Unidade: A Poesia: uma outra maneira para gostar de ler. Unidade I:

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2 Unidade: A Poesia: uma outra maneira para gostar de ler Olá Alunos, Na unidade anterior conhecemos e discutimos um pouco a respeito de um tipo de Literatura Infanto-Juvenil, no caso, Os Contos de Fadas. Nela, foi possível verificarmos a importância desse gênero literário no processo de desenvolvimento da criança e do adolescente. Agora, nessa unidade, iremos conversar, discutir e conhecer um pouco sobre outro gênero literário, a Poesia. O tema para essa unidade é: A Poesia: outra maneira para gostar de ler. Abordaremos junto com as peculiaridades desse gênero, a relação com o estudo da poesia em sala de aula. Para iniciar, gostaria de deixar com vocês as observações sobre poesia da escritora Ângela Maria dos Santos Maia e Roberto Sarmento Lima, feitas na introdução do livro: Poesia é brincar com palavras leitura do poema infantil na sala de aula, que segue: O estudo da poesia na sala de aula, no ensino fundamental, não tem contribuído, apesar do esforço de muitos professores para reverter o estado atual de problemas com a leitura de um modo geral, para o desenvolvimento e a expansão do gosto literário. O avanço da utilização de recursos técnicos na escola o uso do computador, do vídeo, da internet não significa, necessariamente, um avanço no desempenho da atividade da leitura. Aliás, o estímulo visual concorre, em desfavor da leitura, com o livro; os apelos da tela da televisão, com cores e imagens, terminam por tornar desmotivadores o manusear do livro e, consequentemente, o contato com a palavra impressa, espécie de leitura em preto e branco. (...), o que se deseja, mais uma vez, é conduzir o aluno ao fascinante mundo da leitura... e da leitura literária, que é a modalidade mais atraente de formar o futuro leitor. Em relação à poesia, mais do que em relação à prosa, o abandono do gênero lírico tem sido um indicador de como o homem contemporâneo vive afastado da fantasia. A poesia parece ter sobrevivido na chamada função poética da linguagem, de acordo com Jakobson, que se esgotaria na mera referência do material verbal a sua capacidade de expressão, fônica 1

3 ou visual, presente, por exemplo, nos slogans publicitários, cujo estranhamento sintático, sonoro, visual, morfológico destacaria apenas o lado material da linguagem, sem fazer alusão a nenhuma verticalização dos possíveis significados da mensagem. O que é, então a poesia? (...) Mudou o mundo, e mudou o conceito de poesia. (...). Poesia, portanto, não pode ser confundida com jogo de palavras, como o faz tão bem a linguagem da propaganda. É isso e aquilo, como diria aproximadamente Cecília Meireles: é jogo de ideias! (MAIA, 2002, p. 11) Esses autores abordam a leitura de poesia infantil na sala de aula como um meio de inserir na vida da criança o prazer da leitura e o gosto pela chamada boa literatura. Agora peço a vocês que acessem o seguinte link nele você terá de maneira sucinta um panorama histórico da poesia no Brasil, aproveitem! E como a poesia é considerada? Sabemos que a poesia é um gênero literário visto de maneira um pouco preconceituosa, podemos perceber que se edita pouco, especialmente, poesia para criança ou para adolescente. Os grandes autores não fazem de suas obras versões infantis e acabamos por encontrar escritos para crianças com qualidade baixa. É claro que existem sim, lindos poemas feitos por pessoas altamente qualificadas como: José Paulo Paes, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Lygia Bojunga Nunes, Ana Maria Machado e tantos outros. Mas, infelizmente, ainda existe uma restrição muito grande em relação à poesia. Segundo a autora Fanny Abramovich, existem aqueles que acham que a poesia infantil tem de ser moralizadora ou pequenininha ou tratarem de temas patrióticos. Existem aqueles que também acham que a poesia infantil deve falar de assuntos piegas. Todos esses achados, só porque é uma literatura para criança. 2

