MEIO AMBIENTE Fiscalização ambiental: seu posto está preparado?

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1 MEIO AMBIENTE Fiscalização ambiental: seu posto está preparado? A resolução 273 do Conama já completou dez anos, mas muitos postos revendedores ainda não concluíram o licenciamento ambiental e, por isso, a fiscalização tende a ser cada vez mais rigorosa. Por Rosemeire Guidoni Alguns órgãos ambientais estão apertando o cerco e intensificando as ações de fiscalização junto aos postos revendedores. Em São Paulo, por exemplo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) vem promovendo diversas ações de fiscalização desde 2009, com o intuito de impedir que estabelecimentos irregulares continuem em operação. As penalidades variam de interdição (em casos mais graves) a multas, com estipulação de prazos para adequação. Quando o órgão iniciou o que chamou de megaoperação de fiscalização, o então secretário de Meio Ambiente do Estado, Francisco Graziano, defendeu a tolerância zero entre os irregulares. Vamos ser duros com os empreendimentos que não se adequarem à legislação ambiental, disse ele na ocasião. A intenção da Cetesb é regularizar a operação de cerca de dois mil estabelecimentos que ainda operam no estado sem a licença ambiental (de um universo de mais de 9,5 mil postos revendedores, além de outros empreendimentos com tanques subterrâneos de combustíveis). A ação dos agentes de fiscalização costuma ser mais rigorosa no caso dos estabelecimentos que não têm licença em vigor Fotos: Arquivo

2 E o estado de São Paulo não foi o único a iniciar este tipo de ação mais rigorosa. Outros órgãos ambientais também vêm cobrando do setor maior cuidado em relação aos procedimentos e equipamentos necessários para proteção ambiental. Afinal, a resolução 273 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) completou dez anos, e neste período todos os órgãos ambientais do país já deram início ao processo de licenciamento ambiental do setor de combustíveis. Nos locais em que o licenciamento começou a ser feito antes, o resultado é expressivo, com maior número de estabelecimentos licenciados. No Rio Grande do Sul, dos postos cadastrados pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam - que abrange todo o estado, com exceção de Porto Alegre), 75,5% dos estabelecimentos estão com a licença em vigor, e pouco mais de 7% têm processos protocolados para renovação de licença (sendo 3% de licenças já vencidas e 4% não vencidas). 2,5% figuram nas estatísticas da Fepam como aguardando dados, ou cumprimento de auto de infração ou troca de tanques, e 10,8% dos empreendimentos não solicitaram a renovação. De acordo com Vilson Trava Dutra, responsável pelo segmento de postos de combustíveis da Fundação, a ação dos agentes de fiscalização no estado é mais rigorosa no caso dos estabelecimentos que não têm licença em vigor. A Fepam realiza vistorias esporádicas por denúncias, reclamações ou por solicitação do Ministério Público, mas sem um agendamento de rotina. Ocorre também muitas vezes a fiscalização realizada pelos municípios e ainda pela Patrulha Ambiental da Policia Militar (atuam regionalmente), que fazem vistorias rotineiras em convênio com a Fepam. Em geral estas vistorias e irregularidades são detectadas e as empresas notificadas. O órgão ambiental autua os postos irregulares com base nestes relatórios, explicou Dutra. ACIDENTES AMBIENTAIS EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS

3 Em dia com as exigências E seu posto, está com a licença em dia? Com o maior rigor dos órgãos ambientais, é importante estar preparado para uma visita do agente ambiental e encará-la com bons olhos. Afinal, a intenção dos órgãos ambientais é punir os irregulares, contribuindo para um mercado concorrencial mais justo. Segundo o consultor ambiental Edgard Laborde Gomes, é primordial que o posto esteja adequado à Resolução 273 do Conama. O agente de fiscalização basicamente vai avaliar durante a visita se os documentos do posto estão em dia e se o estabelecimento atende às determinações desta resolução, orientou. Para conseguir a licença de operação, o estabelecimento já deve estar em conformidade com a resolução. No caso de o posto estar em fase de reforma, é necessária a apresentação de uma licença prévia ou licença de instalação. Mas o posto não pode estar em operação sem a devida licença de operação, destacou. Além da apresentação da licença, os agentes conferem in loco uma série de equipamentos e procedimentos adotados pelo posto. E, mesmo que o estabelecimento esteja com as licenças em dia, vale à pena ficar atento aos procedimentos de manutenção, evitando eventuais problemas no caso de uma fiscalização. A principal recomendação para o posto evitar problemas é a manutenção constante de todos os locais que possam se transformar em focos de contaminação, disse Gomes. E se eventualmente acontecer um acidente ou um vazamento, o empresário deve efetuar o mais rapidamente possível os procedimentos de contenção, e avisar o órgão ambiental. Quando avisado, o órgão ajuda a corrigir o problema e concede prazos para solução e remediação da área. Se o revendedor esconder o fato e for denunciado, pode ser autuado ou até ter o posto interditado. Não vale a pena omitir o fato, frisou. Atenção à Resolução 420 do Conama A Resolução 420 do Conama, de 28 de dezembro de 2009, obriga os Estados a cuidarem da qualidade do solo, e fixa os parâmetros mínimos ligados ao gerenciamento de áreas contaminadas. Entre outras coisas, ela determina que a informação das áreas contaminadas seja divulgada pelos órgãos ambientais (Minas Gerais e São Paulo já haviam adotado tais procedimentos de gerenciamento, antes mesmo da resolução), e obriga os órgãos ambientais a comunicarem a contaminação para diversas instituições, inclusive para o cartório de registro de imóveis. De acordo com Bernardo Souto, advogado do Minaspetro e consultor da Fecombustíveis, do ponto de vista penal, antes desta legislação não havia norma que disciplinava qualidade de solo. Assim, o Ministério Público tinha muita dificuldade de enquadrar áreas contaminadas no crime de poluição. Agora, com as novas normas, isso não mais acontece. Ou seja, antes era possível até se discutir a existência (ou não) de crime, mas agora essa tese jurídica ficou mais difícil, explicou. Segundo Souto, a qualidade do solo é definida pelos valores orientadores. Por isso, é importante que os postos revendedores se adequem à legislação ambiental. Adequação é sinônimo de que não há problemas. E um posto adequado, em regra, não contamina o solo. Por isso, a adequação é tão importante. Ela pode evitar que o empresário tenha passivo e deva seguir as normas pertinentes ao gerenciamento de áreas contaminadas, ressaltou.

