VEÍCULOS EM FIM DE VIDA

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1 TEMA 7 VEÍCULOS EM FIM DE VIDA B. NÍVEL MAIS AVANÇADO De acordo com o Decreto-lei nº 196/2003, de 23 de Agosto, entende-se por veículo qualquer veículo classificado nas categorias M1 1 ou N1 2 definidas no anexo II do Decreto-Lei nº 72/2000, de 6 de Maio, tal como os veículos a motor de três rodas definidos no Decreto-Lei nº 30/2002, de 16 de Fevereiro, com exclusão dos triciclos a motor. Pelo mesmo diploma, um veículo que constitui um resíduo, na acepção da definição de resíduos adoptada na legislação em vigor, é designado por veículo em fim de vida (VFV). LEGISLAÇÃO COMUNITÁRIA Em termos europeus, a gestão de veículos em fim de vida é regulamentada pela Directiva nº 2000/53/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de Setembro. Esta directiva tem como objectivo estabelecer medidas cuja primeira prioridade é a prevenção da produção de resíduos provenientes de veículos e, além disso, a reutilização, reciclagem e outras formas de valorização dos VFV e seus componentes, de forma a reduzir a quantidade de resíduos a eliminar, bem como a melhoria do desempenho ambiental de todos os operadores económicos intervenientes durante o ciclo de vida dos veículos e, sobretudo, dos operadores directamente envolvidos no tratamento de VFV. Segundo a mesma directiva, os Estados-Membros devem assegurar que os materiais e componentes dos veículos comercializados a partir de 1 de Julho de 2003 não contenham chumbo, mercúrio, cádmio ou crómio hexavalente, excepto nos casos enunciados no Anexo II da directiva e nas condições aí especificadas. Este anexo II tem sido alterado por Decisões da Comissão publicadas posteriormente 3. 1 M1 - Veículos a motor destinados ao transporte de passageiros com oito lugares sentados, no máximo, além do lugar do condutor. 2 N1 - Veículos a motor destinados ao transporte de mercadorias, com peso máximo em carga tecnicamente admissível não superior a 3,5 t. 3 Decisão da Comissão nº 2005/673/CE, de 20 de Setembro; Decisão da Comissão nº 2005/438/CE, de 10 de Junho; Decisão da Comissão nº 2005/437/CE, de 10 de Junho (que revoga a Decisão da Comissão nº 2005/63/CE, de 24 de Janeiro) e Decisão da Comissão nº 2002/525/CE, de 27 de Junho. 1

2 A directiva anterior define objectivos de reutilização/valorização e reutilização/reciclagem a serem concretizados em 2006 e , estabelecendo, a Decisão da Comissão nº 2005/293/CE, de 1 de Abril, que os Estados-Membros devem garantir que os cálculos dos objectivos referidos tenham em consideração a valorização efectivamente obtida. Também a Decisão da Comissão nº 2003/138/CE, de 27 de Fevereiro, introduz um acréscimo ao definido na Directiva anterior, através da criação de normas de codificação de componentes e materiais para veículos. Estas normas devem ser usadas pelos produtores e fabricantes de materiais e equipamentos, com o objectivo de facilitar a identificação dos componentes e materiais passíveis de reciclagem e valorização. Relativamente à homologação de veículos a motor, no que diz respeito à sua potencial reutilização, reciclagem e valorização, foi publicada a Directiva nº 2005/64/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de Novembro 5. A partir de 15 de Dezembro de 2006, as autoridades competentes só atribuirão homologação (homologação CE) após terem comprovado que o veículo é reciclável a um nível mínimo de 85%, em massa, e valorizável a um nível mínimo de 95%, em massa. LEGISLAÇÃO NACIONAL A nível nacional, o Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto, alterado pelo Decreto- Lei nº 64/2008, de 8 de Abril, transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva nº 2000/53/CE, de 18 de Setembro, e estabelece o regime jurídico a que fica sujeita a gestão de veículos e de VFV e seus componentes e materiais. Este diploma é aplicável independentemente do modo como o veículo tenha sido mantido ou reparado e de estar equipado com componentes fornecidos pelo fabricante ou com outros componentes, como peças sobressalentes ou de substituição, cuja montagem cumpra o disposto na legislação aplicável. O Decreto-lei referido define um conjunto de normas de gestão que visa a criação de circuitos de recepção de VFV, o seu correcto transporte, armazenamento e tratamento, designadamente no que respeita à separação das substâncias perigosas neles contidas e ao posterior envio para reutilização ou reciclagem, desencorajando, sempre que possível, o recurso a formas de eliminação, tais como a sua deposição em aterro. 4 As metas previstas para 2015 foram reavaliadas pela Comissão, não sofrendo alterações (Relatório da Comissão ao Conselho e ao Parlamento Europeu sobre os objectivos constantes do n.º 2, alínea b), do artigo 7.º da Directiva nº 2000/53/CE relativa aos VFV). 5 Altera a Directiva nº 70/156/CEE do Conselho, de 6 de Fevereiro. 2