4 A poesia para crianças, tem de ser muito boa. E, então, cito as próprias palavras de Abramovich (1995) que diz que a poesia precisa ser De primeiríssima qualidade!!! bela, comovente, cutucante, nova, surpreendente, bem escrita... Mexendo com a emoção, com as sensações, com os poros, mostrando algo de especial ou que passaria despercebido, invertendo a forma usual de a gente se aproximar de alguém ou de alguma coisa... Prazerosa, divertida, inusitada, se for a intenção do autor... Prazerosa, triste, sofrente, se for a intenção do autor... Prazerosa, gostosa, lúdica, brincante, se for a intenção do autor... Ou, como diz José Paulo Paes, ao dar sua Explicação, em seu livro É isso ali: A poesia não é mais do que uma brincadeira com as palavras. Nessa brincadeira, cada palavra pode e deve significar mais de uma coisa ao mesmo tempo: isso aí e também isso ali. Toda poesia tem que ter uma surpresa. Se não tiver, não é poesia: é papo furado ( e ele, um de nossos maiores poetas, bem sabe o que fala...). Agora, passe pelo seguinte link nesse artigo o tema é: Promovendo um encontro entre a poesia e a criança. Os profissionais desse artigo fizeram um trabalho com crianças de Educação Infantil, implantando um projeto que trabalha com o resgate da poesia da criança. Eles acreditam que a brincadeiras com as palavras, ajudam no processo de aprendizagem e na compreensão de sua realidade. Abordando a questão da poesia na sala de aula, algumas vezes encontramos dificuldades de como apresentar para os alunos um material de leitura que traga ao mesmo tempo prazer e interesse. Então, como trabalhar poesia com as crianças? Há muitos elementos para se trabalhar poesia com as crianças e com os adolescentes, em sala de aula. O fato de ler em voz alta um poema com a emoção que ele desperta, poesias que trazem a sensibilidade e a percepção, como o olfato, a visão ou o paladar. A troca de experiências a partir de um poema que tenha sido vivido por vários leitores. A musicalidade, o ritmo, o escrever, as brincadeiras das palavras, os sentidos e significados. São muitos elementos que podemos trabalhar que sejam satisfatórios tanto para o professor quanto para o aluno. 3

5 A escritora Abramovich dá alguns conselhos a respeito de trabalhar poesia em sala de aula. Ela ensina que se a professora for ler um poema para a classe, que conheça bem, que tenha lido várias vezes antes, que o tenha sentido, percebido, saboreado. Para que passe a emoção verdadeira, o ritmo e a cadência pedido, que sublime o importante, que faça pausas para que cada ouvinte possa descobrir por si próprio cada passagem, cada estrofe, cada mudança... (ABRAMOVICH, 1995, p. 95). Se for selecionar alguma poesia para ser lida pelas crianças, ela aconselha que não seja escrita por iniciantes, que ainda estão à procura da forma. Recorra a autores que já dominam o verbo, constroem o verso, controlam o ritmo, sabem eliminar o supérfluo, para condensar, de modo exato e belo, as imagens, e assim, provocar encantamento, suspiros, gostosura, sorriso, vontade de querer mais, de repetir, de precisar ler de novo para melhor se inteirar, para compreender lá no fundo ou descobrir algo que na primeira ou na segunda leitura não foi percebido, palavras que abriram as portas da compreensão de um mundo mágico e sábio, que não se imaginava ou percebia que era daquele jeito. É pois, como escreveu um dia, lindamente, o poeta Oswald de Andrade: Aprendi com meu filho de dez anos Que a poesia é a descoberta Das coisas que nunca vi. (ABRAMAVOCH, 1995, p. 95). Portanto, a poesia é um gênero literário, importante, que traz elementos significativos que podem auxiliar o professor no processo de ensino e aprendizagem do seu aluno. Para a criança e para o adolescente, a poesia pode proporcionar a compreensão de sua realidade, fazendo com que suas viagens imaginárias dentro da poesia deem um sentido e significado para seus problemas, dúvidas ou frustrações. 4

6 Referências ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 5 ed. São Paulo: Scipione,1995. HELD, Jacqueline. O imaginário no poder: as crianças e a literatura fantástica. São Paulo: Summus, MAIA, ANGELA M. dos S. Poesia é brincar com palavras: leitura do poema infantil na sala de aula. Maceió: EDUFAL, QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Leitura, um diálogo subjetivo. In: O que é qualidade em literatura infantil e juvenil?: com a palavra o escritor. São Paulo: DCL, ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva,

7 6 Responsável pelo Conteúdo: Profª. Esp. Denise Pianheri Revisão Textual: Profª. Dra. Roseli F. Lombardi Campus Liberdade Rua Galvão Bueno, São Paulo SP Brasil Tel: (55 11)

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