JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE NO BRASIL

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1 JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE NO BRASIL Uma reflexão para a desjudicialização ou como lidar com essa questão no SUS Rio de Janeiro 30 de julho de ª Seminário Internacional de Atenção Básica LENIR SANTOS

2 O DIREITO O À DIREITO SAÚDE À E SAÚDE O FENÔMENO E O FENÔMENO DA JUDICIALIZAÇÃO DA JUDICIALIZAÇÃO 1. Conhecimento pelo cidadão de seus direitos x inadequação do Estado no atendimento das expectativas da sociedade e do indivíduo. 2. Imprecisão na compreensão do papel do SUS e da concepção do direito à saúde. 3. Imprecisão quanto às responsabilidades dos entes federativos na saúde. 24/08/2012 Lenir Santos 2

3 4. Imprecisão da abrangência da integralidade da atenção à saúde: qual o rol de serviços ofertados ao cidadão? 5. Financiamento escasso em relação às demandas. 6. Desenvolvimento tecnológico x efetividade x custos x disponibilidade de recursos. Como fazer as escolhas? 7. Vácuos legislativos. 24/08/2012 Lenir Santos 3

4 1. 1. CONHECIMENTO Conhecimento PELO pelo CIDADÃO cidadão de DE seus SEUS direitos DIREITOS x X inadequação INADEQUAÇÃO do Estado DO ESTADO no atendimento NO ATENDIMENTO das expectativas DAS EXPECTATIVAS da sociedade DA SOCIEDADE e do indivíduo. E DO INDIVÍDUO. Direito à saúde art. 196 da CF compreensão não abrangente de sua complexidade. Simplismo interpretativo. Saúde como resultante de políticas sociais e econômicas que evitem o risco da doença e agravos à saúde: direito à qualidade de vida; políticas públicas que visem à melhor qualidade de vida. Responsabilidades compartilhadas. Conceito abrangente que impõe um dever a todos: Estado e todos os seus setores; sociedade; empresas; indivíduo. 24/08/2012 Lenir Santos 4

5 2. Imprecisão da compreensão do papel do SUS e da 2. IMPRECISÃO DA COMPREENSÃO DO PAPEL DO SUS concepção do direito à saúde. E DA CONCEPÇÃO DO DIREITO À SAÚDE. Direito à saúde no âmbito do SUS: acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde. Quais ações e serviços de saúde: conteúdo expresso no art. 200 da CF, Lei 8.080/90 arts. 5º e 6º- e outras leis esparsas: definição do que sejam ações e serviços de saúde. Qual o padrão de integralidade e incorporação tecnológica consequente? Integralidade que deve ser satisfeita dentro do SISTEMA e não em cada esfera de governo (ar. 7º, II, da Lei 8.080). Quem acionar dentro do SISTEMA? 24/08/2012 Lenir Santos 5

6 3. 3. IMPRECISÃO Imprecisão quanto QUANTO às ÀS responsabilidades RESPONSABILIDADES dos entes DOS ENTES federativos FEDERATIVOS na saúde NA SAÚDE Competência constitucional para cuidar e legislar sobre saúde de todos os entes federativos. Solidariedade incompatível com as desigualdades regionais. Competência invadida pela União pautando a gestão estadual e municipal. Regulamentação pautada pelo financiamento: partilhas constitucionais federais conformando o SUS nos Estados e Municípios. Demandas judiciais contra o ente local e não em razão das responsabilidades. 24/08/2012 Lenir Santos 6

7 Consensos interfederativos (definidores de responsabilidades) não validados no âmbito do judiciário. Comissões intergestores. Falta de instrumento adequado para consolidar e validar os consensos (contratos, por exemplo). 24/08/2012 Lenir Santos 7

8 4. IMPRECISÃO DA ABRANGÊNCIA DA INTEGRALIDADE DA ATENÇÃO À SAÚDE: QUAL O ROL DE SERVIÇOS QUE DEVEM SER COLOCADOS À DISPOSIÇÃO DO CIDADÃO? A integralidade da atenção à saúde é um conjunto de ações e serviços de saúde articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema. A integralidade deve ser realizada dentro do sistema. Qual integralidade? Tudo para todos? Quais os parâmetros a serem considerados para definir a integralidade? 24/08/2012 Lenir Santos 8

9 Definição na arena social: Estado-Cidadão: conselhos e consultas públicas. Definição técnico-científica: Medicina baseada em evidencias e outras fórmulas e processos. Financeiro: vinculação de receitas - EC 29 (e a própria LRF não permitindo limitação de despesas com saúde nos casos de extrapolação das metas fiscais). 24/08/2012 Lenir Santos 9

10 5. 5. FINANCIAMENTO ESCASSO EM RELAÇÃO ÀS ÀS DEMANDAS. Definição do financiamento. EC 29 e sua regulamentação. Percentuais mínimos. Parâmetros nacionais e internacionais de per capita para se garantir um bom sistema de saúde pública. Parâmetros dos planos de saúde privados excluida a lucratividade? Planejamento conseqüente ao padrão de integralidade; plano de saúde conseqüente ao planejamento e consequente à prática. Lei orçamentária anual conseqüente ao planejamento integrado regionalizado e ao plano de saúde do ente federativo. 24/08/2012 Lenir Santos 10

