TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SERGIPE CURSO SOBRE SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SERGIPE CURSO SOBRE SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL"

Transcrição

1 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SERGIPE CURSO SOBRE SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL CURSO: SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL PROFESSOR: Deusimar Olinda Alves CARGA HORÁRIA: 20h 1 Ementa Análise da legislação vigente no âmbito da tributação municipal, especificamente da espécie imposto (IPTU, ITBI, ISS), à luz dos mandamentos constitucionais, do código tributário nacional, do código tributário municipal e legislação complementar. Enfoque na competência tributária municipal outorgada pela constituição federal e no exercício de tal competência na forma da legislação tributária municipal vigente. 2 Objetivos Fazer com que os participantes sejam capazes de visualizar, com clareza, a estrutura tributária municipal, partindo da sua matriz (Constituição Federa), passando pelas normas gerais e, finalmente, chegando às normas específicas., Estas, instituidoras e regulamentadoras de todas as exações tributárias outorgadas aos Municípios. 3 Conteúdo Programático: Sistema Tributário Municipal : impostos (Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana, Imposto sobre a Transmissão Inter-Vivos, a Qualquer Título, por ato Oneroso de Bens Imóveis, por Natureza ou Acessão Física, e de Direitos Reais sobre Imóveis, Exceto os de Garantia, bem como Cessão de Direitos à sua Aquisição, Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza), taxas (pelo exercício regular do poder de polícia, pela prestação do serviço público), contribuição de melhoria, contribuição cobrada dos servidores públicos para plano de previdência social e contribuição para custeio de iluminação pública. 4 Procedimentos Metodológicos Exposição de todos os temas relacionados ao conteúdo programático, incentivando o questionamento durante a exposição dos mesmos para que haja maior dinâmica e melhor aprendizagem.

2 5 Bibliografia MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional. São Paulo: Atlas, 2003 ROSA JÚNIOR, Luiz Emygdio Franco da. Manual de Direito Financeiro & Direito Trubutário. 15 ed. Rio de Janeiro: Renovar, VETARISCHI, André Luiz. Competência tributária do ISS: lei versus jurisprudência. Jus Navigandi, Teresina,a.9,n.556,14jan Disponível em: <http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=6090>. Acesso em: 15 fev HARADA, Kiyoshi. ISS e o local da prestação de serviços. Jus Navigandi, Teresina, a.6, n.52, nov Disponível em: <http: //www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=2428>.acesso em 15 fev ASHIKAGA, Carlos Eduardo Garcia Análise da Lei Complementar 116/03 -Texto de sua inteira criação de desconhecida publicação. ALVES, Deusimar Olinda Análise da Lei Complementar 116/03 Texto de sua inteira criação não publicado.

3 SUMÁRIO 1.0 INTRODUÇÃO (BREVE RELATO SOBRE O SISTEMA JURÍDICO TRIBUTÁRIO) 2.0 OS IMPOSTOS MUNICIPAIS 2.1 IPTU COMPETÊNCIA FATO GERADOR SELETIVIDADE E PROGRESSIVIDADE DE ALIQUOTA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E IMPOSTO REAL BASE DE CÁLCULO CONTRIBUINTE 2.2 ITBI COMPETÊNCIA FATO GERADOR BASE DE CÁLCULO CONTRIBUINTE ALIQUOTA IMUNIDADES MOMENTO DO FATO E VALOR VENAL SITUAÇÕES GERADORAS DE CONTROVÉRSIAS 2.3 ISSQN COMPETÊNCIA ASPECTOS HISTÓRICOS FATO GERADOR COMENTÁRIOS SOBRE A LISTA DE SERVIÇOS BASE DE CÁLCULO ALIQUOTAS MOMENTO DA INCIDÊNCIA LOCAL DA PRESTAÇÃO : LEI VERSUS JURISPRUDÊNCIA CONSIDERAÇÒES FINAIS ANÁLISE DA NOVA LEI COMPLEMENTAR N. 116/ CONCLUSÃO

4 INTRODUÇÃO Uma rápida passagem pela história nos permite afirmar que desde que o homem passou a viver em sociedade, existindo a organização política, mesmo que de forma rudimentar, passou a conhecer e suportar os problemas advindos da prestação de serviço e realização de obras de interesse público por exigência da vida em coletividade. Em decorrência das obras e serviços prestados, surgiram simultaneamente as formas e os meios adequados para a obtenção dos recursos com os quais, deveria custeá-los. Obra realizada, serviço prestado, estabelecida estava, a relação jurídica de natureza tributária. Surgindo, então a figura do Sujeito Ativo (Estado em sentido amplo) e do Sujeito Passivo (contribuinte ou responsável). Atualmente, o conceito evoluiu e temos a obrigação tributária principal ou acessória. A obrigação principal refere-se à obrigação pecuniária e a obrigação acessória, diz respeito à realização de medidas que visam facilitar a arrecadação ou a fiscalização de determinado tributo. Ao deixar de ser cumprida a obrigação acessória nasce a hipótese legal da penalidade pecuniária que ao ser exigida, constitui obrigação principal. Ao estudarmos o Direito Tributário Brasileiro percebemos a existência do sistema jurídico-tributário. Os sistemas tributários são classificados de rígidos e flexíveis. O nosso sistema é considerado rígido quanto aos impostos, porque a Constituição Federal relaciona um a um dos impostos que os entes da federação ou pessoas políticas, podem, nas esferas de competências privativas, instituir e exigir dos respectivos contribuintes. O Universo jurídico-tributário é constituído no seu ápice, pela Constituição Federal que informa os princípios ou as regras a seguir; o CTN desdobra esses princípios em normas gerais e a lei ordinária viabiliza tais princípios e regras estabelecendo detalhadamente as obrigações e os direitos dos contribuintes. Em nosso estudo, observaremos que ao Município foi outorgada a competência para instituir os impostos identificando a lei o contribuinte, apontando o fato gerador e a obrigação tributária.

5 OS TRIBUTOS MUNICIPAIS A Constituição Federal, em seu artigo 156, atribui aos Municípios a competência para a instituição de impostos: IPTU, ITBI e ISS/ISSQN. Cabe ressaltar, que as TAXAS e a CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA, na qualidade de tributo, integram o sistema tributário municipal, como também, por força da Emenda Constitucional nº 39, a contribuição para custeio da iluminação pública, além da contribuição previdenciária dos servidores públicos prevista no artigo 149 CF. Tal atribuição constitucional compreende a competência legislativa plena, ou seja, aquela para determinar a incidência dos impostos, base de cálculo, alíquota, sujeito passivo da obrigação, formas de lançamento e cobrança, assim como modos de arrecadação e fiscalização. No município de Aracaju essa competência está materializada na lei 1547/89 (Código Tributário Municipal) e suas alterações posteriores. A competência tributária não é, porém, ilimitada. A Carta Magna impõe restrições através dos princípios tributários e das imunidades, que visam a proteger valores básicos do indivíduo, como a segurança e a estabilidade das relações jurídicas, a previsibilidade da ação estatal, a liberdade e o patrimônio, a federação, a igualdade entre os Estados e os Municípios, etc. Entre os princípios limitadores do poder de tributar, o sistema constitucional inclui o da capacidade contributiva, o da legalidade, o da isonomia tributária, o da irretroatividade da lei, o da anterioridade da lei, além de outros. As imunidades, por sua vez, são exclusões constitucionais do poder de tributar. Em razão delas, os impostos municipais não incidem sobre: - o patrimônio ou os serviços da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; - as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; - os templos de qualquer culto; - o patrimônio ou os serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores e das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os seguintes requisitos: - não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou de participação no seu resultado; - aplicarem, integralmente, no país os seus recursos na manutenção dos seus

6 objetivos institucionais; manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão. IMPOSTOS MUNICIPAIS IPTU - Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana Art. 32. CTN O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município. 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal, observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público: I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II - abastecimento de água; III - sistema de esgotos sanitários; IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado. 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do parágrafo anterior. Competência O Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana é da competência dos Municípios. É assim desde a Constituição de 1934, embora não se tratasse exatamente do mesmo imposto, como adiante será explicado. Isso não quer dizer que a lei não possa estabelecer alíquotas diferentes, para imóveis edificados e imóveis não edificados. Pode, como pode também estabelecer alíquotas

7 diversas para os imóveis não edificados, em razão da respectiva localização. Realmente, quando se diz que o IPTU é um único imposto, que incide sobre a propriedade imobiliária urbana, apenas se quer dizer que o fato gerador desse imposto é a propriedade do imóvel, seja edificado ou não. Não dois impostos, um sobre terreno e outro sobre edificações. Nada impede, porém, que o IPTU seja seletivo, como adiante vamos demonstrar. Registre-se, não obstante, a existência de lei municipal que cuida de dois impostos, o imposto predial, cuja hipótese de incidência define como "a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel construído, localizado na zona urbana do Município", e o imposto territorial urbano, cuja hipótese de incidência define como "a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel não construído, localizado na zona urbana do município". Função A função do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana é tipicamente fiscal. Seu objetivo primordial é a obtenção de recursos financeiros para os Municípios. No mundo moderno, entretanto, dificilmente um imposto deixa de ter função também extrafiscal. Assim, existem formulações relativas ao imposto em estudo que pretendem atribuir a ele função extrafiscal, especialmente com o fim de desestimular vultosas imobilizações de recursos em terrenos, para fins meramente especulativos, dificultando o crescimento normal das cidades. Com esse pensamento, alguns Municípios pretenderam cobrar esse imposto mediante alíquotas progressivas, em função de terrenos pertencentes a cada contribuinte. A Constituição Federal de 1988 diz expressamente que é facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana progressivo no tempo. Essa disposição constitucional, aliás, tem ensejado o entendimento, já adotado pelo Supremo Tribunal Federal, pelo qual só é possível a progressividade desse imposto com observância das exigências na mesma colocadas, o que não nos parece razoável. Realmente, uma coisa é o imposto progressivo no tempo, como instrumento de política urbana, e outra é o imposto progressivo em razão do valor de sua base de cálculo, como instrumento de política fiscal

