A NOVA CONFIGURAÇÃO DOS MUSEUS COMO FORMA DE EMBASAR O PROJETO DO MUSEU ITINERANTE 1

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1 A NOVA CONFIGURAÇÃO DOS MUSEUS COMO FORMA DE EMBASAR O PROJETO DO MUSEU ITINERANTE 1 ALMEIDA, Fernanda Ghellar De 2 ; FLORES, Anelis Rolão 3 1 Referencial teórico produzido durante a realização do Trabalho Final de Graduação I do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). 2 Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. 3 Professora Orientadora: Arquiteta Mestre do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. RESUMO O presente trabalho tem como objetivo desenvolver conhecimentos necessários a fim de embasar o Trabalho Final de Graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Franciscano, cujo tema escolhido corresponde a um Museu Itinerante o qual terá uma abordagem digital sobre a questão da sustentabilidade. A ideia do projeto é possibilitar a divulgação do tema sustentabilidade para a população, através de uma interatividade de mídia digital. Assim, optou-se por desenvolver, como referencial teórico do Trabalho Final de Graduação, um panorama sobre a renovação da concepção projetual dos Museus bem como a influência dos Museus Internacionais nos novos Museus Brasileiros. Foram escolhidos quatros locais de implantação do Museu Itinerante com a finalidade de propiciar o acesso de um público abrangente em diferentes localidades da cidade de Santa Maria. Sendo assim, a seguinte pesquisa contém uma temática de fundamental relevância para o desenvolvimento do projeto arquitetônico do Museu Itinerante. Palavras-chave: museu itinerante; museus Internacionais; museus brasileiros. INTRODUÇÃO A proposta deste Trabalho Final de Graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Franciscano será criar um Museu Itinerante, com a temática sustentabilidade, o qual será apresentado à população, através de uma interatividade de mídia digital de forma a incentivar o turismo local e o progresso cultural e educacional sobre a ótica da sustentabilidade. Como o projeto não requer um terreno específico para sua implantação optou-se por estabelecer um roteiro inicial com os locais de deslocamento do módulo na cidade de Santa Maria. Dessa forma, primeiramente, o Museu será instalado na cidade de Santa Maria- RS, permanecendo vinte dias em cada local escolhido. Após efetuar o percurso no tempo determinado o Museu continuará sua trajetória em outras localidades. Os novos locais que 1

2 receberão o equipamento será definido por meio do interesse demonstrado pelo poder público ou pela iniciativa privada de uma determinada cidade, estado ou região do país. Ao analisar os locais públicos da cidade de Santa Maria, optou-se por quatro lugares distintos: o Campus da Universidade Federal de Santa Maria (fig.1), o Largo em frente à antiga VFRS (fig.2) (Viação Férrea Rio Grande do Sul), o Regimento Marechal Mallet (fig.3) (3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado "Regimento Mallet") e o núcleo central da Cohab (fig.4) (Companhia de Habitação do Estado do Rio Grande do Sul) Santa Marta, no bairro Santa Marta. 1 Campus da UFSM Arquivo Pessoal 2 Largo da antiga estação ferroviária. 3 Campo de Futebol do Regimento Marechal Mallet Arquivo Pessoal 4 Praça no Bairro Santa Marta Arquivo Pessoal Os critérios que determinaram a escolha dos locais foram a facilidade do acesso de diferentes públicos de diversos locais da cidade e também a possibilidade de atender a população com um novo meio que se move para a propagação da informação e cultura. 1. Um olhar sobre os Museus Sabe-se que os museus tradicionais primam por reunir obras, objetos e riquezas datadas, com a finalidade de retratar parte da história do acervo material aos visitantes. Essa idéia de valorização do antigo como bem valioso ainda é respeitada, todavia foram surgindo novas formas de se contar história nos museus, bem como novos conteúdos a serem tratados nesses espaços. Segundo Flávio Kiefer 1, após 1925, a arquitetura dos museus começa a tomar forma baseada nos preceitos modernistas. O primeiro projeto que pôs em prática essas 1 Arquitexto: revista do Departamento de Arquitetura e do PROPAR UFRGS. v. 1, n. 2, 2000 Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura, UFRGS, 2000.p.18. 2

