SUMÁRIO EXECUTIVO 3 EXECUTIVE SUMMARY 6 APRESENTAÇÃO 9

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1 Estudo O envelhecimento ativo e os empresários seniores Relatório Final Dezembro de

2 ÍNDICE SUMÁRIO EXECUTIVO 3 EXECUTIVE SUMMARY 6 APRESENTAÇÃO 9 1. METODOLOGIA, FONTES DE INFORMAÇÃO E ETAPAS DO ESTUDO ENVELHECIMENTO POPULACIONAL, ENVELHECIMENTO ATIVO E EMPRESÁRIOS SENIORES O envelhecimento populacional como macro tendência da sociedade As implicações das mudanças demográficas no mundo do trabalho e a participação dos mais velhos Pertinência do estudo da atividade empresarial dos seniores Conceito de empresário sénior REPRESENTATIVIDADE E PERFIS DOS EMPRESÁRIOS SENIORES A representatividade e o perfil geral dos empresários seniores O perfil das empresas Ser empresário pela primeira vez depois dos 50 anos O caso das empresas apoiadas pelo PAECPE PERSPETIVAS SOBRE A LONGEVIDADE DA VIDA ATIVA DOS EMPRESÁRIOS SENIORES Retirada dos negócios, sucessão e transferência intergeracional Perceções face ao envelhecimento e às gerações de empresários PISTAS DE INTERVENÇÃO 65 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 69 ANEXOS 71 Anexo 1. Lista de participantes nas actividades do Estudo 71 Anexo 2. Nota metodológica do inquérito aos empresários 72 Anexo 3. Cronograma do Estudo 73 Anexo 4. Lista ilustrativa de projectos internacionais 74

3 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1. Síntese da metodologia 12 Figura 2. Proporção da população com mais de 65 anos 16 Figura 3. Tendências principais com impacto no trabalho e na sociedade 23 Figura 4. Sistema de formação: teorias do funil e da ampulheta 26 Figura 5. Perspetiva geral do roteiro analítico do Estudo 32 Figura 6. Patrões/ empregadores por grupos de idade (1991, 2001 e 2011) 35 Figura 7. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por faixa etária, 2011 (%) 37 Figura 8. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por género, 1991, 2001 e 2011 (%) 38 Figura 9. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por qualificação escolar, 2002 e 2012 (%) 39 Figura 10. Empresas dos empresários com 50 e + anos segundo os setores mais representados, 2011 (%) 41 Figura 11. Empresas dos empresários com 50 e + anos de idade por dimensão, 2002 e 2012 (%) 41 Figura 12. Beneficiários do PAECPE por grupos de idade (%) 48 Figura 13. Beneficiários do PAECPE com 50 e + anos por género (%) 49 Figura 14. Beneficiários do PAECPE com 50 e + anos por qualificação escolar (%) 49 Figura 15. Setor de atividade das empresas criadas por beneficiários do PAECPE com 50 e + anos (%) 50 Figura 16. Empresários com 50 e + anos planos para a continuidade na empresa (%) 52 Figura 17. Empresários com 50 e + anos condições para a retirada da empresa (%) 53 Figura 18. Empresários com 50 e + anos forma de retirada da empresa (%) 54 Figura 19. Empresários com 50 e + anos posição face à sucessão e transmissão da empresa (%) 55 Figura 20. Empresários com 50 e + anos sucessão perspetivada (%) 56 Figura 21. Empresários com 50 e + anos transferência de conhecimentos e competências (%) 57 Figura 22. Empresários com 50 e + anos modalidades de transferência e transmissão dos conhecimentos e competências (%) 58 Figura 23. Empresários com 50 e + anos atividades associadas à qualidade de vida e bemestar (%) 61 Figura 24. Empresários com 50 e + anos situações de discriminação enquanto empresário sénior (%) 62

4 ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1. Etapas e produtos do Estudo 9 Quadro 2. Etapas, estratégia metodológica e resultados do Estudo 13 Quadro 3. Esperança de vida à nascença na Europa 15 Quadro 4. Indicadores de envelhecimento em Portugal 17 Quadro 5. Projeções demográficas 17 Quadro 6. Ranking Ative Ageing Index Quadro 7. Taxa de emprego 27 Quadro 8. Patrões/ empregadores com 50 e +anos (1991, 2001 e 2011) 35 Quadro 9. Patrões/ empregadores por faixa etária em 2011 (v.a.) 36 Quadro 10. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por faixa etária, 1991, 2001 e 2011 (%) 37 Quadro 11. Patrões/ empregadores por faixa etária e género, 2011 (% horiz.) 38 Quadro 12. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por região NUT II, 2011 (%) 39 Quadro 13. Potencial empreendedor nos grupos etários 20/49 anos e 50/ 64 anos (Portugal) 44 Quadro 14. Taxa TEA, em 2011 e 2012, por faixa etária, em Portugal 46 Quadro 15. Empresários com 50 e + anos perspetivas de continuidade no mundo do trabalho (%) 60 Quadro 16. Empresários com 50 e + anos disponibilidade para apoiar outros empresários (%) 61

5 SUMÁRIO EXECUTIVO O envelhecimento da população é uma das tendências que marca de forma incisiva a evolução da sociedade e da economia na Europa. Em Portugal esta tendência é particularmente forte, colocando o país no grupo dos mais envelhecidos. O aumento das taxas de dependência dos idosos, a inatividade dos grupos de pessoas mais velhas e os impactos no mercado de trabalho têm atraído a atenção para os trabalhadores mais velhos e para a necessidade de prolongar o tempo de presença no mercado de trabalho. O envelhecimento da mão-de-obra e a extensão da vida ativa incidem quer nos trabalhadores, quer na classe empresarial. Contudo, os efeitos destas alterações na dinâmica empresarial dos mais velhos e na sua função empresarial estão ainda pouco estudados, bem como a vertente do empreendedorismo sénior, uma das linhas de política no âmbito do desígnio do envelhecimento ativo. É neste enquadramento que a AEP - Associação Empresarial de Portugal, promove o Estudo O Envelhecimento Ativo e os Empresários Seniores, com o objetivo central de contribuir para o aprofundamento do conhecimento da realidade dos empresários seniores em Portugal e das vantagens da promoção da atividade empresarial e do empreendedorismo das gerações mais velhas. Tratando-se de um tema pouco estudado optou-se por uma abordagem que abrangeu diversos eixos analíticos: tendências demográficas e suas implicações no mundo do trabalho, representatividade e perfil dos empresários seniores, longevidade na gestão das empresas, perceções face ao envelhecimento e às relações intergeracionais e ativação dos seniores para a atividade empresarial. A estratégia metodológica assentou no cruzamento das análises qualitativa e quantitativa e na utilização de fontes diversas documentos, estatísticas, inquirição, estudos de caso, entrevistas e painéis de discussão. O conceito adotado de empresário sénior abrange todos os empresários com 50 e mais anos, independentemente da idade de início da atividade empresarial. O Estudo permitiu verificar que, em 2011, os empresários com 50 e mais anos eram , aproximadamente o dobro do valor em 1991, correspondendo a 36% do total de empresários (apenas empregadores). Estes empresários são, sobretudo, idosos jovens 66% até aos 59 anos, mas a taxa de empresários com 65 e mais anos não é negligenciável, bem como o seu contributo para o emprego dos idosos. Além disso, o perfil é predominantemente masculino, apesar do aumento da presença feminina, e prevalecem as baixas qualificações, embora num quadro de melhoria gradual dos níveis de ensino. As empresas detidas pelos empresários seniores não se distanciam das características do universo das empresas a maioria tem 10 ou menos trabalhadores e o setor mais relevante é o comércio (34%), seguido da indústria transformadora, da construção e do alojamento e restauração. 3

6 Quanto à atividade empresarial iniciada após os 50 anos, as fontes disponíveis não permitiram contabilizar a sua incidência na dinâmica geral da criação de empresas. Mas no que respeita especificamente às iniciativas dos desempregados (Programa de apoio ao empreeendedorismo e à criação do próprio emprego) foi apurado que os empreendedores com 50 e mais anos representam 13% das iniciativas criadas. O seu perfil distancia-se do universo dos empresários seniores são mais novos e mais qualificados, as mulheres estão mais representadas e as iniciativas são setorialmente mais diversificadas. Entendido como instrumento para reforçar a atividade económica dos mais velhos, por opção ou necessidade, o empreendedorismo sénior não se esgota na criação de empresas ou no auto-emprego e inclui outras dimensões importantes, como o empreendedorismo social e o apoio a outros empresários mais novos ou menos experientes. Em qualquer caso, os contactos estabelecidos permitiram concluir da sua fraca representatividade nas estratégias das organizações, o que leva a questionar se o potencial dos mais velhos, que querem e estão em condições de assumir uma atitude mais empreendedora, está a ser efetivamente rentabilizado. Relativamente à longevidade da atividade empresarial, a informação recolhida através de inquérito (154 respondentes) revela um forte vínculo ao trabalho e uma tendência de permanência na empresa para além da idade da reforma. Para a maioria dos inquiridos, três aspectos principais condicionam a saída da empresa: atingir um certo patamar etário, entendido de forma variável, assegurar a estabilidade da empresa e encontrar um sucessor. A questão da sucessão mantém-se como um problema difícil de resolver. À questão emocional da ligação ao negócio, acresce a dificuldade em encontrar sucessores e, sobretudo nos negócios mais frágeis, surgem dificuldades económicas que impedem uma saída digna dos empresários. Neste contexto, a longevidade profissional não pode ser encarada apenas como fonte de realização pessoal e profissional, mas em função da situação específica das empresas e da possibilidade de assegurar recursos suficientes para a velhice, assume-se também como uma obrigação por falta de alternativas. O processo de inquirição permitiu também confirmar que o envelhecimento é um processo muito individual e a idade, encarada a partir de vivências distintas, não se afigura como um fator de discriminação da sua função de empresário. A perceção do seu estatuto de empresário sénior baseia-se fundamentalmente nos valores acumulados de experiência e sabedoria, que os distinguem positivamente dos empresários jovens, mas também são referidas desvantagens, nomeadamente a desatualização dos conhecimentos face às mudanças da sociedade, da economia e do mundo do trabalho. A apreciação relativa aos empresários jovens é, em geral, muito positiva e radica, sobretudo, na formação académica e na facilidade de utilização das TIC, e com menor incidência no dinamismo e na capacidade física. O potencial de relação e aprendizagem intergeracional é evidente na posição da maioria dos empresários inquiridos, quando considera a hipótese de apoiar e aconselhar outros empresários, disponibilidade que pode ser aproveitada em favor de programas de mentoring/coaching. 4

7 Da análise das perspetivas de adesão dos empresários inquiridos às atividades que ajudam a cumprir a qualidade de vida e o bem-estar, após a retirada das empresas, conclui-se que o exercício físico e a utilização das TIC são as atividades com maior relevância. Em contraponto, a participação na vida política e associativa e o voluntariado integram-se no grupo das práticas menos referidas para esta fase da vida. Em função dos resultados do Estudo são elencados os seguintes domínios prioritários de intervenção: Sensibilização e informação: orientado para alertar para as alterações demográficas e para os impactos que se podem perspetivar nas empresas e na função empresarial, sem descurar a necessidade de aprofundamento do estudo sobre o tema, nomeadamente em termos setoriais. Serviços de apoio: supõe novas necessidades em termos de apoio aos empresários, nomeadamente a gestão da idade e da saúde, e o reforço da ação no apoio à transição e à sucessão dos negócios. Capitalização das vantagens do envelhecimento ativo dos empresários: respeita ao contributo dos mais velhos para a dinamização da actividade empresarial, através das funções de apoio e aconselhamento, constituição de equipas mistas, transferência da sua experiência e conhecimento e aprendizagem intergeracional. Fomento do empreendedorismo sénior: integra-se na necessidade de capitalizar o contributo dos mais velhos (que querem e estão em condições de contribuir para a economia e para a sociedade), e aferir se estão a ser impulsionados para tal e se estão a ser trabalhadas as barreiras que impedem a sua iniciativa. Desenvolvimento de competências: orientado para a necessidade de investir neste grupo, porque num cenário de prolongamento da atividade empresarial acentuam-se os riscos de insuficiência e obsolescência das competências e as dificuldades relacionadas com as baixas qualificações. Supõe também a ponderação das modalidades e metodologias de formação face às características e particularidades destes grupos etários. 5

8 EXECUTIVE SUMMARY The population ageing is one of the trends that marks the development of the European society and economy in an incisive manner. In Portugal, this trend is particularly strong, placing the country among the group of the most aging countries. The increased old-age dependency ratio, the inactivity of the groups of elderly people and the impacts on the labour market have been attracting the attention to the older workers and to the need to extend the time of their presence in the labour market. The ageing workforce and the extension of the working life affect not only the workers, but also the business class. However, the effects of these changes in the business dynamic of the elderly and in their business activity are yet poorly explored; similarly, little do we know about senior entrepreneurship, one of the policy lines within the active ageing purpose. Under this framework, AEP - Portuguese Entrepreneurial Association, promotes the Study The Active Ageing and the Senior Business Owners, with the main purpose of contributing to a deeper understanding of the reality of senior business owners in Portugal and of the advantages obtained with the promotion of the business activity and entrepreneurship of the elder generations. Given the fact that this topic is understudied, an approach including diverse analytical axis was chosen: demographic trends and their implications in the world of work, representativeness and profile of the senior business owners, longevity in the enterprises management, perceptions regarding ageing and the intergenerational relationships and motivation of the seniors towards the business activity. The methodological strategy was based on the intersection of both the qualitative and the quantitative analyses and in the use of diverse sources documents, statistics, inquiry, case studies, interviews and panel discussions. For the purpose of this study, the concept of senior business owner encompasses all business owners 50 or more years old, regardless of their age when the business activity began. The Study has shown that, in 2011, the business owners 50 or more years old were , roughly the double of the figure in 1991, and they represented 36% of the total number of business owners (employers only). These business owners are, mostly, young elderly 66% up to 59 years old but the ratio of business owners aged 65 and older is not negligible, neither is their contribution for the employment of elder people. Moreover, the profile is predominantly male, despite the increase in the female presence, and the low qualifications prevail, although in a context of gradual improvement in the schooling levels. The enterprises owned by senior business owners are not distant from the characteristics of the universe of enterprises the majority has 10 employees or less and the most relevant is the trade sector (34%), followed by manufacturing, building and hotels and restaurants. Regarding the beginning of the business activity after the age of 50, the available sources did not allow its incidence to be calculated in the overall dynamic of business creation. But, as far as the initiatives for unemployed people are concerned (Entrepreneurship and Creation of Self-Employment Support Programme), it was established that entrepreneurs who are 50 or more years old represent 13% of the initiatives created. 6

9 Their profile is quite distant from the universe of senior business owners - they are younger and have higher qualifications, the women are more represented and the initiatives are more diverse, from a sectorial point of view. Considered as an instrument to reinforce the economic activity of the elderly, either by choice or need, senior entrepreneurship goes beyond the creation of new business or selfemployment, and it includes other important dimensions, such as social entrepreneurship and the support to younger or less experienced business owners. Anyhow, the contacts established made it possible to conclude its weak representativeness in the strategies of the organisations, which raises the question of whether one is actually taking full advantage of the potential of the elderly, who are willing and have the conditions to assume a more entrepreneurial attitude. As far as the longevity of the business activity is concerned, the information gathered through the survey (154 respondents) reveals a strong attachment to the occupation and a tendency to stay at the enterprise beyond retirement age. For the majority of the respondents, three main aspects determine the decision to leave the enterprise: reaching a certain age level, which is understood differently, assure the stability of the enterprise and find a successor. The succession issue remains a difficult problem to solve. In addition to the emotional attachment to the business, there is the difficulty to find successors and, particularly in the most fragile businesses, some economic difficulties emerge and prevent the business owners from leaving with dignity. In this context, the professional longevity cannot be simply considered as a source of personal and professional accomplishment, but, depending on the enterprises specific situation and on the possibility to guarantee enough resources to make it through old age, it may be an obligation imposed by the lack of alternatives. The inquiry process also made it possible to confirm that ageing is a very individual process and age, which is faced according to distinct experiences, does not seem to be a discriminating factor for the occupation of business owner. The perception of their status of senior business owners is based mainly upon the experience and wisdom, values accumulated over time and that positively set them apart from young business owners; some disadvantages are also mentioned, namely the outdated knowledge given the changes in the society, the economy and the world of work. Their appreciation of young business owners is, generally, very positive and relies on, especially, the academic training and the friendly use of ICT, but also on dynamism and physic capacity. The position assumed in the survey by most business owners clearly reveals the potential in the intergenerational relationship and learning, as they consider the possibility to support and advise other business owners, an availability that may benefit mentoring/coaching programmes. An analysis to the business owners prospects to join activities that contribute to quality of life and well-being, after leaving the enterprises, leads to the conclusion that work out and use of ICT are the most relevant activities. On the other hand, the participation in the political and associative lives and voluntary work are within the least referred practices for this life stage. 7

10 As a consequence of the Study s findings, here is a list of priority intervention areas: Awareness and information: directed to draw attention to the demographic changes and the impacts that may occur in the enterprises and in the business occupation, without neglecting the need to study the topic further, namely from a sectorial perspective. Support services: presumes new needs in terms of support to the business owners, namely age and health management, and the reinforcement of an active support to the business transition and succession. Put the active ageing of the business owners to good use: it is related to the contributions from the elderly to streamline the business activity, through the support and advice functions, constitute mixed teams, transfer their experience and knowledge and intergenerational learning. Promotion of senior entrepreneurship: it is part of the need to make the most out of the contribution from the elderly who want and have the conditions to create a new business and check whether these seniors are being encouraged to do so and whether the barriers that stop their initiative are being worked on. Development of competencies: directed to the need to invest in this group, because in a scenario of extension of the business activity there is an increase in the risks of insufficiency and obsolescence in the business owners competencies and of struggling related to low qualifications. It also assumes an assessment of the training types and methods that best fit the characteristics and particularities of age brackets. 8

