ENTREVISTA Marcelo Tosatti, o garoto prodígio MEMÓRIA Exposição resgata história do Serpro PING & PONG Mário Tesa - Vice-Presidente da Procergs

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1 ENTREVISTA Marcelo Tosatti, o garoto prodígio MEMÓRIA Exposição resgata história do Serpro PING & PONG Mário Tesa - Vice-Presidente da Procergs Do Editor Expediente Cartas Fale Conosco Edições Anteriores GOVERNO ELETRÔNICO Governo Eletrônico faz dois anos Programa atinge objetivos Fust garante universalização do acesso Sistema de cotação eletrônica de preços traz economia Ministérios apóiam softwares nacionais CAPA Software livre História do software livre Tudo sobre Linux Previdência tem caso de sucesso

2 do editor Diz o ditado que uma andorinha só não faz verão. Esta máxima é bem adequada quando falamos de software livre. A liberdade de redistribuir cópias livremente, a possibilidade de qualquer um, em qualquer parte do planeta, estudar como o programa funciona, modificálo, compartilhá-lo e aperfeiçoá-lo, fez com que o software livre conquistasse uma legião de fãs em todo o mundo. Consagrado em países como os EUA, França, Alemanha, México, Brasil, entre outros, este sistema de código fonte aberto é uma alternativa tecnológica econômica e viável, não apenas para as empresas mas para os governos que buscam aprimorar os serviços aos cidadãos a custo baixo e com qualidade. Recorrendo ao software livre, não se tem custos com licença. Foi o que fez a Prefeitura de São Paulo, que conseguiu fazer mais por menos: informatizou 430 escolas, economizando cerca de US$ 1,5 milhão. O Metrô de São Paulo também apostou no uso desta ferramenta. Adotada em um momento de crise, que exigia contenção de gastos, a empresa que administra o metrô pôde contabilizar inúmeros benefícios. A Dataprev, gerenciadora da maior folha de pagamento do país, é outro exemplo de empresa que aderiu ao modelo de software livre. Desde 1998, o Serpro vem testando o GNU/Linux. A migração começou em agosto deste ano e será gradativa. Com a transição para um sistema aberto, os cofres públicos economizarão, neste caso, cerca de R$ 3,5 milhões por ano. O software livre é a cara da globalização, com a vantagem de ser extremamente democrático. Seu modelo de desenvolvimento permite a real internacionalização do software, em que qualquer aperfeiçoamento no programa é colocado instantaneamente à disposição de todos, pela internet. A liberdade de mexer no software livre só é possível porque seus proprietários liberam o acesso ao código fonte, sem que isso interfira na propriedade intelectual.

3 Confira os principais tópicos desta nova era para a tecnologia da informação. Boa leitura!. Ana Lúcia Carvallho Editora-executiva

4 expediente REVISTA TEMA - A revista do Serpro ano XXVII - nº set/out 2002 A revista não se responsabiliza por matérias assinada. As matérias podem ser reproduzidas, desde que mencionada a fonte. Diretor Presidente Wolney Mendes Martins Diretor Superintendente Gilson de Oliveira Lariú Diretores Carlos Luiz Moreira de Oliveira Celso Luiz Barreto dos Santos José Henrique Santos Portugal Kleber Campos Rodrigues Filho Conselho Diretor Luiz Tacca Júnior (Presidente) Tarcisio José Massote de Godoy Gildenora Batista Dantas Milhomem Lytha Battiston Spíndola Luiz Antônio de Souza Cordeiro Wolney Mendes Martins Conselho Fiscal Marco Aurélio de Alencar Lima Ricardo Mendonça Cardoso Paulo Henrique Feijó da Silva Conselho Editorial José Alberto Carneiro Cadais Kleber Campos Rodrigues Filho Luiz Gustavo Loyola dos Santos Raimundo Nonato da Costa Roberto da Silva Plá Endereço Sede: SGAN, Q. 601, Mód. V CEP: Brasília / DF Fones: (61) / Fax:

5 cartas Tivemos acesso à publicação de um número reimpresso, cujo assunto principal tratava do Governo Eletrônico. Muito nos surpreendeu o fato de uma edição de jan/fev de 2001 tratar de um fato que ainda hoje é novidade em muitos meios da administração pública. Como trabalhamos com Tecnologia da Informação e Controle das Contas Públicas, ser-nos-ia muito útil estar atualizados com relação aos rumos que tais objetos estão tomando na esfera federal, principalmente no âmbito de uma Empresa tão idônea. É por este motivo, que vimos através deste, solicitar o envio das publicações, se possível, com os números anteriores. Álvaro Ferreira dos Santos - Coordenadoria de Desenvolvimento de Sistemas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Estive esta semana na Receita Federal e tomei conhecimento do novo formato e linha editorial da Revista Tema. Parabéns pelas mudanças. Sou Fiscal da Receita Federal Aposentado e tive oportunidade de conceder duas entrevistas para a Tema, quando exercia o cargo de Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul/RS. César Augusto Gomes, Vitória-ES A Divisão de Biblioteca da unidade Ponta Grossa do CEFET-PR, em face dos excelentes artigos publicados na Revista Tema, acredita que a revista possa ser uma rica fonte de pesquisa para nossos alunos e que em muito poderá contribuir na formação profissional dos mesmos. Julieta T. Jaccoud, Ponta Grossa PR Sou estudante do Curso de Ciência da Informação na PUC-MG, e gostaria de parabenizá-los pela Revista Tema que tem sido de grande utilidade em meus trabalhos acadêmicos. Trata-se de uma Revista com assuntos atualizadíssimos que não deixa de lado o passado, o presente e o futuro. Valdirene Pires, Betim- MG Gostaria de parabenizar pela Revista Tema, quevem sempre abordando questões importantes para as pessoas da área de tecnologia do setor público brasileiro. Em muitos casos pude utilizar os conhecimentos passados nessas matérias para agregar

6 aos meus estudos. William Peter, Belo Horizonte - MG Costumo sempre ler os exemplares da Revista Tema, interessando-me sobremaneira pelas matérias sobre governo eletrônico, particularmente sobre os sítios que dão maior transparência aos atos públicos. Independentemente de serem assinadas ou de serem de responsabilidade da revista, são sempre matérias bem embasadas e, invariavelmente, coerentes. Por esse motivo, surpreendeu-me a publicação, no Nº 162 desta revista, do artigo Voto na Web, baseado em entrevista com o atual secretário de informática do TSE (...) As novas tecnologias que integram informática e telecomunicações têm muito a auxiliar a democracia, contanto que os ocupantes de cargos com poder de decisão ajam de forma responsável. Infelizmente o que se vê são tentativas de auto-promoção, aliadas ao fascínio que a tecnologia provoca em muitos, impedindoos de enxergar os problemas reais. A lenda de Narciso cabe melhor nesse caso do que na Gestão de Conhecimentos. A de Ícaro também. Eneida Melo - Brasília-DF Reposta da Editora Sua preocupação e ponderações são absolutamente pertinentes. Mas ninguém consegue barrar o avanço tecnológico. O voto via internet poderá facilitar a vida de muita gente que não pode sair de casa para votar, como os doentes ou idosos. Para evitar o mau uso desta tecnologia será preciso criar mecanismos que assegurem a liberdade de escolha e o voto livre. É um desafio a mais para a democracia. Ou então, contestar tal tecnologia junto à Justiça Eleitoral. O nosso papel é mostrar as novidades aos leitores. Sou professor do curso de Ciência da Computação da Fundação Universidade do Tocantins - UNITINS - e tenho interesse em receber exemplares da Revista Tema, para utilizar os artigos publicados em discussões em sala de aula e manter-me atualizado nos assuntos abordados. Gerson Pesente Focking Palmas/TO Sou consultor de processos e informática e durante a Comdex 2002 ganhei o exemplar n 162, da Revista Tema. Lendo seus concisos artigos entusiasmei-me com a qualidade e objetividade dos conteúdos. E conclui como os mesmos são importantes para a atualização do meu conhecimento no meio empresarial onde atuo. Parabenizo a equipe que produz este magnífico veículo disseminador de conhecimentos.