3 Em termos de objectivos de gestão, o diploma estabelece que os fabricantes ou importadores devem adoptar as medidas adequadas para que se cumpra o apresentado na Tabela 1. Tabela 1. Objectivos de gestão definidos pelo Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto (até 1 de Janeiro) 2015 (até 1 de Janeiro) A Reutilização/Valorização de todos os VFV aumentem para um mínimo de: Veículos produzidos até 1980 Veículos produzidos a partir de % 85% Todos os veículos % A Reutilização/Reciclagem de todos os VFV aumentem para um mínimo de: 70% Veículos produzidos até 1980 Veículos produzidos a partir de % - - Todos os veículos - 85% As regras gerais e o procedimento a seguir na emissão de Certificados de Destruição ou de Desmantelamento Qualificado de VFV são estabelecidos pelo Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto, alterado pelo Decreto-Lei nº 64/2008, de 8 de Abril, estando englobados todos os veículos que se encontrem no fim da vida útil, bem como os veículos abandonados e os salvados que integrem a esfera patrimonial das seguradoras. O modelo do Certificado de Destruição de VFV a emitir pelos operadores de desmantelamento é aprovado pelo Despacho n.º 9276/2004 (2ª Série), de 10 de Maio. Em 2000, foi criado um Incentivo Fiscal à destruição de automóveis ligeiros em fim de vida, pelo Decreto-Lei nº 292-A/2000, de 15 de Novembro 6, tendo este sido alterado pelo Decreto-lei n.º 33/2007, de 15 de Fevereiro. 6 O artigo 3º deste diploma foi revogado pelo Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto. 3

4 A VALORCAR A VALORCAR Sociedade de Gestão de Veículos em Fim de Vida, Lda., é a entidade gestora deste fluxo. Trata-se de uma sociedade por quotas, inicialmente constituída em 90% pela Associação de Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), em 5% pela Associação dos Industriais de Automóveis (AIMA), sendo os restantes 5% da Associação Nacional das Empresas Recuperadoras de Produtos Recicláveis (ANAREPRE). No final do ano 2007 a ACAP e a AIMA aprovaram a sua integração numa única estrutura associativa, que se designa ACAP Associação Automóvel de Portugal, a qual passou a deter 95% do capital social da VALORCAR. A VALORCAR foi licenciada em Julho de A licença foi atribuída pelos Ministérios da Economia, das Obras Públicas, Transportes e Habitação e das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente e tem uma duração de 5 anos. De acordo com a licença concedida à VALORCAR e publicada no Despacho Conjunto n.º 525/2004, de 21 de Agosto, estão englobados no seu sistema integrado todos os veículos e os VFV abrangidos pelas respectivas definições constantes do Decreto-Lei nº 196/2003. O financiamento da entidade gestora é efectuado através do pagamento de uma Prestação Financeira Anual (PFA), pelos fabricantes/importadores de veículos, com os quais a VALORCAR tem contrato. Para mais informação consultar o portal da VALORCAR: Um dos objectivos da VALORCAR é promover a constituição de uma rede nacional de Centros de Recepção ou de Centros de Desmantelamento REDE VALORCAR onde os detentores de VFV possam entregar os seus veículos gratuitamente, recebendo o respectivo Certificado de Destruição. Compete à entidade gestora estabelecer os termos e critérios de referência que lhe permitem seleccionar as empresas a integrar a REDE VALORCAR, sendo depois assinados contratos com essas empresas, onde estão definidos os direitos e deveres de ambas as partes. A VALORCAR compromete-se a apoiar a actividade dos operadores de tratamento, publicitando-os, trabalhando com vista a que os VFV produzidos no País sejam para aí canalizados, divulgando informações relacionadas com as melhores técnicas disponíveis e promovendo a investigação e o desenvolvimento (VALORCAR, 2005). Em contrapartida, as empresas da REDE VALORCAR aceitarão do último proprietário/detentor veículos vendidos sob as marcas de fabricantes/importadores aderentes ao Sistema Integrado, livre de encargos para o último proprietário/detentor e para a VALORCAR, e cumprirão todos os requisitos relacionados com a recepção e o 4

