TÉCNICAS DE MOTIVAÇÃO APLICADAS A EMPRESAS

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1 TÉCNICAS DE MOTIVAÇÃO APLICADAS A EMPRESAS Rogéria Lopes Gularte 1 Resumo: No presente trabalho procuramos primeiramente definir o que é motivação, e como devemos nos comportar com as diferentes necessidades, de forma a identificar cada ser humano é único e independente. Relatamos algumas técnicas e teorias sobre a motivação, dando destaque para os teóricos Maslow, McClelland e Herzberg, como forma de detalhar o que cada teórico pensa sobre motivação, tanto na vida pessoal dos indivíduos, como na vida profissional que desenvolvem nas organizações. Concluímos o trabalho identificando a semelhança dos pensamentos desses teóricos, que com suas sabedorias e pesquisas puderam nos orientar e incentivar para a nossa motivação na realização deste trabalho. Palavras-chave: Motivação; Vida profissional; Organizações. Ao consultarmos o dicionário Aurélio encontramos o vocábulo motivação como sendo: "acto de motivar; exposição de motivos ou causas; conjunto de factores psicológicos, conscientes ou não, de ordem fisiológica, intelectual ou afectiva, que determinam um certo tipo de conduta em alguém." Mas não é em toda situação que devemos esperar a motivação surgir de algo externo. Ela pode apresentar-se como uma reação, por exemplo, ou ainda podemos pró-ativos, aquelas pessoas que têm habilidade de transformar as dificuldades em oportunidades, pessoas que sabem que a mudança, a qualidade só depende de nós mesmos. Podemos e devemos ser pessoas que fazem o que fazem por simplesmente encontrarem a realização, prazer no que fazem, e não fazer porque terão algo em troca. Pelo fato de estarmos expostos às freqüentes mudanças e grandes exigências, principalmente do mercado, a sociedade de hoje vive em torno de novas tecnologias e de novas tendências, fazendo com que a inovação e o conhecimento fiquem cada vez mais competitivos. De acordo com Stoner e Freeman (apud Cavalcanti, 2006) motivação refere-se aos fatores que provocam, canalizam e sustentam o comportamento de um indivíduo. Com isso percebemos que a motivação de cada ser humano é única e independente, pois depende de seus desejos, carências, ambições, apetites, amores, ódios e medos, e ainda que, essas atitudes são particulares e 1 Graduanda em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, na UCPeI, 6 semestre.

2 individuais. As pessoas são únicas e, por isso, há diferença no desempenho de cada uma. O comportamento de cada um pode ser visto como o resultado da necessidade do estado interno, que tem como objetivo suprir essas que fazem com que as pessoas tenham persistência em seus esforços para alcançar seus objetivos. Para que possamos prever, compreender e até influenciar no comportamento humano, devemos ter o conhecimento do "porquê" as pessoas fazem o que fazem, e isso somente conseguiremos através da compreensão do comportamento humano que se relaciona com a motivação. Como já foi dito, cada ser humano é diferente e único, portanto, ao analisarmos um ambiente empresarial, percebemos que há inúmeros comportamentos humanos, o que nos leva a ter uma maior atenção ao tratar das motivações de cada um. Para que haja um bom desempenho dentro das empresas, é importante saber lidar com a motivação de cada empregado, porém, certos princípios e teorias de motivação possibilitam uma maior compreensão e previsão das reações das pessoas ao desempenhar suas tarefas, apesar da singularidade dos seres humanos. Motivação é uma filosofia que deve ser emanada de cima e espalhada para toda a organização. Essa filosofia é descoberta sobre as necessidades e desejos de cada empregado e é a engrenagem criadora do ambiente de trabalho que o permite dedicar-se, como indivíduo, à tarefa de melhorar seu desempenho. Dizer que o meio externo não contribui para o comportamento humano pode ser uma afirmação um tanto complicada, pois é a partir dele, do meio externo, que podemos observar a forma como as pessoas reagem e atingem suas metas. Nas empresas os líderes devem criar motivos que tenham como objetivo incentivar os empregados a chegarem ao resultado desejado, à maneira que estes possam compreender que seus esforços contribuem para uma maior produtividade, e, com isso, a empresa ganha nas duas formas. Existem muitas técnicas que as empresas podem adotar para a motivação de seus funcionários, como a expansão de cargos e responsabilidades, ou ainda a iniciação de um programa de transferência e promoção planejada capaz de criar