8 tendente à realização do princípio da capacidade econômica. Voltaremos ao assunto adiante. Âmbito constitucional e fato gerador Constituição, lei complementar e lei ordinária Não obstante a referência ao fato gerador do imposto, o dispositivo sob comentário na verdade define apenas o âmbito constitucional desse imposto. Não seu fato gerador, pois este há de ser definido na lei da entidade competente para sua instituição e cobrança. Essa norma está recepcionada pela vigente Constituição, especialmente em face do disposto em seu art. 146, inciso III, alínea a. Em nosso sistema tributário, a Constituição, a lei complementar e a lei ordinária têm cada qual um papel distinto. A Constituição atribui a competência tributária e, ao fazê-lo, define, explícita ou implicitamente, a hipótese de incidência do tributo. Em se tratando de impostos, à lei complementar cabe, além do trato de situações especificamente indicadas pela Constituição, estabelecer normas gerais especialmente sobre os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. À lei ordinária, finalmente, em princípio cabe descrever a hipótese de incidência do tributo. Hipótese que, se e quando concretizada, será o fato gerador do tributo em questão. Âmbito constitucional Nos termos do art. 156, inciso I, da Constituição Federal, os Municípios podem instituir Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. O âmbito constitucional do IPTU, portanto, é a propriedade predial e territorial urbana. O Código Tributário Nacional, a propósito de estabelecer normas gerais, com fundamento no art. 146, inciso III, alíena a, da Constituição Federal, disse que o fato gerador do IPTU é "a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município" (art. 32). Coloca-se, então, a questão de saber se é válida essa extensão, tendo-se em vista que a Constituição não fez referência ao domínio útil, nem à posse. Odmir Fernandes acolhe a explicação de Aires Fernandino Barreto e Ives Gandra da Silva Martins, segundo a qual "a Constituição não utilizou a palavra propriedade no sentido técnico, mas vulgar, permitindo assim entender a posse e o domínio útil como fato

9 gerador do imposto". Não me parece, porém, que seja esta a explicação mais adequada. Penso que a palavra propriedade está empregada na Constituição em sentido rigorosamente jurídico, e mesmo assim não vejo invalidade alguma no dispositivo do Código Tributário Nacional que se refere ao domínio útil e à posse ao descrever o âmbito constitucional do imposto em questão. Realmente, propriedade, em sentido jurídico, "é direito que a pessoa natural ou jurídica tem, dentro dos limites normativos, de usar, gozar e dispor de um bem, corpóreo ou incorpóreo, bem como de reivindicá-lo de quem injustamente o detenha". A posse, portanto, é um direito inerente ao de propriedade. É o que dispõe o novo Código Civil. Mesmo que se adote que a posse não é apenas a exterioridade do domínio, mas a exterioridade dos direitos, ainda assim não se pode esquecer que o dispositivo da Constituição, onde a palavra está posta, diz respeito à posse de imóveis. E assim, tem-se de concluir que a palavra posse, aí, é a exterioridade do domínio. Exterioridade que ao Direito Tributário é bastante para justificar o tributo, o que não quer dizer que o possuidor não se possa excluir da responsabilidade tributária apontando o proprietário, ou o titular do domínio útil, que será, um ou o outro, conforme o caso, o sujeito passivo da obrigação tributária respectiva. Sobre o tema, aliás, já escrevemos: "Falando a Constituição em propriedade, naturalmente abrangeu a posse, que nada mais é que um direito inerente à propriedade. A autorização constitucional é para tributar a propriedade, e o CTN facultou à lei ordinária tomar para fato gerador do tributo a propriedade, o domínio útil ou a posse, vale dizer, o direito pleno, total, que é a propriedade, ou um de seus elementos, o domínio útil, ou ainda a posse. Se a propriedade, com todos os seus elementos, está reunida em poder de uma pessoa, o tributo recai sobre ela. Se está fracionada, isto é, se ninguém é titular da propriedade plena, ou porque há enfiteuse, ou porque a posse está com pessoa diversa do proprietário, que é desconhecido, ou imune ao tributo, ou isento, então o tributo recai sobre o domínio útil, ou a posse." A referência, na definição do âmbito constitucional do IPTU, à propriedade, ao domínio útil ou a posse tem o sentido de permitir a definição de sua hipótese de incidência, de sorte a que reste definida esta nos casos de enfiteuse, bem como naqueles em que não existe propriedade nos termos do Direito Civil.

10 Fato gerador A definição legal do fato gerador do IPTU, que é imposto da competência dos Municípios, cabe ao legislador municipal. É a lei municipal que descreve sua hipótese de incidência tributária. A lei complementar, como assevera Pontes de Miranda, não é lei de tributação, mas lei sobre leis de tributação. O legislador municipal, ao descrever a hipótese de incidência do IPTU, pode utilizar, ou não, toda a matéria que compõe o âmbito constitucional desse imposto. Se utiliza toda a matéria, está o Município a exercer plenamente sua competência impositiva. Se utiliza apenas parte daquela matéria, deixa de exercitar parcela de sua competência, mas essa parcela de competência não utilizada não pode ser a1cançada por tributo outro de alheia competência. O Código Tributário Nacional estabelece, em obediência ao art. 146, inciso III, alínea a, da vigente Constituição, que o IPTU pode ter como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóveis por natureza, como definidos na lei civil. Evitou dúvidas. Na verdade, imóvel por natureza é um conceito do Direito Civil. Segundo o Direito Civil, os imóveis podem ser: (a) por natureza, definidos como tal "o solo com a sua superfície, os acessórios e adjacências naturais, compreendendo as árvores e frutos pendentes, o espaço aéreo e o subsolo"; (b) por acessão física, que compreendem "tudo quanto o homem incorporar permanentemente ao solo como a semente lançada à terra, os edifícios e construções, de modo que se não possa retirar sem destruição, modificação, fratura ou dano"; (c) por acessão intelectual, conceito que compreende "tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver, intencionalmente, empregado na sua exploração industrial, aformoseamento, ou comodidade"; e ainda, (d) por disposição de lei, que são os direitos reais sobre imóveis, as apólices da dívida pública, quando inalienáveis, e o direito à sucessão aberta. Seletividade e progressividade do IPTU Conceito e função da seletividade Seletivo é o mesmo que selecionador, aquilo que seleciona. Imposto seletivo é aquele que onera diferentemente os bens sobre os quais incide. Seleciona os bens, em razão de certos critérios. Embora na prática não se tenha uma seletividade efetivamente estabelecida em função da essencialidade dos produtos, como determina a Constituição, o Imposto sobre Produtos Industrializados é, em nosso Sistema Tributário, o melhor exemplo de imposto se-

11 letivo. Por isso, os autores geralmente a ele se referem ao cuidarem do princípio da seletividade. Com a seletividade, atribui-se ao imposto função extrafiscal. Como é sabido, os impostos podem ter função fiscal, vale dizer, função arrecadatória de recursos financeiros, e função extrafiscal, ou função de intervenção na economia. Onerando diferentemente os fatos tributáveis, o imposto exerce notável função extrafiscal. A seletividade pode prestar-se para a realização do princípio da capacidade contributiva, como acontece com o IPI, ou qualquer outro imposto sobre o consumo de bens, ou de serviços, que seja seletivo em função da essencialidade dos bens, ou dos serviços tributados. Entretanto, isso não é necessário ao conceito de seletividade, posto que seletivo é todo tributo que seleciona, onerando diferentemente objetos diferentes. A razão ou critério de discriminação é que indicará se a seletividade está sendo usada com esta, ou com aquela finalidade. Na seletividade, cuida-se de alíquotas diferentes, aplicáveis para o cálculo do imposto de imóveis diferentes, e não de alíquotas crescentes para o cálculo do imposto de um mesmo imóvel, em razão de um fator qualquer, que caracterizaria a progressividade, como a seguir será explicado. Conceito e função da progressividade Conceito de progressividade A progressividade é uma das formas de graduação do tributo. Entre as diversas classificações do tributo, existe a que leva em consideração a forma de determinação do valor deste. O tributo, nessa classificação, pode ser fixo, ou graduado, e este pode ser proporcional, progressivo e regressivo. Existem ligeiras variantes dessa classificação na doutrina dos financistas e tributaristas. Há quem prefira referir-se apenas aos impostos, classificando estes em fixos, proporcionais e progressivos, simplesmente. Há quem coloque o tributo proporcional como espécie, ao lado dos graduados, que abrangeriam apenas os progressivos e os regressivos. Em todas essas classificações, porém, é feita referência aos tributos progressivos. Existem profundas divergências a respeito dos efeitos, das vantagens ou desvantagens, entretanto, é inteiramente pacífico o entendimento a respeito do que seja a progressividade. A progressividade pode ser considerada em relação a um tributo isolado, ou em relação ao sistema tributário, em sua totalidade.

