"PENSANDO NA PRÁTICA: IDENTIFICANDO OS SINAIS DE VIOLÊNCIA, AS CONSEQUÊNCIAS E OS MARCOS LEGAIS QUE RESPALDAM AS INTERVENÇÕES E GARANTEM DIREITOS"

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1 "PENSANDO NA PRÁTICA: IDENTIFICANDO OS SINAIS DE VIOLÊNCIA, AS CONSEQUÊNCIAS E OS MARCOS LEGAIS QUE RESPALDAM AS INTERVENÇÕES E GARANTEM DIREITOS"

2 SINAIS DE VIOLÊNCIA FÍSICA deve-se suspeitar dos casos cuja explicação para as lesões não convence claramente; Abuso sexual acompanham lesões ou edema na região genital sem explicação plausível; criança pequena aparece com infecções urinárias recorrentes; PSICOLÓGICA configura-se pela rejeição, subestima, isolamento, exigir da criança além do que pode apresentar, levá-la a construir ideias negativas sobre si e o mundo.

3 NEGLIGÊNCIA A criança se apresenta descuidada, com vestes não apropriadas ao clima. Demonstra baixa auto-estima e desinteresse pelo seu entorno. Alguns sinais de comportamentos emocionais: -Inquietação, tristeza profunda, comportamento amuado, isolamento, choro frequente; - Fugas constantes e resistência para voltar para casa; - Rebeldia, agressividade; - Problema de sono (pesadelos, insônia); -Dificuldades de aprendizagem e de concentração; -Sentimento profundo de insegurança, medo, culpa, etc.

4 Alguns sinais físicos: - Doenças sem motivo aparente; - Dores na região abdominal; - DST ou gravidez; - Dificuldade para andar e sentar; - Sangramento, coceiras e dores nos genitais (pênis, vagina e ânus); - Manchas roxas pelo corpo (principalmente na coxa e no pescoço).

5 CONSEQUÊNCIAS OBSERVADAS Demonstram sentimento de culpa, como se fossem responsáveis pela violência sofrida; Medo das ameaças sofridas; Insegurança relacionada a uma incerteza de sua credibilidade; Confusão por parte da criança ou adolescente das relações que possam ser estabelecidas com os adultos; Descaracterização dos papéis a serem desempenhados por alguns adultos, que de protetores e orientadores passam a ser percebidos como causadores de sofrimento

6 ABORDANDO SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA SEXUAL Busque um ambiente apropriado. Se está conversando com uma criança que, possivelmente, está sendo abusada, lembre-se de lhe propiciar um ambiente tranqüilo e seguro. A criança/adolescente deve ser ouvida sozinha, pois é fundamental o respeito à sua privacidade. Ouça, atenta e exclusivamente, a criança ou adolescente. Não se permitam interrupções, caso contrário, corre-se o risco de fragmentar todo o processo de descontração e confiança já adquiridas. Se necessário, converse primeiro sobre assuntos diversos, podendo inclusive contar com o apoio de jogos, desenhos, livros e outros recursos lúdicos. Leve a sério tudo que disserem.aviolênciasexualéumfenômenoque envolve medo, culpa e vergonha. Por isso, é fundamental não criticar a criança/adolescente nem duvidar de que esteja falando a verdade. Por outro lado, a criança/adolescente sentir-se-á encorajada a falar sobre o assunto se demonstrado o interesse pelo relato. Fique calmo, pois reações extremas poderão aumentar a sensação de culpa, e evite rodeios que demonstrem insegurança.

7 ABORDANDO SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA SEXUAL Não deixe que sua ansiedade ou curiosidadeleve-oapressionara criança/adolescente para obter informações. Procure não perguntar diretamente os detalhes da violência sofrida nem fazer a criança repetir sua história várias vezes, pois isso poderá perturbá-la e aumentar seu sofrimento. Confirmecomacriançasevocêestá,defato,compreendendooque ela está relatando. E jamais desconsidere os sentimentos da criança ou adolescente com frases do tipo isso não foi nada, não precisa chorar, pois, no momento que falam sobre o assunto, revivem sentimentos de dor, raiva, culpa e medo. Proteja a criança ou o adolescente e reitere que ela não tem culpa pelo que ocorreu. É comum a criança sentir-se responsável portudoqueestáacontecendo.seurelatodeveserlevadoasério,já queéraroumacriançamentirsobreessasquestões.digaàcriança que, ao contar, ela agiu corretamente. Lembre-se de que é preciso coragem e determinação para uma criança ou adolescentecontaraumadultoseestásofrendoouse sofreu alguma violência. As crianças podem temer a ameaça de violência contra elas mesmas ou contra membros de sua família, ou temer serem levadas para longe do lar.

8 ABORDANDO SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA SEXUAL Você só deve expressar apoio e solidariedade por meio do contato físico com a criança e/ou adolescente se ela/ele assim o permitir. O toque pode ser um grande fortalecimento de vínculos e, principalmente, para transmitir segurança e quebrar ansiedade. Não trate a criança como uma coitadinha ; a criança quer ser tratada com carinho, dignidade e respeito. Anote o mais cedo possível tudo que lhe foi dito: esse relato poderá ser utilizado em procedimentos legais posteriores. É importante também anotar como a criança se comportou e como contou o que aconteceu, pois isso poderá indicar como estava se sentindo. No relatório, deverão constar as declarações fiéis do que lhe foi dito, não cabendo ali o registro de sua impressão pessoal. Por ter caráter confidencial, essa situação deverá ser relatada somenteapessoasqueprecisamserinformadasparaagireapoiara criança sexualmente abusada. Explique à criançaoqueiráaconteceremseguida,comovocêirá proceder, ressaltando sempre que ela estará protegida.

9 ABORDANDO SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA SEXUAL Proteja a identidade da criança e do adolescente sexualmente abusadas deve ser um compromisso ético profissional. As informações referentes à criança/adolescente só deverão ser socializadas com as pessoas que puderem ajudálas. Mesmo assim, use codinomes e mantenha o nome verdadeiro da criança restrito ao menor número possível de pessoas.

10 MARCOS LEGAIS: VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES É CRIME CONTRA A VIDA. - O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA Art É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Parágrafo 4o. A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente. (Constituição Federal).

11 MARCOS LEGAIS: VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES É CRIME CONTRA A VIDA. - O QUE DIZ O ECA Art. 5. Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Art. 13 Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra crianças ou adolescentes serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

12 Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. Art. 245 Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança e adolescente. Pena: multa de 3 a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso dereincidência.(eca)

13 Art. 82. É proibida a hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável. Art Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum. Parágrafo único. Da medida cautelar constará, ainda, a fixação provisória dos alimentos de que necessitem a criança ou o adolescente dependentes do agressor.(incluído pela Lei nº , de 2011)

14 Art Corrupção de menores: corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 anos e menor de 18 anos, com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo. Pena: reclusão de 1 a 4 anos. O sujeito passivo desse crime é qualquer pessoa maior de 14 e menor de 18 anos, Independentemente do sexo. Art Mediação para servir a lascívia de outrem: induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem. Pena: reclusão,de1(um)a3(três)anos. Art Rufianismo: tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça. Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

15 NOTIFICAÇÃO DAS SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA É importante que sejam criados fluxos de notificação da violência para que cada vez mais a Política da Criança e do Adolescente seja planejada de forma adequada e de acordo com a demanda existente.

16 Não digam nunca: isso é natural! Diante dos acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão. Em que corre o sangue, Em que o arbitrário tem força de lei, Em que a humanidade se desumaniza, Não digam nunca: isso é natural! (Bertolt Brecht)

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