PROJETO MULHERES NA CONSTRUÇÃO CIVIL: EDUCAÇÃO AMBIENTAL, FORMAÇÃO PESSOAL E PROFISSIONAL NO CARIRI PARAIBANO

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1 PROJETO MULHERES NA CONSTRUÇÃO CIVIL: EDUCAÇÃO AMBIENTAL, FORMAÇÃO PESSOAL E PROFISSIONAL NO CARIRI PARAIBANO PEREIRA, Katucha Kamilla Marques. Mestranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente PRODEMA / UFPB. INTRODUÇÃO O projeto Capacitação de Recursos Humanos para a Competitividade: Qualificação Profissional de Mulheres para a Construção Civil foi desenvolvido através de um convênio entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba - IFPB e a SUDENE Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Um dos campi envolvidos na realização do projeto foi o Campus Monteiro, onde as atividades aqui descritas foram realizadas. O projeto envolvia a capacitação para o trabalho de mulheres de baixa renda nas imediações do município, envolvendo, em sua primeira fase, 60 mulheres, distribuídas em três turmas, cada um com 20 alunas: auxiliar de gerenciamento de obras, aplicação de revestimento cerâmico e pintura de obras. O trabalho desenvolvido, entretanto, foi além da profissionalização, envolvendo tomada de consciências, formação pessoal e familiar para a cidadania e finalmente o empoderamento das mulheres participantes, mais conscientes de seus papéis como cidadãs e formadoras de opinião. METODOLOGIA A metodologia empregada neste trabalho é a observação participante, a partir da vivência e participação da autora nas atividades dos cursos ocupando a função de professora da disciplina Meio Ambiente e Sustentabilidade. A experiência aqui relatada demonstra a importância do desenvolvimento das atividades do projeto para a

2 comunidade, tanto através da capacitação de mão de obra quanto pela valorização das mulheres como profissionais em construção civil, mas especialmente pelos conhecimentos apreendidos por cada uma delas, que será repassado para suas famílias e para toda a comunidade local. DISCUSSÃO O presente estudo visa demonstrar e identificar as práticas de educação ambiental desenvolvidas com as mulheres estudantes do Projeto Mulheres na Construção Civil no Município de Monteiro, Cariri Paraibano, e suas vivências colaborativas em sala de aula. Conforme Carvalho (2004, p 19), para uma educação ambiental crítica, a prática educativa é a formação do sujeito humano, enquanto ser individual e social, historicamente situado. Assim, se entende que uma prática educativa libertadora é capaz de emancipar os indivíduos e acelerar sua formação, aliando seus saberes populares, familiares e pessoais ao o conhecimento científico, agregando valor e trazendo novos caminhos para os temas ministrados pelo educador. Os cursos do projeto contavam com duas fases: na primeira, considerada conteúdo humanístico, foram ministradas, embora em um curto período de tempo, as disciplinas de relações interpessoais, legislação trabalhista, direitos da mulher, leitura e produção de relatórios, ética profissional, meio ambiente e sustentabilidade, empreeendedorismo e matemática aplicada à construção civil. Na segunda fase, foram ministrados os conteúdos técnicos específicos a cada curso (auxiliar de gerenciamento de obras, aplicação de revestimento cerâmico e pintura de obras), incluindo-se teoria e prática, ministrados por estudantes e profissionais da área de construção civil. Na primeira fase, tive a oportunidade de ministrar a disciplina Meio Ambiente e Sustentabilidade. O objetivo da disciplina foi tratar de noções básicas de meio ambiente, poluição, reciclagem e sustentabilidade. Embora com um curto período de tempo, apenas seis horas-aula, o trabalho realizado foi bastante produtivo e relevante para a prática do educador e dos educandos.