12 Alíquotas progressivas são aquelas que crescem quando cresce a base de cálculo, e regressivas são aquelas que diminuem quando cresce a base de cálculo do tributo. "Há uma relação matemática crescente, ou decrescente, conforme o vulto da coisa ou fato sujeito ao gravame fiscal." É importante notar que a progressividade verifica-se sempre em relação ao mesmo contribuinte, e ao mesmo fato tributável. Consubstancia-se pela aplicação, no cálculo do imposto a ser pago por um mesmo contribuinte, de várias alíquotas, crescentes à medida que aumenta o fato tributável, ou base de cálculo do imposto. Trata-se de conceito antigo e universal. No Brasil, juristas e financistas estão todos de acordo em torno do conceito de progressividade. Para o clássico De Plácido e Silva, a progressividade "caracteriza-se pelo aumento crescente da tarifa ou dos elementos, que servem de base à verificação do imposto, em razão do aumento da quota ou da riqueza, em que vai incidir". Rubens Gomes de Sousa assevera: "Progressivos são os impostos cuja alíquota é fixada na lei em porcentagem variável conforme o valor da matéria tributável. O imposto progressivo é na realidade um imposto proporcional, cuja proporção aumenta à medida em que aumenta o valor da matéria tributada." Sudá de Andrade, também ensina: "São progressivos os impostos quando aumentam ou decrescem segundo uma razão constante, quer aritmética, quer geométrica. Esses impostos são também conhecidos como graduados, porquanto êles se graduam, 1% de tanto a tanto, 2% de tanto a tanto, e assim por diante, numa porcentagem graduada." Alberto Deodato, preleciona: "O imposto progressivo é aquele que exige uma alíquota maior à medida em que o valor tributável é mais considerável." Igor Tenório e J. Mota Maia definem a progressividade do imposto como "Sistema adotado nos impostos de renda e de propriedade territorial rural, no qual a alíquota se eleva crescentemente, conforme o rendimento ou utilização da terra, sendo, pois, superior a uma proporção." E esclarecem: "É, pois, uma norma da qual resulta um quantum a pagar, tanto maior quanto for o montante da riqueza coletável." Em seguida reforçam esse entendimento, com a lição de Seligman, para que "os impostos são progressivos quando seu crescimento é mais do que proporcional ao incremento da propriedade ou do rendimento taxado, isto é, quanto a percentagem do tributo aumentou em proporção maior do que o

13 crescimento do valor do objeto tributado". Cláudio Martins classifica os impostos em proporcionais e progressivos, e ensina que nestes últimos "a alíquota varia progressivamente, à medida em que aumenta a base imponível". Regina Helena Costa ensina que "um imposto é progressivo quando a alíquota se eleva à medida em que aumenta a quantidade gravada". Para Ricardo Lobo Torres, "progressividade significa que o imposto deve ser cobrado por alíquotas maiores na medida em que se alargar a base de cálculo". Misabel Derzi e Sacha Calmon Navarro Coelho ensinam: "Por progressividade entende-se a majoração da alíquota à medida que cresce o valor da matéria tributável. Não é incompatível com o princípio da igualdade e da proporcionalidade. Ao contrário, é hoje aceita, e segundo relata Uckmar, da Alemanha à Áustria, da França à Itália, da Holanda à Suíça, à Noruega, à Espanha, aos Estados Unidos, ao Canadá, ao México, à Austrália, ao Japão, pode-se dizer que não existiu um estado onde no fim do século passado ou no princípio do presente, não existissem impostos com alíquotas progressivas." No estrangeiro, também não há qualquer divergência em tomo do conceito de progressividade. Em Portugal, Soares Martínez, depois de se reportar ao imposto proporcional, no qual a alíquota é invariável, ensina que "na atualidade, muitas taxas de impostos são também variáveis, geralmente progressivas, aumentando ao ritmo dos acréscimos da matéria coletável". Nuno de Sá Gomes, ilustre professor da Faculdade de Direito de Lisboa, também ensina que o imposto é progressivo "quando a taxa se eleva à medida em que aumenta a matéria colectável". Sousa Franco, na mesma linha, assevera que nos impostos progressivos, o sacrifício é tanto mais elevado em termos percentuais quanto maior é o rendimento disponível. E destaca a origem da progressividade, esclarecendo: "Esta forma de tributação apareceu ligada a intenções sociais de maior igualdade e, apesar de se encontrar hoje perfeitamente enquadrada em sistemas econômicos capitalistas, convirá recordar a ênfase que lhe é dada no 'Manifesto do Partido Comunista' de Karl Marx e Friedrich Engels." Função da progressividade A progressividade, como conceituada pela maioria dos financistas, tem por função

14 essencial a realização adequada do princípio da capacidade contributiva, expressão eloqüente da justiça em matéria tributária. Diz-se também que a progressividade, quando aplicada aos impostos imobiliários, tem a função de evitar a concentração da riqueza imobiliária. Seja como for, a idéia predominante é a de que a progressividade dos impostos realiza o princípio da justiça tributária e serve como instrumento de desconcentração da riqueza. O imposto progressivo tem sido, por isso mesmo, preconizado tanto pelos socialistas, que pretendem a mudança completa do sistema econômico, como pelos que defendem uma reforma social sem mudança do sistema econômico, como registra Schmölders. Entende-se que à medida que a base tributável aumenta, seja ela o patrimônio ou a renda, a capacidade contributiva cresce mais do que proporcionalmente ao crescimento da riqueza tributável, em virtude do que os economistas geralmente denominam de utilidade marginal da renda, ou da riqueza. A progressividade, porém, pode ter outras funções, desde que estabelecida em razão de outros parâmetros que não o crescimento da base tributável. É o que acontece, por exemplo, com a progressividade em razão do tempo, preconizada como instrumento para desestimular a permanência de imóveis em desacordo com os planos de urbanização das cidades. Assim é que a Constituição Federal de 1988 diz que o IPTU poderá ser progressivo no tempo. Nesse caso, para compelir os proprietários de imóveis a aderirem às diretrizes do Plano de Urbanização da cidade. Progressividade que constitui tratamento excepcional em nosso sistema jurídico, onde o tributo, por definição, não constitui sanção de ato ilícito. É razoável, porém, sustentar-se que a progressividade do IPTU no tempo, como autorizada pela Constituição Federal, não tem natureza penal. Ela daria ao tributo uma função extrafiscal proibitiva, que o aproxima da penalidade para efeitos práticos, mas com ela no plano teórico não se confunde. A distinção essencial entre uma coisa e a outra reside na licitude, ou ilicitude, do comportamento do proprietário do imóvel tributado. Se o Plano Diretor da cidade proíbe a permanência do imóvel em determinadas condições, e essa proibição não é obedecida, pode-se cogitar de penalidade. Pode, porém, o Plano Diretor não estabelecer proibição nenhuma, limitando-se a apontar certas diretrizes, e se o imóvel nelas não se enquadrar pode haver um imposto maior sem que se configure como penalidade.

15 Progressividade e imposto real O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a progressividade do IPTU fundada no art. 156 da Constituição Federal, adotando a tese do Ministro Moreira Alves segundo a qual não se pode admitir a progressividade nos impostos reais, tese que certamente se liga à formação daquele eminente magistrado, sabidamente um romanista. Melhor nos parece a tese adotada pelo Ministro Carlos Velloso, em seu voto (vencido) proferido no Recurso Extraordinário nº SP, no qual demonstrou, com judiciosos argumentos, a validade das alíquotas progressivas para o IPTU. Seja corno for, importante é observarmos que o Supremo Tribunal Federal concluiu ser inadmissível a progressividade do IPTU especialmente por considerá-lo um imposto real. Imposto que, por isso mesmo, leva em conta as características da coisa, ou objeto tributado, e não as características ou condições do contribuinte, sujeito da relação de tributação. E na verdade, sendo imposto real aquele em que se considera a coisa, o objeto, e não o sujeito da relação tributária, pode-se concluir pela inadequação, para essa classe de imposto, de alíquotas progressivas, posto que estas implicam disciplina diversa em razão do sujeito da relação de tributação, buscando realizar o princípio da capacidade contributiva. Com a Emenda Constitucional nº 29, de , que alterou o 1º, do art. 156, da Constituição Federal, o Congresso Nacional procurou superar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, mas já há quem esteja sustentando que não o conseguiu. Progressividade do IPTU e EC 29/2000 Normas da Constituição interpretadas pelo Supremo Tribunal Federal A Constituição Federal autorizava o IPTU progressivo em dois de seus dispositivos. O 1º, do art. 156, da Constituição Federal, estabelecia que esse imposto "poderá ser progressivo, nos termos de lei municipal, de forma a assegurar o cumprimento da função social da propriedade", e o art. 182, 4º, inciso II, estabelece que é facultado ao Poder Público municipal instituir o IPTU progressivo no tempo como forma de desestimular nos proprietários de imóveis urbanos as inobservâncias dos planos de urbanização municipais. Para a progressividade no tempo se fazia necessária lei federal. Para a progressividade em função do valor do imóvel, todavia, muitos entendiam ser bastante a lei municipal que teria fundamento no art. 156 da Constituição Federal. O Supremo Tribunal

16 Federal, todavia, considerou inconstitucionais leis municipais que estabeleceram alíquotas progressivas para o IPTU em razão do valor dos imóveis. Entendeu que a progressividade autorizada seria apenas aquela destinada a realizar a função social da propriedade, a ser estabelecida, portanto, nos termos do art. 182, 4º, inciso II, da Constituição, que não podia àquela época ser efetivada à míngua da necessária lei federal regulando o assunto. E ainda, que o IPTU progressivo como forma de realização do princípio da capacidade contributiva não seria admissível por se tratar de um imposto real. Penso que essa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ficou superada, porque a Emenda Constitucional nº 29, de , alterou o 1º do art. 156, da Constituição Federal, dando-lhe a seguinte redação: " 1º Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art. 182, 4º, inciso li, o imposto previsto no inciso I poderá: I - ser progressivo em razão do valor do imóvel; e II - ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel." Não obstante, há quem entenda que mesmo depois dessa Emenda Constitucional continua sendo inadmissível o IPTU progressivo, tese consubstanciada já em alguns julgados e sustentada por tributarista de grande envergadura, o que toma interessante a análise do tema que me parecia não comportar mais divergências. Inconstitucionalidade da Emenda 29 Realmente, alguns juízes já deferiram medidas liminares contra a exigência do IPTU progressivo, não obstante a autorização expressa da Constituição Federa1. Sustenta-se que a Emenda Constitucional nº 29/2000 é inconstitucional, por contrariar cláusula pétrea. E no plano doutrinário Aires Barreto, professor e tributarista dos mais conceituados, sustenta que: "Ao promulgar a Emenda, o Congresso Nacional detinha apenas o poder constituinte derivado que, de um lado, lhe faculta a introdução de emendas à Constituição, mas, de outro, impõe-lhe manter íntegra a área constituída por cláusulas pétreas. Dentre estas estão, sem dúvida, as que garantem aos contribuintes o direito de só serem submetidos à progressividade, em face de impostos pessoais (art. 145, 1º)." Segundo Barreto, a EC 29/2000 "não apenas tende a abolir, como, de fato, aniquila, suprime, destrói, anula a restrição posta pelo princípio de que progressivos só