3 idéias foi o Museu Sem Fim ou Museu do Crescimento Ilimitado (fig. 5) 2, em Paris, de Le Corbusier (1939). Entretanto, os debates e questionamentos a respeito dos museus tradicionais já estavam ocorrendo desde o final do século XIX, pois os arquitetos consideravam os antigos museus um lugar conservador, que abrigavam a arte oficial, e que em outras palavras, seria errado continuar insistindo em ambientes ultrapassados para as transformações sociais da época. 5 Le Corbusier, Maquete do "Museu Sem Fim", Saint Die, Paris, Revista Aquitexto do Departamento de Arquitetura e do PROPAR UFRGS. v. 1, n. 2, 2000 Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura, UFRGS, Dessa forma, é interessante também apresentar a abordagem de Roberto Segre 3, o qual aponta o final da Segunda Grande Guerra Mundial e a metade do século XX como períodos determinantes para a valorização do tema museu na arquitetura moderna. Assim, o período pós-holocausto de dor e busca pelo retorno da identidade cultural bem como o desenvolvimento da tecnologia, com os meios de comunicação como televisão, cinema e internet, fomentaram a busca pela arte como instrumento de resgate cultural e conhecimento da diversidade das civilizações e locais da Terra. Dessa maneira, os museus que anteriormente eram tradicionalmente freqüentados pelas elites sociais, passaram a ser alvo atrativo das massas urbanas. A partir dessas mudanças, a arte modifica seu propósito e aproxima-se dos objetos de consumo comprados nos shopping-centers. Pode-se então concluir que a guerra fez com que as discussões e reflexões sobre a arquitetura de museus fossem feitas tardiamente, o que retardou a construção dos novos museus. Assim, a globalização econômica, o fortalecimento das identidades nacionais, o aumento da população urbana bem como as facilidades do transporte, foram os principais fatores que contribuíram para o desenvolvimento da indústria do turismo cultural baseado 2 Segundo Le Corbusier: O princípio fundamental deste museu é a sua construção sobre pilotis, com o acesso ao nível do solo pelo próprio centro do edifício, onde se encontra a sala principal. A espiral quadrada que parte dali permite uma ruptura nas circulações, extremamente favorável à atenção que se exige dos visitantes. BOESIGER, Willy. Le Corbusier. São Paulo: Martins Fontes, p SEGRE, Roberto.Museus Brasileiros.Viana & Mosley. Rio de Janeiro, p.7. 3

4 nos atrativos históricos de cidades e monumentos. A disputa entre as capitais para entrar nesse circuito econômico acirrava-se e o tema museu tornou-se um dos principais componentes na dinâmica do circuito do turismo internacional. 4 É interessante comentar sobre a abordagem de Josep Maria Montaner 5, em seu livro O museu como organismo extraordinário. O autor expressa em poucas palavras o significado das obras de alguns dos principais arquitetos que revolucionaram a instituição museu. Entre os arquitetos citados encontra-se a obra Museu Guggenheim de Frank Lloyd Wright. Nessa obra, Montaner afirma, em outras palavras, que o Museu Guggenheim de Wright pode ser considerado o ponto de partida dos museus objetos. Estas são obras que ocorrem em contextos urbanos consolidados, onde a edificação causa um efeito de choque; assim, não buscam formas de passar despercebida do tecido urbano, e sim, almejam realçar-se. A técnica arquitetônica de Wright surpreendeu, pois o arquiteto conseguiu romper com os preceitos tradicionais da caixa estática e fechada por meio de soluções que preconizaram a evolução do modelo simétrico e exato para um novo modelo assimétrico e orgânico. Dessa forma, as decisões arquitetônicas resultaram na complexa estrutura a qual originou uma solução que denota movimento e dinâmica. A menção de Montaner 6 dessa obra como inédita e cinemática, consegue resumir e traduzir em duas palavras o museu de Wright, que se configura em espiral. Portanto pode-se concordar que com o passar dos anos, a arquitetura dos museus e a estrutura museológica e museográfica modificaram-se significativamente. Como visto anteriormente, percebe-se de acordo com o arquiteto Flávio Kiefer 7, que essa mudança iniciou no modernismo com grandes mestres, como Le Corbusier e Frank Loyd Wright, os quais propuseram a renovação do método de projetar museus por meio da sensibilidade intuitiva. Segundo Kiefer, a forma do museu modernista destaca-se por uma modificação: Uma alteração importante na forma do museu modernista vai ser a simplificação de seus espaços internos. As circulações e as salas de exposição se integram num continuum espacial. A fluidez e transparência são as marcas dos museus desse período. Fluidez e transparência que a 4 Idem, p.8. 5 MONTANER, Josep Maria. Museus para o século XXI. Gustavo Gili. Barcelona, p MONTANER, Josep Maria. Museus para o século XXI. Gustavo Gili. Barcelona, p Arquitexto: revista do Departamento de Arquitetura e do PROPAR UFRGS. v. 1, n. 2, 2000 Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura, UFRGS, 2000.p.21. 4

