Projeto Pós-doc Senior O filme como matéria nas instalações contemporâneas

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1 Projeto Pós-doc Senior O filme como matéria nas instalações contemporâneas Katia Maciel Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação Universidade Federal do Rio de Janeiro

2 Indice Projeto O filme como matéria nas instalações contemporâneas 1 Apresentação 2 Objetivos 3 Descrição 4 Justificativa 5 Metodologia 6 Trabalhos relacionados a pesquisa na minha produção de filmes, vídeos, instalações e instalações interativas 7 SUSPENSE instalação a ser desenvolvida 8 Bibliografia

3 1 Apresentação Como professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisadora do CNPq,desde o início dos anos 90, investigo a relação entre o cinema e as artes visuais, procurando, mapear e analisar, experiências que deslocam o dispositivo cinematográfico da sala de cinema para os museus e as galerias, reconfigurando as formas narrativas como percursos por arquiteturas destinadas ao fluxo das imagens em movimento. Estas pesquisas resultaram na publicação de dois livros: Transcinemas (Contracapa: 2009) e Cinema Sim (Itaucultural: 2008), na produção de uma documentação sobre arte brasileira, como, por exemplo, os documentários: Neoconcretos (2001) e H.O Supra sensorial: a obra de Hélio Oiticica (1997), e, ainda, na criação de obras audiovisuais, tais como: filmes, vídeos, instalações e instalações interativas. Estas produções foram apresentadas em vários formatos em circuitos de exibição nacionais e internacionais. Meu último curta-metragem, Casa construção (Prêmio Rumos Audiovisual 2010), por exemplo, foi exibido nas salas de cinema como filme e nos museus como instalação. O presente projeto, O filme como matéria nas instalações contemporâneas, se refere ao uso direto que os artistas fazem dos próprios filmes nas instalações e como, por outro lado, muitas obras, se apropriam dos filmes de outros autores para construírem uma situação cinema que ao mesmo tempo recupera e transforma o dispositivo cinematográfico. Este projeto, apresenta também a proposição de uma instalação inédita, intitulada Suspense, que irá apontar continuidades e descontinuidades na experiência deste gênero cinematográfico.

4 2 Objetivos 2.1 Pensar as instalações de artistas contemporâneos que usam o filme como matéria e suporte de suas experiências. Em 2001, a exposição Into the light:the projected image in american art , no Whitney Museum em Nova York reuniu filmes experimentais no formato de instalações. Anthony McCall participou com a instalação Line describing a cone que mostra o desenho de um círculo sendo projetado na parede em uma sala úmida onde vemos a luz do projetor como uma escultura no espaço. Temos então um filme-matéria que pode ser atravessado pelos corpos dos visitantes. Esta e outras experiências com filmes nas instalações serão o foco da presente pesquisa. 2.2 Inventariar os modos de uso dos artistas da linguagem clássica do cinema Hoje, muitos artistas que realizam vídeos e instalações se apropriam da linguagem do cinema como modo de construção de suas imagens. As relações clássicas do campo e extra-campo, as regras de continuidade, o som direto, entre muitos outros elementos são deslocados e reconfigurados por obras que se referem ao cinema enquanto transformam seu dispositivo inaugural. 2.3 Produzir uma instalação intitulada Suspense, a partir da combinação da linguagem do cinema e da fotografia, na produção de imagens relacionadas a algumas sequências que marcaram a história do cinema Realizar uma instalação ao longo da pesquisa irá ativar, na experiência da obra, aspectos teóricos e conceituais referidos ao campo do cinema e das artes visuais. O trabalho irá se realizando gradualmente, em fragmentos que irão anunciando um filme e depois uma instalação. As imagens irão sendo deflagradas como os stills dos filmes no cinema clássico, uma imagem de alguma maneira contem todas as outras e aí também reside o suspense.

