A INFLUÊNCIA DO GERENCIAMENTO DE ESTOQUE NO FLUXO DE CAIXA DE UMA EMPRESA VAREJISTA

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1 UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE UNESC CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS TALITA DOS SANTOS MARQUES A INFLUÊNCIA DO GERENCIAMENTO DE ESTOQUE NO FLUXO DE CAIXA DE UMA EMPRESA VAREJISTA CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2010

2 1 TALITA DOS SANTOS MARQUES A INFLUÊNCIA DO GERENCIAMENTO DE ESTOQUE NO FLUXO DE CAIXA DE UMA EMPRESA VAREJISTA Monografia apresentada ao curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Contabilidade. Orientador: Professor Leopoldo Pedro Guimarães Filho, M. Eng. CRICIÚMA, NOVEMBRO 2010

3 2 TALITA DOS SANTOS MARQUES A INFLUÊNCIA DO GERENCIAMENTO DE ESTOQUE NO FLUXO DE CAIXA DE UMA EMPRESA VAREJISTA Monografia aprovada pela Banca Examinadora para obtenção do Grau de Bacharel em Contabilidade, no Curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC. Criciúma,10/12/2010 Banca Examinadora Professor Leopoldo Pedro Guimarães Filho, Msc. Eng. Orientador Professor Fernando Marcos Garcia, Esp. Professor Clayton de Oliveira Ritta, Msc

4 3 AGRADECIMENTO Agradeço a Deus por dar esta oportunidade, e por tudo que me proporcionou para esta caminhada de momentos bons e ruins, e que nunca me abandonou. A meus pais Gervasio e Tânia, por todo apoio e incentivo, aos meus irmãos Taline e Junior, e ao meu marido Cleber, que nunca me abandonaram nos momentos difíceis. A todos que contribuíram para a conclusão desse trabalho.

5 4. DEDICATÓRIA Dedico para todos aqueles que me ajudaram para conclusão deste trabalho.

6 5 RESUMO MARQUES, Talita dos Santos. A influência do gerenciamento de estoque no fluxo de caixa de uma empresa varejista. Monografia do Curso de Ciências Contabeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC Criciúma SC. A presente monografia é o resultado de um estudo do gerenciamento de estoque de uma empresa varejista da cidade de Criciúma. Tem-se por objetivo conhecer os processos de gerenciamento de estoque a partir do fluxo de caixa de uma empresa varejista. Para fundamentar os objetivos deste estudo, realizou-se uma pesquisa bibliográfica fundamentada teoricamente nos conceitos de administração de estoques, estoques, administração de varejo, curva ABC, fluxo de caixa, método direto e indireto. O controle do estoque dos insumos é considerado como ponto relevante pelas organizações, assim como o fluxo de caixa, quando tem-se um fluxo de caixa positivo podemos investir nos estoque, nos produtos que vendem em mais quantidades durante um certo período de tempo. A metodologia utilizada foi uma pesquisa quantitativa e qualitativa, através de um estudo feito na própria empresa, onde se percebeu possibilidades de melhorias. Palavras-chave: Administração de estoques Estoque Fluxo de caixa

7 6 LISTA DE TABELAS Quadro 1: Objetivos conflitantes...17 Quadro 2: Conflitos interdepartamentais, quanto a estoques...20 Quadro 3: Importância da análise ABC...30 Quadro 4: Passos para construção da curva ABC...30 Quadro 5: Principais Recursos que fluem na Empresa...35 Quadro 6: Modelo de Fluxo de Caixa...36 Quadro 7: Fluxo de Caixa Método Direto...42 Quadro 8: Fluxo de Caixa Método Indireto...44 Quadro 9: Modelos de Ar-Condicionado...47 Quadro 10 : Peças lavadoras...48 Quadro 11 : Peças refrigerador...49 Quadro 12 : Itens de estoque...50 Quadro 13 : Peças secadoras...51 Quadro 14 : Peças lava-louças...52 Quadro 15 : Peças ar-condicionado...53 Quadro 16 : Importância no faturamento...53 Quadro 17 : Vendas de produtos...54 Quadro 18 : Vendas de peças...55 Quadro 19 : Faturamento...56 Quadro 20 : Cálculo de investimento de produtos...57 Quadro 21 : Investimento em produtos...57 Quadro 22 : Sugestão de investimentos para peças...58