3 A disciplina iniciou com conceitos de meio ambiente e poluição, tratando-se da poluição da água, do ar e do solo e dos impactos ambientais gerados. As alunas ficaram bastante impressionadas com os dados quantificados e as fotografias das porções de água potável restantes na Terra e de efeito estufa e aumento da temperatura. Falando em sustentabilidade, vimos exemplos de atividades e produtos sustentáveis, e tratamos dos principais conflitos gerados pelo alto consumo de produtos da natureza e também dos produtos industrializados. O debate foi centralizado no tema água, mais especificamente na falta de água na cidade. Naquele momento, as casas da zona urbana do município de Monteiro só tinham água duas vezes por semana na rede encanada, enquanto na zona rural dependiase carros pipa e cisternas. As próprias alunas concluíram que a falta de água ocorre em razão do consumo abusivo de alguns e do aumento da temperatura, fazendo que a pouca água existente nos reservatórios evapore. Conforme nos ensina Delizoicov (2014, p.87), é preciso investigar situações significativas para os alunos que estão envolvidas em suas contradições sociais, ou seja, uma pesquisa de universo temático em que está imerso o educando-educador. E assim, na atividade prática, as alunas ilustraram formas de acondicionar e economizar água em casa para as demais colegas, ensinando e exemplificando a possibilidade de cada um fazer uso correto da água para que não falte aos demais. Na aula seguinte, finalizando o conteúdo da disciplina, trabalhamos o aproveitamento de materiais e de modelos de reciclagem e separação de lixo. A ideia foi que cada uma pudesse compreender que tipo de material pode ser reaproveitado e de que forma. Falamos nos resíduos domésticos e nos resíduos da construção civil, por serem o objeto do curso, e como reutilizá-los. Nesta aula, foi realizada uma dinâmica em que grupos deveriam dar exemplos formas de aproveitamento dos resíduos domésticos. Para nossa surpresa, o saber popular aliado à necessidade de economia nos lares trouxe ideias surpreendentes e aplicações práticas. Para o dia seguinte, foi organizado um café da manhã coletivo em que cada aluna trouxe um alimento resultante de aproveitamento ou que pudesse ser aproveitado.

4 Cada aluna trouxe o conhecimento do dia a dia, perpassado muitas vezes de mães para filhas, como formas de aproveitamento de alimentos para novas refeições, acondicionamento fora de geladeiras para economizar energia (ou na falta desta), uso dos resíduos orgânicos como rações e adubo para animais e até mesmo compostagem e artesanato. O diferencial das aulas foi a oportunidade de cada aluna demonstrar seus conhecimentos e rotinas domésticas, valorizando-se, assim, o saber popular, as crenças e práticas familiares em suas realidades pessoais, agregando valor ao tema ministrado em aula pelo professor e criando uma nova práxis. CONCLUSÃO Todas as atividades da disciplina foram bastante produtivas, e, ao final, percebeu-se que as alunas puderam conectar ao seu dia a dia, de forma mais direta e consciente, os temas que foram tratados. De tal sorte, a partir do desenvolvimento das atividades de educação ambiental, foi possível ministrar os conteúdos de forma prática e contextualizada, sendo possível um engajamento e entretenimento das alunas com os temas sem lhes tirar o foco e o interesse. Utilizou-se uma Educação Ambiental Crítica, avançando em reflexões e alternativas didático pedagógicas, em harmonia com a modernidade e a realidade do alunado, cruzando o conhecimento científico e o conhecimento comum. A Educação Ambiental eficaz é capaz de fomentar nos cidadãos o rompimento com os paradigmas a que estão acostumados, caminhando para uma sociedade ambientalmente mais justa e sustentável. REFERÊNCIAS CARVALHO, I.C.M. Educação ambiental crítica: nomes e endereçamentos da educação. In: LAYRARGUES, P. (org). Identidade da educação ambiental brasileira. Brasília: Ministério do Meio Ambiente

5 CASCINO, F.; JACOBI, P.; OLIVEIRA, J.F., org. Educação, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SEMA/CEAM, DELIZOICOV, D. e DELIZOICOV, N. Educação Ambiental na escola. In: LOUREIRO, C.F.B. e TORRES, J. R. (orgs). Educação Ambiental: dialogando com Paulo Freire. São Paulo: Cortez FARIAS, T. Introdução ao Direito Ambiental. Belo Horizonte: Del Rey FIGUEIREDO, J. B. A. Educação Popular e Educação Educador (a) Ambiental popular numa perspectiva descolonializante. In: STRECK, D.R; ESTEBAN, M.T. (org). Educação Popular: lugar de construção social coletiva. Petrópolis, RJ: Vozes SIRVINSKAS, L.P. Manual de Direito Ambiental. São Paulo: Saraiva p.

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