7 Carlos Roberto Ferreri Campo Belo/SP Gostaria de parabenizá-los pelo excelente conteúdo e formatação da Revista Tema. Merecem um destaque especial na edição 162 a entrevista com o Presidente da HP Brasil, Carlos Ribeiro, e a matéria-capa sobre e- democracia. Como sou estudante de Administração de Empresas e pretendo me especializar na área de Gestão da Tecnologia da Informação, a revista tem sido um excelente canal de informação, sempre com temas atuais e relevantes. Obrigado! André Henrique C. Vilaça BRASÍLIA/DF

8 edições anteriores. nº 162 nº 161 nº 160 nº 159 nº 158 nº 157 nº 156

9 entrevista MENINO PRODÍGIO Ninguém mexe no kernel do sistema operacional Linux sem a autorização dele. Até aí nada de surpreendente para um programador. O que chama a atenção é que Marcelo Tosatti tem apenas 19 anos. Há apenas quatro conhece o sistema e foi descoberto por Linus Tolvards, o pai do Linux, num grupo de discussão. Para orgulho tupiniquim, o menino prodígio é curitibano e, apesar da fama repentina, continua morando no Brasil. A entrevista foi uma tarefa incomum. Feita por meio de ICQ, para prender a atenção de um jovem que se confessa viciado em computador, rendeu, para desespero do repórter, respostas curtas e objetivas, como era de se esperar de um programador. Tarefa cumprida, o resultado superou as expectativas. Agrupadas, as respostas monossilábicas não apenas se articularam coerentemente como são generosas em revelações curiosas. A principal delas: o grande desafio de Tosatti não são as máquinas, mas a vaidade das pessoas. Como tudo começou? O contato com computadores começou por causa do meu irmão. Ele comprava peças de computador e as montava. Foi aí que tive acesso ao sistema DOS. Tinha uns 11 anos, comecei a "vasculhar" e fui aprendendo. Logo o DOS? Não era mais difícil? Era o sistema ao qual tinha acesso. Depois, conseguimos o Windows Aprendi a utilizá-lo e consegui acesso a Internet. Fiquei sabendo do Linux, instalei o sistema e fui "vasculhando, vasculhando, vasculhando"... Por que buscava outras alternativas ao Windows? O que me incomodou foi a impossibilidade de aprender mais. Percebi que no Linux poderia "entender" todo o sistema. De tanto "vasculhar", consegui um emprego em um provedor de Internet, como administrador, ainda com 14 anos. Lá aprendi mais sobre redes, clientes, etc. Núcleo do sistema operacional, o kernel é o responsável pela intermediação entre os aplicativos e o hardware de seu computador. Considerado o "coração do Linux", gerencia a memória para todos os programas em execução e garante o acesso ao disco rígido com controle, transparência e homogeneidade.

