GESTÃO DE TRIBUTOS e-social Mais Arrecadação; Menos Burocracia. Roberto Dias Duarte

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1 ANO 7 SET-OUT 2013 ECONOMIA E GESTÃO O Compromisso Empresarial com o Consumidor e a Verdadeira Desoneração José Carlos de Jesus GESTÃO DE TRIBUTOS Sonegação: Um Desvio a ser Combatido Allan Titonelli GESTÃO DE TRIBUTOS e-social Mais Arrecadação; Menos Burocracia Roberto Dias Duarte

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3 ANO 7 SET-OUT 2013 EDITORIAL CONTABILIDADE & GESTÃO Todos os direitos reservados Produção Editorial: CETEX Estudos Técnicos de Excelência Direitos Autorais: COAD Autor: Equipe Técnica COAD Coordenação Editorial: Crystiane Cardoso de Souza Projeto Gráfico: Cyan Design Estratégico Direção de Arte: Fernanda Vasconcelos Dúvidas, críticas e sugestões: Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer matéria sem prévia autorização. Os infratores serão punidos na forma da lei. Atualização Profissional COAD Ltda. Av. Armando Lombarbi, 155 Barra da Tijuca Rio de Janeiro Cep: Tel.: (21) As opiniões emitidas em artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores e nossa consultoria não responderá questionamentos acerca do que tais matérias dispõem. Nesta edição damos destaque ao e-social, ferramenta que entrará em vigor no primeiro semestre de 2014, trazendo grande expectativa diante da quantidade de informações, que contribuirão com o sistema previdenciário, além de beneficiar os mesmos. Trata-se de projeto do governo que visa unificar o envio de informações, sendo um novo componente do Sped que abrangerá a folha de pagamento e as obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais relativas aos vínculos laborais. Muito antes do surgimento da Emenda Constitucional 72/2013, estatísticas de autorias dos mais diversos órgãos focados nos direitos e deveres dos trabalhadores domésticos e de seus patrões apontavam para o aumento da situação de informalidade dos trabalhadores, diante da sonegação. Com o e-social, as obrigações trabalhistas e previdenciárias se concentrarão em um Portal específico. Disponibilizamos aos leitores valorosa contribuição de Roberto Dias Duarte, que apresenta considerações quanto ao real potencial do e-social para redução da nítida burocracia brasileira. Na seção Economia e Gestão, José Carlos de Jesus discorre sobre o compromisso empresarial com o consumidor, elo mais fraco da corrente diante da revolução tributária e da oneração sofrida diante de várias estratégias governamentais. Em Gestão de Tributos, destaque para o entendimento de Kiyoshi Harada quanto à problemática da inclusão do tributo na base de cálculo de outro, e para Rinaldo Maciel de Freitas, que apresenta a jurisprudência do STJ quanto à inconstitucionalidade do estorno unilateral de créditos do ICMS. Em Normas Contábeis, César Ramos traz novo desdobramento em mais um excelente artigo sobre Hedge Accounting, enquanto Adilson Torres questiona os leitores sobre a real finalidade das Novas Normas Contábeis em IFRS. Por fim, em Perícia e Auditoria, Wilson Alberto Zappa Hoog apresenta reflexões sobre factoring e perícia contábil. Até a próxima edição.

