VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS: IDENTIFICAÇÃO DE CASOS E ATENDIMENTO NO CREAS

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1 VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS: IDENTIFICAÇÃO DE CASOS E ATENDIMENTO NO CREAS Jakson Luis Galdino Dourado CREAS - Joana Grazziele Bomfim Ribeiro CREAS Silvia Catarina Dourado Vasconcelos - CREAS Emília Galdino Ferraz - UFCG Inaiana Costa Gama UFCG Introdução A violência é uma questão que ocorre desde a antiguidade, e por violência se entende imediatamente uma relação assimétrica e hierárquica de poder com fins de dominação, exploração e opressão (Ferriani, 2004). Para Barros (2005), a violência é uma questão historicamente relacionada à dissimetria nas relações de poder, aparece com maior intensidade quando há desigualdade de condições entre vítima e agressor. As situações de violência contra os idosos vêm refletir esta afirmação na medida em que o outro mostra um abuso de poder exercendo sua vontade e, para isso, pratica a violência. Neste estudo o foco referencial terá seu direcionamento na violência contra o idoso, justificando-se pelo fato desta ser uma das maiores demandas atendidas no serviço ao qual pretende-se analisar. Além disso, é de extrema relevância avaliar um serviço que pretende combater e intervir em casos referente à violência contra a pessoa idosa. Segundo D Urso (2009), devido ao envelhecimento populacional de

2 forma mais abrangente, a violência contra o idoso vem se intensificando. A pessoa idosa, por sua fragilidade, torna-se mais vulnerável à violência doméstica e familiar justamente pelo fato de que ao chegar a determinada idade ela perde seu valor. Assim, o presente trabalho tem como objetivo verificar e analisar as ocorrências de violência contra a pessoa idosa na cidade de Morro do Chapéu/BA, tomando como base os atendimentos notificados no Centro de Referência Especializado de Assistência Social CREAS, do referido município. Metodologia A pesquisa foi concretizada no CREAS Centro de Referência Especializado de Assistência Social do Morro do Chapéu/BA, serviço implantado no município em abril de 2011 para atender a Política Nacional de Assistência Social pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no que se refere a questões ligadas à violação de direitos. O estudo foi realizado com base no levantamento e análise de informações contidas nas ocorrências de atendimentos do CREAS de Morro do Chapéu, tendo como vítima o idoso (60 anos ou mais) no período de janeiro de 2012 a abril de Obteve-se o número de ocorrências registradas a partir de estatísticas realizadas pelo senso do Sistema Único de Assistência Social a nível local, totalizando uma amostra de 32 (trinta e dois) idosos atendidos. Trata-se de um estudo de avaliação de serviços de Assistência Social com abordagem quanti-qualitativa. Este tipo de abordagem é adequado às

3 avaliações de programas, no caso em foco o CREAS, pois, sendo a avaliação um processo que envolve os mais diferentes atores, a quebra do paradigma das abordagens avaliativas tradicionalmente quantitativas se faz necessária, para que possamos ter acesso à totalidade do processo. Deste modo, Deslandes e Assis (2002) reconhecem a importância da interação metodológica entre as abordagens quantitativas e qualitativas. O quantitativo e qualitativo traduzem, cada qual a sua maneira, as articulações entre o singular, o individual e o coletivo. Resultados e Discussão Os dados foram analisados através da caracterização das denúncias por: sexo, faixa etária, quem denúncia, quem é o agressor e a tipologia. Do total de 32 denúncias, 21 foram pessoas idosas do sexo feminino e 11 do sexo masculino. Tal fato coloca as mulheres como principais vítimas da violência, explicado pela fragilidade da mulher e a cultura do machismo, onde o poder do homem é dominante. Ao observar a faixa etária das vítimas de violência atendidas nos CREAS, percebe-se que 31% têm entre anos de idade, 47% têm entre anos e 22% têm entre anos. Tais dados mostram que idosos entre 71 e 80 anos são o alvo mais recorrente nas ocorrências de violência. No que se refere às denúncias, 12 casos foram registrados por meio de encaminhamento realizado pela rede de atenção a saúde (NASF, PSF e CAPS), seguido de 9 casos registrados de forma anônima, por meio de ligação telefônica diretamente ao CREAS, outros 5 encaminhamentos efetivados pelo

4 Ministério Público, além de 4 casos encaminhados por parentes (filhos, netos) e 2 casos acolhidos por demanda espontânea. Percebendo-se que a rede de saúde efetiva-se como a maior parceria quando se fala em denúncias de casos. Nas ocorrências analisadas, observa-se que os maiores agressores foram os familiares, ocorrendo 18 denúncias envolvendo filhos (as), netos (as), companheiros (as). Os outros agressores foram os cuidadores com 11 ocorrências e vizinhos/comunidade com 3 registros. Evidenciou-se que na maioria dos casos o agressor vive na mesma casa que a vítima, sendo que os idosos devido a idade avançada, dependem da família de seus filhos para sua sobrevivência e deste modo se sujeitam a agressões e sofrimento. Das principais tipologias de violência cometidas contra a pessoa idosa no município de Morro do Chapéu, observa-se com 17 registros, a Negligência, conhecida também como violência familiar. Nos casos denunciados observamos que a família não presta os cuidados necessários com alimentação, medicação, higiene, assistência de saúde, isolamento social, paciência, compreensão e falta de afeto. Em seguida está o Abandono, com 8 registros; Violência Psicológica, com 5 registros e por fim a Violência Física em 2 registros. Conclusão Apesar de existirem leis específicas que asseguram os direitos concernentes ao idoso, sabe-se que o tratamento que lhe é destinado está muito longe do que poderíamos chamar de um envelhecimento digno, eis que a

5 pessoa idosa vem sendo vítima dos mais diversos tipos de violência. Os gestores precisam, urgentemente, estabelecer políticas públicas voltadas a essa faixa etária, visando combater o abandono e maus-tratos. A citada Política Pública (CREAS) tem realizado o seu papel enquanto serviço que atua no cuidado a violação de direitos contra a pessoa idosa. Assim, devemos sensibilizar nossa comunidade local, o Poder Público para que os direitos dos idosos sejam garantidos e não discriminados. Referências BARROS, N. V. Violência intrafamiliar contra criança e adolescente. Trajetória histórica, políticas sociais, práticas e proteção social. Tese de Doutorado. Pontifícia Universidade Católica. Rio de Janeiro, DESLANDES, S.F.; ASSIS, S.G. Abordagens quantitativa e qualitativa em saúde: o diálogo das diferenças. In: MYNAIO, M.C.S.; DESLANDES, S.F. (Orgs.). Caminhos do pensamento. Epistemologia e método. Rio de Janeiro: Fiocruz, p D URSO, Luiz Flávio Borges. Brasileiros estão envelhecendo sem fazer jus aos seusdireitos. Revista Jurídica Consulex, ano XIII, n. 304, FERRINI, M. das G. C.; PELEGRINO, F. M. A trajetória da violência doméstica no município de Ribeirão Preto. Revista Brasileira de Enfermagem, maio/jun;57(3), Brasília: 2004.

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