11 APRESENTAÇÃO O presente documento corresponde ao Relatório Final do Estudo Os empresários seniores e o envelhecimento ativo, oportunamente contratualizado entre a Quaternaire Portugal, Consultoria para o Desenvolvimento SA e a AEP, Associação Empresarial de Portugal, e realizado com o apoio do POAT/ FSE, Programa Operacional de Assistência Técnica do Fundo Social Europeu. De acordo com o plano de desenvolvimento do Estudo, este relatório, o sumário executivo que o complementa e a edição de uma publicação com a síntese dos resultados, encerram o trabalho e concluem o percurso analítico desenvolvido. Etapa 1. Estabilização do roteiro conceptual e metodológico do estudo Quadro 1. Etapas e produtos do Estudo Etapas e produtos do Estudo Etapa 2. Aprofundamento do diagnóstico e das perspetivas sobre a longevidade da vida ativa dos empresários seniores Etapa 3.Consolidação do diagnóstico e apresentação de pistas de intervenção Relatório Metodológico Relatório de Progresso I Relatório de Progresso II Relatório Final Sumário Executivo (português e inglês)) Publicação (Síntese do Relatório Final) A promoção do Estudo decorre da constatação da representatividade crescente dos empresários mais velhos e dos desafios que se colocam à assunção da actividade empresarial como um dos instrumentos de acão face às tendências de envelhecimento da população e de prolongamento da vida ativa. A pertinência da temática dos empresários seniores encontra a sua fundamentação nas alterações demográficas e no envelhecimento da população, que colocam Portugal no grupo dos países mais envelhecidos da Europa. Estas alterações marcam de forma incisiva a evolução da sociedade e da economia, com impactos significativos nos recursos públicos, nos sistemas de proteção social, no mercado de trabalho e na organização da vida em sociedade. O tema tem recebido a atenção dos políticos e dos investigadores, em diversas perspetivas, incluindo as incidências no mercado de trabalho, nomeadamente o envelhecimento da mão de obra que é uma das consequências mais evidentes das mudanças demográficas, que incide quer nos trabalhadores, quer na classe empresarial. Sabemos que as pessoas vão ter de trabalhar até mais tarde e analisar o modo como esta tendência se repercute na atividade empresarial dos mais velhos, iniciada antes ou durante esta fase da sua vida, e no seu perfil pessoal e profissional, constitui o mote essencial do presente Estudo. 9

12 Em Portugal, em 2011, 36% dos empresários tinham 50 ou mais anos, o que representa um grupo significativo. Além disso, a iniciativa empresarial dos mais velhos é também sinalizada como uma das saídas para a crise a para a criação de emprego. Todavia, apesar da representatividade destes empresários e do aumento previsível do seu espaço de intervenção na dinamização da economia e na liderança dos negócios, sabe-se pouco sobre este grupo e sobre os efeitos das mudanças demográficas e da tendência para a extensão da vida ativa na dinâmica empresarial e na função de empresários: Quantos são? Como são? Como perspetivam o prolongamento da atividade e a sua relação com o envelhecimento? Qual a relevância das iniciativas depois dos 50 anos? Que motivações, que condições, que limitações? Como ajustar as práticas empresariais e as políticas ao envelhecimento da classe empresarial e à necessidade de fomentar o crescimento económico? É neste enquadramento que se insere a iniciativa de realização do Estudo pela AEP, que visa contribuir para o aprofundamento do conhecimento sobre a realidade dos empresários seniores em Portugal e as vantagens da promoção da atividade empresarial e do empreendedorismo das gerações mais velhas e contempla os seguintes objetivos específicos: Realizar um diagnóstico da situação dos empresários seniores em Portugal, que aborda a sua evolução e perfil, o envelhecimento e a longevidade na gestão das empresas, as relações intergeracionais e a componente do empreendedorismo sénior. Apresentar um referencial de pistas de ação que favoreça a adoção de iniciativas orientadas para a promoção das vantagens da atividade empresarial das gerações mais velhas. O Estudo iniciou-se em janeiro de 2013 e culminou no final desse mesmo ano com uma sessão de apresentação dos resultados dirigida aos agentes políticos e empresariais e aos próprios empresários. O presente Relatório está organizado nos seguintes capítulos: Um primeiro capítulo de apresentação da metodolgia e fontes de informação. Um segundo capítulo dedicado à contextualização do tema do Estudo, no que respeita nomeadamente às alterações demográficas, aos impactos no mundo do trabalho e ao desígnio do envelhecimento ativo. Inclui também o desenvolvimento dos elementos que justificam a pertinência do Estudo, onde se integra um subcapítulo de explicitação do conceito adoptado de empresário sénior. Um terceiro capítulo dedicado à apresentação das características dos empresários seniores e da sua representatividade no espaço nacional, através da exploração do perfil dos empresários e das empresas. O capítulo aborda ainda o segmento dos empresários que iniciam a atividade empresarial nesta fase da sua vida. 10

13 Um quarto capítulo que explora dimensões associadas à longevidade da vida profissional dos empresários, nomeadamente as perspetivas quanto à retirada dos negócios e à sucessão, e as perceções relativas ao envelhecimento e às diferentes gerações de empresários. Finalmente, o quinto capítulo é dedicado à apresentação das pistas de ação para o apoio às condições e vantagens da atividade empresarial e do empreendedorismo das gerações mais velhas. O Relatório encerra com a apresentação da bibliografia e dos Anexos. 11

14 1. METODOLOGIA, FONTES DE INFORMAÇÃO E ETAPAS DO ESTUDO A estratégia metodológica define como linha fundamental o cruzamento das análises qualitativa e quantitativa, através da utilização de fontes diversas, que incluem documentos, estatísticas, inquérito, estudos de caso, entrevistas e painéis de discussão. Figura 1. Síntese da metodologia Abordagem multimétodo Desk research/ análise estatística Desk research/ análise documental Focus-group Workshops Inquérito aos empresários seniores Multimétodo Entrevistas/ exploratórias e aprofundamento Estudos de caso Articulação continuada com a AEP Participação dos potenciais stakeholders e dos empresários seniores Rentabilização dos recursos e do conhecimento disponíveis Neste âmbito, as fontes de informação accionadas foram as seguintes: Análise bibliográfica: exploração de documentos e estudos de referência relativos às diferentes componentes analíticas do Estudo; Análise estatística: informação do sistema estatístico nacional de caracterização dos empresários e das empresas; Inquérito aos empresários: aplicado a uma amostra de empresários envolvida em atividades de formação promovidas pela AEP (n=154), através de contacto telefónico e mail (Anexo 2. nota metodológica); Estudos de caso a empresários seniores (n=3), através de entrevistas aprofundadas; Entrevistas com peritos e serviços públicos (Anexo 1. Lista de participantes); 12

15 Focus-group (n=2) e Workshops (n=2), os primeiros de caráter exploratório, os segundos dedicados à discussão e aprofundamento dos resultados preliminares do Estudo, envolveram cerca de duas dezenas de entidades e personalidades de diversas áreas, incluindo empresários (Anexo 1.Lista de participantes). Face ao planeado a alteração mais significativa recai sobre o inquérito aos empresários, cuja aplicação por via telefónica se revelou complexa, sobretudo pela dificuldade em contactar diretamente com o empresário para aplicar o inquérito. Face ao reduzido número de respostas obtidas por esta via (88 respostas), optou-se pela aplicação através de mail, o que permitiu reforçar o número total de inquéritos respondidos (154 inquéritos), mas não alcançar a amostra inicialmente definida. O Anexo 2 contém informação detalhada relativa à base de contactos, dificuldades encontradas e taxa de resposta. A realização do Estudo foi organizada em três etapas, a que correspondem diferentes estratégias metodológicas e resultados, conforme se explicita seguidamente. Quadro 2. Etapas, estratégia metodológica e resultados do Estudo Etapas Estratégia metodológica Resultados 1. Estabilização do roteiro conceptual e metodológico do estudo (3 meses) 2. Aprofundamento do diagnóstico da ação dos empresários seniores e das condições de continuidade das empresas e da atividade profissional (6 meses) - Recenseamento e análise preliminar da literatura temática relevante, nacional e internacional; - Identificação e exploração inicial da informação estatística; - Entrevistas exploratórias com peritos em matéria do envelhecimento ativo e atividade empresarial dos seniores; - Reuniões com a AEP; - Recenseamento e análise da literatura temática relevante nacional e internacional; - Análise estatística relativa à atividade empresarial; - Entrevistas de aprofundamento a peritos nas áreas do envelhecimento ativo e da atividade profissional e empresarial dos seniores; - Painéis de discussão com diferentes grupos de especialistas e técnicos com intervenção nas áreas temáticas do Estudo; - Inquérito telefónico a empresários seniores; - Estudos de caso com base em - Sistematização preliminar dos contributos do exercício de revisão da literatura temática; - Consolidação do quadro de objetivos e questões orientadoras que norteiam a abordagem à problemática dos empresários seniores ; - Estabilização e preparação da estratégia metodológica: métodos, fontes e instrumentos de recolha, tratamento e análise dos dados empíricos; Produto: Relatório Metodológico - Conclusão da sistematização dos contributos do exercício de revisão da literatura temática; - Retrato global dos empresários seniores e da dinâmica de evolução deste segmento da atividade empresarial (características, motivações, representatividade no tecido económico e tendências recentes); - Retratos aprofundados de uma amostra de empresários seniores baseados em séries de entrevistas (painel de empresários seniores); - Análise das condições de continuidade da vida ativa profissional baseada na iniciativa empresarial 13

16 Etapas Estratégia metodológica Resultados entrevistas aprofundadas (painel de empresários); - Utilização do site do projeto para estratégias de recolha de informação complementares; - Reuniões com a AEP; como uma opção/ solução de continuidade da vida profissional para as gerações mais velhas. - Análise das condições de transferência intergeracional, no que respeita à transmissão de saberes e à problemática da sucessão. 3.Consolidação do diagnóstico e recomendações (3 meses) - Workshops com peritos e profissionais das áreas do envelhecimento ativo e da dinamização da atividade empresarial e painel de empresários seniores - Conclusão da análise e interpretação dos dados empíricos - Reuniões com a AEP; Produtos: 1º Relatório de Progresso, 2º Relatório de Progresso - Consolidação das linhas principais do diagnóstico; - Organização das conclusões do estudo; - Construção do referencial de propostas de intervenção prioritárias. Produtos: Relatório Final, Sumário Executivo, Publicação O Anexo 3 apresenta um cronograma detalhado das atividades do Estudo. 14

17 2. ENVELHECIMENTO POPULACIONAL, ENVELHECIMENTO ATIVO E EMPRESÁRIOS SENIORES 2.1. O envelhecimento populacional como macro tendência da sociedade Apesar de o debate ter surgido há cerca de três décadas, por essa altura o envelhecimento da população era considerada uma tendência com consequências num futuro distante. Contudo, como consequência do progresso mundial em particular, nos domínios da higiene, nutrição e medicina o envelhecimento populacional não só se intensificou como constitui, segundo as Nações Unidas, uma das mais significativas tendências do século XXI (Fundo de População das Nações Unidas, 2012). Na Europa, o envelhecimento da população apresenta-se com contornos particularmente fortes, apesar das disparidades entre países. Três fatores principais explicam a evolução demográfica observada atualmente: a fecundidade persistentemente baixa, a esperança de vida mais elevada e a migração. O último relatório da União Europeia relativo às projeções demográficas prevê um aumento importante da esperança de vida à nascença para ambos os sexos, um ligeiro aumento taxa de fecundidade (de 1,59 nascimentos por mulher em 2010 para 1,71 em 2060) e uma migração líquida acumulada para a UE de cerca de 60 milhões de pessoas até Quadro 3. Esperança de vida à nascença na Europa Homens 76,7 anos 84,6 anos Mulheres 82,5 anos 89,1 anos Fonte: Em função destes indicadores, as projeções demográficas apresentadas nesse mesmo relatório são as seguintes: - A população da UE deverá aumentar ligeiramente, passando de 502 milhões em 2010 para 517 milhões em 2060, mas paralelamente deverá envelhecer bastante, - Em 2060, quase um terço da população total de 517 milhões de europeus terá, pelo menos, 65 anos, - Por essa altura a percentagem dos indivíduos entre os 15 e os 64 anos vai diminuir, passando de 67% para 56%, ou seja, grosso modo, o número de pessoas em idade ativa por reformado passará das atuais quatro para apenas duas pessoas. 15

18 Em Portugal, nas últimas décadas, a evolução demográfica tem sido condicionada pela diminuição das taxas de mortalidade e, sobretudo, de natalidade e a sua característica dominante mais evidente é um envelhecimento da população mais significativo do que a média da UE, União Europeia e da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico: Neste continente grisalho, Portugal ocupa hoje o lugar de um dos países mais envelhecidos. Trata-se de um caso peculiar entre as nações europeias, não por estar a envelhecer (porque todas as populações o estão!) mas pela rapidez com que este processo aqui se manifestou (Rosa & Chitas, 2013, p.20). O gráfico seguinte expõe a tendência ao longo dos últimos anos de maior representatividade da população com 65 anos de idade ou mais no total da população, sendo que em Portugal esta é significativamente mais elevada face à média da UE. Figura 2. Proporção da população com mais de 65 anos Fonte: Eurostat (acedido em fevereiro de 2013) Como consequência desta dinâmica, em 2011, o índice de envelhecimento era de 130, ou seja 130 idosos por cada 100 jovens, o que coloca Portugal como o 6º país mais velho da Europa 1. Por outro lado, a relação entre ativos e pessoas idosas também se tem alterado significativamente 1 Irlanda é o país com o menor índice de envelhecimento 55 idosos por cada 100 jovens. 16

19 Índice de envelhecimento Quadro 4. Indicadores de envelhecimento em Portugal Indicador População jovem (0/14)/ População idosa (+ 65 anos) Índice de dependência total População jovem (0/14) e idosa (+ 65 anos) / população em idade ativa (15/64 anos) Índice de dependência idosos (+ 65 anos) / população em idade ativa (15/64 anos) Índice de longevidade - relação entre população mais idosa (75 anos ou mais) e a população idosa (65 anos ou mais) Fonte: INE, PORDATA 68.1% 127.8% 50.6% 51.3% 20.5% 28.8% 39.3% 47.9% As projeções demográficas para as próximas décadas sinalizam a agudização destas tendências 2 : diminuição da população ativa na década de 20; aumento da população idosa (65 + anos) no total da população; aumento da população com mais de 80 anos na década de 40 deverá ultrapassar o valor de 1 milhão (em 2010 eram cerca de ). Quadro 5. Projeções demográficas Indicador População (milhões) Peso dos jovens (0-14) na população total 14.9% 12.4% 12.2% Peso da população anos na população total 42.7% Peso da população ativa na população total 53.6% 63.4% 56.4% Peso dos idosos (65 e mais anos) na população total 19% Fonte: PORDATA e Projeções de População residente em Portugal: O discurso relativo ao envelhecimento da população e ao aumento da longevidade individual oscila entre o enfatizar da importante conquista que resulta do progresso e da melhoria das condições de bem-estar e a chamada de atenção para os impactos negativos sobre os recursos públicos. 2 PORDATA e Projeções de População residente em Portugal:

20 De fato, as consequências para as finanças públicas, derivadas da pressão nos sistemas de segurança social, incluindo sistemas de pensões e de saúde, decorrentes do aumento da procura e da redução do contributo para os sistemas, à medida que a população se vai reformando, constituem uma importante preocupação ao nível europeu: Com base nas políticas atuais, estima-se que as despesas públicas exclusivamente relacionadas com a idade (pensões, cuidados de saúde e cuidados prolongados) aumentem 4,1 pontos percentuais do PNB entre 2010 e 2060, passando de 25% para cerca de 29% do PNB. Só as despesas com as pensões deverão aumentar de 11,3% para quase 13% do PNB até Numa perspetiva positiva e em termos económicos é recorrente a referência ao potencial de criação de novos bens e serviços e respetiva criação de empregos, em particular na área de serviços sociais e pessoais. Mas é também importante considerar que derivado da melhoria das condições de vida e de cuidados de saúde, os idosos já não se encaixam no quadro mental ainda dominante de reformados débeis e inativos. Na verdade, o tempo de vida ativa está hoje muito mais alongado o que permite encarar o envelhecimento com um potencial de intervenção, (pessoal, familiar, profissional e social), que não encontra similitude com o passado, mas que também não é compatível com os estereótipos sociais dominantes. O recente Estudo O Envelhecimento da População: Dependência, Ativação e Qualidade promovido pelo CES, Conselho Económico e Social dá voz a esta perspetiva quando afirma: O incremento exponencial da população idosa em Portugal representa, indiscutivelmente, um problema social. Mas, acima de tudo, o aumento do peso da população idosa pode ser encarado como uma grande oportunidade social, cultural e económica (Carneiro, Chau, Soares, Fialho & Sacadura, 2012, p.23). Complementarmente, outras referências acentuam a importância de reequacionar ideias presentes na sociedade: a idade deve ou não continuar a ser um critério decisivo na avaliação do valor de alguém no mercado de trabalho? A passagem à reforma numa idade predeterminada administrativamente deve continuar a ser defendida? Ou, pelo contrário, as fases da vida de aprendizagem, de atividade e de lazer devem conviver ao longo da vida e perder o seu determinismo etário? (Rosa & Chitas, 2013, p.23). A importância da ação política nesta matéria é universalmente reconhecida como aspeto significativo e urgente face ao envelhecimento rápido da sociedade e às suas implicações para a estratégia de desenvolvimento da Europa. Refira-se a este propósito que para o cumprimento das metas definidas na Estratégia 2020 relativas à participação da população ativa a trabalhar (75%, em 2020) e à diminuição da pobreza, (retirar 20 milhões de europeus da pobreza, em 2020), é essencial assegurar que o contributo dos mais velhos para o desenvolvimento da sociedade é encarado como um importante eixo de ação