4 nestaedição ECONOMIA E GESTÃO O Compromisso Empresarial com o Consumidor e a Verdadeira Desoneração José Carlos de Jesus GESTÃO DE TRIBUTOS A Problemática da Inclusão do Tributo na Base de Cálculo de Outro Tributo Kiyoshi Harada e-social Mais Arrecadação; Menos Burocracia Roberto Dias Duarte Estorno Unilateral de Créditos do ICMS Inconstitucionalidade A Visão do Superior Tribunal de Justiça Rinaldo Maciel de Freitas Sonegação: Um Desvio a ser Combatido Allan Titonelli NORMAS CONTÁBEIS Conceitos para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis Segundo o CPC00 Theodoro Versolato Junior Hedge Accounting Gestão de Riscos Financeiros e de Mercado César Ramos Qual é a Finalidade das Novas Normas Contábeis em IFRS? As Normas em IFRS Substituem a Contabilidade Gerencial? Adilson Torres PERÍCIA E AUDITORIA Factoring e a Perícia Contábil Wilson Alberto Zappa Hoog OLHO VIVO DIRETOR GERAL: Márcio William Faria de Souza SUPERINTENDENTE EXECUTIVO: Humberto Nunes Andrade Silva DIRETORA TÉCNICA: Crystiane Cardoso de Souza DIRETOR DE CONSULTORIA E CURSOS: Marcus Vinícius Derito Greco GERÊNCIAS NACIONAIS: Andréa Dias Soares, Christine Ferreira Portilho, Heloisa Fátima Thomaz de Aquino Mello, Jair de Souza Gomes, João Afonso Vilela Jr., José Luiz Monteiro, Luiz Roberto da Silva Costa GERÊNCIAS REGIONAIS: RJ/Norte/Centro-Oeste Rosemere Monzatto Motta, SP Rita de Cássia Camisotti, MG Lúcia Marinho, Sul Fernanda Dias ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL COAD LTDA. de Lima Graciano, ES/Nordeste Sonia Maria Xavier EQUIPE TÉCNICA DOS PRODUTOS FISCAIS COORDENAÇÃO TÉCNICA: Ana Lucia F. C. Cardoso EDITORA IR/LC: Ana Lucia F. C. Cardoso EDITOR ICMS/IPI: André Luiz Ferreira Guedes EDITORA LTPS: Denise Féres Dias COORDENAÇÃO EDITORIAL: Angela Maria Oliveira Colaboradores: Adriana Roberto, Alex Sandro Lovato, Amanda Cristina de Assis Rodrigues, Amanda dos Santos Gomes, Amanda Ferreira Marinho Loiola, Carlos Alberto Ribeiro, Carlos Henrique Cartegiani, Claudio Jorge da Silva, Cleverson Santana Langner, Cristiana Duarte de Cerqueira, Cristina Mendonça Costa, Dulcinea Sandes Meurer, Edith Sandra Reis Alves Chaves, Eliezer Marconi, Flaviana Aurora Gabriel, Francisco Eugênio de Paula, Flaviana Aurora Gabriel, Gilmar Raphael, Jaelda Carvalho Rodrigues dos Santos, Jamile Nascimento, José Ramiro Colonna Guedes, Julio Hermes Pregiliscio, Katia Regina Costa da Silva, Keilyane Teixeira, Kelly Carvalho Rodrigues, Leandro Luiz Farias de Souza, Leonardo José da Silva, Leonardo Menezes Guimarães, Luciana Lopesnziante, Marcia Regina Martins dos Santos, Maria da Luz Ferreira Nunziante, Mariana Carolina Santos Almas, Marilene de Almeida Canedo, Natalie Costa, Priscilla de Freitas Petrone, Ricardo Guterres de Araújo, Ronaldo Zeni, Rosana Falkievecz, Sandra Aparecida da Cruz, Sara Pedrosa Silva da Mata, Symone Alda da Silva, Tatiane Cataldo dos Santos, Teresinha Borges Leal, Tyrone Soares, Vicente Paulo Moreira, Viviane Carneiro Cavalcante, Zilda Ribeiro e Silva. Central de Relacionamento: (9 às 18h) Assinaturas: (9 às 18h) ANO 7 SET-OUT 2013

5 ECONOMIA E GESTÃO O Compromisso Empresarial com o Consumidor e a Verdadeira Desoneração José Carlos de Jesus Profissional da Contabilidade Membro do Centro de Estudos Científicos em Contabilidade da Faculdade da Serra Gaúcha (CECCFSG) Nos últimos anos, estamos acompanhando uma verdadeira revolução tributária no Brasil. Tentando atender o clamor da sociedade empresária e consumidora, o Poder Público busca criar alternativas para dinamizar a economia, frente a tempos de crises das mais diversas. Nesse cenário, surgem as desonerações, objetivando reduzir a carga tributária das empresas e tornar o poder de compra dos consumidores mais eficiente e as empresas mais competitivas. Contudo, é necessário que haja ética do empresariado no momento de cumprir com a ideia do Governo, sob o risco do consumidor ficar onerado tanto por parte das empresas quanto pelo Poder Público. A Reforma Tributária parece que caminha a passos largos, mas deve-se ter muito cuidado para não haver tropeços. Não se sabe ao certo o impacto fiscal, se é que vai existir. Porém, diversas medidas político-tributárias estão garantindo o início de uma