10 Quando o contato com o Linux se estreitou? Depois desse emprego fui trabalhar com desenvolvimento. Aprendi bastante sobre sistemas operacionais, fazendo empacotamento das aplicações do Conectiva Linux. Como Linus o descobriu? Trabalhando nas aplicações, fiquei curioso em saber como o kernel, a parte "principal" do sistema operacional, funcionava. Alguns anos mais tarde, acabei participando das discussões que aconteciam nas listas que versavam sobre o kernel. Fiquei relativamente conhecido pelos desenvolvedores. Até que um belo dia, o Linus me mandou uma mensagem perguntando se eu tinha interesse em dar manutenção na série estável do kernel 2.4. Hoje sou responsável por garantir que a série esteja o mais livre de bugs e o mais "correta" (em vários aspectos) possível. Preciso também garantir que toda nova versão mantenha compatibilidade. Você aceitou na hora? Topei pensando na parte técnica. Depois descobri que ser o mantenedor envolvia muito mais. Aspectos como política, egos, etc. Como assim? O mais complicado é lidar com as pessoas. Sempre tenho em mente que, quando estou discutindo com outros desenvolvedores, preciso esquecer meu ego, e me concentrar no objetivo, que é garantir a confiabilidade do kernel, entre outros. Diria que o desafio de lidar com pessoas é maior do que o tecnológico? Exato. Preciso fazer com que as pessoas trabalhem juntas e bem. Evitar as discussões esquentadas por causas "não técnicas" que sempre acontecem. Tento sempre manter meu ego baixo. É difícil? Quando alguém enche o ego é porque não irá conseguir muito. Gosto de encher meu próprio ego, mas não para os outros. É legal dizer para si mesmo: onsegui!" Qual análise você faz do software livre no Brasil? É um grande mercado que está crescendo cada vez mais no Brasil e no mundo, devido às vantagens claras do open source como, por exemplo, a não ependência de tecnologias externas. Vejo como um mercado promissor. No nosso País, o software livre faz mais sentido do que nos países de "primeiro mundo". Por quê? Com o software livre temos o poder de não depender de uma tecnologia externa. Trata-se de soberania nacional. Além disso, o software livre dá a oportunidade de formação de técnicos avançados. Software livre significa a não "patente" de tecnologias. Quanto mais pessoas puderem ajudar em alguma tecnologia, mais rapidamente ela avançará. Software livre significa mais empregos para os jovens? Com certeza significa mais oportunidade para os jovens. Teremos vários sistemas como o Linux? Não teremos vários Linux's... O que temos é suficiente porque atende a uma grande fatia das necessidades de um sistema operacional.

11 Então o Linux será sempre o maior e melhor software livre? Software livre significa a não "patente" de tecnologias. Quanto mais pessoas puderem ajudar em alguma tecnologia, mais rapidamente ela avançará. Que dizer que o Linux é definitivo? Não é definitivo, mas acho que a longo prazo atenderá grande parte da necessidade por sistemas operacionais genéricos. O que o sistema ainda não faz? Hum... não saberia dizer "o que o Linux não faz". Como é o cotidiano do número 1 em kernel? Sou bem-ocupado. Não sei dizer muito sobre meu cotidiano... Acordo, trabalho, namoro, durmo. Nada de especial. Acho que sou normal. Um entusiasta da tecnologia. O meu fraco são os computadores: Sou viciadão (risos). É o maior vício? Com certeza. Sou um nerd internamente. As pessoas dizem que não pareço um nerd, mas sou!!! (risos). Se você tivesse o mesmo papel num software de código fechado não estaria menos famoso, porém rico? Com certeza ganharia mais dinheiro do que ganho. Vivo relativamente bem com o que ganho. Não tenho uma Ferrari, mas estou sossegado. Está legal. O que diria hoje para um jovem curioso de 11 anos? Continue "vasculhando". É muito bom ser curioso e buscar conhecer coisas novas. E de qualquer tipo, não só de computadores. VOLTAR

12 memória EXPOSIÇÃO RESGATA HISTÓRIA DO SERPRO Por Gilberto César Barbosa de Oliveira, Criador e idealizador "Ao conceber o Projeto Memória, buscava um trabalho que pudesse despertar o interesse dos empregados e do corpo diretivo, trazendo à tona, de certo modo, a história do Serpro e, principalmente, que todos pudessem perceber, dentro dos diferentes contextos pelos quais passamos, a contribuição de cada um. Todos são, de uma forma ou de outra, os protagonistas desta história. O trabalho com a memória nos permite um momento de reflexão acerca dos diferentes estágios por que passamos, assim como fortalece a nossa identidade, não só individual, mas também coletiva. Esse trabalho não tinha como intenção um fim em si mesmo. Ao contrário, gostaria de ser o início de um trabalho mais aprofundado sobre a memória coletiva da Empresa. Todos sabemos que o Serpro foi criado em um momento importante no cenário brasileiro e passou por momentos e conjunturas bem diferenciadas, e por vezes adversas. Colocar esta pesquisa à disposição de todos é possibilitar a conscientização para a importância do resgate da memória histórica, cultural e social de nossa Empresa. Para além da pesquisa, é necessário sensibilizar para a valorização de nosso patrimônio histórico, uma vez que a memória da Empresa é de responsabilidade coletiva. Somos nós, empregados do Serpro, que fazemos dia-a-dia a sua história, e ela não está desassociada da história de nossa cidade e de nosso país. Atento para estas questões é que fui buscar, dentro de cada período histórico, o nosso fazer e o nosso caminhar. A concretização do Projeto A idéia de criação do Projeto Memória ganhou impulso nas discussões por ocasião dos preparativos para as festividades do 37º aniversário do Serpro, em dezembro de Na oportunidade, toda a Empresa se mobilizava para comemorar o evento. A proposta era realizar acontecimentos que marcassem efetivamente a data, dando visibilidade para os eventos nacional e regionais, com ênfase para a participação da sociedade como um todo. A exposição dos quadros faria parte das festividades. Apresentada e aprovada a idéia, partimos para a pesquisa de campo. Nossa fonte