5 tratamento de VFV e com a gestão dos seus materiais e componentes (VALORCAR, 2005). Os objectivos e o faseamento da REDE VALORCAR estão definidos na legislação em vigor e apresentam-se na Tabela 2. Nesta tabela é também relacionado o número de Centros de Recepção ou Operadores de Desmantelamento e os correspondentes distritos de Portugal Continental, planeamento efectuado com base nos dados actuais. Tabela 2. Rede Nacional de Operadores (VALORCAR, 2007; Despacho Conjunto n.º 525/2004, de 21 de Agosto; Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto). Entre 1 de Abril de 2007 e 31 de Dezembro de 2009: N.º de centros de recepção ou operadores de desmantelamento Por cada circunscrição territorial distrital com: Mais de veículos ligeiros matriculados (Lisboa e Porto) Mais de veículos ligeiros matriculados Menos de veículos ligeiros matriculados No total (caso a rede fosse organizada à data do processo de licenciamento) 2 (Aveiro, Braga, Coimbra, Faro, Leiria, Santarém, Setúbal e Viseu) 1 (Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Guarda, Portalegre, Viana do Castelo e Vila Real) 30 RESULTADOS DA VALORCAR Na Figura 1 pode-se observar o número de VFV recebidos pela Rede VALORCAR no segundo semestre de 2005, anos de 2006 e A informação disponível apenas é referente ao período após Julho de 2005, quando o sistema informático de monitorização da VALORCAR ficou operacional. 5

6 Figura 1. Número de VFV recebidos na rede da VALORCAR (adaptado de VALORCAR, 2006; VALORCAR, 2007; VALORCAR, 2008a). Os VFV recebidos na REDE VALORCAR foram posteriormente despoluídos, desmantelados e fragmentados, tendo os seus diversos componentes e materiais sido enviados separadamente para reutilização, reciclagem, valorização energética ou eliminação, dando-se prioridade às opções de valorização. No segundo semestre de 2005, os metais foram o material mais reciclado/valorizado, seguido dos pneus, das baterias, dos vidros e dos óleos (vide resultados na Tabela 3). No ano de 2006 verificaram-se aumentos no número de veículos processados, VFV, e consequentemente nas quantidades de materiais reutilizados e valorizados. Os metais mantiveram-se como o componente mais reciclado/valorizado. No entanto, o número de VFV recebidos ficou aquém do expectável, correspondendo apenas a cerca de 25% da capacidade de desmantelamento instalada. Este facto deveu-se a uma percentagem considerável de VFV que não foi entregue na REDE VALORCAR, sendo muitos veículos abandonados na via pública e muitos outros entregues a operadores não legais. Neste contexto, tem-se a referir da obrigatoriedade legal do cancelamento da matrícula de um VFV sendo para o efeito necessário entregar à Direcção-Geral de Viação um Certificado de Destruição emitido por um Centro de Desmantelamento autorizado. Durante o ano de 2007 os operadores da REDE VALORCAR receberam um total de VFV, o que corresponde a um aumento de 124% face ao ano de Os VFV recebidos, tendo sido despoluídos, desmantelados e fragmentados, originaram um total de toneladas (VALORCAR, 2008a) de diversos componentes e materiais, que foram enviados separadamente para reutilização, reciclagem, valorização energética ou eliminação. 6