nova era. No entanto, fica a dúvida no que se refere ao fato da desoneração estar ou não realmente chegando ao bolso dos consumidores. Uma vez que os tributos caem, o normal seria o preço final dos produtos e serviços abrangidos pelas desonerações seguirem o mesmo rumo, mas na prática tem-se notado algo diferente disso. O empresariado brasileiro tem, talvez, esse tipo de comportamento relacionado ao fator cultural do país de querer levar vantagem em todas as situações. Ou seja, os tributos são baixados e o preço final continua o mesmo ou reduzido em valor inferior, não repassando a desoneração por completa. Outro motivo pode estar atrelado à questão da não distribuição dos recursos públicos de maneira idônea pelo Estado. No fim das contas, quem paga é o cidadão, principalmente aqueles de classe média à baixa. Neste caso, a função social das empresas não está sendo cumprida, tendo em vista que as empresas públicas e/ ou privadas podem ser consideradas relevantes meios de aplicação de ações governamentais, que na maioria das vezes têm o contato direto com o consumidor. Cabe destacar que a ética e a cultura são fundamentais em tempos de mudanças, justamente pelo fato de tudo isso (Poder Público, Empresas e Consumidores) fazer parte do ciclo econômico que se movimenta sem parar. Vale lembrar que o repasse total da desoneração aos consumidores injeta mais dinheiro na economia, fazendo as empresas faturarem mais, pois ganharão no volume, além de aumentar a arrecadação de outros tributos espalhados pela cadeia econômica, suprindo a necessidade do Estado em arrecadação. Por outro lado, além dos consumidores se manterem onerados pelas empresas, CONTABILIDADE & GESTÃO 5

6 ECONOMIA E GESTÃO (...) Percebe-se que, mais uma vez, o consumidor está sendo onerado, pois poderiam obter salários maiores se estes serviços básicos, oferecidos pelas empresas em forma de benefícios, fossem disponibilizados à sociedade como forma de devolução ao que foi recolhido quando da compra dos produtos e serviços. devido ao não repasse total das desonerações, eles são obrigados a pagar novamente aquilo que já foi pago com o dinheiro dos produtos e serviços adquiridos. Quer dizer, toda vez que se compra algo, nestes, estão inclusos tributos como PIS, Cofins, ISS, ICMS, taxas diversas, dentre outros, que deveriam cobrir despesas como saúde, educação, lazer, cultura, alimentação, etc. Em contrapartida, as empresas oferecem baixos salários aos funcionários em troca destes benefícios, que já foram pagos pelo cidadão e que deveriam ser oferecidos a todos. Percebe-se que, mais uma vez, o consumidor está sendo onerado, pois poderiam obter salários maiores se estes serviços básicos, oferecidos pelas empresas em forma de benefícios, fossem disponibilizados à sociedade como forma de devolução ao que foi recolhido quando da compra dos produtos e serviços. Como exemplo, temos o vale- -transporte, que deveria ser público e de boa qualidade, o plano de saúde, que deveria ser substituído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o auxílio-educação, que é obrigação do Estado, mas que deixa a desejar, dentre outros. Enfim, deve haver ética e compromisso empresarial com o consumidor para consolidar o processo de amadurecimento da sociedade brasileira. A verdadeira desoneração deve acontecer de maneira real com o apoio das empresas e ações concretas do Poder Público. Isso fará com que o consumidor e cidadão sintam na prática a qualidade de vida melhorando através do resultado das políticas públicas e privadas atualmente camufladas. 6 ANO 7 SET-OUT 2013

7 GESTÃO DE TRIBUTOS A Problemática da Inclusão do Tributo na Base de Cálculo de Outro Tributo Kiyoshi Harada Jurista Sócio fundador do escritório Harada Advogados Associados Professor Especialista em Direito Financeiro e Tributário pela USP Uma das questões mais controvertidas e que vem trazendo insegurança jurídica entre os contribuintes diz respeito à inclusão do valor de determinado tributo na base de cálculo de outro tributo. O único caso de exclusão expressa na Constituição Federal é o do valor do IPI da base de cálculo do ICMS, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos (art. 155, 2º, XI). Aparentemente, esse