1ª Apostila de Literatura. Profª. Mary

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1 1ª Apostila de Literatura 1º SEMESTRE 2009

2 Contexto Histórico Trovadorismo O Trovadorismo foi a primeira escola literária portuguesa. Esse movimento literário compreende o período que vai, aproximadamente do século XII ao século XIV. A partir desse século, Portugal começava a afirmar-se como reino independente, embora ainda mantivesse laços econômicos, sociais e culturais com o restante da Península Ibérica. Desses laços surgiu, próximo a Galícia (região ao norte do rio Douro), uma língua particular, de traços próprios, chamada galego-português. A produção literária dessa época foi feita nesta variação lingüística. A cultura trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o Feudalismo, o poder espiritual do clero. O período histórico em que surgiu o Trovadorismo foi marcado por um sistema econômico e político chamado Feudalismo, que consistia numa hierarquia rígida entre senhores: um deles, o suserano, fazia a concessão de uma terra (feudo) a outro indivíduo, o vassalo. O suserano, no regime feudal, prometia proteção ao vassalo como recompensa por certos serviços prestados. Essa relação de dependência entre suserano e vassalo era chamada de vassalagem. Assim, o senhor feudal ou suserano era quem detinham o poder, fazendo a concessão de uma porção de terra a um vassalo, encarregado de cultivá-la. Além da nobreza (classe que pertenciam os suseranos) e a classe dos vassalos ou servos, havia ainda uma outra classe social: o clero. Nessa época, o poder da Igreja era bastante forte, visto que o clero possuía grandes extensões de terras, além de dedicar-se também à política. Os conventos eram verdadeiros centros difusores da cultura medieval, pois era neles que se escolhiam os textos filosóficos a serem divulgados, em função da moral cristã. A religiosidade foi um aspecto marcante da cultura medieval portuguesa. A vida do povo lusitano estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma. Nessa época, eram freqüentes as procissões, além das próprias Cruzadas - expedições realizadas durante a Idade Média, que tinham como principal objetivo a libertação dos lugares santos, situados na Palestina e venerados pelos cristãos. Essa época foi caracterizada por uma visão Teocêntrica (Deus como o centro do Universo). Até mesmo as artes tiveram como tema motivos religiosos. Tanto a pintura quanto a escultura procuravam retratar cenas da vida de santos ou episódios bíblicos. Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o que predominava, através da construção de catedrais enormes e imponentes, projetadas para o alto, à semelhança de mãos em prece entanto tocar o céu. Na literatura, desenvolveu-se em Portugal um movimento poético chamado Trovadorismo. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos: Trovadores - poetas que compunham a letra e a música de canções. Em geral uma pessoa culta. 1 Menestréis músicos - poetas sedentários; viviam na casa de um fidalgo, enquanto o jogral andava de terra em terra. Jograis - cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebéia. Segréis - trovadores profissionais, fidalgos desqualificados que iam de corte em corte, acompanhados por um jogral. Recebiam o nome de cantigas, porque eram acompanhados por instrumentos de corda e sopro. Mais tarde, essas cantigas foram reunidas em Cancioneiros: o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana. A Poesia Medieval Portuguesa A produção poética medieval portuguesa pode ser agrupada em dois gêneros: Gênero Lírico Em que o amor é a temática constante, são as cantigas de amor e as cantigas de amigo. Pergaminhos de Vindel. Utilizado pelos trovadores. Glossário: Cantiga da Ribeirinha No mundo non me sei parelha mentre me for como me vai, ca ja moiro por vós e ai! mia senhor branca e vermelha, queredes que vos retraia quando vos eu vi em saia. Mao dia me levantei que vos entom nom vi fea! E, mia senhor, des aquelha me foi a mi mui mal di ai! E vós, filha de Dom Paai Moniz, e bem vos semelha d aver eu por vós guarvaia, pois eu, mia senhor, d alfaia nunca de vós ouve nem ei valia d ua correa. non me sei parelha: não conheço ninguém igual a mim. mentre: enquanto.ca: pois.

3 branca e vermelha: a cor branca da pele, contrastando com o rosado do rosto. retraia: pinte, retrate, descreva. en saia: sem manto. que: pois dês: desde semelha: parece d aver eu por vós: receber por seu intermédio. guarvaia: manto luxuoso, provavelmente vermelho, usado pela nobreza. alfaia: presente valia d un correa: objeto de pequeno valor. Esta cantiga de Paio Soares de Taveirós é considerada o mais antigo texto escrito em galegoportuguês: 1189 ou 1198, portanto fins do século XII. Segundo consta, esta cantiga teria sido inspirada por D. Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, mulher muito cobiçada e que se tornou amante de D. Sancho, o segundo rei de Portugal. Cantigas de Amor Nesta cantiga o eu-lirico é masculino e o autor é geralmente de boa condição social. É uma cantiga mais "palaciana", desenvolve-se em cortes e palácios. Quanto à temática, o amor é a fonte eterna, devendo ser leal, embora inatingível e sem recompensa. O amante deve ser submetido à dama, numa vassalagem humilde e paciente, honrando-a com fidelidade, sempre. O nome da mulher amada vem oculto por força das regras de mesura (boa educação extrema) ou para não comprometê-la (geralmente, nas cantigas de amor o eulírico é um amante de uma classe social inferior à da dama). A beleza da dama enlouquece o trovador e a falta de correspondência gera a perda do apetite, a insônia e o tormento de amor. Além disso, a coita amorosa (dor de amor) pode fazer enlouquecer e mesmo matar o enamorado. se ambientam em palácios e sim em lugares mais simples e cotidianos. Conforme a maneira como o assunto é tratado, e conforme o cenário onde se dá o encontro amoroso, as cantigas de amigo recebem denominações especiais: Alvas (quando se passam ao amanhecer): Levantou-s'a velida (a bela) Levantou-s'à alva; E vai lavar camisas E no alto (no rio) / Vai-las lavar à alva (de madrugada). D. Dinis. Bailias (quando seu cenário é uma festa onde se dança): E no sagrado (local sagrado, possivelmente à frente de uma igreja), em Vigo Bailava corpo velido (uma linda moça) amor ei! Martim Codax. Romarias (sobre visitas a santuários, enquanto as "madres queymam candeas"): Pois nossas madres van a San Simon De Val de Prados candeas queimar (pagar promessas) Nós, as menininhas, punhemos d'andar (vamos passear). Pero de Viviães Barcarolas ou marinhas (falam do temor de que o amigo vá às expedições marítimas; do perigo de que ele não volte mais). Vi eu, mia madre, andar As barcas e no mar, E moiro de amor! Nuno Fernandes Torneol Pastorelas (quando seu cenário é o campo, próximo a rebanhos): Oi (ouvi) oj'eu ua pastor andar, Du (onde) cavalgava per ua ribeira, E o pastor estava i senlheira, (sozinha) A ascondi-me pola escuitar... Airas Nunes de Santiago Cantigas de Amigo As cantigas de amigo apresentam eu-lírico feminino, embora o autor seja um homem. Procuram mostrar a mulher dialogando com sua mãe, com uma amiga ou com a natureza, sempre preocupada com seu amigo (namorado). Ou ainda, o amigo é o destinatário do texto, como se a mulher desejasse fazer-lhe confidências de seu amor. (Mas nunca diretamente a ele. O texto é dialogado com a natureza, como se o namorado estivesse por perto, a ouvir as juras de amor). Geralmente destinam-se ao canto e a dança. A linguagem, comparando-se às cantigas de amor é mais simples e menos musical, pois as cantigas de amigo não Gênero Satírico Em que o objetivo é criticar alguém, ridicularizando esta pessoa de forma sutil ou grosseira; a este gênero pertencem as cantigas de escárnio e as cantigas de maldizer. São composições que expressam melhor a psicologia do tempo, aonde vêm á tona assuntos que despertam grandes comentários na época, nas relações sociais dos trovadores; são sátiras que atingem a vida social e política da época, sempre num tom de irreverência; são sátiras de grande riqueza, uma vez que se apresentam num considerável vocabulário, observando-se, muitas vezes o uso de trocadilhos; fogem às normas rígidas das cantigas de amor e oferecem novos recursos poéticos. Os principais temas 2

4 das cantigas satíricas são: a fuga dos cavaleiros da guerra, traições, as chacotas e deboches, escândalos das amas e tecedeiras, pederastia (homossexualismo) e pedofilia (relações sexuais com crianças), adultério e amores interesseiros e ilícitos. Obs: Tanto nas cantigas de escárnio quanto nas de maldizer, pode ocorrer diálogo. Quando isso acontece, a cantiga é denominada tensão (ou tenção). Pode mostrar a conversa entre a mãe a moça, uma moça e uma amiga, a moça e a natureza, ou ainda, a discussão entre um trovador e um jogral, ambos tentando provar que são mais competentes em sua arte. Cantigas de Escárnio Apresentam críticas sutis e bem-humoradas sobre uma pessoa que, sem ter nome citado, é facilmente reconhecível pelos demais elementos da sociedade. Cantigas de Maldizer Neste tipo de cantiga é feita uma crítica pesada, com intenção de ofender a pessoa ridicularizada. Há o uso de palavras grosseiras (palavrões, inclusive) e cita-se o nome ou o cargo da pessoa sobre quem se faz a sátira. As Novelas de Cavalaria luta em defesa da Europa Ocidental contra sarracenos, eslavos, magiares e dinamarqueses, inimigos da cristandade. As novelas de cavalaria estão divididas em três ciclos e se classificam pelo tipo de herói que apresentam. Assim, as que apresentam heróis da mitologia greco-romana são do ciclo Clássico (novelas que narram a guerra de Tróia, as aventuras de Alexandre, o grande); as que apresentam o Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda pertencem ao ciclo Arturiano ou Bretão (A Demanda do Santo Graal); as que apresentam o rei Carlos Magno e os doze pares de França são do ciclo Carolíngio. A história geralmente, as novelas de cavalaria não apresentam uma autoria. Elas circulavam pela Europa como verdadeira propaganda das Cruzadas, para estimular a fé cristã e angariar o apoio das populações ao movimento. As novelas eram tidas em alto apreço e foi muito grande a sua influência sobre os hábitos e os costumes da população da época. As novelas Amadis de Gaula e A Demanda do Santo Graal foram as histórias mais populares que circulavam entre os portugueses. HUMANISMO O cavaleiro, herói ideal da Idade Média Nem só de poesia viveu o Trovadorismo. Também floresceu um tipo de prosa ficcional, as novelas de cavalaria, originárias das canções de gesta francesas (narrativas de assuntos guerreiros), onde havia sempre a presença de heróis cavaleiros que passavam por situações perigosíssimas para defender o bem e vencer o mal. Sobressai nas novelas a presença do cavaleiro medieval, concebido segundo os padrões da Igreja Católica (por quem luta): ele é casto, fiel, dedicado, disposto a qualquer sacrifício para defender a honra cristã. Esta concepção de cavaleiro medieval opunha-se à do cavaleiro da corte, geralmente sedutor e envolvido em amores ilícitos. A origem do cavaleiro-herói das novelas é feudal e nos remete às Cruzadas: ele está diretamente envolvido na 3 Senhora, partem tam tristes Meus olhos por vós, meu bem, Que nunca tam tristes vistes Outros nenhuns por ninguém. Contexto Histórico No mundo todo, a prosa literária é uma manifestação que surge depois da poesia. Não podendo ser memorizada com a mesma facilidade dos poemas, a prosa necessita de algumas condições específicas para surgir e se definir enquanto gênero, tais como uma língua mais evoluída e formas mais sofisticadas de pensamento. Em Portugal não foi diferente: as manifestações literárias da primeira época medieval caracterizavam-se pelo predomínio da oralidade e, por essa razão, as cantigas trovadorescas tiveram maior destaque. Já no século XV, na segunda época medieval, a prosa e o teatro ganharam o primeiro plano, sendo seguidos pela poesia palaciana. A produção literária portuguesa da segunda época medieval representa um momento de transição entre a literatura trovadoresca e o Renascimento do século XVI