5 3 Descrição O filme como matéria nas instalações contemporâneas Pensar uma classificação possível para as muitas relações entre o cinema e as instalações contemporâneas, implica em repertoriar uma série de situações nas quais o filme é a matéria e o suporte de uma experiência particular proposta pelos artistas. São muitas as formas das instalações contemporâneas que redimensionam a experiência do cinema ao intervirem na sua linguagem, em seus aspectos narrativos, em suas dimensões arquiteturais e na sua relação com os espectadores. Para o artista que concebe instalações, depois do filme, portanto, do roteiro, da filmagem, da edição e da finalização, tem início uma outra operação que é a construção de uma arquitetura, previamente definida, onde o filme é apenas parte de um estratagema que nos coloca como visitantes no centro de uma situação proposta. Não me refiro apenas as situações conhecidas como interativas, onde o espectador aciona algum dispositivo produzindo modificações no que é visto, mas ao fato dos artistas das instalações precisarem arquitetar um espaço e um percurso para o visitante. Nesta nova engrenagem a máquina do cinema é ampliada para ações inesperadas. Ela é convocada por Antony McCall, por exemplo, como uma projeção a ser interrompida, por Lívia Flores como assemblage de projeções super 8, por Christian Marclay como uma edição de arquivos, por Leandro Lima e Gisela Motta como um remake interativo, por Ricardo Basbaum como um sistema conceitual. Estes e muitos outros artistas contemporâneos encontram modos de uso particulares para um cinema que parece ser inventado a cada filme instalativo. Neste projeto analiso algumas estratégias contidas nas obras de Anthony McCall e Ricardo Basbaum e apresento outras obras, de outros artistas, que serão pensadas mais detidamente ao longo da pesquisa. Se vemos nas principais instituições e bienais de arte um conjunto relevante de instalações filmes é porque, para além de um campo de pesquisa restrito a artistas e cineastas mais experimentais, estes novos caminhos, que considero como transcinemas, por remeterem e transformarem a linguagem do cinema ao mesmo tempo, estão se consolidando como campo profícuo da arte contemporânea. E esta abriga, também, um conjunto de cineastas em seus desejos de expansão do clássico dispositivo cinematográfico. Podemos citar, por exemplo, as instalações documentais de Agnès Varda, as construções panorâmicas de Abas Kiarostami ou mesmo a exposição de Jean-Luc Godard no Centre Georges Pompidou como uma imensa instalação. Percorrer as instalações contemporâneas dos artistas que operam com o filme como matéria é o objeto principal desta pesquisa, no entanto, esta também possui uma dimensão experimental, pois, irei produzir uma instalação intitulada Suspense com uma série de filmes instalativos que problematizam este gênero clássico do cinema.

6 2.1 Transcinemas Conceituo como transcinema uma imagem pensada para gerar ou criar uma nova construção de espaço-tempo cinematográfico, em que a presença do participador ativa a trama desenvolvida. Trata-se de imagens em metamorfose que podem se atualizar em projeção múltipla, em blocos de imagem e de som, e em ambientes interativos e imersivos. Dito de outro modo, transcinemas são formas híbridas entre a experiência das artes visuais e do cinema na criação de um espaço para o envolvimento sensorial do espectador. Representam o cinema como interface, como uma superfície em que podemos ir através. Hoje, todo um conjunto de instalações cinematográficas permite que o espectador avance sobre o espaço da tela experimentando sensorialmente as imagens espacializadas, de múltiplos pontos de vista, bem como pode interromper, alterar e editar a narrativa em que se encontra imerso. A variedade de formas a que chamamos de transcinemas produz uma imagem-relação, que é, como definido por Jean-Louis Boissier, uma imagem constituída com base na relação de um espectador implicado em seu processo de recepção. É a esse espectador tornado participador que cabe a articulação entre os elementos propostos. Ademais, é nessa relação que se estabelece um modelo possível de situação a ser vivida, isto é, uma relação que é exterior aos seus termos. Nem o artista, nem o sujeito implicado define o que a obra é, uma vez que a forma sensível se institui pela relação entre ambos. É a este cinema relação criado de situações de luz e movimento em superfícies híbridas que chamamos de transcinema. 2.2 Os artistas e os filmes Anthony Mccall A geometria da projeção a entrada de uma pessoa modifica instantaneamente e inconscientemente aquela que estava só. 1 Paul Valéry O trânsito dos espectadores visitantes pelos espaços expositivos interfere na percepção das obras e em algumas instalações estas presenças são incluídas no processo de formação das imagens. 1 Valéry, Paul. L entrée d une autre personne modifie instantanément et inconscienment celle qui était seule

7 Entre os modos de agenciamento da presença do visitante com a obra há aqueles que relacionam os espectadores entre si. O trabalho de Anthony McCall You and I horizontal III (2007) cria esta forma inclusiva das interferências vividas pelos passantes. You and I horizontal III é uma instalação constituída por duas projeções cinematográficas em uma sala úmida. A umidade gerada por aparelhos é um sistema que simula a maneira pela qual a obra aconteceu pela primeira vez, em um loft de Nova York onde a poeira do chão e a fumaça dos cigarros dos espectadores tornaram a projeção sólida. O que vemos é uma escultura na forma da luz que se atualiza no espaço. A imagem projetada é uma elipse que se forma gradativamente, a geometria desenhada refaz a forma da luz que atravessa o ar espesso na direção da parede branca. É uma luz sólida, nas palavras de McCall, mas esta luz se posiciona na altura do corpo, portanto, é uma projeção da qual não nos desviamos, ao contrário a atravessamos. E nós somos atravessados pela luz que atravessamos, como em um loop, estamos no centro do sistema que habitamos: o sistema cinema. No trabalho de McCall o corpo diante da projeção pode se somar a presença de outros corpos e as interferências acumuladas transformam as projeções, a escultura de vapor e as percepções dos visitantes entre eles. Em geral há um deslumbramento comentado entre os participantes que ampliam seus movimentos na fabricação instantânea das formas da luz no espaço e do desenho na parede. O trabalho se apropria dos gestos dos visitantes e da relação entre eles como maneira de operar o dispositivo. Trata-se de um cinema por dentro da máquina que ao mesmo tempo incorpora o fora como uma instalação filme. Não estamos assim mais fora do filme, mas no seu centro, não como personagens ou representações, mas como componente da imagem. Este estado de presença ativado por um cinema instalado remete a um desejo manifesto ao longo da história da arte, nos retratos por exemplo, vemos olhos que nos olham, hoje a diferença é que do outro lado do espelho estamos nós e o jogo de Velásquez com Las Meninas (1656) volta a acontecer, mas de outra maneira, sem a moldura. Não compreendo o que vi. E nem mesmo sei se vi, já que meus olhos terminaram não se diferenciando da coisa vista 2 Esta frase de Clarice Lispector que se encontra no início do romance A paixão segundo GH. É um mergulho de Clarice na condição da narração sem história, a narração é pura sensação na forma de uma mulher mundo. Sem início ou fim o romance é um puro contínuo. Da indiferenciação entre o ser e o vir a ser surge uma personagem que como o espectador contemporâneo não assiste mais a vida, mas mergulha no que experimenta. É um outro estado de presença, aquela que assiste a si mesma. 2 LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H, Editora Rocco, Rio de Janeiro: 1964.