11 6. DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO X EFETIVIDADE X CUSTOS 5. FINANCIAMENTO X DISPONIBILIDADE ESCASSO DE EM RECURSOS. RELAÇÃO ÀS COMO FAZER DEMANDAS. AS ESCOLHAS? Geração de conhecimento: visão sistêmica; ação de sistematização pelo Poder Público, a quem compete fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico voltado para o atendimento da necessidades de saúde da população, além de fomentar e sistematizar a produção de conhecimento gerada nos serviços de saúde. Mercado como agente de desenvolvimento da ciência e pesquisa apartada da visão humanitária num mundo globalizado bipolar: Mercado x consumidor. Na visão do mercado, todo cidadão é potencialmente um doente e portanto um consumidor de bens, produtos e serviços de saúde. (prevenção muitas vezes 24/08/2012 Lenir Santos 11 excessivas e onerosas). Além de a tecnologia na saúde não diminuir

12 DIREITO DIREITO À À SAÚDE SAÚDE COMO COMO UM PACTO SOCIAL SOCIAL SOB SOB O O COMANDO DO EXECUTIVO 1. Necessidade de se definir um padrão de integralidade razoável que deve ser colocado à disposição do SISTEMA para atender a todos com: Igualdade (para todos o mesmo direito, com equidade) Eficiência (momento ótimo do custo-benefício) Qualidade (excelência na prestação de serviços) Humanismo (dignidade da pessoa humana) Por onde começar? Definir o padrão de integralidade tomando como parâmetro serviços ora existentes que estão nos sistemas de informações em saúde. 24/08/2012 Lenir Santos 12

13 COMO MANTER ATUALIZADO O PADRÃO DE INTEGRALIDADE COMO MANTER E COMO ATUALIZADO DEFINIR O O DESENVOLVIMENTO PADRÃO TECNOLÓGICO INTEGRALIDADE E E CIENTIFICO COMO DEFINIR NA O SAÚDE DESENVOLVIMENTO A PARTIR DA TECNOLÓGICO VISÃO SISTÊMICA E CIENTIFICO DA GESTÃO NA SAÚDE DO CONHECIMENTO: A PARTIR DA VISÃO SISTÊMICA DA GESTÃO DO CONHECIMENTO: Articulação sistêmica entre o entes federativos, o mercado, o sistema nacional de ciência e tecnologia, as universidades, os serviços de saúde visando à transformação dos espaços da saúde cotidianos em espaços de ensino, pesquisa e assistência produzindo conhecimento de forma horizontal e vertical, de acordo com as necessidades reais da saúde. Necessidade de difusão do conhecimento ao Judiciário: Câmaras estaduais e nacional de apoio ao Judiciário. Cumprimento das recomendações do CNJ. 24/08/2012 Lenir Santos 13

14 PREMISSAS DO PADRÃO DE 1. INTEGRALIDADE Valores da sociedade. E DE SUA ATUALIZAÇÃO 1. Valores da Sociedade 2. Recursos financeiros da EC MBE: levantamento do problema e formulação da questão; b) pesquisa da literatura correspondente; c) avaliação e interpretação dos trabalhos coletados mediante critérios bem definidos; d) utilização das evidências encontradas, em termos assistenciais, de ensino ou elaboração científica" - (José Paulo Drumont, "MBE - Novo paradigma assistencial e pedagógico SP, ed. Atheneu). 24/08/2012 Lenir Santos 14

15 4. A audiência pública do STF/CNJ Recomendação ao MS: a) conciliações prévia entre as partes; b) diminuição da burocracia; c) marcos legais precisos; d) assegurar ampla informação sobre as políticas existentes; e) revisão periódica dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas; f) atualização dos valores das tabelas de oncologia; g) fortalecimento da Comissão de Incorporação Tecnológica do MS. h) Divulgação do Direito Sanitário e melhor formação tecnica dos aplicadores do direito. 24/08/2012 Lenir Santos 15

16 CÂMARAS ESTADUAIS NACIONAL DE APOIO AO CÂMARAS ESTADUAIS E NACIONAL DE APOIO AO JUDICIÁRIO 1. Informação sobre a configuração do SUS, sua organização, seus regramentos. 2. Informações técnicas e científicas (protocolos, regulamentos técnicos, resultados da MBE). 3. Informações sobre consensos interfederativos definidores de políticas de gestão compartilhada e os documentos consubstanciando os compromissos, as responsabilidades. 4. Informação sobre o padrão de integralidade e a incorporação tecnológica, de acordos com os valores da sociedade. 24/08/2012 Lenir Santos 16