texto constitucional configura uma exceção, sendo que a regra geral é a inclusão do valor do tributo na base de cálculo de outro tributo. É o entendimento a que conduz as regras da hermenêutica. Mas, na realidade, não é bem assim. A partir de questionamentos feitos pelos contribuintes a jurisprudência vem decidindo caso a caso, sem um critério uniforme a respeito dessa controvertida questão. Os julgadores têm decidido pela exclusão em determinada hipótese e pela inclusão em outras hipóteses. O exame desses julgados não permite identificar um critério objetivo e seguro para fixar a tese da exclusão ou da inclusão. No caso da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins, por exemplo, argumentou- -se que o valor do ICMS não é abrangido pelo conceito de faturamento sobre o qual incide a Cofins. Seis votos foram proferidos nesse sentido, estando RE MG, sobrestado em função da propositura da Adecon 18-5 pela União, batendo-se pela tese oposta, ou seja, constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. 1 Apesar de o ICMS estar agregado ao preço da mercadoria ou do serviço, a exemplo de outros tributos indiretos, considerou-se o seu caráter tributário que é inegável. O ICMS por definição legal é um imposto, e não uma mercadoria ou serviço. Porém, na verdade, não apenas o valor do ICMS, mas também, os valores da mão de obra e até a margem de lucro do agente econômico estão incluídos no preço representativo do faturamento. Outrossim, como sabemos, o valor dos tributos indiretos compõem a política de fixação de preços dos serviços e mercadorias. Dentro daquela orientação, representada por seis votos dos Ministros da Corte Suprema, os Tribunais Regionais Federais vêm excluindo, também, o ISS da base de cálculo da Cofins e do PIS. De fato, o princípio é o mesmo. No RE /RG, decidiu- -se pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins- -Importação dentro da mesma linha de argumentação desenvolvida no RE MG, que está, ainda, pendente de julgamento final. Como reflexo do pronunciamento da Corte Suprema um juiz federal de Osasco concedeu medida liminar para ex- CONTABILIDADE & GESTÃO 7

8 GESTÃO DE TRIBUTOS cluir o ICMS e o ISS da base de cálculo da contribuição social incidente sobre a receita bruta, a nova modalidade de contribuição social decorrente da substituição da contribuição social incidente sobre a folha de remuneração. Argumentou-se que o valor do ISS e do ICMS não corresponde à receita bruta e o que, em termos de linguagem comum parece óbvio. No pagamento do ICMS há saída de dinheiro e não entrada. Particularmente somos simpáticos a essa tese, neste caso específico, porque o governo federal, a pretexto de exoneração da carga tributária representada pela contribuição social sobre a folha, vem procedendo a substituição gradativa pela contribuição incidente sobre a receita bruta, 2 relativamente a diversos setores da economia, aleatoriamente eleitos como contribuintes da nova modalidade de tributação. Isso tem acarretado um aumento brutal da carga tributária em relação às empresas que ostentam uma receita bruta desproporcional ao custo da mão de obra, talvez, decorrente da utilização de modernos meios de produção, comercialização ou prestação de serviços. Outrossim, no RE /SP, o Plenário do STF decidiu que o IRPJ incide sobre a CSLL (art. 1º da Lei 9.316/96). Ora, assim como o ICMS não configura faturamento para ser alcançado pela Cofins, a CSLL não constitui um acréscimo patrimonial a propiciar sua tributação pelo Imposto de Renda. O pagamento de um tributo pode decorrer de uma renda auferida, mas o seu pagamento não configura uma renda. Prevaleceu, entretanto, a tese de que a CSLL não constitui uma despesa operacional, porém, uma parte do lucro real, reservada ao custeio da Previdência Social. O argumento não nos convence. Uma coisa é dizer que a CSLL decorre do lucro auferido, outra coisa bem diversa é considerar o pagamento da CSLL como uma renda passível de tributação pelo Imposto de Renda. O mesmo raciocínio que levou à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins deveria prevalecer em relação à exclusão da CSLL da base de cálculo do Imposto de Renda. Na realidade, a CSLL, a exemplo de outras