SOFTWARE PÚBLICO BRASILEIRO

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1 SOFTWARE PÚBLICO BRASILEIRO Doutoranda em Engenharia UNICAMP Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Campus Bragança Paulista O Brasil inaugurou uma nova fase no desenvolvimento da política de software livre, o Software Público Brasileiro. É um modelo revolucionário que está quebrando paradigmas e contribuindo com a gestão pública do Brasil. O Governo Federal, por meio da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, lançou pioneiramente o Portal do Software Público Brasileiro, ambiente que compartilha soluções para área de Tecnologia da Informação e Comunicação. Palavras-chave: Software público. Tecnologia da informação e comunicação. Gestão pública. Políticas públicas de TI. Software livre. Brazil has inaugurated a new phase in the development policy of free software, the Brazilian Public Software. It is a revolutionary model that is breaking paradigms and contributing to Brazil s public management. The federal government through the Department of Logistics and Information Technology of the Ministry of Planning launched the pioneering Brazilian Public Software Portal, environment which shares solutions to the area of Information and Communication Technology. Keywords: Public software. Information and communication technology. Public management. IT public policy. Free software. 1 INTRODUÇÃO Dentre as iniciativas do Governo Federal para viabilizar a sociedade informacional, foi desenvolvido o conceito de Software Público Brasileiro, doravante chamado de SPB. O conceito do Software Público Brasileiro é utilizado como um dos alicerces para definir a política de uso e desenvolvimento de software pelo setor público no Brasil. Tal política compreende a relação entre os entes públicos, em todas as unidades da federação e demais esferas de poder, e destes com as empresas e a sociedade. O portal SPB é consultado no link <http://www.softwarepublico.gov.br>. A ideia para organizar um portal de soluções livres surgiu no ano de 1995 em função de uma proposta feita pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP), durante um encontro entre a diretoria executiva da entidade e o Conselho Nacional de Secretários de Administração (Consad). Inicialmente a proposta da ABEP tinha como principal objetivo o compartilhamento de soluções entre as instituições públicas, em particular as instituições de informática pública. Com a experiência do sistema de inventário CACIC, disponibilizado pela Dataprev, sob a Licença Pública Geral GPL, a visão deste compartilhamento foi ampliada para toda sociedade. O lançamento efetivo do portal aconteceu em abril de 2007 e está sob coordenação da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento. 61

2 2 Aplicação A iniciativa do Portal do Software Público Brasileiro facilita a implantação de novas ferramentas nos diversos setores administrativos dos Estados, promove a integração entre as unidades federativas e oferece um conjunto de serviços públicos para sociedade com base no bem software. Freitas & Meffe (2008) afirmam que a intenção da Administração Pública em compartilhar sistemas, aproveitar códigos estáveis e já existentes é economizar tempo de produção. Existem soluções que são de interesse da Administração Pública e, de alguma forma, resolvem problemas comuns a diversos órgãos do setor público. Outras, além de atender a demandas do governo, também são úteis na resolução de necessidades da sociedade. Bretas (2009) orienta sobre como participar do SPB como um direito do cidadão e como as soluções disponíveis devem atender a determinadas características: Produto: tratar o software como um produto acabado, chegando para sociedade com documentação completa de instalação, e preparado para funcionar com qualquer software de prateleira. Serviços associados: organização de um conjunto de serviços básicos, tais como: página na internet, fórum e lista de discussão para desenvolvimento e suporte, ferramenta de controle de versão e documentação existente do sistema. Prestação de serviços: formulação de procedimentos para resolver as questões relacionadas ao software disponibilizado. De forma que os futuros usuários do software recebam as devidas orientações e o suporte para utilização do produto. Gestão da colaboração: incentivo à colaboração entre os diversos usuários e desenvolvedores das ferramentas, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas de qualquer setor da economia. Licença do software: o modelo segue os princípios do software livre. As soluções recebem a Licença Pública Geral. A disponibilização das soluções atende à demanda antiga da sociedade no setor de Tecnologia de Informação, em especial do setor público. Freitas & Meffe (2008) destacam: O interesse direto das instituições em disponibilizar soluções informatizadas para que outros entes públicos desenvolvam-nas de forma colaborativa; A necessidade de atender a questões legais que asseguram a disponibilização de soluções pela Administração Pública; A percepção atual de que a continuidade da disponibilização das soluções deve ocorrer independentemente das mudanças na estrutura de cargos. Significa que existe a demanda por uma política de Estado que transcenda políticas governamentais. Meffe (2006) informa que convivemos neste terceiro milênio com a presença constante de uma nova forma de construção de conhecimento e de riqueza: o software. Os defensores da língua pátria podem imaginar que não começamos muito bem ao adotarmos um termo importado. Mas, vamos conviver com os sinais deste mundo globalizado sem nos furtarmos desta realidade invasiva, pois, queiramos ou não, o software será cada vez mais uma das principais alavancas de desenvolvimento econômico e social no início deste terceiro milênio. O Estado, a exemplo da percepção da experiência da Coréia da Sul e da Espanha, também será essencial como base de transformação, em que o fortalecimento do conceito de software como um bem público se tornará um fundamento importante para dimensionar o papel estratégico que o Estado deve assumir atualmente frente ao assunto. Meffe (2006) ainda argumenta que o bem software, ao ser compartilhado, consegue não somente criar demandas e atender a necessidades (como qualquer bem), mas potencializa um modo de desenvolvimento pulverizado, como jamais foi percebido na história. Os bens públicos 62