4 Existem, para solo, três valores: VRQ (Valor de Referência de Qualidade, que determina que o solo é natural), VP (Valor de Prevenção, que indica que o solo não é natural, mas ainda não compromete o ser humano ou outros bens a proteger) e o VI (Valor de Investigação, que diz que existe potencialidade de comprometer a saúde humana). Neste último caso, é necessário realizar os procedimentos de análise de risco, para saber se é preciso remediar ou adotar outra medida de gerenciamento. Para água existe apenas VI. Na mesma linha, em São Paulo, a Lei Estadual no , de 8 de julho de 2009, exige que o empresário averbe na margem da matrícula do imóvel a informação da área contaminada, ou seja, que conste do registro imobiliário a contaminação. Em Minas Gerais a norma saiu com a previsão de que a averbação irá ocorrer, mas ainda será criado um grupo para discutir apenas este tema. Confira a seguir os procedimentos recomendados para garantir a proteção ambiental e o bom funcionamento de todos os equipamentos do posto. O PASSO A PASSO DA FISCALIZAÇÃO Durante uma visita ao posto, o agente do órgão ambiental costuma verificar: A manutenção do piso impermeável na área de abastecimento, na lavagem de veículos e na troca de óleo. Para evitar problemas, verifique sempre a limpeza destas áreas e a existência de trincas ou falhas que possam facilitar algum tipo de contaminação. As canaletas também devem estar sempre limpas e têm de conter apenas água, além de não estarem próximas à calçada; A limpeza das caixas separadoras. O revendedor deve fazer a limpeza periódica e, caso necessário, apresentar durante a fiscalização documento que comprove a retirada sistemática dos resíduos e sua correta destinação. Vale destacar que é necessária uma caixa separadora específica para a área do box de lavagem, que deve contar com os mesmos procedimentos de retirada periódica de resíduos; A limpeza dos sumps. Caso exista algum tipo de vazamento, ficará armazenado no sump. Por isso, é importante que o revendedor verifique regularmente o estado destes equipamentos, mantenha a área limpa e, ao menor sinal de vazamento, providencie a correção imediata do problema; A câmara de calçada deve estar íntegra. Como é um local de trânsito de veículos, inclusive caminhões, eventuais danos podem acontecer. Por isso, é importante a verificação periódica; Descarga. Os locais de descarga dos combustíveis devem estar limpos; Respiros. Eles devem estar instalados a 3,5 metros de altura e 1,5 metro de diâmetro de distância das construções do posto. A fiscalização deve verificar o comprovante de manutenção das válvulas de suspiro, com laudo de empresa especializada;

5 Laudos. Cópia dos laudos de análises semestrais dos poços de monitoramento em torno do SASC. O agente pode solicitar laudos de monitoramento dos tanques subterrâneos e da caixa separadora de água e óleo que indicam um possível vazamento. Tenha os documentos em dia. Todos os laudos (descritivos e fotográficos) solicitados devem ser assinados por responsáveis técnicos com a respectiva ART do Conselho Regional da Classe; Resíduos sólidos. Adequação do local onde é feito o armazenamento de resíduos sólidos do posto (estopas, filtros, embalagens de lubrificantes), bem como comprovantes que demonstrem a correta destinação. Em algumas localidades, é necessária a apresentação do Cadri, um certificado de destinação. Para evitar problemas, é recomendável solicitar à empresa coletora os reservatórios próprios para cada tipo de resíduo, e nunca misturá-los. Também é imprescindível fazer a contenção destes materiais, classificados como potencialmente poluidores; Coleta de óleo. Comprovante da coleta de óleo lubrificante usado por empresa autorizada pela ANP (certificado de coleta); EPAE. Os agentes podem checar também o comprovante de contratação de empresa prestadora de serviços de pronto atendimento emergencial (EPAE). Além de empresas terceirizadas, o posto pode ter a própria equipe treinada para os primeiros atendimentos. As distribuidoras de combustíveis costumam disponibilizar o serviço às redes.

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