despesas como salários, aluguéis, valores de outros tributos indiretos etc. representa um custo para a obtenção do resultado líquido. O certo é que a CSLL não é uma renda, mas um encargo tributário. Cotejando-se os argumentos despendidos no RE MG (julgamento não concluído), no RE em caráter de Repercussão Geral e no RE , também em caráter de Repercussão Geral fica bem difícil encontrar um critério objetivo das hipóteses de exclusão e de inclusão do valor de determinado tributo na base de cálculo de outro tributo. Por tais razões, aproveitando o momento atual em que se pretende implementar uma minirreforma tributária, sugerimos a aprovação de uma PEC inserindo o 8º, no art. 150 da CF, vedando a inclusão do valor do tributo na sua própria base de cálculo e na de outro tributo, revogando-se o inciso XI do 2º do artigo 155 e a letra i do inciso XII do 2º do artigo 155 da CF, com a seguinte redação: 8º. É vedada a inclusão do valor do tributo na sua própria base de cálculo, bem como a sua inclusão na base de cálculo de outro tributo sempre que a situação configurar fato gerador de ambos ou mais tributos. A tributação por fora vem de encontro ao princípio da transparência tributária previsto no 5º desse artigo 150 e tem por finalidade dificultar a ação do sonegador. Outrossim, a exclusão do valor do tributo da base de cálculo de outro tributo, na hipótese de configuração de fato gerador de ambos ou mais tributos, configura um imperativo de justiça fiscal. Finalmente, a PEC proposta visa conferir segurança jurídica e desafogar o Judiciário com as discussões da espécie que vêm aumentando dia a dia. NOTAS 1. Antes da EC nº 20/98 a base de cálculo da Cofins era apenas o faturamento. 2. A Constituição Federal refere-se à receita ou faturamento que são expressões equivalentes. 8 ANO 7 SET-OUT 2013

9 GESTÃO DE TRIBUTOS Enfim, tudo indica que o alvo principal da EFD-Social seja a arrecadação previdenciária. Estudos da Receita Federal do Brasil apresentam o alarmante indicador de que cerca de 30% dos trabalhadores autôe-social - Mais Arrecadação; Menos Burocracia? Roberto Dias Duarte Administrador de empresas Professor Palestrante Escritor Blogger Autor da série de livros Big Brother Fiscal Membro do GT Tecnologia da Informação do Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais Membro do Conselho Consultivo da Mastermaq Software Especialista em Tecnologia da Informação, Certificação Digital, Redes Sociais, SPED e NF-e Prevista para 2014, a e-social é um novo componente do Sped e abrangerá a folha de pagamento e as obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais relativas aos vínculos trabalhistas. Além de atender às demandas de informação da Receita Federal, esse projeto inclui o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Caixa Econômica Federal (CEF), o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a Justiça do Trabalho. Em suma, a e-social pode ser entendida como uma forma de registro digital dos eventos trabalhistas. Não chega a ser um assunto novo, pois desde 2009 a autoridade tributária federal tem realizado apresentações para discuti-lo. Inicialmente batizado como Sped FPD (Folha de Pagamentos), o projeto contou com diversas denominações: e-fopag, Sped Folha, Escrituração Fiscal Digital Social (EFD-Social). (...) Estudos da Receita Federal do Brasil apresentam o alarmante indicador de que cerca de 30% dos trabalhadores autônomos e empregados domésticos atuam na informalidade. Sendo que a própria RFB estima perdas anuais da ordem de R$ 3,5 bilhões. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), entidade civil que representa os auditores fiscais da RFB, tem se posicionado como grande divulgadora da novidade, assumindo publicamente esse papel. Tal apoio mostra-se bastante alinhado com o posicionamento da Anfip acerca do tema. Segundo o presidente da entidade, Álvaro Sólon de França, a Previdência Social brasileira é o maior sistema de distribuição de renda do mundo. O entendimento do representante setorial é que o projeto irá contribuir para a saúde financeira do sistema previdenciário, além de beneficiar os trabalhadores em outros aspectos. Segundo ele, profissionais mais frágeis do ponto de vista de seguridade social serão bastante favorecidos. O impacto da EFD-Social é grande para o trabalhador rural, por exemplo, porque ele tem uma dificuldade enorme na hora de comprovação da atividade rural para aposentadoria. Todas essas informações digitalizadas facilitam muito a vida do trabalhador, afirmou. CONTABILIDADE & GESTÃO 9

