Bom dia, Eduardo. Como foi no Maracanã ontem? tentei mostrar interesse.

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1 A vida nasceu de um ato de desobediência. Esta é a verdadeira força do mito bíblico de Eva. Este é o meu nome e a minha sina. O poder de criação e destruição na minha história. Desde a infância, quando realizei uma cirurgia reparadora na boneca nova e cara que acabara de ganhar troquei os seus olhos por bolas de gude azuis para que se parecessem com os meus ou quando fui reprovada no catecismo e me negaram a comunhão ao confessar para o padre, na véspera, que não acreditava em Deus, despertei a ira de meus pais e a desconfiança das mães das minhas amigas. Suas filhas foram aconselhadas a manter uma distância prudente, pois eu já carregava a marca da ovelha que teima em frequentar pastagens proibidas. Alguns herdam casas, joias, objetos de arte ou até mesmo dívidas. Meu legado foi um comportamento atávico dádiva e maldição. Como tudo o mais na vida, o mal e o bem estão travestidos, ocultos em si, à espera de serem manipulados para, então, se revelarem. Nada do que reluz é luz. Não se troca o Éden pelo Rio de Janeiro impunemente. Mas pode haver local mais fértil para se viver e deixar florescer o que de pior existe em você? E depois se transmutar. Só então se dá o encontro. No Paraíso, não há a viagem derradeira de uma vida. É apenas o início da linha, sem jornada ou conhecimento. E um péssimo lugar para uma boa festa. CAPÍTULO 1 Acordei com o despertador. O barulho do tráfego na esquina da Professor Gabizo com a Haddock Lobo ainda era baixo. Estava levemente enjoada. A visão do prato com raspas da torta de chocolate na mesa de cabeceira intensificou o malestar. Mas não deixei a campainha eletrônica do pequeno relógio digital estragar meu bom humor, apesar de amaldiçoá-lo por sua pontualidade. Nunca gostei de levantar cedo. Ao menos, despertei só. Sempre adorei deitar acompanhada, mas dormir é diferente, é um prazer solitário. Ainda na cama espreguicei-me até ouvir todos os ossos se acomodarem. Passei suavemente as mãos nos seios inchados, cujos bicos estavam levemente doloridos. Grávida. Bem, na verdade, desconfiava dessa possibilidade. Minha menstruação, que apontava com a mesma determinação do maldito despertador, parecia de férias. O atraso de dez dias apenas vinha sentenciar o recado que meu corpo já sinalizara. Pela janela pude observar a entrada da Baía da Guanabara com o Pão de Açúcar, impávido, na figura de sua fiel sentinela. Como avistá-los do quarto andar na fronteira entre a Tijuca e o Estácio? Na total ausência de algo realmente interessante para ser visto nesse pedaço esquecido da cidade e na vã tentativa de atenuar o ruído intenso dos carros, além do calor, vivia de janelas fechadas e ar-condicionado ligado. Um quadro do Peticov estilizando o melhor postal do Rio, pendurado na sala, tentava dar ao apartamento um pouco de falsa beleza, como o vermelho berrante do batom na boca de uma mulher mal-amada. Era a janela inventada. A vida que continuasse suja lá fora. O apartamento era num edifício antigo e sem garagem, porém espaçoso. A arquitetura moderna, com piscina, playground, rol de baboseiras e varandas que apenas servem de enfeite, não me encantam. Irrita-me a ideia de bucolismo em jardim de concreto com vista total para o cinza. Coisas do ser urbano e sua eterna vontade de enfiar os pés na terra, da qual tem nojo. Há outras camuflagens como sala de ginástica e salão de festas. Caso seu prédio tenha salão para festas, significa que não cabem visitas no seu apartamento. Hoje você encontra unidades de quatro quartos com quase a mesma metragem de um bom dois quartos de cinquenta anos atrás. Dizem as construtoras que são os novos conceitos de morar bem o que não deve fazer nenhum sentido para quem rala o dia inteiro e só aparece em casa para dormir ou para a família se certificar de que o infeliz continua vivo.

2 Era o meu último dia ali. Casamento marcado, mudança para apartamento novo, pouco maior que um ovo, de cozinha conjugada com a sala vendida pelo sugestivo nome de flat gourmet, em bairro chique, com os móveis escolhidos por decorador. Só precisava levar algumas poucas roupas e objetos pessoais, já encaixotados. Acabara de sair do banho e ainda me arrumava, quando o interfone tocou. Na cozinha ironicamente quase do tamanho do apartamento novo na Barra, a máquina de fazer café borbulhava suas últimas gotas. O enjoo que não me abandonava e vinha diminuindo meu apetite não conseguira modificar os vícios. Café de dia, chocolate à noite. O porteiro avisou que os carregadores da empresa de mudanças estavam subindo. Ao celular meu noivo me chamava. Bom dia! ele desejou carinhoso do outro lado da linha. Bom dia, Eduardo. Como foi no Maracanã ontem? tentei mostrar interesse. Você não assistiu na TV? Dormi cedo, eu estava muito cansada menti. Nunca gostei de futebol; além do quê, na noite passada, minha atenção estava voltada para outros interesses. Demos um sapeca iaiá no Flamengo falou eufórico. Sério? Quer dizer que o Botafogo ganhou? mantive uma coerência infantil. Mais do que isso. Estamos a um passo de sermos campeões. Hoje no banco o pessoal vai ter que me aturar vibrou. E como está no trabalho? Tranquilo. Sabe o Garcia? O seu supervisor? Ele mesmo. Pediu apenas para que eu deixe o celular ligado no fim de semana caso dê um tilt no sistema. Ele pediu que você fique de stand-by na lua de mel? Ossos do ofício. Sinal que confiam em mim. Ou que sugam você? Quando você vai aprender a dizer não? Calma, nervosinha! Há muito tempo não temos um problema sério de manutenção ou invasão do sistema operacional do banco. A propósito, tudo pronto para o casório? desconversou. Falei ontem com meus pais. Eles estão empolgadíssimos. Nós casaríamos em Vassouras, uma bela cidadezinha encravada nos confins do Estado do Rio, onde meus pais moravam e organizavam a festa na igreja da Matriz. Você vai mudar, mesmo, hoje? ele quis confirmar. A campainha tocou.