8 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Fluxo de Materiais...15 Figura 2: Canal de Distribuição...18 Figura 3: Representação gráfica da Curva ABC...31 Figura 4: Diferenciação do comportamento das curvas...32

9 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO OBJETIVOS DA PESQUISA JUSTIFICATIVA METODOLOGIA FUNDAMENTAÇÃO TEORICA ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS ADMINISTRAÇÃO DE VAREJO ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES ESTOQUES GESTÃO DE ESTOQUES PLANEJAMENTO DE ESTOQUES CONTROLE DE ESTOQUES COMPRAS INVENTÁRIO FÍSICO APURAÇÃO DO CUSTO Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair (Peps ou Fifo) Último a Entrar, Primeiro a Sair (Ueps ou Lifo) Média Ponderada Móvel Custo Específico ou Custo Ponderado CURVA ABC FLUXO DE CAIXA FINANCEIRO OBJETIVOS DO FLUXO DE CAIXA PLANEJAMENTO, ELABORAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DE FLUXO DE CAIXA FATORES QUE AFETAM O FLUXO DE CAIXA Contas a Receber Contas a Pagar CAPITAL DE GIRO DEMONSTRATIVO CONTABIL DOS FLUXOS DE CAIXA - MÉTODO DIRETO...41

10 DEMONSTRATIVO CONTABIL DOS FLUXOS DE CAIXA - MÉTODO INDIRETO DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS EMPRESA PRODUTOS PEÇAS DE REPOSIÇÃO DE PRODUTOS Lavadoras de roupas Refrigerador Fogão Secadoras de roupas Lava-Louças Ar-Condicionado VENDAS Vendas de produtos Vendas de peças Receitas da empresa Cálculo de investimento para ar-condicionado e peças Sugestão de investimento para produtos Sugestão de investimento para peças...58 CONCLUSÃO...60 REFERENCIAS...62

11 10 1 INTRODUÇÃO 1.1 TEMA PROBLEMA A administração de estoques reflete diretamente nos resultados obtidos pela empresa ao longo do seu exercício financeiro anual, o que, por isso mesmo, tende a ter sua ação concentrada na aplicação de instrumento gerenciais fundamentados em técnicas que permitam a verificação sistemática dos processos utilizados para alcançar as metas esperadas. A gestão de estoque é, essencialmente, a administração de recursos com valor econômico para empresa, e destinado ao suprimento das necessidades futuras de material e produtos em suas organizações. Com o fluxo de caixa corretamente calculado a organização pode verificar o quanto ainda pode utilizar para investir no seu estoque, sem ter problemas com fluxo de caixa negativo. Com o decorrer do tempo as empresas devem estar atentas às mudanças, que cada vez são mais flexíveis, por isso, o presente estudo vem analisar se a empresa está atingindo suas expectativas em relação ao seu estoque em função do seu fluxo de caixa. O estoque pode ser considerado um diferencial competitivo das empresas. O fluxo de caixa pode auxiliar a organização a gerir os estoques, é imprescindível para aumentar os ganhos obtidos por uma corporação, ou simplesmente, a manter funcionando. O nível inadequado de investimentos em estoque pode ocasionar falta de mercadorias e fluxos de caixa negativos, dependendo do caso os prejuízos são difíceis de calcular. Por outro lado o volume de estoque elevado pode gerar dificuldades de caixa para a organização. Assim com o mercado atualmente competitivo, a empresa deve buscar novas fontes para se destacar entre os demais. Para que os administradores das empresas possam tomar decisões é importante saber tudo sobre seus resultados, para tanto se faz o seguinte questionamento: Qual a influência do gerenciamento de estoque no fluxo de caixa de uma empresa varejista?