13 primeira: o acervo de Revistas Tema existente no CDI da Regional Porto Alegre. De fonte primeira, as revistas passaram a se constituir como fonte quase que única e exclusiva, dada a consistência histórica, abrangência e capacidade jornalística encontrada, principalmente no que se refere ao acompanhamento dos acontecimentos vividos e ocorridos no Serpro. O trabalho de pesquisa de campo, considerado o mais pesado, consumiu inúmeros dias, inclusive alguns finais de semana, horas e horas de leitura. No mínimo a passagem de olhos era obrigatória em todas as revistas disponíveis. Era a partir dessa passagem de olhos e o conseqüente entendimento da relevância do assunto, que se chegava ao texto, para daí extrair uma manchete ou as poucas palavras que traduzissem a ação ou o acontecimento vivido no Serpro. Deve-se ressaltar que, na maioria das vezes, a própria manchete da revista nos indicava o assunto a ser abordado no Projeto Memória. A pesquisa resultou num trabalho de memória constituído por trinta e oito quadros, que retratam parte da história da Empresa desde o ano da sua criação. É bem verdade que a Revista Tema teve início em 1975, restando-nos então pesquisar em outras fontes os anos não abrangidos pela revista. O trabalho Este trabalho se encontra em exposição permanente num dos andares da Regional Porto Alegre e tem sido referência tanto para visitantes quanto para os próprios empregados. Os visitantes, através de breves leituras, passam a conhecer melhor a Empresa. Aos empregados é dada a possibilidade de se divisarem como construtores, alavancadores ou partícipes de alguns (ou todos) os acontecimentos ali retratados. A permanência da exposição nos permite além desses fatores, um muito importante, que é o da atualização, uma vez que há a possibilidade de gradativamente aumentar o acervo com base em futuros e relevantes acontecimentos que venham a ser vividos pelo Serpro. Foi um belo desafio trabalhar a memória do Serpro desta maneira. Pesquisar e posteriormente grifá-la através de uma exposição permanente deu-nos aprendizado e conhecimentos que nos permitiram alcançar as mudanças, as transformações vividas e evolução da Empresa o que, em última análise, se constituem em contexto". DE CARA NOVA

