COLÉGIO MATER CONSOLATRIX RUDAHYRA TAISA OSSWALD DE OLIVEIRA FONOAUDIOLOGA CRFA 9324/PR. Nitro PDF Trial

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1 COLÉGIO MATER CONSOLATRIX RUDAHYRA TAISA OSSWALD DE OLIVEIRA FONOAUDIOLOGA CRFA 9324/PR PROJETO FONOAUDIOLOGIA E EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA VOLTADO AO DENVOLVIMENTO INFANTIL Ivaiporã/PR 2009

2 1. INTRODUÇÃO A escola é considerada como espaço de transformação da sociedade, pois fornece ao indivíduo instrumentos para construir sua cidadania. Pensando nisso, vem sendo necessária uma atuação cada vez mais abrangente da escola que requer, entre muitos aspectos, o envolvimento de outros profissionais (professores, psicopedagogos, psicólogos, assistentes sociais e fonoaudiólogos), a fim de complementar as ações desenvolvidas (SACALOSKI, ALAVARSI e GUERRA, 2000). De acordo com o capítulo II, artigo 3º, da Lei 6965 de 09/12/1981, é estabelecido que dentro do ambiente educacional é de competência do fonoaudiólogo, desenvolver trabalho de prevenção no que se refere à área de comunicação escrita e oral, voz e audição, participar da equipe de orientação e planejamento escolar, inserindo aspectos preventivos ligados a assuntos fonoaudiológicos (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2004). Vemos também que a escola tem a função de informar e também de formar a criança, em todos os sentidos. E isso ocorre já que as mesmas formam uma população que vive a maior parte do dia e durante anos nesse ambiente (PEREIRA, SANTOS e OSBORN, 2000). Sendo assim, Lima et al apud Pereira, Santos e Osborn (2000) relatam que atuações de modo individual e coletivo são necessárias para que haja o desenvolvimento de ações em saúde escolar como elemento integrante da Atenção a Saúde da Criança e do Adolescente. Dessa forma, os centros de educação são responsáveis por representar um espaço viável para garantir o acesso para a universalização da saúde preconizada pelo SUS; e para cumprir esse papel podem contar com a fonoaudiologia, contribuindo com a realidade escolar, tendo o objetivo de estimular o desenvolvimento da linguagem das crianças, promovendo a saúde e prevenindo futuras alterações de ordem fonoaudiológica (NOTARI, 2004). Bitar (1997) afirma que a relação entre os profissionais de uma instituição educacional e a fonoaudiologia objetiva contribuir para melhorar a qualidade de vida da população atendida, através das transformações decorrentes da integração das áreas de saúde e educação. Além disso, outros objetivos da atuação do fonoaudiólogo junto à escola, diz respeito à formação dos educadores e de agentes

3 multiplicadores. O trabalho é realizado de forma multidimensional (fonoaudiólogo educador pais) e requer integração e co-participação de cada membro. Segundo Dantas (2003), a troca de conhecimentos pode ser realizada durante os momentos de planejamento pedagógico, reuniões com os professores e equipe escolar e também com a família, na qual o fonoaudiólogo poderá contribuir na organização de planos de ação que beneficiem a criança direta ou indiretamente. Ressalta-se que todas as ações realizadas dentro do contexto escolar devem ser continuadas, já que ao fonoaudiólogo cabe a função de dar seqüência ao trabalho de realizar palestras, orientações e triagens fonoaudiológicas. Assim, Bitar (1997) e Sacaloski, Alavarsi e Guerra (2000) apontam que é preciso tanto ao fonoaudiólogo quanto ao educador ter um conhecimento mínimo a respeito do desenvolvimento infantil sendo observados alguns aspectos: De 0 a 2 anos de idade: - Desenvolvimento motor: ficar atento se a criança apresenta sustentação de cabeça, arrasta-se, senta-se, engatinha, fica em pé e anda. - Desenvolvimento da linguagem: observar como a criança se comunica, suas verbalizações, sua compreensão e a eficácia das mesmas em diferentes contextos. - Audição: verificar se a criança é atenta aos sons, se os localiza, qual o seu comportamento diante de diferentes estímulos sonoros, se compreende a fala dos outros. - Respiração: prestar atenção se a respiração ocorre de forma oral ou nasal, se a criança ronca, baba no travesseiro e se tem presença de secreção nasal. - Alimentação: verificar os alimentos de preferência da criança, a consistência da sua alimentação em geral, como se alimenta, se necessita da ajuda de alguém para alimentar-se. - Amamentação artificial: observar postura da criança e inclinação da mamadeira, tipo de bico e tamanho do furo, velocidade, presença de engasgos e escape de líquido pelas comissuras labiais. - Saúde geral: é preciso ficar atento às doenças que as crianças já tiveram e quais as condutas adotadas (tratamentos e medicamentos).