5 maior parte das vezes inclui também os espaços exteriores desses edifícios. 8 Dessa forma, foram propostas mudanças não somente estéticas, mas também conceituais. O programa de necessidades dos museus modernos, por exemplo, permitia mais flexibilidade dos espaços, com salas mais amplas, menos divididas, além de espaços comerciais como restaurantes e lojas juntos ao museu. Foram, também, propostos espaços bem iluminados, devido ao intenso uso de vidro, das grandes aberturas e dos jardins. Os museus eram projetados para serem usufruídos além do acervo, mas como local de encontro, convívio e prestação de serviços. A afluência maciça de visitantes implicou na necessidade de multiplicar os serviços do museu, com exposições temporárias e locais para consumo, e redundou no crescimento das áreas dedicadas à direção, à educação e conservação. Os museus contemporâneos seguiram na esteira dos protótipos do movimento moderno e de algumas realizações dos anos cinqüenta, recuperando valores tipológicos dos museus históricos; ao mesmo tempo, porém, eles realizaram uma completa transformação de sua concepção tradicional. 9 Percebe-se então que os museus da atualidade não funcionam como depósitos de obras artísticas valoradas e/ou fonte de história. Mas além, estes espaços vêm transformando-se juntamente com as necessidades e aspirações sociais, em busca de novas conformações e usos diferenciados. Corroborando com os argumentos de Ferraz 10, pode-se afirmar que os museus tornaram-se parte integrante da sociedade de forma a completá-la com excelência, no cotidiano, ao veicular a reflexão, a informação, a cultura e possibilitar o encontro, o convívio. Ainda assim, novas técnicas expositivas surgiram como forma de contar história de uma maneira diferenciada, por meio de equipamentos computadorizados, com vídeo e projeções gráficas que estabelecem uma relação interativa com o visitante, o que propiciou a mudança radical das estruturas interiores do espaço. Outro fator que incidiu na diversidade tipológica dos museus foi o surgimento de temas especializados que exigiam configurações particulares: os museus científicos, históricos, sociais, infantis, antropológicos, ou os recentes e sofisticados das empresas de automóveis. E, por último, os projetos tiveram que conter atividades anexas demandadas pelo condicionamento funcional e social dos visitantes: bar e restaurante, auditórios, biblioteca, centro de pesquisa, salões especiais para happenings 8 Arquitexto: revista do Departamento de Arquitetura e do PROPAR UFRGS. v. 1, n. 2, 2000 Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura, UFRGS, 2000.p MONTANER, Josep Maria. Museus para o século XXI. Gustavo Gili. Barcelona, p FERRAZ, Marcelo. Museus têm novos papéis na vida urbana. Folha de S. Paulo. Disponível em: Acessado em Março de

6 ou grandes exibições temporárias, loja de livros e souvenirs, áreas verdes para o descanso e o relacionamento pessoal. 11 Mediante o exposto pode-se convir com os argumentos de Roberto Segre 12 o qual observa que a classificação das tipologias dos principais museus tem como predomínio a caixa fechada e introvertida, que começou com o ziguratt invertido do Guggenheim de Frank Loyd Wright em Nova Iorque (1959) e perdurou na estrutura compacta e fragmentada do East Wing of National Gallery de I. M. Pei (1974) em Washington (fig.7), e no Centro Galego de Arte Contemporânea de Álvaro Siza (1993) em Santiago de Compostela (fig.8), na translucidez do Kunsthaus de Peter Zumthor (1997) em Braganz (fig.9); além da arquitetura de volumes apinhados do novo museu de arte contemporânea de SANAA (2007), Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, em Nova Iorque, a forma complexa e exuberante do Guggenheim de Bilbao (1997) de Frank Gehry, assim como o angustiante e dolorido Museu Judaico de Daniel Libeskind (1998) em Berlim e o Museu do Quai Branly (2006), em Paris, de Jean Nouvel. 7 East Wing of National Gallery, Washington,1974. Disponível em: Acessado em Maio de Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela, Disponível em: Acessado em Maio de Kunsthaus, Braganz, Disponível em: served.com/. Acessado em Maio de 2011 Dessa maneira, observa-se que o auge da adoção de espaços integrados, com maior fluidez, dinamismo e continuidade acontece no século XXI 13, em virtude do desenvolvimento tecnológico dos instrumentos de projetos 14. Assim, as diversas possibilidades de estruturar um projeto pelo meio digital, contribuíram e favoreceram para o desenvolvimento de projetos mais complexos. Com isso, os arquitetos passaram a agregar no seu ambiente de trabalho novas formas de trabalhar e compreender o projeto, por meio das aplicabilidades do projeto em 3D. 11 SEGRE, Roberto.Museus Brasileiros.Viana & Mosley. Rio de Janeiro, p SEGRE, Roberto.Museus Brasileiros.Viana & Mosley. Rio de Janeiro, p SEGRE, Roberto. Museus Brasileiros.Viana & Mosley. Rio de Janeiro, p Idem, ibidem. 6

