EXPOSIÇÃO. Português. Monir Shahroudy Farmanfarmaian no seu estúdio a trabalhar em Heptagon Star, Teerão, 1975

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1 Monir Shahroudy Farmanfarmaian no seu estúdio a trabalhar em Heptagon Star, Teerão, 1975 Fotografia: Cortesia da artista e The Third Line, Dubai Português EXPOSIÇÃO MONIR SHAHROUDY FARMANFARMAIAN POSSIBILIDADE INFINITA. OBRAS EM ESPELHO E DESENHOS OUT JAN 2015 INAUGURAÇÃO OFICIAL: 09 OUT 2014

2 Possibilidade infinita é a primeira exposição antológica num museu de desenhos e obras em espelho de Monir Shahroudy Farmanfarmaian. Nascida em 1924 em Qazvin, no Irão, a artista, conhecida simplesmente por Monir, reside e trabalha em Teerão, tendo vivido em Nova Iorque no pós- -guerra, entre 1945 e 1957, e, na sequência da Revolução Iraniana, entre 1979 e Embora a prática de Monir tenha abarcado também pintura figurativa, é a sua abordagem singular à abstração geométrica que há mais de 40 anos constitui o ponto fulcral da sua arte. Caracterizada por uma coerência e um arrojo assinaláveis, a sua criação artística combina conceitos objetivos de repetição e progressão com as tradições visuais, espaciais e simbólicas da arquitetura e da decoração islâmicas. As obras em exposição pertencem na sua maioria à coleção da artista, muitas sendo agora publicamente apresentadas pela primeira vez. A seleção incluiu relevos em espelho sobre gesso sobre madeira e uma série de obras geométricas em espelho de grandes dimensões que em 1977 integraram a exposição individual de Monir na Galerie Denise René de Paris e Nova Iorque. As obras deste primeiro período são apresentadas na primeira sala (1). Os relevos em espelho são notáveis pelo jogo de organização das superfícies em espelhos, pintura no verso de vidro, aço inoxidável e gesso segundo padrões estritamente geométricos, embora não unicamente de estilo islâmico. Nesta mesma sala são exibidas as chamadas bolas de espelho. Contemporâneas desses relevos, elas anunciam já a experimentação de Monir em torno das possibilidades de trabalhar espelhos em escultura. Um pequeno grupo de trabalhos que indiciam uma ambição mais monumental na obra de Monir inclui duas esculturas (uma das quais agora exposta) constituídas por peças de vidro verde quadradas, triangulares e hexagonais sobrepostas num arranjo vertical. Colocadas aproximadamente à altura do olhar num pedestal que reflete a luz, vistas de frente apresentam-se como um conjunto translúcido de geometrias justapostas cuja solidez é animada pelos contornos facetados que fazer variar a intensidade da luz que as atravessa. Vistas de perfil e em contraluz, assemelham-se a uma torre cintilante cujo pináculo central é verticalmente escorado à frente e atrás. Também nesta sala se expõe pela primeira vez uma seleção de composições abstratas sobre papel baseadas em princípios geométricos produzidas por Monir entre 1976 e Os desenhos proporcionam também uma perspetiva da criação artística de Monir nos primeiros anos do seu exílio nos Estados Unidos após a Revolução Islâmica iraniana de 1979, anos em que se viu privada do seu estúdio. Só depois de várias breves visitas ao Irão no final da década de 1990 e do seu regresso definitivo em 2004, aos 80 anos de idade, é que Monir conseguiu voltar a organizar o seu estúdio e recomeçar o seu trabalho com espelhos e estruturas geométricas. Na década que se seguiu, criaria um impressionante conjunto de esculturas (2) e desenhos (3), de formas e dimensões cada vez mais variadas, que, em termos gerais, pode ser dividido em relevos de natureza mais pictórica e relevos que encontram na geometria o seu princípio definidor. A segunda sala (2) desta exposição dá a ver alguns desses trabalhos mais recentes, reveladores do modo como os princípios compositivos dos anos 1970 foram transpostos para esculturas de maiores dimensões. Contam-se entre estes esculturas em espelho de maior volumetria baseadas no conceito das famílias geométricas produzidas na última década e as portas de vidro gravado que a artista concebeu para o seu apartamento em Nova Iorque nos anos 1980, instaladas no corredor da exposição (4). Umas e outras constituem eloquente testemunho da magnitude e da impressionante energia da visão artística de Monir.