17 podem ser impostos pessoais". A progressividade seria instrumento de realização do princípio da capacidade contributiva, e a não-aplicação desse princípio aos impostos reais seria cláusula pétrea. A tese, não obstante seja respeitabilíssimo o seu autor, é inconsistente, porque: (a) não existe na Constituição Federal de 1988 qualquer vedação ao emprego do princípio da capacidade contributiva em relação aos impostos reais, mas, muito pelo contrário, nela existe norma expressa que o preconiza; (b) se existisse tal vedação, ela não consubstanciaria cláusula pétrea, porque não constituiria um direito fundamental, mais uma redobrada e flagrante injustiça; (c) a progressividade, embora seja instrumento de realização do princípio da capacidade contributiva, pode ser utilizada também com a finalidade de desestimular a concentração da propriedade imobiliária, que é função diversa da realizada pelo princípio da capacidade contributiva. Aires Barreto sustenta, ainda, que o IPTU progressivo em razão do valor do imóvel fere o princípio da isonomia, pois coloca em situação privilegiada o proprietário de vários imóveis de pequeno valor cada um, em detrimento do proprietário de um único imóvel de valor mais expressivo. No final deste estudo, demonstraremos por que também esse argumento não é consistente. Capacidade contributiva e imposto real Na verdade, não existe na Constituição Federal de 1988 qualquer vedação ao emprego do princípio da capacidade contributiva em relação aos impostos reais, mas, muito pelo contrário, nela existe norma expressa que o preconiza, como se vai a seguir demonstrar. Primeiro, note-se que o 1 do art. 145 não veda de modo nenhum a realização do princípio da capacidade contributiva relativamente aos impostos reais. É certo que preconiza tenham os impostos, sempre que possível, caráter pessoal e sejam graduados em função da capacidade econômica do contribuinte. Isso, porém, não quer dizer que só os impostos de caráter pessoal sejam instrumentos de realização do princípio da capacidade econômica, ou contributiva. À primeira vista, pode parecer que os impostos reais não se prestam para a realização do princípio da capacidade contributiva. Na verdade, porém, assim não é. "No dilema entre a justiça e a produtividade, o legislador contemporâneo inclina-se para soluções transacionais, introduzindo certa dose de personalização em impostos outrora havidos como

18 de natureza real". Por isso mesmo, não nos parece razoável afirmar que o princípio da capacidade contributiva é próprio dos impostos diretos, de caráter pessoal, e não dos indiretos. Certamente que é problemática a personalização dos impostos sobre gastos. Não obstante, sempre é possível, introduzir alguns elementos de personalização nesses impostos, isentando os produtos destinados ao atendimento das necessidades mais primárias, considerados o mínimo vital, e estabelecendo discriminações segundo o caráter mais ou menos suntuário do consumo. Com efeito, a Constituição determina que o IPI seja seletivo em função da essencialidade dos produtos (art. 153, 3º, inciso I), e que o ICMS poderá ser seletivo em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços (art. 155, 2º, inciso III). O ser seletivo em função da essencialidade dos produtos, que a Constituição impõe ao IPI, ou da essencialidade das mercadorias e dos serviços, que a Constituição faculta ao ICMS, é realizar, de certo modo, o princípio da capacidade contributiva. Na verdade, existem certos produtos, mercadorias e serviços, cujo consumo constitui verdadeira demonstração de capacidade contributiva. Automóveis de luxo, sofisticados aparelhos eletrodomésticos, iates, jóias, casacos de peles, bebidas importadas, bem como a comunicação mediante aparelhos sofisticados, evidenciam por seu uso, ou consumo, elevada capacidade contributiva. "A natureza da mercadoria vale presunção do seu destino a pessoas de hábitos requintados, largas posses ou que dispõem de recursos outros além dos estritamente necessários à satisfação das necessidades fundamentais." É certo que eventualmente uma pessoa não dotada de capacidade contributiva muito elevada pode utilizar, ou consumir, um daqueles bens, ou serviços, ou pode fazê-lo em proporções maiores do que alguma outra pessoa, avarenta, dotada de capacidade contributiva muito mais elevada. Tal ocorrência, porém, se bem que possível, constitui exceção que de modo nenhum compromete a regra geral, segundo a qual o uso ou consumo de certos bens, ou serviços, presta-se como excelente índice da capacidade contributiva. Aliás, o consumo tem sido apontado como "um genuíno rival da renda pessoal como índice de capacidade contributiva e como base para o lançamento de impostos progressivos". Entendemos que não apenas a natureza de certos produtos, mercadorias e serviços presta-se para demonstrar capacidade contributiva, como também, muitas vezes, o local, o ambiente, as circunstâncias em que ocorre o consumo, ou o uso, do produto, mercadoria ou serviço. Daí sustentarmos a conveniência da instituição de um imposto que tenha como elemento essencial de sua hipótese de incidência o caráter suntuário do consumo, ou uso, do

19 bem ou do serviço. Quem se hospeda, ou almoça, ou simplesmente consome uma cerveja, ou mesmo um refrigerante, em um hotel cinco estrelas, seguramente está demonstrando que tem capacidade econômica bastante acima da capacidade econômica média dos brasileiros. É justo que as pessoas tenham a liberdade de desfrutar os bens materiais de que podem dispor, porque são ricas. Essa liberdade o Estado deve assegurar. É justo, entretanto, que paguem por isso, contribuindo para a manutenção dos serviços públicos que o Estado deve prestar, especialmente em favor dos mais carentes. Não se deve, portanto, afastar dos impostos ditos reais o princípio da capacidade contributiva. Pelo contrário, tal princípio deve ser aplicado intensamente em relação a eles. As alíquotas do IPI, por exemplo, estão a merecer uma profunda reformulação, de sorte a que se cumpra mais rigorosamente o preceito constitucional que ordena seja ele seletivo em função da essencialidade do produto. Também as alíquotas do ICMS devem ser mais acentuadamente seletivas em função da essencialidade das mercadorias e serviços tributados. É importante que se esclareça, porém, que o fato de ser utilizado um imposto, como o IPI, para a realização do princípio da capacidade contributiva, como se colocou anteriormente, não confere a esse imposto um caráter pessoal. Por maior que seja seu grau de seletividade em função da essencialidade do produto, segue sendo ele tipicamente um imposto real. Pela mesma razão, o fato de ter um imposto caráter pessoal não significa que esse imposto realiza o princípio da capacidade contributiva. Imposto de caráter pessoal, repita-se, é aquele cujo valor é determinado tendo-se em consideração as condições pessoais do contribuinte, não necessariamente para o fim de verificar sua capacidade contributiva. Vedação ao princípio da capacidade contributiva como cláusula pétrea Como se acaba de demonstrar, não existe em nossa Constituição nenhuma vedação ao princípio da capacidade contributiva. Pode-se admitir que ele seria obrigatório apenas para os impostos de caráter pessoal, mas isso não pode significar seja ele proibido para os impostos de caráter real. Ainda, porém, que existisse essa tal vedação, ela não poderia configurar uma cláusula pétrea, porque não constituiria um direito fundamental, mas uma redobrada e flagrante injustiça.

20 Realmente, justo é que todos contribuam para o custeio das despesas públicas na medida da capacidade econômica de cada um. Não importa que os impostos preferidos pelo Estado sejam reais, ou pessoais. Assim, não é razoável admitir-se a inserção, no texto de uma Constituição, seja a nossa, seja a de qualquer país civilizado, de um tal princípio vedando a utilização de técnicas que realizem o princípio da capacidade contributiva relativamente aos impostos reais. Entretanto, se um tal princípio pudesse ser admitido, ele jamais poderia ser tido como um direito fundamental, pois seria sempre um princípio injusto. Seria sempre um princípio excepcional, em permanente conflito com o princípio universal de justiça. É certo que, como já tivemos oportunidade de observar, melhor teria sido que a Emenda Constitucional 29 tivesse permitido "a progressividade do IPTU em relação ao valor total dos imóveis de um mesmo contribuinte, pois assim seria mais eficaz esse imposto como instrumento para o combate da concentração da riqueza imobiliária". De todo modo, a injustiça decorrente do fato de ser a progressividade em razão apenas do valor do imóvel, e não em razão do patrimônio imobiliário de cada contribuinte, é uma injustiça menor, ou apenas aparente. Quem possui imóvel único de elevado valor geralmente é mais rico do que quem possui muitos imóveis, cada um deles de pequeno valor, e as exceções porventura existentes de nenhum modo invalidam a aplicação do princípio em função da regra geral. Por outro lado, como adiante vamos demonstrar, a propriedade de vários imóveis, cada um de pequeno valor, geralmente é instrumento de atividade econômica na qual se realiza a repercussão tributária, de sorte que nem mesmo em tais casos se pode falar de discriminação injusta. Progressividade e concentração da propriedade imobiliária Ressalte-se que a progressividade do IPTU não tem como escopo único a realização do princípio da capacidade contributiva. Embora seja excelente instrumento de realização desse princípio, a progressividade presta-se também para desestimular a concentração da propriedade imobiliária, que é função diversa da realizada pelo princípio da capacidade contributiva. Aparente conflito com o princípio da isonomia Um argumento também utilizado pelo Mestre Aires Barreto consiste em que o IPTU progressivo, em razão do valor do imóvel, fere o princípio da isonomia, pois não

UNIDADE V Tributação sobre a propriedade. 1. Imposto sobre a propriedade territorial rural. 1.1. Legislação. 1.1.1. Constituição (art.

