crianças de quatro a seis anos para esta fase, os objetivos estabelecidos para a faixa etária de zero a três anos deverão ser aprofundados e ampliados, promovendo se, ainda, as seguintes capacidades nas crianças: ampliar gradativamente suas possibilidades de comunicação e expressão, interessando se por conhecer vários gêneros orais e escritos e participando de diversas situações de intercâmbio social nas quais possa contar suas vivências, ouvir as de outras pessoas, elaborar e responder perguntas; familiarizar se com a escrita por meio do manuseio de livros, revistas e outros portadores de texto e da vivência de diversas situações nas quais seu uso se faça necessário; escutar textos lidos, apreciando a leitura feita pelo professor; interessar se por escrever palavras e textos ainda que não de forma convencional; reconhecer seu nome escrito, sabendo identificá lo nas diversas situações do cotidiano; escolher os livros para ler e apreciar. METODOLOGIA O ato de leitura é um ato cultural e social. Quando o professor faz uma seleção prévia da história que irá contar para as crianças, independentemente da idade delas, dando atenção para a inteligibilidade e riqueza do texto, para a nitidez e beleza das ilustrações, ele permite às crianças construírem um sentimento de curiosidade pelo livro (ou revista, gibi etc.) e pela escrita.

3 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, A importância dos livros e demais portadores de textos é incorporada pelas crianças, também, quando o professor organiza o ambiente de tal forma que haja um local especial para livros, gibis, revistas etc. que seja aconchegante e no qual as crianças possam manipulá los e lê los seja em momentos organizados ou espontaneamente. Deixar as crianças levarem um livro para casa, para ser lido junto com seus familiares, é um fato que deve ser considerado. As crianças, desde muito pequenas, podem construir uma relação prazerosa com a leitura. Compartilhar essas descobertas com seus familiares é um fator positivo nas aprendizagens das crianças, dando um sentido mais amplo para a leitura. Desta forma, decidiu se por executar uma pesquisa bibliográfica para analisar como acontece o processo de formação dos leitores da Educação Infantil. DISCUSSÃO O trabalho com a linguagem oral e escrita com as crianças exige do professor uma escuta e atenção real as suas falas, gestos e demais ações expressivas, assim valorizando a intenção comunicativa para dar continuidade aos diálogos entre professor e aluno; aluno e aluno. A ampliação do universo discursivo das crianças também se dá por meio do conhecimento da variedade de textos e de manifestações culturais que expressam modos e formas próprias de ver o mundo, de viver e pensar. Músicas, poemas, histórias, bem como diferentes situações comunicativas, constituem se num rico material para isso. A criança que ainda não sabe ler convencionalmente pode fazê lo por meio da escuta da leitura do professor, ainda que não possa decifrar todas e cada uma das palavras. Ouvir um texto já é uma forma de leitura. Entende se que a criança é capaz de ler na medida em que a leitura é compreendida como um conjunto de ações que transcendem a simples decodificação de letras e sílabas. Quando a criança consegue inferir o que está escrito em determinado texto a partir de indícios fornecidos pelo contexto, diz se que ela está lendo. Paulo Freire (2005, p.11) afirma que a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí a importância da formação do leitor; de oferecer a ele textos que podem ser desvelados, interpretados, associados à sua realidade. A leitura de histórias é um momento em que a criança pode conhecer a forma de viver, pensar, agir e o universo de valores, costumes e comportamentos de outras culturas situadas em outros tempos e lugares que não o seu. A partir daí ela pode estabelecer relações com a sua forma de pensar e o modo de ser do grupo social ao qual pertence. As instituições de educação infantil

4 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, podem resgatar o repertório de histórias que as crianças ouvem em casa e nos ambientes que freqüentam, uma vez que essas histórias se constituem em rica fonte de informação sobre as diversas formas culturais de lidar com as emoções e com as questões éticas, contribuindo na construção da subjetividade e da sensibilidade das crianças. Ter acesso à boa literatura é dispor de uma informação cultural que alimenta a imaginação e desperta o prazer pela leitura. A intenção de fazer com que as crianças, desde cedo, apreciem o momento de sentar para ouvir histórias exige que o professor, como leitor, preocupese em lê la com interesse, criando um ambiente agradável e convidativo à escuta atenta, mobilizando a expectativa das crianças, permitindo que elas olhem o texto e as ilustrações enquanto a história é lida. Quem convive com crianças sabe o quanto elas gostam de escutar a mesma história várias vezes, pelo prazer de reconhecê la, de apreendê la em seus detalhes, de cobrar a mesma seqüência e de antecipar as emoções que teve da primeira vez. Isso evidencia que a criança que escuta muitas histórias pode construir um saber sobre a linguagem escrita. Sabe que na escrita as coisas permanecem, que se pode voltar a elas e encontrá las tal qual estavam da primeira vez. Pergunta se com LEITE (2011, p. 198): como um sujeito se constitui leitor? Que experiências de/com a leitura são significativas para a formação de sujeitos leitores? Algumas destas respostas podem ser dadas a partir dos dados coletados em pesquisa que fizemos em 2000, pode se dizer que os leitores vão se constituindo a partir da natureza e da qualidade da relação que cada sujeito vai estabelecendo, ao longo de sua vida, com o material escrito, seja direta (lendo por si mesmo) ou indiretamente (leitura do outro para si) É a partir destas perguntas/e possibilidades de respostas que se percebe o caminho para a Formação de Leitores da Educação Infantil. Segundo RCNEI (Brasil. 1998, p. 140) (REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL) Para favorecer as práticas de leitura, algumas condições são consideradas essenciais. São elas: dispor de um acervo em sala com livros e outros materiais, como histórias em quadrinhos, revistas, enciclopédias, jornais etc., classificados e organizados com a ajuda das crianças; organizar momentos de leitura livre nos quais o professor também leia para si. Para as crianças é fundamental ter o professor como um bom modelo. O professor que lê histórias, que tem boa e prazerosa relação com a leitura e gosta verdadeiramente de ler, tem um papel fundamental: o de modelo para as crianças; possibilitar às crianças a escolha de suas leituras e o contato com os