5 e, como em toda transição, o velho e o novo conviviam ente si. Assim, ao mesmo tempo em que se mantinham alguns aspectos das cantigas - por exemplo, a idealização amorosa -, aspectos novos surgiram preparando a literatura renascentista: por exemplo, a poesia amorosa de fundo sensual. O termo humanismo é utilizado para designar o estudo das letras humanas em oposição à teologia. De forma resumida, o humanismo surgiu no seguinte contexto histórico: O surgimento da burguesia que traz consigo as relações comerciais; Alteração nas relações sociais, já que os nobres empobreceram e as pessoas de classes menos favorecidas na época começaram a enriquecer; Ascensão do Absolutismo, o poder centrado no Rei; O problema da peste negra; Surgimento de críticas ao comportamento da Igreja Romana e a diminuição de seu poder; Visão antropocêntrica; Surgimento da imprensa, desenvolvimento dos canhões e mosquetes no campo das armas, das bússolas, das lentes de óculos, do relógio mecânico; A produção literária em Portugal desse período deve ser assim organizada: Prosa: crônicas históricas de Fernão Lopes; Poesia: poesias palacianas, recolhidas no Cancioneiro Geral; Teatro: dramaturgia de Gil Vicente; A Crônica de Fernão Lopes Crônica é o nome que se dá à narração dos feitos da nobreza na idade média. Fernão Lopes foi incumbido de escrever sobre os acontecimentos de diversos períodos históricos. Esse autor se destacou por não se limitar a tecer elogios aos reis, como era comum na época. Faz descrições mais detalhadas, não só do ambiente da corte, mas também das festas populares e do papel do povo nas festas e rebeliões. Soube sintetizar em suas narrativas toda a tradição da prosa anterior, da novela de cavalaria à crônica histórica ou moralística, preparando terreno para as novelas sentimentais, surgidas a partir do século XVI. Também pode ser apontado por explorar com propriedade a tensão dramática criada pelo confronto de personagens e de situações, bem como por caracterizar suas personagens de forma bem definida e finalmente por preparar, com o nacionalismo e o sentimento de coletividade presente em suas crônicas, o ambiente para o surgimento da grande epopéia de Camões - Os lusíadas. A Poesia Palaciana As cantigas trovadorescas e os trovadores medievais deixaram de existir em meados do século XIV. Dessa 4 época até 1450 (portanto, durante um século) a poesia sofreu uma intensa crise, quase desaparecendo. Tal fato está relacionado com a nova ordem de preocupações e valores que envolviam Portugal no século XV: uma visão de mundo burguesa, voltada para as coisas práticas, em especial para as navegações e os sonhos de conquista ultramarina. Somente a partir de 1450 é que se verificaram novamente certas condições necessárias ao florescimento da poesia na época: uma vida cultural mais intensa e prestigiada nas cortes; um rei (D. Afonso V) protetor das letras, e uma nobreza que se voltava para o rei e para a vida palaciana. Assim, a poesia que daí surgiu é palaciana, aristocrática e sofisticada. Diferentemente das cantigas trovadorescas, que eram cantadas e dançadas, a poesia palaciana distanciou-se do acompanhamento musical, do canto e da dança e passou a ser lida ou declamada. Por isso tendeu a aprimorar-se tecnicamente, buscando expressividade nas próprias palavras. Observando-se a forma, os poemas de então fazem uso consciente de rimas, métricas e ritmos bem marcados, de ambigüidades e jogos de palavras, e de aliterações e de figuras de linguagem em geral. A métrica empregada são principalmente as redondilhas: a maior, com sete sílabas poéticas e a menor, com cinco. De acordo com a disposição dos versos e das estrofes, os poemas da época são chamados vilancetes (um mote de dois ou três versos e uma glosa de sete), cantigas (um mote de quatro ou cinco versos e uma glosa de oito a dez) e esparsas (única estrofe com número de versos que varia entre oito e dezesseis). Quanto ao conteúdo, embora a poesia palaciana tenha retomado os temas do Trovadorismo, acrescentou a eles aspectos novos, inspirados na atmosfera do Renascimento emergente. Observemos a concepção de amor existente nestes dois textos da época, o primeiro do poeta Aires Teles, e o segundo do poeta Conde de Vimioso. A poesia palaciana foi coletada pelo poeta Garcia de Resende e publicada na obra Cancioneiro Geral, de 1516, contento textos de 1450 até a data da publicação da coletânea. Como o objetivo do poeta era apenas o de não deixar aquela produção poética desaparecer por falta de registro, a qualidade dos textos reunidos é bastante desigual. Verifica-se ainda, um predomínio da lírica sobre a sátira. O Teatro de Gil Vicente pintura do contemporâneo Vicente Gil Nos primórdios do século XIV, era costume na corte portuguesa, durante os ofícios religiosos do Natal, pastores irromperem na capela, e dançando e cantando, para louvar o Deus menino. Eis que na noite de 7 para 8 de julho de 1502 um homem fantasiado de vaqueiro repentinamente entra na câmara da rainha D. Maria, mulher de D. Manuel de Portugal, a qual havia dado a

6 luz a um menino, futuro rei D. João III. Esta manifestação agradou os presentes e foi pedido ao seu autor e intérprete que a repetisse nos festejos de Natal, em honra ao nascimento do Redentor. Este homem de controvertida biografia, a quem alguns identificam como o ourives da célebre custódia de Belém, era Gil Vicente. Ele tinha na corte portuguesa a função de organizador das festas palacianas, e foi para ela que escreveu suas comédias, farsas e moralidades. Ao homenagear o nascimento de um homem e não o de Cristo, como até então faziam os autos de Natal, Gil Vicente, com seu Auto da visitação ou Monólogo do Vaqueiro, deu início ao teatro leigo em Portugal, isto é, o teatro profano, praticado fora da Igreja. Essa primeira peça de Gil Vicente apresentava uma nítida influência da dramaturgia do espanhol Juan del Encina, de caráter pastoral e religioso. Como a corte portuguesa - para quem trabalhou durante 34 anos - era bilíngüe, Gil Vicente criou peças em português, em castelhano e algumas nas duas línguas. Do ponto de vista técnico, a dramaturgia de Gil Vicente era rústica e primitiva. Desconhecia o teatro greco-latino e a tradicional lei das três unidades (único lugar, tempo delimitado e apresentar o mesmo tipo de ação), que sempre caracterizou o teatro clássico. A formação teatral de Gil Vicente, portanto, reside fundamentalmente nas poucas manifestações de dramaturgia existentes na Idade Média, em geral representações relacionadas com datas religiosas. Apesar dessas origens, o caráter do teatro vicentino não é teocêntrico. A obra de Gil preocupa-se essencialmente em apresentar o homem em sociedade, criticando-lhe os costumes e tendo em vista reformá-los. Trata-se portando, de uma obra com missão moralizante e reformadora. Não visa atingir instituições, mas os homens inescrupulosos que as compõem. As peças de fundo religioso, portanto, não almejam difundir a religião nem converter os pecadores, mas demonstrar como o ser humano em geral - independentemente da classe social, raça, sexo ou opção religiosa - é egoísta, falso, mentiroso, orgulhoso e frágil perante os apelos da carne e do dinheiro. Dessa forma, nenhuma classe ou grupo social escapa à sátira mordaz de Gil Vicente: o rei, o papa, o clérigo corrupto e devasso, o médico incompetente, o curandeiro, a mulher adúltera, a alcoviteira, o juiz desonesto, o camponês, a donzela, o velho, o parvo, a beberrona, a moça da vila, o soldado, o judeu oportunista, o burguês ignorante e materialista. Neste sentido, Gil Vicente mostrava-se crítico diante da nova ordem social e dos valores burgueses que surgiram na sociedade portuguesa do início do século XVI. CLASSICISMO Mas, ó tu, terra de Glória Se eu nunca vi tua essência, Como me lembrais na ausência? Não me lembras na memória, Senão na reminiscência? Contexto Histórico - O Renascimento O Renascimento, importante movimento de renovação cultural ocorrido na Europa durante os séculos XV e XVI, é considerado o marco inicial da era moderna. A base desse movimento encontra-se no crescimento gradativo da burguesia comercial e das atividades econômicas entre as cidades européias. Esse desenvolvimento estimulou a vida urbana e o surgimento de um novo homem, cujo valor não se apóia mais no nome da família mas no prestígio adquirido por seu próprio esforço e talento, contribuindo para o enriquecimento do ambiente cultural. As expedições oceânicas, por sua vez, alargaram a visão do homem europeu, pondo-o em contato com povos de culturas diferentes. O desenvolvimento da matemática e do método experimental propiciou o surgimento das bases da ciência moderna. Graças aos humanistas, numerosas obras gregas e latinas, de assunto literário, filosófico e científico, foram traduzidas e difundidas. A filologia desenvolveu-se; surgiram as primeiras gramáticas das línguas modernas. O pensamento da época nutria-se da filosofia grega e das realizações artísticas, patrocinadas cada vez mais por ricos comerciantes (os burgueses), inspirava-se nas obras da Antigüidade Clássica. Todas essas atividades resultaram na formação de um clima intelectual otimista e confiante na força do ser humano, que se torna o centro do universo, "a medida de todas as coisas". O Renascimento constituiu, pois, um dos mais prósperos movimentos intelectuais do Ocidente, mudando a imagem que o homem tinha de si mesmo. O Renascimento não apresentou as mesmas características em todos os lugares em que se desenvolveu. Rico e fecundo, adquiria aspectos diferentes à medida que saía de Florença, na Itália, onde surgiu em meados do século XV, e se difundia pelo resto da Europa. No entanto, apesar desta diversidade, manifesta sempre uma característica comum: a ruptura, em maior ou menor grau, com a tradição feudal, marcadamente religiosa e teocêntrica. O século XVI também foi marcado por dois movimentos religiosos que tiveram funda repercussão social e cultural: a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero, na Alemanha, e a Reforma Católica (também chamada de Contra- Reforma), movimento de reação da Igreja de Roma. Na verdade, antes mesmo que Lutero desencadeasse uma vigorosa reação contra os abusos da Igreja de Roma, muitos católicos já tinham protestado contra essa situação, particularmente o humanista Erasmo ( ), que, em seu livro O Elogio da Loucura, de 1511, faz uma crítica ferina da sociedade da época, ridicularizando inclusive membros corruptos do clero católico. No teatro fora de Portugal, predominou a idéia de Bertolt Brecht, autor da peça A vida de Galileu Galilei, que considerava que o teatro tinha que ter uma função conscientizadora, que provocasse o espectador para levá-lo a refletir sobre a realidade social. Embora a peça transcorra na Itália do século XVII, o problema de Galileu - a liberdade de pensamento e expressão - é mais atual que nunca. Assim, mesmo falando do passado, Brecht nos leva a refletir sobre problemas do presente. O CLASSICISMO LITERÁRIO PORTUGUÊS Gênero Literário ESPÉCIE LITERÁRIA AUTORES E OBRAS PRINCIPAIS 5