3 Vou. Aliás, os caras da mudança acabaram de bater na porta. Eu estava saindo do banho quando você ligou e ainda estou pelada. Sem problemas. Depois nos falamos. Te amo. Eu também me despedi. Eduardo se mudaria para o apartamento novo da Barra apenas após a cerimônia. Ele era um cara tranquilo e não era feio. Magro, alto e culto. Tarado por games e pelo Botafogo, tinha uma relação com os pais que beirava a acomodação. Era uma pessoa agradável de se conviver e a excessiva proteção, talvez por ser filho único, o tornara um pouco frágil para o meu gosto. Com o tempo, eu faria esse caldo engrossar. Apliquei apenas lápis preto no contorno dos olhos para realçar. Nunca gostei de maquiagem. Os cabelos lisos e compridos eram da cor de mel e não necessitavam de maiores cuidados além de um bom xampu e algumas escovadas. A natureza não me presenteou com uma boa estatura, contudo compensou com belas formas, contornos sinuosos, seios pequenos, bunda saliente e pernas torneadas. O reverso de uma manequim (daí meu sucesso com os homens). A pele clara, bem clara, a ponto de destacar os rios esverdeados e os riachos vermelhecidos, notadamente nos braços, parte interior das pernas e nos seios, desaguando nos bicos. Todos diziam que eu irradiava uma vontade de viver típica daqueles que acreditam que o melhor está por vir. Talvez fizesse sentido. Talvez fosse meu pior erro e melhor acerto. Escolhi um vestido verde-água que valorizava as curvas sem ser indecente. Tecido e corte ajudavam a combater o calor, e o tom pastel dava a impressão de alongar meu corpo. Pequenos truques femininos. Lembrei daqueles homens elegantíssimos com seus ternos alinhados, ainda não alforriados pela ideologia colonial, ansiosos por um ambiente refrigerado no infernal verão carioca. Como se um lorde inglês tivesse descido de sua nau no aeroporto errado. Pode existir alguma coisa mais sem sentido? Pode. São os ternos baratos e escuros feitos em série e vendidos a quilo para seguranças, porteiros ou motoristas, resultando numa tropa mal-ajambrada, sofrida e anacrônica confiscando a elegância que deve ser simples, criativa e sensata. Por que deixamos os imbecis continuarem a dar as ordens? Lembra das camisas estampadas do Mandela no meio da cúpula dos demais presidentes? Todos os outros devidamente engravatados, claro. Aula de elegância, atitude e História, um verdadeiro príncipe. Uma imagem dissonante e autêntica. Pena que a maioria esqueceu. Sem dúvida, os homens ainda não se deram conta, e não só nesse aspecto, mas as mulheres colocaram alguns corpos de vantagem e, se eles não abrirem os olhos no disco final, não será necessário o fotochart. Sempre ostentaram os títulos e se cobriram de glória, fama e infartos; a nós coube o usufruto e as delícias da vida e do poder. Grandes truques femininos. Antes de sair dei uma última olhada para ver se não tinha esquecido nada. Achei graça quando vi a cueca esquecida de um estagiário do departamento de Engenharia da empresa em que eu era contadora sênior. Eu o tinha enxotado no meio da noite após uma sessão gostosa de sexo vadio. Ninguém manda em mim repetia como mantra e brincadeira. O casamento e a gravidez? Procuro não pensar muito e sigo. Desobediência e caos estão tatuados na minha alma. Depois que o caminhão da mudança partiu, deixei a chave na portaria conforme havia acertado com o senhorio. Tinha morado ali desde que cheguei de Vassouras para fazer o MBA e trabalhar. Caminhei mais lento do que de costume até a estação do metrô da Afonso Pena. Avistei o seu Alexandre, dono da loja de aviamentos; o Josenildo do botequim, que fazia questão que bebericasse um cafezinho fresco, todos os dias, antes de seguir para o trabalho; a dona Beatriz, uma simpática portuguesa, proprietária da mercearia, onde ainda se

4 podia comprar fiado, anotando no caderninho tática de guerrilha contra o poderio absoluto das grandes redes de supermercados ; e o Aluízio, bicheiro que fazia ponto debaixo de uma amendoeira em frente ao bar. Comentava-se que a segurança do jogo impedia assaltos na redondeza como maneira de não atrair a polícia. Talvez fosse lenda urbana, mas confesso que me dava tranquilidade. Cumprimentei a todos com olhar de despedida. Senti uma nostalgia antecipada, mas sabia que amanhã já não teria saudades. Cinco estações depois, desci no Largo da Carioca e me dirigi para o prédio da Construtora Antuérpia na Avenida Rio Branco. Em oito anos, subi cada degrau da escala hierárquica até substituir interinamente o tesoureiro-geral que adoecera. Como eu tinha sido sua principal assistente durante algum tempo, não tive a menor dificuldade em assumir o seu lugar. Toda a movimentação financeira, que não era pouca, uma vez que a Antuérpia se agigantara com grandes obras governamentais, passava por mim. Fiquei responsável, inclusive, pelo confidencial caixa dois, destinado a pagamento de políticos e lobistas, além de concorrer para a sonegação fiscal que tanto beneficiava o poderoso Serafim Lisboa, presidente da empreiteira. Embora de caráter sigiloso, isso era tratado de forma corriqueira pelos membros da diretoria, como se fosse um mal necessário. Sempre naveguei pelo lado obscuro da vida empresarial com tranquilidade. Não estou disposta a ser o chicote do mundo, tampouco preciso de esforço para entender a justificativa de se pagar o imposto pela menor: carga tributária alta e recursos mal