RECEITA BRUTA ( ) Deduções de Receitas = RECEITA LÍQUIDA ( ) Custos = LUCRO BRUTO ( ) Despesas = LUCRO LÍQUIDO

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1 MÓDULO V CONTABILIDADE GERENCIAL FATOS CONTÁBEIS QUE AFETAM A SITUAÇÃO LÍQUIDA INTRODUÇÃO Neste módulo iremos fazer uma abordagem sobre os elementos que ocasionam as mutações na situação patrimonial líquida. Em seguida trataremos do regime contábil adotado no Brasil, o REGIME DA COMPETÊNCIA e iremos compará lo com o REGIME DE CAIXA. Retornando um pouco ao Princípio da Continuidade devemos recordar que um das premissas deste princípio é que a vida da empresa é contínua. Todas as atividades da empresa possuem uma vida ininterrupta como todo e qualquer organismo vivo. Sendo assim, Se fez necessário em determinado momento fotografar ou congelar a imagem da situação patrimonial da entidade para que os proprietários ou acionistas possam analisar o desempenho e a tendência econômico financeira dessa empresas podendo assim tomar as medidas necessárias para realinhar a entidade aos seus interesses, caso seja necessário. Esta captura de imagem é realizada no final do ano calendário, ou seja, 31 de dezembro e é comparada a situação patrimonial do dia 31 de dezembro do ano anterior. A este intervalo de 365 dias chamamos de Exercício Social. Ao final de cada exercício social as empresas normalmente apuram os seus resultados através da DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO que é uma demonstração dedutiva, ou seja, chega se ao resultado final através da subtração dos valores, possuindo assim uma estrutura vertical conforme quadro abaixo: CONCEITOS RECEITA BRUTA ( ) Deduções de Receitas = RECEITA LÍQUIDA ( ) Custos = LUCRO BRUTO ( ) Despesas = LUCRO LÍQUIDO RECEITA: De origem latina cujo significado é de coisa recebida ou reavida, a receita pode ser definida como: Total dos valores recebidos por uma pessoa física ou jurídica decorrente de seu relacionamento mercantil com terceiros, seja ela uma venda de produto, uma prestação de serviço ou um ganho em conseqüência a uma aplicação financeira em um determinado período.

2 As Receitas são as responsáveis pelas mutações positivas da Situação Patrimonial Líquida, conseqüentemente, possuem natureza credora. As Receitas ser: Operacionais ou Não Operacionais. As Receitas Operacionais são aquelas oriundas das atividades objeto da empresa. Essas atividades devem estar explícitas no Contrato Social da Empresa. Essas atividades podem ser divididas em: PRINCIPAL Quando se refere à operação diretamente ligada ao objeto da empresa. Exemplo: Venda de dois computadores com monitor de 17 polegadas na loja Computore Extrem Ltda. Neste caso o objeto social da empresa é o comércio de materiais de informática, caracterizando assim uma receita operacional principal. ACESSÓRIAS Atividades que não representam diretamente o objeto social da empresa, mas correspondem a um complemento deste. Exemplo: Rendimentos de aplicações financeiras. As Receitas Não Operacionais são os valores recebidos de transações que não fazem parte das operações usuais da empresa. Exemplo: Venda de um veículo usado da empresa. Levando em consideração que não estamos falando de uma revenda de veículos quando o bem deveria estar no Estoque e não no Ativo Permanente, esta transação não faz parte da operação da empresa já que o veículo foi adquirido com o intuito de ser consumido em prol do resultado da empresa. Quanto aos elementos que causam variação negativa na Situação Patrimonial Líquida, devemos observar seus conceitos a fim de ter ferramentas necessárias para a identificação adequada da conta diante de alguma decisão subjetiva. GASTO: De acordo com MARTINS 1, é o sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro) (grifo nosso). 1.MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 3ª. Edição. São Paulo SP. Editora Atlas, Observe que as palavras chave deste conceito são: obtenção de um produto ou serviço qualquer e entrega de ativos. De acordo com esse conceito o gasto ocorre somente na transferência da propriedade do objeto de aquisição. INVESTIMENTO: Em uma visão geral podemos conceituar investimento como aplicação de recursos com a finalidade de conseguir um benefício futuro como o lucro, por exemplo. MARTINS entende investimento como um gasto registrado no Ativo devido à vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s) período(s) (grifo nosso). DESEMBOLSO: É a entrega do recurso financeiro (pagamento) em troca do recebimento dos bens e serviços para a empresa.