4 De 3 a 6 anos de idade: - Audição: Verificar habilidades de localização de sons, memória seqüencial verbal e não verbal, presença de otites e medicações ministradas, e caso de percepção de alterações auditivas, a criança deve ser encaminhada para avaliação audiológica completa. - Respiração, alimentação e saúde geral: são observados os mesmos pontos como para crianças de 0 a 2 anos. Além disso, para a função de alimentação devese observar o ritmo, se há presença de vedamento labial, se a mastigação se uni ou bilateral, se necessita de água junto à alimentação, se realiza movimento de cabeça para deglutir e se há presença de ruído ao deglutir. - Saúde bucal: é preciso verificar a presença de dentes, o estado de conservação, trocas de dentes, se há presença de mordida aberta ou cruzada anterior ou lateral. - Voz: observar a qualidade vocal e intensidade vocal, além de presença de abuso vocal. - Linguagem: é preciso observar a comunicação, sua intenção comunicativa, a seqüência narrativa, como se expressa, ritmo da fala, nível de integibilidade e articulação. Portanto, o papel do fonoaudiólogo educacional será o de auxiliar o professor e a família a lidar com as dificuldades do educando, procurando juntos a melhor maneira para que aconteça o seu desenvolvimento. Assim sendo, verifica-se que muitos problemas podem ser evitados se houver um trabalho eficaz voltado para a prevenção e direcionado à promoção do desenvolvimento (DANTAS, 2003). Portanto a realização que o projeto traz para a fonoaudiologia, assim como para a educação, é de fundamental importância, já que possibilita uma ligação entre educação e saúde, realizando assim uma parceria entre ambas.

5 2. OBJETIVOS Implementar um projeto que ofereça assessoria fonoaudiológica ao Colégio Mater Consolatrix, dentro de uma perspectiva educacional, isto é, com enfoque voltado para a promoção do desenvolvimento infantil, desenvolvendo medidas de prevenção de alterações de ordem fonoaudiológica (linguagem oral e escrita, voz, aspectos de motricidade orofacial e audição) e auxílio à formação dos educadores. Discutir acerca do papel do fonoaudiólogo na educação e suas possibilidades de trabalho. Realizar palestras, mini-cursos, orientações a educadores e pais, assim como proporcionar a participação do fonoaudiólogo no planejamento educacional, e realização de grupos de estudo e de discussão de casos de alunos com dificuldades, além da realização de triagens e encaminhamentos dos que apresentam alterações de ordem fonoaudiológica e/ou outras.

6 3. MÉTODO 3.1 Participantes Para realização deste projeto será necessária a participação de todos os alunos de 0 a 9 anos de idade que estejam matriculados no Colégio Mater Consolatrix da cidade de Ivaiporã - Paraná. Também será necessária a participação dos funcionários do local (regentes, auxiliares, educadores e demais funcionários), assim como dos pais ou responsáveis pelas crianças, conforme necessário. 3.2 Local O presente projeto busca ser inserido no Colégio Mater Consolatrix da cidade de Ivaiporã, no Estado do Paraná, no ano de Procedimentos Inicialmente será discutido acerca do papel do fonoaudiólogo na educação e suas possibilidades de trabalho junto à equipe pedagógica. Em seguida, o programa contará com a orientação aos educadores com o objetivo de prevenir as possíveis alterações da comunicação. Serão utilizadas estratégias como observações do ambiente educacional, levantamento de informações acerca dos funcionários do local, como a formação dos mesmos, os conhecimentos que os mesmos têm sobre a fonoaudiologia, sobre desenvolvimento infantil; dos materiais disponíveis; do espaço físico; das atividades realizadas em cada turma; observações coletivas e individuais das crianças; e a realização de triagens fonoaudiológicas que têm duas finalidades: possibilitar o estabelecimento do perfil individual e grupal que tange à linguagem, à audição e às funções alimentares; favorecendo a identificação e o encaminhamento para serviço especializado para os identificados com dificuldades nessas áreas.