aplicados. Quem quiser um mundo melhor que construa outro para si. Eu estou satisfeita e sempre soube me virar neste que conheço. Cada um tem o que merece. Só não aceito reclamações. Nove em dez pessoas estariam satisfeitas em meu lugar. Maldita flor do desejo que embriaga e furta o senso virtuoso me disse certa vez um monge budista. O desejo é a fonte de todos os nossos sofrimentos, pois criam expectativas sempre crescentes que logo não se materializarão explicou com sua paciência que parecia infinita. Sorri por educação, pois como a minha sempre foi curta, tive vontade de mandá-lo enfiar o tal do nirvana em local quente e escuro. Nada melhor do que conquistar seu objeto de desejo. Sexo, dinheiro, poder, beleza ou um simples gosto de goiaba. O desejo é a mola mestra da raça humana. O que se compara ao prazer da conquista? E que fiquem claras as regras: não há vencedor sem vítima. Sublimação da alma é coisa para anjos. Que Deus, caso exista, me perdoe, pois prazeres físicos e materiais me interessam. E muito. Notas fiscais frias e contabilidade adulterada são-me comuns como escovas de dente. Hipócritas à parte, a derrama é tão impopular que na intimidade ninguém censura a sonegação e, salvo a impossibilidade ou o medo de ser apanhado, poucos lhe viram às costas. Eu não estava sendo enganada, conhecia o jogo jogado e sabia que era parte importante da engrenagem do crime que enriquecia ainda mais todos aqueles pilantras. Assim, não foi difícil eu me convencer que também deveria lucrar com a prática, independentemente do salário que recebia como funcionária, ainda que à revelia do patrão. Há alguns meses, fazia com ele o mesmo que ele me orientava a realizar perante o Fisco. Uma mão lava a outra. Assim pude entregar ao Eduardo o cheque com metade do valor do apartamento novo da Barra, bancar os móveis de grife, pagar a Hilux à vista e me mimar com algumas joias caras como a gargantilha toda em ouro, pastiche de um colar indígena com dezenas de pequenas penas esculpidas com perfeição irritante, que usaria no casamento.

5 Desde o hall até a minha sala no vigésimo andar, recebi com satisfação os olhares e cumprimentos dirigidos com deferência e respeito. Logo minha secretária trouxe a correspondência e o expediente. Em separado me entregou o envelope com o exame laboratorial que eu tinha feito no dia anterior. Ela, com um sorriso cúmplice de quem quer angariar simpatia, fez menção em esperar que eu o abrisse. Um olhar de censura foi minha resposta rápida e imediatamente codificada. Ela pediu licença e girou nos calcanhares. Merda amaldiçoei o resultado. Positivo. Estranhamente a sensação me foi ambivalente. Não era hora de engravidar, ia casar naquela semana, estava ganhando dinheiro como nunca, tinha planos de viajar bastante e, claro, tinha uma relação do tamanho da lista que levava para a feira dos possíveis candidatos a pai. Não era o melhor momento para ter um filho. Por outro lado, sempre desejei muito ser mãe. Uma vontade visceral, borbulhante nas entranhas da maioria das mulheres, capazes de amar seus rebentos antes mesmo do nascimento. É esta uma necessidade inexplicável, o poder de ver além dos olhos e dos fatos, pois ama o que ainda não conhece. A pedra de toque da vida. Será que é isso que traz o dom da intuição? Possivelmente seja essa a maior diferença para com os homens. Neles, ao contrário, essa paixão com os filhos é sensorial, nascida do contato e do tato, da convivência, o que lhes reduz a capacidade de entendimento. Desejam apenas o que veem. Falta o costume de sentir o que não pode ser transformado em equação. Negam-se um sentido. Será o presente de casamento que darei ao Eduardo disse para mim, não sem sorrir da minha própria malícia. Resolvi que somente lhe contaria na noite de núpcias. Ele era um homem dócil e não tive dúvida de que ficaria feliz com a novidade. A minha secretária entrou sem avisar, o que não era comum. O seu olhar denunciava o susto. O doutor Serafim quer vê-la na sala de reuniões? A que horas? Agora respondeu com os olhos arregalados. Serafim Lisboa não era homem de chamar os funcionários sem motivo relevante. As reuniões eram raras e previamente agendadas. Em geral ele costumava tratar tudo com dois assessores de absoluta confiança e quando se dirigia a outro empregado suas ordens e orientações nunca eram por escrito. Subi um andar e me encaminhei para a sala de reuniões. Senti um frio desagradável na barriga quando vi que não havia qualquer outro membro da diretoria. Apenas dois seguranças. Aguardei por mil anos. Quando pensei em ir ao banheiro a porta foi escancarada com violência. O poderoso Serafim Lisboa entrou acompanhado do seu advogado de confiança, que eu sabia apenas se chamar Bruno e de seu Pedro, o tesoureiro convalescente, responsável pelo cofre da construtora desde que era chamado de guarda-livros, que me lançou um olhar de piedade. Todos vestiam ternos escuros e tinham os cabelos curtos e bem cortados. Os do tesoureiro eram brancos. Bruno devia ter uns trinta anos, um pouco mais novo do que eu, enquanto o Serafim já deveria ter vivido quase meio século. Você foi burra e gananciosa. Se tivesse desviado pequenas quantias talvez nós nunca percebêssemos. Poderia ter feito pela vida toda vociferou o presidente bem ao seu estilo, sem se preocupar em perguntar se eu teria algo a alegar ou explicações a dar. Ele já tinha sentenciado a questão. Serafim Lisboa era alto e forte, com a pele sempre bronzeada, mesmo no inverno, privilégio de