12 OBJETIVOS DA PESQUISA O objetivo geral deste trabalho consiste em conhecer os processos de gerenciamento de estoque a partir do fluxo de caixa de uma empresa varejista. Constituem-se objetivos específicos da pesquisa os seguintes: Verificar os produtos e peças mais vendidos; Conhecer os produtos que os clientes mais compram na empresa; Aplicar a metodologia da curva ABC para análise do estoque. 1.3 JUSTIFICATIVA Na era da globalização empresarial, as rápidas mudanças vêm afetando de forma direta ou indireta as companhias, assim as empresas tem que se conscientizar e montarem planos de gestão de compras e estoques em suas entidades. Neste contexto, as organizações junto com os seus colaboradores, que estiverem mais preparadas podem antecipar-se e adaptar-se às mudanças ou novas tendências, serão certamente companhias de ponta neste novo cenário. O resultado dos investimentos efetuados pelo setor de compras reflete em vários setores da entidade, assim a cada compra bem feita tanto os clientes ficaram satisfeitos com preço e comprarão mais produtos que também estarão no estoque disponível em quantidade certa como também o setor financeiro, pois renderá mais lucros para organização. O fluxo de caixa é um método na qual o administrador verifica a posição financeira da empresa. Apresenta com clareza o que a organização precisa captar de recursos financeiros para cumprir com as obrigações da empresa. Certificar os riscos mínimos e lucratividade máxima é o objetivo de qualquer gestor financeiro dentro de uma empresa, ou seja, maximizar lucros e minimizar riscos. Os objetivos de um bom planejamento de estoque esta envolvido com o custo e o fluxo de caixa da empresa. Com o planejamento a organização pode obter um estoque médio, para que não se desperdice materiais em estoque e ainda se tenha no final do exercício um retorno do capital.

13 12 A compra de materiais, suprimentos e componentes representa um fator decisivo na atividade de uma empresa, pois dependendo de como é conduzida a compra pode gerar redução nos custos e aumento dos clientes satisfeitos por comprarem produtos com qualidade. Com as mudanças ocorridas nas organizações, a função compras não é mais vista como uma atividade rotineira e sim como parte do processo de logística das companhias. Isso porque mais do que simplesmente adquirir produtos, o setor de compras atualmente se interessa em satisfazer as necessidades dos clientes, para que estes fiquem satisfeitos com os produtos e a cada vez mais sejam fieis as entidades. Conforme Baily (2000, p. 31); [...] os objetivos de compras é: comprar a quantidade de material correta, no tempo certo, no volume exato, da fonte certa, ao preço adequado. A contribuição teórica deste trabalho oferece sugestões de como o fluxo de caixa pode ajudar o setor de estoque, com ênfase nas ferramentas de gestão de estoque e compras podem contribuir na segurança para uma gestão eficiente e com qualidade. A relevância prática ocorre no momento em que se elaboram procedimentos para o gerenciamento dos riscos, como materiais em estoques sem vendas visando assim o controle efetivo e permanente no Setor de compras, o que dará segurança aos gestores e aos administradores das organizações. A relevância social deste estudo encontra-se na importância das informações contidas no mesmo para contribuição intelectual de todos os leitores e para a melhora do gerenciamento de riscos, que acarretaram benefícios diretos aos sócios das companhias e da sociedade em geral ma qual se encontra inserida. No entanto, as entidades devem preparar seus funcionários para que façam boa parceria com vários fornecedores. As parcerias são importantes para que a empresa consiga bons preços, produtos, prazos com isso a empresa pode repassar essas vantagens aos clientes. O estudo em análise visa o relacionamento entre o setor de compras com a gestão da organização em seus diversos níveis, para utilizar melhor no desempenho das atividades, estoques e aquisição de produtos assim tornando um ambiente mais saudável e lucrativo para a organização.

14 METODOLOGIA O presente trabalho apresenta pesquisa bibliográfica, o que dá embasamento e suporte científico ao estudo. Realizou-se uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa e qualitativa, na coleta de dados que serão pesquisados na própria empresa em estudo. Conforme Silva (2003, p. 60); A pesquisa bibliográfica é um tipo de pesquisa realizada pela maioria dos pesquisadores mesmo em seu preâmbulo. Essa pesquisa explica e discute um tema ou problema com base em referências teóricas já publicadas em livros, revistas, periódicos, artigos científicos etc. podem ocorrer pesquisas exclusivamente com base em fontes bibliográficas. As principais fontes bibliográficas deste trabalho foram pesquisas em livros e materiais científicos, dicionários, consultas pessoais a estudiosos e especialistas. Para Beuren (2006, p. 87), a pesquisa bibliográfica abrange todo referencial já tornado publico em relação ao tema de estudo. O projeto apresenta uma pesquisa quantitativa, pois apresenta alguns dados em percentuais, pois a partir de uma amostragem de peças e produtos é possível quantificar as preferências dos clientes. Segundo Roesch (1999, p. 130); [...] a pesquisa quantitativa tem o propósito de obter informações sobre determinada população: por exemplo, contar quantos, ou em que proporção seus membros tem certa opinião ou características, ou com que freqüência certos eventos estão associados entre si, a opção é utilizar um estudo de caráter descritivo. Escolheu se por esta pesquisa dada intenção de exatidão na leitura dos resultados obtidos e também no momento de coletá-los. De acordo com Richardson:(1999, p. 70) O método quantitativo, como o próprio nome indica, caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informação, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples, como percentual, média desvio-padrão, às mais complexas, como coeficiente de correlação, análise de regressão, etc