21 Ou seja, com o aumento da esperança média de vida, a melhoria das condições de saúde e o incremento das qualificações, é esperado que os idosos vivam vidas saudáveis mais longas, tenham mais independência e autonomia, permaneçam mais tempo no mercado de trabalho e contribuam para a sociedade através do apoio à família, a outros idosos ou em ações de voluntariado. Envelhecimento ativo Neste contexto, a iniciativa Ano Europeu para o Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre gerações 2012, constituiu um importante espaço de sensibilização para o tema e para a sua integração setorial (social, emprego, habitação, formação, TIC ). É também neste âmbito que o conceito envelhecimento ativo ganha importante protagonismo. A definição usada pela Organização Mundial de Saúde constitui uma referência relevante para a compreensão do conceito: Processo de optimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança para melhorar a qualidade de vida das pessoas durante o envelhecimento (OMS, 2002). A explanação do conceito reafirma que o envelhecimento ativo tem a ver com a realização do potencial dos mais velhos, o bem-estar físico, social e mental, a sua participação na sociedade de acordo com as necessidades, desejos e capacidades e com o assegurar protecção, segurança, cuidado. Além disso, a noção activo relaciona-se com as esferas social, económica, cultural, espiritual e cívica e não apenas com a dimensão do exercício físico ou com a participação no mercado de trabalho. Esta lógica multidisciplinar e integrada do envelhecimento, tem vindo a ser questionada por diversos autores que consideram que o conceito tem vindo a orientar-se numa perspectiva mais economicista: A designação de envelhecimento ativo representa o culminar de um longo processo de deliberação e de discussão com aportes de várias perspetivas e domínios científicos, de onde se reconhece a centralidade dos contributos da Psicologia (cf. Fernández-Ballesteros, 2009), mas que denuncia hoje a influência incontornável de uma ótica de leitura centrada numa perspetiva económica (Ribeiro, 2012, p.48). Os referenciais usados pelo Estudo são os documentos da União Europeia, nomeadamente a declaração de Dezembro de 2012 do Conselho da União Europeia que reforça a necessidade de dar seguimento aos esforços de promoção do envelhecimento activo e da solidariedade entre as gerações. Estes esforços são enquadrados no cumprimento dos valores essenciais que regem o Tratado da União Europeia e são também entendidos como um contributo para atingir as metas da Estratégia Europa Os princípios evocados nesta Declaração baseiam-se no documento Princípios Orientadores para o Envelhecimento Ativo e a Solidariedade entre as Gerações, de que se destaca o seguinte excerto: As pessoas mais velhas dão contributos significativos para a economia e para a sociedade; tendo em conta que os seus níveis de saúde e educação têm melhorado ao longo do tempo, esses contributos podem tornar-se ainda mais substanciais o 19

22 que se poderá concretizar utilizando todo o seu potencial mediante a otimização das oportunidades de bem-estar físico, social e mental ao longo da vida. É este o objetivo da abordagem estratégica do "envelhecimento ativo", a solução capaz de dar uma elevada qualidade de vida às pessoas de todas as idades, melhorar a produtividade e dar um impulso para uma forte solidariedade entre as gerações (Comissão Europeia, 2012a, p.7). Numa perspectiva mais operacional, os princípios orientadores para o Envelhecimento Ativo e a Solidariedade entre as Gerações que são referidos nesse documento são os seguintes: Princípios orientadores para o Envelhecimento Ativo e a Solidariedade entre as Gerações Emprego Participação na sociedade Vida independente Educação e formação profissionais permanentes Condições de trabalho saudáveis Estratégias de gestão etária Serviços de emprego para os trabalhadores mais velhos: Evitar a discriminação com base na idade: Sistemas fiscais/de prestações favoráveis ao emprego Transmissão de experiência Conciliação entre trabalho e cuidados Segurança de rendimento Inclusão social Voluntariado sénior Aprendizagem ao longo da vida Participação no processo decisório Apoio aos prestadores informais de cuidados Promoção da saúde e prevenção da doença Habitação e serviços adaptados Transportes acessíveis e a preços módicos Ambientes e bens e serviços para todas as idades Maximizar a autonomia nos cuidados prolongados O projeto de investigação Quadro de Indicadores do Envelhecimento Ativo é uma ferramenta que tem por objetivo apoiar os decisores políticos na tomada de decisão para um envelhecimento saudável, reforçando o potencial dos seniores para uma vida independente e uma participação mais ativa no mundo do trabalho e na vida social 4. Para a construção do quadro de indicadores foi adotada a seguinte definição de envelhecimento ativo : 4 Projeto desenvolvido no âmbito do Ano Europeu para o Envelhecimento Ativo pelo European Centre for Social Welfare Policy and Research in Vienna (ECV), em parceira com a Direção-Geral do Emprego e Assuntos Sociais da Comissão Europeia e a Comissão Económica para a Europa das Nações Unidades. 20

23 O envelhecimento ativo refere-se à situação em que as pessoas continuam a participar no mercado formal de trabalho ou estão envolvidas noutras atividades produtivas não remuneradas (p.e. cuidar de membros da família ou voluntariado) e vivem de forma saudável, independente e segura, à medida que vão envelhecendo Comissão Europeia; Nações Unidas, 2013, p.2) 5. Esta definição aponta para o caráter multidimensional do envelhecimento e integra quatro domínios representativos dos diferentes aspetos do envelhecimento ativo e saudável: Os três primeiros domínios (Emprego, Participação na sociedade e Vida independente, saudável e segura) referem-se às experiências atuais de envelhecimento ativo. O quarto domínio (Capacidade e condições ambientais/ contexto ambiente), às condições para o envelhecimento ativo, associadas às características individuais e de contexto. A análise do ranking Quadro de Indicadores do Envelhecimento Ativo 2012 revela que em termos do indicador geral que mede as práticas e as condições associadas ao envelhecimento ativo, Portugal se situa numa posição intermédia a 13ª melhor pontuação dos 27 países da EU. Mas esta posição deve-se essencialmente à sua supremacia em termos da participação dos mais velhos no mercado de trabalho formal, que apesar de estar a descer ainda permitiu a Portugal alcançar a 4ª melhor pontuação. Nos restantes indicadores, os resultados são bem mais negativos. Emprego Quadro 6. Ranking Ative Ageing Index 2012 Domínios Taxa de emprego 55-59; Taxa de emprego 60-64; Taxa de emprego 65-69; Taxa de emprego Participação na sociedade Atividades de voluntariado; Cuidados às crianças/netos; Cuidados a outros adultos; Participação política Vida independente, saudável e segura Exercício físico; Acesso à saúde e cuidados dentários; Vida independente; Segurança financeira; Segurança física; Aprendizagem ao longo da vida Capacidade e condições ambientais/ contexto ambiente Esperança de vida aos 55 anos; Esperança de vida saudável aos 55 anos; Bem-estar mental; Uso de TIC; Ligações sociais; Nível de escolaridade Posição de Portugal Indicador geral/ agrupa todos os domínios 13ª 4ª 20ª 24ª Países nas três primeiras posições Suécia, Chipre, Reino Unido Irlanda, Itália, Luxemburgo Fonte: Policy Brief: Introducing the Ative Ageing Index, March ª Dinamarca, Suécia, Holanda Suécia Dinamarca, Holanda Suécia, Dinamarca, Irlanda 5 Tradução nossa. 21

24 A pior classificação alcançada recai no domínio Vida independente, saudável e segura, que inclui, entre outros, o indicador Segurança financeira. Sabendo-se das condições económicas da população idosa, admite-se que este terá sido um fator decisivo para essa classificação: Em Portugal, a população idosa é um dos grupos mais desfavorecidos em termos económicos; a população com 65 e mais anos, de acordo com fontes comunitárias, apresentava, para o ano de 2009, uma taxa de risco de pobreza (considerada como abaixo de 60% do rendimento mediano) de 21,0% depois das transferências sociais, valor ligeiramente superior ao registado em 2008, de 20,1% e superior à média comunitária (17,8%); conforme se vai avançando nas idades, o agravamento do risco da pobreza é maior, apresentando a população de 75 e mais anos um risco de pobreza que atinge 24,4%, sendo na UE apenas de 20,3% (Carneiro et al. 2012, p. 102). Pode-se concluir que, em Portugal, quer as práticas, quer as condições e ambientes amigos da idade estão ainda insuficientemente assegurados, bem como está escassamente aproveitado o potencial dos mais velhos e a sua participação na sociedade As implicações das mudanças demográficas no mundo do trabalho e a participação dos mais velhos Os exercícios de prospetiva relativos ao envelhecimento populacional na Europa apontam um decréscimo da população, trabalhadores mais envelhecidos, saídas do mercado de trabalho e possível escassez de competências. Esta realidade não pode ser dissociada do contexto de crise económica e do aumento do desemprego, que atinge sobretudo os trabalhadores dos setores mais tradicionais, e que dada a sua idade e qualificações dificilmente conseguem responder à procura de competências diferenciadas, que é protagonizada pelos setores mais dinâmicos. Além disso, a elevada taxa de desemprego jovem constitui uma importante ameaça para a performance e desempenho do mercado de trabalho na Europa. Estas mudanças na dimensão e estrutura da força de trabalho constituem um importante desafio para os países europeus, que em alguns países se fará sentir a curto prazo, noutros num horizonte temporal um pouco mais distante. O estudo Growth potential of EU human resources and policy implications for future economic growth (Peschner & Fotakis, 2013), conclui que mesmo nos cenários mais positivos a força de trabalho e o emprego disponíveis vão diminuir na próxima década. A análise desenvolvida neste estudo indicou que em alguns dos Estados-membros economicamente mais fortes estas tendências serão muito evidentes nos próximos anos, noutros casos estes tipos de constrangimentos deverão evidenciar-se num período mais alargado. Ao envelhecimento dos trabalhadores e mudança da sua estrutura de idades e à contração da mão de obra disponível e aumento das taxas de saída do mercado de trabalho, associam-se outros efeitos, nomeadamente a potencial perda de conhecimento e experiência e as lacunas de competências pela dificuldades que se anteveem no recrutamento de novos trabalhadores. 22

25 Este potencial empobrecimento do capital de competências das empresas e das organizações poderá ter sérias implicações na competitividade das organizações e neste sentido a dimensão da transmissão e transferência de expertise assume particular relevância. Por outro lado, segundo o Estudo do CEDEFOP Working and Ageing Guidance and Counseiling for mature learners (2011), este tipo de efeitos não pode ser visto de forma isolada, na medida em que o próprio mundo do trabalho está sujeito a mudanças com significado. Essas mudanças estão relacionadas com a globalização, a concorrência e a pressão para o aumento da qualidade dos bens e serviços. Além disso, os padrões da vida profissional também estão em mutação, nomeadamente as carreiras profissionais, a flexibilidade no mercado de trabalho e a importâncias da I&D, que no seu conjunto apelam a empregos com qualificações cada vez mais diferenciadas. A estas mudanças estão associadas novas necessidades de competências, défices de competências que é necessário colmatar e necessidades de formação a que é fundamental responder. Figura 3. Tendências principais com impacto no trabalho e na sociedade Fonte: Cedefop, 2011 As mudanças no mundo do trabalho partem das tendências atuais registadas em muitas empresas em que os trabalhadores nucleares realizam o trabalho regular e para as atividades com caráter descontínuo as empresas contratam colaboradores externos por via de contratos temporários ou contratos a prazo. A literatura aponta para um predomínio das relações empregador-empregado com estas características e delineia uma população empregada, no futuro, constituída da seguinte forma: Trabalhadores nucleares (um pequeno grupo de peritos altamente qualificados, técnicos e gestores; e um grupo nuclear de trabalhadores qualificados/ desqualificados); 23

26 Um grupo quantitativamente importante de peritos altamente qualificados externos, que temporariamente trabalharão para as empresas. Este grupo irá assumir muitas das tarefas anteriormente realizadas pelos gestores intermédios; Trabalhadores semiqualificados, temporários, para dar resposta a picos de trabalho. A importância de considerar a variabilidade do impacto da idade consoante os tipos de emprego e os setores de atividade, é uma ideia recorrente nos estudos. Por exemplo, IImarinen (s/d) reforça esta dimensão ao referir que embora a capacidade física tenda a deteriorar-se com a idade e se registem diferenças significativas ao nível individual na capacidade funcional e na saúde, em geral a maior parte dos trabalhadores mais velhos gozam de boas condições físicas. O mesmo autor, refere que a capacidade de trabalho avaliada com base no ICT (Índice de Capacidade de Trabalho) tende a diminuir à medida que os trabalhadores envelhecem p.e. os trabalhadores com mais de 65 anos de ambos os sexos evidenciam acentuada diminuição do ICT, em todos os tipos de emprego. Por outro lado, em alguns setores a perda de capacidade é mais rápida, nomeadamente na agropecuária, silvicultura, metalurgia, transportes, serviços sociais e, em alguns casos, a educação. Porém, na perpsetiva de IImarinen, estas limitações são compensadas com a melhoria substancial de outras funções que reforçam o capital social dos trabalhadores mais velhos, designadamente: pensamento estratégico, sagacidade, sabedoria, capacidade decisória, consideração pelos outros. Esta óptica é reforçada por outros estudos, que acrescem a estas dimensões a considerável experiência acumulada pelos trabalhadores mais velhos, incluindo os que possuem baixos níveis de qualificação formal, escolar e/ ou profissional (BussinessEurope, Ceep & Eapme, 2012). Uma boa vida profissional é uma plataforma importante para promover o envelhecimento ativo, e a saúde e a segurança no trabalho desempenham um papel crucial, contudo as práticas de gestão de idade nos locais de trabalho na Europa revelam um baixo nível de consciencialização das questões do envelhecimento: Os empregadores reconhecem o problema do envelhecimento, mas as indicações disponíveis confirmam que ainda não estão preparados para estas mudanças (CEDEFOP, 2013, p.1). Neste âmbito, Le Boterf (2002) chama a atenção para a importância da gestão previsional da pirâmide de idades e necessidade de introduzir um raciocínio demográfico nos processos de gestão de competências. Se bem que do seu ponto de vista seja necessário rever a classificação que tradicionalmente é usada (saber, saber-fazer e saber-ser), pois é importante pensar noutros tipos de recursos e capacidades cognitivas. Além disso, é fundamental considerar que o envelhecimento biológico não se faz sentir da mesma maneira nos indivíduos, por isso as estratégias de adaptação também devem ser diferentes Essa adaptação é fundamental para a promoção da capacidade de trabalho dos mais velhos, na medida em que a qualidade de vida profissional é um requisito importante para os mais velhos permanecerem ativos. Na perspetiva de IImarinen a promoção da capacidade de trabalho dos mais velhos passa pelas seguintes áreas: 24

27 A promoção da saúde no trabalho (medidas preventivas e proactivas em termos de hábitos e estilos de vida); implica que os profissionais de saúde no trabalho integrem a temática na sua ação; A atualização e desenvolvimento de competências (formação em contexto de trabalho e adequação das estratégias e métodos); Os valores, atitudes e a motivação (a gestão e liderança da organização e do trabalho e a função de supervisão); A adaptação do emprego ao estado de saúde e às necessidades dos trabalhadores mais velhos, através da introdução de medidas amigas da idade (reduzir carga física, introduzir pequenas pausas, flexibilizar horários ). O investimento em capital humano O investimento em capital humano e na empregabilidade dos trabalhadores constitui uma importante dimensão da ação em prol do envelhecimento ativo e deve ser encarado nas faixas etárias mais precoces. Na faixa etária dos 40 e 50 anos pode, pelo menos em parte, prevenir futuros problemas com a produtividade dos trabalhadores quando estes tiverem mais idade. Um estudo do CEDEFOP de 2011 relativo às problemáticas dos trabalhadores mais velhos aborda esta dimensão e refere que para os ativos terem uma participação plena na aprendizagem ao longo da vida a teoria do funil terá de ser deposta. Esta considera que ao longo da escolarização inicial a participação em educação vai diminuindo à medida que os jovens progridem nos níveis de escolarização. Uma vez finda esta fase, a descida dos níveis de participação em educação e formação evidenciam-se dando lugar a uma aprendizagem associada ao processo de desenvolvimento profissional. Note-se que, para as pessoas que cumulativamente se encontrem desempregadas, o processo de aprendizagem desacelera mais. A partir dos 45 anos de idade as taxas de participação baixam acentuadamente, em especial entre os menos qualificados, os que possuem empregos pior remunerados ou que estejam desempregados. Ou dito de outro modo a esperança de formação diminui com a idade (Le Boterf, 2002). 25

28 Figura 4. Sistema de formação: teorias do funil e da ampulheta Fonte: Cedefop, 2011 Contrastadamente, a literatura defende uma abordagem mais participativa e inclusiva que promova uma aprendizagem contínua através desta trajetória de vida. Isto evidencia a importância de um sistema de ensino e formação profissional mais robusto e inclusivo na educação inicial e a criação de oportunidades numa fase do ciclo de vida mais tardio (teoria da ampulheta ). O que implica a necessidade de prever ambientes favoráveis à formação dos mais velhos (Le Boterf, 2020). A par da promoção da aprendizagem ao longo da vida, outros autores sinalizam a necessidade de dar importância à qualidade da orientação de carreira não apenas para os jovens mas também para os mais velhos. Dinâmicas de participação dos mais velhos no mundo do trabalho A participação dos mais velhos no mundo do trabalho assume importância significativa na promoção do envelhecimento ativo e tem impacto relevante na sustentabilidade dos sistemas de saúde, segurança social e de pensões e na redução da pobreza. Na UE, desde o final da década de noventa, o emprego no grupo 55/ 64 anos apresenta uma trajetória de crescimento. Pelo contrário, Portugal apresenta uma tendência de decréscimo, embora os elevados valores de partida assegurem a Portugal uma posição ainda cimeira quanto à participação dos mais velhos no mercado de trabalho, conforme se pode concluir dos resultados do Ative Ageing Índex. A diminuição da taxa de participação dos mais velhos na força de trabalho ocorreu sobretudo a partir de 2007 e coincide com a crise que se iniciou em A quebra no emprego é patente na evolução da taxa de emprego que apresenta redução em todos os seus grupos etários, sobretudo no grupo 55/ 64 anos. 26