3 Das exuberantes Muqarnas de Monir, baseadas no sistema repetitivo de nichos que marca a transição entre a cúpula e a sua base na arquitetura islâmica, é apresentado um exemplar num canto do teto desta sala. O círculo, tão presente na primeira sala e nos desenhos da primeira fase, parece materialmente ausente das ambiciosas famílias de Monir, peças de parede em espelhos progredindo num crescendo de complexidade do triângulo até ao decágono, e da sua mais recente escultura Square [Quadrado], Contudo, esta forma, que na tradição islâmica representa a leveza e o movimento da alma, está fortemente implícita no movimento de rotação a que todas as formas geométricas desta sala estão sujeitas. Poder- -se-ia evocar aqui a poesia de Rumi, poeta Sufi de renome mundial, quando afirma que a alma é o espelho do divino (ausente) ou a unidade do círculo que engloba a diversidade de todas as formas possíveis. Esta focalização histórica nas obras em espelho e nos desenhos de Monir sugere a avaliação do trabalho de alguns artistas ocidentais a partir dos anos 1960 num contexto transcultural. Monir refere como impulso inicial para as suas obras em espelho uma visita, na segunda metade da década de 1970, ao santuário de Shah Cheragh, em Shiraz, na companhia dos artistas americanos Robert Morris e Marcia Hafif, de visita a Teerão a caminho da Índia. Essa visita refletiu-se também na obra de Morris, como o atesta a sua subsequente produção de esculturas com espelhos. qual a geometria é a expressão do fluxo vital, contínuo e dinâmico que perpassa toda a existência. Ela une a dimensão mais íntima do ser humano com a mais ampla dimensão do espaço cosmológico e físico, dando estrutura às infinitas possibilidades da existências ou, por outras palavras, à liberdade. Disto é testemunho a predileção pelo hexágono revelada por Monir em determinado momento do seu percurso artístico: expressão na tradição sufi das seis direções especiais e das seis virtudes humanas, esta forma permitia- -lhe criar uma infinidade de outras formas. As portas de vidro gravado revelam, por seu turno, que na tradição islâmica a decoração, longe de um simples entretenimento engenhoso, é expressão deste omnipresente conhecimento, ativado não só num museu ou numa galeria de exposições mas também nos espaços do nosso quotidiano. Organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves e comissariada por Suzanne Cotter, diretora do Museu, a exposição viajará para o Guggenheim Museum de Nova Iorque, onde estará patente entre 13 de março e 3 de junho de Coordenação: Isabel Braga Design da exposição: Ana Maio, AM PM Architects Design de comunicação: Assessoria de Comunicação da Fundação de Serralves Estagiária de curadoria: Sofia Romualdo Texto do roteiro baseado em excertos do ensaio de Suzanne Cotter no catálogo da exposição. A natureza espacial e o modo como as esculturas de Monir ativam o espaço físico em que são instaladas e o espaço percetivo e comportamental do espectador, em sintonia com a obra de Morris e a de outros minimalistas, nomeadamente Frank Stella e Sol LeWitt, tornam-na uma participante ativa de um diálogo global na arte contemporânea. O interesse de Monir pela geometria está, porém, firmemente ancorado na cultura islâmica, em particular no sufismo, para o