3 PERDA: Bem ou serviço consumido de forma anormal e involuntária. Consumo ou privação de um bem decorrente de um fato inesperado como a destruição, extravio, apreensão. CUSTOS X DESPESAS: Estes dois conceitos estão sendo abordados em conjunto pelos seguintes motivos: São os mais usuais em quase todos os tipos de segmentos; Possuem relação direta com a finalidade do fato, causando subjetividade na decisão de classificação. Podemos definir CUSTO como: consumo de bens ou serviços na produção de novos bens ou serviços. Já a DESPESA, de acordo com MARION 2 é: todo sacrifício (esforço) realizado pela empresa no sentido de obter receita. Pode ser vista também como o consumo parcial ou total do ativo (ativo expirado), ou seja, um ativo que já não traz benefício à empresa (Grifo nosso). 2.MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 8ª. Edição. São Paulo SP. Editora Atlas, Um mesmo gasto pode ser interpretado como custo ou como despesa dependendo da interpretação do classificador e de seu grau de conhecimento do fato. Exemplo: Despesa com energia elétrica conforme conta referente ao consumo do mês de novembro/06. Vamos analisar a situação: Se esta energia elétrica tiver sido usada no processo de produção de um determinado produto esta deverá ser lançada como custo. Entretanto, se foi utilizada para iluminar ou alimentar os equipamentos da área administrativa esta deverá ser considerada uma despesa. Os custos podem ser: DIRETOS São os custos diretamente ligados à produção cujo consumo total ou parcial é de fácil mensuração. Exemplo: Mão de obra dos operários, Os KW de energia elétrica utilizados para realizar a movimentação das máquinas, embalagens, etc. INDIRETOS São os custos de difícil mensuração quanto a sua participação no processo produtivo. Exemplo: Remuneração do Supervisor de Produção, Aluguel do Prédio, etc. Em geral esta mensuração acaba sendo arbitrada por algum tipo de rateio. Rateio: divisão proporcional a partir de um parâmetro de participação. Os custos também podem ser: FIXOS Custos cujo consumo total no processo de produção não se alteram devido a quantidade produzida. Exemplo: a remuneração do gerente de produção.

4 VARIÁVEIS Custos cujo consumo total é diretamente proporcional a quantidade produzida. Exemplo: Matéria prima e outros insumos. As DESPESAS podem ser: DESPESAS PRÉ OPERACIONAIS como o próprio nome sugere, são todas as despesas inerentes ao processo de implantação, isto é, as despesas ocorridas antes que a entidade inicie as operações que justificam o objeto social da empresa. DESPESAS OPERACIONAIS São as despesas necessárias à atividade da empresa. De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda as despesas operacionais são: as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, entendendo se como necessárias as pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (RIR/1999, art. 299 e seus e PN CST no 32, de 1981). DESPESAS NÃO OPERACIONAIS segundo a legislação fiscal que trata sobre o tema, são aquelas decorrentes de transações não incluídas nas atividades principais ou acessórias que constituam objeto da empresa. Os arts. 418 a 445 do RIR/1999 expressamente discrimina o que se considera como resultados nãooperacionais, os quais se referem, basicamente, a transações com bens do ativo permanente (IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, 1o). REGIME DE COMPETÊNCIA Antes de iniciar esse assunto, vamos recordar um pouco sobre o assunto que foi abordado no Módulo II (Princípios Fundamentais de Contabilidade). Este regime adotado no Brasil refere se ao Princípio da Competência, conforme Resolução CFC n o 750/93, em seu capítulo II, Seção VI, art. 9º, que determina em seu texto que: as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento (grifo nosso). O texto trata ainda no artigo supracitado, em seus parágrafos 3º. e 4º., do entendimento dos termos receitas realizadas e despesas incorridas, conforme abaixo: 3º As receitas consideram se realizadas: I nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV no recebimento efetivo de doações e subvenções. 4º Consideram se incorridas as despesas:

5 I quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; II pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; III pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. Resolução CFC no.750/93, capítulo II, Seção VI, art. 9º., 3 e 4. (Grifo nosso) A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aprovou e referendou o pronunciamento do IBRACON sobre Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade através da Deliberação CVM n o 29, de 05/02/86. Neste pronunciamento o regime da competência é composto por dois princípios: O Princípio da Realização da Receita cujo enunciado é: "A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela Entidade são transferidos para outra Entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a Entidade produtora..." De acordo com esse pronunciamento a escolha do reconhecimento e o registro da receita na empresa acontecem na transferência dos produtos ou serviços ao cliente porque quando esta se realiza todo o processo de obtenção da receita, reconhecimento dos custos inerentes a esse já se concluíram. O valor de mercado durante o momento da transferência se encontra em seu momento de maior exatidão. O Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis cujo enunciado é: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." (grifo nosso). Devemos observar que no confronto das Receitas com as Despesas em um determinado período não falamos de recursos recebidos ou pagos, e sim Receitas reconhecidas e despesas consumidas. REGIME DE CAIXA O Regime de Caixa funciona exatamente de forma inversa ao Regime de Competência, ou seja, as receitas são registradas com a entrada do recurso financeiro (dinheiro) e as despesas através do desembolso. Exemplo: A empresa Encrek Ltda em 15/11/06, vendeu R$ 6.000,00 em mercadorias para um cliente que negociou com esta na forma de pagamento 1+3, ou seja, a primeira parcela à vista e o restante com 30/60/90 dd. No mesmo dia adquiriu

6 material de consumo e material de expediente para o escritório totalizando o valor de R$ 900,00 com prazo para pagamento com 90 dd. Regimes D.R.E. Competência Caixa Receitas 6.000, ,00 ( ) Despesas 900,00 0,00 = Lucro 5.100, ,00 Os dois regimes trazem resultados bem diferentes. O primeiro reconhece a Receita pelo valor total da transferência dos bens para o cliente independente da forma de recebimento, da mesma forma reconhece a Despesa incorrida apesar de não ter havido o desembolso. Já no segundo Regime fica bastante clara a vinculação do registro contábil a entrada e saída do recurso financeiro. Mesmo que ambos os regimes fossem aceitos no Brasil o Regime de Caixa só atenderia com eficiência às pequenas empresas, associações, etc. Quanto maior fosse a movimentação contábil, maior seria a dificuldade de controle do Regime de Caixa. Mas se no Regime de Competência as despesas devem ser registradas ao serem incorridas, o que acontece quando a Empresa Encrek Ltda paga à vista o valor de R$ 2.400,00 em um seguro anual de um veículo? Quando isto acontece devemos atender ao Regime de Competência e analisar a seguinte situação: O referido veículo de uso da empresa foi adquirido com o intuito de que sua atividade contribui na geração de receita para a empresa. Levando se em consideração que dentro do período contábil as receitas realizadas devem ser confrontadas com as despesas incorridas, não seria correto lançar a despesa decorrente de usufruto correspondente a um ano de seguro em um único mês.sendo assim, como o potencial uso desse benefício tem uma vigência de um ano devemos ativá lo (Ativo) na conta Despesas Antecipadas e, através do rateio de 1/12, ou seja, a proporção de um mês por ano, lançar a cada mês o valor devidamente consumido para a despesa. Exemplo: Pagamento à vista de seguro anual de um veículo da Empresa Encrek Ltda no valor de R$ 2.400,00 no dia 01/11/2006. a) Pagamento do seguro à vista no valor de R$ 2.400,00: 01/11/06 D Prêmios de Seguros a Apropriar C Banco Franco Tailandês S/A Vr. Referente pagto à vista de seguro de veículo conf. ch r$ 2.400,00