29 Quadro 7. Taxa de emprego Taxa emprego 45/ 54 anos 76.6% 73.5% Taxa de emprego 55/64 anos 50.5% 45.7% Taxa de emprego 65 e mais anos 17.8% 14.1% Fonte: PORDATA, INE As hipóteses adotadas pelo estudo da Comissão Europeia (2012) / Europop2010 para o mercado de trabalho nacional permitem recensear as seguintes tendências dominantes: - a taxa de participação da população entre 55 a 64 anos deverá aumentar de 54,2% em 2010 para 63,2% em 2020, 68,5% em 2030, atingindo um pico em 2035 com 69,6%. - o peso do emprego de seniores (55-64 anos), que em 2020 é estimado em 18%, aumenta para 21 a 22% nas décadas seguintes. O mesmo estudo aponta que a idade da reforma efetiva dos trabalhadores, em Portugal, deverá aumentar progressivamente, até 64,7 anos a partir de Apesar de a idade típica de reforma ser aos 65 anos de idade, a tendência na última década é de redução da idade de reforma: em 2001, a idade média de reforma dos novos pensionistas de velhice era de 64.0 anos, em 2012, desceu para 62.5 (dados PORDATA/ ISS MSSS). Na Europa, a idade média de saída da força de trabalho foi inferior cifrando-se, em 2009, em cerca de 61,5 anos. Esta mudança em contraciclo com o aumento da longevidade e das condições de vida dos idosos deverá ser estancada nos próximos anos, em função das alterações ao sistema de pensões, ainda que os dados do Eurobarómetro [2011] indiquem que os portugueses pensam vir a ser capazes de desempenhar o seu trabalho até uma idade média de 62,8 anos. É importante referir que uma análise por tipo de ocupação permite verificar que são as pessoas empregadas por conta própria que consideram sair mais tarde (em média, aos 65,9 anos). Quando questionados se gostariam de trabalhar depois de atingir a idade a partir da qual passam a ter direito a uma pensão, 33% dos respondentes da UE afirmam que sim, enquanto apenas 27% dos portugueses respondem afirmativamente. Sendo, mais uma vez, os empregados por conta própria e os gerentes aqueles que parecem mais motivados para o fazer (37% e 34%, respetivamente). Dentro do grupo dos idosos é importante distinguir o grupo até aos 64 anos e o grupo com mais de 65 anos. Usualmente a referência etária para definir a população trabalhadora é 64 anos, mas a questão da participação no mercado do trabalho dos indivíduos com mais de 65 anos, coloca-se de um forma cada vez mais significativa, tendo em atenção a melhoria das suas condições de empregabilidade (motivação, saúde, qualificação ) e os potenciais benefícios sociais, económicos e pessoais. 27

30 Estudos recentes abordam a problemática da ativação dos mais velhos para o mercado de trabalho e revelam que na Europa, a taxa emprego do grupo etário 65/ 69 ainda não excede os 10%, o que indicia a dificuldade e a especificidade da ativação deste grupo para o retorno ao trabalho (Peschner & Fotakis, 2013). Por outro lado, defendem que ativar as pessoas com mais de 65 anos para o mundo do trabalho tem um impacto relativo no crescimento do emprego e terá de ser entendido como parte de um pacote integrado de medidas, onde se inclui o desenvolvimento dos recursos humanos, as politicas de ativação, os incentivos à mobilidade e a migração económica efetiva. Mas a importância da participação da população idosa no mercado de trabalho terá de ser encarada numa perspetiva mais ampla, que abrange outras dimensões igualmente significativas em termos individuais e sociais: importante na promoção do envelhecimento ativo, na redução da pobreza que afeta desproporcionadamente os idosos desempregados/ pensionistas e na melhoria da sustentabilidade dos sistemas de pensões. O crescente peso da população idosa deve ser encarado não como uma ameaça, o que poderia constituir um potencial foco de tensão social entre as gerações. O emprego, autoemprego e o voluntariado permitiram aos idosos uma participação ativa na sociedade, com efeitos significativos em termos de despesas de saúde e de bem-estar dos próprios (Carneiro et al. 2012, p.82). Em termos das orientações políticas é evidente o discurso relativo à valorização dos mais velhos e à necessidade de agir face ao envelhecimento rápido da sociedade, por via da facilitação da sua permanência no mundo do trabalho, da partilha de experiências e saberes ou da promoção de uma vida saudável, segura e inclusiva. É possível enfrentar com êxito o problema das alterações demográficas seguindo, entre outras vias, uma abordagem baseada em todo o ciclo da vida, que se centre no potencial de todas as gerações e particularmente das faixas etárias mais velhas. São necessárias iniciativas que permitam a mulheres e homens manterem-se ativos, enquanto trabalhadores, consumidores, prestadores de cuidados, voluntários e cidadãos, e que preservem a solidariedade entre as gerações (Comissão Europeia 2012a, p.3). Mas na realidade a perceção da sociedade em relação aos mais velhos é ainda desvalorizadora do seu papel e das suas especificidades, e em particular o modo com as organizações encaram e integram esta dimensão do seu capital humano é ainda muito deficitário, o que afeta o potencial de cumprimento dos desafios do envelhecimento ativo: A glorificação da juventude, o desinteresse pela experiência e sabedoria dos idosos e a saliência do instant gratification de muitos e, sobretudo, da comunicação social, constituem forças poderosas conservadoras, bloqueando as mudanças ao nível cultural e político, necessárias para o reforço duma sociedade coesa, justa e solidária. Recusar os contributos dos muitos idosos, a todos os níveis, constitui um erro extravagante e de custo social, económico e financeiro elevado, num período de crise e num contexto europeu muito difícil, senão imprevisível. (Carneiro et al. 2012, p.46). 28

31 Além disso, os estereótipos relativos aos mais velhos não consideram a diversidade de situações individuais. Embora a idade traga mudanças nas capacidades e aspirações individuais, o momento em que ocorrem estas mudanças variam muito entre os indivíduos e não há nenhum ponto específico em que as pessoas simplesmente se tornem "velhos". Neste sentido, as políticas precisam reconhecer que as fases da vida podem ser mais importantes do que a idade cronológica e admitir a diversidade individual, a mudança natural do curso da vida e a contribuição que os idosos podem fazer através do seu emprego, autoemprego ou trabalho voluntário Pertinência do estudo da atividade empresarial dos seniores Devido à atualidade das problemáticas associadas ao envelhecimento e à relevância dos seus impactos, o envelhecimento tem recebido a atenção dos políticos e dos investigadores, focando-se em temas como os sistemas de pensões, a saúde, o apoio social e os cuidados aos idosos. Mas o aumento das taxas de dependência dos idosos, a inatividade dos grupos de pessoas mais velhas e os impactos no mercado de trabalho, nomeadamente rarefação e o envelhecimento da mão de obra, têm também atraído a atenção para os trabalhadores mais velhos. Assumindo-se como indispensável aumentar o tempo de presença no mercado de trabalho, a promoção do envelhecimento ativo, nomeadamente na sua componente económica é, assim, uma das orientações de política pública, que encontra uma expressão vincada na Estratégia Europa 2020 e na meta definida para a UE para este horizonte temporal: Aumentar a taxa de emprego da população com idade entre anos, das actuais 69% para 75%, pelo menos, incluindo maior envolvimento das mulheres, trabalhadores mais velhos e melhor integração dos emigrantes na força de trabalho. Em Portugal, face ao contexto de desemprego estrutural muito elevado, este é um desafio muito complexo. O envelhecimento da mão-de-obra é uma das consequências mais evidentes das mudanças demográficas, que incide quer nos trabalhadores, quer na classe empresarial. Os dados estatísticos revelam que a representatividade dos empresários mais velhos tem vindo a crescer e é de supor que essa tendência será mais visível nas próximas décadas, assumindo, por isso, um contributo para a economia e para o emprego cada vez mais relevante. Vários fatores explicam esta tendência, nomeadamente a melhoria da longevidade e das condições de saúde, a conjuntura de crise, as baixas pensões (para muitos viver exclusivamente da pensão não é uma opção razoável) e a diminuição do movimento de criação de novas empresas. Em Portugal, em 2011, 36% dos empresários tinham 50 ou mais anos, em 1991 eram 32%. 6 Além disso, a iniciativa empresarial dos mais velhos é também sinalizada como uma das saídas para a crise a para a criação de emprego, e este grupo começa a ser encarado como um público para as políticas do empreendedorismo. 6 Censos Refere-se apenas a empresários/ empregadores, não inclui trabalhadores por conta própria sem empregados. 29

32 A atividade empresarial como uma opção para os que estão próximos da idade da reforma ou desempregados, ou seja o empreendedorismo como uma via para o prolongamento da vida profissional dos mais velhos, é já assumida como linha de política para prolongar a vida ativa dos mais velhos. O Plano de Ação Empreendedorismo 2020 elege os seniores como um dos grupos que merece atenção particular na dinamização da cultura empreendedora na Europa (a par das mulheres, emigrantes e desempregados, em particular jovens). A recessão económica e o desemprego induzem ao reforço destas políticas ativas em matéria de empreendedorismo, esperando-se por esta via benefícios para economia e emprego, mas esta opção é também perspetivada como uma linha para a resolução de problemas défices de competências e de facilitação da transferência de conhecimentos entre gerações. Nesta linha, são crescentes os incentivos à promoção do autoemprego e à criação de empresas, sobretudo na fase de recessão atual, ainda que a apetência dos Europeus não se revele muito ajustada às expectativas: Se há três anos o trabalho não assalariado seria a primeira escolha de 45 % dos europeus, essa percentagem caiu atualmente para 37 %7. Pelo contrário, os EUA e a China registam uma percentagem bastante mais elevada: 51 % e 56 % respetivamente (Comissão Europeia, 2013, p.4). Todavia, apesar da representatividade destes empresários e do aumento previsível do seu espaço de intervenção na dinamização da economia e na liderança dos negócios, sabe-se pouco sobre este grupo e sobre os efeitos das mudanças demográficas e da tendência para a extensão da vida ativa na dinâmica empresarial e na função de empresários: Quantos são? Como são? Como perspetivam o prolongamento da atividade e a sua relação com o envelhecimento? Qual a relevância das iniciativas depois dos 50 anos? Que motivações, que condições, que limitações? Como ajustar as práticas empresariais e as políticas ao envelhecimento da classe empresarial e à necessidade de fomentar o crescimento económico? Os estudos, nacionais e internacionais, e a informação sobre o tema dos empresários mais velhos são escassos, mas os preconceitos em relação ao envelhecimento e os temas urgentes da crise económica e financeira, não ajudam a colocar este assunto na agenda. De fato, na atualidade, são as elevadas taxas de desemprego dos jovens que ganham centralidade, mas não se pode ignorar o importante papel dos empresários mais velhos na criação de oportunidades para os jovens, por via do emprego ou através da regeneração da liderança das empresas. Atente-se também como em termos da cultura empreendedora, o foco dos estudos e das intervenções se centra nos empresários jovens, subvalorizando o potencial dos mais velhos. Aliás, o trabalho de terreno realizado permitiu perceber que mesmo alguns empresários, sobretudo os mais próximos do escalão dos 50 anos, manifestavam surpresa quando confrontados com o conceito de empresário sénior e com a ideia de se integrarem nesta categoria. 30

33 Ainda assim, estão lançados novos desafios para as politicas de apoio à atividade empresarial, ao empreendedorismo e aos empresários, na medida em que se assiste a uma diversificação e mudança de perfil dos seus clientes. Relativamente à perceção da sociedade em relação aos mais velhos, importa considerar que devido à melhoria das condições de vida, cuidados de saúde e nível de qualificações, o envelhecimento já não é necessariamente um tempo de declínio. Os idosos vivem mais tempo e de forma mais saudável e este é também um período de oportunidades e de realizações, apesar dos estereótipos dominantes: Se a sociedade ainda não consciencializou, em termos gerais, o novo paradigma do envelhecimento, ainda é mais notória a dificuldade em incorporar como matriz de pensamento o reforço da intervenção dos mais velhos na atividade empresarial e no mundo dos negócios. Neste enquadramento, a atividade empresarial dos seniores ganha relevância, e apesar dos dados disponíveis apontarem para valores modestos quando comparados com outros escalões etários, importa aprofundar o conhecimento sobre esta realidade, como forma de antecipação dos impactos e desafios das tendências de envelhecimento populacional na atividade empresarial e na evolução do perfil dos empresários: Idade e Oportunidade raramente, ou mesmo nunca, as pessoas pensaram na idade como um tempo de oportunidade, mas com o advento de anos suplementares de vida, hoje os seniores estão determinados a ter uma vida significativa nesses anos, para permanecer autossuficientes e retribuir às suas comunidades e ao seu mundo 7. Tratando-se de um tema pouco estudado, nacional e internacionalmente, optou-se por uma abordagem extensiva, numa lógica exploratória e de investigação de diversos eixos analíticos, considerados relevantes para o enquadramento e caracterização da realidade dos empresários seniores, nomeadamente: Contextualização da temática nas tendências demográficas e nas suas implicações no mundo do trabalho; Evolução da representatividade face ao universo de empresários; Perfil dos empresários e das empresas; Tendências quanto à longevidade na gestão das empresas (retirada dos negócios e sucessão); Perceções e atitudes face ao envelhecimento e à relação com a atividade empresarial; Relações intergeracionais, ao nível das práticas de transferência de competências e perceções face às diferentes gerações de empresários; Ativação dos seniores para a atividade empresarial. 7 Texto de apresentação da organização Senior Entrepreneurship Works (tradução nossa). 31

34 Figura 5. Perspetiva geral do roteiro analítico do Estudo Envelhecimento da população Atividade empresarial Envelhecimento ativo Empresários seniores - Representatividade e perfil - Perceções face ao envelhecimento e à relação com a atividade empresarial -Tendências quanto à longevidade na gestão das empresas - Relações intergeracionais - Ativação dos seniores para a atividade empresarial A vantagem desta opção reside na estruturação de um quadro amplo de análise, que procura não perder de vista a complexidade do tema. A desvantagem revelou-se na incapacidade em aprofundar todas as dimensões consideradas, mas o propósito do Estudo também é lançar pistas para exercícios de aprofundamento subsequentes, que darão seguimento aos resultados alcançados Conceito de empresário sénior O reduzido estudo e investigação desta temática reflete-se na plasticidade da terminologia e dos conceitos usados para identificar este grupo, como se pode comprovar pela diversidade de designações recenseada em estudos e documentos de referência, regra geral, em língua inglesa: Grey, senior, third age, eldery, second career entrepreneurs, seniorpreneurs Empresários grisalhos, seniores, da terceira idade, mais velhos, de segunda carreira Os conceitos incluem também diferentes aceções deste grupo, podendo integrar, ou não, os empresários que criaram empresas antes desta fase da sua vida, mas em geral as designações anteriormente referidas são aplicadas aos empresários mais velhos sem iniciativa empreendedora anterior. A questão do marco etário também é entendida de forma diversa e não existe um consenso relativamente à idade a partir da qual se considera que um empresário se integra na categoria de sénior. Mas, regra geral, o conceito envolve indivíduos dentro de uma faixa etária ampla 45 a 65 anos de idade. 32

35 É certo que o trabalho de terreno realizado permitiu perceber que alguns empresários, sobretudo os empresários mais próximos do escalão dos 50 anos, manifestavam surpresa quando confrontados com este conceito e com a ideia de se integrarem na categoria de seniores. Esta questão está relacionada com a heterogeneidade do grupo considerado, com os subgrupos de idades e com a importância de outras variáveis, nomeadamente a escolaridade, o género e a experiência empresarial, e chama a atenção para o risco deste tipo de categorização influenciar negativamente a adesão dos empresários, sobretudo os novos empresários, e encobrir as particularidades dos diferente sub-grupos. Por outro lado, reflete a diversidade de definições sobre o conceito de idoso e a sua relação com determinada idade biológica. Na realidade, segundo a bibliografia consultada, a OMS, Organização Mundial da Saúde estabelece como referência para considerar uma pessoa idosa os 65 anos e as Nações Unidas, embora não fazendo relação direta entre a idade e o conceito, utiliza como referencial a idade de 60 anos (Carneiro et al. 2012). Em qualquer caso, é consensual que quanto ao conceito de idoso o limiar da velhice e a idade biológica não são necessariamente coincidentes. Ora, esta mesma aceção terá de ser assumida no caso dos empresários, na medida em que dada a amplitude do grupo etário considerado são expectáveis situações diversas quanto às características particulares dos empresários, e à sua relação com os diferentes sub-grupos etários considerados. Também não é relevante a diferença geralmente assumida entre empreendedores e empresários, na medida em que interessa abordar a figura do líder da empresa, independentemente da incidência no seu perfil das características de empreendedorismo ou de gestão executiva. Tendo em consideração estas referências e os objetivos do Estudo, o conceito de empresário sénior adotado elege como marco etário de partida os 50 anos, não define uma idade limite e abrange todos os empresários, independentemente da idade com que iniciaram a atividade empresarial. Deste modo, alinha-se o objeto com os objetivos do Estudo, na medida em que o que está em causa é compreender a atividade empresarial dos grupos etários mais velhos, e a idade em que iniciou só é relevante quando é indicador dessa mesma atividade. Por isso, é que o empreendedorismo sénior constitui uma das componentes específicas abordadas no Estudo. Conceito de empresário sénior adotado no Estudo Indivíduo com idade igual ou superior a 50 anos, que gere o seu próprio negócio, criado de raiz ou adquirido a outros, por conta própria ou como empregador, independentemente da idade que tinha quando iniciou o negócio. 33