8 Ricardo Basbaum Cinema conceito A palavra diagrama pode significar desenho, registro, esboço e representação por meio de linhas. Pensar a obra de Ricardo Basbaum exige um percurso pelos fluxos gerados pelos diagramas do artista. Neles, as linhas indicam o processo de criação, que reúne conceito+experiência na configuração de novas formas participativas que decorrem de acessos diversos a um objeto-ativo. Esse objeto se constitui como síntese visual da proposição do artista. Como o monolito de Stanley Kubrick em 2001: uma odisséia no espaço, a forma escolhida por Basbaum é enigmática e, logo, portadora de muitos significados possíveis. O objeto de metal figura uma geometria diagramática que abriga em seu centro uma passagem, uma maneira de atravessar a forma irredutível. A esfera no centro da estável geometria aponta, então, para abertura na obra de Ricardo Basbaum, que aparece sob a forma de participação do espectador ou do participador, como diria Hélio Oiticica. 3 A idéia de participação na obra surgiu no Brasil com o movimento neoconcreto, 4 que se formou no Rio de Janeiro entre 1959 e 1961 ao romper com o concretismo paulista. Ricardo Basbaum é influenciado por dois artistas que participaram desse movimento: Hélio Oiticica e Lygia Clark. Em suas obras, ambos mantiveram um diálogo intenso em torno da idéia de participação. De acordo com eles, a obra passa a existir a partir do momento em que se dá a relação com o participador o artista é o propositor de uma experiência que aproxima, de maneira indissociável, arte e vida: Isto me veio com as novas ideias a que cheguei sobre o conceito de suprasensorial, e para mim toda arte chega a isto: a necessidade de um significado suprasensorial da vida, em transformar os processos de arte em sensações de vida (Oiticica, 1969: 12). Hélio Oiticica escreveu textos e desenhou projetos e esquemas conceituais ao longo de sua obra. Basbaum se aproxima da obra do artista, ao criar uma obra em processo que ativa situações participativas e produzir um pensamento sobre esse processo que alimenta os fluxos da construção de seu trabalho. A ideia de um objeto que, em vez de se limitar aos contornos estéticos, está implicado diretamente na formação de novas percepções do participador, mobilizando-o e transformandoo na experiência direta da obra, pode ser encontrada de várias maneiras nos textos de Hélio Oiticica, como nesta que se segue: a proposição mais importante do objeto, dos fazedores de objeto, seria a de um novo comportamento perceptivo, criado na participação cada vez maior do espectador, chegando-se a uma superação do objeto como fim da expressão estética (Oiticica, 1967: 127). Ricardo Basbaum processa a imaterialidade do objeto no desenvolvimento de seu trabalho, ao mesmo tempo que estabelece uma estratégia comunicacional que se inicia pela fisicalidade de um determinado objeto. No princípio, era o olho. Basbaum desenhou um olho-marca e o aplicou no meio de coisas, produzindo uma reação no público e registrando as impressões surgidas. Em seguida, por meio da síntese das linhas orgânicas do olho, o desenho assumiu um formato geométrico: Trazer o retângulo da parede para o espaço, recortar no centro um 3 Conceito criado por Hélio Oiticica para pensar o espectador como parte da obra. 4 Os neoconcretos radicalizaram a proposta construtiva opondo a renovação da linguagem geométrica ao racionalismo mecanicista dos postulados construtivistas, por meio da integração de aspectos expressivos e orgânicos ao pensamento da obra. O grupo Neoconcreto foi formado pelos seguintes pintores, escultores e poetas: Lygia Clark, Franz Weissman, Amilcar de Castro, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Aloísio Carvão, Décio Vieira, Willys de Castro, Hércules Barsotti, Osmar Dillon, Roberto Pontual e Ferreira Gullar.