6 quem pode buscar o sol disponível nos fins de semana em qualquer parte do planeta, e um olhar inteligente e mortífero, como uma ave de rapina. Não estou entendendo tentei esboçar falsa inocência. Quero todo o meu dinheiro de volta, até o último centavo, sua... Dinheiro? interrompi simulando algum espanto perante a situação. Aquele que você me roubou. Eu quero tudo até o último níquel. O barulho da mão espalmada de Serafim batendo forte na mesa, após falar, surtiu efeito e me assustou. Tentei não transparecer. O velho Pedro interveio de forma quase didática O Serafim pediu que eu desse uma olhada nas suas contas. Você sabe que estou aqui desde o tempo em que a Antuérpia era dirigida pelo pai dele. Conheço a contabilidade dessa firma em detalhes. Você vem desviando dinheiro para sua conta e a do seu noivo, certo? esclareceu o tesoureiro com sua voz pausada e fraca, quase inaudível. Falou com a certeza de quem domina o ofício. Fechei os olhos de vergonha, eu tinha sido pega e era inútil prolongar o drama. O material que reunimos é suficiente para colocar você e seu namorado na cadeia por um bom tempo ameaçou Serafim. O Eduardo? me surpreendi. Você tem outro? Quase respondi que tinha vários, chegou a vir na ponta da língua, mas não seria prudente irritá-lo ainda mais. Ele não tem nada a ver com isso. Nunca soube o que eu fazia. E como você justifica o dinheiro depositado na conta dele? Dizia que era dinheiro que meu pai mandava para mim relativo a investimentos que fazia com gado. Depositava uma parte em sua conta apenas para não chamar a atenção da Receita Federal. Eduardo é um homem correto e nunca sequer imaginou que estes valores fossem desviados da empresa. A propósito, quanto eu lhe devo pelas suas contas? E torci por que tivessem descoberto apenas parte do desfalque. Muito. Preciso de um valor. Tudo. Vou fazer um cheque com o valor integral do meu saldo. Na hora do almoço pego com ele um cheque no valor da quantia que tenho depositada em sua conta e peço demissão. Caso encerrado e vou viver minha vida longe daqui. novo. Um caralho! Eu falei que eu quero tudo exasperou-se o manda-chuva de Mas eu estou lhe dando todo o dinheiro que ainda tenho.

7 Tudo é tudo, moça. E isso inclui o carro e o apartamento com tudo que tem dentro, além do dinheiro, é claro. Vocês estão malucos... Eu caso no sábado, esqueceram? Onde vou morar? Como vou explicar ao Eduardo? À família dele? A minha família? Além do mais, ele pagou metade do apartamento. Vocês têm que me dar um tempo para que eu encontre um jeito de ressarcir a empresa. Os teus problemas são teus. Ligue agora para o seu namorado. Nem pensar. É a única chance de você não sair presa daqui. Tem que fazer tudo que eu mandar disse Serafim sem se sentar. Curvado sobre a mesa, com as mãos estendidas servindo de alicerces para os braços esticados e o corpo curvado. Falava alto e mantinha os olhos fixos em minha direção. Estava dividida entre a vergonha de ter que revelar tudo para o Eduardo e o medo de ser presa. Imaginei o constrangimento de ter que adiar o casamento por esse motivo. A vergonha de minha família perante a pequena e tradicional cidade de Vassouras. Achei que talvez pelo fato de Eduardo ser homem e me amar pudesse impor respeito e me ajudar a contornar a situação. São nas dificuldades que os elos se fortalecem. Tudo aquilo passaria a ser um segredo de casal e daqui a alguns anos riríamos da situação. Assim que pedi sua presença e percebendo a apreensão em minha voz, mesmo sem que eu entrasse em detalhes, Eduardo pediu dispensa no banco e se dispôs a ir ao meu encontro imediatamente. CAPÍTULO 2 Foi o advogado que explicou toda a situação ao meu noivo. Esclareceu que pelo fato de eu ter conta na mesma agência que a construtora, o gerente, para puxar o saco, fez questão de dizer, quebrou informalmente o meu sigilo bancário e levantou o beneficiário da outra conta em que o dinheiro tinha sido desviado, no caso, ele. Não foi difícil verificar que boa parte dessa quantia serviu para a compra do apartamento da Barra, assim como também foi utilizada para que eu adquirisse uma Toyota. Encerrou sua explanação com uma ameaça tácita de nos encaminhar à delegacia, caso não houvesse uma composição imediata dos prejuízos sofridos pela construtora. A melhor defesa é o ataque. Eu os ajudei a ganhar muito dinheiro, desviando quantias enormes e evitando que pagassem fortunas de impostos. Sou, em parte, responsável pelo lucro auferido, uma espécie de cúmplice. É justo que eu tenha alguma vantagem no crime que cometi disse para o Eduardo, mas era um recado para o Serafim. Você já tinha o salário justificou o advogado. Que era pago pelo meu trabalho de funcionária, de contadora, não de comparsa. Vamos para a delegacia e lá nós vamos ver quem vai ficar preso. Quero ver como vão explicar a sonegação blefei. O ataque tinha uma segunda intenção de me justificar perante o Eduardo e o municiar para que pudesse ajudar a nos defender. No fundo achava que ainda havia espaço para briga, pois a situação da empresa também não era confortável. Processo se resume em provas. Como você vai provar o desvio se todas as operações ilegais foram realizadas em espécie? Temos notas fiscais e recibos de toda a parte contabilizada o advogado explicou como quem ministra uma aula.