7 Poesia Lírica Luis de Camões e Sá Miranda Poesia Épica Luis de Camões - Os lusíadas Prosa Novela Sentimental Bernardim Ribeiro Menina moça Prosa Novela de Cavalaria Francisco de Morais - Palmeirim da Inglaterra Prosa Crônica Histórica João de Barros Prosa Literatura de viagem Fernão de Mendes Pinto Peregrinação Teatro Antônio Ferreira, com a tragédia Castro A Linguagem Clássico-Renascentista A linguagem clássico-renascentista é a expansão das idéias e dos sentimentos do homem do século XVI. Seus temas e sua construção traduzem, de um lado, o espírito de aventuras trazido pelas navegações: de outro, refletem a busca dos modelos literários greco-latinos e dos humanistas italianos. Emprego da medida nova: Os humanistas passaram a empregar sistematicamente o verso decassílabo, denominado então de medida nova, em oposição às redondilhas medievais, chamadas de medida velha. Gosto pelo soneto: No Renascimento também foi criado o soneto, um tipo de composição poética formada por duas quadras e dois tercetos, com versos decassílabos, que até hoje é cultivado pelos poetas. Essa nova forma de fazer poesia foi chamado de "dolce stil nuovo", ou "doce novo estilo", por Dante. Formas de inspiração clássica: Além de criarem o soneto, os humanistas italianos recuperaram outras formas, já cultivadas pela literatura grega e latina: A écloga: composição geralmente dialogada, em que o poeta idealiza assuntos sobre a vida no campo. Suas personagens são pastores (éclogas pastoris), pescadores (éclogas pisctórias) ou caçadores (éclogas venatórias); A elegia: poema de fundo melancólico; A ode: composição pequena, de caráter erudito, com elevação do pensamento, sobre vários assuntos. As odes podem ser classificadas em pendáricas (cantam heróis ou acontecimentos grandiosos), anacreônicas (cantam o amor e a beleza), e satíricas (celebram assuntos morais e / ou filosóficos); A epístola: composição em que o autor expõe suas idéias e opiniões, em estilo calmo e familiar. Pode ser doutrinária, amorosa ou satírica; Epitalâmio: composição em honra aos recém casados, própria para ser recitada em bodas; Canção: composição erudita, de longas estrofes, versos decassílabos por vezes entremeados com outros de seis sílabas (heróicos) e de caráter amoroso; Epigrama: composição de 2 ou 3 versos com pensamentos engenhosos e de estilo cintilante: Sextilha: composição de seis estrofes de seis versos com uma forma muito engenhosa, em que as palavras finais dos versos de todas as outras, apenas com a ordem trocada. Ditirâmos: canto festivo para celebrar o prazer dos banquetes; 6 Antropocentrismo: O mundo e as idéias deixam de girar em torno de Deus (teocentrismo) e passam a centrar-se no homem. A natureza passa a ser valorizada e investigada, encarada como fonte de vida e prazer, posta a serviço do homem, e não mais como pecado. Foi a valorização das capacidades físicas e espirituais do homem. Influência da Cultura Greco-Latina (Paganismo): A imitação dos modelos greco-romanos da antigüidade está na base da renovação literária surgida no Renascimento que tomou o nome de Classicismo. Como nas outras artes, também na literatura isso não significa copiar, e sim recriar. Os autores clássicos mais seguidos no Classicismo foram Homero, Virgílio, Ovídio, dentre outros. Também a teoria de Platão (essência x aparência) na concepção do amor foi muito difundida. Racionalismo / Universalismo: Observemos essa estrofe de um soneto de Camões: Não há coisa a qual natural seja Que não queira perpétuo o seu estado Não quer logo o desejo o desejado, Por que não falte nunca onde sobeja. (sobra) Podemos perceber como o autor nesses versos trabalha mais com o conceito do amor do que propriamente com os sentimentos. (Diz-se que ele universaliza os sentimentos, tira o caráter individual dos mesmos). A conjunção conclusiva logo confirma a preocupação do texto com a lógica e com as idéias. Esse racionalismo, contudo, não se dá apenas na literatura. Manifesta-se também na ciência e nas atividades econômicas daquela sociedade, voltada para o comércio, para as navegações e para os lucros. Pode-se dizer que a necessidade de compreender melhor, dominar e transformar a natureza experimentada pelo burguês do século XVI levou-o a substituir a fé cristã pela razão, pondo fim à mentalidade teocêntrica medieval. Uso da mitologia: Um grupo de artistas, chamados de humanitas, defendia que a cultura pagã, anterior ao aparecimento do cristianismo, era mais rica e expressiva, pois valorizava o indivíduo, seus feitos heróicos e sua capacidade de dominar e transformar o mundo. Por isso, se empenhavam em imitar as obras da arte da Antiguidade greco-latina, difundir suas idéias e traduzir suas obras para a língua falada na época, o italiano. A partir daí, seres, deuses e personagens da cultura dos Helenos e Romanos (Vênus, Zeus, Marte, Afrodite, Baco, Eolo...) foram sendo "incorporados" nas artes dos autores Clássicos. Exaltação das faculdades humanas: A valorização das capacidades físicas e espirituais do homem foi chamada de antropocentrismo e, naturalmente, contrapunha-se à visão teocêntrica do mundo imposta pela Igreja. Busca do amor platônico, elevado, espiritual / Neoplatonismo: Seguindo a concepção platônica onde existem um mundo que percebemos com os sentidos, ilusório e confuso, de sombras onde nada é estável ou permanente chamado Mundo dos Fenômenos e um outro mais elevado, espiritual e eterno, onde está a imutável

8 essência de todas as coisas e acessível somente através da razão chamado Mundo das Idéias, os autores clássicos buscavam um amor idealizado, espiritualizado e racional, que se aproximava da Verdade Absoluta. A partir daí, o amor é visto de uma forma distante, onde muitas vezes o ser amado não tem conhecimento de sua situação e o desejo é aplacado pelo juízo. A filosofia de Platão exerceu grande influência no Ocidente. Até o século XV, apenas uma pequena parte de sua obra era conhecida. Em 1481, o humanista italiano Ficino traduziu todos os seus textos para o latim, colocando-o ao alcance dos intelectuais. Mas a leitura de Platão sofreu influências das idéias cristãs que imperavam na época. Com isso, o Mundo das Idéias, o reino da Verdade absoluta, passou a ser associado ao Céu cristão. De qualquer forma, seu pensamento marcou bastante a vida cultural do Renascimento. Observa-se, por exemplo, nesses versos de Camões do poema "Babel e Sião", de Camões, a presença clara das idéias platônicas: Mas, ó tu, terra de Glória Se eu nunca vi tua essência, Como me lembrais na ausência? Não me lembras na memória, Senão na reminiscência? Que alma é tabua rasa Que com a escrita doutrina Celeste tanto imagina, Que voa da própria casa E sobe a pátria divina Não é logo a saudade Das terras onde nasceu A carte, mas é do Céu Daquela santa Cidade De onde esta alma descendeu. Sujeição a Regras Rígidas de Conteúdo e Forma: Os escritores renascentistas trouxeram à tona a valorização de conteúdo, com temas universalistas e racionais e de forma, com versos decassílabos distribuídos em duas quadras e dois tercetos (medida nova - soneto). Também recuperaram outras, de inspiração clássica, anteriormente citadas. Clareza e objetividade e uso de linguagem sóbria, simples e precisa: Pelo próprio Universalismo e objetivismo, anteriormente citados. Valorização do gênero épico para cantar os feitos de heróis nacionais: A mais importante obra épica do classicismo português é a epopéia Os lusíadas que narra os feitos heróicos dos portugueses (os lusos, daí o nome da obra), que, liderados por Vasco da Gama, lançaram-se ao mar numa época em que ainda se acreditava em monstros marinhos e abismos. Ultrapassando os limites marítimos conhecidos - no caso o cabo das Tormentas ao sul da África - chegariam a Calicute, na Índia. Tal façanha, que uniu o Oriente ao Ocidente pelo mar, deslumbrou o mundo e foi alvo de interesses políticos e econômicos de diversas nações européias. Ânsia de fama e glória terrenas / Culto da beleza e da perfeição: Repudiando a concepção medieval do mundo como um "vale de lágrimas", um lugar de tentações e pecados que desviam o homem do caminho da salvação espiritual, os Renascentistas exaltaram a dignidade do ser humano, destacando-o como um ser livre, capaz de alcançar a felicidade terrena e de criar seu próprio projeto e vida. O Cristianismo, evidentemente, continua imperando, mas o homem renascentista já não vive tão angustiado com as questões religiosas quanto vivera o homem medieval. Ao recolocar o ser humano no centro do universo o Renascimento muda também o conceito que se tinha da natureza. Ela passa a ser vista como o reino do homem, um livro que deve ser investigado e compreendido, estimulando, assim, as pesquisas e as experiências científicas. Redimensionada, a natureza é encarada como fonte de vida e prazer, que deve ser posta a serviço d a felicidade do ser humano. Essa nova forma de considerar o homem representou, pois, uma ruptura com a visão de mundo medieval e fez do Renascimento o marco inicial da era moderna: "Miseráveis mortais, abri os olhos. QUINHENTISMO Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. (Oswald de Andrade) Introdução Quinhentismo é a denominação genérica de todas a manifestações "literárias" ocorridas no Brasil durante a primeira fase do Descobrimento (séc. XVI). Caracterizase pela introdução da cultura européia em terras brasileiras, informação sobre a nova Colônia e catequização. Momento histórico No mundo: Reforma Protestante Auge do Renascimento Grandes Navegações Capitalismo Mercantil Urbanização No Brasil: Descobrimento (1500) Ciclo do Pau-brasil. Características Descrição da flora, fauna e do selvagem. Aspectos pitorescos, exóticos e etnográficos. Linguagem puramente referencial (objetivos e concisos) Modelos Clássicos e Renascentistas que tendem à erudição. Ideologia mercantilista e religiosa Importância Valor histórico e documental Classificação Os textos quinhentistas classificam-se em quatro modalidades: Informativos. 7