4 Piso 1

5 Biografia da artista Monir Shahroudy Farmanfarmaian nasceu em 1924 na antiga cidade persa de Qazvin, no Irão. A sua infância foi passada numa casa palaciana na qual convivia diariamente com vitrais, pinturas murais e relevos com motivos florais e animais produzidos numa época áurea da cultura e da produção pictórica na Pérsia, a dinastia Safávida ( ). Em Teerão, para onde a família se mudou em 1932, frequentou em 1944 a Faculdade de Belas-Artes. Pouco depois, com a intenção de continuar a estudar arte em Paris mas impedida pela Segunda Guerra Mundial, fixou-se em Nova Iorque, onde prosseguiu os seus estudos na Cornell University em Ithaca e posteriormente na Parsons School of Design ( ) e na Art Students League. O seu círculo nova-iorquino de amigos e conhecidos incluía os artistas Louise Nevelson, Willem de Kooning, Joan Mitchell, Milton Avery, Robert Rauschenberg e Andy Warhol, este último seu colega de trabalho nos armazéns Bonwit Teller (a filha de Monir, Nima, trabalhou mais tarde com Warhol na revista Interview e organizou a viagem deste a Teerão em 1976 com o objetivo de fotografar a Rainha Farah para uma das suas famosas séries de serigrafias sobre tela). Catálogo da Exposição Por ocasião da exposição será publicado um catálogo amplamente ilustrado, com edições em português e inglês. Editado por Suzanne Cotter, diretora do Museu e curadora da exposição, a publicação inclui ensaios da autoria de Cotter, Shiva Balaghi (historiadora da cultura e professora na Brown University, Providence, Rhode Island) e Media Farzin (historiadora e crítica de arte residente em Nova Iorque) que examinam a obra de Monir no contexto histórico, cultural e político do Irão dos anos 1970 e no contexto cultural e formal europeu e norte-americano. Uma extensa cronologia situa o percurso pessoal e artístico de Monir no âmbito mais vasto dos acontecimentos históricos, sociais e culturais do seu tempo. De volta ao Irão em 1957, Monir iniciou uma série de expedições pelo país, durante as quais encontrou e começou a colecionar exemplares de artesanato tradicional no âmbito da arquitetura decorativa, dos têxteis e do trabalho em metal. Numa dessas expedições visitou o Santuário Shah Cheragh, em Shiraz, com as suas magníficas cúpulas espelhadas. Foi esta visita que impulsionou o seu trabalho com espelhos. Neste período Monir montou o seu estúdio e começou a trabalhar com artesãos locais para criar relevos e esculturas. Em 1978, alguns meses antes da eclosão da Revolução Islâmica, viajou para Nova Iorque. Regressando a Teerão somente em 2004, Monir instalou o seu estúdio atual, empregando alguns dos artesãos com quem já trabalhara na década de 1970.

6 PROGRAMA DE ATIVIDADES RELACIONADAS COM A EXPOSIÇÃO DOCUMENTÁRIO E CONVERSA 10 OUT (Sex), 18h30 Bahman Kiarostami Monir, Línguas originais: inglês e farsi Legendas em português Produção apoiada pela Fundação de Serralves Museu de Arte Contemporânea, Porto, no âmbito do projeto Serralves: The Centre of an Exclusive Cultural Network Monir é um documentário de Bahman Kiarostami sobre a vida e obra de Monir Shahroudy Farmanfarmaian. Das suas pioneiras obras geométricas com espelhos dos anos 1970, cruzando antigas formas de decoração iraniana com as experiências artísticas de artistas americanos modernistas como Barnett Newman e Frank Stella, até às violentas mudanças políticas no seu país de origem em finais dos anos 1970, o seu segundo período em Nova Iorque e o seu renascimento artístico no regresso ao Irão em 2004, o filme cobre um percurso artístico de mais de meio século. A câmara encontra, de regresso a Teerão depois de 30 anos de exílio, uma das artistas mais inovadoras e influentes do Médio Oriente que, aos 90 anos de idade, se encontra no auge da sua carreira. A projeção de Monir será seguida de uma conversa com a artista, Suzanne Cotter, Hans Ulrich Obrist e Frank Stella. Bahman Kiarostami (n. 1978), documentarista, editor cinematográfico e diretor de fotografia, vive e trabalha em Teerão. O seu primeiro documentário, Morteza Momayez: Father of Iranian Contemporary Graphic Design, data de Questionando as formas de legitimação e atribuição de valor no contexto da arte, os seus documentários evidenciam também pormenores obscuros e habitualmente ignorados que definem a cultura visual do Irão pós-revolucionário. Hans Ulrich Obrist é codiretor da Serpentine Gallery, em Londres. Através das suas entrevistas, publicadas sob o nome Conversation Series, tem contribuído para a redescoberta de figuras essenciais para a arte do século XX. Nesta conversa com Monir, em diálogo com Suzanne Cotter (Diretora do Museu de Serralves) e Frank Stella (amigo, companheiro artístico e nome fundamental na história da arte do pós-guerra), Obrist explorará a coincidência na obra de Monir da sua pertença ao circuito artístico contemporâneo e o resgate de práticas artesanais das tradições arquitetónicas e decorativas islâmicas. VISITAS GUIADAS 11 OUT (Sáb), 15h00 Visita à exposição exclusiva para Amigos de Serralves por Liliana Coutinho (Coordenadora do Serviço Educativo do Museu) 17 OUT (Sex), 19h30 Encontro na exposição com o curador Paulo Pires do Vale 29 OUT (Qua), 18h30 Encontro na exposição com Kodwo Eshun, do Otolith Group 09 JAN (Sex), 18h30 Encontro na exposição com Cláudio Torres, Diretor do Museu Arqueológico de Mértola