36 3. REPRESENTATIVIDADE E PERFIS DOS EMPRESÁRIOS SENIORES O ponto mobiliza dados do sistema estatístico nacional e do inquérito aplicado no âmbito do presente Estudo, que se consideraram complementares e essenciais para realizar um diagnóstico e caracterização atual e de dinâmicas recentes associadas aos empresários seniores em Portugal. No que se refere o sistema estatístico nacional utiliza predominantemente dados dos Censos e, complementarmente, dados do Inquérito ao Emprego. Segundo o INE, o conceito de empregador utilizado em ambos os instrumentos é semelhante e refere-se: ao indivíduo que, trabalhando por sua conta ou com um pequeno número de sócios, exerce uma atividade «independente» e, nesta condição, contratou continuamente (incluindo na semana de referência) uma ou mais pessoas para trabalharem para si como empregados. O empregador toma as decisões operacionais que afetam a empresa ou delega essas decisões, mantendo a responsabilidade pelo bem-estar da empresa. As diferenças verificadas entre os dois instrumentos são de natureza metodológica e são estes aspetos que justificam as diferenças encontradas entre os valores apurados pelos Censos e os valores estimados pelo Inquérito ao Emprego para um período comparável. Estas diferenças são habituais (ocorreram nos Censos 2001), normais (pelas razões descritas a seguir) e comuns a outros países. As variáveis mobilizadas foram as seguintes: Instrumento Objeto Variáveis Período Censos Empresário Total, faixas etárias, sexo, região NUT II de residência Inquérito emprego ao Empresário Empresa Nível de escolaridade Dimensão das empresas, setor de atividade económica das empresas 1991, 2001 e a 2012 Quanto aos dados referentes ao inquérito aos empresários seniores foram mobilizadas as seguintes variáveis: Empresário Empresa Objeto Variáveis Fundador, faixa etária dos sócios, função, situação profissional anterior, experiencia de empresário, outras empresas Mercados, matriz, antiguidade, sociedade, volume de vendas 34

37 3.1. A representatividade e o perfil geral dos empresários seniores De acordo com os dados dos Censos, o volume de empresários seniores aumentou significativamente nas últimas décadas, mais concretamente no período 1991 a 2011, apresentando uma taxa de crescimento global de 95% para o período entre 1991 e O aumento em termos absolutos foi acompanhado de um aumento da representatividade dos empresários seniores no total de empresários em Portugal que passou de 31,7% em 1991 para 35,6% em Comparativamente à população ativa 8, os empresários apresentam um perfil mais envelhecido em 2011, a população ativa com 50 e mais anos não ultrapassava os 25%, ou seja, menos 11 p.p. do que os empresários nesse escalão etário. Quadro 8. Patrões/ empregadores com 50 e +anos (1991, 2001 e 2011) Total empresários Empresários com 50 + anos Peso no total de empresários % % % Fonte: INE Censos 1991, 2001 e 2011 Figura 6. Patrões/ empregadores por grupos de idade (1991, 2001 e 2011) Empresários com 50 e + anos Empresários até 49 anos Fonte: INE Censos 1991, 2001 e População ativa: conjunto de indivíduos com idade mínima de 15 anos que, no período de referência, constituíam a mão-de-obra disponível para a produção de bens e serviços que entram no circuito económico (empregados e desempregados). 35

38 Apesar de o volume total de patrões/ empregadores, em Portugal, ter sofrido uma quebra entre 2001 e 2011 ( e , respetivamente) o volume total de empresários seniores teve um crescimento consistente no período 1991 e 2011, pelo que a quebra se verificou nas faixas etárias mais jovens até ao grupo quinquenal que antecede a senioridade dos empresários exclusive (45 a 49 anos de idade). Assim, como os dados apresentam um crescimento dos patrões/ empresários nesta faixa etária e como o volume deste grupo é superior a qualquer um respeitante às faixas etárias subsequentes e em particular àquela que cujos patrões/ empregadores terão maior probabilidade de passar à inatividade (75 ou mais anos), é de esperar que, tudo o resto constante, o volume de empresários seniores continue aumentar em Portugal, ao longo da próxima década. Quadro 9. Patrões/ empregadores por faixa etária em 2011 (v.a.) Escalão etário nº % 15 a 19 anos % 20 a 24 anos % 25 a 29 anos % 30 a 34 anos % 35 a 39 anos % 40 a 44 anos % 45 a 49 anos % 50 a 54 anos % 55 a 59 anos % 60 a 64 anos % 65 a 69 anos % 70 a 74 anos % 75 ou mais anos % Total (Portugal) % Fonte: INE Censos 2011 Apesar das diferenças desta estrutura etária face à da população ativa, a dinâmica do envelhecimento deste dois universos, entre 2001 e 2011, não é muito distinta. Ambos perdem nos escalões etários mais jovens e ganham nos mais velhos. A excepção a esta regra concentra-se no grupo dos mais idosos (65 e mais anos), que na população ativa diminui e nos empresários aumenta, em ambos os casos 1 p.p. Mas o que ressalta mais é que, em 2011, dos indivíduos da população ativa inseridos neste grupo, são empresários, o que corresponde a 31% deste universo. 36

39 Em 2011, mais de metade deste grupo de empresários possuía no máximo 59 anos de idade. A faixa etária relativa aos indivíduos com uma idade acima da idade formal da reforma (65 anos) representava13,3% do total de empresários seniores. Analisando a distribuição por faixa etária nas ultimas décadas é possível constatar que esta se manteve estável. Quadro 10. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por faixa etária, 1991, 2001 e 2011 (%) 50 a 54 anos 55 a 59 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 75 e mais anos Fonte: INE Censos 1991, 2001 e 2011 Figura 7. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por faixa etária, 2011 (%) 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 50 a 54 anos 55 a 59 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 75 ou mais anos Fonte: INE Censos 1991, 2001 e 2011 Os empresários seniores são maioritariamente do género masculino (69,9%) e de forma mais evidente do que considerando todas as faixas etárias, refletindo uma diferença intergeracional em que nas gerações mais jovens é mais comum a participação feminina. Esta realidade tem vindo a amenizar-se, mas a tendência de aumento da representatividade das mulheres parece ter perdido força na última década. 37

40 Figura 8. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por género, 1991, 2001 e 2011 (%) 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Mulheres Homens Fonte: INE Censos 1991, 2001 e 2011 A análise da tabela seguinte permite verificar que enquanto os empresários seniores apresentam uma forte preponderância do género masculino mais acentuado nas faixas etárias mais elevadas, para os demais empresários (com menos de 50) esta evidência aligeira-se à medida que as faixas etárias são cada vez mais jovens. De acordo com a informação apresentada, é possível confirmar a tendência de uma participação cada vez maior das mulheres enquanto empresárias no seu todo e também no grupo dos empresários seniores. Com os dados atuais é de antecipar que durante a próxima década (Censos 2021) a tendência se confirme. Porém, com os dados atuais é de se esperar que uma participação mais equitativa em termos de género ainda demore várias décadas a ocorrer. Quadro 11. Patrões/ empregadores por faixa etária e género, 2011 (% horiz.) Homem Portugal a 19 anos a 24 anos a 29 anos a 34 anos a 39 anos a 44 anos a 49 anos a 54 anos a 59 anos a 64 anos a 69 anos a 74 anos ou mais anos Fonte: INE Censos 2011 Mulher 38

41 A análise da escolarização dos empresários seniores, em 2011, revela um predomínio de baixos níveis de escolarização, maioritariamente de nível básico e com forte incidência no 1.º ciclo (43,8%), sendo o ensino superior um traço característico de apenas 15,2% dos empresários. Também em faixas etárias mais jovens é mais elevada a representatividade de níveis de escolarização mais elevados entre os empresários, como de resto acontece com a população em geral. Analisando os dados do Inquérito ao Emprego ao longo da última década é possível verificar que se tem registado um decréscimo acentuado, em termos absolutos, dos empresários com 50 ou mais anos de idade com o 1.º ciclo do ensino básico e um crescimento dos que possuem o nível de ensino superior. A tendência apresentada na leitura dos dados referentes aos níveis de escolaridade para todas as faixas etárias, evidenciam uma reestruturação mais acentuada dos níveis de escolarização dos empresários, com redução da participação dos níveis mais baixos e aumento dos níveis mais elevados, nomeadamente secundário, pós-secundário e superior. Figura 9. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por qualificação escolar, 2002 e 2012 (%) 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Nenhum 1º ciclo 2º ciclo 3º ciclo Secundário e pós-sec. Superior Fonte: INE Inquérito ao Emprego 2002 a 2012 Na perspetiva regional, é na região Norte que concentra um maior volume de empresários com 50 ou mais anos de idade, seguindo-se, Lisboa, o Centro, o Alentejo, o Algarve, a Região Autónoma da Madeira e, por fim, a Região Autónoma dos Açores, por ordem decrescente de representatividade estatística. Esta distribuição corresponde à verificada a nível nacional. Quadro 12. Patrões/ empregadores com 50 e + anos por região NUT II, 2011 (%) Região % Norte 32.7 Centro 23.8 Lisboa 27.1 Alentejo

42 Região % Algarve 5.7 Região Autónoma dos Açores 1.7 Região Autónoma da Madeira 1.9 Fonte: INE Censos 2011 As regiões NUT II Norte e Lisboa foram as que, em termos relativos, registaram uma diminuição de empresários seniores. Os dados do inquérito aplicado aos empresários permitem acrescer outro tipo de informação, que não tem significância estatística porque a amostra não é representativa, mas os seus resultados contribuem para o aprofundamento do conhecimento deste grupo de empresários: 9 Na maior parte dos casos (69%) o empresário é o fundador da empresa; mas em 88% dos casos não é o único sócio; Em 46% dos casos os outros sócios têm mais de 50 anos, em 27% menos de 50 anos e em 27% dos casos são um misto; Para 56% dos empresários esta empresa corresponde à sua primeira experiência mas 44% dos respondentes já tinha tido outras experiências empresariais e uma percentagem significativa é dono de outras empresas (46%), o que indicia elevado grau de proatividade empresarial O perfil das empresas No que se refere às características de empresas detidas por empresários seniores, estas são maioritariamente do setor do comércio por grosso e a retalho (34%). O alojamento e restauração e a consultoria são também atividades do setor terciário que apresentam expressão estatística. Porém, quer o setor secundário, através da indústria transformadora e a construção, quer o setor primário, embora com menor representatividade, caracterizam o tecido produtivo com empresários menos jovens. Os dados referentes ao total nacional demonstram que a distribuição é semelhante. 9 As características da amostra de inquiridos são distintas das dos empresários recenseados através dos Censos. A amostra de inquiridos é mais velha e mais escolarizada; 23% dos empresários têm mais de 65 anos, uma percentagem superior em dez p.p. aos empresários recenseados nos Censos (o empresário respondente mais velho tem 84 anos de idade); 56% dos inquiridos têm pelo menos o secundário, enquanto que nos Censos esse valor é apenas de 27%. 40

43 Figura 10. Empresas dos empresários com 50 e + anos segundo os setores mais representados, 2011 (%) 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Comércio, rep. veículos automóveis/motociclos Indústrias transformadoras Construção Alojamento, restauração e similares Fonte: INE Inquérito ao Emprego 2011 As empresas são caracterizadas por possuírem uma dimensão predominante micro pelo que 84,6% dos empregadores com 50 ou mais anos possuem empresas com 10 ou menos trabalhadores. Os dados referentes a todas as faixas etárias demonstram que a proporção de micro empresas é ainda mais acentuada, representando 87,4% do universo das empresas. Em termos relativos tem ocorrido um decréscimo do número de empresários com empresas com menos de 10 trabalhadores de 86,5%, em 2002, para 81,3%, em A tendência apresentada na leitura dos dados referentes à dimensão das empresas para todas as faixas etárias dos empresários é semelhante à registada para os empresários com 50 e mais anos de idade. Figura 11. Empresas dos empresários com 50 e + anos de idade por dimensão, 2002 e 2012 (%) 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Até 10 trabalhadores Mais de 10 trabalhadores Fonte: INE Inquérito ao Emprego 2002 a 2012 A amostra de empresas dos empresários que responderam ao inquérito apresentava as seguintes características: 41

44 As empresas são maioritariamente industriais e o setor dominante no universo de empresas identificadas através dos Censos, o comércio, afigura-se subrepresentado na amostra. Esta característica justifica que uma percentagem significativa de empresas trabalhe para o mercado internacional (66%). Em linha com a tendência nacional, predominam as empresas de matriz familiar (75%); 55% apresenta um volume médio de vendas superior a euros; A maioria das empresas foi criada nas últimas décadas do século passado, com relevo para a década de noventa Ser empresário pela primeira vez depois dos 50 anos O empreendedorismo como conceito associado às oportunidades de mudança e inovação e à criação de iniciativas e de empresas tem vindo a ganhar relevo nas políticas económicas e tem penetrado noutras esferas de ação como é o caso do campo social, através de noções como o empreendedorismo social. Na perspetiva da criação e emergência de novas iniciativas, com ou sem objetivos de lucro, o empreendedorismo é encarado como um instrumento essencial para o desenvolvimento económico e criação de emprego. É nesta aceção, de criação de iniciativas/ empresas/ negócios, que o conceito de empreendedorismo é aqui abordado. No caso da população mais velha, o empreendedorismo e a criação de iniciativas/ negócios numa fase mais adiantada da vida é entendido como uma via importante para o prolongamento da vida ativa, redução do desemprego, promoção da inclusão social e até reforço da capacidade inovadora da economia através da rentabilização do capital social e humano dos mais velhos (Kautonen, 2013). Refira-se a este propósito a inclusão no Plano de Ação Empreendedorismo 2020, uma iniciativa da União Europeia, dos seniores como um dos grupos sujeitos a intervenção específica em matéria de promoção da atividade empreeendedora. Os fatores que motivam a criação de negócios agrupam-se, segundo vários documentos consultados, em dois grupos: Push Factors, que remete para a ideia da criação do negócio/ iniciativa resultar de uma necessidade Pull Factors, que associam a iniciativa ao aproveitamento de uma oportunidade. No primeiro caso, o desemprego e os baixos salários, ou outro tipo de necessidades financeiras, ora porque as poupanças são escassas ou porque iniciaram novas famílias, constituem para os públicos mais velhos as motivações mais recorrentes. Refira-se que, em Portugal, a taxa de desemprego é particularmente elevada no caso dos jovens, mas o volume dos desempregados dos mais velhos é também muito significativo e o desemprego de longa duração tende a aumentar como tendência permanente do desemprego. 42

45 Neste quadro, a criação de uma iniciativa ou de um negócio pode ser para muitos uma importante ou única alternativa para reingressar no mercado de trabalho. No caso das motivações que resultam de uma oportunidade, a opção poderá estar associada à procura de maiores rendimentos do que os que podiam auferir no trabalho por conta de outrem e está também relacionada com o desejo de autonomia, independência e flexibilidade. Esta opção permitirá igualmente uma melhor gestão do estilo de vida dos mais velhos, no que respeita nomeadamente ao ritmo de trabalho, à gestão do tempo e às condições de saúde, aspetos que não sendo de retorno pecuniário estrito, são valorizados pelos empresários mais velhos. Quando comparados com os empresários mais jovens, os empresários seniores revelam vantagens que podem influenciar positivamente a criação de um negócio, nomeadamente: redes de relações e de contactos mais desenvolvidas, competências técnicas e de gestão mais aprofundadas, melhores condições financeiras (condição que, regra geral, não se aplica aos desempregados), mais experiência de trabalho de ambiente empresarial menos encargos familiares, e o sentimento de maturidade profissional. Embora se deva reconhecer que algumas destas vantagens tendem a diminuir com o aumento da idade, numa certa perspetiva os empresário seniores estão dotados de condições muito favoráveis para iniciar e gerir um negócio, que se relacionam com o capital financeiro e humano que acumularam ao longo da sua vida. Contudo, apesar das competências de empreendedorismo aumentarem com a idade e as iniciativas empresariais constituírem uma via para assegurar uma transição e ocupação após a reforma, prolongar a vida ativa, manter um determinado estilo de vida e, com particular acuidade na realidade nacional, encontrar uma alternativa ao desemprego, de facto as intenções de criação de negócios diminuem com a idade. O documento da Entrepreneurial Activities in Europe, Policy Brief on Senior Entrepreneurship 2011 (LEED s/d) usa os resultados do Inquérito ao Empreeendedorismo de 2009 para concluir que na Europa a dinâmica empreeendedora das gerações mais velhas é muito inferior à dos grupos etários mais novos: 16% dos respondentes com + de 50 anos consideravam o empreendedorismo como uma alternativa para uma carreira tardia ou estavam envolvidos em atividades de empreendedorismo. Contudo, esta proporção é consideravelmente mais baixa do que a relativa aos trabalhadores mais jovens (37%); além disso, constata-se uma variação significativa dos níveis de atividade empreeendedora dos grupos mais velhos nos 35 países da Europa Este inquérito aborda e avalia a decisão de ser empresário, como um processo constituído por etapas, que representam níveis de envolvimento crescente: Etapa 1: Nunca pensou em começar um negócio; Etapa 2: Está a 43

46 No mesmo documento, os valores relativos ao potencial empreendedor na primeira idade (20-49 anos) e no grupo dos mais velhos (50-64 anos), em Portugal, em 2009, são os seguintes: Quadro 13. Potencial empreendedor nos grupos etários 20/49 anos e 50/ 64 anos (Portugal) Grupo 20/49 anos Grupo 50/ 64 anos Nunca pensou iniciar um negócio 75.9% 92.2% Está a pensar iniciar um negócio 8.6% 1.7% Está envolvido em atividades preparatórias para iniciar um negócio 15.5% 6.2% Eurobarómetro Inquérito ao Empreeendedorismo, 2009 FLASH EUROBAROMETER 354 Entrepreneurship in the EU and beyond O relatório relativo à realidade portuguesa 11 do Eurobarómetro permite concluir o seguinte: metade dos respondentes em Portugal afirmam ser a favor do autoemprego, valor que se situa acima da média europeia; comparativamente a 2009, e em linha com a tendência europeia, cresce o número de pessoas que afirmam que preferem trabalhar como empregados e constata-se um declínio dos que preferem o autoemprego; a maior parte dos que se afirmam a favor do autoemprego, referem como motivação central a independência pessoal ; cerca de 1/3 dos respondentes consideram que o autoemprego é exequível, o que corresponde a um aumento significativo deste tipo de perceção; os portugueses inquiridos estão mais inclinados do que os Europeus em considerar que as restrições financeiras e o clima económico não são favoráveis à criação de negócios; cerca de ¼ dos respondentes em Portugal afirmaram que iniciaram um negócio ou estão a planear iniciar, o que está alinhado com a tendência europeia. Para complementar esta abordagem à dinâmica empreendedora dos escalões etários mais velhos, apresentam-se seguidamente outras referências que abordam as atitudes face ao empreeendedorismo dos europeus e dos portugueses. pensar iniciar um negócio; Etapa 3. Está envolvido em ações preparatórias para iniciar um negócio. O inquérito não inclui pessoas com experiência empresarial anterior, o que limita a sua representatividade. 11 Country Report Portugal, Trabalho de Campo realizado em junho de