9 Divisão Propagandísticos. Catequéticos. Viajantes "Estrangeiros". Quinhentismo, porém, é dividido em duas modalidades: Literatura de Informação Literatura dos Jesuítas Literatura informativa A Carta de Caminha inaugura o que se convencionou chamar Literatura de Informação sobre o Brasil. O próprio nome já diz tudo: informar sobre a nova Colônia de Portugal. O período também ficou conhecido como Literatura dos Viajantes ou dos Cronistas. As crônicas históricas ou literatura de viagens faziam muito sucesso no século XVI em Portugal e Espanha. Os textos satisfaziam a curiosidade e despertavam a imaginação dos europeus. As obras desses cronistas pareciam mais notícias, documentos, relatos de viagens do que literatura. Textos importantes: 1. Carta do descobrimento - Pero Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel, referindo o descobrimento de uma nova terra e as primeiras impressões da natureza e do aborígine (índio). Escrita em 1500 e publicada pela primeira vez em Diário de Navegação - Pero Lopes de Sousa, escrivão do primeiro grupo colonizador, o de Martim Afonso de Sousa (1530). 3. Tratado da terra do Brasil - Pero Magalhães Gandavo. Escrito por volta de 1570 e impresso pela primeira vez em 1826, 4. História da Província de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil - Pero Magalhães Gandavo. Editada em 1576, em Portugal. 5. Diálogo sobre a conversão dos gentios - Padre Manuel da Nóbrega. Escrito em 1557 e impresso pela primeira vez em Narrativa Epistolar e os Tratados da Terra e da Gente do Brasil - Padre Fernão Cardim (a primeira certamente de 1583). 7. Tratado descritivo do Brasil - Gabriel Soares de Sousa. Escrito em 1587 e impresso por volta de Diálogos das Grandezas do Brasil - Ambrósio Fernandes Brandão (1618). 9. História do Brasil - Fr. Vicente do Salvador (1627). 10. Cartas dos missionários jesuítas escritas nos dois primeiros séculos de cateque Literatura?! Percebe-se que é discutível a nomenclatura de literatura para este período. As obras apresentavam mais características documentais e históricas do que literárias. Literatura dos jesuítas Com a missão de catequização e educação, os primeiros jesuítas chegaram em Os primeiros sinais de racismo já eram cultivados no país. A catequização ficou 8 restrita somente aos índios; os negros, que começaram a chegar, eram ignorados. Os missionários fundaram os primeiros colégios, fato que, durante muito tempo, era a única atividade intelectual desenvolvida na Colônia. Classificação A obra jesuítica pode ser assim classificada: Poemas e peça teatrais com o objetivo de catequizar e moralizar; Textos informativos, que abordam principalmente questões relativas à catequese; Poemas sem finalidade catequética ou informativa. Autores e Obras Pero Vaz de Caminha ( ) Pero Vaz de Caminha nasceu, por volta de 1437, provavelmente no Porto. Foi escrivão da armada de Cabral e da feitoria de Calecute que os portugueses posteriormente fundaram na Índia. Morreu na Índia em 1500, trucidado por comerciantes mouros. Sua Carta [ver Antologia], o mais vivo e colorido retrato do Brasil primitivo, possui catorze páginas manuscritas e data de 1º de maio de Foi publicada pela primeira vez em 1817, havendo atualmente edições modernas e, devido a sua importância histórica, já foi traduzida para várias línguas. Dirigida a D. Manuel, narra o descobrimento do Brasil, as primeiras impressões da frota de Cabral sobre a terra, seus habitantes e as providências tomadas. Em forma de crônica de viagem, gênero largamente utilizado em Portugal e Espanha no século XV, e numa linguagem fluente e de transparente singeleza, Caminha relata o que viu. As descrições, pormenorizadas, de certos eventos ou coisas revelam, no autor, um aguçado senso de observação e expõem uma clara ideologia mercantilista. Ao valorizar a flora e a fauna do território recém descoberto, aponta ao colonizador e aos aventureiros marítimos suas possíveis riquezas e vantagens. Sem deixar de lado o ideal português de propagação da cristandade, Caminha descreve o índío como um ser bom, natural, ingênuo, saudável e pronto para aceitar os valores da civilização cristã. OBRA Crônica de viagem: A Carta (1500). Barroco Introdução O tempo barroco denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época. Mesmo considerando o Barroco o primeiro estilo de época da literatura brasileira e Gregório de Matos o primeiro poeta efetivamente brasileiro, com sentimento nativista manifesto, na realidade ainda não se pode isolar a Colônia da Metrópole. Ou, como afirma Alfredo Bosi: "No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos,

10 Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano". Além disso, os dois principais autores Pe. Antônio Vieira e Gregório de Matos tiveram suas vidas divididas entre Portugal e Brasil. Por essas razões, neste capítulo não separaremos as manifestações barrocas de Portugal e do Brasil. Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano. O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, já em pleno governo do Marquês de Pombal, aberto aos novos ares da ideologia liberal burguesa iluminista, que caracterizará a segunda metade do século XVIII. No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira, que introduz definitivamente o modelo da poesia camoniana em nossa literatura. Estende-se por todo o século XVII e início do século XVIII. O final do Barroco brasileiro só se concretizou em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina e com a publicação do livro Obras, de Cláudio Manuel da Costa. No entanto, já a partir de 1724, com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos, o movimento academicista ganhava corpo, assinalando a decadência dos valores defendidos pelo Barroso e a ascensão do movimento árcade. Momento Histórico Se o início do século XVI, notadamente seus primeiros 25 anos, pode ser considerado o período áureo de Portugal, não é menos verdade que os 25 últimos anos desse mesmo século podem ser considerados o período mais negro de sua história. O comércio e a expansão do império ultramarino levaram Portugal a conhecer uma grandeza aparente. Ao mesmo tempo que Lisboa era considerada capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. As colônias, principalmente o Brasil, não deram a Portugal riquezas imediatas; com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578, levando adiante o sonho megalomaníaco de transformar Portugal novamente num grande império, D. Sebastião desaparece em Alcácer- Quibir, na África; dois anos depois, Filipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica tal situação permaneceria até 1640, quando ocorre a Restauração (Portugal recupera sua autonomia). A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito do Sebastianismo (crença segundo a qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra. A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio dos jesuítas e a censura eclesiástica torna-se um obstáculo a qualquer avanço no campo científicocultural. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton, a Península Ibérica era um reduto da cultura medieval. Com o Concílio de Trento ( ), o Cristianismo se divide. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero introdutor da Reforma) que propagava o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval. É nesse clima que se desenvolve a estética barroca, notadamente nos anos que se seguem ao domínio espanhol, já que a Espanha é o principal foco irradiador do novo estilo. O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar. Características O estilo barroco nasceu da crise de valores renascentistas ocasionada pelas lutas religiosas e pela crise econômica vivida em conseqüência da falência do comércio com o Oriente. O homem do Seiscentismo vivia um estado de tensão e desequilíbrio, do qual tentou evadir-se pelo culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de figuras, como a metáfora, a antítese, a hipérbole e a alegoria. Todo o rebuscamento que aflora na arte barroca é reflexo do dilema, do conflito entre o terreno e o celestial, o homem e Deus (antropocentrismo e teocentrismo), o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganismo renascentista, o material e o espiritual, que tanto atormenta o homem do século XVII. A arte assume, assim, uma tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num exagerado rebuscamento formal. Podemos notar dois estilos no barroco literário: o Cultismo e o Conceptismo. Cultismo: é caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante (hipérboles), descritiva; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras (ludismo verbal), com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido por Gongorismo. No cultismo valoriza-se o "como dizer". Conceptismo: é marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada (arte de bem falar, ou escrever, com o propósito de convencer; oratória). Um dos principais cultores do Conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo. Valoriza-se, neste estilo, "o que dizer". Na literatura, as características principais são: Culto do contraste: o poeta barroco se sente dividido, confuso. A obra é marcada pelo dualismo: carne X espírito, vida X morte, luz X sombra, racional X místico. Por isso, o emprego de antíteses. Pessimismo: devido a tensão (dualidade), o poeta barroco não tinha nenhuma perspectiva diante da vida. 9

11 Literatura moralista: a literatura tornou-se um importante instrumento para educar e para "pregar" por parte dos religiosos (padres). Autores e Obras Bento Teixeira ( ) Bento Teixeira, nasceu no Porto em Cristão - novo estudou para seguir a carreira eclesiástica, mas desistiu. Formou-se no Colégio da Bahia, onde lecionou. Por ter assassinado a esposa, teve de se esconder em Pernambuco, onde redigiu Prosopopéia [ver Antologia], publicada em Faleceu em Pernambuco, na segunda década de Prosopopéia, poemeto encomiástico a Jorge de Albuquerque Coelho, 3º donatário da capitania de Pernambuco, marca o início do movimento Barroco no Brasil e pode ser considerado um primeiro exemplo de estilo rebuscado no Brasil-Colônia. Escrito em oitavas heróicas, reflete forte influência dos Lusíadas pela sintaxe, máximas camonianas e lugares-comuns mitológicos. Revela, também, atitude nativista lusobrasileira, ao louvar a terra, enquanto Colônia e os feitos do herói. Poesia Prosopopéia (1601). Padre Antônio Vieira ( ) Padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em Veio para a Bahia, aos seis anos de idade, ingressando pouco tempo depois no Colégio dos Jesuítas, do qual não mais se afastou. Iniciou sua carreira de pregador em 1633; viajou para Portugal, tão logo soube que este havia se libertado do domínio espanhol (A Restauração). Em 1641, já havia proferido alguns sermões que o tornaram famoso. Em Portugal participou ativamente da vida política da época, colocando-se em defesa dos cristão-novos e suscitando ódio da Inquisição, que o prendeu. Anos depois, regressou ao Brasil e se estabeleceu no Maranhão, dedicando-se à evangelização dos índios e à defesa destes contra os colonos. Tal conflito terminou com sua expulsão e de toda a Companhia. Novamente em Portugal foi perseguido e processado pela Inquisição; após o perdão, viajou para Roma, onde pregou durante alguns anos. Retornou definitivamente à Bahia em 1681, onde reviu e organizou seus sermões para publicação. Morreu em 1697, no Colégio da Bahia. Dividido entre Portugal e Brasil, Vieira foi um produtivo escritor do Barroco brasileiro, que se impôs como teórico e como modelo. Sua obra constitui-se de 200 sermões, entre os quais o Sermão da Sexagésima, cerca de 500 cartas importantes documentos históricos que abordam a situação da Colônia, a Inquisição, os cristão-novos, a relação entre Portugal e Holanda, entre outros fatos e profecias. À parte suas opiniões proféticas, que revelam nacionalismo exacerbado e um servilismo extraordinário dos jesuítas, e as inúmeras cartas, abordando os mais diversos assuntos, o melhor de sua obra encontra-se nos sermões que, em linguagem simples e sem torneios de estilo, revelam extraordinário domínio da língua, imaginação, sensibilidade, humanidade e convicções. Utilizando-se da retórica jesuítica no trabalho das idéias e conceitos, Vieira mostrou-se um barroco conceitista, no desenvolvimento de idéias lógicas, destinadas a persuadir o público, e clássico na clareza e simplicidade de expressão. Seus temas preferidos foram: a valorização da vida humana, para reaproximála de Deus, e a exaltação do sofrimento, porque nele está o caminho da salvação. Sermões Sermão do Bonsucesso das Armas de Portugal contra os de Holanda (Bahia, 1640); Sermão da Sexagésima (Lisboa, 1655); Sermão de Santo Antonio aos Peixes (Maranhão, 1653); Sermão da Primeira Dominga da Quaresma (Maranhão, 1653); Sermão do Mandato (Lisboa, 1643); Sermão do Rosário (Bahia, 1633). Obras de Profecia História do Futuro; História de Portugal; Esperanças de Portugal;Clavis Prophetarum. Gregório de Matos ( ) Gregório de Matos Guerra nasce na Bahia, em1623, e morre no Recife em Filho de fidalgo português e de mãe brasileira, cursou humanidades com os Jesuítas da Bahia e se formou em Direito pela Universidade de Coimbra. Passou a advogar em Lisboa, ocupando cargos de magistratura. Por sua sátira, foi obrigado a voltar à Bahia e, aqui, esta foi aguçada, tornando-o motivo de reações e perseguições. Acabou deportado para Angola, retornando um ano antes de morrer em Pernambuco. Gregório de Matos, que em vida nada publicou, produziu uma obra vasta e diversificada, mas, em sua época, muitos de seus poemas circulavam entre o povo, oralmente ou em manuscritos. A poesia de Gregório de Matos é religiosa e lírica [ver Antologia]. Absolutamente conforme com a estética do Barroco, abusa de figuras de linguagem; faz uso do estilo cultista e conceitista, através de jogos de palavras e raciocínios sutis. As contradições, próprias, talvez, de sua personalidade instável, são uma constante em seus poemas, oscilando entre o sagrado e o profano, o sublime e o grotesco, o amor e o pecado, a busca de Deus e os apelos terrenos. É mais conhecido por sua sátira ferina, azeda e mordaz, usando, às vezes, palavras de baixo calão, daí seu epíteto Boca do Inferno. Critica todos os aspectos da sociedade baiana, particularmente o clero e o português. A atitude nativista que disso resulta é apenas conseqüência da situação na Colônia brasileira. Poesia Obras de Gregório de Matos, em seis volumes: (I) Sacra (1929); (II) Lírica (1923); (III) Graciosa (1930); (IV) e (V) Satírica (1930); (VI) Última (1933). Outros: Manoel Botelho de oliveira Exercícios Texto para as questões 01 a 03 À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em continuas tristezas a alegrias, 10