UNIDADE V Tributação sobre a propriedade. 1. Imposto sobre a propriedade territorial rural. 1.1. Legislação. 1.1.1. Constituição (art. UNIDADE V Tributação sobre a propriedade 1. Imposto sobre a propriedade territorial rural 1.1. Legislação 1.1.1. Constituição (art. 153, inciso VI) 1.1.2. Lei n. 9.393, de 1996 1.1.3. Decreto n. 4.382,

Leia mais

CURSO SOBRE TRIBUTAÇÃO MUNICIPAL PANORAMA DO SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL

CURSO SOBRE TRIBUTAÇÃO MUNICIPAL PANORAMA DO SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL CURSO SOBRE TRIBUTAÇÃO MUNICIPAL PANORAMA DO SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL FUNÇÃO DOS TRIBUTOS FUNÇÃO FISCAL OU ARRECADATÓRIA; FUNÇÃO EXTRAFISCAL OU REGULATÓRIA NECESSIDADE ARRECADATÓRIA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS

Leia mais

Unidade II. A afirmação pode ser comprovada da leitura do dispositivo transcrito:

Unidade II. A afirmação pode ser comprovada da leitura do dispositivo transcrito: Unidade II 4 IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS A Constituição Federal proíbe a instituição de impostos sobre certas pessoas ou situações. Baleeiro (1976, p. 87) ensina que imunidades tributárias são: vedações absolutas

Leia mais

CONSTITUIÇÃO DE 1988 ART. 156. COMPETE AOS MUNICÍPIOS INSTITUIR IMPOSTO SOBRE: I- PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA

CONSTITUIÇÃO DE 1988 ART. 156. COMPETE AOS MUNICÍPIOS INSTITUIR IMPOSTO SOBRE: I- PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA ART. 32. O IMPOSTO, DE COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS, SOBRE A PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA TEM COMO FATO GERADOR A PROPRIEDADE, O DOMÍNIO

Leia mais

Unidade I DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES. Prof. Luís Fernando Xavier Soares de Mello

Unidade I DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES. Prof. Luís Fernando Xavier Soares de Mello Unidade I DIREITO NAS ORGANIZAÇÕES Prof. Luís Fernando Xavier Soares de Mello Direito nas organizações Promover uma visão jurídica global do Sistema Tributário Nacional, contribuindo para a formação do

Leia mais

Institui a chamada isonomia horizontal para que as pessoas que estejam na mesma situação, sejam tratadas de forma similar.

Institui a chamada isonomia horizontal para que as pessoas que estejam na mesma situação, sejam tratadas de forma similar. Princípio da Isonomia Tributária Primeiramente, cabe demarcar toda a difícil compreensão do princípio isonomia no Direito, vez que a mera sintetização tratamento pela igualdade, demanda a estipulação de

Leia mais

Progressividade fiscal de imposto de natureza real Kiyoshi Harada*

Progressividade fiscal de imposto de natureza real Kiyoshi Harada* Progressividade fiscal de imposto de natureza real Kiyoshi Harada* Em inúmeros textos escritos anteriormente deixamos bem claro que a progressividade fiscal nada tem a ver com a natureza real ou pessoal

Leia mais

DIREITO FINANCEIRO JULIANA BRAGA

DIREITO FINANCEIRO JULIANA BRAGA DIREITO FINANCEIRO JULIANA BRAGA CONCEITO DE DIREITO FINANCEIRO CONCEITO DE DIREITO FINANCEIRO Ciência das Finanças: estuda o fenômeno financeiro em geral, seus aspectos econômico,social; trata-se de uma

Leia mais

Imunidade Tributária e Isenções de Impostos

Imunidade Tributária e Isenções de Impostos Imunidade Tributária e Isenções de Impostos Tomáz de Aquino Resende Procurador de Justiça Coordenador do Centro de Apoio ao Terceiro Setor de Minas Gerais Primeiro, é necessário estabelecermos a diferença

Leia mais

SOARES & FALCE ADVOGADOS

SOARES & FALCE ADVOGADOS SOARES & FALCE ADVOGADOS ASPECTOS LEGAIS DA CAPTAÇÃO DE RECURSOS VIA BAZARES E VENDA DE PRODUTOS NAS ORGANIZAÇÕES Michael Soares 03/2014 BAZAR BENEFICENTE E VENDA DE PRODUTOS NAS ORGANIZAÇÕES Quais os

Leia mais

IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO (IPTU)

IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO (IPTU) PROFESSOR ASSOCIADO PAULO AYRES BARRETO Disciplina: TRIBUTOS ESTADUAIS, MUNICIPAIS E PROCESSO TRIBUTÁRIO (DEF0516) IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO (IPTU) 05/08/2015 PERFIL CONSTITUCIONAL DO IPTU Art.

Leia mais

Maratona Fiscal ISS Direito tributário

Maratona Fiscal ISS Direito tributário Maratona Fiscal ISS Direito tributário 1. São tributos de competência municipal: (A) imposto sobre a transmissão causa mortis de bens imóveis, imposto sobre a prestação de serviço de comunicação e imposto

Leia mais

Professor Alex Sandro.

Professor Alex Sandro. 1 (OAB 2009-3 CESPE Q. 58) Considere que João e Marcos tenham deliberado pela constituição de sociedade limitada, com atuação no segmento de transporte de cargas e passageiros na América do Sul. Nessa

Leia mais

CONCEITO DE RENDA DO PONTO DE VISTA JURÍDICO-TRIBUTÁRIO, PRESSUPÕE SER RENDA;

CONCEITO DE RENDA DO PONTO DE VISTA JURÍDICO-TRIBUTÁRIO, PRESSUPÕE SER RENDA; DOS IMPOSTOS (CONTINUAÇÃO) IMPOSTO SOBRE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA ENCONTRA-SE PREVISTO NO ARTIGO 153, INCISO III, DA C.F.. CONCEITO DE RENDA DO PONTO DE VISTA JURÍDICO-TRIBUTÁRIO, PRESSUPÕE

Leia mais

ITBI - Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis Direito Tributário

ITBI - Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis Direito Tributário 1 ITBI - Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis Direito Tributário Posição histórica Também conhecido como sisa, até 1988 era da competência dos Estados. A partir da Constituição Federal de 1988, passou

Leia mais

ITBI - recepção parcial dos dispositivos do CTN Kiyoshi Harada*

ITBI - recepção parcial dos dispositivos do CTN Kiyoshi Harada* ITBI - recepção parcial dos dispositivos do CTN Kiyoshi Harada* Como se sabe, em decorrência das disputas entre Estados e Municípios na partilha de impostos, o legislador constituinte de 1988 cindiu o

Leia mais

IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO DE BENS: ITBI E ITCMD UM ESTUDO COMPARATIVO

IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO DE BENS: ITBI E ITCMD UM ESTUDO COMPARATIVO Artigo apresentado no I ENCONTRO DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS ENET promovido pelo Instituto de Direito Tributário de Londrina de 30/08 a 02/09/06 (Selecionado pela Comissão Organizadora). IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO

Leia mais

Tributos www.planetacontabil.com.br

Tributos www.planetacontabil.com.br Tributos www.planetacontabil.com.br 1 Conceitos 1.1 Art. 3º do CTN (Disposições Gerais) Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua

Leia mais

II - Fontes do Direito Tributário

II - Fontes do Direito Tributário II - Fontes do Direito Tributário 1 Fontes do Direito Tributário 1 Conceito 2 - Classificação 3 - Fontes formais 3.1 - principais 3.2 complementares 4 Doutrina e jurisprudência 2 1 - Conceito As fontes

Leia mais

Sabe or que? Porque você sempre o persegue. O Homem abre o caminho da vida com o poder da mente

Sabe or que? Porque você sempre o persegue. O Homem abre o caminho da vida com o poder da mente Alegre esperança, atrai futuro feliz. Sabe or que? Porque você sempre o persegue. O Homem abre o caminho da vida com o poder da mente Do mesmo modo que o escritor elabora o enredo de um romance. E constrói

Leia mais

Fiscal - quando seu principal objetivo é a arrecadação de recursos financeiros para o Estado.

Fiscal - quando seu principal objetivo é a arrecadação de recursos financeiros para o Estado. TRIBUTO Conceito: É toda prestação pecuniária, compulsória, em moeda ou cujo valor nela possa se exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa

Leia mais

Direito Tributário Revisão Final

Direito Tributário Revisão Final Direito Tributário Revisão Final Sergio Karkache http://sergiokarkache.blogspot.com Tributo (Conceito): Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que

Leia mais

AÇÕES DE MELHORIA NA COBRANÇA DO IPTU E DO ITBI

AÇÕES DE MELHORIA NA COBRANÇA DO IPTU E DO ITBI AÇÕES DE MELHORIA NA COBRANÇA DO IPTU E DO ITBI SEGUNDO SEMINÁRIO DE GESTÃO E ARRECADAÇÃO MUNICIPAL AMM - 2014 PROFESSOR FRANCISCO RAMOS MANGIERI PALESTRANTE DA EMPRESA TRIBUTO MUNICIPAL WWW.TRIBUTOMUNICIPAL.COM.BR

Leia mais

Remuneração de Dirigentes de Entidades Sem Fins Lucrativos

Remuneração de Dirigentes de Entidades Sem Fins Lucrativos Remuneração de Dirigentes de Entidades Sem Fins Lucrativos Tomáz de Aquino Resende Promotor de Justiça. Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Tutela de Fundações de Minas Gerais.

Leia mais

IMUNIDADES A IMPOSTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ART. 150, VI.

