ESTADO DO AMAZONAS CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS GABINETE VEREADOR REIZO CASTELO BRANCO A CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS DECRETA:

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1 Projeto de Lei nº 060/2013 Autor: VEREADOR REIZO CASTELO BRANCO DISPÕE sobre a criação do Centro Municipal de Bem-Estar Animal - CEBEA, e dá outras providências. A DECRETA: Art. 1º. Fica criado o Centro Municipal de Bem-Estar Animal - CEBEA no âmbito do Município de Manaus, cujos objetivos legais constituem: I. A prevenção e a eliminação das causas de sofrimentos físico e mental de cães e gatos; II. A defesa dos direitos dos animais; III. O bem-estar animal; IV. Assegurar e promover a participação, o acesso à informação e a conscientização da sociedade nas atividades envolvendo cães e gatos; V. Promover a implantação de medidas efetivas que assegurem a prática da propriedade responsável de cães e gatos; VI. Promover a integração entre os diversos setores, envolvendo o poder público, a iniciativa privada, a sociedade civil organizada, as universidades e entidades de classes nas ações de bem-estar animal. Art. 2º. Fica criado o Centro Municipal de Bem-Estar Animal CEBEA, afeto à Secretaria Municipal da Saúde, para desenvolvimento do Código Estadual de Proteção aos Animais, de forma integrada com o órgão responsável pelo Controle de Zoonoses do Município. 1

2 Parágrafo único: O Centro Municipal de Bem-Estar Animal fica responsável pela realização do controle populacional de cães e gatos, por meio de esterilização, verificação da correta aplicação da eutanásia, comprovada por laudos técnicos, evitando, desta maneira, o sacrifício indiscriminado de cães e gatos saudáveis, o incentivo à adoção e a realização das campanhas de conscientização e orientação técnica aos adotantes para uma tutela responsável dos animais. Art.3. É de competência do CEBEA: I. Estabelecer normas para a garantia de aplicação dos preceitos de bemestar animal nas atividades envolvendo cães e gatos no Município de Manaus. II. Atuar de forma integrada com o Centro de Controle de Zoonoses, garantindo assim as ações previstas nesta lei e assegurar a efetividade das atividades de controle preventivo e repressivo de zoonoses e de vigilância epidemiológica; III. Implantar o atendimento clínico e cirúrgico para cães e gatos recolhidos no Município de Manaus, com intuito de reabilitação e recolocação dos mesmos, por meio de adoção. IV. O CEBEA deve pautar-se pela otimização e aprimoramento das técnicas que garantam maior eficiência e operacionalidade, atendendo às normas de controle e prevenção sanitário-ambientais, prevendo a capacitação dos agentes, profissionais e voluntários envolvidos no serviço, bem como o atendimento à legislação e recomendações nacionais, estaduais e internacionais. V. Instituir, gerir e supervisionar as atividades do Grupo de Atenção Comportamental e de Saúde GACS; VI. O Grupo de Avaliação Comportamental e de Saúde - GACS deve ser composto por uma equipe multidisciplinar, formada por médicos veterinários do órgão responsável pelo controle de zoonoses e profissionais devidamente habilitados nas áreas de: a) comportamento e bem-estar animal, com formação técnica ou de graduação; e b) adestramento, comprovado mediante diplomação em curso específico com o mínimo de 240 (duzentas e quarenta) horas. 2

3 Art. 4. Os funcionários e veterinários do órgão responsável pelo controle de zoonoses, da estrutura Centro Municipal de Bem-Estar Animal CEBEA e do Grupo de Atenção Comportamental e de Saúde GACS que trabalham diretamente com os animais, bem como aqueles que prestem serviço remunerado ou voluntário nas demais instituições públicas ou privadas devem participar de capacitação e educação, com conteúdo programático teórico, atividades práticas e avaliação sobre: I. Zoonoses e ações preventivas; II. Obrigatoriedade da vacinação e da aplicação efetiva de vermífugo em cães e gatos; III. Riscos causados por animais sem controle; IV. Obrigatoriedade do controle da reprodução de cães e gatos; V. Inadequação da manutenção de animais silvestres como animais de estimação; VI. Bem-estar e necessidades dos animais; VII. Comportamento de cães e gatos; VIII. Interação homem-animal; IX. Administração de fármacos que visem à eliminação de parasitas internos e externos. X. Manejo animal e utilização de equipamentos apropriados para este fim; XI. Socialização e educação de cães e gatos; prevenção de mordeduras e demais agravos; XII. Legislação referente à garantia de vida dos animais, sendo ela Federal, Estadual, Ambiental e Municipal. XIII. Valorização, preservação do meio ambiente e promoção da cultura da paz e respeito a todas as formas de vida. Art. 5. Os animais recolhidos devem ser transferidos dos veículos para os alojamentos com segurança e tranquilidade, evitando ruídos e movimentos bruscos, com a intenção de reduzir situações de: risco, traumas, estresse, acidentes ou fugas. Art. 6. Todos os animais recolhidos devem ser mantidos em recintos que atendam aos preceitos de bem-estar animal, apostados nesta Lei, e separados por sexo e espécie: I. Em canis ou gatis individuais: 3