9 furo para ver através e cortar os cantos para fugir do retângulo, tornando assim a forma mais maleável, deixando o ar atravessá-la 5. No final dos anos 1980, Ricardo Basbaum foi um dos artistas que participaram da conhecida Geração 80 6, mas sua presença contradiz o que se configuraria como o clichê do movimento: a idéia de volta à pintura. Em 1987, ele desenvolveu o projeto Olho na Universidade de Campinas, no qual operou com uma dinâmica comunicacional repetitiva que ia do desenho adesivo de um olho como elemento gráfico visual e seus efeitos na memória coletiva ao registro da recepção do público. Por meio de uma estratégia multiplicadora e contaminante, o artista amplificou a obra como um processo vivo. Eis como Basbaum narra o processo que o levou a criar o projeto NBP Novas Bases para Personalidade: O programa de trabalho NBP Novas Bases para Personalidade surge [...] após um período extremamente intenso de atividades em diversas direções. [...] com a utilização de linguagens variadas (desenho, objeto, intervenção, performance, vídeo, música), impôs-se a fórmula da aproximação da arte contemporânea com o campo comunicativo. Essa fórmula já havia sido trabalhada com sucesso na série com a marca Olho e não é uma simples coincidência ter sido este o trabalho com que participei da exposição Como vai você, Geração 80?: impunha-se já a necessidade de alguma fluidez diante dos caminhos de criação de possibilidades de trabalhar como artista (Basbaum, 2007). NBP é uma das possibilidades sobre as quais o artista atua como maneira de articular e potencializar a relação entre texto (novas bases para a personalidade) e imagem (objeto) em suas dimensões conceituais e operacionais. O que o artista monta como estratégia é um circuito simultaneamente fechado e aberto. O trabalho possui construção teórico-discursiva, ao mesmo tempo que funciona na circulação de um objeto disseminador de processos comunicativos. Esse objeto é recebido por participadores que integram sua forma no cotidiano vivido, registrando por meio da escrita as transformações sofridas no processo relacional. A comunicação é não apenas conceitual ou sensorial, mas também participativa, uma vez que sua intensa circulação, hoje integrada por um sítio disponível na internet, rege o trabalho. O registro que ocorre durante a fruição do objeto tem como objetivo não um lugar no passado, e sim uma atualização em tempo real no sistema, ou seja, o registro e seus fluxos deflagradores constituem a obra em si. A obra de Basbaum se estende como uma teia, rizoma orgânico que integra objeto+participador+comunicação. O objeto deflagra situações que fomentam e alimentam o sistema proposto pelo artista, impregnando o cotidiano familiar e institucional como um processo virótico, no qual o vírus, ao atingir outros organismos, gera sua própria expansão. O sítio do artista, por exemplo, permite diversos acessos ao sistema e o processo participativo tende a ser ampliado pelos processos comunicacionais, outra maneira de dizer que a comunicação atua como o vírus da participação. NBP configura-se como uma palavra de ordem, um comando, claramente orientado para uma indagação acerca de estrutura (Bases) e mutabilidade (Novas). Há a preocupação com processos de mudança, transformação, percebidos à luz de uma consistência própria, interna: por meio de sua repetição e memorização, a palavra de 5 Entrevista realizada com Ricardo Basbaum em 5 de abril de A exposição Como vai você, Geração 80?, realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1984, com a curadoria de Paulo Roberto Leal, Sandra Mager e Marcus Lontra, tornou-se conhecida como a síntese da produção da arte brasileira naquele momento.