12 Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto, da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria, sinta-se triste. Começa o Mundo enfim pela ignorância A firmeza somente na inconstância. 01. No texto predominaram as imagens: a) olfativas; b)gustativas; c)auditivas; d)táteis; e)visuais. 02. A idéia central do texto é: a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo; b) a grandeza de Deus e a pequenez humana; c) os contrastes da vida; d) a falsidade das aparências; e) a duração prolongada do sofrimento. 03. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe? a) disposição antitética da frase; b) cultismo; c) estrutura bimembre; d) concepção teocênctrica; e) estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva. 04. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que: a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião; b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza; c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos; d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus; e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura. 05. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos: a) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX. b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas. c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa. d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época. e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seus talento não se restringia ao lirismo amoroso. 06. Assinale a alternativa incorreta sobre o Barroco português: a) Foi mais expressivo na prosa do que na poesia. b) Corresponde a uma fase de decadência de Portugal, primeiro dominado pela Espanha ( ) e depois pressionado pela concorrência da Holanda e outro países. c) A cultura acadêmica era frívola, rebuscada e voltada para a bajulação dos poderosos. d) O surgimento do Mito Sebastianista, associada aos mitos messiânicos do Encoberto e do Quinto Império, pode ser interpretado como uma reação nacionalista à estagnação e decadência do país. e) A poesia épica, voltada para a exaltação dos heróis do passado, foi o gênero literário mais significativo no Barroco luso. 07. Assinale a alternativa que não corresponde ao Barroco: a) Bifrontismo, dualismo, fusionismo, sentido dilemático. b) Feísmo, pessimismo, oscilação entre o sublime e o grotesco. c) Teocentrismo X Antropocentrismo, Fé X Razão, Alma X Corpo. d) Universalismo, uniformidade de características e projeções. e) n.d.a. 08. Assinale a incorreta: a) O cultismo, ou gongorismo, é a vertente barroca voltada para as imagens, a manipulação verbal, a ornamentação estilística. b) O conceptismo é a vertente barroca voltada para o jogo de idéias, a argumentação sutil que visa a convencer pelos recursos da lógica. c) A linguagem cultista tende ao rebuscamento, ao preciosismo, pelo acumulo de figuras (metáforas, antíteses, hipérboles, sinestesias, hipérbatos, quiasmos, anáforas etc.) d) A linguagem conceptista é menos rebuscada que a gongórica, volta-se mais para o conteúdo das palavras, para a essência de sua significação. e) Cultismo e conceptismo são pólos opostos do Barroco e tendem a ser mutuamente excludentes. 09. (UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a frase abaixo: A linguagem, o paradoxo, e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia. a) simples a antítese parnasiana b) rebuscada a antítese barroca c) objetiva a metáfora simbolista d) subjetiva o verso livre romântica e) detalhada o subjetivismo simbolista 10.(MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta: a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista. 11

13 b) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva. c) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão. d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações. e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista. 11.Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto: a) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida. b)o homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina. c) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista. d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma. e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas. 12. (VUNESP) Ardor em firme coração nascido; pranto por belos olhos derramado; incêndio em mares de água disfarçado; rio de neve em fogo convertido: tu, que em um peito abrasas escondido; tu, que em um rosto corres desatado; quando fogo, em cristais aprisionado; quando crista, em chamas derretido. Se és fogo, como passas brandamente, se és fogo, como queimas com porfia? Mas ai, que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania, como quis que aqui fosse a neve ardente, permitiu parecesse a chama fria. O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características: a)trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta. b)sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida. c)dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo. d)temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo. e)verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica. 13. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta: a)alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo. b)alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras. c)na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino. d) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus. e)a melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas. 14. Assinale a afirmação falsa: a) A cultura portuguesa, no século XII, conciliava três matrizes contraditórias: a católica, a islâmica e a hebraica. b) A cultura católica, técnica e literariamente superior às culturas islâmica e hebraica, impôs-se naturalmente desde os primórdios da formação de Portugal. c) A expulsão dos mouros e judeus e a Inquisição foram os aspectos mais dramáticos da destruição sistemática que a cultura triunfante impôs às culturas opostas. d) O judeu Maimônides e o islamista Averróis são expressões do que as culturas dominadas produziram de mais significativo na Península Ibérica. e) Pode-se dizer que a cultura portuguesa esteve desde seu início assentada na diversidade e na contradição, do que resultaram alguns de seus traços positivos (miscibilidade, aclimatabilidade etc.) e negativos (tendência ao ceticismo quanto a idéias, desconfiança etc. 15. Assinale a afirmação falsa sobre as cantigas de escárnio e mal dizer: a) A principal diferença entre as duas modalidades satíricas está na identificação ou não da pessoa atingida. b) O elemento das cantigas de escárnio não é temático, nem está na condição de se omitir a identidade do ofendido. A distinção está no retórico do equívoco, da ambigüidade e da ironia, ausentes na cantiga de maldizer. c) Os alvos prediletos das cantigas satíricas eram os comportamentos sexuais (homossexualidade, adultério, padres e freiras libidinosos), as mulheres (soldadeiras, prostitutas, alcoviteiras e dissimuladas), os próprios poetas (trovadores e jograis eram freqüentemente ridicularizados), a avareza, a corrupção e a própria arte de trovar. d) As cantigas satíricas perfazem cerca de uma quarta parte da poesia contida nos cancioneiros galegoportugueses. Isso revela que a liberdade da linguagem e a ausência de preconceito ou censura (institucional, estética ou pessoal) eram componentes da vida literária no período trovadoresco, antes de a repressão inquisitorial atirá-las à clandestinidade. e) Algumas composições satíricas do Cancioneiro Geral e algumas cenas dos autos gilvicentinos revelam a sobrevivência, já bastante atenuada, da linguagem livre e da violência verbal dos antigos trovadores. 12

14 Questões 16 e 17 - Assinale V (verdadeiro) e F para (falso) 16. ( ) A Provença, região sul da França, chamada Langue d Oc ou Languedo, foi o berço das primeiras manifestações de uma lírica sentimental, cortês, refinada, que fazia da mulher o santuário de sua inspiração poética e musical. 17. ( ) Enquanto no sul da Europa, nas proximidades do Mediterrâneo, alastrava-se o lirismo trovadoresco, voltado para a exaltação do amor, para a vassalagem amorosa, no norte predominava o espírito guerreiro, épico, que celebrava nas canções de gesta o heroísmo da cavalaria medieval. Questões 18 a 22 - Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) 18. ( ) No inicio do século XIII, a intransigência religiosa arrasou a Provença e dispersou seus trovadores, mas a lírica provençalesca já havia fecundado a poesia ocidental com a beleza melódica e a delicadeza emocional de sua poesia-música, impondo uma nova concepção do amor e da mulher. 19. ( ) A canção associava o amor-elevação, puro, nobre, inatingível, ao amor dos sentidos, carnal, erótico; a alegria da razão (o amor intelectual) à alegria dos sentidos. 20. ( ) A poesia lírica dos provençais teve seguidores na França, na Itália, na Alemanha, na Catalunha, em Portugal e em outras regiões, onde também os temas folclóricos foram beneficiados com a forma mais culta e elaborada que os trovadores disseminaram. 21. ( ) Foi o que ocorreu em Portugal e Galiza: a poesia primitiva, oral, autóctone, associada à musica e à coreografia e protagonizada por uma mulher, as chamadas cantigas de amigo, passaram a se beneficiar do contato com uma arte mais rigorosa e mais consciente de seus meios de realização artística. 22. ( ) O primeiro trovador provençal foi Guilherme IX, da Aquitânia ( ). Bernart de Ventadorn e Jaufre Rudel representam a poesia mais simples, facilmente inteligível; Marcabru, Raimbaut d Aurenga e especialmente Arnault Daniel representam a poesia mais elaborada, com imagens e associações inesperadas, capazes de encantar os mais rigorosos exegetas, de Dante Alighieri a Ezra Pound. 23. (FUVEST) Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vicente: a)compôs peças de caráter sacro e satírico. b)introduziu a lírica trovadoresca em Portugal. c)escreveu a novela Amadis de Gaula. d)só escreveu peças e português. e)representa o melhor do teatro clássico português. 24. (FUVEST-SP) Caracteriza o teatro de Gil Vicente: a) A revolta contra o cristianismo. b) A obra escrita em prosa. c) A elaboração requintada dos quadros e cenários apresentados. d) A preocupação com o homem e com a religião. e) A busca de conceitos universais. 25.(FUVEST-SP) Indique a afirmação correta sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente: a)é intricada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com a inesperado de cada situação. b) O moralismo vicentino localiza os vícios, não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas. c)é complexa a critica aos costumes da época, já que o autor primeiro a relativizar a distinção entre Bem e o Mal. d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares mais ridicularizadas e as mais severamente punidas. e) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo. 26.(FUVEST-SP) Diabo, Companheiro do Diabo, Anjo, Fidalgo, Onzeneiro, Parvo, Sapateiro, Frade, Florença, Brísida Vaz, Judeu, Corregedor, Procurador, Enforcado e Quatro Cavaleiros são personagens do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Analise as informações abaixo e selecione a alternativa incorreta cujas características não descrevam adequadamente a personagem. a)o Onzeneiro idolatra o dinheiro, é agiota e usurário; de tudo que juntara, nada leva para a morte, ou melhor, leva a bolsa vazia. b) O Frade representa o clero decadente e é subjugado por suas fraquezas: mulher e esporte; leva a amante e as armas de esgrima. c)o Diabo, capitão da barca do inferno, é quem apressa o embarque dos condenados; é dissimulado e irônico. d)o Anjo, capitão da barca do céu, é quem elogia a morte pela fé; é austero e inflexível. e)o Corregedor representa a justiça e luta pela aplicação integra e exata das leis; leva papéis e processos. 27.Leia com atenção o fragmento do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente: Parvo- Hou, homens dos breviários, Rapinastis coelhorum Et pernis perdigotorum E mijais nos campanários. Não é correto afirmar sobre o texto: a) As falas do Parvo, como esta, sempre são repletas de gracejos e de palavrões, com intenção satírica. b) Nesta fala, o Parvo está denunciando a corrupção do Juiz e do Procurador. c) O latim que aparece na passagem é exemplo de imitação paródia dessa língua. d)por meio de seu latim, o Parvo afasta-se de sua simplicidade, mostrando-se conhecedor de outras línguas. e)ao misturar um falso latim com palavrões, Gil Vicente demonstra a natureza popular de seu teatro e de seus canais de expressão. 13