14 Novo design dá mais visibilidade à marca do Serpro O Serpro está de assinatura nova. Em busca da modernidade, a marca da Empresa foi reformulada, acompanhando as tendências da globalização, e começa a ser aplicada em diversos produtos. Criada em 1987, faltava à antiga logomarca incorporar alguns elementos mais comerciais. "O conceito de marca ainda não era visto como marketing. Assim, nossa logo foi perdendo terreno na competição com outras", afirma Bruno Wolff, um dos responsáveis pela reformulação. Com o objetivo de atualizar a identidade visual do Serpro, formou-se um comitê gestor com a participação de Sandra Sipp, Ulisses Machado, Stella Nardelli e Dulce Siqueira, além de Bruno. Uma das tarefas do comitê foi definir as normas que deveriam ser mantidas e os elementos que poderiam ser substituídos. Após uma enquete interna, na qual se constatou que a grande maioria dos empregados acreditava ser o momento adequado para a mudança, a diretoria deu o sinal verde para a alteração. Teve início, então, o processo de melhoria visual, buscando elementos que dessem destaque à marca Serpro. A primeira etapa foi o reestudo do símbolo da Empresa. Criado a partir de uma fita de computador, associa-se à tecnologia da informação e, por sugestão dos próprios empregados, não foi alterado. Passou, apenas, a ser inscrito em um paralelogramo, permitindo maior visibilidade. A quantidade de informações na logo foi reduzida, dando leveza e destaque ao nome Serpro. Embora à primeira vista o novo símbolo pareça simples, ele possui uma simbologia bastante complexa. A forma inclinada do losango sugere dinamismo e movimento. Evolução. Suas arestas agudas traduzem os desafios que a Empresa enfrenta, em oposição às formas suaves do símbolo, que transmitem harmonia, integração e idéia de conjunto. As aberturas, criadas no contato entre as bordas do paralelogramo e o símbolo, sugerem o fluxo das informações. A nova logomarca já está presente em caixas, embalagens, sinalizações e páginas Web. No entanto, devido à necessidade de uma mudança mais gradual em algumas áreas, ela só deve estar completamente em vigor dentro de um ano. VOLTAR.

15 ping&pong TUDO COMEÇOU NO SERPRO Mário Tesa Vice-Presidente da Procers Quando a companhia começou a adotar softwares livres? A Procergs já usava software livre no seu provedor (http://www.via-rs.com.br) desde o final de 1995, utilizando o sistema operacional GNU/Linux. Em novembro de 1997, também começamos a usar outro sistema operacional livre da família Unix, chamado FreeBSD. A escolha foi por decisão técnica das equipes de suporte. A atual diretoria da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul - Procergs, transformou uma opção técnica numa orientação geral para a empresa e para o governo do estado. Como foi o processo de implantação na Procergs? No período de 1995 a 1999 os diversos softwares livres foram utilizados como servidores de Internet, segurança (Firewall), serviços de rede (DNS, MRTG, PROXY, DHCP). A partir de 2000, passamos a utilizar software livre também em outras soluções como servidores de impressão e servidores de aplicação. E no Rio Grande do Sul? O Projeto foi lançado em julho de 1999, baseado em estudo do Serpro. Compareceram ao evento representantes de governos, companhias de processamento de dados, Serpro, Universidades, dentre outros. Aproveitamos o evento para constituir um grande movimento, não só de entidades públicas mas do conjunto da sociedade, já que a adoção de softwares livres exige uma nova postura dos profissionais da área, dos usuários, das instituições de ensino e das empresas públicas e privadas. Definimos a formação de uma rede de laboratórios nas empresas e universidades, para o estudo do Linux e demais software livre, a estruturação de curso de suporte e a criação de um Consórcio Editorial, a fim de publicar livros, manuais e apostilas sobre o assunto. Que uso o Governo do Rio Grande do Sul faz do Linux? Contamos com um leque muito grande de utilização. Diversos órgãos do Estado utilizam soluções livres ou híbridas. Órgãos como as Secretarias da Educação, da Agricultura, Segurança e do Meio Ambiente, Detran-RS, Telecentros, Casa Civil, Governadoria, Procuradoria-Geral do estado, dentre outros, fazem amplo uso. Merece destaque o Banco do Estado do Rio Grande do Sul Banrisul, que introduziu o uso massivo do StarOffice, na época não existia o OpenOffice. Também foi o primeiro banco no mundo a utilizar Linux nos caixas eletrônicos. Por último, o banco fez uma licitação para mais de estações de trabalho e exigiu vir de fábrica instalado o sotware livre.