47 Estudo Key Results Of The Amway European Entrepreneurship Report Os indicadores relativos a Portugal revelam a sua inserção no grupo de países com uma atitude menos positiva perante o autoemprego apenas 33% dos portugueses inquiridos revelam uma atitude positiva face a esta hipótese. Os restantes países que se incluem neste grupo são a Hungria (47% dos inquiridos) e a Áustria e a Alemanha (35% dos inquiridos em cada uma destes países). No pólo oposto, os países com uma atitude positiva perante o autoemprego, destaque para as posições cimeiras da Dinamarca (85% dos inquiridos), França (77% dos inquiridos) e Reino Unido (75% dos inquiridos). O mesmo estudo refere que os motivos mais importantes para os europeus iniciarem o seu próprio negócio são: a independência face ao empregador (45%), a possibilidade de realizar as próprias ideias (38%) e a perspetiva de reforço dos rendimentos (33%). São também referidos como obstáculos principais à iniciativa empresarial: a falta de capital inicial (57%), a incerteza da situação económica (44%) e o receio de falhar (35%). Refira-se ainda que os homens revelam uma atitude empreendedora ligeiramente mais positiva (2012: 71%, 2011: 75%) do que as mulheres (2012: 67%, 2011: 68%). O estudo refere também que o contexto atual de crise económica tende a aumentar o número de empresas motivadas pelos fatores necessidade, em detrimento daquelas que são motivadas pelos fatores oportunidade. Estudo GEM PORTUGAL 2012 Estudo sobre o Empreendedorismo Este estudo constitui uma importante fonte para a caracterização do empreendedorismo em Portugal e utiliza como principal índice a Taxa de Atividade Empreendedora Early-Stage (TEA) 13. Esta taxa mede a proporção de indivíduos adultos, com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos, envolvidos - quer num negócio em fase nascente (negócio que proporcionou remuneração salarial por um período não superior a 3 meses), - quer na gestão de um novo negócio (negócio que proporcionou remuneração salarial por um período não inferior a 3 meses e não superior a 3,5 anos). 12 Estudo baseado em entrevistas (face a face a telefónicas), realizadas em maio e junho de 2012, em 16 países, incluindo Portugal. 13 O projeto GEM Global Entrepreneurship Monitor é o maior estudo independente sobre o empreendedorismo a nível mundial. O projeto GEM Portugal 2012 resulta do trabalho de uma parceria que integra especialistas em empreendedorismo e utiliza as seguintes fontes de informação: sondagem à população adulta, sondagem a especialistas, indicadores relacionados com aspetos macroeconómicos do empreendedorismo, recolhidos de fontes Internacionais e do documento Global Report. 45

48 Os dados recolhidos relativos à realidade portuguesa revelam que o valor da taxa TEA, em 2012, era de 7.7%, ou seja, entre 7 e 8 adultos por cada 100 estariam envolvidos num negócio em fase nascente ou na gestão de um novo negócio. Este resultado coloca Portugal no 44º lugar do universo GEM 2012 (69 países) e em 7º lugar no grupo de países com características similares 24 economias orientadas para a inovação. Do ponto de vista das características demográficas dos empreendedores, os dados recolhidos apontam para um aumento do equilíbrio entre os homens e as mulheres, ainda que a TAXA TEA masculina continue a ser substancialmente mais elevada. Quanto aos escalões etários, regista-se uma maior incidência de atividade empreendedora no grupo 25/ 34 anos e são os grupos mais jovens que apresentam taxas mais elevadas. Quadro 14. Taxa TEA, em 2011 e 2012, por faixa etária, em Portugal Faixa etária /24 anos 6.1% 6.4% 25/34 anos 10.9% 10.6% 35/44 anos 7.9% 8.1% 45/54 anos 6.4% 7.2% 55/64 anos 5.0% 4.6% Fonte: Relatório GEM 2012; com base em sondagem à população adulta O estudo refere também que as motivações para a criação de negócios estão associadas sobretudo ao fator oportunidade (58.3% dos empreendedores). O fator necessidade representa 26.2% dos empreendedores e o misto destes fatores está na origem das empresas para 15.6% dos inquiridos. Estes diferentes estudos confirmam a ideia de que a iniciativa empresarial diminui com a idade e que em Portugal essa iniciativa é menor quando comparada com outros países. Retomando o estudo referido anteriormente, os principais obstáculos à atividade empreendedora recenseados através de uma sondagem a especialistas nacionais foram as políticas governamentais (excesso de burocracia e carga fiscal) e as normas culturais e sociais (cultura nacional pouco orientada para o empreendedorismo e reduzido estímulo ao êxito individual). Relativamente às condições estruturais mais favoráveis, foram referidas o acesso a infraestruturas físicas e a infraestrutura comercial e profissional, embora em ambos os casos o custo de acesso tenha sido alvo de opinião desfavorável. No que respeita aos potenciais empreendedores mais velhos, os obstáculos à criação de negócios apontam para condições comuns a todos os empreendedores, tais como as referidas anteriormente. Contudo, há também barreiras particulares associadas à idade, nomeadamente o declínio da saúde, a discriminação com base da idade, a perda de capacidades cognitivas e a relação entre o custo de oportunidade e o potencial de tempo disponível para rentabilizar o negócio. 46

49 O efeito da idade na atitude empreendedora ajuda a compreender a sua reduzida incidência nos públicos mais velhos. A este propósito, é possível, segundo Kautonen (2013), estabelecer a seguinte tipologia de situações: Empresários mais velhos/ empregadores: a noção de risco é mais elevada e o rendimento prefigura-se mais distante, por isso a aversão à iniciativa será também maior; Nas situações de autoemprego, em que o risco é menor e o rendimento mais imediato, a probabilidade da atitude empreendedora aumentar com a idade é mais significativa; Nos casos de empreendedores relutantes, ou seja situações em que a criação do negócio se configura como o único cenário face ao empobrecimento das oportunidades de retorno ao mercado de trabalho, os estudos produzidos apontam para um reduzido probabilidade de atividade empreendedora. Em qualquer caso, os estudos revelam que a idade é um fator que induz significativo e positivo efeito no comportamento empresarial bem depois dos 60 anos, mas só para os indivíduos que criam o autoemprego e não para os potenciais empregadores (Kautonen, 2012). Mesmo nestas circunstancias, a importância deste segmento como forma de atuação junto dos mais velhos prefigura um potencial de intervenção que se revela ainda por explorar e cuja realidade necessita de ser estudada e aprofundada, como forma de melhor integração nas orientações de política. Por outro lado, é importante considerar que a participação dos mais velhos no empreendedorismo também se pode realizar através de outras vertentes, nomeadamente o mentoring ou o coaching a empresários jovens ou seniores. A este propósito refira-se que questionados relativamente à disponibilidade para Apoiar e aconselhar empresários mais jovens ou com menor experiência, após a retirada das empresas, 66% dos empresários inquiridos responderam afirmativamente, 8% negativamente e 20% afirmou nunca ter pensado no assunto. Assim, é pertinente reforçar o conhecimento em torno destas dinâmicas a nível nacional e compreender que todas estas mudanças interpelam as políticas do empreendedorismo na medida em que está a emergir um novo cliente (LEED, s/d) O caso das empresas apoiadas pelo PAECPE O PAECPE, Programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego, da responsabilidade do IEFP, é dirigido aos utentes dos serviços de emprego, contempla três medidas de apoio: Apoio à CPE; Micro investe e Investe + e apresenta o seguinte quadro de objetivos: Promover o empreendedorismo, a criação de emprego e o crescimento económico 47

50 Apoiar a criação de novas empresas e do próprio emprego por parte de desempregados Fomentar a criação de emprego e o empreendedorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho Promover o empreendedorismo, a criação de emprego e o crescimento económico Apoiar a criação de novas empresas e do próprio emprego por parte de desempregados Fomentar a criação de emprego e o empreendedorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho O Programa inscreve-se na orientação do IEFP de estímulo à capacidade empreendedora dos desempregados e não contempla nenhuma orientação ou discriminação específicas para os públicos mais velhos. Segundo o IEFP, a conjuntura de crise justifica a baixa execução alcançada até ao momento e estará provavelmente na base da reflexão em curso sobre este tipo de medidas e possíveis ajustamentos em instrumentos associados, nomeadamente o reforço da orientação no módulo de técnicas de emprego para a criação de empresas. A informação disponibilizada pelo Departamento do Emprego do IEFP relativa aos abrangidos nas diferentes linhas desde o início do PAECPE, setembro de 2009, até 31 de maio de 2013, revela que os promotores com 50 ou mais anos correspondem a 13% do total, ou seja 201 num total de 1521 promotores. Figura 12. Beneficiários do PAECPE por grupos de idade (%) 13% Beneficiários com 50 e + anos Beneficários até 49 anos 87% Fonte: IEFP, Departamento de Emprego Quando se compara os utilizadores deste Programa com 50 e mais anos com o universo de empresários neste escalão etário recenseado através dos Censos e alvo de análise no capítulo x, constatam-se diferenças com significado: a representatividade dos promotores com 50 + anos neste Programa é claramente inferior; 48

51 os promotores das iniciativas são mais novos 88% integram-se no escalão etário 50/ 59 anos e apenas 2% têm idade superior a 65 anos; as mulheres estão mais representadas - 38% dos beneficiários do PAECPE com 50 ou mais anos são mulheres), mas ainda assim abaixo da média do total de beneficiários, que se cifra em 45%. Figura 13. Beneficiários do PAECPE com 50 e + anos por género (%) 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Homens Mulheres Fonte: IEFP, Departamento de Emprego No que se refere à escolaridade mantém-se esta tendência, ou seja a escolaridade é inferior ao total de beneficiários do Programa, mas superior ao universo de empresários com 50 e mais anos recenseado através dos Censos Figura 14. Beneficiários do PAECPE com 50 e + anos por qualificação escolar (%) 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 1º CEB 2º CEB 3º CEB Ensino Secundário Ensino Póssec. Bacharelato e licenciatura S/ Informação Fonte: IEFP, Departamento de Emprego 49

52 Finalmente, no que se respeita ao perfil das empresas, constata-se uma maior distribuição sectorial, comparativamente ao total de beneficiários do Programa, ainda conquanto o comércio continue a representar um grupo com significado, cerca de 1/3 das empresas criadas. Por outro lado, a incidência de empresas na Região do Alentejo, 9% do total de empresas criadas, constitui também uma marca diferenciadora deste Programa. Este peso acrescido justificar-se-á pela maior rarefação do mercado de trabalho e pelas menores oportunidades de trabalho. Figura 15. Setor de atividade das empresas criadas por beneficiários do PAECPE com 50 e + anos (%) 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Agricultura e ambiente Comércio Construção Indústria Serviços Transportes e logística Turismo Fonte: IEFP, Departamento de Emprego A experiência do IEFP no contacto com os promotores mais velhos deste Programa permite as seguintes conclusões, quanto ao seu perfil e condições de desenvolvimento dos projectos 14 : Em geral, estes promotores apresentam um conjunto de características facilitadoras do lançamento de uma atividade por conta própria, nomeadamente experiência profissional e conhecimento sectorial, decorrente de percursos longos de permanência no mercado de trabalho, rede de contactos mais desenvolvida, maior realismo e, por vezes, melhores recursos financeiros. São promotores que não possuem competências em matéria de criação de empresas, porque a sua experiência profissional é dominantemente no trabalho por conta de outrem e a criação do próprio emprego surge como saída última para o retorno à vida ativa após a situação de desemprego. Se, em muitos casos, estamos perante indivíduos que se podem catalogar de empreendedores relutantes, noutros casos o Programa surge como oportunidade para concretizar o sonho de exercer atividade por conta própria. Em qualquer caso, denotam alguma aversão ao risco 14 Com base em informação escrita enviada após reunião presencial com direção e técnico do Departamento de Emprego do IEFP. 50

53 Todos os promotores, incluindo os mais jovens, revelam dificuldade em lidar com a burocracia inerente ao processo, e no caso dos mais velhos são percetíveis dificuldades particulares na área da gestão do negócio e toda a sua envolvente. Nestes termos são promotores com maior necessidade de consolidação de conhecimentos sobre empreendedorismo e criação de empresas. Será natural que determinados promotores nesta faixa etária, em consonância com determinadas especificidades, possam sentir dificuldades em áreas mais ou menos comuns: Tecnologias de Informação e Comunicação, Gestão Organizacional, Gestão Financeira, Marketing, Inovação. Seria igualmente importante facilitar os mecanismos de acesso a financiamento para estes promotores, nem sempre facilitados devido à sua idade (têm, em regras, maiores dificuldades junto da banca) 51

54 4. PERSPETIVAS SOBRE A LONGEVIDADE DA VIDA ATIVA DOS EMPRESÁRIOS SENIORES 4.1. Retirada dos negócios, sucessão e transferência intergeracional A abordagem aos temas da retirada dos negócios, sucessão das empresas e transferência intergeracional permite perspetivar o modo como os empresários seniores encararam a sua permanência na empresa, a longevidade provável da sua atividade empresarial, a relação com os processos de sucessão e o modo como encaram a transferência de saberes. Para a análise destes temas usa-se como fonte principal de informação o inquérito aos empresários (154 respostas) e os estudos de caso (3). Para a esmagadora maioria dos inquiridos respondentes, a saída da empresa num horizonte temporal de 3/5 anos não é opção, o que indica um cenário de longevidade da atividade empresarial, que não encontra aderência com a tendência de decréscimo da participação dos mais velhos no mercado de trabalho. De facto, cerca de 90% dos inquiridos respondentes afirma pretender manter-se na empresa, e cerca de ¼ destes respondentes aponta para um cenário de passagem gradual das suas responsabilidades. A predominância da manutenção na empresa, face às outras hipóteses colocadas, vai-se esbatendo à medida que a idade avança, pelo contrário a representatividade do cenário de se manter na empresa, passando gradualmente as responsabilidades, acompanha o aumento da idade. Figura 16. Empresários com 50 e + anos planos para a continuidade na empresa (%) 3% 3% 3% Manter a situação atual 26% 65% Manter-me na empresa passando gradualmente as responsabilida Retirar-me da empresa (de forma definitiva ou gradual) Encerrar/ vender a empresa Outra hipótese Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal 52

55 Perspetivando este grupo de empresários num horizonte temporal de cinco anos, e assumindo que se concretizam totalmente os planos de permanência na empresa, assistirse-á a uma importante mudança no perfil deste grupo, pelo aumento significativo dos empresários com mais de 65 anos, que praticamente será duplicado, passando de 31 para 56 empresários. Simultaneamente, o grupo dos mais idosos (75 e mais anos) também será reforçado, passando dos atuais 5 para 16 empresários. É certo que esta estimativa é muito arriscada, em função de diversos imponderáveis, contudo mesmo considerando uma margem de erro significativa, o aumento da idade média dos empresários mais velhos deste grupo de inquiridos apresenta-se como uma realidade incontornável. Cerca de 1/3 dos respondentes não tem opinião relativamente às condições em que prevê retirar-se da empresa (não sei/ não pensei no assunto). Os restantes fazem depender a saída de três condições principais: atingir um certo patamar etário, encontrar um sucessor e deixar a empresa estabilizada. De entre estas condições, a idade é a mais relevante, mas é assumida de diversas formas pelos empresários respondentes, o que denota a multiplicidade de entendimentos desta questão. A maioria faz uma referência aos 65 anos, a idade que constitui o marco comum da reforma, mas há também referências aos 60 anos e a um intervalo entre os 66 e os 75 anos. Outros empresários remetem para uma percepção mais subjetiva: quando me sentir incapaz, quando não tiver condições de saúde, quando sentir que chegou a hora. Em qualquer uma das situações, a maioria dos respondentes pensa manter uma ligação com a empresa, quer num cenário de maior distanciamento, quer através de uma presença mais efetiva, conforme é ilustrado pelo seguinte testemunho Dentro de 8 anos pretendo fazer-me suceder na direção geral e assumir somente a presidência do conselho de administração, mantendo-me nessa qualidade ativo mais 10 anos, altura em que pretendo retirar-me e ficar apenas como conselheiro Figura 17. Empresários com 50 e + anos condições para a retirada da empresa (%) Quando atingir uma certa idade 31% 5% 10% 24% 30% Quando encontrar um sucessor adequado Quando a empresa estiver estabilizada Quando passar a crise atual Não sei/ não pensei no assunto Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal 53

56 Não são muitos relevantes os empresários que condicionam a saída da empresa à superação da crise nacional ou da própria empresa (15% dos respondentes), o que indicia que as empresas da amostra de inquiridos não estão a ser particularmente afectadas pela crise. Os estudos de caso permitem introduzir outro nível de informação e compreender a diversidade de situações, posturas e motivações dos empresários face à retirada dos negócios: Empresário de média empresa do setor industrial, 66 anos Empresário de pequena empresa do setor do comércio, 65 anos Empresária de pequena empresa do setor dos serviços, 58 anos Se as coisas estivessem fáceis já me tinha afastado mas a situação está instável e a conjuntura é de incerteza. Mas defini um marco, vou estar cá até aos 70 anos Ainda tenho projetos e vontade de fazer evoluir a empresa. Quando tinha 50 anos pensava que aos 60/ 65 fechava este capítulo, mas ainda estou entusiasmando com o negócio e apesar das preocupações ainda estou cá com prazer Não perspetiva uma saída a curto prazo, nem pensa na reforma a mais longo prazo, é algo que considera distante e que nem equaciona. Vê-se como uma empresária de grande longevidade e desejavelmente não voltaria a desenvolver um trabalho por conta de outrem durante a sua vida ativa. Uma percentagem residual de respondentes (9%) assume que a sua retirada corresponderá ao corte da ligação com a empresa, e esta situação parece estar associada à forma de sucessão: Se a empresa não continuar na família, desligar-me-ei dela; Se alguém comprar a empresa desligo completamente. Figura 18. Empresários com 50 e + anos forma de retirada da empresa (%) 11% 9% Penso desligar-me completamente da empresa 29% 51% Penso manter-me ligado com função de conselheiro para as questões mais importantes Penso manter-me ligado e responder ao que for necessário Outra hipótese Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal 54