15 14 Na pesquisa foram expostos os dados coletados na organização que segundo Roesch (1999, p. 154); [...] é uma pesquisa apropriada para a avaliação formativa, quando se trata de melhorar a efetividade de um programa, ou plano, ou mesmo quando é o caso da proposição de planos. Silva (2003, p. 63); afirma que o estudo de caso é um estudo que analisa um ou poucos fatos com profundidade. O trabalho é um estudo de caso, pois estuda com precisão os itens envolvidos na pesquisa. Para Silva (2003, p. 65); pesquisa descritiva tem como objetivo principal a descrição das características de determinadas população ou fenômeno, estabelecendo relações entre as variáveis. O presente estudo apresenta uma coleta de dados com a observação sistemática na própria organização

16 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEORICA 2.1 ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS A atividade de produção é responsável por agregar valor aos produtos por meio da transformação. Os materiais que entram no estoque são chamados de matéria-prima e os que saem de produtos acabados. Conforme Arnold (1999), a organização deverá elaborar sistemas que possibilitem o maior rendimento dos recursos utilizados, recursos estes que podem ser produtos, de capital e de força de trabalho. Segundo Arnold (1999), os itens seguem um fluxo contínuo dentro das organizações. Um dos modos mais eficazes de fazer a gestão de mercadorias e é por meio do planejamento e controle desse fluxo, fazendo o acompanhamento dos materiais que entram, percorrem e saem da organização. Conforme Figura 1: Clientes Transporte Sinal de demanda Expedição Identificar fornecedor Fluxo de Materiais Armazenagem do produto acabado Comprar Materiais Movimentação interna Transportar Recebimento e armazenagem Figura 1: Fluxo de Materiais Fonte: Martins (2002, p.5).

17 16 Martins e Alt (2002) entendem que esse processo inicia na identificação do fornecedor, e vai seguindo as etapas até chegar ao fim do ciclo, quando reinicia. De acordo com Franscischini e Gurgel (2002), a gestão de materiais está sujeita à desperdícios dos recursos financeiros, que são parcos, quando não souber o momento correto de usá-los. A gestão de materiais deve ser eficiente para que, não coloque a empresa em dificuldades financeiras e nem prive a organização de oportunidades por falta desses recursos. Conforme Costa (2002), a gestão de materiais, contribui para a diminuição de furtos e perdas, desperdícios, compras desnecessárias e a redução do imobilizado em estoque. Serve também como fonte de informação para previsões de demanda. A manutenção da competitividade depende diretamente de como os materiais são geridos, os quais devem possuir níveis compatíveis com suas demandas. (COSTA, 2002, p.17). Saber a quantidade de consumo esperada de determinado produto por um determinado período de tempo é um dos pressupostos básicos para a administração de materiais. Segundo Viana (2002), os estoques podem corresponder por parcelas representativas do ativo total da empresa. As organizações não podem ser displicentes com seus estoques, em alguns seguimentos existe a necessidade de um controle rígido e em outros não, conforme a característica de cada situação. No entanto se faz necessário que os níveis de estoque não comprometam a competitividade da empresa. Em face disso, Costa (2002, p.17), conceitua a administração de materiais como: [...] um conjunto de ações que visam dar continuidade aos suprimentos necessários à manutenção das atividades da empresa. A administração de materiais é primordial para que a empresa não seja afetada por rupturas de estoque e nem seja onerada por manter estoque demasiadamente elevado. Para Franscischini e Gurgel (2002) um dos fatores que contribuem positiva ou negativamente para a manutenção da saúde econômica da empresa é a forma como os materiais são geridos. Os mesmos autores afirmam que à área de administração de materiais contribui para o resultado global obtido por qualquer empresa. Tamanha importância tem a área de materiais que ela é tratada por autores como a conciliadora entre as áreas da empresa. Francischini e Gurgel