IMUNIDADES A IMPOSTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ART. 150, VI. ALEXANDRE PANTOJA ADVOGADO www.alexandrepantoja.adv.br http://www.linkedin.com/pub/alexandre-pantoja/52/617/abb Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,

Leia mais

REPARTIÇÃO DE RECEITA TRIBUTÁRIA

REPARTIÇÃO DE RECEITA TRIBUTÁRIA A forma de Estado adotada pela Constituição Federal é a Federação, e esta só estará legitimada se cada ente da Federação gozar de autonomia administrativa e fiscal. A CF estabelece percentuais a serem

Leia mais

constitucional dos Estados e Municípios d) supletiva da legislação dos Estados e Municípios e) concorrente com os Estados e os Municípios

constitucional dos Estados e Municípios d) supletiva da legislação dos Estados e Municípios e) concorrente com os Estados e os Municípios 01- O estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, deverá fazer-se, segundo norma contida na Constituição,

Leia mais

IMUNIDADE TRIBUTÁRIA NA VISÃO DO STF E STJ

IMUNIDADE TRIBUTÁRIA NA VISÃO DO STF E STJ IMUNIDADE TRIBUTÁRIA NA VISÃO DO STF E STJ Sequência da Palestra Tempo da Palestra: 1 hora 1ª Parte: Expositiva 2ª Parte: Perguntas e comentários FUNDAÇÕES DE APOIO LEI 8.958/94 Definição Artigo 2º INSTITUIÇÃO

Leia mais

Aula 04 IMPOSTOS FEDERAIS

Aula 04 IMPOSTOS FEDERAIS IMPOSTOS FEDERAIS 1- IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO (II) É um tributo extrafiscal, pois sua finalidade principal não é arrecadar, mas sim controlar o comércio internacional (intervenção no domínio econômico)

Leia mais

1-RELATÓRIO 2- FUNDAMENTAÇÃO PARECER: 41 / 2009

1-RELATÓRIO 2- FUNDAMENTAÇÃO PARECER: 41 / 2009 PARECER: 41 / 2009 ASSUNTO: Descabimento da exigência de nota fiscal de serviços para pagamento de valores de aluguel contratados com a Administração Pública. ENTIDADE INTERESSADA: UESPI- Universidade

Leia mais

3. (OAB/CESPE 2007.3.PR)

3. (OAB/CESPE 2007.3.PR) 1. (OAB/CESPE 2007.3) Entre as seguinte vedações, não tem exceção expressa no texto constitucional A a instituição de tributo sem lei que o estabeleça. B a majoração de tributo sem lei que o estabeleça.

Leia mais

Incidência ou não do ITBI sobre o valor do bem excedente ao do capital integralizado

Incidência ou não do ITBI sobre o valor do bem excedente ao do capital integralizado Incidência ou não do ITBI sobre o valor do bem excedente ao do capital integralizado Kiyoshi Harada* Grassa séria controvérsia doutrinária e jurisprudencial quanto à questão de saber se incide ou não o

Leia mais

OAB 140º - 1ª Fase Extensivo Final de Semana Disciplina: Direito Tributário Professor Alessandro Spilborghs Data: 10/10/2009

OAB 140º - 1ª Fase Extensivo Final de Semana Disciplina: Direito Tributário Professor Alessandro Spilborghs Data: 10/10/2009 TEMAS ABORDADOS EM AULA Aula 2: Princípios (continuação), Imunidade Tributaria. I. PRINCÍPIOS 1. Irretroatividade - Art. 150, III a CF A Lei Tributária não se aplica há fatos geradores anteriores a data

Leia mais

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1.

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1. Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA Índice 1. Anotações de Aula 1. ANOTAÇÕES DE AULA DIREITO TRIBUTARIO NO CTN Art. 155-A CTN.

Leia mais

1) Explique o conceito de tributo. Art. 3º do CTN, prestação em dinheiro, obrigação ex lege, baseada em fatos lícitos.

1) Explique o conceito de tributo. Art. 3º do CTN, prestação em dinheiro, obrigação ex lege, baseada em fatos lícitos. Chave de Correção Direito Tributário Professor: Alexandre Costa 1) Explique o conceito de tributo. Art. 3º do CTN, prestação em dinheiro, obrigação ex lege, baseada em fatos lícitos. 2) Diferencie imposto

Leia mais

COM AS ALTERAÇÕES PROCEDIDAS PELOS DECS.: 16.833 DE 29/11/1994 16.873 DE 31/12/1994

COM AS ALTERAÇÕES PROCEDIDAS PELOS DECS.: 16.833 DE 29/11/1994 16.873 DE 31/12/1994 DECRETO DE Nº 15.756/92 19 DE FEVEREIRO DE 1992 (Publicado no DOM de 20/02/92) COM AS ALTERAÇÕES PROCEDIDAS PELOS DECS.: 16.833 DE 29/11/1994 16.873 DE 31/12/1994 EMENTA: Regulamenta o Livro Quarto, Título

Leia mais

SIEEESP - SEMINÁRIO JURIDICO EDUCACIONAL. Tributação das Instituições de Ensino Particulares Perspectivas e Medidas. Wagner Eduardo Bigardi 27/05/2014

SIEEESP - SEMINÁRIO JURIDICO EDUCACIONAL. Tributação das Instituições de Ensino Particulares Perspectivas e Medidas. Wagner Eduardo Bigardi 27/05/2014 SIEEESP - SEMINÁRIO JURIDICO EDUCACIONAL Tributação das Instituições de Ensino Particulares Perspectivas e Medidas Wagner Eduardo Bigardi 27/05/2014 Sistema Tributário Nacional Conjunto de regras jurídicas

Leia mais

Trataremos nesta aula das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social

Trataremos nesta aula das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social 1.4.7.3. Contribuições do art.195 CF Trataremos nesta aula das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social (previdência, saúde e assistência social), espécies de contribuições sociais, como

Leia mais

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2011 (Complementar)

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2011 (Complementar) PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2011 (Complementar) Regulamenta o inciso VII do art. 153 da Constituição Federal, para dispor sobre a tributação de grandes fortunas O CONGRESSSO NACIONAL decreta: Art.

Leia mais

RECURSOS DIREITO TRIBUTÁRIO- ALEXANDRE LUGON PROVA 2 ATRFB (ÁREA GERAL) -DIREITO TRIBUTÁRIO

RECURSOS DIREITO TRIBUTÁRIO- ALEXANDRE LUGON PROVA 2 ATRFB (ÁREA GERAL) -DIREITO TRIBUTÁRIO RECURSOS DIREITO TRIBUTÁRIO- ALEXANDRE LUGON QUESTÃO 1 1 - Responda às perguntas abaixo e em seguida assinale a opção correta. I. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar

Leia mais

Ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição Sindical Rural. Proposta de sua extinção

Ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição Sindical Rural. Proposta de sua extinção Ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição Sindical Rural. Proposta de sua extinção Kiyoshi Harada* É pacífico na doutrina e na jurisprudência que o crédito tributário resulta do ato

Leia mais

FATO GERADOR DO ICMS NA IMPORTAÇÃO RE 540.829-SP - 11/09/2014

FATO GERADOR DO ICMS NA IMPORTAÇÃO RE 540.829-SP - 11/09/2014 FATO GERADOR DO ICMS NA IMPORTAÇÃO RE 540.829-SP - 11/09/2014 ASPECTOS HISTÓRICOS Em passado remoto, o Estado de São Paulo tentou instituir a cobrança do ICMS na importação de mercadorias e o fez por decreto.

Leia mais

Imposto. Como esse assunto foi cobrado em concurso? A ESAF/AFTE/PA considerou correto: Tem por fato gerador uma situação

Imposto. Como esse assunto foi cobrado em concurso? A ESAF/AFTE/PA considerou correto: Tem por fato gerador uma situação Imposto 1. IMPOSTO O imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte (art. 16, do CTN). Como esse assunto

Leia mais

Exceção: Art. 156, 3º, II, CF c/c LC 116/03 Vedação da incidência de ISS na exportação de serviços para o exterior.

Exceção: Art. 156, 3º, II, CF c/c LC 116/03 Vedação da incidência de ISS na exportação de serviços para o exterior. Turma e Ano: Direito Público I (2013) Matéria / Aula: Direito Tributário / Aula 12 Professor: Mauro Lopes Monitora: Carolina Meireles (continuação) 8) Princípio da vedação de isenção heterônoma Art. 151,

Leia mais

Analisaremos o tributo criado pela Lei 10.168/00 a fim de descobrir se realmente se trata de uma contribuição de intervenção no domínio econômico.

Analisaremos o tributo criado pela Lei 10.168/00 a fim de descobrir se realmente se trata de uma contribuição de intervenção no domínio econômico. &RQWULEXLomRGH,QWHUYHQomRQR'RPtQLR(FRQ{PLFR XPDDQiOLVHGD/HLQž /XFLDQD7ULQGDGH)RJDoD &DUOD'XPRQW2OLYHLUD A Lei 10.168/2000 criou uma contribuição de intervenção no domínio econômico para financiar o Programa

Leia mais

Dando prosseguimento à aula anterior, neste encontro, encerraremos o

Dando prosseguimento à aula anterior, neste encontro, encerraremos o Dando prosseguimento à aula anterior, neste encontro, encerraremos o art.195, CF, comentando os seus principais parágrafos, para fins de concurso público! Alberto Alves www.editoraferreira.com.br 1º As

Leia mais

CINTIA ESTEFANIA FERNANDES

CINTIA ESTEFANIA FERNANDES A INCIDÊNCIA E A NÃO INCIDÊNCIA FISCAL Uma perspectiva p crítica das imunidades, isenções, anistias e remissões no âmbito da tributação imobiliária. CINTIA ESTEFANIA FERNANDES 1 CONCEITO DE IMUNIDADE Norma

Leia mais

Fato gerador do ISS. Kiyoshi Harada*

Fato gerador do ISS. Kiyoshi Harada* Fato gerador do ISS Kiyoshi Harada* Este é um tema aparentemente pacífico, mas na prática vem causando muitas dúvidas. senão confusões. Façamos considerações pertinentes para melhor explicitar o aspecto

Leia mais

PLANO DE ENSINO 1- IDENTIFICAÇÃO

PLANO DE ENSINO 1- IDENTIFICAÇÃO PLANO DE ENSINO 1- IDENTIFICAÇÃO 1.1 Curso: Curso Superior de Tecnologia em Gestão Comercial 1.2 Disciplina: Legislação e Tributação Comercial 1.3 Carga Horária: 36 1.3.1 Encontros: 1.4 Período: 3º 1.5

Leia mais

CONCURSO PÚBLICO FICHA DE RESPOSTA AO RECURSO CARGO: TÉCNICO DA FAZENDA MUNICIPAL

CONCURSO PÚBLICO FICHA DE RESPOSTA AO RECURSO CARGO: TÉCNICO DA FAZENDA MUNICIPAL CARGO: TÉCNICO DA FAZENDA MUNICIPAL QUESTÃO Nº 13 Gabarito divulgado: D Mantemos o gabarito apresentado na alternativa D. A candidata indicou a alternativa correta, ou seja a alternativa D. Recurso improcedente.