15 28. Sobre o Humanismo, identifique a alternativa falsa: a)em sentido amplo, designa a atitude de valorização do homem, de seus atributos e realizações. b)configura-se na máxima de Protágoras: O homem é a medida de todas as coisas. c) Rejeita a noção do homem regido por leis sobrenaturais e opõe-se ao misticismo. d)designa tanto uma atitude filosófica intemporal quanto um período especifico da evolução da cultura ocidental. e)fundamenta-se na noção bíblica de que o homem é pó e ao pó retornará, e de que só a transcendência liberta o homem de sua insignificância terrena. 29. Ainda sobre o Humanismo, assinale a afirmação incorreta: a)associa-se à noção de antropocentrismo e representou a base filosófica e cultural do Renascimento. b)teve como centro irradiador a Itália e como precursor Dante Alighieri, Boccaccio e Petrarca. c)denomina-se também Pré-Renascentismo, ou Quatrocentismo, e corresponde ao século XV. d)representa o apogeu da cultura provençal que se irradia da França para os demais países, por meio dos trovadores e jograis. e) Retorna os clássicos da Antiguidade greco-latina como modelos de Verdade, Beleza e Perfeição. 30. Sobre a poesia palaciana, assinale a alternativa falsa: a) É mais espontânea que a poesia trovadoresca, pela superação da influência provençal, pela ausência de normas para a composição poética e pelo retorno á medida velha. b)a poesia, que no trovadorismo era canto, separa-se da música, passando a ser fala. Destina-se à leitura individual ou à recitação, sem o apoio de instrumentos musicais. c) A diversidade métrica da poesia trovadoresca foi praticamente reduzida a duas medidas: os versos de 7 sílabas métricas (redondilhas menores). d)a utilização sistemática dos versos redondilhas denominou-se medida velha, por oposição à medida nova,denominação que recebemos os versos decassílabos, trazidos da Itália por Sá de Miranda, em e)a poesia palaciana foi compilada em 1516, por Garcia de Resende, no Cancioneiro Geral, antologia que reúne 880 composições, de 286 autores, dos quais 29 escreviam em castelhano. Abrange a produção poética dos reinados de D. Afonso V ( ), de D. João II ( ) e de D. Manuel I O Venturoso ( ). 31. O Cancioneiro Geral não contém: a)composições com motes e glosas. b)cantigas e esparsas. c)trovas e vilancetes. d)composições na medida velha. e)sonetos e canções. 32. A obra de Fernão Lopes tem um caráter: a)puramente científico, pelo tratamento documental da matéria histórica; b)essencialmente estético pelo predomínio do elemento ficcional; c)basicamente histórico, pela fidelidade à documentação e pela objetividade da linguagem científica; d)histórico-literário, aproximando-se do moderno romance histórico, pela fusão do real com o imaginário. e)histórico-literário, pela seriedade da pesquisa histórica, pelas qualidades do estilo e pelo tratamento literário, que reveste a narrativa histórica de um tom épico e compõe cenas de grande realismo plástico, além do domínio da técnica dramática de composição. 33. Identifique a alternativa que não contenha ideais clássicos de arte: a) Universalismo e racionalismo. b) Formalismo e perfeccionismo. c) Obediência às regras e modelos e contenção do lirismo. d) Valorização do homem (do aventureiro, do soldado, do sábio e do amante) e verossimilhança (imitação da verdade e da natureza). e) Liberdade de criação e predomínio dos impulsos pessoais. 34. O culto aos valores universais o Belo, o Bem, a Verdade e a Perfeição e a preocupação com a forma aproximaram o Classicismo de duas escolas literárias posteriores. Aponte a alternativa que identifica essas escolas: a) Barroco e Simbolismo; b) Arcadismo e Parnasianismo; c) Romantismo e Modernismo; d) Trovadorismo e Humanismo; e) Realismo e Naturalismo. 35. Não se relaciona à medida nova: a) versos decassílabos; b) influência italiana; c) predileção por formas fixas; d) sonetos, tercetos, oitavas e odes; e) cultura popular, tradicional. 36. Assinale a incorreta sobre Camões: a) Sua obra compreende os gêneros épico, lírico e dramático. b) A lírica de Camões permaneceu praticamente inédita. Sua primeira compilação e póstumas, datada de 1595, e organizada sob o título de As Rimas de Luis de Camões, por Fernão Rodrigues Lobo Soropita. c) Sua lírica compõe-se exclusivamente de redondilhas e sonetos. d) Apesar de localizada no período clássicorenascentista, a obra de citações barrocas. e) Representa a amadurecimento de língua portuguesa, sua estabilização e a maior manifestação de sua excelência literária. 37. Ainda sobre Camões, assinale a incorreta: a) Não há um texto definitivo de lírica camoniana. Atribuem-se-lhe cerca de 380 composições líricas, destacando-se os cerca de 200 sonetos, alguns de autoria controversa. b) Camões teria reunido sua lírica sob o titulo de O Parnaso Lusitano, que se perdeu, e do qual há algumas referências nas cartas do poetas. 14

16 c) As redondilhas de Camões seguem os moldes da poesia palaciana do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e, mesmo na medida velha, o poeta superou seus contemporâneos e antecessores. d) A lírica na medida velha, tradicional, medieval valese dos motes glosados, das redondilhas e são de cunho galante, alegres e madrigalesco. e) A principal diferença entre a poesia lírica e a poesia épica é formal e manifesta-se da utilização de versos de diferentes metros. 38. Não são modalidade da medida nova: a) canção e elegia; b) soneto e ode; c) terceto e oitava; d) écloga e sextina; e) trova e vilancete. 39. (FUVEST-SP) Na Lírica de Camões: a) o verso usado para a composição dos sonetos é o redondilho maior; b) encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos; c) cantar a pátria é o centro das preocupações; d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX; e) a mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade. 40. (MACKENZIE-SP) Sobre o poema Os Lusíadas, é incorreto afirmar que: a) quando a ação do poema começa, as naus portuguesas estão navegando em pleno Oceano Índico, portanto no meio da viagem; b) na Invocação, o poeta se dirige às Tágides, ninfas do rio Tejo; c) Na ilha dos Amores, após o banquete, Tétis conduz o capitão ao ponto mais alto da ilha, onde lhe descenda a máquina do mundo ; d) Tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama, a fim de estabelecer contato marítimo com as Índias; e) É composto em sonetos decassílabos, mantendo em estrofes o mesmo esquemas de rimas. Gabarito 01.E 02.A 03.A 04.E 05.D 06.E 07.E 08.E 09.B 10.E 11.B 12.C 13.D 14.B 15.A 16.V 17.V 18.V 19.V 20.V 21.V 22.V 23.A 24.D 25.B 26.E 27.D 28.E 29.D 30.A 31.E 32.E 33.E 34.B 35.E 36.C 37.E 38.E 39.D 40.E ARCADISMO OU NEOCLASSICISMO O termo Arcadismo deriva de Arcádia, região da antiga Grécia, localizada na parte central do Peloponeso. De relevo montanhoso, a Arcádia era habitada por pastores e, desde a Antiguidade, foi exaltada como uma região mítica, cujos habitantes entremeavam trabalho com poesia, cantando o paraíso rústico em que viviam como a terra da inocência e da felicidade. Na Renascença, a palavra Arcádia passou a simbolizar um lugar ideal para se viver, sinônimo de equilíbrio e serenidade de espírito. Adquiriu também certa tonalidade sensual: pastores e pastoras vivendo amores espontâneos, junto a uma natureza amena e acolhedora. Essas imagens de bonança sentimental vêm sugeridas no romance pastoril Arcádia (1504), escrito em verso e prosa pelo italiano Sannazaro ( ). No século XVIII, Arcádia passa a designar agremiações de poetas, que se reuniam regularmente, visando a restaurar a sobriedade dos poetas clássicorenascentistas. Essas sociedades literárias unificaram-se em torno de um princípio básico: fazer a poesia voltar ao equilíbrio das regras clássicas. Daí, a expressão Neoclassicismo ser muitas vezes veiculada como sinônimo de Arcadismo. É, mais propriamente, uma tendência que procurou reabilitar gêneros, formas e técnicas da expressão clássica, especialmente aquelas que tinham sido desenvolvidas no século XVI. A fundação da Arcádia Lusitana (1756) constituiuse no marco inicial do movimento em Portugal. Seu emblema apresentava uma rústica mão segurando um podão, acompanhada da inscrição inutilia truncat (corta o inútil), que ressaltava a rejeição fóbica ao Barroco. Deste movimento, os árcades criticavam os vícios e os excessos, caracterizando-os como defeitos a serem corrigidos, para que, assim, a literatura pudesse cumprir sua função moral. Panorama Histórico Literário O século XVIII ficou conhecido como o século das luzes, graças ao esforço desenvolvido por um grupo de pensadores, que fizeram da razão o soberano condutor da vida humana, procurando irradiar a luz do conhecimento. A Ilustração (ou Iluminismo) foi um movimento que se empenhou em retomar e expandir o fio revolucionário do Renascimento, truncado pela Contra- Reforma. Foi um período particularmente progressista da História, pois instaurou um novo humanismo, orientado pela ciência e pela filosofia. Em nome desse racionalismo, impôs-se, na literatura, a disciplina como norma de criação: os árcades, por obedecerem a princípios muito rígidos, tornaram sua arte repleta de clichês. Os mais criativos reagem a esse enquadramento, abrindo dissidência do movimento por rejeitarem seu formalismo insípido e redundante. Com essa atitude, alguns poetas apresentam sugestões que prenunciam o Romantismo, tendência que começava a se manifestar na Alemanha e na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII. Ao homem do século XVIII interessava explicar os fenômenos naturais, determinado que estava em querer saber não só o porquê mas o corno das coisas. Montesquieu, Voltaire e Rousseau, os mais importantes pensadores iluministas, submeteram as crenças tradicionais, as opiniões políticas, sociais e econômicas ao crivo da razão. Subordinaram as explicações da realidade ao espírito crítico, aplicando-o no livre exame dos problemas, ora de forma picante e sarcástica (como Montesquieu nas Cartas persas, e Voltaire em Cândido), ora imprimindo um tom mais grave e reflexivo (como Rousseau no Contrato social). 15