18 17 (2002) tratam a área de materiais como aquela que procura o equilíbrio entre os interesses das outras áreas, para que se atinja o melhor desempenho na organização como um todo, e não somente em uma área específica. O Quadro 1 demonstra esses conflitos de interesses existentes entre as principais áreas das organizações: FUNÇÃO Marketing Produção Finanças OBJETIVO Receitas Altas Disponibilidade de produtos alta Custos de produção baixos Nível de produção alto Lotes de produção longos Investimentos e custos baixos Menos custos fixos Estoques baixos IMPLICAÇÃO Alta Serviços ao cliente Baixa Muitas Rupturas na Poucas produção Altos Estoques Baixos Quadro 1: Objetivos conflitantes Fonte: Arnold (1999, p.26) Arnold (1999) faz um apanhado dos conflitos de interesses entre cada área da empresa, pois cada departamento tem interesses que analisados individualmente são os melhores para a organização, todavia de nada adianta o marketing conseguir aumentar o nível de serviço ao cliente, se para tal tenha que manter um nível de estoque que atinja um custo inviável. Da mesma forma, o setor de produção deseja ter um grande estoque de matéria-prima para não correr o risco de parar a produção por falta de material. Esse setor busca sempre lotes maiores de produção em uma tentativa de aumentar sua produtividade total, todavia, tais ações podem acarretar, também, em um alto custo de armazenamento destes estoques. Por fim, o financeiro, que precisa ter alto nível de serviço ao cliente e ao mesmo tempo o menor custo possível para se conseguir isto.

19 ADMINISTRAÇÃO DE VAREJO De acordo com Levy e Weitz (2000), o varejo é um dos maiores setores da economia mundial. O varejo está situado como último ponto de ligação entre o fabricante e o consumidor. Conforme a ilustração da Figura 2. Manufatura (Fabricante) Atacadista Varejista Consumidor Figura 2: Canal de Distribuição Fonte: Adaptado de Levy e Weitz (2000) O setor manufatureiro fabrica os produtos e os vende aos atacadistas e varejistas, estes por sua vez, revenderão os produtos. Os Atacadistas atendem os varejistas que não tem acesso à compra direto com o fabricante. As lojas de varejo vendem estas mercadorias a consumidores finais. Parente (2000) considera como varejo toda atividade que tenha por finalidade a venda de produtos ou serviços ao consumidor final, quando essa atividade é a principal fonte de receita de uma organização, considera-se essa uma empresa varejista. Existem vários tipos de atividades de varejo, elas podem ser exercidas em lojas, por telefone, correio, internet ou até mesmo porta a porta. As indústrias oferecem um tipo especifico de produto. Cabe ao varejo ter a disposição do consumidor vários tipos de produtos no mesmo local. Levy e Weitz (2000, p. 27) afirmam que todo varejista oferece uma variedade de produtos, mas se especializam na variedade que oferecem. A escolha de um segmento de mercado para atuar é parte integrante da administração de varejo. Segundo Levy e Weitz (2000), o varejo tem quatro funções básicas, que são: Fornecer uma variedade de produtos e serviços, dividir lotes em pequenas quantidades, manter estoques e fornecer serviços. De acordo com Parente (2000), os estoques são indispensáveis para esse tipo de organização. O varejista compras as mercadorias dos fabricantes ou

20 19 atacadista, as recebe e estoca para oferecer ao consumidor. Deve funcionar de tal modo que, os consumidores comprem o que necessitem e voltem a comprar assim que tiverem precisando do produto novamente. Para Levy e Weitz (2002), o comércio do varejo deve comprar em lotes maiores das indústrias para redução de custos de transporte e vender os produtos em quantidades menores, mais condizentes com a necessidade do consumidor. De acordo com Levi e Weitz (2002) o varejo também dispõem de serviços aos consumidores, como pagamentos parcelados, entrega do produto, visualização da mercadoria na hora da compra, pessoal treinando para dar informações sobre os itens aos consumidores. O varejo é definido por Levi e Weitz (2000, p. 27) como um conjunto de atividades de negócios que adiciona valor a produtos e serviços vendidos a consumidores para seu uso pessoal e familiar. A loja de varejo não é somente um lugar onde se entrega produtos ao consumidor final. 2.3 ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES O estudo da administração de estoques é de fundamental importância para a sobrevivência das empresas, Martins e Alt (2002) descrevem que o estoque pode ser um ponto de vantagem competitiva de uma empresa em relação à outra e sua administração eficiente deverá ser bastante lucrativa. O estoque, conforme Costa (2002, p. 17), é todo material que passa por um processo de armazenamento para ser utilizado posteriormente. Costa diz que o estoque é todo sortimento de materiais que a empresa possui e utiliza no processo de sua produção e/ou prestação de serviços. Funciona como se fosse um amortecedor para atender a necessidade imediata da empresa, até o próximo resuprimento. Sobre estoque, Slack, (et al, 2006), relata que se não fosse o desequilibro entre os tempos e taxas da demanda e do fornecimento, não seria necessário manter estoques, como não se pode prever com precisão exata a demanda de um item, faz-se estoques para que não haja prejuízo as atividades da organização por falta de material.