5 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, livros, de forma a que possam manuseá los, por exemplo, nos momentos de atividades diversificadas; possibilitar regularmente às crianças o empréstimo de livros para levarem para casa. Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura em casa, junto com os familiares. Uma prática constante de leitura deve considerar a qualidade literária dos textos. A oferta de textos supostamente mais fáceis e curtos, para crianças pequenas, pode resultar em um empobrecimento de possibilidades de acesso à boa literatura. Ler não é decifrar palavras. A leitura é um processo em que o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto, apoiando se em diferentes estratégias, como seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor e de tudo o que sabe sobre a linguagem escrita e o gênero em questão. Parece que nossas expectativas de processo de formação de leitores vão ao encontro do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. A formação do leitor o conduz à leitura e o domínio dela tanto quanto o da linguagem são caminhos indispensáveis para a apropriação do conhecimento e formação dos cidadãos com maior autonomia para atuar na sociedade. Formar leitores é como se automaticamente formassem cidadãos plenos e capazes da ação; da vida cheia de plenitude; aguçar a inteligência, visualizar novos horizontes que passeiam do campo pessoal ao profissional. CONCLUSÃO Dentre os principais recursos que precisam estar disponíveis na instituição de educação infantil estão os textos, trazidos para a sala do grupo nos seus portadores de origem, isto é, nos livros, jornais, revistas, cartazes, cartas etc. É necessário que esses materiais sejam colocados à disposição das crianças para serem manuseados. Deve se lembrar, no entanto, que a aprendizagem em relação aos cuidados no manuseio desses materiais implica em procedimentos e valores que só poderão ser aprendidos se as crianças puderem manuseá los. Além disso, sempre que possível, a organização do espaço físico deve ser aconchegante, com almofadas, iluminação adequada e livros, revistas etc. organizados de modo a garantir o livre acesso às crianças. Esse acervo deve conter textos dos mais variados gêneros, oferecidos em seus portadores de origem: livros de contos, poesia, enciclopédias, dicionários, jornais, revistas (infantis, em quadrinhos, de palavras cruzadas), almanaques etc.

6 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, A formação do leitor é um processo contínuo e deve ser prazeroso, e que pode atingir uma maior realização pessoal e até mesmo econômica. Acredita se que os problemas sociais só serão resolvidos com a participação de cidadãos leitores bem formados, ordeiramente mobilizados e conscientes de sua responsabilidade social. É desta maneira então, que se acredita na formação do leitor na infância para e na sua continuidade ao longo da vida, para que não se limite ao leitor limite da decodificação somente das palavras, e sim que atinja a verticalidade contextual, semântico estilística que os textos trazem. Um desabrochar de um leitor comprometido com sua leitura, tornando se um leitor proficiente, capaz de produzir novos pontos de vista ao interpretar o que lê, enfim, capaz de se posicionar criticamente sobre o texto e os fatos nele contidos. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei no 9.394/96, de 20 de dezembro de Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Referenciais curriculares nacionais para a educação infantil. Documento introdutório. Versão preliminar. Brasília: MEC/SEF, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Departamento de Políticas Educacionais. Coordenação Geral de Educação Infantil. Subsídios para elaboração de orientações nacionais para educação infantil. Brasília: MEC/ SEF/DPE/COEDI, BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, BARBOSA, A. M. Arte educação: leituras no subsolo. São Paulo: Cortez, CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. (trad. Reginaldo de Moraes). São Paulo: Editora UNESP/ Imprensa Oficial do Estado, 1999 (Prismas).. Comunidade de leitores. In A ordem dos Livros. Brasília: Ed. UNB, CRAMER, E. Incentivando o amor pela leitura. Trad. Maria Cristina Monteiro Porto Alegre: Artmed, 2001.

7 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, FERREIRO, E. e PALÁCIO, M. G. Os processos de leitura e escrita. Novas perspectivas. Porto Alegre: Artes Médicas, GERALDI, J. W. (org.). O texto na sala de aula: leitura e produção. Cascavel (PR): Assoeste REZENDE, A. Nossos avós contavam e cantavam. Belo Horizonte: Carneiro, SOUZA, S. J. Infância e linguagem: Bakthin, Vygotsky e Benjamin. 3. ed. Campinas: Papirus, VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, A formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes, 1989.

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