8 Uma sonegação fiscal só se prova mediante perícia, o que costuma levar bastante tempo e nem sempre se chega a um resultado conclusivo. Em contrapartida, temos provas suficientes do dinheiro depositado indevidamente em sua conta e na do seu namorado continuou e olhou para o patrão à espera de um sinal de aprovação. Muito embora eu desconfiasse da fragilidade da argumentação daquele babaca, não tinha subsídios legais para contrariá-la. Lamentei ter estudado Contabilidade e Economia em vez de Direito. Além do mais, o suposto crime de sonegação não anula o estelionato praticado por vocês finalizou. Mas eu não tenho nada a ver com isso. Ela sempre me disse que esse dinheiro era enviado pelos seus pais argumentou Eduardo confirmando a minha versão. Entretanto sua voz não tinha viço e seus olhos estavam vidrados como se não enxergassem nada, de forma que eu senti pena dele e olhei para o chão por não ter coragem de encará-lo. O esquema é simples interveio o advogado. Vocês vão transferir o imóvel e o carro para o nome de duas pessoas de nossa confiança e cada qual fará um cheque do saldo total de suas contas e investimentos. Isso não é justo retrucou Eduardo. Pois parte do apartamento foi pago por mim, com dinheiro do meu trabalho. Inclusive tive que vender meu carro. Depois, é necessário conhecer o montante desviado para saber se não estamos pagando a mais. O valor total levaria um bom tempo para ser apurado e o acordo será feito agora ou não ocorrerá mais, pois vocês serão encaminhados à Delegacia Policial. O estelionato e a apropriação indébita, que são os crimes que vocês praticaram... Eu já falei que não tenho nada a ver com isto! interrompeu Eduardo com um grito. Porém tinha medo na sua voz. Convença o juiz. Pode ser que ele acredite. Ou não. Além do mais, terá que enfrentar o constrangimento de um processo criminal, uma pecha que não se apaga, mesmo com a absolvição. Talvez perca o seu emprego no banco. Quanto lhe custaria de honorários advocatícios e vexame? Com certeza sairia mais caro. Imagine o casamento adiado em virtude da prisão do casal? E como eu estava explicando continuou o advogado, sempre como um pavão e intenção cabotina. O crime é de ação penal pública incondicionada. Significa que uma vez que a autoridade toma conhecimento do fato, ninguém mais poderá impedir o andamento da ação. Ou seja, com a comunicação do delito, sua apuração e a consequente condenação do réu, caso provadas as evidências iniciais, são inevitáveis. Serafim sorriu e Bruno lhe devolveu o sorriso. O demônio e Cérbero. Eu não tinha saída. A pressão era enorme. Nesse instante eu busquei os olhos de Eduardo, como que gritando desesperadamente por um pouquinho de compreensão e coragem. Encontrei apenas a expressão do pavor. Tentei a última cartada: O que vocês estão pedindo é tudo que temos. O que para nós representa todo o nosso patrimônio para vocês é troco. Vamos fazer o seguinte: separamos o montante dado pelo meu noivo, que não tem nenhuma culpa no episódio. Darei todo o dinheiro que tenho e o carro. O seu Pedro vai refazer os cálculos, quando eles estiverem prontos, se ficar provado que devo ainda algum valor, me comprometo a pagá-los aos poucos. Posso assinar uma nota promissória, uma confissão de dívida...