7 VISITAS GUIADAS À EXPOSIÇÃO ORIENTADAS POR MONITORES DO SERVIÇO EDUCATIVO 19 OUT (Dom), 12h00 13h00 por Paulo Jesus 30 NOV (Dom), 12h00 13h00 por Sónia Borges 14 DEZ (Dom), 12h00 13h00 por Paulo Jesus 04 JAN (Dom), 12h00 13h00 por Sónia Borges CURSO 17, 18, 24, 25, 31 OUT e 01 NOV Sextas-feiras, 19h00 21h00 e sábados 10h30 13h00 ABRAÇAR A SUPERFÍCIE DA ÁGUA. O ESPELHO COMO SÍMBOLO, MOTIVO E MATÉRIA DA OBRA DE ARTE Sala Multiusos Organizado pelo professor universitário, curador e ensaísta Paulo Pires do Vale, este curso, que cruza os domínios da literatura, da filosofia, da psicanálise, do cinema e da arquitetura, propõe uma arqueologia da presença e função do espelho na arte antiga e moderna, para depois se centrar no potencial reflexivo de algumas obras contemporâneas da autoria de de artistas como Alberto Carneiro, Robert Morris, Juan Muñoz, Giuseppe Penone, Michelangelo Pistoletto, Ana Vieira e Francesca Woodman, entre outros. OFICINA 15 NOV (Sáb), 15h00 18h00 GEOMETRIAS SENSÍVEIS Sala Multiusos O que escondem um quadrado, um triângulo? As formas geométricas revelam significados místicos, na cultura de Monir Shahroudy Farmanfarmaian. A partir do universo da artista, vamos criar as nossas próprias esculturas geométricas, utilizando a dobragem e a colagem. CINEMA 08 e 09 JAN 2015, 21h30 PROJEÇÃO DE FILMES IRANIANOS SELE- CIONADOS POR BAHMAN KIAROSTAMI Auditório Rokhsareh Ghaemmaghami Cyanosis, 2007, Irão, 32 Kamran Heidari My Name is Negahdar Jamali and I Make Westerns, 2012 Irão, 65 Mitra Farahani Fifi Howls From Happiness (Fifi az Khoshhali Zooze Mikeshad), 2013 Irão, 96

8 Apoio institucional Projeto Serralves: The Center of an Exclusive Cultural Network cofinanciado por Mecenas Exclusivo do Museu Seguradora Oficial: Fidelidade Companhia de Seguros, S.A. Apoio: Sugestões & Opções Catering de Eventos Fundação de Serralves / Rua D. João de Castro, Porto / / / Informações: PARQUE Entrada pelo Largo D. João III (junto da Escola Francesa)

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