7 Segre 15 expõe a reflexão sobre o surgimento das novas concepções nos projetos dos museus e afirma que Mies van der Rohe elaborou a nova proposta de adoção de um conceito de museu que se abre para o mundo, com o emprego do vidro como material que se conecta ao exterior e ambientes que se integram no interior. O desenvolvimento tecnológico dos materiais propiciou vidros de diferentes cores e texturas. A busca pela integração da edificação com o contexto, sem barreiras, como muros, por exemplo, que separe o prédio da paisagem são exemplos atuais dos novos projetos. Outro fator tratado por Segre 16 é a iluminação interior dos museus, considerada umas das principais decisões arquitetônicas. A iluminação caracteriza a organização interna do museu e influencia diretamente na percepção das obras expostas. As pesquisas mais aprofundadas a respeito de alternativas de homogeneidade atmosférica foram desenvolvidas por Renzo Piano, que projetou coberturas como elementos filtrantes que permitem utilizar ao máximo a luz natural. Exemplos do desenvolvimento da proposta de coberturas de Piano são as seguintes obras do arquiteto: Nasher Sculpture Center em Dallas (fig. 10) e na Extension of High Museum of Art em Atlanta (fig. 11) Piano, Nasher Sculpture Center, Dallas, Disponível em: Acessado em Maio de 2011 Piano, Extension of High Museum of Art, Atlanta, Disponível em: Acessado em Maio de Alguns museus dialogam com a natureza, afirma Roberto Segre, pois esses museus integram-se ao meio quando inseridos no exterior dos centros urbanos ou em grandes espaços verdes. Um projeto relevante que possui essa característica espacial de integração é a ecológica Academia de Ciências de São Francisco (2008) (fig.12) de Renzo Piano, que utiliza cobertura verde como revestimentos das grandes abóbadas, ou ondulações, que se encontram quase soterradas e denotam uma continuidade da topografia de São Francisco. 15 Idem, p SEGRE, Roberto. Museus Brasileiros.Viana & Mosley. Rio de Janeiro, p

8 12 Renzo Piano, Academia de Ciências da Califórnia, São Francisco, Disponível em: Acessado em Maio de Ao analisar a discussão percebe-se que os arquitetos da atualidade, contemporâneos, possuem uma gama de informações e liberdade projetual para propor desde uma solução voltada aos princípios tradicionais até mesmo as mais arrojadas. Dessa forma, outros fatores de relevância a se considerar são as mudanças espaciais, arquitetônicas e museológicas as quais se transformaram em um atrativo constante para pessoas do mundo todo, que anseiam por conhecer o novo. Assim, as novas formas de se contar uma história, as novas fontes de informação e os experimentos tecnológicos são alguns dos mecanismos que confundem, despertam, surpreendem e aguçam os sentidos dos visitantes. Estes se sentem desafiados pela lógica, pelo real, o concreto e mergulham no abstrato, no imaginário como forma de procurar respostas que muitas vezes não encontram, todavia os estimulam a voltar e refletir sobre as questões apresentadas naquele espaço. Os novos desenvolvimentos da tecnologia, as novas crenças, costumes, hábitos e valores têm influenciado diretamente nas transformações das cidades. O mercado de trabalho é outro campo que atua no cotidiano de forma significativa, pois exige profissionais qualificados e inovadores. Todavia não é somente no campo profissional que há essa exigência e a vontade de descobrir o novo. No cotidiano, observa-se que as pessoas buscam novas possibilidades de lazer, novas fontes culturais, novos espaços que permitam se informar, interagir e compreender o meio em que vivem. Como forma de responder a nova demanda das transformações do dia-dia e funcionar como instrumento modificador social surgem os novos museus. Isto pode ser explicado com a seguinte afirmação do arquiteto Marcelo Ferraz 17, Museu como instrumento de humanização, expansão das fronteiras do conhecimento e da poesia, um alimento do espírito; partindo do lugar-socioambiental ou físico e humano, mas sempre com uma linguagem universal e contemporânea. A comunicação é e continua sendo a chave do sucesso da conversa que se quer travar. Ainda nesta mesma entrevista Ferraz salienta que 17 Disponível em: Acessado em 30/03/2011 8