21 20 Viana (2002, p. 144) refere-se a estoques como recursos ociosos que possuem valor econômico. Entretanto alerta para a adequação dos níveis de estoque a realidade econômica de cada corporação, pois os estoques representam um valor financeiro investido e estacionado dentro da empresa. Para tal, é necessário manter níveis de estoque que não onere a companhia. Para Francischini e Gurgel (2002) um dos objetivos da administração de estoques é aperfeiçoar os investimentos de capital em estoques, na busca pela forma mais adequada, não comprometendo as atividades da organização, de minimizá-los atingindo maior saúde financeira. De acordo com Dias (1993), a administração de estoques é responsável pela minimização dos recursos utilizados em estoque, pois o mesmo é caro e seu custo sobe continuadamente, em razão do custo financeiro ascendente. A área de administração de materiais deve manter o mínimo de estoque possível para cada situação, tomando a precaução de não deixar uma quantidade abaixo da necessária para manter as atividades da companhia. A principal característica do estoque é funcionar como amortecedor entre as etapas de produção e comercialização, e é de responsabilidade do setor de administração de estoques, encontrar o mínimo necessário para o funcionamento regular da organização. Como parte integrante da administração de materiais, a administração de estoques também sofre pressões e entra em conflito com outras áreas da corporação, como mostra o Quadro 2. DEPTO. COMPRAS DEPTO. FINANCEIRO Matéria-prima (Alto-estoque) Material em processo (Alto-estoque) Produto acabado (Alto-estoque) Desconto sobre as quantidades a serem compradas DEPTO. DE PRODUÇÃO Nenhum risco de falta de material. Grandes lotes de fabricação. DEPTO. DE VENDAS Entregas rápidas. Boa imagem, melhores vendas. Capital investido Perda financeira DEPTO. FINANCEIRO Maior risco de perdas e obsolescência. Aumento do custo de Armazenagem. DEPTO. FINANCEIRO Capital investido. Maior custo de armazenagem. Quadro 2: Conflitos interdepartamentais, quanto a estoques. Fonte: Dias (2006, p.24)

22 21 Conforme Dias (2006), a Administração de estoques deverá, ser a conciliadora entre os objetivos departamentais, que naturalmente buscam maior eficiência isoladamente e os objetivos da organização que prezam pelo eficiente funcionamento do conjunto. De nada adianta os setores alcançarem grandes resultados isoladamente. Esse resultado isolado, na maioria das vezes, é alcançado sacrificando e penalizando outros setores. Fato que em pode até atrapalhar o funcionamento da organização como um todo. 2.4 ESTOQUES Os estoques representam boa parte do ativo de uma organização comercial ou industrial. Devido seus custos, o estoque afeta diretamente no caixa. Portanto deve ser controlado, e saber ao certo quando e quanto comprar, de acordo com as necessidades da empresa. Conforme afirma Silva (2006, p. 33): Os investimentos em estoques são a base para a geração de lucros, eles podem trazer um retorno sobre o valor investido muito maior que qualquer outro ativo. No entanto, é importante ressaltar que eles devem dimensionar os investimentos em estoques de maneira a compatibilizar a capacidade de caixa com objetivos de vendas, já que estoques em excesso absorvem recursos que poderiam ter outro destino, reduzem a capacidade de lucro da empresa, alem de gerar custos financeiros, custos de carregamento físico etc. Na visão de Dias (2006, p. 19), [...] a função da administração de estoques é maximizar o efeito lubrificante no feedback de vendas e o ajuste do planejamento da produção. Assim o estoque deve ser controlado, levando em consideração os impactos financeiros que podem causar, como por exemplo, a queda do preço, custo de armazenagem, prazo de validade, queda de demanda, entre outros. Por isso não é recomendado ter estoques excessivo, somente o necessário para atender a necessidade da demanda. Para Silva (2006, p. 34): As projeções de vendas devem ser as mais realistas possíveis para uma definição adequada do nível de estoque. Essas projeções devem