3 convencionais convivem com a própria limitação física: dos recursos materiais, das instalações, do pessoal envolvido, entre outros. O software, ao ser caracterizado como bem não rival e não excludente, tem a capacidade de ampliar sua evolução após a sua distribuição, reforçando uma de suas potencialidades que é o compartilhamento. Mas, para percebermos com maior agilidade esta questão, devemos tratar como um primeiro ponto importante o software como uma riqueza, assim como os metais preciosos no Império, a energia elétrica, na República, a água no futuro. Os argumentos que alçam o Software Público a um patamar semelhante ao da Educação e da Saúde podem, aparentemente, forjar uma posição de status para o software. Por enquanto o Software Público ainda não pode ser igualado aos demais serviços públicos como Educação, Saúde, Cultura; isto será, possivelmente, uma questão de tempo. Agora, observemos brevemente uma realidade que não está mais compreendida somente nos filmes de ficção: os exames laboratoriais, os aparelhos cirúrgicos, as bibliotecas, as escolas, as pesquisas científicas, o ensino, todos eles hoje estão envolvidos umbilicalmente com o mundo da Tecnologia da Informação, em especial com o mundo do software. O que nos põe a afirmação de que o software está cada vez mais presente em nossas vidas, queiramos ou não. Meffe (2006) alega que a capacidade cultural dos brasileiros em colaborar, compartilhar e trabalhar cooperativamente pode acelerar o modelo de negócios centrado no software (serviços). Freitas & Meffe (2008) afirmam, em relação ao SPB, que a diferença crucial entre o espaço virtual do SBP e dos demais ambientes desse período histórico é o fato de a iniciativa ressaltada visar ao desenvolvimento sócio-econômico, suprindo demandas e carências com possibilidades oferecidas e tratando o software como um bem estratégico para o crescimento do país. Uma boa parte dos espaços virtuais da web 2.0 visa à obtenção e à apropriação privada do lucro. O Portal SBP cumpre duas funções essenciais: centralizar a oferta, a demanda e os prestadores de serviços em um único ambiente de colaboração e oferecer os resultados dos esforços de produção para a coletividade. Essas características tornam o Portal SBP um espaço 2.0 no qual a riqueza é produzida, distribuída e apropriada por toda a sociedade. Alves et al. (2009) relatam que o ecossistema SPB, conforme apresentado na Figura 1 Ecossistema SPB, define uma estrutura conceitual complexa para descrever as interações entre empresas, tecnologia e conhecimento, e que é inspirada em ecossistemas biológicos. Este conceito originou investimentos significativos da comunidade europeia para construção de uma infraestrutura técnica e logística para a promoção do inter-relacionamento entre pequenas empresas de software europeias, tendo como objetivo principal a consecução de novos negócios. O contexto brasileiro, caracterizado por uma indústria de software menos amadurecida que a europeia, uma maior assimetria social, um nível de escolaridade média inferior, entre outras coisas, demanda outro tipo de conceituação. Embora a consecução dos negócios também esteja entre os objetivos do SPB, seu maior foco reside na melhoria da gestão pública e no acesso ao conhecimento de TI, direcionados para o desenvolvimento sustentável no Brasil. A Figura 1 Ecossistema SPB retrata que a disseminação tecnológica com fins sociais enseja o fortalecimento de empresas públicas e privadas, pois conduz para um crescimento com mais igualdade para dar suporte às políticas públicas visando sustentar o Software Público Brasileiro. Desta forma, o SPB estimula a produção colaborativa e catalisa o desenvolvimento da Tecnologia da Informação e Comunicação, regulando o software como um bem público e ampliando a aprendizagem e promovendo a melhoria da gestão pública. 63