9 Não, não e não! interrompeu Serafim. Quem sabe do meu dinheiro sou eu. Não se trata de muito ou pouco. Trata-se de abuso de confiança, de traição... E de cumplicidade rebati inutilmente como um último golpe antes de jogar a toalha. Apenas uma escarrada desferida pelo pugilista antes de sofrer o nocaute. Após a concordância em ceder às exigências, tudo se deu de forma orquestrada, com cada qual executando sua parte para que nada saísse errado. Eu fui até o apartamento, acompanhada do advogado e de um dos seguranças, buscar os documentos de transferência e as chaves do carro, além da escritura de compra do imóvel. Eduardo continuou aguardando no local com os demais. Refém de fato e também das circunstâncias. Um novo personagem foi introduzido na trama. Era um escrevente juramentado de um tabelionato onde a construtora realizava seus negócios. O funcionário, portando um notebook e uma impressora portátil, preparou uma nova escritura de compra e venda para o apartamento da Barra. Eram quase oito horas da noite quando todos os bens foram transferidos. Concederam-me a permissão de uma nova e última ida ao apartamento com a estrita recomendação de apanhar apenas algumas roupas e objetos de uso pessoal. Desde que feito imediatamente e na companhia do advogado e dos seguranças. Todo o resto, como móveis, eletrodomésticos e objetos de decoração, era parte do butim que cabia aos vencedores. Nem os perfumes me permitiram levar. Porém, sem que percebessem, consegui esconder junto das roupas a gargantilha de ouro que usaria no casamento. Quando retornei à firma para encontrar Eduardo, ele já havia se retirado. Sem deixar recado. CAPÍTULO 3 Já era noite quando deixei os escritórios da Construtora Antuérpia pensando ser pela última vez. Sentada em um banco da Cinelândia, entre a Biblioteca Nacional e o Teatro Municipal, carecendo de consolo, olhei para o céu em busca das estrelas negadas pela forte iluminação de mercúrio da praça. Além da bolsa a tiracolo, possuía uma mala grande, daquelas com rodinhas, contendo todas as roupas que consegui amealhar. Muita coisa tinha ficado. Aquela mala, agora, continha todo o meu patrimônio. Sentia vergonha pela situação insólita. Humilhada por ter sido apanhada em um quase flagrante e desmascarada. O mais estranho, e mais angustiante, era a vergonha de ter perdido tudo. Deixar escapulir aquilo que já se conquistou é o expoente máximo da derrota murmurei sozinha. Perder é diferente de não ganhar. Somente se perde o que já se ganhou um dia. E tem um peso difícil de se suportar. A vida da gente muda do dia para a noite. Acordei Cinderela e dormiria Gata Borralheira. Mas poderia ser pior. Sempre pode ser pior. Casaria no sábado e, com a cumplicidade de Eduardo, enfrentaria o que julgava ser a primeira adversidade da vida conjugal. Um pequeno apartamento alugado, um novo emprego e, aos poucos e em prestações, reconstruiria tudo que havíamos perdido hoje. A vida é farta e minha força infinita disse para mim mesma como se lesse um livro de autoajuda e antes de abrir a bolsa para contar todo o dinheiro que possuía. Sessenta e oito reais. Abandonei a ideia do táxi e desci cabisbaixa para estação do metrô, sentido Copacabana.

10 Tanto a praça, quanto a plataforma do trem, estavam com movimento intenso. Mas nada me incomodava, eu parecia sentir um leve torpor. No vagão escalava o rosto de qualquer um e tentava imaginar as aflições do infeliz e pensava se seriam os seus problemas maiores que os meus. Estação Cardeal Arcoverde. Andei algumas quadras até a Paula Freitas, só parando na portaria do prédio. Pensava se Eduardo teria contado para sua família. Seria muita sacanagem. Ele não faria isso sem antes conversar comigo. Tínhamos muito o que falar. O prédio, na quadra da praia, havia sido construído no final dos anos 1950, quando o bairro ainda era a princesinha do mar. O assalto imobiliário que se seguiu transferiu o título de nobreza para a praia ao lado na década seguinte. Eram dez andares com apenas um apartamento em cada. Expressão máxima de ostentação na época, mal camuflava, mais de meio século depois, contas bancárias em franco declínio. Eu conhecia o filme. Postura semelhante a muito dos descendentes dos extintos barões do café em Vassouras. Procurava-se aparentar uma realidade que fazia parte de um passado cada vez mais longínquo, caro de sustentar e difícil de largar. O apartamento dos pais de Eduardo estava hipotecado a um banco em troca de capital de giro para a sua empresa e os juros ameaçavam devorá-lo. E isso era um segredo de família, que as roupas de grife e o carro importado ajudavam a esconder, muito embora este estivesse com as prestações do leasing em atraso e o salário do filho fosse indispensável ao orçamento daquela elegante família. Mas qual família não tem os seus segredos? Pode ser o apartamento hipotecado ou o aborto praticado pela filha adolescente com o consentimento dos pais ou, ainda, o filho viciado em drogas. Não há sobrenome livre de alguma situação constrangedora. A empregada abriu a porta. Encontrei os três pai, mãe e filho sentados no sofá da sala espaçosa. Pela cara da turma, o dia terminaria sem me dar trégua. Recebi apenas acenos de cabeça como resposta aos meus cumprimentos. Meu noivo não se moveu do sofá para me receber. Não fui convidada para sentar-me. Estava como uma personagem no filme errado. Todos os olhos fuzilaram a minha mala, sinal claro que, contrariando meus planos, ali não seria o meu teto naquela noite. Não haverá mais casamento. Já conversei com meus pais e optamos pelo cancelamento da cerimônia. Avisaremos aos nossos convidados, faça o mesmo com os seus. Segundo nosso advogado, poderíamos até processá-la por perdas e danos, mas resolvemos colocar uma pedra sobre o assunto para encerrá-lo definitivamente falou Eduardo com a seriedade de quem profere verdades imperiais e com aquela