7 As atividades de execução do projeto somente serão realizadas assim que o perfil do ambiente educacional for determinado; e a partir das características apresentadas pelas crianças como de maior urgência para atuação. Sendo nesse momento realizado mini-cursos e palestras, assim como as orientações pertinentes aos educadores e às famílias, como, por exemplo, a necessidade de encaminhamentos. A promoção do desenvolvimento da linguagem, da audição e das funções alimentares deve ser garantida segundo uma prática multidimensional dos profissionais das áreas de saúde, educação e família; e está voltada para a prevenção dos distúrbios da comunicação. Como estratégias para uma boa linguagem oral e escrita estão: a leitura, produção de textos, conto ou narrativas, jogos de linguagem, teatros de fantoches, atividades de letramento, entre outros, isso tudo permite uma ampliação de vocábulo, coesão, coerência, antecipação, seqüenciamento, fechamento e soluções de problemas. Para a audição, serão focadas estratégias precisas como presença de sons instrumentais, ambientais e verbais; localização e identificação da fonte sonora, discriminação de sons quanto à intensidade, freqüência e duração e de vocábulos e sílabas; memória, análise, síntese e ritmo auditivo. Para os aspectos de motricidade orofacial buscará ser desenvolvido as funções de respiração, sucção, mastigação, deglutição, assim como, a postura durante a alimentação, textura e tamanho dos alimentos, utensílios utilizados e quantidade de alimento, e estratégias que visam eliminar hábitos nocivos orais como uso de mamadeiras, chupetas e sucção digitais. E finalmente, com relação aos aspectos vocais, serão verificados tanto nas crianças, quanto nos educadores, o tipo vocal, esforço vocal, intensidade vocal e hábitos vocais nocivos.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS A prevenção vem assumindo maior importância no universo da fonoaudiologia e o fonoaudiólogo que atua em escolas encontra-se inserido num contínuo processo de aprendizagem e tem se engajado numa luta pela construção de sua identidade como profissional voltado à promoção da saúde e às questões educacionais (GIROTO, 1999, p. 24). No entanto, a atuação do fonoaudiólogo nesses locais depende da compreensão do trabalho realizado por parte dos profissionais que integram a equipe escolar, principalmente o professor, para que possam atuar de modo integrado e cooperativo em prol da promoção da saúde e do desenvolvimento das crianças. E à medida que o professor deixar de ser agente detector de problemas, e que o fonoaudiólogo priorize o trabalho em parceria, como é o objetivo do projeto, poderão ser desenvolvidas não só medidas individuais, mas principalmente coletivas, o que poderá resultar em ganhos positivos para ambos, o que facilitará também ao fonoaudiólogo a integrar-se à equipe e desenvolver um papel social mais efetivo (GIROTO, 1999). Portanto, a possibilidade de construir um projeto de atuação voltado para o Colégio Mater Consolatrix, sem dúvida contribui muito para o crescimento da fonoaudiologia e da sua inserção não só na saúde como também na educação em Ivaiporã.

9 BIBLIOGRAFIA BITAR, M. L. A construção da relação fonoaudiólo-centro de educação infantil. In: (Org) BEFI, D. Fonoaudiologia na atenção primária à saúde. São Paulo: Lovise, 1997, p CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, Código de ética da fonoaudiologia. Brasília (DF), Artigo 3º. DANTAS, L. J. Fonoaudiologia: instrumento de prevenção no âmbito escolar. Rev. Estudos Goiânea, v.30, n. 7, p , jul GIROTO, C. R. M. O professor na atuação fonoaudiológica em escola: participante ou mero espectador? In: (org) Perspectivas atuais da fonoaudiologia na escola. São Paulo: Plexus, 1999, p NOTARI, M. I. A. Saúde e educação: porque comunicação é tudo. In: Boletim informativo das fonoaudiólogas da Prefeitura de Santos Ano 1 nº 2 - Abril/2004. PEREIRA, L.D.; SANTOS, A.M.S.; OSBORN, E. Ação preventiva na escola: aspectos relacionados à integração professor e aluno e a comunicação humana. In: VIEIRA, R.M. et al. Fonoaudiologia e saúde pública. São Paulo: Pró-Fono, SP, p.195, SACALOSKI, M. ALAVARSI, E. GUERRA, G. Fonoaudiologia na Escola, Editora Lovise, São Paulo, SP, Ivaiporã, 09 de janeiro de Rudahyra Taisa Osswald de Oliveira Fonoaudióloga

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