- «... Teles raphei ao Ministro, dizendo que razão. Director : IJA. SOUSA.. 1 BEIRO

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1 irector : IJA SOUSA 1 BEIRO Antigo Secretaría Geral do Governo da provinciaa de S Thomé e Principe e do Governo Geral de Mocambique (hrollka Ohre(O á Gerai de flll! aeda - «Teles raphei ao Ministro, dizendo que razão tivera eu quando em I7 de Maio suggeria a conveniencia de ser entregue o Governo ao Inspector de Fazenda Pedi a minha demissão, insisti nella e 1:articipei ao i\iinistro que aguardavo que me indicasse immediatamente a quem entregar as redeas do governo «A orientação governativa deve ser uma Tern de ser superiormente dirigida na colonia pelo Governo Geral, apoiado nos seus Conselhos consultivos e deliberativos ; na metropole pelo `linistro, com uma só irecção Geral das Colonias a seu lado Mas nem cá nem lá se pode continuar a hesitar perante tudo que se pretenda fazer, ante a pergunta infallivel : «Ias que dirá a Fazenda l)) «\ Fazenda terá de ser a escripturaria e a fiscal da ;,erencia dos dinheiros publicos O que não lhe é permissivel é que continue a seno travão, a barreira insuperavei contra a qual se desmoronam todos os planos de fomento, todos os projectos de reforma - E' pois inabalavel a resolução de V Ex a - ((Sim, senhor E creia que, procedendo assim, juro prestar á Provincia de iioçambique o melhor serviço que cabe nas minhas limitadas forças E' o de provar coin factos ao Governo a inadiavel necessidade de alterar a sua orientação sobre a Fazenda Colonial Uma irecção Geral em Lisboa, sirn ; duas é impossível, como impossível é collocar o Governador em subordinação â Inspecção de Fazenda Permanecer no meu posto como Governador, sim ; como manequim, é que não estou disposto a fazél-o» (Entrevistaa com o sr dr Ferreira dos Santos Lourenço Marques Guardian, de 5 de Junho ) Palavras estas que valem quanto pesam! Verdadeiras barras d'ouro atiradas para cima da meza do Ministro pelo austero, intelligente e science governador interino de Moçambique! Editor : ANTONIO NUNES SEQUEIRA REACÇÃO E AIYIINISTRAÇÃO---, Rua Paiva d'andrada (ao Chiado) Telegr : «Agenia1» L=l3BOA Teleph 2079 Composto e impresso na Typographie do Annuario Commercial - Praça dos Restauradores, 21 Nós já aqui dissemos quanto podíamos e quanto sabíamos, a ver se o governo arrancava do Ministerio das Colonias aquella nociva Fever tree plantada pelo decreto de 2 7 de Maio de i 9 I I Mas é tão funda a impaludação das auctoridades dominantes, que, nem com as doses de quinino que lhes propinámos, tiveram força para derrubar de vez a deleteria pinckneya pubens! E` verdade que com um empurrão do Congresso lhe cahiu parte das pernadas e da rama (art 3 da lei de 3o de Junho adeante transcripta) ; e com a machadada do Ministro baquearam-lhe grossos galhos com estrondo (decreto de 4, tambero adeante transcripto) ; mas a raiz e tronco lá ficaram, condimentados pelo guano do provisorio, para tornar a rebentar com a sua endemica ascendencia, difundindo os microbios da discordia por de sobre os outros serviços que a politice não caprichou em altear até ao geral O golpe foi, pois, desastrado porque a damninha arvore ainda ficou, agora com dois braços independentes, preso um ao tronco pela cabeça - o director geral, cabeça de si mesmo (arts 2 e 3 do decreto) - e desligado o outro do tronco, de que aliás ainda é cabeça o proprio tronco ( unico do artigo 2 )!! Ineiflcaz empurrão! Machadada infeliz! Mas agora perguntamos nós : não está hoje a pasta das Colonias nas mãos de um homem de lei como o dr Ferreira dos Santos, um homem de integro direito e de ordem, como o juiz governador de Moçambique? Ah! Sim! E' que o sr, dr Almeida Ribeiro sente ainda semicravadas na cabeça as garras aduncas da Política!

2 Colonizzição ("Concluido do europeizi numero anterior) Trigo REVISTA A cultura do trigo na AFRICA AUSTRAL situada ao norte do parallelo de 20 tem encontrado serias dificuldades de adaptação, derivadas das condições climatericas d'esta zona E' assim que sob ' influencia de climas tropicaes de altitude inferior a metros, o trigo cultivado durante a estação das chuvas é frequentemente atacado pela ferrugem que impede o seu desenvolvimento Numerosos ensaios feitos em Pretoria, Salisbury, etc, com trigos da India, Persia, Africa, etc, demonstraram que especies indemnes a ferrugem nos seus paizes de origem são immediatamente atacados por esta cryptogamica em sementeiras durante a estação das chuvas 'ahi uma longa serie de ensaios com o fim de determinar as melhores epocas ele sementeira em relação com as condições meteorologicas de cada região Na Rhodesia e no norte do Transvaal faz-se a cultura do trigo durante o inverno em solos humidos de alluvião negra assentando em sub-solo granito Estés ensaios teem sido tão animadores, que pode calcular-se que dentro de 2 a 3 anuos a cul- tora do trigo de inverno entrarei na practica corrente na Rhodesia Na Katanga obtiveram-se tambero resultados favoraveis em diversas fazendas, o que na opinião do Sr Hock é bastante importante, pois d'ahi pode provir o trigo preciso para o fornecimento da população branca de uma grande piarte do Congo Resultado dos ensaios - Ficou provado que o trigo de inverno da melhor resultado na Rhodesia do Noroeste do que na Rhodesia do Sul, onde são abundantes as geadas nos primeiros mezes da estação secca Entre as variedades ensaiadas os trigos barbudos deram melhores resultados clue os nus Os trigos Gluryas, Bobs e Golden Ball foram os que provaram melhor em culturas não irrigadas Producção por hectare - Em terreno não adubado o rendimento variou entre 10 a 20 vezes o peso da semente empregada á razão de 50 a 60 kilos por hectare = 500 a kilos Preços -Regula por 60 centimes (120 réis) o kilogramma na Rhodesia o que dá o rendimento bruto de a réis por hectare PLANALTOS A HUILLA E BENGUELLA - No planalto da Huilla os primeiros ensaios feitos pelos colonos boërs na Humpata (1 800 metros de altitude) e pelos madeirenses no Lubango (1 700 metros) foram desanimadores Cultivados em plena estação das chuvas, isto é, durante o inverno, eram atacados da ferrugem e durante a estação secca, em cultura irrigada eram destruidos pelas geadas, frequentes nas madrugadas dos mezes de Junho e Julho, devidos ao abaixamento ela temperatura nestes mezes que desce até 4 abaixo de 0 nas altitudes comprehendidas entre 1700 e 1800 metros Apoz numerosos desastres fixou-se a melhor epoca para a cultura do trigo entre os dois ultimos mezes da estação das chuvas e os dois primeiros da estação COLONIAL secca, por forma a desenvolver-se a cultura sob a acção béne fica das ultimas chuvas, seguindo-se a rega até completa maturação dos espigos em maio ou junho, podendó os trigos, principalmente os duros, affrontar a acção das geadas, ja quando maduros No planalto de Benguella, onde as geadas são muito raras e só se maüifestam nos terrenos marinaes dos grandes valles desarborizados em altitudes superiores a 1700 metros, uns semeiam em Fevereiro e colhem em Junho, outros semeiam em Março e Abril com as ultimas chuvas e regam até Agosto e Setembro, epoca da colheita Resultados dos ensaios o ciaes - Os ensaios realizados no Campo Experimental de Cacondn sob a direcção do agronomo Costa Botelho e do regente agrícola Alfredo de Andrade, deram os seguintes resultados muito animadores Trigos mollares - Variedades trernez e branco, semeados em fins de fevereiro, sem rega nem adubos, em terras avermelhadas, produziram : o tremes 13,5 hectolitros por hectare com o peso de 81,5 kilos por hectolitro, e o branco, o mesmo numero de hectolitros com o peso de 83,2 kilos por hectolitro 4 trigo ribeiro nas mesmas condições produziu 17,5 hectolitros com o peso de 77,6 kilos por hectolitro Na classe dos trigos duros os mais productivos foram as variedades temporão de coruche e barba preta que nas condições anteriores deram 15 e 12,5 hectolitros por hectare, pesando o hectolitro respectivamente 76,4 e 72,2 kilos Tomando, como exemplo, o trigo temporão de coruche, vê-se que o seu rendimento liquido por hectare é o seguinte Venda em Lisboa de 1,146 kilos, ou sejam 109 alqueires ao preço de 671 réis o alqueire de 13,8 litros, ou 64 réis o kilo espegas 16 saccos a 240 réis 3$840 Quebras 3 O/o 2$200 Transporte até Lisboa (com a mesma tarifa combinada) 9$760 ireitos de lapida, livre -- espacho na metropole 12$000 Seguro, commissões e correta gens 4 0/0 2$930 Semente 3$ Lucro liquido Sob o ponto de vista da colonização europeia as culturas cerealíferas são as que devem merecer mais detida attenção, pois seguramente ellas constituirão a base da sua vida economice, fornecendo á metropole um producto de primeira necessidade, o trigo, que fará reverter ao paiz milhares de contos que annualmente cobrem a importação do trigo exotico i;' de kilogrammas, em media, o deficit annual de trigo na metropole no valor de $000 réis Em 1908 a metropole importou,

3 s REVISTA COLONIAL 3 y principalmente da Argentina, kilogrammas de trigo no valor de $000 réis 0 planalto de Benguella possuindo solos de provada aptidão para os cerdees, aguas abundantes para a irrigação, clima ameno e uma via ferrei para largo trafego com tarifas reduzidas para os productos da agricultura, esta naturalmente destinadlo a ser o copeiro de Portugal Arroz Aquando -Pouco cultivado na Katanga, porisso que a sua cultura exige grandes varzeas inundarlas Em Chilongo fizeram-se ensaios, que deram o rendimento de a kilos de grão limpo por hectare com uma só colheita annual 0 planalto de Benguella presta-se a cultura do arroz aquando para o que possuo vastos tractos de terreno alagadiço, principalmente entre o Huambo e o Bihé, tal como a vastíssima inhaca de Mhulubulu E', comtudo o arroz de sequeiro o que tem sido cultivado por europeus e indigenas A sua cultura foi largamente praticada pelos indigenas do Bihé e Bailundo antes do enorme desenvolvimento que tomou a extracção da borracha das hervas Convem, pois, desenvolver a sua cultura, lembrando que a metropole importa annualmente do extrangeiro de kilogrammas no valor de $000 réis Em a metropole importou kilogrammas de arroz no valor de réis $184 Apenas vieram das nossas colonias kilos Cultura indígena - Uma commissão de technicos (1) sob a direcção do engenheiro agronomo o sr Martiniano Pereira, nomeado em 1908 pelo Governo Geral para avaliar o rendimento das principies culturas de exportação do planalto de Benguella, fixou as seguintes bases para a exportação do arroz de cultura indigena : a) Preço cie compra do arroz em casca ao indigena -180 réis a arroba ou 12 réis o kilo ; b) espeza por conta do comprador com a transformação cie 1 tonelada de paddg em arroz mercantil - 4$550 réis c) Rendimento do arroz em casca em arroz branco-65 0/o, ficando portanto 1 tonelada de paddy reduzida a 650 kilogrammas Com estas hases, com a mesma tarifa combinada entre as companhias do caminho de ferro e de navegação e com a exportação livre, o rendimento liquido de 1 tonelada de arroz em casca é o seguinte : Compra ao indigena 12$000 Saccos 3$350 Transformação do paddry em arroz branco 4$550 Transporte ã estacão do caminho de ferro 4$000 Transporte de 650 kilos até Lisboa (tarifa combinada) 5$200 A transportar 29$100 (1) Os quadros organizados por esta commissão encontram-se no officio do Governo Geral ao Ministerio das Colonias, n 0 10 de 1908 Transporte 29$100 Quebras 3 0/o 2$560 espacho na metropole (14 réis Por kilo) 9$100 Seguro, commissões e corretagens 4 0/0 3$140 Venda em Lisboa de 650 kilos de arroz branco ao preço de 1815 réis os 15 kilos ou 121 réis o kilo Lucro liquido $650 34$750 Cultura europeia -Arroz de sequeiro : Suppondo para o planalto de Benguella a pi_oclucção de arroz limpo egual ã obtida na Katanga, isto é, kilogrammas por hectare, o seu rendimento liquido será o seguinte : Vencia em Lisboa cie hilos de arroz 121$000 espezas de exportação : Saccos 3$350 Transporte até Lisboa 8$000 Quebras 3 0/0 3$530 Seguro, commissões e corretagens 4 0/0 4$840 espacho na metropole 14$000 Beneficiação do arroz - encargos do capital e machinismos 4550 Semente 8$470 Trabalho de 2 indigenas 12$000 58$740 Lucro liquido 62$260 Algodoeiro AFRICA CENTRAL - cultura indigena : Em todas as povoações da Katanga do Sul os indigenas cultivam uma especie de algodoeiro vivaz,cujo producto é de inferior qualidade No Nyasaland e na Uganda as auctoridades e os plantadores europeus fornecem aos indigenas sementes das especies mais productivas e compram os productos das suas colheitas ao preço de 50 a 70 centimes (120 réis) o kilo de algodão limpo, o que lhes deixa um lucro con sideravel Cultura europeia-numerosos ensaios teem sido feitos no Natal, Transvaal e Rhodesia do Norte para a escolha das especies de algodoeiros adaptaveis ás condições agrologicas e climatericas d'actuelles paizes As que melhores resultados deram foram as variedades do American Upend, já acclimados no Nvassaland, o Cook's Long Staple e os typos Silk e Wood da especie australiana caraoonica Na Rhodesia as variedades egvpcias não se arrumaram Os cultivadores de algodão na Rhodesia em geral não possuem nas suas granjas os macbinismos de descaroçamento e prensagem ; evitam essa despena, aliás importante, enviando a sua producçoo para ser descaroçada e prensada na fabricada British Cotton Growing Association, estabelecida em Mazabuka, na Rhodesia do Noroeste 0 descaroçamento custa um penny (20 réis) por libra ingleza, ficando