17 A corajosa edição da Enciclopédia, dicionário arrazoado das ciências, das artes e dos ofícios (28 volumes, publicados entre ) representou o ponto mais alto desse processo de fermentação de idéias que, somado aos conflitos de ordem social e política, conduziram à Revolução Francesa, em Coordenada por Diderot e D Alembert, a Enciclopédia teve seus verbetes redigidos por pensadores como Voltaire e Condorcet (filosofia), Rousseau (música), Buffon e D Holbach (ciências). Acreditavam firmemente que a difusão universal dos conhecimentos e das técnicas possibilitaria a libertação do homem, concorrendo para sua progressiva felicidade neste mundo. Diderot atribuiu a finalidade da Enciclopédia à pretensão de reunir todos os conhecimentos esparsos sobre a superfície da terra, para expô-los aos homens contemporâneos, e transmiti-los aos do futuro, a fim de que os trabalhos dos séculos passados não tenham sido inúteis; que os homens do futuro, tornando-se mais instruídos, tornem-se ao mesmo tempo mais virtuosos e mais felizes. De certa maneira, esse espírito enciclopédico refletirse-á na literatura da época, na medida em que esta se propõe a doutrinar moralmente o leitor. Esse empenho fica bem caracterizado na produção de fábulas, gênero clássico por excelência, que vinha sendo retomado desde o fim do século XVII. Correia Garção, um dos fundadores da Arcádia Lusitana, afirmava que o compromisso dessa academia era o de formar uma escola de bons ditames e de bons exemplos em matéria de eloqüência e de poesia. O triunfo desse espírito crítico se espalhou por todo o mundo. O cosmopolitismo do movimento se acentuou, com muitas cortes européias acolhendo filósofos e escritores Franceses. Muitas monarquias absolutistas, pressionadas pela aristocracia, procuraram adaptar-se às novas idéias, gerando o fenômeno do despotismo esclarecido. Os reflexos dessa rebeldia intelectual alcançaram a América: a independência dos Estados Unidos (1776) e a Constituição dela resultante permitiram concretizar (graças aos esforços de Benjamin Franklin, Thomas Jefferson e Tom Paine) o que na Europa permanecia no plano ideal. No Brasil, padres, militares, literatos, representantes da pequena burguesia urbana, enfim, os intelectuais que participaram da frustrada Conjuração Mineira (1789), conheceram o Iluminismo em Coimbra, onde muitos estudaram. No panorama europeu do século XVIII, outro fenômeno relevante foi o da intensificação da atividade comercial pela burguesia, favorecida por inventos como o tear mecânico e a máquina a vapor, marcos da Revolução Industrial. Desenvolveram-se os meios de transporte, com a implantação das estradas de ferro, e assim, pequenas oficinas transformaram-se em grandes fábricas de tecidos, cujo lucro ensejou o surgimento de bancos e companhias de seguro. Países como a Inglaterra, França e Holanda alcançaram extraordinário desenvolvimento econômico. Esse processo gerou uma crescente e desordenada urbanização: todos queriam trabalhar nas indústrias nascentes. As cidades incharam, sem infra-estrutura para oferecer condições mínimas de moradia. Foi essa desenfreada urbanização que despertou nos poetas certa nostalgia pela vida campestre, levando-os à exploração da temática do pastoralismo. O desenvolvimento desse filão na poesia manifestavase como compensação para uma existência que se tornava perigosamente complexa e desencantada. A constante evocação ao bucolismo é apresentada como alternativa saudável para a violência e a intranqüilidade urbanas. Os árcades recomendavam o fugere urbem (fugir da cidade), associando-o à postura da aurea mediocritas (o equilíbrio de ouro), como meio de se levar uma vida mais serena e equilibrada. Originalmente, essas expressões latinas eram versos dos poetas Virgílio e Horácio: foram destacadas para se transformarem em convenções que orientaram a literatura do século XVIII. Pensadores iluministas como Rousseau, passaram a ser cultuados por valorizarem a vida em contato com a natureza. O compromisso éticoestético dos árcades exigia também que os poetas adotassem um nome de pastor. Assim, Elmano Sadino será o pseudônimo de Bocage; Tomaz Antônio Gonzaga assinará seus versos como Dirceu e Critilo ; Cláudio Manuel da Costa será o Glauceste Satúrnio ; Basílio da Gama, o Termindo Sipílio etc. No plano teórico, os árcades procuraram seguir o princípio da mímesis (imitação), desenvolvido por Aristóteles (384 a.c.-322 a.c.). Em sua Poética, Aristóteles preconizava que imitar é natural ao homem desde a infância e nisso difere dos outros animais, em ser o mais capaz de imitar e de adquirir os primeiros conhecimentos por meio da imitação e todos têm prazer em imitar. Para aquele pensador, quando um artista coloca um espelho diante da natureza, não o faz apenas para reproduzir seu aspecto exterior, mas para captar seus significados mais profundos. Horácio (65a.C. - 8a.C.), outro que meditou sobre a imitação, foi também referência para os árcades. Em sua Epístola aos Pisões, examinou o problema sob o prisma da relação entre o criador e o receptor. Dizia que não basta aos poemas serem belos; têm de ser emocionantes, de conduzir os sentimentos do ouvinte aonde quiserem. O rosto da gente, como ri com quem ri, assim se condói de quem chora; se me queres ver chorar, tens de sentir a dor primeiro tu. Arcadismo em Portugal Pouco antes do inicio da era Pombalina, fundou-se a Arcádia Lusitana (1756). A ela pertenceram Antonio Diniz da Cruz e Silva (o Elpino Nonacriense ), Domingos Reis Quita (o Alcino Micênio ), e Correia Garção (o Córidon Erimmanteu ). Na sede da instituição, denominada Monte Ménalo, realizavam-se periodicamente reuniões, em que os poetas-pastores portavam lírios brancos e cajados para reforçar sua identidade com o campo, já anunciada pelos pseudônimos escolhidos. Defendiam os seguintes princípios estéticos: a Arte como imitação da Natureza, tendo como fundamento a Verdade; a Poesia devia apresentar forma simples, clara e comedida, eliminando frases pomposas e metáforas rebuscadas, traços barrocos considerados defeituosos; 16

18 retomada dos autores clássicos (da Antiguidade e do Renascimento) como modelos dignos da imitação. Segundo Correia crítico da Arcádia Lusitana, o poeta que não seguir aos Antigos perderá de todo o norte e não poderá jamais alcançar aquela força, energia e majestade que nos retratam o famoso e angélico semblante da natureza. Devemos imitar os Antigos: assim no-lo ensina Horácio no-lo dita a razão, e o confessa todo o mundo literário. Mas esta doutrina, este bom conselho, devemos abraçá-lo e segui-lo de modo que mais pareça que o rejeitamos, isto é, imitando e não traduzindo (...) quem imita deve fazer seu o que imita (...) Feliz aquele que não só imita, mas excede o seu original. Posteriormente, Filinto Elísio liderou o Grupo da Ribeira das Naus, que se opôs à Arcádia Lusitana e foi o germe da Nova Arcádia, fundada em Dela participou o maior talento da poesia portuguesa da época: Bocage. Manuel Bocage VIDA Filho de pais intelectuais. Manuel Maria Barbosa du Bocage desde pequeno revelou temperamento inquieto. Aos 10 anos, perdeu a mãe, o que marcou sua hipersensibilidade, levando-o a se fixar na imagem gloriosa do avô materno, o almirante francês GuIes Le Doux du Bocage. Daí, a decisão de alistar-se na Real Companhia de Guardas-Marinha, aos 18 anos. Começou a freqüentar o Rossio, bairro boêmio de Lisboa, onde conheceu Gertrudes da Cunha de Eça, cantada como Gertrúria em sua poesia. Completado o curso náutico, Bocage embarcou para a Índia, servindo como guarda-marinha em Goa até Promovido a tenente, foi transferido para Damão, onde desertou, viajando para Macau. Na China, reabilitou-se e regressou a Portugal (1790), sofrendo do duro golpe ao encontrar sua Gertrúria com Gil Francisco du Bocage, seu irmão mais velho. Passou a compor versos de improviso em troca de alojamento, comida e bebida. Cada vez mais solicitado as rodas dos botequins, foi convidado a ingressar na Nova Arcádia, adotando o pseudônimo de Elmano Sadino. Elmano é anagrama de Manoel, ao passo que Sadino é referência ao rio Sado que banha Setúbal, sua cidade natal. Participou de algumas sessões naquela academia, dela se desligando após polêmica com o Pe. José Agostinho de Macedo. Em 1791, Bocage publicou o primeiro volume de suas Rimas, tornando-se respeitado pela poesia lírica e famoso pela satírica. O denso erotismo e a sátira mordaz de seus versos, somados a um certo liberalismo político, fizeram com que fosse perseguido e hostilizado. Em 1797, por ordem do intendente Pina Manique (que queria calafetar Portugal das idéias francesas ), Bocage foi encarcerado no temido presídio do Limoeiro, acusado de papéis ímpios, sediciosos e críticos. Condenado a receber boa doutrina, foi enclausurado no Mosteiro de S. Bento da Saúde e depois no Hospício das Necessidades. Libertado em 1799, mudou radicalmente seu estilo de vida: abandonou definitivamente as noitadas boêmias, numa decisão de prudente conveniência política. Para sustentar-se, e também à irmã e à sobrinha, Bocage passou a fazer traduções das obras de Ovídio, Racine, Voltaire e Rousseau. Essa drástica metamorfose conduziu o poeta a uma certa apatia sócio-política, levando-o a conciliar-se com antigos adversários. Aos 40 anos, sofreu um aneurisma fatal, falecendo em 21 de dezembro de Indiscutivelmente, Bocage tornou-se um dos poetas mais populares da literatura portuguesa. Sua fama advém, sobretudo, da exuberante veia erótico - satírica, manifesta em versos de linguagem obscena e/ou agressiva. Impiedoso, caricaturou assim os poetas que freqüentavam as sessões da Nova Arcádia. Na poesia satírica de Bocage, a comunicação direta envolve facilmente o leitor. Boa parte dessa vertente de sua poesia, de corte ora lânguido, ora desbocado, foi produzida sob o embalo das madrugadas boêmias. De certo modo, representa uma retomada das cantigas de escárnio e maldizer do Trovadorismo, adaptadas para a linguagem do século XVIII. O destaque de sua obra vai para a poesia lírica, especialmente a que se concentra nos sonetos. Depois de Camões, não por acaso seu modelo, só Bocage conseguiu dar uma dimensão de grandeza a esta forma poética. No século XIX, Antero de Quental também compôs apreciáveis sonetos. Num primeiro momento, sua lírica obedeceu aos clichês e lugares-comuns do Arcadismo: pastoras, prados, ovelhas, ribeiros, fontes, recorrência freqüente à mitologia, uso de um vocabulário erudito, permeado de figuras de retórica como alegorias, prosopopéias, perífrases. O código literário que resultou desses chavões não é lá muito acessível aos que se acostumaram ao imediatismo de recepção de sua poesia satírica ou fescenina. Esse convencionalismo no tratamento das imagens vai se atenuando à medida que se liberta do asfixiante programa árcade. Como a disciplina exigida pelo ideário da escola não satisfazia sua sensibilidade, o poeta abriu dissidência do movimento e passou a tratar de temas e situações condizentes com um espírito mais avançado e que melhor atendia à sua sensibilidade: o do Romantismo. Importante destacar que essa antecipação romântica também se manifestou na poesia de Filinto Elísio e da Marquesa de Alorna (em Portugal) e em Tomáz Antônio Gonzaga e Basílio da Gama (no Brasil), que também desobedeceram aos regulamentos limitadores do Arcadismo. Os temas mais constantes de sua poesia lírica são o amor, a morte, o destino, a natureza. Com o salto rumo ao Romantismo, o tratamento destes temas passou a ser outro, qualificando-se pelos seguintes traços: valorização do sentimento e da emoção, em detrimento da razão; o culto do eu, o egocentrismo; o desespero íntimo, que conduziu à preferência por imagens macabras e situações tétricas: o locus horrendus substituiu o locus amoenus dos primeiros poemas; o horror e o aniquilamento provocados pelo medo da morte; 17