3 horas flexíveis de trabalho. Além disso, existem outras teorias, como a de Maslow (in Cavalcanti, 2006), conhecida como uma das mais importantes teorias de motivação, onde o autor afirma que as necessidades dos seres humanos obedecem a uma escala de valores a serem transpostos. Isto significa que no momento em que o indivíduo realiza uma necessidade, surge outra em seu lugar, exigindo sempre que as pessoas busquem meios para satisfazê-la. Nenhuma pessoa procurará reconhecimento pessoal e status se suas necessidades básicas estiverem insatisfeitas. Ao termos como base a pirâmide das necessidades que cada indivíduo precisa, em sua base percebemos as necessidades fisiológicas, como respiração, fome, sede, sono. Logo acima, a necessidade de segurança, que envolve o senso de estabilidade e proteção contra danos físicos e emocionais. Acima, as necessidades sociais, incluindo interação social, afeição, companheirismo e amizade. A seguir, a necessidade de estima, como auto-respeito, amor-próprio, autonomia, status, reconhecimento, consideração. Por fim, no topo, a necessidade de auto-realização, envolvimento, crescimento pessoal, autosatisfação e realização do próprio potencial. Em relação às necessidades fisiológicas, o tipo de motivação que apresenta uma menor dificuldade em sua análise é aquele baseado em necessidades fisiológicas óbvias como fome, sede e fuga da dor. Esse tipo também inclui motivações poderosas para o sexo, cuidado com a prole e a curiosidade. Em humanos essas motivações básicas são modificadas e mediadas através de influências sociais e culturais de vários tipos, como exemplo desordens de alimentação como a bulimia e a obesidade. Quando as necessidades fisiológicas estão razoavelmente satisfeitas, as necessidades localizadas no nível imediatamente superior, identificadas como necessidades de segurança, começam a dominar o comportamento do homem. São necessidades de proteção contra o perigo, ameaça e privação. Algumas pessoas erroneamente se referem a elas como necessidade de proteção, o que na verdade pode ser entendido como a necessidade de se ter melhores oportunidades, pois quando se confia nessa oportunidade, tem-se uma prédisposição a correr riscos, mas quando se sente tem o sentimento de ameaçada

4 ou de dependência, a necessidade é a de garantia de proteção. As necessidades de segurança podem ter grande influência no ambiente empresarial, pois todo empregado está em relação de dependência. Ações administrativas arbitrárias, comportamentos que provoquem, ou que reflitam favoritismo ou discriminação, bem como política administrativa imprevisível, podem ser poderosos motivadores de necessidade de segurança nas relações de emprego em todos os níveis, desde o operário até o vice-presidente. No momento que as necessidades fisiológicas do homem estão satisfeitas e ele não está mais temeroso pelo seu bem-estar, são suas necessidades sociais que se tornam importantes como fatores de motivação de seu comportamento: de necessidades de participação, de associação, de aceitação, de troca de amizade e de afeto. Quando as necessidades sociais do homem são contrariadas - e, talvez, também suas necessidades de segurança -, ele comporta-se de maneira a impedir que sejam atingidos os objetivos da organização. Torna-se resistente, antagônico hostil, no entanto, esse comportamento é um fator de conseqüência e não de causa. As necessidades relacionadas com auto-avaliação e auto-estima dos indivíduos são contextualizadas como necessidades de estima. A satisfação destas necessidades conduz a sentimentos de autoconfiança, auto-apreciação, reputação, reconhecimento, amor-próprio, prestígio, status, valor, poder, capacidade e utilidade. Como forma de atender as estas necessidades o empregador pode fazer elogios, gerar incentivos em forma de prêmios e promoções. Ao contrário, quando essas necessidades de auto estima não são satisfeitas, despertam a frustração, capaz de produzir sentimentos de inferioridade, fraqueza e desamparo. Necessidades de auto-realização são as necessidades relacionadas ao desejo de cumprir a tendência que cada indivíduo tem de realizar o seu potencial, seu desenvolvimento próprio ou seu crescimento. Neste sentido, o empregador pode dar tarefas desafiantes e trabalho criativo para seu desenvolvimento como forma de contribuição para que essas necessidades sejam supridas Essa tendência geralmente se expressa através do desejo de se tornar mais do que é,

5 e ainda, de vir a ser tudo aquilo que se pode ser, relacionada com a plena realização daquilo que cada um tem de potencial e de virtual, da utilização plena dos talentos individuais. É de nosso conhecimento que a hierarquia dessas necessidades não são rígidas, pois para cada pessoa a necessidade é diferente, e isso é o resultado das ações externas que contribuem e que afetam a forma como cada indivíduo reage, ou se manifesta. Maslow (in Cavalcanti, 2006) tráz exemplos de como as organizações ou empresas podem satisfazer as necessidades de seus empregados. Em relação às necessidades fisiológicas ele coloca como ferramenta a potencialização de condições agradáveis de trabalho; salário e benefícios. Nas necessidades de segurança, ele propõe a divulgação do desencadeamento do plano de carreira dentro da organização; segurança no emprego e seguro-saúde, além dos planos de aposentadoria. Reuniões sociais fora da organização; possibilidade de atividades sociais e esportivas e organização do trabalho de modo a permitir interação com os colegas são formas que o autor apresenta para se satisfazer as necessidades sociais. Enquanto que reconhecimento pelo bom desempenho, como, por exemplo, promoções, condecorações, emprego do mês; trabalho que valorize a identidade pessoal e criação de cargos que permitam realização, autonomia, responsabilidade e controle pessoal são aplicadas no auxílio às necessidades de estima. Na esfera da auto-realização, uma das formas do empregador auxiliar para sua satisfação é contribuir para que o trabalho se torne uma das principais dimensões de expressão da vida do empregado e o encorajamento ao completo comprometimento do empregado. Outras teorias como a Teoria das necessidades socialmente adquiridas de McClelland (in Cavalcanti, 2006), explicam certas necessidades, Para este autor existem três tipos de necessidade, a realização, a afiliação e o poder. A realização refere-se à necessidade de superar desafios e atingir metas; enquanto que a afiliação, às necessidades sociais de relacionamento e pertencimento; e por fim, o poder, à necessidade de influenciar pessoas e situações.