4 Figura 1: Ecossistema SPB. Fonte: Alves et al. p.20. O portal SPB conta com diversos softwares, dentre eles cito alguns: CACIC Configurador Automático de Coletor de Informações Computacionais; Cocar Controlador Centralizado do Ambiente de Rede; I-Educar Software de Gestão Escolar; OASIS Sistema de Acompanhamento das Ações da Área de TI; OpenACS Sistema de Arquitetura de Comunidade Aberto; PREFEITURA LIVRE - Solução de Gestão Municipal; SGD Sistema de Gestão de Demandas; Siasu-Saci-Contra - Sistema de Gerenciamento de Portais e de Controle de Acesso; Sigati Sistema de Gestão de Ambiente de TI; SPED Sistema de Protocolo Eletrônico. O portal SPB te m uma área com enfoque específico para a esfera municipal através do link 4CMBr Municípios Brasileiros. O 4CMBr é um repositório de dados e informações com experiências, artigos, fóruns e softwares direcionados para administração municipal. A parte da sigla 4C representa Colaboração, Co m unidade, Conhecimento e Compartilhamento. 3 CONSIDERAÇÃO FINAL O projeto do SPB foi uma iniciativa recente do Governo Federal que conta com muitos usuários e diversas aplicações. Certamente é um projeto que abre um novo espaço de atuação para as comunidades acadêmicas contribuírem com pesquisas e desenvolvimentos nessa área do Software Público Brasileiro. Diante do exposto, o Instituto Federal de São Paulo precisa alinhavar estratégias para embarcar nessa nova ideia do Software Público Brasileiro: com o propósito de estimular a melhoria da Gestão Pública, promover a aprendizagem e o compartilhamento do Software e do Conhecimento como bem público e catalisar o desenvolvimento de Tecnologia da Informação e Comunicação para aumentar a disseminação tecnológica com fins sociais e principalmente para o fortalecimento das políticas públicas da área de TI. 64

5 REFERÊNCIAS ALVES, A. M. et al. Software Público Brasileiro: muito além do compartilhamento de software. Revista InfoBrasil Especial. Brasília, jun./ago BRASIL. Software Público Brasileiro. Brasília, Disponível em: <http:// Acesso em: 01/05/2010 BRETAS, N. Como participar do portal. Revista InfoBrasil Especial. Brasília, jun./ ago FREITAS, C. S.; MEFFE, C. A produção compartilhada de conhecimento: o Software Público Brasileiro. IP Informática Pública, Belo Horizonte, ano 10, n. 2, dez. 2008, p MEFFE, C. Software Público é diferencial para o Brasil. ComputerWorld. São Paulo, jun Disponível em: <http://computerword. uol.com.br/negocios/corinto_meffe/ idgcoluna >. Para contato com a autora: 65

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