10 ordem gradualmente se insinuaria junto ao receptor ou fruidor, e sutilmente deflagraria um processo auto induzido de transformação [...]. A palavra Personalidade articula-se às outras duas, procurando conduzir o processo para um lugar que escape (para assim, muitas vezes, atuar em conjunto) a algumas construções, cujo sentido tem sido precisado pela filosofia, a psicanálise ou a literatura (sujeito, subjetividade, interioridade etc.) (Basbaum, 2007). Nesses termos, a sigla NBP é pura síntese que integra o pensamento e a experiência do artista a uma rede conceitual que se move das disjunções de texto e imagem discutidas por Michel Foucault às considerações da sociedade de controle descrita por Gilles Deleuze. A palavra estruturada na sigla NBP é o elemento de acesso ao campo comunicacional formulado pelo artista, que recupera da filosofia o pensamento como agente transformador da experiência vivida. Combatente, o pensamento-artista de Basbaum acolhe as transformações do sujeito contemporâneo. Você gostaria de participar de uma experiência artística? Esse é o titulo da participação de Ricardo Basbaum na Documenta 12 de Kassel. Nela, distribui-se um único objeto de tiragem ilimitada, cuja fisicalidade fortalece a ambiguidade de um circuito que é imaterial. Em geral, a distribuição dos objetos ocorre via mediadores, amigos ou instituições que abrigam e sugerem participadores. Em Kassel, foi orientada por um setor da organização da mostra, 7 razão pela qual o processo teve uma dinâmica particular, em comparação com a forma mais orgânica com que se deu nas demais localidades em que o projeto foi apresentado. De todo modo, essa rede íntima, poética e conceitual exige protocolos. Primeiro, deve haver a aceitação do convite para participar. Em seguida, o objeto é enviado para o participador, que se cadastra no sítio, ativo desde setembro de 2006, já na terceira fase do projeto de 1994 a 2000, o projeto se moveu devido à mediação do próprio artista; de 2001 e 2004, o objeto passou a se deslocar impulsionado pelas redes já existentes entre os participantes. Quem recebe o objeto informa ao sistema seu nome, a data e a cidade onde mora; ganha uma senha e, a partir de então, edita sua própria documentação, sem a mediação do artista, ou seja, o registro visual e escrito da experiência se torna público, sem que haja a interferência de Ricardo Basbaum. O participante pode ser indivíduo, grupo, coletivo ou instituição. Em Kassel, uma escola, uma associação comunitária, outra que trabalha com imigrantes e uma terceira de portadores de vírus HIV participaram da experiência. O gerenciamento do que circula pelo sítio é feito pelo artista, que figura a movimentação das redes participativas sempre revelando a forma do objeto NBP. O sítio, portanto, funciona como um mapa orgânico que se movimenta em pequenas constelações. O que é NBP?, Projeto e Comentários são os links que dão acesso à navegação interativa. Essa navegação procura se orientar pelas formas conceituais do projeto, integrando mobilidade, acesso e forma. O desenho NBP se forma no movimento do cursor na página inicial, o que acentua a idéia de que a interação produz a obra. Na Documenta 12, o artista também construiu uma arquitetura conceitual com o objetivo de agregar o sensorial à obra, abrigando os participantes em colchonetes espalhados por uma estrutura escultórica que reproduzia a forma do objeto NBP. Dentro desse espaço, além da possibilidade de acessar o sítio, havia um conjunto de imagens em slide show randômico, uma compilação de vídeos realizados por participantes do projeto e um conjunto de câmeras em 7 O Conselho Consultivo da Documenta 12 que auxiliou na distribuição dos objetos em Kassel foi coordenado por Ayse Guelec. A distribuição inicial dos dez objetos produzidos foi esta: seis em Kassel, um em Liverpool, um em Viena, um em Dakar e em em Liubliana.

11 circuito fechado, em que se podia assistir a imagens capturadas em ordem sequencial que mostram em tempo real a relação das pessoas com o espaço. Os participantes, portanto, eram acolhidos no sistema de informação que constitui o projeto, tornando-se parte da obra. Na mesma sala, do lado de fora da estrutura escultórica, um diagrama desenhado na parede explicita as relações propostas pela obra. Esse diagrama produz uma visualidade orgânica do dispositivo conceitual do trabalho. O trabalho, em sua desmaterialização, opera o tempo inteiro com a materialidade. Para fugir de uma perigosa fetichização, o objeto é utilizado como deflagrador de situações: o que importa é o que as pessoas estão fazendo com a peça, o que estão propondo e produzindo com ela o mais importante é a relação das pessoas com o objeto. 8 Ao permanecer no interior da arquitetura NBP ou atravessá-la, o participante integra o processo de desmaterialização do objeto proposto por Basbaum, mas a experiência alia ou subverte algumas oposições, como o frio das grades e o acolhimento dos colchões, rigor conceitual e fluxos sensoriais, e o dentro é o fora ou o fundo é o mundo, como nas experiências neoconcretas. Ricardo Basbaum celebra mais uma vez a arte como vida, mas em sua proposta trata-se de uma vida conectada às demandas ativas dos processos tecnológicos em curso, que não se restringem ao mero funcionamento das máquinas de informação; elas envolvem também a construção de novas percepções e sensibilidades que apontam para um mundo em que cada indivíduo é parte de uma rede relacional. Nessa rede, instaurada pelo uso generalizado dos computadores ligados à internet, exige-se cada vez mais a presença de um sujeito ativo. A ideia de que os sistemas virtuais simulam nossa presença em ambientes programados remete a uma presença a distância, mas hoje a maior diferença introduzida pelas novas tecnologias consiste na possibilidade de que essa presença seja móvel. A mobilidade é apropriada pela arte de hoje a partir de duas lógicas: o fluxo dos circuitos comunicacionais e a inclusão dos deslocamentos motores e sensoriais do corpo. O que significa que, por um lado, as alterações nos padrões de comunicação que se popularizaram nos anos 1980, com a adoção do computador em rede, permitiram o fluxo de dados como nunca antes sonhado e, por outro, que o corpo passa a ser pensado como um elemento que é parte do sistema (Maciel, 2005). Na obra de Ricardo Basbaum, a mobilidade da presença é ativada pela arquitetura NBP: sentados diante das telas, os participantes da obra podem tornar presentes em tempo real os acessos ao sistema. Propor e simultaneamente criar, repetir e gerar pequenas memórias são os gestos que comunicam o artista, ao fazer com que persista uma forma que cria uma relação entre o todo e a parte, entre o que é e não é o referente. Apreende-se no trabalho de Basbaum uma geometria fractal em que o todo repete a parte e cujo modelo, cuja síntese do modelo, é a forma NBP. Os modos como essa forma se atualiza no tempo e no espaço correspondem à proliferação na redundância do que é o mesmo, mas também no que há de diferente em cada indivíduo, grupo, coletivo ou instituição, ou seja, à diferença gerada pelo atrito com a proposição inicial. Ao mesmo tempo que Basbaum se inspira na poética participativa de Hélio Oiticica, o percurso de sua proposição expande os processos iniciais numa situação interativa particular que gera uma obra em rede. O fluxo entre participação e interação constitui um sistema ativado pelo uso de tecnologias específicas de registro e distribuição de informações. O trabalho, portanto, imanta o movimento de navegação nas redes de comunicação, em que o acesso redefine as próprias circunstâncias da pesquisa e do conteúdo. Dentro da arquitetura NBP, o participante experimenta diferentes dispositivos (câmera, vídeo, computador), que permitem, cada um deles, a mixagem dos processos de transformação da obra que os abriga. A situação é interativa porque cabe ao participante combinar os diferentes acessos disponíveis, como um 8 Entrevista realizada com Ricardo Basbaum em 5 de abril de 2007.