4 REVISTA COLONIAL a fabrica de posse da semente Este preço augmenta um pouco com a prensagenn, fornecimento de saccos, etc a estação de 1llazabuka ate o porto da Beira o algodão descaroçado e prensado em farelos ele 470 libras paga o frete ele 1 17 francos (23400 réis) porr tonelada (tarifa especial) 0 frete da Beira a Livrepool ë de 131 francos, 50 (26300 réis) por 1000 kilos, ao chie ha a junctar as clespezas de carga, descarga, doca, commissões, etc 0 transporte de 1 kilo de algodão descaroçado e prensado, produzido na Rhodesia do Norte fica em Liverpool por 2G a 27 centimes (52 a 54 reis) 0 Sr Flock calcula que com tarifas mais bailas nos caminhos de ferro belgas e rhodesianos a de- Para a Katanga calcula a sr Hock a despem geral de 217 fr, (43$400 réis) por hectare até i chegada do producto ao porto de Liverpool Proclucção rnedia -- E' calculada para os paizes da Africa Central em 300 l :ilogramnias ele algodão limpo por hectare Preço medio da vencia na Europa - 1,1i0 fr, (320 réis) por kilo Rendimento liquido a r s, (51$000 a b2 000 réis) pol' hectare PLANALTO E BENGUELLA Cultura indígena : Todos os indígenas cultivam o algodoeiro berbacio para usos domésticos Esta especie esté, poi ém, completamente degenerada, Guiné : Commando Militar ; séde da 2 companhia indigence de infantaria, e secções de artilharia, em ijissau peta cio transporte de 1 kilo de algodio produzido na Natantia do Sul sera de 31 a 32 centimes (62 a 64 réis) da estação de Elizabethville a Liverpool espczas de cultura e colheita por hectare - Segundo os calcules do sr Hock sáo os seguintes Na RrI0ESIA do Sul, onde o trabalho é executado com bois -140,25 fr, (28050 réis) No Transvaal-lavoura a machina-j2 fr, (18$400 réis) No Nyasaland - trabalho é enchida - mão (febra i)arata fr, (21,$600) (lendo fracas producções de fio curto, duebra-- diço e, por isso, de inferior dualidade istribuindo-lhes sementes de boas dualidades, já ensaiadas pur alguns europeus no planalto, tees como : as variedades do Upland, O ier Silk, barbadensis, etc, e adoptando as bases estudadas pela commissão teclmica a que atriz me referi e que são a) distribuidlo gratuita de sementes das variedades mais productivas adaptaveis Is condições do clima ;

5 Ar flevista COLONIAL b b) compra do algodão em caroço ao preço de 000 réis os 15 kilos ; c) percentagem de 30 /o de algodão limpo no descaroçainento o que di 300 kilos de algodão em rama para 1000 em caroço ;-a tonelada de algodão da cultura indigena dará o' seguinte rendimento : Compra de x 000 kilos de algodão em caroço escaroçamento, prensagem, encargos do capital e machinismos OS000 Transporte de 300 kilos até d estacão 2500 Transporte no caminho de ferro (tarifa n t) Transporte maritimo (frete especial por lei) 1$500 Seguro, commissões e corretagens 4 /o 350 :)O Imposto de 20 réis por kilo Venda de 300 kilos em Lisboa a 300 réis o kilo 90$000 Lucro liquido Cultura europeia -- No planalto de Cacona e no districto da Huilla (zona littoral dos rios Bero, Giraúl, Coroca, S Nicolau e zona interior do Munhino e Capangombe) a cultura do algodoeiro é de pratica corrente entre os nossos agricultores, mas as producções são fracas, devido ás qualidades das especies em cultura, quasi sempre herbaceas e mais ou menos degeneradas Em Caconda a cultura sem rega d'estas especies dava apenas 120, fulos de algodão limpo por hectare Em Mossamedes (valle do Giraúl) apoz numerosos ensaios conseguiu-se seleccionar uma variedade de algodoeiro eg vpcio que ficouu conhecido com o nome de «algodão do Giraúl, caja producção media por hectare é de 200 kilos No planalto da Huilla a Companhia de l\iossamedes tem feito na região dos Gambas ensaios com variadas especies americanas e egy-- pcias, chegando d conclusão de que a especie mais productiva, facilmente adaptavel ás condições do clima e em cultura sem rega, era a variedade acclimada no Giraúl No planalto de Benguella (Bilié, Sambo e l3ailundo) fazem-se ensaios com as especies americanas (Upland), egypcias e australianas (Caravonica) com bons resultados, não sendo ainda possível apurar a producção por hectare e numerosas experiencias realizadas na Africa, America e Australia chegou-se ' ao seguinte l)rincipio : a producção do algodão depende essencialmente da cultura regada e da escolha das especies arboreas Nesta orientação teem sido feitas em Angola muitas experiencias com a producção media de 300 kilogrammás de algodão limpo por hectare, merecendo especial menção os ensaios realizados nos postos experimentaes do Quilombo e Catete sob a direcção do engenheiro agronorno sr Martiniano Pereira, a quem a cultura algodoeira em Angola eleve valiosos serviços Suppondo para o planalto de Benguella uma pro - clucçao egual d da Rhodesia, isto é, 300 kilos de algodão limpo por hectare em cultura regada e com especies arboreas, o rendimento liquido da cultura europeia será approximadamente o seguinte Venda em Lisboa de 300 hilos a 300 réis o hilo espez as escaroçamento e prensagem - encargos do capital e machinismos OSO00 Transporte á estação do caminho de ferro 3$500 Transporte no caminho de ferro Frete maritimo 1$500 Seguro, commissões e corretagens 4 O/o Imposto de 10 reis por hilo 3$000 Trabalho de 2 inclig tinas Lucro liquido 58$90í E' esta uma das culturas de maior futuro no planalto de Benguella e toda a sua producção seré garantida pelo consumo na Metropole que annualmente importa algodão em rama e em caroço no valor de : réis Tabaco E' cultivado pelos indigenas na Katanga e na Rhodesia E' de inferior qualidade, apenas destinado aos trabalhadores das minas pelo preço de 2 francos o kilo (400 réis) Alguns cultivadores europeus teem ensaiado com bons resultados o tabaco turco e da Virginia Calcula o sr Hock que o seu rendimento por hectare será superior ao das plantações europeias E' cultura generalizada entre os indigenas do planalto de Benguella, havendo especies que melhoradas pelos processos culturaes darão bom rendimento aos colonos Convem lembrar que o nosso paiz importa annualmente cerca de : réis de tabaco extrangeiro, sendo 4OO : réis para a provincia de Angola Plantas borrachiferas Quasi todos os agricultores do idanalto estão ensaiando as maniçobas do Brazil, Principalmente as novas especies da Bahia Os resultados saro animadores, provando que esta cultura se adapto perfeitamente aos solos e clima cio planalto Batata Cultura europeia - Tanto na I atanga cio Sul como na Rhodesia e em grande ltar te do Transvanl a cultura da batata é de pratica corrente entre os europeus dando grandes producções, mas degenera facilmente, exigindo importação constante e dispendiosa de novas sementes da Europa Havendo facilidade de irrigação, a batata pode ser cultivada durante todo o anuo, mas geralmente fazem-se duas colheitas : uma plantada em setembro e colhida em dezembro janeiro, e outra semeada em março e colhida em maio-junho iz o sr Hock que a batata é a planta alimentar de maior

6 REVISTA COLONIAL producção por hectare Plantada <i distancia de 50 centímetros em todos os sentidos, isto, a razão de 40 :000 pés por hectare, produz de a 1 kilo de tubercules por pé - 20 :000 a 40 :000 hilogrammes O preço da semente importarla é de 80 centimes a 1 franco (160 a 200 réis) o kilo em Elizabethville A producção em bons solos faz-se na proporção de 1 : 8 a 10 Em Elizabethville vende-se o kilo ao preço de 45 centimes a 1,50 fr (90 a 300 réis) Nos planaltos de Benguella e Hujlla é uma das mais rendosas culturas dos europeus, sendo a sua producção toda consumida na Provincia 0 hectare produz em media 20 :000 kilogrammes Cota-se a 900 réis a arroba dando-lhe, porém, um preço baixo que resultara da abundancia da producção, 400 réis, o hectare rende em bruto 533 :200 réis Este producto pode ser exportado para a Metropole, pois em 1908 o paiz importou :058 kilo-- grammas no valor de 263 : réis, vindos da França, Hespanha, Allemanha e Belgica J PEREIRA O NASCIMENTO LUZ A GAZOLINA machinas «F P» 89 :000 machinas em uso - Pedir informações GUY L BARLEY & COM TA, Rua Paiva d'andrada, 3 e 5 LISBOA Progresso a Provinda e uma maneira notavel se tem ultimamente accentuado o progresso da Guiné, facto que mais uma vez eloquentemente nos demonstra que entre todas as medidas que se podem adoptar para bem das nossas colonias resaltara como primaciaes a escolha de um governador idoneo e a sua permanencia no seu cargo Hoje, depois de ter pago perto de 100 : réis pela ponte de Bissau, cie haver adquirido um vapor para serviço da Provincia e de ter despendido uma avultada quantia na balisagem dos canses, com bofas luminosas, e na acquisição de uma draga, tem a Guiné em cofre mais de 240 :000$000 réis, pagas todas as suas despenas orçamentaes! As duas photographias de que neste numero inserimos a gravura, mostram, uma o commando militar, séde da 2 a companhia indígena e secção de artilharia em Bissau, edificio agora concluido ; a outra, os trabalhos da construcção da ponte de Bissau, em cimento armado, a qual poderão atracar vapores com 26 pés de calado 0 edificio que ao fundo se vê em adeantado estado de constr-ucção destina-se para a capitania dos portos e alfandega, e, não obstante haver sido começado ha cinco meres, podemos informar os nossos leitores de que está prestes a ser concluido Porém, entre todos os trabalhos realizados pelo actual governador, sr Carlos Pereira, o que certamente marcará epoca na Guiné, é o da occupação do Ojo, até hoje sempre rebelde e insubmisso, alto serviço, grandiosa empieza levada a cabo sem reclamos de heroicidade, sem verba especialmente inscripta para esse fim, mas apenas com uma energia, uma tenacidade e um methodo dignos de ser registados e louvados Aquelle territorio onde as nossas armas até agora só tinham soffrido desastre, foi occupado apenas por uma força de 2 officiaes, 40 praças e 500 auxiliares, tão valentes - quão dedicados, sob a superior direcção do governador da Provincia e com o valioso auxilio de Calvet de Magalhães que tanta influencia soube conquistar entre os indígenas da sua circumscripção! E como se effectou a occupação 2 epois de montado um posto em Porto NTansoa, na origem do rio do mesmo nome, foi este tomado como base de operações Atacado repetidas vezes por milhares de balantes e oincas, aguentou-se e sempre se manteve, repellindo todos os assaltos emquanto Calvet de Magalhães fazia o ataque pelo norte e se estabelecia no rio Farim E entretanto que d'estes dois pontos partiam