16 Softwares pagos ainda são usados? Com certeza. A rede do governo do estado tem mais de 30 anos. As soluções legadas demorarão para serem migradas. Por muito tempo conviveremos com uma rede e aplicações heterogêneas. O que desejamos é que as soluções livres cresçam e tornem-se maioria. Como está sendo a estratégia da mudança? Substituímos o MS-Office pelo StarOffice e agora começamos a migração para o OpenOfficeOrg. Também substituímos o Memo e Notes pelo Direto, solução de correio, agenda e catálogo corporativo desenvolvido pela empresa. Todos os micros novos vêm com dois sistemas operacionais, MS-Windows e Linux. Essa estratégia visa "aclimatar" as estações de trabalho para a próxima migração que serão as estações de trabalho livres. Para o governo do estado, a Procergs forneceu um conjunto de soluções baseadas totalmente ou em parte em software livre que estão em uso já há algum tempo. É possível mensurar a economia? Na Rede Escolar Livre RS, a economia é, aproximadamente, de R$ 40 mil, só em licença de uso do sistema operacional e pacote office convencional para 20 mil máquinas. Com o Direto economizamos de R$ 30 a R$ 60 milhões com licenças de uso, dependendo da solução convencional que adotássemos. Com o StarOffice e agora OpenOfficeOrg, economizamos R$ ,00 só na empresa, por não fazermos upgrade do MS-Office. No Banrisul, os valores ultrapassam R$ 9 milhões. Quais são as maiores diferenças entre o software livre e proprietário? Software livre é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito,o usuário deve pensar em "liberdade de expressão", não em "cerveja grátis". "Software livre" se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Portanto, acesso ao código-fonte é uma condição necessária ao software livre. Não importa se o usuário pagou para obter cópias do software livre ou as obteve sem custo: ele sempre terá liberdade de copiar e modificar o software. Então software livre não é software de graça? Quando falarmos sobre o software livre é melhor evitarmos o uso de termos como "dado" ou "de graça", porque estes termos implicam que a questão é de preço, não de liberdade. Alguns termos comuns como "pirataria" englobam opiniões que não devemos endossar. Usamos apenas definições da Free Software Foundation, que nós adotamos. Como é feita a distribuição?

17 Certos tipos de regras sobre a maneira de distribuir software livre são aceitáveis, quando elas não entram em conflito com as liberdades principais. Por exemplo, copyleft (apresentado de forma bem simples) é a regra de que, quando redistribuindo um programa, não se pode adicionar restrições para negar para outras pessoas as liberdades principais. Esta regra não entra em conflito com as liberdades; na verdade, ela as protege. VOLTAR

18 governo eletrônico GOVERNO ELETRÔNICO FAZ DOIS ANOS Governo Eletrônico faz dois anos e se consolida como principal ferramenta de tecnologia da informação aplicada à modernização da gestão pública, tendo como foco o aprimoramento da relação do Estado com o cidadão. Muito a comemorar Gestado sob a égide do Programa Sociedade da Informação Socinfo, nascia há dois anos o Programa Governo Eletrônico. Com idade de bebê, o programa traz em sua breve existência conquistas de gente grande: os portais de serviços como o Rede o Comprasnet, a implantação da Infra-estrutura de Chaves Públicas ICP Brasil, as ações de combate à exclusão digital, a declaração de imposto de renda via Internet, a integração da Rede Nacional de Informações em Saúde RNIS, etc. Iniciativa inédita, que envolve a própria Administração Pública, a sociedade e o setor privado, a aplicação de tecnologia da informação na gestão pública tem status de agenda prioritária no governo federal. Neste sentido, o programa é baseado em três vertentes principais: a interação com o cidadão, a melhoria da sua própria gestão interna e a integração com parceiros e fornecedores. Nas próximas páginas, o leitor vai conhecer os principais avanços dos projetos e ações do Governo Eletrônico em tecnologia da informação.. VOLTAR