Leia mais

W W W. P R O F E S S O R S A B B A G. C O M. B R

W W W. P R O F E S S O R S A B B A G. C O M. B R Os limites da Contribuição de Melhoria Autor: Hugo de Brito Machado Fonte: http://www.hugomachado.adv.br/conteudo.asp?home=1&secao=2&situacao=2&doc_id=34 Quando a Constituição, explicitamente, limitava

Leia mais

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS Prof. Dr. Silvio Aparecido Crepaldi 1 1. Introdução Princípio é a regra básica implícita ou explícita que, por sua grande generalidade, ocupa posição de destaque

Leia mais

Alguns Aspectos da Tributação das Fundações de Direito Privado

Alguns Aspectos da Tributação das Fundações de Direito Privado Alguns Aspectos da Tributação das Fundações de Direito Privado I. INTRODUÇÃO Frederico da Silveira Barbosa Advogado Como regra geral, os atributos específicos da pessoa jurídica tributada não são relevantes

Leia mais

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE- FANESE

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE- FANESE FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE- FANESE MATHEUS BRITO MEIRA GUIA DE ESTUDOS Aracaju 2013 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIREITO TRIBUTÁRIO. INTRODUÇÃO À DISCIPLINA 1 Matheus Brito Meira

Leia mais

Contribuições sociais não cumulativas Kiyoshi Harada*

Contribuições sociais não cumulativas Kiyoshi Harada* Contribuições sociais não cumulativas Kiyoshi Harada* Muito se tem discutido acerca do alcance e conteúdo da não comutatividade do PIS/COFINS e PIS/COFINS-importação. Examinemos a questão à luz do 12,

Leia mais

DIREITO TRIBUTÁRIO Técnico TRF

DIREITO TRIBUTÁRIO Técnico TRF SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL 1. Conceito de Direito Tributário 1 É ramo do Direito Público, uma vez que presente o Poder de Império do Estado na relação jurídica, prepondera o interesse da coletividade.

Leia mais

REVISÃO 1.º SEMESTRE SISTEMA CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONCEITO DE TRIBUTO

REVISÃO 1.º SEMESTRE SISTEMA CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONCEITO DE TRIBUTO REVISÃO 1.º SEMESTRE SISTEMA CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONCEITO DE TRIBUTO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1.988 ACABA POR NÃO CONCEITUAR O QUE SEJA TRIBUTO. ENTRETANTO, LEVA EM CONSIDERAÇÃO, IMPLICITAMENTE,

Leia mais

Súmario APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO SINOPSES PARA CARREIRAS FISCAIS... 11

Súmario APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO SINOPSES PARA CARREIRAS FISCAIS... 11 Súmario APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO SINOPSES PARA CARREIRAS FISCAIS... 11 CAPÍTULO I DIREITO TRIBUTÁRIO, TRIBUTO E SUAS ESPÉCIES... 13 1. Breve introdução ao Direito Tributário...13 2. Tributo...14 3. Espécies

Leia mais

O Prefeito Municipal de vitória, Capital do Estado do Espírito Santo, faço saber que a Câmara Municipal decretou e eu sanciono a seguinte lei:

O Prefeito Municipal de vitória, Capital do Estado do Espírito Santo, faço saber que a Câmara Municipal decretou e eu sanciono a seguinte lei: Lei nº 3.571/89 (com alterações das Leis 3.701/90, 4.165/94, 4.476/97e 4.735/98) Dispõe sobre o Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis Inter-Vivos e sobre a Venda a Varejo de combustíveis Líquidos e

Leia mais

Simulado Super Receita 2013 Direito Tributário Simulado Rafael Saldanha

Simulado Super Receita 2013 Direito Tributário Simulado Rafael Saldanha Simulado Super Receita 2013 Direito Tributário Simulado Rafael Saldanha 2013 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor. 01 - (ESAF/2012) Analise as proposições a seguir e

Leia mais

A inconstitucionalidade na fixação de alíquotas progressivas para o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação.

A inconstitucionalidade na fixação de alíquotas progressivas para o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação. www.apd.adv.br +55 (27) 3019-3993 A inconstitucionalidade na fixação de alíquotas progressivas para o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação. RESUMO: Atualmente muitos contribuintes realizam o

Leia mais

IRPF Imposto de Renda da. Nathália Ceia Março 2011

IRPF Imposto de Renda da. Nathália Ceia Março 2011 IRPF Imposto de Renda da Pessoa Física Nathália Ceia Março 2011 Programa Aula 1 1. Princípios Gerais 2. Fato Gerador 3. Características 4. Contribuinte e Responsável Programa Aula 2 5. Alíquotas e Formas

Leia mais

06) Precisa atender o princípio da noventena: 01) Qual ente é destituído de poder para instituir tributo?

06) Precisa atender o princípio da noventena: 01) Qual ente é destituído de poder para instituir tributo? 01) Qual ente é destituído de poder para instituir tributo? a) União b) Estado c) Território Federal d) Distrito Federal 02) Qual diploma normativo é apto para estabelecer normas gerais em matéria de legislação

Leia mais

IUS RESUMOS. Impostos Municipais - IPTU. Organizado por: Elias Daniel Batista Cardoso

IUS RESUMOS. Impostos Municipais - IPTU. Organizado por: Elias Daniel Batista Cardoso Impostos Municipais - IPTU Organizado por: Elias Daniel Batista Cardoso SUMÁRIO I. IMPOSTOS MUNICIPAIS - IPTU... 3 1. Do Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana - IPTU.... 3 1.1 Características

Leia mais

SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO E PREMISSAS

SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO E PREMISSAS SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO E PREMISSAS 1.1 Justificativa - p. 51 1.2 Objetivo - p. 53 1.3 Pressuposto metodológico e delimitação do objeto - p. 54 1.4 O fenômeno jurídico - p. 58 1.4.1 Direito e regra jurídica

Leia mais

O contribuinte do IPTU é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor, a qualquer título.

O contribuinte do IPTU é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor, a qualquer título. IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO IPTU FATO GERADOR E INCIDÊNCIA O Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou posse de todo e qualquer bem imóvel

Leia mais

GOVERNO DE RONDÔNIA SECRETARIA DE ESTADO DE FINANÇAS COORDENADORIA DA RECEITA ESTADUAL GETRI GERÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO

GOVERNO DE RONDÔNIA SECRETARIA DE ESTADO DE FINANÇAS COORDENADORIA DA RECEITA ESTADUAL GETRI GERÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO ASSUNTO: Consulta Operações personalizadas de vendas que realiza. PARECER Nº 097/06/GETRI/CRE/SEFIN SÚMULA: OPERAÇÕES DE VENDAS PERSONALIZADAS PELO SENAC-RO À EXCEÇÃO DAS VENDAS DE LIVROS, QUE GOZAM DE

Leia mais

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2012.

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2012. ;/ / -/ Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2012. Ref.: Indicação 094/2011, sobre Projeto de Lei Complementar n 116/2007 de autoria da Deputada Elcione Barbalho que "Desonera do Imposto sobre a Propriedade

Leia mais

2- Qual é o fato gerador? O fato gerador do IPTU é a propriedade predial e territorial, assim como o seu domínio útil e a posse.

2- Qual é o fato gerador? O fato gerador do IPTU é a propriedade predial e territorial, assim como o seu domínio útil e a posse. 1- O que é? O IPTU é um tributo que incide sobre a propriedade imobiliária, incluindo todos os tipos de imóveis residências, prédios comerciais e industriais, terrenos e chácaras de recreio. 2- Qual é

Leia mais

PROGRAMA DE DISCIPLINA IV - OBJETIVOS ARTEC. I Curso DIREITO. II Disciplina DIREITO E LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I (D-53) III.

PROGRAMA DE DISCIPLINA IV - OBJETIVOS ARTEC. I Curso DIREITO. II Disciplina DIREITO E LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I (D-53) III. PROGRAMA DE DISCIPLINA I Curso DIREITO II Disciplina DIREITO E LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I (D-53) III. PRÉ-Requisito DIREITO FINANCEIRO ECONOMICO (D-46) Área: Ciências Sociais Ano: 2013.1 IIII Ementa Período:

Leia mais

14. TRIBUTOS EM ESPÉCIE Impostos sobre a Transmissão ITBI e ITCMD

14. TRIBUTOS EM ESPÉCIE Impostos sobre a Transmissão ITBI e ITCMD 14. TRIBUTOS EM ESPÉCIE Impostos sobre a Transmissão ITBI e ITCMD 1 - Imposto sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD) Compete privativamente aos Estados a instituição

Leia mais

Direito Tributário Impostos de competência da União. Impostos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Direito Tributário Impostos de competência da União. Impostos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Direito Tributário Impostos de competência da União. Impostos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Sergio Karkache http://sergiokarkache.blogspot.com IMPOSTOS PRIVATIVOS DA UNIÃO Importação

Leia mais

NOTA TÉCNICA Nº 15/2013 VALOR DA TERRA NUA PARA FINS DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR.

NOTA TÉCNICA Nº 15/2013 VALOR DA TERRA NUA PARA FINS DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. NOTA TÉCNICA Nº 15/2013 Brasília, 4 de abril de 2013. ÁREA: TÍTULO: Finanças/tributação VALOR DA TERRA NUA PARA FINS DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. REFERÊNCIA: Convênio de 100% do

Leia mais

ICMS não é faturamento, portanto, não é base para Cofins

ICMS não é faturamento, portanto, não é base para Cofins Imposto negado ICMS não é faturamento, portanto, não é base para Cofins Pedro Melchior de Melo Barros Com efeito, o presente estudo cinge-se à discussão de aspectos relativos à inclusão dos valores arrecadados

Leia mais

DIREITO TRIBUTÁRIO E SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL - CESPE/UNB. Apresentação & Objetivos

DIREITO TRIBUTÁRIO E SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL - CESPE/UNB. Apresentação & Objetivos DIREITO TRIBUTÁRIO E SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL - CESPE/UNB Apresentação & Objetivos O QUE É SISTEMA TRIBUTÁRIO? A IMPORTÂNCIA DO STN PARA A FEDERAÇÃO; CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS TRIBUTÁRIOS. ATRIBUIÇÃO

Leia mais

Legislação Territorial Constituição Federal de 1988. Camila Cavichiolo Helton Douglas Kravicz Luiz Guilherme do Nascimento Rodrigues Samara Pinheiro

Legislação Territorial Constituição Federal de 1988. Camila Cavichiolo Helton Douglas Kravicz Luiz Guilherme do Nascimento Rodrigues Samara Pinheiro Legislação Territorial Constituição Federal de 1988 Camila Cavichiolo Helton Douglas Kravicz Luiz Guilherme do Nascimento Rodrigues Samara Pinheiro 01. Como a propriedade é tratada pela constituição brasileira?