7 r RFWISTA COLONIAL A ataques successivos que cada vez mais desanimavam os indígenas, interna-se no Ojo o capitão Tejxeira Pinto, tomando palmo a palmo o territorio rebelde, até que o gentio se convence da sua derrota quando vê conquistada a sua capital - Mousabi Só então, tomada esta, pediram paz E a haz foi-lhes concedida sob rigorosas condições, a primeira das quaes consistiu na entrega das armas, cuias 3000 ja estão em poder do governo, facto tanto mais para admirar e regosijar-nos quanto sabido e de nós todos o qu e aos povos guerreiros da Guine custa o entregarem as suas armas 0 Ojo é muito povoado, e rico em borracha, podendo o imposto de palhota, 1500 réis por palhota render 2 :000$000 reis annuaes Até agora j á foram cobrados mais de 12 contos Aquella nossa possessão, que ha pouco mais de dois anees mal dava para as suas despezás, apresenta agora na sua administração economice um saldo positivo, apesar dos trabalhos importantes, a que, como vimos, se tem dado execução A circumstancia de ter havido a coragem de acabar com as guerras contra o gentio, adoptando-se um systema energico mas prudente, e seguindo-se uma orientação intelligente e acertada, deu estes brilhantes resultados, que bem devem ter compensado o governador, bem como aos seus valiosos auxiliares, dos dissabores e amarguras com que devem sempre contar os que acima de tudo põem o progresso e a gloria do seu paiz Voltaremos no próximo numero ao assumpto ry Ç RÌ II caminho de ferro de Malange Em seguimento da tése que nos propuzemos defender- o caminho de ferro cie Malange tem o seu objectivo economice na região da Katanga - vamos neste artigo estudar os recursos actuaes do planalto de Malange e aptidões de futuro a explorar, visto que, na mesma ordem de ideias, tratámos já do sertão da Lunda O chamado planalto de Malange é uma parte do extenso planalto que se estende desde Quisamenha por Metete, Lombe e Malange até cair para o vale do rio Cambo, constituindo o terceiro dos patamares que se sobem quando de loanda nos dirigimos para leste Faz parte este planalto, juntamente com o anterior planalto de Ambaca, o qual constitue o segundo patamar, mais baixo 290 m, da chamada 3 a região de Welwitsch, o notavel botanico que, graças á iniativa fecunda do marquez de Sá da Bandeira e do dr Barros Games, explorou a provincia de Angola estudando a sua flora e organisando ricos herbarios Caracterisa-se esta região por uma vegetação arborea de porte e densidade inferior á 2 ', que é riquíssima em florestas, e conseqùentemente por uma mais abundante e variada vegetação herbacea A extensão da cultura no planalto de Malange estava, em 1908, computada em 88o hectares de cana sacarina no concelho de Malange e 38 hectares no do uque dc Bragança, distribuida aqueles por 27 agricultôres, e com a qual se fabricava aguardente e pequena quantidade de assucar Aquele numero, baseado em uma agrimensura muito expedita, talvez fosse um pouco elevado ; no entanto a produção de aguardente não era de certo inferior a pipas A cana sacarina, que é originaria da India, foi introduzida na Africa Oriental pelos arabes, como o foi a bananeira, o gergelim, o arroz, a eleusine ou o luto, o coqueiro e outras especies, sendo, porêm, levado para a Africa Ocidental pelos portugueses _ Tinha sido ela trazida para Portugal tambêm pelos arabes e aqui cultivada, conforme a referencia que lhe faz Gil Vicente falando em um dos seus autos nas canas assucaradas aqui passou á ilha da Madeira, no tempo do Infante Henrique e depois a S Thomé Pelos portugueses, no decorrer do seculo xv1, varias plantas useis foram introduzidas na Africa Ocidental e varias tentativas se fizeram, e ainda se fazem, para a aclimatação de diferentes arvores de fruto e de outras culturas Entre aquelas plantas salientam-se a ginguba e o milho, originarias da America, e a mandioca, tambêm da mesma origem, que hoje constitue em vasta região - a denominada região da mandioca por Préville, no seu interessante livro ((Les Sociètés Africaines» - a base da alimentação dos povos que a habitam Esta planta de raizes feculentas-a d2vfanihot utihssima dos botanicos-estende-se por toda a vertente sul da bacia do Congo e pela bacia do Ogoué, na parte que se aproxima do Oceano, que é onde encontra um meio mais adaptavel ás suas exigencias que são : clima quente, bastante humidade e terreno ensombrado Tendo poucas exigencias de cultura, vivendo melhor nas clareiras ou em terrenos no meio das florestas, onde se fez um derrube de arvores e onde, por isso, tem sombra que mentem a humidade, constitue, por assim dizer, um verdadeiro celeiro na terra As gramineas, pelo contrario, apoz a colheita, são bem depressa consumidas, não só em farinha para a alimentação, mas, sobretudo, em garapas, bebida fermentada que delas se obter por distilação, e que no sul de Moçambique se chama pombe E' a classica imprevidencia destes espirites sempre infantis, onde se não gravam as impress6es do passado, nem nascem as preocupações do futuro Freqüentes vezes, em negocios de complicada política gentilica, procuravamos salientar aos chefes quanto ao indígena era benefico o contacto do branco que lhe levava os panos com que se cobriam, a enchada com que faziam as lavras, a espingarda e a polvora com que caçavam, a contaria com que enfeitavam as mulheres e, ainda, acima de tudo, que lhes tinha levado a sua principal alimentação : a mandioca Ouvindo-nos sempre enumerar estes beneficios com sinaes de assentimento, esboçavam um sorriso de duvida a esta ultima afirmação e não deixavam de perguntar : t 0 que comiam então os nossos avós? A pergunta não era fácil dar resposta, pelo que, evasivamente, com ar de graça, lhes respondia : Naturalmente capim Certo é, porêm, que ou a mandioca substituiu outra cultura, talvez a do sorgo, originario da Africa, ou a cultura regular não existia e estes povos, que eram caçadores, alimentavam-se de caça, de raizes, de tuberculos e de frutos silvestres, como, ainda, assim se alimentam os restos fragmentados e nómadas da raça aborígene, que tem hoje como representantes os anóes de côr amarelada como são os c4cka do equadôr, estudados por Schweinfurth ; os Bakankala do norte do Cunene ; os Ba-Icassequere do Cubango, notados por Serpa Pinto ; os Ba-kuisse do litoral, e ainda os bem conhecidos Bushnlans ou Boschjernans - errantes do deserto de Kalahari Pondo ponto a esta acidental diversão, devemos notar que,

8 s flevisma COLONIAL aparte a monocultura acima indicada, exercida por europeus, só se notavam pequenas hortas, onde se criavam boas hortaliças, esplendida batata e legumes e espalhados pelas fazendas um ou outro pé de eyfanihots G1w iovü-- a Maniçoba do Ceará, Apenas um inteligente agricultor cheio de iniciativa, o sr A da Conceição Pinto, do Quissol, tinha já uma plantação regular de cvlanihots e tinha, tambêm, iniciado o fabrico do assucar No decorrer dos armes de 1907 e 1908 algumas novas arvores borrachiferas se procuraram ensaiar na região, como foram outras variedades da Manihot, como a rol Jequié e a Piauhyensis ; a Castilôa Elastica ou Borracha do México, que vive espontanea na America tropical ; a Ficus Elastica, originaria da India, que tem em Africa uma proxima parenta, a Ficus Vogelii, da qual o latea não tem cautchú Simultaneamente, seguindo as opiniões do botanico J Gossweiler, importou-se para ensaios a ortiga branca --- Boehnzeria Nívea - originaria da China, já experimentada na Rhodezia e cujas optimas fibras, extraídas das cascas, sao consideradas su - cedaneas do linho ; as acacias recomendadas pelas boas madeiras e pela casca taninosa, arvores estas que, principalmente, da va riedade elcacia ecurrens var molissima tinham, sido já aclimatadas no Natal, que exporta anualmente 5oo contos de réis de casca taninosa ; as arvores de canfora e, ainda, o 'iospirus `Uirginiana, arvore frutífera e de boa madeira Fizeram-se, tambêm, viveiros de Eucalyptus globules, variedade propria para regiões tropicaes de altitude, bem como de diferentes agaves E' de justiça dizer-se que alguns dos agricultores mostraram o maior interesse nestas novas plantas pedindo-as e tratando-as depois com os cuidados prescritos e aconselhados Como notamos grande facilidade de reprodução nos e`llanihots, que nasciam das sementes caídas em volta das arvores existentes, pois as capsulas que conteem essas sementes quando rebentam atiram com elas a uma razoavel distancia, pensámos na possibilidade de as tomar sub-espontaneas Fez se, pois, uma abundante e repetida distribuição de sementes de gvlanihots Gla, iovü, já nascidos no planalto, por todos os postos e sédes de autoridades, distribuindo-se tambêm pelos indígenas, com insistentes recomendações, sempre que a ocasião se oferecia Publicada em maio de a lei que impunha a cessação do fabrico do alcool e a transformação da cultura, com direito a determinada indemnisação por hectare, podiam dar as experiencias iniciadas uma indicação aproveitavel, ainda que insuficiente, á nova orientação a seguir, pois grande devia ser a indecisão em que e encontraram, e, talvez, se encontrem, os agricultôres do planalto de Malange A principal riqueza, porêm, dêste planalto era e é a criação do gado bovino que nêle abunda, como nas regiões limítrofes ao norte, e da qual em subseqüente artigo trataremos como analisaremos, tambêm, as aptidões para a colonisação branca e para a cultura dos chamados produtos pobres e ricos ALBERTO E ALMEIA TEIXEIRA G'ollaboradores do presente numero Alberto de Almeida Teixeira Lisboa de Lima Carlos Pinto M J Pereira do Nascimento Vieira Branco enguellzi velhzi 'esta villa, de tão antigo renome, aos meus patricios venho communicar duas impressões de momento, dizendo-lhes por intermedio da Revista Colonial algo do que ora por ca sentimos, neste caminho que a metropole parece desconhecer Que com ella alguma coisa isto aqui se parece : em ser hoje nada do que foi outr'ora Escusado será, caros patricios que vos estaes queixando do calor que vos soffoca e vos dá ganas de arrancar o collarinho! escusado será dizer-vos que este esquecido caminho da nossa ditosa patria aneada fica ao sul e aquém ele Loanda e um pouco ao norte de Novo Redondo, entre os rios (sem reclamo á aguas do Baltar) que vão dar ao Atlantico offerecendo-nos a margem esquerda o Longa helo norte, e a esquerda o Cuco pelo sul E aqui em volta, para nos matar as saudades, pode espraiarse a nossa vista por alguns accidentados morros, entre os quaes, o de Quissonde, reza a historia ser bem rico de petroleo Bem sei que as pesquizas que lá fizeram uns geologos da nossa poderosa alijada e um engenheiro portuguez nada deram, ao que nos consta, de positivo e remunerador, mas que fazer ante a nossa instabilidade de projectos e, oh mal dos males! ante a escassez dos nossos recursos, ante a nossa classica falta de iniciativa!? E para que até não falte um attractivo que muito deve aguçar o appetite do Henrique Vanzeller ou do dr Pinto Coelho e mais distinctos campeões do Curso Venatorio, são estas modestas paragens dotadas d'uma fauna interessantíssima, senão que o digam os taes prospectors de petroleo que por aqui transitaram, que bem saborearam os pltéos que lhes offerecemos, onde não faltou a bella da carne de palanca, mulundo (celo), veado, chongué e corça Na margem direita do Longa ha também para os apaixonados abundancia de elephantes, na sua magestade apenas respeitados pelas prescripções da caça hoje em vigor Escusado será referir-lhes que nas aguas e margens dos citados rios reina e dorme as suas respeitaveis somnecas o delicioso amigo jacaré, que a nossa carabina baldadamente cumprimenta, de preferencia ãs louduinhas cabeças dos cavallos marinhos, cuias cabriolas nos divertem Apesar de termos um porto excellente, dotado de uma ponte caes de 30 metros de comprido e onde pode atracar um navio de qualquer tonelagem, da grandeza e movimento antigo pouco resta, não ohstante os exforços cias poucas casas agora aqui estabelecidas, entre as quaes mencionarei a Araujo A & C a, Francisco R Lopes (agente da E N N), Antonio Joaquim Vellez Barradas, Antonio F da Cruz, Casal Pinto, Antonio Couto & C a, Pinto & Cta, Affonso R uarte & Ct a e Luiz uarte Castro A abertura do caminho de Sanga e, é forçoso cofessal-o, a doença do somno, teem causado grande depressão na economia d'esta terra, bem digna de melhor auxilio e maior proteção Negoceia-se aqui principalmente em café, coco-,-