12 editor das próprias imagens. A obra incorpora múltiplas temporalidades, uma vez que todos os momentos do processo estão disponíveis no presente. Dito de outro modo, NBP funciona como uma enorme caixa transparente em que seus circuitos integrados estão disponíveis ao participador. No início da história do cinema, a câmera era tanto o projetor quanto um tipo de circuito integrado que produzia simultaneamente o conteúdo e sua distribuição. Nesses termos, o dispositivo NBP pensado por Ricardo Basbaum se aproxima do funcionamento de uma máquina pós-cinema, transcinema, haja vista incorporar câmeras, telas e computadores a uma arquitetura que abriga o participador como elemento do circuito que gera a obra. Em 2003, Ricardo expôs na Universidade do Estado do Rio de Janeiro uma instalação com câmeras de circuito-fechado, monitor, sequencial videocassete, mobiliário, plantas, rede, texto, intitulada Sistema-cinema. A poética interativa criada pelo artista é uma forma ativa, presente e múltipla que não para de se atualizar na rede da arte contemporânea. 2.3 Outros artistas e obras-filmes a serem analisados Christian Maclay Edição indexada The Clock é uma instalação que exibe uma edição de 24 horas de cenas de filmes e programas televisivos perfeitamente sincronizados com o tempo que passa. Uma experiência literalmente em tempo real com imagens editadas, indexadas e mixadas como nos espetáculos DJs produzidos por Christian Maclay. O trabalho xibido pela primeira vez na White Cube em Londres em Mas em 1995, Marclay havia criado Telefones onde também seleciona cenas de clássicos cinematográficos em que seus personagens discam, esperam, atendem ou falam ao telefone gerando uma continuidade da pura e visivel descontinuidade do material editado.

13 Leandro Lima e Gisela Motta Inserção em clássicos A dupla de artistas Leandro Lima e Gisela Motta apresentaram a instalação interativa Disque M para matar em 2010 na Galeria Vermelho em São Paulo se apropriando da sequência clássica de Alfred Hitchcock em que Margot Mary, personagem interpretada por Grace Kelly, atende ao telefone antes de sofrer a tentativa de assassinato planejada por seu marido. Os artistas inserem na imagem um número de celular para que o espectador possa impedir o crime de acontecer discando conforme indicado na tela. Lívia Flores Cinema em fragmentos Em 2000, no Espaço Agora no Rio de Janeiro a artista Lívia Flores mostrou 5 filmes s- 8 projetados simultaneamente sobre espelhos e lâminas de vidro. A projeção sobre estas superfícies devolvia as imagens às paredes em diferentes recortes e graus de intensidade. Ao deslocar-se no espaço da galeria, o espectador projetava sua sombra sobre as imagens. Um pequeno editor de super-8 permitia ao espectador a visada de um sexto filme na velocidade e sentido que ele próprio determinava ao manipular as manivelas. Uma série de 6 desenhos sobre papel carbono fornecia o mapa do trajeto rodoviária - rua do hotel sem passado - centro, fragmento de sonho, fio condutor do trabalho.