Leia mais

INSTITUI IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO "INTERVIVOS" E DIREITOS A ELES RELATIVOS.

INSTITUI IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO INTERVIVOS E DIREITOS A ELES RELATIVOS. LEI Nº 1449/88 INSTITUI IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO "INTERVIVOS" E DIREITOS A ELES RELATIVOS. Eu, Paulo Alberto Duarte, Prefeito do Município de Lages, comunico a todos os habitantes deste Município, que

Leia mais

É devido o IPI na importação?

É devido o IPI na importação? É devido o IPI na importação? Kiyoshi Harada* Sumário: 1 Introdução. 2 O exame do fato gerador do IPI. 3 Interpretação do fato gerador do IPI a partir da matriz constitucional do imposto 1 Introdução Grassa

Leia mais

CAPÍTULO 1 - TRIBUTOS 1.1 CONCEITO DE TRIBUTO...16 1.2 ESPÉCIES DE TRIBUTOS...20 1.3 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA...22

CAPÍTULO 1 - TRIBUTOS 1.1 CONCEITO DE TRIBUTO...16 1.2 ESPÉCIES DE TRIBUTOS...20 1.3 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA...22 CAPÍTULO 1 - TRIBUTOS 1.1 CONCEITO DE TRIBUTO...16 1.2 ESPÉCIES DE TRIBUTOS...20 1.3 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA...22 1.3.1 CARACTERÍSTICAS DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA...25 1.3.1.1 INDELEGABILIDADE...25 1.3.1.2

Leia mais

Direito Tributário Toque 1 Competência Tributária (1)

Direito Tributário Toque 1 Competência Tributária (1) É com grande satisfação que inicio minha jornada no site da Editora Ferreira. Neste espaço, iremos abordar o Direito Tributário com um único objetivo: obter, nesta disciplina, uma ótima pontuação em qualquer

Leia mais

PREPARATÓRIO RIO EXAME DA OAB COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA RIA DIREITO TRIBUTÁRIO. RIO 2ª parte. Prof. JOSÉ HABLE www.josehable.adv.br johable@gmail.

PREPARATÓRIO RIO EXAME DA OAB COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA RIA DIREITO TRIBUTÁRIO. RIO 2ª parte. Prof. JOSÉ HABLE www.josehable.adv.br johable@gmail. PREPARATÓRIO RIO EXAME DA OAB DIREITO TRIBUTÁRIO RIO 2ª parte COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA RIA Prof. JOSÉ HABLE www.josehable.adv.br johable@gmail.com SISTEMA TRIBUTÁRIO RIO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 2. Competência

Leia mais

TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS PELO PIS/COFINS DECRETO 8.426/20015

TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS PELO PIS/COFINS DECRETO 8.426/20015 TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS PELO PIS/COFINS DECRETO 8.426/20015 Pela importância da matéria, tomamos a liberdade de lhe enviar o presente boletim extraordinário (maio de 2015). 1. INTRODUÇÃO O STJ

Leia mais

www.direitofacil.com f ÅâÄtwÉ W Üx àé gü uâàöü É @ `öüv t cxä áátü

www.direitofacil.com f ÅâÄtwÉ W Üx àé gü uâàöü É @ `öüv t cxä áátü TRIBUTÁRIO 02 QUESTÕES DE CONCURSO 01 - (TTN/97 ESAF) O Distrito Federal pode instituir a) impostos, taxas e empréstimos compulsórios b) imposto sobre serviços de qualquer natureza; taxas, em razão do

Leia mais

CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS OU PARAFISCAIS (Art.149 c/c 195, CF)

CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS OU PARAFISCAIS (Art.149 c/c 195, CF) CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS OU PARAFISCAIS (Art.149 c/c 195, CF) Prof. Alberto Alves www.editoraferreira.com.br O art. 149, caput, da Lei Maior prescreve a possibilidade de a União instituir Contribuições

Leia mais

Adequações do estatuto social.

Adequações do estatuto social. Adequações do estatuto social. Este trabalho objetiva orientar a adequação compulsória do estatuto social para postulação de incentivos fiscais ao esporte para formação de atletas olímpicos e paraolímpicos,

Leia mais

DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO

DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Art. 175 ao Art. 182 CTN Centro de Ensino Superior do Amapá Direito Financeiro e Tributário II Professora: Ilza Facundes Macapá-AP, 2013.1

Leia mais

Sujeição passiva e responsabilidade tributária

Sujeição passiva e responsabilidade tributária Sujeição passiva e responsabilidade tributária O art. 121 do Código Tributário Nacional trata da sujeição passiva. Diz o artigo: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao

Leia mais

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR Progressividade Fiscal do IPTU Kiyoshi Harada* Sumário: 1 Natureza e fato gerador do IPTU. 2 Modalidades de progressividade do IPTU. 3 Progressividade fiscal do IPTU. 3.1 Progressividade antes da EC nº

Leia mais

Evolução do fenômeno da tributação

Evolução do fenômeno da tributação Evolução do fenômeno da tributação COM A GRADATIVA EVOLUÇÃO DAS DESPESAS PÚBLICAS, PARA ATENDER ÀS MAIS DIVERSAS NECESSIDADES COLETIVAS, TORNOU-SE IMPRESCINDÍVEL AO ESTADO LANÇAR MÃO DE UMA FONTE REGULAR

Leia mais

ESTADO DE SÃO PAULO - BRASIL INCENTIVO FISCAL. Lei Complementar 405/07

ESTADO DE SÃO PAULO - BRASIL INCENTIVO FISCAL. Lei Complementar 405/07 INCENTIVO FISCAL Lei Complementar 405/07 REQUISITOS EXIGIDOS PARA OBTENÇÃO E CONCESSÃO DO BENEFÍCIO Do beneficiário: Regularidade fiscal no âmbito municipal da empresa e dos sócios; Quitação integral de

Leia mais

ITR COMPETÊNCIA FEDERAL X CAPACIDADE MUNICIPAL. Irapuã Beltrão

ITR COMPETÊNCIA FEDERAL X CAPACIDADE MUNICIPAL. Irapuã Beltrão ITR COMPETÊNCIA FEDERAL X CAPACIDADE MUNICIPAL Irapuã Beltrão As primeiras lições dos ramos de Direito Público, seja no Direito Constitucional como no Direito Administrativo e Tributário, encaminham o

Leia mais

Competência Tributária.

Competência Tributária. Competência Tributária. PONTO 1 RESUMO FUNDAMENTAL 1. A competência tributária é o poder conferido à União, aos Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir tributos por meio do processo

Leia mais

Prof. Dr. Silvio Aparecido Crepaldi www.professorcrepaldi.pro.br Página 1

Prof. Dr. Silvio Aparecido Crepaldi www.professorcrepaldi.pro.br Página 1 Questões de múltipla escolha IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS 01) O instituto da imunidade tributária implica: A. dispensa do cumprimento da obrigação tributária; B. vedação ao poder de tributar; C. desconstituição

Leia mais

1º SIMULADO DO SABBAG

1º SIMULADO DO SABBAG 1º SIMULADO DO SABBAG TURMA DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL Caros Alunos do Curso DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL: este é o primeiro simulado do nosso projeto de estudo. Ele versa sobre os princípios tributários

Leia mais

IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS

IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS (Revista do CIEE/Nacional Agosto/2014) Considerações Iniciais Em nosso ordenamento jurídico a competência tributária é definida pela Constituição. Os entes tributantes (União, Estados,

Leia mais

Direito Tributário Toque 5 Questões FCC Parte 2

Direito Tributário Toque 5 Questões FCC Parte 2 Olá pessoal! Dando continuidade à análise do estilo Fundação Carlos Chagas (FCC) em questões de Direito Tributário, hoje iremos conferir como o tema Princípios Constitucionais Tributários é explorado por

Leia mais

PARECER JURÍDICO A DISCUSSÃO ACERCA DO AUMENTO ABUSIVO DO IPTU

PARECER JURÍDICO A DISCUSSÃO ACERCA DO AUMENTO ABUSIVO DO IPTU Página1 Daniel Lopes Leão Advogados Associados Brasília/DF, 2 de novembro de 2013 PARECER JURÍDICO A DISCUSSÃO ACERCA DO AUMENTO ABUSIVO DO IPTU EMENTA: ADMINISTRATIVO. TRIBUTÁRIO. AUMENTO ACIMA DO VALOR

Leia mais

DIREITO TRIBUTÁRIO Parte II. Manaus, abril de 2013 Jorge de Souza Bispo, Dr. 1

DIREITO TRIBUTÁRIO Parte II. Manaus, abril de 2013 Jorge de Souza Bispo, Dr. 1 DIREITO TRIBUTÁRIO Parte II Manaus, abril de 2013 Jorge de Souza Bispo, Dr. 1 TRIBUTO Definido no artigo 3º do CTN como sendo toda prestação pecuniária compulsória (obrigatória), em moeda ou cujo valor

Leia mais

TRIBUTAÇÃO PELO IPTU: GEOINFORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO CADASTRAL

TRIBUTAÇÃO PELO IPTU: GEOINFORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO CADASTRAL TRIBUTAÇÃO PELO IPTU: GEOINFORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO CADASTRAL Lauro Marino Wollmann Agente Fiscal da Receita Municipal Secretaria da Fazenda - Porto Alegre Porto Alegre, 20 de novembro de 2014. Para exigir

Leia mais