9 REVISTA COLONIAL 9 note, cera, gomma, oleo cie palma e cereaes 0 maior commercio é o do cocorote e oleo de palma Qùanto á agricultura, não obstante as difficuldades comm que instam, especialmente com a falta de braços, ainda ha no interior algumas roças de café, entre as quaes, como mais importantes, citarei a de Antonio Couto e C a, Ernesto da Silva Guedes, e, embora em principio mas com resultados promettedores, as de Joaquim Teixeira Souza, Fonseca Costa & C a, Araujo & Costa, Isaac Tello e Lisboa & Pinto Mas são geraes as queixas destes incansaveis trabalhadores por verem que as nossas auctoridades passam mais o tempo em pregar doutrinas que, a final, não observam, do que em cuidar do verdadeiro interesse da colonia, que reside essencialmente no interesse e na prosperidade dos que por cá se gastam e consorxrem em arrotear o solo africano, longe da patria e da familia, á espera de -melhor futuro, embora abalados nas suas melhores esperanças Nesta questão da mão cie obra tão importante para a nossa agricultura, jt de si tão contingente, não deve o governo deixar arrastar-se por balofos princípios de uma falsa liberdade Só quem não sabe o que é o preto, só quem não tem lidado de perto com elle é que é capaz de vir apregoar-lhes a plena libei dade de trabalho que o negro interpreta como a plena liberdade de não trabalhar 0 preto assim passara a trabalhar menos que o branco, e o branco passara a ser escravo do negro, a quem a terra dgf, sem trabalho, a indispensavel banana para a vida Venham! venham para aqui os legisladores do Terreiro do Paço, venham os pregadores d'essa pseudo liberdade fabricar estas inhospitas terras com o suor do seu rosto, a ver se continuara a apalermar as massas lisboetas com o moderno descoco das suas comicieiras doutrinas! Est modus in rebus! como dizia o tio mestre d'um democrata ahi muito celebre Nem tanto ao mar nem tanto a terra! Que se cohibam, que se extirpem os abusos e os excessos dos velhos tempos, comprehende-se Mas que se passe para outro extremo, pregando ao preto unia liberdadade que elle mesmo não comprehende, unia regalia que a elle mesmo é absolutamente malefica, não é senão um erro nefasto, se não um crime de leso-patriotismo E'-se obrigado a dar ao preto alimento, vestido, casa, e medico : que mais falta 2 Calçar-lhe botas de polimento, dar-lhe bilhete de 1 a classe nos combo}-os e passarmos nós a engraixar-lhe as botas E' que para certas auctoridades vale mais uma mentira de um gentio que uma verdade de um branco! Que desorientação a d'estes dias que vão correndo! Consta-nos que o Ex m Sr r Bravo, medico do hospital de Benguella pediu ao governo a concessão do caminho de ferro de Benguella Velha ao Amboim ; se isso se confirma, por grandes melhoramentos passaria este porto, podendo então nós ainda vir a ver esta bahia, larga e funda, coalhada de navios carregados de mercadorias CARLOS PINTO A máo de obra em J/Iossamedes Em consequencia das ordens emanadas do Governo Geral da Provincia de angola, está-se procedendo neste districto á regularização definitiva do trabalho indígena em, bases de indiscutível liberdade Para esse effeito, por alvará n 13 de 25 de abril ultimo, do Governo do istrito de Mossamedes, foi nomeada uma Commissão composta de quatro funccionarios, aos quaes foram entregues umas bem meditadas instrucções, elaboradas por e x mo governador do districto, que se têm cumprido com todo o rigor e, cremos, a contento dos proprietarios que já se vão convencendo de que a unica freta eficaz de ficarem, de vez, ao abrigo das accusações de que têm sido alvo é o trabalho livre, pedido pela Camara Municipal na sua mensagem ao magistrado superior da Provincia, em cujo regime, sem sombra de duvida, se entrou decidida e abertamente neste tão calumniado districto As instruções a que acima nos referimos dizem, em summula, o seguinte : A Commissão visitará todos os nucleos de população indi gera e dirá, ou fará dizer a todos os indigenas, a um por um, que, corno muitas e repetidas veres lhes tem sido declarado, são homens absolutamente livres podendo trabalhar por sua conta, os que teem oficies, ou escolherem nova collocação onde e como melhor lhes convier ; Quando pretenderem sair d'uma propriedade ou pescaria mais de 30 o/ o dos trabalhadores empregados, a Commissão passará guia aos individuos necessaries para ascender a essa percentagem, compellindo os necessarios para perfazerem 70 0/u por prazos nunca superiores a go dias, caso o proprietario queira aproveitar-se desta vantagem Ao pessoal sabido passar-se-ao guias das quaes conste nome, idade, naturalidade, profissão, filhos menores ou membros de familia invalides a seu cargo e, ainda, que os indivíduos que quizerem aproveitar-lhes os serviços deverão apresentai-os na Secretaria do Governo para se tomar conhecimento do ajuste feito entre ambos, devendo este ajuste obedecer á Portaria Provincial n o i 455 de 20 de dezembro de 1912, inserta no Boletim Official n o 5 t do mesmo anuo Até á data só a firma Viuva Bastos & Filhos, o mais importante proprietario do districto, optou pela vantagem da obrigação ao trabalho dos indigenas necessarios para perfazer a totalidade de 70 0 /e Ficaram nestas condições, na Fazenda Arrelia 2 i trabalhadores que ali foram compellidos a servir por mais 30 dias que terminaram em 4 de junho, data em que se apresentaram na Secretaria do Governo, pedindo cinco, nessa occasião para continuarem ao serviço do mesmo patrão, mas noutra fazenda, ao que o gerente da firma accedeu Na Boa-Vista e Boa Esperança ficaram demorados 3 2 trabalhadores por 30 dias, 23 por 6o e 29 por 90, prazos que acabam respectivamente em i I de junho, i t de julho e i i de agosto Na Quipola ficaram retidos, pelo mesmo motivo i o trabalhadores até i i de junho Findos os prazos apresentar-se-ao para receberem guias que lhes permittam escolherem novas situações ou patrões Quem observar os numeres que atrai deixamos escriptos facilmente notará que alguns grupos, na mesma fazenda, são desiguaes A razão d'isso é porque, conforme as instrucções e até a humanidade recomendam, não se separaram familias, quando ellas pretendiam continuar unidas Quando havia necessidade de compellir trabalhadores, eram estes todos juntos ; depois eram binados ou terrados (segundo a Commissão entendia dever formar dois ou tres grupos de trabalhadores a sabir numa época proxima) e, seguidamente, um individuo de cada grupo

10 lo REVISTA COLONIAL tirava á sorte, o que tudo consta dos autos que se levantaram, o tempo de serviço que ainda tinha a prestar na propriedade donde sabia A Comissão tem andado de surpreza em surpreza Em propriedades onde constava pelos donos ou administradores que todos os serviçaes se encontram amotinados e pretendiam sair em massa, desrespeitando as instrucções do governo, como aconteceu nas propriedades de S José e Santo Antonio do Munhino, da firma Viuva Bastos & Filhos, foi a Comissão encontrai-os na maxima ordem e, interrogados a um e um --- o que em todas as fazendas visitadas se tem feito-de 187 trabalhadores só dois declararam pretender escolher nova situação e, esses mesmos, ainda antes de concluido o auto, vieram ante a Commissão e testemunhas, que em toda a parte teem comparecido, declarar que se lhes fosse permittido desistiriam Na Fazenda Santa Rita, de Antonio Cezar Corrêa Mendes, onde se dizia que não ficava um trabalhador sahiram apenas 5 e ficaram 52 As entradas de novo pessoal nesta fazenda, para preencher as cinco vagas deixadas, á hora em que escrevemos, vae em 30 Na Fazenda Nossa Senhora da Conceição, da firma Torres & Irmão, donde se dizia não sahiria um unico trabalhador, sahiram 30 e ficaram 61, e assim successivamente, Alguns indigenas que escolheram novos patrões, passado o primeiro méz, teem vindo pedir empenhadamente, á Secretaria do Governo lhes seja permittido voltarem á sua anterior situação Quasi todos teem ajustado com os patrões (pois o Governo 'esinteressa-se d'estes ajustes, nos quaes só intervem se o pa- -ão pretende pagar menos de 5o réis diarios aos homens, 30 s mulheres e 20 ás creanças, afóra ração computada a 6o éis) ordenado mensal a secco sem mais encargos, mas ainda ontem se viu um indigena de nome Manuel Burro, que trabalhava na casa Torres & Irmãos, onde vencia 1200 réis com comida para elle e dois filhos menores, alojamento e assistencia medica, indigena que hoje percebe 4500 réis a secco, na occasião de receber o vencimento, declarar que o mesmo lhe não chegava nem para pagar a comida e quarto onde se aloja com os filhos No tocante a ajustes teem-se dado casos extraordinarios Alguns patrões ajustaram pagar a 6000 réis e, effectuado o primeiro pagamento, declaram que ficam com o trabalhador mas só a 4500 réis Outros que ajustaram a 3500, por ocasião do pagamento elevam o vencimento a 600o réis porque o serviçal bem o merece Até á data em cerca de 1 doo trabalhadores ouvidos nem um unico apresentou queixas dignas de serem tomadas em consideração, contra os patrões Estes, humanitariamente, ainda não despediram um unico inválido O proprietario Serafim Simões Freire de Figueiredo declarou na presença da Commissão e das numerosas testemunhas que assistiram á visita da sua fazenda que, aos seus trabalhadores que sahissem continuariam a abonar-se rações e a fornecerem-se alojamentos emquanto não tivessem escolhido novos patrões, caso elles d'isso necessitassem A firma Viuva Bastos & Filhos telegraphou de Lisboa para o seu gerente em Mossamedes ordenando-lhe que providenciasse para que nenhum dos antigos trabalhadores da casa esmolassem esnecessaria era a prevenção porque o governo do districto providenciára sobre a alimentação e alojamento não só dos invalides como dos válidos emquanto durasse o seu desemprego, mas nem por isso é menos digna de registo a attitude nobre e humanitaria d'estes proprietarios Cabe aqui dizer que, devido á rapidez com que se collocaraln os indigenas sabidos das fazendas, nem elles nem os seus parentes invalides careceram do auxilio do Estado Um dos argumentos dos proprietarios era que os trabalhadores deslocados pela Commissão se internariam no matto não Existiam Sahiram Ficaram Nome das propriedades e dos proprietarios F, 4 L7 d N N d N A o c Ó O c p o cd at O EM E i xnossa Senhora da Conceição» de Torres & Irmão «Santa Rita» de Antonio Cezar Corrêa Mendes Santa Emilia» «Santa Celestina» Varzea da União» e sboa Fé» de José Jorge da Rosa _ xbemfiea» de Serafim Simões de Figueiredo cbemfica» de Viuva Bastos & Filho((, (Saudade» de Maria Perro Pimentel (Boa Esperança» de Antonio Joaquim Ribeiro ' (Progresso)> de Sousa e Reys ccfazenda Arrelia» de Viuva Bastos & Filhos 22 ufazenda Sant'Annav de Viuva Bastos & Filhos ccfazenda Maeala» de Viuva Bastos & Filhos 23 clagôa dos Mortos» do Rosaria Mosqueira Avila c ;Boa Vistas, «Boa Esperança e «Quipola» de Viuva Bastos & Filhos Boa Lembrança» de Morgado & Morgado razenda ((Almeida da Chibia» _ São Pedro» de José do Nascimento Ribeiro da Cruz , c Santo Antonio» e «São José do Munhino» de Viuva Bastos & Filhos, c Giraul» de Viuva Bastos & Filhos 88 c Granja» e «Fé» de Francisco Pinto da Rocha ( S João do Giraul» e Fabrica de cal, telha e pescaria» de uarte Leitão,, Somma até 7 de Junho de J

11 REVISTA COLONIAL 1 x- perguntando trabalho Alimentava-se assim, diziam, a vádiagem que a todo o custo convém reprimir Quando se lhes dizia que toda a gente sahida já tinha collocação, respondiam que por occasião do primeiro 'pagamento se observaria que a quasi totalidade se tinha ausentado Os pagamentos fizeram-se e observou-se a inanidade do argumento Pelo mappa que junto observa-se que de 6o i trabalhadores deslocádos de 25 de abril a 6 de Junho, 459 estão já empregados, restando portanto a collocar desde já 38, porquanto, A questão da pesca é que a todos continúa a aíligurar-se de extrema gravidade, pois que, assim como raros trabalha - dores do campo voltaram,a empregar-se nas fazendas, é qua si certo que nenhum dos trabalhadores marítimos que se deslocarem quererá empregar-se na pesca e, sendo assim, não se tornando facil fazer pescadores do indígena rude, com a mesma facilidade relativa com que póde fázer-se d'elle um trabalhador rural, por isso que o primeiro tem que ter uma longa aprendizagem, é quasi certo que a industria da pesca, unica ezuiné : Porte de 3issau, e a casa da Ilartdega e capitania, em construcção em boa razão não podem considerar-se desempregados 104 serviçaes da firma Viuva Bastos & Filhos que acabam nos prazos acima indicados o tempo de trabalho a que foram compellidos, embora figurem no mappa corno já deslocados Em rigor temos pois 38 trabalhadores procurando serviço, isto quando só de r a 6 do corrente se deslocaram 92 trabalhadores entro em breve devem chegar a Mossamedes soo trabalhadores angariados pelo engajados Soares de Albergaria que com elles já sahiu do Humbe e, dentro em pouco, segundo promessa do governo da Huilla, serão enviados outros tantos Logo que estes trabalhadores cheguem, as condiç6es da agricultura -- para cujo serviço rarissimos trabalhadores deslocados voltaram -- melhorarão consideravelmente e os antigos trabalhadores comprehenderão que tendo cessado a sua indispensabilidade teem que pôr cobro ás suas continuas e disparatadas exigencias riqueza authentica d'este districto, senão d'esta provincia, soffr erá um forte abalo por falta de braços, com que de ha muito ji vem luctando, sendo quasi certo que em muitos pontos do districto a laboração d'esta industria cessará por completo, a rlão ser que as sessenta familias europeias que S Ex a o Govern a- dor Geral da Provincia pediu para a metropole e destinadas á Bahia dos Tigres, e a firma Figueiredo & Almeida se cornp r- o _ metteu a empregar, com os trabalhadores marítimos pelo mesmo sr pedidos para Novo Redondo, emprego de machinismes já chegados e criação de Parcerias como a que se montou já em Porto Alexandre, resolvam o grave problema e resto os que de perto teem acompanhado o movimento havido desde 25 de abril a esta parte não se surprehenderão que tudo se harmonize sem prejuízo da industria piscatoria Nos numeres seguintes da «Revista» irei communicanc o que se der VIEIRA BRANCOo