19 governo eletrônico CIDADANIA NA REDE. Todas as metas e diretrizes formuladas para o Governo Eletrônico, e os resultados por elas proporcionados ao longo dos últimos dois anos, traduzem seu maior objetivo: disponibilizar, por meio da Internet, novas formas de exercício da cidadania. E não podia ser diferente, tendo em vista que a interação com o cidadão é um dos princípios basilares do programa. "Nos últimos oito anos tivemos uma mudança substancial na forma de atuação do Estado brasileiro, sem dúvida hoje muito mais voltado para o cidadão, mais comprometido com a transparência e com a melhoria da gestão" avalia o ministro Guilherme Dias, do Planejamento, Orçamento e Gestão. O exemplo mais concreto desta evolução é o sítio Rede Governo (www.e.gov.br), um megaportal que disponibiliza acesso direto a serviços públicos residentes em 22 mil links. Até o final deste ano, o cidadão poderá acessar, neste endereço, todos os serviços públicos que não exijam a sua presença física. A novidade no caso é a organização simplificada, já que o portal, desde janeiro de 2002, reúne num único endereço, atalho para sítios governamentais federais, estaduais e municipais na Internet. Todas as ações do Programa Governo Eletrônico são essenciais para o desenvolvimento do Programa Sociedade da Informação - Socinfo, um arrojado projeto do governo que pretende colocar o Brasil dentre as principais nações com potencial de transformar os avanços tecnológicos em benefícios para a sociedade. Para o ministro-chefe do Gabinete-Civil da Presidência da República, Pedro Parente, implantar o Governo Eletrônico foi uma tarefa desafiadora por envolver, a um só tempo, diferentes e complexas características da sociedade brasileira: a capacidade de adequar-se ao novo e, por outro lado, confrontar tal talento às imensas desigualdades da sua complexa estrutura social. Mesmo assim, considera Parente, são exatamente estas particularidades, juntamente com o objetivo de reformar a gestão no Estado brasileiro que se constituem como aspectos relevantes nos dois anos de existência do Governo Eletrônico. Por conta da sua abrangência e das expressivas mudanças que introduziu no relacionamento do governo com a sociedade, o programa envolve muito mais do que tecnologia aplicada à prestação dos serviços públicos, sendo considerado uma poderosa ferramenta de consolidação da democracia e de fortalecimento da cidadania. Apesar da modernização tecnológica, esta não é uma tarefa fácil. Muitos mecanismos de controle da administração do Estado ainda precisam ser atualizados para permitir a agilidade pelos novos tempos. De qualquer forma, os resultados alcançados nos dois anos de Governo Eletrônico são expressivos, dentre

20 os quais se destacam a consolidação do Portal, a criação do Comprasnet e a integração das redes e sistemas. Infra-estrutura de segurança O sucesso alcançado pelo Governo Eletrônico se deve, basicamente, a dois fatores. Inicialmente foi decisivo o apoio político do governo federal. Tal era a prioridade que o governo relevava ao tema que todas as ações políticas-institucionais foram coordenadas pela Casa Civil da Presidência da República e operacionalizadas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão dois órgãos estratégicos na estrutura do Comitê Executivo do Governo Eletrônico. Outro elemento impulsionador foi a garantia de segurança e privacidade nas transações eletrônicas. Com a criação da Infra-estrutura de Chaves Públicas, a ICP- Brasil, as transações que envolvem a tramitação de documentos públicos na Internet são totalmente seguras. Na prática, a assinatura eletrônica e o sistema de infra-estrutura de chaves públicas garantirão a autenticidade e inviolabilidade dos documentos eletrônicos, permitindo que eles possam ser equiparados aos documentos em papel. A difusão de autoridades certificadoras permitirá que cada vez mais cidadãos possam se valer desses recursos nas suas atividades profissionais, reduzindo custos e dinamizando as transações. Este ano, em particular, foi decisivo na formulação da legislação pertinente que apoiasse a criação de uma autoridade certificadora raiz, função atribuída ao Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), com apoio técnico-operacional do Serpro. A emissão de certificados já entrou em operação e vem sendo utilizada por entidades como o Banco Central, que se utiliza dessa infra-estrutura para realizar, em tempo real, as transações do Sistema Brasileiro de Pagamento com valores acima de R$ 5 mil. (Veja artigo na página 20). POLÍTICA PÚBLICA Ministro Pedro Parente DEFENDE A Tecnologia a serviço da gestão e da cidadania.

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