COMBINADOS, COMPORTAMENTO E REGRAS DE CONVIVÊNCIA : O PROCESSO DE CIVILIDADE PARA CRIAÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

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1 COMBINADOS, COMPORTAMENTO E REGRAS DE CONVIVÊNCIA : O PROCESSO DE CIVILIDADE PARA CRIAÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL Orientanda: Daniéle de Matos Machado Orientadora: Prof.ª Dr.ª Magda Sarat Co-orientadora: Prof.ª Ms. Eliana Maria Ferreira Universidade Federal da Grande Dourados UFGD RESUMO Este painel constitui-se do plano de trabalho de Iniciação Científica, o qual pretende investigar o modo como estão sendo construídas e trabalhadas as regras e normas de comportamentos que estão presentes em todos os momentos na instituição de Educação Infantil sendo que o cotidiano de adultos e crianças está regulado por estes chamados combinados, estas proposições dentro da instituição. Nos fundamentaremos em estudos de Norbert Elias, em sua obra principal O Processo Civilizador que pesquisou os manuais de civilidade que normatizaram os comportamentos para a sociedade ocidental. O objetivo é perceber a presença do adulto e das crianças na geração das posturas e comportamentos das crianças na instituição escolar. Faremos uma investigação a princípio de cunho bibliográfico para compreender os conceitos de processo civilizador e os manuais de civilidade na obra de Norbert Elias, e também buscaremos a possibilidade de observar algumas instituições de Educação Infantil, especialmente no início do ano letivo para compreender como estão sendo construídos os combinados, considerando a participação de crianças e adultos na organização cotidiana. PALAVRAS-CHAVE: 1)Processo Civilizador 2) Adultos e crianças 3) Educação Infantil INTRODUÇÃO Quando passamos a refletir sobre a temática bons modos e regras de convivência na educação infantil, podemos dizer que existe um direcionamento do adulto, no intuito de moldar posturas e normatizar os comportamentos das crianças. A presença do adulto tentando garantir a ordem é muito freqüente. Sendo assim, nossa indagação nesta pesquisa nos aproxima do pensamento de Norbert Elias, principalmente com relação aos manuais de civilidade e ao "processo civilizador" que fomentou sua obra mais importante, e foi investigada empiricamente em manuais que normatizaram o comportamento social desde o século XI até meados do século XVII na Modernidade. Procurando aspecto desta discussão apresentamos um fragmento da dissertação de

2 Ferreira 1, 2012, no qual a questão de normas e regras está presente, compondo seu diário de campo. "No quadro estão fixados os combinados [1], cada qual trás uma ilustração de desenhos da Disney e as seguintes frases: respeitar e obedecer a professora ; manter a escola sempre limpa ; nunca brigar com os coleguinhas ; não riscar ou sujar as paredes da escola ; prestar atenção às aulas ; cuidar do material escolar ; estar feliz e sorridente ; cantar e dançar ; merendar ; pintar e fazer arte ; brincar e fazer novos amigos e fazer todas atividades com atenção e carinho. [1] Regras ou acordos que devem ser construídas no coletivo como forma de criar e manter um convívio harmonioso. (p ) Partindo deste fragmento, o presente trabalho pretende trazer uma discussão a partir dos estudos de Elias, e de autores associados, como: Kishimoto (2010), Corsaro (2005, 2009), Delgado (2008) Veiga (2007), Sarat (2001, 2009) Kuhlmann, M Jr ( ) Faria, Demartini & Prado (2005) entre outros, a respeito de como são construídas e tratadas por adultos e crianças as normas e regras de convivência dentro da instituição de educação infantil. Nos perguntamos de que modo as crianças participam da construção das regras que normatizam seu comportamento cotidiano, e como estão presentes em sua educação formal. Isso também nos leva a pensar que a crianças, mesmo pequena, sabe muitas coisas, toma decisões, escolhe o que quer fazer, interage com as pessoas, expressa o que sabe fazer e mostra em seus gestos, em um olhar, um uma palavra, como é capaz e compreende o mundo. (KISHIMOTO, 2010, p. 01). A afirmação da autora leva-nos a refletir sobre o comportamento das crianças frente aos adultos, considerando que a maioria das vezes, não é levado em conta aquilo que ela sabe, ou seja as decisões são tomadas de cima para baixo, e não são mediadas o que geraria um convite à participação das crianças na tomada de decisões. Este olhar para a educação infantil nos remete ainda a uma concepção da formação dos profissionais que atuam com crianças pequenas No interior da instituição, a criança se depara e convive com inúmeras formas de relacionamento pessoal e em grande medida essa convivência não é pacifica e na qual existem comportamentos esperados por ambas as partes. Tais expectativas estão presentes, pois a criança é um indivíduo em formação e como aponta Elias ela precisa 1 Este fragmento integra uma investigação concluída e realizada com crianças de três a quatro anos que resultou na dissertação de mestrado Você parece criança! Os espaços de participação das crianças na prática educativa, produzida no PPGEdu UFGD, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Magda Sarat.