19 o impulso para a solidão, que o levou a escolher lugares ermos e a preferir a paisagem noturna. Em muitos desses poemas pré-românticos, percebe-se uma dubiedade, revelando o quanto ele oscilou entre um estado de contemplação filosófica e uma submissão total ao amor ou à obsessão pela morte. Se se somar a isso um certo individualismo, a certeza de um destino infeliz e a dinamização da natureza, delineiam-se com mais precisão os contornos antecipadores do Romantismo em sua poesia. O Arcadismo No Brasil O século XVIII destaca-se, nas letras brasileiras, por ter marcado o início das atividades de escritores enquanto grupo: fundaram-se várias sociedades literárias, das quais a mais importante foi a primeira: a Academia Brasílica dos Esquecidos (Salvador, 1724). A ela seguiram-se a Academia dos Felizes (Rio de Janeiro, 1736), a dos Seletos (Rio, 1752), a dos Renascidos (Salvador, 1759), e finalmente, a dos Felizes (São Paulo, 1770). Beneficiando-se da maior organização cultural, cujo indício fora a proliferação das Academias Literárias, o Arcadismo brasileiro constituiu o primeiro esforço conjunto de criação de uma literatura nacional, embora esta ainda estivesse ligada à produção poética que se fazia na Europa. Os poetas ligados a esse movimento da literatura brasileira foram árcades sem Arcádias, já que não se formou no país nenhuma academia do tipo das que proliferaram na Europa. Foi também naquele século que se promoveu o desenvolvimento cultural de regiões que até então estavam isoladas: Minas Gerais, Rio de Janeiro e, em menor escala, São Paulo. Daqui partiram as bandeiras, expedições que levaram à descoberta de ouro, diamante e outros metais preciosos. Esse ciclo econômico desencadeou a ocupação do interior do país: atraídos pelo ouro, muita gente foi para Minas Gerais, região responsável por dois terços da produção mundial desse minério. Com lastro nessa riqueza, a Corte portuguesa se esbaldou em banquetes e na aquisição de artigos de luxo importados da Inglaterra. Para compensar a inevitável queda da produção aurífera, a Metrópole passou a cobrar impostos e taxas absurdas, no volume e na variedade. Com o agravamento da crise, a região das minas tornou-se cada vez mais receptiva às idéias iluministas, que muitos brasileiros conheceram em Portugal, onde estudaram, estimulados pela independência dos E.U.A. e pelas manifestações prérevolucionárias na França, membros da elite de Vila Rica, o principal núcleo urbano surgido com a mineração, não esconderam seu descontentamento: O vasto empório das douradas Minas Por mim o falará: quando mais finas Se derramam as lágrimas no imposto De uma capitação, clama o desgosto De um país decadente. Cláudio Manuel da Costa Militares, padres, comerciantes, fazendeiros, juristas e poetas, enfim representantes dessa elite, não suportando mais a injustiça dos encargos cobrados para sustentar o bem-estar de uma corte decadente, mobilizaram-se para organizar um movimento pela independência do país. Entre os sediciosos, centralizados em Minas Gerais, encontravam-se três poetas: Alvarenga Peixoto, Tomáz Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa. O envolvimento deles na causa da libertação do país evidencia-se através das Cartas Chilenas, escritas por Tomáz A. Gonzaga e dirigidas a Cláudio M. da Costa. Em tom satírico, Gonzaga (protegido pelo pseudônimo de Critilo), comenta com o amigo Cláudio (denominado Doroteu) as arbitrariedades e os desmandos do governador de Vila Rica, Luís da Cunha Menezes. Para burlar a censura, o poeta localizou a ação do poema no Chile, embora se refira evidentemente a Vila Rica. De nada adiantou o truque porque a sublevação foi denunciada, seus participantes presos e condenados. Frustrou-se assim o sonho da independência, sintetizado no verso de Virgílio Libertas quae sera tamen, escolhido pelos poetas para servir de lema à bandeira dessa conjuração, que a Coroa portuguesa chamou de Inconfidência Mineira (1789). Autores e Obras A poesia brasileira do século XVIII, embora dominantemente árcade, conjugou influências camonianas, barrocas, elementos bucólicos e motivações pré-românticas nas obras dos vários autores. Do ponto de vista da literariedade, as melhores produções árcades foram as que se orientaram pela vertente do lirismo, como o de Tomáz Antônio Gonzaga. Além dele, destacam-se: as Obras, de Cláudio Manuel da Costa, cuja publicação, em Coimbra, no ano de 1768, indicou oficialmente o início do Arcadismo brasileiro. Árcade ultramarino, Cláudio M. da Costa incorporou em seus sonetos forte influência de Camões, a que mesclou consciente sentimento nativista. As imagens da pedra, tão marcantes em sua poesia, expressam o enraizamento na terra natal e constituem-se em elemento diferenciador dos clichês bucólicos que, invariavelmente, formam a paisagem árcade. Glaura (1799), de Silva Alvarenga (o Alcindo Palmireno ), cujos madrigais e rondós destacam- se pela fina musicalidade e pelo requinte com que desenhou a natureza do Rio de Janeiro. Bárbara Heliodora (lira) e Estela e Nise (soneto), poemas de Alvarenga Peixoto; o restante de sua obra é pouco expressivo, porque se atrelou completamente às convenções árcades. É lembrado hoje muito mais por sua participação na Conjuração Mineira e por seu envolvimento com Bárbara Heliodora, também artista e revolucionária. No gênero épico, sobressaem os seguintes trabalhos: O Uraguai (1769), de Basílio da Gama, poema em cinco cantos, composto em versos brancos e estrofação livre, O tema da epopéia é a luta entre a população indígena dos Sete Povos das Missões e o exército lusoespanhol, comandado por Gomes Freire de Andrade, responsável pela execução dos dispositivos do Tratado de Madri (1750). A estriatura do poema rompe com o esquema tradicional da épica camoniana, até então dominante. Afasta-se também dos cenários bucólicos e das referências mitológicas convencionais do Arcadismo, para instaurar um espaço mais adequado ao tema: a 18

20 exaltação do índio como herói, prenunciando o indianismo romântico. Caramuru (1781), de Santa Rita Durão, poema que segue rigorosamente o modelo camoniano, aplicado n Os Lusíadas: dez cantos, versos decassílabos organizados em oitava-rima. O tema é o naufrágio, o resgate e as aventuras de Diogo Álvares Correia, apelidado de Caramuru pelos índios. O relato é enriquecido por referências a fatos que vão desde o achamento do Brasil até o século XVIII. Tomáz Antônio Gonzaga Vida Filho de pai brasileiro e mãe portuense, veio para o Brasil com 7 anos, acompanhando o pai que fora nomeado ouvidor-geral em Recife. Logo depois foi enviado para a Bahia, para estudar no colégio de jesuítas de Salvador. Lá permaneceu até 1759, ano em que os jesuítas foram expulsos do Brasil, por decreto do Marquês de Pombal. Retornou a Portugal em 1761; depois de breves passagens por Lisboa e Porto, foi para Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito, formando-se em Planejando uma carreira universitária, defendeu uma tese sobre o Direito Natural, tratado de saber iluminista, dedicado ao Marquês de Pombal. Acabou seguindo, no entanto, a carreira da magistratura, sendo nomeado para juiz de fora em Beja (1779) pela rainha D. Maria I. Também por determinação da rainha, foi transferido para Vila Rica em 1782, para assumir a função de ouvidor-geral. Tornou-se amigo de Cláudio Manuel da Costa e de Alvarenga Peixoto, que já conhecia de Coimbra. Luís da Cunha Menezes, ao assumir o governo de Minas, em 1783, criou uma série de conflitos para Tomáz A. Gonzaga, que ridicularizará o prepotente governador nas Cartas chilenas. Foi também em 1783 que Gonzaga conheceu Maria Joaquina Dorotéia do Seixas, transformando-a em musa de sua poesia, onde foi exaltada como Marilia. Dela se enamorou, apesar da diferença de idade: ela com 17 anos e ele chegando aos 40. Gonzaga teve uma promoção do tipo remoção para o cargo de Desembargador na Bahia, mas adiou o quanto pôde essa transferência, por interesse político e pessoal. Com a posse do Visconde de Barbacena, em 1788, Gonzaga sentiu-se aliviado e pediu à rainha licença para se casar com Maria Dorotéia. Sua participação na Conjuração Mineira foi denunciada por Joaquim Silvéno dos Reis, de quem era inimigo pessoal, desde que o ridicularizara como Silverino, nas Cartas chilenas. Preso em 21 de maio de 1789, foi enviado para a Ilha das Cobras, no litoral do Rio de Janeiro, onde permaneceu durante três anos até que fosse decidida sua sorte: degredo perpétuo na África. Em Moçambique, conseguiu reconstruir sua vida, casando-se com Juliana de Sousa Mascarenhas, filha de um rico comerciante de escravos, e tornando-se conselheiro jurídico do governo daquela colônia portuguesa. Dedicou-se também ao comércio e, já no fim da vida, foi nomeado juiz da alfândega local. Obra Marília de Dirceu (l parte, 1792; 2 parte, 1799;3parte, 1812) Cartas chilenas (1845) 19 Tratado de Direito Natural (1944) Cartas sobre a usura (1957) A poesia lírica de Tomáz A. Gonzaga representa, sem dúvida, o melhor momento da criação literária no Brasil do século XVIII. Marília de Dirceu, por justiça e mérito, tornou-se uma das obras de maior receptividade na literatura de língua portuguesa, encantando os leitores desde o seu lançamento. Manuel Bandeira afirma que nenhum poema, a não ser Os Lusíadas, tem tido tão numerosas edições. A paixão de um homem maduro por uma adolescente de 17 anos é o fio condutor de Marília de Dirceu. A primeira parte reúne vinte e três liras compostas por Gonzaga desde quando conheceu Manha até ser preso pelo envolvimento na Conjuração Mineira. A segunda parte, com trinta e duas liras, foi escrita na prisão, durante os três anos em que o poeta ficou aguardando uma definição para o seu caso. Aliás, o drama político que levou o poeta à separação definitiva de sua amada, já que foi condenado à permanência definitiva na África, é um outro fator que desperta interesse em torno da obra. A terceira parte, de qualidade inferior às outras, exalta outras musas, como Nise, Lidora, Elvira e Laura; no entanto, é ainda Marília quem inspira os melhores versos da lírica de Gonzaga, especialmente quando descreve a natureza brasileira e o ambiente social do ciclo do ouro. Em Marília de Dirceu, Gonzaga satisfez aos principais cânones árcades, como o de cultivar o tão decantado equilíbrio existencial (a aurea mediocritas), e ainda o de defender a utopia de que o homem que vive próximo à natureza torna-se um ser superior por depurar sua força interior. A sinceridade das confissões e o tom de ingênua simplicidade deste longo poema de amor, no entanto, superam em muito os clichês ditados pelos convencionalismos daquela escola. Como poeta satírico, Thomás A. Gonzaga produziu as Cartas chilenas, que circularam clandestinamente em Vila Rica e registraram a insatisfação das elites mineiras para com a administração do governador Cunha Menezes, ridicularizado como Fanfarrão Minésio. Em treze cartas, assinadas por Critilo (pseudônimo do poeta), escritas em versos decassílabos brancos e endereçadas a Doroteu (que se pressupõe seja o amigo Cláudio M. da Costa), Gonzaga denunciou as estripulias e a corrupção produzidas pelo louco chefe asno e pela corja de velhacos que ele protegia. A paternidade das Cartas chilenas foi discutida durante muito tempo; hoje, após minuciosa pesquisa realizada pelo professor Rodrigues Lapa, não se tem mais dúvida de que o autor é realmente Tomáz Antônio Gonzaga. Suas desventuras políticas tiveram origem com essa obra, que representou melhor qualquer documento histórico a vida naquela pequena capital das artes e da luxuria: a cidade de Vila Rica no século XVIII. EXERCÍCIOS 01.(EFOA 99) Considere as afirmações a respeito do Arcadismo brasileiro. Todas as alternativas estão corretas, EXCETO: a) Foi o movimento literário que se desenvolveu no séc. XVIII, quando o saber assumiu uma importância fundamental.

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