8.4 DISPONIBILIDADES FINANCEIRAS

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1 [Contabilização da receita de transferência intergovernamental] (...) as receitas de transferência intergovernamental, mesmo as destinadas a programas específicos, integram a receita corrente líquida que serve de base de cálculo para se chegar ao percentual mínimo a ser gasto com pessoal (...) (Consulta n Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 22/03/2006)..4 DISPONIBILIDADES FINANCEIRAS ENUNCIADO DE SÚMULA N Comprovada a inexistência de bancos oficiais em seu território, o município poderá, mediante prévia licitação, movimentar seus recursos financeiros e aplicá-los em títulos e papéis públicos com lastro oficial, em instituição financeira privada, sendo-lhe vedada a contratação de cooperativa de crédito para esse fim. [Município. Movimentação de recursos públicos em cooperativas de crédito] 41 (...) [há] impossibilidade legal de movimentação de recursos públicos em cooperativas de crédito, como também (...) impossibilidade de associação dos municípios às tais sociedades cooperativas (Consulta n Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 05/03/200). [Município. Cooperativas de crédito] (...) impossibilidade de efetivação de depósito e movimentação das disponibilidades financeiras municipais em cooperativas de crédito, pois elas somente estão habilitadas a captar depósitos de seus associados e a lhes conceder empréstimos. (...) importa esclarecer que a condição para ingresso na cooperativa é a integralização de recursos ao capital da sociedade, o que não é possível pela administração pública, pois, nessa hipótese, seriam integralizados recursos públicos a serem administrados pela cooperativa sociedade privada, os quais ficariam, juntamente com os recursos integralizados por outros associados, à disposição de pessoas físicas e jurídicas associadas para diversos fins creditícios, inclusive empréstimo, segundo regras estatutárias próprias da sociedade cooperativa. (...) respondo negativamente à consulta formulada, concluindo pela impossibilidade legal de movimentação de recursos públicos pelos municípios em sociedade cooperativa, como também pela impossibilidade de associação dos municípios às cooperativas de crédito (Consulta n Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 20/02/200). 4 Além dos excertos ora colacionados, cumpre ressaltar que acerca da matéria há diversas consultas nesse mesmo sentido. 115

2 FINANÇAS PÚBLICAS [Inexistência de instituição financeira oficial. Depósito e movimentação bancária das disponibilidades financeiras em cooperativa de crédito. Impossibilidade] (...) restou assentada neste Tribunal de Contas a orientação relativa à impossibilidade de efetivação de depósito e de movimentação das disponibilidades financeiras municipais em cooperativa de crédito, pois ela somente está habilitada a captar depósitos de seus associados e a lhes realizar empréstimos (Consulta n Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 07/11/2007). [Inexistência de instituição financeira oficial. Disponibilidades financeiras. Cooperativa de crédito] Ao referir-se à orientação desta Corte vazada naquele parecer [Consulta nº ], o Auditor Hamilton Coelho aduziu o seguinte comentário (...): A orientação desta Casa de Contas, no que se refere ao quesito formulado, é bem clara; não existindo instituições financeiras oficiais no município, poderá ele, mediante autorização específica, contratar serviço bancário com banco privado, bem como ali efetuar movimentação de dinheiro e aplicações financeiras, desde que atreladas em títulos e papéis com lastro oficial, destacando, ainda, que a contratação de casa bancária particular deve ser precedida de procedimento licitatório, a fim de não macular o comando do art. 37, XXI, da Constituição da República. Com efeito, na consulta citada, restou claramente demonstrada a impossibilidade de efetivação de depósito e movimentação das disponibilidades financeiras municipais em cooperativa de crédito, pois ela somente está habilitada a captar depósitos de seus associados e a eles realizar empréstimos (Consulta n Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 12/09/2007). [Contratação de instituição financeira. Folha de pagamento de pessoal. Pregão] Para a análise da questão, devo destacar, primeiramente, o art. 164, 3º, da Constituição da República (...). Numa primeira interpretação do dispositivo constitucional, tem-se que toda verba advinda de órgão público deve ser depositada em banco oficial. Entretanto, entendo que na disponibilidade de caixa não estão incluídas as verbas referentes a salário, remuneração, aposentadoria e pensão dos servidores públicos, porque, tão logo a Fazenda Pública deposita os aludidos valores, não mais pode dispor deles, visto que já pertencem a terceiros. Quanto à natureza jurídica da instituição financeira em que as despesas estatais, entre elas a de custeio de pessoal, deverão ser depositadas, o art. 164, 3º, da CR, nada dispõe sobre a questão, o que me leva a concluir que não existe ilegalidade em que os depósitos sejam feitos em instituições privadas. Entendo também que deve ser feita licitação para a gestão da folha de pagamento, pois o procedimento licitatório, além de possibilitar a seleção de proposta mais vantajosa para a Administração, empresta isonomia e 116