9 os museus da atualidade são indissociáveis do cenário urbano, pois, encontram-se interligados a vida humana. Ferraz afirma também que os novos museus têm se guiado pelo olhar antropológico, que é uma ferramenta de grande utilidade nos dias de hoje, em que os conflitos dos encontros são a marca da época, e as cidades, o palco principal. Além disso, cabe discursar sobre a fala do arquiteto que diz que os museus devem refletir o que acontece atualmente na vida dos cidadãos e em seus acervos ou será fadado ao fracasso e isolamento. Assim sendo, o museu atual contribui para o turismo cultural e não o predador, capitalista. Portanto, o museu tem o dever e compromisso de continuar se propondo a ser um espaço que permita a sociedade se orgulhar e ter um apreço imaterial por este bem que representa uma cultura, uma comunidade. Além disso, o museu deve possuir um atrativo significativo de forma a provocar interesse às pessoas de outras localidades, até mesmo estrangeiros. Assim, cumprindo com essas especificações, certamente o museu será um espaço inteligente e funcional, que se auto-promove. Em outras palavras, o museu por si mesmo possuirá características que o colocam em voga de forma a fomentar o desenvolvimento turístico e econômico do local em que está inserido. 2. Museus Brasileiros Apresenta-se um panorama a respeito dos museus brasileiros, a fim de compreender as decisões arquitetônicas que construíram a atual imagem da arquitetura de museus nacional bem como as influências internacionais contidas em cada obra materializada. Deve-se levar em consideração o discurso do arquiteto Roberto Segre 18 onde afirma que é perceptível a ausência de exibicionismo e grandiloqüência formal, características das principais obras internacionais, na maioria dos museus brasileiros. Conforme o arquiteto 19, os nossos museus são obras modestas, que primaram pela seriedade e detalhes que buscam aproximar-se do tema do museu bem como ser perfeitamente compreendido e aceito pelo público. Ainda de acordo com o autor, pode-se considerar que nesses museus em questão, procura-se evoluir tanto na concepção arquitetônica como na organização espacial, pois surgiram novas propostas onde existem sistemas interativos, de troca, comunicação e diálogo com o público. Além dessa superação do velho museu passivo, há uma relação madura entre o velho e o novo, assim como a obra arquitetônica insere-se no meio de maneira cuidadosa e elegante. 18 SEGRE, Roberto. Museus Brasileiros. Viana & Mosley. Rio de Janeiro, P Idem, ibidem. 9

10 No Brasil 20, a diversidade das iniciativas arquitetônicas responde as inúmeras tradições, costumes e manifestações artístico-culturais da sociedade brasileira que tem interesse em preservar as diferenças dos povos que povoaram o país. Considerável parte da arquitetura brasileira de museus adquiriu uma simplicidade formal fruto não somente da contemporaneidade estética, mas também de uma constante interação entre as tradições populares e a cultura de elite. O Brasil busca um lugar na economia e cultura do mundo globalizado bem como uma relação equilibrada com as grandes potências. CONCLUSÃO A proposta de um Museu Itinerante que percorre diferentes locais na para a cidade de Santa Maria pode ser considerado um equipamento urbano de caráter sociocultural e veiculador da temática sustentabilidade, que beneficiará as comunidades com um espaço de disseminação da cultura e respeito às diferenças, possibilitando acesso por toda a comunidade local, independente da classe social, raça ou faixa etária. Mediante isso, a presente pesquisa pretendeu criar um panorama teórico com a fim de contribuir para o projeto do Museu Itinerante. Assim, o embasamento teórico primou pela análise dos novos museus como forma de elaborar um olhar sobre o funcionamento dos espaços, bem como propor o entendimento sobre o surgimento das transformações e repercussões da nova concepção do projeto arquitetônico dos museus. Deste modo, considera-se que o equipamento deve ser projetado por meio de um estudo criterioso da forma e dos materiais a serem empregados, a fim de formar uma identidade que possibilite a identificação da proposta do Museu pelo público, bem como desperte o sentimento de apropriação do espaço público. REFERÊNCIAS Arquitexto: revista do Departamento de Arquitetura e do PROPAR UFRGS. v. 1, n. 2, 2000 Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura, UFRGS, 2000.p.18. FERRAZ, Marcelo. Museus têm novos papéis na vida urbana. Folha de S. Paulo. Disponível em: Acessado em Março de MONTANER, Josep Maria. Museus para o século XXI. Gustavo Gili. Barcelona, 2003 SEGRE, Roberto. Museus Brasileiros. Viana & Mosley. Rio de Janeiro, Endereços Eletrônicos Consultados 20 SEGRE, Roberto. Museus Brasileiros. Viana & Mosley. Rio de Janeiro, p

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