7 Na Tabela 3 são apresentados os dados de base que serviram para o cálculo das taxas de reciclagem e das taxas de valorização. É de referir que a massa média dos VFV processados tem vindo a aumentar, sendo de 786 kg, 846 kg e 871 kg respectivamente a 2005, 2006 e Na Tabela, podem igualmente ser visualizados os componentes e materiais desmantelados ou fragmentados dos VFV recebidos na Rede VALORCAR e os respectivos quantitativos enviados para reciclagem ou para valorização energética. Em 2005 os resultados apurados apontam para que cada VFV recebido na Rede tenha sido, em média, reciclado em 80,9%, e valorizado em 84,1% do seu peso. Em 2006 verificaram-se aumentos em ambas as taxas: em média, cada VFV recebido foi reutilizado/reciclado em 82,3% e valorizado em 86,2% do seu peso. No entanto, em 2007 verificou-se um ligeiro decréscimo de ambas as taxas comparativamente ao ano anterior. Assim, nesse ano cada VFV foi, em média, reciclado em 81,7%, e valorizado em 85,7% do seu peso. Contudo, é de salientar que o total de materiais valorizados em 2007 mais que duplicou comparativamente com o ano de 2006, o que está relacionado com o significativo aumento de VFV recebidos na Rede VALORCAR. Assim, tanto as taxas de reutilização/reciclagem como as taxas de valorização obtidas cumpriram as metas preconizadas na legislação (taxa de reutilização/reciclagem de pelo menos 80% em peso, por veículo, e taxa de reutilização/valorização de 85% em peso). 7

8 Reciclagem Valorização energética Reutilização Reciclagem Valorização energética Reutilização Reciclagem Valorização energética Tabela 3. Cálculo das taxas de reutilização/reciclagem e de valorização (adaptado de VALORCAR, 2006; VALORCAR, 2007; VALORCAR, 2008a) Materiais desmantelados (kg) Bateria Catalisadores Filtros Fluido travões Fluido de Ar Condicionado 20 Líquido de Refrigeração Óleos Pára-choques Pneus Vidros Outros componentes não-metálicos Materiais fragmentados (kg) Metais ferrosos fragmentados Metais não ferrosos fragmentados Resíduos de fragmentação Total de Materiais (kg) Taxa de Reutilização/ Reciclagem (%) Taxa de Valorização (%) ,9% 82,3% 81,7% 84,1% 86,2% 85,7% A REDE VALORCAR, inaugurada no dia 7 de Março de 2005, integrava no final desse ano 11 centros. No decurso de 2006 foram seleccionadas mais 4 instalações, pelo que no final desse ano a Rede integrava 15 centros, totalizando uma capacidade de desmantelamento para cerca de VFV/ano. No ano de 2007 foram preconizadas as medidas necessárias, pelo que actualmente a Rede integra 34 centros (VALORCAR, 2008b), cumprindo desta forma a meta de 30 centros (ver Tabela 2). 8

9 Dos 34 operadores licenciados e integrados na Rede, até Dezembro de 2007, distinguem-se: 1 centro de recepção 7 ; 30 centros de recepção e desmantelamento 8 ; 3 centros de recepção, desmantelamento e fragmentação 9. Para mais informação consultar o portal da VALORCAR: 7 Centro de recepção - instalação destinada à recepção e à armazenagem temporária de VFV, com o objectivo do seu posterior encaminhamento para desmantelamento (Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto). 8 Desmantelamento - operação de remoção e separação dos componentes de VFV, com vista à sua despoluição e à reutilização, valorização ou eliminação dos materiais que os constituem (Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto). 9 Fragmentação - operação de corte e ou retalhamento de VFV (Decreto-Lei nº 196/2003, de 23 de Agosto). 9

10 REFERÊNCIAS VALORCAR (2005). Relatório de Actividade VALORCAR Sociedade de Gestão de Veículos em Fim de Vida, Lda. Lisboa. Consultada em Fevereiro de Disponível em: VALORCAR (2006). Relatório de Actividade VALORCAR Sociedade de Gestão de Veículos em Fim de Vida, Lda. Lisboa. Consultada em Fevereiro de Disponível em: VALORCAR (2007). Relatório de Actividade VALORCAR Sociedade de Gestão de Veículos em Fim de Vida, Lda. Lisboa. Consultada em Fevereiro de Disponível em: VALORCAR (2008a). Indicadores. Página da Internet da Entidade Gestora de Veículos em Fim de Vida VALORCAR. Consultada em Fevereiro de Disponível em: VALORCAR (2008b). Centros. Página da Internet da Entidade Gestora de Veículos em Fim de Vida VALORCAR. Consultada em Fevereiro de Disponível em: 10

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