12 12 REVISTA COLONIAL MOÇAMBIQUE ïstricto de Quelwmane Por intermedio do Ministerio das Colonias, a Buem muito agradecemos a deferencia, chega agora ás nossas mãos o relatorio do governador d'este districto da Provincia de Moçambique ( ) E bom fôra que elle fôsse succedido dos outros, dos mais districtos, senão ainda das outras provincias ultramarinas, em que bem se devia seguir o exemplo nesta aberto, ao empuxão da portaria provincial n 326 de 1907 Em virtude d'esse diploma provincial quem quer pôde hoje estudar e observar a vida, situação e recursos cia nossa possessão leste-africana Mas as outras, ou aferrolham nas secretarias as informações e relatorios locaes, ou se os mandam, como de algumas temos noticia, para a Secretaria de Estado das Colonias, elles por ali se guardam como em religioso escrínio vedado as mãos profanas dos que não usam manga de alpaca Mas cahimos agora nós em nós mesmos! como hão-de hoje publicar-se relatorios de governadores, quer geraes quer subalternos, se o Governo da metropole nos ul timos tempos tem accelerado o cotillon dos governadores do ultramar21 Iamos a aconselhar o sr dr Almeida Ribeiro a transformar em decreto applicavel a todas as provincias a citada portaria cio Governo Geral de Moçambique n 326 de 1907 Mas reconhecemos que antes disso tem o Ministro das Colonias de promover a publicação de uma lei com os seguintes artigos : 1 o 0 Ministro das Colonias nada tem com a política interna da metropole, nem, por conseguinte, corn as mudanças dos gabinetes 2 0 periodo de exercício do ministro das Colonias é de 5 armes, dentro dos quaes sera obrigado a visitar as provincias ultramarinas 3 Quando por morte do ministro, ou por inesperado cataclismo politico, haja infelizmente de subir a cadeira das Colonias uma cara nova, os governadores das provincias far-lhe-ão os possíveis e costumados cumprimentos, mas não sahirão do seu lugar nem se afastarão do plano administrativo anteriormente traçado, cuja manutenção sera, do Terreiro do Paço, acarinhada pelo novel timoneiro Mas vamos, caros leitores, ao presente relatorio, que vem continuar a interessante serie estabelecida Muitas das medidas que o Governador de Quelimane, sr F Carvalho, propõe neste seu trabalho são de caracter interno que só ao governo mais de perto importam Outras podemol-as considerar de utilidade geral para a publica administração da colonia, e até do paiz, devendo ser cuidadosamente estudadas, comquanto não possam ser promptensente executadas 0 auctor do relatorio expõe o seu modo de vér com serena isenção e é dos poucos --- apparent ran nantes- que hoje em dia apontam defeitos e criticam factos sem o nefasto virus Político que, instillado com propositado intento, jai cie ferir pessoas caracteres cujo tirocínio muitas vezes tanto custa imitar, ja de verter a esmo o bilioso feitio do empeçonhado machinismo, só serve a final para corroer da propria maldade o meio que os cria, sem deixar uma lasca de util resultado para o bens do paiz Mas é deixai-os em paz e rs moscas, como se dizia nos bons tempos da padeira de Aljubarrota Estamos agora com urn trabalho sincero e correcto E bem podemos nós não concordar com aigu-- mas das suas theorias ou conclusões ; todavia ato ahí o nosso espirito se compraz em vêr aqui espelharem-se os simplices de uma serena consciencia Não dispomos cie espaço para desenvolver impressões da leitura cios capitules do relatorio Mas estamos certos de que a Secretaria das Colonias, que nos mandou o relatorio, sera a primeira a prestar attenção a esta voz subalterna mas auetorizacla Insurge-se com mais que justificado motivo o sr_ Carvalho contra o regimen da ESCONFIANÇA offi- CIAL, instituição fundada na rnetropoie (sic) E nós não temos a esse respeito senão que reportar o leitor para o que nos numeres anteriores da Revista Colonial ja temos salientado com a humilde mas rude voz cio nosso ja rouco peito decreto de 4 do corrente que adeante publicamos na secção competente da-nos urna como que pequena compensação de fadigas, por attendender em parte aos exforços que envidamos em convencer os poderes publicos de que o que estava não servia ainda bem Mas é pouco Queremos vêr a remodelação COMPLETA do Ministerio ; queremos vel-o reorganizado cone aquella uniformidade e concateniação de serviços e secções que tanto importa a disciplina, que tanto se faz mister para a firme manutenção de uma unidade de vistas uma adequada e congruente administração ultramarina Vão-se felizmente a o que vemos, abrindo os caboucos para assentar a obra desejada Tornando ao relatorio, registamos que o auctar, com uma clareza e uma precisão modelarmente singular, traça as bases em que entende deve assentar a boa administração do seu districto Melindrosa questão ataca de frente o governador de Quelimane : o regimen dos prazos da Zambesia, de que abertamente se confessa adversario Mas até nisso, depois de se municionar de argumentos de eloquente auctoridade, termina por propor apenas eschema a que suppõe dever amoldar-se a effective e salutar fiscalização dos prazos Eis um capitulo sobre que deve ser ouvido o Conselho do Governo da Provincia e que o legislador não deve converter em lei sem audição d'esse principal orgão da administração da Provincia projecto está apresentado! discuta-se, submet-- ta-se a uma franca e larga apreciação in Zoco Antes disso será imprudente promulgar uma medida precipitada e brusca 0 systema agora proposto de urn corpo e meio de fiscalização dos l)razos tem á simples vista o

13 REvJs n1 COLONIAL j : cuiulio de unia medida cio simples e facil execução Pois, pela nossa parte, no parece que na practica sei u essa facilidade absoluta A' parte o augrnento de despena corn a creaçlo (los legares novos, o que é o menos, no se lobriga no exame cia proposta a viabilidade do funccionamenlo elos fiscoes elos prazos SCflTL sacudir em perigosos repellões a cio si mesma ardua administração elos mesmos P1Z0S onde se vão recrutar os liscaes con a ciencia e o tacto precisos para no descarrilarem do recto caminho de urna serena e prudente fisca- Iizaçîo, e, notem bono, para, N ZAMBEZIA, administrarern j ttstiça, adequada justiça, entre brancos e P 1 et05 A (1liOStíiO Ó cio urna gravidade impressionante, o, sojnnìos sempre francos, nao nos queiramos nôs agora no legar cio legislador para sobre o assumpto deliberar j ô cleilnitivarnente Estamos cleante de uma seria dificuldade : temos d'uni lacio opiniões de cuja sinceridade e auctoridade reno nos ú licito duvidar, clac defendem abertamente re gimen dos I:)1asos ; entre elles o governador cine aiitocecleu o si' i Carvalho e que no relatorio refaraute ao exercício de apregoa as excelbacias cio regimen, adduzinclo argumentos de peio, dc dominante convencimento, corno seio os progressos caftanes da Zambezia unicamente devidos ao exl orço e ao systerna de longos anuos implantado naquella grande cli visão cia Provincia (Relatorio de 19O7 -I9O9) Vemos, 1)0 outro lacio, tambero com auctoriclacle e sinceridade que iio é licito pôr em duvida, cjualiticaclos fautores da lucia contra o regimen, ([UB consideram retrogrado e ate; prejudicial ao territorio Entre elles, o relatorio presente Gravissirna questão de melindroso equilibrio 1!-Ias, aberta olla, ha que a encarar no mais sio dos intuitos, cine deve ser o bem geral da administração, como o bem geral elos administrados As paginas da Revista Colonial ficam patentes liara quem deseje terçar pela deceza ou pelo ataque, dentro das normas que a nós mesmos nos imporemos aqui repetimos o que no nosso programma proclani(imos : serao bem vindos, venham donde vierem, todos os que comnosco queiram collabora,' neste leç/itilno enprehendimeno, nesta legitima ousada --- estudo, conhecimento e aproveitamento das colonias tudo pela Verdade, sejam danes forem os exforços (lue nos acompanharem, custe o que custar, doa a CIuen doer, mal ase-nos quem nos malisur! Olhando este problema por um prisma de velha observação, sobresalta-nos pensar o que seria na economia de Moçambique derruir de uma assentada o secular regimen dos prazos Quem tem feito a riqueza cl'aquelie pedaço da Provincia o governo ou os arrendatarios Se oregimen houvesse sido applicado ao restante territorio, teríamos tantos milhares de hectares improductvos como se hão conservado até agora Pondo uma administração directa do Estado numa região 1)OfldO um a admin i stração particular na regido contigua, qual d' elia s ô que prospera, sem embargo das mil e uma clifficuldacies, a despeito dos mais ta- carpos estorvos governara ieiilaes cio nosso peculiar feitio de governar? l\ieditemos todos os varios aspectos da questão e havemos de concluir que nem de pressa nem do animo leve se pode resolver o problema Nôs, lortuguezes, que somos tão intelligentes, nôs que Lucio discutimos e sabemos, urna coisa havemos confessas que ii :io temos sabido : - administrar as colonias Se a questão do regímen clos prazos tern as sues raízes 110 seculo xviii, porque ô que, com tanta intelligencia e trio melhor rhetorica, não a conseguinaos até agora resolver a contento cio todos, extirpando-lhe os defeitos e alargando- lhe as vantagens? Pela proprio esencia da materia que ô cio peculiar feitio ; alem de chie, reco1sid1eremos bem, a verdadeira política, a sciencia de administrar e governar povos estú em regular-lhes e melhorar-lhes a vicia segundo a sua feição particular Pessoalmente não temos auctoridade para definir no assumpto ; mas quer-nos agora parecer (lue a Zambezia tem liabitos especiaes que se rio podem coliiler, tain usos peculiares que se nio pocem contrariai, som grande abalo, se não fracasso cta grande massa da colonia Outras materias d'alta irñportancia o opportunidade versa o governador de Quelimane, tacs como a da modificação do regimen pautai da Zambezia Ficam ellas, porôm, parte nova opportunidlacle, se o bondoso Architecto dos mundos visivois e invisiveis nos prolongar saucl&e vida Luz A GAZOLI NA machinas «F P» 69 :0110 machinas ni uso - Pedir informações ljy L HARLEY & COM?", Rua Paiva d'andrada, 3 e 5 - LISBOA Companhia do Nyassa o caminho de ferro de Peroba ao Nyassa Serão apresentados brevemente o traçado e plano cio caminho de ferro de Pomba ao Nyassa, quo a Companhia cio Nyassa pretende fazer construir' nos territorios da sua vasta concessão na Provincia cio Mocambique Foi encarregada dos estudos a importante casa Pauling a quem so devidas as grandes constriiccões das linhas atravez d'africa e ha muito que a Companhia do Nyassa pensava em realizar esta parte cia sua missão em Africa, mas circumstaricjas diversas a iniiibiranì d'esse seu desejo Em breve, l orem, mais um caminho de ferro valorizarei a provincia de Moçambique servindo urna regido ri cjuissirna e de largo futuro agrícola e industrial Segundo nos consta a nova constiucço terô o seu inicio na famosa b ; pia de Pomba ao norte cio Moçambique, a melhor da Africa Oriental, e, atravessando as bacias do d'salu e Legenda, ir terminar na margem porto ;meza cio l a g o Nyassa, talvez cfi 1\f'Lengula, sede administrativa do Conselho cio Lago, servida por uma bella bahía jd hoje ancoradouro dos vapores do lago E' a extensão total c1 nova linha 750 kilometres