57 A questão da sucessão, afigura-se como um assunto distante para uma percentagem significativa dos empresários respondentes (42% afirma que ainda não pensou no assunto), e esta opinião incide particularmente nos respondentes do escalão etário anos. Contudo, cerca de 1/3 dos respondentes dos grupos etários seguintes (entre os 55 e os 69 anos de idade) alinha na mesma hipótese de resposta, denotando o seu afastamento em relação ao tema. No polo oposto, constata-se que o planeamento ou a concretização do processo de sucessão tem maior incidência nos grupos etários mais elevados, e a partir dos 60 anos corresponde a pelo menos 1/3 das respostas verificadas, ou bastante mais no caso dos empresários com idade superior a 70 anos. Figura 19. Empresários com 50 e + anos posição face à sucessão e transmissão da empresa (%) 12% 12% 34% 42% Ainda não pensei no assunto da sucessão Já comecei a pensar mas ainda não tomei nenhuma decisão O processo de sucessão já está planeado O processo de sucessão já está em curso Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal As situações em que os respondentes já refletiram sobre a sucessão mas ainda não tomaram uma decisão, assumem valor significativo em todos os grupos etários, mas com menor peso relativo no grupo 60/ 64 anos, e em particular nos extremos, ou seja no grupo mais jovem (50-54 anos de idade) e no mais velho (75 anos e mais). A dificuldade em encontrar uma solução adequada para a sucessão da empresa, afigura-se como um problema com alguma incidência e pode ser perspetivado a partir do testemunho de um dos respondentes ao inquérito: Pensamos no assunto, mas não encontramos solução. Nenhum sócio tem seguidores capazes, nem capacidade de adquirir quotas. Independentemente da situação relativa à sucessão, o contexto familiar configura a solução perspectivada/ desejada pela maioria dos respondentes, incluindo casos de sucessão mista. A sucessão fora da família é considerada por uma percentagem que não é expressiva, sendo relevante recordar que 75% das empresas da amostra de inquiridos respondentes tem uma matriz familiar. 55

58 Figura 20. Empresários com 50 e + anos sucessão perspetivada (%) 15% Sucessão familiar 14% 16% 55% Sucessão fora da família Sucessão mista (família e outros fora da família) Não sei/ nunca pensei nisso Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal A situação relativa ao processo de sucessão nos casos de empresários estudados em profundidade revela panoramas distintos e confirma o distanciamento dos mais novos face a esta temática: Empresário de média empresa do setor industrial, 66 anos Empresário de pequena empresa do setor do comércio, 65 anos Empresária de pequena empresa do setor dos serviços, 58 anos A sucessão está já garantida através de elementos da família dos sócios, que já integram a empresa. A incerteza da conjuntura atual leva à permanência do empresário na empresa, mas considera que o afastamento é fundamental para que os sucessores sintam que há confiança na solução da sucessão. Porém, admite que O afastamento vai ser muito difícil. Foi uma vida construída com muito carinho e seria pior se não tivesse sucessor A sucessão é um assunto muito importante, mas há dificuldade em encontrar uma solução, até porque não há condições para a sucessão familiar. Na ausência de uma saída são colocadas diversas hipóteses, incluindo a venda. A indefinição da situação afeta a aposta na dinamização do negócio. Não existe uma planificação da sucessão estruturada porque a empresária não perspetiva afastar-se a médio prazo. Contudo, admite que num cenário de sucessão será possível envolver colaboradores atuais, Considera que numa micro empresa a sucessão é um processo mais simples, nas empresas de média e grande dimensão é necessário um plano de sucessão bem estruturado que, inclusive, assegure aos investidores/acionistas a estabilidade da empresa no período de sucessão e pós sucessão. No caso das micro empresas o essencial é delegar responsabilidades e tarefas e acompanhar com antecedência para que os colaboradores possam ir desenvolvendo aptidões e autonomia. 56

59 No que se refere à transferência de saberes, as competências técnicas dos produtos e serviços das empresas são o foco mais importante destes processos. Segue-se em termos de relevância, as competências em matéria de gestão e a dimensão mais comportamental associada à ética e valores nos negócios. Esta apreciação revela, por um lado a centralidade do conhecimento do negócio como dimensão-chave do perfil do empresário e da sua ação junto da empresa, por outro reflete maiores dificuldades na afirmação dos seus saberes nas áreas da gestão. É de realçar ainda a importância relativa que é dada à transmissão dos valores e ética nos negócios, que na hipótese de resposta outras competências, merece referência particular Figura 21. Empresários com 50 e + anos transferência de conhecimentos e competências (%) 21% 12% 6% 37% Competências técnicas dos produtos / serviços da empresa Competências de gestão Competências relacionadas com a ética e valores nos negócios Rede de contactos 24% Outras competências Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal Como é perceptível pelo teor das respostas que se apresenta na figura seguinte, a transmissão de saberes baseia-se fundamentalmente em modalidades de carácter informal e tácito. As formas mais estruturadas de transmissão de saberes, através de reuniões ou formação, assumem representatividade menos significativa, mas ainda com um valor expressivo. A delegação de poderes assume uma representatividade menor, denotando práticas de centralização de funções e tarefas na sua figura e dificuldade na autonomização de determinados serviços e posições. 57

60 Figura 22. Empresários com 50 e + anos modalidades de transferência e transmissão dos conhecimentos e competências (%) 8% 4% Formação informal, transmissão tácita Delegação de poderes 19% 47% Reuniões de discussão Formação estruturada Outras formas 22% Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal Empresário de média empresa do setor industrial, 66 anos Empresário de pequena empresa do setor do comércio, 65 anos Empresária de pequena empresa do setor dos serviços, 58 anos As preocupações são no sentido da transferência da técnica e da especificidade do produto e da sua comercialização - o que é o produto, as particularidades das componentes, È natural que os jovens detenham, à entrada na fábrica, menos conhecimento específico Nós fomos criados dentro da indústria, eles saíram das faculdades A delegação gradual de tarefas foi a forma de transferência e de preparação da sucessão. Assegurar a transferência de um bom conhecimento dos produtos, é uma linha essencial da sua ação. Por outro lado, é também fundamental assegurar a passagem de valores associados à correção, honestidade, ética nos negócios. São este valores que permitem que ainda hoje se relacione com clientes e fornecedores de há muitos anos, hoje está tudo mais disperso. Procura fazer a transferência para os empregados e admite que, atualmente, eles dominam melhor algumas das especificidades técnicas dos novos produtos. A cultura de trabalho com base na delegação de tarefas e formação informal contribui para a transferência de competências. Considera essencial a delegação de responsabilidades e tarefas para que os colaboradores possam ir desenvolvendo aptidões e autonomia, bem como ter em conta a opinião dos colaboradores no processo de tomada de decisão. Reconhece que, em alguns casos de micro empresários, existe um certo orgulho empresarial e egocentrismo (sentem que sem eles a empresa não funciona) que leva a um prolongamento da permanência na direção/ gestão da empresa e a alguma dificuldade em delegar. Nos momentos de crise, como o atual, isso pode ser mais evidente. Porem, também é esse orgulho empresarial que está na base da criatividade e da resiliência. 58

61 4.2. Perceções face ao envelhecimento e às gerações de empresários O contacto estabelecido com os empresários por via dos estudos de caso, permitiu confirmar que o processo de envelhecimento é muito individual e que se reveste de características que indiciam o prolongamento da actividade, incluindo a profissional Assim, ponderando os três casos estudados: Empresário de média empresa do setor industrial, 66 anos Empresário de pequena empresa do setor do comércio, 65 anos Empresária de pequena empresa do setor dos serviços, 58 anos Não está preocupado com a sua vida depois de se retirar da empresa, tem hobbies e outras atividades cívicas, Não tem receio do vazio, embora admita a dificuldade emocional de abandonar a empresa. Apesar da idade continua a pensar na evolução da empresa e tem ideia que os empresários seniores que conhece continuam a investir. Mas os anos desgastam, não tenho a mesma vitalidade física e o meu ciclo está acabar. Acha relevante captar e rentabilizar o conhecimento das pessoas com experiência, ou através de parcerias para investimento. Seria muito gratificante apoiar empresários jovens. Eu próprio gostaria de ter tido algum apoio quando comecei; no início foi muito difícil, uma coisa é fazer x (produto) outra coisa é gerir uma empresa Ainda tenho projetos e vontade de fazer evoluir a empresa. Quando tinha 50 anos pensava que aos 60/ 65 fechava este capítulo, mas ainda estou entusiasmando com o negócio Mas qualquer hipótese de criação de novo negócio, seria sempre com um empresário mais novo uma figura rejuvenescida, mais moderna. Independentemente do futuro da empresa, gostaria de manter um papel ativo, numa relação na lógica do conselheiro. Considera que ainda tem muito para dar e não perspetiva desligar-se dos negócios: Eu quero manter-me jovem. Às vezes penso que tenho 40 anos. Constata-se um claro distanciamento da empresária em relação à idade e ao envelhecimento. A situação é de atividade plena e projetos de desenvolvimento da situação atual. Refira-se, retomando os resultados do inquérito aos empresários, que quando confrontados com a questão relativa ao retorno ao trabalho após a retirada da empresa que lideravam no momento da inquirição (novo negócio ou trabalho por conta de outrem), a maioria nega essa possibilidade. Contudo, relembra-se que essa mesma maioria prevê uma vida empresarial com longevidade significativa. 59

62 Quadro 15. Empresários com 50 e + anos perspetivas de continuidade no mundo do trabalho (%) Pensa voltar a trabalhar após retirar-se da empresa que lidera atualmente? Não 58% Sim 21% Não sei/ nunca pensei nisso 13% Não respondeu 8% Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal (nº de respostas a esta questão 129) Confrontados com uma selecção de atividades que potencialmente são associadas à fase de pós-reforma, ou pelo menos consideradas com maior potencial de execução após o abandono da vida profissional, as respostas dos empresários respondentes foram as seguintes. Relativamente às práticas mais comuns: - De todas as práticas consideradas, o exercício físico corresponde à que será mais reforçada após o abandono da atividade empresarial, indiciando que mais tempo livre será benéfico para um estilo de vida mais saudável. Aliás, esse estilo parece já estar presente na maioria dos inquiridos, na medida em que o exercício físico é referido como uma atividade corrente por um número significativo de respondentes. - A utilização das TIC surge também como prática habitual e comum à maioria dos inquiridos respondentes, o que de algum modo contradiz preconceitos quanto à sua utilização por parte das gerações mais velhas. Relativamente às práticas menos representadas: - A participação na vida política e associativa merece uma referência pouco abonatória em termos de capacidade de atracção dos seniores para este tipo de intervenção na vida social nacional. - O voluntariado, o cuidado de crianças ou outros adultos e a educação e formação também integram este grupo de práticas menos representadas, mas as respostas dos inquiridos apontam para uma representatividade superior ao caso anterior, ainda assim inferior ao expectável, pelo menos no que se refere ao cuidado de crianças ou outros adultos. Note-se que este tipo de cuidados está normalmente relacionado com os papéis sociais esperados para os mais velhos. 60

63 Figura 23. Empresários com 50 e + anos atividades associadas à qualidade de vida e bem-estar (%) Atualmente Após retirar-se Vida política e associativa Voluntariado Tratar de crianças/ outros adultos Exercício físico Educação/ formação Utilizar as TIC Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal Considerando o potencial de experiência dos empresários inquiridos é ainda de referir que a maioria considera a hipótese de, após a retirada da vida empresarial, apoiar e aconselhar outros empresários, o que configura uma interessante reserva de disponibilidade que pode ser aproveitada em favor de programas de mentoring/ coaching. Quadro 16. Empresários com 50 e + anos disponibilidade para apoiar outros empresários (%) Pensa ou gostaria de apoiar/ aconselhar empresários mais jovens ou com menor experiência Não 8% Sim 66% Não sei/ nunca pensei nisso 18% Não respondeu 8% Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal (nº de respostas à questão110) Confrontados com a questão de saber se já se tinham sentido discriminados na sua função de empresários, a resposta obtida permite rejeitar completamente essa hipótese. Nos casos afirmativos (6 casos) apenas um é relativo a um empresário com mais de 60 anos, o que não permite retirar ilações quanto ao factor idade como motivador da discriminação. 61

64 Figura 24. Empresários com 50 e + anos situações de discriminação enquanto empresário sénior (%) 4% 96% Sim Não Fonte: Inquérito, Quaternaire Portugal Empresária de pequena empresa do setor dos serviços, 58 anos A idade para um empresário tem vantagens e desvantagens. A principal vantagem da senioridade é a experiência e, regra geral, alguma estabilidade / equilíbrio financeiro. A principal desvantagem é o cansaço. É importante não confundir cansaço com desinteresse, pois quando existe interesse e motivação a procura pela solução dinamiza a empresa. Com o objectivo de compreender a percepção dos empresários em relação ao estatuto de empresários seniores, questionaram-se as diferenças relativamente aos empresários mais jovens. A opinião dos empresários inquiridos revela que a experiência é a característica mais referida para ilustrar essas diferenças. Esta experiência reflecte-se em recursos relevantes para a actividade empresarial, nomeadamente: Sabedoria, não praticar o mesmo erro, prever os riscos, capacidade intelectual de análise e tomada de decisão, bom senso, prudência, maturidade na decisão, capacidade estratégica e resiliência aos problemas, estabilidade emocional, rede de contactos, maior conhecimento do mercado. Relativamente aos empresários jovens são mais realçados os aspectos diferenciadores positivos do que os negativos, em particular a formação académica e a relação com as TIC: Jovens com mais capacidade e conhecimentos; preparação diferente e com um nível de escolaridade superior; conseguem aplicar melhor esses conhecimentos; mais ferramentas; melhor formação de base. 62

65 Maior facilidade com as tecnologias; na aderência às novas tecnologias; apetência para a informática. Outros aspectos positivos referidos, mas de forma menos incisiva, são o dinamismo, a capacidade física e a iniciativa. Mais disponibilidade física, mental e vontade de vencer; mais vontade de trabalhar; jovens são a força viva de qualquer empresa; os jovens genericamente são mais criativos, arrojados; inovação e criatividade; arriscam mais e não pensam num futuro Também são referidos de forma marginal, as diferenças nos domínios dos valores e os seus efeitos nas relações de trabalho: Os jovens estão mais sensíveis para uma mudança de paradigma nas relações de trabalho (uma cultura de colaboração presente relação empregador/empregado; não a relação dicotómica patrão/empregado); Os mais jovens são mais tolerantes no domínio dos valores e dos princípios. Alguns empresários optam por um discurso que acentua uma perspectiva mais dicotómica e até alguma crispação em relação aos mais jovens: Seniores com mais esforço e dedicação do que os jovens; mais velhos são os empréstimos; mais responsabilidade; seniores têm valores, ética nos negócios e valor social das empresas; jovens têm pouca responsabilidade; jovens só por objetivos; jovens pensam que sabem tudo, não têm experiência e são muito impulsivos, têm que ter mais humildade e fazer muito sacrifício, não querem assumir cargos nem ter responsabilidade. Uma outra opinião acentua uma dimensão relevante para a análise: Os empresários mais velhos têm empresas com historial, muitas vezes em indústrias tradicionais, são self made man e têm a virtude de uma approach de relações fortes e humanizadas com os clientes, fornecedores e trabalhadores. A relação com as gerações mais novas, não é um conflito de gerações, mas uma competição. Os mais jovens têm muito mais habilitações e competências. Em contraponto com esta tendência de opinião, alguns empresários inquiridos consideram que não há diferenças entre os perfis de empresários, ou então procuram fazer a síntese das diferenças: Não existem diferenças e são dois bons aliados; importa que saibam partilhar, transmitir e aprender conhecimentos com os outros, independentemente de serem mais novos ou mais velhos; todos aprendem uns com os outros; experiência dos seniores, sonho dos jovens, conformismo dos seniores, dinâmica dos jovens, maturidade dos seniores, imaturidade dos jovens ; Ambos os perfis de empresário possuem vantagens e desvantagens diferentes. No caso dos empresários mais jovens, estes estão aturadamente apetrechados com recursos mais qualificados em termos de linguagens, metodologias de abordagem, etc. Contudo, não possuem a experiência acumulada dos empresários seniores. É contudo evidente que, num horizonte de longo prazo, os empresários seniores terão tendência a ficar cada vez mais desactualizados, o que constitui uma inequívoca desvantagem. 63

66 As referências às desvantagens dos empresários seniores relativamente aos jovens são também abordadas por alguns dos inquiridos ( jovens com maior dinamismo e seniores são ultrapassados por estes; a geração mais velha é ainda caracterizada por algum fechamento ). Outros preferem acentuar o problema da desatualização de conhecimentos, como é evidente neste testemunho: é importante referir que hoje, um empresário de 50 anos ou mais que não tenha tido o cuidado de atualizar continuamente os seus conhecimentos, corre o risco de estar muito desfasado da realidade dos atuais processos de gestão, de comunicação e de direção de pessoas. Diria mesmo, por experiência pessoal, que uma simples licenciatura tirada há 25 ou 30 anos atrás pode valer muito pouco se a pessoa não teve pelo caminho oportunidades de actualização. A perspectiva dos empresários abordados através do estudo de caso permite complementar a análise em torno das diferenças entre os empresários seniores e os empresários mais novos. Empresário de média empresa do setor industrial, 66 anos Empresário de pequena empresa do setor do comércio, 65 anos Considera que na atualidade é mais difícil ser empresário, a complexidade é superior a rarefação do mercado é uma questão central, bem como as mudanças no mundo/ mercado de trabalho, a introdução da tecnologia Os empresários mais jovens não têm conhecimento aprofundado sobre o produto mas têm formação superior muito mais completa e trazem mais valias importantes para a produção. Afirma que os jovens são mais irreverentes mas a sua experiência pessoal permite considerar que eles se sentem bem com os mais velhos e para estes o dinamismo já não é o mesmo. Relativamente aos mais velhos que iniciam uma atividade empresarial, considera difícil a criação de empresas industriais de raiz e admite mais facilidade e adequação nos negócios da área dos serviços. Na sua opinião o paradigma do negócio mudou muito: maior concorrência, consumidor mais exigente, clima de crise e estes fatores influenciam também a ação dos empresários mais novos. Refere que o conhecimento das pessoas e a relação interpessoal é fundamental nos negócios e essa é uma característica que estará tendencialmente mais presente no perfil dos empresários mais velhos. Por outro lado, admite que os mais novos têm recursos e competências acrescidas, por exemplo na área das TIC. A este propósito refere uma situação em que um colaborador usou um ipad numa reunião com um cliente, uma situação que o levou a afirmar utilizo o computador todos os dias, mas não tenho agilidade para usar essas coisas com segurança. 64