10 GESTÃO DE TRIBUTOS (...) Ainda não há norma que regulamente a obrigatoriedade de participação dos empregadores. Tampouco o leiaute oficial foi publicado. O que se sabe, a julgar pelas apresentações das autoridades, é que a meta é implantar totalmente o sistema em nomos e empregados domésticos atuam na informalidade. Sendo que a própria RFB estima perdas anuais da ordem de R$ 3,5 bilhões. Assim, no dia 18 de julho de 2013, foi publicado no DO-U (Diário Oficial da União), o Ato Declaratório Executivo nº 5/2013, que aprovou o leiaute dos arquivos. Mas, por enquanto, o portal do projeto informa que leiautes de arquivos estão sendo disponibilizados em versão inicial e sua divulgação tem caráter informativo aos setores da sociedade. A ideia é que as empresas maiores integrem seus sistemas de informação, via conexão com serviços de Internet (Web- Service) aos computadores do governo que gerenciarão os dados da e-social. Para empregadores menores e pessoas físicas, os procedimentos trabalhistas serão realizados diretamente no Portal e-social, que terá funções como registro de empregados, folha de ponto, controle de horas extras, adicional noturno, salário-família, cadastro de dependentes, cálculo das obrigações tributárias e trabalhistas e geração de documentos (aviso de férias, recibo de pagamento, Guia da Previdência Social). Ainda não há norma que regulamente a obrigatoriedade de participação dos empregadores. Tampouco o leiaute oficial foi publicado. O que se sabe, a julgar pelas apresentações das autoridades, é que a meta é implantar totalmente o sistema em Em um evento público, realizado no Rio de Janeiro no início de 2013, o representante da Receita Federal chegou a declarar que as empresas podem investir no saneamento dos cadastros trabalhistas, pois a situação é irreversível. Esse, aliás, é o ponto mais crítico do projeto, pois a grande maioria dos milhões de empregadores sequer mantém controle informatizado destes registros. E, quando os têm, estão longe de satisfazer as exigências em quantidade e qualidade de informações nos moldes requeridos pela operação do e-social. O especialista afirmou ainda que a determinação para a implantação do e-social em 2014 é da Presidência da República, e quem está falando é a chefe... e, para a chefe, nós temos que entregar o produto. Grosso modo, poderia-se dizer que a meta do Poder Executivo é substituir a carteira de trabalho em papel por um cartão eletrônico. Sem dúvida, a e-social irá atuar fortemente no combate à sonegação. É possível também que haja uma grande substituição das obrigações trabalhistas e previdenciárias concentrando-as nessa nova ferramenta. Contudo, para um projeto desse porte, com impactos gigantescos, a boa intenção não basta. Iniciativas semelhantes a esta, em nossa história recente, são precedentes a ser considerados. A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), por exemplo, foi instituída em 2005 e teve sua obrigatoriedade publicada em abril 2007, com o início efetivo em abril do ano seguinte. O cronograma de implantação da NF-e seguiu um escalonamento gradual até 2011, incluindo primeiramente os setores econômicos mais sensíveis à 10 ANO 7 SET-OUT 2013

11 GESTÃO DE TRIBUTOS arrecadação, como os de cigarros e combustíveis. O Sped Fiscal, ou Escrituração Fiscal Digital do ICMS e IPI, foi instituído em Sua obrigatoriedade se iniciou em 2009 com os 30 mil maiores contribuintes, e seu cronograma respeitou características regionais e setoriais, bem como os diferentes portes de empreendimentos. Hoje temos 670 mil empresas obrigadas à EFD-ICMS/IPI, mas chegou-se até este ponto de forma gradual. Além da implantação escalonada, todas essas tecnologias tributárias têm em comum a eficiência comprovada no combate à sonegação. Prova disto é que o índice da economia subterrânea, medido pela Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, caiu