14 4 Justificativa Há mais de dez anos investigo as relações entre cinema e artes visuais tendo publicado dois livros sobre o conjunto das pesquisas, Transcinemas (contracapa 2009) e Cinema Sim (itaucultural, 2008). Transcinemas reúne uma série de artigos sobre a teoria e a experiência do agenciamento contemporâneo entre cinema, artes visuais e novas mídias. A idéia básica foi produzir um panorama da experiência do cinema como campo expandido, por meio da discussão acerca de seu dispositivo, que hoje incluem o pensamento de uma arquitetura relacionando espaço e narrativa em situações interativas e imersivas. Está dividido em duas partes. A primeira reúne análises teóricas de pesquisadores que pensam o cinema como um dispositivo móvel, cuja ação integra, simultaneamente, a passagem entre imagens de vários meios e diferentes acessos por parte dos espectadores. O surgimento de novas tecnologias no contexto da arte e do cinema contemporâneos produziu uma reflexão crítica e teórica que pensa as imagens valendo-se de sua forma híbrida e múltipla. Trata-se de imagens que reinventam as idéias de jogo, relação e efeito, vibram em projeções e esmaecem os limites entre as artes plásticas e o cinema. A situação cinema experimentada nas instalações contemporâneas provoca, portanto, um pensamento do dispositivo cinematográfico. Qual a sua história? Quais são seus deslocamentos e suas implicações estéticas? Quais são seus desdobramentos narrativos e suas consequências na lógica da maquinação, da dominação e da vigilância? Quais as novas subjetividades produzidas, a transformação nos corpos imersos nessas imagens outras e os outros cinemas que escapam da formação clássica da sala escura e do espectador imóvel? A segunda parte agrega relatos de artistas e críticos contemporâneos, muitas vezes também pesquisadores e professores universitários, sobre experiências realizadas nas formas de cinema interativo e cinema instalação. Muitas vezes, encontramos artistas que operam com as novas tecnologias nos espaços acadêmicos, pois a experimentação com imagens interativas necessita de um suporte difícil de ser viabilizado de maneira independente, além de os trabalhos exigirem, com frequência, pesquisa e desenvolvimento. Telas flutuando no espaço, formando-se na fumaça, respondendo à nossa presença, assim como histórias que se constroem em tempo real, oferecem alternativas e se misturam às nossas são algumas das experiências contemporâneas que têm envolvido espectadores ativos de maneiras inéditas. Dessa forma, pensar os significados desses outros filmes que se diferenciam da produção comercial das grandes salas em decorrência de seu conteúdo experimental é um deslocamento necessário para formar um repertório que incentive e amplifique a produção contemporânea. O livro Cinema sim reúne textos críticos sobre artistas contemporâneos e suas cineinstalações produzidos para a exposição e seminário do mesmo nome que organizei no Itaucultural em No livro teóricos da imagem pensam a situação cinema como uma nova forma de exposição na qual a imagem projetada envolve sensorialmente o espectador. O presente projeto pretende explorar outros aspectos da relação entre artes visuais e cinema, para além dos já tratados nas minhas pesquisas anteriores. Pensar os desdobramentos das apropriações de filmes pelas instalações, e a incorporação da linguagem do cinema nas arquiteturas visuais expostas em museus e galerias, implica um registro conceitual, estético e tecnológico que nos interessa analisar como novas formas do dispositivo cinema.

15 5 Metodologia Na última edição, revista e ampliada, do seu livro O discurso cinematográfico: A opacidade e a transparência 9, um clássico da teoria do cinema, Ismail Xavier acrescenta um capítulo para pensar criticamente os últimos 40 anos do dispositivo cinema em suas dimensões estéticas, técnicas e políticas, nas suas relações com diferentes teorias. De Jean-Louis Baudry à Jacques Rancière, Ismail reúne os principais agentes que tornaram o cinema um corpus teórico fundamental para o pensamento moderno e contemporâneo. Ismail considera importantes as análises de Raymond Bellour e Philippe Dubois no desvio para o vídeo e seus efeitos filmes. Estes serão referências na presente pesquisa, assim como os textos de Dominique Paini com o conceito de cinema exposto, de André Parente sobre as questões das instalações panorâmicas e Arlindo Machado com o pensamento do pós-cinema. Raymond Bellour discute em seus ensaios a maneira singular como os artistas inventam novos ângulos, novos movimentos, novas palavras, novas maneiras de ver o cinema. O autor escolhe partir do pensamento contido nas imagens dos artistas para então, como diria André Bazin, prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o leem, o impacto da obra de arte. 10 Dominique Paini discute a questão do tempo no cinema exposto e como os espectadores móveis contemporâneos não estão mais capturados pela continuidade de uma experiência que não procura mais o sentido, mas a sensação. Para o autor as obras do cinema são objetos temporais e quando expostas implicam o espectador em uma duração diferenciada. André Parente explora um elemento clássico da linguagem cinematográfica o campo e o contra/campo para pensar a arquitetura de um cinema móvel que instala o espectador no centro das imagens. Entre um acontecimento e outro, entre uma narrativa e outra, as instalações contemporâneas se deslocam da estética clássica do cinema que oculta os artifícios do que vemos para mostrar o seu dispositivo. Arlindo Machado aponta para o cinema pós-midiático em sua variedade de meios e formas elaborando um percurso da arte multimídia de Wagner a Peter Greenaway que revelam um campo beyond media, longe das especialidades de cada meio. Arlindo traça também um fio contínuo de Gene Youngblood a Raymond Bellour, do conceito de cinema expandido ao entreimagens, como modo de pensar o pensamento das imagens contemporâneas. Pós midiático, exposto, instável, participativo, o cinema das exposições faz convergir questões fundamentais para o pensamento da arte hoje. Isto porque entre muitas coisas o cinema não é mais apenas uma arte do tempo, mas também do espaço. A instalação filme aparece como uma forma da arte contemporânea apropriada por artistas e cineastas não apenas como estratégia de apresentação, mas como uma outra linguagem que potencializa a relação histórica do cinema com as artes visuais. Nas instalações que experimentamos em cada museu e galeria o filme só acontece com a nossa presença, no nosso percurso, na nossa sensação. 9 XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico, São Paulo: Paz e Terra, BAZIN, André. O cinema, São Paulo: Editora Brasiliense, 1991, pág 5.