tolerância que na realidade revela um forte toque de arrogância. Definitivamente... balbuciei sua última palavra. Gostaria de conversar com você em particular pedi. Não temos nada para conversar sentenciou. Quanto ao prejuízo que tive na perda do apartamento e dos móveis que ajudei a comprar, fica como uma dívida a longo prazo. Quando você puder, faço questão que me pague. Já fiz o cálculo. E me indicou com o queixo um envelope branco que repousava sobre a mesa de centro. O discurso fora bem ensaiado. Peguei o envelope e sem abrir, guardei na bolsa. A batalha estava encerrada sem que eu desse um único tiro. Ocorreram-me argumentos que poderiam articular alguma defesa ou, ao menos, atenuar meus erros. Sabia que havia errado, mas tinha a companhia de todo o planeta. O quanto eu o fiz feliz? Nada é levado em conta? E os acertos? Os acertos não podem contrabalançar os erros? Confesso que errei, mas, sinceramente, eu nunca pensei em prejudicá-lo. Não seria sensato eu levar alguma vantagem se ajudava a Antuérpia a enriquecer ilicitamente? Por que quando se

11 erra os erros são isolados dos acertos e recebem julgamento em separado? Não dá para julgar o todo? O problema é que julgamos os outros pelos fatos e desejamos ser julgados por nossas intenções. Era um turbilhão de imagens que passava em velocidade supersônica numa mente confusa. Não consegui dizer nada. Talvez não quisesse falar mais nada. Sentia-me fraca, humilhada e vencida. Perdera o emprego, a casa, o carro, o casamento e o respeito de muitos desde a hora em que me levantara da cama pela manhã. Pensei no filho que levava na barriga e, fazendo força para não chorar, decidi não usá-lo como objeto de barganha num duelo barato. Era o que me restava de dignidade. Saí sem me despedir. Não faziam questão nem era necessário. Nada do que dissesse moveria um único milímetro as posições sedimentadas. Apenas virei e fui embora, mas ainda pude entreouvir algum comentário da mãe de Eduardo que terminava com a palavra gentinha. Era tripudiar sobre o meu cadáver. Doeu. Doeu tanto ou mais do que toda a perda que já havia sofrido naquele dia. Se houvesse uma classe inferior na raça humana, eu fazia parte. Foi o único motivo que me fez verter uma lágrima furtiva naquele dia maldito que insistia em não terminar. Mas não permiti que eles a percebessem. Caminhei até o calçadão em busca do ar marinho que pudesse me trazer forças e arejar-me a cabeça embotada que parecia ter dado defeito. Camelôs, artesãos, turistas, artistas que expunham seus quadros ou tocavam algum instrumento musical e cantavam, prostitutas, cafetões, além de outras espécies; uma fauna diversificada circulava dando cor à vida, como o sangue que corre nas veias da cidade. Servia como compressa de água fria para a febre alta da alma. Em cada pessoa um mundo, maior e menor do que o próprio mundo. Toda a dor do mundo cabe no sofrimento de uma única pessoa, percebi. Não tinha fome nem sede. Apenas queria um exílio particular e, de preferência, um colo para chorar. Sucumbi à necessidade de um táxi e segui para a rodoviária. O primeiro ônibus para Vassouras só às oito horas da manhã. Na falta de qualquer outra opção, passei a noite sentada no terminal. Outras pessoas também pareciam aguardar um ônibus ou algum milagre, não tive bem certeza. Levavam a expressão da angústia ou do abandono estampada no rosto. Ou seria apenas cansaço? De alguma forma me senti solidária a elas, como se, pela primeira vez, fosse capaz de verdadeiramente sentir compaixão por um estranho, entender o sofrimento e a dor alheia. Muito mais do que a alegria, a dor aproximava as pessoas. Minha situação era algo privilegiada em relação a todo aquele povo. Tinha pai, mãe, um refúgio, enfim, uma família na qual poderia me escorar naquele momento. Alguns dias na fazenda ajudando-os na administração da pousada, respirando ar puro, relembrando a infância, encontrando antigos conhecidos me faria bem, como bálsamo a aliviar dores e cicatrizar feridas. Cheguei a sentir uma brisa de felicidade. O ônibus estacionou em minha cidade natal próximo à hora do almoço. Fazia calor e, pelo hábito de todos almoçarem em casa, o Centro estava vazio. Algumas lojas, notadamente as menores, administradas somente pelos donos, até fechavam suas portas por uma hora ou duas. Entrei numa padaria para beber alguma coisa gelada e me deparei com uma bandeja de sonhos. Aqueles pãezinhos fritos, mergulhados em açúcar e recheados com creme de confeiteiro ou doce de leite me deram a certeza de que estava em casa. Vassouras era como uma poderosa máquina do tempo cujas engrenagens eram uma infinidade de imagens, lugares, pessoas, cheiros e sabores com o poder de me transportar a até duas décadas atrás. Deixei

12 a bebida gelada de lado e pedi uma média para acompanhar o sonho; a combinação encheu o estômago e esquentou o coração. Passei a prestar atenção ao locutor de uma rádio local, cujo som vinha de pequenos alto-falantes instalados no teto, a comentar, entre as músicas, algumas notícias da região. Fui ao caixa para pagar a conta, quando o radialista colocou no ar um aviso solene e lacônico: A Família Albuquerque Maranhão lamenta informar o adiamento do casamento de sua filha, Eva, marcado para sábado, às 19 horas, na Matriz. A nova data será comunicada oportunamente. Antecipadamente, a família pede sinceras desculpas pelos eventuais transtornos. Eu estava paralisada, com cara de idiota, na frente da mocinha responsável pelo caixa. Só faltava babar. A notícia havia chegado à minha frente, o que pouparia de contar a novidade, mas não me aliviaria do enfrentamento. Se a versão original já não era facilmente digerível, tremi ao imaginar aquela temperada pela ex-futura sogra. Do outro lado da rua, numa lojinha de proporções minúsculas, trabalhava seu Leandro, um velho sapateiro que cansou de trocar os saltos de meus