4 a) fêmeas em estado de gestação; b) filhotes com idade presumida de até 90 dias; c) animais não sociáveis com outros animais d) animais com sinais de doenças infecto contagiosas. II. Em alojamentos conjuntos: a) fêmeas com seus filhotes; b) ninhadas. Art. 7. Os animais recolhidos que estão em sofrimento devem ser avaliados por um médico veterinário, imediatamente após o desembarque, para definição de tratamento, ou para eutanásia imediata, quando visar à interrupção do sofrimento animal. I. Os animais suspeitos de serem portadores de doenças infectocontagiosas de caráter zoonótico devem permanecer em observação clínica e isolamento, no órgão responsável pelo controle de zoonoses ou em local autorizado pela autoridade sanitária, que determinará o período e os procedimentos a serem adotados. Art. 8. Os canis e gatis devem ser planejados de forma a proporcionar o atendimento às necessidades físicas, mentais e naturais dos animais, e em cumprimento às normas sanitárias e ambientais e legislação vigente. I. Os canis devem dispor de estrado de material isolante térmico, de fácil limpeza, higiene e reposição, compatível com o porte do animal a que se destina, e assegurando distância dos dejetos e da umidade do piso. II. Todos os canis e gatis devem manter ficha de controle, contendo data de entrada, local de recolhimento, características do animal e demais informações pertinentes, afixada em local de fácil visibilidade. III. Os animais de comportamento dominante, alojados em canis coletivos, que não permitam aos demais se alimentar, devem ser separados do grupo e mantidos em canis individuais. IV. Nos canis e gatis deve ser promovido o enriquecimento ambiental. V. Aos cães e gatos deve ser ofertada ração comercial de boa qualidade, duas vezes ao dia, água limpa disponível permanentemente e em quantidade compatível com o número de animais alojados. 4

5 VI. A higienização e desinfecção dos veículos, gaiolas, caixas de transporte, demais equipamentos de manejo deve ser realizada após cada uso e sempre que necessário. VII. Os animais não podem ser expostos a produtos de higienização e desinfecção ou atingidos pela água durante a limpeza dos alojamentos. Art. 9. A forma de organização estrutural do Centro Municipal de Bem-Estar Animal - CEBEA, carreiras de natureza operacional, cargos e funções devem ser objetos de regulamentação do Poder Executivo. Art. 10. Para a execução das ações e determinações desta Lei, o poder público pode celebrar convênios, acordos, ajustes, termo de parceria, contrato de gestão e demais modalidade de contratação, legalmente previstas, com entidades de proteção e bem-estar animal e outras organizações não governamentais, universidades, estabelecimentos veterinários, demais pessoas jurídicas de direito público e/ou privado e entidades de classe. Art. 11. As despesas decorrentes desta lei devem correr por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário. Art. 12. Esta lei deve ser regulamentada pelo Poder Executivo no prazo de 30 (trinta) dias, contados da sua publicação. Art. 13. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário., em Manaus, 05 de Março de Vereador REIZO CASTELO BRANCO 1º Secretário - CMM 5

6 JUSTIFICATIVA É necessário que o Poder Público incline-se sobre a sociedade com intuito de informar, conscientizar e, conjuntamente, cobrar-lhes a responsabilidade imposta sobre a criação, comercialização e manutenção de animais domésticos. Senão por afeição, então por imposição legal, onde os animais encontram sua proteção no art. 255, 1º, VII da CF/88, cuja criminalização é prevista no art. 32 da Lei Federal n /98 Lei dos Crimes Ambientais, e todo o conteúdo expresso no art. 2º do Código Estadual de Proteção aos Animais. Proponho a criação do Centro Municipal de Bem-Estar Animal, um serviço de gestão pública, desenvolvido por pessoa jurídica de direito público e/ou privado, direcionado a colaborar com a segurança pública, promover e zelar pela saúde dos cidadãos manauaras e efetiva integração ao Centro de Controle de Zoonoses do Município de Manaus, dada à competência concorrente com o Estado. A expansão da conscientização acerca dos direitos dos animais no Município de Manaus é uma luta que não deve ter fim somente com a criação de códigos, leis correlatas, associações... Deve, outrossim, ser uma batalha travada ao longo do tempo buscando adaptar e promover ações efetivas de combate aos maus-tratos e resgate e tratamento de animais em situação de risco, com a concepção máxima de que cuidar do animal, além de uma questão ética, é também cuidar do humano e da saúde pública como um todo. Essa discussão concernente ao Direito Animal, além de intensa, é uma emergencial necessidade, sendo uma matéria de responsabilidade pública generalizada, pois, elaborar métodos legais de preservação da vida humana, tão-somente, sem a preocupação de se contemplar os animais denominados não-humanos, é o mesmo abandonar uma causa que influencia direta e visceralmente na vida do homem, uma vez que lutar pelo bem dos animais representa a promoção de benefícios sociais diretos e imprescindíveis para a humanidade. Não são poucos os que se preocupam com a vida dos animais, com sua segurança e proteção. A nobreza e solidariedade humanas, representadas na preservação da vida animal, refletem diretamente nos cuidados que somos capazes de dispensar ao nosso próximo, pois quem 6

7 cuida de um animalzinho, respeitando-o, é capaz de muito mais fazer por um ser humano. O próprio mestre Mahatma Gandhi destacou como forma de expressar a maior característica de um povo: "A grandeza de uma Nação e seu progresso moral podem ser julgados pelo modo como seus animais são tratados" Nesse sentido, conclamo meus pares a uma detida reflexão a fim de que esta Casa de Leis esteja irmanada às iniciativas de proteção e respeito aos animais, cuja problemática fere tão profundamente a defesa da vida. E peço sejam favoráveis a presente propositora que cria o indispensável Centro Municipal de Bem-Estar Animal na cidade de Manaus. PLENÁRIO ADRIANO JORGE, Manaus, 05 de Março de Vereador REIZO CASTELO BRANCO 1º Secretário - CMM 7

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