16 6 Trabalhos relacionados a pesquisa na minha produção de filmes, vídeos, instalações e instalações interativas Um, nenhum e cem mil 2002 A obra só é acionada quando clicamos em dois rostos diferentes. O sistema é randômico. Cada personagem diz aproximadamente trinta frases diferentes, a cada acionar de um novo rosto para ser combinado com outro, o sistema armazena a informação de modo que no próximo acionar do mesmo personagem ele dirá a frase seguinte. O processo é da criação de um loop cinematográfico com as frases de cada personagem, com apenas dez personagens o sistema pode gerar uma combinação quase infinita provocada pelo usuário. Na medida em que a frase dita não é controlada pelo participador, a relação entre os diálogos é probabilística.

17 Na estrada 2004 Curta metragem Instalação Três sequências em loop de um casal em uma estrada são projetadas. Cada aproximação do visitante aciona o som e a cor da tela da qual ele se aproxima. Casa-construção 2010 Curta-metragem Instalação É um filme combinatório, ou seja, o filme é concebido a partir do conceito de diálogo como montagem. A estrutura é de três filmes com três sentidos diferentes que combinados produzem novos sentidos. Primeiro a mulher percorre uma casa em construção. Fala com um outro, mas não ouvimos a resposta, como se assistíssemos a uma conversa telefônica. Depois, ouvimos apenas o homem e a conversa parece outra. Por último, vemos e ouvimos os dois e temos então o dialogo como forma e um terceiro sentido. O tempo e o ritmo das falas são estruturais para que a proposta se realize. Entre uma frase e outra do personagem masculino, por exemplo, precisa haver um tempo em que caberia a fala da mulher. Então, as frases são soltas como se os personagens estivessem pensando alto, ou

18 falando sozinhos. Na verdade, mesmo quando o diálogo se monta na terceira parte do filme os dois estão de alguma maneira falando sozinhos ainda que estejam diante do outro. A construção é o processo da solidão a dois. A casa está em obra, mas também destruída, em um movimento incerto nem de início, nem de fim. O filme vai mostrar o tempo todo que não há neste espaço a relação de figura e fundo, porque a obra na casa não é fundo. mas a figura da qual surgem os dois personagens. Mantenha distância 2004 A imagem de um caminhão em uma estrada é projetada em uma tela. Ao nos aproximarmos da imagem o caminhão retrocede em nossa direção e lemos, acima da placa, a frase mantenha distância. Uma certa perversidade indica o paradoxo de que a leitura só se realiza tarde demais para produzirmos a distância. O loop e o espaço nos meus vídeos e instalações repetir é esquecer o esquecimento Colar uma ponta de negativo a outra ponta. No cinema já havíamos visto o loop, mas a videoarte fez desta estratégia a sua forma. Em vídeo instalações de grande e pequeno formato vemos seguidamente o loop funcionar, seja como simples recomeço de uma narrativa, como arquitetura da imagem ou mesmo como modo de manter inalterado o que vemos. Gostaria de comentar o uso diferenciado dos loops em alguns dos meus vídeos e instalações como forma da duração, isto é, um tempo que se presentifica como experiência. O loop como forma de acesso Nas instalações interativas: Ondas: Um dia de nuvens vindas do mar (2006) e em Infinito fim (2008) é o espectador que ativa a mudança entre os dois loops projetados. Em Ondas o

19 visitante dispara o acúmulo de ondas no mar diante de si e em Infinito fim ele dispara a abertura de uma sucessão de portas que voltam a se fechar quando o espectador sai do espaço de interação. Nestes casos, o loop constitui um agente da arquitetura do trabalho. O loop como duração Meio cheio, meio vazio Vídeo 2009 Entorno água de uma jarra em um copo. O copo permanece sempre pela metade. Timeless Vídeo 2011 A areia do tempo da ampulheta cai nas duas direções. O movimento parado, quase-fotografia. O loop como imutável do tempo. O tempo que não passa com o movimento. Nestes trabalhos o movimento é uma forma que se atualiza como variação e não variação na duração e na repetição. Como duração a imagem se estende como um instante que permanece porque não passa nunca, insiste. O registro de uma ação em loop implica em ligar as bordas do tempo criando um infinito presente. Mas a imagem não é puro efeito, ela é o registro do que nela se pensa e o que se pensa é o que há na variação que não varia, ou o que varia na não variação, no paradoxo do tempo, da ação e do sentido. Como repetição registro o retorno do tempo. Há uma mudança que opera nos dois sentidos da ação. A imagem mostra a operação de ida e volta de uma ação ou alteração do estado de

20 um objeto. Com a repetição o fim é o começo e o começo o fim. Repetir faz ver o que há e não é visto. O que é fotografia nesta imagem? O instante como duração. O fluxo do tempo é expressão, o que passa não passa, porque o copo continua na mesma medida, nem mais nem menos da metade. E nós assistimos esta ampulheta que permanece a verter um tempo inexistente.

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