sapatos, notadamente os agulhas, que se mostravam incompatíveis com a adolescência agitada no calçamento de paralelepípedos de então. Com a frente da loja medindo, no máximo, três metros e um balcão feito em madeira de lei, bastante desgastado pelo uso, que possuía a dupla finalidade de servir ao atendimento e barrar o avanço dos clientes mais afoitos para a área da oficina, via-se, ao fundo, concentrado em seu ofício, com a cabeleira farta, mas agora totalmente branca, o sapateiro, que esbanjava sua velha habilidade, martelando pequenos cravos numa velha bota na tentativa de dar-lhe um sopro a mais de vida. Não percebeu minha entrada até que lhe chamei pelo nome. Ele olhou por cima das lentes que corrigiam a vista cansada e por instantes não me reconheceu. Deitou o incansável martelo sobre a banca e retirou de entre os lábios os dois outros pequenos pregos destinados ao novo salto da velha bota. Quando a ficha foi desarquivada ofereceu um sorriso generoso de boas-vindas. Movimentou com grande agilidade seu corpo magro, ainda rijo e levemente curvado pela força do tempo. Vestia uma camisa imaculadamente branca, fechada até o último botão, com as mangas dobradas acima da altura dos cotovelos. Compunha com uma calça preta, que, por sua vez, se sustentava num par de suspensórios. Caminhou, com elegância, até o balcão e colocou meu rosto, de forma delicada, entre suas mãos enormes e ásperas, sapecando-me um beijo carinhoso na testa. Mas menina, há quanto tempo? Que saudade! E o senhor como vai? Olha, o Senhor está no Céu e quando me aceitarem lá pode ter certeza de que o Paraíso virou uma bagunça. Sempre alinhado e espirituoso. Como vão os negócios? Meu ofício é como o dono, está em vias de extinção. Sou uma espécie de mico-leão-dourado comparou arrancando de mim um breve sorriso. Hoje tudo é descartável, dos sapatos ao matrimônio. Em breve não haverá mais espaço para pessoas que tentam consertar as coisas. Não sei se isso é bom ou ruim, talvez apenas o mundo seguindo seu curso filosofou como se um anjo falasse pela sua boca para me consolar. Mas me fale de você, soube há pouco que seu casamento foi adiado. O que aconteceu? Ih, seu Leandro, uma confusão danada, eu estou muito triste com tudo isso. Mas não dizem que o tempo é um grande remédio?

13 - É, pode ser, mas o amor costuma ser ainda melhor. Antecipando-se para não me constranger, o sapateiro, sempre elegante em seus atos, brincou: Aposto que o noivo sabia que na igreja haveria um velhote mais charmoso do que ele e ficou com medo de ser trocado no altar disse ao mesmo tempo em que piscava o olho direito, conseguindo, dessa forma, arrancar outro leve sorriso, afagar a minha alma e me proteger da própria vergonha. Pedi para guardar a pesada mala, depois mandaria alguém buscá-la. Queria ir caminhando até o antigo casarão na praça da matriz, sentir um pouco o ar da cidade antes da batalha que estava prestes a enfrentar. O velho sapateiro ainda insistiu para que eu fosse com sua bicicleta, o único meio de transporte que se permitira ter por toda a vida. Gentilmente recusei e me despedi devolvendo o beijo estalado na sua bochecha, pensando em como uma pessoa tão simples podia possuir tamanha aura de nobreza. Seu Leandro era um príncipe, um rei sem coroa nem trono. Ou talvez seu reino fosse as delicadas atitudes que praticava com os outros e com a vida. Estava protegida do sol pela copa de uma frondosa mangueira, observando o antigo casarão havia vários minutos, sem que qualquer sinal indicasse movimento lá dentro. Atravessei a rua em passos firmes e meti a mão no portão para abrilo, mas uma grossa corrente unida nas pontas por um cadeado me impediu. Toquei a campainha e nada. Insisti e então apareceu Ritinha. Seus olhos de espanto revelavam um péssimo indicativo. Por ela soube que meus pais haviam recebido um telefonema na noite passada da mãe de Eduardo como imaginara e depois de discutirem entre si, minha mãe havia ido para o quarto chorando. A empregada forneceu poucos detalhes do que eles conversaram. Hoje cedo, seu pai foi à rádio colocar o aviso sobre o adiamento do casamento. Não queriam enfrentar as perguntas dos convidados sobre os motivos do cancelamento. Depois, se refugiaram na fazenda. Fiquei aqui para cuidar da casa e lhe dar o recado para você não procurá-los alertou. Entretanto não opôs resistência a minha entrada no casarão. Ali era possível realizar um inventário de emoções. A saudade tem o estranho poder de alterar nossa percepção acerca do passado, tingindo-o de maneira generosa. A infância livre e solta, os primeiros namoradinhos, a festa de quinze anos. A casa havia sido reformada para a ocasião. A cidade inteira parecia ter cabido lá dentro. Achei a sala menor do que a minha memória me impunha. O piso de tábuas seculares que continuavam a ranger a cada passo, como se quisessem contar as histórias que já presenciaram desde os tempos dos senhores do café a ditar as cartas do rumo político do país. Reza a lenda na cidade que naquela sala os cardeais da política se reuniram e decidiram pela escolha de Washington Luiz. Eleito com 98% dos votos válidos, sendo que exíguos e exatos 2,27% da população estava apta e participou do pleito. Era o que chamavam de república e democracia. Mais aristocrático impossível. Impossível também era não ficar nervosa. Com as mãos trêmulas, consciente de que estava jogando o lance decisivo de uma partida que selaria meu destino próximo, telefonei para o hotel-fazenda e mandei chamar minha mãe, com quem sempre tive mais intimidade, apesar de nunca ter duvidado do amor paternal escondido sob o manto de uma espécie de masculinidade que eu tinha dificuldade para entender: o endurecimento perante sentimentos considerados essencialmente femininos, como a compaixão. E quem veio ao telefone foi justamente o meu pai.

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