14 1 4 REVISTA COLONIAL al5proximadamente e até ao Lugenda poucas serão as obras d'arte : o leito da actual estrada carreteira, serã aproveitado e assim os primeiros 400 kilometro( serão de facil e rapida construcção 0 mesmo não podemos dizer dos restantes 350 kilometres que, atravessando a região dos montes ajauas, apresentam dificuldades cte construcção importantes A missão de estudos apresentara dois projectos de construcção d'essa parte, sendo adoptado o que maiores vantagens e menores di iculdades offerecer Escusado ó encarecer a importancia da nova construcção ; sabemos j l que a riqueza propria dos territorios que atravessa seriam causa suf ficiente do novo caminho de ferro, mas o facto de resolver a difficuldade de comunicações do Nyasaland e ainda de toda a região dos grandes lagos com o litoral, mais faz avultar a sua importancia a febre constructora de caminhos cie ferro em Africaresulta que a realizarem-se os projectos jã discutidos, em poucos anuos nós teremos a Africa Central em continuas relações com o litoral, e, embora pareça ã primeira vista que a contrucção do caminho de ferro de Pomba ao Nyassa possa ser prejudicada pela linha de Moçambique e pela de Quelimane, postas em connexão com a de Blantyre -- Port Herald, a verdade é que alluella que a Companhia do Nyassa em breve vai construir será a preferida não só porque sendo a de menos trajecto offerecerá taxas mais convidativas, como porque sendo a sua construcção de menores difficuldades em toda a sua extensão é tambero a que, quer na sua testa quer no seu terminus, é servida por duas bellas bahías accessiveis a qualquer hora da noute ou do dia Comem dizer ainda que para que as novas linhas de Moçambique e Quelimane satisfaçam por completo ao seu fim, urge que o Nyasaland reconheça a necessidade de obviar desde j fis dificuldades resultantes do açoreamento do Chire hoje inavegavel em quasi toda a sua extensão mesmo na epoca das chuvas e assim continue para Oeste a linha explorada pela B C A Company Um largo futuro espera, portanto, o territorio da Companhia do Nyassa onde a construcção do caminho de ferro abrirã vasto campo para a colonização portugueza Em artigos subsequentes trataremos d'este assumpto, tão interessante para a economia nacional M No numero do Junho - Pag 1, segunda columna, lin 17, onde sahiu esvratura escreva-se escravatura A, pag 3, columna 2, lin 31, onde se lê homicida corrija-se para homicida (Esta hão de concordar que foi intoxicação do pegadiço e corrosivo l4onicianto conapnlaorio Bem dizem ELLES que alguma coisa ha de ficar 1, ) Na pagina 19, columna 2, lin 13, em vez de 38 : róis deve escrever-se 3800,000 réis Na pagina 23, 1 a columna e ultima linha, onde ficou que tenham razão ponha-se que não tenham razoo (Chagam até nos fazer dizer o contrario do que queríamos?) Na pagina 28, primeira columna, lin 18 a contar do fundo, onde apparece Marulagem, diga-se Prearotagem Na pag 35, lin 15), onde sahiu Macau leia-se Hong - Kong Proveio este erro, que os leitores perdoarão, da confusão feita na remessa de varias photographias para as nfl luas, onde sem reparo se trocaram indicações de legares Errare e li manam T LUZ GA OLI machinas «F» 59 :000 machinas em uso - Pedir informações GUY L ARLEY & COM TA, Rua Paiva d'aadrada, 3 e 5 - LISBOA Porto Commercial de Jacau ( io7tcl2tsão) a Memoria a que nos temos referido, e que precede o projecto das obras do porto de Macau, continuamos a fazer as seguintes transcripçoes que interessam ao assumpto Antes de pposeguirmos nas considerações que vimos fazendo, vamos analizar a receita que, pela utilização dos terrenos conquistados ao Norte da ilha Verde, pode advir para o Estado issemos já que, executadas as obras da L phase do trabalho, isto é, as que constituem a i a parte do nosso projecto, se obtem cerca de 800 :000 metros quadrados de terrenos que se podem vender, aforar ou arrendar Já em 1884 dizia o Sr Adoipho Loureiro que esses terrenos, que pelo projecto d'aquelle distincto engenheiro tambero se obtinham, se fossem aforados pelos preços adinittidos para os bens nacionaes de Macau, dariam tens, r endirnento espantoso Elle porem não considerou tacs preços e admittiu outros que julgava justos e razoaveis e que vinham a ser, no dizer do mesmo engenheiro os terrenos para edificações, por metro quadrado 250 réis os terrenos para culturas, por metro quadrado 160 No relatorio d'uma commissão nomeada em Macau, alguns anuos depois, para estudo de assumpto( do porto, diz-se que cada 1 metro quadrado dos terrenos alludidos poderia ser aforado a 1 avo Em 4891 o Sr Horta e Costa indicava o fôro annual de 30 réis por 1 metro quadrado para tacs terrenos, e o de 1400 réis por 1 metro quadrado para preço de venda, e achava elle que assim os terrenos eram baratíssimos o Sr Abreu Nunes em 1897 calculava o valor dos terrenos em questão segundo os seguintes preços Por 1 metro quadrado, 0,40 como entrada, e mais o fóro de 0,005 por 1 metro quadrado nos terrenos para culturas, e 0,03 nos destinados a construcção ando á pataca o valor de 640 réis que então o Sr Abreu Nunes lhe attribuiu por ser o que tinha officialmente na occasião, teremos que os preços acima são, em réis, os seguintes : Terrenos para construcção, 1 metro quadrado : entrada 256 réis, fôro 19,2 réis Terrenos para cultura, 1 metro quadrado : entrada 256 réis, fôro 3,2 réis o mesmo Sr Abreu Nunes, em 1903, dizia em relatorio acerca das obras do Porto de Macau que, em vista da procura que então havia de terrenos e dos preços offerecidos, as áreas a conquistar perto da Ilha Verde se podiam vender a 6 e S patacas, ficando com o encargo d'um fôro de 3 avos tudo referido ao metro quadrado Apesar d'isso, e para não exaggerar o valor dos terrenos aùmit_ tiu o preço de entrada de 3,00 por 1 metro quadrado e o corres pondente fóro de r 0,03 A Commissão Superior Technica de Obras Publicas do Ultramar apreciando o relatarlo do Sr Abreu Nunes a que estamos ailudindo considerou exagerados aquellos preços, e emittiu o parecer de que o valor de 1,5 patacas por 4 metro quadrado para preço de vencia devia ser considerado um mínimo No relatorio que precede o decreto de 21 de Setembro de l9pr auctorisando o Governo a executar as obras do Porto de Macau segundo o projecto Abreu Nunes, attribue-se aos terrenos a conquistar entre as docas e o dique da Ilha Verde o valor de 2 patacas Por 1 metro quadrado o Sr Miranda Guedes em 1910 avaliava em, 0,20 (100 réis) o metro quadrado dos terrenos ao norte da Ilha Verde

15 t REVISTA COLONIAL 15 Pelo que deixamos exposto se vê quanto tem sido diverso o valor attribuido aos terrenos a conquistar pelas obras do Porto de Macau ao Norte da ilha Verde, sendo muito dilfìcil, entre preços tão diversos, fixar com confiança o que se approxime dos que elles realmente venham a valer E' bom não esquecer, porem, que o valor de toes terrenos depende sem duvida do éxito que para o movimento marítimo, e para o movimento commercial e industrial de Macau, venham a ter as obras projectadas e a série d'outros melhoramentos a que esta Mentiorïa e o seu primeiro annexo se referem Se a par das facilidades que as obras do porto criam para a navegação e para o trafego commercial, os encargos novos que venham pesar sobre esse trafego e navegação forem uma parçella apenas do beneficio que toes facilidades determinam, não lia razão para que diininua o movimento maritime e commercial e antes probabilidades de que augmente, e com elle a procura de terrenos para novas in - stallações urbanas e explorações agrícolas e industriaes Se com os melhoramentos que devem interessar á salubridade da cidade, ao seu aformoseamento, ás diversões e commodidade para os seus habitantes se conseguir que Macau seja procurado como estancia de repouso e prazer, maior procura terão os novos terrenos e portanto mais elevado preço valerão Se, finalmente, se fixarem as probabilidades de um dia poder vir a ser coñstruido um caminho de ferro de penetração na China tendo como testa o Porto de Macau, mais alto valor será attribuido aos terrenos ao Norte da Ilha Verde que de mais a mais ficam limitrophes d'aquelles que se destinam ás principaes installações d'essa via férrea Por tudo o que fica dito não nos parece que devemos peccar por exa=gerados, attribuindo a toes terrenos, como valor médio, 0,37 (375 réis), justamente metade d'aquelle que a Commissão Superior Technica das Obras Publicas do Ultramar lhe fixou em 1904 como valor minime A ser assim, os 800 :000 metros quadrados de area conquistada ao Norte da Ilha Verde valem 300 : réis representando por aforamento ou arrendamento, um rendimento de cêrca de 15 : réis por anno No caso de serem vendidos obtém-se um capital cujo interesse andará approximadamente, pela mesma verba Temos assim que o accrescimo de receitas de Macau, adoptados os alvitres que temos apresentado, se eleva a Receitas do porto incidindo sobre a navegação, sobre o trafego marítimo e sobre os passageiros entrados e sabidos por mar 83 : Receitas produzidas pelo aproveitamento dos terrenos conquistados ao Norte da ilha Verde M5 : : Encargos annuaes que derivam do custo das obras da primeira phase 80 : Saldo 18 : saldo de 18 : réis, não deve ser sufficiente para as despenas a fazer com a exploração do novo porto commercial e com a manutenção dos canaes, reparação e conservação das obras ; adeante veremos, porem, que addicionada a este saldo a verba, que hoje custa a exploração do porto, se obtém quantia que será sufñciente para a futura exploração Até aqui considerámos apenas o custo das obras por nós projectadas para a primeira phase dos trabalhos e as despenas de exploração do porto commercial, não entrando com o custo dos utensilios do porto nem com as despenas da sua utilização e conservação Mas eguahnente gozemos de parte a receita especial que o uso das alfaias e do fornecimento de luz durante a noite pode produzir Pelo que a este assumpto interessa, entendemos que as taxas especiaes que para tal uso devem ser estabelecidas e a que já abudimos, serão suflicientes para se pagarem as despenas que para a exploração do horto de tal uso adveem, bem como o interesse do capital empregado nos utensilios Assim se procede nos modernos portos commerciaes e assim eleve ser, visto ser justo e equitativo que os encaraos resultantes dosutensilios do porto sejam pagos só pela navegação e mercadoria que Yenes se sirva, e não por toda a navegação ou por toda a mercado ria que venham ao porto i os 20 : réis de encargos annuaes, e durante sessenta annos, que indicamos como devendo ser o onus a crear pelas ouras de saneamento e viação cuja execução tem de ser levada a efl'eito conjunctamente com a primeira phase do trabalho projectado para o porto e com a acquisição de alfaias para os caes, não mais de réis 2 : por anno corresponderá ás alfaias do porto ; resta pois procurar as receitas que devem compensar os 18 :000y 000 réis restantes que derivam exclusivamente de obras do saneamento e de aformoseamento da cidade Esta receita deve ser, evidentemente, de caracter municipal, por isso que teem esse caracter as obras de que se trata Uma conveniente revisão dos orçamentos de receita e despena municipaes e um ponderado estudo ácerca das fontes de tributação a escolher, só em 1\lacau se pode fazer efficazmente Não entramos por isso em toes detalhes, que ficariam até deslocados na presente Memo, ia, visto ella se referir ás obras do porto, e só muito accidentalmente a obras de saneamento da cidade Os alvitres ror nós apresentados podem resumir-se da seguinte fórma 1 Execução das obras da primeira parte do presente projecto orçadas em : réis, acquisição de alfaias para o porto no valor de cerca de 40 : réis, obras de saneamento e aformoseamento da cidade de custo approximado a 380 : réis ; ou seja um total de despena de : réis, creando um encargo annual e durante sessenta annos de 100 :000y 000 réis 'este encargo 80 : réis pertencem ás obras do porto ; 2 : réis ás alfaias do mesmo porto ; 18 : réis a obras de saneamento e aformoseamento da cidade 2 Aos 80 : réis de encargos annuaes crearlos pelo custo das obras do porto ha a accrescentar as despenas de exploração e as da manutenção dos canees e conservação das obras 3, Paraa fazer face ao onus indicado no numero anterior temos Rendimento de m2 de terrenos conquistados ao Porto Interior ao Norte da ilha Verde 15 : Taxas e impostos sobre a navegação 27 :000O00 Taxas e impostos sobre a mercadoria 53 : Taxas de capitação sobre os passageiros entrados e sabidos 7 :000i00Q M02 : Rendimeuto actual do porto 3 : Augmente de receitas 98 : ' As taxas a estabelecer pelo uso das alfaias do porto pagariam o onus do seu custo e as despenas que o Estado fará com a sua exploração 5 Os 18 : réis de encargos annuaes derivados dos mellioramentos sanitarios e outros a levar a effeito na cidade, cumpre a esta pagar por meio de taxas e impostos de caracter municipal 6 Um Conselho de Administração do Porto de Macau formado, mais ou menos, como o Conselho de Administração do porto e caminho de ferro de Lourenço Marques, deveria constituir-se immediatamente Esse conselho, onde estariam representadas as forças vivas da colonia por vogaes eleitos entre o commerci, as industrias e a navegação, podendo mesmo alguns dos vogaes ser extrangeiros, trataria, antes de mais nada, de estudar em detalhe a solução economica e financeira do problema do porto e cidade de Macau, propondo as taxas a applicar sobre a navegação e sobre a mercadoria que vem ao porto ou d' elle sae Esse conselho, superintenderia na execução das obras e depois na exploração do porto commercial Passemos agora a examinar a solução economica e financeira em relação ã segunda parte do projecto das Obras do Porto de Macau Estas obras consistem no seguinte dragagens a-4 metros ; construcção de duas grandes docas de abrigo dentro da bacia de evoluções ; construcção dos molhes para as bacias de guarda