7 EMPRESA ENCREK LTDA. RAZÃO ANALÍTICO CONTA: ATIVO CIRCULANTE SUBCONTA: BANCO FRANCO TAILANDÊS CÓDIGO: MÊS/ANO: 11/2006 DATA HISTÓRICO ANTERIOR DÉBITO CRÉDITO D/C R$ 01/11/06 Saldo Inicial ,00 D ,00 01/11/06 Pagto. Seguro Veículo 2.400,00 D ,00 D ,00 EMPRESA ENCREK LTDA. RAZÃO ANALÍTICO CONTA: ATIVO CIRCULANTE DESPESAS ANTECIPADAS SUBCONTA: PRÊMIO DE SEGUROS A APROPRIAR CÓDIGO: MÊS/ANO: 11/2006 DATA HISTÓRICO ANTERIOR DÉBITO CRÉDITO D/C R$ 01/11/06 Saldo Inicial 0,00 D 0,00 01/11/06 Pagto. Seguro Veículo 2.400,00 D 2.400,00 D 2.400,00 b) Apropriação de 1/12 referente a parcela mensal de despesa com o seguro: R$ 2.400,00 (anual) / 12 = R$ 200,00 (mensal): 30/11/06 D Despesa com seguros C Prêmios de Seguros a Apropriar Vr. Apropriação do seguro ref. Competência nov/06...r$ 200,00 EMPRESA ENCREK LTDA. RAZÃO ANALÍTICO CONTA: DESPESAS SUBCONTA: DESPESAS C/ SEGUROS CÓDIGO: MÊS/ANO: 11/2006 DATA HISTÓRICO ANTERIOR DÉBITO CRÉDITO D/C R$ 01/11/06 Saldo Inicial 0,00 D 0,00 30/11/06 Apropriação n/mês 11/06 200,00 D 200,00 D 200,00

8 EMPRESA ENCREK LTDA. RAZÃO ANALÍTICO CONTA: ATIVO CIRCULANTE DESPESAS ANTECIPADAS SUBCONTA: PRÊMIO DE SEGUROS A APROPRIAR CÓDIGO: MÊS/ANO: 11/2006 DATA HISTÓRICO ANTERIOR DÉBITO CRÉDITO D/C R$ 01/11/06 Saldo Inicial 0,00 D 0,00 01/11/06 Pagto. Seguro Veículo 2.400,00 D 2.400,00 30/11/06 Apropriação n/mês 11/06 200,00 D 2.200,00 PROVISÕES: No caso da Folha de Pagamento dos funcionários do mês de outubro/06. Como devemos proceder já que a despesa de salário refere se à competência outubro/06 será paga até o 5º dia do mês subseqüente? Neste caso devemos utilizar o instrumento da provisão para o registro contábil. E o que é a provisão? A Provisão é quando se sabe exatamente ou se estima o quanto irá desembolsar no futuro e registra em contas de obrigações (algumas são contas redutoras do Ativo que são as contas de ajuste que possuem saldo credor. Exemplo: Devedores Duvidosos, Depreciação e Amortização) para que no dia determinado seja feito o pagamento em contrapartida a redução dessas. As provisões em geral são lançadas no último dia útil do mês da competência. Como funciona na prática a provisão? Vamos utilizar o exemplo da folha de pagamento acima para explicar. Observando o fato de que a folha de pagamento será efetivamente paga no 5º. Dia útil do mês de novembro/06. a) Despesa de Folha de Pagamento dos funcionários do mês de outubro/06 no valor de R$ ,00. 31/10/06 D Despesa c/ Salário C Salários a Pagar Despesa c/ Folha de Pagamento do mês outubro/06. Valor...R$ ,00 Conta de Resultado Passivo Circulante D Desp. c/ Salário C D Salários a Pagar C a) , ,00 a) , ,00 a) Despesa de Folha de Pagamento dos funcionários do mês de outubro/06 no valor de R$ ,00. 08/11/06 D Salários a Pagar C Banco c/ Movimento

9 Pagamento de Folha Salarial do mês outubro/06 através do cheque do Banco Franco Tailandês. Valor... R$ ,00 Passivo Circulante Ativo Circulante D Salários a Pagar C D Banco c/ Movto. C ,00 a) Sd ,00 b) , ,00 b) 0, ,00

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