de 20,4% do PIB em 2005 para 16,6% em Infelizmente, elas não vêm conseguindo o mesmo sucesso no quesito redução da burocracia. O relatório Doing Business 2013: Regulamentos Inteligentes para Pequenas e Médias Empresas, do Banco Mundial, apresenta um ranking de 185 países, no qual o Brasil obteve a posição 130 em facilidade para fazer negócios. O mais grave é estarmos perdendo posições nos últimos anos. No relatório de 2012 ocupávamos a 126ª colocação e, em 2011, fomos o país número 120. Dos 10 indicadores analisados pelo Banco Mundial, o Brasil apresenta o pior desempenho em pagamento de impostos (156º). Pois foi essa medida que levou nosso país a uma situação tão ruim, com o total de horas/ ano mensurado para uma empresa-modelo, a fim de manter suas conformidades tributária e trabalhista. O mais decepcionante é que desde 2003, quando o Doing Business foi criado, as mesmas horas/ ano permanecem constantes. Quer dizer, mesmo com toda essa tecnologia tributária se manteve inalterado o custo de conformidade nos últimos 10 anos. Enfim, tudo indica que a e-social será um importante fator de aumento da arrecadação. Mas há sérias dúvidas quanto ao seu real potencial para reduzir a burocracia brasileira, uma vez que, após esses anos todos de existência, o Sped ainda não conseguiu mostrar resultados efetivos nesse quesito. Sem leiaute definitivo, sem regulamentação publicada, somos vítimas de um verdadeiro terrorismo informacional cujo objetivo é compelir as empresas a um processo de adaptação baseado em apresentações e notícias oficiosas. Mais ainda, um projeto tão abrangente deveria estabelecer prazos que atendessem à sociedade como um todo, e não apenas ao cronograma eleitoral ou qualquer outro. CONTABILIDADE & GESTÃO 11

12 GESTÃO DE TRIBUTOS Estorno Unilateral de Créditos do ICMS Inconstitucionalidade A Visão do Superior Tribunal de Justiça STJ Rinaldo Maciel de Freitas Graduado em Filosofia pelo Instituto Agostiniano de Filosofia Membro da Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica - Graduado em Direito pela Fadom (Faculdades Integradas do Oeste de Minas) - Membro da Associação Paulista de Estudos Tributários (Apet) - Pós- Graduando em Direito Público. Formação Extra Curricular: Ética (UEMG) - Arbitragem (UFMG) Psicologia Jurídica (UEMG) Classificação Fiscal de Produtos/Aduaneiras O estorno de créditos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), feito pelos Estados como forma de combater a conhecida Guerra Fiscal, partem de mera suposição 1 e podem ser elididos por prova em contrário nos termos do parágrafo 2 único do art. 204 do Código Tributário Nacional: No setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma se produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudam-se para a atividade fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente. Aqui reside outro impeditivo legal para o Estado. O art. 102 do Código Tributário Nacional dispõe que a legislação tributária vigora exclusivamente no território da entidade política que a emana e não há como um Estado exigir a apresentação de documentos de contribuintes doutros Estados Federados. A lição de Roque Carrazza 3 é no sentido de que, se o Estado de destino entende que os benefícios fiscais outorgados pelo Estado de origem a seus contribuintes infringem o art. 155, 2º, XII, g, da Constituição Federal, por seu turno, não pode transformar o contribuinte do Estado de destino em sua longa manus, para que ele controle a constitucionalidade e a legalidade de benefícios fiscais: Em suma, problemas emergentes da chamada guerra fiscal entre as unidades federadas se resolvem na Suprema Corte, e não às expensas de contribuintes que adquiriram de boa-fé mercadorias e, ainda por cima, têm em mãos, documentando as operações mercantis realizadas, notas fiscais formalmente em ordem. Evidente que a concessão de benefícios fiscais não autorizados fere o art. 155, II, 2º, XII, g da CF de 1988, matéria pacífica no âmbito dos Tribunais Superiores, no entanto não autoriza que seja ferido o art. 155, II, 2º, I do mesmo diploma. É pacífico no STF (Supremo Tribunal Federal) o entendi- 12 ANO 7 SET-OUT 2013

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