16 16 REVISTA COLONIAL e conservação de madeiras, estabelecimento de novos estaleiros de construcção ; varadouro ; terreno para a cahitanía e plano inclinado para as embarcações da mesma capitania A area dos terrenos conquistados ae Norte da Ilha Verde, em seguimento clos terrenos,ja adquiridos ira primeira phase das obras o de 176 :815 metros quadrados, depois de deduzida a area necessaria para ruas e praças, caminho cie ferro, etc Area total clos terrenos conquistados, na segunda phase das obras, junto da bacia de evoluções e docas 203 :500 A deduzir Terrenos destinados d cal» tenia Terrenos destinados ú Praça da Repilblica Terrenos destinados ao carvi alho de ferro Terrenos destinados ás ruas e ' travessas Terrenos que ficam C11 poni - vers har'a vender ou aforar Aterro da Praia Grande conquistando r bebia terrenos na area eduzindo 30 por cento para ruas, praças, etc fica uma area de 7 :S50L11 35 :34(_1111 z 40 :7501 " : 39 :400'1'Ñ U 3 : 340E12 80 :I60'' 252 : :750111' 176 : disponível para vender, arrendar ou aforar 0 custo das obras da segunda phase é de réis :000$000 Realizando-se um emprestimo de : réis para estas obras, amortizavel em 60 anuos, creamos uni encargo annual durante aquella periodo de cêrca de 50 : réis ; vejamos a receita para fazer face a tal encargo, Os terrenos ao Norte da Ilha Verde conquistados na segunda phase sao, como dissemos, cie cêrca de 176 :000 metros quadrados que ao preço de 375 réis por 1I metro jé indicado representam um capital de 66 :000$000 réis ou seja a 5 por cento uma receita annual de 3 :300$000 réis Os terrenos conquistados em trono da bacia de evoluções são 80 :160 metros que ao preço de 750 réis por 1 metro quadrado representam um valor de 60 :120$000 réis, ou seja, uma receita annual de 3: réis Os terrenos da Praia Grande devem ter um valor muito superior a I$000 réis o metro quadrado, mas seja esse o preço fixado Teremos que 176 :750 metros quadrados a 1$000 réis o metro quadrado se traduzem num valor de 176 :750$000 réis, ou seja um rendimento annual de perto de 9 : réis Consegue-se d'este modo um rendimento total por anho, quando os terrenos estejam todos utilizados, de Terrenos ao Norte da Ilha Verde 3 :300$000 Terreno em torno da bacia de evoluções 3 :000$000 Terreno cia Praia Grande 9 :000$ :300$000 As considerações qué acerca dos recursos para a execução da primeira parte do projecto nos levaram aos preços indicados para 1 metro quadrado de terreno ao Norte do dique da Ilha Verde se api lcam ao - pi eço fixado agora a esses mesmos terrenos para os que ficam em torno da bacia de evoluções, muito mais valiosos sem duvida, fixarmos pr eco de 750 rcis por 1 metro quadrado Quanto ao valor admittido para os terrenos na Praia Grande, o Sr engenheiro Miranda Guedes, no seu recente relatorio attribuia-lhe o preço de 3 patacas, corno se vê, muito superior ao de IS000 réis por nós supposto, Vejamos agora outras receitas que as obras dgr segunda parte cio projecto permittenz obter Sr Aorta e Crosta, em relatorio datado de 1591 l)ag 56 da citada 'ïenmria) attr ibuia ao uso cias docas, hermitticlo mediante o pagamento d'uma certa taxa, uma receita annual nunca inferior a 10 : reis Sr Abreu Nunes em 1897 era de opinião ('p 60 da dicta 1lfemor ia) que se podiam lançar dois impostos gis embarcações que se utilizassem das docas, um de entrada l-arzl se abrigarem, e outro para subirem ao varadouro Partindo da taxa de $ 0,02 por pico de tonelagens obtem-se para receita annual das docas applicando a mesma taxa ás entradas no varadouro draga-se a receita egual r anterior, isto é, por anuo, mais S Total ou seja quasi 17 :00000() réis Se fór adoptado o alvitre do Sr Abreu Nunes pelo que respeita a taxas para uso das docas e varadouro teremos a accrescentar ris receitas anteriores mais 17 :000$00() réis As receitas annuaes ficariam, pois, como segue Terrenos ao Norte da Ilha Verde 3:300S000 Terreno em torno da bacia de evoluções 3:00000t) Terrenos em torno da Praia Grande 9: Entradas nas docas e no varadouro 17: Total 32 :300$ _ como os encargos annuaes resultantes cia execução cia segunda parte do projeetoandam por 50: réis, ficava um deficit de 17 :700$000 réis que estamos convencidos seria coberto pelo augmento das receitas ;emes da Provincia, augmento determinado pelo impulso que as obras do porto darão ao desenvolvimento das industrias e cio commercio Juntamente cori7 as obras da segunda parte do projecto haverá a completar os melhoramentos na cidade de Macau a que já se alludru na primeira parte do presente capitulo Ha a considerar alem d'esses melhoramentos outros egualm ente referidos no primeiro appendice a referida Memoria, como são complemento da rêde de esgotos, a- canalização de aguas e as obras com o fim cie adaptar Macau a estancia de repouso e prazer Addicionando ã verba já mencionada e proposta na primeira parte d'este projecto, 300 :000$000 réis, conseguir-se-á, julgamos, completar teas melhoramentos As novas receitas para fazer face aos encargos d'esta ultima

17 REVISTA COLONIAL 17 despesa são de caracter municipal e, como taes, devem ser estudadas -`e propostas, o que já noutra pàrte d'enté trabalho dissemos, a proponho dos melhoramentos municipees que então referimos Quasi todos os progressos alludidós deverão produzir receitas proprias que hão-de extenuar e em alguns casos compensar aquellos encargos amos assim por terminadas as nossas referencias ao projecto das óbras do porto de Macau cuja realização jai em 1910 era julgada tão urgente, que um distincto colonial, profundo conhecedor da situação economice e politice de Macau, dizia nessa epoca A um ponto importante devo frnalmente, referir-me, e é ao aicanee e á necessidade de sem demora se adoptar e ser conhecida a resolução de maridar executar as obras do porto de Macau A situação da colonia é, neste momento, a do maior desanimo, a de desesperança no futuro, e de descrença completa nos poderes publicos «Só lia noticia de cai)italistas que se vão e de casas que fecham ; propriedade nenhuma consegue ser vendida na primeira praça, e et -ri geral nem por metade do preço encontra comprador ; por toda a parte queixas e recriminações nem sempre, é verdade, corn razão «A depressão e o descontentamento são contagiosos, espalhandose aquella d'um a outro ramo de negocio e este atacando progressivamente todas as classes da população A acção governativa desacreditadissima pelas promessas não cumpridas que de tempos immemoriaes vem fazendo, sente faltar- 1he o prestigio de que precisa de estar revestida e a cooperação d'aquelles que podiam e deviam ajudai-a na obra reformadora e de resurgintento da eolonia E' necessario que appareça um acto notavel do Governo, evidentemente indicador de que sabe, pode e sinceramente quer accudir aos males da colonia E nenhum outro mais opportunamente e com tanta eftlcacia pode operar a, electrização d'esta terra entorpecida, conjurar os perigos que a ameaçam e dilatar-lhe os horizontes, confio a garantia da realização immediata das obras do seu porto, dada a um tempo com a approvação d'um plano geral d'esses obras, com o levantamento por emprestimo dos fundos necesarios para fazer face ás despesas orçadas e com a designação d'um s ystema de execução de trabalho efficiente, rapide e economice A brevidade com que se realizarem as obras do Porto de Macau tem ainda um outro alcance, que é o decidir da sorte do nascente porto de Hun g-chau Para se tomar o passo ao desenvolvimento do Porto de Hung -chau, rival de Macau, satisfaz como nen1 uma outra medida a execução immediata das obras do Porto de Macau : companhia nenhuma se aventurará a ir enterrar dezenas de milhões de dollars para crear um porto commercial numa costa desabrigada e sem fundos, e ainda por cima despovoada, quando souber que a dois pássos se aprofunda e rodeia de commodldades o Porto Interior de Macau, abrigado por natureza como poucos, com franquias, de que nunca poderl gorar uma terra sujeita a soberania chinesa e dispondo já de uma populosa cidade, cheia de boas edificações, a que estão ligados importantíssimos interesses LISBOA E LIMA 0 Jornal do Commercïo e das Colonias - Que mais dizer a este conceituado e prestimoso periodico de Lisboa? repetir-lhe os protestos do nosso alto apreço e confessar-lhe a sinceridade do nosso reconhecimento pela cuidadàsa e devotada apresentação de cada um dos numeres da Revista Colonial aos seus dignos leitores Agradecer-lhe a elevada classificação que generosamente tem dispensado à nossa Revista, accentuando com fidalgo encomio a nossa pontualidade e apontando com liberaos ademanes o nosso modesto trabalho confessar-lhe o nosso desvanecimento por haver transcripo nas suas paginas a interessante communicação do nosso amigo J A Wvllie, da Indian Ar'my, não perdendo nem esse momento para mais uma vez exaltar a Revista Colonial Não A mais nos obriga agora a attitude de 0 Jornal do Cofnmercio e das Colonias, quando (N 17 :806) diz aos seus numerosos leitores estas penhorantissimas palavras que commetemos a inmodestia de reproduzir «Num pais corno o nosso, em que em tudo, que não seja a política, impera o maior indifferentismo, o conservar com abnegaç o uma Revista d'este genero só com intuitos patrioticos e altruistas é tao fóra de commum, tão pouco corrente, que já houve quem, para a malsinar, quisesse envenenar puras e sinceras intenções Quando, porém, os bons sentimentos apparecem límpidos como a consciencia dos que não praticam o mal e só pensam em fazer bem aos outros, as intrigas caem por terra e triumpha por fim a Verdade em toda,o seu esplendor E, feitas estas passageiras allusões a factos que se não deviam ter dado, mas que, para castigo dos seus_auctores, só vie- 2

18 18 REVISTA COLONIAL ram augmentar a importancia á Revista Colonial com um reclamo valioso e gratuito, vamos dizer aos nossos leitores quaes são os artigos e as secções de que se compõe o recente numero» Os nossos cordealissimos agradecimentos E pode 0 Jornal do Comrnercio e das Colonias estar certo de que nada nos arredam da rota que a nós mesmo nos rrnpozemos, para bem das colonias, senão ainda da propasa metropole E por mais procellosos que sejam os ventos que nos soprem de trayez, por mais turvos que se ennovellem os bulcões a toldar-nos o ceu da liberdade ambicionada, e por inesperados que possam surgir-nos ao caminho os icebergs do tumido sectarismo atravez cio qual navegamos, nada! abolutamente nada nos fará largar a linha de rumo que escolhemos, segurando-com mão firme, emboré fracos, o inquebra\tel leme da Verdade Se sossobrarmos, acabaremos resignadamente por dizer com o preclarissimo republicano e grande parlamentar inglez do reculo xvii, Alemos Sydney : 4 The best legacy I can leave my children is free speech, and the ea?ample of using it Coisas de Macau Modesto titulo de um livro agora publicado pelo ex-governador da l:provincia de Nlacau sr Alvaro de Mello Machado, em papel couché, recheado de bellas gravuras de scenes lacaes e magnificamente impreso na IMPRENSA LIBANIO A SILVA, desta capital Bem fez o auctor, agora destituido das suas funcções publicas, em trazer a publico este trabalho que, não obstante a modestia com que foi baptizado, revela não só uma intelligente observação das coisas do tempo e cio meio senão tambera uma independencia de caracter digna de registar, em meio cias commodes transigencias e deprimentes subserviencias da época corrente eve orgulhar-se o auctor de que, sendo uni novo, veio dar-nos uma obra em que plenamente se compendiam estes dois velhos proloquios cia sã Philosophie : «uendo-se a verdade, evitam-se os inconoenientes e os embaraços da mentira A oerdade nua e simples vale mais que a mentira ornada das nais bellas flores» E não é só essa «grande parte dos portuguezes que não sabe quantas e quaes as colonias que pos - suimos» quem deve lôr as Coisas de Macau ; gis nossas auctoridades, ao nosso governo impõe-se a sua immediate leitura, a ponderação do que na obra vem indicado, muito especialmente no que toca aos nossos até hoje tacanhos moldes legislativos, no que concerne aos processos até hoje tenazmente, ridiculamente e desastradamente tidos e mantidos com aquello afastado rincão do nosso poderio d'outr'os «Uma administração corajosa, activa, poderia salvar Macau, collocal-a pelo menos em condições de vida muito superiores Todavia a metropole nunca poderá fazer essa administração, que é evidentemente necesaria, ainda que recorra aos homens mais intelligentes e conhecedores do meio, porisso que, não estando no Togar, não podendo apreciar esses mil pequenos indicios que definem as occasiões opportunes e indicam o momento em que é necesario actuar, serti sempre tardia, demasiadamente cautelosa, e portanto prejudicial Colonia Que verdade esta, de tão adequada - reviviscencia, que lemos a paginas 59 no capitulo Organt a- ção administrativa de Macau! 1\'Ias a metropole, apesar de dia a dia alardear as suas promessas de descentralização, a metropole não pôde arrancar das suas entranhas o velho ciume cio seu poder e ascendencia, e, quanto mais berra rs turbas que abandonou as antigas pechas, yac pela calada satisfazendo os seus caprichos, e mentem-se, pela influencia dos seus varios e avariados admirai-- culos, sempre ciosa, sempre teimosa e sempre incongruente Porisso o auctor nos excita o animo com este tão franco e sincero quão confrangente desabafo «Os macaenses não teem o minimo amor, a minima consideração por Portugal Amam a sua terra, Macau, que considerais a sua patria ; e não andará muito longe da verdade quem disser que elles sentirão alegria se ámanhã Macau passasse zs mãos de qualquer outra potencia extrangeira, Inglaterra, America e Allemanha E temos nós o direito de os censurar? Que affeição pôde essa gente ter a uma nacionalidade, que nada mais tem feito pela sua terra do que encaminhai-a para uma ruina certa, por indifferença e por desleixo, que os deixa ao desamparo por terras extrangeiras, e que ainda lhes rouba, é o termo, os pequenos Togares publicos, que tão bem podiam desempenhar, em proveito de rniseraveis e incompetentes funccionarios da metropole, que a politice persistentemente envia a sugar os pequenos rendimentos da colonia? Portanto, raros são os macaenses que se registam nos consulados como cidadãos portuguezes, todos fallara exeiusivamente inglez e tornam habitos inglezes, mesmo quando vão a Macau, quando se encontram no seu meio, junto da sita familia Mas ainda ha mais Todos os macaenses que teem alguns meios para educar os filhos, mandam-nos para os collegios inglezes de Hon-Kong e de Shangai, ou fazem-nos frequentar as escolas inglezes de Macau, creadas e subsidiadas por elles pro - prios E' tal á desnacionalização que mesmo muitas das ereanças nascidas em Macau e allí educadas fallaras mais facilmente inglez do que portugilez» E foi para isto clue desde o reinado de Manoel, o afortunado irmão do assassinado duque' de Vizeu, se mandaram navios e navios de portuguezes, sacrificados tantas vezes pelos vosees e Credos mandarins, vietimas tantas vezes dos bandos cie assassinos, cujas mãos deceparam a cabeça d'esse valente e heroico governador, d'esse rijo e integro caracter que se chamou Ferreira do Amaral2 Valeu a pena ter até hoje gasto, atravez de tantos anuos, tanta vida e canceiras, fadigas e cuidados, iniciativa, dinheiro e trabalho? haver soffrido e supportado tantas perdas, tantas oppressões, tantas privações, tantas miserias, tantos massacres, tantas catastrophes Olhe! medite bem o nosso governo, se ainda ó tempo, as amargas verdades que encerram as Coisas de Macau! Apresse o sr dr Almeida Ribeiro a promulgação das medirlas que projecta para as colonias, tendo em vista, e a valer, a sã descentralização de que ellas careçem, para se governarem a contento propiro, para se procurarem o melhor progresso e