3 ser adaptada pelo outro, precisa da sociedade para se tornar fisicamente adulta (1994, p. 30, grifo do autor), essa necessidade de adaptação em grande medida não leva em consideração o protagonismo infantil e torna-se um processo no qual o adulto esta sempre em posição privilegiada na relação de poder Entretanto podemos pensar formas para que as crianças possam participar e interferir no espaço educativo (FERREIRA, 2012), oportunizando a imaginação e a ludicidade para que ocorra mesmo nos aspectos que tratam dos comportamentos e das atitudes das crianças em relação aos adultos, seria interessante que as próprias crianças participassem destes espaços, de modo a que tivessem formação de crianças civilizadas. Neste contexto, estes estudos estarão pautados nas relações entre adultos e criança no tocante aos aspectos de pensar os modos de civilidade, os processo de controle e autocontrole, os processos formais e não formais da educação dos pequenos. Pois as crianças vivem um cotidiano representado por normas e costumes já adquiridos historicamente e constituído pela formação de cada grupo social. Esta investigação buscará a luz das teorias, compreender como este processo de normatização dos comportamentos é encontrado no interior da instituição de educação infantil, representado pelo conjunto de regras normas e combinados que são experimentados por adultos e crianças que convivem cotidianamente em um processo civilizacional na instituição. OBJETIVOS E METODOLOGIA Os objetivos do trabalho são: Compreender a luz da teoria elisiana de que modos as regras, e comportamentos das crianças são construídos e normatizados na Educação Infantil; Refletir sobre a participação de crianças e adultos na confecção das regras e normas dos chamados combinados na Educação Infantil; Verificar o protagonismo e a participação das crianças nos processos de normatização dos comportamentos impostos e esperados na instituição de Educação Infantil. Pretenderemos a partir do fragmento da dissertação, discutiremos os chamados combinados na Ed Infantil. Realizaremos um estudo bibliográfico com autores conforme citados anteriormente e ainda THOMPSON (1998), FERREIRA (2012), OLIVEIRA & SARAT (2009), CORSARO (2003), KISHIMOTO (2010) que discutem

4 a participação e o protagonismo da criança representado por pesquisas que valorizam e discutem a participação dos pequenos na sua educação. Faremos a luz dos estudos de Norbert Elias uma discussão a respeito de que modo os manuais de civilidade ajudaram a construir o processo de civilidade social e de que maneira esses manuais atuais, que podemos chamar de combinados normatizam e regulam o comportamento das crianças, imprimindo questões como controle e auto- controle das emoções nos pequenos. A primeira perspectiva é de um estudo bibliográfico fazendo um levantamento acerca de trabalhos que discutem os conceitos de processo civilizador, manuais de civilidade de Norbert Elias, participação da criança e protagonismo infantil. Porém não descartamos a possibilidade de realizar uma pesquisa empírica para observar, no início do ano letivo nas instituições, como adultos e crianças constroem e organizam os combinados, que deverão normatizar o cotidiano no restante do ano. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOSTINHO, Kátia A. O espaço da creche: que lugar é esse?. Florianópolis, SC. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, BATISTA, Rosa. A rotina no dia-a-dia da creche: entre o proposto e o vivido. Florianópolis, SC. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, CECCHIN, C. & CUNHA, M. T. S. Tenha Modos! Educação e Sociabilidades em Manuais de Civilidade e etiqueta ( ). X Simpósio Internacional Processo Civilizador. Campinas, SP. Abril de 2007 CORSARO, William A. Entrada no campo, aceitação e natureza da participação nos estudos etnográficos com crianças pequenas. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p , Maio/Ago Métodos etnográficos no estudo da cultura de pares e transição iniciais na vida das crianças. In: MULLER, Fernanda e CARVALHO, Ana Maria Almeida. (Orgs.). Teoria e prática na pesquisa com crianças. São Paulo: Cortez, 2009, p DELGADO, Ana Cristina Coll. MÜLLER, Fernanda. Abordagens etnográficas nas pesquisas com crianças. In: CRUZ, Silvia Helena Vieira. (Org.). A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. São Paulo: Cortez, 2008, p Sociologia da infância: pesquisa com crianças. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p , Maio/Ago ELIAS. Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, ELIAS, N. O processo civilizador Ed. Formação do estado e civilização. v. II. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, ELIAS, N. O processo civilizador.uma história dos costumes.v. I Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

5 FERREIRA, E. M. Você parece criança! Os espaços de participação das crianças na prática educativa. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal da Grande Dourados, FARIA, A G de; DERMARTINI, Z de B F; PRADO, P D (Org.) Por uma cultura da infância: metodologias de pesquisa com crianças. Campinas, S.P. Autores associados, KUHLMANN JR., Moysés. Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica. Porto Alegre: Mediação, Educando a infância brasileira. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira. FILHO, Luciano Mendes de Faria. VEIGA, Cynthia Greive. (Orgs.) 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 3ª edição, KISHIMOTO, T. M. Brinquedos na Educação Infantil. Disponível em: Acesso em: 23/04/2012 SARAT, M. Formação Profissional e Educação Infantil: uma história de contrastes. Revista Guairacá. Universidade Estadual do Centro- Oeste. Nº 17. OLIVEIRA, L. & SARAT, M. Educação Infantil: história e gestão educacional. Dourados, MS: Editora da UFGD, PILLA, M. C. B. A. Manuais de Civilidade, Modelos de Civilização. In: História em Revista. Vol. 9. Núcleo de Documentação Histórica. Instituto de Ciências Humanas. Universidade Federal de Pelotas. Dezembro ROSSETTI-FERREIRA, Maria Clotilde et alii ( orgs.). Os Fazeres na Educação Infantil. 11ª. Ed. Revista ampliada. São Paulo: Cortez Editora THOMPSON, P. A voz do passado: História Oral. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.

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