6 Como podemos observar as teorias de Maslow e McClelland (in Cavalcanti, 2006), acabam por se completarem, visto que um promove maior detalhamento das necessidades e de suas motivações que o outro. No entanto, suas conclusões acabam sendo similares, sempre respeitando as diferenças de cada indivíduo e observando as influências que cada um tem com o meio externo. Assim como Maslow e McClelland, outro teórico, Herzberg (in Cavalcanti, 2006) também apresenta sua pesquisa sobre a motivação de funcionários dentro das empresas. Sua teoria é a motivação-higiene, na qual através de suas conclusões pode-se observar uma grande articulação à teoria de Maslow. Para Herzberg um bom ambiente de trabalho vai de um simples bebedouro funcionando até um líder bem humorado e hostil. Os líderes devem identificar as necessidades que são importantes para cada pessoa, para cada funcionário e tentar combinar as recompensas disponíveis com essas necessidades, ou seja, para cada indivíduo uma forma de motivação. Tanto técnicas como teóricos apresentado, contribuem para que façamos uma reflexão sobre nossas próprias motivações, pois dizer para as pessoas serem motivadas de tal forma, ou que os líderes devem motivar a sua equipe de determinada maneira é fácil. No entanto, ao refletimos e buscamos nossa própria motivação, notamos a dificuldade de ser uma pessoa motivada, não bastando apenas ter por perto pessoas, líderes preparados para incentivar essa motivação, mas sim termos a necessidade de estarmos pré-dispostos a nos tornarmos pessoas que busquem através da motivação a realização pessoal, pois acreditamos que quando estamos bem internamente, a realização para outras ou necessidades transforma-se em algo natural e surpreendente. CONSIDERAÇÕES FINAIS A motivação é, sem dúvida, o que leva o ser humano a se comportar de maneiras específicas e diretamente ligadas às suas necessidades, sejam estas em nível fisiológico e ou cognitivo, o que torna o motivo um tanto complexo, subjetivo e diretamente ligado a personalidade de cada indivíduo. Sendo assim, as ações humanas estão relacionadas aos motivos, explicando que motivação é

7 que nos leva à ação. Seja qual for a definição dada à motivação não se pode deixar de estudar sua aplicabilidade no comportamento humano, principalmente nos níveis sociais e nas organizações. O potencial de cada funcionário dentro de uma empresa depende, em grande parte, da motivação que ele tem. Funcionários que trabalham somente por pressão ou insatisfeitos com seus empregos estão condenados a não utilizarem todo o seu potencial, ao invés daquele que trabalha em busca de seu constante aperfeiçoamento. A motivação é algo que cada indivíduo possui por si mesmo, através do ambiente onde estão inseridos e que assim influenciam o seu comportamento, propiciando um desenvolvimento. A pirâmide de Maslow é um exemplo nítido da classificação das necessidades de um ser humano, desde as fisiológicas até as de auto-realização. Ele deve ser constantemente estimulado a fazer, ou não, algo através do qual cada vez mais se sinta impulsionado a atingir níveis superiores de suas necessidades. Os funcionários são motivados com base no conteúdo de seus empregos e no que executam. A motivação é um tema atual e constante em várias áreas de conhecimento, como na psicologia ou ainda na administração, pois ambas trabalham juntas no sentido de ajudar o ser humano a subir de forma gradativa em seus níveis de necessidades, chegando ao objetivo do nível de autorealização, proporcionando assim, um possível estado de satisfação. Levando-se em conta ainda que, quando tais necessidades inexistem, ou seja, quando são satisfeitas, novas necessidades surgem, contribuindo e impulsionando cada indivíduo em sua jornada de vida. Fica evidente a importância da teoria de Herzberg que explica o comportamento no trabalho dos indivíduos em relação aos fatores motivacionais. De forma que podemos perceber que, ao serem supridas as necessidades dos funcionários, torna-se evidente uma recompensa duplicada, pois ao ter reconhecimento do seu trabalho, o indivíduo estará realizado também em seu contexto pessoal, proporcionando o bom andamento e sucesso da organização, e, com isso, seu desempenho acabará por garantir uma maior produtividade, bem

8 como gerar ganhos para a organização. Referências Biblliográficas: CAVALCANTI, Vera Lucia; CARPILOVSKY, Marcelo; LUND, Myrian; LAGO, Regina Arezynska. Liderança e Motivação. FGV Editora, CHIAVENATO, Idalberto. Administração de empresas._3.ed. São Paulo: Makron, p MEGGINSON, Leon C., MOSLEY, Donald C., PIETRI, Paul H. Jr., Administração: Conceitos e Aplicações, 4a ed., São Paulo, Harbra, 1998.

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