19 REVISTA COLONIAL 19 prosperidade, e assim efficazmente contribuírem para o engrandedimento e prosperidade do nosso paiz Por nossa parte, que já temos dado alarme do perigo que corremos se nos mantivermos na velha maneira de administrar colonias, louvamos o auctor pela nobre rudeza do seu brado de são patriotismo, dizendo claro aos que não vêem aquillo que SABE e VIU com os proprios olhos Felicitando o sr Alvaro de Mello Machado pelo seu util e opportuno livro, fazemos nossas mais estas suas palavras (pag 5r), que deveriam ser estampadas no frontispicio Se as syinpathias que temos na China estão ex - tremainente reduzidas com a administração dif -L - "cultosa que fazemos, coin o atraio que revelarnos, em comparação coro as outras colonias extrangeiras, não podernos senão crear inimigos que nos desprezam por incompetentes que será difficil ser approvada, muito embora a ideia da creação e os moldes dos lyceus de Goa e Macau hajam sabido dos antípodas da política dominante 0 que é difficil é perceber para que é cjue Em portaria de 16 de Junho, foi louvado o governador geral de Angola, sr José Mendes Ribeiro Norton de 1\'Iattos, por ter «submettido á consideração do governo os intuitos de protecção ás populações da provincia e de melhoramento da sua vida material e moral em que se teem inspirado as suas medidas de acção política e administrativa» os MAIS SUPERFINOS Licoresi Cognacs e Xaropes s o os A Fabrica Ancora de Lisboa isfüfação a vapor fundada am 1882 Grands-prix : St Louis, 1904 e Rio de Janeiro, 1908 Regulamentos - Temos notado que em alguns governos das nossas possessões se estão publicando, não por uma só vez, no texto clos Boletins Officiaes ou em supplemento, mas por doses em varios boletins, os regulamentos destinados a serem nellas cumpiidos Ora isto, alem de representar uma infracção da portaria regia de 15 de Fevereiro de 1894 cuja doutrina se suscitou em officio da antiga irecção Geral do Ultramar de 13 de Novembro de 1901, diplomas gire crëmos não foram declarados caducos, redunda em prejuízo dos leitores do Boletim Official e dos interessados que queiram manuseai e possuir em separata os regulamentos Sem espirito de censura para ninguem, pedimos pois ao î\iinistro das Colonias, cjue mande suscitar a observancia do que a tal respeito foi intelligentemente determinado como, pelo seu tino e tirocínio j uridico, mais do que vinguem o sr dr Almeida Ribeiro, promptamente reconhecerá O senador, sr Augusto Vera Ci uz, apresentou em 12 cie junho uma proposta de lei para se extinguir na provincia de Cabo Verde as escolas practicas de aprendizagem e o seminario «instituido e funecionando» na Alia de S Nicolau, e crear-se allí em surra substituieão um lyceu com organização identica i que pelo antigo ministro Ayres d'ornellas foi decretada para os lyceus de Nova Goa e Macau A substituição do Seminario pelo lyceú não nos parece bistricto de ]VIossamedes : Inauuração do pharol de Porto lexandre entre as disciplinas propostas se mette a Ling ua Latina, de que o fresco SoNICISbio C01-I['ULSORIO está já officialmente divorciado Alimentar agora a mãe quando set está a anavalhar «filha! Por portaria de '10 de Junho foram nomeados vobaes da Commissão Superior Technica de Obras Publicas das Colonias, os engenheiros avid Xavier Cohen, Luiz Feliciano Marrecas Ferreira e Antonio Guedes Infante Parece-nos haver lapso na citação que vemos no iario do Governo, n 144, do diploma creador da dicta Comiuissão Superior Não estando nós em erro, solicitamos a necesaria rectificação Por 120 dias está aberto Concurso na irecção Geral de Fazenda das Colonias a contar cie 24 de Junho ultimo para o preenchimento de 2 vagas de official do quadro aduaneiro da provincia da Guiné Pequena cabotagem, penhores e tabaco em Timor - Por portaria com força de decreto, 1i» 105 de 2 de Maio, aboliu o governador da provincia de Timor as taus de entrada e s +hida dos navios de pequena cabotagem em serviço regular e intensivo de transporte, fazendo escala pelos diversos portos da dicta provincia continuando comtudo as licenças sujeitas ao sello da respectiva verba

20 20 REVISTA COLONIAL Fieóu assim nesse ponto alterada a tabella annexa do decreto de 16 de Nevembro de 1905 Por diplomas -de identica auctoridade e da mesma data determinou-se o seguinte : a) é livre na Provincia o funecionamento das casas de penhores quando o dono ou empreza tenha obtido o alvará de licença nos precisos termos do decreto de 28 de Outubro de 1903 e mais preceitos agora designadamente mencionados ; b) é permittida tambero, mediante as prescripções agora estipuladas, a venda de tabaco manipulado em folha, pastas, rolo, trança, picado e em cigarros ou charutos A licença para venda a retalho, por grosso em deposito, ou ambutante é pessoal e intransmissível Aperfeiçoamento do material colonial - 0 Ministerio das colonias mandou que o engenheiro sr José de Mattos Braamcamp fosse gratuitamente representar o governo Portuguez no congresso de Bruxellas «Para o aperfeiçoamento do Material Colonial» Como a folha official não nos diz de que especie de material colonial se tracta, limitamo-nos a exprimir o nosso voto para que sejam optimas as «impressões que sobre o assumpto colher» o commissionado 0 governo geral de Moçambique alterou por portaria de 27 de Fevereiro varias das disposições reguladoras do exercido da caça no districto de Lourenço Marques A Secção de Veterinaria da Repartição de Agricultura em Lourenço Marques prohibiu a importação, para qualquer região da provincia de Moçambique, de bovídeos, ovinos, caprinos e suínos da Europa, visto aqui grassar a febre aphtosa Publicou-se um novo regulamento da Imprensa Nacional de Moçambique (Portaria n 644 de 29 de Abril) Segundo elle, fica sendo o seguinte o preço da assignatura do Boletim Official : por anuo 9000 réis ; por semestre 5000 réis ; por trimestre, 3000 réis Avulso 150 réis por cada 4 paginas 0 trabalho effectivo d'aquelle estabelecimento passou a ser de 6 horas por dia Em portaria de 29 de Maio louvou o governador geral do Estado da India o commandante da canhoneira Rio Sado 1 tenente de marinha Antonio de Macedo Ramalho Ortigão, os reais officiaes e praças da sua guarnição, em especial o 2 tenente Alvaro de Freitas Moura e o 2 tenente machinista Francisco Xavier Peres Trancoso, pelos serviços que todos prestaram por forma a poder utilizar-se a dicta canhoneira, até então considerada inaproveitavel Pela mesma auctoridade foi louvado o visconde de Pernera, por ter construido á sua custa no cassabé do concelho do mesmo nome um edificio para escola official do ensino primario portuguez e para outra de ensino particular de maratha, (mahratta), inglez e sansl rito 0 nosso consul em Calcuttlr, Mr Charles Jambon, negociante e proprietario de minas, registou em 29 de Abril na Secretaria Geral do Governo aa India dois manifestos de um jazigo de ferro, descobertos por meio de simples inspecção do terreno em Rabicho Fulacorlo ongor, e em Hugrei Colonacho Sodo, de Balai, do concelho de Sauguem Em 28 de Maio registou a Compagnie de Mines de Fer de Coa o manifesto de um jazigo de ferro e manganez descoberto por meio de pesquizas em Aturli, de Narodá, de Bicholim, concelho de Sanquelim O governador da provincia de S Thomé e Principe suspendeu das suas funcções o administrador do concelho de S Thomé, ordenando que o tenente coronel de infantaria, sr Gomes da Costa, procedesse a uma svndicancia á repartição e aos actos publicos do administrador, nos termos do decreto de 27 de ezembro de 1852 Concessão no archipelago de Bijagor - Por decreto de 3 de Julho do corrente foram concedidos ao subdito britannico Isaac Thomas Hawkins 21 :395 hectares de terreno naqu elle archipelago da provincia da Guiné, para culturas e varios ensaios industriaes 0 foro que o concessionario fica a pagar é de 45 réis por hectare urante o mez de Maio entraram em S Thomé 712 serviçaes : 5 homens e 2 mulheres, de Cabo Verde ; 119 homens e I I mulheres de Angola e 569 homens e 6 mulheres de Moçambique,, Bulletin de La Mission Romande - Recebemos com sympathisa surpreza esta oeuvre d'évangélisation chez les paiens, publicação mensal dirigida erg Lausanne pelas Egrejas independentes de Varid, Neuchâtel e Genève, com que folgaremos de ter perpetuas relações Pôe-nos ao facto dos trabalhos de propaganda missionaria d'estes tenazes evangelistas do ramo protestante, com curiosas descripções das suas tillacs, escolas e compounds, irão perdendo um ex-- forco para o exaiçamento da sua obra, não desaproveitando um frémissement de alegria por mais um a conquista, por mais um passo na sua obra mette o- dica e intelligentemente manobrada Nous nous rendons compte de la dureté des temps, nous comprenons que l'europe traverse en ce moment une crise économique et financière des plus graves dont nous subissons nécessairement le contre-coups, et nous sommes émerveillés que, dans ces circonstances, les soutiens de notre Mission aient pu mettre et notre disposition pendant l'année écoulée une somme de fr á couvrir le déficit nous sommes les serviteurs du Roi et en son nom nous sollicitons des contribuitions volontaires pour la guerre qui se poursuit au loin au morgen de combattants qui sont nos fils et nos filles E em nome d'esse Rei e ao serviço d'esse Rei, cz cuja ira ninguem pode resistir, elles marcham e elles luctam e as suas missões prosperam, e os nossos pretos para ellas accorrem, impulsionados pela sua palavra illustrada, dominantemente attrahidos pela habilidade do seu ensino e pelo carinhoso facies do seu tracto Ainda hoje temos viva a impressão da visita a algumas das suas escolas do districto de Lourenço Marques, Machaquene e Rikatla, e echoam--nos ainda, numa suave rememoração, os impression- nantes canticos que ; os seus numerosos pupillos entoavam em variegados choros de harmoniosa s--- simo contraponto A Egreja, a que pertencemos, proporciona-nos encantos de uma suavidade incomparavel, momentos de indisivel conforto, que o nosso espirro não encontraria nos restrictos moldes da evan- gelização romande ; irmãos, porém, na christia- nlzação da gentilidade que ainda erra nas trevas, admiramos o trabalho e a propaganda da Missoo Romande, cuja nobre attitude mais nos contrista e descoroçoa ante o triste e degradante espectáculo que nós, os crentes que primeiro iniciámos a cru_ zada da evangelização e civilização dos cafres do nosso ultramar, estamos hoje dando aos mesmos cafres, deixando-nos esmagar pela influencia das, missões extrangeiras, abandonando-lhes a ellas o terreno que tão caramente primeiro abrimos! E os nossos institutos missionarios derrotara---se,,

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