23 22 considerar as flutuações previsíveis do negócio, sazonais e outras, e eventual crescimento ou diminuição das vendas para certos itens. As vendas podem flutuar, acontecer atrasos na entrega dos pedidos de reposição, entre outros motivos, então é recomendado considerar adicionalmente determinado nível de estoque de segurança. No entanto, o custo de se ter um estoque de segurança não pode exceder a previsão de vendas, tampouco a capacidade de caixa da empresa. Isso na verdade, é uma política imposta pela realidade financeira da empresa, e tem que ser analisada criteriosa e periodicamente. O estoque deve ser gerenciado com atenção a fim de impedir a falta de produtos, para não danificar o seguimento das operações da empresa, ou até mesmo a perda das vendas por não ter o produto disponível ao cliente, porem não pode ser excessivamente alto para não afetar o equilíbrio financeiro da empresa. 2.5 GESTÃO DE ESTOQUES A gestão de estoques é um fator de suma importância para as organizações, assim com uma boa gestão de estoque faz com que a empresa possa se tornar mais competitiva no mercado em que atua. Para Martins e Alt (2002, p. 155): A gestão de estoques constitui uma série de ações que permitem ao administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados, bem localizados em relação aos setores que deles se utilizam, bem manuseados e bem controlados. A organização das ações de estoque é proporcionada por uma ótima gestão de estoque, assim disponibilizando as informações de forma racional e prática e, com isso, abolindo os re-trabalhos. Com a automatização de tarefas, os recursos podem ser redirecionados e melhor aproveitados. Conforme Viana (2002, p. 42): é a atividade gestão visa ao gerenciamento dos estoques por meio de técnicas que permitem manter o equilíbrio com o consumo, definindo parâmetros e níveis de ressuprimento e acompanhando sua evolução. O Dias aponta que (2006, p. 293) [...] deve-se fazer uma análise do que precisa ser feito e tomada de iniciativa para a devida correção, a fim de realizar os objetivos ou alcançar o padrão.

24 PLANEJAMENTO DE ESTOQUES O planejamento de estoque pode ser considerado como uma ferramenta principal para o domínio do custo das empresas. Sua função é imprescindível para que se possa gerenciar melhor esses valores. Segundo Iudicíbus (2000, p. 99), realizar o planejamento dos estoques é importante na sustentação dos níveis dos mesmos. Um estoque mau planejado pode gerar conflitos internos no sistema de materiais e até mesmo na administração geral da empresa, pois enquanto o setor de vendas deseja um estoque elevado para atender aos clientes, por exemplo, o setor financeiros quer estoques reduzidos para diminuir o capital investido. (IUDICÍBUS, 2000, p. 99). Por isso, uma das dificuldades de um estoque planejado indevidamente é que ele pode provocar conflitos entre alguns departamentos, pois, o mesmo deve estar preparado para atender as necessidades da empresa. A correta manutenção dos estoques bem como o tempo de permanência no local indicado entre outros fatores são pontos importantes que devem ser observados pelas empresas para evitar um aumento nos gastos com estocagem. 2.7 CONTROLE DE ESTOQUES Tão importante quanto o planejamento é controle de estoques, pois, é em função deste que os valores são dimensionados e são efetuados reparos necessários. Além disso, o controle desempenha considerável influência no rendimento das empresas, onde pequenos desacertos podem originar prejuízos. Conforme Martins (2003, p. 67), é necessário para que haja sempre um nível de material suficiente para o alcance do objetivo operacional da empresa O autor destaca ainda, que é ele quem vai permitir verificar se o planejamento vem sendo seguido e que tipo de ajuste precisa ser feito. Cada empresa, segundo Vertes (1991, p. 77) dependendo de sua atividade e dos recursos que dispõe, estabelece uma rotina visando o controle de seus estoques, geralmente definido como:

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