17 JUDICIÁRIO: JUDICIÁRIO: DIRIMINDO DIRIMINDO CONFLITOS CONFLITOS SEM SEM SE SE DISTANCIAR DISTANCIAR DA DA SOCIEDADE, SOCIEDADE, SEUS SEUS VALORES VALORES E A HARMONIA HARMONIA ENTRE ENTRE OS OS PODERES PODERES REPUBLICANOS REPUBLICANOS O apego do Estado Liberal à lei como fonte única do direito e, portanto, reforçando a idéia de que o ato jurisdicional nada mais era do que o processo de subsunção do fato á norma, fez com que o juiz se neutralizasse para o jogo dos interesses concretos na formação legislativa do direito. Desta forma, não interessava ao Judiciário se os interesses da sociedade eram atendidos ou não por suas decisões, o que interessava era que se aplicasse a lei. Nesta concepção, a jurisdição não era vista como um ato decorrente e aplicador da justiça, mas apenas aplicador da lei (Tércio Sampaio Ferraz Júnior). 24/08/2012 Lenir Santos 17

18 CONFLITOS ENTRE DIREITOS FUNDAMENTAIS: A ponderação de interesses tem de ser efetivada à luz das circunstâncias concretas do caso. Deve-se, primeiramente, interpretar os princípios em jogo, para verificar se há realmente colisão entre eles. Verificada a colisão, devem ser impostas restrições recíprocas aos bens jurídicos protegidos por cada princípio, de modo que cada um só sofra as limitações indispensáveis à salvaguarda do outro. A compressão a cada bem jurídico deve ser inversamente proporcional ao peso específico atribuído ao princípio que o tutela, e diretamente proporcional ao peso conferido ao princípio oposto. Nestas compressões, deve ser utilizado como parâmetro o princípio da proporcionalidade, em sua tríplice dimensão (Daniel Sarmento. Temas de Direito Constitucional. Renovar, Rio de Janeiro, 2002, p. 363/364) 24/08/2012 Lenir Santos 18

19 CONFLITOS DE DE INTERESSES ENTRE DIREITOS FUNDAMENTAIS: O direito individual e o direito coletivo em conflito em determinadas disputas judiciais: 1. Ponderação de valores e princípios. 2. Salvaguarda do núcleo essencial que é a saúde humana para todos de forma igualitária. 3. Planejamento ascendente e participativo da gestão da saúde (conselhos de saúde). 4. Lei orçamentária anual, possibilidade de suplementação, desvinculação (DRU) e EC Incorporação tecnológica e seus valores. 24/08/2012 Lenir Santos 19 O ((((

20 VALORES DA SOCIEDADE EXPRESSOS NA CARTA VALORES DA SOCIEDADE EXPRESSOS NA CARTA CONSTITUCIONAL Dignidade da pessoa humana Igualdade de atendimento Saúde, direito fundamental vinculado à vida Vinculação de receitas para a saúde (LRF: se as metas fiscais estiverem comprometidas, havendo necessidade de limitar despesas, as de saúde não sofrem restrição, pois derivam de obrigação constitucional) (9º, 2º, LC n. 101/00) e que o corte de transferencias voluntárias para a saúde não pode ser utilizado como punição a transgressões fiscais (art. 25, 3º). 24/08/2012 Lenir Santos 20

21 LEMBRAR LEMBRAR QUE QUE A A JUDICIALIZAÇÃO DA DA SAÚDE SAÚDE E AS E AS DECISÕES DECISÕES JUDICIAIS, JUDICIAIS, NA MAIORIA NA MAIORIA DAS VEZES, DAS VEZES, CONTRIBUI CONTRIBUI DE MANEIRA DE MANEIRA REFLEXA REFLEXA PARA: PARA: 1. a desorganização e desestruturação do sistema. 2. violar o princípio da igualdade. 3. atender a interesses corporativos (indústrias farmacêuticas, lobistas, advogados). 4. segmentar o setor que deve ter uma visão integral e não fracionada da saúde. 24/08/2012 Lenir Santos 21

22 5. Além de promover desarmonia entre os poderes: Judiciário fazendo as vezes do gestor, demando o como e o que fazer. Mérito administrativo, poder discricionário do administrador público. 6. O executivo tem parcela de culpa por não ter regulamentado temas essenciais à organização do sistema, como o padrão de integralidade e definição instrumental das responsabilidades dos entes federativos na rede interfederativa de saúde. 24/08/2012 Lenir Santos 22

23 PONTOS DE REFLEXÃO E E INFLEXÃO O direito à saúde é absoluto? Deve prevalecer o individual sobre o coletivo? Considerar que o direito à saúde se imbrica com o direito à qualidade de vida: garantia de oportunidades iguais; chances de melhoria da qualidade de vida, além do acesso às ações e serviços. Direito à saúde como direito a todas as tecnologias existentes? Mesmo ante tecnologias crescentes e onerosas que visam o lucro e uma população que envelhece? Direito à saúde biologizada, pautada pelo médico, sem a concorrência de outros fatores e valores e representações sociais, culturais, humanas? Consumo x direito. 24/08/2012 Lenir Santos 23

24 MUITO OBRIGADA!!!!!!!!!!!!!!!! Lenir Santos Especialista em Direito da Saúde Coordenadora do IDISA Coordenadora do Curso de Especialização em Direito Sanitário UNICAMP-IDISA Advogada em Direito da Saúde VISITE O SITE DO IDISA 24/08/2012 Lenir Santos 24

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