3 transparência ao ato de escolha da instituição financeira. E ainda, de acordo com a exegese da Lei nº /02, o pregão com melhor oferta de preço é a modalidade de licitação mais condizente para o presente caso, por ser procedimento mais célere e por permitir uma maior competitividade entre os licitantes, gerando maiores receitas para o erário e benefícios para o órgão público beneficiado (Consulta n Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 09/12/2009). [Ausência de instituição financeira oficial no município. Movimentação bancária em instituições privadas. Autorização específica de norma municipal ] Firmou esta Corte o entendimento de que as disponibilidades de caixa dos Estados, Distrito Federal e Municípios devem, necessariamente, ser depositadas em instituições financeiras oficiais, consoante 3º do art. 164 da Constituição Federal/ e art. 43 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Inexistindo instituições financeiras oficiais no município é de se lhe facultar, mediante autorização específica de norma municipal, proceder à movimentação bancária em instituições privadas, incluídas as aplicações financeiras, desde que estas tenham por lastro títulos ou papéis públicos, devendo para tanto ser observado o procedimento licitatório (Consulta n Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 11/06/200). [Recursos do Regime Próprio dos Servidores] (...) observadas as disposições da Lei nº 9.717/9 e da Resolução nº 3.244/04, DJ de 01/11/04, baixada pelo Conselho Monetário Nacional, que dispõe sobre as aplicações dos recursos dos regimes próprios de previdência social instituídos pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou por Municípios, os recursos arrecadados que compõem o regime próprio dos servidores devem ser depositados em bancos oficiais, em conta específica e distinta das demais contas do instituto previdenciário, mas sua aplicação pode ser feita tanto em instituições financeiras oficiais, quanto em instituições financeiras privadas, autorizadas a funcionar pelo Banco Central, desde que selecionadas mediante processo de credenciamento (Consulta n Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 25/10/2006). [Previdência Municipal. Aplicação dos recursos financeiros em instituições financeiras privadas] (...) os recursos arrecadados que compõem o regime próprio dos servidores devem ser depositados em bancos oficiais, em conta específica e distinta das demais contas do instituto previdenciário, mas sua aplicação pode ser feita tanto em instituições financeiras oficiais entendidas essas como as que possuam capital estatal e controle diretor do poder público, conforme magistério de R. Limongi França 117

4 FINANÇAS PÚBLICAS quanto em instituições financeiras privadas, autorizadas a funcionar pelo Banco Central, desde que selecionadas mediante processo de credenciamento, observado o certame seletivo prévio para o caso, de forma que possam ser aplicados em condições de segurança, transparência, rentabilidade, solvência e liquidez (Consulta n Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 22/03/2006). [Aplicações financeiras de disponibilidades de caixa] A indagação do consulente é se pode aquele instituto [de Previdência e Assistência aos Servidores Municipais] contratar banco não oficial para movimentar conta corrente e efetuar aplicações financeiras, considerando o art. 6º da Resolução do Banco Central nº 3.244, de 2 de outubro de 2004, que regulamenta as aplicações dos recursos dos regimes próprios de previdência social e o 3º do art. 164 da Constituição Federal. (...) As legislações citadas pelo consulente referem-se a duas situações distintas: a) gestão da aplicação de recurso dos regimes próprios de previdência social; e b) depósito de disponibilidade de caixa dos entes federados. A citada Resolução do Banco Central nº 3.244, de 2 de outubro de 2004, que regulamenta as aplicações dos regimes próprios de previdência social instituídos pela União, pelos Estados ou pelos Municípios dispõe, em seu art. 6º, sobre as formas que devem ser observadas na atividade de gestão da aplicação daqueles recursos (...). Já o 3º do art. 164 da Constituição Federal determina que as disponibilidades de Caixa da União serão depositadas no Banco Central, a dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas, em instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei. (...) Enquanto as disponibilidades de caixa dos entes da Federação deverão ser sempre depositadas nas instituições financeiras oficiais, salvo os casos ressalvados em lei, (...) as disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos (...) ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e deverão ser aplicadas nas condições de mercado, em instituição administradora previamente selecionada mediante processo de credenciamento, com observância de regras de segurança, solvência, liquidez, rentabilidade, proteção e prudência financeira, conforme diretrizes previstas na norma específica do Conselho Monetário Nacional, no caso a citada Resolução nº 3.244, de 2 de outubro de 2004 (Consulta n Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 21/12/2005). 11

5 [Possibilidade de movimentação bancária em instituições financeiras não oficiais. Necessidade de autorização específica em norma municipal] (...) em síntese, (...) tanto a movimentação bancária quanto a aplicação financeira das disponibilidades hão de se efetivar em agências locais de instituições financeiras oficiais. Entretanto, em não existindo essas no município, é de se lhe facultar, mediante autorização específica em norma municipal, dentro de sua competência concorrente, proceder à movimentação bancária com instituições financeiras privadas ou privatizadas, bem como ali efetuar aplicações financeiras, desde que sejam unicamente com base em títulos e papéis com lastro oficial (Consulta n Cons. Rel. Elmo Braz. Sessão do dia 06/11/2002)..5 EDUCAÇÃO ENUNCIADO DE SÚMULA N Os recursos próprios do Município, repassados às caixas escolares inseridas nas escolas da rede pública municipal, excluídos os valores relativos ao FUNDEB, devem ser contabilizados como despesas realizadas na manutenção e desenvolvimento do ensino, desde que sejam destinados ao ensino fundamental e/ou à educação infantil, haja prévia autorização do repasse em lei específica e sejam atendidas as condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e na Lei de Responsabilidade Fiscal, observada a necessidade de prestação de contas e do cumprimento de regras licitatórias. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 70. A falta de aplicação anual pelo Município de 25%, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino, nos termos da lei, poderá ensejar a responsabilização do gestor, pelo indevido ou irregular emprego de rendas ou verbas públicas, sem prejuízo da solicitação da intervenção do Estado. [Quotas Estaduais do Salário-Educação (QESE). Manutenção e desenvolvimento do ensino. Custeio de assistência social] Os programas suplementares de alimentação merenda escolar, assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social não podem ser financiados com os recursos destinados à manutenção e desenvolvimento do ensino, mas sim com aqueles provenientes das contribuições sociais, incluídas as contribuições para o salário-educação, e outros recursos orçamentários, conforme preceituado no art. 212, 4º, da Constituição da República de 19. É vedada a destinação dos recursos provenientes do salário-educação para o pagamento de despesas com pessoal, uma 119

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