67 5. PISTAS DE INTERVENÇÃO Domínio de intervenção: Sensibilização e informação Tal como noutras dimensões da dinâmica de envelhecimento da população, as organizações associadas à dinamização e apoio à atividade empresarial ainda não estão suficientemente alertadas para as alterações demográficas e para os impactos que se podem perspetivar nas empresas e na função empresarial. O contexto de crise nacional e o centramento da atualidade nas oportunidades para os jovens não ajudam a colocar este assunto na agenda, ainda que os empresários mais velhos possam ter um importante papel a desempenhar no emprego dos jovens, incluindo neste âmbito a regeneração da liderança das empresas. Além disso, o Estudo permitiu também identificar especificidades e problemáticas particulares, nomeadamente de âmbito setorial, que é relevante explorar e concretizar. Como operacionalizar? Promoção de discussões sobre o tema, que envolvam investigadores, políticos, associações empresariais e setoriais e empresários. Introdução do tema nos contactos institucionais e nas agendas das organizações, nomeadamente associações empresariais. Abordagens setoriais que permitam aprofundar o conhecimento da realidade dos empresários seniores, direcionadas para setores representativos, como é o caso do comércio. Seguimento dos empresários seniores auscultados no presente Estudo, através da replicação do inquérito. Que agentes envolver? Decisores políticos; serviços públicos de apoio à atividade empresarial; associações empresariais, setoriais e regionais; organizações responsáveis pelo fomento do empreendedorismo; financiadores das iniciativas empresariais; investigadores, universidades e consultoras; organizações que trabalham na promoção do envelhecimento ativo; empresários seniores. Domínio de intervenção: Serviços de apoio As mudanças perspetivadas em termos dos perfis dos empresários colocam aos serviços de apoio desafios de adaptação a novas necessidades, nomeadamente no que se refere à gestão da idade e à saúde no trabalho, bem como à introdução das designadas medidas amigas da idade. 65

68 Por outro lado, o apoio à transição e à sucessão dos negócios é um domínio com necessidades particulares, que ganham relevo acrescido num cenário de prolongamento da função de empresário, nomeadamente em situação de imposição por falta de alternativas ou má gestão do processo de retirada dos negócios. Como operacionalizar? Integração no trabalho de apoio e aconselhamento aos empresários mais velhos, quadros de referência associados ao envelhecimento ativo, ao bem- -estar e à saúde. Reforço dos serviços de apoio empresarial direcionados para as problemáticas da sucessão e transição dos negócios, em particular para as pequenas empresas. Que agentes envolver? Associações empresariais, setoriais e regionais; serviços públicos de apoio à atividade empresarial. Domínio de intervenção: Capitalizar as vantagens do envelhecimento ativo dos empresários O contributo dos empresários seniores para a atividade empresarial e o empreendedorismo não se restringe apenas à sua função de dinamizadores diretos da atividade económica, por via da criação e fomento de negócios ou do autoemprego. O aumento da esperança média de vida, a melhoria das condições de saúde e das qualificações, permitem perspetivar que mesmo após a retirada dos negócios os empresários podem contribuir para a dinamização do empreendedorismo, através das funções de apoio e aconselhamento, maximizando a transferência da sua experiência e conhecimento e a aprendizagem intergeracional. Como operacionalizar? Fomento de programas de mentoring e coaching. Consideração da perspetiva intergeracional e da constituição de equipas mistas. Que agentes envolver? Serviços públicos de apoio à atividade empresarial; associações empresariais, setoriais e regionais; organizações responsáveis pelo fomento do empreendedorismo; financiadores das iniciativas empresariais. 66

69 Domínio de intervenção: Fomento do empreendedorismo sénior; organizações que trabalham na promoção do envelhecimento ativo. A iniciativa empreendedora dos mais velhos (empregador ou autoemprego) não é uma panaceia para o desemprego, o reforço de rendimentos ou a procura de espaços de desenvolvimento pessoal e profissional dos mais velhos e é importante não perder de vista o realismo dos objetivos nesta matéria. Mas há certamente um contributo para o empreendedorismo nacional que importa explorar e potenciar e isso implica saber se os seniores que querem e estão em condições de criar um negócio estão a ser impulsionados, se estão a ser trabalhadas as barreiras que impedem a sua iniciativa e se os programas e medidas são os mais adequados. Como operacionalizar? Levantamento das iniciativas, negócios e indivíduos envolvidos no empreendedorismo sénior, nomeadamente por tipo de motivação e idade. Identificação das barreiras e necessidades de apoio dos empresários que criaram negócios após os 50 anos, nomeadamente no que respeita ao aconselhamento e à formação, tendo em consideração a diversidade de públicos e suas necessidades. Benchmarking com projetos e iniciativas internacionais orientadas para o apoio aos empresários 50 e mais anos. Que agentes envolver? Serviços públicos de apoio à atividade empresarial, Serviços públicos de apoio ao (auto)emprego; associações empresariais, setoriais e regionais; organizações responsáveis pelo fomento do empreendedorismo; financiadores das iniciativas empresariais; organizações que trabalham na promoção do envelhecimento ativo. Domínio de intervenção: Desenvolvimento de competências Num cenário de prolongamento da vida profissional acentuam-se os riscos de insuficiência e obsolescência das competências, que as baixas qualificações escolares reforçam e que os próprios reconhecem como fator desfavorável comparativamente às gerações mais jovens.por isso, é relevante assegurar que as competências são desenvolvidas ao longo da vida profissional e prever mecanismos de atualização e desenvolvimento nas faixas etárias que normalmente não são abrangidas pela oferta de formação. Como operacionalizar? Consideração do grupo de empresários seniores como público relevante das estratégias de Aprendizagem ao Longo da Vida e das ofertas de formação profissional. Integração de uma perspetiva alargada das questões de desenvolvimento pessoal e profissional dos mais velhos. 67

70 Ponderação das modalidades e metodologias face às características e particularidades do grupo etários. Que agentes envolver? Serviços públicos de apoio à atividade empresarial; serviços públicos responsáveis pela política e financiamento da formação; associações empresariais, setoriais e regionais; organizações responsáveis pelo fomento do empreendedorismo; organizações que trabalham na promoção do envelhecimento ativo. 68

71 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGE Platform Europe (2013) Joint Seminar on Senior entrepreneurs of youth employment co-organised by AGE Plataform Europe with Senior Entrepreneurs and the Commiteee of the Regions - Report final. APCE, Agence pour la Création d Entreprises (2009) Qui sont les entrepreneurs «seniors» parisiens? Quelles sont les caractéristiques des entreprises qu ils dirigent? Botham, R., Graves, A. (2009). The grey economy. How third age entrepreneurs are contributing to growth. NESTA, National Endowment for Science, Technology and the Arts. BussinessEurope - Confederation of European Business, Ceep - European Centre of Employers and Enterprises providing Public services & Eapme - European Association of Craft, Small and Medium-sized Enterprises (2012). Final Synthesis Paper on Employer Practices for Active Ageing. Carneiro, R., Chau, F., Soares, C., Fialho, J., & Sacadura, M. (2012). O Envelhecimento da População: Dependência, Ativação e Qualidade. Lisboa: CES, Conselho Económico e Social. CEDEFOP (2011). Working and ageing: Guidance and counseiling for mature learners. Luxemburgo: Serviço de Publicações da União Europeia. CEDEFOP (2013). Silver workers - golden opportunities. Exploring the benefits of investing in an ageing workforce. Brief note. Luxemburgo: Serviço de Publicações da União Europeia. Comissão Europeia (2012a). Declaração do Conselho sobre o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações (2012): Perspetivas. Bruxelas: Conselho da União Europeia. Comissão Europeia (2012b). Eurobarómetro Empreendedorismo - Relatório Portugal. Luxemburgo: Serviço de Publicações da União Europeia. Comissão Europeia (2013). Comunicação da Comissão Plano De Ação Empreendedorismo 2020 Relançar o espírito empresarial na Europa. Luxemburgo: Serviço de Publicações da União Europeia. Comissão Europeia; Nações Unidas (2013). Policy Brief: Introducing the Ative Ageing Index. GfK (2012). Key Results of the Amway European Entrepreneurship Report The Unleashed Potential of Entrepreneurship in Times of Crisis. GfK Nuremberg, Germany. Ilmarinen, J. (s/d). Promover o envelhecimento ativo no local de trabalho. Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho. Kautonen, T. (2013), Senior Entrepreneurship. LEED, Local Economic and Employment Development; OCDE, Centre for Entrepreneurship, SMEs and Local Development. Le Boterf, G. (2002). La gestion des compétences rattrapée par les âges. Actualité de la Formation Permanente, nº 181, p LEED, Local Economic and Employment Development (s/d). Policy Brief on Senior Entrepreneurship/ Entrepreneurial Activities in Europe. Nunes de Almeida, P., Ferreira, L., Martins, A., Guedes de Oliveira, A., Quinta, M. Coutinho, R., Carneiro, S. (2011). Livro Branco da Sucessão Empresarial. Porto: AEP, Associação Empresarial de Portugal. Oliveira, A. (s/d). Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Auto-emprego (ppt de apresentação em seminário). IEFP, Direção de Serviços de Promoção do Emprego. 69

72 OMS, Organização Mundial da Saúde (2002). Active Ageing, A Policy Framework. A contribution of the WHO to the Second United Nations World Assembly on Ageing. Pedroso de Lima, M.; Marques, S.;Batista, M. & Ribeiro, O. (2010) Idadismo na Europa Uma abordagem psicossociológica com o foco no caso português Relatório I (sumário executivo). Lisboa: CIS IUL, Centro de Investigação e Intervenção Social, Instituto Universitário de Lisboa. Peschner, J.; Fotakis, C. (2013). Growth potential of EU human resources and policy implications for future economic growth. Luxemburgo: Serviço de Publicações da União Europeia. Perspetive 45 a.s.l.b (s/d). L implication des seniors dans la creation d entreprises. Pinto, T. A. (2013). No entrepreneurial skills for old men: a call for intergenerational learning. Portugal: Intergenerationl Valorisation and Active Development Association. Ribeiro, Ó. (2012). O envelhecimento ativo e os constrangimentos da sua definição. Sociologia, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Número temático: Envelhecimento demográfico pág Riffaud, Sébastien (2007). Âges et savoirs : vers un transfert intergénérationnel des savoirs. Québec : ARUC innovations, travail et emploi, Université Laval. Rosa, M.J. V & Chitas, P. (2013). Portugal e a Europa: Os Números. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos. Small, M. (2011). Understanding the Older Entrepreneur. The International Longevity Centre - UK (ILC-UK). SPI Ventures & ISCTE IUL (2012). GEM Portugal 2012, Estudo sobre o Empreendedorismo. Stangle, D. & Marion, E. (2009). The Coming Entrepreneurship Boom. Kansas City: Kauffman Foundation. UNFPA (2012). Envelhecimento no Século XXI: Celebração e Desafio - Resumo Executivo, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Nova Iorque e HelpAge International. Londres. 70

73 ANEXOS Anexo 1. Lista de participantes nas actividades do Estudo Organizações envolvidas nas entrevistas, focus-group e workshops 15 AIDA, Associação Industrial do Distrito de Aveiro AIPAN, Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares APCMC, Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção ANDC, Associação Nacional de Direito ao Crédito (Norte) APC Seniores, Associação Portuguesa de Consultores Seniores AUDAX, Centro de Empreendedorismo do ISCTE-IUL Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho CESIS, Centro de Estudos para a Intervenção Social CCP, Confederação do Comércio de Portugal Coordenação Nacional do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações CTCP, Centro Tecnológico do Calçado de Portugal GEP, Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério da Solidariedade e Segurança Social IEFP, Instituto do Emprego e Formação Profissional/ Departamento do Emprego IEFP, Instituto do Emprego e Formação Profissional/ Delegação Regional Norte Instituto do Envelhecimento/ Universidade de Lisboa Instituto Pedro Nunes Incubadora IEBA, Centro de Iniciativas Empresariais Beira Aguieira Serralves_Incubadora de Indústrias Culturais da Fundação de Serralves UNIFAI, Unidade de Investigação e Formação sobre Adultos e Idosos 15 Não inclui empresários que participaram nestas atividades e nos estudos de caso. 71

74 Anexo 2. Nota metodológica do inquérito aos empresários O inquérito usou uma base de contatos de empresários envolvidos em actividades de formação promovidas pela AEP, que continha 1918 registos. Após uma primeira triagem da base (duplicação de registos e informação incompleta), o número de registos válidos foi reduzido para A aplicação do inquérito organizou-se em duas fases: 1ª fase, por telefone (junho e julho de 2013), 2ª fase, por mail (setembro de 2013). Contrariamente ao esperado a aplicação por telefone revelou-se muito problemática, por limitações da base de contactos, mas sobretudo pela dificuldade em contactar com os empresários. O quadro seguinte explicita essas dificuldades. Casos de não aplicação do inquérito por limitações da base de contactos ou dificuldade no acesso ao empresário: Limitações da base de contactos / não foi possível o contacto Telefone errado 56 Interlocutor idade < 50 anos 20 Não atende, nº ocupado recorrentemente 162 total 238 Dificuldades no acesso ao interlocutor (não está, ausência recorrente) e/ou adiamento do inquérito 329 Outras limitações / no acesso ao interlocutor Casos em que a empresa já não existe ou o empresário já não exerce 31 Casos em que, embora as pessoas tenham aceite responder, o inquérito foi interrompido 3 Casos em que não está interessado(a) em responder 41 total 404 No sentido de ultrapassar estas dificuldades, optou-se pela estratégia de envio por mail. O número de contactos válidos era de 1565, ou seja todos os contactos da base excepto empresários que responderam por telefone + casos que não está interessado em responder + < 50 anos + empresa não existe ou empresário não exerce + inquérito interrompido. Depois de uma triagem para limpar a base dos contatos com limitações da informação de mail e após a recepção dos inquéritos devolvidos, os contatos válidos para efeitos de envio do inquérito por mail ascendiam a O total de respostas conseguidas através destas duas formas de aplicação foi de 154 inquéritos de acordo com a seguinte distribuição: Inquéritos respondidos por telefone 88 Inquéritos respondidos por 66 Total de respostas

75 Anexo 3. Cronograma do Estudo O Estudo desenvolveu-se durante o ano de 2013 e culminou com a realização de uma sessão final de encerramento dos trabalhos, conforme se descreve no cronograma dos trabalhos. Cronograma do Estudo Etapa/ actividade Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 1. Estabilização do roteiro conceptual e metodológico do estudo Recolha e análise de bibliografia Exploração da informação estatística Entrevistas exploratórias Construção dos instrumentos de recolha e análise de informação e concepção do site Relatório Metodológico Etapa 2. Aprofundamento do diagnóstico da acção dos empresários seniores Entrada em funcionamento do site Recolha e análise da bibliografia II Exploração da informação estatística II Entrevistas de aprofundamento Estudos de caso aos empresários seniores Inquérito aos empresários seniores Focus-group Matosinhos Focus-group Aveiro Relatório de Progresso I Relatório de Progresso II o Etapa 3. Consolidação do diagnóstico e recomendações Workshop Matosinhos Workshop Lisboa Relatório Final, Sumário executivo/ Publicação Sessão final de encerramento do Estudo 73

76 Anexo 4. Lista ilustrativa de projectos internacionais Associação Seniores Entrepreneurs (França) Visa apoiar a atividade económica e criar empregos com base nas relações intergeracionais, através da criação de uma plataforma de contatos entre seniores com competências complementares e jovens motivados. Rede aberta aos seniores e juniores com experiência e interessados na atividade empresarial, e ao estabelecimento de diferentes tipos de relações, nomeadamente sócio, conselheiro, assalariado e até futuros tomadores das empresas nos processos de sucessão empresarial. 74

77 50+ WORKS (Reino Unido) Guia online dirigido a pessoas que procuram emprego com 50 + anos, com ideias, dicas, casos, orientações, boas práticas, incluindo a orientação para o empreendedorismo e o auto-emprego, com base em diversos suportes. Promoção: TAEN - The Age and Employment Network (organização independente cujo objectivo é remover as barreiras da idade no acesso ao emprego), com apoio do FSE, Fundo Social Europeu e Departamento do Trabalho e Pensões do Governo do Reino Unido. 75

78 PRIME, The Prince s Initiative for Mature Enterprise (Reino Unido) Organização nacional dedicada ao apoio aos desempregados ou em risco de desemprego, maiores de 50 anos, através do fomento do conhecimento, investigação, boas práticas e sensibilização para o tema do empreendedorismo, auto-emprego, criação de negócios ou empresas sociais e da disponibilização de produtos de formação e serviços, nas diferentes fases da criação da iniciativa. 76

79 Senior Entrepreneurship Works (Estados Unidos da América) Organização sem fins lucrativos desenhada para ajudar os seniores com mais de 50 anos a construir negócios sustentáveis, criar emprego e estimular o desenvolvimento económico individual, das suas comunidades e da nação. 77

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